Lua Branca

Anoiteceu no meu olhar

[ Garça Perdida ]

Anoiteceu no meu olhar
de feiticeira, de estrela do mar,
de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.

Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar…

Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim,
o mar, a terra inteira!

E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar
e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar…

Então, voltarei a cruzar
este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar
à volta da terra inteira!

Ninhos faria de lua cheia
e depois, dormiria na areia…

Letra: João Mendonça
Música: Leonardo Amuedo
Intérprete: Dulce Pontes (in CD “O Primeiro Canto”, Polydor, 1999)

Branca era a noite

[ Uma Estrela no Sul ]

Branca era a noite
Uma estrela no sul
A lua cheia
Num céu tão azul
Rendas de espuma no mar, dando à costa um abraço
E este meu coração a bater a compasso…

Que morra o dia
Pois a noite é irmã
Voos tão altos
Na minha fajã
Quero reter essa luz, são momentos escassos
Depois recolher ao meu quarto e apertar-te nos braços

Ai meu amor
Escuta a minha voz
Pensando bem
Quem está como nós?
Grande é o mundo
Tantas vezes bisonho
Mas tão pequeno
Comparado com o sonho…

Branca era a noite
E era roxa a saudade
Dos dias longos…
Que é da mocidade?
Os olhos rasos em águas de recordações
Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções

Corre agitada
Esta vida maruja
Águas serenas
Piares de coruja
Há nesta noite tranquila uma bênção no ar
Convite da natureza p’ra a gente se amar

Ai meu amor
Escuta a minha voz
Pensando bem
Quem está como nós?
Grande é o mundo
Tantas vezes bisonho
Mas tão pequeno
Comparado com o sonho…

Branca era a noite
E era roxa a saudade
Dos dias longos…
Que é da mocidade?
Os olhos rasos em águas de recordações
Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções

Corre agitada
Esta vida maruja
Águas serenas
Piares de coruja
Há nesta noite tranquila uma bênção no ar
Convite da natureza p’ra a gente se amar

Ai meu amor
Escuta a minha voz
Pensando bem
Quem está como nós?
Grande é o mundo
Tantas vezes bisonho
Mas tão pequeno
Comparado com o sonho…

Letra e música: Aníbal Raposo (2010-01-21)
Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)

Lua branca das ribeiras

[ Lua Branca das Ribeiras ]

Lua branca das ribeiras a quem mostras o caminho
Às bruxas, às feiticeiras ou a quem anda sozinho
A ribeira tem segredos que tu andas a esconder
Hão-de contar-se p’los dedos os que tu me hás-de dizer

Lua branca das ribeiras com quem passas o serão
De companha às fiandeiras à janela do ganhão
À porta das raparigas que não se querem deitar
Vais ensinando as cantigas de quem se há-de apaixonar
Lua branca das ribeiras

Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir
Já a vi lá com tristeza e a sorrir
Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar
Poder encontrar alguém a quem contar

Lua branca das ribeiras de quem é o teu brilhar
Das moças namoradeiras ou de quem as faz penar
Dos que se enganam na vida p’lo correr da madrugada
Ou de uma alma perdida que passa a noite calada

Se a ribeira me levasse onde a lua vai dormir
Talvez eu por lá contasse tanto que eu ando a sentir
De quem é a cor da lua que nos traz tanto querer
Não é minha nem é tua, é de quem a entender
Lua branca das ribeiras

Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir
Já a vi lá com tristeza e a sorrir
Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar
Poder encontrar alguém a quem contar

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Quadrilha (in CD “A Cor da Vontade”, Vachier & Associados, 2003)

Ó lua faz-me uma trança

[ À Porta do Mundo ]

Ó lua faz-me uma trança
P’ra de dia desmanchar
Guarda-me a última dança
Quando o fio se acabar

Gosto de ver o teu rosto
Que a mil caminhos se presta
Para uma noite desgosto
Por uma noite de festa

Voltaria à tua terra
Por um mergulho de mar
Entre a cidade e a serra
Fica algures o meu lugar

Este mundo não tem porta
Nem uma chave escondida
Por trás de tudo o que importa
Vem um sentido p’rá vida

Se te fizeres ao caminho
Em horas de arrebol
P’ra fermentar o meu vinho
Traz-me um pedaço de sol

Vamos escrever uma história
Rever um filme a passar
Logo virá à memória
O que eu te queria dar

Será verdade ou mentira
Como um segredo roubado
Sou como a lua que gira
Hei-de dançar ao teu lado

Este mundo não tem porta
Nem uma chave escondida
Por trás de tudo o que importa
Vem um sentido p’rá vida

Letra e música: João Afonso Lima e José Moz Carrapa
Arranjo: Ricardo Dias
Intérprete: Filipa Pais (in CD “À Porta do Mundo”, Vachier & Associados, 2003)

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