Disse-te adeus e morri E o cais vazio de ti Aceitou novas marés. Gritos de búzios perdidos, Roubaram dos meus sentidos, A gaivota que tu és.
Gaivota de asas paradas, Que não sente as madrugadas E acorda à noite a chorar. Gaivota que faz o ninho Porque perdeu o caminho Onde aprendeu a sonhar.
Preso no ventre do mar O meu triste respirar Sofre a invenção das horas. Pois, na ausência que deixaste, Meu amor, como ficaste? Meu amor, como demoras!
Preso no ventre do mar O meu triste respirar Sofre a invenção das horas. Pois, na ausência que deixaste, Meu amor, como ficaste? Meu amor, como demoras!
Letra: Vasco de Lima Couto Música: José António Sabrosa Intérprete: Cristina Branco (in CD “Corpo Iluminado”, Universal, 2001) Versão original: Amália Rodrigues (in “Vou Dar de Beber à Dor”, Columbia/VC, 1969; reed. EMI-VC, 1992)
Disse-te adeus
Disse-te adeus, não me lembro Em que dia de Setembro Só sei que era madrugada A rua estava deserta E até a lua discreta Fingiu que não deu por nada
Sorrimos à despedida Como quem sabe que a vida É nome que a morte tem Nunca mais nos encontrámos E nunca mais perguntámos Um p’lo outro a ninguém
Que memória ou que saudade Contará toda a verdade Do que não fomos capazes Por saudade ou por memória Eu só sei contar a história Da falta que tu me fazes
Letra: Manuela de Freitas Música: Frederico de Brito (Fados dos Sonhos) Intérprete: Camané (in CD “Uma Noite de Fados”, EMI-VC, 1995)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Gostei desse amor
[ Disse-te Adeus e Sorri ]
Gostei desse amor, fui pedra! Fui um vento de revolta… Amei sem fronteira, fui serra! Fui montanha que se acorda…
Muralhas de amor e de saudade São rios de beijo e de vontade; Adeus ao sorrir, não morro, Sofro apenas a minha verdade…
Foi nesse adeus, De corpo alado: Beijos tão meus Fogem em meu fado!
Será teu adeus verdade? Ou será apenas lenda? Sou eu quem te digo: Saudade num caminho sem legenda!…
Vestiste teu manto de seda Num vento de leda ansiedade; Certezas não há quem tenha, Só sei que este amor é verdade!…
Foi nesse adeus, De corpo alado: Beijos tão meus Fogem em meu fado!
Se nada disseste, Eu nada te disse; Foi porque quiseste Este fim tão triste!…
Foi nesse adeus, De corpo alado: Beijos tão meus Fogem em meu fado!
Se nada disseste, Eu nada te disse; Foi porque quiseste Este fim tão triste!…
Letra e música: José Flávio Martins Intérprete: Senhor Vadio (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013)
Senhor Vadio
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/03/senhor-vadio.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:48:182024-11-02 06:37:50Canções de adeus
Anoiteceu no meu olhar de feiticeira, de estrela do mar, de céu, de lua cheia, de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar, perdi as penas, não posso voar, deixei filhos e ninhos, cuidados, carinhos, no mar…
Só sei voar dentro de mim neste sonho de abraçar o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim, com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim, até não mais acordar…
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar, voarei, voarei sem parar à volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois, dormiria na areia…
Letra: João Mendonça Música: Leonardo Amuedo Intérprete: Dulce Pontes (in CD “O Primeiro Canto”, Polydor, 1999)
Branca era a noite
[ Uma Estrela no Sul ]
Branca era a noite Uma estrela no sul A lua cheia Num céu tão azul Rendas de espuma no mar, dando à costa um abraço E este meu coração a bater a compasso…
Que morra o dia Pois a noite é irmã Voos tão altos Na minha fajã Quero reter essa luz, são momentos escassos Depois recolher ao meu quarto e apertar-te nos braços
Ai meu amor Escuta a minha voz Pensando bem Quem está como nós? Grande é o mundo Tantas vezes bisonho Mas tão pequeno Comparado com o sonho…
Branca era a noite E era roxa a saudade Dos dias longos… Que é da mocidade? Os olhos rasos em águas de recordações Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções
Corre agitada Esta vida maruja Águas serenas Piares de coruja Há nesta noite tranquila uma bênção no ar Convite da natureza p’ra a gente se amar
Ai meu amor Escuta a minha voz Pensando bem Quem está como nós? Grande é o mundo Tantas vezes bisonho Mas tão pequeno Comparado com o sonho…
Branca era a noite E era roxa a saudade Dos dias longos… Que é da mocidade? Os olhos rasos em águas de recordações Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções
Corre agitada Esta vida maruja Águas serenas Piares de coruja Há nesta noite tranquila uma bênção no ar Convite da natureza p’ra a gente se amar
Ai meu amor Escuta a minha voz Pensando bem Quem está como nós? Grande é o mundo Tantas vezes bisonho Mas tão pequeno Comparado com o sonho…
Letra e música: Aníbal Raposo (2010-01-21) Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Lua branca das ribeiras
[ Lua Branca das Ribeiras ]
Lua branca das ribeiras a quem mostras o caminho Às bruxas, às feiticeiras ou a quem anda sozinho A ribeira tem segredos que tu andas a esconder Hão-de contar-se p’los dedos os que tu me hás-de dizer
Lua branca das ribeiras com quem passas o serão De companha às fiandeiras à janela do ganhão À porta das raparigas que não se querem deitar Vais ensinando as cantigas de quem se há-de apaixonar Lua branca das ribeiras
Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir Já a vi lá com tristeza e a sorrir Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar Poder encontrar alguém a quem contar
Lua branca das ribeiras de quem é o teu brilhar Das moças namoradeiras ou de quem as faz penar Dos que se enganam na vida p’lo correr da madrugada Ou de uma alma perdida que passa a noite calada
Se a ribeira me levasse onde a lua vai dormir Talvez eu por lá contasse tanto que eu ando a sentir De quem é a cor da lua que nos traz tanto querer Não é minha nem é tua, é de quem a entender Lua branca das ribeiras
Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir Já a vi lá com tristeza e a sorrir Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar Poder encontrar alguém a quem contar
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Quadrilha (in CD “A Cor da Vontade”, Vachier & Associados, 2003)
Ó lua faz-me uma trança
[ À Porta do Mundo ]
Ó lua faz-me uma trança P’ra de dia desmanchar Guarda-me a última dança Quando o fio se acabar
Gosto de ver o teu rosto Que a mil caminhos se presta Para uma noite desgosto Por uma noite de festa
Voltaria à tua terra Por um mergulho de mar Entre a cidade e a serra Fica algures o meu lugar
Este mundo não tem porta Nem uma chave escondida Por trás de tudo o que importa Vem um sentido p’rá vida
Se te fizeres ao caminho Em horas de arrebol P’ra fermentar o meu vinho Traz-me um pedaço de sol
Vamos escrever uma história Rever um filme a passar Logo virá à memória O que eu te queria dar
Será verdade ou mentira Como um segredo roubado Sou como a lua que gira Hei-de dançar ao teu lado
Este mundo não tem porta Nem uma chave escondida Por trás de tudo o que importa Vem um sentido p’rá vida
Letra e música: João Afonso Lima e José Moz Carrapa Arranjo: Ricardo Dias Intérprete: Filipa Pais (in CD “À Porta do Mundo”, Vachier & Associados, 2003)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/lua-branca.jpg401400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:40:272024-11-13 11:19:05Canções à lua
Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Venham Mais Cinco”, Orfeu, 1973; reed. Movieplay, 1987)
A formiga no carreiro vinha em sentido contrário, caiu ao Tejo ao pé dum septuagenário.
Larpou, trepou às tábuas que flutuavam nas águas e de cima duma delas virou-se p’ró formigueiro: “Mudem de rumo! Já lá vem outro carreiro.”
A formiga no carreiro vinha em sentido diferente. Caiu à rua no meio de toda a gente, buliu, abriu as gâmbias para trepar às varandas e de cima duma delas virou-se pró formigueiro: “Mudem de rumo! Já lá vem outro carreiro.”
A formiga no carreiro andava à roda da vida. Caiu em cima Duma espinhela caída furou, furou à brava numa cova que ali estava e de cima duma delas virou-se pró formigueiro: “Mudem de rumo! Já lá vem outro carreiro.”
Formiga
Com as pernas já cansadas
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
Com as pernas já cansadas e a barriga tão vazia, a raposa viu uns cachos e deu pulos de alegria.
Tentava apanhar as uvas, mas cansava-se em vão e a alegria que tivera tornou-se desilusão.
Enganando-se a si mesma por já não conseguir tê-las, disse então que eram verdes, só cães podiam comê-las.
Mas quando, ao ir-se embora, ouviu um leve ruído, voltou-se com a esperança de um bago ter caído.
Dias a fio andou
[ O Pulo do Lobo ]
Dias a fio andou Por andar chegou Em chegando viu E então sorriu A sorrir pensou Por pensar agiu Ao agir falou
“Diz-me andorinha, Deste voo teu, Se é dança ou feitiço, Se me emprestas a vertigem Dessa queda livre Do teu voo raso Desse baile alado Sim?”
E saltou, Ao saltar tremeu A tremer subiu Por subir desceu E então caiu, A cair bateu Ao bater sentiu, Ao sentir pensou
“Diz-me andorinha, Sentes como eu? O poder da terra Na torrente, rodopio Estilhaço o corpo Num grito calado Sob um manto de água Não?”
Letra e música: Manuel Maio Intérprete: A Presença das Formigas* (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)
Durante todo o Verão
António José Ferreira Adaptado da fábula “A cigarra e a formiga”
Durante todo o Verão, que bem cantou a cigarra; de dia, ‘stava na praia, à noite, ia para a farra.
Ficou no campo a formiga, pensando no seu celeiro. O esforço do seu trabalho, rendeu-lhe um bom mealheiro.
O Inverno só trouxe frio e nada para comer: à porta do formigueiro foi a cigarra bater.
– Durante todo o verão cantei p’ra te alegrar: dá-me um pouco de comida para eu poder jantar.
– Enquanto te divertias, eu ‘stava a trabalhar. Cantavas todos os dias, agora vai lá dançar.
Eu sou o cão D. Pantaleão
Letra e música: José Barata Moura
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho um barbeiro e uma criada, um casaco e uma almofada! – E eu cá não tenho nada!
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho uma casa aquecida, boa cama e comida! – Não é lá muito boa a minha vida…
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho sombrinha e cachecol, luvas e chapéu mole! – Eu cá tanto ando à chuva como ao sol.
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho uma coleira amarela, que parece uma estrela! – Mas eu cá não gosto da trela!
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
Intérprete: José Barata Moura
Havia um pescador
Texto: António José Ferreira
Havia um pescador, um pescador havia.
Um dia foi à pesca, foi fraca a pescaria.
Pescou só um peixinho, levou-o à Maria.
Quando chegou a casa, ouviu o que não queria.
– Se fosse um peixe grande, que almoço não daria!
– O peixe é pequenino e muito cresceria!
José pegou no balde, deitou o peixe à ria.
Lamentava-se o pavão
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
Lamentava-se o pavão de não cantar nada bem, de não ter a voz bonita que o rouxinol sempre tem.
– Não reclames – disse Deus -, pavãozinho despeitado! Não vês que, p’las tuas cores, és famoso em todo o lado?
Cada um tem seu encanto: a águia tem a coragem, o melro tem o seu canto, o pavão rica plumagem.
A ave compreendeu: não se podia queixar. Ninguém é perfeito em tudo, em tudo há que se alegrar.
Muitas nozes e avelãs
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
Muitas nozes e avelãs tinha o Senhor Esquilo: lembrou-se de partilhar alguns frutos do seu silo.
Pegou na melhor bandeja, para as nozes of’recer, e mandou o seu filhote ao vizinho, a correr.
Quando viram a bandeja os olhos do seu vizinho, nem se lembraram das nozes of’recidas com carinho.
Nem o esquilo viu de volta a bandeja preferida, nem na casa do vizinho houve prenda parecida.
No meio de uma floresta
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
No meio de uma floresta, um veado adoeceu. Um grupo dos seus amigos foi ver o que aconteceu.
Foram para socorrê-lo, ou talvez o consolar, para cumprir o dever de o amigo ajudar.
No fim da sua visita, tiveram um bom repasto: e da erva do veado, quase não deixaram rasto.
Com pouco alimento perto, aquele velho veado, morreu ainda mais cedo, infeliz, esfomeado.
No ramo de um arbusto
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
No ramo de um arbusto, o corvo mostrava um queijo: a raposa aproximou-se atraída p’lo desejo.
Muito esperta, a raposa passou a elogiar o corvo, as suas penas e o canto, e até a forma de andar.
Cego pelo seu orgulho, o corvo pôs-se a cantar: o queijo caiu do bico e à raposa foi parar.
O leão, o rei da selva
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
O leão, o rei da selva, perdeu forças e poder: tornou-se apenas um velho preparado p’ra morrer.
Os burros davam-lhe coices e os lobos davam dentadas; gazelas faziam troça e os bois davam cornadas.
Mal conseguia rugir o cansado rei leão: chegara a hora de os fracos lhe poderem dizer não.
Um dia, o Senhor Lobo
António José Ferreira
Um dia, o Senhor Lobo que andava a passear, avistou o Capuchinho e foi logo perguntar:
– Aonde vais, ó menina, com essa linda cestinha? – Vou levar um bolo e mel à minha rica avozinha.
Mais depressa foi o lobo à casa da avozinha enquanto ia praticando falar com voz de netinha.
(Alguém bate à porta)
– Quem está a bater à porta? – É a tua qu’rida netinha. – Ai meu Deus, é o lobo mau. – Não te como, avozinha.
(Entretanto, o Capuchinho Vermelho chega a casa da avó e vai ter com ela. )
– Que grandes são os teus olhos! – São para te observar! – Que grande é o teu nariz! – É p’ra melhor te cheirar!
– Que fofas as tuas mãos! – São p’ra melhor te tocar! – Que grande é a tua boca! – É p’ra melhor te beijar!
Os deuses da Grécia antiga
António José Ferreira
Os deuses da Grécia antiga eram gente como nós: casavam-se, tinham filhos, não gostavam de estar sós.
Plim plim (lira)
Zeus, o grande pai dos deuses, do Olimpo era o Senhor. Era casado com Hera, que tinha muito amor.
Saxapum (pratos)
Os deuses de antigamente contavam-se por dezenas. Do Olimpo adoravam ver os jogos em Atenas.
Te te te (trombeta)
Poseidon, irmão de Zeus, era o rei dos oceanos. Se fazia tempestades assustavam-se os humanos.
Tum tum (tambor)
Artémis, filha de Zeus, protegia os animais. Bebia néctar puro como seus irmãos e pais.
Té té té té (trombeta)
Deméter, irmã de Zeus, passou por muita aventura. Gostava muito de plantas, protegia a agricultura.
Fi fi fi (flauta)
Um pescador foi à pesca
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
1. Um pescador foi à pesca com vontade de pescar todo o peixe que pudesse para comer ao jantar.
2. Pescou cinco bons robalos, e apanhou uma enguia que lhe encheram a sacola e lhe deram alegria.
3. Viu, por fim, um robalinho preso no anzol, a chorar: – Sou ainda muito novo, não darei grande manjar.
4. – Mais vale um peixe no saco que um cardume a nadar. – Mas, se pescas todo o peixe, que vais amanhã pescar?
5. O pescador quis levá-la, mas a tempo percebeu: – Se não há peixes no rio, amanhã, que pesco eu?
Uma rã, que era vaidosa
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
1. Uma rã, que era vaidosa, viu no campo uma vitela, admirou o seu tamanho e quis ser igual a ela.
2. Deixou logo o seu charquinho, começou a engordar, tanto era o seu desejo de à vitela se igualar.
3. A rã perguntava às outras se já era grande e bela, mas estava muito longe do tamanho da vitela.
4. Tanto a rã inchou de inveja que um dia rebentou: não foi uma rã feliz nem à vaca se igualou.
Uma vez, uma pastora
1. Uma vez, uma pastora, larau, larau, larito, com o leite do seu gado mandou fazer um queijito.
Mas o gato espreitava, larau, larau, larito, mas o gato espreitava com sentido no queijito.
E aqui metia a pata larau, larau, larito, e aqui metia a pata e além o focinhito.
A pastora, de zangada, larau, larau, larito, a pastora de zangada castigou o seu gatito.
E aqui termina a estória, larau, larau, larito, e aqui termina a estória da pastora e do queijito.
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/05/formiga.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:25:082023-05-02 21:18:47Canções com fábulas
O cantar dos reis, também chamado “reisadas”, é uma secular tradição portuguesa que acontece entre o Natal (25 de dezembro) e o dia de Reis (6 de janeiro), assumindo características diferenciadoras em certas regiões.
Acompanhados por instrumentos musicais, grupos de amigos e conhecidos (reiseiros) vão de casa em entoando cantigas com que se deseja boas festas e um feliz ano novo e se pede um donativo. As janeiras têm o foco no desejar um bom ano e não tanto no nascimento de Jesus. As tradicionais janeiras e cantares ao Menino assumem no concelho de Faro a forma particular de encontros de charolas, amplamente participados.
Na linha das tradições musicais portuguesas (e no âmbito de Educação Musical e de Música), podem ser manifestação de empatia com a comunidade educativa. Na escola, as quadras podem ser preparadas com os alunos, atividade que fomenta a criatividade e o gosto da poesia.
Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores
A cabana está fechada
1. A cabana está fechada, o Menino está lá dentro. Vinde dar as Boas Festas. Ó que lindo nascimento.
Vamos todos, vamos todos, vamos todos a Belém adorar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
A cantar-vos as janeiras
A cantar-vos as janeiras aqui estamos reunidos. Desejamos um bom ano aos amigos mais queridos.
1. Vivam os colegas, e os professores, os auxiliares e educadores.
Versão das janeiras “Boas festas, boas festas” destinada à escola.
Agora que eu vou cantar
Agora que eu vou cantar, viva o meu atrevimento. Quem não me quiser ouvir bote os ouvidos ao vento.
Por bem cantar, mal não digas dos que a voz aqui levantam, pois uns cantam o que sabem e outros sabem o que cantam.
Popular do Alentejo
Alegres cantam os sinos
1. Alegres cantam os sinos nesta noite de Natal em que Jesus veio ao mundo para nos livrar do mal.
Vinde, pastores, correi a Belém, ver na lapinha Jesus nosso bem. Vinde adorar o Menino, Vinde todos a Belém.
2. Glória a Deus nas alturas, estão anjos a cantar. Vinde adorar o Menino que nasceu p’ra nos salvar.
3. Ó meu menino Jesus, nascidinho na probreza, tomai posse da minha alma que é toda a minha riqueza.
Cantar. 1964, 4ª ed., 162-163.
Aqui estamos nós
Aqui estamos nós Neste belo dia Cantando as janeiras Com muita alegria.
P’ra a nossa família E p’ra toda a gente Que o ano novo seja excelente.
2. Para os colegas E os professores, Os auxiliares E educadores…
3. Que os nossos amigos Tenham amizade, Muita alegria E felicidade.
Aqui estamos nós todos reunidos
Aqui estamos nós todos reunidos cantando as janeiras aos nossos amigos, sem nenhum interesse com muita amizade, cantando as janeiras à sociedade.
Somos cá da terra e vimos cantar, dar as boas festas p’ra vos alegrar. Neste ano novo que Deus nos ajude, nos dê muita paz e muita saúde.
1. Somos bons amigos e vimos cantar dar as boas festas p’ra vos alegrar. Neste novo ano que Deus nos ajude, nos dê muita paz e muita saúde.
2. ‘Stamos a acabar, temos de partir mas jamais iremos sem nos despedir. Senhores da casa batam-nos as palmas, sejam lá bondosos pelas vossas almas.
Aqui vêm as três rosinhas
Aqui vêm as três rosinhas quatro ou cinco ou seis se o senhor nos dá licença vimos-lhe cantar os reis
Os três reis do oriente já chegaram a Belém visitar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
O menino está no berço coberto c’o cobertor e os anjinhos estão cantando louvado sej’o Senhor.
O Senhor por ser Senhor nasceu nos tristes palheiros, deixou cravos, deixou rosas, deixou lindos travesseiros.
Você diz que tem bom vinho có có có, venha-nos dar de beber, rintintin, florin-tintin, traililairó.
Donões, Montalegre, Trás-os-Montes
Aqui vimos, aqui estamos
Aqui vimos, aqui estamos, aqui vimos, bem sabeis, vimos dar as boas festas e também cantar os reis.
1. Pastores, pastores, vamos todos a Belém visitar Maria e Jesus também.
2. Nasceu o Menino Jesus, nasceu para nos salvar; vamos todos a Belém, o verdadeiro lugar.
3. Quem diremos nós que viva no raminho de oliveira? Viva o Senhor Alberto e viva a família inteira.
Final: Pastores, pastores, vamos a Belém visitar Maria e Jesus também.
