Senhor Vadio, Cartas de um marinheiro

Como és tão prendada!

[ Assim Como Quem Não Quer ]

Como és tão prendada!
Dá-me um dedinho
Um só para eu provar
De que é feito o carinho,
Assim como quem não quer!

Como és tão docinha!
Deixa me trincar
Essa tenra bochechinha
Que me põe a salivar,
Assim como quem não quer!

Eu não sei, não sei, não
De que padece o coração
Saciada a gula sobra o embaraço,
Assim como quem não quer.

Como és tão prendada!
Dá-me um dedinho
Um só para eu provar
De que é feito o carinho,
Assim como quem não quer!

Como és tão docinha!
Deixa me trincar
Essa tenra bochechinha
Que me põe a salivar,
Assim como quem não quer!

Eu não sei, não sei, não
De que padece o coração
Saciada a gula sobra o embaraço
Assim como quem não quer

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas com João Afonso & Teresa Campos (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

Manuel Maio

Manuel Maio

Dá-me o amanhã!

Dá-me o amanhã!
Dá-mo, que depois de amanhã já cá não estou
Vou na senda dos demais que se perdem

Quero o teu calor
Quero o teu ser, o teu eu, o teu haver
Quero provar-te e beber a tua dor

Quero-te nos braços
Toma-me nos braços!
Quero as lágrimas que choras
Não por mim, mas já que as choras
Quero a pele que elas molham
E os meus lábios as sorvam
Quero o corpo onde moras

Dá-me o amanhã!
Dá-mo, que depois de amanhã já cá não estou
Vou na senda dos demais que se perdem

Quero-te as entranhas
Quero-te por dentro e por fora e já agora
Quero roubar-te os sentidos
Quero-te a ti por inteiro
Quero que unamos destinos
Quero-te a ti por inteiro
Por inteiro

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

A presença das formigas

A presença das formigas

É uma doideira

[ Doideira ]

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

Esta carta que eu te escrevo é a falar da minha afronta
Se calhar, vai cheia de erros mas a intenção é que conta
Eu vou ter de andar escondido até que o destino queira
Por naquele dia teres ido a dar comigo na eira
Eu vou ter que andar a monte, a dormir no meio da palha,
É que se o teu pai me apanha não há santo que me valha

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

Eu já me tinha constado que tu andavas guardada
Mas por também estar tentado fiz que não entendi nada
Cada qual sua vontade, cada vontade um olhado
Ambos quisemos o mesmo: nenhum de nós foi culpado
Espero que tu não me esqueças, nem te posso chegar perto
É que um tiro na cabeça é o que eu tenho mais certo

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)

Sebastião Antunes & Quadrilha

Sebastião Antunes & Quadrilha

Minha fonte de chafurdo

[ Bolinhas de Sabão ]

Minha fonte de chafurdo
Onde eu queria mergulhar
Minhas ânsias e desejos
Minha sede, meu penar
Por te não ter a meu lado
Ao teu lado ficarei
Eu contigo e tu comigo
Tu não sabes, mas eu sei!

Mui asinha gostaria eu
De te dar consolação
Dos fantasmas e demónios
Que te levam pela mão
Mas a vida são dois dias
São dois dias a correr
Antes queria eu, em podendo,
Dar-te um pouco de prazer!

Ai eu não sei, não
Que fazer dos teus intentos
Que fazer das palavras que desfias
São verdades, são mentiras?
São bolinhas de sabão?
Eu confesso que me agrada ver-te assim
Tanta rima p’ra chegar junto de mim
Toma lá! hoje levas um beijinho
Amanhã mais um carinho
Só depois te digo “não”

(Ele vai querer-te p’ra sempre
Vai ter-te juntinho ao seu coração
Vai amar uma ideia
Do que jamais será seu)

És tão bela como a Lua
Mais cheirosa que uma flor
És a minha perdição
És um rio de calor
E se diz que és insossa
Quem já fez por te provar
Boto-te um pouco de sal
P’ra te dar um paladar

Ai eu não sei, não
Que fazer dos teus intentos
Que fazer das palavras que desfias
São verdades, são mentiras?
São bolinhas de sabão?
Eu confesso que me agrada ver-te assim
Tanta rima p’ra chegar junto de mim
Toma lá! hoje levas um beijinho
Amanhã mais um pouquinho
Só depois te digo “não”

(Ele vai querer-te p’ra sempre
Vai ter-te juntinho ao seu coração
Vai amar uma ideia
Do que jamais será seu)

P’ra que fique bem assente
Digo e torno a redizer
Que de todos que te querem
Mais do que eu não pode haver
São o teu porto seguro
As portas do meu coração
Que se agita e bate forte
Toca como um carrilhão!

