Algarve

A mula puxava o carrão

[ Esteiro Novo ]

A mula puxava o carrão
Com gente fina e perfumada
Vais a pé pela areia quente
Descalço, pois não vales nada

No copejo tens todo o valor
És homem com sabedoria
Capaz de enfrentar o mar
O mestre e sua tirania

Vai trabalhar! Vai trabalhar!
Vai trabalhar! Vai trabalhar!

Há cascas e cascabulho
Cuidado, não cortes os pés!
No copo começa o barulho
Outro peixe e atum de revés

Caminhas com o moço à cintura
Do arraial ao esteiro novo
A vida continua dura
A força da mulher do povo

A caminhar, a caminhar,
A caminhar, a caminhar.

Ao longe no cerro brincavam
Os moços e moças cantavam
Traziam morraça e sapeiras
Os remos com chamuceiras

Quem remava era o barqueiro
Tónhe Sousa na sua cadência
Cansado embarca toda a gente
Seja homem mulher ou criança

Salta p’ra terra! Salta p’ra terra!
Salta p’ra terra! Salta p’ra terra!

Carregavas o “João de Olhão”
Ferro de grande envergadura
“Maria Alice” e o “Pé Morto”
Eras homem de grande estatura

Um dia foste para Angola
Lá o clima era mais quente
Meteste o pé na argola
A vida negra a muita gente

Jiku lu mesu! Jiku lu mesu!
Jiku lu mesu! Jiku lu mesu!

Letra e música: José Francisco Vieira
Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)

Os Marenostrum são uma banda do Algarve formada por Zé Francisco, guitarra, bandolim e voz; João Frade, acordeão; Lino Guerreiro, saxofones e flautas; Paulo Machado, baixo e acordeão; e João Vieira, bateria e percussões.

Notas:

  1. Morraça – erva que cresce nos sapais da Ria Formosa e que depois de seca servia para fazer estrume.
  2. Sapeira – espécie de erva nativa da Ria Formosa, também conhecida por salgueira.
  3. Chamuceira ou chumaceira – peça metálica que serve para diminuir o atrito de um eixo ou de um veio (no caso, de um remo). Nos antigos barcos de pesca era feita em corda.
  4. “Jiku lu mesu” é uma expressão em quimbundo (língua do Noroeste de Angola) que significa “abre os olhos”.
Marenostrum, Rua do Peixe Frito
Marenostrum, Rua do Peixe Frito

Ao raiar do dia

[ Corrido Algarvio ]

Ao raiar do dia
Sagres vê passar…
Até no Burgau
Viram navegar.

Vinham quatro barcos
Lá no meio do mar;
Foram para Lagos
Para atracar.

Saem para terra
De malas na mão;
Correm pela vila
Até Portimão.

Seguem o caminho,
Agora à boleia;
Muda-se o destino:
É para Albufeira!

Muda-se o destino:
É para Albufeira!

Faro é em frente,
Com sua magia
Da cidade velha
Sonham com a Ria.

Lá vai o comboio
Para sotavento:
Vai até Tavira
Que inda vai a tempo.

Passa por Cacela,
Por Castro Marim;
Chega ao Guadiana,
Eis que é o fim!

Chega ao Guadiana,
Eis que é o fim!

E lá vão de roda,
Seguem para trás,
Que o carro não pára
Antes de São Brás.

Agora sem carro
Vão os quatro a pé…
Bem devagarinho
Chegam a Loulé.

Montados num burro,
Pelos montes fora,
Vão os quatro a Silves:
Correm sem demora.

Vão os quatro a Silves:
Correm sem demora.

Vão até Monchique
Que é sempre a subir:
Só param na Fóia,
Já não voltam a vir.

Que os quatro poetas,
Deitados no chão,
Olham as estrelas,
Luz da criação.

Já passaram anos
E os quatro poetas
Ainda lá repousam:
São agora pedras.

Ainda lá repousam:
São agora pedras.

Letra e música: Carlos Norton
Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)

Da serra veste perfumes

[ De Sol a Sul ]

Da serra veste perfumes,
do levante inquietações.
Do tempo lhe vêm famas
do mar as consolações.
Velha Romana, Tuaregue,
maruja, aventureira,
dos mares sabida e da vida
sabe tudo, de matreira.
Minha loira, meu azul
faz-te ao mar, despe esse manto
de nevoeiro e de sal,
desnuda-te do quebranto
de seres ponto de partir.
Navega com rumo a ti,
descobre-te em Portugal,
teu porto é de hoje e aqui.

Velhas profecias,
meu 29 de Agosto.
Meu queijo de figo,
sueste agreste,
sol posto.
Meu Infante
navegante.
Cheiro a sardinha
no rosto.