Trad. Louredo/Resende, Portugal
Boas festas
Boas festas, boas festas aos amigos vimos dar. Um bom ano, um bom ano vos queremos desejar.
1. Ó vós que dormis em cama macia, já nasceu o filho da Virgem Maria.
Boas festas, boas festas
1. Boas festas, boas festas tenha vossa senhoria, com boas entradas de ano com prazer e alegria.
Vamos todos juntos, todos reunidos dar as Boas Festas aos nossos amigos.
2. Como alegres passarinhos a nossa vida é cantar e aos senhores desta casa queremos saudar.
3. Vivam todos meus senhores, vivam todos em geral. Deus lhes dê um ano novo isento de todo o mal.
Cantar 1964, 4ª ed. 158-159.
Boas noites
Boas noites, boas noites, boas noites de alegria, que lhas manda o Rei da Glória, filho da Virgem Maria.
Naquela relvinha, c ’o vento gelou, a mãe de Jesus tão pura ficou.
Dominus excelsis Deo, que já é nascido O que nove meses andou escondido.
De quem é o chapeuzinho Qu’além ‘stá pendurado? É do senhor José que Deus o faça um cravo.
De quem é o vestidinho cosido com seda branca? É da senhora Susana que Deus a faça uma santa.
De quem será é o pente d’oiro Que se achou no arvoredo? É da senhora Clara que lhe caiu do cabelo.
De quem eram as liguinhas que se acharam entre as ervas? Eram da senhora Rosa que lhe caíram das pernas.
De quem seriam eram as botinhas que estavam no sapateiro? Eram do senhor Custódio que as pagou c’o seu dinheiro.
Levante-se lá, senhora do seu banco de cortiça. Venha-nos dar as janeiras, ou morcela ou chouriça.
Levante-se lá, senhora, desse seu rico banquinho, Venha-nos dar as janeiras em louvor do Deus Menino.
Levante-se lá, senhora, desse seu rico assento. Venha-nos dar as janeiras em louvor do Nascimento.
Levante-se lá, senhora, desse seu banco de prata, Venha-nos dar as janeiras que está um frio que mata.
(Se demoram a dar as janeiras…)
Levante-se lá, senhora dessa cadeirinha torta. Venha-nos dar as janeiras se não batemos-lhe à porta.
(Se dão as janeiras, cantam a despedida.)
Despedida, despedida, despedida quero dar. Os senhores desta casa bem nos podem desculpar.
(Se não dão as janeiras)
Esta casa não é alta, tem apenas um andar. Estes barbas de farelo nada têm p’ra nos dar.
Esta casa é bem alta, forradinha de papel. O senhor que nela mora É um grande furriel.
Esta casa é bem alta, forradinha a papelão. O senhor que nela mora é um grande forretão.
(Trelinca a martelo torna a trelincar. Estes barbas de chibo não têm que nos dar.)
(Quando vão comer as janeiras)
Naquela relvinha, naquela lameira, detrás da fontinha se come a Janeira.
Gloria in excelsis Deo, que já é nascido O que nove meses andou escondido.
Recolha de várias com base na de Vale de Lobo, BB – Etnografia da Beira, I vol., Jaime Lopes Dias, 2ª ed. Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa 1944, 159. Pequenas adaptações.
Boas noites, meus senhores
Boas noites, meus senhores, Boas noites vimos dar. Vimos pedir as janeiras Se no-las quiserem dar.
Aqui vimos, aqui vimos, Aqui vimos bem sabeis. Vimos dar as boas festas E também cantar os reis.
Ano Novo, Ano Novo, Ano Novo, melhor ano. Vimos cantar as janeiras Como é de lei cada ano.
Levante, linda senhora Desse banquinho de prata. Venha-nos dar as janeiras Que está um frio que mata.
As janeiras são cantadas Do Natal até aos Reis. Olhai lá por vossa casa Se há coisa que nos deis.
Cá estamos à sua porta
Cá estamos à sua porta, um grupo de amigos seus. Falar bem nada nos custa: santa noite lhe dê Deus.
Que tenha um próspero ano e não esqueça a virtude. Que tenha muita alegria e outra tanta saúde.
A quem tanto bem nos faz Deus livre de pena e dano. Fiquem com Deus, passem bem! Até ao próximo ano!
Adapt. Aqui ‘stou à sua porta mais dois camaradas meus. Falar bem nada nos custa: santas noites lhes dê Deus.
Venho lhes dar os bons anos que pelas festas não pude. Venho ao fim de saber novas da sua saúde.
Trad. Portugal, Peroguarda
Cantemos
Cantemos, cantemos, cantemos com alegria. Vimos dar as Boas Festas à nossa freguesia.
1. A senhora desta casa está sentada num banquinho. Venha o prato das filhoses e o garrafão do vinho.
2. A senhora que aqui mora seria boa pessoa se nos trouxesse presunto e um pedaço de broa.
Cantemos todos lindas canções
Cantemos todos lindas canções. Louvam a Deus os corações. Já é nascido, haja alegria!, o Deus menino, Avé Maria.
Entrai, pastores, entrai por esse portal sagrado. Vinde adorar o menino numas palhinhas deitado.
Da serra veio um pastor à minha porta bateu. Trouxe uma carta que diz: “O Deus menino nasceu!”
Pela oferta que nos deram, o nosso muito obrigado. Tenham um bom ano novo de paz e amor recheado.
Debaixo de uma oliveira
Debaixo de uma oliveira, um anjo do céu dizia: a todos os moradores muita paz e alegria!
1. As janeiras são cantadas em janeiro pelos Reis. Nasceu um lindo menino, o seu nome já o sabeis.
2. Boas festas, boas festas vos dizemos neste dia; vós dais-nos as janeirinhas, nós trazemos a alegria.
3. A todos os que aqui ‘stão a ouvir-nos a cantar, nós desejamos bom ano e saúde a transbordar.
Trad. Portugal
Em Belém, à meia noite
1. Em Belém, à meia noite, noite de tanta alegria já nasceu o Deus Menino, Filho da Virgem Maria.
Pastores, pastores, vinde todos a Belém adorar o Deus Menino, que Nossa Senhora tem.
2. Viva lá, senhora Amélia raminho de amendoeira. ‘Inda neste mundo anda já no céu tem a cadeira.
3. Viva lá, o menino Diogo que lá está juntinho à brasa. Venha-nos dar as janeiras que é o morgado da casa.
4. Viva lá, senhor Armando raminho de salsa crua. Quando vai para a igreja alumia toda a rua.
5. A todos que aí estão ao redor dessa fogueira, santa paz lhes desejamos ‘té à hora derradeira.
Cf. Cantar. 1964, 4ª ed., 152-153.
Esta casa é tão alta
Esta casa é tão alta, É forrada de papelão. Aos senhores que cá moram, Deus lhe dê a salvação.
Estas Casas São Mui Altas
Estas casas são mui altas, Mui altas, Forradinhas de alegria. Viva quem nelas passeia, Passeia, Que é a Senhora Maria!
Estas casas são mui altas, Mui altas, Mas não lhes chegamos nós. Viva quem nelas passeia, Passeia, Quem está a fazer filhós!
Levante-se lá, Senhora, Senhora, Desse tão lindo assento! Venha-nos dar as janeiras, janeiras, Na boda do Nascimento!
Letra e música: Popular (Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Recolha: António Joyce (1939) (in “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes Graça, 3.ª edição, Colecção Saber, n.º 23, Mem Martins: Publicações Europa-América, s/d. – p. 109) Arranjo: Jaime Ferreira Intérprete: Terra a Terra (in LP “Lá Vai Jeremias”, Orfeu/Rádio Triunfo, 1985, reed. Movieplay, 2005)
Esta noite
Esta noite é de janeiras. Cantemos com alegria. Já nasceu o Deus Menino Filho da Virgem Maria,
Filho da Virgem Maria Numas palhinhas deitado. Deu à luz esta criança O Deus Menino Sagrado.
Estou a ver a dona de casa Pelo buraco da fechadura. Venha-me dar a esmola Que o frio já não se atura.
Quando vinha aí em baixo Topei com uma cortiça. Logo o meu coração disse Que aqui davam uma chouriça.
Autor: Diogo Graça Carolino Alvalade – Sado
Esta noite é de janeiras
Esta noite é de janeiras e dum grande merecimento por ser a noite primeira em que Deus passou tormento.
Os tormentos que passou, eu lhes digo a verdade: o seu sangue derramou p ’ra salvar a sociedade.
Um raminho, dois raminhos, um raminho de salsa crua. Ao pé da tua cama nasce o sol e põe-se a lua. Daqui donde estou bem vejo um canivete a bailar para cortar a chouriça que a senhora me há-de dar.
Esta noite é de janeiras, in cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti; F. Lopes-Graça. Círculo de Leitores 1981, 46.
Esta noite é de janeiras, é de grande mer’cimento
Esta noite é de janeiras, é de grande mer’cimento. Por ser a noite primeira em que Deus passou tormento.
Os tormentos que passou de Sua livre vontade, o Seu Sangue derramou p’ra salvar a Cristandade.
O Seu Sangue derramou, Seu Sangue derramaria p’ra salvar a Cristandade, São Pedro, Santa Maria!
Ao fim de séculos passados, foram ver a sepultura. Acharam ossos mirrados, o sinal da criatura!
Esta noite de Ano Novo é de tão alto valor. Deus lhe dê muita saúde e pão ao Sr. Doutor!
Viva o Sr. Dr. Carlos que vela p’los pobrezinhos Deus lhe dê muita saúde pra criar os seus filhinhos!
Esta casa está juncada com junquilhos da ribeira. Viva o dono desta casa, mais a sua companheira!
Esta casa está juncada com ramos de erva cidreira. Deus lhe dê muita saúde, e à sua família inteira!
janeiras, in cancioneiro de Serpa, M. Rita Ortigão P. Cortez, Ed. C.M. Serpa 1994, 366-367.
Foi tão belo o que aconteceu
Uma estrela os guiou
Inda agora
‘Inda agora aqui cheguei, já começo a cantar. ‘Inda não pedi licença, não sei se ma querem dar.
Pastores, Pastores, vinde todos a Belém adorar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
Levante-se lá, ó senhora, desse seu lindo banquinho. Venha o prato das filhoses e uma garrafa de vinho.
Levante-se lá, ó senhora dessa cadeira de prata, Venha-nos dar as janeiras que está um frio que mata.
Inda agora aqui cheguei
Inda agora aqui cheguei, mal pus o pé na escada, logo o meu coração disse: aqui mora gente honrada.
Ó irmãos na caridade, notícias vos trago eu: às doze horas da noite o Deus Menino nasceu.
Nasceu numas tristes palhas como nasce o cordeirinho. Por causa dos meus pecados foi preso ao madeirinho.
De quem é a bengalinha que está ali no bengaleiro? É do patrão desta casa que é um bom cavalheiro.
Já os campos averdegam
Já os campos averdegam noite e dia à bela luz. Ó que lindo nascimento teve o menino Jesus.
Andámos de casa em casa por atalhos e caminhos, os corações sempre em brasa como outrora os pastorinhos.
2. Ó meu menino Jesus, meu lindo amor perfeito, se vós tendes frio vinde parar ao meu peito.
Já os três reis vão chegando
1. Já os três reis vão chegando à lapinha de Belém adorar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
Com muitas graças aqui viemos as boas festas lhes cantaremos.
2. A cabana era pequena, não cabiam todos três; adoraram o Menino cada um por sua vez.
3. Nossa Senhora lhe disse: – Filho meu, que te farei?! Não tenho cama nem berço, nos braços te criarei.
Já os três reis são chegados
1. Já os três reis são chegados às portas do Oriente visitar o Deus Menino, Senhor Deus omnipotente.
2. Já os três reis são chegados à lapinha de Belém, visitar o Deus Menino que a Nossa Senhora tem.
3. Nossa Senhora Lhe disse: – Filho meu, que Te farei? Não tenho cama nem berço, nos braços te criarei.
4. Estas casas são bem altas, têm defronte um laranjal. Viva quem está dentro delas, vivam todos em geral.
Meia noite dada
1. Meia noite dada, meia noite em pino, cantavam os galos, nascia o Menino.
2. Chorava o Menino como um enjeitado, em lapa da serra, não no povoado.
3. Menino tão rico que pobre estais!… Deitado no feno, entre animais!
4. Os filhos dos homens em berço doirado, e Vós, meu Menino, em palhas deitado!
5. Em palhas deitado, tão pobre esquecido, filho de uma rosa, de um cravo nascido.
6. E do Oriente os três reis vieram. Oiro, incenso e mirra lhe ofereceram.
Nesta casa há amor
Nesta casa há amor, junta-se a paz à lareira para ouvir cantar em grupo cantadores, cantadeiras.
1. Vimos cantar as janeiras Do tempo da nossa avó. Somos gente das aldeias unidas num grupo só.
2. Nos braços da bela aurora vejo o menino brincando com a mãozinha de fora todo o Mundo abençoando.
Neste dia de Janeiro
Neste dia de Janeiro nós cá ‘stamos a cantar. Um bom ano para todos vos queremos desejar.
É nascido o Deus Menino, Filho da Virgem Maria. Cantemos em seus louvores nossos hinos de alegria.
Cf. Cantar, 1964, 4ªed., 176.
Nós aqui vimos
Nós aqui vimos, todos reunidos, dar as Boas Festas aos nossos amigos.
Não é com interesse mas com amizade dar as Boas Festas à sociedade.
Sobreirinho ramalhudo que nos dás a bolota, se tens filhos ou criados mandai-nos abrir a porta.
Pela oferta que nos deram o nosso muito obrigado. O nosso rancho agradece nós p’ró ano cá voltamos
Modivas, Ourém
Nós somos os três reis
1. Nós somos os três reis que vimos do Oriente trazer as boas festas com paz p’ra toda a gente. Nós somos os três reis guiados por uma luz. Adoramos o Deus Menino que se chama Jesus.
2. Nós somos os três reis, Baltazar e Gaspar. Também o Belchior O veio adorar. Nós somos os três reis guiados por uma luz. E trouxemos três presentes p’ro Menino Jesus.
O ano vem vindo
[ Bons Anos ]
O ano novo vem vindo Sorridente e a cantar; O velho que vai saindo Vai triste por acabar.
Eu já vejo a luz acesa; Sei que não estás dormindo. A mulher vai pondo a mesa; Tua porta vai abrindo.
Está um frio que corta, Aqui não posso ficar. Se tu não abres a porta, Noutro lugar vou cantar.
Letra: Maria Angelina de Arruda Medeiros Ponte Música: Tradicional (Maia, Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores) Arranjo: Miguel Pimentel Intérpretes: Miguel Pimentel com Maria José Victória (in CD “A Roda do Ano”, Miguel Pimentel, 2002, reed. Açor/Emiliano Toste, 2019)
Ó da casa, nobre gente
Ó da casa, nobre gente, escutareis e ouvireis Das bandas do Oriente são chegados três reis.
São três reis, são três c’roados, vinde ver quem vos c’roou, e mais quem vos ordenou no vosso santo caminho.
Mandou Deus, por uma estrela que lhe ensinasse o caminho; a estrelinha foi pousar no alto duma cabana…
A cabana era pequena, não cabiam todos três; adoraram Deus Menino cada um por sua vez.
Todos Lhe ofereceram ouro e mirra e incenso; não lhe ofereceram mais nada porque Ele era Deus imenso.
Tradicional de Cinfães, Portugal
Ó de casa, alta nobreza
Ó de casa, alta nobreza, mandai-nos abrir a porta, ponde a toalha na mesa com caldo quente da horta!
Teni, ferrinhos de prata, ao toque desta sanfona! Trazemos ovos de prata fresquinhos, prá vossa dona.
Senhora dona de casa, à ilharga do seu Joaquim, vermelha como uma brasa e alva como um jasmim!
Vimos honrar a Jesus numas palhinhas deitado: o candeio está sem luz numa arribana de gado.
Mas uma estrela dianteira arde no céu, que regala! A palha ficou trigueira, os pastorinhos sem fala.
Dá-lhe calorzinho a vaca, o carvoeiro uma murra, a velha o que traz na saca, seus olho mansos a burra.
Já as janeiras vieram, os Reis estão a chegar, Os anos amadurecem: estamos para durar!
Já lá vem Dom Melchior sentado no seu camelo cantar as loas de cor ao cair do caramelo.
Ó incenso, mirra e oiro, que cheirais e luzis tanto, não valeis aquele tesoiro do nosso Menino santo!
Abride a porta ao peregrino, que vem de num longe, à neve, de ver nascer o Menino nas palhinhas do preseve.
Acabou-se esta cantiga, vamos agora à chacota: já enchemos a barriga, sigamos nossa derrota!
Rico vinho, santa broa calça o fraco, veste os nus! Voltaremos a Lisboa pró ano, querendo Jesus.
Recolha de Vitorino Nemésio (1901-1978)
O Menino está deitado
1. O Menino está deitado com Maria e José. Cantamos nós com os anjos: “Gloria tibi Domine”. .
2. Entrai, pastores, entrai na lapinha de Belém. Adorai o Deus Menino que nasceu p’ra nosso bem.
Cf. Cantar. 1964, 4ª ed.
Os pastores vão andando
Os pastores vão andando, andando sempre à porfia a ver quem chega primeiro aos pés da Virgem Maria.
Boas festas, meus senhores, festas de tanta alegria. Já nasceu o Deus Menino, Filho da Virgem Maria.
Para quem está ouvindo esta nossa melodia, pedimos ao Deus Menino lhes dê paz e alegria.
Aqui ‘stou à sua porta c’um pé frio e outro quente. Venha dar-nos as janeiras, um copinho de aguardente.
Cantar. 1964, 4ª ed., 174-175.
Para te cantar os Reis
[ Os Reis ]
Para te cantar os Reis Trepei tua canadinha, Trepei tua canadinha; Daqui não levanto o pé Sem chouriço ou galinha, Sem chouriço ou galinha!
Está um terrale que corta! Se tu és homem de brio, Se tu és homem de brio, Vem-nos abrir a porta! Estou enrilhado com frio, Estou enrilhado com frio.
Ó porta que te não abres, Ó ferrolho que não corres, Ó ferrolho que não corres, Ó almas, em consciência, Não considereis que morres? Não considereis que morres?
Letra e música: Tradicional (Vila do Nordeste, Ilha de São Miguel, Açores) Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) (in 7LP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1965, reed. 4CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”: CD 1, faixa 5, Açor/Emiliano Toste, 2001) Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)
Reis na Casa dos Açores em Toronto
Quais São os Três Cavalheiros?
Quais são os três cavalheiros Que fazem sombra no mar? São os três do Oriente Que Jesus vêm buscar.
Não perguntam por pousada, Nem aonde irão pousar; Perguntam por Jesus Cristo: Aonde o irão achar.
Letra e música: Popular (Baixo Alentejo) Intérprete: Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial N.º 3 da Guarda Nacional Republicana (in 2CD “O ‘Cante’ Alentejano”: CD 2, Public-Art, 1998)
Que estás a fazer, criança
Que estás a fazer, criança, sentado na pedra fria? Estou à espera do menino Filho divino à luz do dia.
1. Andamos de casa em casa por atalhos e caminhos, os corações sempre em brasa como outrora os pastorinhos.
2. Vimos dar as Boas Festas, Boas Festas vimos dar, que nasceu o Deus menino nas palhinhas ao luar.
Senhora dona da casa
Senhora dona da casa Deixe-se estar que está bem. Mande-nos dar a esmola Pela rosa que aí tem.
1. Abram-se lá essas portas Ainda não estão bem abertas Que nasceu o Deus menino Vou-lhe dar as boas festas.
2. Boas festas meus senhores Boas festas lhes vou dar. Que nasceu o Deus menino Nesta noite de Natal.
3. Nesta noite de Natal Noite de santa alegria Já nasceu o Deus menino Filho da Virgem Maria
Senhores, nós vos trazemos
1. Senhores, nós vos trazemos a mensagem de Belém: nasceu já o Deus Menino e Maria é sua mãe.
2. Nas bandas do Oriente Uma estrelinha brilhou E guiando os três reis Magos Sobre o presépio poisou.
Nestas noites de Natal como é bom pelo luar vir até vós meus senhores lindas janeiras cantar.
3. Tudo acorre à lapinha para adorar o Senhor. Não deixemos nós também de cantar o seu louvor.
4. Como somos mensageiros, não podemos demorar. A boa nova iremos a outros anunciar.
5. Levantai-vos, vinde ver-nos e trazei-nos as janeiras porque esta noite está fria, só nos sabem as fogueiras.
6. Vamos dar a despedida até ao ano que vem. Fiquem-se com Deus, senhores, e sua divina mãe.
Letra: Delmar Barreiros, Cantar. 1964, 4ª ed, p. 166-167.
Um Ano Novo entrou
Um Ano Novo entrou, as janeiras vamos cantar pedindo a vossa bondade de quem nos queira ajudar.
janeiras, lindas janeiras, senhores vimos cantar. Boas Festas e alegria vos queremos desejar.
