O poemário do cancioneiro português (incluindo fado, música tradicional e ligeira) pretende fomentar o gosto da poesia como parceira da música e a divulgação dos poetas cuja importância nem sempre é justamente reconhecida. Fontes: Blogue A Nossa Rádio, Álvaro José Ferreira.

Senhor Vadio, Cartas de um marinheiro

Como és tão prendada!

[ Assim Como Quem Não Quer ]

Como és tão prendada!
Dá-me um dedinho
Um só para eu provar
De que é feito o carinho,
Assim como quem não quer!

Como és tão docinha!
Deixa me trincar
Essa tenra bochechinha
Que me põe a salivar,
Assim como quem não quer!

Eu não sei, não sei, não
De que padece o coração
Saciada a gula sobra o embaraço,
Assim como quem não quer.

Como és tão prendada!
Dá-me um dedinho
Um só para eu provar
De que é feito o carinho,
Assim como quem não quer!

Como és tão docinha!
Deixa me trincar
Essa tenra bochechinha
Que me põe a salivar,
Assim como quem não quer!

Eu não sei, não sei, não
De que padece o coração
Saciada a gula sobra o embaraço
Assim como quem não quer

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas com João Afonso & Teresa Campos (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

Manuel Maio

Manuel Maio

Dá-me o amanhã!

Dá-me o amanhã!
Dá-mo, que depois de amanhã já cá não estou
Vou na senda dos demais que se perdem

Quero o teu calor
Quero o teu ser, o teu eu, o teu haver
Quero provar-te e beber a tua dor

Quero-te nos braços
Toma-me nos braços!
Quero as lágrimas que choras
Não por mim, mas já que as choras
Quero a pele que elas molham
E os meus lábios as sorvam
Quero o corpo onde moras

Dá-me o amanhã!
Dá-mo, que depois de amanhã já cá não estou
Vou na senda dos demais que se perdem

Quero-te as entranhas
Quero-te por dentro e por fora e já agora
Quero roubar-te os sentidos
Quero-te a ti por inteiro
Quero que unamos destinos
Quero-te a ti por inteiro
Por inteiro

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

A presença das formigas

A presença das formigas

É uma doideira

[ Doideira ]

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

Esta carta que eu te escrevo é a falar da minha afronta
Se calhar, vai cheia de erros mas a intenção é que conta
Eu vou ter de andar escondido até que o destino queira
Por naquele dia teres ido a dar comigo na eira
Eu vou ter que andar a monte, a dormir no meio da palha,
É que se o teu pai me apanha não há santo que me valha

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

Eu já me tinha constado que tu andavas guardada
Mas por também estar tentado fiz que não entendi nada
Cada qual sua vontade, cada vontade um olhado
Ambos quisemos o mesmo: nenhum de nós foi culpado
Espero que tu não me esqueças, nem te posso chegar perto
É que um tiro na cabeça é o que eu tenho mais certo

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

É uma doideira
Como eu nunca vi
É que eu não faço outra coisa
Senão pensar em ti

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)

Sebastião Antunes & Quadrilha

Sebastião Antunes & Quadrilha

Minha fonte de chafurdo

[ Bolinhas de Sabão ]

Minha fonte de chafurdo
Onde eu queria mergulhar
Minhas ânsias e desejos
Minha sede, meu penar
Por te não ter a meu lado
Ao teu lado ficarei
Eu contigo e tu comigo
Tu não sabes, mas eu sei!

Mui asinha gostaria eu
De te dar consolação
Dos fantasmas e demónios
Que te levam pela mão
Mas a vida são dois dias
São dois dias a correr
Antes queria eu, em podendo,
Dar-te um pouco de prazer!

Ai eu não sei, não
Que fazer dos teus intentos
Que fazer das palavras que desfias
São verdades, são mentiras?
São bolinhas de sabão?
Eu confesso que me agrada ver-te assim
Tanta rima p’ra chegar junto de mim
Toma lá! hoje levas um beijinho
Amanhã mais um carinho
Só depois te digo “não”

(Ele vai querer-te p’ra sempre
Vai ter-te juntinho ao seu coração
Vai amar uma ideia
Do que jamais será seu)

És tão bela como a Lua
Mais cheirosa que uma flor
És a minha perdição
És um rio de calor
E se diz que és insossa
Quem já fez por te provar
Boto-te um pouco de sal
P’ra te dar um paladar

Ai eu não sei, não
Que fazer dos teus intentos
Que fazer das palavras que desfias
São verdades, são mentiras?
São bolinhas de sabão?
Eu confesso que me agrada ver-te assim
Tanta rima p’ra chegar junto de mim
Toma lá! hoje levas um beijinho
Amanhã mais um pouquinho
Só depois te digo “não”

(Ele vai querer-te p’ra sempre
Vai ter-te juntinho ao seu coração
Vai amar uma ideia
Do que jamais será seu)

P’ra que fique bem assente
Digo e torno a redizer
Que de todos que te querem
Mais do que eu não pode haver
São o teu porto seguro
As portas do meu coração
Que se agita e bate forte
Toca como um carrilhão!

Ai eu não sei, não
Que fazer dos teus intentos
Que fazer das palavras que desfias
São verdades, são mentiras?
São bolinhas de sabão?
Eu confesso que me agrada ver-te assim
Tanta rima p’ra chegar junto de mim
Toma lá! hoje levas um beijinho
Amanhã mais um carinho
Só depois te digo “não”

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014).

Por onde vais

[ Por Ti, Menina ]

Por onde vais,
Menina do campo,
Lírios colhidos por ti
São outro encanto!

Guarda segredo
Do teu amor,
Não digas nunca
O cais do teu sabor!…

Sete são as saias
De sete cores;
Menina, não saias
Com mais que dois amores!…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Já te ouvi cantar
Ao nascer do dia,
E o sol acordou
Mudo de alegria!

