Chorava por te não ver, Por te ver eu choro agora; Mas choro só por querer, Querer ver-te a toda a hora.
Passa o tempo de corrida, Quando falas e eu te escuto; Nas horas da nossa vida Cada hora é um minuto.
Quando estás ao pé de mim Sinto-me dona do mundo; Mas o tempo é tão ruim, Tem cada hora um segundo.
Deixa-te estar a meu lado E não mais te vás embora, P’ra o meu coração, coitado, Viver na vida uma hora.
Deixa-te estar a meu lado E não mais te vás embora, P’ra o meu coração, coitado, Viver na vida uma hora.
Letra: António Sabrosa Música: Maria Teresa de Noronha
Gosto de te ouvir cantar
[ Chuva nos Beirados ]
Gosto de te ouvir cantar, Ó chuva, nos beirados, Trauteando músicas de encantar, Tornando os dias molhados: É o Inverno a chegar. Gosto de te ouvir cair, Ó chuva, nos telhados, Sussurrando melodias calmas; O teu gotejo sincopado, De sinfonia abstracta, É como a amizade Quando o amor nos falta!
Gosto de te ouvir cantar, Ó chuva, nos beirados, Trauteando músicas de encantar, Tornando os dias molhados: É o Inverno a chegar. Gosto de te ouvir cair, Ó chuva, nos telhados, Sussurrando melodias calmas; O teu gotejo sincopado, De sinfonia abstracta, É como a amizade Quando o amor nos falta! É como a amizade Quando o amor nos falta!
Letra: Rogério Perrolas Música e arranjo: Rogério Charraz Intérprete: Rogério Charraz com António Caixeiro, Buba Espinho e Eduardo Espinho (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Já chove
[ As Nuvens Que Andam no Ar ]
[Cantiga primeira:]
Já chove, já está chovendo; Já correm os barranquinhos; Já o campo está alegre; Já cantam os passarinhos.
[Moda:]
As nuvens que andam no ar, Arrastadas pelo vento, Vão buscar a água ao mar P’ra regar em qualquer tempo.
P’ra regar em qualquer tempo, Em qualquer tempo regar, Arrastadas pelo vento As nuvens que andam no ar.
[Cantiga segunda:]
Ó água que vais correndo Mansamente, vagarosa, Passa lá ao meu jardim! Rega-me lá uma rosa!
[Moda:]
As nuvens que andam no ar, Arrastadas pelo vento, Vão buscar a água ao mar P’ra regar em qualquer tempo.
P’ra regar em qualquer tempo, Em qualquer tempo regar, Arrastadas pelo vento As nuvens que andam no ar.
Letra e música: Popular (Baixo Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” com Luiz Avellar (in CD “As Nuvens Que Andam no Ar”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2015)
Nesses dias em que as horas
[ Ondulações ]
Nesses dias em que as horas se fazem dias sem fim, já não sou eu quem acorda, há alguém que dorme em mim.
Era mar ainda agora, fiz-me rio sem saber que o céu que em mim demora é só foz e anoitecer.
Sou pedra em fogo lento vaga sem lua nem vez, conto em riso e lamento, quanto o tempo desfez.
E quando um barco pressente dessa noite o marulhar, dou o peito à corrente, sou um rio feito mar.
Era mar ainda agora fiz-me rio sem saber que o céu que em mim demora é só foz e anoitecer.
Se me deres uma vez mais a maré do teu olhar, eu serei somente um cais onde possas aportar.
Letra: Helena Carvalho Música: Fernando Dias Marques Arranjo: Fernando Marques Intérprete: Fernando Marques Ensemble (in CD “(des)Encontros”, Fernando Marques Ensemble, 2016)
No mês de Janeiro
[ Calendário ]
No mês de Janeiro Vem a chuva e vem o vento, Enquanto em Fevereiro Chega ao fim o meu tormento.
Nos idos de Março Faço as malas e abalo; Abril, o que faço? Canto sempre e não me calo.
E no mês de Maio Tiro a roupa e vou ao mar; E nessa não caio: De em Junho me calar.
No calor de Julho Ainda mais canto com gosto, E logo mergulho O corpo no mês de Agosto.
Quando em Setembro Eu finalmente descubro Que ainda me lembro Dos teus anos em Outubro.
E assim em Novembro, Se eu agora não me engano, Cheira-me a Dezembro, Chega ao fim o fim do ano.
De novo em Janeiro… Ainda algum tempo me sobra Para em Fevereiro Deitar enfim mãos à obra.
Fica tudo pronto Lá para finais de Março; Em Abril eu conto Encontrar-te num abraço.
Em Maio de flores Espero que a chuva não caia; E em Junho, se fores ao mar, Vês-me lá na praia.
O levante em Julho Chega mesmo a meu gosto: Dou mais um mergulho, Faço anos em Agosto.
Partem em Setembro, Rumo a sul, as andorinhas; De Outubro a Dezembro Ficam sem folhas as vinhas.
E assim terminamos Mais um ano nesta lida: Canção que acabamos No seu ponto de partida.
Letra e música: Sérgio Mestre Intérprete: OrBlua com Janita Salomé (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)
Nos dias de hoje
Nos dias de hoje, Ninguém sabe a quantas anda: Manda quem pode, Pode quem manda. Nos dias de hoje, Não sentimos confiança: Salva-se a música E siga a dança! Nos dias de hoje, Ninguém sabe o que o espera, Se é inverno ou primavera, Indiferença ou compaixão. Nos dias de hoje, A justiça não impera, A igualdade desespera, É confusa a confusão.
Salva-se o amor, Salva-se a esperança, Salvam-se os olhos duma criança; Salva-se a honra, Salva-se a paz, Salvam-se os beijos que tu me dás!
Nos dias de hoje, Ninguém sabe o de amanhã, E fazer planos É coisa vã. Nos dias de hoje, Já não há motivação Para dar às balas O coração. Nos dias de hoje, Ninguém sabe o que o espera, Se é um sonho ou uma quimera Ter saudades do futuro. Nos dias de hoje, Ninguém põe as mãos no fogo Por um amanhã mais novo, Por um amanhã mais puro.
Salva-se o amor, Salva-se a esperança, Salvam-se os olhos duma criança; Salva-se a honra, Salva-se a paz, Salvam-se os beijos que tu me dás!
Salva-se o amor, Salva-se a esperança, Salvam-se os olhos duma criança; Salva-se a honra, Salva-se a paz, Salvam-se os beijos que tu me dás!
Salva-se a honra, Salva-se a paz, Salvam-se os beijos que tu me dás!
Letra e música: Tozé Brito Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Hoje É Assim, Amanhã Não Sei”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2016)
O tempo perguntou ao tempo
[ Charanga do Tempo ]
O tempo perguntou ao tempo Quanto tempo o tempo tem; O tempo respondeu ao tempo Que o tempo tem tanto tempo Quanto tempo o tempo tem. Tempo que parece Deus E Deus que parece a Vida; Vida que pareço eu Entre o riso e o pranto Numa busca sem medida.
O tempo perguntou ao tempo Quanto tempo o tempo tem; O tempo respondeu ao tempo Que o tempo tem tanto tempo Quanto tempo o tempo tem. Sobre o tempo ninguém sabe, Talvez ele saiba de nós; Não se vende, não se rende, Tantas vezes não se entende E quase sempre manda em nós!
O tempo perguntou ao tempo Quanto tempo o tempo tem; O tempo respondeu ao tempo Que o tempo tem tanto tempo Quanto tempo o tempo tem. Mas sei qu’ele sabe o que faz Sem se dar a entender; Na verdade que trouxer Venha o tempo que vier, Hei-de ser tempo de paz.
O tempo perguntou ao tempo… Sobre o tempo ninguém sabe… O tempo perguntou ao tempo… Talvez ele saiba de nós… O tempo perguntou ao tempo… O tempo, o tempo, o tempo… O tempo, o tempo, o tempo, o tempo… O tempo perguntou ao tempo Quanto tempo o tempo tem.
Letra: Popular (refrão) e Ana Laíns Música: Carlos Lopes Intérprete: Ana Laíns Versão original: Ana Laíns com Mafalda Arnauth (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017)
São tempos
São tempos acesos e os dias correndo, e quanto mais corres menos vais vivendo.
Os olhos são tristes, os cravos murcharam, a esperança ainda existe, mas as vozes calaram.
Os campos são amplos, a vida é às voltas, mas, às páginas tantas, eu morro em revoltas.
São tempos gritantes e as horas passando, e quantas mais passam mais vais naufragando.
Nos teus olhos há sonhos que a sombra encobriu. Há restos da esperança que um Abril floriu.
Os campos são amplos, a vida é às voltas, mas, às páginas tantas, eu morro em revoltas.
São tempos de fúria por servidões encoberta, quando mais te enfureças mais o meu canto desperta.
Nos nossos olhos há sonhos que vão florescer, na certeza que um dia Abril vai romper.
Os campos são amplos, a vida é às voltas, mas, às páginas tantas, eu morro em revoltas.
Letra: Joana Lopes Música: António Pedro Intérprete: Musicalbi Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)
Se o tempo não chega a ser
[ O Fado do Tempo Morto ]
Se o tempo não chega a ser Mais que as horas a passar, Talvez o mal de o perder Me deixe um dia ganhar.
Das mil voltas que já dei Ao mundo que já foi meu, Fica-me o tempo em que amei Todo o mundo que era teu.
Talvez de mim me perdesse E me esquecesse de ti… E então o tempo dos dois Seria o que não vivi.
Não sei bem se inda te quero, Ou se é sina que Deus me deu… Meu amor, se não te espero É porque o tempo morreu…
Letra: Carlos Leitão Música: Popular (Fado Menor) Intérprete: Ana Laíns Versão original: Ana Laíns (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017)
Sei quantas luas
[ Dias Cruzados ]
Sei quantas luas tu dormiste, Neste teu mundo tão triste, Neste teu encanto puro!
Foi uma vida sem história, Quatro ventos sem memória, Numa onda sem retorno!
E… cruzam-se os dias, Mesmo… sem ter seu rumo próprio… Nome… cada letra é teu gosto… Cada gosto em teu luar, devagar!
Vem, nesse pensamento vago, Onde choro e não me encontro, Onde canto ao longe o Fado…
Traz esses dias que se cruzam, Em redor de noites brancas, Ao sabor de luas calmas.
E… cruzam-se os dias, Mesmo… sem ter seu rumo próprio… Nome… cada letra é teu gosto… Cada gosto em teu luar, devagar!
Os dias cruzados, amados, Vencidos, perdidos… Enganados!
Amantes das luas, Das noites cruzadas, Amadas sentidas… Rotinas!… Fugindo…
Os dias cruzados, amados, Vencidos, perdidos… Enganados!
Amantes das luas, Das noites cruzadas, Amadas sentidas… Rotinas!… Fugindo, ouvindo o mar do dia!…
Os dias cruzados, amados, Vencidos, perdidos… Enganados!
Amantes das luas, Das noites cruzadas, Amadas sentidas… Rotinas!… Fugindo…
Os dias cruzados, amados, Vencidos, perdidos… Enganados!
Amantes das luas, Das noites cruzadas, Amadas sentidas… Rotinas!… Fugindo, ouvindo o mar do dia!…
Letra: José Flávio Martins Música: António Pedro Intérprete: Musicalbi Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)
Vamos embora, é tarde
[ Passam Horas, Passam Dias ]
Vamos embora, é tarde, tão tarde, nem demos porque o tempo já passou. Alguma coisa em nós se vai perdendo, alguma coisa em nós se encontrou. Vamos contar que há amanhã p’ra tudo o que ainda não foi dito, até ver, vamos lá viver.
Passam horas, passam dias, horas nossas que lá vão, uns passam, outros ficam. Não vão.
Quem está? Quem foi embora? No abrir e fechar da hora, quem faz connosco a vida não demora.
O que devemos ao tempo, vivendo, que resgatamos à morte, no fim. Uma andorinha cantando, cantando à vida, poisada no beiral da cantiga e é este canto maior que faz do tempo uma voz, tecendo os dias em nós.
Passam horas, passam dias, horas nossas que lá vão, uns passam, outros ficam. Não vão.
Quem está? Quem foi embora? No abrir e fechar da hora, quem faz connosco a vida não demora.
Passam horas, passam dias, horas nossas que lá vão, uns passam, outros ficam. Não vão.
Quem está? Quem foi embora? No abrir e fechar da hora, quem faz connosco a vida não demora.
Letra: Amélia Muge Música: José Barros Arranjo: José Barros e Miguel Tapadas Intérprete: José Barros e Navegante Versão original: José Barros e Navegante (in CD “À’Baladiça”, Tradisom, 2018)
Orblua, Retratos Cinéticos
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/05/orblua_retratos-cineticos.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 06:33:472025-06-19 19:45:03Canções do tempo
Acorda, cristão, que és terra! Lembra-te que hás-de… Lembra-te que hás-de morrer! Hás-de dar estreitas contas Do teu bom e mau… Do teu bom e mau viver!
Não sei que p’ra ali ouvi Para os lados do… Para os lados do Nascente; Eram as benditas almas, Estão no fogo… Estão no fogo ardente.
Acorda, cristão, acorda Desse sono em… Desse sono em que estais! Lembra-te das benditas almas Que elas clamam… Que elas clamam e dão ais!
Acorda, cristão, acorda Desse sono tão… Desse sono tão profundo! Lembra-te das benditas almas Que já estão no… Que já estão no outro mundo!
Rezemos um padre-nosso Com uma ave… Com uma ave-maria! Seja por o amor de Deus.
Acorda, cristão, acorda!
Letra e música: Tradicional (S. Miguel, Guarda, Beira Alta) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
À porta das almas santas
[ Devoção das Almas ]
À porta das almas santas Bate Deus a toda a hora. As almas responderam: «— Ó meu Deus, que quereis agora?» «— Queremos que deixais o mundo; Vinde já para a Glória!» Ajoelhemos nós em terra, Já não somos os primeiros. Em nossa companhia anda Jesus Cristo verdadeiro. Ó Virgem da Piedade, À devoção nos obriga; Rezemos às almas santas, Rezemos com alegria. Atormenta a dor e dor Do contínuo padecente. Assim são as benditas almas No Purgatório ardente. Ouvi homens e mulheres Deste povo auditório, Dai esmola se pudéreis Às almas do Purgatório. Dai esmola se pudéreis, Se com devoção a dais; Já lá tendes vossas mães, Vossos filhos e vossos pais. Esses bens que possuirdes Reparti-os em vossa vida; Lá os achareis na Glória Quando fordes na partida. Aqui estamos de joelhos A rezar a oração: Ou nos venham dar a esmola Ou de Deus venha o perdão.
Letra e música: Tradicional (Oliveirinha, Aveiro, Beira Litoral) Recolha: Michel Giacometti (in LP “Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1970; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 3 – Beiras, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 4 – Beiras, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
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Ai lá em cima
[ Martírios do Senhor ]
Ai lá em cima ao Calvário Ai está um craveiro à Cruz; Ai a água com que se rega Ai é o sangue de Jesus.
Ai ó almas que tendes sede, Ai vir ao Calvário a beber! Ai que estão lá as cinco fontes Ai todas cinco a correr.
Ai a Senhora chora, chora, Ai chora que se ouve no adro, Ai de ver o seu Filho morto, Ai no caixão amortalhado.
Ai a Senhora chora, chora, Ai chora que se ouve na rua, Ai de ver o seu Filho morto, Ai deitado na sepultura.
Ai a Senhora está de luto Ai por estas sete semanas, Ai que lhe morreu o seu Filho, Ai filho das suas entranhas.
Letra e música: Tradicional (Zebreira, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal* (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
Com o Grande Peso da Cruz
Com o grande peso da Cruz Quis Deus ser enfraquecido; E com ela aqui caído Jaz em terra o bom Jesus.
Procuraram levantar Pela corda Lhe tirando; Em se Ele levantando Parece querer expirar.
Glória seja ao Pai! Glória ao Filho juntamente! Glória ao Espírito Santo Que de ambos é procedente!
Letra e música: Tradicional (Proença-a-Velha, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
E à porta das almas santas
[ Encomendação das Almas ]
E à porta das almas santas Bate Deus a toda a hora, Deus a toda a hora.
E as almas de lá respondem: «— E ó meu Deus, que quereis agora? Meu Deus, agora?»
«— Quero que venhais comigo Para a minha eterna Glória! Minha eterna Glória!
P’ra a companhia dos anjos Mais a Virgem que Me adora! Virgem que Me adora!»
E acordai se estais dormindo Nesse sono tão profundo! Sono tão profundo!
Rezemos um padre-nosso Às almas do outro mundo! Do outro mundo!
Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
Já Apareceu a Aleluia
[ Aleluia da Festa das Rosas ]
Já apareceu a Aleluia. Quem a achou? Quem a acharia? Achou-a o senhor vigário No sacrário de Maria.
Desde a porta da igreja Até à torre do sino Vamos dar as boas-festas Ao sacramento divino!
Desde a porta da igreja Até à da sacristia Vamos dar as boas-festas À Virgem Santa Maria!
Aleluia! Aleluia! Aleluia! Já é festa. Alegrai-vos, Mãe de Deus: Nossa alegria é esta!
Não há Senhora mais linda Do que é a do Almurtão: Tem o seu amado Filho Ao lado do coração.
Eu hei-de ir à festa, Hei-de lá ficar: Tenho uma promessa, Quero-la pagar. Eu hei-de ir à festa, Hei-de lá dormir: Tenho uma promessa, Quero-la cumprir.
Letra e música: Tradicional (“Aleluia da Festa das Rosas” – Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa / “Já Apareceu a Aleluia” – Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal* (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
* César Prata – voz, guitarra, kalimba, sanfona, hangdrum, ponteiro, adufe, matracas, percussões, shruti box, programações Sara Vidal – voz, harpa celta, adufe Arranjos – César Prata e Sara Vidal Produção musical – César Prata e Sara Vidal Gravado no estúdio RequeRec, Trancoso, em Novembro de 2017 Gravação, mistura e masterização – César Prata
Já pedem nas almas santas
[ As Excelências da Virgem ]
Já pedem nas almas santas Que uma excelência lhe havemos de rezar, À Senhora do Rosário, Ao seu Santo Saclário. Saclário já está aberto: O Senhor saiu fora Acompanhar uma alma Que vai p’ra a Glória.
Já pedem nas almas santas Que duas excelências lhe havemos de rezar, À Senhora do Rosário, Ao seu Santo Saclário. Saclário já está aberto: O Senhor saiu fora Acompanhar uma alma Que vai p’ra a Glória.
Já pedem nas almas santas Que três excelências lhe havemos de rezar, À Senhora do Rosário, Ao seu Santo Saclário. Saclário já está aberto: O Senhor saiu fora Acompanhar uma alma Que vai p’ra a Glória.
Já pedem nas almas santas Que quatro excelências lhe havemos de rezar, À Senhora do Rosário, Ao seu Santo Saclário. Saclário já está aberto: O Senhor saiu fora Acompanhar uma alma Que vai p’ra a Glória.
Já pedem nas almas santas Que cinco excelências lhe havemos de rezar, À Senhora do Rosário, Ao seu Santo Saclário. Saclário já está aberto: O Senhor saiu fora Acompanhar uma alma Que vai p’ra a Glória. Que vai p’ra a Glória, Que vai p’ra a Glória, Que vai p’ra a Glória.
Letra e música: Tradicional (Alcoutim, Algarve) Recolha: Michel Giacometti (in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
Louvado no Sisso
Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo, Bendita seja a Vossa vinda! Paixão e morte, Bendito seja o Vosso sangue (Que) Por nós derramásteis, Pelo Vosso santo pé direito!
Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo, Bendita seja a Vossa vinda! Paixão e morte, Bendito seja o Vosso sangue (Que) Por nós derramásteis, Pelo Vosso santo pé esquerdo!
Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo, Bendita seja a Vossa vinda! Paixão e morte, Bendito seja o Vosso sangue (Que) Por nós derramásteis, Pelo Vosso santo joelho direito!
Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo, Bendita seja a Vossa vinda! Paixão e morte, Bendito seja o Vosso sangue (Que) Por nós derramásteis, Pelo Vosso santo joelho esquerdo!
Louvado no Sisso, meu Senhor, Jesus Cristo, Bendita seja a Vossa vinda! Paixão e morte, Bendito seja o Vosso sangue (Que) Por nós derramásteis, Pela Vossa santa mão direita!
Louvado no Sisso, meu Senhor, Jesus Cristo, Bendita seja a Vossa vinda! Paixão e morte, Bendito seja o Vosso sangue (Que) Por nós derramásteis, Pela Vossa santa mão esquerda!
Estais Senhor fruto Do ventre sagrado Da Virgem Puríssima Santa Maria!
Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal* (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
Lua benta
[ Benzedura da Lua ]
Lua benta, por aqui passaste E a cor de Maria levaste, E a tua por aqui deixaste, E a tua por aqui deixaste.
Lua benta, torna a passar! E a tua cor hás-de levar, E a de Maria deves deixar. E a de Maria deves deixar.
Lua benta, por aqui passaste E a cor de Maria levaste E a tua por aqui deixaste, E a tua por aqui deixaste.
Lua benta, torna a passar! E a tua cor hás-de levar E a de Maria deves deixar, E a de Maria deves deixar!
Letra: Oração tradicional Música: César Prata Arranjo: César Prata e Vânia Couto Intérprete: César Prata e Vânia Couto Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
Nome de Maria
Nome de Maria, Que tão lindo é: Salvai a minh’alma Que ela Vossa é!
Que ela Vossa é, Sempre o há-de ser! Salvai a minh’alma Quando eu morrer!
Quando eu morrer, Quando eu acabar Salvai a minh’alma Para um bom lugar!
Para um bom lugar, Dia de Juízo, Salvai a minh’alma Para o Paraíso!
Para o Paraíso, Senhora das Dores, Rainha dos anjos, Mãe dos pecadores!
Mãe dos pecadores, Numa boa hora Salvai a minh’alma P’ra o Reino da Glória!
Letra e música: Tradicional (Zebreira, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
Ó Virgem dos Altos Céus
[ Dança das Oito Virgens ]
[Dança das oito virgens em honra
de Nossa Senhora dos Altos Céus:]
Ó Virgem dos Altos Céus, Mãe do meu amparo, bem, Conservai na vossa graça Quem aqui visitar-vos vem!
Quem aqui visitar-vos vem Com silêncio há-de vir; Nós estamos aos vossos pés Prontas para vos servir.
Prontas para vos servir Do íntimo do coração; Se não estamos purificadas, Ó Virgem, dai-nos perdão!
Ó Virgem, dai-nos perdão Ao nosso povo primeiro! Sois Mãe de Misericórdia, Perdoai ao mundo inteiro!
Perdoai ao mundo inteiro, A toda a família em geral! Fazei que em todo o mundo Tenham o vosso sinal!
Tenham o vosso sinal; Mãe da Glória, Imperatriz, Conservai na vossa graça Este nosso juiz!
Este nosso juiz E todo o mundo inteiro; Conservai na vossa graça Este nosso tesoureiro!
Este nosso tesoureiro E todo o fiel cristão; Conservai na vossa graça Este nosso escrivão!
Este nosso escrivão E quem for do nosso partido; Nós queremos continuar Com o nosso uso antigo.
Com o nosso uso antigo Pela graça do Senhor, Vivam as oito donzelas E o nosso tocador!
[Dança das oito virgens em honra
de Nossa Senhora dos Altos Céus:]
Ó Virgem dos Altos Céus, Mãe do meu amparo, bem, Conservai na vossa graça Quem aqui visitar-vos vem!
Quem aqui visitar-vos vem Com silêncio há-de vir; Nós estamos aos vossos pés Prontas para vos servir.
Prontas para vos servir Do íntimo do coração; Se não estamos purificadas, Ó Virgem, dai-nos perdão!
Ó Virgem, dai-nos perdão Ao nosso povo primeiro! Sóis Mãe de Misericórdia, Perdoai ao mundo inteiro!
Perdoai ao mundo inteiro, A toda a família em geral! Fazei que em todo o mundo Tenham o vosso sinal!
Tenham o vosso sinal; Mãe da Glória, Imperatriz, Conservai na vossa graça Este nosso juiz!
Este nosso juiz E todo o mundo inteiro; Conservai na vossa graça Este nosso tesoureiro!
Este nosso tesoureiro E todo o fiel cristão; Conservai na vossa graça Este nosso escrivão!
Este nosso escrivão E quem for do nosso partido; Nós queremos continuar Com o nosso uso antigo.
Com o nosso uso antigo Pela graça do Senhor, Vivam as oito donzelas E o nosso tocador!
