Poemas da canção portuguesa sobre as quatro estações

Trovante, Terra Firme

Noite de Verão

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa…
Sente-se nua.

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa…
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.

Poema: Manuel da Fonseca (ligeiramente adaptado) [texto original abaixo]
Música: João Gil
Arranjo: Trovante
Intérprete: Trovante* (in LP “Terra Firme”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1989; CD “O Melhor dos Trovante”, EMI Music Portugal, 2010; “Trovante: Grandes Êxitos”, EMI Music Portugal, 2013)

* Trovante:
Artur Costa – saxofone
Fernando Júdice – baixo
João Gil – guitarras e coros
José Martins – sintetizador
José Salgueiro – bateria, percussão e coros
Luís Represas – voz
Manuel Faria – piano e sintetizador
Produção – Manuel Faria e Artur Costa
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos, em Agosto, Setembro e Outubro de 1987
Engenheiro de som – Paulo Neves
Misturas – Paulo Neves, Manuel Faria e Artur Costa

NOITE DE VERÃO

(Manuel da Fonseca, in “Planície”, Coimbra: Novo Cancioneiro, 1941; “Poemas Completos”, Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1958; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 2.ª edição, Lisboa: Portugália Editora, 1963 – p. 109; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 120)

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

[ Fonte: A Nossa Rádio ]

Manuel da Fonseca, poeta

Manuel da Fonseca, poeta

David Mourão-Ferreira

Primavera

Todo o amor que nos prendera,
como se fora de cera,
se quebrava e desfazia.
Ai funesta Primavera,
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia!

E condenaram-me a tanto:
viver comigo o meu pranto,
viver, viver… e sem ti!
Vivendo sem, no entanto,
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi…

Pão duro da solidão
é somente o que nos dão,
o que nos dão a comer…
Que importa que o coração
diga que sim ou que não,
se continua a viver?

Todo o amor que nos prendera
se quebrara e desfizera,
em pavor se convertia.
Ninguém fale em Primavera!
Quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia!

Poema: David Mourão-Ferreira
Música: Pedro Rodrigues
Intérprete: Amália Rodrigues* (1965, in CD “Segredo”, EMI-VC, 1997; CD “Amália canta David”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2011)

*Amália Rodrigues – voz
Conjunto de Guitarras de Raul Nery:
Raul Nery – 1.ª guitarra portuguesa
José Fontes Rocha – 2.ª guitarra portuguesa
Júlio Gomes – viola
Joel Pina – viola baixo
Gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos, em 1965
Engenheiro de som – Hugo Ribeiro

Coordenação do projecto (para a edição do CD “Segredo”) – Manuel Falcão e Jorge Mourinha
Produção – Rui Valentim de Carvalho
Assistente de produção – Inês Penalva
Misturas e restauro digital – Hugo Ribeiro, João Martins e Raul Ribeiro, nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos, em Setembro de 1997
Masterização – Julius Newel, no estúdio Mission Control, Lisboa, em Outubro de 1997

David Mourão-Ferreira
David Mourão-Ferreira