E ao chegar a noite,
No teu mar navega,
Solta-se na eira
E jamais sossega!

Teu olhar, menina,
Com o meu namora:
Veste-se de longe,
Longa é sua demora…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Por onde vais,
Menina do campo,
Lírios colhidos por ti
São outro encanto!

Guarda segredo
Do teu amor,
Não digas nunca
O cais do teu sabor!…

Sete são as saias
De sete cores;
Menina, não saias
Com mais que dois amores!…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Só por ti nasci
Em noite…

Rios de saudade
Correm sem parar,
Fogem com vontade
De te amar…

Menina, por ti
Breve é minha alma;
Só por ti nasci
Em noite calma!

Só por ti nasci
Em noite…

Letra e música: José Flávio Martins (“À menina de olhar meigo…”)
Intérprete: Senhor Vadio (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013)
Versão original: Frei Fado d’El Rei (in CD “Encanto da Lua”, Columbia/Sony Música, 1998)

Frei Fado d'El Rei, O Encanto da Lua

Frei Fado d’El Rei, O Encanto da Lua

Pelas tuas tranças

[ Fado das Tranças ]

Pelas tuas tranças
Cor de fogo e de sol-pôr,
Eu luto com lanças
P’ra vencer o meu amor,
P’ra vencer o meu amor.

Ai, no alto do monte,
Ai, no alto do monte,
Ai, te chamarei
Com mil vozes e mil forças!

Com um só grão de areia,
Com um só grão de areia
Levo-te sempre comigo
E teço a minha teia,
E teço a minha teia!…

Nas águas do mar,
Enquanto sigo o meu labor,
Lembro as tuas tranças
E recordo o nosso amor,
Ai, recordo o nosso amor!

Ai, por de ti estar longe
Vivo em sofrimento;
Ai, por de ti estar longe
O meu canto é um lamento.

Lágrimas de dor eu verto,
Lágrimas de dor eu verto,
Pela morte reclamo
Por de ti eu não estar perto,
Por de ti eu não estar perto!…

Ai, por de ti estar longe
Vivo em sofrimento;
Ai, por de ti estar longe
O meu canto é um lamento.

Lágrimas de dor eu verto,
Lágrimas de dor eu verto,
Pela morte reclamo
Por de ti eu não estar perto,
Por de ti eu não estar perto!…

Letra e música: José Flávio Martins
Intérprete: Senhor Vadio (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013)
Versão original: Frei Fado d’El Rei (in CD “Encanto da Lua”, Columbia/Sony Música, 1998)

Senhor Vadio, Cartas de um marinheiro

Senhor Vadio, Cartas de um marinheiro

Se o vento sopra

[ Cantiga ]

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida,
Como um navio sobre o mar.

Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.
Deixa-te estar na minha vida.

Poema: João Cabral do Nascimento (adaptado)
Música: Carla Carvalho, Hélder Costa e Rui Ferreira (Caps)
Arranjo: Xícara e David Leão
Intérprete: Xícara (CD-EP “Xícara”, Xícara, 2011)

Cantiga

João Cabral do Nascimento, in “366 Poemas Que Falam de Amor”, org. Vasco Graça Moura, Lisboa: Quetzal Editores, 2003

Deixa-te estar na minha vida,
Como um navio sobre o mar.

Se o vento sopra e rasga as velas
E a noite é gélida e comprida
E a voz ecoa das procelas,
Deixa-te estar na minha vida.

Se erguem as ondas mãos de espuma
Aos céus, em cólera incontida,
E o ar se tolda e cresce a bruma,
Deixa-te estar na minha vida.

À praia, um dia, erma e esquecida,
Hei, com amor, de te levar.
Deixa-te estar na minha vida,
Como um navio sobre o mar.

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Jardim da Luz, Lisboa

Jardins de Portugal

Nos jardins de Portugal
vão morrendo lentamente
alegrias dos mais velhos

momentos de bem e mal
no que fizeram e foram
meditam, perdem seus sonhos

Faces que o tempo marcou
nos jardins de Portugal
vejo passar junto a mim

e no que a vida os tornou
homens sombrios de olhar triste
pressinto um dia o meu fim

Tenho remorso de vê-los
nessa enorme solidão
pelos jardins de Portugal

de nada fazer por eles
e ter ainda alegria
para os poder alegrar

Em cada rosto enrugado
sinto lembranças de amor
sofrimento e frustração

Portugal tão mal amado
nos bancos dos seus jardins
sofre em cada coração

Letra: Manuel Lima Brummon
Música: Luís Alexandre
Intérprete: Tereza Tarouca* (in LP “Portugal Triste”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1980; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994; CD “Álbum de Recordações”, Alma do Fado/Home Company, 2006)

Jardim da Luz, Lisboa
Jardim da Luz, Lisboa

Povo que lavas no rio

Povo que lavas no rio,
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!

Meu cravo branco na orelha!
Minha camélia vermelha!
Meu verde manjericão!
Água pura, fruto agreste,
Fora o vinho que me deste,
Mas a tua vida, não!

Só tu! Só tu és verdade!
Quando o remorso me invade
E me leva à confissão…
Povo! Povo! eu te pertenço.
Deste-me alturas de incenso.
Mas a tua vida, não!

Povo que lavas no rio,
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão,
Pode haver quem te defenda,
Quem compre o teu chão sagrado,
Mas a tua vida, não!