Letra e música: Tradicional (Lousa, Castelo Branco, Beira Baixa) Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira / GEFAC Intérprete: Macadame* (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Recordai, nobres senhores
[ Encomendação das Almas ]
— Recordai, nobres senhores, Nesse sono tão profundo! — Ouvirás vozes e clamores Das almas do outro mundo. — Cristandade tão unida Ouvindo gritos e ais… — Lá tem Deus na outra vida Nossas mães e nossos pais. — Tenham dó e compaixão Daquela sentida voz! — De repente para nós As almas que em pena estão Dos nossos pais e avós… — ‘Tão rogando a vossos pais Toda a noite e todo o dia; — ‘Tão postos em agonia Vendo que lhe não rezais Sequer uma ave-maria.
— Ó tão tristes pecadores Ouvindo tristes gemidos… — Das almas estão em clamores Dando gritos tão sentidos; — Gritam contra os seus herdeiros Pelos bens que lhes deixaram; — Gritam contra os seus amigos Que cá deixaram no mundo, — Pois foi tal o seu descuido Sendo vivos mas não dizendo, Dá-me a mão que eu vos ajudo. — Muito mal faz que(m) (d)esperdiça Das almas a divação, — Sendo das almas irmãos Vamos-lhe ouvir uma missa, Dou-lhe esta consolação. — Desta sorte se consolam As almas dos nossos pais; — Uma missa que lhe ouvimos E um pouco que lhe rezais; — Fazes uma grande esmola Porque vós nem meia dais.
Letra e música: Tradicional (Monte de Cabaços, Alcoutim, Algarve) Recolha: Michel Giacometti (“Oração das Almas”, in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; LP “Cantos Religiosos Tradicionais Portugueses”, Philips, 1971; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)
Santa Bárbara bendita
[ Oração a Santa Bárbara ]
Santa Bárbara bendita, Que no céu estás escrita Com papel e água benta, Abrandai esta tormenta!
Que não haja pão, nem vinho, Nem flor de rosmaninho, Nem galo que cante, Nem galinha que cacareje!
Santa Bárbara bendita, Que no céu estás escrita Com papel e água benta, Abrandai esta tormenta!
Que não haja pão, nem vinho, Nem flor de rosmaninho, Nem galo que cante, Nem galinha que cacareje!
Santa Bárbara bendita, Que no céu estás escrita Com papel e água benta, Abrandai esta tormenta!
Santa Bárbara! Santa Bárbara! Santa Bárbara! Santa Bárbara! Santa Bárbara!
Santa Bárbara bendita, Que no céu estás escrita Com papel e água benta, Abrandai esta tormenta!
Que não haja pão, nem vinho, Nem flor de rosmaninho, Nem galo que cante, Nem galinha que cacareje!
Letra: Oração tradicional Música: César Prata Arranjo: César Prata e Vânia Couto Intérprete: César Prata e Vânia Couto Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
Santa Barburinha bendita
[ Bendito e Louvado das Trovoadas ]
— «Santa Barburinha bendita, Livrai-nos das trovoadas! Lev’as p’ra bem longe!
Santa Barburinha bendita, Com um ramo de água benta Arramai esta tormenta.»
Santa Bárbara pequenina Se vestiu e se calçou, Bordão na mão tomou.
— «Onde vais, Santa Barburinha, Que no céu estais escrita?» — «Eu vou p’ra bem longe!
Vou correr esta trovoada Onde não há pão e vinho, Nem bafo de menino!
Só a serpente e as sete filhas Bebem leite de maldição E água de trovão.»
Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Santo António milagroso
[ Responso a Santo António ]
Santo António milagroso, Filho de Deus poderoso, Pelos hábitos que vestiste, Pelos cordões que existem, Pelos rosários que rezaste, Pelos sagrados caminhos andaste, Com Jesus Cristo te encontraste. Jesus Cristo vos disse: — «Beato Santo António, onde vais?» — «Com Jesus quero ir.» — «Comigo não virás. Na Terra ficarás. E as coisinhas perdidas Todas tu encontrarás. Não morrerá mulher de parto, Nem boizinho do arado, Nem cavalo da estrebaria, Quem disser esta oração: Um pai-nosso e ave-maria.
E as coisinhas perdidas Todas tu encontrarás. Não morrerá mulher de parto, Nem boizinho do arado, Nem cavalo da estrebaria, Quem disser esta oração: Um pai-nosso e ave-maria.
Letra: Oração tradicional Música: César Prata Arranjo: César Prata e Vânia Couto Intérprete: César Prata e Vânia Couto Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
A grande nau Catrineta Tem os seus mastros de pinho. Ai lé, ai lé, Marujinho, bate o pé. O ladrão do despenseiro Furtou a ração do vinho. Ai lé, ai lé, Marinheiro, vira à ré.
Antes de caçar as gáveas, Põe-se o ferro sempre a pique. Ai lé, ai lé, Cada qual mostra o que é. Para a nau ficar a nado Abrem-se as portas ao dique. Ai lé, ai lé, Chega tudo cá p’rá ré.
Quando as gáveas vão aos rizes, A maruja talha o lais. Ai lé, ai lé, Quem é moiro não tem fé. Sobem dois a impunir, A rizar sobem os mais. Ai lé, ai lé, Tu com tu, e cré com cré.
Quando o barco faz cabeça, Ala braços, iça a giba. Ai lé, ai lé, Vai de longo que é maré. Quando ele arranca o ferro, Vira então de leva arriba. Ai lé, ai lé, Vira mar e San José.
E de usança, ao quarto d’alva, Matar na coberta o bicho. Ai lé, ai lé, Deixa a maca, põe a pé. Antes da baldeação, Varre o moço, apanha o lixo. Ai lé, ai lé, Peito à barra, finca o pé.
Todo o barco que anda a corso Caça outro que se veja. Ai lé, ai lé, Muito cafre tem Guiné. E todo o moço do convés Caça a isca na bandeja. Ai lé, ai lé, Mazagão não é Salé.
Letra: Autor desconhecido (possivelmente do séc. XVII) Música: Francisco Pimenta Intérprete: O Baú com Sebastião Antunes (in CD “Achega-te”, O Baú, 2012)
Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores
A história que a gente vos quer contar
[ Travessa do Poço dos Negros ]
A história que a gente vos quer contar Aconteceu um dia em Lisboa Aonde o tempo corre devagar
Chegámos era cedo à ribeira Ainda todo o peixe respirava E a outra carga aos poucos definhava
O gemido do cordame das amarras Juntava-se ao lamento dos porões E o que nos chega fora são canções
A gente viu sair uma outra gente que dançava Um estranho bailado em tom dolente Marcado pelo bater das correntes
Anda linda Vamos p’ra ver se é verdade Que lá se pode ouvir cantar Anda linda Vamos ao poço dos negros P’ra ver quem pode lá morar
Mais tarde fomos ter àquela parte da cidade Que é mais profunda do que a maré baixa E a Lua só visita por vaidade
De novo a estranha moda se dançava Agora com suspiros de saudade Agora com bater de corações
Anda linda Vamos p’ra ver se é verdade Que lá se pode ouvir cantar Anda linda Vamos ao poço dos negros P’ra ver quem pode lá morar
Batiam com as barrigas e roçavam-se nas coxas Os corpos já dourados de suor E as bocas já vermelhas dos amores
Quisemos nós saber qual era o nome desta moda Respondeu-nos um velho já mirrado: Lundum, mas se quiserem chamem Fado
Anda linda Vamos p’ra ver se é verdade Que lá se pode ouvir cantar Anda linda Vamos ao poço dos negros P’ra ver quem pode lá morar
Letra: Luís Represas Música: João Gil Intérprete: Trovante (in “Trovante 84”, EMI-VC, 1984; reed. 1988)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
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António José Ferreira 962 942 759
Ai apertem os cintos
[ Corpo Inteiro ]
Ai apertem os cintos, vamos começar Vou contar uma história de desencantar Eram quatro donzelas a olhar o Sol Cada qual em busca do amor Procurando saber o que arde sem se ver Se é a dor ou se é o prazer
A primeira caiu num sono fatal À espera que um sapo a salvasse do mal A segunda abalou nas ondas do mar Nunca mais veio p’ra contar A terceira, devota subiu aos céus Uma voz que fugiu do lugar
Vou contar uma história de desencantar Eram quatro donzelas presas pelo olhar Já três delas se foram por causa do amor Como carne que estilhaçou Se o que arde não cura e o desejo é fartura Só a quarta é que se salvou
Vou contar uma história de desencantar Vi a quarta donzela que olhava p’ra o mar De improviso cantava para o último sol A mais doce feitiçaria Quatro flores cortadas e ela não murchou E das febres fez alegria
Letra: Miguel Cardina Música: Pedro Damasceno e Julieta Silva Arranjo: Diabo a Sete e Julieta Silva Intérprete: Diabo a Sete (in CD “Figura de Gente”, Sons Vadios, 2016)
Alguém viu a sereia
[ Canto de Embalar ]
Alguém ouviu a sereia, Ouviu de noite cantar: Andava à noite à candeia, Andava à noite no mar.
Eu fui contigo ao inferno, Fomos ao fundo do mar; Oh, meu amor que eu mais amo, Deixa-me eu te embalar!
Uma, duas ou três… Tantas não sei contar; Eu sei lá quantas vezes Sai um barco p’ra o mar! Mas à noite há segredos, Deixa-me eu te embalar.
Uma, duas ou três… Tantas não sei contar; Eu sei lá quantas vezes Sai um barco p’ra o mar! Mas à noite há segredos, Deixa-me eu te embalar.
Letra: Pedro Ayres Magalhães Música: Carlos Paredes Intérprete: Mariana Abrunheiro (in livro/CD “Cantar Paredes”, Mariana Abrunheiro/BOCA – Palavras Que Alimentam, 2015)
Beatriz foi à praça
[ Beatriz e João ]
Beatriz foi à praça para comprar o pão, Pela manhã se arregaça, para a vida vencer E, na cama deitado de ressaca, o João Chegou embriagado, deitou tudo a perder
Beatriz sai porta fora, o João fica a chorar Diz que se vai embora se isto continuar
Mulher feliz namora e não quer chorar Não deixes ir embora quem te quer namorar!
O João volta a casa e promete mudar Beatriz desconfia, tentando acreditar Dedicou-se à mulher, entregou-se a valer Mas ela sabe o que quer e não se quer perder
João sai porta fora, Beatriz fica a chorar Diz que se vai embora se isto continuar
Homem feliz namora e não quer chorar Não deixes ir embora quem te quer namorar!
Beatriz chama o João, com tanto p’ra discutir Quis ouvir olhando nos olhos o João dizendo que não vai repetir O João prometeu, pediu-lhe para acreditar Beatriz respondeu: “Tudo bem, mas vou-me embora se isto continuar…”
Mulher feliz namora e não quer chorar Não deixes ir embora quem te quer namorar!
Homem feliz namora e não quer chorar Não deixes ir embora quem te quer namorar!
Letra e música: Luís Pucarinho Intérprete: Luís Pucarinho* (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)
De um trapo velho
[ Cinco Vidas ]
De um trapo velho fiz cinco saias que querem rodar Num pano branco cosi cinco bolsos para te levar
De saco às costas parti sem saber se ia voltar Cabeça erguida e olhos de quem quer olhar
Pus-te na minha mão cinco dedos para me escapar O mundo deu-me então cinco vidas para me curar
E lá do bolso de trás perguntaste se ainda podias falar Cabeça erguida, respondi: tanto me faz
Pela estrada andei quantas voltas eu dei sem encontrar um motivo para voltar
De um trapo velho fiz cinco saias que querem rodar Num pano branco cosi cinco bolsos para te levar
E lá do bolso de trás perguntaste quando ia parar Cabeça erguida, respondi: até ter paz
Pela estrada andei quantas voltas eu dei sem encontrar um motivo para voltar
tanto me faz até ter paz
Letra: Eugénia Ávila Ramos Música: Tiago Oliveira Intérprete: Rua da Lua* (in CD “Rua da Lua”, Rua da Lua, 2016)
Deram-me uma burra
[ Cantiga da Burra ]
Deram-me uma burra que era mansa Que era brava Toda bem-parecida Mas a burra não andava A burra não andava Nem p’rá frente nem p’ra trás Muito eu lhe ralhava Mas eu não era capaz Eu não era capaz de fazer a burra andar Passava do meio-dia e eu a desesperar E eu a desesperar Ai que desespero o meu Falei-lhe num burrico E a burra até correu
Deram-me uma burra que era mansa Que era brava Toda bem-parecida Mas a burra não andava A burra não andava Nem p’rá frente nem p’ra trás Muito eu lhe ralhava Mas eu não era capaz Eu não era capaz de fazer a burra andar Passava do meio-dia e eu a desesperar E eu a desesperar Ai que desespero o meu Falei-lhe num burrico E a burra até correu
Letra e música: Sebastião Antunes, Manuel Meirinhos, Paulo Meirinhos, Alexandre Meirinhos e Paulo Preto Arranjo: Luís Peixoto Intérprete: Sebastião Antunes e a Quadrilha com Galandum Galundaina (in CD “Com Um Abraço”, Vachier & Associados, 2012)
Deu-se agora
[ Casório Divertido ]
Deu-se agora, há pouco tempo, Um casório divertido: A noiva mais que danada, Lá pela noite adiantada, Arrancou o nariz ao marido.
É o que acontece aos velhos Que procuram mocidade… Quando se despiu deitou E o nariz lhe arrancou Por não fazer a vontade.
Procuraram-lhe as vizinhas: — «Que fizeste ao teu Viriato?» — «Dormir com homem e ter frio, Dormir com homem e ter frio, Vale mais dormir com gato!»
Foi consultar o doutor, Disse-lhe que não tinha cura; E agora, por qualquer lado, A chorar o desgraçado, Faz uma triste figura.
Letra e música: Tradicional (Aldeia do Bispo, Guarda, Beira Alta) Informante: Júlia Costa Fonseca Recolha: Américo Rodrigues Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016)
Ele vinha sem muita conversa
[ Minha História ]
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente Minha mãe se entregou a esse homem perdidamente
Ele assim como veio partiu não se sabe p’ra onde E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe Esperando, parada, pregada na pedra do porto Com seu o único velho vestido cada dia mais curto
Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher Me ninava cantando cantigas de cabaré
Minha mãe não tardou a alertar toda a vizinhança A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança E não sei bem se por ironia ou se por amor Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor
Minha história é esse nome que ainda carrego comigo Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz Me conhecem só pelo meu nome de Menino Jesus
Letra: Chico Buarque, a partir da letra original de Paola Pallotino para a canção “4 marzo 1943” Música: Lucio Dala Intérprete: Pensão Flor Versão discográfica de Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013) Primeira versão de Chico Buarque (in LP “Construção”, Philips, 1971, reed. Philips, 1988, Universal Music, 2017) Versão original: Lucio Dala (in LP “Storie di Casa Mia”, RCA Italiana, 1971, reed. RCA/BMG Ricordi, 1996)
Estava difícil combinar um café
[ Sabes? Eu Também ]
Estava difícil combinar um café, mas desta vez lá foi Talvez possamos falar do que já lá vai, que às vezes ainda dói Da coragem esquecida que já se perdeu Quem deixou por dizer: foste tu ou fui eu? Da lembrança guardada num canto qualquer Da palavra apagada por não se entender E dizer-te num gesto mais enternecido: “Sabes? Eu também… ando um bocado perdido.”
Vou preparar-te um jantar. Com certeza, vou ser original E vou escolher-te um bom vinho. Tu sabes, nunca me saí mal E falar-te das voltas que a vida trocou Das verdades que o tempo já entrelaçou Entre sonhos queimados lançados ao vento Entre a cor de um sorriso e o tom de um lamento E dizer-te de um sopro empurrado pela sorte: “Sabes? Eu também… ando um bocado sem norte.”
Olha, não fiz sobremesa. Deixa lá, fica p’ra a outra vez Vamos deixar mais um copo ao falar dos quês e dos porquês Uma história que nos apeteça lembrar Um episódio que nunca nos deu p’ra contar Um segredo guardado p’lo cair do pano Um encontro marcado no cais de um engano E dizer-te na hora em que a voz fraquejar: “Sabes? Eu também… me apetece chorar.”
E vou chamar um táxi. É hora p’ra te levar a casa Era suposto um de nós nesta altura ficar com a alma em brasa Mas a vida é assim, não aconteceu Pouco importa dizer: foste tu ou fui eu? O que importa é o abraço que estava por dar Há-de haver uma próxima e mais um jantar E dizer-te a sorrir: “Já passa das três, Dorme bem! E, quem sabe?, um dia talvez…”
Um dia talvez… Um dia talvez… Um dia talvez…
Letra e música: Sebastião Antunes Arranjo: Miguel Veras Intérprete: Sebastião Antunes (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017) Versão original: Sebastião Antunes (in CD “Cá Dentro”, Vachier & Associados, 2009)
Estavam todas juntas
[ Ronda das Mafarricas ]
Estavam todas juntas Quatrocentas bruxas À espera, à espera À espera da lua cheia
Estavam todas juntas Veio um chibo velho Dançar no adro Alguém morreu
Arlindo coveiro Com a tua marreca Leva-me primeiro Para a cova aberta
Arlindo, Arlindo Bailador das fadas Vai ao pé coxinho Cava-me a morada
Arlindo coveiro Cava-me a morada Fecha-me o jazigo Quero campa rasa
Arlindo, Arlindo Bailador das fadas Vai ao pé coxinho Cava-me a morada
Letra: António Quadros (pintor) Música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Cantigas do Maio”, Orfeu, 1971, reed. Movieplay, 1987)
Eu que me comovo
[ Bolero do Coronel Sensível Que Fez Amor em Monsanto ]
Eu que me comovo Por tudo e por nada Deixei-te parada Na berma da estrada Usei o teu corpo Paguei o teu preço Esqueci o teu nome Limpei-me com o lenço Olhei-te a cintura De pé no alcatrão Levantei-te as saias Deitei-te no banco Num bosque de faias De mala na mão Nem sequer falaste Nem sequer beijaste Nem sequer gemeste Mordeste, abraçaste Quinhentos escudos Foi o que disseste Tinhas quinze anos Dezasseis, dezassete Cheiravas a mato À sopa dos pobres A infância sem quarto A suor a chiclete Saíste do carro Alisando a blusa Espiei da janela Rosto de aguarela Coxa em semifusa Soltei o travão Voltei para casa De chaves na mão Sobrancelha em asa Disse: “fiz serão” Ao filho e à mulher Repeti a fruta Acabei a ceia Larguei o talher Estendi-me na cama De ouvido à escuta E perna cruzada Que de olhos em chama Só tinha na ideia Teu corpo parado Na berma da estrada Eu que me comovo Por tudo e por nada
Letra: António Lobo Antunes Música: Vitorino Intérprete: Vitorino (in CD “Eu Que me Comovo por Tudo e por Nada”, EMI-VC, 1992)
Façam roda
[ Conto do Bicho Papão ]
Façam roda a ver quem vai ao meio cada um com seu par, tira a pedrinha ciruma, acabei eu primeiro ficas tu a tapar, não dá madrinha já ninguém te pergunta quantos queres já não ouves ninguém contar: um, dó, li, tá afinal qual é o dedo que preferes quem está livre, livre está
Ninguém fala do homem do saco ninguém espreita por baixo do colchão já ninguém acredita na côca nem no bicho papão
Salta à corda, joga à barra do lenço adivinha o que eu penso, dá a partida falua, quem acerta na malha danada da canalha está fugida salta ao eixo a fugir à cabra cega olha o meu pião, mas eu não to dou não onde é que anda a viuvinha que não chega? E a sardinha a dar na mão
Ninguém fala do homem do saco ninguém espreita por baixo do colchão já ninguém acredita na côca nem no bicho papão
Ai se eu pudesse habitar um jogo electrónico voltava a ser falado, voltava a assustar imaginem lá qual não era a sensação de uma consola com o jogo do regresso do papão
Ninguém fala do homem do saco ninguém espreita por baixo do colchão já ninguém acredita na côca nem no bicho papão
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Não sei se tinha chegado
[ Rapariga da Estação ]
Não sei se tinha chegado, Se porventura partia… Mas tinha um lugar sentado E reparei no que lia.
Cabelos negros caídos – Longos, lisos, deprimidos – Escondem o decote ousado Do seu cinzento vestido.
Não consegui dizer nada, Preferi que fosse assim: Antes só que acompanhada Mesmo que seja por mim.
Condição de quem resiste: Abandono, solidão… Tão inspiradora e triste Rapariga da estação.
Não consegui dizer nada, Preferi que fosse assim: Antes só que acompanhada Mesmo que seja por mim.
Condição de quem resiste: Abandono, solidão… Tão inspiradora e triste Rapariga da estação.
Letra e música: Duarte Intérprete: Duarte* (in CD “Só a Cantar”, Duarte/Alain Vachier Music Editions, 2018)
Ia eu pelo concelho de Caminha
[ Coro das Velhas ]
Ia eu pelo concelho de Caminha quando vi sentada ao sol uma velhinha curioso, uma conversa entabulei como se diz nuns romances que eu cá sei
Chamo-me Adozinha, disse, e tenho já os meus 84 anos, feitos há mês e meio, se a memória não me falha mas inda vou durar uns anos, Deus me valha
Com esta da austeridade, meu senhor nem sequer dá para ir desta pra melhor os funerais estão por um preço do outro mundo dá pra desistir de ser um moribundo
Rabugenta, eu? Não senhor eu hei-de ir desta pra melhor mas falo pelos que eu cá deixo não é por mim que eu me queixo não é por mim que eu me queixo
Ó Felisbela, ó Felismina ó Adelaide, ó Amelinha ó Maria Berta, ó Zulmirinha vamos cantar o coro das velhas? Vamos!
Cá se vai andando co’a cabeça entre as orelhas
Não sei ler nem escrever mas não me ralo alguns há que até a caneta lhes faz calo é só assinar despachos e decretos p’ra nos dar a ler a nós, analfabetos
E saúde tenho p’ra dar e vender não preciso de um ministro para ter tudo o que ele anda a ver se me pode dar pode ir ele para o hospital em meu lugar
E quanto a apertar cinto, sinto muito filosofem os que sabem lá do assunto mas com esta cinturinha tão delgada inda posso ser de muitos namorada
Rabugenta, eu? Não senhor eu hei-de ir desta pra melhor mas falo pelos que eu cá deixo não é por mim que eu me queixo não é por mim que eu me queixo
Ó Felisbela, ó Felismina ó Adelaide, ó Amelinha ó Maria Berta, ó Zulmirinha vamos cantar o coro das velhas? Vamos!
Cá se vai andando co’a cabeça entre as orelhas
E se a morte mafarrica, mesmo assim me apartar das outras velhas, logo a mim digo ao Diabo, “não te temo, ó camafeu conheci piores infernos do que o teu”
Rabugenta, eu? Não senhor eu hei-de ir desta pra melhor mas falo pelos que eu cá deixo não é por mim que eu me queixo não é por mim que eu me queixo
Ó Felisbela, ó Felismina ó Adelaide, ó Amelinha ó Maria Berta, ó Zulmirinha vamos cantar o coro das velhas? Vamos!
Cá se vai andando co’a cabeça entre as orelhas
Letra e música: Sérgio Godinho Intérprete: Sérgio Godinho (in “Salão de Festas”, Philips/Polygram, 1984; “Era Uma Vez Um Rapaz”, Philips/Polygram, 1985; “Noites Passadas: O Melhor de Sérgio Godinho (ao vivo)”, EMI-VC, 1995)
No centro da Avenida
[ Teresa Torga ]
No centro da Avenida, No cruzamento da rua, Às quatro em ponto, perdida Dançava uma mulher nua.
A gente que via a cena Correu para junto dela No intuito de vesti-la, Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda Só pensa em fotografá-la. Mulher na democracia Não é biombo de sala.
Dizem que se chama Teresa, Seu nome é Teresa Torga; Muda o pick-up em Benfica E atura a malta da borga.
Aluga quartos de casa Mas já foi primeira estrela; Agora é modelo à força Que o diga António Capela.
T’resa Torga, T’resa Torga Vencida numa fornalha! Não há bandeira sem luta, Não há luta sem batalha!
T’resa Torga, T’resa Torga Vencida numa fornalha! Não há bandeira sem luta, Não há luta sem batalha!
