Colmeias, Laços de aço forjado, Um suor doce-salgado Do rio que abraça o mar…
Na tempestade e na bonança, Onde navega a esperança, Rouco, o vento esforça a voz: Ânsias de chegar… de chegar à foz.
Inocentes moinhos de maré. Complacentes as casas alinhadas, Escuras, esfumadas; Prostradas à chaminé, Sentinela de obreiras exploradas… Noite e dia.
Outro tempo o dos Camarros, Que eram senhores do rio. E o pescado bem regado Com Bastardinho do Lavradio.
O vento arrasta o manto sufocante, Avista-se Seixal e Almada. Sente-se o cheiro da madrugada E o sabor da brisa siflante, Que acaricia a vela de um varino.
Lá em cima é a mina, Diz a douta menina. O Cristo é Rei e o burgo cresce. Vai de Cacilhas a burricada, Passa em Almada, cidade bela; Na Piedade espero por ela.
Que torrente de sentidos! Respiro na maré cheia. Nos meus sonhos proibidos, Na Caparica pesco a sereia.
Letra e música: Álvaro M. B. Amaro Intérprete: Dialecto Versão original: Dialecto (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)
Cristo Rei
De varino ou de falua
[ Beira-Tejo ]
De varino ou de falua, Vou da Moita a Alcochete Abraçar teus braços de água, Ver as Festas do Barrete.
Rio fadado, quantos laços Um cordão umbilical! Teus beijos aprisionados Em marinhas de sal.
Quantas canastras passaram Pelos braços extenuados, Na faina dos salineiros Que na Festa são forcados?!
Moita, Montijo, Alcochete, A faena é querida: O sangue pulsa nas veias, Vermelho na investida.
Tanta terra, tanto mar! Tanta história p’ra contar!
Estórias, estórias De Festa rija, De campos loiros, carícias, Moças, papoilas, conquistas.
Tanta terra e tanto mar! Tanta terra e tanto mar! Tanta terra e tanto mar! Tanta terra e tanto mar! Tanta terra!…
Letra e música: Álvaro M. B. Amaro Intérprete: Dialecto* Versão original: Dialecto (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Desembarquei numa Angra de saudade
[ Terceira Meu Fado ]
Intérprete: Fadoalado
Indo eu caminho abaixo
[ Amphiguris ]
Indo eu caminho abaixo, Por um caminho que não vi, Encontrei a minha cabra, Cabra que não era minha. Vi pereiras com maçãs, Subi, colhi avelãs, Veio o dono das romãs: Que lhe importam estas uvas Qu’estão em faval alheio?
N’esta idade qu’inda tenho, Ninguém viu mais do que eu, Vi até entre uma hora, A cidade de Viseu. Vi a torre de Almeirim, Lutar com uma formiga, Qual de baixo, qual de riba, Fez-lhe sangue na barriga;
Acolheu-se a uma toca De lá veio uma minhoca. Sete porcos vi na eira, Debulhar um calcadoiro, Tudo isto eu vi jogar, E mai-lo jogo do toiro. Também vinha na companha Uma loba a pedir p’ra presos, Com sete sacas de novelos, Nas ancas de um carrapato, Também no caminho vi, Um pisco a vender tabaco.
Letra: Popular (Algarve) Música: Amélia Muge Intérprete: Amélia Muge (in CD “Taco a Taco”, Polygram, 1998)
Já que aqui estou
[ Viva Quem Canta ]
Já que aqui estou Vou-lhes agora contar De mil pessoas feitos vida Desta vida atribulada Desta vida de cantar
Se sobrar peito Depois de mil melodias Depois de tantas palavras Tantas terras tantas estradas Tantas noites tantos dias
Viva quem canta Que quem canta é quem diz Quem diz o que vai no peito No peito vai-me um país
No Algarve mandei baile Toquei adufes na Beira Em Trás-os-Montes aprendi A bombar como um Zé Pereira
Mundo fora dei abraços Nos Açores e na Madeira Deixei amigos do peito E em casa cantei na eira
Viva quem canta Que quem canta é quem diz Quem diz o que vai no peito No peito vai-me um país
Trago nos dedos malhões Toquei rondas de caminho No Douro aprendi janeiras Dancei as chulas no Minho
No Alentejo fica o peito Da planície de cantar No fado colhi o jeito De um país por inventar
Viva quem canta Que quem canta é quem diz Quem diz o que vai no peito No peito vai-me um país
Cantei no alto de um monte Num tractor ou num celeiro Para vinte ou vinte mil E das palavras fiz viveiro
Para quem canta por cantar Pouco mais se pediria Mas quem canta para sentir Para explicar-se e para ser Pensem só quanto haveria Ainda por dizer
Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso (in “Do Lado de Cá de Mim”, Rádio Triunfo, 1983; reed. Movieplay, 2003; CD “Cantos d’Oxalá”, CD Top, 1996)
Minha terra não tem rios
[ Quadras dum Dia Sozinho ]
Minha terra não tem rios, Minha terra não tem mar; Mas todos os meus vazios Vão à minha terra dar.
Meu amor nunca lá foi, Meu amor nunca me quis; Eu vivo do que não foi Com tudo o mais que não fiz.
Indiferença no sentir, À-vontade no calar… Acredito que há-de vir No dia em que não vou estar.
Minha terra não tem rios, Minha terra não tem mar; Vão-se embora os meus vazios Quando o meu amor chegar.
«Minha terra não tem rios, Minha terra não tem mar; Mas todos os meus vazios Vão à minha terra dar.
Meu amor nunca lá foi, Meu amor nunca me quis; Eu vivo do que não foi Com tudo o mais que não fiz.
Indiferença no sentir, À-vontade no calar… Acredito que há-de vir No dia em que não vou estar.
Minha terra não tem rios, Minha terra não tem mar; Vão-se embora os meus vazios Quando o meu amor chegar.»
Meu amor nunca lá foi, Meu amor nunca me quis; Eu vivo do que não foi Com tudo o mais que não fiz.
Letra: Duarte (Março de 2011) Música: Carlos Manuel Proença e Duarte Intérprete: Duarte* com Albano Jerónimo (in CD “Sem Dor Nem Piedade”, Duarte/Alain Vachier Music Editions, 2015)
No sonho se mede o encanto
[ Todavia Eu Sou Pastor ]
No sonho se mede o encanto que me dá esta alegria a saudade só me chama quando a noite se faz dia
As estrelas já eu sei que são luzes pequeninas como os ciganos que cantam dia e noite as suas sinas
Tenho o nome de uma pedra sou cascalho e vivo só passei toda a mocidade em casa de minha avó
Tinha fruta no quintal duas videiras verdosas um eucalipto crescido ao pé dum vaso de rosas
Bebi água em muitas fontes e vi estrelas lá no céu todavia eu sou pastor dum gado que não é meu
Sonhei guitarras e guizos ouvi poetas nas vendas cantando a vida dos pobres com os seus vícios e lendas
Comi uvas, bebi vinho vi lagartos e lebrões andei com velhos malteses assassinos e ladrões
Dormi a sesta nos montes levei porcos ao Barreiro andei nas feiras guardando o meu gado o ano inteiro
Lá nas moitas aprendi a ser aquilo que sou um camponês que não pensa nas coisas que já pensou
Da macela faço o chá e da esteva faço a cama a hortelã tira o sarro aos frutos verdes sem rama
Agarro a névoa aqui perto nas margens duma ribeira é na saudade que sinto que mato a minha canseira
Montei cavalos de Alter vi galgos de Montemor saltei valados e rios e compus versos de amor
É na lonjura que eu gozo o vento que vem do céu todavia eu sou pastor dum gado que não é meu
Poema: Antunes da Silva Música: Paco Bandeira Intérprete: Paco Bandeira (in LP “Todavia Eu Sou Pastor”, Decca/Valentim de Carvalho, 1975; CD “O Melhor de Paco Bandeira”, EMI-VC, 1989; CD “O Melhor de Paco Bandeira”, Valentim de Carvalho/Iplay, 2008) [? YouTube] Outra versão de Paco Bandeira (in CD “Uma Vida de Canções”, Farol Música, 2006)
Ó Coimbra do Mondego
[ Saudades de Coimbra ]
Letra: António de Sousa Música: Mário Faria Fonseca Intérprete: Edmundo de Bettencourt (in CD “Fados e baladas de Coimbra: Para Uma História do Fado”, EMI-VC/Corda Seca/Público, 2004) Outra versão: José Afonso (in “Fados de Coimbra e Outras Canções”, Orfeu, 1981, reed. Movieplay, 1987)
Ó Coimbra do Mondego E dos amores que eu lá tive Quem te não viu anda cego Quem te não ama não vive
Do Choupal até à Lapa Foi Coimbra os meus amores A sombra da minha capa Deu no chão, abriu em flor
Roendo uma laranja na falésia
[ Porto Covo ]
Letra: Carlos Tê Música: Rui Veloso Intérprete: Rui Veloso (in “Rui Veloso”, EMI-VC, 1986)
Roendo uma laranja na falésia Olhando o mundo azul à minha frente, Ouvindo um rouxinol nas redondezas, No calmo improviso do poente
Em baixo fogos trémulos nas tendas Ao largo as águas brilham como prata E a brisa vai contando velhas lendas De portos e baías de piratas
Havia um pessegueiro na ilha Plantado por um vizir de Odemira Que dizem que por amor se matou novo Aqui, no lugar de Porto Covo
A lua já desceu sobre esta paz E reina sobre todo este luzeiro À volta toda a vida se compraz Enquanto um sargo assa no brazeiro
Ao longe a cidadela de um navio Acende-se no mar como um desejo Por trás de mim o bafo do destino Devolve-me à lembrança do Alentejo
Havia um pessegueiro na ilha Plantado por um vizir de Odemira Que dizem que por amor se matou novo Aqui, no lugar de Porto Covo
Roendo uma laranja na falésia Olhando à minha frente o azul escuro Podia ser um peixe na maré Nadando sem passado nem futuro
Havia um pessegueiro na ilha Plantado por um vizir de Odemira Que dizem que por amor se matou novo Aqui, no lugar de Porto Covo
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/sobreiro-foto-guizel-j_portugal.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 00:04:252024-11-13 04:05:22Canções sobre Terras de Portugal
Ainda trago um gosto a trigo atrás de mim Que se me agarrou à alma ao nascer Sou como um carreiro longe de ter fim Como quem ceifou searas sem saber
Sou lá de onde ninguém fala das marés De onde o horizonte queima o olhar Por paixão ainda trago a arder nos pés O calor de uma seara por cortar
Já cantei desde a nascente até à hora do sol-pôr Já naveguei nas ribeiras ao luar Ai Alentejo quem te amou não te esqueceu E ainda se ouvem os teus ecos nas cantilenas do sol
O sol deu-me histórias velhas p’ra contar Que eu guardei de manhãzinha ao pé dum rio Em Janeiro roubei mantas ao luar E a um pastor roubei um tarro e um assobio
Já corri atrás dos corvos Já me escondi nos trigais Ouvi rolas nos sobreiros a arrulhar Ai Alentejo quem te amou não te esqueceu E ainda se ouvem os teus ecos cada vez que a lua cai
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes com Pedro Mestre (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017)
As pedras contam segredos
[ Mértola ]
As pedras contam segredos do rio e guardam lembranças do mar O sul traz a alma e a cor do Estio que a calma demora a espalhar A terra descobre tesouros que o vento nos vai contando devagar Mértola ai que tens tanto p’ra contar
Irmã das areias que o tempo guardou na terra onde dorme o calor Destino de moura que o sol coroou e dizem que foi por amor Se o Pulo do Lobo te leva pró sul desertos de cobre a ferver Mértola ai que tens tanto p’ra dizer
Pelo canto da tarde nas tardes do canto o encanto do sol a abalar Um deus ainda espreita p’la curva do rio que eu bem sei Mértola ai, Mértola ai
A noite é uma história das arcas do tempo e nem dá p’lo mundo a rodar O pio da coruja descansa no vento Invernos por adivinhar A vida tem gosto de mel e medronho caiada de paz e vagar Mértola ai que tens tanto p’ra contar
Segredos do mundo guardados no trigo, eterna vontade a florir Museu de mistérios, terreiro de abrigo, vontade de nunca partir Serás alma gémea das terras do sul, o sul diz que sim a sorrir Mértola ai que tens tanto p’ra sentir
Pelo canto da tarde nas tardes do canto o encanto do sol a abalar Um deus ainda espreita p’la curva do rio que eu bem sei Mértola ai, Mértola ai
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Quadrilha com a participação de Janita Salomé (in CD “A Cor da Vontade”, Vachier & Associados, 2003)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Às vezes me ponho eu
[ A Vila de Castro Verde ]
Cantiga primeira:
Às vezes me ponho eu Na minha vida a pensar: Quem eu era, quem eu sou, Ao que eu havia chegar!
Moda:
A vila de Castro Verde És uma estrela brilhante: Como ela outra não há, És a mesma que eras dantes.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “Modas”, Robi Droli, 1994; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD 1, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006) Outras versões: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in LP “Castro Verde É Nossa Terra”, Valentim de Carvalho, 1975); Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “É Tão Grande o Alentejo”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 1997)
Castro Verde, Casa da Dona Maria
Caminhos do Alentejo
Caminhos do Alentejo. Terra bravia de fomes com piteiras aceradas como pontas de navalhas em esperas de encruzilhadas! Caminhos do Alentejo. Desde valados e sebes, searas, vilas, aldeias e chuvas e descampados — caminhos do Alentejo desde menino vos piso!
Caminhos do Alentejo. Desde valados e sebes, searas, vilas, aldeias e chuvas e descampados — caminhos do Alentejo desde menino vos piso!
Caminhos do Alentejo Poema: Manuel da Fonseca (excerto inicial da parte I de “Para um poema a Florbela”) Música: Paulo Ribeiro Intérprete: Paulo Ribeiro com Vitorino (in CD “O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis”, Açor/Emiliano Toste, 2017)
Castelo de Beja
Para um poema a Florbela
Manuel da Fonseca, in “Planície”, Coimbra: Novo cancioneiro, 1941; “Poemas Completos”, Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1958; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 2.ª edição, Lisboa: Portugália Editora, 1963 – p. 119-133; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 129-140
I
Caminhos do Alentejo. Terra bravia de fomes com piteiras aceradas como pontas de navalhas em esperas de encruzilhadas! Caminhos do Alentejo. Desde valados e sebes, searas, vilas, aldeias e chuvas e descampados (sem manta de me abrigar, ai, sem Maria Campaniça!…) — caminhos do Alentejo, desde menino vos piso!
Charneca de vida a vida tolhida de solidão; névoa da água dos olhos… Rude coração pesado do coro de ganhões perdidos na sombra que cai do céu. Ladrões a comerem estradas entre cavalos da guarda para a cadeia das vilas. Bebedeira de malteses desgraçados e terríveis gritando facas de mola! Caminhos do Alentejo, desde menino vos piso no meu caminho pra Beja!
Que Beja tem um Castelo, mirante do Alentejo: — quando a gente olha de longe vê Florbela na torre alta, esguia como quem era! Que da torre alta de Beja os olhos de Florbela, tão rasgados de lonjuras, vagueiam nos horizontes — como dois verdes faróis dos passos do meu caminho! Que a noite não é a noite tombando na planície: — é da torre alta de Beja os cabelos de Florbela destrançados sobre o mundo! Que a manhã não é manhã iluminando a charneca: — é da torre alta de Beja os olhos de Florbela abrindo-se, devagar!…
Ó navalhas de malteses, coro de ganhões perdidos, emboscadas de ladrões, ó urzes, cardos, esteveiras, terra bravia de fomes, caminhos do Alentejo — deixai-me passar em frente! Que na torre alta de Beja Florbela grita o meu nome Sorrindo para os meus olhos!… Sorrindo para os meus olhos com os seios tão redondos como duas rosas cheias!
II
Florbela não foi à monda nem às searas ceifar.
Nasceu senhora da vila: — nunca as suas mãos esguias colheram as azeitonas nos galhos das oliveiras.
Mas ela sabia tudo que há no coração da gente: — ouviu a gente cantar.
Desde menina cresceu ouvindo a gente cantar em ranchos, pelos montados, quando a noite vai subindo!…
III
Florbela às vezes descia às casas ricas da vila. Falava de tal maneira que ninguém a entendia nas casas ricas da vila.
Senhora na sua terra, sua terra abandonou…: — porque lá ninguém a queria…
Senhora numa cidade. Florbela as vezes descia às casas dos lavradores. Falava (como tu cantas ó Maria Campaniça!…) falava… — quem a entendia nas casas dos lavradores?!… Senhora numa cidade, a cidade abandonou…: — porque lá ninguém a queria…
IV
… Jogou-se às estradas da vida, caminhos do Alentejo, esbanjando braçados cheios da grande vida que tinha!
E os campaniços leais que bem a compreendiam! Raparigas de olhos pretos o modo como a olhavam! Maiores de largo gado ínvios atalhos desciam até às estradas reais. Moinhos presos nos cerros, velas pelo céu giravam; nos longes do descampado ardem queimadas vermelhas!…
E Florbela, de negro, esguia como quem era, seus longos braços abria esbanjando braçados cheios da grande vida que tinha!
V
Quando o vento leva o Sol, apaga a Lua e as estrelas e grita pelos pinhais; junto a brasas esquecidas — das esperas de ladrões pelas noites desgraçadas, carreiro da negra sina as mortes que te contava!… E o porcariço, menino solitário no montado, estremecendo em teu peito que apaixonado terror toda a noite o acordava!… Pobre cavador de enxada na dura terra sem fim… da fome da sua casa que lágrimas te chorava!… Maltês de correr o mundo, tão rasgado e tão senhor, da sua vida de sol linda manhã te ofertava!… E as camponesas, em coro pelas searas e olivais, um hino feito de mágoas em tua glória cantavam!…
VI
… Té que um dia, cansada de tanta vida dar, Florbela adormeceu antes da noite vir.
Ora foi que passava a nossa boa mãe Senhora Dona Morte. E vendo aquela moça caída a meio da estrada, com ternura a ergueu.
— Que alta e formosa Florbela era!
Ceifeiros que a viram passar junto à seara, a seara deixaram! Cavadores, nos cerros prà terra dobrados, os bustos ergueram descendo as encostas. Malteses sem rumo na estrada pararam. E as moças dos montes, que em casa lidavam, abriram postigos, de olhos deslumbrados!…
VII
… Ceifeiros sentiram que estavam bebendo água fria da fonte;
cavadores pensaram que tinham herdado a grande courela;
malteses juraram haver descoberto uma Estrada Nova!;
e as moças dos montes tremeram de espanto como se na noite um homem viesse tocar-lhes nos peitos!…
E Florbela passando parecia levada na vela da saia!…
VIII
… A cidade onde viveu seus olhos não a olharam: porque lá inda a não querem… Porque lá ninguém a quis, os seus olhos se voltaram da vila onde nasceu…
Senhora — como quem era!, alto Castelo de Beja para morada escolheu.
IX
Veio a noite e a manhã, veio um dia e outro dia: a Lua cresceu, minguou. E agora, na lua nova das negras noites sem fim, Florbela não aparece a ensinar o Caminho!… Florbela não aparece a levar-nos à Courela onde há a fonte e a moça, que são nossas!…, onde há a água e o pão e o amor que prometeu!…
X
Longínquos ecos que ouvi quando acordei noite fora, não eram vozes do vento falando pelas searas:
— eram os rumores dos gestos de Florbela despertando.
Sombra que surpreendi quando meus olhos voltei, não era sombra da árvore fugidia pelo chão:
— era Florbela errando inquieta ao meio do montado.
O calor que vem da terra ondulando como asas de subtilíssima chama, não é do lume do Sol:
— é cio que treme, solto dos alvos seios de Florbela.
A calma que cai do céu quando a noite principia e eu tombo de cansado faminto de a procurar, não é frescura da noite:
— é a mão de Florbela tocando na minha fronte.
Eis a página em branco
[ Utopia ]
Eis a página em branco do país azul Alentejo é a última utopia todas as aves partem para o sul todas as aves: como a poesia.
Poema: Manuel Alegre Música: Janita Salomé Intérprete: Janita Salomé (in CD “Raiano”, Farol, 1994)
Fui hoje ao Alentejo
Fui hoje ao Alentejo e vi paisagens De fome, de secura e desalento Nenhuma alma dali sonha as viagens Que ao brilho de um sol doiro faz o vento De fome, de secura e desalento
Meu Deus que gente é esta, que degredo Vive este povo ao Sul que nada clama Há rugas de azinheiras nos seus dedos Mas não há nossas senhoras sobre a rama Deste meu povo ao Sul que nada clama
Olhem que céu azul Com nuvens de poejo Que veio morar aqui no Alentejo Enxada a querer tirar do coração A terra onde me sofro e me revejo Malteses meus irmãos Baixem-me o Sol de Agosto Venham cantar-me modas ao Sol-Posto A este povo honesto é que eu pertenço A este mar de orgulho de amor imenso
Fui hoje ao Alentejo e vim chorando Eu que sou feita em pedra da mais dura Meu povo, minha esperança em fogo brando Quando é que fazes tua a tua altura Quando é que fazes tua a tua altura
Fui hoje ao Alentejo e percebi Porque é que de Além-Tejo és só o nome Porque é que há tantos deuses por aí Enquanto tanta gente aqui tem fome Porque é que de Além-Tejo és só o nome
Letra: Eduardo Olímpio Música: Paco Bandeira Intérprete: Margarida Bessa (in CD “Entre Cantos”) Versão original: Luísa Basto (in CD “Alentejo”, C. M. Serpa, 199?)
Em minarete
[ Rondel do Alentejo ]
Em minarete mate bate leve verde neve minuete de luar.
Meia-noite do Segredo no penedo duma noite de luar.
Olhos caros de Morgada enfeitada com preparos de luar.
Em minarete mate bate leve verde neve minuete de luar.
Rompem fogo pandeiretas morenitas, bailam tetas e bonitas, bailam chitas e jaquetas, são as fitas desafogo de luar.
Voa o xaile andorinha pelo baile, e a vida doentinha e a ermida ao luar.
Laçarote escarlate de cocote alegria de Maria la-ri-rate em folia de luar.
Em minarete mate bate leve verde neve minuete de luar.
Giram pés giram passos girassóis e os bonés, e os braços destes dois giram laços ao luar.
O colete desta Virgem endoidece como o S do foguete em vertigem de luar.
Em minarete mate bate leve verde neve minuete de luar.
Rompem fogo pandeiretas morenitas, bailam tetas e bonitas, bailam chitas e jaquetas, são as fitas desafogo de luar.
Voa o xaile andorinha pelo baile, e a vida doentinha e a ermida ao luar.
Laçarote escarlate de cocote alegria de Maria la-ri-rate em folia de luar.
Em minarete mate bate leve verde neve minuete de luar.
Giram pés giram passos girassóis e os bonés, e os braços destes dois giram laços ao luar.
O colete desta Virgem endoidece como o S do foguete em vertigem de luar.
Em minarete mate bate leve verde neve minuete de luar.
Poema: Almada Negreiros (adaptado) Música: Afonso Dias Intérprete: Vá-de-Viró com Afonso Dias (in CD “Por Aí…”, Música XXI – Associação Cultural, 2013) Versão original: Afonso Dias (in CD “Olhar de Pássaro”, Concertante, 2000)
Eu ia não sei p’ra onde
[ Pelo Toque da Viola ]
Eu ia não sei p’ra onde, Encontrei não sei quem era: Encontrei o mês de Abril Procurando a Primavera.
[ Moda: ]
Pelo toque da viola Já sei as horas que são: Inda não é meia-noite, Já passei um bom serão.
Já passei um bom serão, Vai dormir, vai descansar! Vai dormir, vai descansar, Amor da minh’afeição!
[ Cantiga segunda: ]
É alegre, sonhadora A canção alentejana: Cantada ao romper de aurora Nas margens do Guadiana.
[ Moda: ]
Pelo toque da viola Já sei as horas que são: Inda não é meia-noite, Já passei um bom serão.
Já passei um bom serão, Vai dormir, vai descansar! Vai dormir, vai descansar, Amor da minh’afeição!
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde”* (in CD “Modas”, Robi Droli, 1994; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD 1, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Há lobos sem ser na serra
Cantiga primeira:
Por eu ser alentejano, Alguém me chamou ladrão; Foi o que eu nunca chamei A quem me roubava o pão.
Moda:
Há lobos sem ser na serra, Eu ainda não sabia… Debaixo do arvoredo Trabalham com valentia.
Trabalham com valentia Cada um na sua arte; Eu ainda não sabia: Há lobos em toda parte.
Cantiga segunda:
Maldita sociedade, Estás tão mal organizada: Quem não trabalha tem tudo, Quem trabalha não tem nada!
Moda:
Há lobos sem ser na serra, Eu ainda não sabia… Debaixo do arvoredo Trabalham com valentia.
Trabalham com valentia Cada um na sua arte; Eu ainda não sabia: Há lobos em toda parte.