Poema: Pedro Homem de Mello (excerto adaptado) [texto integral abaixo]
Música: Joaquim Campos (Fado Vitória)
Intérprete: Tereza Tarouca (in LP “Tereza Tarouca Canta Pedro Homem de Mello”, Edisom, 1989; CD “Teresa Tarouca”, col. Clássicos da Renascença, vol. 15, Movieplay, 2000)

Pedro Homem de Mello

Pedro Homem de Mello

Vivi povo e multidão

[ Cantarei ]

Vivi povo e multidão
Sofri ventos, sofri mares
Passei sede e solidão
Muitos lugares
Sofri países sem jeito
P’ró meu jeito de cantar
Mordi penas no meu peito
E ouvi braços a gritar

E depois vivi o tempo
Em que o tempo não chegava
Para se dizer o tanto
Que há tanto tempo se calava
Vivi explosões de alegria
Fiz-me andarilho a cantar
Cantei noite, cantei dia
Canções do meu inventar

Cantarei e cantarei
À chuva, ao sol, ao vento, ao mar
Seara em movimento
Ondulante sem parar

Hoje resta-me este braço
De guitarra portuguesa
Que nunca perde o seu espaço
E a sua beleza
Hoje restam-me os abraços
Nesta pátria viajada
Dos que moram mesmo longe
A tantos dias de jornada

Dos que fazem Portugal
No trabalho dia a dia
E me dão alma e razão nesta porfia
Por isso invento caminhos
Mais cantigas viajantes
E sinto música nos dedos
Com a mesma força de antes

Cantarei e cantarei
À chuva, ao sol, ao vento, ao mar
Seara em movimento
Ondulante sem parar

Letra e música: Pedro Barroso
Intérprete: Pedro Barroso
Versão original: Pedro Barroso (in LP “Cantos à Terra-Madre”, Da Nova, 1982, reed. Movieplay, 1997; 2CD “Antologia 1982-1990”: CD 2, Movieplay, 2005)
Outras versões: Pedro Barroso (in CD “De Viva Voz”, Lusogram, 2002)

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Penha Garcia

Recordai, fiéis cristãos

[ Encomendação das Almas ]

Recordai, fiéis cristãos, de Jesus
No dia em que estava na cruz!
Aleluia! Aleluia!
Lembrai-vos de quem lá tendes:
Vossas mães e vossos pais!
Aleluia! Aleluia!
E ajudai-os a tirar:
Padre-nosso e uma ave-maria
Seja p’lo amor de Deus!

Letra e música: Tradicional (“Encomendação das Almas” – Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa / “Aleluia!” – Minho)
Informante de “Encomendação das Almas”: Catarina Sargento, vulgo Catarina Chitas ou Ti Chitas (canto)
Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira (1960-63)
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

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Danças Ocultas

Ai que ricas orelhinhas!

Na verdade
Odeias e destróis
Tão certo de uma vã verdade
Que constróis

Na verdade
Amas a quem matou
Tão firme numa crença
Que alguém inventou

A verdade é bonita é
Quando nua então é que é linda
Sinuosos os contornos
Irresistivelmente doces
E pecaminosos

Na verdade
Não tens por que saber
Não tens por que pensar
Não tens por que querer

Na verdade
Não tens por que sentir
Não tens por que amar
Não tens por que sorrir

A verdade é bonita é
Quando nua então é que é linda
Sinuosos os contornos
Irresistivelmente doces
E pecaminosos

Mas que ricas orelhinhas que tu tens
Tão lindas como a verdade que deténs
Redondinhas
Tão perfeitas que mais parecem conchinhas
Delicadas e tão bem torneadinhas
Dá vontade de trincá-las, tão fofinhas

Ai que ricas orelhinhas que tu tens
Tão lindas como a verdade que deténs
São de BURRO!!!
Asininas e muito pouco garbosas
Não te tiro que ao menos são vistosas
Bem compridas, felpudinhas e mimosas
Ai que ricas orelhinhas!

A verdade tem mil caras e mil crenças
É volátil, é mutante
Evapora-se no ar

E condensa-se em gotículas escuras
No espelho dos interesses
De quem manda ou quer mandar

A verdade é bonita é
Quando nua então é que é linda
Sinuosos os contornos
Irresistivelmente doces
E pecaminosos

Mas que ricas orelhinhas que tu tens
Tão lindas como a verdade que deténs
Redondinhas
Tão perfeitas que mais parecem conchinhas
Delicadas e tão bem torneadinhas
Dá vontade de trincá-las, tão fofinhas

Ai que ricas orelhinhas que tu tens
Tão lindas como a verdade que deténs
São de BURRO!!!
Asininas e muito pouco garbosas
Não te tiro que ao menos são vistosas
Bem compridas, felpudinhas e mimosas
Ai que ricas orelhinhas!

A verdade é bonita é
Quando nua então é que é linda
Sinuosos os contornos
Irresistivelmente doces
E pecaminosos

A verdade é bonita é
Quando nua então é que é linda
Sinuosos os contornos
Irresistivelmente doces
E pecaminosos

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

A presença das formigas

A presença das formigas

Não quero cantar amores

[ Garras dos Sentidos ]

Não quero cantar amores.
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas.
Não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demência dos olhares,
Alegre festa de pranto;
São furor obediente,
São frios raios solares.

Da má sorte defendidos,
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.

Poema: Agustina Bessa-Luís
Música: Popular (Fado Menor)
Arranjos: Ricardo J. Dias
Intérprete: Mísia (in CD “Garras dos Sentidos”, Erato, 1998)

Agustina Bessa-Luís
Agustina Bessa-Luís

Um amor feliz

[ O Teu Olhar ]

Um amor feliz
Pode não brilhar
Porque não ouviu
O segredo mais bonito que ele pode revelar
Na voz do coração
Que bateu em mim
Ou em ti, não sei

Foi no teu olhar
Que aprendi a ver
O amor é só
O segredo mais bonito que alguém me pode contar
E só se vai cumprir
Quando o meu olhar
Encontrar o teu

Vou contá-lo ao céu
Vou dizê-lo ao mar
Não o conto a mais ninguém
Depois vou dormir
P’ra poder lembrar
Os segredos mais bonitos que o teu nome tem

Vou contá-lo ao céu
Vou dizê-lo ao mar
Não o conto a mais ninguém
Depois vou dormir
P’ra poder lembrar
Os segredos mais bonitos que o teu nome tem

Sei que viajar
Não é só partir
É também saber
O segredo mais bonito que eu te poderei contar
Em mim se vai cumprir
Quando o teu olhar
Encontrar o meu

Letra: Tiago Torres da Silva
Música: Danças Ocultas
Intérprete: Danças Ocultas com Carminho (in CD “Dentro Desse Mar”, Danças Ocultas/Sony Music, 2018)

Danças Ocultas
Danças Ocultas
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Musicalbi

Ai lé

[ Maçadela ]

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Quem tem burro leva o burro,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé.
Ai lé!