Que todos os Mirenses Tenham muitas felicidades, presentes e ausentes de todas as idades.
Senhores não demoreis que é muito frio o luar, Vinde-nos dar as janeiras que nós temos de caminhar.
Boas noites meus senhores até p’ró ano que vem. Alegria e paz em Deus e na Virgem, Sua Mãe.
Uma estrela
[ Cantar à Porta ]
Uma estrela, uma estrela nos guia No caminho, no caminho da virtude…
Uma estrela nos guia No caminho, no caminho da virtude…
Ó dono, ó dono da moradia, Lá vai à… lá vai à vossa saúde!
Ó dono da moradia, Lá vai à… lá vai à vossa saúde!
Reis Magos, Reis Magos viram Jesus Numa gruta, numa gruta em Belém;
Reis Magos viram Jesus Numa gruta, numa gruta em Belém;
Guiados, guiados pela mesma luz, Queremos, queremos vê-lo também!
Guiados pela mesma luz, Queremos, queremos vê-lo também!
Letra e música: Popular (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense* (in CD “Festa Redonda”, Açor/Emiliano Toste, 2003)
Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras, Vamos cantar as janeiras Por esses quintais adentro vamos Às raparigas solteiras.
Vamos cantar orvalhadas, Vamos cantar orvalhadas. Por esses quintais adentro vamos Às raparigas casadas.
Vira o vento e muda a sorte, Vira o vento e muda a sorte. Por aqueles olivais perdidos Foi-se embora o vento norte.
Muita neve cai na serra, Muita neve cai na serra. Só se lembra dos caminhos velhos Quem tem saudades da terra.
Quem tem a candeia acesa, Quem tem a candeia acesa. Rabanadas pão e vinho novo Matava a fome à pobreza.
Já nos cansa esta lonjura, Já nos cansa esta lonjura. Só se lembra dos caminhos velhos Quem anda à noite à ventura.
José Afonso
Venho-lhe dar os Bons Anos
[ Os Bons Anos ]
Venho-lhe dar os Bons Anos Que as Boas-Festas não pude; Venho a fim de saber Novas da sua saúde.
Novas da sua saúde… Venho-lhe dar os Bons Anos, Venho-lhe dar os Bons Anos Que as Boas-Festas não pude.
Esta casa cheira a rosas, Bem perto está a roseira; Viva o dono desta casa Mais a sua companheira!
Mais a sua companheira… Esta casa cheira a rosas, Esta casa cheira a rosas, Bem perto está a roseira.
Lá vai uma, lá vão duas Por cima do seu telhado; Deus lhe dê muita saúde Ao que lá tem semeado.
Ao que lá tem semeado… Lá vai uma, lá vão duas, Lá vai uma, lá vão duas Por cima do seu telhado.
Daqui donde eu estou bem vejo O canivete a bailar, Para cortar a chouriça Que a senhora me há-de dar.
Que a senhora me há-de dar… Daqui donde eu estou bem vejo, Daqui donde eu estou bem vejo O canivete a bailar.
Toda esta noite aqui ando Com os pés pela geada; A barriga vem vazia E a taleiga não traz nada.
E a taleiga não traz nada… Toda esta noite aqui ando, Toda esta noite aqui ando Com os pés pela geada.
Já que Deus me fez tão pobre, Venho esta noite a pedir Em casa de gente nobre: Sem esmola não hei-de ir.
Sem esmola não hei-de ir… Já que Deus me fez tão pobre, Já que Deus me fez tão pobre Venho esta noite a pedir.
Letra e música: Popular (Baixo Alentejo) Intérprete: Grupo Coral e Etnográfico “As Camponesas de Castro Verde” (in CD “Cante de Natal e de Ano Novo”, Imenso Sul, 1995; CD “Cantes ao Menino: Corais Polifónicos Alentejanos”, Imagem Imenso, 1999)
Vimos cantar as janeiras
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano para toda a escola com saúde e alegria.
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano p’ra toda a família com saúde e alegria.
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano para os moradores desta linda freguesia.
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano para toda a gente com saúde e alegria.
Para a melodia de janeiras de José Afonso
Vinde, pastores
Vinde, pastores, depressa que já nasceu o Menino. Já se cumpriu a promessa, vamos a tocar o sino.
1. janeiras, lindas janeiras, janeiras da minha aldeia. Sois quais estrelas fagueiras nas noites de lua cheia.
2. janeiras, lindas janeiras senhores, vimos cantar. Boas Festas e alegrias vos queremos desejar.
3. Sopram os ventos da serra, caem estrelas do céus, Alegre-se toda a terra, nasceu o Menino Deus.
4. Senhores, não demoreis, que é muito frio o luar. Vinde-nos dar as janeiras, que temos de caminhar.
5. Levantai-vos da lareira e vinde depressa ver a grandiosa fogueira que o Menino há-de aquecer.
6. Ó janeiras de Vilar Como vós não há igual. Dais consoada aos pobres nestas noites de Natal.
7. A mensagem de Natal a todos dê luz e amor. Oxalá por toda a vida vos guie com seu fulgor.
8. Boas noites, meus senhores, até para o ano que vem. Alegria e paz em Deus e na Virgem sua Mãe.
Letra: J. Geraldes, Cantar. 1964, 4ª ed., 169-171.
Viva lá
Viva lá, minha senhora, casaquinho de veludo; Quando mete a mão ao bolso, tem dinheiro para tudo.
Refrão: Boas Festas, Boas Festas, vos dizemos neste dia. Venham-nos dar as janeiras, com prazer e alegria.
Viva lá, minha senhora, no seu livrinho a ler; Quando vai para a janela, parece o sol a nascer.
Viva lá, minha senhora, linda estrela do norte. Que Deus a deixe criar para uma boa sorte.
Levante-se lá, minha senhora, desse banco de cortiça. Venha-nos dar as janeiras, ou de carne, ou de chouriça.
Alegrias populares, vol. II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor 1967, 22 Vila Verde, Tourais
Viva lá, minha senhora
Viva lá, minha senhora, Raminho de salsa crua. Quando chega à janela Põe-se o sol e nasce a lua.
Viva lá minha senhora Linda boquinha de riso, Linda maçã camoesa Criada no paraíso.
Ó que estrela tão brilhante Que vem dos lados do norte. À família desta casa Deus lhe dê a melhor sorte.
De quem é o anel d’oiro Com pedrinhas no Redol. É do menino João Que é bonito como o sol.
Viva lá menina Rita. Suas faces são romãs. Seus olhos são mais galantes Do que a estrela da manhã.
Ó que estrela tão brilhante Que vem dos lados do norte. À família desta casa Deus lhe dê a melhor sorte.
A silva que nasce à porta Vai beber à cantadeira. Levante daí senhora Venha-nos dar a Janeira.
Alegrai-vos companheiros Que já sinto gente andar. É a senhora da casa Que nos vem a convidar.
Ó que estrela tão brilhante Que vem dos lados do norte. À família desta casa Deus lhe dê a melhor sorte.
QUADRAS INTRODUTÓRIAS
Boas noites, boas noites, boas noites de alegria, que lhas manda o Rei da Glória, filho da Virgem Maria.
Os três reis do oriente já chegaram a Belém visitar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
Cá estamos à sua porta, um grupo de amigos seus. Falar bem nada nos custa: santa noite lhe dê Deus.
Andámos de casa em casa por atalhos e caminhos, os corações sempre em brasa como outrora os pastorinhos.
O menino está no berço coberto c’o cobertor e os anjos estão cantando louvado seja o Senhor.
Aqui ‘stou à sua porta mais dois camaradas meus. Falar bem nada nos custa: santas noites lhes dê Deus.
Venho lhes dar os bons anos que pelas festas não pude. Venho ao fim de saber novas da sua saúde.
QUADRAS PARA REFRÃO
A cantar-vos as janeiras aqui estamos reunidos. Desejamos um bom ano aos amigos mais queridos.
Aqui vimos, aqui estamos A cantar, já o sabeis. vimos dar as boas festas e também cantar os reis.
Boas festas, boas festas aos amigos vimos dar. Um bom ano, um bom ano vos queremos desejar.
QUADRAS PARA VIVAS
Viva lá quem nos escuta, vivam todos em geral. Deus vos dê um ano novo E a todo o Portugal.
Como aqueles passarinhos que estão sempre a cantar. Aos senhores desta casa nós queremos saudar.
Boas festas, boas festas tenha vossa senhoria, com boas entradas de ano com prazer e alegria.
Quem diremos nós que viva no raminho de oliveira? Viva o Senhor Alberto e viva a família inteira.
Por bem cantar, mal não digas dos que a voz aqui levantam, pois uns cantam o que sabem e outros sabem o que cantam.
Boas noites, meus senhores, Boas noites vimos dar. Vimos pedir as janeiras Se no-las quiserem dar.
As janeiras são cantadas Do Natal até aos Reis. Olhai lá por vossa casa Se há coisa que nos deis.
Levante, linda senhora desse banquinho de prata. Venha-nos dar as janeiras que está um frio que mata.
De quem é o vestidinho cosido com seda branca? É da senhora Susana que Deus a faça uma santa.
De quem seriam eram as botinhas que estavam no sapateiro? Eram do senhor Custódio que as pagou c’o seu dinheiro.
Levante-se lá, senhora do seu banco de cortiça. Venha-nos dar as janeiras, ou morcela ou chouriça.
Levante-se lá, senhora, desse seu rico assento. Venha-nos dar as janeiras em louvor do Nascimento.
Levante-se lá, senhora dessa cadeirinha torta. Venha-nos dar as janeiras se não batemos-lhe à porta.
DESPEDIDA
Que tenha um próspero ano e não esqueça a virtude. Que tenha muita alegria e outra tanta saúde.
A quem tanto bem nos faz Deus livre de pena e dano. Fiquem com Deus, passem bem! Até ao próximo ano!
Despedida, despedida, despedida quero dar. Os senhores desta casa bem nos podem desculpar.
Esta casa não é alta, tem apenas um andar. Estes barbas de farelo nada têm p’ra nos dar.
Esta casa é bem alta, forradinha a papelão. O senhor que nela mora Tem um grande coração.
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/08/reis.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:19:452025-06-15 18:48:02Canções de Reis
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
A todos um bom Natal
A todos um bom Natal, a todos um bom Natal. Que seja um bom Natal para todos nós. Que seja um bom Natal para todos nós.
1. No Natal pela manhã ouvem-se os sinos tocar e há uma grande alegria no ar.
2. Nesta manhã de Natal há em todos os países, muitos milhões de meninos felizes
3. Vão aos saltos pela casa descalços ou em chinelas, procurar as suas prendas tão belas.
4. Depois há danças de roda as crianças dão as mãos. No Natal todos se sentem irmãos.
5. Se isso fosse verdade para todos os meninos era bom ouvir os sinos a cantar.
Alegrem-se os céus e a terra
Alegrem-se os céus e a terra, cantemos com alegria que nasceu o Deus Menino, Filho da Virgem Maria!
1. Entrai, pastores, entrai, por este portal sagrado. Vinde adorar o Menino numas palhinhas deitado.
2. Entrai, pastores, entrai, por este portal adentro; vinde adorar o Menino no seu santo nascimento.
3. Vinde todos, vinde todos, à lapinha de Belém adorar o Deus menino que nasceu p’ra nosso bem.
Linhares, Beira Alta
Alta Vai a Lua Alta
Alta vai a Lua alta como o Sol do meio-dia. Mais alta ia a Senhora quando para Belém ia.
São José ia atrás dela, alcançá-la não podia. Foi alcançá-la a Belém onde ela estava parida.
Tão grande era a sua pobreza que nem um panal tenia. Botou as mãos à cabeça, a um véu que ela trazia.
Partiu-o em três bocados, em três bocados o partia: um era para de manhã, outro para o meio-dia,
outro para a meia-noite quando Jesus adormia. Desceram os anjos do Céu Cantando: avé, Maria! Avé, Maria de graça, de graça avé, Maria!
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal) Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Beijai o Menino
Beijai o Menino! Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Beijai o Menino! Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Beijai o Menino! Beijai-o no pé! Beijai o Menino De S. José!
São os filhos dos homens Em berços doirados… E vós, meu Menino, Em palhinhas deitado.
Em palhinhas deitado, Em palhinhas esquecido… Filho de uma rosa, De um cravo nascido.
Beijai o Menino! Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Sois manso cordeiro Que estais nessa cruz, Com os braços abertos; Perdoai-nos, Jesus!
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes) Adaptação: José Barros Arranjo: José Manuel David e José Barros Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom, 2008) Outra versão de Navegante (in CD “Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e janeiras”, José Barros/MediaFactory, 2009)
Cai a neve branca
1. Cai a neve branca sobre a natureza e na terra inteira há paz e beleza.
2. Em tudo há doçura, tudo é irreal quando é meia noite, noite de Natal.
3. Uma estrelinha de uma estranha luz anuncia ao mundo: já nasceu Jesus.
Cantam os anjos sem cessar
1. Cantam os anjos sem cessar: já é Natal. Tocam os sinos sem parar, já é Natal. Reis vão ao presépio, com lindos presentes. Todos cantamos sem cessar, já é Natal.
2. Cantam os anjos sem cessar: nasceu Jesus. Tocam os sinos sem parar: nasceu Jesus. Vão também pastores com os seus presentes. Todos cantamos sem cessar: nasceu Jesus.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia inglesa
Chove. É dia de Natal.
Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal. E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse O Natal da convenção, Quando o corpo me arrefece Tenho frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra E o Natal a quem o fez, Pois se escrevo inda outra quadra Fico gelada dos pés.
Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal. E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar.
Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal. E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar.
Poema: Fernando Pessoa (ligeiramente adaptado) Música: César Prata Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Chove. É dia de Natal.
Dim dom, sinos a tocar
1. Dim dom, sinos a tocar e anjos a cantar. Dim dom, sinos a tocar e reis a caminhar.
Gloria. Hosana in excelsis.
2. Dim dom, sinos a tocar e luzes a brilhar. Dim dom, sinos a tocar, e gente a partilhar.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia tradicional
É Natal, Deus Menino nasceu
É Natal, Deus Menino nasceu. Vê-se ao longe uma estrela a brilhar. São os Reis, são os Reis, são os Reis. Vêm a Belém para O visitar.
Entrai pastores entrai
Entrai pastores entrai, por este portal sagrado. Vinde adorar o Menino numas palhinhas deitado!
Pastorinhos do deserto todos correm para O ver Trazem mil e um presente para o Menino comer!
Ó meu Menino Jesus convosco é que eu estou bem Nada neste mundo quero, nada me parece bem!
Alegrem-se os Céus e a Terra, cantemos com alegria Que nasceu o Deus Menino, filho da Virgem Maria!
Deus Menino já nasceu, andai ver o Rei dos Reis. Ele é quem governa o Céu, quer que vós O adoreis!
Ó meu Menino Jesus que lindo amor perfeito. Se vem muito cansadinho, vem descansar em meu peito!
Natal da Beira
Está na hora do menino deitar
Está na hora do menino deitar e na chaminé pôr os sapatinhos. Já é noite, o Pai Natal vai chegar para a todos deixar presentinhos. Cedo acordo ouço os sinos a tocar e levanto-me alegre aos saltinhos.
Devagar para ninguém acordar vou contente ver os meus presentinhos.
Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá…
Devagar para ninguém acordar vou contente ver os meus presentinhos.
Esta noite é noite santa
[ Toca, Sino, Toca! ]
Esta noite é noite santa. Não é noite de dormir que um lindo botão de rosa à meia-noite há-de abrir.
Harpas de oiro, liras d’oiro, anjos do Céu afinai. Paz na Terra e nas Alturas, Glória e louvor cantai.
Esta noite é noite santa. Outra mais santa não há que um lindo botão de rosa desabrochou em Judá.
Tangedores de viola, de pandeiro e tamboril, tomai vós a minha lira e dai-me o vosso arrabil!
Letra e música: Tradicional (Portugal) Arranjo: César Prata Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Eu hei-de dar ao Menino
[ Arre, Burriquito! ]
Eu hei-de dar ao Menino Uma fitinha p’ró chapéu; Ele também me há-de dar Um lugarzinho no Céu.
Olhei para o Céu, Estava estrelado; Vi o Deus-Menino
Em palhas deitado. Em palhas deitado, Em palhas estendido; Filho duma Rosa, Dum Cravo nascido.
Arre, burriquito! Vamos a Belém Ver o Deus-Menino Que a Senhora tem!
Que a Senhora tem, Que a Senhora adora; Arre, burriquito! Vamo-nos lá embora!
Eu hei-de dar ao Menino Uma fitinha p’ró boné; Ele também me há-de dar Prendinhas na chaminé.
Olhei para o Céu, Estava estrelado; Vi o Deus-Menino Em palhas deitado.
Em palhas deitado, Em palhas estendido; Filho duma Rosa, Dum Cravo nascido.
Arre, burriquito! Vamos a Belém Ver o Deus-Menino Que a Senhora tem!
Que a Senhora tem, Que a Senhora adora; Arre, burriquito! Vamo-nos lá embora!
Olhei para o Céu, Estava estrelado; Vi o Deus-Menino Em palhas deitado.
Em palhas deitado, Em palhas estendido; Filho duma Rosa, Dum Cravo nascido.
Arre, burriquito! Vamos a Belém Ver o Deus-Menino Que a Senhora tem!
Que a Senhora tem, Que a Senhora adora; Arre, burriquito! Vamo-nos lá embora!
Letra e música: Tradicional Arranjo: Artesãos da Música Intérprete: Artesãos da Música
Eu Hei-de Ir ao Presépio
Eu hei-de ir ao presépio assentar-me num cantinho, a ver como o Deus-Menino nasceu lá tão pobrezinho.
Abra lá o seu postigo, deixe estar um pouco aberto! Quero ver o Deus-Menino armadinho no presépio.
Eu hei-de dar ao Menino, ao Menino hei-de dar uma cadeirinha de oiro para o Menino assentar.
Ó meu Menino Jesus, ó meu rico fidalguinho, hei-de dar-te papa doce, hei-de ter-te mimosinho!
Ó meu Menino Jesus, quem vos pudera valer com sopinhas da panela sem a vossa mãe saber!
Ó meu Menino Jesus, quem vos há-de dar a mama? Vossa mãe foi ao moinho, vosso pai ficou na cama.
Ó meu Menino Jesus, ó meu rico fidalguinho, hei-de dar-te papa doce, hei-de ter-te mimosinho!
Ó meu Menino Jesus, quem vos pudera valer com sopinhas da panela sem a vossa mãe saber!
Ó meu Menino Jesus, quem vos há-de dar a mama? Vossa mãe foi ao moinho, vosso pai ficou na cama.
Letra e música: Tradicional (Portugal) Arranjo: César Prata Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Faça “ai, ai”, meu menino
[ Embalo do Algarve ]
Faça “ai, ai”, meu menino, Que a mãezinha logo vem! Foi lavar os cueirinhos À fontinha de Belém.
Vai-te embora, papá negro, De cima desse telhado! Deixa dormir o menino, Está no sono descansado.
Embala, José, embala! Embala suavemente, Entretendo o inocente Com esta cantiga em verso!
Dorme, dorme, meu menino, Que a mãezinha logo vem! Dorme, dorme, meu menino, Que a mãezinha, ai, logo vem!
Letra e música: Tradicional (Alvor, Portimão, Algarve) Recolha: Michel Giacometti (“Faça ‘ai, ai’, meu menino”, in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérprete: Segue-me à Capela (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa) Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Feliz Natal, bom Ano Novo
1. Feliz Natal, bom Ano Novo, presentes para partilhar.
A melhor prenda é a alegria que Jesus tem para nos dar.
2. Felizes festas, família unida, muitas histórias p’ra contar.
Feliz Natal, Feliz Natal
Feliz Natal, feliz Natal. Para todos, um ano especial.
1. Um menino diferente e três reis do Oriente.
2. Uma rena, um trenó, bolo-rei e pão-de-ló.
3. Um presépio, um pinheiro, um amigo verdadeiro.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia inglesa
Eu fiz um pão diferente
Padeiro
1. Eu fiz um pão diferente para a Família provar.
Jesus, dou-te a melhor prenda que tenho para Te dar.
Sapateiro
2. Eu fiz uns sapatos novos para Te poderes calçar.
Costureira
3. Eu fiz uma roupa linda para Te agasalhar.
Carpinteiro
4. Eu fiz um berço bonito para a Mãe Te embalar.
Letra e música: António José Ferreira
Jesus vem ao mundo
1. Jesus vem ao mundo: que paz e bondade! ó quanta doçura, amor e humildade.
Vinde, adoremos, Jesus salvador. A estrela nos aponta o rumo, a salvação, Belém e Deus Menino, celeste mansão.
2. Jesus no presépio, vede quanto amor: nascer pobrezinho o Deus criador!
Logo que nasceu
1. Logo que nasceu, Jesus acampou e à luz das estrelas uma voz soou,
um ah, ah, ah.
2. Maria, a Senhora, seu Filho embalou e à luz das estrelas uma voz soou,
um ah, ah, ah.