Há Lobos sem Ser na Serra Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde”* (in CD “O Círculo Que Leva a Lua”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2003; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD 2, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Quando eu oiço os cascavéis
[ Meu Alentejo Querido ]
[ Cantiga primeira: ]
Quando eu oiço os cascavéis Lembra-me a minha parelha, Quando eu era ganhão (Meu lindo Alentejo) Lavrando terra vermelha.
[ Moda: ]
Meu Alentejo querido, Cheio de sol e calor: És meu torrão preferido! (Meu lindo Alentejo) És p’ra mim encantador!
És p’ra mim encantador Embora vivas esquecido; Cheio de sol e calor, (Meu lindo Alentejo) Meu Alentejo querido!
[ Cantiga segunda: ]
Quando me ponho a pensar Fico de alma amargurada: Fico triste quando vejo (Meu lindo Alentejo) Tanta terra abandonada.
[ Moda: ]
Meu Alentejo querido, Cheio de sol e calor: És meu torrão preferido! (Meu lindo Alentejo) És p’ra mim encantador!
És p’ra mim encantador Embora vivas esquecido; Cheio de sol e calor, (Meu lindo Alentejo) Meu Alentejo querido!
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “O Círculo Que Leva a Lua”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2003; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD 2, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Roendo uma laranja na falésia
[ Porto Covo ]
Roendo uma laranja na falésia Olhando o mundo azul à minha frente, Ouvindo um rouxinol nas redondezas, No calmo improviso do poente
Em baixo fogos trémulos nas tendas Ao largo as águas brilham como prata E a brisa vai contando velhas lendas De portos e baías de piratas
Havia um pessegueiro na ilha Plantado por um vizir de Odemira Que dizem que por amor se matou novo Aqui, no lugar de Porto Covo
A lua já desceu sobre esta paz E reina sobre todo este luzeiro À volta toda a vida se compraz Enquanto um sargo assa no brazeiro
Ao longe a cidadela de um navio Acende-se no mar como um desejo Por trás de mim o bafo do destino Devolve-me à lembrança do Alentejo
Havia um pessegueiro na ilha Plantado por um vizir de Odemira Que dizem que por amor se matou novo Aqui, no lugar de Porto Covo
Roendo uma laranja na falésia Olhando à minha frente o azul escuro Podia ser um peixe na maré Nadando sem passado nem futuro
Havia um pessegueiro na ilha Plantado por um vizir de Odemira Que dizem que por amor se matou novo Aqui, no lugar de Porto Covo
Letra: Carlos Tê Música: Rui Veloso Intérprete: Rui Veloso
Verão
Verão, A brasa dourada e celeste Esvaiu do Sol agreste Doirando mais as espigas; Ceifeiros, corpos curvados Cortando e atando em molhos A bênção loira da vida.
Meu Alentejo, Enquanto isto se processa, O sol ferino e sem pressa Queima mais a tez bronzeada; O suor rasga as camisas, Um homem queimado mais fica, E a vida é feita de brasa.
O calor caustica os corpos, Os ceifeiros vão ceifando Sem parar no seu labor; O seu cantar é dolente, É certo que é boa gente, É verdade e tem mais sol.
Meu Alentejo, Enquanto isto se processa, O sol ferino e sem pressa Queima mais a tez bronzeada; O suor rasga as camisas, Um homem queimado mais fica, E a vida é feita de brasa.
O calor caustica os corpos, Os ceifeiros vão ceifando Sem parar no seu labor; O seu cantar é dolente, É certo que é boa gente, É verdade e tem mais sol.
Meu Alentejo, Enquanto isto se processa, O sol ferino e sem pressa Queima mais a tez bronzeada; O suor rasga as camisas, Um homem queimado mais fica, E a vida é feita de brasa.
Letra e música: Manuel Conde Fialho Intérprete: Grupo Banza / voz solo de António Jacob (in CD “A Açorda Alentejana”, Grupo Banza, 2004; CD “25 Anos”, Grupo Banza, 2006)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/alentejo-turismo-do-alentejo.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 00:00:352024-11-02 05:59:51Canções sobre o Alentejo
Nesta terra há um rio antigo de saudade que nos dá vida e sonho e encantamento e a paz que o campo tem e a verdade de quem vive outro sítio, outro momento.
Ter o Tejo aqui, assim, ao pé da porta é um berço de força e de saber. Traz-se ao peito o gosto da paixão enquanto o sol nos fala ao entardecer.
Viver assim é outro modo, outra maneira, outra vida, outro sonho a comandar. Passa o tempo escorregando à minha beira, cantam-se fados à noite para lembrar
E o sol e a gente e o campo e a cidade e a cheia, esse chão de água a cobrir tudo e a alma imensa de um povo sem idade não mudes tu, meu povo, que eu não mudo.
Nesta pátria Ribatejo se ama e canta se dança, se trabalha e se resiste e onde o peito alcance haverá chama ninguém é mais alegre nem mais triste.
E doce e forte e sereno ao mesmo tempo como os cavalos ao longe, ao pôr do sol existe aqui um templo que é eterno na lenda e no feitiço do Almourol.
E o sol e a gente e o campo e a cidade e a cheia, esse chão de água a cobrir tudo e a alma imensa de um povo sem idade não mudes tu, meu povo, que eu não mudo.
Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: João Chora (in CDs “João Chora”, 1999; “Ao Vivo na Chamusca”, 2001)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/leziria-ribatejana.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:55:522023-05-02 12:30:36Canções sobre o Ribatejo
Ai, ai, ai! O meu amor foi-se embora; Já lá vai com a maré cheia, Já lá vai p’la barra fora.
Ai, ai, ai! O meu amor anda ao mar; Quem tem amor mareante Não tem homem p’ra casar.
Ai, ai, ai! O meu amor foi-se embora; Já lá vai com a maré cheia, Já lá vai p’la barra fora.
Ai, ai, ai! O meu amor anda ao mar; Quem tem amor mareante Não tem homem p’ra casar.
Ai, ai, ai! O meu amor foi-se embora; Já lá vai com a maré cheia, Já lá vai p’la barra fora.
Celina da Piedade, Em Casa
Letra: Tradicional da região de Setúbal (recolhida em finais do séc. XIX) Música: Tradicional da região de Setúbal (recolhida finais do séc. XIX) + “Bonny Sweet Robin”, de autor anónimo inglês do séc. XVI Arranjo: Daniel Schvetz Intérprete: Celina da Piedade (in 2CD “Em Casa”: CD1, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos.
Estando a dobar
Estando a dobar meadinhas d’ouro Caiu-me o novelo, ficou em pó d’ouro. Cheguei-me à janela para ver quem vinha: Vinha uma saloia pela rua acima.
Trazia uma menina muito doentinha. Que lhe receitaram? Caldos de galinha. Chamaram por ela: «Toninha! Toninha!» Logo se curou mais a meadinha.
Estando a dobar meadinhas d’ouro Caiu-me o novelo, ficou em pó d’ouro. Cheguei-me à janela para ver quem vinha: Vinha uma saloia pela rua acima.
Trazia uma menina muito doentinha. Que lhe receitaram? Caldos de galinha. Chamaram por ela: «Toninha! Toninha!» Logo se curou mais a meadinha.
Letra e música: Tradicional Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Nossa Senhora do Cabo
Nossa Senhora do Cabo, Ao cabo de tantos anos, Tantas dores e desenganos, Já não sei para onde vou: Atravessei oceanos, Torrentes e tempestades E tantas são as saudades Que o meu peito se afundou.
Nossa Senhora do Cabo, Ao abrir esta janela Volto a ver a tua estrela Que me vem alumiar: E a sua luz é tão bela Que de pronto o meu caminho Se adivinha mais mansinho E mais doce o meu cantar.
Pela tua linda graça, Viageiro vagabundo, Enfrentei muita desgraça, Fui p’ra lá do fim do mundo: Tua graça é o sustento Do meu peito vagabundo Que enrolado pelo vento Vai e vem do fim do mundo.
Nossa Senhora do Cabo, Ao cabo do Ocidente, Tu que velas docemente Por quem se fizer ao mar, Abre os braços e consente Que o bichinho da aventura De novo traga a loucura Que sempre me fez voar!
Nossa Senhora do Cabo, Ao cabo de tanta estrada, Tanta rota atribulada, Só desejo regressar À pedra que foi talhada Nos teus braços de rainha, À terra a que chamo minha, À luz desse teu olhar.
Pela tua linda graça, Viageiro vagabundo, Enfrentei muita desgraça, Fui p’ra lá do fim do mundo: Tua graça é o sustento Do meu peito vagabundo Que enrolado pelo vento Vai e vem do fim do mundo.
Letra: José Fanha Música: Fernando Pereira Intérprete: Real Companhia Versão original: Real Companhia (in CD “Serranias”, Tê, 2013)
Real Companhia, Serranias
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/lisboa-terreiro-do-paco.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:49:442024-11-02 06:53:22Canções da Estremadura
A la puorta d’un rico abariento chega un pobre ciego, limosna pediu; L rico an beç de le dar la limosna, ls perros qu’habie se los assomou.
Nun beis que sou Dius? Nun beis que sou Dius?
Que los perros todos se morrirun, L rico abariento ciego se quedou. Que los perros todos se morrirun, L rico abariento ciego se quedou.
L bielho rico abariento ciego cuidaba qu’ls benes de l mundo éran sous; Quedou siete dies a las scuras a pedir la lhuç de ls uolhos a Dius.
Abre ls uolhos, ciego, i chama ls tous perros! La riqueza dás-la a quien precisa i quedas pra ti cun pouco de l que tenes! La riqueza dás-la a quien precisa i quedas pra ti cun pouco de l que tenes!
Letra: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina (estrofes incipit “L bielho rico abariento ciego” e “Abre ls uolhos, ciego, i chama ls tous perros”) Música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Intérprete: Galandum Galundaina* (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
Loja Meloteca, recursos criativos para musicalização infantil
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
A quetobia patorra
A quetobia patorra Está debaixo do torrão! A quetobia patorra, ai! A quetobia patorra Está debaixo do torrão;
Mas ai! ai! ai! ai! ai!
Moidinha com pancadas Que lhe deu o gafanhão; Moidinha com pancadas, ai! Moidinha com pancadas Que lhe deu o gafanhão; Mas ai! ai! ai! ai! ai!
Lá em baixo vem a raposa Pela rodeira do carro; Lá em baixo vem a raposa, ai! Lá em baixo vem a raposa, Pela rodeira do carro; Mas ai! ai! ai! ai! ai!
Traz os olhos na carcota E o cu debaixo do rabo; Traz os olhos na carcota, ai! Traz os olhos na carcota E o cu debaixo do rabo; Mas ai! ai! ai! ai! ai!
O lagarto é pintado Da cabeça até ao meio; O lagarto é pintado, ai! O lagarto é pintado Da cabeça até ao meio; Mas ai! ai! ai! ai! ai!
Não sei como às mulheres pode Com tanta carne no seio; Não sei como às mulheres pode, ai! Não sei como às mulheres pode Com tanta carne no seio; Mas ai! ai! ai! ai! ai!
Letra e música: Popular (Cardanha, Torre de Moncorvo, Trás-os-Montes) Recolha/transcrição: Maestro Afonso Valentim (de “Coreografia Popular Transmontana – III – O Galandum”, in “Douro Litoral”, Porto, 1953, 5.ª série, VII-VIII; “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 120) Arranjo e orquestração: Carlos Barata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Sinfónica Portuguesa & as Cantadeiras do Vale do Neiva (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Adeus, ó Vale de Gouvinhas
[ Marião ]
Adeus, ó Vale de Gouvinhas, Marião! Não és vila nem cidade, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião. És um povo pequenino, Marião, Feito à minha vontade, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião.
Hei-de cercar Vale de Gouvinhas, Marião, Com trinta metros de fita, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião. À porta do meu amor, Marião, Hei-de pôr a mais bonita, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião.
Os meus olhos não são olhos, Marião, Sem estarem os teus defronte, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião. Parecem dois rios de água, Marião, Quando vão de monte em monte, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião.
Já corri os mares em volta, Marião, Com uma vela branca acesa, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião. Em todo o mar achei água, Marião; Só em ti pouca firmeza, Marião. Sim, sim, Marião; Não, não, Marião.
Sim, sim, Marião; Não, não, Marião. Adeus, ó Vale de Gouvinhas, Marião!
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes) Intérprete: Afonso Dias com Teresa Silva Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016) Primeira versão: Brigada Victor Jara (in LP “Eito Fora: Cantares Regionais”, Mundo Novo/Editorial Caminho, 1977, reed. Farol Música, 1995) Outra versão da Brigada Victor Jara, com Minela Medeiros (in 2CD “Por Sendas, Montes e Vales”: CD 2, Farol Música, 2000)
Vale de Gouvinhas
Ai, lá se vai o Conde Ninho
[ Conde Ninho ]
Ai, lá se vai o Conde Ninho, Ao seu cavalo vai a banhar; Ai, enquanto o cavalo bebe Vai cantando um lindo cantar.
Ai, lá se vai o Conde Ninho, Ao seu cavalo vai a banhar; Ai, enquanto o cavalo bebe Vai cantando um lindo cantar.
Letra e música: Popular (Parada de Infanções, Bragança, Trás-os-Montes) Recolha: Michel Giacometti (in LP “Trás-os-Montes”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1960; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 2 – Trás-os-Montes, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 3 – Trás-os-Montes, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Arranjo e direcção musical: José Manuel David Intérprete: Gaiteiros de Lisboa (in CD “Avis Rara”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2012)
Ai lé lé lai lé lá
[ Primavera (Canção amoroso-pastoril) ]
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
A Primavera passada Foi o meu divertimento: Tomei amores mui cedo, Logrei-os mui pouco tempo.
Primavera, Primavera, Tempo de tomar amores; Não há tempo mais alegre Que Maio com suas flores.
Primavera, Primavera, Primavera dos boieiros; Coitadinhos dos pastores Que dormem pelos chiqueiros.
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
Letra e música: Popular (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro) Recolha: Fernando Lopes Graça (in livro “A Canção Popular Portuguesa”, Publicações Europa-América, 1953; 3.ª edição, col. Saber, Publicações Europa-América, s/d. – p. 75) Intérprete: Cantos d’Aurora (in CD “Sabores”, Cantos d’Aurora, 1996)
Ai minha mãe mandou-me à fonte
[ Fonte do Salgueirinho ]
— «Ai minha mãe mandou-me à fonte, à fonte do Salgueirinho; Ai mandou-me labar a cântara com a flor do rosmaninho. Ai eu labei-a com arena e scachei-le um bocadinho.»
— «Ai anda cá, perra traidora! Onde tinhas o sentido? Ai tinha-lo naquele mancebo que anda de amores contigo.»
— «Ai, minha mãe, não me bata com bara de marmeleiro! Ai que stou muito doentinha, mandai chamar o barbeiro!»
Ai o barbeiro já lá vem com uma lanceta na mão, Ai p’ra sangrar a menina na veia do coração.
— «Ai, minha mãe, não me bata com bara de marmeleiro! Ai que stou muito doentinha, mandai chamar o barbeiro!»
Letra e música: Tradicional (Caçarelhos, Vimioso, Trás-os-Montes) Informante: Adélia Garcia Recolha: Anne Caufriez (Julho de 1978, in LP “Trás-os-Montes: Chants du Blé et Cornemuses de Berger”, Ocora/Radio France, 1980, reed. Ocora/Radio France, 1993; CD “Traz os Montes”, de Né Ladeiras, Almalusa/EMI-VC, 1994) Adaptação: Galandum Galundaina Intérprete: Galandum Galundaina* (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
Ainita
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!
Eche usted um trago Outro traguito, Um trago grande; Agora si que vai bueno Yo estoi com hambre.
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!
Eche usted um trago Outro traguito, Um trago grande; Agora si que vai bueno Yo estoi com hambre.
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!
Eche usted um trago Outro traguito, Um trago grande; Agora si que vai bueno Yo estoi com hambre.
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!
Eche usted um trago Outro traguito, Um trago grande; Agora si que vai bueno Yo estoi com hambre.
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!
Eche usted um trago Outro traguito, Um trago grande; Agora si que vai bueno Yo estoi com hambre.
Ya después de haber bubido Ya José se lo dará.
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!
Eche usted um trago Outro traguito, Um trago grande; Agora si que vai bueno Yo estoi com hambre.
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!
Eche usted um trago Outro traguito, Um trago grande; Agora si que vai bueno Yo estoi com hambre.
Ainita, toma, l’Ainita! Ainita, toma, l’Ainita! Ai no!…
Letra e música: Tradicional (Freixiosa, Miranda do Douro, Trás-os-Montes) Informante: Clementina Rosa Afonso Recolha: Mário Correia e Abílio Topa (in CD “Clementina Rosa Afonso: Modas, Lhaços e Rimances”, col. Cantos Tradicionais, vol. 2, Sons da Terra, 1998; CD “Cantos das Mulheres da Terra de Miranda”, col. Cantos Tradicionais, vol. 7, Sons da Terra, 2005) Arranjo: César Prata Intérprete: César Prata e Vânia Couto Versão discográfica de César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
Aqui se canta
[ Anima Mea ]
Aqui se canta, aqui se baila, Aqui se joga a laranjinha; Eu conheço o meu amor Pelo nó da gravatinha.
Pelo nó da gravatinha, Pelo lenço cachiné; Aqui se canta, aqui se baila, Aqui se joga o dominé.
Triste és anima mea, Triste és anima tua; Quando estiver em teus braços Então direi: aleluia!
Triste és anima mea, São palavras em latim; O meu amor p’ra contigo Só por morte terá fim.
Letra e música: Popular (Trás-os-Montes) Arranjo: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD1, Ovação, 2001) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Recantos”, Polygram, 1996)
Outra versão da Ronda dos Quatro Caminhos com Katia Guerreiro, Inna Rechetnikova, Orquestra Sinfonietta de Lisboa e Coros do Alentejo (in DVD/CD “Ao Vivo no Centro Cultural de Belém”, Ocarina, 2005)
Beijai o Menino
Beijai o Menino, Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Encontrei a Maria Na beira do rio, Lavando os cueiros Do seu bendito Filho.
Maria lavava, São José estendia, E o Menino chorava Com o frio que tinha.
Cala, cala, meu Menino! Cala, cala, meu amor, Que as vossas verdades Me cortam com dor!
Os filhos dos ricos Em berços doirados… Só vós, meu Menino, Em palhas deitado!
Em palhas deitado, Em palhas aquecido, Filho de uma rosa, De um cravo nascido.
Beijai o Menino, Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Letra e música: Tradicional (Miranda do Douro) Recolha: José Alberto Sardinha (1982, in “Portugal – Raízes Musicais”: CD2 – Trás-os-Montes, BMG/JN, 1997) Intérprete: Cardo-Roxo (in CD “Alvorada”, Cardo-Roxo, 2015)
Bruxos há por estas terras
[ Terras de Feiticeiros ]
Bruxos há por estas terras Que só as luas conhecem: Sabem rezas, dizem falas Quando os dias anoitecem.
Choram com os lobos Pelo sangue dos cordeiros, Pela carne dos rebanhos. Pelas águas dos ribeiros.
Choram com os lobos, No calor das alcateias, Pelos irmãos lobisomens Que se escondem p’las aldeias.
Bruxos há por estes montes Nos ventos, nas noites calmas: Invocam anjos e santos P’ra cuidar das nossas almas.
Chamam os mortos, Todos são filhos de Deus: Os que ardem nos infernos E os que vivem lá nos Céus.
Chamam os mortos Para andar no nosso chão: Vêm do fundo dos tempos, Sabem do vinho e do pão.
Letra: António Prata Música: Popular (Trás-os-Montes) Arranjo: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos Versão original: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Sinfónica Portuguesa (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014)
Canedo stá borracho
Canedo stá borracho de bino i augardiente; Mandou tocar la gaita Delantre de toda giente.
Canedo nun podie Qu’era hora de l sagrado: Tocórun a rebate pra le botar la mano.
Yá matórun l Canedo mas nun fui na sue tierra: Fui an Santo Anton da Barca delantre de la capielha.
La giente inda se lhembra daqueilha maldiçon: Fazírun la barraige, mudórun l Santo Anton.
Nun ye culpa de l Canedo nien da gaita i bordon: Ye culpa de quien manda afogar l Santo Anton.
Canedo stá borracho de bino i augardiente; Mandou tocar la gaita Delantre de toda giente.
Yá matórun l Canedo mas nun fui na sue tierra: Fui an Santo Anton da Barca delantre de la capielha.
Letra: Tradicional (Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina (estrofes incipit”Canedo nun podie”, “La giente inda se lhembra” e “Nun ye culpa de l Canedo”) Música: Tradicional (Trás-os-Montes) Intérprete: Galandum Galundaina Primeira versão de Galandum Galundaina (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
Quatrada, Galandum Galundaina
Despediu-se o Sol da Aurora
[ Chora, Aurora ]
Despediu-se o Sol da Aurora, Aurora ficou chorando… Não chores, Aurora, não chores, não chores!… Aurora, não chores, que eu virei de quando em quando!
Ai, tu é que és o meu rapaz… Quando é que lá vais? Ai, vai ao jardim das flores! Lá me encontrarás.
Ai, se lá me não encontrares, Torna a voltar, torna a voltar! Ai, pergunta a quem tenha amores, A quem tenha amores, a quem saiba amar!
A quetobia patorra Está debaixo do torrão; A quetobia patorra, ai! A quetobia patorra Está debaixo do torrão. Mas ai! ai! ai!
Moidinha com pancadas Que lhe deu o gafanhão; Moidinha com pancadas, ai! Moidinha com pancadas Que lhe deu o gafanhão. Mas ai! ai! ai! ai!
Letra: Tradicional (“Nós somos trabalhadores” – Ferreira do Alentejo, Baixo Alentejo / “Ai, tu é que és o meu rapaz” – Amareleja, Baixo Alentejo / “A quetobia patorra” – Cardanha, Torre de Moncorvo, Trás-os-Montes) Recolhas: Michel Giacometti (“Nós somos trabalhadores”, in “Cancioneiro Popular Português”, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 127) / Pe. António Marvão (“Ai, tu é que és o meu rapaz”, 1920-42, in “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 106) / Maestro Afonso Valentim (“A quetobia patorra”, 1953, in “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 120) Música: Tradicional (“A quetobia patorra” – Cardanha, Torre de Moncorvo, Trás-os-Montes) e Carmina Repas Gonçalves Arranjo: Carmina Repas Gonçalves Intérprete: Cardo-Roxo (in CD “Alvorada”, Cardo-Roxo, 2015)
Deus te salve, ó Rosa
Deus te salve, ó Rosa Claro Serafim Pastora formosa Que fazeis aqui?
Estou guardando meu gado Que eu aqui deixei.
Deixai o vosso gado Que eu o guardarei Quero ser vosso criado Linda flor, meu bem
Não quero criados De meias de seda Não quero que as rompa Cá por estas estevas
Sapatos e meias Tudo as romperei Para ser vosso criado Linda flor, meu bem
Vá-se já embora E não me dê mais penas Que daqui a nada Vem meu amo Trazer-me a merenda
Letra e música: Popular (Trás-os-Montes) Intérprete: Voz feminina solo Recolha: Michel Giacometti (in “Cantos e Danças de Portugal”, Diapasão/Sassetti, 1981)
Dius te salve, Rosa!
[ Linda Pastorica (romance) ]
— Dius te salve, Rosa! — Lindo serafin! — Linda pastorica, que fazeis eiqui?
— Guardo l miu ganado qu’anda pur aí. — L tou ganado, Rosa, traio-l you eiqui.
— S’el yé de sou donho, nun te dê cuidado! — Queres-me tu, Rosica, para tou criado?
— Criados tan nobres, bestidos de seda, poden-se rumpér ainda nestas estebas.
— Çapatos i meias tudo rumperei; pur bias de ti la bida darei.
— Ide-bos ambora, nun me deixeis pena! Poden benir mius âmos traer la merenda.
— Balga-te Dius, Rosa, mas que amperteniente! Âmos nun son lhobos que comam la gente.
— Ide-bos ambora, yá bos ampuntei! Han-de dezir mius âmos an que m’acupei.
— S’eilhes te deziren an que t’acupéste, nun dilúbio d’auga parqui me chaméste.
— Ide-bos ambora, nun me deis tromento! Nun bos podo ber nin pur pensamento.
— Yá qu’antun m’ampuntas, you me bou andando; tu te quedas rindo, you me bou chorando.
— Bós ides chorando, bulbei-bos fugindo; l’amor yé tan bário yá me bou rendindo.
Ninas de l lhugar, beni pal miu ganado! You me bou ambora cu’l miu namorado.
— Bamo-nos ambora a drumir la sestia! — Nun se m’amporta nada que l ganado se perda.
— Bamo-nos ambora, mas pur mal andamos! Sabes tu, Rosica, que you sou tou armano?
— Se sois miu armano, armano de l’alma, pur favor te pido que nun digas nada!
Letra e música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Intérprete: Canto Ondo (in CD “Entre o Alto do Peito e as Campainhas da Garganta”, A Monda – Associação Cultural/Canto Ondo, 2016)
Mi Morena
Donde estará mi morena? Donde estará mi salada? De baxo del puente jora una morena, De baxo del puente de la carretera.
Donde estará mi morena? A la fuente a buscar agua. De baxo del puente jora una morena, De baxo del puente de la carretera.
