Poemas da canção portuguesa sobre temas religiosos

Penha Garcia

Recordai, fiéis cristãos

[ Encomendação das Almas ]

Recordai, fiéis cristãos, de Jesus
No dia em que estava na cruz!
Aleluia! Aleluia!
Lembrai-vos de quem lá tendes:
Vossas mães e vossos pais!
Aleluia! Aleluia!
E ajudai-os a tirar:
Padre-nosso e uma ave-maria
Seja p’lo amor de Deus!

Letra e música: Tradicional (“Encomendação das Almas” – Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa / “Aleluia!” – Minho)
Informante de “Encomendação das Almas”: Catarina Sargento, vulgo Catarina Chitas ou Ti Chitas (canto)
Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira (1960-63)
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

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Musicalbi

Ai lé

[ Maçadela ]

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Quem tem burro leva o burro,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé.
Ai lé!

Maçadeiras do meu linho,
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Ai lé!

Não olheis para o caminho,
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Letra e música: Tradicional (Vila Maior, São Pedro do Sul, Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)

Ave-Maria sagrada

[ Ave-Maria Fadista ]

Ave-Maria sagrada
Cheia de graça divina
Oração tão pequenina
De uma beleza elevada

Nosso Senhor é convosco
Bendita sois vós, Maria
Nasceu Vosso Filho um dia
Num palheiro humilde e tosco

Entre as mulheres, Bendita
Bendito é o fruto, a luz
Do vosso ventre, Jesus,
Amor e Graça infinita

Santa Maria das Dores
Mãe de Deus, se for pecado
Tocar e cantar o fado
Rogai por nós, pecadores.

Nenhum fadista tem sorte
Rogai por nós, Virgem-Mãe,
Agora, sempre e também
Na hora da nossa morte.

Letra: Gabriel de Oliveira
Música: Francisco Viana (Vianinha)
Intérprete: Margarida Bessa (in CD “Fado”, Movieplay, 1995)
Versão original: Amália Rodrigues (in Single 78 rpm “Ave-Maria Fadista”, Melodia, 1952; CD “O Melhor de Amália”, vol. III, EMI-VC, 2003)

Maria

[ Para Maria ]

Intérprete: Mafalda Arnauth

Ó Pobre Pátria Trigueira

Ó pobre pátria trigueira
dás filhos como dás flores
Nossa Senhora das Dores
a chorar a vida inteira

dás filhos a todo o mundo
como um tronco sem raiz
mãe das mães que perdem tudo
e morrem no seu país

Ó pobre pátria trigueira
mãe da dor e da tristeza
separada pela fronteira
da nossa grande pobreza

com boca que ninguém beija
e a tua mesa vazia
longe de quem te deseja
ai! envelheces dia a dia

Ó pobre pátria trigueira
quando abraçarás teus filhos
que andam pelo mundo perdidos
a chorar a vida inteira?

Lá vão ao sabor das águas
em barquinhos de papel
com o mar à pele das mágoas
e ao sol que lhes cresta a pele

Ó pobre pátria trigueira
mãe da dor e da tristeza
separada pela fronteira
da nossa grande pobreza

com boca que ninguém beija
e a tua mesa vazia
longe de quem te deseja
ai! envelheces dia a dia

com boca que ninguém beija
e a tua mesa vazia
longe de quem te deseja
ai! envelheces dia a dia

Letra e música: Manuel Lima Brummon
Intérprete: Tereza Tarouca (in LP “Portugal Triste”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1980; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994)

Nossa Senhora das Dores

Nossa Senhora das Dores

Senhora do Almortão

Senhora…
Senhora do Almortão,
Senhora do Almortão,
Ó minha linda raiana,
Virai costas!…
Virai costas a Castela!
Virai costas a Castela!
Não queirais ser castelhana.

Senhora…
Senhora do Almortão,
Senhora do Almortão,
A vossa capela cheira…
Cheira a cravos…
Cheira a cravos, cheira a rosas,
Cheira a cravos, cheira a rosas,
Cheira a flor de laranjeira.

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Arranjo: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas com Teresa Campos (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

Senhora do Almortão

Senhora do Almortão

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Ermida

Localizada em Idanha-a-Nova, a Ermida de Nossa Senhora do Almortão tem um estilo simples e harmonioso. Em 1229 D. Sancho II, no foral dado a Idanha-a-Velha mencionava a Santcam Mariam Almortam, quando demarcava os limites da Egitania. A capela-mor e o altar são revestidos de azulejos do sec. XVIII. O alpendre é formado por três arcos de granito.