Letra e música: José Afonso Intérprete: Ana Laíns Versão discográfica de Ana Laíns (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017) Versão original: José Afonso (in LP “Com as Minhas Tamanquinhas”, Orfeu, 1976, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art’Orfeu Media, 2012)
No mercado da Ribeira
[ O Namorico da Rita ]
No mercado da Ribeira há um romance de amor entre a Rita que é peixeira e o Chico que é pescador
Sabem todos os que lá vão que a Rita gosta do Chico só a mãe dela é que não consente no namorico
Quando ele passa por ela ela sorri descarada porém, o Chico à cautela não dá trela nem diz nada
Que a mãe dela quando calha ao ver que o Chico se abeira por dá cá aquela palha faz tremer toda a Ribeira
Namoram de manhãzinha e da forma mais diversa dois caixotes de sardinha dão dois dedos de conversa
E há quem diga à boca cheia que depois de tanta fita o Chico de volta e meia prega dois beijos na Rita
Quando ele passa por ela ela sorri descarada porém o Chico à cautela não dá trela nem diz nada
Que a mãe dela quando calha ao ver que o Chico se abeira por dá cá aquela palha faz tremer toda a Ribeira
Letra: Artur Ribeiro Música: António Mestre Intérprete: Amália Rodrigues (1946; 1958) (in CD “Fado Amália”, Movieplay, 1998)
No Sábado eu fui
[ O café da Sãozinha ]
No Sábado eu fui beber o meu fino ali ao café da Sãozinha e lá a conversa por mais quieta chega sempre à cozinha
O prato do dia junto trazia o caso de uma senhora Que disse ter visto a Zaida sair de mão dada com o Zé do Candal
E o morcão do homem dela de barba à janela A ler o jornal E por entre tintos e brancos Bagaços sandes de presunto Como àgua a correr de mesa pra mesa rodava o assunto
Sem se fazer caso era vê-lo crescer O irmão do barbudo até então mudo deixa sair uma posta que a gaja é uma sostra não faz nenhum e sabe bem do que gosta O Rui dos Guindais que conhece os pais chegou-se mais ao balcão E de mão em concha confessa que ele é uma peça e não tem posição que estoura o guito no casino e em casa o menino alimenta-se a pão E por entre tintos e brancos Bagaços sandes de presunto Como água a correr de mesa pra mesa rodava o assunto Sem se fazer caso era vê-lo crescer O homem da São conhece a canção e tira da manga a manilha saca da raquete e atira o filete prós ouvidos da filha eu sempre te disse desta família não há um que se aproveite esquece o Candal ó Tininhas e não queres ver a madeira a queimar se um anda perdido no jogo o outro há de ter fogo para a gente apagar E por entre tintos e brancos Bagaços sandes de presunto Como água a correr de mesa pra mesa rodava o assunto
Sem se fazer caso era vê-lo crescer O Gusto do talho pai da Zaidinha chega e pede um cimbalino E o Tó do café faz conversa a ré e encosta o pente fino A São que sabia que na cantoria não tinha sido a primeira falou afiando as facas O que há mais é vacas E bois a pastar
O António estava como a cal implorando a Jesus para a São se calar
E por entre tintos e brancos Bagaços sandes de presunto Como água a correr de mesa p’ra mesa rodava o assunto Sem se fazer caso era vê-lo crescer
Pelo fim da tarde tu sais do emprego E eu não sei porque é que aqui vim parar É assim um desassossego Tento ir sempre onde possas estar
Por sorte tu até sorris E nem sequer me vens com muitos ‘porquês’ E dizes com um certo ar feliz: “Com que então, por aqui outra vez?”
Num parque ao domingo P’lo meio da cidade Ou num café ao entardecer
Será que é mentira? Será que é verdade? Mas o que é que me está acontecer?
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Ao virar da esquina, em qualquer transporte Acabamos sempre por nos cruzar E eu acho um caso de sorte Cada vez que te posso encontrar
Está-me a correr bem, já ganhei o dia Só porque me dissestes um “olá!” E gosto da tua ironia Se perguntas mais uma vez: “Por cá?”
Mensagem trocada, gesto embaraçado Lá vou eu outra vez a planar Desculpa, desculpa! Foi número errado Mas ficamos uma hora a falar
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Tanto melhor quando não se espera E era bom que fosse como imaginei
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Sebastião Antunes, TV Sintra
P’lo artigo cento e tal
[ Fado Jurídico-Criminal ]
P’lo artigo cento e tal Da regra dos bons costumes, A maçã do senhor Nunes É um bem celestial.
Estão a postos os jurados, Numa sala as testemunhas; O arguido rói as unhas, Os juízes descansados.
«Não fui eu, foi a Serpente! Não sei mais o que lhes diga!» «Isso é história muito antiga Contada por toda a gente».
«Comi por ter muita fome», Suplicou o acusado, «Sou órfão de pai e mãe E estou desempregado.»
«Quantos anos, p’ra que constem?», Perguntou o presidente; «Oitenta feitos ontem», O meirinho diligente.
«O senhor não tem vergonha De ter fome àquela hora? Mas que vício ou que peçonha O não deixou vir embora?»
«Já me custa muito a andar E o que eu quero já me esquece… Fui vítima de maus tratos E não tinha GPS!»
«Não pense que nos engana, É suprema esta questão: A maçã que aqui se trata É a Civilização!
E que sorte tem o senhor Demandado nesta liça, Que tem pago defensor, Que a tremer pediu justiça.
«Vai o réu, pois, condenado À pena mais capital!» Disse o último jurado: «Esconjurado está o mal!»
Tudo está no seu lugar: A maçã dos bons costumes, A árvore que é do Nunes, Os polícias a acenar.
O arguido p’rá cadeia, A cadeia a transbordar; O meirinho p’ró IKEA, Os juízes a jantar.
O meirinho p’ró IKEA, Os juízes a jantar.
Letra: João Gigante-Ferreira Música: André Teixeira Intérprete: Helena Sarmento Versão original: Helena Sarmento (in CD “Lonjura”, Helena Sarmento, 2018)
Quando entrei no restaurante
Quando entrei no restaurante Que muitas vezes frequento Testemunhei sem querer O que em seguida comento
Estava à mesa uma família Todos muito bem vestidos Quando veio o empregado P’ra recolher os pedidos
Notou-se um amor profundo Bonito de apreciar Mostrava-se ali ao mundo Uma família exemplar
A decisão foi veloz O menu nem foi olhado Duas pizzas e um hamburguer E foi o caso encerrado
E sem mais tempo perder Os adultos e o fedelho Com enorme agilidade Sacaram do aparelho
Nota-se um amor profundo Não há nada p’ra falar Cada qual está no seu mundo É uma família exemplar
O pai no seu telemóvel Vê novidades da bola E o filho entusiasmado Mata zombies na consola
A mãe no motor de busca Procura com precisão A novelinha patusca Que vai curtir ao serão
Nota-se um amor profundo Que há harmonia no lar Cada qual está no seu mundo É uma família exemplar
No afã nos polegares Num repasto a bom teclar Nem uma simples palavra Lograram articular
Por fim a pensar fiquei Sem deixar de me afligir Que raio de sociedade Estamos nós a construir?
Notou-se um amor profundo Que há-de frutificar Com cada um no seu mundo Temos um mundo exemplar
Aníbal Raposo, Forum Elos – Diálogos, 25 de junho de 2021
“(Acabado de fazer. Vou musicar)”
Uma velha, muito velha
[ Diabo da Velha ]
Uma velha, muito velha, Veio aqui à minha aldeia Com um saco pelas costas Para fazer uma venda; E o povo lá pedia… Mas comprava o que não queria.
Foi para o largo apregoar: «– Quem quer, quem quer? Quem quer vir cá comprar Belas coisas que aqui trago Neste saco abençoado? Venham que eu vendo barato!»
Fui lá ver o que ela tinha, Queria eu uma sardinha; Disse-me ela que não tinha Mas que antes me vendia Uma tampa de panela, Ai o diabo da velha!
«– Oiça lá, ó menina, P’ra que quer uma sardinha Que até traz uma espinha Que lhe pode fazer mal? Antes disso leve a tampa Que foi de nobre panela! Pode confiar na velha, Faço preço especial!»
Fui comprar eu a tampa: Para que serve sem panela?! Fui enganada, que tola!, Pelo diabo da velha.
Uma velha, muito velha, Veio aqui à minha aldeia Com um saco pelas costas Para fazer uma venda; E o povo lá pedia… Mas comprava o que não queria.
Foi para o largo apregoar: «– Quem quer, quem quer? Quem quer vir cá comprar Belas coisas que aqui trago Neste saco abençoado? Venham que eu vendo barato!»
Voltei eu àquela venda: Desta vez não caio, não! Queria eu uma saia Mas fez ela promoção: Comprei quatro colchões, Ai que bela ocasião!
«– Oiça lá, ó menina, P’ra que quer uma saia Que lhe dá ventos debaixo? Ainda fica constipada… Pela cara está cansada, Deve andar a dormir mal… Precisa de um colchão novo: Vendo quatro ao preço de um.»
Fui comprar que era barato, Lá caí eu na esparrela: Vivo só, bastava-me um… Fui enganada pela velha!
Uma velha, muito velha, Veio aqui à minha aldeia Com um saco pelas costas Para fazer uma venda; E o povo lá pedia… Mas comprava o que não queria.
Foi para o largo apregoar: «– Quem quer, quem quer? Quem quer vir cá comprar Belas coisas que aqui trago Neste saco abençoado? Venham que eu vendo barato!»
Eu também fui à venda, Queria eu um serrote; Vendeu-me ela um cavalo, Sem saber andar a trote… Ai o diabo da velha E a minha triste sorte!
«– Oiça lá, belo moço, P’ra que quer um serrote Que sem dentes afiados Não fazem nem um corte?! Antes disso, um cavalo Que sem dentes também corre P’ra chamar a donzela Que por certo trará sorte!»
Fui comprar aquele cavalo: Para que serve sem a sela?! Ainda nem uma donzela… Fui enganado pela velha!
Uma velha, muito velha, Veio aqui à minha aldeia Com um saco pelas costas Para fazer uma venda; E o povo lá pedia… Mas comprava o que não queria.
Letra e música: Carlos Norton Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)
Vivia num mundo próprio
[ O Músico Que Perdeu os Sapatos ]
Vivia num mundo próprio onde não entra quem quer; E se estava ou não sóbrio? Se era homem ou mulher? Não tinha que ser assim: explicar porque aqui vim.
Musica è forma di vita senza forma stabilita, senza nessuno che decide che non sai mai dire no, senza nessuno che decide che non sai mai dire no.
De andar sempre à procura, há quem lhe decida a vida, que esta coisa de Cultura já de banal é esquecida. E se chega a vida dura, logo parte à despedida.
Lo spettacolo era un viaggio e una bela fattoria, naturale era il paesaggio bela gente finta allegria una nuvola de estate tutto quanto poi bagnò.
Sapatos muito molhados não dá jeito a carregar; O calor dá pés descalços, logo os venho aqui buscar. E não estavam lá, partiram: e nunca mais já se viram.
Si può perdere il controllo, anche con la leggerezza, si può perdere le scarpe con una certa timidezza. Ma musicista non ha età mai perde la dignità.
Perso la notte, perso il dia, Perso le scarpe e l’allegria. Perso la notte, perso il dia, Perso le scarpe e l’allegria.
Perdeu a noite, perdeu o dia, Perdeu os sapatos e a alegria. Perdeu a noite, perdeu o dia, Perdeu os sapatos e a alegria.
Letra: José Barros Música: José Barros e Mimmo Epifani Intérpretes: José Barros & Mimmo Epifani* Versão original: José Barros & Mimmo Epifani (in CD “Mar da Lua”, José Barros/Tradisom, 2015)
Vou falar-vos dum curioso personagem
[ Jeremias, o Fora-da-Lei ]
Vou falar-vos dum curioso personagem, Jeremias, o fora-da-lei descendente por linha travessa do famigerado Zé do Telhado Jeremias dedicou-se desde tenra idade ao fabrico da bomba caseira cuja eloquência sempre o deixou maravilhado
Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite a não ser, talvez, o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da Terra e só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada será realmente pública a lei que as leis encerram
Há quem veja em Jeremias apenas mais uma vítima da sociedade muito embora ele tenha a esse respeito uma opinião bem particular é que enquanto um criminoso tem uma certa tendência natural para ser vitimado Jeremias nunca encontrou razões p’ra se culpar
Porque nunca foi a ambição nem a vingança o que o levou a desprezar a lei e jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição como um poeta ele desarranja o pesadelo para lá dos limites legais foragido por amor ao que é belo e por vocação
Jeremias gosta do guarda-roupa negro e dos mitos do fora-da-lei gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré gosta da maneira como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele e da forma como as mulheres murmuram: o fora-da-lei
Gosta de tesouros e mapas, sobretudo daqueles que o tempo mais maltratou gosta de brincar com o destino e nem o próprio inferno o apavora não estando disposto a esperar que a Humanidade venha alguma vez a ser melhor Jeremias escolheu o seu lugar do lado de fora
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/07/gileno-santana-direcao-de-arte-de-telmo-moreira-15052018.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 06:22:082025-06-07 21:46:12Canções com histórias
A flor traz saiinha branca E amarela chapelinha A flor traz saiinha branca E amarela chapelinha Se a saia, se a saia cair ao chão Fica a flor mais pobrezinha
Fica a flor mais pobrezinha Grande é a contradição Fica a flor mais pobrezinha Grande é a contradição Uma coroa, coroa de rainha Com o reino pelo chão Uma coroa, coroa de rainha Com o reino pelo chão
Com o reino pelo chão Lá se foi quem já não é Com o reino pelo chão Lá se foi quem já não é Lá dançam, lá dançam no terreiro Os que ficaram de pé
Os que ficaram de pé São a esperança da monção Os que ficaram de pé São a esperança da monção Lá andam, lá andam na base da coroa Inventam nova união Lá andam, lá andam na base da coroa Inventam nova união
Letra e música: Amélia Muge Arranjo: António José Martins Melodia incidental: José Mário Branco Intérprete: Amélia Muge (in CD “Taco a Taco”, Mercury/Polygram, 1998)
A memória
[ Futuras Instalações ]
A memória faz de ti um povo Que sabe o que quer.
Esta casa já foi casa E casa inda vai ser: As paredes são de pedra, As janelas p’ra te ver.
Casa velha, bem antiga: Já foi dos nossos avós; Muita gente cá viveu E agora estamos cá nós.
Casa velha, casa nova Com gente para viver: Nesta casa e nesta terra Temos o sol a nascer.
Esta casa há-de ser casa E casa inda vai ser: Abram portas e janelas! Há tanto p’ra fazer!
Casa velha, casa nova, Casa que gosta de ser: Vem de um tempo sem idade, Tem tempo p’ra crescer.
Casa velha, casa nova Com gente para viver: Nesta casa e nesta terra Temos o sol a nascer.
Esta casa há-de ser casa E casa inda vai ser: Abram portas e janelas! Há tanto p’ra fazer!
Casa velha, casa nova, Casa que gosta de ser: Vem de um tempo sem idade, Tem tempo para crescer.
Esta casa há-de ser casa E casa inda vai ser: Abram portas e janelas! Há tanto p’ra fazer!
A memória faz de ti um povo Que sabe o que quer.
Letra e música: César Prata Intérprete: César Prata (in CD “Futuras Instalações”, César Prata/RequeRec, 2014)
Acorda, D. João III
[ Postal para D. João III ]
Ao Zeca Afonso
Acorda, João III! Querem-te roubar a fama: Um cardeal interesseiro Pelo Santo Ofício chama.
Diz que vem p’ra nos salvar Da tentação de Mafoma; Metido numa redoma, Jura que é inofensivo.
Traz baú de ordenações, Cadafalso e sambenito; Cara de corpo-delito, Volta o polé p’ràs funções.
Eu, por mim, faço um manguito Às amas do cardeal! Vou-te mandar um postal Com novas dos teus filhotes.
De todos a mais notada, Com pergaminho d’elite, Essa bastarda Judite, Tens-lhe a alma confiada.
Bate-me à porta de noite, Diz que sou um excomungado: Mil heresias, culpado, Carbonário, contumaz,
Diabo, anarquista negro, Blasfémia não controlada… Quer saber qual o segredo Da alma duma granada.
Eu, por mim, faço um manguito…
Letra e música: Vitorino Salomé Intérprete: Vitorino (in LP “Leitaria Garrett”, EMI/Vecemi, 1984, reed. EMI-VC, 1993; CD “As Mais Bonitas 2: Ao Alcance da Mão”, EMI-VC, 2002, EMI Music Portugal, 2012; 3CD “Tudo”: CD 2 – “Lisboa”, EMI Music Portugal, 2005)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Adeus, Maria
— «Adeus, Maria, até quando, Eu até quando não sei… Cá ando no Ultramar, a pensar No dia em que voltarei. Espera por mim, se quiseres… Faz o que tu entenderes; Acho que deves pensar em casar, Eu posso por cá morrer. Ninguém o pode saber, É uma carta fechada… E depois te chamarão, pois então, Viúva sem seres casada.»
— «Ó António, Deus te guie Nos campos do Ultramar! Eu penso em ti, cá solteira, há quem queira Se tu nunca mais voltares. Espero por ti, meu amor! Eu d’outro não quero ser! Nunca mais me casarei, que eu bem sei, Serei tua até morrer! A carta que me mandaste Com um conselho imprudente… Meu amor, para contigo eu te digo: ‘Inda fiquei mais ardente.» Meu amor, para contigo eu te digo: ‘Inda fiquei mais ardente.»
Letra: António Pardelha Música: Monda Intérprete: Monda com Katia Guerreiro (in CD “Monda”, Monda/Tánaforja, 2016)
Aldeia da Meia-Praia
[ Os Índios da Meia-Praia ]
Aldeia da Meia-Praia Ali mesmo ao pé de Lagos Vou fazer-te uma cantiga Da melhor que sei e faço
De Monte Gordo vieram Alguns por seu próprio pé Um chegou de bicicleta Outro foi de marcha à ré
Quando os teus olhos tropeçam No voo duma gaivota Em vez de peixe vê peças De ouro caindo na lota
Quem aqui vier morar Não traga mesa nem cama Com sete palmos de terra Se constrói uma cabana
Tu trabalhas todo o ano Na lota deixam-te mudo Chupam-te até ao tutano Levam-te o couro cabeludo
Quem dera que a gente tenha De Agostinho a valentia Para alimentar a sanha De esganar a burguesia
Adeus disse a Monte Gordo (Nada o prende ao mal passado) Mas nada o prende ao presente Se só ele é o enganado
Oito mil horas contadas Laboraram a preceito Até que veio o primeiro Documento autenticado
Eram mulheres e crianças Cada um com o seu tijolo Isto aqui era uma orquestra Quem diz o contrário é tolo
E se a má língua não cessa Eu daqui vivo não saia Pois nada apaga a nobreza Dos índios da Meia-Praia
Foi sempre a tua figura Tubarão de mil aparas Deixas tudo à dependura Quando na presa reparas
Das eleições acabadas Do resultado previsto Saiu o que tendes visto Muitas obras embargadas
Mas não por vontade própria Porque a luta continua Pois é dele a sua história E o povo saiu à rua
Mandadores de alta finança Fazem tudo andar pra trás Dizem que o mundo só anda Tendo à frente um capataz
Eram mulheres e crianças Cada um com o seu tijolo Isto aqui era uma orquestra Quem diz o contrário é tolo
E toca de papelada No vaivém dos ministérios Mas hão-de fugir aos berros Inda a banda vai na estrada
Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Com as Minhas Tamanquinhas”, Orfeu, 1976, reed. Movieplay, 1987, 1996) Outras versões: Vozes da Rádio (in CD “Filhos da Madrugada Cantam José Afonso”, MG Ariola, 1994); Dulce Pontes (in CD “Lágrimas”, Movieplay, 1993); Paula Oliveira e Bernardo Moreira (in CD “Fado Roubado”, Universal, 2007)
Aqui, na Terra
[ Fala do Velho do Restelo ao Astronauta ]
Aqui, na Terra, a fome continua, A miséria, o luto, e outra vez a fome. Acendemos cigarros em fogos de napalme E dizemos amor sem saber o que seja. Mas fizemos de ti a prova da riqueza Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez, E pusemos em ti nem eu sei que desejo De mais alto que nós, e melhor, e mais puro. No jornal soletramos, de olhos tensos, Maravilhas de espaço e de vertigem: Salgados oceanos que circundam Ilhas mortas de sede, onde não chove. Mas o mundo, astronauta, é boa mesa (E as bombas de napalme são brinquedos), Onde come, brincando, só a fome, Só a fome, astronauta, só a fome.
Poema: José Saramago (Do ciclo “Poema a Boca Fechada”, in “Os Poemas Possíveis”, Lisboa: Portugália Editora, 1966 – p. 76; “Poesia Completa”, Lisboa: Assírio & Alvim, 2022) Música: Manuel Freire Intérprete: Manuel Freire (in CD “As Canções Possíveis: Manuel Freire canta José Saramago”, Editorial Caminho, 1999, reed. Ovação, 2005)
Brites de Almeida
Brites de Almeida, Mulher sem rumo nem rota, Guerreira nas horas vagas, Padeira de Aljubarrota.
Nasceu em Faro De família pobrezinha Mas a fama que ela tinha Era de ser bicho raro.
Ao desamparo, Gostava de andar à briga, Dos homens era inimiga: Varria-os à bordoada.
À cabeçada, Era forte como um touro; Tinha um coração de ouro, Tão temida como amada.
Quando um soldado Por ela se apaixonou, Sincero se declarou: Queria ser seu namorado.
Apaixonado, Aceitou-lhe as condições: Lutarem como leões P’ra ver quem era mais forte;
Mas quis a sorte Ser o mancebo o mais fraco; Ela fez dele um cavaco E o pobre entregou-se à morte.
Brites de Almeida, Mulher sem rumo nem rota, Guerreira nas horas vagas, Padeira de Aljubarrota.
Conta um jogral Que abalou para Castela, Embarcou num barco à vela Para fugir ao Tribunal;
Mas, sem aviso, Vieram piratas mouros, Levaram gente e tesouros, Foi escrava de improviso;
Foi prisioneira, Mas num gesto triunfal Fugiu para Portugal, Acostou à Ericeira;
E caminheira Partiu sem rumo nem rota, Foi parar a Aljubarrota, Teve ofício de padeira.
Mesmo sem querer Heroína dos enganos: Foi guerreira sem saber, Martírio dos castelhanos,
Nuestros hermanos Levaram com a pá do forno E partiram sem retorno Da terra dos Lusitanos.
Brites de Almeida, Mulher sem rumo nem rota, Guerreira nas horas vagas, Padeira de Aljubarrota.
Brites de Almeida, Seja História ou seja lenda, Revelou-se na contenda Modelo de liberdade.
Fazia pão, Broa de milho e bolos; Não sabia marcar golos, Não foi para o Panteão.
Letra: Carlos Guerreiro Música: Carlos Guerreiro e Sebastião Antunes Arranjo: Carlos Guerreiro Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão original: Gaiteiros de Lisboa (in CD “Bestiário”, Uguru, 2019)
Brites de Almeida, padeira de Aljubarrota
Cheguei a meio da vida já cansada
[ Caravelas ]
Cheguei a meio da vida já cansada De tanto caminhar! Já me perdi! Dum estranho país que nunca vi Sou neste mundo imenso a exilada.
Tanto tenho aprendido e não sei nada. E as torres de marfim que construí Em trágica loucura as destruí Por minhas próprias mãos de malfadada!
Se eu sempre fui assim este Mar morto: Mar sem marés, sem vagas e sem porto Onde velas de sonhos se rasgaram!
Caravelas doiradas a bailar… Ai quem me dera as que eu deitei ao Mar! As que eu lancei à vida, e não voltaram!…
Poema: Florbela Espanca (in Livro de Soror Saudade, 1923) Música: Tiago Machado Intérprete: Mariza (in CD “Fado Curvo”, Virgin/EMI-VC, 2003)
Cidade de El Jadida
[ Mazagão ]
Cidade de El Jadida, antiga Mazagão, foste cidade perdida sem nunca perder o chão.
És cidade sem tempo, és o povo que te fez de um caminhar muito lento feito de muita altivez.
Mazagão foste, El Jadida és, cisterna de belo encanto. Procurei-te de lés-a-lés, águas calmas do meu pranto.
Não há ninguém como tu
Letra e música: José Barros Arranjo: José Barros Intérprete: José Barros e Navegante Versão original: José Barros e Navegante (in CD “À’Baladiça”, Tradisom, 2018)
Mazagão/Jadida, Marrocos
Do longe se faz mais perto
[ Vou Falar Contigo ]
Do longe se faz mais perto Se perto eu quero estar; P’ra te ver vou ao deserto, Volto a tempo do jantar.
Faço como a cotovia Que canta e vai e vem; Fico a inventar-te o dia: Pensas de mim mal ou bem?
No verde do teu perfume, Nos aromas da lareira, Vou a salto e não regresso: Dou um pulo à ribeira.
Vou falar contigo Do mundo azul, Nas ondas do mar; Num cantar de amigo Invento histórias P’ra te contar.
Ouvi as canções do mundo E algumas que fiz p’ra ti: Mandei-tas pela saudade De te ver ao pé de mim.
A ouvir o passar do vento Que traz notas e luas, Vamos ao saber do tempo Cantar as notícias tuas.
Vou falar contigo Do mundo azul, Nas ondas do mar; Num cantar de amigo Invento histórias P’ra te contar.
Galiza, quem te inventou? Foram cravos, foram rosas… Ou o poeta com prosas, Ou o Zeca já cantou.
Um campo verde passei, Há muito que te não via… E acho que te encontrei Nos versos de Rosalía.
Vou falar contigo Do mundo azul, Nas ondas do mar; Num cantar de amigo Invento histórias P’ra te contar.
