O poemário do cancioneiro português (incluindo fado, música tradicional e ligeira) pretende fomentar o gosto da poesia como parceira da música e a divulgação dos poetas cuja importância nem sempre é justamente reconhecida. Fontes: Blogue A Nossa Rádio, Álvaro José Ferreira.

A luz revela as cores da manhã

[ O Outono e a Cidade ]

A luz revela as cores da manhã
e o rio espelha a sombra da cidade.
O Outono vai roubando, pouco a pouco,
a claridade.
Desprendem-se as folhas
bailando no ar, ao sabor da brisa.
Um cheiro a castanhas perfuma a praça,
o voo das pombas seduz quem passa.
Ao longe há um cromatismo, de cores
que vai vestindo de amarelo os plátanos.
Junto à margem dissipa-se a neblina,
é mais um dia frio de Novembro.
Há no Outono suaves melodias,
há uma voz aconchegando os dias,
há palavras… rasgando as madrugadas.

Letra e música: Fernando Dias Marques
Arranjo: Fernando Marques, Steve Fernandes e Jorge Correia
Intérprete: Fernando Marques Ensemble (in CD “(des)Encontros”, Fernando Marques Ensemble, 2016)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e a qualidade de vida dos idosos.

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

Águas passadas do rio

[ Balada do Outono ]

Águas passadas do rio
Meu sono vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P’rás bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso (in “Fados de Coimbra e Outras Canções”, Orfeu, 1981, reed. Movieplay, 1987)
Versão original: José Afonso (in EP “Balada do Outono”, Rapsódia, 1960; CD “Os Vampiros”, Edisco, 1987)
Versão instrumental: Rui Pato – viola (in “Baladas e Canções”, de José Afonso, Ofir, 1967; reed. EMI-VC, 1997)

As folhas dançam desvairadas no ar

[ Valsa do Outono em Novembro ]

As folhas dançam desvairadas no ar
Bailado ao vento, canção de embalar
Valsinha triste num coreto vazio
Regresso à infância e começo
A ter frio, a ter frio…

Ainda me lembro do baloiço do jardim
Da chuva no Outono que caía só p’ra mim
Que céus de Novembro?
Que lugares obscuros corrompem
A esperança nos dias futuros?

Bem sei que ando no meio do temporal
À espera da paz prometida do Natal!
Bem sei que ando no meio do temporal
À espera da paz prometida do Natal!

Memórias dispersas, vertigens, fragmentos
Estilhaços da vida nos meus pensamentos
Que céus de Novembro?
Que lugares obscuros corrompem
A esperança nos dias futuros?

Bem sei que ando no meio do temporal
À espera da paz prometida do Natal!

Que céus de Novembro?
Que lugares obscuros corrompem
A esperança nos dias futuros?

Bem sei que ando no meio do temporal
À espera da paz prometida do Natal!

Da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal!

Letra e música: Paulo Ribeiro
Intérprete: Paulo Ribeiro (in CD “No Silêncio das Casas”, Heaven Sound, 2012)

Chegou bem devagarinho

[ A Chegada de Maria ]

Chegou bem devagarinho
Pé-ante-pé de mansinho
Mas de vez.
Entre beijos e afagos
Nem dei conta dos estragos
Que ela fez.
Do beco fez avenida
Deu um cheiro à minha vida
De jasmim.
Foi o melro na janela
Já não sei viver sem ela
E dou por mim,
Cantando assim:

Agora que a luz do Outono
Já chegou
E um par de olhos por um outro
Se encantou
Corre, meu coração, corre
À desfilada
Que eu não creio que tu corras
Para nada
Que eu não creio que tu corras
Para nada

Sem agravo nem apelo
Assaltou o meu castelo
E o tomou.
Chegou-se p’rá minha beira
Com olhos de feiticeira
Me encantou.
Seus lábios, minha alegria
Sua pele tão macia
De cetim.
Não há coisa mais amada
E numa doce toada
Eu dou por mim,
Cantando assim:

Agora que a luz do Outono
Já chegou
E um par de olhos por um outro
Se encantou
Corre, meu coração, corre
À desfilada
Que eu sei bem que tu não corres
Para nada
Que eu sei bem que tu não corres
Para nada

Sem agravo nem apelo
Assaltou o meu castelo
E o tomou.
Chegou-se p’rá minha beira
Com olhos de feiticeira
Me encantou.
Seus lábios, minha alegria
Sua pele tão macia
De cetim.
Não há coisa mais amada
E numa doce toada
Eu dou por mim,
Cantando assim:

Agora que a luz do Outono
Já chegou
E um par de olhos por um outro
Se encantou
Corre, meu coração, corre
À desfilada
Que eu sei bem que tu não corres
Para nada
Que eu sei bem que tu não corres
Para nada

Agora que a luz do Outono
Já chegou
E um par de olhos por um outro
Se encantou
Corre, meu coração, corre
À desfilada
Que eu sei bem que tu não corres
Para nada
Que eu sei bem que tu não corres
Para nada

Letra e música: Aníbal Raposo (Dezembro de 2001)
Intérprete: Aníbal Raposo
Versão original: Aníbal Raposo (in CD “A Palavra e o Canto”, Açor/Emiliano Toste, 2005)

Foi numa tarde de Outono

[ Tarde de Outono ]

Foi numa tarde de Outono,
Soprava o vento do sul
Nessa praia ao abandono
Numa imensidão de azul.

Nuvens negras como breu
Cobriram o céu,
Escureceram o mar;
Vento forte, solidão,
Ondas turbilhão,
Nasce o temporal.

Barcos que cedem ao vento,
Gritos dispersos, lamentos;
Foi sinfonia
Que o vento inventou,
Na praia vazia
Nem um ser ficou.

Quando te vi, eu pensei
Que era uma visão
Perdida do Além;
Era, porém, uma estrela
Rasgando horizontes,
Criando outro céu.

Barcos que cedem ao vento,
Gritos dispersos, lamentos;
Foi sinfonia
Que o vento inventou,
Na praia vazia
Nem um ser ficou.

Letra e música: Paco Bandeira (Francisco Veredas Bandeiras)
Arranjo: Jorge Machado
Intérprete: Maria da Glória (in single “Tarde de Outono”, Decca/VC, 1972; reed. digital: Edições Valentim de Carvalho, 2021)

Poema ao Vento

[ Balada de Outono ]

Poema ao vento
Com as crinas delirantes!
Outono lento
Com os sonhos bem distantes!
Meu Sol sangrando
em agonia,
Meu corpo amando
Um farrapo de poesia.

Folhas de Outubro
Sobre Setembro:
– Mãos que descubro
Sem saber do que me lembro…
Meu barco atado
Ao cais da vida;
Lenço bordado
Que aceno em despedida.

Tudo sereno
Neste mar em maresia:
Um cheiro a feno
Vai na onda da poesia
Nas mãos da tarde
– Em concha pura
Um corpo arde
De espanto e de ternura.

Eis o Outono
Correndo à chuva!
Com ar de sono
E seu pranto de viúva…
Tudo cinzento.
Mágoa levada
No movimento
Desta garça abandonada.

Longo tormento
Que Novembro acarreta:
Poema dentro
Da barriga do poeta.
Minha placenta,
Sem ter idade,
Que não rebenta
Este grito de saudade.

Que parto ameno
De mim deriva?
– Meu filho pleno,
Meu amor em carne viva;
Meu sangue e carne,
Criado e dono;
Folha da tarde
Que caiu no meu Outono.

Poema: Álamo de Oliveira
Música: Aníbal Raposo
Intérprete: Aníbal Raposo* (in CD “A Palavra e o Canto”, Açor/Emiliano Toste, 2006)

Vento que traz nostalgia

[ Outono na Cidade ]

Vento que traz nostalgia
D’um amor perdido
Nas ruas da vida,
Sombras e melancolia,
Um adeus sentido
De mulher esquecida.
Nas folhas da esperança
Caídas sem dono,
Há passos de criança:
É Outono!

Outono na cidade
Tem gosto de saudade:
É terna despedida que não esquece,
É doce melodia
Que vem no fim do dia
Que o Sol – bom e doirado – ainda aquece.

Cai a folha – folha nua –,
Chuva d’oiro molhando a rua:
Outono na cidade,
Que fria claridade!
Sorriso que desce da Lua!

Gente que corre apressada
Na manhã brumosa,
Sonolenta e fria;
Vida que sonha acordada
A canção formosa,
Luz do meio-dia.
No azul infindo
O povo bem sente
O teu adeus, tão lindo,
Sol poente!

Cai a folha – folha nua –,
Chuva d’oiro molhando a rua:
Outono na cidade,
Que fria claridade!
Sorriso que desce da Lua!

Letra: Ferro Rodrigues e Fernando Santos
Música: Carlos Dias
Intérprete: Max (in EP “Tingo Lingo Lingo”, Decca/VC, 1962; CD “O Melhor de Max: Vol. 2”, EMI-VC, 1993; CD “Max: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)

Canções sobre a Primavera

Letras

Ai, cerejeira

[ Cerejeira das cerejas pretas miúdas ]

Ai, cerejeira
das cerejas
pretas miúdas

esqueçamos
tudo
e tudo:

As intrincadas
veredas
de Verão

e as cabras
do poeta
Eugénio.

Ai, cerejeira
das cerejas
pretas miúdas

esqueçamos
tudo
e tudo:

O sonho
de livros
amorosamente
penteados
e despenteados

o sonho
de versos
escritos
em piões

as cadeiras
de vidro
no meio do mar

Ai, cerejeira
das cerejas
pretas miúdas

sem paciência
o Mundo
não dura

e o castelo
de Noudar
lá está:

sem terra
casa ou
leite.

Ai, cerejeira,
o amor
é uma luta?

Poema: Carlos Mota de Oliveira
Música: Janita Salomé
Intérprete: Janita Salomé (in CD “Tão Pouco e Tanto”, Capella/AudioPro, 2003)

Encontrei a Primavera

Encontrei a Primavera
Ali em baixo no jardim
Ai como vai ai como vai a Primavera
Vai assim assim assim.

Refrão

Perguntei à Primavera
Quando é que vinha o Verão
Ai a 25 de Março
A Primavera está na mão.

Refrão

Encontrei a Primavera
Ali em baixo no lombinho
Ai sentado numa cadeira
Falar com um rapazinho.

Tradicional da Madeira

Maio, maduro Maio

Maio, maduro Maio, quem te pintou?
Quem te quebrou o encanto nunca te amou.
Raiava o sol já no Sul.
E uma falua vinha lá de Istambul.

Sempre depois da sesta chamando as flores.
Era o dia da festa, Maio de amores.
Era o dia de cantar.
E uma falua andava ao longe a varar.

Maio com meu amigo quem dera já.
Sempre no mês do trigo se cantará.
Qu’importa a fúria do mar.
Que a voz não te esmoreça, vamos lutar.

Numa rua comprida El-Rei pastor.
Vende o soro da vida que mata a dor.
Anda ver, Maio nasceu.
Que a voz não te esmoreça, a turba rompeu.

Letra e música: José Afonso
Intérprete: Madredeus (in CD “Ainda”, EMI-VC, 1995)
Versão original: José Afonso (in “Cantigas do Maio”, Orfeu, 1971; reed. Movieplay, 1987, 1996)
Outras versões: Naná Sousa Dias (in “Ousadias”, Polygram, 1986); José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso (in CD “Maio, Maduro Maio”, Columbia/Sony, 1995); Couple Coffee (in CD “Co’as Tamanquinhas do Zeca”, Transformadores, 2007); Cristina Branco (CD “Abril”, Universal, 2007)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

Passo os meus dias

[ Andorinhas ]

Passo os meus dias em longas filas
Em aldeias, vilas e cidades
As andorinhas é que são rainhas
A voar as linhas da liberdade

Eu quero tirar os pés do chão
Quero voar daqui p’ra fora e ir embora de avião
E só voltar um dia
Vou pôr a mala no porão
Saborear a primavera numa espera e na estação

Um dia disse uma andorinha
Filha, o mundo gira, usa a brisa a teu favor
A vida diz mentiras
Mas o sol avisa antes de se pôr

Eu quero tirar os pés do chão
Quero voar daqui p’ra fora e ir embora de avião
E só voltar um dia
Vou pôr a mala no porão
Saborear a primavera numa espera e na estação

Já a minha mãe dizia
Solta as asas, volta as costas
Sê forte, avança p’ra o mar
Sobe encostas, faz apostas
Na sorte e não no azar

Intérprete: Ana Moura

Plantei um cravo à janela

Plantei um cravo à janela
Para dar ao meu amor;
Inventei a Primavera
Ao redor daquela flor.

Dei-lhe um pouco de ternura
E muito duma saudade;
À janela da loucura
Inventei a felicidade.

Fiquei à espera da bruma
Nas praias do coração;
À janela da loucura
Inventei uma paixão.

Plantei um cravo à janela,
Descobri a Primavera,
Para dar ao meu amor
Que já estava à minha espera.

Letra: Hélder Moutinho
Música: José Fontes Rocha (Fado Joana)
Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012)
Versão original: Joana Amendoeira (in CD “À Flor da Pele”, HM Música, 2006)
Outra versão de Joana Amendoeira (in CD/DVD “Joana Amendoeira & Mar Ensemble: Ao Vivo no Castelo de São Jorge”, HM Música, 2008)

Hélder Moutinho

Hélder Moutinho, créditos Jorge Gonçalves

Primavera

Intérprete: Celina da Piedade

Primavera passada

[ Canção amoroso-pastoril ]

Ai lé lé lai lé lá,
Ai lé lé lai ló:
Foi a primeira cantiga
Que me ensinou minha avó.

A Primavera passada
Foi o meu divertimento:
Tomei amores mui cedo,
Logrei-os mui pouco tempo.

Primavera, Primavera,
Tempo de tomar amores;
Não há tempo mais alegre
Que Maio com suas flores.

Primavera, Primavera,
Primavera dos boieiros;
Coitadinhos dos pastores
Que dormem pelos chiqueiros.

Ai lé lé lai lé lá,
Ai lé lé lai ló:
Foi a primeira cantiga
Que me ensinou minha avó.

Ai lé lé lai lé lá,
Ai lé lé lai ló:
Foi a primeira cantiga
Que me ensinou minha avó.

Letra e música: Popular (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro)
Recolha: Fernando Lopes Graça (in livro “A Canção Popular Portuguesa”, Publicações Europa-América, 1953; 3.ª edição, col. Saber, Publicações Europa-América, s/d. – p. 75)
Intérprete: Cantos d’Aurora (in CD “Sabores”, Cantos d’Aurora, 1996)

Rompe a aurora

[ Primavera Alentejana ]

Rompe a aurora, nasce o dia
Iluminando o montado;
Como um hino à alegria
Houve-se balir o gado.

Roxo, verde e amarelo –
Olho à volta – é o que vejo;
Não há nada assim tão belo,
Ó meu querido Alentejo!

Lindos campos verdejantes
Matizados de papoilas,
Já não são como eram antes
Mondados pelas moçoilas.

Já não são como eram antes
Mondados pelas moçoilas,
Lindos campos verdejantes
Matizados de papoilas.

Perfumados de poejo
Os campos de solidão:
É assim o Alentejo
Que trago no coração.

O melro canta no silvado,
O grilo num buraquinho;
E eu por ti apaixonada,
Alentejo, meu cantinho!

Lindos campos verdejantes
Matizados de papoilas,
Já não são como eram antes
Mondados pelas moçoilas.

Já não são como eram antes
Mondados pelas moçoilas,
Lindos campos verdejantes
Matizados de papoilas.

Poema: Hermínia Gaidão Costa (em memória de Margarida Gaidão)
Música: Hermínia Gaidão Costa e Roda Pé
Arranjo: Roda Pé e Celina da Piedade
Intérprete: Roda Pé (in CD “Escarpados Caminhos”, Public-Art, 2004)

Santo Aleixo és tão nobre

[ É Lindo na Primavera ]

[1.ª cantiga:]
Santo Aleixo és tão nobre,
Tão sincero, hospitaleiro…
És terra de gente pobre,
És terra de gente pobre,
Mas a virtude é dinheiro!

[Moda:]
É lindo na Primavera
A gente viver no campo:
Olhar e ver as flores,
Bonitas de várias cores,
Tão lindas é um encanto!

Ouvir as aves cantar,
Ver a vida à nossa espera,
Ver os ribeiros mandar
Água clara p’ra o mar:
É tão linda a Primavera!

[2.ª cantiga:]
Quem quer bem dorme na rua
À porta do seu amor:
Faz das pedras cabeceira,
Faz das pedras cabeceira,
Das estrelas cobertor.

[Moda:]
É lindo na Primavera
A gente viver no campo:
Olhar e ver as flores,
Bonitas de várias cores,
Tão lindas é um encanto!

Ouvir as aves cantar,
Ver a vida à nossa espera,
Ver os ribeiros mandar
Água clara p’ra o mar:
É tão linda a Primavera!

Letra: Bento Figueira
Música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração (in 2CD “O ‘Cante’ Alentejano”: CD 1, Public-Art, 1998)

Se deixaste de ser minha

[ Por morrer uma andorinha ]

Se deixaste de ser minha
Não deixei de ser quem era
Por morrer uma andorinha
Não acaba a Primavera
Por morrer uma andorinha
Não acaba a Primavera

Como vês não estou mudado
E nem sequer descontente
Conservo o mesmo presente
E guardo o mesmo passado
Conservo o mesmo presente
E guardo o mesmo passado

Eu já estava habituado
A que não fosses sincera
Por isso eu não fico à espera
De uma ilusão que não tinha
Se deixaste de ser minha
Não deixei de ser quem era
Se deixaste de ser minha
Não deixei de ser quem era

Vivo a vida como dantes
Não tenho menos nem mais
E os dias passam iguais
Aos dias que vão distantes
E os dias passam iguais
Aos dias que vão distantes

Horas, minutos, instantes
Seguem a ordem austera
Ninguém se agarra à quimera
Do que o destino encaminha
Pois por morrer uma andorinha
Não acaba a Primavera
Por morrer uma andorinha
Não acaba a Primavera

Letra: Frederico de Brito
Música: Francisco Viana
Intérprete: Carlos do Carmo (in “Por Morrer Uma Andorinha”, Philips/Polygram, s/d; “A Arte e a Música de Carlos do Carmo”, Philips/Polygram, 1982; CD/DVD “Carlos do Carmo ao vivo: Coliseu dos Recreios de Lisboa”, Universal, 2004)

Se o fim é um começo

[ Primavera ]

Se o fim é um começo
Voltamos sempre a lutar:
Já lá vem outro Abril,
É tempo de semear!

Da espera faz-se a luz
Da primavera a nascer:
Um fruto é como um filho
Do querer!

Dois, três, e…

A tudo o que aprendemos,
Beijado ao calor do Verão,
Esquecemos neste Inverno…
Faltou-nos uma canção!

Cantar p’ra não esquecer
Que unidos não estamos sós!
Que temos liberdade
Na voz!

É Primavera quando chegas!
Sou andorinha p’ra te ver
E as flores que trazes são vermelhas:
Há sempre esperança a renascer!

É Primavera quando chegas!
Sou andorinha p’ra te ver
E as flores que trazes são vermelhas:
Há sempre esperança a renascer!

É Primavera quando chegas!
Sou andorinha p’ra te ver
E as flores que trazes são vermelhas:
Há sempre esperança a renascer!

Letra e música: Celina da Piedade e Alex Gaspar
Intérprete: Celina da Piedade (in CD “Festival da Canção 2017”, RTP Edições/Sony Music, 2017)

Todo o amor que nos prendera

[ Primavera ]

Todo o amor que nos prendera,
como se fora de cera,
se quebrava e desfazia.
Ai funesta Primavera,
quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia!

E condenaram-me a tanto:
viver comigo o meu pranto,
viver, viver… e sem ti!
Vivendo sem, no entanto,
eu me esquecer desse encanto
que nesse dia perdi…

Pão duro da solidão
é somente o que nos dão,
o que nos dão a comer…
Que importa que o coração
diga que sim ou que não,
se continua a viver?

Todo o amor que nos prendera
se quebrara e desfizera,
em pavor se convertia.
Ninguém fale em Primavera!
Quem me dera, quem nos dera
ter morrido nesse dia!

Poema: David Mourão-Ferreira
Música: Pedro Rodrigues
Intérprete: Amália Rodrigues (1965, in CD “Segredo”, EMI-VC, 1997; CD “Amália canta David”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2011)

Canções do mar

Letras

A roupa do marinheiro

A roupa do marinheiro
Não é lavada no rio:
É lavada no mar alto
À sombra do seu navio.
Não é lavada no rio.

Sereias que há no mar longe
Não queiram o meu amor,
Que eu deixei em terra firme
Um peito a chorar de dor.
Não queiram o meu amor.

Penso em ti nos sete mares,
Juntos onde o vento for;
Tu não és como a figueira
Que dá fruto sem dar flor.
Juntos onde o vento for.

Espera por mim que eu volto!
Estão os campos por lavrar
E assim fica a nossa vida
Presa a uma vela no mar.
Estão os campos por lavrar.

Letra e música: Popular (Minho)
Arranjo e orquestração: António Prata
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Sinfónica Portuguesa (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014)
Primeira versão [?]: Grupo de Cantares de Manhouce ‎(in LP “Aboio”, EMI-VC, 1984)

Ronda dos Quatro Caminhos
Ronda dos Quatro Caminhos

Aos olhos do mar

Aos olhos do mar
vestido de bruma
se ouve o rumor
da ave a planar

Aos olhos do mar
Aos olhos do mar

Aos olhos do mar
o som da maré
a brisa e o sal
se cruzam no ar

Aos olhos do mar
Aos olhos do mar

Aos olhos do mar
a lua e a noite
afagam nas rochas
a cor do luar

Aos olhos do mar
Aos olhos do mar

Letra e música: Jorge Cravo
Intérprete: Jorge Cravo e o Grupo Presença de Coimbra (in CD “Canções d’Inquietude”, Numérica, 2005)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. 

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

Bamo lá ber

Bamo lá ber!
Vamos lá ver!
Bamo lá ber!
Vamos lá ver!…

Vamos lá ver!
Bamo lá ber!
Vamos lá ver!
Bamo lá ber!…

Vinha o barco, lá pela ria;
Acostou com maré vazia.
Vinha o pargo,
Vinha a lula,
Vinha o sargo
E o peixe-lua.

Veio a gente para comprar
O que a rede trouxe do mar.
Trouxe um polvo,
Uma cavala
Mais uma bóia
E uma sandália.

Veio o povo para comprar;
Viu o peixe a saltitar.
Salta o choco
E a faneca
Mais a sarda
Para a água.

Vai o homem nos arraiais,
Que a venda não se faz mais.
Foi-se o peixe,
Foi-se o pão…
Mas que sorte!
Maldição!

Volta p’ró mar, ó pescador!
Sai no barco, com teu labor!
Já não há mais,
Acabou.
Lá se foi,
Que ele esgotou.

Vem para terra, com tua barca!
Vende covos, com tua marca!
Faz um sorriso
P’ra o turista
Que o tempo da faina
acabou!

Letra e música: Carlos Norton
Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)

Brota a água

Brota a água da pedra bruta:
Sua luta, labuta,
De tudo dessedentar;
Ganha altura, desmesura,
De tanto querer ser mar.

Corre campos, cria formas
Que nem ousara sonhar;
Dança ritmos, canta trovas
Antes de chegar ao mar.