Me diste una cinta verde, Tan verde como la rama. De baxo del puente jora una morena, De baxo del puente de la carretera.
La cinta la traigo al cuelo, A ti te traigo en el alma. De baxo del puente jora una morena, De baxo del puente de la carretera.
Con tus ojitos azules sobre tu cara morena, Los resplendores del cielo caiendo sobre la tierra. De baxo del puente jora una morena, De baxo del puente de la carretera.
Mi morena… Mi morena… Mi morena… Mi morena…
Letra e música: Popular (Rio de Onor, Trás-os-Montes) Arranjo: Paulo Loureiro Intérprete: Ana Laíns (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017) Primeira versão [?]: Brigada Victor Jara / voz solo de Margarida Miranda (in CD “Danças e Folias”, Farol Música, 1995; Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: CD “Danças e Folias”, Tradisom, 2015)
Rio de Onor
Donde vas
— Donde vas, donde vas, Adelaida? Donde vas, donde vas por ahi? — Voy en busca de mi amante Enrique Que se ha vuelto loco de penas por mí.
— Es la luna y Enrique no viene, Son las dos y Enrique no está. — Yo no siento que Enrique me deje Teniendo la ropa para nos casar.
— Donde vas, donde vas, Adelaida? Donde vas, donde vas por ahi? — Voy en busca de mi amante Enrique Que se ha vuelto loco de penas por mí.
— Es la luna y Enrique no viene, Son las dos y Enrique no está. — Yo no siento que Enrique me deje Teniendo la ropa para nos casar.
Letra e música: Tradicional (Rio de Onor, Trás-os-Montes) Recolha: Margot Dias Arranjo: Brigada Victor Jara Intérprete: Brigada Victor Jara, com Luísa Cruz (in 2CD “Por Sendas, Montes e Vales”: CD 2, Farol Música, 2000; Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: “Por Sendas, Montes e Vales”: CD 2, Tradisom, 2015)
Eito fora
Eito fora, eito fora, eito fora! Ai, e ó ai, e ó ai, e ó ai! Em lá chegando ao cabo, descansar! Ai, e ó ai, e ó ai, e ó ai!
Letra e música: Tradicional (“Cantiga da Ceifa” – Lourosa da Trapa, São Pedro do Sul, Beira Alta / “Passacalhes” – Miranda do Douro, Trás-os-Montes) Recolhas: Michel Giacometti (“Cantiga da Ceifa I”, 1969, in LP “Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1970; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 3 – Beiras, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 4 – Beiras, col. Portugal Som, Numérica, 2008) / Pe. António Mourinho (“Passacalhes”) Intérprete: Cardo-Roxo (in CD “Alvorada”, Cardo-Roxo, 2015)
Esta ye la tonadica de l fraile
[ Fraile Cornudo ]
Esta ye la tonadica de l fraile…
Fraile cornudo, Hecha-te al baile Que te quiero ber beilar, Saltar i brincar I andar por l aire!
Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile…
Busca cumpanha, Que te quiero ber beilar, Saltar i brincar I andar por l aire!
Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile…
Deixa-la sola, Que la quiero ber beilar, Saltar i brincar I andar por l aire!
Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile…
Fraile cornudo, Hecha-te al baile Que te quiero ber beilar, Saltar i brincar I andar por l aire!
Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile…
Busca cumpanha, Que te quiero ber beilar, Saltar i brincar I andar por l aire!
Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile…
Deixa-la sola, Que la quiero ber beilar, Saltar i brincar I andar por l aire!
Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile…
Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile… Esta ye la tonadica de l fraile…
Letra e música: Tradicional (Fonte da Aldeia, Miranda do Douro, Trás-os-Montes) Intérprete: Galandum Galundaina Primeira versão de Galandum Galundaina (in DVD “Ao Vivo no Teatro Municipal de Bragança”, Açor/Emiliano Toste, 2007) Outra versão de Galandum Galundaina (in CD “Senhor Galandum”, Açor/Emiliano Toste, 2009) [ ao vivo em Coimbra, Festival Passagem de Ano 2009/2010 ]
Este pandeiro que eu toco
[ Balsagaita cun Pandeiros ]
Este pandeiro que toco, este que tengo na mano, que me lo dou mie cunhada, la mulhier de miu armano.
Acudi-me, moças! Beni-me acudir! Las pulgas son tantas, nun me déixan drumir… Bóto-me a agarrá-las, bótan-se a fugir… Bóto-me a agarrá-las, bótan-se a fugir…
Este pandeiro que toco ten un aro de cortiça; You toco an Dues Eigreijas, respónden na Belariça.
Acudi-me, moças! Beni-me acudir! Las pulgas son tantas, nun me déixan drumir… Bóto-me a agarrá-las, bótan-se a fugir… Bóto-me a agarrá-las, bótan-se a fugir…
Este pandeiro que toco, a la puorta de la frauga, fai las moças mais bonitas chegar l burrico a l’auga.
Acudi-me, moças! Beni-me acudir! Las pulgas son tantas, nun me déixan drumir… Bóto-me a agarrá-las, bótan-se a fugir… Bóto-me a agarrá-las, bótan-se a fugir…
Letra: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina (estrofe incipit “Este pandeiro que toco / a la puorta de la frauga”) Música: Galandum Galundaina Intérprete: Galandum Galundaina (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
Emiliano Toste
Eu nunca fui cantador
Eu nunca fui cantador Nem aos descantes chamado; Meu pai é trabalhador, Trabalho me tem matado.
A sorte de um marinheiro É de todas a mais dura: Anda sempre a trabalhar Por cima da sepultura.
Eu nunca fui cantador Nem aos descantes chamado; Meu pai é trabalhador, Trabalho me tem matado.
Letra e música: Popular (Trás-os-Montes) Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* Arranjo: António Prata Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Outras Terras”, Ronda dos Quatro Caminhos, 1999) Segunda versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD 2, Ovação, 2001) [com o Quarteto Opus 4, ao vivo no Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova, 2007 Terceira versão da Ronda dos Quatro Caminhos, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014)
L gaiteiro de la Gudinha
L gaiteiro de la Gudinha Iá nun toca quando quier Scachoron-le la gaitica I amprenhoron-le la mulhier
Se tu quieres iou quiero Mas se iou quiero tu nó Saliste bien teimosa Sós pior que la tue bó
Indo malhada arriba Tropecei-te na rodeira Fugiste cumo la lhiebre Quando se anda atrás deilha
Nel meio del lhugar Hai ua grande lhagona Onde se meten eilhas A tocaren la çanfona
Letra: Tradicional (1.ª quadra) e Célio Pires Música: Tradicional Intérprete: Trasga (in CD “Al Absedo…”, Sons da Terra, 2012)
Gerinaldo, Gerinaldo
— Gerinaldo, Gerinaldo, pajem d’El-Rei tão querido, bem puderas, Gerinaldo, passar a noite comigo. — Zombais comigo, senhora, por ser o vosso cativo. — Eu não to digo zombando, é deveras que to digo. Logo ao dar a meia-noite, Gerinaldo, o atrevido; foi ao quarto da princesa, deu um ai mui dolorido. — Ide abrir a minha porta, que El-Rei não seja sentido; anda cá, ó Gerinaldo, podes-te deitar comigo. — Já era quase sol fora e Gerinaldo dormido. Acorda o rei de repente, chama o seu pajem querido, mas Gerinaldo não vem p’ra lhe trazer o vestido. — Ou estará morto o meu pajem ou traição me há cometido. — Responde dali um pajem que tudo tinha sentido: — Lá no quarto da princesa estará adormecido. — O rei levanta-se à pressa e leva o punhal consigo, Dormiam os dois na cama como mulher e marido. — Eu se mato Gerinaldo, criei-o de pequenino, e se mato a princesa fica o meu reino perdido. — Tira El-Rei o seu punhal, deixa-o entre os dois metido, Ia-se a virar o pajem, logo se sentiu ferido. — Acordai, ó bela infanta, acordai, que estou perdido: o punhal d’oiro d’El-Rei entre nós está metido! — O castigo que te dou, por seres meu pajem querido, é que a tomes por mulher e ela a ti por seu marido. — Gerinaldo, Gerinaldo, pajem d’El-Rei tão querido, E assim ficou bem feliz Gerinaldo, o atrevido.
Romance tradicional (Trás-os-Montes) Adaptação e arranjo: José Barros Intérprete: José Barros e Navegante (in CDs ” Rimances”, JBN, 2001; “…Vivos. E ao vivo”, Ocarina, 2003)
Indo you mie siêrra arriba
[ La Lhoba Parda ]
Indo you mie siêrra arriba, Delantre de miu ganado, Repicando lo caldeiro, Remendando l miu çamarro, Aparcírun-me siête lhobos: Todos siête na niada Trazien ua lhoba al meio Que era mais lhieba que parda; Me quitou ua cordeira La mejor de la piara.
Era ua cordeira branca, Filha dua oubeilha negra, Filha de l melhor maron Que se passiaba na siêrra. — «Arriba, arriba, cachorros! Abaixo, perra gudiana! Se m’agarrardes la lhoba La cena tenereis ganha I se num me l’agarrardes Cula caiata cenais!»
Siête lhéguas han corrido Los mius perros por arada I al fin de las siête lhéguas La lhoba staba cansada. — «Toma, perro, la cordeira! Lhiêba-la pa la piara!» — «Nun te quiêro la cordeira Que la tenes lhobadada. Só te quiêro la tue çamarra Para fazer ua albarda;
Las tripas para biolas, Para beiláren las damas; El rabo para correias, Para atacarmos las bragas.» — «Chames tous perros, pastor, Yá me bou pa las muntanhas! Direi a ls mius cumpanheiros Q’ you nun buolbo a tu’ malhada, Porque perros cumo ls tous Nun los tem l Rei de Spanha!»
Letra e música: Popular (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Arranjo e orquestração: Pedro Pitta Groz Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Sinfónica Portuguesa (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014)
Né Ladeiras
Marinheiro novo
Marinheiro novo, Que levas no teu navio? Levo rouxinóis que cantam, Passarinhos que assobiam.
Ora adeus, adeus! Ora adeus que já me vou! Não chores, amor, não chores! Não chores, que ainda aqui estou!
Marinheiro novo, Que levas no teu vapor? Levo lencinhos de seda Para dar ao meu amor.
Ora adeus, adeus! Ora adeus que já me vou! Não chores, amor, não chores! Não chores, que ainda aqui estou!
Marinheiro novo, Que levas na tua barca? Eu levo muitas saudades De quem fica e não embarca.
Ora adeus, adeus! Ora adeus que já me vou! Não chores, amor, não chores! Não chores, que ainda aqui estou!
Marinheiro novo, Que levas nas tuas águas? Levo barquinhos de oiro Para dar às namoradas.
Ora adeus, adeus! Ora adeus que já me vou! Não chores, amor, não chores! Não chores, que ainda aqui estou!
Não chores, amor, não chores! Não chores, que ainda aqui estou!
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes) Intérprete: Ai! (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)
Mirandum se fui a la guerra
Mirandum se fui a la guerra, Mirandum, Mirandum, Mirandela! Num sei quando benerá: Se benerá por la Pascua Mirandum, Mirandum. Mirandela! Ou se por la Trenidade?
La Trenidade se passa, Mirandum, Mirandum, Mirandela! Mirandum num bieno yá; Birun benir un passe, Mirandum, Mirandum, Mirandela! Que nobidades trairá?
Las nobidades que traio Mirandum, Mirandum, Mirandela! Bos han de fazer chorar: Que Mirandum yá ye muorto, Mirandum, Mirandum, Mirandela! You bien lo bi anterrar.
Mirandum, Mirandum, Mirandela! Mirandum se fui a la guerra, Num sei quando benerá, Num sei quando benerá: Se benerá por la Pascua Mirandum, Mirandum. Mirandela! Se benerá por la Pascua Ou se por la Trenidade?
La Trenidade se passa, Mirandum, Mirandum, Mirandela! La Trenidade se passa, Mirandum num bieno yá…
Letra e música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Intérprete: Galandum Galundaina Primeira versão de Galandum Galundaina (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
No lhugar de Dues Eigreijas
[ Duas Igrejas ]
No lhugar de Dues Eigreijas hay una piedra redonda onde se sentan los moços quando benen de la ronda.
Cardai, cardicas, cardai la lhana pa los cobertores! Que las pulgas stan prenhadas, ban a parir cardadores.
No lhugar de Dues Eigreijas hay una piedra burmeilha onde se sentan los moços a peináre la guedeilha.
Cardai, cardicas, cardai la lhana pa los cobertores! Que las pulgas stan prenhadas, ban a parir cardadores.
Letra e música: Popular (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Arranjo: Carlos Barata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD 1, Ovação, 2001) Segunda versão da Ronda dos Quatro Caminhos, com Orquestra Sinfonietta de Lisboa (in DVD/CD “Ao Vivo no Centro Cultural de Belém”, Ocarina, 2005)
Nós tenemos muitos nabos
Nós tenemos muitos nabos a cozer nua panela…
Nós tenemos muitos nabos a cozer nua panela; Nun tenemos sal nien unto, nien presunto nien bitela.
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas! Uas mais lhargas, outras mais gordas, uas de lhana, outras de stopa.
Ls chocalhos rúgen, rúgen, ls carneiros alhá ban; An chegando a Ourrieta Cuba ls carneiros bulberan.
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas! Uas mais lhargas, outras mais gordas, uas de lhana, outras de stopa.
Roubórun la Malgarida pula ripa de l telhado, cuidando que era toucino que stava çpindurado.
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas! Uas mais lhargas, outras mais gordas, uas de lhana, outras de stopa.
Nós tenemos muitos nabos a cozer nua panela; Nun tenemos sal nien unto, nien presunto nien bitela.
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas! Uas mais lhargas, outras mais gordas, uas de lhana, outras de stopa.
Ls chocalhos rúgen, rúgen, ls carneiros alhá ban; An chegando a Ourrieta Cuba ls carneiros bulberan.
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas! Uas mais lhargas, outras mais gordas, uas de lhana, outras de stopa.
Bai, Pedro, bai al lhugar de la justicia! Di le a tou amo, cumo you te digo a ti: Que la filha de l Lima stá ne l lhume i pinga; La filha de la Bergada stá ne l lhume i bai assada.
Pedro, que te falta? Repica la tue gaita! Tenes l pan na tulha l bino na bodega; Tenes la melhor moça que habie nesta tierra: Ciega dun uolho i manca dua pierna.
Bai, Pedro, bai al lhugar de la justicia! Di le a tou amo, cumo you te digo a ti: Que la filha de l Lima stá ne l lhume i pinga; La filha de la Bergada stá ne l lhume i bai assada.
Pedro, que te falta? Repica la tue gaita! Tenes l pan na tulha l bino na bodega; Tenes la melhor moça que habie nesta tierra: Ciega dun uolho i manca dua pierna.
Letra e música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Intérprete: Galandum Galundaina Versão anterior de Galandum Galundaina (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015) Primeira versão de Galandum Galundaina (in CD “L Purmeiro”, Açor/Emiliano Toste, 2002) Outra versão de Galandum Galundaina (in DVD “Ao Vivo no Teatro Municipal de Bragança”, Açor/Emiliano Toste, 2007)
Nun me gusta l pan centeno
[ Para Namorar Morena ]
Nun me gusta l pan centeno que m’amarga la costreza; S’algun die falei contigo, nun me pesa, nun me pesa!
Para namorar, para namorar, morena… Para namorar, bun çapato i buona meia!
(bis)
Sei un ciento de cantigas i mais ua talagada: Puodo cantar toda a noite i mais toda la madrugada.
Para namorar, para namorar, morena… Para namorar, bun çapato i buona meia!
Diabos lhieben ls ratos i ls dientes das formigas, Que me robírun ls lhibros donde stában las cantigas!
Para namorar, para namorar, morena… Para namorar, bun çapato i buona meia!
Yá comi, yá bui, tengo la barriga chena! Mas de l amor tengo fame: só te quiero a ti, morena!
Para namorar, para namorar, morena… Para namorar, bun çapato i buona meia!
Ó senhor da casa, quiero la mano da sue filha! You yá la namoro hai nuobe meses i un die; Tengo l lhume aceso, quiero ser sou marido, la cama caliente pra deitar l nuosso nino.
Alhá na nuossa tierra sou you l regidor; Yá nun tengo mula, cumprei um tractor; Cabeço de la Trindade yá sembrei la huorta; Tardo quatro jeiras para dar la ronda.
Ó senhor da casa, quiero la mano da sue filha! You yá la namoro hai nuobe meses i un die; Tengo l lhume aceso, quiero ser sou marido, la cama caliente pra deitar l nuosso nino.
Letra: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina (estrofes incipit “Ó senhor da casa” e “Alhá na nuossa tierra”) Música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina Intérprete: Galandum Galundaina Versão original: Galandum Galundaina (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
Nunca andes com mentiras
[ Mentiras ]
Nunca andes com mentiras Que é um caso perigoso Que eu já tive um namorado Deixei-o por mentiroso
Vais dizendo pelas ruas Que tu já me tens deixado Bem sabe já toda a gente Que tu andas enganado
Vais dizendo pelas ruas Que tu me tens esquecido Bem sabe já toda a gente Que eu nunca te tenho querido
Tenho-te dito mil vezes Não venhas aonde estou Sempre estás a vir p’ra mim E aonde estás não vou.
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes) Recolha: Domingos Morais (1985, cantada por Francisco dos Reis Domingues) Intérprete: Stockholm Lisboa Project (in CD “Sol”, Nomis Musik, 2007)
Oh bento airoso
Oh bento airoso, mistério divino! Encontrei a Maria à beira do rio E lavando os cueiros do bendito Filho.
Oh bento airoso, mistério divino! Maria lavava, S. José estendia E o Menino chorava c’o frio que fazia.
Oh bento airoso, mistério divino! Calai, meu Menino! Calai, meu amor! As vossas verdades me matam com dor.
Letra e música: Tradicional (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes) Recolha: Michel Giacometti (1960, in “Cancioneiro Popular Português”, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 43) Intérprete: Janita Salomé (in CD “Em Nome da Rosa”, Cantar ao Sol/Ponto Zurca, 2014)
Ó minha mãe, deixe
[ Arraial de Valpaços ]
Ó minha mãe, deixe, deixe! Ó minha mãe deixe-me ir Ao arraial a Valpaços Qu’eu vou e torno a vir!
Ó Senhora da Saúde, Que dais a quem vos vai ver? Bom terreiro p’ra dançar, Água fresca p’ra beber.
Ó Senhora da Saúde, Que dais aos vossos romeiros? Dou-lhe água da minha fonte, Sombra dos meus castinheiros.
Ó Senhora da Saúde, Mandai varrer as areias! Já lá rompi os sapatos, Não quero romper as meias.
Ó Senhora da Saúde, Eu p’rò ano lá irei Ou casada ou solteira; Santinha, isso é qu’eu não sei.
Ó Senhora da Saúde, Eu p’rò ano não prometo, Que me morreu o amor; Ando vestida de preto.
Letra e música: Popular Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
Pur baixo de la punte Retomba l rio; Ye ua lhabadeira Kus, kus, bulis, bulis! Kai, kai, minha bida! Que lhaba trigo, Que lhaba trigo.
Pur baixo de la punte Retomba l’água; Ye ua lhabadeira Kus, kus, bulis, bulis! Kai, kai, minha bida! Que panhos lhaba, Que panhos lhaba.
Pur baixo de la punte, Stá la raposa Remendando sue sáia Kus, kus, bulis, bulis! Kai, kai, minha bida! De çaragoça, De çaragoça.
Pur baixo de la punte, Stá Catalina Remendando sue sáia Kus, kus, bulis, bulis! Kai, kai, minha bida! De costorina, De costorina.
Letra e música: Popular (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) / Introdução: Canto gregoriano Kyrie XI (Orbis Factor), Sécs. XIV-XVI Arranjo, orquestração e harmonização do coro: Vasco Pearce de Azevedo Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, Armando Possante e coro gregoriano (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014) Primeira versão [?]: Galandum Galundaina (in CD “Modas i Anzonas”, Açor/Emiliano Toste, 2005)
Glossário:
çaragoça (em português: saragoça) – tecido grosseiro de lã preta, geralmente usado na confecção de roupa dos camponeses. Deve o nome à circunstância de ser fabricado, primitivamente, na cidade aragonesa de Saragoça.
costorina (em português: castorina, do fr. castorine) – nome dado, originalmente, ao tecido feito do pêlo do castor; posteriormente passou também a designar um tecido de lã, leve, macio e sedoso.
Senhor Galandun, Galandun Galundaina! Senhor Galandun, Galandun Galundaina! Madre la bizcaia, cun las trés traseiras, cun las delantreiras, Dá-me la mano squierda, dá-me la dreita! I arréden-se atrás, que manda la reberéncia!
Yá nun manda l Rei, que manda la Justícia! Esses bailadores que se cáian cun la risa, que se cáian, que se cáian! Esses bailadores que se cáian cun la risa, que se cáian, que se cáian!
Yá nun manda l Rei, que yá manda l’Alcaide! Yá nun manda l Rei, que yá manda l’Alcaide! Esses bailadores que se lhebanten i que bailen, que bailen, que bailen! Esses bailadores que se lhebanten i que bailen, que bailen, que bailen!
Yá nun manda l Rei, que manda l Regidor! Yá nun manda l Rei, que manda l Regidor! Essas bailadeiras que se cáian cun la risa, que se caian, que se cáian! Essas bailadeiras que se cáian cun la risa, que se caian, que se cáian!
La casa de l Cura nun ten mais que ua cama, La casa de l Cura nun ten mais que ua cama: An la cama drume l Cura donde conhos drume l’ama, donde conhos drume l’ama; An la cama drume l Cura donde conhos drume l’ama, donde conhos drume l’ama. Tu madre me dixo que eras machorra, Tu madre me dixo que eras machorra; Me saliste prenha, mira que porra, que porra, que porra! Me saliste prenha, mira que porra, que porra, que porra!
Letra e música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Intérprete: Galandum Galundaina Primeira versão de Galandum Galundaina (in CD “Senhor Galandum”, Açor/Emiliano Toste, 2009)
Siga a malta
Siga a malta, siga a malta, siga a malta pra diante! Siga a malta pra diante! Esta malta stá parada só por nun haber quien cante, só por nun haber quien mande.
No tiempo de primabera todo l mundo reberdece: Bien lhargo l eimbierno seia d’amberdecer nun se squece i naide outra cousa spera por esso naide se spante que téngamos esta eideia. Siga a malta pra diante!
Siga a malta, siga a malta, siga a malta pra diante! Siga a malta pra diante! Esta malta stá parada só por nun haber quien cante, só por nun haber quien mande.
Na selombra dun sobreiro quememos nuossa merenda: Çcansados apuis la ronda i se nun hai quien santenda; Qualquier un quier ser purmeiro ou por nada fáien guerra, nós dezimos que yá bonda. Siga a malta i trema a tierra!
Siga a malta, siga a malta, siga a malta pra diante! Siga a malta pra diante! Esta malta stá parada só por nun haber quien cante, só por nun haber quien mande.
Siga a malta, siga a malta, siga a malta i trema a tierra! Siga a malta i trema a tierra! Benga d’alhá quien benir, esta malta nun arreda! Esta malta nun arreda!
Anriba deste cabeço l praino bemos, i Spanha; Mas l cielo nunca l bimos, muito hai quien mos anganha; Yá muitá tubo esse ampeço por esso rábia mos medra i a cantar eiqui benimos. Esta malta nun arreda!
Siga a malta, siga a malta, siga a malta pra diante! Siga a malta pra diante! Esta malta stá parada só por nun haber quien cante, só por nun haber quien mande.
Siga a malta, siga a malta, siga a malta i trema a tierra! Siga a malta i trema a tierra! Benga d’alhá quien benir, esta malta nun arreda! Esta malta nun arreda!
Letra: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Amadeu Ferreira (estrofes incipit “No tiempo de primabera”, “Na selombra dun sobreiro” e “Anriba deste cabeço”) Música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina Intérprete: Galandum Galundaina Versão original: Galandum Galundaina com José Medeiros (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
Galandum Galundaina
Tanta silba
[ Tanta Pomba ]
Tanta silba, tanta silba, tanta silba, tanta muora! Tanta rapaza bonita i miu pai sien ua nora!
I miu pai sien ua nuora, pra l miu pai nuora nun hai; Cumo há-de tener nuora se nun falo para naide?
Atira, caçador, atira a la palomba qu’anda na eira! Ah lhadron que la mateste, andaba para ser freira!
Andaba para ser freira, traíe ua bela na mano; Lhembrou-se de ls sous amores: «Nun quiero ser freira, nó!»
Yá murriu la palomba branca, yá alhá bai l portador; Yá nun tengo quien me lhiebe las cartas al miu amor.
La palomba chubiu a l aire, la palomba alhá chubiu; Nos braços de l miu amor agarrei la palomba i eilha nun fugiu.
Atira, caçador, atira a la palomba qu’anda na eira! Ah lhadron que la mateste, andaba para ser freira!
Andaba para ser freira, traíe ua bela na mano; Lhembrou-se de ls sous amores: «Nun quiero ser freira, nó!»
