Poemas da canção portuguesa sobre o tema da gentileza

Mulher

Maria Joana, do que és tu feita?

[ Mulher Feiticeira ]

Maria Joana, do que és tu feita?
És entre os poetas mulher perfeita
São quantos os homens contigo enrolada
Na mente, no peito, na cama deitada?

São quantas as cores entre os teus amores que ficam mais vivas?
São quantos alentos que mudas ao centro por dentro da vida
Como uma miragem, contigo em viagem, teus apaixonados
Que ficam para sempre contigo na mente e em parte alterados?

O que tu tens, o que tu tens, Maria?
O que tu tens e do que é feito o teu ser?
O que tu tens, porque tens tu magia?
O que tu tens, o que tu tens que eu quero ter?

Maria Joana, descomplicada
Fragrância em delírio bem perfumada
Faz seus prisioneiros relaxando a vida
Dá o seu corpo inteiro com peso e medida

Acende-se a chama, ficas inspirado levando o teu ser
À serotonina que sobe tão fina subindo o prazer
De corpo suado, mostrando outro lado num lado qualquer
Fez sua magia, fez feitiçaria, Maria mulher

O que tu tens, o que tu tens, Maria?
O que tu tens e do que é feito o teu ser?
O que tu tens, porque tens tu magia?
O que tu tens, o que tu tens que eu quero ter?

No ser delicada, na vida focada e tão original
Que já não vê fronteiras, contorna barreiras, faz o desigual
Assume na vida nova perspectiva e sabe o que não quer
Faz feitiçaria com sua magia, Maria mulher

O que tu tens, o que tu tens, Maria?
O que tu tens e do que é feito o teu ser?
O que tu tens, porque tens tu magia?
O que tu tens, o que tu tens que eu quero ter?

Letra e música: Luís Pucarinho
Intérprete: Luís Pucarinho* (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)

Menina de olhar sereno

[ Menina do Alto da Serra ]

Menina de olhar sereno
raiando pela manhã
de seio duro e pequeno
num coletinho de lã.

Menina cheirando a feno
casado com hortelã.

Menina que no caminho
vais pisando formosura
levas nos olhos um ninho
todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
com um ribeiro à cintura.

Menina de andar de linho
com um ribeiro à cintura.

Menina da saia aos folhos
quem te vê fica lavado
água da sede dos olhos
pão que não foi amassado.

Menina de riso aos molhos
minha seiva de pinheiro
menina da saia aos folhos
alfazema sem canteiro.

Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada
que se levanta primeiro
do que a terra alvoraçada.

Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada
que se levanta primeiro
do que a terra alvoraçada.

Menina da saia aos folhos
quem te vê fica lavado
água da sede dos olhos
pão que não foi amassado.

Menina de fato novo
Ave-Maria da terra
rosa brava rosa povo
brisa do alto da serra.

Rosa brava rosa povo
brisa do alto da serra.

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes
Intérprete: Kátia Guerreiro e Ney Matogrosso (in CD “Tudo ou Nada”, Som Livre, 2005)
Versão original: Tonicha – “Menina” (1971)

Minha mulher

[ Minha Metade ]

Minha mulher
Singelo encanto
Minha alma-irmã
És meu farol
Raio de sol
Luz da manhã

Minha empatia
Sabedoria
Sem ter idade
Minha poesia
Minha alegria
Minha metade

Meu lindo bem-querer
Rosa do meu jardim
Não canso de dizer
O que és p’ra mim:

Minha água clara
Pedra tão rara
Meu talismã
Rima e compasso
Meu terno amasso
Minha maçã

Minha pepita
Coisa bonita
Cheirosa flor
Minha certeza
Minha riqueza
Meu doce amor

Meu lindo bem-querer
Rosa do meu jardim
Não canso de dizer
O que és p’ra mim:

Minha água clara
Pedra tão rara
Meu talismã
Rima e compasso
Meu terno amasso
Minha maçã

Minha pepita
Coisa bonita
Cheirosa flor
Minha certeza
Minha riqueza
Meu doce amor

Letra e música: Aníbal Raposo (2011-01-31)
Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)

Olha, não chores, maninha

[ Cicatriz de Ser Mulher ]

Olha, não chores, maninha,
que eu não sei se vai passar…
essa tristeza tão funda
não sei se passa a chorar!