A ciência que o mar tem
Não tem nada de pasmar:
Não há regato nem rio
Que ao mar não vá parar.

Brota a água da pedra bruta:
Sua luta, labuta,
De tudo dessedentar;
Ganha altura, desmesura,
De tanto querer ser mar.

Corre campos, cria formas
Que nem ousara sonhar;
Dança ritmos, canta trovas
Antes de chegar ao mar.

Brota a água da pedra bruta:
Sua luta, labuta,
De tudo dessedentar;
Ganha altura, desmesura,
De tanto querer ser mar.

Corre campos, cria formas
Que nem ousara sonhar;
Dança ritmos, canta trovas
Antes de chegar ao mar.

Letra e música: Pedro Mestre
Intérprete: Pedro Mestre com Janita Salomé (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)
Outra versão de Pedro Mestre, com Janita Salomé (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)

Dentro de um búzio

[ Dessa Ilha ]

dentro de um búzio
cabe todo o mar
dentro desse mar
cabem milhares de búzios
muitos desses búzios
servem p’ra jogar
passam na cabeça
cabem num colar
nessa ilha
posso lhe escutar
o som
que faço soar

dentro da cabeça
uma multidão
onde o mar começa
onde acaba o chão
fora de um corpo
cabe todo o ar
respirar um pouco
já é tanto
dessa ilha
posso partilhar só
o som
que canto

Letra: Arnaldo Antunes
Música: Danças Ocultas
Intérprete: Danças Ocultas com Dora Morelenbaum (in CD “Dentro Desse Mar”, Danças Ocultas/Sony Music, 2018)

Em ti a navegar

[ Barca Catraia ]

Em ti a navegar
Na barca, pescador,
Ardentia no mar,
Ancorado amor.

À proa levado
Teu nome escrevi,
Riso afogado
No sal que escorri.

Vento abraçado
Que me leva a voz;
Reverso cantado
O que me traz à foz.

Seja vela alva
A que vai e que vem
E a barca salva
Das tormentas que tem.

Vestida de redes
Por mim adornada,
Desejos e sedes
Na vaga salgada.

Entranhas doridas
E golpes nos dedos;
Amantes queridas,
Rasgados segredos.

Espero, catraia,
Navegando em ti:
Da barca não caia
Nem nos ais que ouvi!

Seja vela alva
A que vai e que vem
E a barca salva
Das tormentas que tem.

Letra e música: Lindolfo Paiva
Intérprete: Dialecto*
Versão original: Dialecto (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)

Embarcados

[ Marcha Ingénua ]

Embarcados p’rás tormentas
Com fartura d’incertezas:
Adeus, cais da felicidade!
Lá vão barcas portuguesas…

Oh! Enganadoras luas,
Trópico de Capricórnio,
Madrastas de bode preto,
Enteadas do demónio!

Oh! Império de má memória,
Dos cães de fila da moda!

Voa, vai, negra andorinha!
Pede à minha namorada
Dê notícias de Lisboa,
Das praças livres, dos cravos,
Das saudades que lhe tenho
De vê-la subir a rua…
A cantar a tal cantiga:
Primavera não esquecida!

Voa, vai, negra andorinha!
Pede à minha namorada
Dê notícias de Lisboa,
Das praças livres, dos cravos,
Das saudades que lhe tenho
De vê-la subir a rua…
A cantar a tal cantiga:
Primavera não esquecida!

Das saudades que lhe tenho
De vê-la subir a rua…
A cantar a tal cantiga:
Primavera não esquecida!

Letra e música: Vitorino Salomé
Intérprete: Vitorino (in LP “Flor de la Mar”, EMI-VC, 1983, reed. EMI-VC, 1992, Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2008; CD “As Mais Bonitas”, EMI-VC, 1993, EMI Music Portugal, 2012; 3CD “Tudo”: CD 2 – “Lisboa”, EMI Music Portugal, 2005)

Eu nasci nalgum lugar

[ O Mar Fala de Ti ]

Intérprete: Mafalda Arnauth

Foi a maré que te trouxe

[ Quando o Mar nos Leva o Fado ]

Foi a maré que te trouxe,
foi o mar que te levou:
o nosso amor afogou-se,
nenhum de nós se salvou.

Só ficou a maresia:
tudo o resto foi levado,
como fica a poesia
quando o mar nos leva o fado.

Nesses instantes de medo,
a Mouraria discreta
guarda a guitarra em segredo
na viela mais secreta.

E nem mesmo a maresia
tem licença p’ra entrar
no bairro da Mouraria
quando alguém está a cantar.

Noutros bairros ribeirinhos,
onde há cheiro de marés,
chegam barcos pobrezinhos:
trazem fados no convés.

O nosso amor afogou-se
de tanto eu o ter chorado:
não sei dizer quem o trouxe,
mas quem o leva é o Fado.

Letra: Tiago Torres da Silva
Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado Bailarico)
Intérprete: Cristina Nóbrega
Versão original: Cristina Nóbrega (in CD “Um Fado para Fred Astaire”, Watch & Listen, 2014)

Cristina Nóbrega
Cristina Nóbrega

Foram-se as cores

[ Canto Trágico dos Corvos de São Vicente ]

Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro…

Madrugada de outono passou rente ao promontório;
Beijou o vento o mar que abraçava o rochedo:
Dia de nascer uma tragédia,
Maldição há muito amaldiçoada;
O casco esventrado solta o monstro
No manto da besta do negrume.

Soprou amargo e revolto, trazido na maré;
Vestia negro e dançava, como seda sobre a água:
Esmaga e volta a atormentar o mar
Nos teus braços da asfixia!
Salta, corvo, da tua barca
Alertar quem te desconhecia!

Já não esvoaçam aromas, só do fumo do negreiro;
Foge o riso do sorriso, fica a alma abandonada:
Fecha portas e portadas!
Lá fora, morte sem canção;
Lenta, espalha a tua calma,
Tenebrosa desolação!

Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro.
Foram-se as cores embora;
Na solidão sopra um negro…

Vai lá ver quem se matou, ou se algum ainda sobrou,
Que o negro tudo cobre nessa lenta agonia!
Tempo de partir, abandonar;
Lamentar a grande tentação;
Longa, a negra noite veio
Tudo adormecer.

Letra e música: Carlos Norton
Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)

Fui bailar

[ Canção do mar ]

Composição: Frederico de Brito / Ferrer Trindade
Intérprete: Dulce Pontes

Gaivotas em terra

Gaivotas em terra, de asas fechadas;
marujos sem rumo, num banco dum bar;
barcaças dormentes, no cais ancoradas;
meninas morenas que pensam casar…

Preciso é que voem, que batam as asas;
preciso é que deixem as altas janelas;
preciso é que saiam as portas das casas;
preciso é que soltem amarras e velas…

As asas são duas, se acaso uma ave
quiser cortar céu, lançar-se no ar…
A barca só voga, se a brisa suave
quiser, ternamente, casá-la com o mar…

Marujos sozinhos, pensando outro mundo;
meninas em casa, fiando desejo…
Preciso é que cruzem seu olhar profundo;
preciso é que colem as bocas num beijo!

Mãos de marinheiro não temem procelas,
se houver outras mãos, p’ra além vendaval,
rezando por ele e tecendo outras velas
mais brancas, mais belas, do seu enxoval!

Letra: Mascarenhas Barreto
Música: António dos Santos
Intérprete: António dos Santos (1968) (in CD “O Melhor de António dos Santos”, EMI-VC, 1992)

Mar, espuma

[ Canção do Marinheiro ]

Mar, espuma, céus e nuvens,
Sargaço, peixes, gaivotas…
Eis aqui os agiotas
Que cercam o nosso balcão!
Já vês, portanto – fragata:
Por falta de compradores,
Nem mesmo nossos amores
Nos saem do coração.

Ai menina!… Tu não sabes
Quanto é bom ser marinheiro!
E ficar com um ar trigueiro
Por aventuras no mar!

Mas isso foi até quando
Virei no bordo de terra,
E te avistei e disse – ferra!
Mas era tarde, bati…
Ao choque da pedra dura
Saltou-me do leme a cana;
Perdi logo a tramontana,
O casco só não perdi…

Ai menina!… Tu não sabes
Quanto é bom ser marinheiro!
E ficar com um ar trigueiro
Por aventuras no mar!

Tem pena de mim, sereia!
Já que não posso em teu porto
Achar o mesmo conforto
Que outrora no mar achei…
A nado põe o meu barco,
Que eu logo e logo outro rumo
Só de guindola e sem prumo,
Te juro, demandarei!

Ai menina!… Tu não sabes
Quanto é bom ser marinheiro!
E ficar com um ar trigueiro
Por aventuras no mar!
[bis]

Por aventuras no mar!
Por aventuras no mar!

Letra: Caetano Filgueiras
Música: José Barros
Arranjo: José Manuel David
Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom, 2008)

Mar

Mar!
Tinhas um nome que ninguém temia:
Era um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia…

Mar!
Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto…

Mar!
Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!

Mar!
Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!

Mar!
E quando terá fim o sofrimento!
E quando deixará de nos tentar
O teu encantamento!

Poema: Miguel Torga (in “Poemas Ibéricos – História Trágico-Marítima”, 1965; “Poesia Completa”, 2000)
Música: ?
Intérprete: João Braga (in CD “Fado Fado”, BMG Portugal, 1997)

Meu amor foi marinheiro

[ Novo Mar ]

Meu amor foi marinheiro
Navegou de lés a lés
Enfrentou o mar inteiro
Ventos e marés

Mas um dia desistiu
De embarcar no mar de tanta perdição
E o seu navio
Só cruza agora o meu coração

Meu amor audaz e forte
Resistiu aos temporais
E nunca perdeu o norte
Chegou sempre ao cais

Meu amor correu o mundo
Até esteve em muitas terras de ninguém
Foi vagabundo
Mas já não vive nesse vai e vem

Mil e uma histórias
Que ele tem pra me contar,
E eu dou-lhe memórias
Do futuro, eu sou seu novo mar…

Meu amor foi marinheiro,
Navegou de sol a sol
Enfrentou o mar inteiro
Sem qualquer farol

Ele em cada noite escura
Inventava tantos raios de luar
E agora jura
Sou seu rumo e o seu novo mar

Mantém-se a miragem
E o prazer de navegar
Mas nesta viagem
Eu sou seu rumo….
Eu sou seu novo mar

Letra: Fernando Gomes
Música: Valter Rolo
Intérprete: Catarina Rocha

Meu nome é nome de Mar

[ Nome de Mar ]

Intérprete: Maria Ana Bobone

O fado nasceu um dia

[ Mar Português ]

Intérprete: Sara Correia

O mar a salgar-nos a vida

[ Quem Anda ao Mar ]

O mar a salgar-nos a vida
E a vida sem sal
O vento a empurrar-nos a alma
Contra o temporal
Mas quando o destino
Foi tudo o que herdámos
Dos nossos avós
É tão pouca a sorte
O vento é tão forte
Que há-de ser de nós?

As mãos presas na corrente
O tempo a passar
O mar a gastar-nos os anos
E o medo a ficar
No fundo das águas
Descansam mil mágoas
Do nosso sofrer
A manhã clareia
A rede vem cheia
Que mais posso eu querer?

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Os dias são como as ondas
É o mesmo vai-e-vem
O mar é como a saudade
Não poupa ninguém
No vazio da praia
Esvoaça uma saia
Cor negra a sofrer
Que se a calma vaga
Que a manhã me traga
A alegria de o ver

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Dizem que o mar também chora
E é como um barco sem ter farol
Chora p’la Lua que se foi embora
Como uma louca, atrás do Sol
E às vezes as fúrias são tantas
Que não há ninguém que as possa acalmar
A não ser a alma daqueles que andam ao mar

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha
Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)

O mar não é de ninguém

[ Ninguém É Dono do Mar ]

O mar não é de ninguém
Ninguém é dono do mar
Nem aqueles que lá sabem navegar

Se eu um dia não voltar
Desenha o meu nome no chão
Pede um desejo às ondas do mar
E guarda-o na tua mão

Sempre que a noite vier
Quando não houver luar
Dá o desejo a uma onda qualquer
E pede-lhe p’ra eu voltar

Trago o destino das águas
No aguardar dos rochedos
Dizem que o tempo é que apaga as mágoas
Quem será que apaga os medos?

O mar não é de ninguém
Ninguém é dono do mar
Nem aqueles que lá sabem navegar

E se depois eu vier
Foi porque o mar te escutou
Deixa os sorrisos correrem p’la praia
Que o temporal acabou

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017)
Versão original: Quadrilha (in CD “Quarto Crescente”, Vachier & Associados/Ovação, 1999)
Outra versão de Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)

O mar a salgar-nos a vida

[ Quem anda ao mar ]

O mar a salgar-nos a vida
E a vida sem sal
O vento a empurrar-nos a alma
Contra o temporal
Mas quando o destino
Foi tudo o que herdámos
Dos nossos avós
É tão pouca a sorte
O vento é tão forte
Que há-de ser de nós?

As mãos presas na corrente
O tempo a passar
O mar a gastar-nos os ano
E o medo a ficar
No fundo das águas
Descansam mil mágoas
Do nosso sofrer
A manhã clareia
A rede vem cheia
Que mais posso eu querer?

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Os dias são como as ondas
É o mesmo vai-e-vem
O mar é como a saudade
Não poupa ninguém
No vazio da praia
Esvoaça uma saia
Cor negra a sofrer
Que se a calma vaga
Que a manhã me traga
A alegria de o ver

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Dizem que o mar também chora
E é como um barco sem ter farol
Chora p’la Lua que se foi embora
Como uma louca, atrás do Sol
E às vezes as fúrias são tantas
Que não há ninguém que as possa acalmar
A não ser a alma daqueles que andam ao mar

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)

Sebastião Antunes
Sebastião Antunes

Ó mar

[ Canção do Mar ]

Ó mar
Ó mar
Ó mar profundo
Ó mar
Negro altar
Do fim do mundo

Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
No teu olhar

Ó mar
Ó mar
Ó mar profano
Ó mar
Verde mar
Em que me irmano

Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
No teu olhar

Ó mar
Ó mar
Ó mar profundo
Ó mar
Negro altar
Do fim do mundo

Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
No teu olhar

Ó mar…
Ó mar…
Ó mar…

Letra e música: José Afonso
Arranjos/adaptação: Rui Tinoco
Intérprete: Frei Fado d’El Rei (in livro/CD “Senhor Poeta: Um Tributo a José Afonso”, Bartilotti Produções/Ovação, 2007)
Criação: José Afonso (in EP “Cantares de José Afonso”, Columbia/VC, 1964; LP “Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes”, Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1992; CD “Luiz Goes/José Afonso/Carlos Paredes: Encontros em Coimbra”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD “Luiz Goes, José Afonso e Carlos Paredes: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)

Oh Mar revolto

[ Náufrago (Mar Revolto) ]

Oh Mar revolto,
Levas tanta gente
Que de ti traz paz e sustento!
Levas esperança, medos, vendavais
Trazes a dor distante de um cais

Oh Mar profundo
Das Almas esquecidas
De quem sofre em terra perdas e vidas!
Perder de vista o destino de um lar
Irei p’ra longe, há ir e voltar

Oh Mar sem fim
De sonhos perdidos
De mágoas, de lutas e rumos sofridos!
Noites perdidas e ventos fortes
Noites esquecidas, vidas e mortes

Letra: José Francisco Vieira
Música: José Francisco Vieira, Paulo Machado, João Vieira
Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)

João Frade, Marenostrum

João Frade, Marenostrum

Os búzios soam

[ Segredos do Mar (Mistiká tis Thalassas) ]

Os búzios soam o ritmo das marés
A preia-mar dá à costa uma carta de amor
Da minha janela vejo um navio a passar
Um marinheiro lá bem longe diz adeus

A Lua guarda eternos segredos
Mais profanos da nossa paixão
O Mar liberta e solta os medos
Que se escondem no teu coração

A carta dizia amor vou partir
Oxalá um dia te volte a encontrar
No sorriso da lua vejo o teu coração
Ainda sinto o teu cheiro na brisa do mar

A Lua guarda eternos segredos
Mais profanos da nossa paixão
O Mar liberta e solta os medos
Que se escondem no teu coração

Letra e música: Samuel Lopes
Intérprete: Citânia
Versão original: Citânia com Maria Zogopoulou & Vitorino (in Livro/CD “Segredos do Mar”, Seven Muses, 2011)

Pus o meu sonho num navio

[ Naufrágio ]

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
— depois, abri o mar com as mãos,
com as mãos, para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul, do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, vai morrendo dentro do navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer, para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Poema: Cecília Meireles (excerto ligeiramente adaptado do poema “Canção”)
Música: Alain Oulman
Intérprete: Amália Rodrigues [in LP “Com Que Voz”, Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1987; 2CD “Com Que Voz” (nova edição): CD 1, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2010; CD “Com Que Voz (Remastered)”, Edições Valentim de Carvalho, 2019]

Reina grande confusão

[ Os Novos Anjos (ao Zeca Afonso) ]

Reina grande confusão
No céu pelos corredores;
Os anjos querem trocar
Asas por computadores;
Chegam todos aos magotes,
Há já quem fale em reforma;
Estão cansados de voar,
Só querem agenciar.

O Senhor Arcanjo,
No meio do mar,
Fez das asas barco
Para navegar; [bis]
Fez dos braços remos,
Vai correndo mundo;
Bóia, coração,
Que o barco vai ao fundo!
O barco vai ao fundo!

Vêm uns deitá-lo abaixo,
Outros louvar-lhe o passado;
Estivesse morto ou lá perto
Teria um preço mais certo!
Canta o gaio já cansado,
O dia chegou ao fim:
Uns vão p’ra casa dormir,
Outros vão assim, assim!

O Senhor Arcanjo,
No meio do mar,
Fez das asas barco
Para navegar; [bis]
Fez dos braços remos,
Vai correndo mundo;
Bóia, coração,
Que o barco vai ao fundo!
O barco vai ao fundo!

E o Senhor Arcanjo,
No meio do mar,
Fez das asas barco
Para navegar;
Fez dos braços remos,
Vai correndo mundo;
Bóia, coração,
Que o barco vai ao fundo!
O barco vai ao fundo!

Letra e música: Amélia Muge
Intérprete: Amélia Muge (in CD “Todos os Dias”, Columbia/Sony Música, 1994)

Sou Barco

Sou barco abandonado
Na praia ao pé do mar
E os pensamentos são
Meninos a brincar.

Ei-lo que salta bravo
E a onda verde-escura
Desfaz-se em trigo
De raiva e amargura.

Ouço o fragor da vaga
Sempre a bater ao fundo,
Escrevo, leio, penso,
Passeio neste mundo
De seis passos
E o mar a bater ao fundo.

Agora é todo azul,
Com barras de cinzento,
E logo é verde, verde,
Seu brando chamamento.

Ó mar, venha a onda forte
Por cima do areal
E os barcos abandonados
Voltarão a Portugal.

Poema: António Borges Coelho (in “Roseira Verde”, Lisboa: Edição do autor, 1962)
Música: Luís Cília
Intérprete: Luís Cília (in LP “Portugal-Angola: Chants de Lutte”, Le Chant du Monde, 1964)

Tão bonita és

[ Música de Mar ]

Tão bonita és, tão bonita estás,
tão bonita és, como vais?
Paro p’ra te ver para lá do olhar
e param-me as mãos a pensar.

Tão pura, tão simples, tão meiga de ouvir:
canto de embalar e dormir,
eixo ribaldeixo como a cantilena
que tu soletraste em pequena.

Tão bonita és, tão bonita estás,
tão bonita és, como vais?
Quando nos invades, quando nos tormentas,
risos, choros, silêncios inventas.

Música e amante mal te conheci,
três vidas num instante vivi;
música de mar que nas ondas vem
toca-me nos dedos também!

Tão bonita és, tão bonita estás,
tão bonita és, como vais?
Como hei-de compor, como hei-de cantar
tanto qu’inda tens p’ra me dar?

Como uma criança canta a tabuada
e junta três sons encantada,
assim te encontramos a ti, melodia,
nós que cinzentamos o dia.

Tão bonita és, tão bonita estás,
tão bonita és, como vais?
Viril, feminina, velhota ou senhora,
riso de menina e doutora.

Nua te despi, nua te deixei
e entre sol e lua cantei.
Como poderemos nós falar de ti
se andamos tão longe e tu aqui?!

Poema: Pedro Barroso
Música: Imanol (Manuel Eusebio Larzábal Goñi, 1947-2004)
Intérprete: Pedro Barroso (in LP “Pedro Barroso”, Schiu!/Transmédia, 1988)

Tem mil anos uma história

[ Sete Mares ]

Tem mil anos uma história
De viver a navegar
Há mil anos de memórias a contar
Ai, cidade à beira-mar
Azul

Se os mares são só sete
Há mais terra do que mar…
Voltarei amor com a força da maré
Ai, cidade à beira-mar
Ao sul

Hoje
Num vento do norte
Fogo de outra sorte
Sigo para o sul
Sete mares

Foram tantas as tormentas
Que tivemos de enfrentar…
Chegarei amor na volta da maré
Ai, troquei-te por um mar
Ao sul

Hoje
Num vento do norte
Fogo de outra sorte
Sigo para o sul
Sete mares

Letra: Francisco Menezes
Música: Sétima Legião
Intérprete: Sétima Legião (in “Mar d’Outubro”, EMI-VC, 1987; reed. 1988)

Canções de amor

Letras

A azeitona já está preta

[ Chapéu preto ]

A azeitona já está preta,
Já se pode armar aos tordos,
Diz-me lá, ó cara linda: 
Como vais d’amores novos?
Já se pode armar aos tordos.

É mentira, é mentira,
É mentira, sim, senhor!
Eu nunca roubei um beijo,
Quem mo deu foi meu amor.

Quem me dera ser colete!
Quem me dera ser botão,
Para andar agarradinha 
Juntinho ao teu coração!
Quem me dera ser botão!

É mentira, é mentira,
É mentira, sim, senhor!
Eu nunca roubei um beijo,
Quem mo deu foi meu amor.

Ai, que lindo chapéu preto 
Naquela cabeça vai!
Ai, que lindo rapazinho
Para genro do meu pai!
Naquela cabeça vai!

É mentira, é mentira,
É mentira, sim, senhor!
Eu nunca roubei um beijo,
Quem mo deu foi meu amor.

É mentira, é mentira,
É mentira, é mentira,
É mentira, é mentira…

Letra e música: Arlindo de Carvalho
Intérprete: Celeste Rodrigues* [in EP “Celeste (Chapéu Preto)”, Parlophone/VC, 1959; reed. digital: Edições Valentim de Carvalho, 2019]

A lua nasceu

[ Canção de Embalar ]

A lua nasceu e cresceu no além,
A noite surgiu também.
Faz ó-ó, meu amor,
Porque eu velo por ti!
Só aos anjos a lua sorri.

Tu verás, meu amor,
Como é bom sonhos ter:
Deus te dê os melhores que houver.
Faz ó-ó, meu amor,
Porque eu velo por ti!
Só aos anjos a lua sorri.

E tens, porque eu sei e roguei ao Senhor,
Um sonho de paz e amor.
Meu amor, vai dormir!
Vai dormir e sonhar!
Deixa a lua sorrir lá no ar.

Tu verás, meu amor,
Como é bom sonhos ter:
Deus te dê os melhores que houver.
Faz ó-ó, meu amor
Porque eu velo por ti!
Só aos anjos a lua sorri.