Esta capela foi construída porque, como diz a lenda, um dia de madrugada uns pastores atravessavam o campo pelo sítio “Agua Murta” e notaram que havia algo de estranho por traz das murteiras grandes. Aproximaram-se e viram uma linda imagem da Virgem. Ficaram parados de joelhos a rezar, mas depois resolveram levar a imagem para a Igreja de Monsanto. Mas ela desapareceu e foi encontrada outra vez no mesmo lugar da aparição no murtão. Respeitando a vontade da Senhora, os habitantes da vila construíram a capela.

A romaria da Senhora do Almortão realiza-se todos os anos, 15 dias depois da Páscoa. Após a missa faz-se a tradicional procissão. Após as cerimónias segue-se o almoço, convívio entre famílias e amigos. Então o povo canta as várias quadras à Senhora entre elas estas que dizem os historiadores que traduzia o sentimento das pessoas em serem libertadas do domínio dos espanhóis.

Fonte: O Guia da Cidade

Senhora do Castelo

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Não fiz tudo aquilo que pediste
Desde o dia em que tu me viste?
Porque mereço eu tal castigo?
Onde é que eu fui tão mal contigo?

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Lá de cima do Castelo,
Prometi-me um futuro belo:
Alfazema e rosmaninho à beira,
Oliveira e pau de laranjeira.

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

A todos os santos eu rezei,
Mas a nenhum deles me queixei.
Cravo e rosa no mesmo bordado:
Era apenas o desejado.

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Letra e música: António Pedro
Intérprete: Musicalbi
Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)

Musicalbi

Musicalbi

Senhora do Livramento

Senhora do Livramento,
Livrai o meu namorado
Que me vai deixar sozinha
(Ai meu Jesus! ai meu Jesus!)
Pela vida de soldado!

As vossas tranças, Senhora,
São loiras como as espigas!
Senhora do Livramento,
(Ai meu Jesus! ai meu Jesus!)
Protegei as raparigas!

Hei-de bordar a toalha,
Senhora, do vosso altar,
E a camisa do meu noivo
(Ai meu Jesus! ai meu Jesus!)
Quando me for a casar.

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes e Manuel Maio
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Toques do Caramulo, Mexe

Toques do Caramulo, Mexe

Em Canções Regionais Portuguesa (Série X), Fernando Lopes-Graça harmonizou “Senhora do Livramento”.

Senhora do Livramento

[ Senhoras ]

Senhora do Livramento
Que não me sais do pensamento,
Traz à Beira a minha canção
E ouve a minha oração!

Senhora do Almurtão,
Perdoai meu coração
Para que eu por ti ore,
Para que o meu coração chore!

Senhora do Livramento
Que não me sais do pensamento,
Traz à Beira a minha canção
E ouve a minha oração!

Senhora do Almurtão,
Perdoai meu coração
Para que eu por ti ore,
Para que o meu coração chore!

Senhora da Paiágua
Que me tirais toda a mágoa,
Para que eu viva em função
Do que diz meu coração!

Senhora que és da Beira
Eu me debruço na ribeira,
À procura em cada monte
A saudade dessa fronte.

Senhora do Livramento
Que não me sais do pensamento,
Traz à Beira a minha canção
E ouve a minha oração!

Senhora do Almurtão,
Perdoai meu coração
Para que eu por ti ore,
Para que o meu coração chore!

Letra: Valéria Carvalho
Música: António Pedro
Intérprete: Musicalbi
Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)

Musicalbi

Musicalbi

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Senhor Santo Cristo dos Milagres

1º Hino do Senhor Santo Cristo

Santo Cristo! Esperança Divina,
Horizonte de Eterna Vitória.
Quero a vida na Vossa Doutrina
E na morte o Reino da Glória

Santo Cristo, O! Estrela Brilhante,
Ó ! Farol que guiais ao abrigo;
A minh´alma navega errante,
Glória a Cristo na hora do perigo.

Coro

Glória a Cristo no céu e na Terra,
Glória a Cristo no Vinho e no Pão,
Glória a Cristo no Mar e na Serra,
Glória a Cristo no meu coração.