Cidade, eu te escuto
tu me acolhes,
tu me afagas.
Regaço de mãe,
doce carícia de algas.
Varanda de sol a sul.
Gente firme não se cala.

Que o sonho se faça
pouco a pouco,
passo a passo.
Que a tristeza afogue na largueza dum abraço.
Que a alegria canse
este cansaço.
É hoje que a gente
vai dizer como é que quer,
seja o bicho homem
ou o bicho seja mulher.
E que venha por bem
quem vier.

Letra e música: Afonso Dias
Intérprete: Afonso Dias / Trupe Barlaventina (in CD “Lendas do País do Sul “, Concertante, 1999; CD “Geometria do Sul”, Edere, 2002)

Era um rei

[ Fado das Amendoeiras ]

Era um rei
da terra que cheira a luar
da terra vermelha que tem a centelha
do cheiro do mar.

Terra amendoeira
terraço a sangrar
albufeira dos barcos que pescam
com a lamparina da luz a piscar.
Era um rei que vivia na terra
deitado no mar.

Era um rei
que foi da Moirama lutar
à terra da neve que tem o silêncio
que faz sufocar.

País da princesa
que no seu tear
inventava a lenda da renda
nos olhos de amêndoa do amor por chegar.
Da princesa bordando tristeza
na orla do mar.

É no sul que nos dói mais o sol
é ao sol que se vê o azul
Do Algarve que roda como um girassol.
VÁ DE BRAÇOS VÁ À PESCA!
NÃO QUEREMOS BRAÇO MOLE!
À aguardente chamamos um figo
à verdade chamamos Aleixo
que ainda é mais doce que um D. Rodrigo.
NÃO O MATAM QUE EU NÃO DEIXO!
O ALEIXO É MEU AMIGO!

É o povo
da maré que cheira a suor
e quer o rei queira ou não queira
resiste num mar que é maior.

O mar da traineira, mar do pescador
este mar amar desta maneira
que é a força primeira
do mar por amor
este mar que morre na esteira
de aquém e além dor.

É no sul que nos dói mais o sol
é ao sol que se vê o azul

Letra: Ary dos Santos
Música: Fernando Tordo
Intérprete: Carlos do Carmo (in “Um Homem no País”, Polygram, 1983)

Marcadinho, puladinho

[ Corridinho Aluljé ]

Marcadinho, puladinho, joelhos em terra, moças ao ar
Barracoleza, terra firme, muita beleza
Mais acima o barranco, uma eira e um palanco
Moita de Guerra, lava-pé, boca-de-peixe
Quarteira mais abaixo, a ribeira e o riacho
Cá em Loulé toda gente bate o pé
Bate palmas, bate o queixo e as quadras do Aleixo
Oh i oh ai! marcadinho vai e nã vai
Todos dançam, ninguém sai à moda da Ti Anica
Arrabanhita, todos saltam cabanita
Uns rodam, outros não, sarnadinha, morrião

Lá vai, lá vai, roda a moça, roda bem!
Saca-rabos e galinhas pé comprido ninguém tem
Nos Barrigões encontrei uma gineta
Anda tudo aos encontrões, anda tudo arraboleta
Arraboleta, linda saia roda preta
Mas que raio de meia branca! Califórnia e Casablanca
As voltas do corridinho mandado e puladinho
Vir’ó baile! Ah moços dum raio!

Ah mano Zeca!
Entra o fole!

Lá vai, lá vai, roda a moça, roda bem!
Oh i oh ai! pé comprido ninguém tem
Lá vai, lá vai, encontrei uma gineta
Oi oh ai! anda tudo arraboleta
Lá vai, lá vai, linda saia roda preta
Mas que raio de meia branca! Califórnia e Casablanca
As voltas do corridinho mandado e puladinho

Vir’ó baile!
Já está!

Notas:

  1. Barracoleza – lugar na Serra do Caldeirão, perto de Salir (onde está projectado um enorme complexo turístico com campo de golfe).
  2. Barranco – sulco feito no solo pelas enxurradas; barroca, ravina, precipício.
  3. Palanco – corda que se prende à vela, e que serve para a içar.
  4. Moita de Guerra – localidade da freguesia de Salir, concelho de Loulé.
  5. Lava-pé – planta arbustiva.
  6. Boca-de-peixe – planta.
  7. Arrabanhita – jogo de crianças em que se jogava uma guloseima e todas elas corriam para a apanhar.
  8. Cabanita – nome de uma escola básica do 2.º e 3.º ciclos, em Loulé, assim baptizada em homenagem ao Padre João Coelho Cabanita.
  9. Sarnadinha – planta herbácea, também conhecida por morrião.
  10. Morrião – planta herbácea, também conhecida por sarnadinha.
  11. Saca-rabo – mamífero carnívoro da família dos Vivérridas, de cauda muito longa, também conhecido por mangusto ou manguço.
  12. Barrigões – localidade da freguesia de Salir, concelho de Loulé.
  13. Gineta – mamífero carnívoro da família dos Vivérridas, com pelagem cinzento-clara muito manchada de negro, também conhecido por gineto, gato-bravo ou martaranho.
  14. Arraboleta – brincadeira de crianças em que elas rebolam/giram sob si mesmas.
  15. Califórnia – localidade da freguesia de Salir, concelho de Loulé.
  16. Casablanca – cidade de Marrocos, considerada a capital económica do país. Também o nome de um lugar do concelho de Loulé.

Letra: José Francisco Vieira
Música: João Frade, Paulo Machado, José Francisco Vieira, João Vieira, Paulo Jorge Temeroso
Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)

Mercado de Loulé
Mercado de Loulé

Na rua do peixe frito

[ Rua do Peixe Frito ]

Na rua do peixe frito
Havia lá boa gente
Na esquina o Ti Gaspar
E o terramoto de Agadir
Havia uma porta aberta
E um prato de milho quente
Havia lá boa gente

Havia poesia e mais
Na maneira como viviam
Um acordeão encarnado
Caiu ao mar embriagado
Pescadores, guardas-fiscais
E paixão à luz do dia
Na maneira como viviam

Uma bacia com brasas
Ao ar livre a fumejar
Uma pelengana e azeite
Com peixe fresco a fritar
Corria nua Mila Coelha
Pela rua a cantararolar
Ao ar livre a fumejar

Na rua do peixe frito
Havia lá boa gente
A cara chapada do pai
Zé Manel Jesus Sacramento
Havia lá boa gente

Na rua do peixe frito
Folia madrugada adentro
Sardinhas e pão quente
Gorgulho, petisco a monte
Na casa da Tia Leonarda
Charro alimado era o sustento
Até madrugada adentro

Um candeeirinho de arame
Que iluminava a noite inteira
Um garrafão franquinhal
À porta aberta de um quintal
Uma moça linda a sorrir
Passava por lá sorrateira
Iluminava a noite inteira

Na rua do peixe frito
Havia lá boa gente
A cara chapada do pai
Zé Manel Jesus Sacramento
Havia lá boa gente

Na rua do peixe frito
Havia lá boa gente
A cara chapada do pai
Zé Manel Jesus Sacramento
Havia lá boa gente

Letra e música: José Francisco Vieira
Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)

Notas:

  1. Agadir – cidade do Sudoeste de Marrocos (na costa atlântica) que, a 29 de Fevereiro de 1960, foi abalada por um sismo violento (de magnitude 5,7 na escala de Richter) que a deixou bastante destruída e causou cerca de 20 mil mortos (metade da população).
  2. Pelengana ou palangana – recipiente largo e pouco fundo, de barro ou metal, usado para servir assados ou fritos.
  3. Charro – chicharro.
  4. Franquinhal – nome do vinho feito em Santa Luzia, Tavira, até aos anos 70, por uma família de galegos fugidos da Guerra Civil Espanhola.
Marenostrum, Rua do Peixe Frito
Marenostrum, Rua do Peixe Frito

Aldeia da Meia-Praia

[ Os índios da Meia-Praia ]

Aldeia da Meia-Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço

De Monte-Gordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha a ré

Houve até quem estendesse
A mão a mãe caridade
Para comprar um bilhete
De paragem para a cidade

Oh mar que tanto forcejas
Pescador de peixe ingrato
Trabalhaste noite e dia
Para ganhares um pataco

Quando os teus olhos tropeçam
No voo duma gaivota
Em vez de peixe vê peças
De ouro caindo na lota

Quem aqui vier morar
Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Uma cabana de colmo
E viva a comunidade
Quando a gente está unida
Tudo se faz de vontade

Tudo se faz de vontade
Mas não chega a nossa voz
Só do mar tem o proveito
Quem se aproveita de nós

Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te mudo
Chupam-te até ao tutano
Chupam-te o couro cab’ludo

Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De esganar a burguesia

Diz o amigo no aperto
Pouco ganho, muita léria
Hei-de fazer uma casa
Feita de pau e de pedra

Adeus disse a Monte-Gordo
(Nada o prende ao mal passado)
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado

Foram “ficando ficando”
Quando um dia um cidadão
Não sei nem como nem quando
Veio à baila a habitação

Mas quem tem calos no rabo
E isto não é segredo –
É sempre desconfiado
Põe-se atrás do arvoredo

Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado

Veio um cheque pelo correio
E alguns pedreiros amigos
Disse o pescador consigo
Só quem trabalha é honrado

Quem aqui vier morar
Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Eram mulheres e crianças
Cada um c’o seu tijolo
“Isto aqui era uma orquestra”
Quem diz o contrário é tolo

E toda a gente interessada
Colaborou a preceito
Vamos trabalhar a eito
Dizia a rapaziada

Não basta pregar um prego
Para ter um bairro novo
Só “unidos venceremos”
Reza um ditado do Povo

E se a má lingua não cessa
Eu daqui vivo não saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos índios da Meia-Praia

Foi sempre a tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixar tudo à dependura
Quando na presa reparas

Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas

Quem vê na praia o turista
Para jogar na roleta
Vestir a casaca preta
Do malfrão ** capitalista

Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar pra trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada

Eram mulheres e crianças
Cada um c’o seu tijolo
“Isto aqui era uma orquestra”
Quem diz o contrário é tolo

* Texto e música: Zeca Afonso

Para o filme Índios da Meia Praia, realizado por Cunha Teles. A versão do disco não inclui todas as quadras.

** Palavra algarvia que significa dinheiro.

José Afonso, Os Índios da Meia-Praia
José Afonso, Os Índios da Meia-Praia

Praia da Rocha, guitarra

[ Fado de Portimão ]

Praia da Rocha, guitarra
Doirada que o mar dedilha
Ferragudo e a maravilha
Do castelo junto à barra

Mas quer chova ou faça sol
Quer o mar deixe ou não deixe
A cidade é um anzol

Portimão sonha com peixe
Como a foz do rio Arade
Como o cais de Portimão
Há-de haver tão lindos, há-de,
Mas mais lindos é que não.

Ah! Se o luar não vier
Às redes de Portimão
Luar de peixe a morrer
Antes do fim do Verão.

“Vá fome”
Diz Zé Fataça
Que outrora foi pescador
E é agora engraxador
Junto ao coreto da praça

Então a fome é verdade
E alguns vão buscar seu pão
A mil léguas do Arade
E do cais de Portimão.

Como a foz do rio Arade
Como o cais de Portimão
Há-de haver tão lindos, há-de,
Mas mais lindos é que não.

Letra: Leonel Neves
Música: António Vinagre
Intérprete: Grupo Coral de Portimão (in CD “Algarve”, Tradisom, 200?)

Procuro o sul

[ Fado Corridinho ]

Procuro o sul que me aqueça
A voz que canta esta terra
De seu clima abençoado
Que dá calor ao meu fado
E cheirinho a mar e serra

Descubro de costa a costa
Praias onde o mar descansa
Nas areias com memórias
Falésias que são histórias
De partidas, de esperança

O fado corridinho é um bailinho
Que alegra a gente
Sete passos para a frente
Mais três de cada lado do caminho
O fado corridinho é um cantar,
Um desafio algarvio, vai de roda sem parar

No ciclo de cada ano
A terra é fértil e espera
Amendoeiras em flor
Um pomar cheio de cor
Prenúncio de primavera

Nesta viagem a sul
Dou por mim em rodopio
Entro num baile mandado
Que alegra o meu fado
Com um abraço algarvio

O fado corridinho é um bailinho
Que alegra a gente
Sete passos para a frente
Mais três de cada lado do caminho
O fado corridinho é um cantar,
Um desafio algarvio, vai de roda sem parar

O fado corridinho é um bailinho
Que alegra a gente
Sete passos para a frente
Mais três de cada lado do caminho
O fado corridinho é um cantar,
Um desafio algarvio, vai de roda sem parar

Ah moço dum raio!

Letra: Jorge Mangorrinha
Música: José Francisco Vieira, Paulo Machado, João Vieira, João Frade, Paulo Jorge Temeroso
Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)

Vai com trote certo

[ Carrinha Antiga ]

Vai com trote certo
Esse cavalinho
Todo empenachado
E o boleeiro esperto
Faz do seu caminho
Seu baile mandado.

Lá vai a carrinha
A carrinha antiga
Com seu toldo armado.
Uma sombra amiga
A sombra fresquinha
Sob um sol doirado

Leva os estrangeiros
Muito prazenteiros
Que vão passear.
Ver a Rocha e o mar
Mar das caravelas
Que inda é mar das velas.

E a carrinha lesta
Do Algarve florido
É folha que resta
De um romance lido
De um conto feliz
De Júlio Dinis.

Letra: José Galvão Balsa
Música: António Vinagre
Intérprete: Grupo Coral de Portimão* (in CD “Algarve”, Tradisom, 200?)

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