Luzes no céu
Luzes no céu em Dezembro a brilhar, música e festa por onde se andar, uma vaquinha que não quer pastar: junto ao Menino, em Belém, quer estar.
Letra e música: António José Ferreira
Maria, Mãe bendita
Maria, Mãe bendita, encantaste o Senhor: hoje e sempre louvamos tua fé, teu amor.
Felizes como os anjos a cantar lá nos céus nós dizemos contigo: poderoso é Deus.
Menino Jesus
[ Vestir o Menino ]
Menino Jesus, tenho que vos dar sapatinhos novos para vos calçar.
Sapatos já tendes, faltam-vos meiinhas: eu vo-las darei, de salvé-rainhas.
Meiinhas já tendes, faltam-vos calções: eu vo-los darei, de mil orações.
Calções já os tendes, falta-vos camisa: eu vo-la darei, de cambraia lisa.
Camisa já tendes, falta-vos colete: eu vo-lo darei, de pano de crepe.
Colete já tendes, falta-vos casaco: eu vo-lo darei, de pano bem guapo.
Casaco já tendes, falta-vos lencinho: eu vo-lo darei, de pano de linho.
Lencinho já tendes, falta-vos chapéu: eu vo-lo darei, levai-me p’ró Céu.
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal) Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata* (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Menino Jesus do céu
Menino Jesus do céu, ‘screvi-te um lindo postal para me mandar’s brinquedos no dia de Natal.
Menino Jesus do céu que és rico e me tens amor, dá-me uma prenda bonita, talvez um computador.
Menino Jesus do céu dá-me uma linda viola p’ra praticar em casa e aprender na escola.
Não há noite mais alegre
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Deu o galo três cantadas, Deu o Menino nascido; Bendito seja o ventre Que o trouxe nove meses escondido!
E a mula, como maldosa, Destapava-o com a ferradura; Mas o boi, como era manso, Tapava-o com a armadura.
E ao boi, Nosso Senhor Lhe deu a sua bênção: «As terras que tu lavrares Todas elas dêem pão!
Cada bago dê uma espiga! Cada espiga um milhão! Todo ele se aguardará Lá no mês de S. João!»
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Letra e música: Tradicional (Alte, Loulé, Algarve) Intérprete: Vozes do Imaginário (in CD “Cantos ao Menino, Reis e janeiras da tradição musical portuguesa”, Do Imaginário – Associação Cultural, Évora, 2009
Noite feliz
1. Noite feliz! Noite feliz! O Senhor, Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém. Eis na lapa Jesus, nosso bem. Dorme em paz, ó Jesus. Dorme em paz, ó Jesus.
2. Noite feliz! Noite feliz! Ó Jesus, Deus da luz, quão amável é teu coração que quiseste nascer nosso irmão e a nós todos salvar, e a nós todos salvar.
3. Noite feliz! Noite feliz! Eis que no ar vêm cantar aos pastores os anjos dos céus anunciando a chegada de Deus, de Jesus Salvador, de Jesus Salvador.
Nós somos os três Reis
Nós somos os três Reis que viemos do Oriente Trazer as Boas Festas com Paz p’ra toda a gente.
Nós somos os três Reis guiados por uma luz. Adoramos Deus Menino que se chama Jesus.
Nós somos os três Reis Baltazar e Gaspar. Também o Belchior o veio adorar.
Nós somos os três Reis guiados por uma luz e trouxemos três presentes para o Menino Jesus.
Não há noite mais alegre
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Deu o galo três cantadas, Deu o Menino nascido; Bendito seja o ventre Que o trouxe nove meses escondido!
E a mula, como maldosa, Destapava-o com a ferradura; Mas o boi, como era manso, Tapava-o com a armadura.
E ao boi, Nosso Senhor Lhe deu a sua bênção: «As terras que tu lavrares Todas elas dêem pão!
Cada bago dê uma espiga! Cada espiga um milhão! Todo ele se aguardará Lá no mês de S. João!»
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Letra e música: Tradicional (Alte, Loulé, Algarve) Intérprete: Vozes do Imaginário (in CD “Cantos ao Menino, Reis e janeiras da tradição musical portuguesa”, Do Imaginário – Associação Cultural, Évora, 2009
Ó luz de Deus
1. Ó luz de Deus, ó doce luz que brilhas nas alturas, vem com teu brilho e teu fulgor trazer ao mundo o teu calor. Ó luz de Deus, ó doce luz que brilhas nas alturas.
2. O mundo viu o Salvador nascer humilde e pobre. Ouviu os anjos proclamar a paz que os homens vem salvar. O mundo viu o Salvador nascer humilde e pobre.
3. O Deus do céu vem junto a nós viver a nossa vida. Vem das alturas o Senhor manifestar o seu amor. O Deus do céu vem junto a nós viver a nossa vida.
Ó, ó, ó, ó, menino, ó
Ó, ó, ó, ó, menino, ó, Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró, C’uma vara de aguilhão, P’ra matar o perdigão.
Ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó!
Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró; Tua mãe à borboleta, Logo te vem dar a teta.
Ó, ó, ó, ó, menino, ó, Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró, C’uma vara de aguilhão, P’ra matar o perdigão.
Ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó!
Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró; Tua mãe à borboleta, Logo te vem dar a teta.
Letra e música: Tradicional (Nozedo de Cima, Tuizelo, Vinhais, Trás-os-Montes) Recolha: Kurt Schindler (1932, in livro “Folk Music and Poetry from Spain and Portugal”, New York: Hispanic Institute in the United States, 1941; “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes-Graça, col. Saber, Vol. 23, Lisboa: Publicações Europa-América, 1953 – p. 63; 3.ª edição, col. Saber, Vol. 23, Mira-Sintra: Publicações Europa-América, s/d. – p. 60; “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 16) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
O menino está dormindo
1. O menino está dormindo nas palhinhas despidinho. Os anjos lhe estão cantando por amor tão pobrezinho.
2. O menino está dormindo nos braços da Virgem pura. Os anjos lhe estão cantando: “hossana lá na altura”.
3. O menino está dormindo nos braços de São José. Os anjos lhe estão cantando: “Gloria tibi Domine”.
Natal de Évora
Ó meu Menino Jesus
Ó meu Menino Jesus, Ó meu menino tão belo, Onde foste a nascer Ao rigor do caramelo.
Ó meu Menino Jesus, Não queiras menino ser; No rigor do caramelo A neve te faz gemer.
O menino da Senhora Chama pai a S. José, Que lhe trouxe uns sapatinhos Da feira de Santo André.
O Menino chora, chora, Chora pelos sapatinhos; Haja quem lhe dê as solas, Que eu lhe darei os saltinhos.
Dá-me o teu menino! Não dou, não dou, não dou! Dá-me o teu menino, Vai à missa que eu lá vou. Dá-me o teu menino! Não dou, não dou, não dou!
Letra e música: Popular (Campo Maior, Alto Alentejo) Recolhas: Michel Giacometti (in LP “Alentejo”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1965; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 4 – Alentejo, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 5 – Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008 – vide nota infra); Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, RTP-1, 1970-73) Intérprete: Brigada Victor Jara / voz solo de Joaquim Caixeiro (in LP “Quem Sai aos Seus”, Vadeca/J.C. Donas, 1981, reed. Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)
Ó Meu Menino Jesus
Ó meu Menino Jesus, quem vos tirou do altar? Foi o ministro de Cristo para nos dar a beijar.
Ó meu Menino Jesus, boquinha de marmelada, dá-me da tua merenda que a minha mãe não tem nada.
Ó meu Menino Jesus, boquinha de requeijão, dá-me da tua merenda que a minha mãe não tem pão.
Ó meu Menino Jesus, ó meu Menino tão belo, só vós vieste nascer no rigor do caramelo.
Entrai, pastores, entrai por esses portais adentro! Vinde ver o Deus-Menino no sagrado nascimento!
Letra e música: Tradicional (Beiras, Portugal) Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
O que levas ao Menino
1. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-Lhe um casaquinho p’ra Jesus se agasalhar
2. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-Lhe um brinquedinho p’ra Jesus poder brincar.
3. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe uma bola p’ra Jesus poder jogar.
4. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe uma viola p’ra Jesus poder tocar.
5. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe um livrinho p’ra Jesus poder ‘studar.
6. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe o coração p’ra Jesus nele morar.
Letra e música: António José Ferreira
Oh Bento Airoso
Oh Bento Airoso, Mistério divino! Encontrei a Maria À beira do rio E lavando os cueiros Do bendito Filho.
Maria lavava, São José ‘stendia, O Menino chorava Com o frio que fazia.
Calai, meu menino! Calai, meu amor! (E) que as vossas verdades Me matam de dor.
Letra e música: Tradicional (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes) Recolha: Michel Giacometti (1960, in “Cancioneiro Popular Português”, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 43) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Para quem são as janeiras
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? – Para a nossa professora que temos no coração.
Para quem são as janeiras? Para que é a cantiga? -Para a Professora Carla que é muito nossa amiga.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? É para as educadoras que temos no coração.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? É para as auxiliares que temos no coração.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? É p’ra todos os amigos que temos no coração.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? Para a nossa professora que se chama Conceição.
Letra e música: António José Ferreira
Pastorinhos
Pastorinhos do deserto, é, pois, certo que, na noite de Natal, num curral, baixou o Filho de Deus lá dos céus.
Quem nos deu tanta alegria? Foi Maria! E quem nos deu tanta luz? Foi Jesus! Cantemos os seus louvores, ó pastores.
Pastorinhos do deserto
Pastorinhos do deserto, vinde todos a Belém adorar o Deus Menino nos braços da Virgem Mãe. Pastorinhos do deserto, vinde todos a Belém.
Pinheirinho, pinheirinho
Pinheirinho, pinheirinho de ramos verdinhos, p’ra enfeitar, p’ra enfeitar, bolas, bonequinhos. (2 v. )
1. Uma bola aqui, outra acolá, luzinhas que piscam, que lindo que está.
Olha o pai Natal de barbas branquinhas. Traz o saco cheio de lindas prendinhas.
(Menino) Pai Natal, Pai Natal dá-me um avião Não faz mal, não faz mal que ande pelo chão.
(Menina) ) Pai Natal, Pai Natal dá-me uma boneca. Não faz mal, não faz mal que seja careca.
Que todo o tempo seja de Natal
1. Que todo o tempo seja de Natal, que todo o ano seja de Natal. Que sempre haja alegria igual à deste dia. Que todo o tempo seja de Natal.
3. Que todo o tempo seja de Natal, que todo o ano seja de Natal. Que sempre haja esperança nos sonhos da criança. Que todo o tempo seja de Natal.
3. Que todo o tempo seja de Natal, que todo o ano seja de Natal. Que sempre haja amizade, justiça e liberdade. Que todo o tempo seja de Natal.
Letra e música: António José Ferreira
Rodolfo era uma rena
Rodolfo era uma rena, de nariz avermelhado Se vocês observassem, viam-no logo encarnado.
Todas as outras renas, gostavam muito de troçar. E ao pobre Rodolfo, nunca deixavam brincar.
Então numa bela noite o Pai Natal lhe disse: “Com o teu nariz encarnado, guia o meu trenó prendado”
Então todas as renas aplaudiram o Rodolfo “Rena do nariz vermelho, tu vais ser o mais famoso”
Sobre a gruta estava um anjo
1. Sobre a gruta estava um anjo; cantava como ninguém cantou. Um pastor escutou a voz e os amigos logo chamou:
Gloria in excelsis Deo. Gloria in excelsis Deo.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia francesa
Tã tã, vão pelo deserto
1. Tã tã, vão pelo deserto, tã tã, Melchior e Gaspar, tã tã, e atrás outro mago, que todos conhecem por rei Baltazar.
2. Tã tã, surgiu uma estrela, tã tã, no céu a brilhar, tã tã, tão pura e tão bela, que a terra inteira está ‘inda hoje a iluminar.
3. Tã tã, cansado o camelo, tã tã, cansado de andar, tã tã, assim carregado de incenso, de mirra, de oiro p’ra dar.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia tradicional de Espanha
Três estrelas de alumínio
[ Presépio de Lata ]
Três estrelas de alumínio A luzir num céu de querosene; Um bêbedo julgando-se césar Faz um discurso solene.
Sombras chinesas nas ruas, Esmeram-se aranhas nas teias; Impacientam-se as gazuas, Corre o cavalo nas veias.
Há uma luz na barraca, Lá dentro uma sagrada família; À porta um velho pneu com terra Onde cresce uma buganvília.
É o presépio de lata! Jingle bells, jingle bells!
Oiçam um choro de criança: Será branca, negra ou mulata? Toquem as trompas da esperança E assentem bem qual a data.
A lua leva a boa-nova Aos arrabaldes mais distantes: Avisa os pastores sem tecto, Tristes reis magos errantes.
E vem um sol de chapa fina Subindo a anunciar o dia: Dois anjinhos de cartolina Vão cantando “aleluia!”.
É o presépio de lata! Jingle bells, jingle bells!
Nasceu enfim o menino, Foi posto aqui à falsa fé: A mãe deixou-o sozinho E o pai não se sabe quem é.
É o presépio de lata! Jingle bells, jingle bells! Jingle bells, jingle bells!
Letra: Carlos Tê Música: Rui Veloso Intérprete: Rui Veloso (in CD “Avenidas”, EMI-VC, 1998)
Um dia, um pastorinho
1. Um dia, um pastorinho, um dia, um pastorinho, guiava as ovelhas tocando pifarinho.
2. No céu viu um sinal, no céu viu um sinal: um anjo anunciava o dia de Natal.
3. Que lindo era o Bébé, que lindo era o Bebé no colo de Maria sorrindo p’ra José.
4. Então o pastorinho, então o pastorinho chegou-se ao Bébé e deu-lhe um beijinho.
Letra e música: António José Ferreira
Um rei do Oriente
1. Um rei do Oriente, um rei do Oriente, viu que no céu luzia um astro diferente.
2. O rei de outro país, o rei de outro país, ao ver a nova estrela, achou-se o mais feliz.
3. Noutro país distante, Noutro país distante, um outro mago viu o astro deslumbrante.
4. Ao verem essa luz, ao verem essa luz, puseram-se a caminho e foram ver Jesus.
5. Que lindo era o Bébé, que lindo era o Bébé, no colo de Maria sorrindo p’ra José.
6. Os reis deram-lhe ouro, os reis deram-lhe ouro, voltaram ao palácio com o maior tesouro.
Letra e música: António José Ferreira
Uma estrela e três magos
Uma estrela e três reis magos levam prendas ao Menino. Alguns anjos cantam: “Glória!” e outros tocam violino.
Uma estrela e três reis magos levam prendas ao bebé. Alguns anjos cantam: “Glória!” e outros tocam jambé.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia tradicional da Hungria
Vai-te embora, ó passarinho
1. Vai-te embora, ó passarinho, deixa a baga do loureiro. Deixa dormir o Menino que está no sono primeiro.
2. Dorme, dorme, meu Menino que a Mãezinha logo vem. Foi lavar os cueirinhos à fontinha de Belém.
Ilha de São Jorge, Açores
Vimos cantar as janeiras
1. Vimos cantar as janeiras. Por esses quintais adentro, vamos às raparigas solteiras.
A festa foi bonita pá, mas tu agora voltas ao mesmo sítio onde estiveste voltas à mesma rua, à mesma casa voltas ao mesmo copo que bebeste
E o mundo que sonhaste foi andando o sonho de justiça e a fantasia que ardemos toda a noite em fogo brando terá que se enfrentar com o dia-a-dia
Mas há uma coisa enorme que ficou: (e é nela que teces o amanhã que deste frente-a-frente resultou) vontade de viver outra verdade vontade de acordar noutra manhã
A festa foi bonita pá, mas tu agora voltas ao mesmo leito onde dormiste e apesar do sabor que nos deixamos o termos que partir é sempre triste
O mundo que sonhámos está tão longe mas tudo o que esta noite se viveu garante que afinal pode ser hoje o mundo que se sonha e se esqueceu
Mas há uma coisa enorme que ficou: (e é nela que teces o amanhã que deste frente-a-frente resultou) vontade de viver outra verdade vontade de acordar noutra manhã
Mas há uma coisa enorme que ficou: (e é nela que teces o amanhã que deste frente-a-frente resultou) vontade de viver outra verdade vontade de acordar noutra manhã
Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso (in CD “Criticamente”, Lusogram, 1999)
Lá na festa da aldeia
[ Festa da Aldeia ]
Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira, Convidaste-me a dançar: Tamanha era a borracheira
Que no adro da igreja Nos chegámos a casar. No nariz, sinal de perigo, Quem dorme contigo
Má sorte vai enfrentar: Mas na festa da aldeia, Com as vizinhas na soleira, Eu fui-me enamorar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado
Entre o sujeito e o coração. Entre o sujeito e o coração. Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira,
A saia sempre a rodar: A tua mão que se esgueira Debaixo da pregadeira… Eu vermelha, a corar.
No banco, dívidas, assombros; Fiado não vais em ombros; Fim do mês, falta-te o ar; Debaixo da cameleira
Foi grande a ciumeira, Começámos a namorar. Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação;
Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração. Entre o sujeito e o coração.
Mas na festa da aldeia, Tu de mão na algibeira, Nós chegámos a casar: Porque na festa da aldeia Debaixo da cameleira
Tu puseste-me a dançar. Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado
Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração. Entre o sujeito e o coração.
Letra: Filipa Martins Música: Rogério Charraz Arranjo: João Balão Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/sino.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:09:362024-11-02 06:41:06Canções de festa
Ó Entrudo, ó Entrudo, Ó Entrudo chocalheiro, Que não deixas assentar As mocinhas ao soalheiro!
Estas casas estão caiadas, Estas casas estão caiadas. Quem seria a caiadeira? Quem seria a caiadeira?
Foi o noivo mai-la noiva, Foi o noivo mai-la noiva Com um raminho de oliveira. Quem seria a caiadeira?
Eu quero ir para o monte, Eu quero ir para o monte, Que no monte é que eu estou bem, Que no monte é que eu estou bem.
Onde não veja ninguém, Onde não veja ninguém.
Senhora do Almurtão, Ó minha linda raiana, Virai costas a Castela! Não queirais ser castelhana.
Senhora do Almurtão, Eu p’ró ano não prometo, Que me morreu o amori; Ando vestida de preto.
Letra e música: Tradicional (Malpica do Tejo, Castelo Branco, Beira Baixa + Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Arranjo: Velha Gaiteira Intérprete: Velha Gaiteira (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)
Malpica do Tejo
Roubaram ao moleirinho
[ Cantiga do Entrudo ]
Roubaram ao moleirinho Ai! A filha por o telhado Julgando que era toucinho Ai! Que estava dependurado.
Oh entrudo, oh entrudo! Ai! Oh entrudo, oh meu bem! Moças não trazem laranjas, Ai! Custa-lhe o par a vintém.
Oh entrudo, oh entrudo! Ai! Oh entrudo chocalheiro, Que não deixas assentári Ai! As mocinhas ao soalheiro!
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérprete: Ai!* (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Tubarão tinha dentes de tainha
[ Tamboril ]
Tubarão tinha dentes de tainha E a tainha tinha dentes de tambor Toca traz tempo chuva tempestade Tubarão trincou um touro nos taleigos da vontade
Tubarão tinha o tímpano trocado E trocado estava o tempo todo o ano Toca traz tempo chuva tempestade Tubarão tamborilou ‘inda a missa ia a metade
Tubarão traficou-se em tamboril Troca-tintas com retoque teatral Toca terça, quarta, quinta, noite e dia Travestido no Entrudo c’uma tromba de enguia
Tamboril teve tísica ao contrário Já tossia como tosse o tubarão Toca terça, quarta, quinta, noite e dia Tamboril entubarou num atalho p’rá Turquia
Tubarão tinha dentes de tainha E a tainha tinha dentes de tambor Toca traz tempo chuva tempestade Tubarão trincou um touro nos taleigos da vontade
Tubarão tinha o tímpano trocado E trocado estava o tempo todo o ano Toca traz tempo chuva tempestade Tubarão tamborilou ‘inda a missa ia a metade
Tubarão traficou-se em tamboril Troca-tintas com retoque teatral Toca terça, quarta, quinta, noite e dia Travestido no Entrudo c’uma tromba de enguia
Tamboril teve tísica ao contrário Já tossia como tosse o tubarão Toca terça, quarta, quinta, noite e dia Tamboril entubarou num atalho p’rá Turquia
Letra: Miguel Cardina Música: Pedro Damasceno e Celso Bento Intérprete: Diabo a Sete Versão original: Diabo a Sete (in CD “Figura de Gente”, Sons Vadios, 2016)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/entrudo-de-santulhao.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:04:392024-11-13 11:38:26Canções de Carnaval
Mãe descobri que o tempo pára E o mundo não separa o meu coração do teu Eu sei que essa coisa rara Aumenta, desassossega mas pára Quando o teu tempo é o meu
Mãe canta com vaidade Porque já tenho idade Pra saber Que em verdade em cada verso teu Onde tu estás estou eu
Mãe contigo o tempo pára Nosso amor é coisa rara E cuidas de um beijo meu Sei que em cada gesto teu Está teu coração no meu
Mãe canta com vaidade Porque já tenho idade Pra saber Que em verdade em cada verso teu Onde tu estás estou eu
Se pudesse mandar no mundo Parar o tempo à minha vontade Pintava teu coração com as cores da felicidade Em cada gesto teu Está teu coração no meu
Mãe canta com vaidade Porque já tenho idade Pra saber Que em verdade em cada verso teu Mãe… A nossa espera valeu
Letra: Martim Nunes Ferreira Música: Miguel Correia Intérprete: Mariza
Meu Amor Eterno
Meu Amor Eterno, Doce verde olhar, Ilumina o meu caminho! Acompanha o meu andar!