II

Santo Cristo! Essa Chama Celeste,
Que irradia do Vosso Olhar,
É a Paz que ao Mundo trouxeste,
E o Mundo recusa aceitar.

Coro

Santo Cristo! Esperança Bendita!
Do Cristão que Vos ama e adora,
A min’alma vagueia aflita
Glória a Cristo na última hora

Glória a Cristo no céu e na Terra,
Glória a Cristo no Vinho e no Pão,
Glória a Cristo no Mar e na Serra,
Glória a Cristo no meu coração.

Angra, 1 de maio de 1944

Atual Hino do Senhor Santo Cristo

Glória a Cristo, Jesus, glória eterna,
Nosso Rei, nossa firme esperança,
Soberano que os mundos governa
E as nações recebem por herança.

Com o manto e o ceptro irrisório,
Sois de espinhos cruéis coroado,
Rei da dor, uma vez, no Pretório,
Rei de amor, para sempre adorado.

Combatendo, por vossa Bandeira
Que, no peito, trazemos erguida,
Alcançamos a paz verdadeira
E a vitória nas lutas da vida.

Só a vós, com inteira obediência
Serviremos com firme vontade,
Porque em Vós há justiça e clemência
Porque em Vós resplandece a verdade.

Concedei-nos, por graça divina,
Que sejamos um povo de eleitos,
Firmes crentes na Vossa doutrina,
Cumpridores dos Vossos preceitos

José da Costa

O texto do hino, é da autoria do escritor, poeta e professor, José da Costa.

José de Sousa da Costa, nasceu em Ponta Garça, Concelho de Vila Franca do Campo, ilha de S. Miguel, em 19.08.1882, e baptizado em 27.08.1882 na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, Ponta Garça, e faleceu em Ponta Delgada, no dia 10.5.1963.

Após a instrução primária, ingressou no Seminário de Angra, onde frequentou cerca de três anos, e por motivos pessoais, regressou a S. Miguel, onde frequentou o Colégio Sena Freitas em Ponta Delgada, tendo aí completado toda a sua formação Académica e Magistério Primário, tendo exercido funções em diversas localidades na área de Ponta Delgada, Relva, Livramento e S. Roque.

Foi director da Escola Ernesto do Canto, nº 38-42, com direito a residência domiciliária na mesma instalação escolar, “edifício, pertença dos serviços de televisão”.* Poeta e latinista, fundou e dirigiu a revista angrense Arquipélago, surgida em 1931. Professor da instrução primária e um dos intelectuais micaelenses mais eruditos do seu tempo, venerou a língua pátria e o latim, ensinando aos estudantes liceais que o procuravam para explicações. Verteu para o português composições poéticas e hinos latinos, como o Stabat Mater, de Jacopone da Todi, e alguns originais de S. Bernardo. Além do que publicou em livro, havendo dele um número considerável de dispersos na imprensa açoriana. Os seus escritos, revelam ter sido um homem possuído de pensamento e sentido religioso artístico profundo, crente em testemunho de fé, conhecedor consciente da palavra de Deus.

Como cristão crente e orante, dominava os hinos e salmos do saltério, escritos em língua latina. No plano humano e à época, foi uma personagem culta, dotado no campo do saber das artes plásticas, pintor miniaturista na reconstituição de imagens, desenhou os muitos motivos Heráldicos dos Açores, e brasões de famílias nobres e ilustres da ilha de S. Miguel e dos Açores. Na qualidade de professor, foi um pedagogo que soube conjugar as letras e as palavras, onde transmitiu às gerações do tempo, os seus vastos conhecimentos no ensino das línguas clássicas, e de forma especial, o Latim.

Além do que publicou em livro, há dele um número considerável de dispersos na imprensa açoriana, nomeadamente poesia, que cultivou segundo os moldes clássicos da Arte Poética, maioritariamente voltada para assuntos elevados, patrióticos, metafísicos e religiosos, com predomínio da exaltação crística e mariana, como o provam os seus Acordes Místicos (1962) e o póstumo Relicário Poético (1965).

Compôs hinos devotos, com música, colocados à apreciação do músico violinista, Manuel Macedo, entre outros, do maestro Pe. Tomaz Borba, e exercitou ainda a poesia humorística, cujo exemplo está no poema heróico-cómico Saltapíada ou a Casula Negra (1949), o ensaio, o teatro e a arte de pintor miniaturista. Ainda em vida, fez um estudo sobre Maria Madalena, manuscrito este submetido e enviado ao prelado Diocesano para estudo e reflexão, e posteriormente ser enviado à Santa Sé, para a permissão de publicação.