Yá murriu la palomba branca, yá alhá bai l portador; Yá nun tengo quien me lhiebe las cartas al miu amor.
La palomba chubiu a l aire, la palomba alhá chubiu; Nos braços de l miu amor agarrei la palomba i eilha nun fugiu. Piu!
Letra e música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) Arranjo: Clã e Galandum Galundaina Intérprete: Galandum Galundaina com Manuela Azevedo (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)
Tinha vinte e quatro freiras
[ Trângulo-Mângulo (lengalenga) ]
Tinha vinte e quatro freiras, mandei-as fazer um doce: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão doze.
Dessas doze que ficaram, mandei-as vestir de bronze: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão onze.
Dessas onze que ficaram, mandei-as lavar os pés: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão dez.
Dessas dez que me ficaram, mandei-as p’ró Dezanove: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão nove.
Dessas nove que ficaram, mandei-as comer biscoito: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão oito.
Dessas oito que ficaram mandei-as p’ró Dezassete: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão sete.
Dessas sete que me ficaram, mandei-as cantar os Reis: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão seis.
Dessas seis que me ficaram, mandei-as p’ró João Pinto: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão cinco.
Dessas cinco que ficaram, mandei-as cortar tabaco: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão quatro.
Dessas quatro que ficaram, mandei-as lá outra vez: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão três.
Dessas três que me ficaram, mandei-as calçar as luvas: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão duas.
Dessas duas que ficaram, mandei-as comer pirua: deu-lhes o trângulotrico trângulomângulo nelas, não ficaram senão uma.
Tinha vinte e quatro freiras, fi-las andar na poeira: elas morreram-me todas com uma grande borracheira.
Letra: Popular (Santa Marta de Penaguião, Trás-os-Montes e Alto Douro) Música: Carlos Guerreiro Intérprete: Gaiteiros de Lisboa* Versão original: Gaiteiros de Lisboa com Vozes da Rádio (in CD “Bocas do Inferno”, Farol Música, 1997; CD “A História”, Uguru, 2017) [>> YouTube] Outra versão: Gaiteiros de Lisboa com Vozes da Rádio (in 2CD “Dançachamas: Ao Vivo”: CD 2, Farol Música, 2000)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/montalegre-tras-os-montes.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:44:482024-11-02 06:56:03Canções de Trás-os-Montes e Alto Douro
Água do rio clara Deixa passar a barrenta; Quem tem o coração duro Cai ao chão e não rebenta.
Ai, amor, deita a barca ao rio! Deita a barca ao rio! Vamos barquear! Ai, amor, se a barca tomba Caio ao rio, Não sei nadar!
A água daquele rio Corre que desaparece; Quem tem amor vadio
Tanto “alembra” como esquece. Ai, amor, deita a barca ao rio! Deita a barca ao rio! Vamos barquear! Ai, amor, se a barca tomba Caio ao rio, Não sei nadar!
Minha mãe diz que não quer Ter um filho marinheiro: Tem medo que lhe morra Nos embalos do Loureiro.
Ai, amor, deita a barca ao rio! Deita a barca ao rio! Vamos barquear! Ai, amor, se a barca tomba Caio ao rio, Não sei nadar!
Letra e música: Tradicional (“Deita a Barca ao Rio” e “Amendoeira” – Barqueiros, Mesão Frio, Douro Litoral/Alto Douro; “Muinheira de Piornedo” – Galiza) Intérprete: Arrefole (in CD “Veículo Climatizado”, Açor/Emiliano Toste, 2006)
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
Neste porto manso eterno
[ Porto Antigo ]
Neste porto manso eterno onde descanso porque me fica aqui o peito e o sentido com aquela água imensa navegando, este rio, ao passar, fala comigo e parece murmurar-se quente e brando como o mundo é mais sereno em Porto antigo.
O velho Douro é como um hino à natureza escorrendo entre os dedos da montanha ao sol que o faz vibrar e pressentir mostrando a história em socalcos vinhateiros nos solares de baronetes e herdeiros com brasões verdadeiros ou a fingir
Dos barcos que se cruzam indo e vindo alguém levanta a mão saudando ao longe como um monge pagão fugido à norma. O próprio rio me esmaga e me transforma, o casario dá impressão que vai cair e eu sei que vou chorar quando partir.
Sei que o tempo ali parou naquele cais e não quero saber de mais informação que a que me traz com majestade o Douro amigo. Eu quero ficar ali para sempre, ali contigo, olhos nas margens do sentir, a mão na mão. Ai, como o mundo é mais sereno em Porto Antigo.
Poema e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso (in CD “Navegador do Futuro”, Ocarina, 2004)
Pedro Barroso, Navegador do Futuro
Quem vem e atravessa o rio
[ Porto sentido ]
Quem vem e atravessa o rio junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar.
Quem te vê ao vir da ponte, és cascata são-joanina erigida sobre um monte no meio da neblina
por ruelas e calçadas da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós.
Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria.
Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez em cada regresso a casa rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa.
Letra: Carlos Tê Música: Rui Veloso Intérprete: Rui Veloso (in “Rui Veloso”, EMI-VC, 1986)
Tenho dentro do meu peito
[ Cantiga da Segada ]
Tenho dentro do meu peito, Ai dentro do meu peito, Dois moinhos a moer: Um anda, o outro desanda, Ai o outro desanda, Assim é o bem-querer.
Tenho dentro do meu peito, Ai dentro do meu peito, Um alambique d’aguardente, P’ra destilar as saudades, Ai ouvides, ouvides, Quando de ti estou ausente.
Letra e música: Tradicional (Castro Daire, Douro Litoral) Recolha: José Alberto Sardinha (1977, in “Portugal – Raízes Musicais”: CD 1 – Minho e Douro Litoral, BMG/JN, 1997) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in CD “Segue-me à Capela”, Segue-me à Capela, 2004)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/porto-foto-erasmusu.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:40:452023-05-02 12:26:51Canções do Douro Litoral
A lua nasceu e cresceu no além, A noite chegou também; Meu bebé, vai dormir! Vai dormir e sonhar! Deixa a lua subir lá no ar. Meu bebé, vai dormir! Vai dormir e sonhar! Deixa a lua subir lá no ar.
A rôca poisou e largou sem chorar, Seus olhos vão já fechar; Nada pode impedir Que o bebé durma bem, Nem papão há-de vir nem ninguém.
Tu verás, meu amor, Como é bom sonhos ter: Deus te dê os melhores que houver! Amanhã contarás tudo o que se passar E depois voltarás a sonhar.
A lua nasceu e cresceu no além, A noite surgiu também; Vai dormir, meu amor, Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri. Vai dormir, meu amor, Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri.
Tu verás, meu amor, Como é bom sonhos ter: Deus te dê os melhores que houver! Vai dormir, meu amor! Vai dormir e sonhar! Deixa a lua subir lá no ar.
Tu verás, meu amor, Como é bom sonhos ter: Deus te dê os melhores que houver! Vai dormir, meu amor! Vai dormir e sonhar! Deixa a lua crescer lá no ar.
Amanhã contarás tudo o que se passar E depois voltarás a sonhar.
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérprete: Musicalbi (in CD “Mastiço”, Musicalbi/I Som, 2007; CD “Lado Calmo”, Musicalbi, 2014)
Loja Meloteca, recursos criativos para musicalização infantil
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
Cala-te, Menino, Cala!
Cala-te, menino, cala! Cala-te, menino, cala! Que a senhora logo vem! Que a senhora logo vem! Foi lavar os cueirinhos, Foi lavar os cueirinhos, Ao chafariz de Belém, Ao chafariz de Belém.
Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó!
Cala-te, menino, cala! Cala-te, menino, cala! Cala-te e torna a calar! Cala-te e torna a calar! Eu tenho muito que fazer, Eu tenho muito que fazer, Não te posso embalar, Não te posso embalar.
Cala-te, menino, cala! Cala-te, menino, cala! Cala-te e torna a calar! Cala-te e torna a calar! Eu tenho muito que fazer, Eu tenho muito que fazer, Não te posso embalar, Não te posso embalar.
Letra e música: Tradicional (Paul, Covilhã, Beira Baixa) Recolha: José Alberto Sardinha (“Embalo”, 1981, in “Recolhas Musicais da Tradição Oral Portuguesa: LP 1 – Beira Baixa e Minho”, Contralto – Música Popular, Lda., 1982; “Portugal – Raízes Musicais”: CD 4 – Beira Baixa e Beira Trasmontana, BMG/JN, 1997) Intérprete: O Baú* (in CD “Achega-te”, O Baú, 2012)
O Baú
Cravo roxo à janela
Cravo roxo à janela É sinal de casamento Menina recolha o cravo, ó ai Que o casar ainda tem tempo Cravo roxo ama, ama Ó jasmim adora, adora Rosa branca brumelhinha, ó ai Se tens pena chora, chora Cravo roxo sentimento Que eu bem sentida estou Por amar quem me não ama, ó ai Querer bem a quem me deixou Tenho à minha janela O que tu não tens à tua Cravo roxo salpicado, ó ai Que dá cheiro a toda a rua
Letra e música: Popular (Beira Baixa) Arranjo: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos / Coro Polifónico Eborae Musica / Adufeiras de Monsanto / Coral Guadiana de Mértola (in CD “Sulitânia”, Ocarina, 2007)
Ronda dos Quatro Caminhos, Sulitânia
Era ainda pequenino
Era ainda pequenino Acabado de nascer Inda mal abria os olhos Já era para te ver
Acabado de nascer Quando eu já for velhinho Acabado de morrer Olha bem para os meus olhos
Sem vida são p’ra te ver Acabados de morrer Era ainda pequenino Acabado de nascer
Inda mal abria os olhos Já era para te ver Acabado de nascer
Letra e música: Popular (Beira Baixa) Intérprete: Adriano Correia de Oliveira (in “Cantigas Portuguesas”, Orfeu, 1980; “Obra Completa”, Movieplay, 1994, 2007)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Esta noite não é noite
[ Moda da Zamburra ]
Esta noite não é noite não é noite de dormir nem esta nem a que vem nem a que está para vir não é noite de dormir
Pelo mar abaixo vai um pintassilgo c’o arado às costas semeando o trigo
Estas casas não são casas Estas casas são casinhas Tantos anos viva o mundo Como elas têm de pedrinhas
Estas casas são casinhas Pelo mar abaixo vai uma cabaça Se ela leva vinho leva toda a graça Pelo mar abaixo vai um pintassilgo c’o arado às costas semeando o trigo
Ó Entrudo, ó Entrudo ó Entrudo chocalheiro tu não deixas assentar as mocinhas ao solheiro ó Entrudo chocalheiro
Pelo mar abaixo vai um pintassilgo c’o arado às costas semeando o trigo
Pelo mar abaixo vai uma cabaça Se ela leva vinho leva toda a graça
Letra e música: Popular (Concelho de Castelo Branco, Beira Baixa) Arranjo: Aurélio Malva Intérprete: Brigada Victor Jara (in CD “Danças e Folias”, Farol, 1995)
Brigada Victor Jara, Danças e Folias
Estava a velha no seu lugar
[ A Velha a Fiar (Lengalenga) ]
Estava a velha no seu lugar Veio a mosca chatear A mosca na velha, a velha a fiar Estava a mosca no seu lugar Veio a aranha chatear A aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar Estava a aranha no seu lugar Veio o rato chatear O rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar Estava o rato no seu lugar Veio o gato chatear O gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar Estava o gato no seu lugar Veio o cão chatear O cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar Estava o cão no seu lugar Veio o homem chatear O homem no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar Estava o homem no seu lugar Veio a morte chatear A morte no homem, o homem no cão, o cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha, a velha a fiar
Letra e música: Tradicional (Proença-a-Nova, Beira Baixa) Recolha: José Alberto Sardinha (1989, in “Portugal – Raízes Musicais”: CD 4 – “Beira Baixa e Beira Trasmontana”, BMG/JN, 1997) Arranjo: Velha Gaiteira Intérprete: Velha Gaiteira (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa) Versão discográfica de Velha Gaiteira, com Grupo de Percussão da Escola Cidade de Castelo Branco (vozes) (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)
Eu venho de marcelada
[ Marcelada ]
Eu venho de marcelada.
Eu venho de marcelada, Venho de colher marcela, Lá dos campos do castelo, Daquela mais amarela. Venho de marcelada.
Eu venho de marcelada, Venho de colher uma flor, Lá dos campos do castelo, Para dar ao meu amor. Venho de marcelada.
Eu venho de marcelada, Venho de colher um cravo, Lá das bandas do castelo, Para dar ao namorado. Venho de marcelada.
Eu venho de marcelada, Venho de colher marcela, Lá dos campos do castelo, Daquela mais amarela. Venho de marcelada.
Eu venho de marcelada, Venho de colher uma flor, Lá dos campos do castelo, Para dar ao meu amor. Venho de marcelada.
Eu venho de marcelada, Venho de colher um cravo, Lá das bandas do castelo, Para dar ao namorado. Venho de marcelada.
Letra e música: Tradicional (Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Recolha: Hubert de Fraysseix Intérprete: Musicalbi* (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)
Eu venho de aqui
[ Debaixo da Laranjeira ]
Eu venho de aqui, de aqui Eu venho de aqui, de além Debaixo da laranjeira, ó ai Muita laranja apanhei Muita laranja apanhei Uma verde outra amarela Debaixo da laranjeira, ó ai Namorei uma donzela Namorei uma donzela Namorei o meu amor Debaixo da laranjeira, ó ai Nem chove nem faz calor Nem chove nem faz calor Ó que vento tão fresquinho Debaixo da laranjeira, ó ai Meu amor deu-me um beijinho Meu amor deu-me um beijinho E um abraço apertado Debaixo da laranjeira, ó ai Saímos de lá casados Saímos de lá casados De dia e a toda a hora Debaixo da laranjeira, ó ai Meu amor, vamos embora
Letra e música: Popular (Beira Baixa) Arranjo: Pedro Pitta Groz Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos / Adufeiras de Monsanto (in CD “Sulitânia”, Ocarina, 2007)
Florinda, vem à Janela!
— «Florinda, vem à janela Que eu quero falar contigo! Se tu não vens à janela Dou um tiro no ouvido!
Dou um tiro no ouvido, Dou um tiro no coração!» — «Ó minha mãe, venha ver O Mário morto no chão!»
— «Que fizeste tu, Florinda, Para se o Mário matar?» — «Eu pedi-lhe as minhas cartas Para o namoro acabar.»
No dia do funeral Tudo foi a acompanhar, Só a mãe da Florindinha Ficou em casa a chorar.
— «Tira o luto, ó Florinda, Que o luto não te diz bem! Se quisesses bem ao Mário Matavas-te a ti também.»
Da janela do meu quarto Vejo a pedra ensanguentada Onde o Mário se matou Por causa da namorada.
Da janela do meu quarto Vejo as portas do cemitério Onde o Mário está dormindo O seu soninho eterno.
Letra e música: Tradicional (Zebreira, Idanha-a-Nova) Informante: Maria Luísa Roseiro Recolha: César Prata Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016) Primeira versão: César Prata (in CD “Canções de Cordel”, Teatro Municipal da Guarda, 2010)
Fui um ano às vindimas
[ Vindimas ]
Fui um ano às vindimas, Pagaram-me a trinta reis; Dei um vintém ao barqueiro, Ai, fui p’ra casa com dez reis.
Foram todos à vindima, Foram todos vindimar; As uvas foram p’ró cesto, Do cesto para o lagar.
Não se me dá que vindimem Vinhas que eu já vindimei; Não se me dá que outros logrem Amores que eu rejeitei. Não se me dá que outros logrem Amores que eu rejeitei.
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérprete: Velha Gaiteira
Hei-de cercar a Idanha
[ Moda das Sachas ]
Hei-de cercar a Idanha Com muitas peças de fita; À porta do meu amor Hei-de pôr a mais bonita.
As armas do meu adufe São de pau de laranjeira; Quem houver de tocar nele Há-de ter a mão ligeira.
Todos os males se curam Com remédios da botica; Só as saudades não saram: Quem as tem com elas fica.
As armas do meu adufe São de pau de laranjeira; Quem houver de tocar nele Há-de ter a mão ligeira.
O Sol quando se quer pôr Anda de ramo em ramo: Alegria de nós todos, Tristeza do nosso amo.
As armas do meu adufe São de pau de laranjeira; Quem houver de tocar nele Há-de ter a mão ligeira.
Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Arranjo: Musicalbi Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)
Musicalbi
Indo eu d’aqui tão longe
[ Canção de Romaria ]
Indo eu d’aqui tão longe, Sem pôr os pés na calçada, Venho dar os parabéns À senhora esposada.
Venho dar os parabéns À senhora esposada; Indo eu d’aqui tão longe Sem pôr os pés na calçada.
Lá em cima ao altar-mor Aqui treme o coração, Quando o senhor vigário diz: “Ponha aqui a sua mão!”
Quando o senhor vigário diz: “Ponha aqui a sua mão!” Lá em cima ao altar-mor Aqui treme o coração.
Já não tenho coração, Já mo tiraram do peito; No lugar do coração Nasceu-me um amor-perfeito.
No lugar do coração Nasceu-me um amor-perfeito; Já não tenho coração, Já mo tiraram do peito.
Letra e música: Popular (Beira Baixa) Arranjo: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD1, Ovação, 2001) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP/CD “Romarias”, Ovação, 1991)
Já são horas da merenda
(canção de ceifa)
Já são horas da merenda; Ai, vamo-nos a merendar Gaspachinho com vinagre, Ai, para o peito refrescar!
Já se vai o Sol a pôr Ai, para trás do cabecinho; Bem quisera o nosso amo Ai, prendê-lo c’um baracinho.
Já são horas da merenda; Ai, vamo-nos a merendar Gaspachinho com vinagre, Ai, para o peito refrescar!
Já se vai o Sol a pôr Ai, para trás do cabecinho; Bem quisera o nosso amo Ai, prendê-lo c’um baracinho.
Letra e música: Tradicional (Malpica, Castelo Branco, Beira Baixa) Recolha: José Diogo Correia (in “Cantares de Malpica”, Lisboa: Tip. Henrique Torres, 1938; “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes Graça, Lisboa: Publicações Europa-América, Colecção Saber, n.º 23, 1953 – p. 65, 3.ª edição, Colecção Saber, n.º 23, Mem Martins: Publicações Europa-América, s/d. – p. 63) Intérprete: Macadame (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Lá virá Sábado d’Aleluia
[ Sábado d’Aleluia ]
Lá virá Sábado d’Aleluia, Guitarras não faltarão: Vêm do fundo da rua A cantar ao S. João.
Rua abaixo, rua acima, Toda a gente me quer bem; Só a mãe do meu amor… Não sei que raiva me tem.
Quem canta nem males espanta, Quem ama não quer amar, Quem sabe não quer saber, Quem ama sabe encantar.
Lá virá Sábado d’Aleluia, Guitarras não faltarão: Vêm do fundo da rua A cantar ao S. João.
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Adaptação: José Barros Arranjo: José Manuel David e José Barros Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom/Iplay, 2008)
Lava, lava, lavadeira
[ Bate Lavadeira ]
Lava, lava, lavadeira Na Ribeira do Paul! Põe a roupinha a brilhar Como oiro sobre azul!
Na Ribeira do Paul, Encanto das raparigas Que desfiam, quando lavam, Seu rosário de cantigas.
Letra e música: Tradicional (Paul, Covilhã, Beira Baixa) Arranjo: Velha Gaiteira Intérprete: Velha Gaiteira* com Ti Zita (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)
Loureiro, verde loureiro
Loureiro, verde loureiro, Loureiro, assim, assim; Engaste uma donzela: Casa com ela, ó Joaquim!
Loureiro, verde loureiro, Loureiro, assim, assim; (bis) Engaste uma donzela: Casa com ela, ó Joaquim! (bis)
Casar com ela, não caso Que ela de mim não faz conta! (bis) Loureiro, verde loureiro, Seco no meio, verde na ponta (bis)
Por mais que o loureiro cresça Ao céu não há-de chegar; (bis) Por mais amores que eu tenha Ai, a ti não te hei-de deixar. (bis)
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Arranjo: Musicalbi Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)
Mondadeiras do meu milho, Ai, mondadeiras do meu milho, Ai, mondai o meu milho bem, Ai, que a merenda… ela já lá vem.
Letra e música: Tradicional (Fundão, Beira Baixa) Intérprete: Musicalbi (in CD “Mastiço”, Musicalbi/I Som, 2007; CD “Lado Calmo”, Musicalbi, 2014)
Musicalbi, Lado Calmo
Minha roda ‘stá parada
[ O Diabo Tocador ]
Minha roda ‘stá parada Por falta de tocador; Anda a roda, anda a roda Que eu já vou, ó meu amor Minha roda ‘stá parada Por falta de tocador; Anda a roda, anda a roda Que eu já vou, ó meu amor. Esta água ‘stá parada:
Quem seria que a parou? Foi a mãe do meu amor Que esta noite aqui passou. Ó mar largo, ó mar largo, Ó mar largo sem ter fundo! Mais vale andar no mar largo Que andar nas bocas do mundo.
Letra: Popular Música: Danças Ocultas (sobre o tema tradicional “Minha Roda ‘stá Parada”, Beira Baixa) Intérprete: Danças Ocultas & Orquestra Filarmonia das Beiras, com Carminho (in CD “Amplitude”, Danças Ocultas/Uguru/Sony Music, 2016) Versão original: Danças Ocultas – instrumental (in CD “Tarab”, Numérica, 2009)
Ó entrudo, ó entrudo
[ Moda do Entrudo (1.ª versão) ]
Ó entrudo, ó entrudo Ó entrudo chocalheiro Que não deixas assentar as mocinhas ao solheiro
Eu quero ir para o monte Eu quero ir para o monte Que no monte é qu’eu estou bem Que no monte é qu’eu estou bem Eu quero ir para o monte Eu quero ir para o monte Onde não veja ninguém Que no monte é qu’eu estou bem
Estas casas são caiadas Estas casas são caiadas Quem seria a caiadeira Quem seria a caiadeira Foi o noivo mais a noiva Foi o noivo mais a noiva Com um ramo de laranjeira Quem seria a caiadeira
Letra e música: Popular (Malpica, Beira Baixa) Intérprete: José Afonso (in “Traz Outro Amigo Também”, Orfeu, 1970; reed. Movieplay, 1987) Outras versões: Teresa Silva Carvalho (in “Ó Rama, Ó Que Linda Rama”, Orfeu, 1977; reed. Movieplay, 1994); Roda Pé (in CD “Cor dos Ventos”, public-art, 2000); Erva de Cheiro (in CD “Que Viva o Zeca: Tributo”, Musicart, 2007) Versão instrumental: Júlio Pereira (in “Cavaquinho”, Sassetti, 1981; reed. CNM, 1993)
José Afonso, Traz outro amigo também
Ó filho não vás à mina
– Ó filho não vás à mina Que as minas estão a cair – Quer elas caiam quer não Eu às minas quero ir
Não canto por bem cantar Nem por bem cantar o digo Eu canto para espalhar Paixões que trago comigo
– Ó filho não vás à mina Que as minas estão a cair – Quer elas caiam quer não Eu às minas quero ir
Eu não quero nem brincando Dizer adeus a ninguém Quem parte leva saudades Quem fica saudades tem
– Ó filho não vás à mina Que as minas estão a cair – Quer elas caiam quer não Eu às minas quero ir
Letra e música: Popular (Beira Baixa) Arranjo: Pedro Fragoso Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos / Coro Polifónico Eborae Musica (in CD “Sulitânia”, Ocarina, 2007)
Ó entrudo, ó entrudo
[ Moda do Entrudo (2.ª versão) ]
Ó entrudo, ó entrudo Ó entrudo chocalheiro Ó entrudo chocalheiro Que não deixas assentar As mocinhas ao solheiro
Ó entrudo chocalheiro Estas casas são caiadas Quem seria a caiadeira Quem seria a caiadeira Foi o noivo mais a noiva Com um ramo de laranjeira Quem seria a caiadeira Lá em baixo vai o entrudo Em farrapos pelo chão Em farrapos pelo chão Que comeu um burro morto Entre o Inverno e o Verão Em farrapos pelo chão O entrudo foi à vila Já não quer de lá sair Já não quer de lá sair Caiu dentro de uma pipa Dá-lhe a mão que quer subir Já não quer de lá sair Lá em baixo está o entrudo De gordo não pode andar De gordo não pode andar Que comeu um burro morto Entre o almoço e o jantar De gordo não pode andar
Letra e música: Popular (Malpica, Beira Baixa) Intérprete: Janita Salomé (in “Galinhas do Mato”, de José Afonso, Transmédia, 1985; reed. CNM, 1993)
Ó Linda
[ A canção Raiana Perdida ]
Ó meu amor
[ Tosquia ]
Ó meu amor, se te fores, Leva-me, podendo ser, Que eu quero ir acabar Onde tu fores morrer!
Eu hei-de ir morrer cantando, Já que chorando nasci, Já que as glórias deste mundo Se acabaram para mim.