Maçadeiras do meu linho,
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Ai lé!

Não olheis para o caminho,
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Letra e música: Tradicional (Vila Maior, São Pedro do Sul, Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)

Ave-Maria sagrada

[ Ave-Maria Fadista ]

Ave-Maria sagrada
Cheia de graça divina
Oração tão pequenina
De uma beleza elevada

Nosso Senhor é convosco
Bendita sois vós, Maria
Nasceu Vosso Filho um dia
Num palheiro humilde e tosco

Entre as mulheres, Bendita
Bendito é o fruto, a luz
Do vosso ventre, Jesus,
Amor e Graça infinita

Santa Maria das Dores
Mãe de Deus, se for pecado
Tocar e cantar o fado
Rogai por nós, pecadores.

Nenhum fadista tem sorte
Rogai por nós, Virgem-Mãe,
Agora, sempre e também
Na hora da nossa morte.

Letra: Gabriel de Oliveira
Música: Francisco Viana (Vianinha)
Intérprete: Margarida Bessa (in CD “Fado”, Movieplay, 1995)
Versão original: Amália Rodrigues (in Single 78 rpm “Ave-Maria Fadista”, Melodia, 1952; CD “O Melhor de Amália”, vol. III, EMI-VC, 2003)

Maria

[ Para Maria ]

Intérprete: Mafalda Arnauth

Ó Pobre Pátria Trigueira

Ó pobre pátria trigueira
dás filhos como dás flores
Nossa Senhora das Dores
a chorar a vida inteira

dás filhos a todo o mundo
como um tronco sem raiz
mãe das mães que perdem tudo
e morrem no seu país

Ó pobre pátria trigueira
mãe da dor e da tristeza
separada pela fronteira
da nossa grande pobreza

com boca que ninguém beija
e a tua mesa vazia
longe de quem te deseja
ai! envelheces dia a dia

Ó pobre pátria trigueira
quando abraçarás teus filhos
que andam pelo mundo perdidos
a chorar a vida inteira?

Lá vão ao sabor das águas
em barquinhos de papel
com o mar à pele das mágoas
e ao sol que lhes cresta a pele

Ó pobre pátria trigueira
mãe da dor e da tristeza
separada pela fronteira
da nossa grande pobreza

com boca que ninguém beija
e a tua mesa vazia
longe de quem te deseja
ai! envelheces dia a dia

com boca que ninguém beija
e a tua mesa vazia
longe de quem te deseja
ai! envelheces dia a dia

Letra e música: Manuel Lima Brummon
Intérprete: Tereza Tarouca (in LP “Portugal Triste”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1980; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994)

Nossa Senhora das Dores

Nossa Senhora das Dores

Senhora do Almortão

Senhora…
Senhora do Almortão,
Senhora do Almortão,
Ó minha linda raiana,
Virai costas!…
Virai costas a Castela!
Virai costas a Castela!
Não queirais ser castelhana.

Senhora…
Senhora do Almortão,
Senhora do Almortão,
A vossa capela cheira…
Cheira a cravos…
Cheira a cravos, cheira a rosas,
Cheira a cravos, cheira a rosas,
Cheira a flor de laranjeira.

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Arranjo: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas com Teresa Campos (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

Senhora do Almortão

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Ermida

Localizada em Idanha-a-Nova, a Ermida de Nossa Senhora do Almortão tem um estilo simples e harmonioso. Em 1229 D. Sancho II, no foral dado a Idanha-a-Velha mencionava a Santcam Mariam Almortam, quando demarcava os limites da Egitania. A capela-mor e o altar são revestidos de azulejos do sec. XVIII. O alpendre é formado por três arcos de granito.

Esta capela foi construída porque, como diz a lenda, um dia de madrugada uns pastores atravessavam o campo pelo sítio “Agua Murta” e notaram que havia algo de estranho por traz das murteiras grandes. Aproximaram-se e viram uma linda imagem da Virgem. Ficaram parados de joelhos a rezar, mas depois resolveram levar a imagem para a Igreja de Monsanto. Mas ela desapareceu e foi encontrada outra vez no mesmo lugar da aparição no murtão. Respeitando a vontade da Senhora, os habitantes da vila construíram a capela.

A romaria da Senhora do Almortão realiza-se todos os anos, 15 dias depois da Páscoa. Após a missa faz-se a tradicional procissão. Após as cerimónias segue-se o almoço, convívio entre famílias e amigos. Então o povo canta as várias quadras à Senhora entre elas estas que dizem os historiadores que traduzia o sentimento das pessoas em serem libertadas do domínio dos espanhóis.

Fonte: O Guia da Cidade

Senhora do Castelo

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Não fiz tudo aquilo que pediste
Desde o dia em que tu me viste?
Porque mereço eu tal castigo?
Onde é que eu fui tão mal contigo?

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Lá de cima do Castelo,
Prometi-me um futuro belo:
Alfazema e rosmaninho à beira,
Oliveira e pau de laranjeira.

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

A todos os santos eu rezei,
Mas a nenhum deles me queixei.
Cravo e rosa no mesmo bordado:
Era apenas o desejado.

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Ó Minha Senhora do Castelo,
Porque me tirais a mim do sério?