Notas: *

As informações acima citadas, e sobre a sua formação académica, foram verbalizadas pela filha, Maria Angelina Vieira Costa Schandler, aquando da entrevista em 11-05-2016.

Trabalho de investigação de José Manuel Graça Teixeira Gaipo, gentilmente cedido ao Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres

Senhor Santo Cristo dos Milagres

Senhor Santo Cristo dos Milagres

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Festas do Divino Espírito Santo, Ponta Delgada

Ó senhor imperador

[ Espírito Santo ]

Ó senhor imperador
Olhe em que vai pegar
No Divino Espírito Santo
Pra toda a gente beijar.

Aqui chega uma visita
Que já não chega há tanto
Receba com alegria
O Divino Espírito Santo.

Desce à terra Luz Bendita
Vem o teu povo animar
As nossas almas visitam
Nossos passos vêm guiar.

O pão ressuscitado
Abençoe esta família
Novas graças vos dou
Abundantes neste dia.

Pombinha quer voar
Voais tão de repente
Vai ao céu buscar saúde
Para dar a este doente.

O Divino Espírito Santo
É Homem não é menino
Quando anda pelas portas
Parece o Sol Divino.

O Divino Espírito Santo
Vem chegando à ladeira
Os anjinhos a deitar
Rica flor de laranjeira.

Dê-me licença que eu entre
Destas portas para dentro
O Divino Espírito Santo
Visita o Santo Sacramento.

Senhor Padre que diz missa
Vinde já para o altar
O Divino Espírito Santo
Cá está para ajudar.

A pombinha vem molhada
Com três pinguinhas da ribeira
O Divino Espírito Santo
Retratado na bandeira.

A pombinha que voais
Para cima do corredor
Vai encher o seu papinho
À mesa do imperador.

Deitei a esmola na salva
Deitei-a com alegria
O Divino Espírito Santo
Fica em vossa companhia.

Deitei a esmola na salva
Deitei-a com devoção
O Divino Espírito Santo
Fica em nosso coração.

O Divino Espírito Santo
É nosso consolador
Consolai as nossas almas
Quando deste mundo for.

Nossa Senhora está lá dentro
Vestida de azul e branco
À espera de uma visita
Do Divino Espírito Santo.

Ó meu Deus que já é tarde
O sol dá nas campinas
São horas de recolher
Estas Insígnias Divinas.

Festas do Divino Espírito Santo, Ponta Delgada

Festas do Divino Espírito Santo, Ponta Delgada

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Santa Bárbara

Acorda, cristão

[ Encomendação das Almas ]

Acorda, cristão, que és terra!
Lembra-te que hás-de…
Lembra-te que hás-de morrer!
Hás-de dar estreitas contas
Do teu bom e mau…
Do teu bom e mau viver!

Não sei que p’ra ali ouvi
Para os lados do…
Para os lados do Nascente;
Eram as benditas almas,
Estão no fogo…
Estão no fogo ardente.

Acorda, cristão, acorda
Desse sono em…
Desse sono em que estais!
Lembra-te das benditas almas
Que elas clamam…
Que elas clamam e dão ais!

Acorda, cristão, acorda
Desse sono tão…
Desse sono tão profundo!
Lembra-te das benditas almas
Que já estão no…
Que já estão no outro mundo!

Rezemos um padre-nosso
Com uma ave…
Com uma ave-maria!
Seja por o amor de Deus.

Acorda, cristão, acorda!

Letra e música: Tradicional (S. Miguel, Guarda, Beira Alta)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

À porta das almas santas

[ Devoção das Almas ]

À porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora.
As almas responderam:
«— Ó meu Deus, que quereis agora?»
«— Queremos que deixais o mundo;
Vinde já para a Glória!»
Ajoelhemos nós em terra,
Já não somos os primeiros.
Em nossa companhia anda
Jesus Cristo verdadeiro.
Ó Virgem da Piedade,
À devoção nos obriga;
Rezemos às almas santas,
Rezemos com alegria.
Atormenta a dor e dor
Do contínuo padecente.
Assim são as benditas almas
No Purgatório ardente.
Ouvi homens e mulheres
Deste povo auditório,
Dai esmola se pudéreis
Às almas do Purgatório.
Dai esmola se pudéreis,
Se com devoção a dais;
Já lá tendes vossas mães,
Vossos filhos e vossos pais.
Esses bens que possuirdes
Reparti-os em vossa vida;
Lá os achareis na Glória
Quando fordes na partida.
Aqui estamos de joelhos
A rezar a oração:
Ou nos venham dar a esmola
Ou de Deus venha o perdão.