Letra e música: Tradicional
Intérprete: Musica Nostra (in CD “Cantos da Terra”, Açor/Emiliano Toste, 2009)

Ai amor

[ Canção de Ida e Volta ]

Ai amor
O tempo vai e vem
Os meus olhos
Não são de mais ninguém

Quem partiu
Canta o que deixou
Haja alguém
Que mesmo assim cantou

Ai amor
O tempo vai e vem

Estas casas
Não mudarão de cor
São de prata
À hora do Sol-pôr

Corre o vento
Dos lados de Espanha
Ai amor
A ver se me apanha

Estas casas
Não mudarão de cor

Ai amor
O tempo vai e vem
Os meus olhos
Não são de mais ninguém

Volta a rola
Sabe o seu caminho
Volta alguém
Há luz no montinho

Ai amor
O tempo vai e vem

Letra: João Monge
Música: João Gil
Intérprete: Ala dos Namorados / voz de Nuno Guerreiro (in CD “Por Minha Dama”, EMI-VC, 1995)

Amor com amor se paga

Amor com amor se paga.
Porque não pagas, amor?
Olha que Deus não perdoa
A quem é mau pagador!

Amor, não me escrevas cartas,
Que, bem sabes, não sei ler!
Quando sentires saudades,
Perde um dia e vem-me ver!

Amor com amor se paga:
Nunca vi coisa mais justa;
Paga-me contigo mesma,
Meu amor, pouco te custa!

Ainda depois de morto,
Debaixo do frio chão,
Hás-de achar o teu nome
Escrito no meu coração.

Dá-me um beijo, eu dou-te dois!
A minha paga é dobrada:
É o jeito de quem ama,
Pagar e não dever nada.

Amor com amor se paga:
Nunca vi coisa mais justa;
Paga-me contigo mesma,
Meu amor, pouco te custa!

Amor com amor se paga.
Porque não pagas, amor?
Olha que Deus não perdoa
A quem é mau pagador!

Amor, não me escrevas cartas,
Que, bem sabes, não sei ler!
Quando sentires saudades,
Perde um dia e vem-me ver!

Amor com amor se paga:
Nunca vi coisa mais justa;
Paga-me contigo mesma,
Meu amor, pouco te custa!

Letra: Quadras populares
Música: César Prata
Arranjo: César Prata e Vânia Couto
Intérprete: César Prata e Vânia Couto
Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. 

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

Ao meio do quarto

[ Na Volta de um Beijo ]

Ao meio do quarto uma rosa cai no chão
Ao fundo do peito uma letra sem canção
Ao canto da sala guitarras sem bordão
Lá fora do meu peito andas tu e o meu perdão

Sentada cá dentro olho a cruz, está sem pregão
Caiu-me a jarra das mãos, caiu uma rosa de paixão
Fechaste o teu peito, levaste-me o coração
Agora andas tu lá fora, sozinho sem paixão

Chora, chora, e a mim que se me dá!
Chora, chora, e a mim que se me dá!

Eu hei-de ir à romaria pedir a Nossa Senhora
Que me traga o meu amor que anda pelo mundo fora
E assim vê-lo na volta, na volta de um beijo
Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo

Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo
Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo

Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo

Letra: Tradicional e Tiago Curado de Almeida
Música: Tiago Curado de Almeida (com motivo melódico de “Boys Don’t Cry”, da autoria de Robert Smith)
Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)

Ao princípio

[ Nasce Afrodite, amor, nasce o teu corpo ]

Ao princípio, é nada. Um sopro apenas,
Um arrepio de escamas, um perpassar de sombra
Como de nuvem marinha que se esgarça
Nos radiais tentáculos da medusa.
Não se dirá que o mar se comoveu
E que a onda vai formar-se deste frémito.
No embalo da água oscilam peixes
E das algas as hastes serpentinas
À corrente se dobram, como ao vento
As searas da terra e as crinas dos cavalos.
Entre dois infinitos de azul a onda vem,
Toda de sol vestida e rebrilhante,
Líquido corpo de reflexos cegos.
E da terra, o vento corre para ela,
Tal o macho cioso para a fêmea aberta,
Transportando consigo o pólen das flores.
Fecundada, a onda rola agora, trovejando,
Na corrida para o parto que a espera
No leito de negras rochas que, na costa,
Se adorna de mil vidas fervilhantes.
Mais alto ainda as águas se suspendem
No segundo final da gestação imensa.
E quando, num furor de vida que começa,
A onda se despedaça no rochedo,
O envolve, o cinge, o aperta e dilacera,
Da branca espuma, do sol e do vento que soprou,
Dos peixes, das flores e do seu pólen,
Das algas trémulas, do trigo e dos braços da medusa,
E das crinas dos cavalos, do mar, da vida toda,
Nasce Afrodite, amor, nasce o teu corpo.

Chamava-se Nini

[ Nini dos Meus Quinze Anos ]

Letra: Fernando Assis Pacheco
Música: Paulo de Carvalho
Intérprete: Paulo de Carvalho (in LP “Volume I”, 1978; CD “Vida”, Farol, 2006)

Chamava-se Nini
Vestia de organdi
E dançava (dançava)
Dançava só pra mim
Uma dança sem fim
E eu olhava (olhava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Que lá no baile não havia outro igual
E eu ia para o bar
Beber e suspirar
Pensar que tanto amor ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a canção
E eu dançava (dançava)
Sentia uma aflição
Dizer que sim, que não
E eu dançava (dançava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda, é sempre assim
Nini dançava só pra mim

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda, é sempre assim
Nini dançava só pra mim

Chamei-te linda

Chamei-te linda, engraçada
Da graça que Deus te deu
E tu deste uma risada
Quem a não tinha era eu

Que mais eu posso fazer
Fazer eu posso, ai de mim
P’ra um dia te ouvir dizer
Ouvir-te dizer que sim

Deixa-me ao menos a esperança
A derradeira a morrer
“Quem espera sempre alcança”
Foi sempre o que ouvi dizer

És a flor que mais desejo
Das flores do meu roseiral
Quanto, rosa, te não vejo
A vida corre-me mal

Sei que tu és o meu par
Sei que nasceste p’ra mim
Não se devem afastar
Flores do mesmo jardim

Rosa branca, tua cor,
No dia em me quiseres
Farei de ti, meu amor,
A mais feliz das mulheres

És a flor que mais desejo
Das flores do meu roseiral
Quanto, rosa, te não vejo
A vida corre-me mal

Sei que tu és o meu par
Sei que nasceste p’ra mim
Não se devem afastar
Flores do mesmo jardim

Rosa branca, tua cor,
No dia em me quiseres
Farei de ti, meu amor,
A mais feliz das mulheres

Letra e música: Aníbal Raposo (2011-02-13)
Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)

Coração, meu coração

[ Coração Que me Pertence ]

Coração, meu coração
Que sonhavas esta vida,
Por que razão tu paraste?
Não digas que adivinhaste
Na hora da despedida
Desta sublime afeição?

Quantas horas, tantas horas
Esvoaçaste de mansinho
No carinho do meu jeito!
Já nem sabes onde moras,
Descuidado passarinho,
Se no teu se no meu peito.

Fechei meus olhos perdidos,
Não fosse com o desgosto
Rogarem-te alguma praga…
Que os teus hão-de ver, sentidos,
No braseiro do sol-posto
O sangue da minha mágoa.

E no fogo da ambição,
Que ao amor julga que vence,
Queimaste a minha raiz…
Como pode ser feliz
Coração que me pertence
No calor duma outra mão?

Como pode ser feliz
Coração que me pertence
No calor duma outra mão?

Letra e música: Armando Estrela
Intérprete: Tereza Tarouca (in single “O Mangas / Coração Que me Pertence”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1979; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994)

Dei-te um desenho meu

[ Eu gosto de ti ]

Dei-te um desenho meu
Feito com as cores do céu
Pra guardares junto a ti
Sempre que eu for embora

Dei-te um desenho meu (dei-te em desenho meu)
Que não caiu do céu
Com os teus lápis de cor
Juntei o teu amor ao meu

Recordações de belas canções
Contigo, baixinho
Recordações de nós

Sei que o tempo passa, voa
Que eu sinto falta
Mas o caminho é voltar
Sempre
Pra te poder abraçar

Sempre
O meu caminho é voltar pra dizer
Eu gosto de ti
Sim, eu
Eu gosto de
Eu gosto de ti

Dei-te um desenho meu (dei-te em desenho meu)
Feito com as cores do céu
Pra guardares junto a ti sempre que eu for
Embora

Recordações daqueles verões
Contigo, contigo
Recordações de nós

Sei que o tempo passa, voa
Que eu sinto falta
Mas o caminho é voltar
Sempre
Pra poder te abraçar
Sempre

O meu caminho é voltar pra dizer
Eu gosto de ti
Sim, sim eu
Eu gosto de ti
Eu gosto de ti
Sim gosto
Sim, eu
Eu gosto de ti
Eu gosto de ti
Sim, eu
Eu gosto
Eu gosto de ti

Música: Marisa Liz, Tiago Pais Dias
Intérprete: Elas (Áurea, Marisa Liz)

Descobri-te na minha boca

[ Quebranto ]

Descobri-te na minha boca
Na minha pele fria deixada na cama vazia
Encontrei o teu sabor nos meus lábios
Nos lençóis caídos no chão
Na manhã de uma primeira noite
Do teu corpo inundado em mim
Só não estás tu e o meu coração

Saí de casa à vossa procura
Sem eira nem beira
Como vagabunda, sem faro, sem dono
Parei na tua rua onde te encontrei
Pela primeira vez
Entre um copo de vinho e um fado vadio
Só não estás tu e o meu coração

Onde estás, coração?
Esse homem ladrão
Que me fez um quebranto
Canto, suor, engano cigano, um encanto
Coração!
Onde estás, coração?
A vida tropeça nas mãos
Deita-se contigo e foge na madrugada

Perdida, relembro-te à mesa
Entre a neblina do fumo e um sorriso mudo
Como quem pede por mim
Sentei-me, falaste com a guitarra
Primeira vez que te vi
Primeira vez que me dei
Sem pudor nem amor
Até que percebi:
Só não estás tu e o meu coração

E agora só me resta a noite
Sou um corpo dos outros
Sem alma, sem fé nem desdém
Despida de amor
Teu corpo uma canção que não pára
Meu corpo a tua guitarra
Meu fado é um filho perdido
Sozinho nas ruas sem mim
Já não sou eu, perdi o meu coração

Onde estás, coração?
Esse homem ladrão
Que me fez um quebranto
Canto, suor, engano cigano, um encanto
Coração!
Onde estás, coração?
A vida tropeça nas mãos
Deita-se contigo e foge na madrugada

Letra e música: Vânia Couto
Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)

É a tua vida que eu quero bordar

[ A Linha e o Linho ]

É a tua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e tu fosses a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto o nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos o nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, o nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A tua vida o meu caminho, o nosso amor
Tu és a linha e eu o linho, o nosso amor
A nossa colcha de cama, a nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza

A tua vida o meu caminho, o nosso amor
Tu és a linha e eu o linho, o nosso amor
A nossa colcha de cama, a nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza

Letra e música: Gilberto Gil
Intérprete: Celina da Piedade
Primeira versão de Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016)
Versão original: Gilberto Gil (in LP “Extra”, Warner Bros. Records, 1983, reed. WEA Discos, 1995)

Ela tem a boca torta

[ Os embeiçados ]

Ela tem
boca torta
nariz grande
cabelo mal cortado
rói as unhas
usa cunhas
mas eu estou apaixonado

Ele tem
espinhas sardas
pontos negros
e uma boca exagerada
desafina
e desatina
mas eu estou apaixonada

Ela é
ciumenta
rabugenta
embirrenta e tagarela
intriguista
e moralista
mas eu estou louco por ela

Ele faz
cenas gagas
altas fitas
não tem confiança em mim
faz-se caro
faz-me trombas
mas eu gosto dele assim

Diz-se que o amor é cego
deforma tudo a seu jeito
mas eu acho que o amor
descobre o lado melhor
do que parece defeito

Porque eu gosto
gosto dele
e ela gosta
gosta de gostar de mim

Letra: Regina Guimarães
Música: Hélder Gonçalves
Intérprete: Clã

Em tenra laranjeira

[ Fado Laranjeira ]

Em tenra laranjeira, ainda pequenina,
Onde poisava o melro ao declinar do dia,
Depois de te beijar a boca purpurina,
Um nome ali gravei: o teu nome, Maria.

Em volta um coração também com arte e jeito,
Ao circundar teu nome a minha mão gravou:
Esculpi-lhe uma data e o trabalho feito,
Como selo de amor, no tronco lá ficou.

Mas no rugoso tronco eu vejo com saudade
O símbolo do amor que em tempos nos uniu:
Cadeia de ilusões da nossa mocidade
Que o tempo enferrujou e que depois partiu.

E à linda laranjeira, altar pagão do amor,
Que tem a cor da esperança, a cor das esmeraldas,
Vão as noivas colher as simbólicas flores
Para tecer num sonho as virginais grinaldas.

Letra: Júlio César Valente
Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado Alexandrino da Laranjeira)
Arranjo: Filipe Raposo e Marta Pereira da Costa
Intérprete: Marta Pereira da Costa com Camané (in CD “Marta Pereira da Costa”, Marta Pereira da Costa/Parlophone/Warner Music, 2016)
Versão original: Alfredo Marceneiro (in LP “Há Festa na Mouraria”, Columbia/VC, 1965, reed. Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; CD “O Melhor de Alfredo Marceneiro: Vol. 2”, EMI-VC, 1993; CD “Alfredo Marceneiro: Biografias do Fado”, EMI-VC, 1997; CD “Alfredo Marceneiro: Perfil”, Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2010)

Esta noite ao acordar

[ Amor para Dar ]

Esta noite ao acordar
Saltei o muro p’ra ficar por cá
Deixei de ter p’ra ver que ainda há
Amor p’ra dar

Esta noite p’la manhã
Fechei a porta p’ra poder sair
Da cepa torta sem ter p’ra onde ir
E ter de andar

Hoje tive a tentação
De te dizer que sim e porque não
Pedir-te que vás p’ra voltar
Fiquei com a convicção
Que no amor mais vale ser um na mão
Que dois sem amor p’ra dar

No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar

Esta tarde ao clarear
Soltei a corda só p’ra me prender
Gritei bem alto p’ra te adormecer
E acordar

Ontem quando eu regressar
Vou dar-te a mão p’ra te deixar partir
Dar-te a razão só p’ra te ver sorrir
E acreditar

No tempo em que acontecer
É bom saber como é bom não saber
De nada p’ra não te contar
E por falar em querer
Gostar de ti e não querer dizer
P’ra nem te deixar duvidar

No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar

Ouvi dizer que as lembranças
São novas verdades p’ra nos acordar
Ouvi contar que as mudanças
São novas vontades p’ra nos ajudar

No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar

Letra e música: Sebastião Antunes
Arranjo: Gonçalo Pratas
Intérprete: Sebastião Antunes* (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017)

Esta vida

[ Não Há Dinheiro ]

Esta vida, como vês,
É sempre a ver se chega o fim do mês
Mas por muito que eu não queira
Acaba sempre da mesma maneira

Falta isto, falta aquilo
Eu já nem sei o que é que falta primeiro:
Se é o dinheiro que falta
Ou a falta que me faz ter o dinheiro

A jorna não dá p’ra nada,
E a gente sempre a dizer que tem que dar
Já passaram mais uns dias
E o dinheiro está outra vez a acabar

Não há dinheiro, não há dinheiro!
Andamos nesta conversa o ano inteiro.
Não há dinheiro, não há dinheiro!
É cada um que se amanhe,
Não há dinheiro!

Eu queria falar contigo
Mas não sei como é que te hei-de dizer
Eu fui sempre teu amigo
Não sei se já me estás a perceber

É que a coisa está difícil

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha*
Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)

Esta voz com que canto

Esta voz com que canto
Vem-me d’alma e o tempo
Ensinou-me o encanto
Do vento.

É a voz de amor
Que vem cá de dentro;
É o grito exterior
Do pensamento.

O meu amor é todo para ti:
Desde que te conheci
Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo,
O meu sentimento mais profundo.

O meu amor é todo para ti:
Desde que te conheci
Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo,
O meu sentimento mais profundo.

O meu amor é todo para ti:
Desde que te conheci
Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo,
O meu sentimento mais profundo.

[ Um Canto de Mim ]

Letra e música: Daniel Pereira
Intérprete: Arrefole (in CD “Veículo Climatizado”, Açor/Emiliano Toste, 2006)

Eu fui, tu foste, ele foi

[ Artes do Futuro ]

Eu fui, tu foste, ele foi
Talvez para sempre
Como é da nossa humana
Condição
Levados todos no acre improviso
Da loucura

Mas tu, diva esquecida
Música que eu faço
e me transcendes
Sentada na berma
do sonho apetecido
voltas a despertar
do vendaval da espera
e regressas ainda hesitante
nos meus dedos

E o amanhã pode já ter acontecido
hoje mesmo aqui, ao fim da tarde

e assim iremos enganando
as artes do futuro

E o amanhã pode já ter acontecido
hoje mesmo aqui, ao fim da tarde

e assim iremos enganando
as artes do futuro

E o amanhã pode já ter acontecido
hoje mesmo aqui, ao fim da tarde

e assim iremos enganando
as artes do futuro

Que o amanhã pode já ter acontecido
hoje mesmo aqui, ao fim da tarde

e assim iremos enganando
as artes do futuro

Letra e música: Pedro Barroso
Intérprete: Pedro Barroso
Versão original: Pedro Barroso (in CD “Artes do Futuro”, Ovação, 2017)

Eu queria unir as pedras desavindas

[ Não Me Mintas ]

Eu queria unir as pedras desavindas
escoras do meu mundo movediço
aquelas duas pedras perfeitas e lindas
das quais eu nasci forte e inteiriço

Eu queria ter amarra nesse cais
para quando o mar ameaçar a minha proa
e queria vencer todos os vendavais
que se erguem quando o diabo se assoa

Tu querias perceber os pássaros
Voar como o Jardel sobre os centrais
Saber por que dão seda os casulos
Mas isso já eram sonhos a mais

Conta-me os teus truques e fintas
Será que os Nikes fazem voar
Diz-me o que sabes não me mintas
ao menos em ti posso confiar

Agora diz-me agora o que aprendeste
De tanto saltar muros e fronteiras
Olha p’ra mim vê como cresceste
Com a força bruta das trepadeiras

Põe aqui a mão e sente o deserto
Tão cheio de culpas que não são minhas
E ainda que nada à volta bata certo
eu juro ganhar o jogo sem espinhas

Tu querias perceber os pássaros
Voar como o Jardel sobre os centrais
Saber por que dão seda os casulos
Mas isso já eram sonhos a mais

Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso
Intérprete: Rui Veloso (in filme “Jaime”, de António Pedro Vasconcelos, 1999; CD “O Melhor de Rui Veloso”, EMI-VC, 2000)

Eu toquei o Sol

[ Lencinho Azul ]

Eu toquei o Sol, beijei o luar,
Tropecei no céu e caí no chão;
Percorri o mundo e fui encontrar
À beira do mar o meu coração.

Do que eu sou
Dei-lhe o meu melhor,
Oh meu doce amor!
Oh minha paixão!

Tudo o que era meu vinha no bornal,
Dei-lhe o pão e mel, dei-lhe a minha mão,
Um lencinho azul feito em Portugal
E os versos de sal da minha canção.

Do que eu sou
Dei-lhe o meu melhor,
Oh meu doce amor!
Oh minha paixão!

Rainha de mim quando me entreguei,
Os braços me abriu num chi-coração;
Beijinhos me deu, beijinhos lhe dei:
Quantos já nem sei, mais do que um milhão.

Do que eu sou
Dei-lhe o meu melhor,
Oh meu doce amor!
Oh minha paixão!

Não saí dali, era já manhã,
Seus lábios carmim tal qual um tição;
De si me prendeu, deu-me uma maçã,
Ofereci-lhe o céu, não disse que não.

Do que eu sou
Dei-lhe o meu melhor,
Oh meu doce amor!
Oh minha paixão!

Do que eu sou
Dei-lhe o meu melhor,
Oh meu doce amor!
Oh minha paixão!

Letra: José Fanha
Música: Fernando Pereira
Intérprete: Real Companhia (in CD “Serranias”, Tê, 2013)

Façam roda

[ Conto do Bicho Papão ]

Façam roda, a ver quem vai ao meio!
Cada um com o seu par tira a pedrinha!
Sirumba, acabei eu primeiro!
Ficas tu a tapar, não dá madrinha!

Já ninguém te pergunta quantos queres
Já não ouves ninguém contar um-dó-li-tá
Afinal qual é o dedo que preferes?
Quem está livre, livre está!

Ninguém fala do homem do saco
Ninguém espreita por baixo do colchão
Já ninguém acredita na Côca
Nem no bicho papão

Salta à corda, joga à barra do lenço!
Adivinha o que eu penso, dá partida!
Falua, quem acerta na malha?
Danada da canalha está fugida!

Salta ao eixo a fugir à cabra-cega!
Olha o meu pião mas eu não to dou, não!
Onde é que anda a viuvinha que não chega
E a sardinha a dar na mão?

Ninguém fala do homem do saco
Ninguém espreita por baixo do colchão
Já ninguém acredita na Côca
Nem no bicho papão

Ai se eu pudesse habitar um jogo electrónico
Voltava a ser falado, voltava a assustar!
Imaginem lá qual não era a sensação
De uma ‘app’ com o jogo do regresso do papão!

Ninguém fala do homem do saco
Ninguém espreita por baixo do colchão
Já ninguém acredita na Côca
Nem no bicho papão

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha
Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)

Falei-te

[ Jardim de Poetas ]

Falei-te,
Sem querer, de coisas belas
Como quem abre janelas
P’ra lá do horizonte…

E havia no teu olhar firmamento
Para cem vidas por momento
Ao sabor de um mar de Inverno

E tu,
Sem saber, lá tricotavas
Um romance de palavras
Sem certezas nem futuro

E tu
Sonhavas no areal
Com um jardim de poetas
Superiores e verticais
Que, em rigor, nunca existiu

E tu,
Como se fosse há vinte anos,
Subiste ao alto das rochas
Lá, onde pousam as gaivotas
Subiste ao alto das dunas
Onde o vento, e só o vento te possuiu

Cresceu-te no peito um mar de prata
Como se eu fosse alguma vez exemplo
Como se eu fosse, acaso, alguma vez na vida
A perfeição

Mas quando te contei coisas de mim
Daquelas coisas grandes, que vêm cá de dentro
Caíste em ti do sonho e do jardim
E fiz-te então, amiga, esta canção

E tu
Inda sonhas no areal
Com um jardim de poetas
Superiores e verticais
Que, em rigor, nunca existiu

E tu,
Como se fosse há vinte anos,
Sobes ao alto das rochas
Lá, onde pousam as gaivotas
Sobes ao alto das dunas
Onde o vento te possuiu

E tu
Inda sonhas no areal
Com um jardim de poetas
Superiores e verticais
Que, em rigor, nunca existiu

E tu,
Como se fosse há vinte anos,
Sobes ao alto das rochas
Lá, onde pousam as gaivotas
Sobes ao alto das dunas
Onde o vento, e só o vento te possuiu

Poema e música: Pedro Barroso (Golegã, Novembro de 2000)
Intérprete: Pedro Barroso
Versão original: Pedro Barroso (in CD “Crónicas da Violentíssima Ternura”, Lusogram, 2001)
Outras versões: Pedro Barroso (in CD “De Viva Voz”, Lusogram, 2002); Pedro Barroso (in DVD “40 Anos de Música e Palavras: 1969-2009”, Ovação, 2009) [>> YouTube]; Pedro Barroso (in DVD “Memória do Futuro: Ao vivo no Rivoli”, Ovação, 2013)

Faz-te mar assim

[ Vals’Ilha ]

Faz-te mar assim, calmo!
Abre-me o caminho…
Guia o meu batel!