Letra e música: António Pedro
Intérprete: Musicalbi
Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)

Musicalbi

Musicalbi

Senhora do Livramento

Senhora do Livramento,
Livrai o meu namorado
Que me vai deixar sozinha
(Ai meu Jesus! ai meu Jesus!)
Pela vida de soldado!

As vossas tranças, Senhora,
São loiras como as espigas!
Senhora do Livramento,
(Ai meu Jesus! ai meu Jesus!)
Protegei as raparigas!

Hei-de bordar a toalha,
Senhora, do vosso altar,
E a camisa do meu noivo
(Ai meu Jesus! ai meu Jesus!)
Quando me for a casar.

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes e Manuel Maio
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Toques do Caramulo, Mexe

Toques do Caramulo, Mexe

Em Canções Regionais Portuguesa (Série X), Fernando Lopes-Graça harmonizou “Senhora do Livramento”.

Senhora do Livramento

[ Senhoras ]

Senhora do Livramento
Que não me sais do pensamento,
Traz à Beira a minha canção
E ouve a minha oração!

Senhora do Almurtão,
Perdoai meu coração
Para que eu por ti ore,
Para que o meu coração chore!

Senhora do Livramento
Que não me sais do pensamento,
Traz à Beira a minha canção
E ouve a minha oração!

Senhora do Almurtão,
Perdoai meu coração
Para que eu por ti ore,
Para que o meu coração chore!

Senhora da Paiágua
Que me tirais toda a mágoa,
Para que eu viva em função
Do que diz meu coração!

Senhora que és da Beira
Eu me debruço na ribeira,
À procura em cada monte
A saudade dessa fronte.

Senhora do Livramento
Que não me sais do pensamento,
Traz à Beira a minha canção
E ouve a minha oração!

Senhora do Almurtão,
Perdoai meu coração
Para que eu por ti ore,
Para que o meu coração chore!

Letra: Valéria Carvalho
Música: António Pedro
Intérprete: Musicalbi
Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)

Musicalbi

Musicalbi

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Coimbra

Coimbra do Choupal

Coimbra (Abril em Portugal)

Coimbra do Choupal
Ainda és capital
Do amor em Portugal,
Ainda…
Coimbra onde uma vez
Com lágrimas se fez
A história dessa Inês
Tão linda.

Coimbra das canções,
Tão meiga que nos pões
Os nossos corações
A nu.
Coimbra dos doutores
P’ra nós os teus cantores,
A Fonte dos Amores
És tu.

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição;
O lente é uma canção
E a lua a faculdade…
O livro é uma mulher,
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer
Saudade.

Coimbra do Choupal
Ainda és capital
Do amor em Portugal,
Ainda…
Coimbra onde uma vez
Com lágrimas se fez
A história dessa Inês
Tão linda.

Coimbra das canções,
Tão meiga que nos põe
Os nossos corações
A nu.
Coimbra dos doutores
P’ra nós os teus cantores,
A Fonte dos Amores
És tu.

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição;
O lente é uma canção
E a lua a faculdade…
O livro é uma mulher,
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer
Saudade.

Letra: José Galhardo
Música: Raul Ferrão
Intérpretes: José Barros & Mimmo Epifani
Versão discográfica de José Barros & Mimmo Epifani (in CD “Mar da Lua”, José Barros/Tradisom, 2015)
Versão original: Alberto Ribeiro (in filme “Capas Negras”, de Armando Miranda, 1947) [
Primeira versão discográfica: Alberto Ribeiro (in single 78 r.p.m. “Marco do Correio / Coimbra”, His Master’s Voice/VC, 1947)
Primeira versão sob o título “Avril au Portugal” (letra em francês da autoria de Jacques Larue): Yvette Giraud (in single 78 r.p.m. “Avril au Portugal / Cerisier Rose et Pommier Blanc”, His Master’s Voice, 1950)

Dizem que amor de estudante

[ Vira de Coimbra ]

Dizem que amor de estudante
Não dura mais que uma hora…
Só o meu é tão velhinho
Qu’ inda não se foi embora!
Não dura mais que uma hora…

Fui buscar a bilha e trago-a
Vazia como a levei.
Mondego, que é da tua água?
Que é das preces que eu chorei?
Vazia como a levei.

O estudante de Coimbra
Mora por baixo da ponte;
Por causa das raparigas
Muito sapato se rompe.
Mora por baixo da ponte.

Ó laranjais de Coimbra,
Não torneis a dar laranjas!
Quem comigo as apanhava
Já lá está nessas estranjas.
Não torneis a dar laranjas!

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Real Companhia (in CD “Orgulhosamente Nós!”, Lusogram, 2000)
Versão original [?]: José Afonso (in EP “Balada do Outono”, Rapsódia, 1960; LP “Baladas e Fados de Coimbra”, Edisco, 1982; CD “Os Vampiros”, Edisco, 1987, 2006)
Outra versão de José Afonso (in LP “Fados de Coimbra e Outras Canções”, Orfeu, 1981, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art’Orfeu Media, 2013)

Coimbra

Coimbra

O fim de tarde em Coimbra

[ Outono à Beira-Rio ]

O fim de tarde em Coimbra
não tem pôr-do-sol igual:
melodia que nos timbra
um tom azul outonal.

Em Outubro Munda é rio
onde a brancura se pinta:
traço azul do casario
numa aguarela distinta.

Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente:
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.

Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente:
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.

No seu olhar de menina
o sol se espelha com graça
no casario da colina
como fogo nas vidraças.

O ventar faz ondular
o poisar no rio da ave:
branda gaivota a adejar
num planar de asas suave.

Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente:
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.

Coimbra a ser vivida
por dentro do seu poente:
é senti-la assim esculpida
aos olhos da sua gente.