Olha, que pena, maninha,
essa flor de malmequer,
essa tristeza tão funda,
cicatriz de ser mulher!

Lembras? Que lindo o teu homem
e que meigo o seu olhar
e como ardia o teu corpo
ao seu mais leve tocar?

Foi de repente, maninha,
como tudo se mudou:
o amante foi senhor,
o senhor tudo esmagou!

Sei que é tão frágil a flor
que brotou do coração
e dói ver um corpo bandido
desfolhá-la pelo chão!

Olha, que os homens, maninha,
andam tontos pelo mundo:
pisam com fúria tamanha
o seu berço mais profundo!

E já não falo da guerra
com soldados frente a frente:
deixam a saia sangrando,
deixam pegadas no ventre!

Dizem “quem cala consente!”,
mas custa tanto falar:
o medo dentro da gente
ficou mudo de gritar!

Olha, não chores, maninha,
que eu apago, se puder,
essa tristeza tão funda,
cicatriz de ser mulher!

Letra e música: João Lóio
Intérprete: João Lóio* (in CD “Canções de Amor e Guerra”, João Lóio, 2002)

* [Créditos gerais do disco]:
Carlos Rocha – guitarras acústica e eléctrica
João Lóio – voz e guitarra acústica
Firmino Neiva – baixo eléctrico
Arnaldo Fonseca – acordeão
Mário Teixeira – caixa de rufo
Regina Castro e Guilhermino Monteiro – coros
Arranjos e direcção musical – Carlos Rocha, Firmino Neiva e João Lóio
Gravado por Fernando Rangel, nos Estúdios Fortes & Rangel, Porto, em Abril de 2002
Mistura – Fernando Rangel, Carlos Rocha, Firmino Neiva e João Lóio
Masterização – Fernando Rangel

Veio de longe

Maria Lua (Mulher)

Veio de longe
para encontrar
outra lua, outro lugar
Veio sozinha
Maria Lua
acende o mar

Sem pressa…
Sem medo…
nem nada…

Veio de longe
veio a cantar
outra terra, outro ar
Veio sozinha
Maria Lua
cor de luar

Maria Lua
lua do mar…

Ela sabe quem é
cheira a café
Ela sabe o que quer
é mulher

Maria Lua
nunca se há-de casar
Ela é amante do mar

Veio de longe
para encontrar
outra lua, outro lugar
Veio de longe
Maria Lua
acende o mar

Maria Lua
lua do mar…

Ela sabe quem é
cheira a café
Ela sabe o que quer
é mulher

Maria Lua
nunca se há-de casar
Ela é amante do mar

Maria Lua
nunca se há-de casar
Ela é amante do mar

Maria Lua
lua do mar…

Ela é amante do mar
Maria Lua
lua do mar…

Letra: Eugénia Ávila Ramos
Música: Tiago Oliveira
Intérprete: Rua da Lua (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Versão original: Rua da Lua (in CD “Rua da Lua”, Rua da Lua, 2016)

Carolina Deslandes

Filha, quero cantar-te

[ Filhos ]

Filha,
Quero cantar-te como um poeta
Falar-te de alegria, dos dias em festa
Mostrar como se faz com lápis de cor
Mostrar-te que és um fruto do Amor

Nas risadas quero que fiques sempre assim
Livre de alma solta até ao fim
E a magia que nos dá a tua mãe
No teu coração quero que a sintas também
E o carinho que ela transporta
O que ela por ti faz como ninguém
Que um dia digas p’ra ti: “Nada me importa
Se não um amor como o da minha mãe”

Filho,
Com tua irmã iremos voar
Poisar nos telhados que te façam sonhar
Pintar o teu caminho com lápis de cor
Mostrar-te que és um fruto do Amor

Nas mãos que te guiam p’ra sempre vieste
Para semear o que já nos deste
E a magia que nos dá a tua mãe
No teu coração quero que a sintas também

E o carinho que ela transporta
O que ela por ti faz como ninguém
Que um dia digas p’ra ti: “Nada me importa
Se não um amor como o da minha mãe”

E o carinho que ela transporta
O que ela por ti faz como ninguém
Que um dia digas p’ra ti: “Nada me importa
Se não um amor como o da minha mãe”

Letra e música: Luís Galrito
Intérprete: Luís Galrito* (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)