Letra e música: Tradicional (Oliveirinha, Aveiro, Beira Litoral)
Recolha: Michel Giacometti (in LP “Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1970; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 3 – Beiras, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 4 – Beiras, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Ai lá em cima

[ Martírios do Senhor ]

Ai lá em cima ao Calvário
Ai está um craveiro à Cruz;
Ai a água com que se rega
Ai é o sangue de Jesus.

Ai ó almas que tendes sede,
Ai vir ao Calvário a beber!
Ai que estão lá as cinco fontes
Ai todas cinco a correr.

Ai a Senhora chora, chora,
Ai chora que se ouve no adro,
Ai de ver o seu Filho morto,
Ai no caixão amortalhado.

Ai a Senhora chora, chora,
Ai chora que se ouve na rua,
Ai de ver o seu Filho morto,
Ai deitado na sepultura.

Ai a Senhora está de luto
Ai por estas sete semanas,
Ai que lhe morreu o seu Filho,
Ai filho das suas entranhas.

Letra e música: Tradicional (Zebreira, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal* (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Com o Grande Peso da Cruz

Com o grande peso da Cruz
Quis Deus ser enfraquecido;
E com ela aqui caído
Jaz em terra o bom Jesus.

Procuraram levantar
Pela corda Lhe tirando;
Em se Ele levantando
Parece querer expirar.

Glória seja ao Pai!
Glória ao Filho juntamente!
Glória ao Espírito Santo
Que de ambos é procedente!

Letra e música: Tradicional (Proença-a-Velha, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

E à porta das almas santas

[ Encomendação das Almas ]

E à porta das almas santas
Bate Deus a toda a hora,
Deus a toda a hora.

E as almas de lá respondem:
«— E ó meu Deus, que quereis agora?
Meu Deus, agora?»

«— Quero que venhais comigo
Para a minha eterna Glória!
Minha eterna Glória!

P’ra a companhia dos anjos
Mais a Virgem que Me adora!
Virgem que Me adora!»

E acordai se estais dormindo
Nesse sono tão profundo!
Sono tão profundo!

Rezemos um padre-nosso
Às almas do outro mundo!
Do outro mundo!

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Já Apareceu a Aleluia

[ Aleluia da Festa das Rosas ]

Já apareceu a Aleluia.
Quem a achou? Quem a acharia?
Achou-a o senhor vigário
No sacrário de Maria.

Desde a porta da igreja
Até à torre do sino
Vamos dar as boas-festas
Ao sacramento divino!

Desde a porta da igreja
Até à da sacristia
Vamos dar as boas-festas
À Virgem Santa Maria!

Aleluia! Aleluia!
Aleluia! Já é festa.
Alegrai-vos, Mãe de Deus:
Nossa alegria é esta!

Não há Senhora mais linda
Do que é a do Almurtão:
Tem o seu amado Filho
Ao lado do coração.

Eu hei-de ir à festa,
Hei-de lá ficar:
Tenho uma promessa,
Quero-la pagar.
Eu hei-de ir à festa,
Hei-de lá dormir:
Tenho uma promessa,
Quero-la cumprir.

Letra e música: Tradicional (“Aleluia da Festa das Rosas” – Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa / “Já Apareceu a Aleluia” – Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal* (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

* César Prata – voz, guitarra, kalimba, sanfona, hangdrum, ponteiro, adufe, matracas, percussões, shruti box, programações
Sara Vidal – voz, harpa celta, adufe
Arranjos – César Prata e Sara Vidal
Produção musical – César Prata e Sara Vidal
Gravado no estúdio RequeRec, Trancoso, em Novembro de 2017
Gravação, mistura e masterização – César Prata

Já pedem nas almas santas

[ As Excelências da Virgem ]

Já pedem nas almas santas
Que uma excelência lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que duas excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que três excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que quatro excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.