Ai eu não sei, não
Que fazer dos teus intentos
Que fazer das palavras que desfias
São verdades, são mentiras?
São bolinhas de sabão?
Eu confesso que me agrada ver-te assim
Tanta rima p’ra chegar junto de mim
Toma lá! hoje levas um beijinho
Amanhã mais um carinho
Só depois te digo “não”

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014).

Por onde vais

[ Por Ti, Menina ]

Por onde vais,
Menina do campo,
Lírios colhidos por ti
São outro encanto!

Guarda segredo
Do teu amor,
Não digas nunca
O cais do teu sabor!…

Sete são as saias
De sete cores;
Menina, não saias
Com mais que dois amores!…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Já te ouvi cantar
Ao nascer do dia,
E o sol acordou
Mudo de alegria!

E ao chegar a noite,
No teu mar navega,
Solta-se na eira
E jamais sossega!

Teu olhar, menina,
Com o meu namora:
Veste-se de longe,
Longa é sua demora…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Por onde vais,
Menina do campo,
Lírios colhidos por ti
São outro encanto!

Guarda segredo
Do teu amor,
Não digas nunca
O cais do teu sabor!…

Sete são as saias
De sete cores;
Menina, não saias
Com mais que dois amores!…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Só por ti nasci
Em noite…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Só por ti nasci
Em noite…

Letra e música: José Flávio Martins (“À menina de olhar meigo…”)
Intérprete: Senhor Vadio (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013)
Versão original: Frei Fado d’El Rei (in CD “Encanto da Lua”, Columbia/Sony Música, 1998)

Frei Fado d'El Rei, O Encanto da Lua

Frei Fado d’El Rei, O Encanto da Lua

Pelas tuas tranças

[ Fado das Tranças ]

Pelas tuas tranças
Cor de fogo e de sol-pôr,
Eu luto com lanças
P’ra vencer o meu amor,
P’ra vencer o meu amor.

Ai, no alto do monte,
Ai, no alto do monte,
Ai, te chamarei
Com mil vozes e mil forças!

Com um só grão de areia,
Com um só grão de areia
Levo-te sempre comigo
E teço a minha teia,
E teço a minha teia!…

Nas águas do mar,
Enquanto sigo o meu labor,
Lembro as tuas tranças
E recordo o nosso amor,
Ai, recordo o nosso amor!

Ai, por de ti estar longe
Vivo em sofrimento;
Ai, por de ti estar longe
O meu canto é um lamento.

Lágrimas de dor eu verto,
Lágrimas de dor eu verto,
Pela morte reclamo
Por de ti eu não estar perto,
Por de ti eu não estar perto!…

Ai, por de ti estar longe
Vivo em sofrimento;
Ai, por de ti estar longe
O meu canto é um lamento.

Lágrimas de dor eu verto,
Lágrimas de dor eu verto,
Pela morte reclamo
Por de ti eu não estar perto,
Por de ti eu não estar perto!…

Letra e música: José Flávio Martins
Intérprete: Senhor Vadio (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013)
Versão original: Frei Fado d’El Rei (in CD “Encanto da Lua”, Columbia/Sony Música, 1998)

Senhor Vadio, Cartas de um marinheiro

Senhor Vadio, Cartas de um marinheiro

Se o vento sopra

[ Cantiga ]

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida,
Como um navio sobre o mar.

Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.

Poema: João Cabral do Nascimento (adaptado)
Música: Carla Carvalho, Hélder Costa e Rui Ferreira (Caps)
Arranjo: Xícara e David Leão
Intérprete: Xícara (CD-EP “Xícara”, Xícara, 2011)

Cantiga

João Cabral do Nascimento, in “366 Poemas Que Falam de Amor”, org. Vasco Graça Moura, Lisboa: Quetzal Editores, 2003

Deixa-te estar na minha vida,
Como um navio sobre o mar.

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida,
Como um navio sobre o mar.

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