Letra e música: Tradicional (Fundão, Beira Baixa) Intérprete: Musicalbi* (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)
Ó minha farrapeirinha
[ Farrapeira ]
Ó minha farrapeirinha! Ó minha troca-farrapos! Ó meu bem! Ó minha troca-farrapos! Tenho uma camisa nova Toda cheia de buracos. Larilolela! Toda cheia de buracos. Ó minha farrapeirinha! Ó minha troca-farrapos!
Larilolela, larilolela! Larilolela, lariloló!
Encontrei a farrapeira Lá no Alto da Portela. Ó meu bem! Lá no Alto da Portela. A moda da farrapeira É bonita e gosto dela. Larilolela! É bonita e gosto dela. Encontrei a farrapeira Lá no Alto da Portela.
Larilolela, larilolela! Larilolela, lariloló!
Ó minha farrapeirinha! Ó minha farrapeirela! Ó meu bem! Ó minha farrapeirela! O meu pai é muito rico: Tem macacos à janela. Larilolela! Tem macacos à janela. Ó minha farrapeirinha! Ó minha farrapeirela!
Chamaste-me farrapeira, Ó meu grande farrapão! Ó meu bem! Ó meu grande farrapão! Farrapeira é você Mais a sua geração! Larilolela! Mais a sua geração! Chamaste-me farrapeira, Ó meu grande farrapão!
Letra e música: Tradicional (Paul, Covilhã, Beira Baixa) Arranjos: Hélio Ribeiro e Tiago Soares Intérprete: Pé na Terra (in CD “13”, Tempestades e Macaréus, 2010)
Ó ó, São João do meio
[ Manhaninha de São João ]
Ó ó, São João do meio, Ai hei-de morar noutra rua! Ainda não tenho casa, Ai menina, arrende-me a sua!
Manhaninha de São João, Ao redor da alvorada, Jesus Cristo se passeia Ao redor da fonte clara.
Eu hei-de ir ao São João, Ai hei-de lá ir, se lá for, Ou a pé ou a cavalo Ai ou nos braços do amor.
Jesus Cristo se passeia De volta da fonte clara, E a água fica benzida E a fonte fica sagrada.
Eu hei-de ir ao São João, Ai hei-de lá ir, se lá for, Ou a pé ou a cavalo Ai ou nos braços do amor.
Manhaninha de São João, Manhaninha de São João.
Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa / Moimenta da Raia, Vinhais, Trás-os-Montes) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
O que lindos olhos tem
[ Cancioneiro Tradicional da Beira Baixa ]
Intérprete: Miguel Calhaz
Ó velha, ó boa velha
[ A Velha (cantiga de roda) ]
— Ó velha, ó boa velha, Que foste fazer à feira? — Meninas, minhas meninas, Fui comprar uma cadeira, Oh ai, olaré, comprar uma cadeira.
— Ó velha, ó boa velha,
Viste lá o meu amor? — Lá o vi, minhas meninas, Na Rua do Mercador, Oh ai, olaré, na Rua do Mercador.
Letra e música: Tradicional (Penamacor, Beira Baixa) Intérprete: Musicalbi* (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012; CD “Lado Calmo”, Musicalbi, 2014) Primeira versão de Musicalbi (in CD “Musicalbi”, Discotoni, 1998)
Oh, meu amor, se te fores
[ Tosquia
Oh, meu amor, se te fores Leva-me, podendo ser: Que eu quero ir acabar Onde tu fores morrer.
Eu hei-de ir morrer cantando, Já que chorando nasci, Já que as glórias deste mundo Se acabaram para mim.
Letra e música: Tradicional (Fundão, Beira Baixa) Arranjo: Musicalbi Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)
Beira Baixa
Onde as searas cruzam o granito e a voz do longe é feita de suor. A suave beleza solitária das oliveiras raras numa encosta. A estranha consolação das giestas, tão floridas em campos desolados. E a verde esperança filha da sem esperança.
A estranha consolação das giestas, tão floridas em campos desolados. E a verde esperança filha da sem esperança.
Onde as searas
[ Beira Baixa ]
(António Salvado, in “Interior à Luz”, 1982)
Onde as searas cruzam o granito e a voz do longe é feita de suor.
A suave beleza solitária das oliveiras raras numa encosta.
A estranha consolação das giestas tão floridas em campos desolados.
E o verde esperança filho da sem esperança.
Poema: António Salvado (ligeiramente adaptado) Música: António Pedro Intérprete: Musicalbi Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)
Musicalbi no Cine-Teatro Avenida, Castelo Branco, 12/01/2019, no lançamento do CD Solidão e Xisto.
Para que quero eu olhos
Para que quero eu olhos, Senhora Santa Luzia, Se eu não vejo o meu amor Nem de noite nem de dia?
Oh és tão linda! Tu és tão fermosa Como a fresca rosa Que eu no jardim vi!
Ai dá-me um beijo P’ra matar desejos Que eu sinto por ti! Ai, que eu sinto por ti!
Ai dá-me um beijo P’ra matar desejos Que eu sinto por ti!
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérprete: Afonso Dias com Teresa Silva Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016) Primeira versão: Adriano Correia de Oliveira (in EP “Para Que Quero Eu Olhos”, Orfeu, 1967; 2LP “Memória de Adriano”: LP 1, Orfeu, 1983, reed. Movieplay, 1992; CD “Adriano Correia de Oliveira”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 40, Movieplay, 1994; “Obra Completa”: CD “Cantigas Portuguesas”, Movieplay, 1994, 2007)
Quatro coisas quer o amo
Quatro coisas quer o amo, ai quatro coisas quer o amo do criado que o serve: deitar tarde e erguer cedo, ai deitar tarde e erguer cedo, comer pouco e andar alegre.
Já lá abaixo vem a noite, ai já lá abaixo vem a noite, já lá vem nossa alegria; tristeza p’ra o nosso amo, ai tristeza p’ra o nosso amo que se acabou o dia.
Já o Sol se vai embora, ai já o Sol se vai embora por detrás do cabecinho; quem dera ao patrão atá-lo ai quem dera ao patrão atá-lo, na ponta de um nagalhinho.
Se ele pudesse e bem quisera, ai se ele pudesse e bem quisera fazer o dia maior, dava um nó na fita verde, ai dava um nó na fita verde, fazia parar o Sol.
Quatro coisas quer o amo, ai quatro coisas quer o amo do criado que o serve…
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérprete: Afonso Dias* com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016) Primeira versão: GAC – Grupo de Acção Cultural (in LP “…E Vira Bom”, Vozes na Luta, 1977, reed. Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2010)
Recordai, fiéis cristãos
[ Encomendação das Almas ]
Recordai, fiéis cristãos, de Jesus No dia em que estava na cruz! Aleluia! Aleluia! Lembrai-vos de quem lá tendes: Vossas mães e vossos pais! Aleluia! Aleluia! E ajudai-os a tirar: Padre-nosso e uma ave-maria! Aleluia! Aleluia! Seja p’lo amor de Deus.
Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Minha roda ‘stá parada Por falta de tocador; Anda roda, anda roda, Qu’ eu cá vou com meu amor!
Esta água ‘stá parada: Quem seria que a parou? Foi a mãe do meu amor Qu’ esta noite aqui passou.
Letra e música: Tradicional (Margens do rio Zêzere, provavelmente em Dornelas do Zêzere, Pampilhosa da Serra, Beira Baixa) Recolha: António Avelino Joyce (“Minha Roda ‘stá Parada”, 1938, in revista “Ocidente”, IV, Lisboa, 1939; “cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, 1981 – p. 145) Arranjo: Toni Andrade Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Dornelas do Zêzere
Santa Barburinha bendita
[ Bendito e Louvado das Trovoadas ]
— «Santa Barburinha bendita, Livrai-nos das trovoadas! Lev’as p’ra bem longe! Santa Barburinha bendita, Com um ramo de água benta Arramai esta tormenta.» Santa Bárbara pequenina Se vestiu e se calçou, Bordão na mão tomou. — «Onde vais, Santa Barburinha, Que no céu estais escrita?» — «Eu vou p’ra bem longe! Vou correr esta trovoada Onde não há pão e vinho, Nem bafo de menino! Só a serpente e as sete filhas Bebem leite de maldição E água de trovão.»
Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Recolha: Ernesto Veiga de Oliveira Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Se fôreis ao São João
[ São João ]
Se fôreis ao São João Se fôreis ao São João Ai traguei-me um São Joãozinho Ai traguei-me um São Joãozinho Se não pudéreis com um grande Se não pudéreis com um grande Ai traguei-me um mais picanino Ai traguei-me um mais picanino
São João, casai as moças São João, casai as moças Ai as que vos fazem fogueiras Ai as que vos fazem fogueiras E aquelas que não as fazem E aquelas que não as fazem Ai deixai-as ficar solteiras Ai deixai-as ficar solteiras
Eu hei-de ir ao São João Eu hei-de ir ao São João Ai o meu marido não quer Ai o meu marido não quer Deixai-o vós abalar Deixai-o vós abalar Ai eu farei o que eu quiser Ai eu farei o que eu quiser
Do São João ao São Pedro Do São João ao São Pedro Ai quatro dias, cinco são Ai quatro dias, cinco são Moças que andais à soldada Moças que andais à soldada Ai aligrai o coração Ai aligrai o coração Ai aligrai o coração Ai aligrai o coração Ai aligrai o coração
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha Versão original: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Proibido Adivinhar”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2015)
Senhora Maria
[ Moda dos Bombos ]
Senhora Maria, Senhora Maria, O seu galo canta e o meu assobia! Larilolela, e o meu assobia… Larilolela, e o meu assobia… Ó Ana vem ver, ó Ana vem ver Os peixes no mar e o mar a arder! Larilolela, e o mar a arder… Larilolela, e o mar a arder… Eu quero, eu quero, eu quero, eu quero Eu quero, eu quero, eu quero, eu queria Dormir contigo uma noite, ó Maria!… Dormir contigo uma noite, ó Maria!…
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérprete: Velha Gaiteira Versão discográfica de Velha Gaiteira (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)
Velha Gaiteira
Senhora da Consolação
[ Virgem da Consolação – Senhora da Azenha ]
Senhora da Consolação, Já vos varreu a capela Ai, a gente de Salvaterra Com raminhos de marcela.
Virgem da Consolação, Vosso nome é Maria; Ai, tendes um manto de seda Com um raminho de alegria.
Ai, que tendes na vossa coroa? Que tendes na vossa coroa? Ai, uma pombinha de prata, Tem asas e não avoa.
Ai, quem vos pudera levar, Quem vos pudera eu levar Para a minha companhia Em braços, sem descansar!
Ai, quem vos pudera trazer, Quem vos pudera eu trazer Para a minha companhia Em braços, sem ninguém ver!
Virgem da Consolação Ficou à porta a chorar; Ai não, Senhora, não chores Que eu p’ró ano hei-de voltar!
Letra e música: Tradicional (Salvaterra do Extremo e Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Arranjo: Musicalbi Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)
Senhora… Senhora do Almurtão
[ Senhora do Almurtão ]
Senhora… Senhora do Almurtão, (bis) Ó minha linda raiana, Voltai costas… Voltai costas a Castela, (bis) Não queirais ser castelhana!
Senhora… Senhora do Almurtão, (bis) Quem vos varreu o terreiro? Foram as… Foram as moças de Idanha (bis) Com raminhos de loureiro.
Senhora do Almurtão, Bem me podeis perdoar! Venho à vossa romaria Só p’ra cantar e bailar.
Senhora do Almurtão, Eu p’ró ano não prometo; Que me morreu um amor, Ando vestida de preto.
Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Arranjo: Musicalbi Intérprete: Musicalbi (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012)
Outra versão: Afonso Dias com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016)
Sou da Beira
Intérprete: Adufeiras do Rancho Folclórico de Monsanto
Tenho à minha janela
[ Cantiga Bailada ]
Tenho à minha janela — eras tão bonita e eu já te não quero — O que tu não tens à tua, o que tu não tens à tua: Um vaso de manjerico — eras tão bonita e eu já te não quero — Que dá cheiro a toda a rua, que dá cheiro a toda a rua.
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Adeus, ó rua da ponte, — eras tão bonita e eu já te não quero — Calçadinha mal sigura, calçadinha mal sigura! E quando o meu amor passa — eras tão bonita e eu já te não quero — Não há pedra que não bula, não há pedra que não bula.
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
As pedras do meu balcão — eras tão bonita e eu já te não quero — Estão todas a três a três, estão todas a três a três. Os meus amores de algum dia — eras tão bonita e eu já te não quero — Já os cá tenho outra vez, já os cá tenho outra vez.
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló! Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló! Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Canções de Labor e Lazer
Venho da ribeira nova
[ Aventali ]
Venho da ribeira nova, Debaixo do laranjali; Já cá levo uma folhinha Debaixo do aventali.
Debaixo do aventali, Na barra do meu vestido. Anda cá ó minha amada! Deixa-me dormir contigo!
Deixa-me dormir contigo! Uma noite não é nada, Eu entro pelo escuro, E saio de madrugada.
Nem entras pelo escuro E nem sais de madrugada! Eu sou rapariga nova, Não quero andar difamada.
Venho da ribeira nova, Debaixo do laranjali; Já cá levo uma folhinha Debaixo do aventali.
Debaixo do aventali, Na barra do meu vestido. Anda cá ó minha amada! Deixa-me dormir contigo!
Deixa-me dormir contigo! Uma noite não é nada, Eu entro pelo escuro, E saio de madrugada.
Nem entras pelo escuro E nem sais de madrugada! Eu sou rapariga nova, Não quero andar difamada.
Letra e música: Tradicional (Vale de Senhora da Póvoa, Penamacor, Beira Baixa) Intérprete: O Baú com Sebastião Antunes (in CD “Achega-te”, O Baú, 2012)
Venho de macelada
[ Macelada – São João ]
Venho de macelada, Venho de colher macela, Lá dos campos do castelo, Daquela mais amarela! Venho de macelada! Olô ai larilolela, Olô ai lariloló, Venho de macelada! Venho de macelada! Venho de macelada, Venho de colher o cravo, Lá dos campos do castelo, Para dar ao namorado! Venho de macelada! Olô ai larilolela, Olô ai lariloló, Venho de macelada! Venho de macelada! Venho de macelada, Venho de colher uma flor, Lá dos campos do castelo, Para dar ao meu amor! Venho de macelada!
Olô ai larilolela, Olô ai lariloló, Venho de macelada! Venho de macelada! Olô ai larilolela, Olô ai lariloló, Venho de macelada! Venho de macelada! Se fores ao São João
Ai trazei-me um São Joãozinho! Se não puderes com um grande Ai trazei-me um mais pequenino!
São João era bom homem Ai se não fora tão velhaco; Foram três moças à fonte Ai foram três, vieram quatro.
Eu hei-de ir ao São João, Ai o meu marido não quer; Deixai-o vós abalar, Ai eu farei o que eu quiser!
Letra e música: Tradicional (Beira Baixa) Recolhas: Hubert de Fraysseix (“Macelada”) e GEFAC (“São João”) Intérprete: Segue-me à Capela
Segue me a capela
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/05/beira-baixa-castelo-branco-jardim-do-paco-episcopal.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 18:33:302024-11-02 06:44:10Canções da Beira Baixa
— «Adeus, Maria da Graça! Na Espanha foste criada, Foste a servir p’rá Póvoa, (oh ai) Lá vieste enganada.
Lá vieste enganada De Manuel Celestino; Fugiste p’ró Feijoal, (oh ai) Lá tiveste o menino.
Lá tiveste o menino, No teu ventre foi gerado; Agarraste-o pelas pernas, (oh ai) Deitaste-o p’ró telhado.
Deitaste-o p’ró telhado De sem o ninguém saber; Tens a casa rodeada, (oh ai) Já te querem vir prender.»
— «Não tenho medo à Polícia Nem à Guarda Fiscal, Só tenho medo ao juiz (oh ai) Que me leva ao tribunal.
Viva lá, senhor juiz! Tenho muito a agradecer: Deu-me cama p’ra dormir (oh ai) E casa p’ra eu viver.
Letra e música: Tradicional (Aldeia do Bispo, Guarda, Beira Alta) Informante: Júlia Costa Fonseca Recolha: Américo Rodrigues Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata* (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016) Primeira versão: César Prata (in CD “Canções do Ceguinho”, Aquilo, 2003)
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
Ay eu, coitada
I Ay eu, coitada, como vivo em gram cuidado por meu amigo que ei alongado! Muito me tarda o meu amigo na Guarda! II Ay eu, coitada, como vivo em gram desejo por meu amigo que tarda e nom vejo! Muito me tarda o meu amigo na Guarda!
Poema: D. Sancho I (c. 1199) Música (reconstituição): Pedro Caldeira Cabral Intérprete: La Batalla (in “Cantigas d’Amigo”, EMI-VC, 1984, reed. 1991)
Pedro Caldeira Cabral, Cantigas d’Amigo
As façanhas do coveiro
[ O Coveiro de Pínzio ]
As façanhas do coveiro De Pínzio, lindo lugar: Desenterrava os defuntos Para a roupa lhes tirar.
Como nunca tinham visto, Tudo estava a duvidar… Até que um certo dia Lá o foram a espreitar.
Dia primeiro de Junho, Fez tão grande tirania: Defunto desenterrou Manuel Francisco Maria.
Estava o povo lastimando A morte daquele vizinho Por na vida ser honrado, Mostrava a todos carinho.
Talvez que durante a vida Nunca levasse pancada, Como lhe deu o coveiro Nos braços com uma enxada.
Roubando-lhe toda a roupa, Só com a camisa o deixou; E até os próprios sapatos Ao defunto raptou.
Letra e música: Tradicional (Castanheira, Guarda, Beira Alta) Informante: José Fortunato Recolha: César Prata Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata* (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016) Primeira versão: César Prata (in CD “Canções de Cordel”, Teatro Municipal da Guarda, 2010)
Nota: Pínzio é o nome de uma freguesia do concelho de Pinhel, distrito da Guarda.
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
De Lisboa me mandaram
[ E o Cai Di e o Cai Dá ]
De Lisboa me mandaram (E o cai di e o cai dá!) Um prato com um belo molho: (E o cai di ai dá!) As costelas de uma pulga E o coração de um piolho.
E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá!
De Lisboa me mandaram (E o cai di e o cai dá!) Quatro pêras num raminho: (E o cai di ai dá!) Como era coisa boa Comeram-nas no caminho.
E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá!
Minha mãe, p’ra me eu casar, (E o cai di e o cai dá!) Prometeu-me quanto tinha: (E o cai di ai dá!) Assim que me agarrou casada Deu-me uma agulha sem linha.
E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá!
Minha mãe, p’ra me eu casar, (E o cai di e o cai dá!) Prometeu-me três ovelhas: (E o cai di ai dá!) Uma cega, outra coxa E outra mocha sem orelhas.
E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai di ai dá! E o cai di e o cai dá! E o cai di ai dá!
Letra e música: Tradicional (Beira Alta) Intérprete: Ai!* (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)
Deu-se agora, há pouco tempo
[ Casório Divertido ]
Deu-se agora, há pouco tempo, Um casório divertido: A noiva mais que danada, Lá pela noite adiantada, Arrancou o nariz ao marido.
É o que acontece aos velhos Que procuram mocidade… Quando se despiu deitou E o nariz lhe arrancou Por não fazer a vontade.
Procuraram-lhe as vizinhas: — «Que fizeste ao teu Viriato?» — «Dormir com homem e ter frio, Dormir com homem e ter frio, Vale mais dormir com gato!»
Foi consultar o doutor, Disse-lhe que não tinha cura; E agora, por qualquer lado, E a chorar o desgraçado Faz uma triste figura.
Letra e música: Tradicional (Aldeia do Bispo, Guarda, Beira Alta) Informante: Júlia Costa Fonseca Recolha: Américo Rodrigues Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016) Primeira versão: César Prata (in CD “Canções do Ceguinho”, Aquilo, 2003)
E onde vais, Rosalina?
[ Rosalina ]
— «E onde vais, ó Rosalina? Onde vais que eu também vou?» — «Vou colher caldo à horta, Vou colher caldo à horta, Que a minha mãe me mandou.
Chegou ao portão da horta, Deitou-lhe um braço por cima… — «Tu andas a namorar! Tu andas a namorar! Não mo negues, Rosalina!
— «Eu não lo nego a si, Nem a si nem a ninguém; Eu vou à minha vontade, Eu vou à minha vontade, De meu pai, de minha mãe.
— «Toma lá uma facada! Vai levá-la à tua mãe! Se não casares comigo, Se não casares comigo, Não casas com mais ninguém!
Toma lá outra facada Já depois de estares morta!» Isto foi acontecido, Isto foi acontecido Ao portal da nossa horta.
Até as faces lhe cortou P’ra ninguém a conhecer; Atou-lhe um lenço ao rosto, Atou-lhe um lenço ao rosto Para o sangue não correr.
Torradas, novas torradas, E a faca corta as urtigas. Olha o que os rapazes fazem, Olha o que os rapazes fazem Por causa das raparigas!
Letra e música: Tradicional (Avelãs de Ambom, Guarda, Beira Alta) Informante: Maria dos Prazeres Ganhão Recolha: Américo Rodrigues Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata* (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016) Primeira versão: César Prata (in CD “Canções do Ceguinho”, Aquilo, 2003)
Estando a Dona Infanta
[ A Bela Infanta (romance novelesco) ]
Estando a Dona Infanta No seu jardim assentada, Com o seu pente d’oiro Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao largo, Viu vir uma grande armada; Capitão que nela vinha Muito bem a governava.
— «Dizei-me, meu capitão Dessa tão formosa armada, Se vistes o meu marido Em terras que Deus pisava!»
— «Dizei-me, minha senhora, Os sinais que ele levava!» — «Levava cavalo branco, Selim de prata dourada; Na ponta da sua lança A cruz de Cristo levava.»
— «Pelos sinais que me deste Tal cavaleiro não vi… Mas quanto dareis, senhora, A quem o trouxera aqui?»
— «Daria tanto dinheiro Que não tem conto nem fim E as telhas do meu telhado Que são de oiro e marfim.»
— «Guardai o vosso dinheiro, Vossas telhas de marfim! Vosso marido sou eu, Reparai bem para mim!
O anel de sete pedras Que eu convosco reparti: Que é dela a outra metade? Pois a minha vê-la aqui!»
— «Andai cá, ó minhas filhas, Que o vosso pai é chegado! Abram-se os novos portões Há tanto tempo fechados! Vamos dar graças a Deus, Graças a Deus consagrado!»
Letra e música: Tradicional (Dirão da Rua, Sortelha, Sabugal, Beira Alta) Arranjo: César Prata e Vânia Couto Intérprete: César Prata e Vânia Couto Versão discográfica de César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
Sortelha
Nasci em terras de xisto
[ Serra do Açor ]
Nasci em terras de xisto à beira do rio Ceira em lugar de balsa sem porto numa serra onde o Açor pousou em leito de feno dormi. Cresci na terra de sargaço correndo em lameiros verdejantes ouvi o sopro dos ventos junto ao correr das levadas vi noites sem luar. Ouvi histórias de bruxaria lendas de lobisomens almocreves e mouras encantadas vi sementeiras e colheitas as malhas e debulhas. Saltei fogueiras de rosmaninho acendi o madeiro de Natal cantei janeiras pelo povoado, cheirei alecrim e loureiro, bebi chá de sabugueiro. Nadei nas águas do Alva na ponte que tem três entradas em Avô, terra de poetas; cantei baladas ao luar até o galo cantar. Que importa ser acordado dos sonhos desta noite pela coruja que é a “surga” ou pelo sino da capela? Tudo isto existe, tudo isto é belo, nada mudou, tudo está como era dantes…
Letra e música: Fernando Pereira Intérprete: Real Companhia in CD “Em Forma de Abraço”, 2005)
Os três Reis do Oriente
[ São José Estava Triste (Canção de Natal) ]
Os três Reis do Oriente Toda a noite caminharam: Procuraram o Deus-Menino, Só em Belém o acharam. Quando a Belém chegaram Já toda a gente dormia: Porteiro, abri a porta, Porteiro da portaria! São José estava triste Ao ver Maria a sofrer; Um anjo do céu lhe disse: – Jesus está pra nascer! Não há graça embaladora Como a de mãe quando cria: É como Nossa Senhora, Mãe de Deus, Ave-Maria! Indo José e Maria Recensear-se a Belém, Numa noite escura e fria Nossa Senhora foi mãe.
Letra e música: Popular (Minho / Beira Litoral / Beira Alta) Recolha: José Alberto Sardinha Intérprete: Maio Moço (in CD “Canto Maior, Tradisom, 2002)
Maio Moço, Canto Maior
Pastoras da Estrela
Pastoras da Estrela Pastoras para Estrela vão Cantando e animadas A vida em flor Nenhum amor Que as torne malfadadas Com a Primavera A palpitar À serra vão chegar No prado verde Cheiros mil Mal rompe O sol a aurora Com mantos vão Um rancho são De moças encantadas Dançam em roda Alegres estão Saudando a alvorada Ao longe no horizonte luz O bronze aguçado Da guerra vêm Guerreiros cem O louro festejado Entram na dança Magia no ar P’la noite a repousar No Outono é hora de voltar Para a aldeia engalanada Pastoras vão Mas já não são Meninas encantadas
Cristina Branco, Sensus
Letra e música: Miguel Carvalhinho Intérprete: Cristina Branco (in CD “Sensus”, Universal, 2003)
Sei que vais ficar sozinha
[ Carta da Mãe para a Filha ]
Sei que vais ficar sozinha, Meu amor, minha filhinha, Meu anjo, minha adorada! Só pede o meu coração Que tu tenhas compaixão Da tua mãe desgraçada!