Vou falar contigo Num cantar de amigo.
Letra e música: José Barros Arranjo: José Barros e José Manuel David Intérprete: Navegante com João Afonso & Amélia Muge (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom, 2008)
Ea, Judios
Ea, judios, A enfardelar, Que mandam los reys Que passeis la mar!
[Meirinho:]
— Manda El-Rei, nosso Senhor: [Judeu:] — Bueno! [Meirinho:] — Que se lhe dê: [Judeu:] — Mejor! [Meirinho:] — Duzentos… [Judeu:] — Mil gracias. [Meirinho:] — Açoites! [Judeu:] — Vá El-Rei a la mierda!
Ea, judios, A enfardelar, Que mandam los reys Que passeis la mar!
— Vá El-Rei a la mierda!
Ea, judios, A enfardelar, Que mandam los reys Que passeis la mar!
Ea, judios, A enfardelar, Que mandam los reys Que passeis la mar!
Letra e música: Popular Informante: Judith da Silveira Pinto Recolha: César da Neves e Gualdino de Campos (“A Expulsão dos Judeus”, in “Cancioneiro de Músicas Populares”, Vol. III, Porto: Empresa Editora César, Campos & C.ª, 1898 – p. 49) Arranjo coral: Brigada Victor Jara, com a colaboração do maestro Virgílio Caseiro Intérprete: Brigada Victor Jara (in LP “Contraluz”, CBS, 1984, reed. Sony Música, 1994; Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: CD “Contraluz”, Tradisom, 2015)
Desfeitos um por um
[ Ilha de Moçambique ]
Desfeitos um por um os nós sombrios, Anulada a distancia entre o desejo E o sonho coincidente como um beijo, Exalei mapas que exalaram rios.
Terra secreta, continentes frios, Ardei à luz dum sol que é rumorejo Para lá do que eu sou, do que eu invejo Aos elementos, aos altos navios!
Trouxe de longe o palácio sepulto, A cobra semimorta, a bandarilha, E esqueci poços, prossegui oculto.
Desdém que envolve por completo a quilha, Sou bem o rei saudoso do seu vulto, Vulto que existe infante numa ilha.
Alberto de Lacerda (1928-2007)
Em Alcácer eram verdes
[ Alcácer Que Vier ]
Em Alcácer eram verdes as aves do pensamento Eram tão leves tão leves como as lanternas do vento Em Alcácer eram verdes os cavalos encarnados Eram tão fortes tão negros como os punhos decepados
Em Alcácer eram verdes as armas que eu inventei Eram tão leves tão leves tão leves que nem eu sei Em Alcácer eram verdes os homens que não voltaram Eram tão verdes tão verdes como os campos que deixaram
Em Alcácer eram verdes as maçãs feitas de lume Eram tão frias tão frias como as dobras do ciúme Em Alcácer eram verdes estas palavras que agora são tão caladas tão cernes tão feitas desta demora
Em Alcácer eram verdes as flores da sepultura Eram tão verdes tão verdes tão verdes como a loucura Em Alcácer era verde meu amor o teu olhar Era tão verde tão verde quase à beira de cegar
Em Alcácer eram verdes os lençóis onde morri Eram tão frios tão verdes como os campos que eu não vi Em Alcácer eram verdes as feridas do meu país Eram tão fundas tão verdes como este mal de raiz
Em Alcácer era verde meu amor o teu olhar Era tão verde tão verde quase à beira de cegar
Em Alcácer eram verdes os lençóis onde morri Eram tão frios tão verdes como os campos que eu não vi Em Alcácer eram verdes as feridas do meu país Eram tão fundas tão verdes como este mal de raiz
Europa
[ Europa, Querida Europa ]
Europa nascida na Ásia profunda Ó filha do Rei Fenício Agenor. Que Zeus entranhado no corpo de um touro levou-te p’ra Creta, cativo de amor. Europa é de Homero, de helénicas formas, do fórum romano e da cruz. De tantas nações, ariana e semita, ventre das descobertas da luz. Do diverso sistema, do modo diferente, da era da guerra e agora da paz… És assim, querida Europa.
Vem que eu te quero toda do mar à montanha, vem que eu quero muito mais bela que o mar. Vem vencendo cizânias que os povos sem feudos, sempre se amaram brilhantes em todo o lugar. O teu chão não é traste de meros mercados de pauta aduaneira ou cifrão. É um terrunho de almas, uma ideia, um desejo, de uma nova maneira em fusão. Desfazendo complexos de mapas cor-de-rosa, sem a má consciência no verso e na prosa… Só por ti, querida Europa.
Para que sejas tu mesma a decidir o teu uso Para que sejas tu mesma ainda mais natural Não me toques o “beat” à americana, que esse já nós conhecemos na versão original. Aguenta-te firme, livre de imitações espera só mais um pouco, já vai. O que resta e o que sobra aquela mesma saudade toda a imaginação, ainda mais. Não sentes um vago, um suave cheiro a sardinhas a algazarra nas ruas e o troar dos tambores… Somos nós, querida Europa.
Letra e música: Fausto Bordalo Dias Intérprete: Fausto Bordalo Dias (in “Para Além das Cordilheiras”, CBS, 1987; “Atrás dos Tempos Vêm Tempos”, Sony, 1996)
Foi no sulco da viagem
[ Canto dos Torna-Viagem ]
Foi no sulco da viagem Já sem armas nem bagagem Nem os brazões da equipagem Foi ao voltar
Pátria moratória No coração da História Que consumiste a glória Num jantar
Foi como se Portugal P’ra seu bem e p’ra seu mal Andasse em busca dum final P’ra começar
Ávida violência Reverso de inocência Sal da inconsciência Que há no mar
Império tão pequenino De portulano caprino Bolsos de sina e de sino Em cada mão
Pátria imaginária De consistência vária Afirmação diária Do teu não
As malas dos portugueses São como os olhos das rezes Que se mastigam três vezes Em cada chão
Cândida ignorância Grande desimportância Os frutos da errância Já lá vão
Ai Senhora dos Navegantes me valei De África, do sal e do mar só eu sobrei Foi p’ra me encontrar que amanhã já me perdi Longe vai o tempo em que eu já não estou aqui
Ai Senhora dos Talvez-Muitos-Mais-Sinais Socorrei estes desperdícios coloniais Foi na noite fria que o dia me cegou Inda agora fui, inda agora cá não estou
Ai Senhora dos Esquecidos me lembrai O caminho que p’ra lá vem e p’ra cá vai Etecetra e tal, Portugal é nós no mar Inda agora vim e estou longe de chegar
Ai Senhora dos Meus Iguais que eu subtraí Foi pataca a mim e não foi pataca a ti Se é tão grande a alma na palma do meu ser Algum dia eu vou finalmente acontecer
Porque não tentar outro ponto de vista A história dos outros, quem a contará Se qualquer colónia sem colonialista São os que já estavam lá
Tentemos então ver a coisa ao contrário Do ponto de vista de quem não chegou Pois se eu fosse um preto chamado Zé Mário Eu não era quem eu sou
Os navegadores chegaram cá a casa E foi tudo novo p’ra eles e p’ra mim A cruz e a espada e os olhos em brasa Porque me trataste assim?
Não é culpa nossa se quem p’ra cá veio Não se incomodou ao saber do horror A História não olha a quem fica no meio E o que foi é de quem for
Letra e música: José Mário Branco Intérprete: José Mário Branco e Fausto Bordalo Dias (in CD “Resistir é Vencer”, EMI, 2004)
Partistes à tardinha
[ Natália Rosa ]
Partistes à tardinha «Adeus, ó ilha da Culatra!» Num dia de Outono Uma aventura De sonho e paixão
Seguiste viagem Meteste proa rumo a sul Chegaste a Agadir Depois a Dakar Até ao Brasil
Heróica a Travessia Ó Gente da terra Da vila de Olhão
Foram dias e noites Rotas por mares a navegar Seguiste as estrelas Ventos, vendavais Alísios tropicais
Tormenta maior Ao largo do mar de Marrocos Dias sem comer Dois homens, uma mulher Sem nada a temer
A remo e à vela Fizeste a mais bela História de amor
“Natália Rosa” Andas bem, lanchinha Foste a mais linda A mais formosa Barca de amor
“Natália Rosa” A remo e à vela Foste a mais bela A mais formosa História de amor
“Natália Rosa” Andas bem, lanchinha Foste a mais linda A mais formosa Barca de amor
“Natália Rosa” A remo e à vela Foste a mais bela A mais formosa História de amor
Letra: José Francisco Vieira Música: Ana Figueiras e José Francisco Vieira Intérprete: Flor de Sal (in CD “Flor de Sal”, José Francisco Vieira & Ana Figueiras/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Perguntei ao vento
[ Queda do Império ]
Perguntei ao vento Onde foi encontrar Mago sopro encanto Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar De mundo inteiro Terras da perdição Parco império, mil almas Por pau de canela e Mazagão
Pata de negreiro Tira e foge à morte Que a sorte é de quem A terra amou E no peito guardou Cheiro da mata eterna Laranja, Luanda sempre em flor
Pata de negreiro Tira e foge à morte Que a sorte é de quem A terra amou E no peito guardou Cheiro da mata eterna Laranja, Luanda sempre em flor
Perguntei ao vento Onde foi encontrar Mago sopro encanto Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar De mundo inteiro Terras da perdição Parco império, mil almas Por pau de canela e Mazagão
Pata de negreiro Tira e foge à morte Que a sorte é de quem A terra amou E no peito guardou Cheiro da mata eterna Laranja, Luanda sempre em flor
Letra e música: Vitorino Salomé Intérprete: Vitorino (in “Flor de la Mar”, EMI-VC, 1983; reed. EMI-VC, 1992; CD “As Mais Bonitas”, EMI-VC, 1993; CD “Tudo”, EMI-VC, 2006) Outra versão de Vitorino (in “Sul”, EMI-VC, 1985; reed. EMI-VC, 1994)
Pergunto ao tempo que passa
[ Trova do Vento Que Passa ]
Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça, o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça: há sempre alguém que semeia canções ao vento que passa.
Mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça, o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça: há sempre alguém que semeia canções ao vento que passa.
Mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
Poema: Manuel Alegre (excerto) Música: António Portugal Intérprete: Senhor Vadio* (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013) Versão original: Adriano Correia de Oliveira (in EP “Trova do Vento Que Passa”, Orfeu, 1963; LP “Memória de Adriano”, Orfeu, 1983, reed. Movieplay, 1992; 7CD “Obra Completa”: CD “Trova do Vento Que Passa: Adriano canta Manuel Alegre I”, Movieplay, 1994, Movieplay/Público, 2007; CD “Vinte Anos de Canções”, Movieplay, 2001)
TROVA DO VENTO QUE PASSA
(Manuel Alegre, in “Praça da Canção”, Coimbra: cancioneiro Vértice, 1965 – p. 90-92)
Ao António Portugal
Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas ai rios do meu país minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas pede notícias e diz ao trevo de quatro folhas que eu morro por meu país.
Pergunto à gente que passa porque vai de olhos no chão. Silêncio – é tudo o que tem quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados. E a quem gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada ninguém diz nada de novo. Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem dos rios que vão pró mar como quem ama a viagem mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir (minha pátria à flor das águas) vi minha pátria florir (verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada e fale pátria em teu nome. Eu vi-te crucificada nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada só o silêncio persiste. Vi minha pátria parada à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo se notícias vou pedindo
Por este rio acima
Por este rio acima Deixando para trás A côncava funda Da casa do fumo Cheguei perto do sonho Flutuando nas águas Dos rios dos céus Escorre o gengibre e o mel Sedas, porcelanas Pimenta e canela Recebendo ofertas De músicas suaves Em nossas orelhas Leve como o ar A terra a navegar Meu bem como eu vou Por este rio acima
Por este rio acima Os barcos vão pintados De muitas pinturas Descrevem varandas E os cabelos de Inês Desenham memórias Ao longo da água Bosques enfeitiçados Soutos, laranjeiras Campinas de trigos Amores repartidos Afagam as dores Quando são sentidos Monstros adormecidos Na esfera do fogo Como nasce a paz Por este rio acima
Meu sonho Quanto eu te quero Eu nem sei Eu nem sei Fica um bocadinho mais Que eu também Que eu também Meu bem
Por este rio acima Isto que é de uns Também é de outros Não é mais nem menos Nascidos foram todos Do suor da fêmea Do calor do macho Aquilo que uns tratam Não hão-de tratar Outros de outra coisa Pois o que vende o fresco Não vende o salgado Nem também o seco Na terra em harmonia Perfeita e suave Das margens do rio Por este rio acima
Meu sonho Quanto eu te quero Eu nem sei Eu nem sei Fica um bocadinho mais Que eu também Que eu também Meu bem
Por este rio acima Deixando para trás A côncava funda Da casa do fumo Cheguei perto do sonho Flutuando nas águas Dos rios dos céus Escorre o gengibre e o mel Sedas, porcelanas Pimenta e canela Recebendo ofertas De músicas suaves Em nossas orelhas Leve como o ar A terra a navegar Meu bem como eu vou Por este rio acima Por este rio acima
Letra e música: Fausto Bordalo Dias Intérprete: Fausto Bordalo Dias (in “Por Este Rio Acima”, Sassetti, 1982; CBS, 1984; “Grande, Grande é a Viagem (ao vivo)”, Sony, 1999)
Tristemente embarcados
[ Peregrinações ]
«Peregrinos, somos nós, que andamos sempre a navegar com sérios riscos de irmos ao fundo! » A.Q.
I Tristemente embarcados com rumo sem rota velejando no ar com grande medo levados em formosa frota de casco a abanar rebentam as ondas gigantes coisas alucinantes quebra-mar, quebra-mar uma prece na garganta Nossa Senhora Santa almiranta a vomitar, a vomitar procurando novos mercados em nome de Deus vai el-rei engordar como por nossos pecados desatinados às cegas no escuro do mar salta um mostrengo barbudo c’o peito peludo a arrotar, a arrotar nós senhores do barlavento ao leme gemendo tremendo ai! quem soubera nadar
E com a pressa que podíamos nos fizemos de volta esquecendo mercês se à vista daquilo que víamos nos tremiam as carnes nos dava a gaguez ao serviço de Deus Nosso Senhor regressa assim teu esposo neste vento bonançoso meu lindo e ditoso amor confiado nesta promessa enganado nesta esperança
neste vento bonançoso meu lindo e ditoso amor confiado nesta promessa enganado nesta esperança
II Mas o avarento agiota depressa nos manda de novo embarcar banqueteados com muitos açoites ao longo da costa quem se há-de salvar tragam pimenta a fazenda a prata sangrenta a rezar, a rezar metam o turco a tormento fede a Mafamede que fale onde fica o bazar e assim fomos de atropelo sobre gente que não tinha em boa conta o nosso apogeu nos merecia a latina cólera por zelo da honra de Deus vivos lançados ao mar com um grande penedo ao pescoço a afundar ouvem-se as gritas apupos dos turcos malucos eunucos a atacar, a atacar
E foram tantas as pedras os zargunchos, as lanças e as chuças de arremesso sobre nós que fugíamos assaz com a pressa que podíamos depois de tanto pelejar ao serviço de El-Rei Nosso Senhor regressa assim teu esposo neste vento bonançoso meu lindo e ditoso amor confiado nesta promessa enganado nesta esperança
neste vento bonançoso meu lindo e ditoso amor confiado nesta promessa enganado nesta esperança
III Foi-se o tempo passando da nau ao paquete lá vai Portugal leva gente do arado peões e joguetes em calção colonial negro trabalha canalha que a tua mortalha é este ultramar colhe matumbo o café que a gente tem fé chimpanzé de lucrar e lucrar fomos misturando guitarras ao som do batuque bebendo maruvo e num sentimento bizarro casando com a negra depois de viúvo estoira uma força gigante vermelha negra vibrante a lutar, a queimar liberta um povo oprimido e perde o diamante purgante quem nos andou a mandar e desmanchámos as casas tornámos de volta pobres numa muleta balbuciando estranhas palavras aka! que maka!! acabou-se a teta ao serviço de grandes senhores regressa de vez teu esposo neste vento bonançoso meu lindo e ditoso amor confiado nesta promessa enganado nesta esperança
neste vento bonançoso meu lindo e ditoso amor confiado nesta promessa enganado nesta esperança
Letra e música: Fausto Bordalo Dias (inspirado na obra “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto) Intérprete: Fausto Bordalo Dias (in “Histórias de Viageiros”, Orfeu, 1979; reed. Movieplay, 1991, 1999; filme “Acto dos Feitos da Guiné”, de Fernando Matos Silva, 1980)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/caravela-vera-cruz_historia.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 06:17:182025-06-09 17:45:01Canções com História
A sono solto dormia há muito a cidade e eu procurava como louca rua em rua a tua sombra entre essas ruas da saudade onde uma noite sobre nós raiara a lua
Na minha grande amargura de águia perdida que começou com a tua ausência eu queria ser ao encontrar-te a perfumada flor da vida ou ser de novo uma alegria por viver
Mas fui tão pouco ao teu olhar desencantado e o nosso abraço uma tristeza tão profunda que entre o silêncio o amor com lágrimas quebrado abandonou-se nas estranhas mãos da lua
Ergueu-se ao longe a sinfonia das guitarras perdida a voz, quebrado o amor nada entendemos beijei-te a fronte e assim sem mágoa nem palavras serenamente unidos, meu amor, morremos
Letra: Manuel Lima Brummon Música: Bernardo Lino Teixeira (Fado Ginguinha) Intérprete: Tereza Tarouca (in LP “Portugal Triste”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1980; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994; CD “Álbum de Recordações”, Alma do Fado/Home Company, 2006)
Teresa Tarouca
Campaniça do despique
Campaniça do despique, Na venda e bailes de roda: Dedilhando o improviso Ou trauteando uma moda.
Na rua do velho monte, Com as moças a bailar Os passos simples duma dança E a viola a dedilhar.
Nas feiras e romarias, Na serra e no alambique, Na venda e bailes de roda: Campaniça do despique.
O tocador da viola É feio mas toca bem; Se não casar por a prenda, Formosura não a tem!
Campaniça do despique, Na venda e bailes de roda: Dedilhando o improviso, Ou trauteando uma moda.
Na rua do velho monte, Com as moças a bailar Os passos simples duma dança E a viola a dedilhar.
Nas feiras e romarias, Na serra e no alambique, Na venda e bailes de roda: Campaniça do despique.
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Roncos do Diabo
Com três paus faz-se um bordão, Com mais um faz-se um ponteiro: O Demo anima a função Encarnado num gaiteiro.
O Diabo já é velho Mas é grande folião: Na festa mete o bedelho P’ra animar a bailação.
P’ra aquecer o bailarico Abre a torneira ao tonel; O cura dá-lhe um fanico, Lá se vai o hidromel.
Essa bebida dos anjos Que agrada tanto ao Demónio Já tentou S. Cipriano, S. João e Santo António.
Santo António milagreiro Fez um pacto com o Demónio: O Diabo era gaiteiro E o santo tocava harmónio.
S. João tocava caixa Com dois paus de marmeleiro; Mas o delírio das moças Era a gaita do gaiteiro.
Guinchava como um leitão Quando se lhe puxa o rabo; Pela copa do bordão Jorravam roncos do Diabo.
Era a gaita do Demónio Que soava endiabrada, Afinava com o harmónio Mas não estava homologada.
Estava fora das medidas, Saía da convenção, Tinha veias no ponteiro E dois papos no bordão.
Criação de Belzebu, Diabólica magia: Nas voltas da contradança Quem dançava enlouquecia.
E nas voltas da loucura, As almas em desatino Saltavam de corpo em corpo Errando do seu destino.
O gaiteiro as reunia Como se junta um rebanho: Fê-las descer ao Inferno, No fogo tomaram banho.
E já os corpos em brasa Iam fazendo das suas, As vestes esfarrapadas Mostravam as carnes nuas.
Indulgencia absolutionem et remitionem peccatorum tribut ad nobis Dominum.
Com três paus faz-se um bordão, Com mais um faz-se um ponteiro: O Demo anima a função Encarnado num gaiteiro.
As fêmeas eram lascivas: Ondulantes de paixão, Corroídas p’lo desejo Contorciam-se no chão.
No terreiro da função Os corpos se confundiam: Seguidores de Belzebu Das almas santas se serviam.
Foram pela noite fora Perdidos no bacanal, Ao som desta banda louca Até ao Juízo Final.
Indulgencia absolutionem et remitionem peccatorum tribut ad nobis Dominum.
Letra e música: Carlos Guerreiro Arranjo: Carlos Guerreiro Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão original: Gaiteiros de Lisboa (in CD “A História”, Uguru, 2017; CD “Bestiário”, Uguru, 2019)
Gaiteiros de Lisboa, Roncos do Diabo
Ó sino da minha aldeia
Ó sino da minha aldeia, Dolente na tarde calma, Cada tua badalada Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar, Tão como triste da vida, Que já a primeira pancada Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto Quando passo, sempre errante, És para mim como um sonho, Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua, Vibrante no céu aberto, Sinto mais longe o passado, Sinto a saudade mais perto.
Por mais que me tanjas perto Quando passo, sempre errante, És para mim como um sonho, Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua, Vibrante no céu aberto, Sinto mais longe o passado, Sinto a saudade mais perto.
Letra: Fernando Pessoa (ligeiramente adaptado) Música: Uxía Senlle e Sérgio Tannus Arranjo: Quiné Teles Intérprete: Ela Vaz, com Rui Oliveira (in CD “Eu”, Micaela Vaz, 2017)
O tambor a tocar
[ O Primeiro Canto (dedicado a José Afonso) ]
O tambor a tocar sem parar, um lugar onde a gente se entrega, o suor do teu corpo a lavar a terra. O tambor a tocar sem parar, o batuque que o ar reverbera, o suor do teu rosto a lavrar a terra.
Logo de manhãzinha, subindo a ladeira já, já vai a caminho a Maria Faia…
Azinheiras de ardente paixão soltam folhas, suaves, na calma do teu fogo brilhando a escrever na alma.
Estas fontes da nossa utopia são sementes, são rostos sem véus, o teu sonho profundo a espreitar dos céus!
Logo de manhãzinha, subindo a ladeira já, já vai a caminho a Maria Faia, desenhando o peito moreno, um raminho de hortelã na frescura dos passos, a eterna paz do Poeta.
Uma pena ilumina o viver de outras penas de esperança perdida, o teu rosto sereno a cantar a vida.
Mil promessas de amor verdadeiro vão bordando o teu manto guerreiro, hoje e sempre serás o primeiro canto!
Ai, o meu amor era um pastor, o meu amor, ai, ninguém lhe conheceu a dor. Ai, o meu amor era um pastor Lusitano, ai, que mais ninguém lhe faça dano. Ai, o meu amor era um pastor verdadeiro, ai, o meu amor foi o primeiro.
Estas fontes da nossa utopia são sementes, são rostos sem véus, o teu sonho profundo a espreitar dos céus!
Mil promessas de amor verdadeiro vão bordando o teu manto guerreiro, hoje e sempre serás o primeiro canto!
Letra: João Mendonça, Dulce Pontes e António Pinheiro da Silva Música: Dulce Pontes e Leonardo Amuedo Intérprete: Dulce Pontes (in CD “O Primeiro Canto”, Polydor B.V. The Netherlands/Universal, 1999)
Quando uma guitarra trina
[ Guitarra ]
Quando uma guitarra trina Nas mãos de um bom tocador A própria guitarra ensina A cantar seja quem for
Eu quero que o meu caixão Tenha uma forma bizarra A forma de um coração A forma de uma guitarra
Guitarra, guitarra querida Eu venho chorar contigo Sinto mais suave a vida Quando tu choras comigo
Letra dos poetas do fado (Popular) Música: Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão Intérprete: Madredeus (in CD “Ainda”, EMI-VC, 1995)
As Tuas Mãos, Guitarrista
São tuas mãos, guitarrista, Que as cordas fazem vibrar, Que me fizeram fadista E não deixam que resista Ao desejo de cantar.
A guitarra quere-te tanto, Tem por ti tal afeição Que te deu consentimento P’ra desvendares o tormento Que guardo no coração.
Em teu peito tem guarida, Em tuas mãos seu penar; Se tu não lhe desses vida Ficava p’ra ali esquecida E não voltava a trinar.
E se a tens abandonado Não seria mais fadista; Mesmo que fosse cantado, Morria com ela o fado Sem tuas mãos, guitarrista.
Letra: Maria Manuel Cid Música: Joaquim Campos (Fado Tango) Intérprete: Tereza Tarouca (in EP “Passeio à Mouraria”, RCA Victor, 1964; 2LP “Álbum de Recordações”: LP 2, Polydor/PolyGram, 1985; CD “Temas de Ouro da Música Portuguesa”, Polydor/PolyGram, 1992)
fadista Teresa Tarouca
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/03/teresa-tarouca-fadista.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 06:12:552024-11-02 06:31:47Canções sobre instrumentos
Fui de viagem para me esquecer de ti Porque de mim já me esquecera e nem vi Mas não havia rua, praça nem jardim Que não trouxesse a tua imagem, ai de mim!