Já pedem nas almas santas
Que cinco excelências lhe havemos de rezar,
À Senhora do Rosário,
Ao seu Santo Saclário.
Saclário já está aberto:
O Senhor saiu fora
Acompanhar uma alma
Que vai p’ra a Glória.
Que vai p’ra a Glória,
Que vai p’ra a Glória,
Que vai p’ra a Glória.

Letra e música: Tradicional (Alcoutim, Algarve)
Recolha: Michel Giacometti (in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Louvado no Sisso

Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo,
Bendita seja a Vossa vinda!
Paixão e morte,
Bendito seja o Vosso sangue
(Que) Por nós derramásteis,
Pelo Vosso santo pé direito!

Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo,
Bendita seja a Vossa vinda!
Paixão e morte,
Bendito seja o Vosso sangue
(Que) Por nós derramásteis,
Pelo Vosso santo pé esquerdo!

Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo,
Bendita seja a Vossa vinda!
Paixão e morte,
Bendito seja o Vosso sangue
(Que) Por nós derramásteis,
Pelo Vosso santo joelho direito!

Louvado no Sisso, meu Senhor Jesus Cristo,
Bendita seja a Vossa vinda!
Paixão e morte,
Bendito seja o Vosso sangue
(Que) Por nós derramásteis,
Pelo Vosso santo joelho esquerdo!

Louvado no Sisso, meu Senhor, Jesus Cristo,
Bendita seja a Vossa vinda!
Paixão e morte,
Bendito seja o Vosso sangue
(Que) Por nós derramásteis,
Pela Vossa santa mão direita!

Louvado no Sisso, meu Senhor, Jesus Cristo,
Bendita seja a Vossa vinda!
Paixão e morte,
Bendito seja o Vosso sangue
(Que) Por nós derramásteis,
Pela Vossa santa mão esquerda!

Estais Senhor fruto
Do ventre sagrado
Da Virgem Puríssima
Santa Maria!

Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal* (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Lua benta

[ Benzedura da Lua ]

Lua benta, por aqui passaste
E a cor de Maria levaste,
E a tua por aqui deixaste,
E a tua por aqui deixaste.

Lua benta, torna a passar!
E a tua cor hás-de levar,
E a de Maria deves deixar.
E a de Maria deves deixar.

Lua benta, por aqui passaste
E a cor de Maria levaste
E a tua por aqui deixaste,
E a tua por aqui deixaste.

Lua benta, torna a passar!
E a tua cor hás-de levar
E a de Maria deves deixar,
E a de Maria deves deixar!

Letra: Oração tradicional
Música: César Prata
Arranjo: César Prata e Vânia Couto
Intérprete: César Prata e Vânia Couto
Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)

Nome de Maria

Nome de Maria,
Que tão lindo é:
Salvai a minh’alma
Que ela Vossa é!

Que ela Vossa é,
Sempre o há-de ser!
Salvai a minh’alma
Quando eu morrer!

Quando eu morrer,
Quando eu acabar
Salvai a minh’alma
Para um bom lugar!

Para um bom lugar,
Dia de Juízo,
Salvai a minh’alma
Para o Paraíso!

Para o Paraíso,
Senhora das Dores,
Rainha dos anjos,
Mãe dos pecadores!

Mãe dos pecadores,
Numa boa hora
Salvai a minh’alma
P’ra o Reino da Glória!

Letra e música: Tradicional (Zebreira, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Ó Virgem dos Altos Céus

[ Dança das Oito Virgens ]

[Dança das oito virgens em honra

de Nossa Senhora dos Altos Céus:]

Ó Virgem dos Altos Céus,
Mãe do meu amparo, bem,
Conservai na vossa graça
Quem aqui visitar-vos vem!

Quem aqui visitar-vos vem
Com silêncio há-de vir;
Nós estamos aos vossos pés
Prontas para vos servir.

Prontas para vos servir
Do íntimo do coração;
Se não estamos purificadas,
Ó Virgem, dai-nos perdão!

Ó Virgem, dai-nos perdão
Ao nosso povo primeiro!
Sois Mãe de Misericórdia,
Perdoai ao mundo inteiro!

Perdoai ao mundo inteiro,
A toda a família em geral!
Fazei que em todo o mundo
Tenham o vosso sinal!

Tenham o vosso sinal;
Mãe da Glória, Imperatriz,
Conservai na vossa graça
Este nosso juiz!