Meu Amor Eterno, Mãos de acarinhar, Segura no teu menino! Ajuda-me a continuar!
Meu Amor Eterno, Fada do meu lar, Alimenta-me a saudade! Sacia o meu paladar!
Meu Amor Eterno, Cordão de umbilicar, Relembra-me do teu cheiro! Não me deixes de cantar!
Ema te fez, Deus te criou, Paulo te abriu, José completou.
“Morrer por morrer!”, Disseste-o assim; Da tua coragem Tiveste-me a mim.
Meu Amor Eterno, Cordão de umbilicar, Relembra-me do teu cheiro! Não me deixes de cantar!
Letra: Rogério Charraz (dedicada à sua Mãe) Música: Rogério Charraz e Júlio Resende Arranjo: Júlio Resende Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Mãe, tu foste ventre
Mãe, tu foste ventre para me criar e agora és casa para me abrigar.
Mãe, tu foste canto para me embalar e agora és conto para me ensinar.
Mãe, tu foste ninho para eu começar e vais ser a asa para eu voar.
António José Ferreira
(Canção para crianças)
Querida mãe, querido pai
[ Postal dos Correios ]
Querida mãe, querido pai. Então que tal? Nós andamos do jeito que Deus quer Entre dias que passam menos mal Lá vem um que nos dá mais que fazer
Mas falemos de coisas bem melhores A Laurinda faz vestidos por medida O rapaz estuda nos computadores Dizem que é um emprego com saída
Cá chegou direitinha a encomenda Pelo “expresso” que parou na Piedade Pão de trigo e linguiça prá merenda Sempre dá para enganar a saudade
Espero que não demorem a mandar Novidades na volta do correio A ribeira corre bem ou vai secar? Como estão as oliveiras de “candeio”?
Já não tenho mais assunto pra escrever Cumprimentos ao nosso pessoal Um abraço deste que tanto vos quer Sou capaz de ir aí pelo Natal Um abraço deste que tanto vos quer Sou capaz de ir aí pelo Natal
Letra: João Monge Música: João Gil Intérprete: Rio Grande (in CD “Rio Grande”, EMI-VC, 1996)
Fátima Costa e o filho Alexandre
Queridos pais
[ Para crianças ]
Pai querido, tu és muito especial. Estou bem quando tu ficas a meu lado. Aproxima-se o dia de Natal… Há um presente com que eu tenho sonhado.
Mãe querida que estás cheia de carinho, vê lá bem o que me vais oferecer. Tu já sabes que eu gosto de um beijinho mas há prendas que eu adoro receber.
António José Ferreira, Brincadeiras Cantadas ]
Resguardaste-me da vida
[ Não É, Mãe? ]
Resguardaste-me da vida E mesmo frágil e ferida Tomaste conta de mim. Levaste-me leite à cama, Disseste que para quem ama Nunca pode haver um fim.
São difíceis de queimar as coisas más. As coisas boas são difíceis de encontrar.
Mãe… está tudo bem, mãe?
Quando a minha mãe dobrava meias Estava sempre tudo bem.
Não é, mãe?
Letra: Duarte (Novembro de 2010) Intérprete: Albano Jerónimo (in CD “Sem Dor Nem Piedade”, Duarte/Alain Vachier Music Editions, 2015)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/04/fatima-costa-e-alexandre.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 04:58:252024-11-02 06:42:03Canções à Mãe
Carregavas o “João de Olhão” Ferro de grande envergadura “Maria Alice” e o “Pé Morto” Eras homem de grande estatura
Um dia foste para Angola Lá o clima era mais quente Meteste o pé na argola A vida negra a muita gente
Jiku lu mesu! Jiku lu mesu! Jiku lu mesu! Jiku lu mesu!
Letra e música: José Francisco Vieira Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Os Marenostrum são uma banda do Algarve formada por Zé Francisco, guitarra, bandolim e voz; João Frade, acordeão; Lino Guerreiro, saxofones e flautas; Paulo Machado, baixo e acordeão; e João Vieira, bateria e percussões.
Notas:
Morraça – erva que cresce nos sapais da Ria Formosa e que depois de seca servia para fazer estrume.
Sapeira – espécie de erva nativa da Ria Formosa, também conhecida por salgueira.
Chamuceira ou chumaceira – peça metálica que serve para diminuir o atrito de um eixo ou de um veio (no caso, de um remo). Nos antigos barcos de pesca era feita em corda.
“Jiku lu mesu” é uma expressão em quimbundo (língua do Noroeste de Angola) que significa “abre os olhos”.
Marenostrum, Rua do Peixe Frito
Ao raiar do dia
[ Corrido Algarvio ]
Ao raiar do dia Sagres vê passar… Até no Burgau Viram navegar.
Vinham quatro barcos Lá no meio do mar; Foram para Lagos Para atracar.
Saem para terra De malas na mão; Correm pela vila Até Portimão.
Seguem o caminho, Agora à boleia; Muda-se o destino: É para Albufeira!
Muda-se o destino: É para Albufeira!
Faro é em frente, Com sua magia Da cidade velha Sonham com a Ria.
Lá vai o comboio Para sotavento: Vai até Tavira Que inda vai a tempo.
Passa por Cacela, Por Castro Marim; Chega ao Guadiana, Eis que é o fim!
Chega ao Guadiana, Eis que é o fim!
E lá vão de roda, Seguem para trás, Que o carro não pára Antes de São Brás.
Agora sem carro Vão os quatro a pé… Bem devagarinho Chegam a Loulé.
Montados num burro, Pelos montes fora, Vão os quatro a Silves: Correm sem demora.
Vão os quatro a Silves: Correm sem demora.
Vão até Monchique Que é sempre a subir: Só param na Fóia, Já não voltam a vir.
Que os quatro poetas, Deitados no chão, Olham as estrelas, Luz da criação.
Já passaram anos E os quatro poetas Ainda lá repousam: São agora pedras.
Ainda lá repousam: São agora pedras.
Letra e música: Carlos Norton Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Da serra veste perfumes
[ De Sol a Sul ]
Da serra veste perfumes, do levante inquietações. Do tempo lhe vêm famas do mar as consolações. Velha Romana, Tuaregue, maruja, aventureira, dos mares sabida e da vida sabe tudo, de matreira. Minha loira, meu azul faz-te ao mar, despe esse manto de nevoeiro e de sal, desnuda-te do quebranto de seres ponto de partir. Navega com rumo a ti, descobre-te em Portugal, teu porto é de hoje e aqui.
Velhas profecias, meu 29 de Agosto. Meu queijo de figo, sueste agreste, sol posto. Meu Infante navegante. Cheiro a sardinha no rosto.
Cidade, eu te escuto tu me acolhes, tu me afagas. Regaço de mãe, doce carícia de algas. Varanda de sol a sul. Gente firme não se cala.
Que o sonho se faça pouco a pouco, passo a passo. Que a tristeza afogue na largueza dum abraço. Que a alegria canse este cansaço. É hoje que a gente vai dizer como é que quer, seja o bicho homem ou o bicho seja mulher. E que venha por bem quem vier.
Letra e música: Afonso Dias Intérprete: Afonso Dias / Trupe Barlaventina (in CD “Lendas do País do Sul “, Concertante, 1999; CD “Geometria do Sul”, Edere, 2002)
Era um rei
[ Fado das Amendoeiras ]
Era um rei da terra que cheira a luar da terra vermelha que tem a centelha do cheiro do mar.
Terra amendoeira terraço a sangrar albufeira dos barcos que pescam com a lamparina da luz a piscar. Era um rei que vivia na terra deitado no mar.
Era um rei que foi da Moirama lutar à terra da neve que tem o silêncio que faz sufocar.
País da princesa que no seu tear inventava a lenda da renda nos olhos de amêndoa do amor por chegar. Da princesa bordando tristeza na orla do mar.
É no sul que nos dói mais o sol é ao sol que se vê o azul Do Algarve que roda como um girassol. VÁ DE BRAÇOS VÁ À PESCA! NÃO QUEREMOS BRAÇO MOLE! À aguardente chamamos um figo à verdade chamamos Aleixo que ainda é mais doce que um D. Rodrigo. NÃO O MATAM QUE EU NÃO DEIXO! O ALEIXO É MEU AMIGO!
É o povo da maré que cheira a suor e quer o rei queira ou não queira resiste num mar que é maior.
O mar da traineira, mar do pescador este mar amar desta maneira que é a força primeira do mar por amor este mar que morre na esteira de aquém e além dor.
É no sul que nos dói mais o sol é ao sol que se vê o azul
Letra: Ary dos Santos Música: Fernando Tordo Intérprete: Carlos do Carmo (in “Um Homem no País”, Polygram, 1983)
Marcadinho, puladinho
[ Corridinho Aluljé ]
Marcadinho, puladinho, joelhos em terra, moças ao ar Barracoleza, terra firme, muita beleza Mais acima o barranco, uma eira e um palanco Moita de Guerra, lava-pé, boca-de-peixe Quarteira mais abaixo, a ribeira e o riacho Cá em Loulé toda gente bate o pé Bate palmas, bate o queixo e as quadras do Aleixo Oh i oh ai! marcadinho vai e nã vai Todos dançam, ninguém sai à moda da Ti Anica Arrabanhita, todos saltam cabanita Uns rodam, outros não, sarnadinha, morrião
Lá vai, lá vai, roda a moça, roda bem! Saca-rabos e galinhas pé comprido ninguém tem Nos Barrigões encontrei uma gineta Anda tudo aos encontrões, anda tudo arraboleta Arraboleta, linda saia roda preta Mas que raio de meia branca! Califórnia e Casablanca As voltas do corridinho mandado e puladinho Vir’ó baile! Ah moços dum raio!
Ah mano Zeca! Entra o fole!
Lá vai, lá vai, roda a moça, roda bem! Oh i oh ai! pé comprido ninguém tem Lá vai, lá vai, encontrei uma gineta Oi oh ai! anda tudo arraboleta Lá vai, lá vai, linda saia roda preta Mas que raio de meia branca! Califórnia e Casablanca As voltas do corridinho mandado e puladinho
Vir’ó baile! Já está!
Notas:
Barracoleza – lugar na Serra do Caldeirão, perto de Salir (onde está projectado um enorme complexo turístico com campo de golfe).
Barranco – sulco feito no solo pelas enxurradas; barroca, ravina, precipício.
Palanco – corda que se prende à vela, e que serve para a içar.
Moita de Guerra – localidade da freguesia de Salir, concelho de Loulé.
Lava-pé – planta arbustiva.
Boca-de-peixe – planta.
Arrabanhita – jogo de crianças em que se jogava uma guloseima e todas elas corriam para a apanhar.
Cabanita – nome de uma escola básica do 2.º e 3.º ciclos, em Loulé, assim baptizada em homenagem ao Padre João Coelho Cabanita.
Sarnadinha – planta herbácea, também conhecida por morrião.
Morrião – planta herbácea, também conhecida por sarnadinha.
Saca-rabo – mamífero carnívoro da família dos Vivérridas, de cauda muito longa, também conhecido por mangusto ou manguço.
Barrigões – localidade da freguesia de Salir, concelho de Loulé.
Gineta – mamífero carnívoro da família dos Vivérridas, com pelagem cinzento-clara muito manchada de negro, também conhecido por gineto, gato-bravo ou martaranho.
Arraboleta – brincadeira de crianças em que elas rebolam/giram sob si mesmas.
Califórnia – localidade da freguesia de Salir, concelho de Loulé.
Casablanca – cidade de Marrocos, considerada a capital económica do país. Também o nome de um lugar do concelho de Loulé.
Letra: José Francisco Vieira Música: João Frade, Paulo Machado, José Francisco Vieira, João Vieira, Paulo Jorge Temeroso Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Mercado de Loulé
Na rua do peixe frito
[ Rua do Peixe Frito ]
Na rua do peixe frito Havia lá boa gente Na esquina o Ti Gaspar E o terramoto de Agadir Havia uma porta aberta E um prato de milho quente Havia lá boa gente
Havia poesia e mais Na maneira como viviam Um acordeão encarnado Caiu ao mar embriagado Pescadores, guardas-fiscais E paixão à luz do dia Na maneira como viviam
Uma bacia com brasas Ao ar livre a fumejar Uma pelengana e azeite Com peixe fresco a fritar Corria nua Mila Coelha Pela rua a cantararolar Ao ar livre a fumejar
Na rua do peixe frito Havia lá boa gente A cara chapada do pai Zé Manel Jesus Sacramento Havia lá boa gente
Na rua do peixe frito Folia madrugada adentro Sardinhas e pão quente Gorgulho, petisco a monte Na casa da Tia Leonarda Charro alimado era o sustento Até madrugada adentro
Um candeeirinho de arame Que iluminava a noite inteira Um garrafão franquinhal À porta aberta de um quintal Uma moça linda a sorrir Passava por lá sorrateira Iluminava a noite inteira
Na rua do peixe frito Havia lá boa gente A cara chapada do pai Zé Manel Jesus Sacramento Havia lá boa gente
Na rua do peixe frito Havia lá boa gente A cara chapada do pai Zé Manel Jesus Sacramento Havia lá boa gente
Letra e música: José Francisco Vieira Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Notas:
Agadir – cidade do Sudoeste de Marrocos (na costa atlântica) que, a 29 de Fevereiro de 1960, foi abalada por um sismo violento (de magnitude 5,7 na escala de Richter) que a deixou bastante destruída e causou cerca de 20 mil mortos (metade da população).
Pelengana ou palangana – recipiente largo e pouco fundo, de barro ou metal, usado para servir assados ou fritos.
Charro – chicharro.
Franquinhal – nome do vinho feito em Santa Luzia, Tavira, até aos anos 70, por uma família de galegos fugidos da Guerra Civil Espanhola.
Marenostrum, Rua do Peixe Frito
Aldeia da Meia-Praia
[ Os índios da Meia-Praia ]
Aldeia da Meia-Praia Ali mesmo ao pé de Lagos Vou fazer-te uma cantiga Da melhor que sei e faço
De Monte-Gordo vieram Alguns por seu próprio pé Um chegou de bicicleta Outro foi de marcha a ré
Houve até quem estendesse A mão a mãe caridade Para comprar um bilhete De paragem para a cidade
Oh mar que tanto forcejas Pescador de peixe ingrato Trabalhaste noite e dia Para ganhares um pataco
Quando os teus olhos tropeçam No voo duma gaivota Em vez de peixe vê peças De ouro caindo na lota
Quem aqui vier morar Não traga mesa nem cama Com sete palmos de terra Se constrói uma cabana
Uma cabana de colmo E viva a comunidade Quando a gente está unida Tudo se faz de vontade
Tudo se faz de vontade Mas não chega a nossa voz Só do mar tem o proveito Quem se aproveita de nós
Tu trabalhas todo o ano Na lota deixam-te mudo Chupam-te até ao tutano Chupam-te o couro cab’ludo
Quem dera que a gente tenha De Agostinho a valentia Para alimentar a sanha De esganar a burguesia
Diz o amigo no aperto Pouco ganho, muita léria Hei-de fazer uma casa Feita de pau e de pedra
Adeus disse a Monte-Gordo (Nada o prende ao mal passado) Mas nada o prende ao presente Se só ele é o enganado
Foram “ficando ficando” Quando um dia um cidadão Não sei nem como nem quando Veio à baila a habitação
Mas quem tem calos no rabo E isto não é segredo – É sempre desconfiado Põe-se atrás do arvoredo
Oito mil horas contadas Laboraram a preceito Até que veio o primeiro Documento autenticado
Veio um cheque pelo correio E alguns pedreiros amigos Disse o pescador consigo Só quem trabalha é honrado
Quem aqui vier morar Não traga mesa nem cama Com sete palmos de terra Se constrói uma cabana
Eram mulheres e crianças Cada um c’o seu tijolo “Isto aqui era uma orquestra” Quem diz o contrário é tolo
E toda a gente interessada Colaborou a preceito Vamos trabalhar a eito Dizia a rapaziada
Não basta pregar um prego Para ter um bairro novo Só “unidos venceremos” Reza um ditado do Povo
E se a má lingua não cessa Eu daqui vivo não saia Pois nada apaga a nobreza Dos índios da Meia-Praia
Foi sempre a tua figura Tubarão de mil aparas Deixar tudo à dependura Quando na presa reparas
Das eleições acabadas Do resultado previsto Saiu o que tendes visto Muitas obras embargadas
Quem vê na praia o turista Para jogar na roleta Vestir a casaca preta Do malfrão ** capitalista
Mas não por vontade própria Porque a luta continua Pois é dele a sua história E o povo saiu à rua
Mandadores de alta finança Fazem tudo andar pra trás Dizem que o mundo só anda Tendo à frente um capataz
E toca de papelada No vaivém dos ministérios Mas hão-de fugir aos berros Inda a banda vai na estrada
Eram mulheres e crianças Cada um c’o seu tijolo “Isto aqui era uma orquestra” Quem diz o contrário é tolo
* Texto e música: Zeca Afonso
Para o filme Índios da Meia Praia, realizado por Cunha Teles. A versão do disco não inclui todas as quadras.
** Palavra algarvia que significa dinheiro.
José Afonso, Os Índios da Meia-Praia
Praia da Rocha, guitarra
[ Fado de Portimão ]
Praia da Rocha, guitarra Doirada que o mar dedilha Ferragudo e a maravilha Do castelo junto à barra
Mas quer chova ou faça sol Quer o mar deixe ou não deixe A cidade é um anzol
Portimão sonha com peixe Como a foz do rio Arade Como o cais de Portimão Há-de haver tão lindos, há-de, Mas mais lindos é que não.
Ah! Se o luar não vier Às redes de Portimão Luar de peixe a morrer Antes do fim do Verão.
“Vá fome” Diz Zé Fataça Que outrora foi pescador E é agora engraxador Junto ao coreto da praça
Então a fome é verdade E alguns vão buscar seu pão A mil léguas do Arade E do cais de Portimão.
Como a foz do rio Arade Como o cais de Portimão Há-de haver tão lindos, há-de, Mas mais lindos é que não.
Letra: Leonel Neves Música: António Vinagre Intérprete: Grupo Coral de Portimão (in CD “Algarve”, Tradisom, 200?)
Procuro o sul
[ Fado Corridinho ]
Procuro o sul que me aqueça A voz que canta esta terra De seu clima abençoado Que dá calor ao meu fado E cheirinho a mar e serra
Descubro de costa a costa Praias onde o mar descansa Nas areias com memórias Falésias que são histórias De partidas, de esperança
O fado corridinho é um bailinho Que alegra a gente Sete passos para a frente Mais três de cada lado do caminho O fado corridinho é um cantar, Um desafio algarvio, vai de roda sem parar
No ciclo de cada ano A terra é fértil e espera Amendoeiras em flor Um pomar cheio de cor Prenúncio de primavera
Nesta viagem a sul Dou por mim em rodopio Entro num baile mandado Que alegra o meu fado Com um abraço algarvio
O fado corridinho é um bailinho Que alegra a gente Sete passos para a frente Mais três de cada lado do caminho O fado corridinho é um cantar, Um desafio algarvio, vai de roda sem parar
O fado corridinho é um bailinho Que alegra a gente Sete passos para a frente Mais três de cada lado do caminho O fado corridinho é um cantar, Um desafio algarvio, vai de roda sem parar
Ah moço dum raio!
Letra: Jorge Mangorrinha Música: José Francisco Vieira, Paulo Machado, João Vieira, João Frade, Paulo Jorge Temeroso Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Vai com trote certo
[ Carrinha Antiga ]
Vai com trote certo Esse cavalinho Todo empenachado E o boleeiro esperto Faz do seu caminho Seu baile mandado.
Lá vai a carrinha A carrinha antiga Com seu toldo armado. Uma sombra amiga A sombra fresquinha Sob um sol doirado
Leva os estrangeiros Muito prazenteiros Que vão passear. Ver a Rocha e o mar Mar das caravelas Que inda é mar das velas.
E a carrinha lesta Do Algarve florido É folha que resta De um romance lido De um conto feliz De Júlio Dinis.
Letra: José Galvão Balsa Música: António Vinagre Intérprete: Grupo Coral de Portimão* (in CD “Algarve”, Tradisom, 200?)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/03/algarve.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 00:35:172024-11-02 06:59:32Canções sobre o Algarve
A minha velha casa, por mais que eu sofra e ande, é sempre um golpe de asa varrendo um Campo Grande.