Cheguei a ver-te noutro mundo, outro lugar Aonde não havia nada pra esperar Nos mares longe onde não tinha mais ninguém Dentro de mim ouvia a tua voz também
Em todo o lado, meu amor Toda a viagem, meu amor Trago no peito a tua imagem junto a mim
Vivo em saudade meu amor E tudo diz ao meu redor Que a nossa história não é feita deste fim
Mas no regresso volto à vida e tu não estás… para mim.
Não queiras Versos lindos de cantar Nem rosas Como dias por abrir O nosso amor passou, amor O nosso amor não basta Não basta…
Não digas Quantas horas foram poucas Que noites Duas sombras a alongar Agora é só sonhar, amor O nosso amor não canta Não canta…
Dou voltas Numa rua que foi nossa À espera De uma casa onde morar A gente vai vivendo, amor E o nosso amor não passa Não passa…
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
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https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/amores-perdidos.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 06:04:302024-11-02 06:32:42Canções do amor terminado
A luz revela as cores da manhã e o rio espelha a sombra da cidade. O Outono vai roubando, pouco a pouco, a claridade. Desprendem-se as folhas bailando no ar, ao sabor da brisa. Um cheiro a castanhas perfuma a praça, o voo das pombas seduz quem passa. Ao longe há um cromatismo, de cores que vai vestindo de amarelo os plátanos. Junto à margem dissipa-se a neblina, é mais um dia frio de Novembro. Há no Outono suaves melodias, há uma voz aconchegando os dias, há palavras… rasgando as madrugadas.
Letra e música: Fernando Dias Marques Arranjo: Fernando Marques, Steve Fernandes e Jorge Correia Intérprete: Fernando Marques Ensemble (in CD “(des)Encontros”, Fernando Marques Ensemble, 2016)
Reciclanda
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Águas passadas do rio
[ Balada do Outono ]
Águas passadas do rio Meu sono vazio Não vão acordar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo Poentes morrendo P’rás bandas do mar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Fados de Coimbra e Outras Canções”, Orfeu, 1981, reed. Movieplay, 1987) Versão original: José Afonso (in EP “Balada do Outono”, Rapsódia, 1960; CD “Os Vampiros”, Edisco, 1987) Versão instrumental: Rui Pato – viola (in “Baladas e Canções”, de José Afonso, Ofir, 1967; reed. EMI-VC, 1997)
As folhas dançam desvairadas no ar
[ Valsa do Outono em Novembro ]
As folhas dançam desvairadas no ar Bailado ao vento, canção de embalar Valsinha triste num coreto vazio Regresso à infância e começo A ter frio, a ter frio…
Ainda me lembro do baloiço do jardim Da chuva no Outono que caía só p’ra mim Que céus de Novembro? Que lugares obscuros corrompem A esperança nos dias futuros?
Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal! Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal!
Memórias dispersas, vertigens, fragmentos Estilhaços da vida nos meus pensamentos Que céus de Novembro? Que lugares obscuros corrompem A esperança nos dias futuros?
Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal!
Que céus de Novembro? Que lugares obscuros corrompem A esperança nos dias futuros?
Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal!
Letra e música: Paulo Ribeiro Intérprete: Paulo Ribeiro (in CD “No Silêncio das Casas”, Heaven Sound, 2012)
Chegou bem devagarinho
[ A Chegada de Maria ]
Chegou bem devagarinho Pé-ante-pé de mansinho Mas de vez. Entre beijos e afagos Nem dei conta dos estragos Que ela fez. Do beco fez avenida Deu um cheiro à minha vida De jasmim. Foi o melro na janela Já não sei viver sem ela E dou por mim, Cantando assim:
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu não creio que tu corras Para nada Que eu não creio que tu corras Para nada
Sem agravo nem apelo Assaltou o meu castelo E o tomou. Chegou-se p’rá minha beira Com olhos de feiticeira Me encantou. Seus lábios, minha alegria Sua pele tão macia De cetim. Não há coisa mais amada E numa doce toada Eu dou por mim, Cantando assim:
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu sei bem que tu não corres Para nada Que eu sei bem que tu não corres Para nada
Sem agravo nem apelo Assaltou o meu castelo E o tomou. Chegou-se p’rá minha beira Com olhos de feiticeira Me encantou. Seus lábios, minha alegria Sua pele tão macia De cetim. Não há coisa mais amada E numa doce toada Eu dou por mim, Cantando assim:
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu sei bem que tu não corres Para nada Que eu sei bem que tu não corres Para nada
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu sei bem que tu não corres Para nada Que eu sei bem que tu não corres Para nada
Letra e música: Aníbal Raposo (Dezembro de 2001) Intérprete: Aníbal Raposo Versão original: Aníbal Raposo (in CD “A Palavra e o Canto”, Açor/Emiliano Toste, 2005)
Foi numa tarde de Outono
[ Tarde de Outono ]
Foi numa tarde de Outono, Soprava o vento do sul Nessa praia ao abandono Numa imensidão de azul.
Nuvens negras como breu Cobriram o céu, Escureceram o mar; Vento forte, solidão, Ondas turbilhão, Nasce o temporal.
Barcos que cedem ao vento, Gritos dispersos, lamentos; Foi sinfonia Que o vento inventou, Na praia vazia Nem um ser ficou.
Quando te vi, eu pensei Que era uma visão Perdida do Além; Era, porém, uma estrela Rasgando horizontes, Criando outro céu.
Barcos que cedem ao vento, Gritos dispersos, lamentos; Foi sinfonia Que o vento inventou, Na praia vazia Nem um ser ficou.
Letra e música: Paco Bandeira (Francisco Veredas Bandeiras) Arranjo: Jorge Machado Intérprete: Maria da Glória (in single “Tarde de Outono”, Decca/VC, 1972; reed. digital: Edições Valentim de Carvalho, 2021)
Poema ao Vento
[ Balada de Outono ]
Poema ao vento Com as crinas delirantes! Outono lento Com os sonhos bem distantes! Meu Sol sangrando em agonia, Meu corpo amando Um farrapo de poesia.
Folhas de Outubro Sobre Setembro: – Mãos que descubro Sem saber do que me lembro… Meu barco atado Ao cais da vida; Lenço bordado Que aceno em despedida.
Tudo sereno Neste mar em maresia: Um cheiro a feno Vai na onda da poesia Nas mãos da tarde – Em concha pura Um corpo arde De espanto e de ternura.
Eis o Outono Correndo à chuva! Com ar de sono E seu pranto de viúva… Tudo cinzento. Mágoa levada No movimento Desta garça abandonada.
Longo tormento Que Novembro acarreta: Poema dentro Da barriga do poeta. Minha placenta, Sem ter idade, Que não rebenta Este grito de saudade.
Que parto ameno De mim deriva? – Meu filho pleno, Meu amor em carne viva; Meu sangue e carne, Criado e dono; Folha da tarde Que caiu no meu Outono.
Poema: Álamo de Oliveira Música: Aníbal Raposo Intérprete: Aníbal Raposo* (in CD “A Palavra e o Canto”, Açor/Emiliano Toste, 2006)
Vento que traz nostalgia
[ Outono na Cidade ]
Vento que traz nostalgia D’um amor perdido Nas ruas da vida, Sombras e melancolia, Um adeus sentido De mulher esquecida. Nas folhas da esperança Caídas sem dono, Há passos de criança: É Outono!
Outono na cidade Tem gosto de saudade: É terna despedida que não esquece, É doce melodia Que vem no fim do dia Que o Sol – bom e doirado – ainda aquece.
Cai a folha – folha nua –, Chuva d’oiro molhando a rua: Outono na cidade, Que fria claridade! Sorriso que desce da Lua!
Gente que corre apressada Na manhã brumosa, Sonolenta e fria; Vida que sonha acordada A canção formosa, Luz do meio-dia. No azul infindo O povo bem sente O teu adeus, tão lindo, Sol poente!
Cai a folha – folha nua –, Chuva d’oiro molhando a rua: Outono na cidade, Que fria claridade! Sorriso que desce da Lua!
Letra: Ferro Rodrigues e Fernando Santos Música: Carlos Dias Intérprete: Max (in EP “Tingo Lingo Lingo”, Decca/VC, 1962; CD “O Melhor de Max: Vol. 2”, EMI-VC, 1993; CD “Max: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/outono.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 06:00:472024-11-13 04:32:00Canções de Outono
O sonho de livros amorosamente penteados e despenteados
o sonho de versos escritos em piões
as cadeiras de vidro no meio do mar
Ai, cerejeira das cerejas pretas miúdas
sem paciência o Mundo não dura
e o castelo de Noudar lá está:
sem terra casa ou leite.
Ai, cerejeira, o amor é uma luta?
Poema: Carlos Mota de Oliveira Música: Janita Salomé Intérprete: Janita Salomé (in CD “Tão Pouco e Tanto”, Capella/AudioPro, 2003)
Encontrei a Primavera
Encontrei a Primavera Ali em baixo no jardim Ai como vai ai como vai a Primavera Vai assim assim assim.
Refrão
Perguntei à Primavera Quando é que vinha o Verão Ai a 25 de Março A Primavera está na mão.
Refrão
Encontrei a Primavera Ali em baixo no lombinho Ai sentado numa cadeira Falar com um rapazinho.
Tradicional da Madeira
Maio, maduro Maio
Maio, maduro Maio, quem te pintou? Quem te quebrou o encanto nunca te amou. Raiava o sol já no Sul. E uma falua vinha lá de Istambul.
Sempre depois da sesta chamando as flores. Era o dia da festa, Maio de amores. Era o dia de cantar. E uma falua andava ao longe a varar.
Maio com meu amigo quem dera já. Sempre no mês do trigo se cantará. Qu’importa a fúria do mar. Que a voz não te esmoreça, vamos lutar.
Numa rua comprida El-Rei pastor. Vende o soro da vida que mata a dor. Anda ver, Maio nasceu. Que a voz não te esmoreça, a turba rompeu.
Letra e música: José Afonso Intérprete: Madredeus (in CD “Ainda”, EMI-VC, 1995) Versão original: José Afonso (in “Cantigas do Maio”, Orfeu, 1971; reed. Movieplay, 1987, 1996) Outras versões: Naná Sousa Dias (in “Ousadias”, Polygram, 1986); José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso (in CD “Maio, Maduro Maio”, Columbia/Sony, 1995); Couple Coffee (in CD “Co’as Tamanquinhas do Zeca”, Transformadores, 2007); Cristina Branco (CD “Abril”, Universal, 2007)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
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António José Ferreira 962 942 759
Passo os meus dias
[ Andorinhas ]
Passo os meus dias em longas filas Em aldeias, vilas e cidades As andorinhas é que são rainhas A voar as linhas da liberdade
Eu quero tirar os pés do chão Quero voar daqui p’ra fora e ir embora de avião E só voltar um dia Vou pôr a mala no porão Saborear a primavera numa espera e na estação
Um dia disse uma andorinha Filha, o mundo gira, usa a brisa a teu favor A vida diz mentiras Mas o sol avisa antes de se pôr
Eu quero tirar os pés do chão Quero voar daqui p’ra fora e ir embora de avião E só voltar um dia Vou pôr a mala no porão Saborear a primavera numa espera e na estação
Já a minha mãe dizia Solta as asas, volta as costas Sê forte, avança p’ra o mar Sobe encostas, faz apostas Na sorte e não no azar
Intérprete: Ana Moura
Plantei um cravo à janela
Plantei um cravo à janela Para dar ao meu amor; Inventei a Primavera Ao redor daquela flor.
Dei-lhe um pouco de ternura E muito duma saudade; À janela da loucura Inventei a felicidade.
Fiquei à espera da bruma Nas praias do coração; À janela da loucura Inventei uma paixão.
Plantei um cravo à janela, Descobri a Primavera, Para dar ao meu amor Que já estava à minha espera.
Letra: Hélder Moutinho Música: José Fontes Rocha (Fado Joana) Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012) Versão original: Joana Amendoeira (in CD “À Flor da Pele”, HM Música, 2006) Outra versão de Joana Amendoeira (in CD/DVD “Joana Amendoeira & Mar Ensemble: Ao Vivo no Castelo de São Jorge”, HM Música, 2008)
Hélder Moutinho, créditos Jorge Gonçalves
Primavera
Intérprete: Celina da Piedade
Primavera passada
[ Canção amoroso-pastoril ]
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
A Primavera passada Foi o meu divertimento: Tomei amores mui cedo, Logrei-os mui pouco tempo.
Primavera, Primavera, Tempo de tomar amores; Não há tempo mais alegre Que Maio com suas flores.
Primavera, Primavera, Primavera dos boieiros; Coitadinhos dos pastores Que dormem pelos chiqueiros.
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
Letra e música: Popular (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro) Recolha: Fernando Lopes Graça (in livro “A Canção Popular Portuguesa”, Publicações Europa-América, 1953; 3.ª edição, col. Saber, Publicações Europa-América, s/d. – p. 75) Intérprete: Cantos d’Aurora (in CD “Sabores”, Cantos d’Aurora, 1996)
Rompe a aurora
[ Primavera Alentejana ]
Rompe a aurora, nasce o dia Iluminando o montado; Como um hino à alegria Houve-se balir o gado.
Roxo, verde e amarelo – Olho à volta – é o que vejo; Não há nada assim tão belo, Ó meu querido Alentejo!
Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas, Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas.
Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas, Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas.
Perfumados de poejo Os campos de solidão: É assim o Alentejo Que trago no coração.
O melro canta no silvado, O grilo num buraquinho; E eu por ti apaixonada, Alentejo, meu cantinho!
Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas, Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas.
Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas, Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas.
Poema: Hermínia Gaidão Costa (em memória de Margarida Gaidão) Música: Hermínia Gaidão Costa e Roda Pé Arranjo: Roda Pé e Celina da Piedade Intérprete: Roda Pé (in CD “Escarpados Caminhos”, Public-Art, 2004)
Santo Aleixo és tão nobre
[ É Lindo na Primavera ]
[1.ª cantiga:] Santo Aleixo és tão nobre, Tão sincero, hospitaleiro… És terra de gente pobre, És terra de gente pobre, Mas a virtude é dinheiro!
[Moda:] É lindo na Primavera A gente viver no campo: Olhar e ver as flores, Bonitas de várias cores, Tão lindas é um encanto!
Ouvir as aves cantar, Ver a vida à nossa espera, Ver os ribeiros mandar Água clara p’ra o mar: É tão linda a Primavera!
[2.ª cantiga:] Quem quer bem dorme na rua À porta do seu amor: Faz das pedras cabeceira, Faz das pedras cabeceira, Das estrelas cobertor.
[Moda:] É lindo na Primavera A gente viver no campo: Olhar e ver as flores, Bonitas de várias cores, Tão lindas é um encanto!
Ouvir as aves cantar, Ver a vida à nossa espera, Ver os ribeiros mandar Água clara p’ra o mar: É tão linda a Primavera!
Letra: Bento Figueira Música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração (in 2CD “O ‘Cante’ Alentejano”: CD 1, Public-Art, 1998)
Se deixaste de ser minha
[ Por morrer uma andorinha ]
Se deixaste de ser minha Não deixei de ser quem era Por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera Por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera
Como vês não estou mudado E nem sequer descontente Conservo o mesmo presente E guardo o mesmo passado Conservo o mesmo presente E guardo o mesmo passado
Eu já estava habituado A que não fosses sincera Por isso eu não fico à espera De uma ilusão que não tinha Se deixaste de ser minha Não deixei de ser quem era Se deixaste de ser minha Não deixei de ser quem era
Vivo a vida como dantes Não tenho menos nem mais E os dias passam iguais Aos dias que vão distantes E os dias passam iguais Aos dias que vão distantes
Horas, minutos, instantes Seguem a ordem austera Ninguém se agarra à quimera Do que o destino encaminha Pois por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera Por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera
Letra: Frederico de Brito Música: Francisco Viana Intérprete: Carlos do Carmo (in “Por Morrer Uma Andorinha”, Philips/Polygram, s/d; “A Arte e a Música de Carlos do Carmo”, Philips/Polygram, 1982; CD/DVD “Carlos do Carmo ao vivo: Coliseu dos Recreios de Lisboa”, Universal, 2004)
Se o fim é um começo
[ Primavera ]
Se o fim é um começo Voltamos sempre a lutar: Já lá vem outro Abril, É tempo de semear!
Da espera faz-se a luz Da primavera a nascer: Um fruto é como um filho Do querer!
Dois, três, e…
A tudo o que aprendemos, Beijado ao calor do Verão, Esquecemos neste Inverno… Faltou-nos uma canção!
Cantar p’ra não esquecer Que unidos não estamos sós! Que temos liberdade Na voz!
É Primavera quando chegas! Sou andorinha p’ra te ver E as flores que trazes são vermelhas: Há sempre esperança a renascer!
É Primavera quando chegas! Sou andorinha p’ra te ver E as flores que trazes são vermelhas: Há sempre esperança a renascer!
É Primavera quando chegas! Sou andorinha p’ra te ver E as flores que trazes são vermelhas: Há sempre esperança a renascer!
Letra e música: Celina da Piedade e Alex Gaspar Intérprete: Celina da Piedade (in CD “Festival da Canção 2017”, RTP Edições/Sony Music, 2017)
Todo o amor que nos prendera
[ Primavera ]
Todo o amor que nos prendera, como se fora de cera, se quebrava e desfazia. Ai funesta Primavera, quem me dera, quem nos dera ter morrido nesse dia!
E condenaram-me a tanto: viver comigo o meu pranto, viver, viver… e sem ti! Vivendo sem, no entanto, eu me esquecer desse encanto que nesse dia perdi…
Pão duro da solidão é somente o que nos dão, o que nos dão a comer… Que importa que o coração diga que sim ou que não, se continua a viver?
Todo o amor que nos prendera se quebrara e desfizera, em pavor se convertia. Ninguém fale em Primavera! Quem me dera, quem nos dera ter morrido nesse dia!
Poema: David Mourão-Ferreira Música: Pedro Rodrigues Intérprete: Amália Rodrigues (1965, in CD “Segredo”, EMI-VC, 1997; CD “Amália canta David”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2011)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/primavera.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:56:592025-06-09 17:37:00Canções de Primavera
A roupa do marinheiro Não é lavada no rio: É lavada no mar alto À sombra do seu navio. Não é lavada no rio.
Sereias que há no mar longe Não queiram o meu amor, Que eu deixei em terra firme Um peito a chorar de dor. Não queiram o meu amor.
Penso em ti nos sete mares, Juntos onde o vento for; Tu não és como a figueira Que dá fruto sem dar flor. Juntos onde o vento for.
Espera por mim que eu volto! Estão os campos por lavrar E assim fica a nossa vida Presa a uma vela no mar. Estão os campos por lavrar.
Letra e música: Popular (Minho) Arranjo e orquestração: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Sinfónica Portuguesa (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014) Primeira versão [?]: Grupo de Cantares de Manhouce (in LP “Aboio”, EMI-VC, 1984)
Ronda dos Quatro Caminhos
Aos olhos do mar
Aos olhos do mar vestido de bruma se ouve o rumor da ave a planar
Aos olhos do mar Aos olhos do mar
Aos olhos do mar o som da maré a brisa e o sal se cruzam no ar
Aos olhos do mar Aos olhos do mar
Aos olhos do mar a lua e a noite afagam nas rochas a cor do luar
Aos olhos do mar Aos olhos do mar
Letra e música: Jorge Cravo Intérprete: Jorge Cravo e o Grupo Presença de Coimbra (in CD “Canções d’Inquietude”, Numérica, 2005)
Reciclanda
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Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos.
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Bamo lá ber
Bamo lá ber! Vamos lá ver! Bamo lá ber! Vamos lá ver!…
Vamos lá ver! Bamo lá ber! Vamos lá ver! Bamo lá ber!…
Vinha o barco, lá pela ria; Acostou com maré vazia. Vinha o pargo, Vinha a lula, Vinha o sargo E o peixe-lua.
Veio a gente para comprar O que a rede trouxe do mar. Trouxe um polvo, Uma cavala Mais uma bóia E uma sandália.
Veio o povo para comprar; Viu o peixe a saltitar. Salta o choco E a faneca Mais a sarda Para a água.
Vai o homem nos arraiais, Que a venda não se faz mais. Foi-se o peixe, Foi-se o pão… Mas que sorte! Maldição!
Volta p’ró mar, ó pescador! Sai no barco, com teu labor! Já não há mais, Acabou. Lá se foi, Que ele esgotou.
Vem para terra, com tua barca! Vende covos, com tua marca! Faz um sorriso P’ra o turista Que o tempo da faina acabou!
Letra e música: Carlos Norton Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)
Brota a água
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura, De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
A ciência que o mar tem Não tem nada de pasmar: Não há regato nem rio Que ao mar não vá parar.
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura, De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura, De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre com Janita Salomé (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre, com Janita Salomé (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Dentro de um búzio
[ Dessa Ilha ]
dentro de um búzio cabe todo o mar dentro desse mar cabem milhares de búzios muitos desses búzios servem p’ra jogar passam na cabeça cabem num colar nessa ilha posso lhe escutar o som que faço soar
dentro da cabeça uma multidão onde o mar começa onde acaba o chão fora de um corpo cabe todo o ar respirar um pouco já é tanto dessa ilha posso partilhar só o som que canto
Letra: Arnaldo Antunes Música: Danças Ocultas Intérprete: Danças Ocultas com Dora Morelenbaum (in CD “Dentro Desse Mar”, Danças Ocultas/Sony Music, 2018)
Em ti a navegar
[ Barca Catraia ]
Em ti a navegar Na barca, pescador, Ardentia no mar, Ancorado amor.
À proa levado Teu nome escrevi, Riso afogado No sal que escorri.
Vento abraçado Que me leva a voz; Reverso cantado O que me traz à foz.
Seja vela alva A que vai e que vem E a barca salva Das tormentas que tem.
Vestida de redes Por mim adornada, Desejos e sedes Na vaga salgada.
Entranhas doridas E golpes nos dedos; Amantes queridas, Rasgados segredos.
Espero, catraia, Navegando em ti: Da barca não caia Nem nos ais que ouvi!
Seja vela alva A que vai e que vem E a barca salva Das tormentas que tem.
Letra e música: Lindolfo Paiva Intérprete: Dialecto* Versão original: Dialecto (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)
Embarcados
[ Marcha Ingénua ]
Embarcados p’rás tormentas Com fartura d’incertezas: Adeus, cais da felicidade! Lá vão barcas portuguesas…
Oh! Enganadoras luas, Trópico de Capricórnio, Madrastas de bode preto, Enteadas do demónio!
Oh! Império de má memória, Dos cães de fila da moda!
Voa, vai, negra andorinha! Pede à minha namorada Dê notícias de Lisboa, Das praças livres, dos cravos, Das saudades que lhe tenho De vê-la subir a rua… A cantar a tal cantiga: Primavera não esquecida!
Voa, vai, negra andorinha! Pede à minha namorada Dê notícias de Lisboa, Das praças livres, dos cravos, Das saudades que lhe tenho De vê-la subir a rua… A cantar a tal cantiga: Primavera não esquecida!
Das saudades que lhe tenho De vê-la subir a rua… A cantar a tal cantiga: Primavera não esquecida!
Letra e música: Vitorino Salomé Intérprete: Vitorino (in LP “Flor de la Mar”, EMI-VC, 1983, reed. EMI-VC, 1992, Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2008; CD “As Mais Bonitas”, EMI-VC, 1993, EMI Music Portugal, 2012; 3CD “Tudo”: CD 2 – “Lisboa”, EMI Music Portugal, 2005)
Eu nasci nalgum lugar
[ O Mar Fala de Ti ]
Intérprete: Mafalda Arnauth
Foi a maré que te trouxe
[ Quando o Mar nos Leva o Fado ]
Foi a maré que te trouxe, foi o mar que te levou: o nosso amor afogou-se, nenhum de nós se salvou.
Só ficou a maresia: tudo o resto foi levado, como fica a poesia quando o mar nos leva o fado.
Nesses instantes de medo, a Mouraria discreta guarda a guitarra em segredo na viela mais secreta.
E nem mesmo a maresia tem licença p’ra entrar no bairro da Mouraria quando alguém está a cantar.
Noutros bairros ribeirinhos, onde há cheiro de marés, chegam barcos pobrezinhos: trazem fados no convés.
O nosso amor afogou-se de tanto eu o ter chorado: não sei dizer quem o trouxe, mas quem o leva é o Fado.
Letra: Tiago Torres da Silva Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado Bailarico) Intérprete: Cristina Nóbrega Versão original: Cristina Nóbrega (in CD “Um Fado para Fred Astaire”, Watch & Listen, 2014)
Cristina Nóbrega
Foram-se as cores
[ Canto Trágico dos Corvos de São Vicente ]
Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro…
Madrugada de outono passou rente ao promontório; Beijou o vento o mar que abraçava o rochedo: Dia de nascer uma tragédia, Maldição há muito amaldiçoada; O casco esventrado solta o monstro No manto da besta do negrume.