Letra e música: Jorge Cravo
Intérprete: Jorge Cravo / Quarteto de António José Moreira (in CD “Canções d’uma Cidade e d’um Rio”, Numérica, 2010)

Jorge Cravo

Jorge Cravo

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Ilha do Faial (Açores)

São Gonçalo

São Gonçalo já é velho,
De velho caiu-lhe os dentes;
Culpa tiveram as moças
Que lhe deram papas quentes.

São Gonçalo me chamou
Da janela da cozinha:
Que fosse jantar com ele
Uma perna de galinha.

São Gonçalo já é velho,
De velho caiu-lhe os dentes;
Culpa tiveram as moças
Que lhe deram papas quentes.

São Gonçalo me chamou
Da janela da cozinha:
Que fosse jantar com ele
Uma perna de galinha.

Nota: «A canção de São Gonçalo veio do norte do continente português. Cantou-se por quase todas as ilhas, mas caiu em desuso. Todavia há a registar algumas melodias em diversas ilhas, todas elas diferentes mas que conservam do original, trazido pelos povoadores, a designação e a letra.

Para este “São Gonçalo” inspiramo-nos na versão da Calheta do Nesquim, utilizando ambas as letras desta e da versão do Salão, a partir das “Cantigas do Povo dos Açores”, de Francisco José Dias. Visíveis são as influências dos ritmos tradicionais do norte de Portugal: a típica Chula e o ritmo de Santa Marinha.» (Helena Oliveira)

Letra e música: Tradicional (Ilha do Faial)
Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)

Ilha do Faial (Açores)

Ilha do Faial (Açores)

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Graziela Vieira, poetisa, com a Orquestra Típica de Ourém
Poemas de Graziela Vieira

Graziela Vieira (1944-2021) foi uma poetisa que escreveu letras para numerosas composições executadas pela Orquestra Típica de Ourém.

Caiu a Neve

Certa noite caiu neve
Nas ruas da minha aldeia.
Branca, pura, fofa e leve,
Quais raios de lua cheia.

Tudo branquinho de neve
Manto gigante de arminho,
O belo não se descreve,
Só se sente de mansinho.

De manhã quando acordei
Iam-se os raios da lua,
Já brilhava o astro-rei
Nas pedras da minha rua.

Ai que saudades eu sinto
Da noite distante e bela
Tão remota, que pressinto
Que não voltarei a vê-la

Poema: Graziela Vieira
Música: Armando Rodrigues

D. Gonçalo Hermigues

O D. Gonçalo Hermigues,
Foi Valido, e companheiro
D’el-rei D. Afonso Henriques,
E temível cavaleiro.

Diz a lenda encantadora,
Que o guerreiro trovador,
Se enamorou duma moura,
A quem se deu por amor.

O cavaleiro cantor,
Já prosava apaixonado!…
Não há vitória maior,
Que a de amar e ser amado.

A Fátima da mourama,
Que o nosso herói encantou,
Foi por baptismo, Oureana.
Com D. Gonçalo casou.

Em louvor da sua amada,
Mudou o nome também
De Abdegas, conquistada,
Para castelo de Ourém.

Nas lendas de amor e guerra,
A de Ourém vibra mais forte:
Porque a mesma campa encerra,
Um amor além da morte.

D. Gonçalo, “Traga – Mouros”,
Quando a amada morreu, desilude!
Despojou-se dos tesouros:
E não mais dedilhou o Alaúde.

Na voz do vento, ele a chama,
Do morro de Ourém, lá ao longe.
Oureana!… Oureana!…
Ai de mim!… Sem ti, me fiz monge.

Poema: Graziela Vieira, Ourém, Março de 2004
Música: José António
Intérprete: Orquestra Típica de Ourém

Despedida

Vi partir as andorinhas um dia,
Embevecida,
No meu peito ficou a nostalgia,
Rosa pendida.
Vão levar a outros povos, a graça
E a mensagem que dão em movimento!
Não há mordaça,
Que calar faça,
O pensamento.

Adeus, adeus;
São asas negras a esvoaçar;
Cruzando os céus,
Dizem adeus até voltar.
São poemas vivos das almas singelas.
Como são belas,
Cruzando os céus!

Adeus, adeus.
Os perfumes do estio farão
As despedidas.
Fica o Outono macio, que são
Folhas caídas.
Há promessas doutra Primavera,
No regresso do gorjeio terno!
Fica a quimera,
P’ra quem espera
O sol d’Inverno.

Graziela Vieira
Música: Sérgio Poupado
Intérprete: Orquestra Típica de Ourém

Noite

Noite,
Meu rio das águas mansas!
Meu afluente d’esperanças
Que se espraiam ao luar.

Noite,
Relicário dos meus sonhos!
Dos meus enlevos risonhos,
Com as estrelas a brincar.

Noite,
Minha fiel companheira,
Minha musa conselheira,
Minha amiga e amante.

Noite,
Mãe dos meus cincos sentidos,
Que no céu andam perdidos
Na estrela mais distante.

Noite,
Meu barquinho d`ilusões,
Fogo-fátuo de emoções;
Minha aurora Boreal.

Noite,
És meu castelo de areia
Envolto p’la lua cheia
Que ilumina o areal

Poema: Graziela Vieira
Solista: Natércia Ferreira
Música: Armando rodrigues
Intérprete: Orquestra Típica de Ourém

Vindima

As moças da minha terra,
São como as papoilas formosas,
Quando em setembro vão
Vindimar as uvas
Vindimar as rosas
Vindimar amores
Moçoilas fogosas.

Colhem no campo a flor da giesta,
Na madrugada de alvura
Enchem de sonhos a cesta.
Sobrem às alturas
Perfumes alados
A uvas maduras,
A cachos doirados.

Junto do seu namorico, vão
Cochichando em segredo.
Juntinhos de mão na mão,
Um beijo a medo
Vindimando a gosto,
Doçura e enlevo
De sabor a mosto.

Olha o mosto a ferver.
Vem comigo, anda ver
É a seiva do nosso lavor.
É o sumo da uva
É o sol, é a chuva
Que a gente do campo
Regou com suor
A terra madrinha
Que dá esta vinha.