Este nosso juiz
E todo o mundo inteiro;
Conservai na vossa graça
Este nosso tesoureiro!

Este nosso tesoureiro
E todo o fiel cristão;
Conservai na vossa graça
Este nosso escrivão!

Este nosso escrivão
E quem for do nosso partido;
Nós queremos continuar
Com o nosso uso antigo.

Com o nosso uso antigo
Pela graça do Senhor,
Vivam as oito donzelas
E o nosso tocador!

[Dança das oito virgens em honra

de Nossa Senhora dos Altos Céus:]

Ó Virgem dos Altos Céus,
Mãe do meu amparo, bem,
Conservai na vossa graça
Quem aqui visitar-vos vem!

Quem aqui visitar-vos vem
Com silêncio há-de vir;
Nós estamos aos vossos pés
Prontas para vos servir.

Prontas para vos servir
Do íntimo do coração;
Se não estamos purificadas,
Ó Virgem, dai-nos perdão!

Ó Virgem, dai-nos perdão
Ao nosso povo primeiro!
Sóis Mãe de Misericórdia,
Perdoai ao mundo inteiro!

Perdoai ao mundo inteiro,
A toda a família em geral!
Fazei que em todo o mundo
Tenham o vosso sinal!

Tenham o vosso sinal;
Mãe da Glória, Imperatriz,
Conservai na vossa graça
Este nosso juiz!

Este nosso juiz
E todo o mundo inteiro;
Conservai na vossa graça
Este nosso tesoureiro!

Este nosso tesoureiro
E todo o fiel cristão;
Conservai na vossa graça
Este nosso escrivão!

Este nosso escrivão
E quem for do nosso partido;
Nós queremos continuar
Com o nosso uso antigo.

Com o nosso uso antigo
Pela graça do Senhor,
Vivam as oito donzelas
E o nosso tocador!

Letra e música: Tradicional (Lousa, Castelo Branco, Beira Baixa)
Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira / GEFAC
Intérprete: Macadame* (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)

Recordai, nobres senhores

[ Encomendação das Almas ]

— Recordai, nobres senhores,
Nesse sono tão profundo!
— Ouvirás vozes e clamores
Das almas do outro mundo.
— Cristandade tão unida
Ouvindo gritos e ais…
— Lá tem Deus na outra vida
Nossas mães e nossos pais.
— Tenham dó e compaixão
Daquela sentida voz!
— De repente para nós
As almas que em pena estão
Dos nossos pais e avós…
— ‘Tão rogando a vossos pais
Toda a noite e todo o dia;
— ‘Tão postos em agonia
Vendo que lhe não rezais
Sequer uma ave-maria.

— Ó tão tristes pecadores
Ouvindo tristes gemidos…
— Das almas estão em clamores
Dando gritos tão sentidos;
— Gritam contra os seus herdeiros
Pelos bens que lhes deixaram;
— Gritam contra os seus amigos
Que cá deixaram no mundo,
— Pois foi tal o seu descuido
Sendo vivos mas não dizendo,
Dá-me a mão que eu vos ajudo.
— Muito mal faz que(m) (d)esperdiça
Das almas a divação,
— Sendo das almas irmãos
Vamos-lhe ouvir uma missa,
Dou-lhe esta consolação.
— Desta sorte se consolam
As almas dos nossos pais;
— Uma missa que lhe ouvimos
E um pouco que lhe rezais;
— Fazes uma grande esmola
Porque vós nem meia dais.

Letra e música: Tradicional (Monte de Cabaços, Alcoutim, Algarve)
Recolha: Michel Giacometti (“Oração das Almas”, in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; LP “Cantos Religiosos Tradicionais Portugueses”, Philips, 1971; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérpretes: César Prata e Sara Vidal (in CD “Cantos da Quaresma”, Sons Vadios, 2018)

Santa Bárbara bendita

[ Oração a Santa Bárbara ]

Santa Bárbara bendita,
Que no céu estás escrita
Com papel e água benta,
Abrandai esta tormenta!

Que não haja pão, nem vinho,
Nem flor de rosmaninho,
Nem galo que cante,
Nem galinha que cacareje!

Santa Bárbara bendita,
Que no céu estás escrita
Com papel e água benta,
Abrandai esta tormenta!

Que não haja pão, nem vinho,
Nem flor de rosmaninho,
Nem galo que cante,
Nem galinha que cacareje!