Soprou amargo e revolto, trazido na maré; Vestia negro e dançava, como seda sobre a água: Esmaga e volta a atormentar o mar Nos teus braços da asfixia! Salta, corvo, da tua barca Alertar quem te desconhecia!
Já não esvoaçam aromas, só do fumo do negreiro; Foge o riso do sorriso, fica a alma abandonada: Fecha portas e portadas! Lá fora, morte sem canção; Lenta, espalha a tua calma, Tenebrosa desolação!
Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro…
Vai lá ver quem se matou, ou se algum ainda sobrou, Que o negro tudo cobre nessa lenta agonia! Tempo de partir, abandonar; Lamentar a grande tentação; Longa, a negra noite veio Tudo adormecer.
Letra e música: Carlos Norton Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)
Fui bailar
[ Canção do mar ]
Composição: Frederico de Brito / Ferrer Trindade Intérprete: Dulce Pontes
Gaivotas em terra
Gaivotas em terra, de asas fechadas; marujos sem rumo, num banco dum bar; barcaças dormentes, no cais ancoradas; meninas morenas que pensam casar…
Preciso é que voem, que batam as asas; preciso é que deixem as altas janelas; preciso é que saiam as portas das casas; preciso é que soltem amarras e velas…
As asas são duas, se acaso uma ave quiser cortar céu, lançar-se no ar… A barca só voga, se a brisa suave quiser, ternamente, casá-la com o mar…
Marujos sozinhos, pensando outro mundo; meninas em casa, fiando desejo… Preciso é que cruzem seu olhar profundo; preciso é que colem as bocas num beijo!
Mãos de marinheiro não temem procelas, se houver outras mãos, p’ra além vendaval, rezando por ele e tecendo outras velas mais brancas, mais belas, do seu enxoval!
Letra: Mascarenhas Barreto Música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos (1968) (in CD “O Melhor de António dos Santos”, EMI-VC, 1992)
Mar, espuma
[ Canção do Marinheiro ]
Mar, espuma, céus e nuvens, Sargaço, peixes, gaivotas… Eis aqui os agiotas Que cercam o nosso balcão! Já vês, portanto – fragata: Por falta de compradores, Nem mesmo nossos amores Nos saem do coração.
Ai menina!… Tu não sabes Quanto é bom ser marinheiro! E ficar com um ar trigueiro Por aventuras no mar!
Mas isso foi até quando Virei no bordo de terra, E te avistei e disse – ferra! Mas era tarde, bati… Ao choque da pedra dura Saltou-me do leme a cana; Perdi logo a tramontana, O casco só não perdi…
Ai menina!… Tu não sabes Quanto é bom ser marinheiro! E ficar com um ar trigueiro Por aventuras no mar!
Tem pena de mim, sereia! Já que não posso em teu porto Achar o mesmo conforto Que outrora no mar achei… A nado põe o meu barco, Que eu logo e logo outro rumo Só de guindola e sem prumo, Te juro, demandarei!
Ai menina!… Tu não sabes Quanto é bom ser marinheiro! E ficar com um ar trigueiro Por aventuras no mar! [bis]
Por aventuras no mar! Por aventuras no mar!
Letra: Caetano Filgueiras Música: José Barros Arranjo: José Manuel David Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom, 2008)
Mar
Mar! Tinhas um nome que ninguém temia: Era um campo macio de lavrar Ou qualquer sugestão que apetecia…
Mar! Tinhas um choro de quem sofre tanto Que não pode calar-se, nem gritar, Nem aumentar nem sufocar o pranto…
Mar! Fomos então a ti cheios de amor! E o fingido lameiro, a soluçar, Afogava o arado e o lavrador!
Mar! Enganosa sereia rouca e triste! Foste tu quem nos veio namorar, E foste tu depois que nos traíste!
Mar! E quando terá fim o sofrimento! E quando deixará de nos tentar O teu encantamento!
Poema: Miguel Torga (in “Poemas Ibéricos – História Trágico-Marítima”, 1965; “Poesia Completa”, 2000) Música: ? Intérprete: João Braga (in CD “Fado Fado”, BMG Portugal, 1997)
Meu amor foi marinheiro
[ Novo Mar ]
Meu amor foi marinheiro Navegou de lés a lés Enfrentou o mar inteiro Ventos e marés
Mas um dia desistiu De embarcar no mar de tanta perdição E o seu navio Só cruza agora o meu coração
Meu amor audaz e forte Resistiu aos temporais E nunca perdeu o norte Chegou sempre ao cais
Meu amor correu o mundo Até esteve em muitas terras de ninguém Foi vagabundo Mas já não vive nesse vai e vem
Mil e uma histórias Que ele tem pra me contar, E eu dou-lhe memórias Do futuro, eu sou seu novo mar…
Meu amor foi marinheiro, Navegou de sol a sol Enfrentou o mar inteiro Sem qualquer farol
Ele em cada noite escura Inventava tantos raios de luar E agora jura Sou seu rumo e o seu novo mar
Mantém-se a miragem E o prazer de navegar Mas nesta viagem Eu sou seu rumo…. Eu sou seu novo mar
Letra: Fernando Gomes Música: Valter Rolo Intérprete: Catarina Rocha
Meu nome é nome de Mar
[ Nome de Mar ]
Intérprete: Maria Ana Bobone
O fado nasceu um dia
[ Mar Português ]
Intérprete: Sara Correia
O mar a salgar-nos a vida
[ Quem Anda ao Mar ]
O mar a salgar-nos a vida E a vida sem sal O vento a empurrar-nos a alma Contra o temporal Mas quando o destino Foi tudo o que herdámos Dos nossos avós É tão pouca a sorte O vento é tão forte Que há-de ser de nós?
As mãos presas na corrente O tempo a passar O mar a gastar-nos os anos E o medo a ficar No fundo das águas Descansam mil mágoas Do nosso sofrer A manhã clareia A rede vem cheia Que mais posso eu querer?
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Os dias são como as ondas É o mesmo vai-e-vem O mar é como a saudade Não poupa ninguém No vazio da praia Esvoaça uma saia Cor negra a sofrer Que se a calma vaga Que a manhã me traga A alegria de o ver
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Dizem que o mar também chora E é como um barco sem ter farol Chora p’la Lua que se foi embora Como uma louca, atrás do Sol E às vezes as fúrias são tantas Que não há ninguém que as possa acalmar A não ser a alma daqueles que andam ao mar
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997) Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)
O mar não é de ninguém
[ Ninguém É Dono do Mar ]
O mar não é de ninguém Ninguém é dono do mar Nem aqueles que lá sabem navegar
Se eu um dia não voltar Desenha o meu nome no chão Pede um desejo às ondas do mar E guarda-o na tua mão
Sempre que a noite vier Quando não houver luar Dá o desejo a uma onda qualquer E pede-lhe p’ra eu voltar
Trago o destino das águas No aguardar dos rochedos Dizem que o tempo é que apaga as mágoas Quem será que apaga os medos?
O mar não é de ninguém Ninguém é dono do mar Nem aqueles que lá sabem navegar
E se depois eu vier Foi porque o mar te escutou Deixa os sorrisos correrem p’la praia Que o temporal acabou
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017) Versão original: Quadrilha (in CD “Quarto Crescente”, Vachier & Associados/Ovação, 1999) Outra versão de Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)
O mar a salgar-nos a vida
[ Quem anda ao mar ]
O mar a salgar-nos a vida E a vida sem sal O vento a empurrar-nos a alma Contra o temporal Mas quando o destino Foi tudo o que herdámos Dos nossos avós É tão pouca a sorte O vento é tão forte Que há-de ser de nós?
As mãos presas na corrente O tempo a passar O mar a gastar-nos os ano E o medo a ficar No fundo das águas Descansam mil mágoas Do nosso sofrer A manhã clareia A rede vem cheia Que mais posso eu querer?
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Os dias são como as ondas É o mesmo vai-e-vem O mar é como a saudade Não poupa ninguém No vazio da praia Esvoaça uma saia Cor negra a sofrer Que se a calma vaga Que a manhã me traga A alegria de o ver
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Dizem que o mar também chora E é como um barco sem ter farol Chora p’la Lua que se foi embora Como uma louca, atrás do Sol E às vezes as fúrias são tantas Que não há ninguém que as possa acalmar A não ser a alma daqueles que andam ao mar
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997) Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)
Sebastião Antunes
Ó mar
[ Canção do Mar ]
Ó mar Ó mar Ó mar profundo Ó mar Negro altar Do fim do mundo
Em ti nasceu Ó mar A noite que já morreu No teu olhar
Ó mar Ó mar Ó mar profano Ó mar Verde mar Em que me irmano
Em ti nasceu Ó mar A noite que já morreu No teu olhar
Ó mar Ó mar Ó mar profundo Ó mar Negro altar Do fim do mundo
Em ti nasceu Ó mar A noite que já morreu No teu olhar
Ó mar… Ó mar… Ó mar…
Letra e música: José Afonso Arranjos/adaptação: Rui Tinoco Intérprete: Frei Fado d’El Rei (in livro/CD “Senhor Poeta: Um Tributo a José Afonso”, Bartilotti Produções/Ovação, 2007) Criação: José Afonso (in EP “Cantares de José Afonso”, Columbia/VC, 1964; LP “Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes”, Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1992; CD “Luiz Goes/José Afonso/Carlos Paredes: Encontros em Coimbra”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD “Luiz Goes, José Afonso e Carlos Paredes: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)
Oh Mar revolto
[ Náufrago (Mar Revolto) ]
Oh Mar revolto, Levas tanta gente Que de ti traz paz e sustento! Levas esperança, medos, vendavais Trazes a dor distante de um cais
Oh Mar profundo Das Almas esquecidas De quem sofre em terra perdas e vidas! Perder de vista o destino de um lar Irei p’ra longe, há ir e voltar
Oh Mar sem fim De sonhos perdidos De mágoas, de lutas e rumos sofridos! Noites perdidas e ventos fortes Noites esquecidas, vidas e mortes
Letra: José Francisco Vieira Música: José Francisco Vieira, Paulo Machado, João Vieira Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)
João Frade, Marenostrum
Os búzios soam
[ Segredos do Mar (Mistiká tis Thalassas) ]
Os búzios soam o ritmo das marés A preia-mar dá à costa uma carta de amor Da minha janela vejo um navio a passar Um marinheiro lá bem longe diz adeus
A Lua guarda eternos segredos Mais profanos da nossa paixão O Mar liberta e solta os medos Que se escondem no teu coração
A carta dizia amor vou partir Oxalá um dia te volte a encontrar No sorriso da lua vejo o teu coração Ainda sinto o teu cheiro na brisa do mar
A Lua guarda eternos segredos Mais profanos da nossa paixão O Mar liberta e solta os medos Que se escondem no teu coração
Letra e música: Samuel Lopes Intérprete: Citânia Versão original: Citânia com Maria Zogopoulou & Vitorino (in Livro/CD “Segredos do Mar”, Seven Muses, 2011)
Pus o meu sonho num navio
[ Naufrágio ]
Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; — depois, abri o mar com as mãos, com as mãos, para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas do azul, do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio; debaixo da água vai morrendo meu sonho, vai morrendo dentro do navio…
Chorarei quanto for preciso, para fazer, para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça.
Poema: Cecília Meireles (excerto ligeiramente adaptado do poema “Canção”) Música: Alain Oulman Intérprete: Amália Rodrigues [in LP “Com Que Voz”, Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1987; 2CD “Com Que Voz” (nova edição): CD 1, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2010; CD “Com Que Voz (Remastered)”, Edições Valentim de Carvalho, 2019]
Reina grande confusão
[ Os Novos Anjos (ao Zeca Afonso) ]
Reina grande confusão No céu pelos corredores; Os anjos querem trocar Asas por computadores; Chegam todos aos magotes, Há já quem fale em reforma; Estão cansados de voar, Só querem agenciar.
O Senhor Arcanjo, No meio do mar, Fez das asas barco Para navegar; [bis] Fez dos braços remos, Vai correndo mundo; Bóia, coração, Que o barco vai ao fundo! O barco vai ao fundo!
Vêm uns deitá-lo abaixo, Outros louvar-lhe o passado; Estivesse morto ou lá perto Teria um preço mais certo! Canta o gaio já cansado, O dia chegou ao fim: Uns vão p’ra casa dormir, Outros vão assim, assim!
O Senhor Arcanjo, No meio do mar, Fez das asas barco Para navegar; [bis] Fez dos braços remos, Vai correndo mundo; Bóia, coração, Que o barco vai ao fundo! O barco vai ao fundo!
E o Senhor Arcanjo, No meio do mar, Fez das asas barco Para navegar; Fez dos braços remos, Vai correndo mundo; Bóia, coração, Que o barco vai ao fundo! O barco vai ao fundo!
Letra e música: Amélia Muge Intérprete: Amélia Muge (in CD “Todos os Dias”, Columbia/Sony Música, 1994)
Sou Barco
Sou barco abandonado Na praia ao pé do mar E os pensamentos são Meninos a brincar.
Ei-lo que salta bravo E a onda verde-escura Desfaz-se em trigo De raiva e amargura.
Ouço o fragor da vaga Sempre a bater ao fundo, Escrevo, leio, penso, Passeio neste mundo De seis passos E o mar a bater ao fundo.
Agora é todo azul, Com barras de cinzento, E logo é verde, verde, Seu brando chamamento.
Ó mar, venha a onda forte Por cima do areal E os barcos abandonados Voltarão a Portugal.
Poema: António Borges Coelho (in “Roseira Verde”, Lisboa: Edição do autor, 1962) Música: Luís Cília Intérprete: Luís Cília (in LP “Portugal-Angola: Chants de Lutte”, Le Chant du Monde, 1964)
Tão bonita és
[ Música de Mar ]
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Paro p’ra te ver para lá do olhar e param-me as mãos a pensar.
Tão pura, tão simples, tão meiga de ouvir: canto de embalar e dormir, eixo ribaldeixo como a cantilena que tu soletraste em pequena.
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Quando nos invades, quando nos tormentas, risos, choros, silêncios inventas.
Música e amante mal te conheci, três vidas num instante vivi; música de mar que nas ondas vem toca-me nos dedos também!
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Como hei-de compor, como hei-de cantar tanto qu’inda tens p’ra me dar?
Como uma criança canta a tabuada e junta três sons encantada, assim te encontramos a ti, melodia, nós que cinzentamos o dia.
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Viril, feminina, velhota ou senhora, riso de menina e doutora.
Nua te despi, nua te deixei e entre sol e lua cantei. Como poderemos nós falar de ti se andamos tão longe e tu aqui?!
Poema: Pedro Barroso Música: Imanol (Manuel Eusebio Larzábal Goñi, 1947-2004) Intérprete: Pedro Barroso (in LP “Pedro Barroso”, Schiu!/Transmédia, 1988)
Tem mil anos uma história
[ Sete Mares ]
Tem mil anos uma história De viver a navegar Há mil anos de memórias a contar Ai, cidade à beira-mar Azul
Se os mares são só sete Há mais terra do que mar… Voltarei amor com a força da maré Ai, cidade à beira-mar Ao sul
Hoje Num vento do norte Fogo de outra sorte Sigo para o sul Sete mares
Foram tantas as tormentas Que tivemos de enfrentar… Chegarei amor na volta da maré Ai, troquei-te por um mar Ao sul
Hoje Num vento do norte Fogo de outra sorte Sigo para o sul Sete mares
Letra: Francisco Menezes Música: Sétima Legião Intérprete: Sétima Legião (in “Mar d’Outubro”, EMI-VC, 1987; reed. 1988)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/mar.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:53:362025-06-28 11:34:26Canções do mar
A azeitona já está preta, Já se pode armar aos tordos, Diz-me lá, ó cara linda: Como vais d’amores novos? Já se pode armar aos tordos.
É mentira, é mentira, É mentira, sim, senhor! Eu nunca roubei um beijo, Quem mo deu foi meu amor.
Quem me dera ser colete! Quem me dera ser botão, Para andar agarradinha Juntinho ao teu coração! Quem me dera ser botão!
É mentira, é mentira, É mentira, sim, senhor! Eu nunca roubei um beijo, Quem mo deu foi meu amor.
Ai, que lindo chapéu preto Naquela cabeça vai! Ai, que lindo rapazinho Para genro do meu pai! Naquela cabeça vai!
É mentira, é mentira, É mentira, sim, senhor! Eu nunca roubei um beijo, Quem mo deu foi meu amor.
É mentira, é mentira, É mentira, é mentira, É mentira, é mentira…
Letra e música: Arlindo de Carvalho Intérprete: Celeste Rodrigues* [in EP “Celeste (Chapéu Preto)”, Parlophone/VC, 1959; reed. digital: Edições Valentim de Carvalho, 2019]
A lua nasceu
[ Canção de Embalar ]
A lua nasceu e cresceu no além, A noite surgiu também. Faz ó-ó, meu amor, Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri.
Tu verás, meu amor, Como é bom sonhos ter: Deus te dê os melhores que houver. Faz ó-ó, meu amor, Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri.
E tens, porque eu sei e roguei ao Senhor, Um sonho de paz e amor. Meu amor, vai dormir! Vai dormir e sonhar! Deixa a lua sorrir lá no ar.
Tu verás, meu amor, Como é bom sonhos ter: Deus te dê os melhores que houver. Faz ó-ó, meu amor Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri.
Letra e música: Tradicional Intérprete: Musica Nostra (in CD “Cantos da Terra”, Açor/Emiliano Toste, 2009)
Ai amor
[ Canção de Ida e Volta ]
Ai amor O tempo vai e vem Os meus olhos Não são de mais ninguém
Quem partiu Canta o que deixou Haja alguém Que mesmo assim cantou
Ai amor O tempo vai e vem
Estas casas Não mudarão de cor São de prata À hora do Sol-pôr
Corre o vento Dos lados de Espanha Ai amor A ver se me apanha
Estas casas Não mudarão de cor
Ai amor O tempo vai e vem Os meus olhos Não são de mais ninguém
Volta a rola Sabe o seu caminho Volta alguém Há luz no montinho
Ai amor O tempo vai e vem
Letra: João Monge Música: João Gil Intérprete: Ala dos Namorados / voz de Nuno Guerreiro (in CD “Por Minha Dama”, EMI-VC, 1995)
Amor com amor se paga
Amor com amor se paga. Porque não pagas, amor? Olha que Deus não perdoa A quem é mau pagador!
Amor, não me escrevas cartas, Que, bem sabes, não sei ler! Quando sentires saudades, Perde um dia e vem-me ver!
Amor com amor se paga: Nunca vi coisa mais justa; Paga-me contigo mesma, Meu amor, pouco te custa!
Ainda depois de morto, Debaixo do frio chão, Hás-de achar o teu nome Escrito no meu coração.
Dá-me um beijo, eu dou-te dois! A minha paga é dobrada: É o jeito de quem ama, Pagar e não dever nada.
Amor com amor se paga: Nunca vi coisa mais justa; Paga-me contigo mesma, Meu amor, pouco te custa!
Amor com amor se paga. Porque não pagas, amor? Olha que Deus não perdoa A quem é mau pagador!
Amor, não me escrevas cartas, Que, bem sabes, não sei ler! Quando sentires saudades, Perde um dia e vem-me ver!
Amor com amor se paga: Nunca vi coisa mais justa; Paga-me contigo mesma, Meu amor, pouco te custa!
Letra: Quadras populares Música: César Prata Arranjo: César Prata e Vânia Couto Intérprete: César Prata e Vânia Couto Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Ao meio do quarto
[ Na Volta de um Beijo ]
Ao meio do quarto uma rosa cai no chão Ao fundo do peito uma letra sem canção Ao canto da sala guitarras sem bordão Lá fora do meu peito andas tu e o meu perdão
Sentada cá dentro olho a cruz, está sem pregão Caiu-me a jarra das mãos, caiu uma rosa de paixão Fechaste o teu peito, levaste-me o coração Agora andas tu lá fora, sozinho sem paixão
Chora, chora, e a mim que se me dá! Chora, chora, e a mim que se me dá!
Eu hei-de ir à romaria pedir a Nossa Senhora Que me traga o meu amor que anda pelo mundo fora E assim vê-lo na volta, na volta de um beijo Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo
Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo
Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo
Letra: Tradicional e Tiago Curado de Almeida Música: Tiago Curado de Almeida (com motivo melódico de “Boys Don’t Cry”, da autoria de Robert Smith) Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Ao princípio
[ Nasce Afrodite, amor, nasce o teu corpo ]
Ao princípio, é nada. Um sopro apenas, Um arrepio de escamas, um perpassar de sombra Como de nuvem marinha que se esgarça Nos radiais tentáculos da medusa. Não se dirá que o mar se comoveu E que a onda vai formar-se deste frémito. No embalo da água oscilam peixes E das algas as hastes serpentinas À corrente se dobram, como ao vento As searas da terra e as crinas dos cavalos. Entre dois infinitos de azul a onda vem, Toda de sol vestida e rebrilhante, Líquido corpo de reflexos cegos. E da terra, o vento corre para ela, Tal o macho cioso para a fêmea aberta, Transportando consigo o pólen das flores. Fecundada, a onda rola agora, trovejando, Na corrida para o parto que a espera No leito de negras rochas que, na costa, Se adorna de mil vidas fervilhantes. Mais alto ainda as águas se suspendem No segundo final da gestação imensa. E quando, num furor de vida que começa, A onda se despedaça no rochedo, O envolve, o cinge, o aperta e dilacera, Da branca espuma, do sol e do vento que soprou, Dos peixes, das flores e do seu pólen, Das algas trémulas, do trigo e dos braços da medusa, E das crinas dos cavalos, do mar, da vida toda, Nasce Afrodite, amor, nasce o teu corpo.
Chamava-se Nini
[ Nini dos Meus Quinze Anos ]
Letra: Fernando Assis Pacheco Música: Paulo de Carvalho Intérprete: Paulo de Carvalho (in LP “Volume I”, 1978; CD “Vida”, Farol, 2006)
Chamava-se Nini Vestia de organdi E dançava (dançava) Dançava só pra mim Uma dança sem fim E eu olhava (olhava)
E desde então se lembro o seu olhar É só pra recordar Que lá no baile não havia outro igual E eu ia para o bar Beber e suspirar Pensar que tanto amor ainda acabava mal
Batia o coração mais forte que a canção E eu dançava (dançava) Sentia uma aflição Dizer que sim, que não E eu dançava (dançava)
E desde então se lembro o seu olhar É só pra recordar Os quinze anos e o meu primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Toda a ternura que tem o primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Que a vida passa Mas um homem se recorda, é sempre assim Nini dançava só pra mim
E desde então se lembro o seu olhar É só pra recordar Os quinze anos e o meu primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Toda a ternura que tem o primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Que a vida passa Mas um homem se recorda, é sempre assim Nini dançava só pra mim
Chamei-te linda
Chamei-te linda, engraçada Da graça que Deus te deu E tu deste uma risada Quem a não tinha era eu
Que mais eu posso fazer Fazer eu posso, ai de mim P’ra um dia te ouvir dizer Ouvir-te dizer que sim
Deixa-me ao menos a esperança A derradeira a morrer “Quem espera sempre alcança” Foi sempre o que ouvi dizer
És a flor que mais desejo Das flores do meu roseiral Quanto, rosa, te não vejo A vida corre-me mal
Sei que tu és o meu par Sei que nasceste p’ra mim Não se devem afastar Flores do mesmo jardim
Rosa branca, tua cor, No dia em me quiseres Farei de ti, meu amor, A mais feliz das mulheres
És a flor que mais desejo Das flores do meu roseiral Quanto, rosa, te não vejo A vida corre-me mal
Sei que tu és o meu par Sei que nasceste p’ra mim Não se devem afastar Flores do mesmo jardim
Rosa branca, tua cor, No dia em me quiseres Farei de ti, meu amor, A mais feliz das mulheres
Letra e música: Aníbal Raposo (2011-02-13) Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)
Coração, meu coração
[ Coração Que me Pertence ]
Coração, meu coração Que sonhavas esta vida, Por que razão tu paraste? Não digas que adivinhaste Na hora da despedida Desta sublime afeição?
Quantas horas, tantas horas Esvoaçaste de mansinho No carinho do meu jeito! Já nem sabes onde moras, Descuidado passarinho, Se no teu se no meu peito.
Fechei meus olhos perdidos, Não fosse com o desgosto Rogarem-te alguma praga… Que os teus hão-de ver, sentidos, No braseiro do sol-posto O sangue da minha mágoa.
E no fogo da ambição, Que ao amor julga que vence, Queimaste a minha raiz… Como pode ser feliz Coração que me pertence No calor duma outra mão?
Como pode ser feliz Coração que me pertence No calor duma outra mão?