Minha filha, meu amor, Por não suportar a dor Do desgosto mais profundo, Eu morro de sofrer farta! Quando ouvires ler esta carta Eu já não sou deste mundo.
Meu amor, minha querida, Por não suportar a vida Tormentosa que levava, Morro sem soltar um “ai”! Matei-me e matei teu pai Que com outra me enganava.
Peço em minha confissão: Não me negues teu perdão, Diga o mundo o que disser! Já por ti a Deus pedi: Não sofras o que eu sofri Quando um dia fores mulher!
Música: César Prata Letra: Tradicional (Vela, Guarda, Beira Alta) Informante: Joaquim Santos Recolha: Américo Rodrigues Intérpretes: Ariel Ninas & César Prata (in CD “Cantos de Cego da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2016) Primeira versão: César Prata (in CD “Canções do Ceguinho”, Aquilo, 2003)
Trigo loiro
Trigo loiro, trigo loiro, Ai, quem me dera o teu valor! Que entrara no cálice de oiro, Ai, onde entra Nosso Senhor.
Trigo loiro, trigo loiro, Ai, quem me dera a tua cor! Levara a cruz ao Calvário, Ai, como fez Nosso Senhor.
Trigo loiro, trigo loiro, Ai, quem me dera o teu valor! Que entrara no cálice de oiro, Ai, onde entra Nosso Senhor.
Trigo loiro, trigo loiro, Ai, quem me dera a tua cor! Levara a cruz ao Calvário, Ai, como fez Nosso Senhor.
Trigo Loiro (cantiga de ceifa) Letra e música: Tradicional (Gonçalo, Guarda, Beira Alta) Intérprete: Ai! (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015) Outras versões com César Prata: Chuchurumel – “Canção da Ceifa” (in CD “No Castelo de Chuchurumel”, Chuchurumel/Luzlinar, 2005); Ai! (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)
Trigo loiro
Tenho Sede, Amor, Dá-me Água
[ Tenho um grande amor por ti! ]
Tenho sede, amor, dá-me água! Não me dês pela panela! Dá-me pela tua boca Que eu não tenho nojo dela!
Tenho sede, amor, dá-me água Lá da fonte do Outeiro, Que me não saiba a lodo Nem à raiz do pinheiro!
Água da fonte da aldeia, Ensina-me o teu cantar Que os meus olhos volta e meia Andam com água a chorar!
Tenho sede, amor, dá-me água! Não me dês pela panela! Dá-me pela tua boca Que eu não tenho nojo dela!
Tenho sede, amor, dá-me água Lá da fonte do Outeiro, Que me não saiba a lodo Nem à raiz do pinheiro!
Água da fonte da aldeia, Ensina-me o teu cantar Que os meus olhos volta e meia Andam com água a chorar!
Letra e música: Tradicional (Guarda, Beira Alta) Arranjo: César Prata e Vânia Couto Intérprete: César Prata e Vânia Couto* (ao vivo no Estúdio 3 da Rádio e Televisão de Portugal, Lisboa) Versão discográfica de César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
Uma casa muito velha
[ Ó Zé ]
Uma casa muito velha, ó Zé, Cheia de teias de aranha, ó Zé: Está uma bruxa num canto, ó Zé, Que te mata se te apanha, ó Zé.
Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é! Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara! Vai lavar o pé!
Cala-te! Aí vem a raposa, ó Zé, Com o rabo muito comprido, ó Zé: Quer comer o meu menino, ó Zé, Mas eu tenho-o aqui escondido, ó Zé.
Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é! Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara! Vai lavar o pé!
Eu vi um lobo na serra, ó Zé, Que te come se tu choras, ó Zé: Não chores mais, meu menino, ó Zé, Senão ele sabe onde moras, ó Zé.
Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é! Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara! Vai lavar o pé!
O meu menino é bonito, ó Zé, Está farto que se lhe diga, ó Zé: «Assim bom e bonitinho, ó Zé, Um dia será feliz, ó Zé.»
Ó Zé, Ó Zé, Ó Zé, pequenino é! Ó Zé, vai lavar a cara! Vai lavar a cara! Vai lavar o pé!
Letra e música: Tradicional (Manhouce, São Pedro do Sul, Beira Alta) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Vai-te embora, ó papão
Vai-te embora, ó papão, De cima desse telhado! Vai-te embora, ó papão, De cima desse telhado! Deixa dormir o menino Um soninho descansado! Deixa dormir o menino Um soninho descansado!
Vai-te embora, ó papão, De cima desse telhado! Vai-te embora, ó papão, De cima desse telhado! Deixa dormir o menino Um soninho descansado! Deixa dormir o menino Um soninho descansado!
Letra e música: Tradicional (Arganil, Beira Alta) Recolha: Rodney Gallop (1932-33, in livro “Cantares do Povo Português”, trad. António Emílio de Campos, Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 1937; “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes Graça, col. Saber, Vol. 23, Lisboa: Publicações Europa-América, 1953 – p. 61; 3.ª edição, col. Saber, Vol. 23, Mira-Sintra: Publicações Europa-América, s/d. – p. 58; “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 17) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Vós chamais-me Moreninha
Vós chamais-me Moreninha, Isto é do pó do linho; Lá me vereis ao domingo Como a flor de rosmaninho.
O meu amor não é este, Não é este nem o quero; O meu tem os olhos verdes, O teu tem-nos amarelos.
Tu dizes que me queres muito, O teu querer é engano: Cortais pela minha vida Como a tesoura no pano.
Vós chamais-me Moreninha, Isto é do pó do linho; Lá me vereis ao domingo Como a flor de rosmaninho.
Letra e música: Tradicional (Malhada Sorda, Almeida, Beira Alta) Recolha: Michel Giacometti (“Maçadela do Linho”, 1969, in LP “Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1970; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 3 – Beiras, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 4 – Beiras, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérprete: Musicalbi* (in CD “Adufando: Sinais da Beira Baixa”, Musicalbi, 2012) Outra versão: O Baú (in CD “Achega-te”, O Baú, 2012)
* Musicalbi: Carlos Salvado – bandolim, boukouki, banjo, guitarra folk, guitarra eléctrica, adufe, voz Filipa Melo – voz Horácio Pio – acordeão, coros Maria Côrte – violino, harpa António Pedro – piano, percussões, voz Dario Vaz – baixo António Lourinho – bateria Gravação – Gil Duarte, no Estúdio I Som, Alcains Mistura e masterização – Jorge Barata
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/viriato.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:37:242024-11-02 06:44:55Canções da Beira Alta
A Bela Aurora chorava; Ela no pranto dizia: Já não tenho o meu amor, Minha doce companhia.
A Bela Aurora na serra Não sei como não tem medo: Faz a cama, dorme só Debaixo do arvoredo.
Aurora, meu bem, Aurora, Aurora detrás dos montes: Uma hora te não veja Meus olhos são duas fontes.
Aurora, querida Aurora, Aurora no seu jonjal: Minh’alma morre p’la tua E a tua não sei por qual.
Letra e música: Tradicional (Ilha de São Miguel, Açores) Recolha/transcrição: Lígia Maria da Câmara Almeida Matos (in “Insulana”, Vol. XI, 1.° trimestre de 1955) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Loja Meloteca, recursos criativos para musicalização infantil
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
A história que eu vou contar
[ Naufrágio ]
A história que eu vou contar Ouvi-a na minha aldeia, Onde à noite a voz do mar Murmura canções na areia.
História de pescadores Do Cais Negro à Pontinha, Onde há grandes senhores Que bocejam à noitinha.
Foi o barco do Zé Tordo: Partiu à noite p’ró mar E na madrugada ao porto O seu barco sem chegar.
Encheu-se a praia de gritos Da gente da minha aldeia Ao ver o corpo do Zé Trazido na maré-cheia.
Ouvem-se vozes: «Coitado! Cinco filhos e mulher Sem uma côdea de pão, Sem um abrigo sequer!»
E no enterro, à viúva, Levando ao Zé muitas flores, Prometem-lhe a sua ajuda O povo e os grandes senhores.
Mas dois anos já são passados, Na praia da minha aldeia Vêem-se cinco crianças Brincando nuas na areia.
E da moral desta história Tirem vossas conclusões: Uma família não vive Só de boas intenções.
E da moral desta história Tirem vossas conclusões: Uma família não vive Só de boas intenções.
Letra: Cristóvão de Aguiar Música: Tradicional (Charamba) (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Afonso Dias* com Teresa Silva Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016) Versão original: Duarte & Ciríaco (in EP “Nós: Canções Populares”, Sonoplay, 1969)
Ai o pastor lá na serra
A Lira
Ai quem me dera partir
[ Tema para Margarida ]
Ai quem me dera partir Na canoa da esperança E ir ancorar noutras praias Noutros varadouros Ai quem me dera voltar A gozar dos tesouros Da felicidade que eu tinha Quando era criança
Ai quem me dera ser garça E voar no Canal Só entre o Pico e o Faial Me quedar dividida Ai quem me dera mão firme No leme da vida Ai este amor que me mirra Me mata e faz mal
Ai quem me dera de novo As certezas e os medos Ai quem me dera ter credos E não ser indiferente Ai o amor passa ao largo Da vida da gente… Ai já o tempo se escoa Como areia entre os dedos…
Ai quem me dera ser garça E voar no Canal Só entre o Pico e o Faial Me quedar dividida Ai quem me dera mão firme No leme da vida Ai este amor que me mirra Me mata e faz mal
Ai quem me dera partir Na canoa da esperança E ir ancorar noutras praias Noutros varadouros Ai quem me dera voltar A gozar dos tesouros Da felicidade que eu tinha Quando era criança
Ai quem me dera ser garça E voar no Canal Só entre o Pico e o Faial Me quedar dividida Ai quem me dera mão firme No leme da vida Ai este amor que me mirra Me mata e faz mal
Letra e música: Aníbal Raposo (para a série ficcional “Mau Tempo no Canal”, RTP-Açores, 1992) Intérprete: Vânia Dilac Versão original: Piedade Rego Costa (in CD “7 Anos de Música”, 2.ª edição, DisRego, 1992) Outras versões: Aníbal Raposo (in CD “A Palavra e o Canto”, Açor/Emiliano Toste, 2005)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Atirei, não matei caça
[ Tirana ]
Atirei, não matei caça, Lá foi meu tiro perdido. Meu tiro perdido… Meu tiro perdido… A minha pólvora queimada, O meu chumbo derretido. Atira, Tirana! Ai sempre a tirar, Mata-me aquela pombinha Que anda no calhau do mar! A linda Tirana Ai já se enterrou… A Tirana já se enterrou, Já morreu, já se enterrou. Ai já se enterrou… Ai já se enterrou… Já lá vai pelo mar fora Quem a Tirana matou.
A Tirana está no chão, Debaixo dum laranjal. Ai dum laranjal… Ai dum laranjal… Está tirando pintainhos Para a gente do Faial. Ó linda Tirana, Ai da tirania! Já me está querendo bem Quem tanto mal me queria. Eu ia p’lo mar, Ai pelo mar fora… Eu ia pelo mar fora, Nas ondas do mar parei. Ai do mar parei… Ai do mar parei… Ai ouvi cantar a Tirana Lá no palácio do rei.
Letra e música: Tradicional (Ilha do Pico, Açores) Recolha/transcrição: João Homem Machado (in “O Folclore da Ilha do Pico”, Núcleo Cultural da Horta, 1991) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Devagar, devagarinho
[ Pezinho ]
Devagar, devagarinho, Ficas sendo o meu amor. Ai, põe aqui, ai põe aqui o teu pezinho, Meu lindo bem! Ai, põe aqui se o queres pôr! Ai, põe aqui, ai põe aqui o teu pezinho, Meu lindo bem! Ai, põe aqui se o queres pôr! E ao tirar, e ao tirar o teu pezinho, Meu lindo bem, Ai, ficas sendo o meu amor. E ao tirar, e ao tirar o teu pezinho, Devagar, devagarinho, Ficas sendo o meu amor.
Devagar, devagarinho, Cada um fica com o seu. Ai, põe aqui, ai, põe aqui o teu pezinho, Meu lindo bem! Ai, põe aqui ao pé do meu! Ai, põe aqui, ai, põe aqui o teu pezinho, Meu lindo bem! Ai, põe aqui ao pé do meu! E ao tirar e ao tirar o teu pezinho, Meu lindo bem, Cada um fica com o seu. E ao tirar e ao tirar o teu pezinho, Devagar, devagarinho, Cada um fica com o seu.
Devagar, devagarinho, À moda de São Miguel! Ai, põe aqui, ai põe aqui o teu pezinho, Meu lindo bem, Meu benzinho Manuel! Ai, põe aqui, ai põe aqui o teu pezinho, Meu lindo bem, Meu benzinho Manuel! Ai, põe aqui, ai põe aqui o teu pezinho, Meu lindo bem, À moda de São Miguel! Ai, põe aqui, ai, põe aqui o teu pezinho, Devagar, devagarinho, À moda de São Miguel!
Devagar, devagarinho, À moda de São Miguel!
Devagar, devagarinho, À moda de São Miguel!
Letra e música: Tradicional (Ilha do Pico, Açores) Recolha/transcrição: João Homem Machado (anos 30 do século XX, in “O Folclore da Ilha do Pico”, Núcleo Cultural da Horta, 1991) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
E de manhã na nossa casa
[ Alvorada ]
E de manhã na nossa casa É todos os dias uma aldeia, E de manhã na nossa casa… E de manhã na nossa casa É todos os dias uma aldeia E não pegam a trabalhar, E não pegam a trabalhar E sem ter a barriga cheia, E sem ter a barriga cheia.
E quando tirar o pão do forno E ao cobrir bem com o tendal, E quando tirar o pão do forno… E quando tirar o pão do forno E ao cobrir bem com o tendal E não vá alguma cozinheira, E não vá alguma cozinheira Levar algum debaixo do avental, Levar algum debaixo do avental.
E esta casa está tão cheia, E cheia de canto a canto, Esta casa está tão cheia… E esta casa esta tão cheia, E cheia de canto a canto; Usavam de nela assistir, E usavam de nela assistir E Divino Espírito Santo, E Divino Espírito Santo.
Letra e música: Tradicional (Ilha de Santa Maria, Açores) Informantes: Maria Virgínia de Andrade, Filomena de Andrade Cabral e Virgínia de Andrade Cabral (canto), acompanhadas ao tambor e címbalos Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in 12EP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963; 2CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”: CD 1, faixa 3, Açor/Emiliano Toste, 2002) Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010) Primeira versão [?]: Cramol – “Alvorada de Santa Maria” (in CD “Cramol”, BMG Ariola, 1996)
Nota: «A linha melódica das folias de Santa Maria é caracterizada por valores rítmicos aparentemente pouco definíveis. Esta particularidade leva-nos a afirmar que se trata de um canto remoto trazido pelos povoadores destas ilhas, que o receberam dos seus antepassados, oriundos do Próximo Oriente (Arábia, Iraque, Síria), em resultado da fixação na Península Ibérica dos Povos que a invadiram no século VIII.
Teófilo Braga, a este propósito, refere que as folias provêm do “lingui-lingui” árabe, a Lenga-lenga ou canto narrativo mais recitado do que cantado. Ao cantador, no seu improviso, lindas rimas lhe saíam a enaltecer o Divino Espírito Santo, a elogiar o mordomo, a agradecer aos criadores ou a salientar as mãos habilidosas das cozinheiras.» (Helena Oliveira)
É esta a vez primeira
[ Charamba ]
É esta a vez primeira A vez primeira Que neste auditório canto Em nome de Deus começo De Deus começo Padre, Filho, Esp’rito Santo
A saudade é um luto Ai, é um luto É um luto, é uma afeição É um cortinado roxo Ai, é um luto Que me corta o coração
Eu cá sei, tu lá sabes E tu lá sabes O que não sabes eu sei Eu já vi andar a morte Andar a morte Às costas de um peixe-rei
Letra e música: Popular (Açores) Intérprete: Margarida Pinto (in CD “Adriano, Aqui e Agora – O Tributo”, Movieplay, 2007) Versão original: Adriano Correia de Oliveira (in “Cantigas Portuguesas”, Orfeu, 1980; “Obra Completa”, Movieplay, 1994)
É esta a vez primeira
[ Charamba ]
É esta a vez primeira, A vez primeira Que neste auditório canto; Em nome de Deus começo, De Deus começo, Padre, Filho, Esp’rito Santo.
A ausência tem uma filha, Ai tem uma filha Que se chama saudade; Eu sustento mãe e filha, Ai mãe e filha Bem contra a minha vontade.
Letra e música: Tradicional (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Afonso Dias Primeira versão: Adriano Correia de Oliveira (in EP “Lira”, Orfeu, 1968) Outra versão de Adriano Correia de Oliveira (in LP “Cantigas Portuguesas”, Orfeu, 1980; “Obra Completa”: CD “Cantigas Portuguesas”, Movieplay, 1994, 2007)
Em má hora
[ Saudade ]
Em má hora, em má hora, anjo querido, Me pediste uma flor… Das que eu tenho, das que eu tenho aqui são quatro, Aqui são quatro… nem uma fala de amor.
A primeira, a primeira é uma saudade Que me deram quando amei; Custa caro, custa caro, é um tesoiro, É um tesoiro que com lágrimas comprei.
A segunda, a segunda é um martírio Cujo espinho atravessou Coração, coração que a regava, Que a regava… de pranto ela murchou.
A terceira, a terceira é um cravo, É um goivo, não to dou! Fui colhê-lo, fui colhê-lo ao cemitério, Ao cemitério… entre campas vegetou.
A quarta, a quarta é uma rosa, É uma rosa, mas olha: Se eu morrer, se eu morrer e tu souberes, E tu souberes… na minha campa a desfolha!
Letra e música: Tradicional (Vila Nova do Corvo, Ilha do Corvo) Informante: Ti Pedro Cepo Recolha: Manuel Rocha (in CD “Povo Que Canta: Recolhas Etnográficas num Portugal Desconhecido (2000/2003)”, EMI-VC, 2003) Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010) Primeira versão [?]: Belaurora / voz solo de Carla Medeiros (in CD “Lágrimas de Saudade”, Açor/Emiliano Toste, 1999; 2CD “Quinze Anos de Cantigas”: CD 2, faixa 20, Açor/Emiliano Toste, 2000) Versão instrumental em viola da terra: Rafael Carvalho (in 2CD “9 ilhas, 2 Corações”: CD 1, faixa 17, Rafael Carvalho, 2018)
É manhã, não é manhã
[ Chamarrita Zaragateira (moda de baile) ]
É manhã, não é manhã, Já as chocalheiras começam A falar da vida alheia Que é o rosário que rezam.
Chamarrita, rita, rita, Eu venho contradizer Qu’eu hei-te dar um jeitinho Que a outro não hás-de querer!
Quando eu comecei a amar Foi numa segunda-feira; Fui amando e fui gostando, Levei a semana inteira.
Esta é que é a chamarrita: São garrafas, não são bilhas E aqui está como se canta A chamarrita das ilhas!
É manhã, não é manhã, Já as chocalheiras começam A falar da vida alheia Que é o rosário que rezam.
Esta é que é a chamarrita: São garrafas, não são bilhas E aqui está como se canta A chamarrita das ilhas!
Nota: «A “Chamarrita Zaragateira”, recolhida na ilha de Santa Maria por Artur Santos, parece, pela própria denominação ou interpretação do texto de cariz espirituoso, ser uma moda que chama o povo para a dança e para a diversão. O arranjo sugere-nos imagens das coscuvilheiras da aldeia, “é manhã, não é manhã, / já as ‘chocalheiras’ começam” a gastar o seu tempo “a falar da vida alheia”…» (Helena Oliveira)
Letra e música: Tradicional (Ilha de Santa Maria, Açores) Informantes: Manuel Coelho de Rezendes (canto), José de Andrade Chaves e António Augusto Cabral (violas de arame) Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in 12EP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963; 2CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”: CD 1, faixa 2, Açor/Emiliano Toste, 2002) Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010) Primeira versão [?]: Emiliano Toste (in CD “Andanças do Mar”, Açor/Emiliano Toste, 2002)
Esta chamarrita nova
[ Chamarrita Nova ]
Esta chamarrita nova, Esta nova chamarrita… Esta chamarrita nova, Esta nova chamarrita Bem cantada, bem bailhada, Bem cantada, bem bailhada, Bem cantada, bem bailhada, rapaz, Não há moda mais bonita!
Quem uma mãe não adora Vive já na sepultura. Quem uma mãe não adora Vive já na sepultura. O bom filho sempre chora, Sem amor não há ventura. O bom filho sempre chora, Não há amor sem ventura.
Esta chamarrita nova, Esta nova chamarrita… Esta chamarrita nova, Esta nova chamarrita Bem cantada, bem bailhada, Bem cantada, bem bailhada, Bem cantada, bem bailhada, rapaz, Não há moda mais bonita!
Quem uma mãe não adora Vive já na sepultura. Quem uma mãe não adora Vive já na sepultura. O bom filho sempre chora, Sem amor não há ventura. O bom filho sempre chora, Não há amor sem ventura.
Letra e música: Tradicional (Ilha do Pico, Açores) Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)
Esta é a primeira vez, a primeira
[ Charamba ]
Esta é a vez primeira, a vez primeira Que neste auditório canto; Em nome de Deus começo, de Deus começo: Padre, Filho, Esp’rito Santo.
A ausência tem uma filha, tem uma filha Que se chama saudade; Eu sustento mãe e filha, ai mãe e filha, Bem contra a minha vontade.
Boa-noite, meus senhores, Minhas senhoras, lindas flores Que aqui estais neste salão! Que aqui estais neste salão! Eu p’ra todos vou cantar E a todos quero saudar Do fundo do coração, Do fundo do coração.
Eu vesti um vestido novo, um vestido novo Para vir aqui cantar; A Charamba está no baile, ai está no baile, E o meu bem é o meu par.
Boa-noite, meus senhores, Minhas senhoras, lindas flores Que aqui estais neste salão! Que aqui estais neste salão! Eu p’ra todos vou cantar E a todos quero saudar Do fundo do coração, Do fundo do coração.
Letra e música: Tradicional (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Real Companhia (in CD “Orgulhosamente Nós!”, Lusogram, 2000) Primeira versão [?]: Adriano Correia de Oliveira (in EP “Lira”, Orfeu, 1964) Outra versão de Adriano Correia de Oliveira (in LP “Cantigas Portuguesas”, Orfeu, 1980; 7CD “Obra Completa”: CD “Cantigas Portuguesas”, Movieplay, 1994, Movieplay/Público, 2007) Versão instrumental em viola da terra: Rafael Carvalho (in 2CD “9 ilhas, 2 Corações”: CD 1, Rafael Carvalho, 2018)
Esta moda é bem ligeira
[ Balho da Povoação ]
Esta moda é bem ligeira: Quem a havia de inventar? Foi a filha da padeira Na cozinha a peneirar.
Não há no mundo dois mundos, Nem no céu há dois senhores: Também não pode existir Num coração dois amores.
Meu amor, se vires cair Folhas verdes na varanda, Olha que são saudades Que o meu coração te manda.
Nas ondas do teu cabelo Vou deitar-me a afogar! Eu quero que o mundo saiba Que há ondas sem ser no mar.
Quando Deus criou a rosa E fez a luz do luar, Entre as coisas mais formosas Fez a luz do teu olhar.
Letra e música: Tradicional (Ilha de São Miguel, Açores) Recolha/transcrição: Francisco José Dias (in “Cantigas do Povo dos Açores”, Angra do Heroísmo: Instituto Açoriano de Cultura, 1981) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Esta noite ninguém dança
[ Manda Voltar (Chamarrita) ]
Esta noite ninguém dança, Cantador não quer cantar; Esta noite ninguém dança, Pôs-se o homem a cismar:
«Já não cabe tanta ausência Nesta terra frente ao mar; Já não cabe tanta ausência, Dura a vida, manda voltar!»
A filha do cantador Foi p’ra longe trabalhar; Não sei que vida deixou, Que vida há-de ganhar.
«Deu-me um beijo, foi-se embora, Era hora de ficar… Deu-me um beijo, foi-se embora, (Era hora) manda voltar!»
Foram novos, foram tantos, Que viola há-de tocar? Esta noite ninguém dança, A Rita não quer chamar.
Vai-te embora, mandador! Chama Rita ao seu lugar! Água fora, vai-te embora! Chama, chama, manda voltar!
P’ra que serve um mandador Que não tem em quem mandar? Esta noite ninguém dança, Cantador não quer cantar.
Vai-te embora, ó mandador! Muda a sorte, manda virar! Água fora, vai-te embora! Vira a vida, manda voltar!