Ouço alguém chamar longe…
Pudesse eu sair
Para ver Argel!

Quero então dizer-te:
Vou p’ra bem distante,
Valsa então por mim
Aos raios de sol!

Passou tanto tempo
Do tempo que invento…
Toca-me a saudade.

Canta uma gaivota…
Vejo o mar em volta…
Dançarei contigo.

Dança esta vals’ilha
Aos raios de sol!

Letra e música: Jorge Rivotti
Intérprete: Jorge Rivotti
Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Canções de Amor Pintadas de Amarelo”, Vachier & Associados, 2010)

Fui ver se um dia te achava

[ Não Sei Nada sobre o Amor ]

Fui ver se um dia te achava no largo, na praça
Quis dizer-te, contar-te e falar-te e de hoje já não passa
Ai, mas quando te vi as palavras fugiram de mim
Parei, sentei, tanto espreitei, só me escondia de ti

Esperei que as palavras voltassem e me levassem até ti
Ai, mas por que raio espero eu aqui?
Foi então que de tanto esperar atrás do largo da praça
Decorei o sorriso mais lindo, já só quero é andar p’ra ti

Ai, mas de tanto tremer, fugiu-me o sorriso de mim
Querem ver que agora até parece que já nem sei dizer
As palavras mais lindas que guardo só por te ver?!
Ai, mas querem lá ver que contigo não sei nada sobre o amor!

Que contigo não sei nada sobre o amor!
Que contigo não sei nada sobre o amor!
Que contigo não sei nada sobre o amor!

Letra e música: Tiago Curado de Almeida
Intérprete: Pensão Flor
Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)

Há já demasiados segredos

[ O Cheiro ]

Há já demasiados segredos nos poros
para eu encher a noite
de ti mesma.

E um oceano imenso não chega
para eu contar todas as arribas deste sal.

A maresia parou, para saber coisas de ti
e eu tinha nas mãos apenas as rosas de ontem,

e não sabia nem onde
nem como
navegar-te.

De longe trouxe a fé que nem eu sabia
e deitei-me em teus leitos de alfazema e alecrim.
Recolhi quando a noite mansa já
amanhecia…
E devagar
– porque a vida nunca deixa de nos matar um pouco
em cada dia –
foi no teu regaço
que eu adormeci de mim.

E acordei inteiro por sentir o teu cheiro
na cama
e enrolei-me nos lençóis, mesmo já sem ti
de corpo inteiro.

Não quero saber de mais
nem tenho que explicar.

É este o cheiro.
Eu quero aqui ficar.
Eu quero aqui ficar.
É este o cheiro.

E acordei inteiro por sentir o teu cheiro
na cama
e enrolei-me nos lençóis, mesmo já sem ti
de corpo inteiro.

Não quero saber de mais
nem tenho que explicar.

É este o cheiro.
Eu quero aqui ficar.
Eu quero aqui ficar.
É este o cheiro.

Poema e música: Pedro Barroso
Intérprete: Pedro Barroso
Versão original: Pedro Barroso (in CD “Sensual Idade”, Ovação, 2008)
Outras versões: Pedro Barroso (in DVD “40 Anos de Música e Palavras: 1969-2009”, Ovação, 2009)

Há um caminho inseguro

[ Paixão ]

Música: Jorge Fernando
Intérprete: Mariza

Há voos de pássaros nos teus olhos

[ Poema para o Meu Amor ]

Há voos de pássaros nos teus olhos castanhos de sereia
Batuques africanos no balouçar do teu corpo de gazela
E há frutos maduros na tumidez dos teus pequenos seios
E promessas loucas na humidade dos teus lábios entreabertos

Há como um tango argentino no desafio da tua cintura estreita
Há um doce encanto no urdir das tuas trancinhas de menina
E há estranhos sortilégios escondidos nas tuas mãos de fada
E há rouxinóis magoados, tão magoados de cada vez que cantas

Há ondas de ternura neste teu jeito tão suave
E danças peruanas nas tuas ancas pela alba
Há calor dos trópicos no aperto dos teus braços tão sinceros
E uma paz das ilhas no teu macio leito de princesa

Há druidas, de novo, preparando filtros à sombra de carvalhos
E lagos privados onde nadam altivos cisnes brancos
E há luas de fajãs que riscam no mar trilhos de prata
E nascentes de água que brotam do teu riso cristalino

Letra e música: Aníbal Raposo (Praia Formosa, 2003-08-22)
Intérprete: Aníbal Raposo
Primeira versão discográfica: Aníbal Raposo (in CD “Mar de Capelo”, Açor/Emiliano Toste, 2017)

Hoje o dia foi um dia assim

[ Canção de Nanar ]

Hoje o dia foi um dia assim:
Esta sede e vontade de ti.
Se eu pudesse amar-te mais,
Bem sei que a lua ia dançar também.

Quantas horas faltam p’ra te ver
Nesta espera de aprender a ser?
Mais um som no tom do teu brilhar,
Mais um traço ao sol do teu vibrar.

Vem saber que o que vejo em ti
É sal e sopro e luz dentro de mim;
E a música da terra e ar
Ficam uma só no teu pulsar.

Se ainda não sorris, carmim,
Perdoa a minha falta de cetim!
Nas palavras que não escrevi
Vive o amor que não se escreve.

Se ainda não sorris, carmim,
Perdoa a minha falta de cetim!
Nas palavras que não escrevi
Vive o amor que não se escreve…

Mas está aqui.

Letra e música: Teresa Gentil
Intérprete: Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016)

Já pensei dar-te uma flor

[ Adivinha o quanto gosto de ti ]

Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei o que escrever.
Sinto as pernas a tremer, quando sorris p’ra mim, quando deixo de te ver.
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.

Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.

Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como hei-de te contar.
Até já fiz um avião, com um papel azul, mas voou da minha mão.
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.

Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.

Quantas vezes eu parei à tua porta.
Quantas vezes nem olhaste para mim.
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses.
Quanto é que eu gosto de ti.

Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.

Quantas vezes eu parei à tua porta.
Quantas vezes nem olhaste para mim.
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses.
Quanto é que eu gosto de ti.

Gosto de ti, desde aqui até à lua.
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto.
E é tão bom viver assim.

André Sardet

Lá na festa da aldeia

Lá na festa da aldeia,
Debaixo da cameleira,
Convidaste-me a dançar:
Tamanha era a borracheira
Que no adro da igreja
Nos chegámos a casar.

No nariz, sinal de perigo,
Quem dorme contigo
Má sorte vai enfrentar:
Mas na festa da aldeia,
Com as vizinhas na soleira,
Eu fui-me enamorar.

Peço aos dias tempo emprestado
P’ra apagar esta recordação;
Na frase sem predicado
Há vírgulas sem cuidado
Entre o sujeito e o coração.

Entre o sujeito e o coração.

Lá na festa da aldeia,
Debaixo da cameleira,
A saia sempre a rodar:
A tua mão que se esgueira
Debaixo da pregadeira…
Eu vermelha, a corar.

No banco, dívidas, assombros;
Fiado não vais em ombros;
Fim do mês, falta-te o ar;
Debaixo da cameleira
Foi grande a ciumeira,
Começámos a namorar.

Peço aos dias tempo emprestado
P’ra apagar esta recordação;
Na frase sem predicado
Há vírgulas sem cuidado
Entre o sujeito e o coração.

Entre o sujeito e o coração.

Mas na festa da aldeia,
Tu de mão na algibeira,
Nós chegámos a casar:
Porque na festa da aldeia
Debaixo da cameleira
Tu puseste-me a dançar.

Peço aos dias tempo emprestado
P’ra apagar esta recordação;
Na frase sem predicado
Há vírgulas sem cuidado
Entre o sujeito e o coração.

Entre o sujeito e o coração.

Letra: Filipa Martins
Música: Rogério Charraz
Arranjo: João Balão
Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)

Lindos olhos tem Silvina

[ Ai Silvina, Silvininha ]

Lindos olhos tem Silvina,
lindas mãos Silvina tem,
e a cintura da Silvina
é fina como o azevém.

Em Silvina tudo exala
um cheiro de coisa fina,
mas o que a nada se iguala
é a fala da Silvina.

— Porque não cantas, Silvina?
Se a tua voz é tão doce
talvez cantada que fosse
mais doce que a glicerina.

— Não me apetece cantar
e muito menos p’ra ti.
Eu sou nova, tu és velho,
já não és homem p’ra mim.

— Não me tentes, Silvininha,
que eu já nem te olho a direito.
Sou como um ladrão escondido
na azinhaga do teu peito.

— A azinhaga do meu peito
corre entre duas colinas.
E o ladrão do meu amor
tem pé leve e pernas finas.

— Canta, canta, Silvininha,
como se fosse p’ra mim.
Dar-te-ei um lençol de estrelas
e uma enxerga de alecrim.

— Deixa o teu corpo estendido
à terra que o há-de comer.
A tua cama é de pinho,
teus lençóis de entristecer.

— Canta, canta, Silvininha,
uma canção só p’ra mim.
Dar-te-ei um escorpião de oiro
e um aguilhão de marfim.

— Não quero o teu escorpião,
nem de oiro nem de prata.
Quero o meu amor trigueiro
que é firme e não se desata.

— Pois não cantes, Silvininha,
se essa é a tua vontade.
Canto eu, mesmo assim velho,
que o cantar não tem idade.

Hás-de ser tu morta e fria,
cem anos se passarão,
já de ti ninguém se lembra
nem de quem te pôs a mão.

Mas sempre há-de haver quem canta
os versos desta canção:
Ai Silvina, ai Silvininha,
Amor do meu coração.

Letra: António Gedeão (adaptado)
Música: Alain Oulman
Intérprete: Camané (in 2CD “Camané: O Melhor 1995-2013 (Edição Especial)”: CD 1, EMI, 2013)
Versão original (música de José Barros): José Barros e Navegante com Verónica (in CD “Rimances”, JBN, 2001)
Outra versão de José Barros e Navegante, com Isabel Silvestre (in DVD “Cantares do Povo Português”, Ocarina, 2012)

Menina das tranças negras

[ Os Olhos com que Eu te Vejo ]

Menina das tranças negras
Levanta a cara bonita
Que se o caminho tem pedras
A esperança é infinita
Menina das tranças negras
Ai ai, larai, lai ai

Menina dos meus encantos
Princesa do meu destino
Os meus anseios são tantos
Que o meu fado é um desatino
Menina dos meus encantos
Ai ai, larai, lai ai

Mal-me-quer ou bem-me-quer
Muito, pouco ou nada
Eu só quero tudo
O que o amor quiser
Diga o mundo o que disser
Muito, pouco ou nada
Bem-me-queres tudo
Nada mal-me-quer

Senhora dos olhos tristes
Objecto do meu desejo
Eu sei que nunca te vistes
Nos olhos com que eu te vejo
Menina dos olhos tristes
Ai ai, larai, lai ai

Mal-me-quer ou bem-me-quer
Muito, pouco ou nada
Eu só quero tudo
O que o amor quiser
Diga o mundo o que disser
Muito, pouco ou nada
Bem-me-queres tudo
Nada mal-me-quer
Menina dos olhos tristes
Ai ai, larai, larai, lai ai

Mal-me-quer ou bem-me-quer
Muito, pouco ou nada
Eu só quero tudo
O que o amor quiser
Diga o mundo o que disser
Muito, pouco ou nada
Bem-me-queres tudo
Nada mal-me-quer

Letra: J.J. Galvão (José João Oliveira Galvão)
Música: Rui Filipe Reis
Intérprete: Rosa Negra (in CD “Fado Mutante”, iPlay, 2011)

Meu amor disse que eu tinha

[ Cantiga de Seguir ]

Meu amor disse que eu tinha
Uns olhos como gaivotas
E uma boca onde começa
O mar de todas as rotas.

O mundo dá tanta volta;
Quem dera que fora assim
E que, numa dessas voltas,
Tu viesses para mim.

Sei que ele um dia virá,
Assim muito de repente,
Como se o mar e o vento
Nascessem dentro da gente.

Letra: Manuel Alegre (1.ª e 3.ª quadras) e Francisco Menano
Música: Ricardo Ribeiro e Pedro Caldeira Cabral
Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Largo da Memória”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013)

Meu Amor Eterno

Meu Amor Eterno,
Doce verde olhar,
Ilumina o meu caminho!
Acompanha o meu andar!

Meu Amor Eterno,
Mãos de acarinhar,
Segura no teu menino!
Ajuda-me a continuar!

Meu Amor Eterno,
Fada do meu lar,
Alimenta-me a saudade!
Sacia o meu paladar!

Meu Amor Eterno,
Cordão de umbilicar,
Relembra-me do teu cheiro!
Não me deixes de cantar! [bis]

Ema te fez,
Deus te criou,
Paulo te abriu,
José completou.

“Morrer por morrer!”,
Disseste-o assim;
Da tua coragem
Tiveste-me a mim.

Meu Amor Eterno,
Cordão de umbilicar,
Relembra-me do teu cheiro!
Não me deixes de cantar! [3x]

Letra: Rogério Charraz (dedicada à sua Mãe)
Música: Rogério Charraz e Júlio Resende
Arranjo: Júlio Resende
Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)

Meu amor, meu amor

[ Ó Meu Amor ]

Meu amor, meu amor,
Se tu fores,
Leva meu ser!
Meu ser, amor!

Ó meu amor, se tu fores,
Leva-me, podendo ser!
Eu quero ir acabar
Onde tu fores morrer.

Eu hei-de morrer cantando,
Já que chorando nasci,
Já que as glórias deste mundo
Se acabaram p’ra mim.

Letra e música: Tradicional (Fundão, Beira Baixa)
Arranjo: José Manuel David
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Primeira versão: Brigada Victor Jara – “Tosquia” (in LP “Monte Formoso”, MBP, 1989, reed. Farol Música, 1996; Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: CD “Monte Formoso”, Tradisom, 2015)

Brigada Victor Jara, Monte Formoso
Brigada Victor Jara, Monte Formoso

Na Rua dos Meus Ciúmes

Na rua dos meus ciúmes,
Onde eu morei e tu moras,
Vi-te passar fora de horas
Com a tua nova paixão;
De mim não esperes queixumes
Quer seja desta ou daquela,
Pois sinto só pena dela
E até lhe dou meu perdão…
Na rua dos meus ciúmes
Deixei o meu coração.

Inda que me custe a vida,
Pensarei com ar sereno
Que esse teu ombro moreno
Beijos de amor vão queimar;
Saudades são fé perdida,
São folhas mortas ao vento
Que eu piso sem um lamento
Na tua rua, ao passar…
Inda que me custe a vida,
Não hás-de ver-me chorar.

Na rua dos meus ciúmes
Deixei o meu coração.

Letra: Nelson de Barros (para a revista “A Vida É Bela”, 1960, Teatro Capitólio)
Música: Frederico Valério
Intérprete: Rua da Lua (in CD “Rua da Lua”, Rua da Lua, 2016)
Versão original: Helena Tavares (in EP “Rua dos Meus Ciúmes”, Alvorada, 1960; CD “Helena Tavares”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 7, Movieplay, 1994; CD “Helena Tavares”, col. Clássicos da Renascença, vol. 51, Movieplay, 2000)

Nas coisas do amor

[ Quando a Lua Voltar a Passar ]

Nas coisas do amor
É melhor nem entender
Não é fácil perceber
O que o amor tem p’ra dar ou não
E pode ser duro
É deixar acontecer

Malmequer de bem-querer
Ninguém pode adivinhar
Eu sei que não
Nem precisa de razão
Não é bem um sim ou não
É uma carta bem fechada

Não há-de ser nada
Vai passar e tu nem vês
É levar a vida
Um dia de cada vez
E se calhar tu já nem te vais lembrar
E vai ser já quando a Lua voltar a passar

Vou acreditar que amanhã vai ser melhor
Eu conheço até de cor
O que o amor vai fazer talvez nem sei
Ainda bem que acreditei
Não faz mal se eu arrisquei
E fui bater à porta errada

Não há-de ser nada
Vai passar e tu nem vês
É levar a vida
Um dia de cada vez
E se calhar tu já nem te vais lembrar
E vai ser já quando a Lua voltar a passar

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha*
Primeira gravação discográfica: Sebastião Antunes & Quadrilha com Rubi Machado & Rão Kyao (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Rubi Machado

Não encontro o teu perfume

[ À Procura de um Perfume ]

Não encontro o teu perfume
Em jardim algum…
Vou plantá-lo aqui mesmo ao lado,
Juntinho a mim!

Não entendo o caminho
Que chega ao pé de ti…
Só sei que um tal destino
Far-me-á chegar aí.

Caminhando vago,
Na rua aqui ao lado,
Encontrei-te enfim!

Aproximei-me de ti…
“Não adies mais o destino!”,
Pensei eu cá só p’ra mim.

Letra e música: Jorge Rivotti
Intérprete: Jorge Rivotti
Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Canções de Amor Pintadas de Amarelo”, Vachier & Associados, 2010)

Não sei por que razão

[ Não Rias ]

Não sei por que razão te quero tanto
E é louco por ti meu coração;
Não sei por que razão este meu pranto
Só riso te provoca, sem razão.

Não rias, meu amor,
Da minha grande dor!
Não rias, por favor, do meu sofrer!
Tem cuidado comigo:
Talvez p’ra teu castigo
A sorte à minha porta vá bater.

Podes passar na vida sem cuidados
E fazer juras a mentir;
Mas olha, meu amor, estás enganada:
A vida não é só levada a rir.

Não rias, meu amor,
Da minha grande dor!
Não rias, por favor, do meu sofrer!
Tem cuidado comigo:
Talvez p’ra teu castigo
A sorte à minha porta vá bater.

Não rias, meu amor,
Da minha grande dor!
Não rias, por favor, do meu sofrer!
Tem cuidado comigo:
Talvez p’ra teu castigo
A sorte à minha porta vá bater.

Letra: Ivete Pessoa
Música: Armando Machado (Fado Tertúlia)
Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Largo da Memória”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013)
Versão original: Ivete Pessoa [?]

Não te ver nos meus braços

[ Beijo ]

Não te ver nos meus braços
Por não te ver nos meus braços, meu amor,
Pedi aos rios do meu pranto
Que te levassem do meu canto

Por não te ver nos meus braços
Por não te ver nos meus braços
Pedi aos rios do meu pranto
Que te levassem do meu canto

Mas as marés do teu jeito
Essas marés do teu beijo
Que me agitam o peito
Que me habitam o leito
Só me desfazem o peito
Com esse teu beijo perfeito

Por não te ver nos meus braços
Por não te ver nos meus braços
Despi o corpo do teu cheiro
Lavei a pele do teu beijo

Mas as marés do meu peito
Essas marés do meu peito
Vestiram-me o teu desejo
Levaram-me ao teu leito
Quero esquecer-te a qualquer jeito
Mas tenho um beijo cravado no peito

Mas as marés do meu peito
Essas marés do meu peito
Vestiram-me o teu desejo
Levaram-me ao teu leito
Quero esquecer-te a qualquer jeito
Mas tenho um beijo cravado no peito

Letra e música: Tiago Curado de Almeida
Intérprete: Pensão Flor
Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)

Nos teus braços

Intérprete: Cuca Roseta

Nunca Marta pressentiu

[ Marta Encruzilhada ]

Nunca Marta pressentiu
A reboque bem sentada
Que o trilho que faz um desvio
Fosse dar à sua estrada

Nunca o sol a torriscou
Nunca à chuva foi molhada
Nunca ao vento esteve ao frio
E nunca a pé foi pela estrada

E nunca o bem esteve tão mal
E nunca o mal veio de frente
Não se faz vida do nada
Não se faz do nada gente

E não se faz do nada gente

E nesse trilho com desvio
O seu reboque não passava
E nunca antes Marta sentiu
E nunca a pé foi pela estrada

E nunca o sol a torriscou
E nunca à chuva foi molhada
E nunca ao vento esteve ao frio
E nunca a pé foi pela estrada

E nunca o bem esteve tão mal
E nunca o mal veio de frente
E não se faz vida do nada
E não se faz do nada gente

E não se faz do nada gente
E não se faz…

E nunca o sol a torriscou
Nunca à chuva foi molhada
Nunca ao vento esteve ao frio
E nunca a pé foi pela estrada

E nunca o bem esteve tão mal
E nunca o mal veio de frente
E não se faz vida do nada
E não se faz do nada gente

E nunca o sol a torriscou
Nunca à chuva foi molhada
Nunca ao vento esteve ao frio
E nunca a pé foi pela estrada

E nunca o bem esteve tão mal
E nunca o mal veio de frente
Não se faz vida do nada
E não se faz do nada gente

Letra e música: Luís Pucarinho
Intérprete: Luís Pucarinho* (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)

Oh meu amor

[ Um Anjo em Meu Lugar ]

Oh meu amor… tu não vás
Que se tu fores já não há
Nem rosas no meu jardim
Nem sonhos dentro de mim

Ai! Minha dor não tem fim
Se o desamor for sempre assim
Por cada dia esperar
Até o Sol se apagar

Olha, olha o meu olhar
E nele hás-de ver
Que eu só canto este fado
Para não esquecer

E se uma noite sem luar
A tua fé quebrar
Espera um pouco que há-de vir
Um anjo em meu lugar

Amor, amor divino
Vai, vai em liberdade
Que o teu breve destino
É ir com a saudade

Olha, olha o meu olhar
E nele hás-de ver
Que eu só canto este fado
Para não esquecer

Letra: J.J. Galvão (José João Oliveira Galvão)
Música: Rui Filipe Reis
Intérprete: Rosa Negra com Cramol (in CD “Fado Mutante”, iPlay, 2011)

Olha, basta uma nota

[ Basta Um Sorriso ]

Olha, basta uma nota
P’ra dizer que te quero
Um compasso sem tempo
P’ra ver o que ainda espero
Sabendo eu que não vens
Sabendo tu que não me tens

Olha, trago uma ferida
A queimar nos meus lábios
Um pedaço sem cor
Uma ferida aberta
Um gosto imenso de ti
Vais dizendo que não queres
Vais fugindo de manhã
E vais mentindo ao dizer…:
São precisas duas mãos
Para se agarrar um coração

Olha, basta uma nota
P’ra dizer que te quero
Um compasso sem tempo
P’ra ver o que ainda espero
Sabendo eu que não vens
Sabendo tu que não me tens

Diz-me: porque me olhas assim
Quando os corpos não se encontram
Porque choras assim
Se o teu corpo só reclama de paixão
Vais dizendo que não queres
Vais fugindo de manhã
E vais mentindo ao dizer…:
Basta um sorriso para não dizer adeus
Meu amor, basta um sorriso para não dizer adeus [bis]

Letra e música: Tiago Curado de Almeida
Intérprete: Pensão Flor
Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)

Pedes-me o respeito

[ Tenho Tanto p’ra te Dar ]

Pedes-me o respeito
E eu dou
Pedes-me a coragem
E eu sou
Pedes-me o amor
E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar

Pedes-me a confiança
E eu dou
Pedes-me a esperança
E eu sou
Pedes-me o amor
E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar

Tenho tanto p’ra te dar
No meu canto de amar
Terei sempre na minha voz
A memória do grande que somos nós

Pedes-me a vontade
E eu dou
Pedes-me a unidade
E eu sou
Pedes-me o amor
E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar

Pedes-me a alegria
E eu dou
Pedes-me a harmonia
E eu sou
Pedes-me o amor
E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar

Tenho tanto p’ra te dar
No meu canto de amar
Terei sempre na minha voz
A memória do grande que somos nós

Pedes-me a paciência
E eu dou
Pedes-me a consciência
E eu sou
Pedes-me o amor
E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar

Letra e música: Luís Galrito
Intérprete: Luís Galrito* com Dino d’ Santiago (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)

Pelo fim da tarde

[ Nem Sequer Dei Por Isso ]

Pelo fim da tarde tu sais do emprego
E eu não sei porque é que aqui vim parar
É assim um desassossego
Tento ir sempre onde possas estar

Por sorte tu até sorris
E nem sequer me vens com muitos ‘porquês’
E dizes com um certo ar feliz:
“Com que então, por aqui outra vez?”