Letra e música: Armando Estrela Intérprete: Tereza Tarouca (in single “O Mangas / Coração Que me Pertence”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1979; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994)
Dei-te um desenho meu
[ Eu gosto de ti ]
Dei-te um desenho meu Feito com as cores do céu Pra guardares junto a ti Sempre que eu for embora
Dei-te um desenho meu (dei-te em desenho meu) Que não caiu do céu Com os teus lápis de cor Juntei o teu amor ao meu
Recordações de belas canções Contigo, baixinho Recordações de nós
Sei que o tempo passa, voa Que eu sinto falta Mas o caminho é voltar Sempre Pra te poder abraçar
Sempre O meu caminho é voltar pra dizer Eu gosto de ti Sim, eu Eu gosto de Eu gosto de ti
Dei-te um desenho meu (dei-te em desenho meu) Feito com as cores do céu Pra guardares junto a ti sempre que eu for Embora
Recordações daqueles verões Contigo, contigo Recordações de nós
Sei que o tempo passa, voa Que eu sinto falta Mas o caminho é voltar Sempre Pra poder te abraçar Sempre
O meu caminho é voltar pra dizer Eu gosto de ti Sim, sim eu Eu gosto de ti Eu gosto de ti Sim gosto Sim, eu Eu gosto de ti Eu gosto de ti Sim, eu Eu gosto Eu gosto de ti
Música: Marisa Liz, Tiago Pais Dias Intérprete: Elas (Áurea, Marisa Liz)
Descobri-te na minha boca
[ Quebranto ]
Descobri-te na minha boca Na minha pele fria deixada na cama vazia Encontrei o teu sabor nos meus lábios Nos lençóis caídos no chão Na manhã de uma primeira noite Do teu corpo inundado em mim Só não estás tu e o meu coração
Saí de casa à vossa procura Sem eira nem beira Como vagabunda, sem faro, sem dono Parei na tua rua onde te encontrei Pela primeira vez Entre um copo de vinho e um fado vadio Só não estás tu e o meu coração
Onde estás, coração? Esse homem ladrão Que me fez um quebranto Canto, suor, engano cigano, um encanto Coração! Onde estás, coração? A vida tropeça nas mãos Deita-se contigo e foge na madrugada
Perdida, relembro-te à mesa Entre a neblina do fumo e um sorriso mudo Como quem pede por mim Sentei-me, falaste com a guitarra Primeira vez que te vi Primeira vez que me dei Sem pudor nem amor Até que percebi: Só não estás tu e o meu coração
E agora só me resta a noite Sou um corpo dos outros Sem alma, sem fé nem desdém Despida de amor Teu corpo uma canção que não pára Meu corpo a tua guitarra Meu fado é um filho perdido Sozinho nas ruas sem mim Já não sou eu, perdi o meu coração
Onde estás, coração? Esse homem ladrão Que me fez um quebranto Canto, suor, engano cigano, um encanto Coração! Onde estás, coração? A vida tropeça nas mãos Deita-se contigo e foge na madrugada
Letra e música: Vânia Couto Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
É a tua vida que eu quero bordar
[ A Linha e o Linho ]
É a tua vida que eu quero bordar na minha Como se eu fosse o pano e tu fosses a linha E a agulha do real nas mãos da fantasia Fosse bordando ponto a ponto o nosso dia-a-dia E fosse aparecendo aos poucos o nosso amor Os nossos sentimentos loucos, o nosso amor O zig-zag do tormento, as cores da alegria A curva generosa da compreensão Formando a pétala da rosa, da paixão A tua vida o meu caminho, o nosso amor Tu és a linha e eu o linho, o nosso amor A nossa colcha de cama, a nossa toalha de mesa Reproduzidos no bordado A casa, a estrada, a correnteza O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza
A tua vida o meu caminho, o nosso amor Tu és a linha e eu o linho, o nosso amor A nossa colcha de cama, a nossa toalha de mesa Reproduzidos no bordado A casa, a estrada, a correnteza O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza
Letra e música: Gilberto Gil Intérprete: Celina da Piedade Primeira versão de Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016) Versão original: Gilberto Gil (in LP “Extra”, Warner Bros. Records, 1983, reed. WEA Discos, 1995)
Ela tem a boca torta
[ Os embeiçados ]
Ela tem boca torta nariz grande cabelo mal cortado rói as unhas usa cunhas mas eu estou apaixonado
Ele tem espinhas sardas pontos negros e uma boca exagerada desafina e desatina mas eu estou apaixonada
Ela é ciumenta rabugenta embirrenta e tagarela intriguista e moralista mas eu estou louco por ela
Ele faz cenas gagas altas fitas não tem confiança em mim faz-se caro faz-me trombas mas eu gosto dele assim
Diz-se que o amor é cego deforma tudo a seu jeito mas eu acho que o amor descobre o lado melhor do que parece defeito
Porque eu gosto gosto dele e ela gosta gosta de gostar de mim
Letra: Regina Guimarães Música: Hélder Gonçalves Intérprete: Clã
Em tenra laranjeira
[ Fado Laranjeira ]
Em tenra laranjeira, ainda pequenina, Onde poisava o melro ao declinar do dia, Depois de te beijar a boca purpurina, Um nome ali gravei: o teu nome, Maria.
Em volta um coração também com arte e jeito, Ao circundar teu nome a minha mão gravou: Esculpi-lhe uma data e o trabalho feito, Como selo de amor, no tronco lá ficou.
Mas no rugoso tronco eu vejo com saudade O símbolo do amor que em tempos nos uniu: Cadeia de ilusões da nossa mocidade Que o tempo enferrujou e que depois partiu.
E à linda laranjeira, altar pagão do amor, Que tem a cor da esperança, a cor das esmeraldas, Vão as noivas colher as simbólicas flores Para tecer num sonho as virginais grinaldas.
Letra: Júlio César Valente Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado Alexandrino da Laranjeira) Arranjo: Filipe Raposo e Marta Pereira da Costa Intérprete: Marta Pereira da Costa com Camané (in CD “Marta Pereira da Costa”, Marta Pereira da Costa/Parlophone/Warner Music, 2016) Versão original: Alfredo Marceneiro (in LP “Há Festa na Mouraria”, Columbia/VC, 1965, reed. Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; CD “O Melhor de Alfredo Marceneiro: Vol. 2”, EMI-VC, 1993; CD “Alfredo Marceneiro: Biografias do Fado”, EMI-VC, 1997; CD “Alfredo Marceneiro: Perfil”, Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2010)
Esta noite ao acordar
[ Amor para Dar ]
Esta noite ao acordar Saltei o muro p’ra ficar por cá Deixei de ter p’ra ver que ainda há Amor p’ra dar
Esta noite p’la manhã Fechei a porta p’ra poder sair Da cepa torta sem ter p’ra onde ir E ter de andar
Hoje tive a tentação De te dizer que sim e porque não Pedir-te que vás p’ra voltar Fiquei com a convicção Que no amor mais vale ser um na mão Que dois sem amor p’ra dar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
Esta tarde ao clarear Soltei a corda só p’ra me prender Gritei bem alto p’ra te adormecer E acordar
Ontem quando eu regressar Vou dar-te a mão p’ra te deixar partir Dar-te a razão só p’ra te ver sorrir E acreditar
No tempo em que acontecer É bom saber como é bom não saber De nada p’ra não te contar E por falar em querer Gostar de ti e não querer dizer P’ra nem te deixar duvidar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
Ouvi dizer que as lembranças São novas verdades p’ra nos acordar Ouvi contar que as mudanças São novas vontades p’ra nos ajudar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
Letra e música: Sebastião Antunes Arranjo: Gonçalo Pratas Intérprete: Sebastião Antunes* (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017)
Esta vida
[ Não Há Dinheiro ]
Esta vida, como vês, É sempre a ver se chega o fim do mês Mas por muito que eu não queira Acaba sempre da mesma maneira
Falta isto, falta aquilo Eu já nem sei o que é que falta primeiro: Se é o dinheiro que falta Ou a falta que me faz ter o dinheiro
A jorna não dá p’ra nada, E a gente sempre a dizer que tem que dar Já passaram mais uns dias E o dinheiro está outra vez a acabar
Não há dinheiro, não há dinheiro! Andamos nesta conversa o ano inteiro. Não há dinheiro, não há dinheiro! É cada um que se amanhe, Não há dinheiro!
Eu queria falar contigo Mas não sei como é que te hei-de dizer Eu fui sempre teu amigo Não sei se já me estás a perceber
É que a coisa está difícil
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Esta voz com que canto
Esta voz com que canto Vem-me d’alma e o tempo Ensinou-me o encanto Do vento.
É a voz de amor Que vem cá de dentro; É o grito exterior Do pensamento.
O meu amor é todo para ti: Desde que te conheci Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo, O meu sentimento mais profundo.
O meu amor é todo para ti: Desde que te conheci Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo, O meu sentimento mais profundo.
O meu amor é todo para ti: Desde que te conheci Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo, O meu sentimento mais profundo.
[ Um Canto de Mim ]
Letra e música: Daniel Pereira Intérprete: Arrefole (in CD “Veículo Climatizado”, Açor/Emiliano Toste, 2006)
Eu fui, tu foste, ele foi
[ Artes do Futuro ]
Eu fui, tu foste, ele foi Talvez para sempre Como é da nossa humana Condição Levados todos no acre improviso Da loucura
Mas tu, diva esquecida Música que eu faço e me transcendes Sentada na berma do sonho apetecido voltas a despertar do vendaval da espera e regressas ainda hesitante nos meus dedos
E o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
E o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
E o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
Que o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso Versão original: Pedro Barroso (in CD “Artes do Futuro”, Ovação, 2017)
Eu queria unir as pedras desavindas
[ Não Me Mintas ]
Eu queria unir as pedras desavindas escoras do meu mundo movediço aquelas duas pedras perfeitas e lindas das quais eu nasci forte e inteiriço
Eu queria ter amarra nesse cais para quando o mar ameaçar a minha proa e queria vencer todos os vendavais que se erguem quando o diabo se assoa
Tu querias perceber os pássaros Voar como o Jardel sobre os centrais Saber por que dão seda os casulos Mas isso já eram sonhos a mais
Conta-me os teus truques e fintas Será que os Nikes fazem voar Diz-me o que sabes não me mintas ao menos em ti posso confiar
Agora diz-me agora o que aprendeste De tanto saltar muros e fronteiras Olha p’ra mim vê como cresceste Com a força bruta das trepadeiras
Põe aqui a mão e sente o deserto Tão cheio de culpas que não são minhas E ainda que nada à volta bata certo eu juro ganhar o jogo sem espinhas
Tu querias perceber os pássaros Voar como o Jardel sobre os centrais Saber por que dão seda os casulos Mas isso já eram sonhos a mais
Letra: Carlos Tê Música: Rui Veloso Intérprete: Rui Veloso (in filme “Jaime”, de António Pedro Vasconcelos, 1999; CD “O Melhor de Rui Veloso”, EMI-VC, 2000)
Eu toquei o Sol
[ Lencinho Azul ]
Eu toquei o Sol, beijei o luar, Tropecei no céu e caí no chão; Percorri o mundo e fui encontrar À beira do mar o meu coração.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Tudo o que era meu vinha no bornal, Dei-lhe o pão e mel, dei-lhe a minha mão, Um lencinho azul feito em Portugal E os versos de sal da minha canção.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Rainha de mim quando me entreguei, Os braços me abriu num chi-coração; Beijinhos me deu, beijinhos lhe dei: Quantos já nem sei, mais do que um milhão.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Não saí dali, era já manhã, Seus lábios carmim tal qual um tição; De si me prendeu, deu-me uma maçã, Ofereci-lhe o céu, não disse que não.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Letra: José Fanha Música: Fernando Pereira Intérprete: Real Companhia (in CD “Serranias”, Tê, 2013)
Façam roda
[ Conto do Bicho Papão ]
Façam roda, a ver quem vai ao meio! Cada um com o seu par tira a pedrinha! Sirumba, acabei eu primeiro! Ficas tu a tapar, não dá madrinha!
Já ninguém te pergunta quantos queres Já não ouves ninguém contar um-dó-li-tá Afinal qual é o dedo que preferes? Quem está livre, livre está!
Ninguém fala do homem do saco Ninguém espreita por baixo do colchão Já ninguém acredita na Côca Nem no bicho papão
Salta à corda, joga à barra do lenço! Adivinha o que eu penso, dá partida! Falua, quem acerta na malha? Danada da canalha está fugida!
Salta ao eixo a fugir à cabra-cega! Olha o meu pião mas eu não to dou, não! Onde é que anda a viuvinha que não chega E a sardinha a dar na mão?
Ninguém fala do homem do saco Ninguém espreita por baixo do colchão Já ninguém acredita na Côca Nem no bicho papão
Ai se eu pudesse habitar um jogo electrónico Voltava a ser falado, voltava a assustar! Imaginem lá qual não era a sensação De uma ‘app’ com o jogo do regresso do papão!
Ninguém fala do homem do saco Ninguém espreita por baixo do colchão Já ninguém acredita na Côca Nem no bicho papão
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Falei-te
[ Jardim de Poetas ]
Falei-te, Sem querer, de coisas belas Como quem abre janelas P’ra lá do horizonte…
E havia no teu olhar firmamento Para cem vidas por momento Ao sabor de um mar de Inverno
E tu, Sem saber, lá tricotavas Um romance de palavras Sem certezas nem futuro
E tu Sonhavas no areal Com um jardim de poetas Superiores e verticais Que, em rigor, nunca existiu
E tu, Como se fosse há vinte anos, Subiste ao alto das rochas Lá, onde pousam as gaivotas Subiste ao alto das dunas Onde o vento, e só o vento te possuiu
Cresceu-te no peito um mar de prata Como se eu fosse alguma vez exemplo Como se eu fosse, acaso, alguma vez na vida A perfeição
Mas quando te contei coisas de mim Daquelas coisas grandes, que vêm cá de dentro Caíste em ti do sonho e do jardim E fiz-te então, amiga, esta canção
E tu Inda sonhas no areal Com um jardim de poetas Superiores e verticais Que, em rigor, nunca existiu
E tu, Como se fosse há vinte anos, Sobes ao alto das rochas Lá, onde pousam as gaivotas Sobes ao alto das dunas Onde o vento te possuiu
E tu Inda sonhas no areal Com um jardim de poetas Superiores e verticais Que, em rigor, nunca existiu
E tu, Como se fosse há vinte anos, Sobes ao alto das rochas Lá, onde pousam as gaivotas Sobes ao alto das dunas Onde o vento, e só o vento te possuiu
Poema e música: Pedro Barroso (Golegã, Novembro de 2000) Intérprete: Pedro Barroso Versão original: Pedro Barroso (in CD “Crónicas da Violentíssima Ternura”, Lusogram, 2001) Outras versões: Pedro Barroso (in CD “De Viva Voz”, Lusogram, 2002); Pedro Barroso (in DVD “40 Anos de Música e Palavras: 1969-2009”, Ovação, 2009) [>> YouTube]; Pedro Barroso (in DVD “Memória do Futuro: Ao vivo no Rivoli”, Ovação, 2013)
Faz-te mar assim
[ Vals’Ilha ]
Faz-te mar assim, calmo! Abre-me o caminho… Guia o meu batel!
Ouço alguém chamar longe… Pudesse eu sair Para ver Argel!
Quero então dizer-te: Vou p’ra bem distante, Valsa então por mim Aos raios de sol!
Passou tanto tempo Do tempo que invento… Toca-me a saudade.
Canta uma gaivota… Vejo o mar em volta… Dançarei contigo.
Dança esta vals’ilha Aos raios de sol!
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Canções de Amor Pintadas de Amarelo”, Vachier & Associados, 2010)
Fui ver se um dia te achava
[ Não Sei Nada sobre o Amor ]
Fui ver se um dia te achava no largo, na praça Quis dizer-te, contar-te e falar-te e de hoje já não passa Ai, mas quando te vi as palavras fugiram de mim Parei, sentei, tanto espreitei, só me escondia de ti
Esperei que as palavras voltassem e me levassem até ti Ai, mas por que raio espero eu aqui? Foi então que de tanto esperar atrás do largo da praça Decorei o sorriso mais lindo, já só quero é andar p’ra ti
Ai, mas de tanto tremer, fugiu-me o sorriso de mim Querem ver que agora até parece que já nem sei dizer As palavras mais lindas que guardo só por te ver?! Ai, mas querem lá ver que contigo não sei nada sobre o amor!
Que contigo não sei nada sobre o amor! Que contigo não sei nada sobre o amor! Que contigo não sei nada sobre o amor!
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Há já demasiados segredos
[ O Cheiro ]
Há já demasiados segredos nos poros para eu encher a noite de ti mesma.
E um oceano imenso não chega para eu contar todas as arribas deste sal.
A maresia parou, para saber coisas de ti e eu tinha nas mãos apenas as rosas de ontem,
e não sabia nem onde nem como navegar-te.
De longe trouxe a fé que nem eu sabia e deitei-me em teus leitos de alfazema e alecrim. Recolhi quando a noite mansa já amanhecia… E devagar – porque a vida nunca deixa de nos matar um pouco em cada dia – foi no teu regaço que eu adormeci de mim.
E acordei inteiro por sentir o teu cheiro na cama e enrolei-me nos lençóis, mesmo já sem ti de corpo inteiro.
Não quero saber de mais nem tenho que explicar.
É este o cheiro. Eu quero aqui ficar. Eu quero aqui ficar. É este o cheiro.
E acordei inteiro por sentir o teu cheiro na cama e enrolei-me nos lençóis, mesmo já sem ti de corpo inteiro.
Não quero saber de mais nem tenho que explicar.
É este o cheiro. Eu quero aqui ficar. Eu quero aqui ficar. É este o cheiro.
Poema e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso Versão original: Pedro Barroso (in CD “Sensual Idade”, Ovação, 2008) Outras versões: Pedro Barroso (in DVD “40 Anos de Música e Palavras: 1969-2009”, Ovação, 2009)
Há um caminho inseguro
[ Paixão ]
Música: Jorge Fernando Intérprete: Mariza
Há voos de pássaros nos teus olhos
[ Poema para o Meu Amor ]
Há voos de pássaros nos teus olhos castanhos de sereia Batuques africanos no balouçar do teu corpo de gazela E há frutos maduros na tumidez dos teus pequenos seios E promessas loucas na humidade dos teus lábios entreabertos
Há como um tango argentino no desafio da tua cintura estreita Há um doce encanto no urdir das tuas trancinhas de menina E há estranhos sortilégios escondidos nas tuas mãos de fada E há rouxinóis magoados, tão magoados de cada vez que cantas
Há ondas de ternura neste teu jeito tão suave E danças peruanas nas tuas ancas pela alba Há calor dos trópicos no aperto dos teus braços tão sinceros E uma paz das ilhas no teu macio leito de princesa
Há druidas, de novo, preparando filtros à sombra de carvalhos E lagos privados onde nadam altivos cisnes brancos E há luas de fajãs que riscam no mar trilhos de prata E nascentes de água que brotam do teu riso cristalino
Letra e música: Aníbal Raposo (Praia Formosa, 2003-08-22) Intérprete: Aníbal Raposo Primeira versão discográfica: Aníbal Raposo (in CD “Mar de Capelo”, Açor/Emiliano Toste, 2017)
Hoje o dia foi um dia assim
[ Canção de Nanar ]
Hoje o dia foi um dia assim: Esta sede e vontade de ti. Se eu pudesse amar-te mais, Bem sei que a lua ia dançar também.
Quantas horas faltam p’ra te ver Nesta espera de aprender a ser? Mais um som no tom do teu brilhar, Mais um traço ao sol do teu vibrar.
Vem saber que o que vejo em ti É sal e sopro e luz dentro de mim; E a música da terra e ar Ficam uma só no teu pulsar.
Se ainda não sorris, carmim, Perdoa a minha falta de cetim! Nas palavras que não escrevi Vive o amor que não se escreve.
Se ainda não sorris, carmim, Perdoa a minha falta de cetim! Nas palavras que não escrevi Vive o amor que não se escreve…
Mas está aqui.
Letra e música: Teresa Gentil Intérprete: Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016)
Já pensei dar-te uma flor
[ Adivinha o quanto gosto de ti ]
Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei o que escrever. Sinto as pernas a tremer, quando sorris p’ra mim, quando deixo de te ver. Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como hei-de te contar. Até já fiz um avião, com um papel azul, mas voou da minha mão. Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
Quantas vezes eu parei à tua porta. Quantas vezes nem olhaste para mim. Quantas vezes eu pedi que adivinhasses. Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
Quantas vezes eu parei à tua porta. Quantas vezes nem olhaste para mim. Quantas vezes eu pedi que adivinhasses. Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
André Sardet
Lá na festa da aldeia
Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira, Convidaste-me a dançar: Tamanha era a borracheira Que no adro da igreja Nos chegámos a casar.
No nariz, sinal de perigo, Quem dorme contigo Má sorte vai enfrentar: Mas na festa da aldeia, Com as vizinhas na soleira, Eu fui-me enamorar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.
Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira, A saia sempre a rodar: A tua mão que se esgueira Debaixo da pregadeira… Eu vermelha, a corar.
No banco, dívidas, assombros; Fiado não vais em ombros; Fim do mês, falta-te o ar; Debaixo da cameleira Foi grande a ciumeira, Começámos a namorar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.
Mas na festa da aldeia, Tu de mão na algibeira, Nós chegámos a casar: Porque na festa da aldeia Debaixo da cameleira Tu puseste-me a dançar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.
Letra: Filipa Martins Música: Rogério Charraz Arranjo: João Balão Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Lindos olhos tem Silvina
[ Ai Silvina, Silvininha ]
Lindos olhos tem Silvina, lindas mãos Silvina tem, e a cintura da Silvina é fina como o azevém.
Em Silvina tudo exala um cheiro de coisa fina, mas o que a nada se iguala é a fala da Silvina.
— Porque não cantas, Silvina? Se a tua voz é tão doce talvez cantada que fosse mais doce que a glicerina.
— Não me apetece cantar e muito menos p’ra ti. Eu sou nova, tu és velho, já não és homem p’ra mim.
— Não me tentes, Silvininha, que eu já nem te olho a direito. Sou como um ladrão escondido na azinhaga do teu peito.
— A azinhaga do meu peito corre entre duas colinas. E o ladrão do meu amor tem pé leve e pernas finas.
— Canta, canta, Silvininha, como se fosse p’ra mim. Dar-te-ei um lençol de estrelas e uma enxerga de alecrim.
— Deixa o teu corpo estendido à terra que o há-de comer. A tua cama é de pinho, teus lençóis de entristecer.
— Canta, canta, Silvininha, uma canção só p’ra mim. Dar-te-ei um escorpião de oiro e um aguilhão de marfim.
— Não quero o teu escorpião, nem de oiro nem de prata. Quero o meu amor trigueiro que é firme e não se desata.
— Pois não cantes, Silvininha, se essa é a tua vontade. Canto eu, mesmo assim velho, que o cantar não tem idade.
Hás-de ser tu morta e fria, cem anos se passarão, já de ti ninguém se lembra nem de quem te pôs a mão.
Mas sempre há-de haver quem canta os versos desta canção: Ai Silvina, ai Silvininha, Amor do meu coração.
Letra: António Gedeão (adaptado) Música: Alain Oulman Intérprete: Camané (in 2CD “Camané: O Melhor 1995-2013 (Edição Especial)”: CD 1, EMI, 2013) Versão original (música de José Barros): José Barros e Navegante com Verónica (in CD “Rimances”, JBN, 2001) Outra versão de José Barros e Navegante, com Isabel Silvestre (in DVD “Cantares do Povo Português”, Ocarina, 2012)
Menina das tranças negras
[ Os Olhos com que Eu te Vejo ]
Menina das tranças negras Levanta a cara bonita Que se o caminho tem pedras A esperança é infinita Menina das tranças negras Ai ai, larai, lai ai
Menina dos meus encantos Princesa do meu destino Os meus anseios são tantos Que o meu fado é um desatino Menina dos meus encantos Ai ai, larai, lai ai
Mal-me-quer ou bem-me-quer Muito, pouco ou nada Eu só quero tudo O que o amor quiser Diga o mundo o que disser Muito, pouco ou nada Bem-me-queres tudo Nada mal-me-quer
Senhora dos olhos tristes Objecto do meu desejo Eu sei que nunca te vistes Nos olhos com que eu te vejo Menina dos olhos tristes Ai ai, larai, lai ai
Mal-me-quer ou bem-me-quer Muito, pouco ou nada Eu só quero tudo O que o amor quiser Diga o mundo o que disser Muito, pouco ou nada Bem-me-queres tudo Nada mal-me-quer Menina dos olhos tristes Ai ai, larai, larai, lai ai
Mal-me-quer ou bem-me-quer Muito, pouco ou nada Eu só quero tudo O que o amor quiser Diga o mundo o que disser Muito, pouco ou nada Bem-me-queres tudo Nada mal-me-quer
Letra: J.J. Galvão (José João Oliveira Galvão) Música: Rui Filipe Reis Intérprete: Rosa Negra (in CD “Fado Mutante”, iPlay, 2011)
Meu amor disse que eu tinha
[ Cantiga de Seguir ]
Meu amor disse que eu tinha Uns olhos como gaivotas E uma boca onde começa O mar de todas as rotas.