* Luís Galrito – voz e guitarra folk
Gabriel Costa – baixo
João Nunes – guitarra de cordas de nylon
Luís Melgueira – cajón
Filipa Teles – coros

Foi na carreira das duas

[ Carreira das Duas ]

“Foi na carreira das duas, já lá vai”
Disse-me a mãe com os olhos rasos de água
A ver da vida que só tem quem daqui sai
Os que aqui ficam têm solidão e mágoa

Fiquei parado à espera do poente
Enquanto a noite me trazia o escurecer
Em frente ao lume com o sono à minha frente
A imaginar o que me iria acontecer

  Mal ela sabe
  Quanto a queria
  Fico acordado a ver passar horas e luas
  Talvez um dia, quem sabe?,
  Talvez um dia eu... vá atrás dela
  E vá na carreira das duas

Já lá vão anos e dela nem sinais
Só os caminhos palmilhados p’la tristeza
Só as saudades é que são cada vez mais
E o tempo passa no correr da incerteza

Ainda me lembro do dia dos amores
Ainda me lembro das cantigas da ribeira
Quanto maior é a paixão mais são as dores
Dores que o tempo vai regando a vida inteira

  Mal ela sabe
  Quanto a queria
  Fico acordado a ver passar horas e luas
  Talvez um dia, quem sabe?,
  Talvez um dia eu... vá atrás dela
  E vá na carreira das duas

Letra e música: Sebastião Antunes
Arranjo: Gonçalo Pratas
Intérprete: Sebastião Antunes* (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017)

JÁ LA VAI O SOL

[ Canto de Amor e Trabalho ]

(Ei, eh, ôh, arre, burra!)

Já lá vai o sol
Já lá vai o dia

(Anda, bonita!)

Já me cheira a noite
Já se vê a aldeia

(Eh bonita, toma lá mais rédea!
Ah! que nos dói o corpo…)

A merenda é pouca
E o trabalho… e o trabalho é duro
A mulher à espera
Já se fez noitinha
E a menina é já dormindo
Ai, a nina está dormindo

O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar um ventinho ao borralho
Ai, não vá… ai, não vá acordar a menina

O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar um ventinho ao borralho
Ai, não vá acordar a menina

(Eh! arre, burra!
Eh bonita, vá embora!)

Ai, o frio já aperta
Vai-se o Verão
Vem o Inverno

(Ah! arreda!
arreda, que vai doido!)

Terra ladra, terra farta
Terra que te quero bem
Terra que te quero bem

(Eh bonita, vá mais rédea…
Ah! já se vê a casa)

Ai, a ceia no braseiro
Já lhe sinto o gosto
Já lhe sinto o cheiro
A mulher à espera
E a nina está dormindo
(Oh, filhita!)
Ai, a nina está dormindo

O teu pai vem do trabalho
Meu amor vem da campina
Ao chegar um ventinho ao borralho
Ai, não vá acordar a menina

Letra: António Avelar Pinho
Música: Nuno Rodrigues
Intérprete: Banda do Casaco (in LP “Coisas do Arco da Velha”, Philips/Phonogram Portuguesa, 1976, reed. Philips/Polygram, 1993)

No Mar desta praia

[ A Minha Praia ]

No Mar desta praia, mãe levou-me em sua saia enrolada
E pude ver logo ao nascer a minha praia

Os dedos na areia, desde cedo, de tão catraia que aprendi
Como andar e como correr na minha praia

Vinda de outra terra, uma outra mulher que não traz saia nem criança
E diz, no seu papel, lhe pertencer a minha praia

Depois outros homens cortam o mato e a mãe desmaia, e tem de ir embora
Se assim vai ser, como irei ver a minha praia?

Ir p’ra outro lado, pela força antes saia, assim forçada
Sem lá correr, esta deixou de ser a minha praia

Letra e música: Luís Pucarinho
Intérprete: Luís Pucarinho* (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)

QUANDO O NOSSO FILHO CRESCER

[ A vida toda ]

Quando o nosso filho crescer
Eu vou-lhe dizer
Que te conheci num dia de sol
Que o teu olhar me prendeu
E eu vi o céu
E tudo o que estava ao meu redor
Que pegaste na minha mão
Naquele fim de verão
E me levaste a jantar
Ficaste com o meu coração
E como numa canção
Fizeste-me corar