Poema: Graziela Vieira, abril 1995
Solista: Lelita
Música: Sérgio Poupado
Intérprete: Orquestra Típica de Ourém

Graziela Vieira, poetisa, com a Orquestra Típica de Ourém

Graziela Vieira, poetisa, com a Orquestra Típica de Ourém

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São João

Ai, S. João adormeceu

[ S. João ]

Ai, S. João adormeceu
Ai, debaixo da laranjeira;
Ai, caiu-lhe a flor por cima,
Ai, S. João que tão bem cheira.

Ai, S. João p’ra ver as moças
Ai, fez uma fonte de prata;
Ai, as moças não vão à fonte,
Ai, S. João todo se mata.

Ai, S. João fora bom santo
Ai, se não fora tão gaiato;
Ai, levava as moças p’rá fonte,
Ai, iam três e vinham quatro.

Letra e música: Popular
Arranjo e direcção musical: José Manuel David
Intérprete: Gaiteiros de Lisboa (in CD “Avis Rara”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2012)

Bailava o Sol

[ São João ]

Bailava o Sol, bailava
Ai, na manhã do São João;
Raiavam cordas de amori
Ai, dentro do meu coração.

Naquela relvinha verde
Ai, foi a minha perdição;
Perdi lá o anel d’oiro
Ai, na manhã do São João.

Eu hei-de ir ao São João,
Ai, o meu amori não queri;
Deixai-o ir para fora,
Ai, eu farei o que eu quiseri.

Eu hei-de ir ao São João
Ai, com o meu amori ao lado;
No largo do São João
Ai, fica tudo adimirado.

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Arranjo: Velha Gaiteira
Intérprete: Velha Gaiteira (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)

Velha Gaiteira

Velha Gaiteira

Cântico dos Foliões

Ai São João foi baptizado
Ai lá no rio de Jordão;
Ai ele é sempre estimado
Ai p’ra fazer uma função.

Ai São João se bem soubesse
Ai quando era o seu dia,
Ai descia do Céu à Terra
Ai com prazer e alegria.

Ai nós somos todas mulheres
Ai e temos bom coração,
Ai e temos esta lembrança
Ai de cantar a São João.

Letra e música: Tradicional (Ilha de Santa Maria, Açores)
Informantes: Gualter Eusébio Figueiredo Coelho (11 anos), José da Trindade Fontes Correia (9 anos) e José Manuel de Sousa Medeiros (11 anos) (canto, tambor e címbalos)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (“Cântico de Foliões”, do Império chamado ‘das crianças’ ou ‘dos inocentes’ em dia de S. João, in 12EP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963; 2CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”: CD 2, faixa 7, Açor/Emiliano Toste, 2002)
Adaptação: Segue-me à Capela
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Ilha de Santa Maria, Açores

Ilha de Santa Maria, Açores

Manhaninha de São João

Ó ó, São João do meio,
Ai hei-de morar noutra rua!
Ainda não tenho casa,
Ai menina, arrende-me a sua!

Manhaninha de São João,
Ao redor da alvorada,
Ai Jesus Cristo se passeia
Ao redor da fonte clara.

Eu hei-de ir ao São João,
Ai hei-de lá ir, se lá for,
Ou a pé ou a cavalo
Ai ou nos braços do amor.

Jesus Cristo se passeia
Ao redor da fonte clara,
Ai e a água fica benzida
E a fonte fica sagrada.

Eu hei-de ir ao São João,
Ai hei-de lá ir, se lá for,
Ou a pé ou a cavalo
Ai ou nos braços do amor.

Jesus Cristo se passeia
Ao redor da fonte clara…

Manhaninha de São João,
Manhaninha de São João.

Letra e música: Tradicional (“S. João” – Idanha-a-Nova, Beira Baixa / “Manhaninha de S. João” – Moimenta da Raia, Vinhais, Trás-os-Montes)
Recolhas: José Alberto Sardinha (“S. João”, 1981, in “Portugal – Raízes Musicais”: CD 4 – Beira Baixa e Beira Trasmontana, BMG/JN, 1997) e Michel Giacometti (“Manhaninha de S. João”, 1960, in LP “Trás-os-Montes”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1960; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 2 – Trás-os-Montes, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 3 – Trás-os-Montes, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Arranjo vocal: Cristina Martins e Segue-me à Capela
Arranjo de percussão: João Balão
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Segue-me à Capela, San'Joanices

San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher

Oh meu São João Baptista!

[ São João de Alpalhão ]

Oh meu São João Baptista!
Oh meu Baptista João!
Vamos ir à água nova
Na noite de São João!

São João baptiza Cristo,
Cristo baptiza João:
Ambos foram baptizados
Lá no rio do Jordão.

São João p’ra ver as moças
Fez uma fonte de prata;
As moças não vão a ela,
São João todo se mata.

Meu divino São João
Que na mão tem a bandeira!
Vamos ir ao rosmaninho
P’ra fazermos a fogueira!