Num parque ao domingo
P’lo meio da cidade
Ou num café ao entardecer

Será que é mentira?
Será que é verdade?
Mas o que é que me está acontecer?

Já sei! Não há explicação
A cabeça está num reboliço
Se calhar apaixonei-me por ti
E nem sequer dei por isso

Ao virar da esquina, em qualquer transporte
Acabamos sempre por nos cruzar
E eu acho um caso de sorte
Cada vez que te posso encontrar

Está-me a correr bem, já ganhei o dia
Só porque me dissestes um “olá!”
E gosto da tua ironia
Se perguntas mais uma vez: “Por cá?”

Mensagem trocada, gesto embaraçado
Lá vou eu outra vez a planar
Desculpa, desculpa! Foi número errado
Mas ficamos uma hora a falar

Já sei! Não há explicação
A cabeça está num reboliço
Se calhar apaixonei-me por ti
E nem sequer dei por isso

Tanto melhor quando não se espera
E era bom que fosse como imaginei

Já sei! Não há explicação
A cabeça está num reboliço
Se calhar apaixonei-me por ti
E nem sequer dei por isso

Já sei! Não há explicação
A cabeça está num reboliço
Se calhar apaixonei-me por ti
E nem sequer dei por isso

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* (ao vivo no Estúdio 3 da Rádio e Televisão de Portugal, Lisboa)
Versão original: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)

Por não te ver nos meus braços

[ Beijo ]

Por não te ver nos meus braços
Por não te ver nos meus braços, meu amor,
Pedi aos rios do meu pranto
Que te levassem do meu canto

Por não te ver nos meus braços
Por não te ver nos meus braços
Pedi aos rios do meu pranto
Que te levassem do meu canto

Mas as marés do teu jeito
Essas marés do teu beijo
Que me agitam o peito
Que me habitam o leito
Só me desfazem o peito
Com esse teu beijo perfeito

Por não te ver nos meus braços
Por não te ver nos meus braços
Despi o corpo do teu cheiro
Lavei a pele do teu beijo

Mas as marés do meu peito
Essas marés do meu peito
Vestiram-me o teu desejo
Levaram-me ao teu leito
Quero esquecer-te a qualquer jeito
Mas tenho um beijo cravado no peito

Mas as marés do meu peito
Essas marés do meu peito
Vestiram-me o teu desejo
Levaram-me ao teu leito
Quero esquecer-te a qualquer jeito
Mas tenho um beijo cravado no peito

Letra e música: Tiago Curado de Almeida
Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)

Por que voltas de que lei

Letra: Amália Rodrigues
Música: Mário Pacheco
Intérprete: Maria Ana Bobone

Porque sou o cavaleiro andante

[ Cavaleiro andante ]

Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou

Sempre que a rádio diga
Que a América roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau

Porque teimas nesta dor

Letra: José Luís Gordo
Música: Carlos Gomes
Intérprete: Ana Moura

Que bom dar-te a mão

[ Balada para o Meu Amor ]

Que bom dar-te a mão
e juntos para crer
fazer o coração e a senda
de viver no perdão
e no amor
E ao ver-te chegar
com sonhos p’ra me dar
de calma e silêncio vindo
que seja bem-vindo
o meu amor

Existe e ficou aqui
encostado ao meu ombro
Prometeu cuidar de mim
O meu amor está sempre do meu lado
quando a vida atira e queima
e na luta saio magoado

Porta que teima abriu
do paraíso um ser sorriu
e a Eva no jardim resiste
à culpa do pecado que não existe
Trouxe a luz e eis que ensina
que há um braço que segura
na água mole na pedra dura
no bem e no mal o amor perdura

Existe e ficou aqui
encostado ao meu ombro
Prometeu cuidar de mim
O meu amor está sempre do meu lado
quando a vida atira e queima
e na luta saio magoado

Letra e música: Luís Galrito
Intérprete: Luís Galrito (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)

Rasga esses versos

[ Os Meus Versos ]

Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…

Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…

Poema: Florbela Espanca (in Reliquiae, 1934)
Música: Paulo Valentim
Intérprete: Kátia Guerreiro (in CD “Nas Mãos do Fado”, Ocarina, 2003)

Roubei-te um beijo

Roubei-te um beijo,
Não querias dar;
Estou muito triste,
Mas por ti não vou chorar.

Não vou chorar,
Não vou sofrer;
Estou muito triste,
Mas por ti não vou morrer.

Estou d’abalada,
Vou para terras de Espanha;
Tu não me queres,
Aqui mais ninguém me apanha.

Ninguém me apanha,
Já cá não está quem sofria;
Meu lindo Amor,
Tu hás-de chorar um dia.

Tristes lamúrias
Do rouxinol
Enchem minh’alma
Do nascer ao pôr-do-sol.

Ao pôr-do-sol,
À luz da lua,
Não há no mundo
Cara mais linda que a tua.

Estou d’abalada,
Vou para terras de Espanha;
Tu não me queres,
Aqui mais ninguém me apanha.

Ninguém me apanha,
Já cá não está quem sofria;
Meu lindo Amor,
Tu hás-de chorar um dia.

Roubei-te um beijo,
Foi por paixão;
Vê lá, não digas a ninguém
Que eu sou ladrão!

Que eu sou ladrão
Apaixonado!
Meu lindo amor,
Quero viver a teu lado!

Estou d’abalada,
Vou para terras de Espanha;
Tu não me queres,
Aqui mais ninguém me apanha.

Ninguém me apanha,
Já cá não está quem sofria;
Meu lindo Amor,
Tu hás-de chorar um dia.

Letra e música: Armando Torrão
Intérprete: Celina da Piedade (in 2CD “Em Casa”: CD 2, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)

Celina da Piedade
Celina da Piedade, Roubei-te um beijo

Sem ser ainda

[ Portal dos Ventos ]

Sem ser ainda
Um mal que finda,
Portal dos Ventos
De um outro… Amor!

Marés que passam,
Luas que mudam,
E os dias correm
Ao teu… Sabor!

E se o silêncio
Navega calmo,
Mais calmo fica
O teu… Calor!

À luz de agora
Aquece a alma,
E o Vento aperta
O teu… Sabor!

Sei que os teus medos
São raios de seda,
E que os segredos
Não há quem os traga…

Mas, os teus olhos
Não fogem dos meus,
Cantam segredos
À luz de um amor…

De um amor…

Sem ser ainda…
E se o silêncio…
Sei que os teus medos…

Sei que os teus medos
São raios de seda,
E que os segredos
Não há quem os traga…

Mas, os teus olhos
Não fogem dos meus,
Cantam segredos
À luz de um amor…

De um amor…

Letra: José Flávio Martins
Música: António Pedro
Intérprete: Musicalbi
Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)

Musicalbi, Solidão e Xisto
Musicalbi, Solidão e Xisto

Subir, Subir

Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir
Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir

Mensageiros de Cupido
Eu ando deprimido
Intercedei por mim ao vosso Deus!
Estou de amores com uma catraia
Que p’ra subir a saia
Exige grandes sacrifícios meus

Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir
Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir

Levantei velas à barca
Mas a brisa era parca
Nem deu para agitar o meu corcel
Assim nunca mais te chego
A ter no aconchego
Tirar-te dessa ilha de papel

Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir
Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir

Fiz consulta a feiticeiros
E santos padroeiros
Deixei bruxeiros de cabeça à toa
Findei o consultamento
E como rendimento
Saíram-me (imaginem!) os Gaiteiros de Lisboa

Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir
Subir, subir
lnd’ hei-de conseguir
Morder-te, ó cachopa,
Por dentro do teu vestir

Letra e música: Mário Alves (Vozes da Rádio)
Intérprete: Gaiteiros de Lisboa
Versão discográfica ao vivo dos Gaiteiros de Lisboa, com Vozes da Rádio (in 2CD “Dançachamas: Ao Vivo”: CD 1, Farol Música, 2000)
Versão original: Vozes da Rádio com Gaiteiros de Lisboa (in CD “Mappa do Coração”, Ariola/BMG Portugal, 1997)

Sábado à noite

[ Primavera ]

Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci

Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti

E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim

Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir…
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz…

Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui…

Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só

Intérprete: The Gift

Tenho uma rosa p’ra ti

[ Tangerina dos Algarves ]

Tenho uma rosa p’ra ti
Tenho uma rosa encarnada
Tenho uma rosa no mar
Tenho uma rosa molhada
Circula a noite no tempo
sobre as nossas gargalhadas
Tenho uma rosa p’ra ti
Tenho uma rosa encarnada

Vou sonhar com o teu olhar
oceano de água e mar

Vou fugir com o teu olhar
oceano de água e mar
sobre o mistério

Vou fugir com o teu olhar
oceano de água e mar
sobre o mistério

Em castelos de areia
eu escrevi um nome ao lado
Foi por ti que conheci
a tangerina dos Algarves

Em castelos de areia
eu escrevi um nome ao lado
Foi por ti que conheci
a tangerina dos Algarves

Anda o Sol por trás da serra
Há cheiro a funcho queimado
E este abanão duma vaga
que chega sem avisar

Vinho rubro a navegar
por segredos do Universo
Desfolho a rosa no rio
p’ra te oferecer com um verso

Vou sentir o teu sabor
oceano de água e mar

Vou sentir com o teu sabor
oceano de água e flor
de tangerina

Vou sentir com o teu sabor
oceano de água e flor
de tangerina

Em castelos de areia
eu escrevi um nome ao lado
Foi por ti que conheci
a tangerina dos Algarves

Em castelos de areia
eu escrevi um nome ao lado
Foi por ti que conheci
a tangerina dos Algarves

Letra e música: João Afonso Lima
Intérprete: João Afonso (in CD “Barco Voador”, Mercury/Universal Music Portugal, 1999; CD “João Afonso: A Arte e a Música”, Universal Music Portugal, 2004)

Trago um jardim no sentido

[ Jardim dos Sentidos ]

Trago um jardim no sentido,
Por ter sentido o que sinto:
Amor que não faz sentido
Num coração louco e faminto.

No jardim do meu sentido
Nascem cravos cardinais;
Também eu nasci no mundo
P’ra te querer cada vez mais.

No jardim do rei há rosas,
Também há malvas de cheiro;
Não há luz como a do dia,
Nem amor como o primeiro.

Coração louco e faminto,
Rosa que tenho sentido;
Jardim que anda perdido,
Por ter sentido o que sinto.

No jardim do meu sentido
Nascem cravos cardinais;
Também eu nasci no mundo
P’ra te querer cada vez mais.

No jardim do rei há rosas,
Também há malvas de cheiro;
Não há luz como a do dia,
Nem amor como o primeiro.

Por ter sentido o que sinto,
Amor que não faz sentido
Jardim que anda perdido,
Trago um jardim no sentido.

No jardim do meu sentido
Nascem cravos cardinais;
Também eu nasci no mundo
P’ra te querer cada vez mais.

No jardim do rei há rosas,
Também há malvas de cheiro;
Não há luz como a do dia,
Nem amor como o primeiro.

Trago um jardim no sentido…

Letra e música: Pedro Mestre
Intérprete: Pedro Mestre com António Zambujo (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)
Outra versão de Pedro Mestre, com António Zambujo (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)

Tu e eu meu amor

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima a correr
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Poema: Manuel da Fonseca (De “Poemas Inéditos”, in “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 179-180)
Música: Paulo Ribeiro
Intérprete: Paulo Ribeiro com Ana Lúcia Magalhães (in CD “O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis”, Açor/Emiliano Toste, 2017)

Paulo Ribeiro

Paulo Ribeiro

Vem

Vem no vento que envolve a montanha
E lhe esculpe grutas e segredos
Que a cinge e a estreita nas fragas
Vem nas silvas que rasgam os dedos

Como a rocha que na costa aguarda
A tal onda que explode ao morrer
Chicoteando do mar os penhascos
Por mais ásperos que pareçam ser

Vem cantando na verde campina
Terra-mãe de onde nasce o pão
Ondulante seara menina
Como as crinas dos cavalos que vão

Como criança pela mão do avô
Vai para a escola no dia primeiro
Passo a passo alcançar o futuro
Destrinçar o saber verdadeiro

Vem nos braços da rua a cidade
Se for praça de causas perfeitas
E o coração te falar mais verdade
Que as palavras dos outros, tão estreitas

Vem-me aos braços, que eu não me envergonho
Planta o mundo todo qu’inda houver
Traz a alma, que eu trago o meu sonho
E o espanto pode acontecer

Letra e música: Pedro Barroso («Dedicado à minha neta Constança, em nome do Futuro»)
Intérprete: Pedro Barroso*
Versão original: Pedro Barroso (in CD “Artes do Futuro”, Ovação, 2017)

Vem, quero beijar-te o corpo

[ Profano ]

Vem, quero beijar-te o corpo
Quero provar-te o gosto
Quero rasgar-te a pele
Soltar-te o corpo em mim

Que te faço tão profano
Soldado do meu ventre
Que emudece à minha frente
As regras deste amor

Vem pedir-me a preceito
Que te possua em desejo
Que te consuma nesse leito
E desse jeito que é teu

Quando me devoras os sentidos
E me pedes aos ouvidos
Que te amarra, te prenda,
Te bata, te faça assim mulher vulgar

Vem beijar este meu corpo
Vem provar deste meu gosto
Vem rasgar esta pele
E soltar-me o corpo em ti

Que me faço tão profana
Desejo desse teu corpo
Que emudece à tua frente
As regras deste amor

Quero pedir-te a preceito
Que me consumas em desejo
Que me consumas nesse leito
E desse jeito que é teu

Que me devoras os sentidos
Quero pedir-te aos ouvidos
Que me amarres, me prendas,
Me batas, me faças assim mulher vulgar

Letra e música: Tiago Curado de Almeida
Intérprete: Pensão Flor* (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)

Vi-te dum vermelho antigo

[ A Minha Cor (Vermelho Antigo) ]

Vi-te dum vermelho antigo,
Trazias a minha cor;
Meus olhos foram contigo
E alguém disse que era amor.

Cor de sangue aveludado,
Cor de seda ou de cetim,
Cor de vinho ou de pecado:
Foi a cor que viste em mim.

De fadista só me viste
Um olhar estranho e sombrio:
Não era ardente nem triste,
Não era vago nem frio.

Tua voz, cor de cantiga,
Espalhava de mãos cheias
Um sabor a raça antiga
Que salta nas minhas veias.

Fosse sede ou fosse amor,
Que importa o que foi, enfim?
Trazias a minha cor,
Nada mais contou p’ra mim.

Letra: Manuel Andrade
Música: Pedro Rodrigues (Fado Pedro Rodrigues de Quadras)
Intérprete: Marta Pereira da Costa* com Hélder Moutinho
Versão discográfica de Hélder Moutinho (com música de Joaquim Campos – Fado Amora) (in CD “Sete Fados e Alguns Cantos”, Ocarina, 1999)
Versão original: João Braga (in EP “Janeiro Proibido”, Aquila, 1968; “Todos os Fados de A a Z: Vol. 12 – Fado Pajem ao Fado Pintadinho”, Movieplay/Visão, 2005; CD “João Braga: Álbum de Recordações”, Alma do Fado/Home Company, 2006)

Volta e meia estou de volta

[ Fado às Voltas ]

Volta e meia estou de volta,
volta e meia já não estou;
quem me quis à rédea solta
foi quem comigo ficou.

Quem, em troca de carinho,
quis prender-me o coração
ficou a falar sozinho
nas voltinhas do Marão.

Quantas voltas dá o mundo
P’ra ensinar que a verdade
é que a vida é um segundo
aos olhos da eternidade?

Vamos lá: é volta e meia
cada qual escolhe o seu par!
Que eu posso mudar de ideia,
antes da volta acabar.

Volta e meia estou de volta,
volta e meia já não estou;
quem me quis à rédea solta
foi quem comigo ficou.

Letra: Tiago Torres da Silva
Música: Alberto Costa (Fado Dois Tons)
Intérprete: Cristina Nóbrega
Versão original: Cristina Nóbrega (in CD “Um Fado para Fred Astaire”, Watch & Listen, 2014)

Cristina Nóbrega
Cristina Nóbrega

Canções de adeus

Letras

Disse-te adeus e morri

Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos,
Roubaram dos meus sentidos,
A gaivota que tu és.

Gaivota de asas paradas,
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.

Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas.
Pois, na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste?
Meu amor, como demoras!

Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas.
Pois, na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste?
Meu amor, como demoras!

Letra: Vasco de Lima Couto
Música: José António Sabrosa
Intérprete: Cristina Branco (in CD “Corpo Iluminado”, Universal, 2001)
Versão original: Amália Rodrigues (in “Vou Dar de Beber à Dor”, Columbia/VC, 1969; reed. EMI-VC, 1992)

Disse-te adeus

Disse-te adeus, não me lembro
Em que dia de Setembro
Só sei que era madrugada
A rua estava deserta
E até a lua discreta
Fingiu que não deu por nada

Sorrimos à despedida
Como quem sabe que a vida
É nome que a morte tem
Nunca mais nos encontrámos
E nunca mais perguntámos
Um p’lo outro a ninguém

Que memória ou que saudade
Contará toda a verdade
Do que não fomos capazes
Por saudade ou por memória
Eu só sei contar a história
Da falta que tu me fazes

Letra: Manuela de Freitas
Música: Frederico de Brito (Fados dos Sonhos)
Intérprete: Camané (in CD “Uma Noite de Fados”, EMI-VC, 1995)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

Gostei desse amor

[ Disse-te Adeus e Sorri ]

Gostei desse amor, fui pedra!
Fui um vento de revolta…
Amei sem fronteira, fui serra!
Fui montanha que se acorda…

Muralhas de amor e de saudade
São rios de beijo e de vontade;
Adeus ao sorrir, não morro,
Sofro apenas a minha verdade…

Foi nesse adeus,
De corpo alado:
Beijos tão meus
Fogem em meu fado!

Será teu adeus verdade?
Ou será apenas lenda?
Sou eu quem te digo:
Saudade num caminho sem legenda!…

Vestiste teu manto de seda
Num vento de leda ansiedade;
Certezas não há quem tenha,
Só sei que este amor é verdade!…

Foi nesse adeus,
De corpo alado:
Beijos tão meus
Fogem em meu fado!

Se nada disseste,
Eu nada te disse;
Foi porque quiseste
Este fim tão triste!…

Foi nesse adeus,
De corpo alado:
Beijos tão meus
Fogem em meu fado!

Se nada disseste,
Eu nada te disse;
Foi porque quiseste
Este fim tão triste!…

Letra e música: José Flávio Martins
Intérprete: Senhor Vadio (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013)

Senhor Vadio
Senhor Vadio

Canções à lua

Letras

Anoiteceu no meu olhar

[ Garça Perdida ]

Anoiteceu no meu olhar
de feiticeira, de estrela do mar,
de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.

Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar…

Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim,
o mar, a terra inteira!

E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar
e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar…

Então, voltarei a cruzar
este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar
à volta da terra inteira!

Ninhos faria de lua cheia
e depois, dormiria na areia…

Letra: João Mendonça
Música: Leonardo Amuedo
Intérprete: Dulce Pontes (in CD “O Primeiro Canto”, Polydor, 1999)

Branca era a noite

[ Uma Estrela no Sul ]

Branca era a noite
Uma estrela no sul
A lua cheia
Num céu tão azul
Rendas de espuma no mar, dando à costa um abraço
E este meu coração a bater a compasso…

Que morra o dia
Pois a noite é irmã
Voos tão altos
Na minha fajã
Quero reter essa luz, são momentos escassos
Depois recolher ao meu quarto e apertar-te nos braços

Ai meu amor
Escuta a minha voz
Pensando bem
Quem está como nós?
Grande é o mundo
Tantas vezes bisonho
Mas tão pequeno
Comparado com o sonho…

Branca era a noite
E era roxa a saudade
Dos dias longos…
Que é da mocidade?
Os olhos rasos em águas de recordações
Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções

Corre agitada
Esta vida maruja
Águas serenas
Piares de coruja
Há nesta noite tranquila uma bênção no ar
Convite da natureza p’ra a gente se amar

Ai meu amor
Escuta a minha voz
Pensando bem
Quem está como nós?
Grande é o mundo
Tantas vezes bisonho
Mas tão pequeno
Comparado com o sonho…

Branca era a noite
E era roxa a saudade
Dos dias longos…
Que é da mocidade?
Os olhos rasos em águas de recordações
Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções

Corre agitada
Esta vida maruja
Águas serenas
Piares de coruja
Há nesta noite tranquila uma bênção no ar
Convite da natureza p’ra a gente se amar

Ai meu amor
Escuta a minha voz
Pensando bem
Quem está como nós?
Grande é o mundo
Tantas vezes bisonho
Mas tão pequeno
Comparado com o sonho…

Letra e música: Aníbal Raposo (2010-01-21)
Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

Lua branca das ribeiras

[ Lua Branca das Ribeiras ]

Lua branca das ribeiras a quem mostras o caminho
Às bruxas, às feiticeiras ou a quem anda sozinho
A ribeira tem segredos que tu andas a esconder
Hão-de contar-se p’los dedos os que tu me hás-de dizer

Lua branca das ribeiras com quem passas o serão
De companha às fiandeiras à janela do ganhão
À porta das raparigas que não se querem deitar
Vais ensinando as cantigas de quem se há-de apaixonar
Lua branca das ribeiras

Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir
Já a vi lá com tristeza e a sorrir
Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar
Poder encontrar alguém a quem contar

Lua branca das ribeiras de quem é o teu brilhar
Das moças namoradeiras ou de quem as faz penar
Dos que se enganam na vida p’lo correr da madrugada
Ou de uma alma perdida que passa a noite calada

Se a ribeira me levasse onde a lua vai dormir
Talvez eu por lá contasse tanto que eu ando a sentir
De quem é a cor da lua que nos traz tanto querer
Não é minha nem é tua, é de quem a entender
Lua branca das ribeiras

Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir
Já a vi lá com tristeza e a sorrir
Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar
Poder encontrar alguém a quem contar

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Quadrilha (in CD “A Cor da Vontade”, Vachier & Associados, 2003)

Ó lua faz-me uma trança

[ À Porta do Mundo ]

Ó lua faz-me uma trança
P’ra de dia desmanchar
Guarda-me a última dança
Quando o fio se acabar

Gosto de ver o teu rosto
Que a mil caminhos se presta
Para uma noite desgosto
Por uma noite de festa

Voltaria à tua terra
Por um mergulho de mar
Entre a cidade e a serra
Fica algures o meu lugar

Este mundo não tem porta
Nem uma chave escondida
Por trás de tudo o que importa
Vem um sentido p’rá vida

Se te fizeres ao caminho
Em horas de arrebol
P’ra fermentar o meu vinho
Traz-me um pedaço de sol

Vamos escrever uma história
Rever um filme a passar
Logo virá à memória
O que eu te queria dar

Será verdade ou mentira
Como um segredo roubado
Sou como a lua que gira
Hei-de dançar ao teu lado

Este mundo não tem porta
Nem uma chave escondida
Por trás de tudo o que importa
Vem um sentido p’rá vida

Letra e música: João Afonso Lima e José Moz Carrapa
Arranjo: Ricardo Dias
Intérprete: Filipa Pais (in CD “À Porta do Mundo”, Vachier & Associados, 2003)

A formiga no carreiro

Letra e música: José Afonso
Intérprete: José Afonso (in “Venham Mais Cinco”, Orfeu, 1973; reed. Movieplay, 1987)

A formiga no carreiro
vinha em sentido contrário,
caiu ao Tejo
ao pé dum septuagenário.