Aqui no meu País, por mais que a minha ausência doa, é que eu sei que a raiz de mim está em Lisboa.
A minha velha casa resiste no meu corpo e arde como brasa dum corpo nunca morto.
A minha velha casa é o regresso à procura das origens da ternura, onde o meu ser perdura.
Amiga amante, amor distante. Lisboa é perto, e não bastante. Amor calado, amor avante, que faz do tempo apenas um instante. Amor dorido, amor magoado e que me dói no fado. Amor magoado, amor sentido, mas jamais cansado. Amor vivido, meu amor amado.
Um braço é a tristeza, o outro é a saudade, e as minhas mãos abertas são chão da liberdade.
A casa a que eu pertenço, viagem para a minha infância, é o espaço em que eu venço e o tempo da distância.
E volto à velha casa, porque a esperança resiste a tudo quanto arrasa um homem que for triste.
Lisboa não se cala, e quando fala é minha chama, meu Castelo e minha Alfama, minha Pátria, minha cama.
Amiga amante, amor distante. Lisboa é perto, e não bastante. Amor calado, amor avante, que faz do tempo apenas um instante. Amor dorido, amor magoado e que me dói no fado. Amor magoado, amor sentido, mas jamais cansado. Amor vivido, meu amor amado.
Ai! Lisboa, como eu quero! É por ti que eu desespero!
Letra: José Carlos Ary dos Santos Música: António Victorino d’Almeida Intérprete: Camané (in CD “Novo Homem na Cidade”, Universal, 2004) Versão original: Carlos do Carmo (in “Um Homem na Cidade”, Trova, 1977; reed. UPAV, 1991; Philips/Polygram, 1995)
Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores e educadores
Ainda Lisboa
[ Marcha da Madragoa 1980 ]
Ainda Lisboa Sonha e dorme a sono solto E o luar passeia envolto No seu manto de mil estrelas, A Madragoa Já toda ela se agita, Airosa fresca e bonita, Num bailado de chinelas.
Ainda o galo Não cantou o seu bom dia, Já o meu bairro à porfia Trabalha de que maneira; É um regalo Ver cortejos de varinas Descendo a Rua das Trinas A caminho da Ribeira.
Madragoa, Chinela no pé, Jeito de maré P’ra cá e p’ra lá; Madragoa, Canastra à cabeça, Ligeira na pressa Que a vida lhe dá.
Madragoa, Festiva gaivota Que grita na lota, Que canta e apregoa; Madragoa, Salgada e ladina, Vistosa varina, Cartaz de Lisboa.
A Madragoa Que canta desde menina Cantigas que o mar lhe ensina, Com o mar dança também; Doa a quem doa, É dos bairros a rainha E a coisa mais alfacinha De quantas Lisboa tem.
E se abençoa A fé dos seus monumentos, Pois igrejas e conventos Dão-lhe fé e caridade; À Madragoa Não falta desde criança Toda a virtude da Esperança, Que é a Esperança da cidade.
Madragoa, Chinela no pé, Jeito de maré P’ra cá e p’ra lá; Madragoa, Canastra à cabeça, Ligeira na pressa Que a vida lhe dá.
Madragoa, Festiva gaivota Que grita na lota, Que canta e apregoa; Madragoa, Salgada e ladina, Vistosa varina, Cartaz de Lisboa.
Madragoa, Festiva gaivota Que grita na lota, Que canta e apregoa; Madragoa, Salgada e ladina, Vistosa varina, Cartaz de Lisboa.
Letra: Jorge Rosa Música: José Fontes Rocha Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012) Versão original: Maria da Fé (in single “Marcha da Madragoa 1980 / Acerta Comigo”, Valentim de Carvalho/EMI, 1980; CD “Até Que a Voz me Doa” (compilação), col. Caravela, EMI-VC, 1991; CD “O Melhor de Maria da Fé”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD “Maria da Fé: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)
fadista Joana Amendoeira
Ando
[ Santa Apolónia ]
Ando de vez em quando Procurando o que há para achar Se acho, não me acho capaz para me encontrar E parto, de vontade em vontade, com vontade de andar Que a cidade onde vivo Me faz vontade… voltar. E ando Vagueando Chateado, um pouco zangado Ando à toa, … apanho o comboio, vou daqui para Lisboa.
Ando Vagueando Chateado, um pouco zangado Ando à toa, … apanho o comboio, vou daqui para Lisboa.
Ando Vagueando Chateado, um pouco zangado Ando à toa, … apanho o comboio, vou daqui para Lisboa.
Ando Vagueando Chateado, um pouco zangado Ando à toa, … apanho o comboio, vou daqui para Lisboa.
Vadiando Chateado, um pouco zangado Ando à toa, … apanho o comboio, vou daqui para Lisboa.
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Lisboa a Sete”, Alain Vachier Music Editions, 2016)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Azulejos da cidade
[ Fado dos Azulejos ]
Azulejos da cidade, numa parede ou num banco, são ladrilhas da saudade vestida de azul e branco.
Bocados da minha vida, todos vidrados de mágoa, azulejos, despedida dos meus olhos rasos de água.
À flor dum azulejo, uma menina; do outro, um cão que ladra e um pastor. Ai! Moldura pequenina, que és a banda desenhada nas paredes do amor.
Azulejos desbotados por quanto viram chorar. Azulejos tão cansados por quantos viram passar.
Podem dizer-vos que não, podem querer-vos maltratar: de dentro do coração ninguém vos pode arrancar.
À flor dum azulejo, um passarinho, um cravo e um cavalo de brincar; um coração com um espinho, uma flor de azevinho e uma cor azul luar.
À flor do azulejo, a cor do Tejo e um barco antigo, ainda por largar. Distância que já não vejo, e enche Lisboa de infância, e enche Lisboa de mar.
Distância que já não vejo, e enche Lisboa de infância, e enche Lisboa de mar.
Letra: José Carlos Ary dos Santos Música: Martinho d’Assunção Intérprete: Carlos do Carmo (in “Um Homem na Cidade”, Trova, 1977; reed. UPAV, 1991; Philips/Polygram, 1995)
Caminho ao Largo
[ Ao Largo ]
Caminho ao Largo, no bolso a moeda, do troco do gelado na esquina. Saboreio-te na gente que vem e que passa… de outros lados De sorrisos sem rotina… Pego na moeda, devolvida no troco, não dá p’ra viajar-te, é pouco. Levo-te mesmo assim de moeda no bolso, p’la nuvem que nos diz. Mostrem de Vós a Paris! Mostrem de Vós a Paris! Sabes? Sabes? Gostava de levar-te a Paris, mas… agora não posso mostrar-te mais… que o Largo Martim Moniz!
Sabes? Sabes? Gostava de levar-te a Paris, mas… agora não posso mostrar-te mais… que o Largo Martim Moniz!
Volto à moeda, devolvida no troco, não dá p’ra viajar-te, é pouco. Levo-te mesmo assim de moeda no bolso, p’la nuvem que nos diz: Mostrem de Vós a Paris! Mostrem de Vós a Paris! Sabes? Sabes? Gostava de levar-te a Paris, mas… agora não posso mostrar-te mais… que o Largo Martim Moniz!
Sabes? Sabes? Gostava de levar-te a Paris, mas… agora não posso mostrar-te mais… que o Largo Martim Moniz!
Sabes? Sabes? Gostava de levar-te a Paris, mas… agora não posso mostrar-te mais… que o Largo Martim Moniz!
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Lisboa a Sete”, Alain Vachier Music Editions, 2016)
Cansados vão os corpos
[ Lisboa que amanhece ]
Intérprete: Carlos do Carmo
Como a água da nascente
[ Transparente ]
Como a água da nascente Minha mão é transparente Aos olhos da minha avó.
Entre a terra e o divino Minha avó negra sabia Essas coisas do destino.
Desagua o mar que vejo Nos rios desse desejo De quem nasceu para cantar.
Um Zambeze feito Tejo De tão cantado qu’invejo Lisboa, por lá morar.
Vejo um cabelo entrançado E o canto morno do fado Num xaile de caracóis.
Como num conto de fadas Os batuques são guitarras E os coqueiros, girassóis.
Minha avó negra sabia Ler as coisas do destino Na palma de cada olhar.
Queira a vida ou que não queira Disse Deus à feiticeira Que nasci para cantar.
Letra: Paulo Abreu Lima Música: Rui Veloso Intérprete: Mariza (in CD “Transparente”, EMI-VC, 2005)
Cortesã das minhas noites
[ É Lisboa a namorar ]
Intérprete: Cuca Roseta
Da janela do meu quarto
Da janela do meu quarto vejo a luz no quarto dela Quando a lua vem brincar nos telhados da viela Vejo o sol de madrugada a beijar sete colinas Quando se espraia no cais para espreitar as varinas
Da janela do meu quarto vejo o mundo Tenho um mundo de poesia para ver Vejo Alfama que labuta com ardor A sorrir e a cantar Vejo o Tejo a espreguiçar-se lá no fundo Vejo a ronda, ela passa a correr Vejo a Sé onde à tardinha com fervor Ela vai sempre rezar
Vejo pares de namorados, almas cheias de ilusões Toda a magia de um fado e a alegria dos pregões E à noitinha quando as sombras vestem de luto a viela Da janela do meu quarto vejo a luz no quarto dela
Da janela do meu quarto vejo o mundo Tenho um mundo de poesia para ver Vejo Alfama que labuta com ardor A sorrir e a cantar Vejo o Tejo a espreguiçar-se lá no fundo Vejo a ronda, ela passa a correr Vejo a Sé onde à tardinha com fervor Ela vai sempre rezar
Vejo o Tejo a espreguiçar-se lá no fundo Vejo a ronda, ela passa a correr Vejo a Sé onde à tardinha com fervor Ela vai sempre rezar
Letra: António Vilar da Costa Música: Nóbrega e Sousa Intérprete: Tristão da Silva (1958) (in CD “O Melhor de Tristão da Silva”, EMI-VC, 1991)
De decote no bolso
De decote no bolso Fiz-me de vestido na mão Perdi-me até na ilusão Deste vestido-canção Mas quero entrar na marcha à frente Que seja de chita vestida Quero assim vestir-me contente Até que reste esta vida E o vestido de chita Me excita na avenida A vontade de te abraçar de te levar Da Liberdade ao mar!
De decote no bolso Fiz-me de vestido na mão Perdi-me até na ilusão Deste vestido-canção Mas quero entrar na marcha à frente Que seja de chita vestida Quero assim vestir-me contente Até que reste esta vida E o vestido de chita Me excita na avenida A vontade de te abraçar de te levar Da Liberdade ao mar!
E o vestido de chita Me excita na avenida A vontade de te abraçar de te levar Da Liberdade ao mar!
E o vestido de chita Me excita na avenida A vontade de te abraçar de te levar Da Liberdade ao mar!
E o vestido de chita Me excita na avenida A vontade de te abraçar de te levar Da Liberdade ao mar!
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Lisboa a Sete”, Alain Vachier Music Editions, 2016)
De manhãzinha, voltou a Rosa
[ Nova Rosa da Mouraria ]
De manhãzinha, voltou a Rosa sem dizer nada; Vinha sozinha e mais formosa, bem apressada; Parou na Rua do Capelão, onde esperava O tal rapaz que há muitos anos a namorava.
Ai quem diria Que um dia a Rosa da Mouraria Voltava àquela casa, No Largo da Severa.
Ai quem diria Que a Rosa da Mouraria Tinha a vida bem guardada P’ra voltar a ser quem era.
Viu sardinheiras e margaridas numa janela, Namoradeiras entristecidas à espera dela; Agora a casa tem o encanto que tinha outrora, Até a Rosa já prometeu não ir embora.
Ai quem diria Que um dia a Rosa da Mouraria Voltava àquela casa, No Largo da Severa.
Ai quem diria Que a Rosa da Mouraria Tinha a vida bem guardada P’ra voltar a ser quem era.
Ai quem diria Que um dia a Rosa da Mouraria Voltava àquela casa, No Largo da Severa.
Ai quem diria Que a Rosa da Mouraria Tinha a vida bem guardada P’ra voltar a ser quem era.
Ai quem diria Que a Rosa da Mouraria Tinha a vida bem guardada P’ra voltar a ser quem era.
Letra e música: Marco Oliveira Intérprete: Tânia Oleiro Versão original: Tânia Oleiro (in CD “Terços de Fado”, Museu do Fado Discos, 2016)
És um moinho de vento
[ Lisboa ]
És um moinho de vento com sete colinas p’ra ver o Tejo e as andorinhas. És Lisboa sem tempo.
Tens uma História que encanta, e essa cor tão branca que dá luz ao fado e sobra em todo o lado. O Tejo iluminado.
Lisboa és minha! Lisboa do mundo, como vela erguida num sonho profundo, és cidade branca e trazes luz ao mundo.
Lisboa és minha! Lisboa do mundo…
Lisboa és minha! Lisboa do mundo… Lisboa és minha! Lisboa do mundo… Lisboa…
Letra: José Barros Música: Mimmo Epifani Intérpretes: José Barros & Mimmo Epifani* Versão original: José Barros & Mimmo Epifani (in CD “Mar da Lua”, José Barros/Tradisom, 2015)
Esse romance amoroso
[ O Casamento da Rita ]
Esse romance amoroso Do mercado da Ribeira Teve um final milagroso; E, afinal, de que maneira!
Um romance igual a tantos, Esse da Rita e do Chico: Lá na Igreja de Santos Foi-se os encantos do namorico.
Muito juntinhos sob o altar, Entre os padrinhos foram casar; Após a boda, a Rita e o Chico Foram na roda do bailarico.
Desde a sagrada união A mãe dela já nem ralha, Nem sequer faz discussão Por dá cá aquela palha.
Com sua graça expedita Disse ao Chico pescador: «Se não me dás outra Rita, Vai haver fita seja onde for.»
E hoje uma Rita mais pequenina Toda se agita linda e traquina: Lembra a sardinha viva a saltar, Outro romance para contar.
Muito juntinhos sob o altar, Entre os padrinhos foram casar; Após a boda, a Rita e o Chico Foram na roda do bailarico.
E hoje uma Rita mais pequenina Toda se agita linda e traquina: Lembra a sardinha viva a saltar, Outro romance para contar.
Letra e música: Júlio Vieitas Intérprete: Tânia Oleiro* Primeira versão discográfica de Tânia Oleiro (in CD “Terços de Fado”, Museu do Fado Discos, 2016) Versão original: Fernanda Maria (in EP “Isto É Fado” A Voz do Dono/VC, 1960; CD “O Melhor de Fernanda Maria”, EMI-VC, 1994; CD “O Melhor de Fernanda Maria”, Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2009; CD “Fernanda Maria: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho, 2014)
Eu canto para ti
[ Canção com Lágrimas ]
Eu canto para ti um mês de giestas um mês de morte e crescimento ó meu amigo como um cristal partindo-se plangente no fundo da memória perturbada.
Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa e um coração poisado sobre a tua ausência eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês em que os mortos amados batem à porta do poema.
Porque tu me disseste: quem me dera em Lisboa quem me dera em Maio. Depois morreste Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro.
Eu canto para ti Lisboa à tua espera teu nome escrito com ternura sobre as águas e o teu retrato em cada rua onde não passas trazendo no sorriso a flor do mês de Maio.
Porque tu me disseste: quem me dera em Maio porque te vi morrer eu canto para ti Lisboa e o sol. Lisboa com lágrimas Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve.
Eu canto para ti Lisboa à tua espera…
Poema: Manuel Alegre (adaptado de “Canção com Lágrimas e Sol”, in Praça da Canção , 1965) Música e voz: Adriano Correia de Oliveira (in “Cantaremos”, Orfeu, 1970, reed. Movieplay, 1999; “Obra Completa”, Movieplay, 1994; CD “Vinte Anos de Canções”, Movieplay, 2001)
É varina, usa chinela
[ Maria Lisboa ]
É varina, usa chinela, tem movimentos de gata; Na canastra, a caravela, no coração, a fragata. Na canastra, a caravela, no coração, a fragata.
Em vez de corvos, no xaile gaivotas vêm pousar. Quando o vento a leva ao baile, baila no baile com o mar. Quando o vento a leva ao baile, baila no baile com o mar.
É de conchas o vestido, tem algas na cabeleira; E nas veias o latido do motor duma traineira. E nas veias o latido do motor duma traineira.
Vende sonho e maresia, tempestades apregoa. Seu nome próprio: Maria; seu apelido: Lisboa. Seu nome próprio: Maria; seu apelido: Lisboa.
Letra: David Mourão-Ferreira Música: Alain Oulman Intérprete: Amália Rodrigues (in “Amália Rodrigues (Busto)”, Valentim de Carvalho, 1962, reed. EMI-VC, 1989; in “Com Que Voz”, Valentim de Carvalho, 1970, reed. EMI-VC, 1987; CD “O Melhor de Amália – Estranha Forma de Vida”, EMI-VC, 1985, reed. 1995) Outra versão: Mariza (in CD “Fado em Mim”, World Connection B.V., 2001; CD/DVD “Concerto em Lisboa”, Capitol, 2006)
Esta noite há uma festa
[ Curral da Mouraria ]
Esta noite há uma festa No curral da Mouraria Esta noite há uma festa Vai durar até ser dia
Vem daí, vamos cantar Vamos todos celebrar Que ainda não foi desta Vem daí, vamos brindar Toda a noite sem parar Vamos dançar até cair
A dança, segredo Do sexto sentido Que a dança do medo Foi tempo perdido
Esta noite canto o fado No curral da Mouraria Entre o Beco do Malvado E o Pátio da Alegria
Vamos todos festejar A vontade de sonhar Já que pouco mais nos resta Quantas mágoas por cantar Quantas penas por chorar Por isso dança até cair
A dança, segredo Do sexto sentido Que a dança do medo Foi tempo perdido
Esta noite há uma festa No curral da Mouraria
Vamos todos festejar A vontade de sonhar Já que pouco mais nos resta Quantas mágoas por cantar Quantas penas por chorar Por isso dança até cair
A dança, segredo Do sexto sentido Que a dança do medo Foi tempo perdido
Esta noite há uma festa Há-de ser até ser dia
Letra: J.J. Galvão (José João Oliveira Galvão) Música: Rui Filipe Reis Intérprete: Rosa Negra (in CD “Fado Mutante”, iPlay, 2011)
Foi na Travessa da Palha
Foi na Travessa da Palha Que o meu amante, um canalha, Fez sangrar meu coração: Trazendo ao lado outra amante Vinha a gingar petulante Em ar de provocação. Trazendo ao lado outra amante Vinha a gingar petulante Em ar de provocação.
Na taberna de friagem Entre muita fadistagem Enfrentei-os sem rancor, Porque a mulher que trazia Com certeza não valia Nem sombra do meu amor. Porque a mulher que trazia Com certeza não valia Nem sombra do meu amor.
A ver quem tinha mais brio Cantámos ao desafio Eu e essa outra qualquer. Deixei-a perder de vista Mostrando ser mais fadista Provando ser mais mulher. Deixei-a perder de vista Mostrando ser mais fadista Provando ser mais mulher.
Foi uma cena vivida De muitas da minha vida Que se não esquecem depois, Só sei que de madrugada Após a cena acabada Voltámos para casa os dois. Só sei que de madrugada Após a cena acabada Voltámos para casa os dois.
Letra: Gabriel de Oliveira Música: Frederico de Brito Intérprete: Lila Downs (in CD “Fados”, EMI, 2007) Versão original: Lucília do Carmo (1958) (in CD “Lucília do Carmo: Biografias do Fado”, EMI-VC, 1998)
Fugiu a Baixa
Fugiu a Baixa, de brinco de pérola ao Chiado Passou de passeio, de risco de alfaiate ao Combro Subiu de navio ao Poço dos Negros pontos, Dos sinais, no seu olhar.
Degrau em degrau, Do bairro da Bica ao café ao alto À proa… num alto, no salto ao Bairro Alto. À proa… num alto, afundaste… do “Titanic” … de Lisboa que há em ti.
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Lisboa a Sete”, Alain Vachier Music Editions, 2016)
Jorge Rivotti
Julguei que Lisboa era
[ Ao Semáforo um Navio ]
Julguei que Lisboa era Cidade de ter os barcos no rio. Mas… juro! Ao semáforo estava um navio Juro!… Sim. Quase que até batia em mim Vais mas é pensar que eu estou maluco Olha que eu não estou a brincar O gajo do táxi ia batendo Tu não estás a ver-te acreditar
Vi um Navio Amarelo Ali mesmo ao Cais Sodré. Bem por baixo Tinha umas rodas Mais parecidas com… botas sem pés.
Julguei que Lisboa era Cidade de ter os barcos no rio. Mas… juro! Ao semáforo estava um navio Juro!… Sim. Quase que até batia em mim
Vi um Navio Amarelo Ali mesmo ao Cais Sodré. Bem por baixo Tinha umas rodas Mais parecidas com… botas sem pés.