Letra e música: Tradicional (Alpalhão, Nisa, Alto Alentejo)
Recolha: Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, ep. “O S. João na Tradição Musical Popular”, RTP-1, 04 Set. 1972)
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Alpalhão, Nisa

Alpalhão, Nisa

Olha o balão

Olha o balão,
na noite de São João
Para poder dançar bastante
com quem tenho à minha espera

Ó-I-ó-ai,
pedi licença ao meu Pai,
e corri com o meu estudante
Que ficou como uma fera

Ó-I-ó-ai,
fui comprar um manjerico
Ó-I-ó-ai,
vou daqui pró bailarico

E tenho um gaiato
aqui dependurado
Que é mesmo o retrato
do meu namorado
E tenho um gaiato
aqui dependurado
Que é mesmo o retrato
do meu namorado

Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a fulambó
Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a um fulambó

Olha o balão,
na noite de São João
Para não andar maçado
da pequena me livrei

Ó-I-ó-ai,
não sei com quem ela vai,
cá para mim estou governado
Com uma outra que eu cá sei

Ó-I-ó-ai,
fui comprar um manjerico
Ó-I-ó-ai,
vou daqui pró bailarico
Tenho uma gaiata
aqui dependurada
Que tem mesmo a lata,
lá da namorada
Tenho uma gaiata
aqui dependurada
Que tem mesmo a lata,
lá da namorada

Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a um fulambó
Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a um fulambó

Intérprete: Beatriz Costa

São João santo bonito

[ São João Bonito ]

Marcha Popular

São João santo bonito,
bem bonito que ele é
Bem bonito que ele é
Com os seus caracóis de oiro,
e o seu cordeirinho ao pé
E o seu cordeirinho ao pé

Não há nenhum assim,
pelo menos para mim
Nem mesmo São José

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar

São João vem ver as moças,
que bonitas que elas são
Que bonitas que elas são
São ainda mais bonitas,
na noite de S. João
Na noite de S. João
Não escapa um só rapaz
O que é que o Santo lhes faz
Vai tudo no balão.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar

São João santo bonito,
dos milagres sem igual
Dos milagres sem igual
Conserva a santa alegria,
da gente de Portugal
Da gente de Portugal
Ouve a nossa canção,
e livrai de todo o mal
Meu rico São João

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar

Intérprete: Lenita Gentil, Voz à Solta

São João

São João

São João perdeu

São João perdeu, perdeu…
Ai São João que perderia?
Perdeu o lenço da mão
Ai, ai à vinda da romaria.

São João, se bem soubera
Ai quando era o seu dia,
Descia do Céu à Terra
Ai com prazer e alegria.

Letra e música: Tradicional (Estorãos, Ponte de Lima, Minho)
Recolha: Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, ep. “Cantos do Trabalho em Estorãos”, RTP-1, 13 Dez. 1973)
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Estorãos, Ponte de Lima

Estorãos, Ponte de Lima

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Trovante, Terra Firme

Caminho acompanhando o tempo

[ À Espera do Verão ]

Caminho acompanhando o tempo,
Um tempo que me sabe a curto…

O Inverno aceita o descanso,
Incerto dá lugar ao sol
Que, ainda tão meigo, ao de leve
Toca nas vozes que despertam:
Sem dó esquecem o Inverno,
Viram costas e entoam
Cantos de louvor ao Sol.

Cidade nova me acolhe,
Fresca e embrulhada em cheiro
De tanta lembrança antiga…
Quieta e entregue ao vento,
Agora transformado em brisa,
Ouço o murmúrio de água numa fonte
Que brinca como um riacho de um monte.

A porta, que conteve a ânsia
De vida de tanta criança,
Range ao abrir, depois de longa chuva,
Com o grito alegre de gente miúda.

Aberto, o céu dá passagem
A cheiro de sardinha e vinho,
De cigarro e de café…
É o Sr. Verão que nos visita:
Vem em sopro de calor,
Mas diz que ainda não fica.

Letra: Maria Carvalho
Música: Frederico Valério (“Não Sei Porque te Foste Embora”)
Intérprete: Trio Fado (in CD “PortoLisboa”, Trio Fado, 2009)

Descapotável pela ponte

[ Sol da Caparica ]

Descapotável pela ponte o cabelo a voar
O calor abrasador e a pressa de chegar
Óculos escuros da Rayban e o contante a partir
A cassete dos Ramones para a gente curtir
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica
Abancados na esplanada mesmo à beira do mar
Cerveja na mesa para refrescar
Ao longo da praia sob o sol de verão
As miúdas da costa são uma tentação
Por isso vou para a costa
Por isso vou cheio de pinta
Viro costas a Lisboa vou pó sol da Caparica
Por isso vou para a costa
Por isso vou cheio de pinta
Viro costas a Lisboa vou pó sol da Caparica
E assim vamos gozando as férias de verão
Tenho o sol da caparica mesmo aqui à mão
Aqui vou eu
Aqui vou eu
De Lisboa fou fugir vou para o sol da Caparica
Aqui vou eu
Aqui vou eu
De Lisboa fou fugir vou pra o sol da Caparica
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica…

Do coco faço uma batida

[ Dou-te Um Doce ]

Do coco faço uma batida
Da areia faço a minha cama
Gosto de me dar à vida
Sempre que o sol me chama

Adoro estar ao pé do mar
Quando te tenho ao meu lado
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado
(La-la-la-la-la-la)
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado

Vou na onda que me enrola
Como um manto de água fresca
Ouço ao longe uma viola
Bebo o dia que me resta

Fica mais quente o verão
Quando te tenho ao meu lado
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado
(La-la-la-la-la-la)
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado

Do coco faço uma batida
Da areia faço a minha cama
Gosto de me dar à vida
Sempre que o sol me chama

Intérprete: Lena D’Água

Noite de Verão

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa…
Sente-se nua.

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa…
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.

Poema: Manuel da Fonseca (ligeiramente adaptado) [texto original abaixo]
Música: João Gil
Arranjo: Trovante
Intérprete: Trovante (in LP “Terra Firme”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1989; CD “O Melhor dos Trovante”, EMI Music Portugal, 2010; “Trovante: Grandes Êxitos”, EMI Music Portugal, 2013)

NOITE DE VERÃO

(Manuel da Fonseca, in “Planície”, Coimbra: Novo Cancioneiro, 1941; “Poemas Completos”, Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1958; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 2.ª edição, Lisboa: Portugália Editora, 1963 – p. 109; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 120)

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

[ Fonte: A Nossa Rádio ]

Manuel da Fonseca, poeta

Manuel da Fonseca, poeta

Um Verão

[ Verão ]

Intérprete: The Gift

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