O mundo dá tanta volta; Quem dera que fora assim E que, numa dessas voltas, Tu viesses para mim.
Sei que ele um dia virá, Assim muito de repente, Como se o mar e o vento Nascessem dentro da gente.
Letra: Manuel Alegre (1.ª e 3.ª quadras) e Francisco Menano Música: Ricardo Ribeiro e Pedro Caldeira Cabral Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Largo da Memória”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013)
Meu Amor Eterno
Meu Amor Eterno, Doce verde olhar, Ilumina o meu caminho! Acompanha o meu andar!
Meu Amor Eterno, Mãos de acarinhar, Segura no teu menino! Ajuda-me a continuar!
Meu Amor Eterno, Fada do meu lar, Alimenta-me a saudade! Sacia o meu paladar!
Meu Amor Eterno, Cordão de umbilicar, Relembra-me do teu cheiro! Não me deixes de cantar! [bis]
Ema te fez, Deus te criou, Paulo te abriu, José completou.
“Morrer por morrer!”, Disseste-o assim; Da tua coragem Tiveste-me a mim.
Meu Amor Eterno, Cordão de umbilicar, Relembra-me do teu cheiro! Não me deixes de cantar! [3x]
Letra: Rogério Charraz (dedicada à sua Mãe) Música: Rogério Charraz e Júlio Resende Arranjo: Júlio Resende Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Meu amor, meu amor
[ Ó Meu Amor ]
Meu amor, meu amor, Se tu fores, Leva meu ser! Meu ser, amor!
Ó meu amor, se tu fores, Leva-me, podendo ser! Eu quero ir acabar Onde tu fores morrer.
Eu hei-de morrer cantando, Já que chorando nasci, Já que as glórias deste mundo Se acabaram p’ra mim.
Letra e música: Tradicional (Fundão, Beira Baixa) Arranjo: José Manuel David Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015) Primeira versão: Brigada Victor Jara – “Tosquia” (in LP “Monte Formoso”, MBP, 1989, reed. Farol Música, 1996; Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: CD “Monte Formoso”, Tradisom, 2015)
Brigada Victor Jara, Monte Formoso
Na Rua dos Meus Ciúmes
Na rua dos meus ciúmes, Onde eu morei e tu moras, Vi-te passar fora de horas Com a tua nova paixão; De mim não esperes queixumes Quer seja desta ou daquela, Pois sinto só pena dela E até lhe dou meu perdão… Na rua dos meus ciúmes Deixei o meu coração.
Inda que me custe a vida, Pensarei com ar sereno Que esse teu ombro moreno Beijos de amor vão queimar; Saudades são fé perdida, São folhas mortas ao vento Que eu piso sem um lamento Na tua rua, ao passar… Inda que me custe a vida, Não hás-de ver-me chorar.
Na rua dos meus ciúmes Deixei o meu coração.
Letra: Nelson de Barros (para a revista “A Vida É Bela”, 1960, Teatro Capitólio) Música: Frederico Valério Intérprete: Rua da Lua (in CD “Rua da Lua”, Rua da Lua, 2016) Versão original: Helena Tavares (in EP “Rua dos Meus Ciúmes”, Alvorada, 1960; CD “Helena Tavares”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 7, Movieplay, 1994; CD “Helena Tavares”, col. Clássicos da Renascença, vol. 51, Movieplay, 2000)
Nas coisas do amor
[ Quando a Lua Voltar a Passar ]
Nas coisas do amor É melhor nem entender Não é fácil perceber O que o amor tem p’ra dar ou não E pode ser duro É deixar acontecer
Malmequer de bem-querer Ninguém pode adivinhar Eu sei que não Nem precisa de razão Não é bem um sim ou não É uma carta bem fechada
Não há-de ser nada Vai passar e tu nem vês É levar a vida Um dia de cada vez E se calhar tu já nem te vais lembrar E vai ser já quando a Lua voltar a passar
Vou acreditar que amanhã vai ser melhor Eu conheço até de cor O que o amor vai fazer talvez nem sei Ainda bem que acreditei Não faz mal se eu arrisquei E fui bater à porta errada
Não há-de ser nada Vai passar e tu nem vês É levar a vida Um dia de cada vez E se calhar tu já nem te vais lembrar E vai ser já quando a Lua voltar a passar
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* Primeira gravação discográfica: Sebastião Antunes & Quadrilha com Rubi Machado & Rão Kyao (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Rubi Machado
Não encontro o teu perfume
[ À Procura de um Perfume ]
Não encontro o teu perfume Em jardim algum… Vou plantá-lo aqui mesmo ao lado, Juntinho a mim!
Não entendo o caminho Que chega ao pé de ti… Só sei que um tal destino Far-me-á chegar aí.
Caminhando vago, Na rua aqui ao lado, Encontrei-te enfim!
Aproximei-me de ti… “Não adies mais o destino!”, Pensei eu cá só p’ra mim.
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Canções de Amor Pintadas de Amarelo”, Vachier & Associados, 2010)
Não sei por que razão
[ Não Rias ]
Não sei por que razão te quero tanto E é louco por ti meu coração; Não sei por que razão este meu pranto Só riso te provoca, sem razão.
Não rias, meu amor, Da minha grande dor! Não rias, por favor, do meu sofrer! Tem cuidado comigo: Talvez p’ra teu castigo A sorte à minha porta vá bater.
Podes passar na vida sem cuidados E fazer juras a mentir; Mas olha, meu amor, estás enganada: A vida não é só levada a rir.
Não rias, meu amor, Da minha grande dor! Não rias, por favor, do meu sofrer! Tem cuidado comigo: Talvez p’ra teu castigo A sorte à minha porta vá bater.
Não rias, meu amor, Da minha grande dor! Não rias, por favor, do meu sofrer! Tem cuidado comigo: Talvez p’ra teu castigo A sorte à minha porta vá bater.
Letra: Ivete Pessoa Música: Armando Machado (Fado Tertúlia) Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Largo da Memória”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013) Versão original: Ivete Pessoa [?]
Não te ver nos meus braços
[ Beijo ]
Não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços, meu amor, Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Mas as marés do teu jeito Essas marés do teu beijo Que me agitam o peito Que me habitam o leito Só me desfazem o peito Com esse teu beijo perfeito
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Despi o corpo do teu cheiro Lavei a pele do teu beijo
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Nos teus braços
Intérprete: Cuca Roseta
Nunca Marta pressentiu
[ Marta Encruzilhada ]
Nunca Marta pressentiu A reboque bem sentada Que o trilho que faz um desvio Fosse dar à sua estrada
Nunca o sol a torriscou Nunca à chuva foi molhada Nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente Não se faz vida do nada Não se faz do nada gente
E não se faz do nada gente
E nesse trilho com desvio O seu reboque não passava E nunca antes Marta sentiu E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o sol a torriscou E nunca à chuva foi molhada E nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente E não se faz vida do nada E não se faz do nada gente
E não se faz do nada gente E não se faz…
E nunca o sol a torriscou Nunca à chuva foi molhada Nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente E não se faz vida do nada E não se faz do nada gente
E nunca o sol a torriscou Nunca à chuva foi molhada Nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente Não se faz vida do nada E não se faz do nada gente
Letra e música: Luís Pucarinho Intérprete: Luís Pucarinho* (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)
Oh meu amor
[ Um Anjo em Meu Lugar ]
Oh meu amor… tu não vás Que se tu fores já não há Nem rosas no meu jardim Nem sonhos dentro de mim
Ai! Minha dor não tem fim Se o desamor for sempre assim Por cada dia esperar Até o Sol se apagar
Olha, olha o meu olhar E nele hás-de ver Que eu só canto este fado Para não esquecer
E se uma noite sem luar A tua fé quebrar Espera um pouco que há-de vir Um anjo em meu lugar
Amor, amor divino Vai, vai em liberdade Que o teu breve destino É ir com a saudade
Olha, olha o meu olhar E nele hás-de ver Que eu só canto este fado Para não esquecer
Letra: J.J. Galvão (José João Oliveira Galvão) Música: Rui Filipe Reis Intérprete: Rosa Negra com Cramol (in CD “Fado Mutante”, iPlay, 2011)
Olha, basta uma nota
[ Basta Um Sorriso ]
Olha, basta uma nota P’ra dizer que te quero Um compasso sem tempo P’ra ver o que ainda espero Sabendo eu que não vens Sabendo tu que não me tens
Olha, trago uma ferida A queimar nos meus lábios Um pedaço sem cor Uma ferida aberta Um gosto imenso de ti Vais dizendo que não queres Vais fugindo de manhã E vais mentindo ao dizer…: São precisas duas mãos Para se agarrar um coração
Olha, basta uma nota P’ra dizer que te quero Um compasso sem tempo P’ra ver o que ainda espero Sabendo eu que não vens Sabendo tu que não me tens
Diz-me: porque me olhas assim Quando os corpos não se encontram Porque choras assim Se o teu corpo só reclama de paixão Vais dizendo que não queres Vais fugindo de manhã E vais mentindo ao dizer…: Basta um sorriso para não dizer adeus Meu amor, basta um sorriso para não dizer adeus [bis]
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Pedes-me o respeito
[ Tenho Tanto p’ra te Dar ]
Pedes-me o respeito E eu dou Pedes-me a coragem E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Pedes-me a confiança E eu dou Pedes-me a esperança E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Tenho tanto p’ra te dar No meu canto de amar Terei sempre na minha voz A memória do grande que somos nós
Pedes-me a vontade E eu dou Pedes-me a unidade E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Pedes-me a alegria E eu dou Pedes-me a harmonia E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Tenho tanto p’ra te dar No meu canto de amar Terei sempre na minha voz A memória do grande que somos nós
Pedes-me a paciência E eu dou Pedes-me a consciência E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Letra e música: Luís Galrito Intérprete: Luís Galrito* com Dino d’ Santiago (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)
Pelo fim da tarde
[ Nem Sequer Dei Por Isso ]
Pelo fim da tarde tu sais do emprego E eu não sei porque é que aqui vim parar É assim um desassossego Tento ir sempre onde possas estar
Por sorte tu até sorris E nem sequer me vens com muitos ‘porquês’ E dizes com um certo ar feliz: “Com que então, por aqui outra vez?”
Num parque ao domingo P’lo meio da cidade Ou num café ao entardecer
Será que é mentira? Será que é verdade? Mas o que é que me está acontecer?
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Ao virar da esquina, em qualquer transporte Acabamos sempre por nos cruzar E eu acho um caso de sorte Cada vez que te posso encontrar
Está-me a correr bem, já ganhei o dia Só porque me dissestes um “olá!” E gosto da tua ironia Se perguntas mais uma vez: “Por cá?”
Mensagem trocada, gesto embaraçado Lá vou eu outra vez a planar Desculpa, desculpa! Foi número errado Mas ficamos uma hora a falar
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Tanto melhor quando não se espera E era bom que fosse como imaginei
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* (ao vivo no Estúdio 3 da Rádio e Televisão de Portugal, Lisboa) Versão original: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Por não te ver nos meus braços
[ Beijo ]
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços, meu amor, Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Mas as marés do teu jeito Essas marés do teu beijo Que me agitam o peito Que me habitam o leito Só me desfazem o peito Com esse teu beijo perfeito
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Despi o corpo do teu cheiro Lavei a pele do teu beijo
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Por que voltas de que lei
Letra: Amália Rodrigues Música: Mário Pacheco Intérprete: Maria Ana Bobone
Porque sou o cavaleiro andante
[ Cavaleiro andante ]
Porque sou o cavaleiro andante Que mora no teu livro de aventuras Podes vir chorar no meu peito As mágoas e as desventuras
Sempre que o vento te ralhe E a chuva de maio te molhe Sempre que o teu barco encalhe E a vida passe e não te olhe
Porque sou o cavaleiro andante Que o teu velho medo inventou Podes vir chorar no meu peito Pois sabes sempre onde estou
Sempre que a rádio diga Que a América roubou a lua Ou que um louco te persiga E te chame nomes na rua
Porque sou o que chega e conta Mentiras que te fazem feliz E tu vibras com histórias De viagens que eu nunca fiz
Podes vir chorar no meu peito Longe de tudo o que é mau Que eu vou estar sempre ao teu lado No meu cavalo de pau
Porque teimas nesta dor
Letra: José Luís Gordo Música: Carlos Gomes Intérprete: Ana Moura
Que bom dar-te a mão
[ Balada para o Meu Amor ]
Que bom dar-te a mão e juntos para crer fazer o coração e a senda de viver no perdão e no amor E ao ver-te chegar com sonhos p’ra me dar de calma e silêncio vindo que seja bem-vindo o meu amor
Existe e ficou aqui encostado ao meu ombro Prometeu cuidar de mim O meu amor está sempre do meu lado quando a vida atira e queima e na luta saio magoado
Porta que teima abriu do paraíso um ser sorriu e a Eva no jardim resiste à culpa do pecado que não existe Trouxe a luz e eis que ensina que há um braço que segura na água mole na pedra dura no bem e no mal o amor perdura
Existe e ficou aqui encostado ao meu ombro Prometeu cuidar de mim O meu amor está sempre do meu lado quando a vida atira e queima e na luta saio magoado
Letra e música: Luís Galrito Intérprete: Luís Galrito (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)
Rasga esses versos
[ Os Meus Versos ]
Rasga esses versos que eu te fiz, Amor! Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento, Que a cinza os cubra, que os arraste o vento, Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor, Que volte ao nada o nada de um momento! Julguei-me grande pelo sentimento, E pelo orgulho ainda sou maior!…
Tanto verso já disse o que eu sonhei! Tantos penaram já o que eu penei! Asas que passam, todo o mundo as sente…
Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida! Como se um grande amor cá nesta vida Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…
Poema: Florbela Espanca (in Reliquiae, 1934) Música: Paulo Valentim Intérprete: Kátia Guerreiro (in CD “Nas Mãos do Fado”, Ocarina, 2003)
Roubei-te um beijo
Roubei-te um beijo, Não querias dar; Estou muito triste, Mas por ti não vou chorar.
Não vou chorar, Não vou sofrer; Estou muito triste, Mas por ti não vou morrer.
Estou d’abalada, Vou para terras de Espanha; Tu não me queres, Aqui mais ninguém me apanha.
Ninguém me apanha, Já cá não está quem sofria; Meu lindo Amor, Tu hás-de chorar um dia.
Tristes lamúrias Do rouxinol Enchem minh’alma Do nascer ao pôr-do-sol.
Ao pôr-do-sol, À luz da lua, Não há no mundo Cara mais linda que a tua.
Estou d’abalada, Vou para terras de Espanha; Tu não me queres, Aqui mais ninguém me apanha.
Ninguém me apanha, Já cá não está quem sofria; Meu lindo Amor, Tu hás-de chorar um dia.
Roubei-te um beijo, Foi por paixão; Vê lá, não digas a ninguém Que eu sou ladrão!
Que eu sou ladrão Apaixonado! Meu lindo amor, Quero viver a teu lado!
Estou d’abalada, Vou para terras de Espanha; Tu não me queres, Aqui mais ninguém me apanha.
Ninguém me apanha, Já cá não está quem sofria; Meu lindo Amor, Tu hás-de chorar um dia.
Letra e música: Armando Torrão Intérprete: Celina da Piedade (in 2CD “Em Casa”: CD 2, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)
Celina da Piedade, Roubei-te um beijo
Sem ser ainda
[ Portal dos Ventos ]
Sem ser ainda Um mal que finda, Portal dos Ventos De um outro… Amor!
Marés que passam, Luas que mudam, E os dias correm Ao teu… Sabor!
E se o silêncio Navega calmo, Mais calmo fica O teu… Calor!
À luz de agora Aquece a alma, E o Vento aperta O teu… Sabor!
Sei que os teus medos São raios de seda, E que os segredos Não há quem os traga…
Mas, os teus olhos Não fogem dos meus, Cantam segredos À luz de um amor…
De um amor…
Sem ser ainda… E se o silêncio… Sei que os teus medos…
Sei que os teus medos São raios de seda, E que os segredos Não há quem os traga…
Mas, os teus olhos Não fogem dos meus, Cantam segredos À luz de um amor…
De um amor…
Letra: José Flávio Martins Música: António Pedro Intérprete: Musicalbi Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)
Musicalbi, Solidão e Xisto
Subir, Subir
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Mensageiros de Cupido Eu ando deprimido Intercedei por mim ao vosso Deus! Estou de amores com uma catraia Que p’ra subir a saia Exige grandes sacrifícios meus
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Levantei velas à barca Mas a brisa era parca Nem deu para agitar o meu corcel Assim nunca mais te chego A ter no aconchego Tirar-te dessa ilha de papel
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Fiz consulta a feiticeiros E santos padroeiros Deixei bruxeiros de cabeça à toa Findei o consultamento E como rendimento Saíram-me (imaginem!) os Gaiteiros de Lisboa
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Letra e música: Mário Alves (Vozes da Rádio) Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão discográfica ao vivo dos Gaiteiros de Lisboa, com Vozes da Rádio (in 2CD “Dançachamas: Ao Vivo”: CD 1, Farol Música, 2000) Versão original: Vozes da Rádio com Gaiteiros de Lisboa (in CD “Mappa do Coração”, Ariola/BMG Portugal, 1997)
Sábado à noite
[ Primavera ]
Sábado à noite não sou tão só Somente só A sós contigo assim E sei dos teus erros Os meus e os teus Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida Um passo atrás Quis-me capaz Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for Fui inventor Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui Lá fora só menti Eu já fui de cool por aí Somente só, só minto só Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti Mesmo assim, quero ver te sorrir… E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três Se quiser ser feliz…
Se há tulipas No teu jardim Serei o chão e a água que da chuva cai Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor Meu amor eu sou tudo aqui…
Sábado à noite não sou tão só Somente só A sós contigo assim Não sou tão só, somente só
Intérprete: The Gift
Tenho uma rosa p’ra ti
[ Tangerina dos Algarves ]
Tenho uma rosa p’ra ti Tenho uma rosa encarnada Tenho uma rosa no mar Tenho uma rosa molhada Circula a noite no tempo sobre as nossas gargalhadas Tenho uma rosa p’ra ti Tenho uma rosa encarnada
Vou sonhar com o teu olhar oceano de água e mar
Vou fugir com o teu olhar oceano de água e mar sobre o mistério
Vou fugir com o teu olhar oceano de água e mar sobre o mistério
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Anda o Sol por trás da serra Há cheiro a funcho queimado E este abanão duma vaga que chega sem avisar
Vinho rubro a navegar por segredos do Universo Desfolho a rosa no rio p’ra te oferecer com um verso
Vou sentir o teu sabor oceano de água e mar
Vou sentir com o teu sabor oceano de água e flor de tangerina
Vou sentir com o teu sabor oceano de água e flor de tangerina
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Letra e música: João Afonso Lima Intérprete: João Afonso (in CD “Barco Voador”, Mercury/Universal Music Portugal, 1999; CD “João Afonso: A Arte e a Música”, Universal Music Portugal, 2004)
Trago um jardim no sentido
[ Jardim dos Sentidos ]
Trago um jardim no sentido, Por ter sentido o que sinto: Amor que não faz sentido Num coração louco e faminto.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Coração louco e faminto, Rosa que tenho sentido; Jardim que anda perdido, Por ter sentido o que sinto.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Por ter sentido o que sinto, Amor que não faz sentido Jardim que anda perdido, Trago um jardim no sentido.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Trago um jardim no sentido…
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre com António Zambujo (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre, com António Zambujo (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Tu e eu meu amor
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Nua a mão que segura outra mão que lhe é dada nua a suave ternura na face apaixonada nua a estrela mais pura nos olhos da amada nua a ânsia insegura de uma boca beijada.
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Nu o riso e o prazer como é nua a sentida lágrima a correr na face dolorida nu o corpo do ser na hora prometida meu amor que ao nascer nus viemos à vida.
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Nua nua a verdade tão forte no criar adulta humanidade nu o querer e o lutar dia a dia pelo que há-de os homens libertar amor que a eternidade é ser livre e amar.
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Poema: Manuel da Fonseca (De “Poemas Inéditos”, in “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 179-180) Música: Paulo Ribeiro Intérprete: Paulo Ribeiro com Ana Lúcia Magalhães (in CD “O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis”, Açor/Emiliano Toste, 2017)
Paulo Ribeiro
Vem
Vem no vento que envolve a montanha E lhe esculpe grutas e segredos Que a cinge e a estreita nas fragas Vem nas silvas que rasgam os dedos
Como a rocha que na costa aguarda A tal onda que explode ao morrer Chicoteando do mar os penhascos Por mais ásperos que pareçam ser
Vem cantando na verde campina Terra-mãe de onde nasce o pão Ondulante seara menina Como as crinas dos cavalos que vão
Como criança pela mão do avô Vai para a escola no dia primeiro Passo a passo alcançar o futuro Destrinçar o saber verdadeiro
Vem nos braços da rua a cidade Se for praça de causas perfeitas E o coração te falar mais verdade Que as palavras dos outros, tão estreitas
Vem-me aos braços, que eu não me envergonho Planta o mundo todo qu’inda houver Traz a alma, que eu trago o meu sonho E o espanto pode acontecer
Letra e música: Pedro Barroso («Dedicado à minha neta Constança, em nome do Futuro») Intérprete: Pedro Barroso* Versão original: Pedro Barroso (in CD “Artes do Futuro”, Ovação, 2017)
Vem, quero beijar-te o corpo
[ Profano ]
Vem, quero beijar-te o corpo Quero provar-te o gosto Quero rasgar-te a pele Soltar-te o corpo em mim
Que te faço tão profano Soldado do meu ventre Que emudece à minha frente As regras deste amor
Vem pedir-me a preceito Que te possua em desejo Que te consuma nesse leito E desse jeito que é teu
Quando me devoras os sentidos E me pedes aos ouvidos Que te amarra, te prenda, Te bata, te faça assim mulher vulgar
Vem beijar este meu corpo Vem provar deste meu gosto Vem rasgar esta pele E soltar-me o corpo em ti
Que me faço tão profana Desejo desse teu corpo Que emudece à tua frente As regras deste amor
Quero pedir-te a preceito Que me consumas em desejo Que me consumas nesse leito E desse jeito que é teu
Que me devoras os sentidos Quero pedir-te aos ouvidos Que me amarres, me prendas, Me batas, me faças assim mulher vulgar
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor* (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Vi-te dum vermelho antigo
[ A Minha Cor (Vermelho Antigo) ]
Vi-te dum vermelho antigo, Trazias a minha cor; Meus olhos foram contigo E alguém disse que era amor.
Cor de sangue aveludado, Cor de seda ou de cetim, Cor de vinho ou de pecado: Foi a cor que viste em mim.
De fadista só me viste Um olhar estranho e sombrio: Não era ardente nem triste, Não era vago nem frio.
Tua voz, cor de cantiga, Espalhava de mãos cheias Um sabor a raça antiga Que salta nas minhas veias.
Fosse sede ou fosse amor, Que importa o que foi, enfim? Trazias a minha cor, Nada mais contou p’ra mim.
Letra: Manuel Andrade Música: Pedro Rodrigues (Fado Pedro Rodrigues de Quadras) Intérprete: Marta Pereira da Costa* com Hélder Moutinho Versão discográfica de Hélder Moutinho (com música de Joaquim Campos – Fado Amora) (in CD “Sete Fados e Alguns Cantos”, Ocarina, 1999) Versão original: João Braga (in EP “Janeiro Proibido”, Aquila, 1968; “Todos os Fados de A a Z: Vol. 12 – Fado Pajem ao Fado Pintadinho”, Movieplay/Visão, 2005; CD “João Braga: Álbum de Recordações”, Alma do Fado/Home Company, 2006)
Volta e meia estou de volta
[ Fado às Voltas ]
Volta e meia estou de volta, volta e meia já não estou; quem me quis à rédea solta foi quem comigo ficou.
Quem, em troca de carinho, quis prender-me o coração ficou a falar sozinho nas voltinhas do Marão.
Quantas voltas dá o mundo P’ra ensinar que a verdade é que a vida é um segundo aos olhos da eternidade?
Vamos lá: é volta e meia cada qual escolhe o seu par! Que eu posso mudar de ideia, antes da volta acabar.
Volta e meia estou de volta, volta e meia já não estou; quem me quis à rédea solta foi quem comigo ficou.
Letra: Tiago Torres da Silva Música: Alberto Costa (Fado Dois Tons) Intérprete: Cristina Nóbrega Versão original: Cristina Nóbrega (in CD “Um Fado para Fred Astaire”, Watch & Listen, 2014)
Cristina Nóbrega
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/05/amor-casal.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:43:482025-06-19 22:09:12Canções de amor