Larpou, trepou às tábuas
que flutuavam nas águas
e de cima duma delas
virou-se p’ró formigueiro:
“Mudem de rumo!
Já lá vem outro carreiro.”

A formiga no carreiro
vinha em sentido diferente.
Caiu à rua
no meio de toda a gente,
buliu, abriu as gâmbias
para trepar às varandas
e de cima duma delas
virou-se pró formigueiro:
“Mudem de rumo!
Já lá vem outro carreiro.”

A formiga no carreiro
andava à roda da vida.
Caiu em cima
Duma espinhela caída
furou, furou à brava
numa cova que ali estava
e de cima duma delas
virou-se pró formigueiro:
“Mudem de rumo!
Já lá vem outro carreiro.”

Formiga

Formiga

Com as pernas já cansadas

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

Com as pernas já cansadas
e a barriga tão vazia,
a raposa viu uns cachos
e deu pulos de alegria.

Tentava apanhar as uvas,
mas cansava-se em vão
e a alegria que tivera
tornou-se desilusão.

Enganando-se a si mesma
por já não conseguir tê-las,
disse então que eram verdes,
só cães podiam comê-las.

Mas quando, ao ir-se embora,
ouviu um leve ruído,
voltou-se com a esperança
de um bago ter caído.

Dias a fio andou

[ O Pulo do Lobo ]

Dias a fio andou
Por andar chegou
Em chegando viu
E então sorriu
A sorrir pensou
Por pensar agiu
Ao agir falou

“Diz-me andorinha,
Deste voo teu,
Se é dança ou feitiço,
Se me emprestas a vertigem
Dessa queda livre
Do teu voo raso
Desse baile alado
Sim?”

E saltou,
Ao saltar tremeu
A tremer subiu
Por subir desceu
E então caiu,
A cair bateu
Ao bater sentiu,
Ao sentir pensou

“Diz-me andorinha,
Sentes como eu?
O poder da terra
Na torrente, rodopio
Estilhaço o corpo
Num grito calado
Sob um manto de água
Não?”

Letra e música: Manuel Maio
Intérprete: A Presença das Formigas* (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)

Durante todo o Verão

António José Ferreira
Adaptado da fábula “A cigarra e a formiga”

Durante todo o Verão,
que bem cantou a cigarra;
de dia, ‘stava na praia,
à noite, ia para a farra.

Ficou no campo a formiga,
pensando no seu celeiro.
O esforço do seu trabalho,
rendeu-lhe um bom mealheiro.

O Inverno só trouxe frio
e nada para comer:
à porta do formigueiro
foi a cigarra bater.

– Durante todo o verão
cantei p’ra te alegrar:
dá-me um pouco de comida
para eu poder jantar.

– Enquanto te divertias,
eu ‘stava a trabalhar.
Cantavas todos os dias,
agora vai lá dançar.

Eu sou o cão D. Pantaleão

Letra e música: José Barata Moura

– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão… (bis)

– Tenho um barbeiro e uma criada,
um casaco e uma almofada!
– E eu cá não tenho nada!

– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão… (bis)

– Tenho uma casa aquecida,
boa cama e comida!
– Não é lá muito boa a minha vida…

– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão… (bis)

– Tenho sombrinha e cachecol,
luvas e chapéu mole!
– Eu cá tanto ando à chuva como ao sol.

– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão… (bis)

– Tenho uma coleira amarela,
que parece uma estrela!
– Mas eu cá não gosto da trela!

– Eu sou o cão D. Pantaleão!
– E eu sou um cão apenas cão… (bis)

Intérprete: José Barata Moura

Havia um pescador

Texto: António José Ferreira

Havia um pescador,
um pescador havia.

Um dia foi à pesca,
foi fraca a pescaria.

Pescou só um peixinho,
levou-o à Maria.

Quando chegou a casa,
ouviu o que não queria.

– Se fosse um peixe grande,
que almoço não daria!

– O peixe é pequenino
e muito cresceria!

José pegou no balde,
deitou o peixe à ria.

Lamentava-se o pavão

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

Lamentava-se o pavão
de não cantar nada bem,
de não ter a voz bonita
que o rouxinol sempre tem.

– Não reclames – disse Deus -,
pavãozinho despeitado!
Não vês que, p’las tuas cores,
és famoso em todo o lado?

Cada um tem seu encanto:
a águia tem a coragem,
o melro tem o seu canto,
o pavão rica plumagem.

A ave compreendeu:
não se podia queixar.
Ninguém é perfeito em tudo,
em tudo há que se alegrar.

Muitas nozes e avelãs

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

Muitas nozes e avelãs
tinha o Senhor Esquilo:
lembrou-se de partilhar
alguns frutos do seu silo.

Pegou na melhor bandeja,
para as nozes of’recer,
e mandou o seu filhote
ao vizinho, a correr.

Quando viram a bandeja
os olhos do seu vizinho,
nem se lembraram das nozes
of’recidas com carinho.

Nem o esquilo viu de volta
a bandeja preferida,
nem na casa do vizinho
houve prenda parecida.

No meio de uma floresta

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

No meio de uma floresta,
um veado adoeceu.
Um grupo dos seus amigos
foi ver o que aconteceu.

Foram para socorrê-lo,
ou talvez o consolar,
para cumprir o dever
de o amigo ajudar.

No fim da sua visita,
tiveram um bom repasto:
e da erva do veado,
quase não deixaram rasto.

Com pouco alimento perto,
aquele velho veado,
morreu ainda mais cedo,
infeliz, esfomeado.

No ramo de um arbusto

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

No ramo de um arbusto,
o corvo mostrava um queijo:
a raposa aproximou-se
atraída p’lo desejo.

Muito esperta, a raposa
passou a elogiar o corvo,
as suas penas e o canto,
e até a forma de andar.

Cego pelo seu orgulho,
o corvo pôs-se a cantar:
o queijo caiu do bico
e à raposa foi parar.

O leão, o rei da selva

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

O leão, o rei da selva,
perdeu forças e poder:
tornou-se apenas um velho
preparado p’ra morrer.

Os burros davam-lhe coices
e os lobos davam dentadas;
gazelas faziam troça
e os bois davam cornadas.

Mal conseguia rugir
o cansado rei leão:
chegara a hora de os fracos
lhe poderem dizer não.

Um dia, o Senhor Lobo

António José Ferreira

Um dia, o Senhor Lobo
que andava a passear,
avistou o Capuchinho
e foi logo perguntar:

– Aonde vais, ó menina,
com essa linda cestinha?
– Vou levar um bolo e mel
à minha rica avozinha.

Mais depressa foi o lobo
à casa da avozinha
enquanto ia praticando
falar com voz de netinha.

(Alguém bate à porta)

– Quem está a bater à porta?
– É a tua qu’rida netinha.
– Ai meu Deus, é o lobo mau.
– Não te como, avozinha.

(Entretanto, o Capuchinho Vermelho chega a casa da avó e vai ter com ela. )

– Que grandes são os teus olhos!
– São para te observar!
– Que grande é o teu nariz!
– É p’ra melhor te cheirar!

– Que fofas as tuas mãos!
– São p’ra melhor te tocar!
– Que grande é a tua boca!
– É p’ra melhor te beijar!

Os deuses da Grécia antiga

António José Ferreira

Os deuses da Grécia antiga
eram gente como nós:
casavam-se, tinham filhos,
não gostavam de estar sós.

Plim plim (lira)

Zeus, o grande pai dos deuses,
do Olimpo era o Senhor.
Era casado com Hera,
que tinha muito amor.

Saxapum (pratos)

Os deuses de antigamente
contavam-se por dezenas.
Do Olimpo adoravam
ver os jogos em Atenas.

Te te te (trombeta)

Poseidon, irmão de Zeus,
era o rei dos oceanos.
Se fazia tempestades
assustavam-se os humanos.

Tum tum (tambor)

Artémis, filha de Zeus,
protegia os animais.
Bebia néctar puro
como seus irmãos e pais.

Té té té té (trombeta)

Deméter, irmã de Zeus,
passou por muita aventura.
Gostava muito de plantas,
protegia a agricultura.

Fi fi fi (flauta)

Um pescador foi à pesca

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

1. Um pescador foi à pesca
com vontade de pescar
todo o peixe que pudesse
para comer ao jantar.

2. Pescou cinco bons robalos,
e apanhou uma enguia
que lhe encheram a sacola
e lhe deram alegria.

3. Viu, por fim, um robalinho
preso no anzol, a chorar:
– Sou ainda muito novo,
não darei grande manjar.

4. – Mais vale um peixe no saco
que um cardume a nadar.
– Mas, se pescas todo o peixe,
que vais amanhã pescar?

5. O pescador quis levá-la,
mas a tempo percebeu:
– Se não há peixes no rio,
amanhã, que pesco eu?

Uma rã, que era vaidosa

António José Ferreira
Adaptado da fábula de La Fontaine

1. Uma rã, que era vaidosa,
viu no campo uma vitela,
admirou o seu tamanho
e quis ser igual a ela.

2. Deixou logo o seu charquinho,
começou a engordar,
tanto era o seu desejo
de à vitela se igualar.

3. A rã perguntava às outras
se já era grande e bela,
mas estava muito longe
do tamanho da vitela.

4. Tanto a rã inchou de inveja
que um dia rebentou:
não foi uma rã feliz
nem à vaca se igualou.

Uma vez, uma pastora

1. Uma vez, uma pastora,
larau, larau, larito,
com o leite do seu gado
mandou fazer um queijito.

Mas o gato espreitava,
larau, larau, larito,
mas o gato espreitava
com sentido no queijito.

E aqui metia a pata
larau, larau, larito,
e aqui metia a pata
e além o focinhito.

A pastora, de zangada,
larau, larau, larito,
a pastora de zangada
castigou o seu gatito.

E aqui termina a estória,
larau, larau, larito,
e aqui termina a estória
da pastora e do queijito.

Canções de reis

Reisadas

O cantar dos reis, também chamado “reisadas”, é uma secular tradição portuguesa que acontece entre o Natal (25 de dezembro) e o dia de Reis (6 de janeiro), assumindo características diferenciadoras em certas regiões.

Acompanhados por instrumentos musicais, grupos de amigos e conhecidos (reiseiros) vão de casa em entoando cantigas com que se deseja boas festas e um feliz ano novo e se pede um donativo. As janeiras têm o foco no desejar um bom ano e não tanto no nascimento de Jesus. As tradicionais janeiras e cantares ao Menino assumem no concelho de Faro a forma particular de encontros de charolas, amplamente participados.

Na linha das tradições musicais portuguesas (e no âmbito de Educação Musical e de Música), podem ser manifestação de empatia com a comunidade educativa. Na escola, as quadras podem ser preparadas com os alunos, atividade que fomenta a criatividade e o gosto da poesia.

Adquira AQUI Reis e janeiras!

Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores

Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores

A cabana está fechada

1. A cabana está fechada,
o Menino está lá dentro.
Vinde dar as Boas Festas.
Ó que lindo nascimento.

Vamos todos, vamos todos,
vamos todos a Belém
adorar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. 

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

A cantar-vos as janeiras

A cantar-vos as janeiras
aqui estamos reunidos.
Desejamos um bom ano
aos amigos mais queridos.

1. Vivam os colegas,
e os professores,
os auxiliares
e educadores.

Versão das janeiras “Boas festas, boas festas” destinada à escola.

Agora que eu vou cantar

Agora que eu vou cantar,
viva o meu atrevimento.
Quem não me quiser ouvir
bote os ouvidos ao vento.

Por bem cantar, mal não digas
dos que a voz aqui levantam,
pois uns cantam o que sabem
e outros sabem o que cantam.

Popular do Alentejo

Alegres cantam os sinos

1. Alegres cantam os sinos
nesta noite de Natal
em que Jesus veio ao mundo
para nos livrar do mal.

Vinde, pastores, correi a Belém,
ver na lapinha Jesus nosso bem.
Vinde adorar o Menino,
Vinde todos a Belém.

2. Glória a Deus nas alturas,
estão anjos a cantar.
Vinde adorar o Menino
que nasceu p’ra nos salvar.

3. Ó meu menino Jesus,
nascidinho na probreza,
tomai posse da minha alma
que é toda a minha riqueza.

Cantar. 1964, 4ª ed., 162-163.

Aqui estamos nós

Aqui estamos nós
Neste belo dia
Cantando as janeiras
Com muita alegria.

P’ra a nossa família
E p’ra toda a gente
Que o ano novo
seja excelente.

2. Para os colegas
E os professores,
Os auxiliares
E educadores…

3. Que os nossos amigos
Tenham amizade,
Muita alegria
E felicidade.

Aqui estamos nós todos reunidos

Aqui estamos nós
todos reunidos
cantando as janeiras
aos nossos amigos,
sem nenhum interesse
com muita amizade,
cantando as janeiras
à sociedade.

Somos cá da terra
e vimos cantar,
dar as boas festas
p’ra vos alegrar.
Neste ano novo
que Deus nos ajude,
nos dê muita paz
e muita saúde.

1. Somos bons amigos
e vimos cantar
dar as boas festas
p’ra vos alegrar.
Neste novo ano
que Deus nos ajude,
nos dê muita paz
e muita saúde.

2. ‘Stamos a acabar,
temos de partir
mas jamais iremos
sem nos despedir.
Senhores da casa
batam-nos as palmas,
sejam lá bondosos
pelas vossas almas.

Aqui vêm as três rosinhas

Aqui vêm as três rosinhas
quatro ou cinco ou seis
se o senhor nos dá licença
vimos-lhe cantar os reis

Os três reis do oriente
já chegaram a Belém
visitar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

O menino está no berço
coberto c’o cobertor
e os anjinhos estão cantando
louvado sej’o Senhor.

O Senhor por ser Senhor
nasceu nos tristes palheiros,
deixou cravos, deixou rosas,
deixou lindos travesseiros.

Você diz que tem bom vinho
có có có,
venha-nos dar de beber,
rintintin,
florin-tintin,
traililairó.

Donões, Montalegre, Trás-os-Montes

Aqui vimos, aqui estamos

Aqui vimos, aqui estamos,
aqui vimos, bem sabeis,
vimos dar as boas festas
e também cantar os reis.

1. Pastores, pastores,
vamos todos a Belém
visitar Maria
e Jesus também.

2. Nasceu o Menino Jesus,
nasceu para nos salvar;
vamos todos a Belém,
o verdadeiro lugar.

3. Quem diremos nós que viva
no raminho de oliveira?
Viva o Senhor Alberto
e viva a família inteira.

Final:
Pastores, pastores,
vamos a Belém
visitar Maria
e Jesus também.

Trad. Louredo/Resende, Portugal

Boas festas

Boas festas, boas festas
aos amigos vimos dar.
Um bom ano, um bom ano
vos queremos desejar.

1. Ó vós que dormis
em cama macia,
já nasceu o filho
da Virgem Maria.

Boas festas, boas festas

1. Boas festas, boas festas
tenha vossa senhoria,
com boas entradas de ano
com prazer e alegria.

Vamos todos juntos,
todos reunidos
dar as Boas Festas
aos nossos amigos.

2. Como alegres passarinhos
a nossa vida é cantar
e aos senhores desta casa
queremos saudar.

3. Vivam todos meus senhores,
vivam todos em geral.
Deus lhes dê um ano novo
isento de todo o mal.

Cantar 1964, 4ª ed. 158-159.

Boas noites

Boas noites, boas noites,
boas noites de alegria,
que lhas manda o Rei da Glória,
filho da Virgem Maria.

Naquela relvinha,
c ’o vento gelou,
a mãe de Jesus
tão pura ficou.

Dominus excelsis Deo,
que já é nascido
O que nove meses
andou escondido.

De quem é o chapeuzinho
Qu’além ‘stá pendurado?
É do senhor José
que Deus o faça um cravo.

De quem é o vestidinho
cosido com seda branca?
É da senhora Susana
que Deus a faça uma santa.

De quem será é o pente d’oiro
Que se achou no arvoredo?
É da senhora Clara
que lhe caiu do cabelo.

De quem eram as liguinhas
que se acharam entre as ervas?
Eram da senhora Rosa
que lhe caíram das pernas.

De quem seriam eram as botinhas
que estavam no sapateiro?
Eram do senhor Custódio
que as pagou c’o seu dinheiro.

Levante-se lá, senhora
do seu banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras,
ou morcela ou chouriça.

Levante-se lá, senhora,
desse seu rico banquinho,
Venha-nos dar as janeiras
em louvor do Deus Menino.

Levante-se lá, senhora,
desse seu rico assento.
Venha-nos dar as janeiras
em louvor do Nascimento.

Levante-se lá, senhora,
desse seu banco de prata,
Venha-nos dar as janeiras
que está um frio que mata.

(Se demoram a dar as janeiras…)

Levante-se lá, senhora
dessa cadeirinha torta.
Venha-nos dar as janeiras
se não batemos-lhe à porta.

(Se dão as janeiras, cantam a despedida.)

Despedida, despedida,
despedida quero dar.
Os senhores desta casa
bem nos podem desculpar.

(Se não dão as janeiras)

Esta casa não é alta,
tem apenas um andar.
Estes barbas de farelo
nada têm p’ra nos dar.

Esta casa é bem alta,
forradinha de papel.
O senhor que nela mora
É um grande furriel.

Esta casa é bem alta,
forradinha a papelão.
O senhor que nela mora
é um grande forretão.

(Trelinca a martelo
torna a trelincar.
Estes barbas de chibo
não têm que nos dar.)

(Quando vão comer as janeiras)

Naquela relvinha,
naquela lameira,
detrás da fontinha
se come a Janeira.

Gloria in excelsis Deo,
que já é nascido
O que nove meses
andou escondido.

Recolha de várias com base na de Vale de Lobo, BB – Etnografia da Beira, I vol., Jaime Lopes Dias, 2ª ed. Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa 1944, 159. Pequenas adaptações.

Boas noites, meus senhores

Boas noites, meus senhores,
Boas noites vimos dar.
Vimos pedir as janeiras
Se no-las quiserem dar.

Aqui vimos, aqui vimos,
Aqui vimos bem sabeis.
Vimos dar as boas festas
E também cantar os reis.

Ano Novo, Ano Novo,
Ano Novo, melhor ano.
Vimos cantar as janeiras
Como é de lei cada ano.

Levante, linda senhora
Desse banquinho de prata.
Venha-nos dar as janeiras
Que está um frio que mata.

As janeiras são cantadas
Do Natal até aos Reis.
Olhai lá por vossa casa
Se há coisa que nos deis.

Cá estamos à sua porta

Cá estamos à sua porta,
um grupo de amigos seus.
Falar bem nada nos custa:
santa noite lhe dê Deus.

Que tenha um próspero ano
e não esqueça a virtude.
Que tenha muita alegria
e outra tanta saúde.

A quem tanto bem nos faz
Deus livre de pena e dano.
Fiquem com Deus, passem bem!
Até ao próximo ano!

Adapt.
Aqui ‘stou à sua porta
mais dois camaradas meus.
Falar bem nada nos custa:
santas noites lhes dê Deus.

Venho lhes dar os bons anos
que pelas festas não pude.
Venho ao fim de saber
novas da sua saúde.

Trad. Portugal, Peroguarda

Cantemos

Cantemos, cantemos,
cantemos com alegria.
Vimos dar as Boas Festas
à nossa freguesia.

1. A senhora desta casa
está sentada num banquinho.
Venha o prato das filhoses
e o garrafão do vinho.

2. A senhora que aqui mora
seria boa pessoa
se nos trouxesse presunto
e um pedaço de broa.

Cantemos todos lindas canções

Cantemos todos lindas canções.
Louvam a Deus os corações.
Já é nascido, haja alegria!,
o Deus menino, Avé Maria.

Entrai, pastores, entrai
por esse portal sagrado.
Vinde adorar o menino
numas palhinhas deitado.

Da serra veio um pastor
à minha porta bateu.
Trouxe uma carta que diz:
“O Deus menino nasceu!”

Pela oferta que nos deram,
o nosso muito obrigado.
Tenham um bom ano novo
de paz e amor recheado.

Debaixo de uma oliveira

Debaixo de uma oliveira,
um anjo do céu dizia:
a todos os moradores
muita paz e alegria!

1. As janeiras são cantadas
em janeiro pelos Reis.
Nasceu um lindo menino,
o seu nome já o sabeis.

2. Boas festas, boas festas
vos dizemos neste dia;
vós dais-nos as janeirinhas,
nós trazemos a alegria.

3. A todos os que aqui ‘stão
a ouvir-nos a cantar,
nós desejamos bom ano
e saúde a transbordar.

Trad. Portugal

Em Belém, à meia noite

1. Em Belém, à meia noite,
noite de tanta alegria
já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria.

Pastores, pastores,
vinde todos a Belém
adorar o Deus Menino,
que Nossa Senhora tem.

2. Viva lá, senhora Amélia
raminho de amendoeira.
‘Inda neste mundo anda
já no céu tem a cadeira.

3. Viva lá, o menino Diogo
que lá está juntinho à brasa.
Venha-nos dar as janeiras
que é o morgado da casa.

4. Viva lá, senhor Armando
raminho de salsa crua.
Quando vai para a igreja
alumia toda a rua.

5. A todos que aí estão
ao redor dessa fogueira,
santa paz lhes desejamos
‘té à hora derradeira.

Cf. Cantar. 1964, 4ª ed., 152-153.

Esta casa é tão alta

Esta casa é tão alta,
É forrada de papelão.
Aos senhores que cá moram,
Deus lhe dê a salvação.

Estas Casas São Mui Altas

Estas casas são mui altas,
Mui altas,
Forradinhas de alegria.
Viva quem nelas passeia,
Passeia,
Que é a Senhora Maria!

Estas casas são mui altas,
Mui altas,
Mas não lhes chegamos nós.
Viva quem nelas passeia,
Passeia,
Quem está a fazer filhós!

Levante-se lá, Senhora,
Senhora,
Desse tão lindo assento!
Venha-nos dar as janeiras,
janeiras,
Na boda do Nascimento!