Vi um Navio Amarelo Ali mesmo ao Cais Sodré. Bem por baixo Tinha umas rodas Mais parecidas com… botas sem pés.
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Lisboa a Sete”, Alain Vachier Music Editions, 2016)
Lisboa, gaiata
Lisboa, gaiata, de chinela no pé, Lisboa, travessa, que linda que ela é!
Lisboa, bailarina, que bailas a cantar, sereia pequenina que nos guarda pelo mar.
1. Lisboa, vem p’ra rua que o Santo António é teu. São Pedro deu-te a lua e o mundo escureceu Comprei-te um manjerico e trago-te um balão. Em casa é que eu não fico ó meu rico São João.
2. Lisboa faz surgir, ai, que milagre aquele!, cantigas a florir num cravo de papel. Nos arcos enfeitados poisaram as estrelas e há anjos debruçados nos telhados das vielas.
Intérprete: Amália Rodrigues
Lisboa, Lisboa
Lisboa, Lisboa Tu és a passagem por mim Lisboa, Lisboa O teu nome ainda nem vi Lisboa, Lisboa Tu és a passagem por mim Lisboa, Lisboa Só me basta que seja assim
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Lisboa a Sete”, Alain Vachier Music Editions, 2016)
Jorge Rivotti
Lisboa, querida mãezinha
[ Recado a Lisboa ]
Lisboa, querida mãezinha Com o teu xaile traçado Recebe esta carta minha Que te leva o meu recado
Que Deus te ajude, Lisboa A cumprir esta mensagem Dum português que está longe E que anda sempre em viagem
Vai dizer adeus à Graça Que é tão bela, que é tão boa Vai por mim beijar a Estrela E abraçar a Madragoa E mesmo que esteja frio E os barcos fiquem no rio Parados sem navegar Passa por mim no Rossio E leva-lhe o meu olhar
Se for noite de S. João Lá pelas ruas de Alfama Acende o meu coração No fogo da tua chama
Depois, depois leva-o pela cidade Num vaso de manjerico Para ele matar saudade Desta saudade em que fico
Vai dizer adeus à Graça Que é tão bela, que é tão boa Vai por mim beijar a Estrela E abraçar a Madragoa E mesmo que esteja frio E os barcos fiquem no rio Parados sem navegar Passa por mim no Rossio E leva-lhe o meu olhar
Letra: João Villaret Música: Armando da Câmara Rodrigues Intérprete: João Villaret (in “Ontem e Hoje”, Ovação, 1989; CD “João Villaret: O Melhor dos Melhores”, vol. 9, Movieplay, 1994)
Mais um domingo em Lisboa
[ Rosas ]
Mais um domingo em Lisboa E já não tens para onde ir; A solidão não perdoa Quem não consegue dormir.
Ninguém te fala na rua, Ninguém conhece o teu nome; De que te serve a procura Se esta mesma te consome?
Secaram as rosas… Secaram as rosas… Matámos… Matámos as rosas…
«Os dias trazem fantasmas Dos dias todos iguais; Quem anda sempre em viagem Não quer ter coisas a mais.
Empenhei-me tanto, empenhei-me tanto, empenhei-me tanto… Que às vezes inventei que me esquecias. Cantei tanto Que às vezes me pareceu que retribuías.
Mas não aplaudiste??? Eu vi que aplaudiste.
Viste em mim o doce escorpião, O solitário príncipe da melancolia: Belo demais para viver, Frágil demais para morrer.
Se tudo o resto falhar, Podes sempre dizer que te menti; Só espero que estejas bem E se assim for, que assim seja.»
Estás cada vez mais sozinho, «Porventura deprimido; Mesmo quem escolhe o caminho Às vezes anda perdido.»
Secaram as rosas… Secaram as rosas… Matámos as rosas… Morreram as rosas…
Secaram as rosas… Matámos as rosas… Morreram as rosas…
«Mas não aplaudiste???… Eu vi que aplaudiste…»
Secaram as rosas… Matámos as rosas, amor… Vou sentir a tua falta… Vou sentir a tua falta.
Letra: Duarte (Janeiro de 2011) Música: Carlos Manuel Proença e Duarte Intérprete: Duarte com Albano Jerónimo (in CD “Sem Dor Nem Piedade”, Duarte/Alain Vachier Music Editions, 2015)
Meio-dia, maré cheia
Lisboa Abençoa
Letra: Joana Alegre Música: Joana Alegre/Maria Ana Bobone Intérprete: Maria Ana Bobone
Menina, em teu peito sinto o Tejo
[ Menina dos Olhos d’Água ]
Menina, em teu peito sinto o Tejo E vontades marinheiras de aproar; Menina, em teus lábios sinto fontes De água doce que corre sem parar.
Menina, em teus olhos vejo espelhos E em teus cabelos nuvens de encantar; E em teu corpo inteiro sinto o feno Rijo e tenro que nem sei explicar.
Se houver alguém que não goste, Não gaste – deixe ficar… Que eu só por mim quero-te tanto, Que não vai haver menina p’ra sobrar!
Aprendi nos “Esteiros” com Soeiro E aprendi na “Fanga” com Redol; Tenho no rio grande um mundo inteiro E sinto o mundo inteiro no teu colo.
Aprendi a amar a madrugada Que desponta em mim quando sorris; És um rio cheio de água levada E dás rumo à fragata que escolhi.
Se houver alguém que não goste, Não gaste – deixe ficar… Que eu só por mim quero-te tanto, Que não vai haver menina p’ra sobrar!
Se houver alguém que não goste, Não gaste – deixe ficar… Que eu só por mim quero-te tanto, Que não vai haver menina p’ra sobrar!
Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso Versão original: Pedro Barroso (in LP “Cantos da Borda d’Água”, Orfeu/Rádio Triunfo, 1984, reed. Movieplay, 2004; 2CD “Antologia 1982-1990”: CD 2, Movieplay, 2005) Outras versões: Pedro Barroso (in CD “Cantos d’Oxalá”, CD Top, 1996)
Meninos de Momprolé
Meninos de Momprolé Vindos de longe, São Tomé Meninos de Momprolé Meninos de Momprolé De Cabo Verde ou Guiné Meninos de Momprolé
Brincando na beira da estrada Subindo uma rocha, descendo a ramada Correndo p’ra quem lhes abraça P’ra quem lhes dá vida, um mundo de esperança
Cresceram em Lisboa crioula B. Leza, Jamaica, Santos, Cais do Sodré Tito e a Casa da Morna A melhor cachupa, semba, funaná
Meninos de Momprolé Vindos de longe, São Tomé Meninos de Momprolé Meninos de Momprolé De Cabo Verde ou Guiné Meninos de Momprolé
Contando estórias em rimas Ritmos, outras terras, sons Afro-América Mornas, coladeiras, kinzombas Ao fado o destino, saudade de Cesária
Cresceram em Lisboa crioula B. Leza, Jamaica, Santos, Cais do Sodré Tito e a Casa da Morna A melhor cachupa, semba, funaná
Meninos de Momprolé Vindos de longe, São Tomé Meninos de Momprolé Meninos de Momprolé De Cabo Verde ou Guiné Meninos de Momprolé
Lisboa, és a mais crioula… Lisboa… Lisboa, és a mais crioula… Lisboa…
Letra e música: José Francisco Vieira Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Nota: Rocha de Momprolé é uma localidade do concelho de Loulé, junto à estrada (EN 270) que liga a sede do concelho a Boliqueime.
Mim ter ouvido o fada na Severa
[ Marinheiro Americano ]
Mim ter ouvido o fada na Severa Cantada por Alfredo Marceneiro, Mim não perceber nada do que era E só ter apanhado bebedeira. Alfredo ter cantado o bacalhau E tudo ter na boca posto um rolha Mas mim fazer barulha no cançau E levar um camone, aqui no olha,
Ó fada, yes all-right! Lady Maria Alice Ter cantado quatro fadas chatice… Ó fada, yes all-right! Mister Cascais Manuel! No guitarra, Armandinho, very well! Mim gostar muito de ouvir guitarradas E ouvir cantigas a desgraciadas… Ó fada, yes all-right! Mister Alberto Costa No corrido, choradinho, mim gosta.
Lady Leonor Fialho ter cantado Um cantiga no fado corridinho, Toda a gente a chorar ficar magoado Mas mim beber cerveja e beber vinho. Mim chamar o criado por ter sede E logo um fadista a dar chapada Por não ter visto escrito na parede: Silence, que se vai cantar o fada.
Ó fada, yes all-right! Lady Maria Alice Ter cantado quatro fadas chatice… Ó fada, yes all-right! Mister Cascais Manuel! No guitarra, Armandinho, very well! Mim gostar muito de ouvir guitarradas E ouvir cantigas a desgraciadas… Ó fada, yes all-right! Mister Alberto Costa No corrido, choradinho, mim gosta.
Letra: Amadeu do Vale Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” Intérprete: Hermínia Silva (1966) (in CD “O Melhor de Hermínia Silva”, EMI-VC, 1990)
Mora num beco de Alfama
[ Madrugada de Alfama ]
Mora num beco de Alfama e chamam-lhe a Madrugada, e chamam-lhe a Madrugada; mas ela, de tão estouvada, não sabe como se chama nem sabe como se chama.
Mora numa água-furtada que é a mais alta de Alfama a que o sol primeiro inflama quando acorda a Madrugada, quando acorda a Madrugada. Mora numa água-furtada que é a mais alta de Alfama.
Nem mesmo na Madragoa ninguém compete com ela, ninguém compete com ela; que do alto da janela tão cedo beija Lisboa, tão cedo beija Lisboa.
E a sua colcha amarela faz inveja à Madragoa: Madragoa não perdoa que madruguem mais do que ela, que madruguem mais do que ela. E a sua colcha amarela faz inveja à Madragoa.
Mora num beco de Alfama e chamam-lhe a Madrugada, e chamam-lhe a Madrugada; são mastros de luz doirada os ferros da sua cama, os ferros da sua cama.
E a sua colcha amarela a brilhar sobre Lisboa, é como estatua de proa que anuncia a caravela, que anuncia a caravela; a sua colcha amarela a brilhar sobre Lisboa.
E a sua colcha amarela a brilhar sobre Lisboa.
Letra: David Mourão-Ferreira Música: Alain Oulman Intérprete: Amália Rodrigues (in “Com Que Voz”, 1970, reed. EMI-VC, 1988; CD “O Melhor de Amália – Estranha Forma de Vida”, EMI-VC, 1985, reed. 1995)
Nasce o vento da manhã
[ Contigo por Lisboa ]
Nasce o vento da manhã, Fim da tarde calmaria; Nascem lábios de romã Com ardor de meio-dia.
Fico tão dentro de mim Se por ti em mim não estou; Quem me dera ser assim Se não fosse assim que sou! Fico tão dentro de mim Se por ti em mim não estou.
Madrugada pela proa, Pelo mastro livre a vela; As colinas de Lisboa São do vento caravela.
Se não fosse ser assim Como ser como quem sou? Ficas tão dentro de mim Que por ti eu sou quem sou! Se não fosse ser assim Como ser como quem sou?
Nasce o vento da manhã, Fim da tarde calmaria; Nascem lábios de romã Com ardor de meio-dia.
Se não fosse ser assim Como ser como quem sou?
Letra: João Gigante-Ferreira Música: André Teixeira Intérprete: Helena Sarmento Versão original: Helena Sarmento (in CD “Lonjura”, Helena Sarmento, 2018)
Não queiram mal a quem canta
[ Fado Lisboeta ]
Não queiram mal a quem canta Quando uma garganta Em ais se desgarra E a mágoa já não é tanta Se a confessar à guitarra Quem canta sempre se ausenta Da hora cinzenta Da sua amargura Não sente a cruz tão pesada Na longa estrada Da desventura
Eu só entendo o fado Plangente, amargurado À noite a soluçar baixinho Que chega ao coração Num tom magoado Tão frio como as neves do caminho Que chora uma saudade Ou canta a ansiedade De quem tem por amor chorado Dirão que isto é fatal É natural Mas é lisboeta Isto é que é o fado
Oiço guitarras vibrando E vozes cantando Na rua sombria As luzes vão-se apagando A anunciar que é já dia Fecho em silêncio a janela Já se ouvem na viela Rumores de ternura Surge a manhã fresca e calma Só em minha alma É noite escura
Eu só entendo o fado Plangente, amargurado À noite a soluçar baixinho Que chega ao coração Num tom magoado Tão frio como as neves do caminho Que chora uma saudade Ou canta a ansiedade De quem tem por amor chorado Dirão que isto é fatal É natural Mas é lisboeta Isto é que é o fado
Letra: Amadeu do Vale Música: Carlos Dias Intérprete: Amália Rodrigues (1957) (in CD “Fado Amália”, Movieplay, 1998) Outras versões: Maria Ana Bobone (in CD “Meu Nome é Nome de Mar”, Farol, 2006); Raquel Tavares (in CD “Raquel Tavares”, Movieplay, 2006)
Nas ruas de Lisboa
[ Fado Insulano ]
Nas ruas de Lisboa Meu fado insulano Ondas do mar soberano Num compasso de lonjura Meu canto ainda ecoa No cais das descobertas Destas rotas tão incertas Só meu fado ainda perdura Ó saudade, sentimento, solidão O meu fado vagabundo Prisioneiro de um desejo Ó saudade, sentimento, solidão Ondas do mar tão profundo Que querem beijar o Tejo Sonhei que uma ganhoa Cruzava o Bairro Alto Deste inquieto sobressalto Se fez a minha viagem D’Alfama à Madragoa Percorro a tua esteira Vem canoa baleeira Arpoar uma miragem Ó saudade, sentimento, solidão O meu fado vagabundo Prisioneiro de um desejo Ó saudade, sentimento, solidão Ondas do mar tão profundo Que querem beijar o Tejo
Nas vozes de veludo Que a noite insinua Vem rasgar doce falua Meu amargo cancioneiro Lisboa e Tejo e tudo Quimera, desengano Este meu canto profano Há-de ser teu prisioneiro Ó saudade, sentimento, solidão O meu fado vagabundo Prisioneiro de um desejo Ó saudade, sentimento, solidão Ondas do mar tão profundo Que querem beijar o Tejo Ó saudade, sentimento, solidão O meu fado vagabundo Prisioneiro de um desejo Ó saudade, sentimento, solidão Ondas do mar tão profundo Que querem beijar o Tejo
Letra e música: José Medeiros (Ao Gil e à Teresa) Arranjo: José Medeiros, com a colaboração de todos os músicos Intérprete: José Medeiros com Rui Veloso (in Livro/2CD “Fados, Fantasmas e Folias”: CD 1, Algarpalcos, 2010)
Nasce o dia na cidade
[ Fado da Saudade ]
Nasce o dia na cidade Que me encanta Na minha velha Lisboa De outra vida E com o nó de saudade Na garganta Escuto um fado Que se entoa à despedida
Foi nas tabernas de Alfama Em hora triste Que nasceu esta canção O seu lamento Na memória dos que vão
Letra: Fernando Pinto do Amaral Música: Fado Menor Intérprete: Carlos do Carmo (in CDs “Fados”, EMI, 2007; “À Noite”, TugaLand/Universal, 2007)
No castelo, ponho um cotovelo
[ Lisboa menina e moça ]
No castelo, ponho um cotovelo, em Alfama, descanso o olhar e assim desfaz-se o novelo de azul e mar. À Ribeira encosto a cabeça, a almofada, na cama do Tejo com lençóis bordados à pressa na cambraia de um beijo.
Lisboa menina e moça, menina na luz que meus olhos vêem tão pura. Teus seios são as colinas, varina, pregão que me traz à porta, ternura. Cidade a ponto luz bordada, toalha à beira mar estendida, Lisboa menina e moça, amada, c idade mulher da minha vida.
No Terreiro, eu passo por ti, mas da Graça eu vejo-te nua. Quando um pombo te olha, sorri, És mulher da rua e no Bairro mais Alto do sonho ponho o fado que soube inventar, aguardente de vida e medronho que me faz cantar.
Lisboa menina e moça, menina na luz que meus olhos vêem tão pura. Teus seios são as colinas, varina, pregão que me traz à porta ternura. Cidade a ponto luz bordada, toalha à beira mar estendida, Lisboa menina e moça, amada, cidade mulher da minha vida.
Letra: Ary dos Santos Música: Paulo de Carvalho Intérprete: Carlos do Carmo (in “Uma Canção Para a Europa”, 1976)
https://www.youtube.com/watch?v=cKVrc3htTPE
No centro da Avenida
[ Teresa Torga ]
No centro da Avenida, No cruzamento da rua, Às quatro em ponto, perdida Dançava uma mulher nua.
A gente que via a cena Correu para junto dela No intuito de vesti-la, Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda Só pensa em fotografá-la. Mulher na democracia Não é biombo de sala.
Dizem que se chama Teresa, Seu nome é Teresa Torga; Muda o ‘pick-up’ em Benfica E atura a malta da borga.
Aluga quartos de casa Mas já foi primeira estrela; Agora é modelo à força, Que o diga António Capela.
T’resa Torga, T’resa Torga Vencida numa fornalha! Não há bandeira sem luta, Não há luta sem batalha!
T’resa Torga, T’resa Torga Vencida numa fornalha! Não há bandeira sem luta, Não há luta sem batalha!
Letra e música: José Afonso Arranjo: Paulo Loureiro e José Salgueiro Intérprete: Ana Laíns (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017) Versão original: José Afonso (in LP “Com as Minhas Tamanquinhas”, Orfeu, 1976, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art’Orfeu Media, 2012)
José Afonso, Com as minhas tamanquinhas
No Chiado à tardinha
[ Leitaria Garrett ]
No Chiado à tardinha, às vezes, Sorridentes vão de mão na mão, Bons rapazes, são bons portugueses Ai madame a sua indigestão
Ideal das empregaditas A finória vai um figurino Tão carcaça, veste muitas chitas Diz olé! Pró Montefiorino
Leitaria Garrett dá cá o pé Ai tira a mão, João, Da coxa doce, Já está, antes não fosse… O Saricoté, foi parar à Marques Lá prás Belas-Artes…
Assim mesmo á que é! (Diz o progresso) Chá com torradas, João, P’ra onde é que eu vou, Já fui, mas já não sou Linda mocidade, foi-se o Sol embora, Fica-me a Saudade…
Letra e música: Vitorino Intérprete: Vitorino (in “Leitaria Garrett”, EMI-VC, 1984, reed. 1993)
Noutro tempo a fidalguia
[ Embuçado ]
Noutro tempo a fidalguia Que deu brado nas toiradas Andava p’la Mouraria Onde muito falar se ouvia Dos cantos e guitarradas
A história que eu vou contar Contou-me certa velhinha Certa vez que eu fui cantar Ao salão de um titular Lá para o paço da rainha
E nesses salão doirado De ambiente nobre e sério Para ouvir cantar o Fado Ia sempre um Embuçado Personagem de mistério.
Mas certa noite houve alguém Que lhe disse, erguendo a fala: – Embuçado, nota bem: Que hoje não fique ninguém Embuçado nesta sala!
Perante a admiração geral Descobriu-se o Embuçado Era El-Rei de Portugal Houve beija-mão real E depois cantou-se o Fado.
Letra e música: João Ferreira Rosa Intérprete: João Ferreira Rosa (in CD “Biografia do Fado”, EMI-VC, 1994)
O Amarelo da Carris
O Amarelo da Carris vai de Alfama à Mouraria, quem diria! Vai da Baixa ao Bairro Alto, trepa à Graça em sobressalto, sem saber geografia.
O Amarelo da Carris já teve um avô outrora, que era o “chora”. Teve um pai americano, foi inglês por muito ano, só é português agora!
Entram magalas, costureiras; descem senhoras petulantes, entre a verdade, os beliscos e as peneiras, fica tudo como dantes.
Quero um de quinze p’rá Pampulha, já é mais caro este transporte; e qualquer dia mudo a agulha porque a vida está pela hora da morte!
O Amarelo da Carris tem misérias à socapa que ele tapa. Tinha bancos de palhinha, hoje tem cabelos brancos, e os bancos são de napa.
No amarelo da Carris já não há “pode seguir” para se ouvir. Hoje o pó que o faz andar é o pó do lava-lar com que ele se foi cobrir.
Quando um rapaz empurra um velho, ou se machuca uma criança, então a gente vê ao espelho o atropelo e a ganância que nos cansa.
E quando a malta fica à espera, é que percebe como é: passa à pendura o pendura que não paga e não quer andar a pé.
O Amarelo da Carris já teve um avô outrora, que era o “chora”. Teve um pai americano, foi inglês por muito ano, só é português agora!
Quando um rapaz empurra um velho, ou se machuca uma criança, então a gente vê ao espelho o atropelo e a ganância que nos cansa.
Entram magalas, costureiras; descem senhoras petulantes, entre a verdade, os beliscos e as peneiras, fica tudo como dantes.