Santa Bárbara bendita,
Que no céu estás escrita
Com papel e água benta,
Abrandai esta tormenta!

Santa Bárbara!
Santa Bárbara!
Santa Bárbara!
Santa Bárbara!
Santa Bárbara!

Santa Bárbara bendita,
Que no céu estás escrita
Com papel e água benta,
Abrandai esta tormenta!

Que não haja pão, nem vinho,
Nem flor de rosmaninho,
Nem galo que cante,
Nem galinha que cacareje!

Letra: Oração tradicional
Música: César Prata
Arranjo: César Prata e Vânia Couto
Intérprete: César Prata e Vânia Couto
Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)

Santa Barburinha bendita

[ Bendito e Louvado das Trovoadas ]

— «Santa Barburinha bendita,
Livrai-nos das trovoadas!
Lev’as p’ra bem longe!

Santa Barburinha bendita,
Com um ramo de água benta
Arramai esta tormenta.»

Santa Bárbara pequenina
Se vestiu e se calçou,
Bordão na mão tomou.

— «Onde vais, Santa Barburinha,
Que no céu estais escrita?»
— «Eu vou p’ra bem longe!

Vou correr esta trovoada
Onde não há pão e vinho,
Nem bafo de menino!

Só a serpente e as sete filhas
Bebem leite de maldição
E água de trovão.»

Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira
Intérprete: Segue-me à Capela
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Santo António milagroso

[ Responso a Santo António ]

Santo António milagroso,
Filho de Deus poderoso,
Pelos hábitos que vestiste,
Pelos cordões que existem,
Pelos rosários que rezaste,
Pelos sagrados caminhos andaste,
Com Jesus Cristo te encontraste.
Jesus Cristo vos disse:
— «Beato Santo António, onde vais?»
— «Com Jesus quero ir.»
— «Comigo não virás. Na Terra ficarás.
E as coisinhas perdidas
Todas tu encontrarás.
Não morrerá mulher de parto,
Nem boizinho do arado,
Nem cavalo da estrebaria,
Quem disser esta oração:
Um pai-nosso e ave-maria.

E as coisinhas perdidas
Todas tu encontrarás.
Não morrerá mulher de parto,
Nem boizinho do arado,
Nem cavalo da estrebaria,
Quem disser esta oração:
Um pai-nosso e ave-maria.

Letra: Oração tradicional
Música: César Prata
Arranjo: César Prata e Vânia Couto
Intérprete: César Prata e Vânia Couto
Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)

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Ó meu Menino Jesus

Ó meu Menino Jesus
Dizei-me que Noite é esta.
Hoje é Noite de Natal
E amanhã Dia de Festa.
I
Tocam os sinos em Belém
Vamos todos a correr
Vamos ver o Deus Menino
Que acabou de nascer.
II
Entrai pastorinhos,
Por este portão sagrado,
Vamos ver o Deus Menino
Que está numas palhinhas deitado.
III
Menino Jesus
Ditoso é quem vos ama.
Quem toma amor com Jesus
Não dorme amanhã na cama.
I
Nossa Senhora faz meias,
Com linha feita de luz,
O novelo é lua cheia,
As meias são para Jesus.
II
As meias são para Jesus,
A linha é feita do alto.
Para quem fazia ela as meias
Se Cristo anda descalço?
III
Não chores mais Meu Menino
Que a mãezinha logo vem
Foi lavar os cueirinhos
À fontinha de Belém.114
I
Ó Meu Menino Jesus
Que é dos vossos sapatinhos?
Esqueci-me na ribeira
Onde lavei os pezinhos.
II
Correi pastorinhos
Vamos a Belém
Beijar o Menino
Que a Virgem tem.
I
Vinde já, meu Deus Menino,
Nascer no meu coração,
Tomai dele inteira posse,
Tomai-o na vossa mão.
II
Meia noite já é dada
Prazer santo respiremos
Em honra ao Filho da Virgem
Alegres hinos cantemos.
III
Do varão nasceu a vara
Da vara nasceu a flor,
Da flor nasceu Maria,
De Maria o Redentor.
IV
Pastorinhos do deserto
Correi todos, ide ver
A pobreza da lapinha
Onde Cristo quis nascer.

Tradicional da Madeira

Searinhas da Festa
Searinhas da Festa, Natal na Madeira
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