Letra e música: Popular (Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Recolha: António Joyce (1939) (in “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes Graça, 3.ª edição, Colecção Saber, n.º 23, Mem Martins: Publicações Europa-América, s/d. – p. 109)
Arranjo: Jaime Ferreira
Intérprete: Terra a Terra (in LP “Lá Vai Jeremias”, Orfeu/Rádio Triunfo, 1985, reed. Movieplay, 2005)

Esta noite

Esta noite é de janeiras.
Cantemos com alegria.
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria,

Filho da Virgem Maria
Numas palhinhas deitado.
Deu à luz esta criança
O Deus Menino Sagrado.

Estou a ver a dona de casa
Pelo buraco da fechadura.
Venha-me dar a esmola
Que o frio já não se atura.

Quando vinha aí em baixo
Topei com uma cortiça.
Logo o meu coração disse
Que aqui davam uma chouriça.

Autor: Diogo Graça Carolino
Alvalade – Sado

Esta noite é de janeiras

Esta noite é de janeiras
e dum grande merecimento
por ser a noite primeira
em que Deus passou tormento.

Os tormentos que passou,
eu lhes digo a verdade:
o seu sangue derramou
p ’ra salvar a sociedade.

Um raminho, dois raminhos,
um raminho de salsa crua.
Ao pé da tua cama
nasce o sol e põe-se a lua.
Daqui donde estou bem vejo
um canivete a bailar
para cortar a chouriça
que a senhora me há-de dar.

Esta noite é de janeiras, in cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti; F. Lopes-Graça. Círculo de Leitores 1981, 46.

Esta noite é de janeiras, é de grande mer’cimento

Esta noite é de janeiras,
é de grande mer’cimento.
Por ser a noite primeira
em que Deus passou tormento.

Os tormentos que passou
de Sua livre vontade,
o Seu Sangue derramou
p’ra salvar a Cristandade.

O Seu Sangue derramou,
Seu Sangue derramaria
p’ra salvar a Cristandade,
São Pedro, Santa Maria!

Ao fim de séculos passados,
foram ver a sepultura.
Acharam ossos mirrados,
o sinal da criatura!

Esta noite de Ano Novo
é de tão alto valor.
Deus lhe dê muita saúde
e pão ao Sr. Doutor!

Viva o Sr. Dr. Carlos
que vela p’los pobrezinhos
Deus lhe dê muita saúde
pra criar os seus filhinhos!

Esta casa está juncada
com junquilhos da ribeira.
Viva o dono desta casa,
mais a sua companheira!

Esta casa está juncada
com ramos de erva cidreira.
Deus lhe dê muita saúde,
e à sua família inteira!

janeiras, in cancioneiro de Serpa, M. Rita Ortigão P. Cortez, Ed. C.M. Serpa 1994, 366-367.

Foi tão belo o que aconteceu

Uma estrela os guiou

Inda agora

‘Inda agora aqui cheguei,
já começo a cantar.
‘Inda não pedi licença,
não sei se ma querem dar.

Pastores, Pastores,
vinde todos a Belém
adorar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

Levante-se lá, ó senhora,
desse seu lindo banquinho.
Venha o prato das filhoses
e uma garrafa de vinho.

Levante-se lá, ó senhora
dessa cadeira de prata,
Venha-nos dar as janeiras
que está um frio que mata.

Inda agora aqui cheguei

Inda agora aqui cheguei,
mal pus o pé na escada,
logo o meu coração disse:
aqui mora gente honrada.

Ó irmãos na caridade,
notícias vos trago eu:
às doze horas da noite
o Deus Menino nasceu.

Nasceu numas tristes palhas
como nasce o cordeirinho.
Por causa dos meus pecados
foi preso ao madeirinho.

De quem é a bengalinha
que está ali no bengaleiro?
É do patrão desta casa
que é um bom cavalheiro.

Já os campos averdegam

Já os campos averdegam
noite e dia à bela luz.
Ó que lindo nascimento
teve o menino Jesus.

Andámos de casa em casa
por atalhos e caminhos,
os corações sempre em brasa
como outrora os pastorinhos.

2. Ó meu menino Jesus,
meu lindo amor perfeito,
se vós tendes frio
vinde parar ao meu peito.

Já os três reis vão chegando

1. Já os três reis vão chegando
à lapinha de Belém
adorar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

Com muitas graças
aqui viemos
as boas festas
lhes cantaremos.

2. A cabana era pequena,
não cabiam todos três;
adoraram o Menino
cada um por sua vez.

3. Nossa Senhora lhe disse:
– Filho meu, que te farei?!
Não tenho cama nem berço,
nos braços te criarei.

Já os três reis são chegados

1. Já os três reis são chegados
às portas do Oriente
visitar o Deus Menino,
Senhor Deus omnipotente.

2. Já os três reis são chegados
à lapinha de Belém,
visitar o Deus Menino
que a Nossa Senhora tem.

3. Nossa Senhora Lhe disse:
– Filho meu, que Te farei?
Não tenho cama nem berço,
nos braços te criarei.

4. Estas casas são bem altas,
têm defronte um laranjal.
Viva quem está dentro delas,
vivam todos em geral.

Meia noite dada

1. Meia noite dada,
meia noite em pino,
cantavam os galos,
nascia o Menino.

2. Chorava o Menino
como um enjeitado,
em lapa da serra,
não no povoado.

3. Menino tão rico
que pobre estais!…
Deitado no feno,
entre animais!

4. Os filhos dos homens
em berço doirado,
e Vós, meu Menino,
em palhas deitado!

5. Em palhas deitado,
tão pobre esquecido,
filho de uma rosa,
de um cravo nascido.

6. E do Oriente
os três reis vieram.
Oiro, incenso e mirra
lhe ofereceram.

Nesta casa há amor

Nesta casa há amor,
junta-se a paz à lareira
para ouvir cantar em grupo
cantadores, cantadeiras.

1. Vimos cantar as janeiras
Do tempo da nossa avó.
Somos gente das aldeias
unidas num grupo só.

2. Nos braços da bela aurora
vejo o menino brincando
com a mãozinha de fora
todo o Mundo abençoando.

Neste dia de Janeiro

Neste dia de Janeiro
nós cá ‘stamos a cantar.
Um bom ano para todos
vos queremos desejar.

É nascido o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria.
Cantemos em seus louvores
nossos hinos de alegria.

Cf. Cantar, 1964, 4ªed., 176.

Nós aqui vimos

Nós aqui vimos,
todos reunidos,
dar as Boas Festas
aos nossos amigos.

Não é com interesse
mas com amizade
dar as Boas Festas
à sociedade.

Sobreirinho ramalhudo
que nos dás a bolota,
se tens filhos ou criados
mandai-nos abrir a porta.

Pela oferta que nos deram
o nosso muito obrigado.
O nosso rancho agradece
nós p’ró ano cá voltamos

Modivas, Ourém

Nós somos os três reis

1. Nós somos os três reis
que vimos do Oriente
trazer as boas festas
com paz p’ra toda a gente.
Nós somos os três reis
guiados por uma luz.
Adoramos o Deus Menino
que se chama Jesus.

2. Nós somos os três reis,
Baltazar e Gaspar.
Também o Belchior
O veio adorar.
Nós somos os três reis
guiados por uma luz.
E trouxemos três presentes
p’ro Menino Jesus.

O ano vem vindo

[ Bons Anos ]

O ano novo vem vindo
Sorridente e a cantar;
O velho que vai saindo
Vai triste por acabar.

Eu já vejo a luz acesa;
Sei que não estás dormindo.
A mulher vai pondo a mesa;
Tua porta vai abrindo.

Está um frio que corta,
Aqui não posso ficar.
Se tu não abres a porta,
Noutro lugar vou cantar.

Letra: Maria Angelina de Arruda Medeiros Ponte
Música: Tradicional (Maia, Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores)
Arranjo: Miguel Pimentel
Intérpretes: Miguel Pimentel com Maria José Victória (in CD “A Roda do Ano”, Miguel Pimentel, 2002, reed. Açor/Emiliano Toste, 2019)

Ó da casa, nobre gente

Ó da casa, nobre gente,
escutareis e ouvireis
Das bandas do Oriente
são chegados três reis.

São três reis, são três c’roados,
vinde ver quem vos c’roou,
e mais quem vos ordenou
no vosso santo caminho.

Mandou Deus, por uma estrela
que lhe ensinasse o caminho;
a estrelinha foi pousar
no alto duma cabana…

A cabana era pequena,
não cabiam todos três;
adoraram Deus Menino
cada um por sua vez.

Todos Lhe ofereceram
ouro e mirra e incenso;
não lhe ofereceram mais nada
porque Ele era Deus imenso.

Tradicional de Cinfães, Portugal

Ó de casa, alta nobreza

Ó de casa, alta nobreza,
mandai-nos abrir a porta,
ponde a toalha na mesa
com caldo quente da horta!

Teni, ferrinhos de prata,
ao toque desta sanfona!
Trazemos ovos de prata
fresquinhos, prá vossa dona.

Senhora dona de casa,
à ilharga do seu Joaquim,
vermelha como uma brasa
e alva como um jasmim!

Vimos honrar a Jesus
numas palhinhas deitado:
o candeio está sem luz
numa arribana de gado.

Mas uma estrela dianteira
arde no céu, que regala!
A palha ficou trigueira,
os pastorinhos sem fala.

Dá-lhe calorzinho a vaca,
o carvoeiro uma murra,
a velha o que traz na saca,
seus olho mansos a burra.

Já as janeiras vieram,
os Reis estão a chegar,
Os anos amadurecem:
estamos para durar!

Já lá vem Dom Melchior
sentado no seu camelo
cantar as loas de cor
ao cair do caramelo.

Ó incenso, mirra e oiro,
que cheirais e luzis tanto,
não valeis aquele tesoiro
do nosso Menino santo!

Abride a porta ao peregrino,
que vem de num longe, à neve,
de ver nascer o Menino
nas palhinhas do preseve.

Acabou-se esta cantiga,
vamos agora à chacota:
já enchemos a barriga,
sigamos nossa derrota!

Rico vinho, santa broa
calça o fraco, veste os nus!
Voltaremos a Lisboa
pró ano, querendo Jesus.

Recolha de Vitorino Nemésio (1901-1978)

O Menino está deitado

1. O Menino está deitado
com Maria e José.
Cantamos nós com os anjos:
“Gloria tibi Domine”. .

2. Entrai, pastores, entrai
na lapinha de Belém.
Adorai o Deus Menino
que nasceu p’ra nosso bem.

Cf. Cantar. 1964, 4ª ed.

Os pastores vão andando

Os pastores vão andando,
andando sempre à porfia
a ver quem chega primeiro
aos pés da Virgem Maria.

Boas festas, meus senhores,
festas de tanta alegria.
Já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria.

Para quem está ouvindo
esta nossa melodia,
pedimos ao Deus Menino
lhes dê paz e alegria.

Aqui ‘stou à sua porta
c’um pé frio e outro quente.
Venha dar-nos as janeiras,
um copinho de aguardente.

Cantar. 1964, 4ª ed., 174-175.

Para te cantar os Reis

[ Os Reis ]

Para te cantar os Reis
Trepei tua canadinha,
Trepei tua canadinha;
Daqui não levanto o pé
Sem chouriço ou galinha,
Sem chouriço ou galinha!

Está um terrale que corta!
Se tu és homem de brio,
Se tu és homem de brio,
Vem-nos abrir a porta!
Estou enrilhado com frio,
Estou enrilhado com frio.

Ó porta que te não abres,
Ó ferrolho que não corres,
Ó ferrolho que não corres,
Ó almas, em consciência,
Não considereis que morres?
Não considereis que morres?

Letra e música: Tradicional (Vila do Nordeste, Ilha de São Miguel, Açores)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) (in 7LP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1965, reed. 4CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”: CD 1, faixa 5, Açor/Emiliano Toste, 2001)
Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)

Reis na Casa dos Açores em Toronto

Reis na Casa dos Açores em Toronto

Quais São os Três Cavalheiros?

Quais são os três cavalheiros
Que fazem sombra no mar?
São os três do Oriente
Que Jesus vêm buscar.

Não perguntam por pousada,
Nem aonde irão pousar;
Perguntam por Jesus Cristo:
Aonde o irão achar.

Letra e música: Popular (Baixo Alentejo)
Intérprete: Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial N.º 3 da Guarda Nacional Republicana (in 2CD “O ‘Cante’ Alentejano”: CD 2, Public-Art, 1998)

Que estás a fazer, criança

Que estás a fazer, criança,
sentado na pedra fria?
Estou à espera do menino
Filho divino à luz do dia.

1. Andamos de casa em casa
por atalhos e caminhos,
os corações sempre em brasa
como outrora os pastorinhos.

2. Vimos dar as Boas Festas,
Boas Festas vimos dar,
que nasceu o Deus menino
nas palhinhas ao luar.

Senhora dona da casa

Senhora dona da casa
Deixe-se estar que está bem.
Mande-nos dar a esmola
Pela rosa que aí tem.

1. Abram-se lá essas portas
Ainda não estão bem abertas
Que nasceu o Deus menino
Vou-lhe dar as boas festas.

2. Boas festas meus senhores
Boas festas lhes vou dar.
Que nasceu o Deus menino
Nesta noite de Natal.

3. Nesta noite de Natal
Noite de santa alegria
Já nasceu o Deus menino
Filho da Virgem Maria

Senhores, nós vos trazemos

1. Senhores, nós vos trazemos
a mensagem de Belém:
nasceu já o Deus Menino
e Maria é sua mãe.

2. Nas bandas do Oriente
Uma estrelinha brilhou
E guiando os três reis Magos
Sobre o presépio poisou.

Nestas noites de Natal
como é bom pelo luar
vir até vós meus senhores
lindas janeiras cantar.

3. Tudo acorre à lapinha
para adorar o Senhor.
Não deixemos nós também
de cantar o seu louvor.

4. Como somos mensageiros,
não podemos demorar.
A boa nova iremos
a outros anunciar.

5. Levantai-vos, vinde ver-nos
e trazei-nos as janeiras
porque esta noite está fria,
só nos sabem as fogueiras.

6. Vamos dar a despedida
até ao ano que vem.
Fiquem-se com Deus, senhores,
e sua divina mãe.

Letra: Delmar Barreiros, Cantar. 1964, 4ª ed, p. 166-167.

Um Ano Novo entrou

Um Ano Novo entrou,
as janeiras vamos cantar
pedindo a vossa bondade
de quem nos queira ajudar.

janeiras, lindas janeiras,
senhores vimos cantar.
Boas Festas e alegria
vos queremos desejar.

Que todos os Mirenses
Tenham muitas felicidades,
presentes e ausentes
de todas as idades.

Senhores não demoreis
que é muito frio o luar,
Vinde-nos dar as janeiras
que nós temos de caminhar.

Boas noites meus senhores
até p’ró ano que vem.
Alegria e paz em Deus
e na Virgem, Sua Mãe.

Uma estrela

[ Cantar à Porta ]

Uma estrela, uma estrela nos guia
No caminho, no caminho da virtude…

Uma estrela nos guia
No caminho, no caminho da virtude…

Ó dono, ó dono da moradia,
Lá vai à… lá vai à vossa saúde!

Ó dono da moradia,
Lá vai à… lá vai à vossa saúde!

Reis Magos, Reis Magos viram Jesus
Numa gruta, numa gruta em Belém;

Reis Magos viram Jesus
Numa gruta, numa gruta em Belém;

Guiados, guiados pela mesma luz,
Queremos, queremos vê-lo também!

Guiados pela mesma luz,
Queremos, queremos vê-lo também!

Letra e música: Popular (Ilha Terceira, Açores)
Intérprete: Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense* (in CD “Festa Redonda”, Açor/Emiliano Toste, 2003)

Vamos cantar as janeiras

Vamos cantar as janeiras,
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras.

Vamos cantar orvalhadas,
Vamos cantar orvalhadas.
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas.

Vira o vento e muda a sorte,
Vira o vento e muda a sorte.
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte.

Muita neve cai na serra,
Muita neve cai na serra.
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra.

Quem tem a candeia acesa,
Quem tem a candeia acesa.
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza.

Já nos cansa esta lonjura,
Já nos cansa esta lonjura.
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura.

José Afonso

Venho-lhe dar os Bons Anos

[ Os Bons Anos ]

Venho-lhe dar os Bons Anos
Que as Boas-Festas não pude;
Venho a fim de saber
Novas da sua saúde.

Novas da sua saúde…
Venho-lhe dar os Bons Anos,
Venho-lhe dar os Bons Anos
Que as Boas-Festas não pude.

Esta casa cheira a rosas,
Bem perto está a roseira;
Viva o dono desta casa
Mais a sua companheira!

Mais a sua companheira…
Esta casa cheira a rosas,
Esta casa cheira a rosas,
Bem perto está a roseira.

Lá vai uma, lá vão duas
Por cima do seu telhado;
Deus lhe dê muita saúde
Ao que lá tem semeado.

Ao que lá tem semeado…
Lá vai uma, lá vão duas,
Lá vai uma, lá vão duas
Por cima do seu telhado.

Daqui donde eu estou bem vejo
O canivete a bailar,
Para cortar a chouriça
Que a senhora me há-de dar.

Que a senhora me há-de dar…
Daqui donde eu estou bem vejo,
Daqui donde eu estou bem vejo
O canivete a bailar.

Toda esta noite aqui ando
Com os pés pela geada;
A barriga vem vazia
E a taleiga não traz nada.

E a taleiga não traz nada…
Toda esta noite aqui ando,
Toda esta noite aqui ando
Com os pés pela geada.

Já que Deus me fez tão pobre,
Venho esta noite a pedir
Em casa de gente nobre:
Sem esmola não hei-de ir.

Sem esmola não hei-de ir…
Já que Deus me fez tão pobre,
Já que Deus me fez tão pobre
Venho esta noite a pedir.

Letra e música: Popular (Baixo Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral e Etnográfico “As Camponesas de Castro Verde” (in CD “Cante de Natal e de Ano Novo”, Imenso Sul, 1995; CD “Cantes ao Menino: Corais Polifónicos Alentejanos”, Imagem Imenso, 1999)

Vimos cantar as janeiras

Vimos cantar as janeiras
desejando neste dia
um bom ano para toda a escola
com saúde e alegria.

Vimos cantar as janeiras
desejando neste dia
um bom ano p’ra toda a família
com saúde e alegria.

Vimos cantar as janeiras
desejando neste dia
um bom ano para os moradores
desta linda freguesia.

Vimos cantar as janeiras
desejando neste dia
um bom ano para toda a gente
com saúde e alegria.

Para a melodia de janeiras de José Afonso

Vinde, pastores

Vinde, pastores, depressa
que já nasceu o Menino.
Já se cumpriu a promessa,
vamos a tocar o sino.

1. janeiras, lindas janeiras,
janeiras da minha aldeia.
Sois quais estrelas fagueiras
nas noites de lua cheia.

2. janeiras, lindas janeiras
senhores, vimos cantar.
Boas Festas e alegrias
vos queremos desejar.

3. Sopram os ventos da serra,
caem estrelas do céus,
Alegre-se toda a terra,
nasceu o Menino Deus.

4. Senhores, não demoreis,
que é muito frio o luar.
Vinde-nos dar as janeiras,
que temos de caminhar.

5. Levantai-vos da lareira
e vinde depressa ver
a grandiosa fogueira
que o Menino há-de aquecer.

6. Ó janeiras de Vilar
Como vós não há igual.
Dais consoada aos pobres
nestas noites de Natal.

7. A mensagem de Natal
a todos dê luz e amor.
Oxalá por toda a vida
vos guie com seu fulgor.

8. Boas noites, meus senhores,
até para o ano que vem.
Alegria e paz em Deus
e na Virgem sua Mãe.

Letra: J. Geraldes, Cantar. 1964, 4ª ed., 169-171.

Viva lá

Viva lá, minha senhora,
casaquinho de veludo;
Quando mete a mão ao bolso,
tem dinheiro para tudo.

Refrão:
Boas Festas, Boas Festas,
vos dizemos neste dia.
Venham-nos dar as janeiras,
com prazer e alegria.

Viva lá, minha senhora,
no seu livrinho a ler;
Quando vai para a janela,
parece o sol a nascer.

Viva lá, minha senhora,
linda estrela do norte.
Que Deus a deixe criar
para uma boa sorte.

Levante-se lá, minha senhora,
desse banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras,
ou de carne, ou de chouriça.

Alegrias populares, vol. II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor 1967, 22
Vila Verde, Tourais

Viva lá, minha senhora

Viva lá, minha senhora,
Raminho de salsa crua.
Quando chega à janela
Põe-se o sol e nasce a lua.

Viva lá minha senhora
Linda boquinha de riso,
Linda maçã camoesa
Criada no paraíso.

Ó que estrela tão brilhante
Que vem dos lados do norte.
À família desta casa
Deus lhe dê a melhor sorte.

De quem é o anel d’oiro
Com pedrinhas no Redol.
É do menino João
Que é bonito como o sol.

Viva lá menina Rita.
Suas faces são romãs.
Seus olhos são mais galantes
Do que a estrela da manhã.

Ó que estrela tão brilhante
Que vem dos lados do norte.
À família desta casa
Deus lhe dê a melhor sorte.

A silva que nasce à porta
Vai beber à cantadeira.
Levante daí senhora
Venha-nos dar a Janeira.

Alegrai-vos companheiros
Que já sinto gente andar.
É a senhora da casa
Que nos vem a convidar.

Ó que estrela tão brilhante
Que vem dos lados do norte.
À família desta casa
Deus lhe dê a melhor sorte.

QUADRAS INTRODUTÓRIAS

Boas noites, boas noites,
boas noites de alegria,
que lhas manda o Rei da Glória,
filho da Virgem Maria.

Os três reis do oriente
já chegaram a Belém
visitar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

Cá estamos à sua porta,
um grupo de amigos seus.
Falar bem nada nos custa:
santa noite lhe dê Deus.

Andámos de casa em casa
por atalhos e caminhos,
os corações sempre em brasa
como outrora os pastorinhos.

O menino está no berço
coberto c’o cobertor
e os anjos estão cantando
louvado seja o Senhor.

Aqui ‘stou à sua porta
mais dois camaradas meus.
Falar bem nada nos custa:
santas noites lhes dê Deus.

Venho lhes dar os bons anos
que pelas festas não pude.
Venho ao fim de saber
novas da sua saúde.

QUADRAS PARA REFRÃO

A cantar-vos as janeiras
aqui estamos reunidos.
Desejamos um bom ano
aos amigos mais queridos.

Aqui vimos, aqui estamos
A cantar, já o sabeis.
vimos dar as boas festas
e também cantar os reis.

Boas festas, boas festas
aos amigos vimos dar.
Um bom ano, um bom ano
vos queremos desejar.

QUADRAS PARA VIVAS

Viva lá quem nos escuta,
vivam todos em geral.
Deus vos dê um ano novo
E a todo o Portugal.

Como aqueles passarinhos
que estão sempre a cantar.
Aos senhores desta casa
nós queremos saudar.

Boas festas, boas festas
tenha vossa senhoria,
com boas entradas de ano
com prazer e alegria.

Quem diremos nós que viva
no raminho de oliveira?
Viva o Senhor Alberto
e viva a família inteira.