Letra: José Carlos Ary dos Santos Música: José Luís Tinoco Intérprete: Mariza (in CD “Novo Homem na Cidade”, Universal, 2004) Versão original: Carlos do Carmo (in “Um Homem na Cidade”, Trova, 1977; reed. UPAV, 1991; Philips/Polygram, 1995)
O dia já se fez notar
[ Um Dia de Lisboa ]
O dia já se fez notar O rio acena com neblina Um eléctrico a passar Dá bom-dia em cada esquina Gostei de te ouvir falar Vens de longe, moras cá Tanta rua a palmilhar E os segredos que p’ra aí há
Il y a de l’amour Il y a du glamour Il y a de la joie pour tous les jour Il n’y a que toi Il n’y a que nous Le monde s’est donné Rendez-vous
Lisboa está fantástica, romântica, exótica Lisboa está fantástica, e é tão bom aqui estar Lisboa está fantástica, romântica, exótica Lisboa está fantástica, e é tão bom aqui estar
‘Rasta’, fado e ceviche, A partida adiada O Castelo, a sanduíche Mouraria já esgotada Hostel, saudade e ‘low-cost’ Olha a Bica a fervilhar A Ribeira põe um ‘post’: “Quem quer vir p’ra cá morar?”
Et les amis, et la folie On est bienvenu ici Il fait si beau, Il fait si chaud Quelqu’un ma donné un cadeau
Lisboa está fantástica, romântica, exótica Lisboa está fantástica, e é tão bom aqui estar Lisboa está fantástica, romântica, exótica Lisboa está fantástica, e é tão bom aqui estar
O dia a começar A marca do teu beijo Reflecte na parede Forrada a azulejo Não sei de onde vens Nem vou perguntar Vá lá, faz-me sorrir! Diz-me que vais cá ficar!
Il fait si beau, Il fait si chaud Quelqu’un ma donné un cadeau Et les amis, et la folie On est bienvenu ici
Lisboa está fantástica, romântica, exótica Lisboa está fantástica, e é tão bom aqui estar Lisboa está fantástica, romântica, exótica Lisboa está fantástica, e é tão bom aqui estar
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* (ao vivo no Estúdio 3 da Rádio e Televisão de Portugal, Lisboa) Versão original: Sebastião Antunes & Quadrilha com Viviane (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
O que tem esta Lisboa?
[ A Sina em Portugal ]
O que tem esta Lisboa? Que beco me enlaça a alma? Os trinados da guitarra ou o frio da noite calma?
Sempre que regresso a casa, não há outra como ela; deixo lá a minha asa pendurada na janela.
A canção de Lisboa: é fado. Amar em português: é fado. A sina em Portugal: é fado, mas cantar sem emoção não é.
Já tentei perceber que chamamento nos cala; O que mais hei-de eu fazer senão arrumar a mala!
Por baixo dum céu azul o que o Tejo dá não tira: sete colinas ao Sul só para dançar um vira.
A canção de Lisboa: é fado. Amar em português: é fado. A sina em Portugal: é fado, mas cantar sem emoção não é.
No bairro já se dorme, com o silêncio da noite; De repente o fado acorda e corta como uma foice.
Sai guitarra e sai viola, “sai da cama, ó manganão!”, vai cantar a Deolinda. Vai mais um fadinho ou não?
A canção de Lisboa: é fado. Amar em português: é fado. A sina em Portugal: é fado, mas cantar sem emoção não é.
A canção de Lisboa: é fado. Amar em português: é fado. A sina em Portugal: é fado, mas cantar sem emoção não é.
A canção de Lisboa: é fado. Amar em português: é fado. A sina em Portugal: é fado, mas cantar sem emoção não é.
Pois é!
Letra e música: José Barros Intérpretes: José Barros & Mimmo Epifani* Versão original: José Barros & Mimmo Epifani (in CD “Mar da Lua”, José Barros/Tradisom, 2015)
Ó rua do Capelão
[ Novo Fado da Severa (Rua do Capelão) ]
Ó rua do Capelão Juncada de rosmaninho Se o meu amor vier cedinho Eu beijo as pedras do chão Que ele pisar no caminho.
Há um degrau no meu leito, Que é feito pra ti somente Amor, mas sobe com jeito Se o meu coração te sente Fica-me aos saltos no peito.
Tenho o destino marcado Desde a hora em que te vi Ó meu cigano adorado Viver abraçada ao fado Morrer abraçada a ti.
Letra: Júlio Dantas Música: Frederico de Freitas Intérprete: Dina Teresa (in filme “A Severa”, de José Leitão de Barros, 1931) Outra versão: Amália Rodrigues (in CD “Abbey Road 1952”, EMI-VC, 1992)
Parava no café
[ Os loucos de Lisboa ]
Parava no café quando eu lá estava Na voz tinha o talento dos pedintes Entre um cigarro e outro lá cravava A bica, ao melhor dos seus ouvintes
As mãos e o olhar da mesma cor Cinzenta como a roupa que trazia Num gesto que podia ser de amor Sorria, e ao partir agradecia
São os loucos de Lisboa Que nos fazem duvidar A Terra gira ao contrário E os rios nascem no mar
Um dia numa sala do quarteto Passou um filme lá do hospital Onde o esquecido filmado no gueto Entrava como artista principal
Comprámos a entrada p’ra sessão Pra ver tal personagem no écran O rosto maltratado era a razão Não aparecer pela manhã
São os loucos de Lisboa Que nos fazem duvidar A Terra gira ao contrário E os rios nascem no mar
Mudámos muita vez de calendário Como o café mudou de freguesia Deixámos de tributo a quem lá pára Um louco a fazer-lhe companhia
E sempre a mesma posse o mesmo olhar De quem não mede os dias que vagueiam Sentado lá continua a cravar Beijinhos às meninas que passeiam.
São os loucos de Lisboa Que nos fazem duvidar A Terra gira ao contrário E os rios nascem no mar
Letra: João Monde Música: João Gil Intérprete: Ala dos Namorados
Quando eu era rapazote
[ Fado do Cacilheiro ]
Quando eu era rapazote, Levei comigo no bote Uma varina atrevida. Manobrei, e gostei dela, E lá me atraquei a ela P’ró resto da minha vida.
Às vezes, numa pessoa, A idade não perdoa, Faz bater o coração! Mas tenho grande vaidade Em viver a mocidade Dentro desta geração!…
Sou marinheiro Deste velho cacilheiro, Dedicado companheiro, Pequeno berço do povo. E navegando… A idade vai chegando… Ai… o cabelo branqueando… Mas o Tejo é sempre novo.
Todos moram numa rua A que chamam sempre sua, Mas eu cá não os invejo: O meu bairro é sobre as águas Que cantam as suas mágoas, E a minha rua é o Tejo.
Certa noite de luar, Vinha eu a navegar E de pé, junto da proa, Eu vi, ou então sonhei, Que os braços do Cristo-Rei Estavam a abraçar Lisboa.
Sou marinheiro Deste velho cacilheiro, Dedicado companheiro, Pequeno berço do povo. E navegando… A idade vai chegando… Ai… o cabelo branqueando… Mas o Tejo é sempre novo.
Letra: Paulo da Fonseca Música: Carlos Dias Intérprete: Zé Francisco & Orquestra Azul* (in CD “Caminho de Mar e Luz”, José Francisco Vieira/Alain Vachier Music Editions, 2013) Versão original (“Zé Cacilheiro”): José Viana (revista “Zero, Zero, Zero – Ordem para Matar”, 1966, Teatro Variedades) (in single “Zé Cacilheiro”, A Voz do Dono/EMI, 1966; 2CD “Parque Mayer”: CD 1, EMI-VC, 2003; CD “Para uma História do Fado: Os Fados do Teatro e do Cinema”, col. O Fado do Público, vol. 12, EMI-VC / Corda Seca / Público, 2004; CD “O Melhor de José Viana”, Edições Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2009)
Quis que esta morna quebrasse
[ A Morna de “Nha” Lisboa ]
Quis que esta morna quebrasse Toda a distância do mar Misturando um fado antigo E um tom crioulo a cantar; E a ouro e prata vos digo Que soube bem misturar.
Senti do Castelo o teu Sal, Em Alfama gingaram crioulas; São Vicente em arraial Dançava pela Madragoa. São Vicente em arraial Dançava pela Madragoa.
Quis que esta morna acordasse O meu Cacau da Ribeira E a Varina apregoasse Ao ritmo duma coladeira, E o Tejo ao fundo bailasse Ao teu jeito, “bo manera”.
Chorai, ó guitarras, chorai! Que Alfama da velha Lisboa Sem vergonha, junta vai Com a morna nascida em Lisboa. Sem vergonha, junta vai Com a morna nascida em Lisboa.
Quis que esta morna passasse Aquelas noites das boas E no Bairro Alto cantasse O Tejo e suas canoas; E em voz crioula bordasse O fado de “nha” Lisboa.
Tocai, ó guitarras, tocai! Que o fado crioulo ecoa E as gargantas cantam ai… «Sôdade de “nha” Lisboa». E as gargantas cantam ai… «Sôdade de “nha” Lisboa».
Tocai, ó guitarras, tocai! Que o fado crioulo ecoa E as gargantas cantam ai… «Sôdade de “nha” Lisboa». E as gargantas cantam ai… «Sôdade de “nha” Lisboa».
Tocai, ó guitarras, tocai! Que o fado crioulo ecoa E as gargantas cantam ai… «Sôdade de “nha” Lisboa». E as gargantas cantam ai… «Sôdade de “nha” Lisboa».
Letra: Rogério Oliveira Música: Fernando Pereira Intérprete: Real Companhia Primeira versão de Real Companhia, com Rui Veloso (in CD “Serranias”, Tê, 2013; CD “20 Anos Já Cá Cantam” (compilação), Tê, 2016) Versão original: Lenita Gentil (in CD “Momentos”, Ovação, 2012)
Se uma gaivota viesse
[ Gaivota ]
Se uma gaivota viesse Trazer-me o céu de Lisboa No desenho que fizesse, Nesse céu onde o olhar É uma asa que não voa, Esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração No meu peito bateria, Meu amor, na tua mão, Nessa mão onde cabia Perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro, Dos sete mares andarilho, Fosse, quem sabe, o primeiro A contar-me o que inventasse, Se um olhar de novo brilho No meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração No meu peito bateria, Meu amor, na tua mão, Nessa mão onde cabia Perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida As aves todas do céu, Me dessem na despedida O teu olhar derradeiro, Esse olhar que era só teu, Amor, que foste o primeiro.
Que perfeito coração Morreria no meu peito, Meu amor, na tua mão, Nessa mão onde perfeito Bateu o meu coração.
Meu amor, na tua mão, Nessa mão onde perfeito Bateu o meu coração.
Letra: Alexandre O’Neill Música: Alain Oulman Intérprete: Paulo de Carvalho (in “Gostar de Ti”, CBS, 1990; “Fados Meus”, BMG Ariola, 1996) Versão original: Amália Rodrigues (in “Fado Português”, Columbia/VC, 1965, reed. EMI-VC, 1992; “O Melhor de Amália – Estranha Forma de Vida”, EMI-VC, 1985, reed. 1995) Outra versão: Carlos do Carmo (in “A Arte e a Música de Carlos do Carmo”, Polygram, 1982)
Sei de um rio
Sei de um rio… Sei de um rio Em que as únicas estrelas, Nele sempre debruçadas, São as luzes da cidade.
Sei de um rio… Sei de um rio Rio onde a própria mentira Tem o sabor da verdade. Sei de um rio…
Meu amor, dá-me os teus lábios! Dá-me os lábios desse rio Que nasceu na minha sede! Mas o sonho continua…
E a minha boca (até quando?) Ao separar-se da tua Vai repetindo e lembrando: “— Sei de um rio… Sei de um rio…”
Meu amor, dá-me os teus lábios! Dá-me os lábios desse rio Que nasceu na minha sede! Mas o sonho continua…
E a minha boca (até quando?) Ao separar-se da tua Vai repetindo e lembrando: “— Sei de um rio… Sei de um rio…”
Sei de um rio… Ai! Até quando?
Letra: Pedro Homem de Mello Música: Alain Oulman Intérprete: Camané Versão original: Camané (in CD “Sempre de Mim”, EMI, 2008; 2CD “Camané: O Melhor 1995-2013 (Edição Especial)”: CD 1, EMI, 2013) Outra versão: Camané (in CD/DVD “Ao Vivo no Coliseu: Sempre de Mim”, EMI, 2009)
Sete colinas
[ Senhora do Tejo ]
Sete colinas, Sete versos de Lisboa, Sete poemas de rimas Nos olhos de uma pessoa.
És a cidade Mais linda que tem o mar; És a Rua da Saudade Que trago no meu olhar.
Tens Madragoa e Alfama E um Castelo de saudade, Que dorme na tua cama Desde a tua mocidade.
Lisboa da Mouraria, Do Bairro Alto velhinho; E é no Jardim da Alegria A Praça do nosso hino.
E ficas tão engraçada Com a Graça lá no alto, Que veste a saia engomada P’ra vir à Baixa num salto.
E a Rua Augusta Emoldurando um navio, Que atravessa a Santa Justa Para vir beijar o Rossio.
É no Terreiro Onde eu passo e me revejo, Neste amor que eu te tenho Senhora, mulher do Tejo.
Tens Madragoa e Alfama E um Castelo de saudade, Que dorme na tua cama Desde a tua mocidade.
Lisboa da Mouraria, Do Bairro Alto velhinho; E é no Jardim da Alegria A Praça do nosso hino.
E ficas tão engraçada Com a Graça lá no alto, Que veste a saia engomada P’ra vir à Baixa num salto.
E ficas tão engraçada Com a Graça lá no alto, Que veste a saia engomada P’ra vir à Baixa num salto.
Letra: José Luís Gordo (inicialmente creditado como Luís Alcaria) Música: José Fontes Rocha Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012) Versão original: Maria da Fé (in LP “Fados”, Riso & Ritmo, 1978; LP “Meu País, Meu Fado”, Movieplay, 1985, reed. Movieplay, 1991, 2005; CD “Maria da Fé”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 33, Movieplay, 1994; 2CD “Maria da Fé: Nome de Fado: Antologia”: CD 1, Movieplay, 2005) Outra versão de Maria da Fé (in CD/DVD “Maria da Fé: 50 Anos de Carreira: ao Vivo no Coliseu de Lisboa”, Ovação, 2009) Outra versão: OqueStrada (in CD “Tasca Beat: o Sonho Português” (2.ª edição), Sony Music, 2010)
Sonhei contigo Lisboa
[ Minha Lisboa Cidade ]
Intérprete: Teresa Tapadas
Sou o Bairro Alto
[ Marcha do Bairro Alto – 1995 ]
Sou o Bairro Alto E olho sempre de alto P’rás tristezas que Lisboa tem; Sou o Bairro Alto Pronto a dar o salto Para um tempo novo que aí vem; Todo o bom filho sai Conforme os pais que tem: O Fado é meu pai, Lisboa minha mãe, E eles cantando Vão-me preparando Para um tempo novo que aí vem.
Nem quando foi dos terramotos do Marquês, Nem com as maldades que o Fado sempre lhe fez… Do Bairro Alto, cá no alto, eu vi Lisboa a chorar; Deu sempre a volta, pôs-me à solta e ensinou-me a cantar.
O tempo corre, mas a vida continua; Lisboa morre por sair comigo à rua: Fez uma marcha ao meu jeito, Vestiu-me a preceito E cá vou eu a desfilar.
Sou o Bairro Alto E olho sempre de alto P’rás tristezas que Lisboa tem; Porque ela cantando Me foi preparando Para um tempo novo que aí vem; O Fado é meu pai, Lisboa minha mãe, E um bom filho sai Conforme os pais que tem.
Sou o Bairro Alto Pronto a dar o salto Para um tempo novo que aí vem; Nem quando foi seu coração incendiado Ou quando viu o Parque Mayer apagado… Do Bairro Alto, cá no alto, eu vi Lisboa a chorar; Do que era pranto fez um canto e ensinou-me a cantar.
O tempo corre, é a marcha desta vida; Lisboa morre por ver a sua Avenida Cheia de gente tão diferente A ver-me tão contente Por ela abaixo a desfilar.
Sou o Bairro Alto E olho sempre de alto P’rás tristezas que Lisboa tem, Porque ela cantando Me foi preparando Para um tempo novo que aí vem; O Fado é meu pai Lisboa minha mãe, E um bom filho sai Conforme os pais que tem; Sou o Bairro Alto Pronto a dar o salto Para um tempo novo que aí vem.
O tempo corre, mas a vida continua; Lisboa morre por sair comigo à rua: Fez uma marcha ao meu jeito Vestiu-me a preceito E cá vou eu a desfilar.
Sou o Bairro Alto E olho sempre de alto P’rás tristezas que Lisboa tem; Sou o Bairro Alto Pronto a dar o salto Para um tempo novo que aí vem.
Letra e música: José Mário Branco Intérprete: Camané Versão original: Camané (in CD “Pelo Dia Dentro”, EMI-VC, 2001; 2CD “Camané: O Melhor 1995-2013 (Edição Especial)”: CD 1, EMI, 2013) Outra versão: Camané (in DVD “Ao Vivo no S. Luiz”, EMI, 2006)
Tal qual esta Lisboa
[ Lisboa Oxalá ]
Tal qual esta Lisboa, roupa posta à janela, Tal qual esta Lisboa, roxa jacarandá, Sei de uma outra Lisboa, de avental e chinela, Ai Lisboa fadista de Alfama e oxalá.
Lisboa lisboeta da noite mais escura De ruas feitas sombra, de noites e vielas, Pisa o chão, pisa a pedra, pisa a vida que é dura, Lisboa tão sozinha, de becos e ruelas.
Mas o rosto que espreita por detrás da cortina É o rosto de outrora feito amor, feito agora. Riso de maré viva numa boca ladina Riso de maré cheia num beijo que demora.
E neste fado o deixo esquecido aqui ficar Lisboa sem destino que o fado fez cantar, Cidade marinheira sem ter de navegar Caravela da noite que um dia vai chegar.
Letra: Nuno Júdice Música: Joaquim Campos (Fado Alexandrino) Intérprete: Carlos do Carmo (in CD “À Noite”, Universal/Tugaland, 2007)
Tens a mania de usar
[ Gaiata dos Beijos Doces ]
Tens a mania de usar Rosas presas no cabelo; Já tentei não te ligar Mas acabo por fazê-lo.
As rosas ficam-te bem, Não tenho dúvida alguma; Posso garantir, porém, Que não te dou mais nenhuma.
Que não te dou mais nenhuma; Posso garantir, porém, Que não te dou mais nenhuma, Não tenho dúvida alguma.
Atropelamento e fuga Sem quaisquer danos visíveis: Gaiata dos beijos doces E das noites impossíveis.
Tens a mania de andar Num baloiço emocional: Tu pedes para empurrar E dizes que empurro mal.
És confusão instalada, Nevoeiro no caminho: Eu chego de madrugada E durmo sempre sozinho.
E durmo sempre sozinho; Eu chego de madrugada E durmo sempre sozinho, E durmo sempre sozinho.
Atropelamento e fuga Sem quaisquer danos visíveis: Gaiata dos beijos doces E das noites impossíveis.
Atropelamento e fuga Sem quaisquer danos visíveis: Gaiata dos beijos doces E das noites impossíveis.
Letra: Duarte (Fevereiro de 2011) Música: Tozé Brito Intérprete: Duarte (in CD “Sem Dor Nem Piedade”, Duarte/Alain Vachier Music Editions, 2015)
Toda a saudade é fingida
[ Covers ]
Toda a saudade é fingida: A tristeza disfarçada; Parecem já não ter vida, De fado não têm nada.
Já não são fados, são ‘covers’: Imitações desalmadas, Reproduções do destino Tantas vezes tão cantadas.
Esses que tentam viver Aquilo que outros viveram Acabam por se perder No tanto que não fizeram.
Vampiragem pós-moderna Da Lisboa dos turistas: Falam da velha taberna Mas querem ser futuristas.
Letra: Duarte Música: João do Carmo Noronha (Fado Pechincha) Intérprete: Duarte (in CD “Só a Cantar”, Duarte/Alain Vachier Music Editions, 2018)
Trago um fado no meu canto
[ Meu Fado Meu ]
Trago um fado no meu canto Canto a noite até ser dia Do meu povo trago o pranto Do meu canto a Mouraria
Tenho saudades de mim Do meu amor mais amado Eu canto um país sem fim O mar, terra, meu fado Meu fado, meu fado, meu fado
De mim só me falto eu Senhora da minha vida Do sonho digo que é meu E dou por mim já nascida
Trago um fado no meu canto Na minha alma bem guardado Bem por dentro do meu espanto À procura do meu fado Meu fado, meu fado, meu fado
Letra e música: Paulo de Carvalho Intérprete: Mariza & Miguel Poveda* (in CD “Fados”, EMI, 2007) Versão original: Mariza (in CD “Transparente”, EMI, 2005)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/03/joana-amendoeira.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 00:08:122025-06-09 17:59:03Canções sobre Lisboa