Água fora, vai-te embora! Chama, chama, manda voltar! Água fora, pede, chora! Puxa, implora, manda voltar!
Letra: Catarina Gouveia Música: Tradicional (Açores) Recolha: Artur Santos Intérprete: Macadame Versão original: Macadame (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Eu fui, eu fui à terra do bravo
[ O Bravo ]
Eu fui, eu fui à terra do bravo, Eu fui, eu fui à terra do bravo, (Bravo, meu bem) Para ver se embravecia: Cada vez, cada vez fiquei mais manso, Cada vez, cada vez fiquei mais manso, (Bravo, meu bem) Para a tua companhia.
Eu fui, eu fui à terra do bravo, Eu fui, eu fui à terra do bravo, (Bravo, meu bem) Quem é moiro não tem fé: Nunca vi, nunca vi gente mais brava, Nunca vi, nunca vi gente mais brava, (Bravo, meu bem) Que o gentio da Guiné.
Eu fui, eu fui à terra do bravo, Eu fui, eu fui à terra do bravo, (Bravo, meu bem) À ilha de São Tomé: Quando vi, quando vi a estrela-d’alva, Quando vi, quando vi a estrela-d’alva, (Bravo, meu bem) Aproveitei a maré.
Eu fui, eu fui ao mar às laranjas, Eu fui, eu fui ao mar às laranjas, (Bravo, meu bem) É coisa que o mar não tem: Como pode, como pode vir enxuto, Como pode, como pode vir enxuto, (Bravo, meu bem) Quem das ondas do mar vem?
Letra e música: Tradicional (Ilha do Pico, Açores) Recolha/transcrição: João Homem Machado (anos 30 do século XX, in “O Folclore da Ilha do Pico”, Núcleo Cultural da Horta, 1991) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora* (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Eu já morri uma vez
[ Chamarrita (Moda de baile) ]
Eu já morri uma vez, Ai o morrer achei tão doce: Inda tornava a morrer Ai se por tua causa fosse.
Vira e volta a Chamarrita Ai p’ra o lado deste meu peito; Se vens buscar saudades Mete a mão, tira-as com jeito!
Saudades me tem posto Da grossura duma linha: Já vejo que não arribo Nem a caldos de galinha.
Vira e volta a Chamarrita Ai p’ra o lado deste meu peito; Se vens buscar saudades Mete a mão, tira-as com jeito!
Letra e música: Popular (Ilha de Santa Maria, Açores) Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Regional Lira Açoriana & o Coro da Matriz de Santa Cruz da Graciosa (in CD “Sopas do Espírito Santo”, Ocarina, 2017)
Eu nasci à sexta-feira
[ Pezinho da Vila ]
Eu nasci à sexta-feira Com barbas e cabeleira Mais parecera um anti-Cristo Que até o senhor padre cura Que é um homem de sabedura Nunca tal houvera visto
Eu fui a Vila Franca Escanchado numa tranca À morte de uma galinha O que ela tinha no papo Sete cães e um macaco E um soldado da marinha
Ponha aqui o seu pezinho Devagar devagarinho Se vai à Ribeira Grande Eu tenho uma carta escrita Para ti, cara bonita Não tenho por quem lh’a mande
Eu fui à Praia da Rocha Sapato meia galocha Ver se o mar estava manso Encontrei lá uma garoupa Toda embrulhada em roupa A dormir no seu descanso
Eu fui de Lisboa a Sintra A casa da tia Jacinta P’ra me fazer uns calções Mas a pobre criatura Esqueceu-se da abertura Para as minhas precisões
Ponha aqui o seu pezinho Devagar devagarinho Se vai à Ribeira Grande Eu tenho uma carta escrita Para ti, cara bonita Não tenho por quem lh’a mande
Toda a moça que é bonita Se ela chora, se ela grita Nunca houvera de nascer É como a maçã madura Na quinta do padre cura Todos lha querem comer
Eu fui casar às Capelas Por ser fraco das canelas Com uma mulher sem nariz E esta gente das Fajãs Já me deram os parabéns Pelo casamento que eu fiz
Ponha aqui o seu pezinho Devagar devagarinho Se vai à Ribeira Grande Eu tenho uma carta escrita Para ti, cara bonita Não tenho por quem lh’a mande
Letra e música: Popular (Açores) Intérprete: Brigada Victor Jara (in “Eito Fora”, Mundo Novo/Editorial Caminho, 1977; reed. Farol, 1995)
Eu sou marinheiro
[ Irró (Erró) ]
Eu sou marinheiro, eu sou Contramestre de um vapor: Embarquei numa galera P’rás terras do meu amor.
Bate, padeirinha! Bate, padeirão! Quem quiser peixinho Vai ao barracão, Peixinho comprado Numa banda só, Folhinha rosada Num dia de irró!
Eu sou marinheiro, eu sou Contramestre de um vapor: Embarquei numa galera P’rás terras do meu amor.
S. Pedro e S. Paulo Sejais minha guia, Na terra, no mar Minha companhia! S. Pedro amado, Livrai-me, sou réu, Bolinete doirado Caído do céu!
Eu sou marinheiro, eu sou Contramestre de um vapor: Embarquei numa galera P’rás terras do meu amor.
Mastrinho sem vela Mas com bujarrona, Chapluca com Deus Cheira a manjerona; Em noite de calma Brilha a lua cheia, Canta sobre as águas A linda sereia!
Eu sou marinheiro, eu sou Contramestre de um vapor: Embarquei numa galera P’rás terras do meu amor.
Letra e música: Popular (Ilha de S. Miguel, Açores) Arranjo e orquestração: Pedro Fragoso Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Regional Lira Açoriana & “Coro da Ressaca do Maia Folk” (in CD “Sopas do Espírito Santo”, Ocarina, 2017)
Meu delicado pezinho
Meu delicado pezinho Quando toca no caminho Logo toca o meu também Depois vamos conversando Nossos pezinhos tocando Mais felizes que ninguém
Este pé que é o teu Deve estar ao pé do meu Namorando a vida inteira O meu pé não se acomoda Quer ir com o teu à roda De toda a ilha Terceira
Nossos pezinhos rodando Passo a passo caminhando Só ouvindo a tua voz E então um pouco a medo Me disseste um segredo Que ficou só entre nós
Letra e música: Popular (Açores) Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in “Fados Velhos”, Contradança, 1987; reed. Movieplay, 1998)
Minha avó quando nasceu
[ Balho da Povoação ]
Minha avó quando nasceu Eu já tinha três semanas; Já vinha da Povoação C’um saquinho de castanhas.
Ontem à noite eu fui ao balho Mai-la minha rapariga; Eu dei-lhe um beijo na testa E um beliscão na barriga.
Minha mãe quando nasceu Eu já estava em São Vicente; Minha mãe está teimosa, Que nasceu à minha frente.
Oh, que linda rosa é esta Tenho eu ao pé de mim! P’lo cheirinho que ela deita Parece que veio do jardim.
Nesta terra não é uso Ir pedir a filha ao pai: Vai-se p’la escada acima, «Senhor sogro, já cá vai!»
O balho da Povoação Quem havia de inventar? Foi a filha da padeira Toda a noite a peneirar.
Letra e música: Popular (ilha de São Miguel, Açores) Arranjo: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP “Fados Velhos”, Contradança, 1986, reed. Movieplay, 1998) Segunda versão da Ronda dos Quatro Caminhos – “Fado da Povoação” (in 2CD “Alçude”: CD 2, Ovação, 2001)
Não planteis a saudade
[ Saudade ]
Não planteis a saudade, Que a saudade é má flor! Que uma viva saudade, Que uma viva saudade, Que uma viva… Que uma viva saudade Me matou o meu amor.
Ó tirana saudade, Onde tu foste nascer?! No peito do meu amor No peito do meu amor No peito… No peito do meu amor Que mo deixaste a sofrer.
Saudade, terna saudade, Emblema do meu viver, Companheira da minh’alma, Companheira da minh’alma, Companheira… Companheira da minh’alma, Só morres quando eu morrer.
Letra e música: Tradicional (Ilha do Pico, Açores) Intérprete: Musica Nostra* (in CD “Cantos da Terra”, Açor/Emiliano Toste, 2009)
No berço que a ilha encerra
[ Chamateia ]
No berço que a ilha encerra Bebo as rimas deste canto No mar alto desta terra Nada a razão do meu pranto
Mas no terreiro da vida O jantar serve de ceia E mesmo a dor já sentida Dá lugar à Sapateia
Oh meu bem, oh Chamarrita Meu alento vai e vem Vou embarcar nesta dança Sapateia, oh meu bem
Se a Sapateia não der Pra acalmar minha alma inquieta Estou pró que der e vier Nas voltas da Chamarrita
Chamarrita, Sapateia Eu quero é contradizer O aperto desta bruma Que às vezes me quer vencer
Oh meu bem, oh Chamarrita Meu alento vai e vem Vou embarcar nesta dança
António Zambujo, Outro Sentido
Letra: António Melo Cruz (inspirado nas tradicionais “Chamarrita” e “Sapateia”) Música: Luís Alberto Bettencourt Intérprete: António Zambujo (in CD “Outro Sentido”, Ocarina, 2007)
No berço que a ilha encerra
[ Chamateia ]
No berço que a ilha encerra Bebo as rimas deste canto; No mar alto desta terra Nada a razão do meu pranto.
Mas no terreiro da vida O jantar serve de ceia, E mesmo a dor mais sentida Dá lugar à chamateia.
Oh meu bem! Oh chamarrita! Meu alento vai e vem, Vou embarcar nesta dança, Sapateia, oh meu bem!
Se a sapateia não der P’ra acalmar minh’alma inquieta, Estou p’ró que der e vier Nas voltas da chamarrita.
Chamarrita, sapateia! Eu quero é contradizer O aperto desta bruma Que às vezes me quer vencer.
Oh meu bem! Oh chamarrita! Meu alento vai e vem, Vou embarcar nesta dança, Sapateia, oh meu bem!
Letra: António Melo Sousa Música: Luís Alberto Bettencourt Arranjo: Carlos Guerreiro Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão discográfica dos Gaiteiros de Lisboa, com Filipa Pais e João Afonso (in CD “Bestiário”, Uguru, 2019) Versão original: José Ferreira, Carlos Medeiros e Luísa Alves (in LP “Balada do Atlântico”, DisRego, 1987; 2LP “O Barco e o Sonho | Balada do Atlântico | Xailes Negros”: LP 1, Philips/Polygram, 1989; CD “7 Anos de Música”, 2.ª edição, DisRego, 1992)
Gaiteiros de Lisboa, Bestiário
No berço que a ilha encerra
[ Chamateia ]
No fundo do mar ondoso
[ Pezinho, Ai, Ai, Meu Amor ]
No fundo do mar ondoso, (ai, ai, meu amor) Na concha mais delicada, Foi gravar a natureza (ai, ai, meu amor) O nome da minha amada.
Teu nome escrevi na areia (ai, ai, meu amor) Que banha o vizinho mar; Eu vi as ondas, pulando, (ai, ai, meu amor) Teu nome virem beijar.
A maré que vem de longe (ai, ai, meu amor) Bate na pedra, embranquece; Este nosso bem-querer (ai, ai, meu amor)
Só no olhar se conhece.
Abre-te, mar, faz carreiro (ai, ai, meu amor) Que eu não venho fazer guerra! Venho ver se os peixes amam (ai, ai, meu amor) Como a gente cá na terra.
Letra e música: Tradicional (Ilha de São Miguel, Açores) Recolha/transcrição: Manuel Tavares Canário (1.ª quadra, in “Balhos Micaelenses”, 1901) e Armando Côrtes-Rodrigues (2.ª e 3.ª quadras, in “Cancioneiro Geral dos Açores”, Angra do Heroi´smo: Direcc¸a~o Regional dos Assuntos Culturais, 1982) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Ó água do mar
[ Mar Salgado ]
Ó água do mar, salgada, Porque não adocicais? Correm fontes e ribeiras… Salgada cada vez mais.
Não há vida mais tirana Do que a do homem do mar: Nas ondas a morte à vista, Em casa a fome a matar.
O mar tem ondas medonhas Que levantam o furacão; Eu tenho medo sem fim Do mar do meu coração.
Ó água do mar, salgada, Porque não adocicais? Correm fontes e ribeiras… Salgada cada vez mais.
O mar tem ondas medonhas Que levantam o furacão; Eu tenho medo sem fim Do mar do meu coração.
Letra: Tradicional (Açores) Música: Macadame Intérprete: Macadame* (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
O fado batuque
[ Fado Batuque ]
O fado batuque foi correr a ilha P’ra arranjar dinheiro p’ra casar a filha.
Ó senhora Ana, ó senhora Aninha, Acautele o galo das minhas galinhas!
O fado batuque já era velhinho, Mas inda emborcava um pote de vinho.
O fado batuque tanto batucou, Mesmo a batucar a vida acabou.
Letra e música: Tradicional (Ilha de São Miguel, Açores) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Ó meu bem, se tu te fores
[ Meu Bem ]
Primeira versão [?]: Tonicha, arr. Jorge Palma (in LP “Cantigas Populares”, Orfeu, 1976) Ó meu bem, se tu te fores Como dizem que te vais, Deixa-me o teu nome escrito Numa pedrinha do cais!
Meu amor, na tua ausência Nunca deixes de escrever Duas linhas ao teu bem, Que por ti fica a sofrer!
Ó meu bem, quando te foste, Sete lenços alaguei Mai-la manga da camisa… E dizem que não chorei!
Meu amor, na tua ausência Nunca deixes de escrever Duas linhas ao teu bem, Que por ti fica a sofrer!
Ó meu bem, se tu te fores Como dizem que te vais, Deixa-me o teu nome escrito Numa pedrinha do cais!
Meu amor, na tua ausência Nunca deixes de escrever Duas linhas ao teu bem, Que por ti fica a sofrer!
Letra e música: Tradicional (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Helena Oliveira* com José Medeiros (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)
Nota: «Quem analisar a canção “Meu Bem” à luz da sensibilidade, por certo que vai encontrar-lhe um dos mais belos motivos dos cantares açorianos. As notas deslizam, cantam as emoções que o amor vai gerando num suave e doce clamor: “Ó meu bem, se tu te fores / como dizem que te vais, / deixa-me o teu nome escrito / numa pedra do cais!”.
Oh água do mar
[ Mar Salgado ]
Oh água do mar, salgada, Porque não adocicais? Correm fontes e ribeiras… Salgada cada vez mais.
Não há vida mais tirana Do que a do homem do mar: Nas ondas a morte à vista, Em casa a fome a matar.
O mar tem ondas medonhas Que levantam o furacão; Eu tenho medo sem fim Do mar do meu coração.
Oh água do mar, salgada, Porque não adocicais? Correm fontes e ribeiras… Salgada cada vez mais.
Não há vida mais tirana Do que a do homem do mar: Nas ondas a morte à vista, Em casa a fome a matar.
O mar tem ondas medonhas Que levantam o furacão; Eu tenho medo sem fim Do mar do meu coração.
Letra: Tradicional (Açores) Música: Macadame Intérprete: Macadame Versão original: Macadame (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Ó mãe, acende uma candeia
[ Balada da Candeia ]
Ó mãe, acende uma candeia Que tenho medo desta noite tão escura Ó mãe, acende uma candeia Que tenho medo do assombro da lonjura Nuvem negra na manhã Se chover, há-de escampar Traz um búzio, minha irmã Quero ouvir a voz do mar Faça chuva, faça sol Nesta longa travessia Hás-de ser o meu farol Hás-de ser a minha guia
Ó mãe, acende uma candeia Que tenho medo desta noite tão escura Ó mãe, acende uma candeia Que tenho medo do assombro da lonjura Triste sorte a do soldado Lutas, guerras, perdições Triste sonho amputado Onde morrem as canções Rio de tantos venenos De zagaias e punhais Selva de tantos enganos Aziagos, tão fatais
Ó mãe, acende uma candeia Que tenho medo desta noite tão escura Ó mãe, acende uma candeia Que tenho medo do assombro da lonjura
Letra e música: José Medeiros (Ao João Lóio, à Regina Castro e ao Fernando Rangel) Arranjo: José Medeiros, com a colaboração de todos os músicos Intérprete: José Medeiros (in Livro/2CD “Fados, Fantasmas e Folias”: CD 2, Algarpalcos, 2010)
Ó meu bem se tu te fores
[ Canção Longe ]
Ó meu bem se tu te fores Como dizem que te vais Deixa-me o teu nome escrito Numa pedrinha do cais
Quando o meu mano se foi Sete lenços alaguei Mai-la manga da camisa E dizem que não chorei
Meu amor vem sobre as ondas Meu amor vem sobre o mar Ai quem me dera morrer Nas águas do teu olhar
Letra: Popular (Açores) Música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Baladas e Canções”, de José Afonso, Ofir, 1967; reed. EMI-VC, 1997)
O meu nome é Ismael
[ Moby Dick (A Canção de Ismael) ]
O meu nome é Ismael Já me vou fazer ao mar Vou às sete partidas do mundo Tempo de zarpar Nesta barca baleeira Levo a lança e o arpão Das Américas aos mares do sul Minha assombração Das canções de marinhagem
Sei de lendas e rumores, Quem será o trancador de Moby Dick? As canções de marinhagem Rasgando o mar dos Açores, Quem será o matador de Moby Dick? Já se avista um cachalote Rema, rema, remador Meu desencontrado coração Parece um tambor Na esteira, no meu bote Meu alento, meu afã Rema, rema, vamos arpoar O Leviatã
Ó serpente fugidia Dos abismos do mar, Já escuto este clamor: É Moby Dick! Assombrada profecia Vens do fundo do mar Reconheço com temor que é Moby Dick! Ó Ahab, ó velho lobo Comandante desta nau Coração de ferro, olhar de fogo E perna de pau Já conheço a tua lei Ó sombrio caçador Só a morte da baleia branca Mata a tua dor Ó sombrio capitão Teu intento é fatal Hás-de ser o trancador de Moby Dick Ó sombrio capitão Teu sangrento ritual Vais morrer no teu rancor por Moby Dick
Letra e música: José Medeiros Arranjo: Paulo Borges Intérprete: José Medeiros (in Livro/2CD “Fados, Fantasmas e Folias”: CD 1, Algarpalcos, 2010)
Ó sapateia, teia, teia
[ (Sapateia, Teia, Teia) ]
Ó sapateia, teia, teia que me prende Neste novelo de tantas inquietações Amarga e doce minha lira que se acende Nesta viola que há-de ter dois corações
Pedras tão negras tatuadas pelo vento Pedras queimadas pelo rocio do mar São sentinelas da saudade, do lamento De estar tão longe, meu amor, do teu olhar
Vai, minha galera Navegar o mar imenso Nas marés que o tempo amanheceu Nesta longa espera Sei que ainda te pertenço Pois sei que a nossa lira não morreu
Ó sapateia, teia, teia que me prende Neste novelo de tantas inquietações Amarga e doce minha lira que se acende Nesta viola que há-de ter dois corações
Pedras tão negras tatuadas pelo vento Pedras queimadas pelo rocio do mar São sentinelas da saudade, do lamento De estar tão longe, meu amor, do teu olhar
Vai, minha galera Navegar o mar imenso Nas marés que o tempo amanheceu Nesta longa espera Sei que ainda te pertenço Pois sei que a nossa lira não morreu
Letra e música: José Medeiros (Ao Hermenegildo Galante) Arranjo: Paulo Borges e José Medeiros Intérprete: José Medeiros (in Livro/2CD “Fados, Fantasmas e Folias”: CD 1, Algarpalcos, 2010)
Oh rema, rema oh, companheiro!
[ Baleeiros de New Bedford ]
Oh rema, rema oh, companheiro! Vem celebrar a luz da manhã! Do meu amor fiquei prisioneiro, O seu olhar será meu talismã.
Sei que vou zarpar. Adeus, adeus, ó minha amada! Vou vencer marés e assombração. Sei que vou zarpar. Hei-de remar de madrugada Ao compasso do teu coração. Vou vencer marés e assombração.
Hei-de subir às gáveas do vento, Serpentear as danças do mar. O meu arpão será o meu sustento, Minha galera será o meu solar.
Sei que vou zarpar. Adeus, adeus, ó minha amada! Vou vencer marés e assombração. Sei que vou zarpar. Hei-de remar de madrugada Ao compasso do teu coração. Vou vencer marés e assombração.
Letra e música: José Medeiros Arranjo: Carlos Guerreiro Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão original: Gaiteiros de Lisboa com José Medeiros (in CD “Bestiário”, Uguru, 2019)
Nota: «Tema criado para série televisiva “O Livreiro de Santiago” (RTP-Açores, 2014), de José Medeiros.» (Carlos Guerreiro)
Os teus olhos negros
[ Olhos Pretos (ou Olhos Negros) ]
Os teus olhos negros, negros, São gentios, são gentios da Guiné: Ai, da Guiné por serem negros, Da Guiné por serem negros, Gentios por não ter fé.
Os meus olhos, de chorar, Ai, de chorar, Fizeram covas no chão. Choram por ti, choram por ti Choram por ti. E os teus por quem chorarão?
Choram por ti, choram por ti Choram por ti. E os teus por quem chorarão?
Letra e música: Tradicional (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Musica Nostra* (in CD “Cantos da Terra”, Açor/Emiliano Toste, 2009)
Os teus olhos são brilhantes
[ Olhos Negros ]
Os teus olhos são brilhantes, semelhantes aos luzeiros que o céu tem; os olhos negros eu preferi e nunca vi, de outros mais lindos, ninguém.
Os teus olhos negros, negros…
Os teus olhos negros, negros, são gentios, são gentios da Guiné; ai da Guiné por serem negros, da Guiné por serem negros, gentios por não terem fé.
Letra e música: Tradicional (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Afonso Dias* com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016)
Quando o Menino nasceu
[ Canto de peditório ]
Quando o Menino nasceu (Ai) P’ra salvar a toda a gente, Uma estrela apareceu (Ai) Aos três Reis do Oriente.
Quando a estrela avistaram, (Ai) Compreenderam-na bem: Sem demora caminharam (Ai) Atrás dela p’ra Belém.
Quando o Menino nasceu P’ra salvar a toda a gente…
O Menino foi dormir; (Ai) Ninguém o vem acordar Pois só os anjos do Céu (Ai) O podem vir visitar.
Sete estrelas nos guiam (Ai) Todas a par com a Lua: Nossa Senhora no meio, (Ai) Mais formosa que nenhua. [ Quando o Menino nasceu…
Letra e música: Popular (Lomba do Pomar – Povoação, Ilha de S. Miguel, Açores) Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Regional Lira Açoriana & o Coro Pactis (in CD “Sopas do Espírito Santo”, Ocarina, 2017) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP “Ronda dos Quatro Caminhos”, Rádio Triunfo, 1984, reed. Movieplay, 1997)
Quero-te bem
Quero-te bem, quero-te bem porque quero, Quero-te bem porque és o meu amor; Quero-te bem, quero-te bem porque quero, Queira ou não queira a razão.
Quero-te bem sobre o bem Com todo o meu bem-querer; Quero-te bem dentro da alma Sem te dar a entender.
Quero-te bem, quero-te bem sobre o bem, Sobre o bem, sobre o bem a bem-querer; Quero-te bem, quero-te bem, já te disse, Hei-de amar-te até morrer!
Quero-te bem sobre o bem Com todo o meu bem-querer; Quero-te bem dentro da alma Sem te dar a entender.
Quero-te bem sobre o bem Com todo o meu bem-querer; Quero-te bem dentro da alma Sem te dar a entender.
Quero-te bem, quero-te bem porque quero, Quero-te bem porque és o meu amor; Quero-te bem, quero-te bem porque quero, Queira ou não queira a razão.
Quero-te bem sobre o bem Com todo o meu bem-querer; Quero-te bem dentro da alma Sem te dar a entender.
Quero-te tanto, quero-te tanto, meu bem! Dizer-te o quanto, dizer-te o quanto eu não sei; Quero-te ter, quero-te ter sobre o peito Onde bate o coração!
Quero-te bem sobre o bem, Sobre bem a bem-querer; Quero-te bem, já te disse, Hei-de amar-te até morrer!
Quero-te bem sobre o bem, Sobre bem a bem-querer; Quero-te bem, já te disse, Hei-de amar-te até morrer!
Macadame, Firmamento
Letra: Tradicional (Açores) Música: Macadame Intérprete: Macadame Versão original: Macadame (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Rema para lá
[ O Rema ]
Rema para lá, lanchinha, Lanchinha de quatro remos! Que amanhã é dia santo, Temos tempo, falaremos.
Rema, que rema! Vamos ao mar às tainhas! No mar se apanham: Ou gradas ou miudinhas.
Rema para lá, lanchinha! Rema bem, ó remador! Que nessa lanchinha vai Para longe o meu amor.
Rema, que rema! Vamos ao mar às bicudas! No mar se apanham Miudinhas e graúdas.
Quando eu era lancha nova, Ia muita vez ao mar; Agora que já sou velha ‘Stou posta de quilha ao ar.
Rema, que rema! Vamos ao mar às cavalas! No mar se apanham, Vamos ao mar apanhá-las!
Já fui mestre, mandei barco, Marinheiro de abalada; Agora que já sou velho Só ganho meia soldada.