Ali
Eu soube que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele ficar maior
E quiser saber melhor
Como é que veio ao mundo
Eu vou lhe dizer com amor
Que sonhei ao pormenor
E que era o meu desejo profundo
Que tinhas os olhos em água
Quando cheguei a casa
E te dei a boa nova
E que já era bom ganhou asas
E eu soube de caras
Que era pra vida toda

Ali
Dissemos que era amor para a vida toda
Que era contigo a minha vida toda
Que era um amor para a vida toda. (bis)

Quando ele sair e tiver
A sua mulher
E quiser dividir um tecto
Vamos poder vê-lo crescer
Ser o que quiser
E tomar conta dos nossos netos
Um dia já velhinhos cansados
Sempre lado a lado
Ele vai poder contar
Que os pais tiveram sempre casados
Eternos namorados
E vieram provar

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Que foi contigo a minha vida toda

Que ali
Vivemos um amor para a vida toda
Que foi contigo a minha vida toda
Foi um amor para a vida toda

Foi um amor para a vida toda

Carolina Deslandes

QUERIDA MÃE, QUERIDO PAI

[ Postal dos Correios ]

Querida mãe, querido pai. Então que tal?
Nós andamos do jeito que Deus quer
Entre dias que passam menos mal
Lá vem um que nos dá mais que fazer

Mas falemos de coisas bem melhores
A Laurinda faz vestidos por medida
O rapaz estuda nos computadores
Dizem que é um emprego com saída

Cá chegou direitinha a encomenda
Pelo “expresso” que parou na Piedade
Pão de trigo e linguiça prá merenda
Sempre dá para enganar a saudade

Espero que não demorem a mandar
Novidades na volta do correio
A ribeira corre bem ou vai secar?
Como estão as oliveiras de “candeio”?

Já não tenho mais assunto pra escrever
Cumprimentos ao nosso pessoal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal
Um abraço deste que tanto vos quer
Sou capaz de ir aí pelo Natal

Letra: João Monge
Música: João Gil
Intérprete: Rio Grande (in CD “Rio Grande”, EMI-VC, 1996)

UMA BOLA DE PANO NUM CHARCO

[ Os Putos ]

Uma bola de pano num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr um arco
O céu no olhar dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo.

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira, sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

Letra: Ary dos Santos
Música: Paulo de Carvalho
Intérprete: Carlos do Carmo (in “Carlos do Carmo em Concerto”, Philips, 1987)

VOU FAZER UMA CANÇÃO-PITANGA

[ Canção-Pitanga ]

Vou fazer uma canção-pitanga
Para a minha filha se lembrar de mim
Uma canção redonda igual a uma missanga
Uma canção que a traga ao meu jardim

Vou fazer uma canção-brinquedo
Para a minha filha rebolar a rir
Uma canção estranha igual a um bruxedo
Uma canção capaz de a trazer aqui

Uma canção-arco-íris
Para a minha filha prender na cabeleira
Uma canção com asas igual a um íbis
Uma canção que a traga à minha beira

Uma canção redonda
Uma canção para a trazer aqui
Uma canção estranha
Uma canção que a traga ao jardim
Uma canção com asas
Uma canção para a minha beira

Uma canção estranha
Uma canção que a traga ao jardim
Uma canção com asas
Uma canção para minha beira

Vou fazer uma canção-pitanga
Para a minha filha se lembrar de mim
Uma canção redonda igual a uma missanga
Uma canção que a traga ao meu jardim

Uma canção-arco-íris

Para a minha filha prender na cabeleira
Uma canção com asas igual a um íbis
Uma canção que a traga à minha beira

Poema: José Eduardo Agualusa
Música: João Afonso Lima
Intérprete: João Afonso com António Afonso e Inês Lima (in CD “Sangue Bom: João Afonso canta Agualusa e Mia Couto”, João Afonso/Universal, 2014)

Sérgio Godinho

Canção dos abraços

São dois braços, são dois braços
Servem p’ra dar um abraço
Assim como quatro braços
Servem p’ra dar dois abraços

E assim por ai fora
Até que quando for a hora
Vão ser tantos os abraços
Que não vão chegar os braços

Vão ser tantos os abraços
Que não vão chegar os braços
P’ra os abraços

Intérpete: Sérgio Godinho

Sérgio Godinho
Sérgio Godinho

Da peça de Sérgio Godinho Eu, tu, ele, nós, vós, eles