Rema, que rema! Vamos ao mar à sardinha! No mar se apanha Muito grada e miudinha.
Letra e música: Tradicional (Ilha do Pico, Açores) Recolha/transcrição: João Homem Machado (anos 30 do século XX, in “O Folclore da Ilha do Pico”, Núcleo Cultural da Horta, 1991) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora* (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Roda, roda, rotativa
Roda, roda, rotativa Roda, roda, rotativa Teu cantar é um lamento Meu coração à deriva Meu coração à deriva Como um peixe catavento Roda, roda, rotativa Roda, roda, rotativa Teu cantar é sempre igual Repetida narrativa Repetida narrativa Rotineiro ritual Vai, António Malaquias Vai, António Malaquias Já é tempo de zarpar De rasgar as levadias De rasgar as levadias E os segredos que há no mar
Vai, António Malaquias Vai, António Malaquias Já é tempo de zarpar De rasgar as levadias De rasgar as levadias E os segredos que há no mar
A rotativa do tempo A imprimir sonhos e quimeras Neste tão cinzento quotidiano Enquanto as luzes da cidade Vão coreografando a sua dança de sombras Dança de sombras, rasgos de luz… Vai, António Malaquias! Recusa a tua solidão Que há um batel à tua espera! Olha! Olha o sorriso da lua nas criptomérias Enfeitando a noite de miragens e de segredos! Vai, António Malaquias! Vai!
Letra e música: José Medeiros Arranjo: José Medeiros, com a colaboração de todos os músicos Intérprete: José Medeiros (in Livro/2CD “Fados, Fantasmas e Folias”: CD 2, Algarpalcos, 2010)
José Medeiros
Rola, rola, São Gonçalo
[ São Gonçalo ]
Rola, rola, São Gonçalo, Santo de Jesus querido! Já fostes santificado Antes que fosseis nascido.
São Gonçalo me chamou De cima do seu balcão: Ai, que fosse jantar com ele Uma perna de leitão.
Rola, rola, São Gonçalo! Rola por aí abaixo! Que eu perdi um bem que tinha E ando a ver se o acho.
São Gonçalo me chamou Da janela da cozinha: Ai, que fosse jantar com ele Uma canja de galinha.
Rola, rola, São Gonçalo, Santo de Jesus querido! Já fostes santificado Antes que fosseis nascido.
São Gonçalo de Amarante É santo casamenteiro, Ai, mas só quer casar as velhas E às novas diz que é solteiro.
Letra e música: Tradicional (Ilha do Pico, Açores) Recolha/transcrição: João Homem Machado (anos 30 do século XX, in “O Folclore da Ilha do Pico”, Núcleo Cultural da Horta, 1991) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora* (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
Sapatos p’rá sapateia
[ Sapateia ]
Sapatos p’rá sapateia, P’ra bem sapatear! Que quem melhor sapateia É quem melhor sabe amar.
O meu amor é um anjo Que a Deus do Céu agradeço: Já mo quiseram comprar, Ai, anjos do Céu não têm preço.
Grupo de Cantares Belaurora, da maior e da mais alta
Letra e música: Tradicional (Ilha de São Miguel, Açores) Recolha/transcrição: ? (acervo do Museu Carlos Machado, Ponta Delgada) Intérprete: Grupo de Cantares Belaurora (in CD “Da Maior e da Mais Alta”, Açor/Emiliano Toste, 2010)
S. Gonçalo dos milagres
[ S. Gonçalo Viageiro ]
S. Gonçalo dos milagres Que mal te fizemos nós, Que ainda estamos solteiros Podendo já ser avós?!
Prometi a S. Gonçalo Que lhe dava uma tijela… Mas não tenho senão uma, Se lha dou fico sem ela.
S. Gonçalo me chamou Pela porta da cozinha Para ir jantar com ele Uma perna de galinha.
Já está velho S. Gonçalo, De velho caiu-lhe os dentes; Deus dê saúde às moças Que lhe deram papas quentes!
Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Regional Lira Açoriana, Sopas do Espírito Santo
Letra e música: Popular (Açores) Arranjo: António Prata e Carlos Barata Orquestração: Vasco Pearce de Azevedo Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Regional Lira Açoriana & o Grupo Coral da Horta (in CD “Sopas do Espírito Santo”, Ocarina, 2017) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Recantos”, Polygram, 1996; CD “A Arte e a Música”, Universal. 2004)
Sol baixinho
[ Moda de baile ]
Sol baixinho, sol baixinho, Sol baixinho também queima; Eu hei-de amar, sol baixinho, Só p’ra seguir uma teima.
Cravo branco, não me prendas, Que eu não tenho quem me solte! Não sejas tu, cravo branco, Causante da minha morte!
O meu pai é tocador, Minha mãe é cantadeira: Eu sou filho deles ambos, Canto da mesma maneira.
Eu gosto muito de estar Onde estão as raparigas: Uma canta, outra baila E a outra ouve as cantigas.
Letra e música: Popular (ilha de Santa Maria, Açores) Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”, Açor/Emiliano Toste, 2002) [canta Virgínia de Andrade Cabral, acompanhada por violas de arame tocadas por António Augusto Cabral e João Soares Arranjo: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD 1, Ovação, 2001) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Recantos”, Polygram, 1996) Outra versão da Ronda dos Quatro Caminhos com Orquestra Sinfonietta de Lisboa (in DVD/CD “Ao Vivo no Centro Cultural de Belém”, Ocarina, 2005)
Tira, Tirana
[ Tirana ]
Tira, Tirana! Tira, Tirana! Tirana, tira, Tirana, Tirana do sentimento! Abre, Tirana, abre os teus braços! Tirana, abre os teus braços! Quero entrar para dentro.
Ía Tirana, eu ía p’lo mar, Eu ía pelo mar fora; A meio do mar parei: Ouvi, Tirana, cantar a Tirana, Ouvi cantar a Tirana Lá no palácio do rei.
Tira, Tirana! Tira Tirana! Tirana, tira, Tirana! Tirana, torna a tirar! Vem ver, Tirana, o meu padecer! Ver ver o meu padecer! Vem ver o meu acabar!
Atira, Tirana! Atira, Tirana! Tirana, atira, Tirana! Tirana vem ver, vem ver! Vem ver, Tirana! Vem ver, Tirana! E verás como se morre Se se acaba por morrer.
Letra e música: Tradicional (Ilha de São Jorge, Açores) Intérprete: Musica Nostra* (in CD “Cantos da Terra”, Açor/Emiliano Toste, 2009)
Tuque, batuque
[ Batuque (Moda de baile) ]
Tuque, batuque, Batuque, meu bem! Quem me dera ter O que o batuque tem…
Tuque, batuque, Torna a batucar! Meninas bonitas Vão p’ra o seu lugar.
Tuque, batuque, Por trás do frontal… Perdi uma agulha, Achei um dedal.
Tuque, batuque, De noite ao serão… Ouvem-se violas, Que lindas que são!
Tuque, batuque, De noite ao serão… Ouvem-se violas, Que lindas que são!
Tuque, batuque, Torna a batucar! Meninas bonitas Vão p’ra o seu lugar.
Letra e música: Popular (Ilha de Santa Maria, Açores) Intérpretes: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Regional Lira Açoriana & o Coro da Associação José Damião de Almeida (in CD “Sopas do Espírito Santo”, Ocarina, 2017) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in LP “Cantigas do Sete-Estrelo”, Rádio Triunfo, 1985, reed. Movieplay, 1997) Outra versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Uma Noite de Música Tradicional”, Polygram, 1993; CD “A Arte e a Música”, Universal. 2004)
Vai de roda
[ Canção dançada ou ‘moda’ de baile ]
Vai de roda, vai de roda! Vai de roda com primori! Daqui desta região, De quem há-de ser meu amori.
Hei-de cantar e bailar Enquanto vida tiveri; E depois, quando eu morrer, Que cante e baile quem quiseri.
Os olhos do meu amor São grãos de trigo na eira, Semeados ao domingo E nados à segunda-feira.
Vai de roda, vai de roda! Vai de roda com primori! Daqui desta região, De quem há-de ser meu amori.
Hei-de cantar e bailar Enquanto vida tiveri; E depois, quando eu morrer, Que cante e baile quem quiseri.
Os olhos do meu amor São grãos de trigo na eira, Semeados ao domingo E nados à segunda-feira.
Letra e música: Tradicional (ilha de S. Miguel, Açores) Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) (in 4CD “O Folclore Musical nas ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”: CD 2, Açor/Emiliano Toste, 2001) Intérprete: Macadame Primeira versão de Macadame (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Viola, minha viola
Viola, minha viola Tu comes comigo à mesa; Tu és a minha alegria, Quando eu tenho tristeza.
Viola, minha viola, Viola que eu tanto adoro: Porque ris quando rio? Porque choras quando choro?
Os dois corações abertos Da viola, tão riquinhos, Um é meu, o outro é teu, Como os dela bem juntinhos.
Letra: cancioneiro dos Açores
Viva o vinho rescendente
[ Ai Vinho do Pico ]
Viva o vinho rescendente Que cresceu ao pé do mar E se esvai tão de repente Porque tem bom paladar!
Atlantis à flor da água Tem Arinto lá no monte; Vou beber a minha mágoa No Czar da tua fonte.
O vinho acende o desejo, Basalto, aquela emoção… O Merlot sabe ao beijo Deste amor, pura afeição.
Dono da casa, amiguinho, Tu não me dês uma nega: Vamos lá provar o vinho Que há na tua linda adega!
Letra: Victor Rui Dores Música: Popular (Chamarrita do Pico, Açores) Arranjo: Luís Bettencourt Intérprete: Carlos Alberto Moniz Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD “O Vinho dos Poetas”: CD 2, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)
A cana verde no mar Anda à roda do vapor; Ainda está p’ra nascer Quem há-de ser meu amor.
A roupa do marinheiro Não é lavada no rio: É lavada no mar-alto À sombra do seu navio.
À sombra do seu navio, À sombra do seu vapor; Não é lavada no rio A roupa do meu amor.
O meu amor foi-se embora Sem se despedir de mim; Que o mar se transforme em rosas E o seu barco num jardim.
A roupa do marinheiro Não é lavada no rio: É lavada no mar-alto À sombra do seu navio.
À sombra do seu navio, À sombra do seu vapor.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Afonso Dias com Teresa Silva Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016)
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
A saia da Carolina
A saia da Carolina Tem um lagarto pintado; Quando a Carolina baila O lagarto dá ao rabo.
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
A Carolina é uma tola Que tudo faz ao revés: Veste-se pela cabeça E veste-se pelos pés.
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
O senhor cura nos baila Porque tem uma coroa. Baile, senhor cura, baile Que Deus tudo lhe perdoa!
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
Letra e música: Tradicional galaico-portuguesa Intérprete: Arrefole (in CD “Veículo Climatizado”, Açor/Emiliano Toste, 2006)
As sete mulheres do Minho
As sete mulheres do Minho, mulheres de grande valor armadas de fuso e roca correram com o regedor.
Essa mulher lá do Minho que da foice fez espada há-de ter na lusa história uma página doirada.
Viva a Maria da Fonte com as pistolas na mão para matar os Cabrais que são falsos à nação.
Letra: Popular Música: José Afonso Intérprete: Erva de Cheiro (in CD “Que Viva o Zeca”, 2007) Versão original: José Afonso (in “Fura Fura”, 1979)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Entre sombras misteriosas
[ Havemos de ir a Viana ]
Intérprete: Cuca Roseta
https://www.youtube.com/watch?v=FK-viRKqsKI
Flecha
Bate, bate, coração, Como um comboio a vapor! Vou de comboio a Monção P’ra falar ao meu amor.
Na vidraça Tudo passa; Pouca terra, terra vai, ó ai! Entra a saca, Sai a vaca, Dorme a filha, fuma o pai, ó ai!
Voa, Flecha, voa! Companheiro do rio Minho, Por terras de verde vinho Flecha vai.
O meu amor vai lá estar, Combinámos na estação; Lá vai o Flecha a apitar A caminho de Monção.
Na vidraça Tudo passa; Pouca terra, terra vai, ó ai! Entra a saca, Sai a vaca, Dorme a filha, fuma o pai, ó ai!
Voa, Flecha, voa! Companheiro do rio Minho, Por terras de verde vinho Flecha vai.
Com a força do calor Ou com um frio de rachar, Vou de Monção a Valença Até Caminha ver o mar.
Na vidraça Tudo passa; Pouca terra, terra vai, ó ai! Entra a saca, Sai a vaca, Dorme a filha, fuma o pai, ó ai!
Voa, Flecha, voa! Companheiro do rio Minho, Por terras de verde vinho Flecha vai.
Letra e música: Carlos Guerreiro Arranjo: Carlos Guerreiro Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão original: Gaiteiros de Lisboa com Segue-me à Capela (in CD “Bestiário”, Uguru, 2019)
Nota: «Tema composto para um espectáculo de comemoração do centenário do comboio Flecha, que uniu Valença do Minho a Monção, organizado pela Câmara Municipal de Monção.» (Carlos Guerreiro)
Rio Minho
Meninas, vamos ao Vira
[ Vira do Minho ]
Intérprete: Cuca Roseta
https://www.youtube.com/watch?v=M3pZ5kE2D8o
Oh! Eh!
[ Cantilenas da Pedra ]
Oh! Eh! Oh! Eh! Oh! Oh! E oh pedrinha, oh!
Oh! Eh! Oh! Eh! Oh! Oh! E oh vira lá, oh!
Oh! Eh! Oh! Eh! Oh! Oh! Anda penedo, oh!
Oh pedra, oh! Minha roladeira, opa! Rola bem, pedra, vai-te! Que eu te empurro, opa!
Oh pedra, oh! Rola bem o teu leito! Rola bem ao meu mando Que eu te empurro com jeito!
Oh pedra, oh! Esta é a nossa surriba! Oh pedra, opa! Vai-te pelo monte arriba!
Oh pedra, oh! Minha menina, opa! Atrás do rapazote, Quem te afina? Opa!
Oh pedra, oh! Gosto do entremês! Oh pedra, opa! Gira mais uma vez!
Oh! Eh! Oh! Eh!
Letra e música: Tradicional (Horto, Póvoa de Lanhoso, Minho) Recolha: Michel Giacometti (“Cantilena de Pedreiro”, in LP “Minho”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1963; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 1 – Minho, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 2 – Minho, col. Portugal Som, Numérica, 2008) / Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, ep. “Canto de Trabalho na Pedreira”, RTP-1, 11 Nov. 1973 Intérprete: Ai! (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015) Outra versão com César Prata: César Prata – “Cantilena de Pedreiro” / vozes de Cândido Alpendre e Edite Santos (in CD “Futuras Instalações”, César Prata/RequeRec, 2014)
Este linho é mourisco
[(Cantiga para maçar o linho)]
Este linho é mourisco, a fita dele namora. Quem daqui não tem amores tire o chapéu, vá-se embora!
Ai larila, ai lolela, ai lolela, ai meu bem! Regala-te, ó meu amor, regala-te e passa bem!
Ó minha mãe dos trabalhos, para quem trabalho eu? Trabalho, mato o meu corpo, não tenho nada de meu.
Ai larila, ai lolela, ai lolela, ai meu bem! Regala-te, ó meu amor, regala-te e passa bem!
Este linho é mourisco, Este linho é mourisco, Este linho é mourisco, Este linho…
Mondadeiras lá de baixo, maçai o meu linho bem! Não olheis para a portela, que a merenda logo vem!
Ai larila, ai lolela, ai lolela, ai meu bem! Regala-te, ó meu amor, regala-te e passa… passa bem!
Letra e música: Tradicional (Póvoa de Lanhoso, Minho) Recolha: Gonçalo Sampaio (1890-1925, in “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 139) Intérprete: Canto Ondo (in CD “Entre o Alto do Peito e as Campainhas da Garganta”, A Monda – Associação Cultural/Canto Ondo, 2016)
Já no céu não há estrelas
[ A Manhã Vai Rindo ]
Já no céu não há estrelas Senão uma ao pé da Lua; Nem há no mundo que eu saiba Cara mais linda que a tua.
O Sol prometeu à Lua Uma fita de mil cores: Quando o Sol promete prendas, Que fará quem tem amores.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
As estrelas pequeninas Fazem o céu bem composto; Assim são os sinais pretos, Menina, nesse teu rosto.
O Sol é a caixa d’ouro, A Lua é a fechadura; As estrelas são a chave Que fecham minha ventura.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
Se os campos todos falassem, Que diriam os rochedos? Então se descobririam Nossos primeiros segredos.
Se estas árvores falassem, Qualquer delas te diria Que a cantar por ti chamava, Que a chorar por ti vivia.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
Os corações não se vendem, São coisas de alto valor: Não se vendem por dinheiro, Rendem-se à força do amor.
Já no céu não há estrelas Senão uma ao pé da Lua; Nem há no mundo que eu saiba Cara mais linda que a tua.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
Letra e música: Popular (recolhida em Carvalhais de Gondolim, em 1892) (in “Cancioneiro de Músicas Populares”, Vol. I, de César das Neves e Gualdino de Campos, Porto: Empresa Editora César, Campos & C.ª, 1893 – p. 29) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
Meninas, vamos ao vira
[ Vira do Minho ]
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa boa! Eu já vi dançar o vira (ó ai) Às meninas de Lisboa.
O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar. O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar.
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa linda! Eu já vi dançar o vira (ó ai) às meninas de Coimbra.
O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar. O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar.
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa bela! Eu já vi dançar o vira (ó ai) às meninas de Palmela.
O vira que vira, o vira virou! As voltas do vira são eu quem as dou. O vira que vira, o vira virou! As voltas do vira são eu quem as dou.
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa boa! Eu já vi dançar o vira (ó ai) às meninas de Lisboa.
O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar. O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Karrossel (in CD “Karrossel”, Karrossel/MU – Associação Cultural, 2014)
Negrinha, minha negrinha
Negrinha, minha negrinha, Ó negrinha, Coletinho de fustão, Trá-lo bem apertadinho, Ó negrinha, Que te aperte o coração!
Os teus olhos negros, negros, Ó negrinha, São gentios da Guiné; Gentios por serem falsos, Ó negrinha, Falsos por não terem fé.
Eu gosto da cor morena, Ó negrinha, Que mimosa me arrebata; Essa cor é tão faceira, Ó negrinha, Mulatinha, que me mata.
Eu gosto desses teus olhos, Ó negrinha, Se p’ra mim os queres volver; Esses olhos luminosos, Ó negrinha, Dizem sim até morrer.
Letra e música: Popular (Minho) (in “Cancioneiro Minhoto”, de Gonçalo Sampaio, 1940) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
Ó meu amor, se tu queres
[ Penas Tem Quem Tem Amores ]
Ó meu amor, se tu queres Que a minha alma seja tua, Dá passadas, perde o teu tempo Se é teu gosto, mas continua!
O meu pouco vale muito, O teu muito vale nada: Mesmo sendo eu pobrezinha, Sou para ti mal empregada.
Penas tem quem tem amores, Penas tem quem os não tem: É certo que cá neste mundo Sem ter penas não há ninguém.
Se os passarinhos vendessem As penas que Deus lhes deu, Também eu venderia as minhas Que ninguém as tem mais que eu.
Letra: Popular (Minho) Música: Sílvio Pleno Intérprete: Tereza Tarouca* (in LP “Folclore”, RCA Victor, 1975; 2LP “Álbum de Recordações”: LP 2, Polydor/PolyGram, 1985; CD “Temas de Ouro da Música Portuguesa”, Polydor/PolyGram, 1992)
Ó minha caninha verde
Ó minha caninha verde, Verde caninha madura: Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Tu és minha… Tu és minha tão-somente, Ninguém mais… Ninguém mais te dirá sua.
Ó i ó ai, ninguém mais te dirá sua, Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Ó minha caninha verde, Verde cana de encantar, Aqui estou à tua beira: Quem está bem, deixa-se estar.
Aqui estou… Aqui estou à tua beira: Quem está bem… Quem está bem, deixa-se estar.
Ó i ó ai, ninguém mais te dirá sua, Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Ó minha caninha verde, Verde caninha em botão: Aqui estou à tua beira, Prenda do meu coração.
Aqui estou… Aqui estou à tua beira, Prenda do… Prenda do meu coração.
Ó i ó ai, ninguém mais te dirá sua, Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Ó minha Rosinha
Ó minha Rosinha, Eu hei-de te amar De dia ao sol, De noite ao luar!
De noite ao luar, De noite ao luar; Ó minha Rosinha, Eu hei-de te amar!
Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela! Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela!
Ó minha Rosinha, Eu hei-de, hei-de ir Jurar a verdade! Eu não sei mentir.
Eu não sei mentir, Eu não sei mentir; Ó minha Rosinha, Eu hei-de, hei-de ir!
Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela! Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela!
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Karrossel (in CD “Karrossel”, Karrossel/MU – Associação Cultural, 2014)
Ó rosa, ó linda rosa
[ Rosa de Alexandria ]
Ó rosa, ó linda rosa, Ó rosa de Alexandria, Eras a mais linda rosa Que andava na romaria!
Ó rosa, ó linda rosa, Ó rosa da Oliveira, Eras a mais linda rosa Que andava na brincadeira!
Ó rosa, ó linda rosa, Bela rosa em botão, Eras a mais linda rosa Que andava na bailação!
Ó rosa, ó linda rosa, Ó rosa tão bela assim, Eras a mais linda rosa Que nasceu nalgum jardim!
Eras a mais linda rosa Que nasceu nalgum jardim!
Letra e música: Popular (Minho) (in “Cancioneiro Minhoto”, de Gonçalo Sampaio, 1940) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
O Sete-Estrelo vai alto
O Sete-Estrelo vai alto, Mais alto vai o luar; Mais alta vai a fortuna Que Deus tem para me dar.
Ai leva arriba, Que Deus tem para me dar.
O Sete-Estrelo caiu Numa pocinha do chão; Que com saudades de ti Chorou o meu coração.
Ai leva arriba, Chorou o meu coração.
O Sol é a porta do céu, A Lua é a fechadura; As estrelas são as chaves Com que fecha a noite escura.
Ai leva arriba, Com que fecha a noite escura.
Ai leva arriba, Com que fecha a noite escura.
Letra e música: Popular (Minho) (in “Cancioneiro Minhoto”, de Gonçalo Sampaio, 1940) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
Quem fora o oiro que levas
[ O Verde do Minho ]
Quem fora o oiro que levas Quem fora o oiro que levas No preto do teu corpete Quem fora o oiro que levas Até o sol brilha nas trevas E não é do vinho verde
Bailei o vira contigo Bailei o vira contigo Bailei tanto, deu-me sede Pedi-te um beijo mendigo Pedi-te um beijo mendigo Só me deste vinho verde
Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho.
Olhai esta malga e vede Olhai esta malga e vede Ingénuas meiguices loucas A malga do vinho verde Olhai esta malga e vede Bebida por duas bocas
Verde terra, verde vinho Verde terra, verde vinho No teu corpo de menina Teus lábios são alvarinho Teus lábios são alvarinho Os teus olhos verde sina
Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho.
Vinho verde, verde Minho Vinho verde, verde Minho Verdes serras, verdes campos Quando pisas o caminho Quando pisas o caminho Até vejo pirilampos
Céu azul do verde Minho Céu azul do verde Minho Ó trlim tim tim do malhão Vinho verde, verde vinho Céu azul do verde Minho Só paixão, paixão, paixão
Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho.
Letra: Vasco Pereira da Costa Música: Carlos Alberto Moniz Intérprete: Carlos Alberto Moniz Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD “O Vinho dos Poetas”: CD 1, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)
São João perdeu
São João perdeu, perdeu… Ai São João que perderia? Perdeu o lenço da mão Ai, ai à vinda da romaria.
São João, se bem soubera Ai quando era o seu dia, Descia do Céu à Terra Ai com prazer e alegria.
Letra e música: Tradicional (Ponte de Lima, Minho) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Tenho um amor em Viana
[ Vira de Viana ]
Tenho um amor em Viana, Ai, tenho outro em Ponte de Lima: O de Viana não presta, Ai, o outro é coisa fina.
Meu amor disse que vinha Ai, antes que a Lua viesse. A Lua já aí vem, Ai, meu amor não aparece.
Se quereis que eu cante agora Ai, dai-me vinho ou dinheiro, Que a minha gargantinha Ai, não é fole de ferreiro.
Já lá em baixo vem a noite, Ai, já lá vem minha alegria Para ver o meu amor Ai, que eu já não posso de dia.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Real Companhia (in CD “Orgulhosamente Nós!”, Lusogram, 2000)
Viana do Castelo (Santa Luzia)
Uma pêra
Uma pêra, duas pêras, Três pêras no ramalhinho; Uma é minha, outra é tua, Outra é do meu amorzinho.
A folha do castanheiro Tem biquinhos como a renda; Quem tem um amor bonito Não pode ter melhor prenda.
Adeus, que me vou embora, Já me parece que é bem, Que o muito cantar enfada E o pouco parece bem.
Letra e música: Tradicional (Ponte de Lima, Minho) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/folclore-de-viana_traje-de-afife.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:25:582024-11-02 06:58:13Canções do Minho