Por bem cantar, mal não digas
dos que a voz aqui levantam,
pois uns cantam o que sabem
e outros sabem o que cantam.

Boas noites, meus senhores,
Boas noites vimos dar.
Vimos pedir as janeiras
Se no-las quiserem dar.

As janeiras são cantadas
Do Natal até aos Reis.
Olhai lá por vossa casa
Se há coisa que nos deis.

Levante, linda senhora
desse banquinho de prata.
Venha-nos dar as janeiras
que está um frio que mata.

De quem é o vestidinho
cosido com seda branca?
É da senhora Susana
que Deus a faça uma santa.

De quem seriam eram as botinhas
que estavam no sapateiro?
Eram do senhor Custódio
que as pagou c’o seu dinheiro.

Levante-se lá, senhora
do seu banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras,
ou morcela ou chouriça.

Levante-se lá, senhora,
desse seu rico assento.
Venha-nos dar as janeiras
em louvor do Nascimento.

Levante-se lá, senhora
dessa cadeirinha torta.
Venha-nos dar as janeiras
se não batemos-lhe à porta.

DESPEDIDA

Que tenha um próspero ano
e não esqueça a virtude.
Que tenha muita alegria
e outra tanta saúde.

A quem tanto bem nos faz
Deus livre de pena e dano.
Fiquem com Deus, passem bem!
Até ao próximo ano!

Despedida, despedida,
despedida quero dar.
Os senhores desta casa
bem nos podem desculpar.

Esta casa não é alta,
tem apenas um andar.
Estes barbas de farelo
nada têm p’ra nos dar.

Esta casa é bem alta,
forradinha a papelão.
O senhor que nela mora
Tem um grande coração.

A todos, feliz Natal

A todos, feliz Natal
e um bom Ano Novo.

1. Já pus no presépio
o que é importante
e no meu pinheiro
uma bola brilhante.

2. Já tenho uma ideia
para dar um presente.
E sei que o Natal
há-de ser diferente.

3. Já tenho receita
para o pão de ló
e vou fazer doces
com a mãe e a avó.

Letra: António José Ferreira
Música: Melodia inglesa

CLICA!

Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância

Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância

A todos um bom Natal

A todos um bom Natal,
a todos um bom Natal.
Que seja um bom Natal para todos nós.
Que seja um bom Natal para todos nós.

1. No Natal pela manhã
ouvem-se os sinos tocar
e há uma grande alegria no ar.

2. Nesta manhã de Natal
há em todos os países,
muitos milhões de meninos felizes

3. Vão aos saltos pela casa
descalços ou em chinelas,
procurar as suas prendas tão belas.

4. Depois há danças de roda
as crianças dão as mãos.
No Natal todos se sentem irmãos.

5. Se isso fosse verdade
para todos os meninos
era bom ouvir os sinos a cantar.

Alegrem-se os céus e a terra

Alegrem-se os céus e a terra,
cantemos com alegria
que nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria!

1. Entrai, pastores, entrai,
por este portal sagrado.
Vinde adorar o Menino
numas palhinhas deitado.

2. Entrai, pastores, entrai,
por este portal adentro;
vinde adorar o Menino
no seu santo nascimento.

3. Vinde todos, vinde todos,
à lapinha de Belém
adorar o Deus menino
que nasceu p’ra nosso bem.

Linhares, Beira Alta

Alta Vai a Lua Alta

Alta vai a Lua alta
como o Sol do meio-dia.
Mais alta ia a Senhora
quando para Belém ia.

São José ia atrás dela,
alcançá-la não podia.
Foi alcançá-la a Belém
onde ela estava parida.

Tão grande era a sua pobreza
que nem um panal tenia.
Botou as mãos à cabeça,
a um véu que ela trazia.

Partiu-o em três bocados,
em três bocados o partia:
um era para de manhã,
outro para o meio-dia,

outro para a meia-noite
quando Jesus adormia.
Desceram os anjos do Céu
Cantando: avé, Maria!
Avé, Maria de graça, de graça avé, Maria!

Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal)
Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas
Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)

Beijai o Menino

Beijai o Menino!
Beijai-o agora!
Beijai o Menino
De Nossa Senhora!

Beijai o Menino!
Beijai-o agora!
Beijai o Menino
De Nossa Senhora!

Beijai o Menino!
Beijai-o no pé!
Beijai o Menino
De S. José!

São os filhos dos homens
Em berços doirados…
E vós, meu Menino,
Em palhinhas deitado.

Em palhinhas deitado,
Em palhinhas esquecido…
Filho de uma rosa,
De um cravo nascido.

Beijai o Menino!
Beijai-o agora!
Beijai o Menino
De Nossa Senhora!

Sois manso cordeiro
Que estais nessa cruz,
Com os braços abertos;
Perdoai-nos, Jesus!

Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes)
Adaptação: José Barros
Arranjo: José Manuel David e José Barros
Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom, 2008)
Outra versão de Navegante (in CD “Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e janeiras”, José Barros/MediaFactory, 2009)

Cai a neve branca

1. Cai a neve branca
sobre a natureza
e na terra inteira
há paz e beleza.

2. Em tudo há doçura,
tudo é irreal
quando é meia noite,
noite de Natal.

3. Uma estrelinha
de uma estranha luz
anuncia ao mundo:
já nasceu Jesus.

Cantam os anjos sem cessar

1. Cantam os anjos sem cessar:
já é Natal.
Tocam os sinos sem parar,
já é Natal.
Reis vão ao presépio,
com lindos presentes.
Todos cantamos sem cessar,
já é Natal.

2. Cantam os anjos sem cessar:
nasceu Jesus.
Tocam os sinos sem parar:
nasceu Jesus.
Vão também pastores
com os seus presentes.
Todos cantamos sem cessar:
nasceu Jesus.

Letra: António José Ferreira
Música: Melodia inglesa

Chove. É dia de Natal.

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo inda outra quadra
Fico gelada dos pés.

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Poema: Fernando Pessoa (ligeiramente adaptado) 
Música: César Prata
Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)

Chove. É dia de Natal.

Dim dom, sinos a tocar

1. Dim dom, sinos a tocar
e anjos a cantar.
Dim dom, sinos a tocar
e reis a caminhar.

Gloria. Hosana in excelsis.

2. Dim dom, sinos a tocar
e luzes a brilhar.
Dim dom, sinos a tocar,
e gente a partilhar.

Letra: António José Ferreira
Música: Melodia tradicional

É Natal, Deus Menino nasceu

É Natal, Deus Menino nasceu.
Vê-se ao longe uma estrela a brilhar.
São os Reis, são os Reis, são os Reis.
Vêm a Belém para O visitar.

Entrai pastores entrai

Entrai pastores entrai,
por este portal sagrado.
Vinde adorar o Menino
numas palhinhas deitado!

Pastorinhos do deserto
todos correm para O ver
Trazem mil e um presente
para o Menino comer!

Ó meu Menino Jesus
convosco é que eu estou bem
Nada neste mundo quero,
nada me parece bem!

Alegrem-se os Céus e a Terra,
cantemos com alegria
Que nasceu o Deus Menino,
filho da Virgem Maria!

Deus Menino já nasceu,
andai ver o Rei dos Reis.
Ele é quem governa o Céu,
quer que vós O adoreis!

Ó meu Menino Jesus
que lindo amor perfeito.
Se vem muito cansadinho,
vem descansar em meu peito!

Natal da Beira

Está na hora do menino deitar

Está na hora do menino deitar
e na chaminé pôr os sapatinhos.
Já é noite, o Pai Natal vai chegar
para a todos deixar presentinhos.
Cedo acordo ouço os sinos a tocar
e levanto-me alegre aos saltinhos.

Devagar para ninguém acordar
vou contente ver os meus presentinhos.

Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá…

Devagar para ninguém acordar
vou contente ver os meus presentinhos.

Esta noite é noite santa

[ Toca, Sino, Toca! ]

Esta noite é noite santa.
Não é noite de dormir
que um lindo botão de rosa
à meia-noite há-de abrir.

Harpas de oiro, liras d’oiro,
anjos do Céu afinai.
Paz na Terra e nas Alturas,
Glória e louvor cantai.

Esta noite é noite santa.
Outra mais santa não há
que um lindo botão de rosa
desabrochou em Judá.

Tangedores de viola,
de pandeiro e tamboril,
tomai vós a minha lira
e dai-me o vosso arrabil!

Toca, sino, toca
tão badalão!
Toca, sino, toca
no meu coração!

Toca, sino, toca!

Letra e música: Tradicional (Portugal)
Arranjo: César Prata
Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)

Eu hei-de dar ao Menino

[ Arre, Burriquito! ]

Eu hei-de dar ao Menino
Uma fitinha p’ró chapéu;
Ele também me há-de dar
Um lugarzinho no Céu.

Olhei para o Céu,
Estava estrelado;
Vi o Deus-Menino

Em palhas deitado.
Em palhas deitado,
Em palhas estendido;
Filho duma Rosa,
Dum Cravo nascido.

Arre, burriquito!
Vamos a Belém
Ver o Deus-Menino
Que a Senhora tem!

Que a Senhora tem,
Que a Senhora adora;
Arre, burriquito!
Vamo-nos lá embora!

Eu hei-de dar ao Menino
Uma fitinha p’ró boné;
Ele também me há-de dar
Prendinhas na chaminé.

Olhei para o Céu,
Estava estrelado;
Vi o Deus-Menino
Em palhas deitado.

Em palhas deitado,
Em palhas estendido;
Filho duma Rosa,
Dum Cravo nascido.

Arre, burriquito!
Vamos a Belém
Ver o Deus-Menino
Que a Senhora tem!

Que a Senhora tem,
Que a Senhora adora;
Arre, burriquito!
Vamo-nos lá embora!

Olhei para o Céu,
Estava estrelado;
Vi o Deus-Menino
Em palhas deitado.

Em palhas deitado,
Em palhas estendido;
Filho duma Rosa,
Dum Cravo nascido.

Arre, burriquito!
Vamos a Belém
Ver o Deus-Menino
Que a Senhora tem!

Que a Senhora tem,
Que a Senhora adora;
Arre, burriquito!
Vamo-nos lá embora!

Letra e música: Tradicional
Arranjo: Artesãos da Música
Intérprete: Artesãos da Música

Eu Hei-de Ir ao Presépio

Eu hei-de ir ao presépio
assentar-me num cantinho,
a ver como o Deus-Menino
nasceu lá tão pobrezinho.

Abra lá o seu postigo,
deixe estar um pouco aberto!
Quero ver o Deus-Menino
armadinho no presépio.

Eu hei-de dar ao Menino,
ao Menino hei-de dar
uma cadeirinha de oiro
para o Menino assentar.

Ó meu Menino Jesus,
ó meu rico fidalguinho,
hei-de dar-te papa doce,
hei-de ter-te mimosinho!

Ó meu Menino Jesus,
quem vos pudera valer
com sopinhas da panela
sem a vossa mãe saber!

Ó meu Menino Jesus,
quem vos há-de dar a mama?
Vossa mãe foi ao moinho,
vosso pai ficou na cama.

Ó meu Menino Jesus,
ó meu rico fidalguinho,
hei-de dar-te papa doce,
hei-de ter-te mimosinho!

Ó meu Menino Jesus,
quem vos pudera valer
com sopinhas da panela
sem a vossa mãe saber!

Ó meu Menino Jesus,
quem vos há-de dar a mama?
Vossa mãe foi ao moinho,
vosso pai ficou na cama.

Letra e música: Tradicional (Portugal)
Arranjo: César Prata
Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)

Faça “ai, ai”, meu menino

[ Embalo do Algarve ]

Faça “ai, ai”, meu menino,
Que a mãezinha logo vem!
Foi lavar os cueirinhos
À fontinha de Belém.

Vai-te embora, papá negro,
De cima desse telhado!
Deixa dormir o menino,
Está no sono descansado.

Embala, José, embala!
Embala suavemente,
Entretendo o inocente
Com esta cantiga em verso!

Dorme, dorme, meu menino,
Que a mãezinha logo vem!
Dorme, dorme, meu menino,
Que a mãezinha, ai, logo vem!

Letra e música: Tradicional (Alvor, Portimão, Algarve)
Recolha: Michel Giacometti (“Faça ‘ai, ai’, meu menino”, in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérprete: Segue-me à Capela (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Feliz Natal, bom Ano Novo

1. Feliz Natal,
bom Ano Novo,
presentes para partilhar.

A melhor prenda é a alegria
que Jesus tem para nos dar.

2. Felizes festas,
família unida,
muitas histórias p’ra contar.

Feliz Natal, Feliz Natal

Feliz Natal, feliz Natal.
Para todos, um ano especial.

1. Um menino diferente
e três reis do Oriente.

2. Uma rena, um trenó,
bolo-rei e pão-de-ló.

3. Um presépio, um pinheiro,
um amigo verdadeiro.

Letra: António José Ferreira
Música: Melodia inglesa

Eu fiz um pão diferente

Padeiro

1. Eu fiz um pão diferente
para a Família provar.

Jesus, dou-te a melhor prenda
que tenho para Te dar.

Sapateiro

2. Eu fiz uns sapatos novos
para Te poderes calçar.

Costureira

3. Eu fiz uma roupa linda
para Te agasalhar.

Carpinteiro

4. Eu fiz um berço bonito
para a Mãe Te embalar.

Letra e música: António José Ferreira

Jesus vem ao mundo

1. Jesus vem ao mundo:
que paz e bondade!
ó quanta doçura,
amor e humildade.

Vinde, adoremos,
Jesus salvador.
A estrela nos aponta
o rumo, a salvação,
Belém e Deus Menino,
celeste mansão.

2. Jesus no presépio,
vede quanto amor:
nascer pobrezinho
o Deus criador!

Logo que nasceu

1. Logo que nasceu,
Jesus acampou
e à luz das estrelas
uma voz soou,

um ah, ah, ah.

2. Maria, a Senhora,
seu Filho embalou
e à luz das estrelas
uma voz soou,

um ah, ah, ah.

Luzes no céu

Luzes no céu
em Dezembro a brilhar,
música e festa
por onde se andar,
uma vaquinha
que não quer pastar:
junto ao Menino,
em Belém, quer estar.

Letra e música: António José Ferreira

Maria, Mãe bendita

Maria, Mãe bendita,
encantaste o Senhor:
hoje e sempre louvamos
tua fé, teu amor.

Felizes como os anjos
a cantar lá nos céus
nós dizemos contigo:
poderoso é Deus.

Menino Jesus

[ Vestir o Menino ]

Menino Jesus,
tenho que vos dar
sapatinhos novos
para vos calçar.

Sapatos já tendes,
faltam-vos meiinhas:
eu vo-las darei,
de salvé-rainhas.

Meiinhas já tendes,
faltam-vos calções:
eu vo-los darei,
de mil orações.

Calções já os tendes,
falta-vos camisa:
eu vo-la darei,
de cambraia lisa.

Camisa já tendes,
falta-vos colete:
eu vo-lo darei,
de pano de crepe.

Colete já tendes,
falta-vos casaco:
eu vo-lo darei,
de pano bem guapo.

Casaco já tendes,
falta-vos lencinho:
eu vo-lo darei,
de pano de linho.

Lencinho já tendes,
falta-vos chapéu:
eu vo-lo darei,
levai-me p’ró Céu.

Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal)
Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas
Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata* (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)

Menino Jesus do céu

Menino Jesus do céu,
‘screvi-te um lindo postal
para me mandar’s brinquedos
no dia de Natal.

Menino Jesus do céu
que és rico e me tens amor,
dá-me uma prenda bonita,
talvez um computador.

Menino Jesus do céu
dá-me uma linda viola
p’ra praticar em casa
e aprender na escola.

Não há noite mais alegre

Não há noite mais alegre
Que é a noite de Natal
Onde nasceu o Deus-Menino
Antes do galo cantar.

Deu o galo três cantadas,
Deu o Menino nascido;
Bendito seja o ventre
Que o trouxe nove meses escondido!

E a mula, como maldosa,
Destapava-o com a ferradura;
Mas o boi, como era manso,
Tapava-o com a armadura.

E ao boi, Nosso Senhor
Lhe deu a sua bênção:
«As terras que tu lavrares
Todas elas dêem pão!

Cada bago dê uma espiga!
Cada espiga um milhão!
Todo ele se aguardará
Lá no mês de S. João!»

Não há noite mais alegre
Que é a noite de Natal
Onde nasceu o Deus-Menino
Antes do galo cantar.

Letra e música: Tradicional (Alte, Loulé, Algarve)
Intérprete: Vozes do Imaginário (in CD “Cantos ao Menino, Reis e janeiras da tradição musical portuguesa”, Do Imaginário – Associação Cultural, Évora, 2009

Noite feliz

1. Noite feliz! Noite feliz!
O Senhor, Deus de amor,
pobrezinho nasceu em Belém.
Eis na lapa Jesus, nosso bem.
Dorme em paz, ó Jesus.
Dorme em paz, ó Jesus.

2. Noite feliz! Noite feliz!
Ó Jesus, Deus da luz,
quão amável é teu coração
que quiseste nascer nosso irmão
e a nós todos salvar,
e a nós todos salvar.

3. Noite feliz! Noite feliz!
Eis que no ar vêm cantar
aos pastores os anjos dos céus
anunciando a chegada de Deus,
de Jesus Salvador,
de Jesus Salvador.

Nós somos os três Reis

Nós somos os três Reis
que viemos do Oriente
Trazer as Boas Festas
com Paz p’ra toda a gente.

Nós somos os três Reis
guiados por uma luz.
Adoramos Deus Menino
que se chama Jesus.

Nós somos os três Reis
Baltazar e Gaspar.
Também o Belchior
o veio adorar.

Nós somos os três Reis
guiados por uma luz
e trouxemos três presentes
para o Menino Jesus.

Não há noite mais alegre

Não há noite mais alegre
Que é a noite de Natal
Onde nasceu o Deus-Menino
Antes do galo cantar.

Deu o galo três cantadas,
Deu o Menino nascido;
Bendito seja o ventre
Que o trouxe nove meses escondido!

E a mula, como maldosa,
Destapava-o com a ferradura;
Mas o boi, como era manso,
Tapava-o com a armadura.

E ao boi, Nosso Senhor
Lhe deu a sua bênção:
«As terras que tu lavrares
Todas elas dêem pão!

Cada bago dê uma espiga!
Cada espiga um milhão!
Todo ele se aguardará
Lá no mês de S. João!»

Não há noite mais alegre
Que é a noite de Natal
Onde nasceu o Deus-Menino
Antes do galo cantar.

Letra e música: Tradicional (Alte, Loulé, Algarve)
Intérprete: Vozes do Imaginário (in CD “Cantos ao Menino, Reis e janeiras da tradição musical portuguesa”, Do Imaginário – Associação Cultural, Évora, 2009

Ó luz de Deus

1. Ó luz de Deus, ó doce luz
que brilhas nas alturas,
vem com teu brilho e teu fulgor
trazer ao mundo o teu calor.
Ó luz de Deus, ó doce luz
que brilhas nas alturas.

2. O mundo viu o Salvador
nascer humilde e pobre.
Ouviu os anjos proclamar
a paz que os homens vem salvar.
O mundo viu o Salvador
nascer humilde e pobre.

3. O Deus do céu vem junto a nós
viver a nossa vida.
Vem das alturas o Senhor
manifestar o seu amor.
O Deus do céu vem junto a nós
viver a nossa vida.

Ó, ó, ó, ó, menino, ó

Ó, ó, ó, ó, menino, ó,
Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó,
Teu pai foi ao eiró,
C’uma vara de aguilhão,
P’ra matar o perdigão.

Ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó!

Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó,
Teu pai foi ao eiró;
Tua mãe à borboleta,
Logo te vem dar a teta.

Ó, ó, ó, ó, menino, ó,
Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó,
Teu pai foi ao eiró,
C’uma vara de aguilhão,
P’ra matar o perdigão.

Ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó!

Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó,
Teu pai foi ao eiró;
Tua mãe à borboleta,
Logo te vem dar a teta.

Letra e música: Tradicional (Nozedo de Cima, Tuizelo, Vinhais, Trás-os-Montes)
Recolha: Kurt Schindler (1932, in livro “Folk Music and Poetry from Spain and Portugal”, New York: Hispanic Institute in the United States, 1941; “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes-Graça, col. Saber, Vol. 23, Lisboa: Publicações Europa-América, 1953 – p. 63; 3.ª edição, col. Saber, Vol. 23, Mira-Sintra: Publicações Europa-América, s/d. – p. 60; “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 16)
Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)

O menino está dormindo

1. O menino está dormindo
nas palhinhas despidinho.
Os anjos lhe estão cantando
por amor tão pobrezinho.

2. O menino está dormindo
nos braços da Virgem pura.
Os anjos lhe estão cantando:
“hossana lá na altura”.

3. O menino está dormindo
nos braços de São José.
Os anjos lhe estão cantando:
“Gloria tibi Domine”.

Natal de Évora

Ó meu Menino Jesus

Ó meu Menino Jesus,
Ó meu menino tão belo,
Onde foste a nascer
Ao rigor do caramelo.

Ó meu Menino Jesus,
Não queiras menino ser;
No rigor do caramelo
A neve te faz gemer.

O menino da Senhora
Chama pai a S. José,
Que lhe trouxe uns sapatinhos
Da feira de Santo André.

O Menino chora, chora,
Chora pelos sapatinhos;
Haja quem lhe dê as solas,
Que eu lhe darei os saltinhos.

Dá-me o teu menino!
Não dou, não dou, não dou!
Dá-me o teu menino,
Vai à missa que eu lá vou.
Dá-me o teu menino!
Não dou, não dou, não dou!

Letra e música: Popular (Campo Maior, Alto Alentejo)
Recolhas: Michel Giacometti (in LP “Alentejo”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1965; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 4 – Alentejo, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 5 – Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008 – vide nota infra); Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, RTP-1, 1970-73)
Intérprete: Brigada Victor Jara / voz solo de Joaquim Caixeiro (in LP “Quem Sai aos Seus”, Vadeca/J.C. Donas, 1981, reed. Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)

Ó Meu Menino Jesus

Ó meu Menino Jesus,
quem vos tirou do altar?
Foi o ministro de Cristo
para nos dar a beijar.

Ó meu Menino Jesus,
boquinha de marmelada,
dá-me da tua merenda
que a minha mãe não tem nada.

Ó meu Menino Jesus,
boquinha de requeijão,
dá-me da tua merenda
que a minha mãe não tem pão.

Ó meu Menino Jesus,
ó meu Menino tão belo,
só vós vieste nascer
no rigor do caramelo.

Entrai, pastores, entrai
por esses portais adentro!
Vinde ver o Deus-Menino
no sagrado nascimento!

Letra e música: Tradicional (Beiras, Portugal)
Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas
Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)

O que levas ao Menino

1. O que levas ao Menino,
o que tens para Lhe dar?
Vou levar-Lhe um casaquinho
p’ra Jesus se agasalhar

2. O que levas ao Menino,
o que tens para Lhe dar?
Vou levar-Lhe um brinquedinho
p’ra Jesus poder brincar.

3. O que levas ao Menino,
o que tens para Lhe dar?
Vou levar-lhe uma bola
p’ra Jesus poder jogar.

4. O que levas ao Menino,
o que tens para Lhe dar?
Vou levar-lhe uma viola
p’ra Jesus poder tocar.

5. O que levas ao Menino,
o que tens para Lhe dar?
Vou levar-lhe um livrinho
p’ra Jesus poder ‘studar.

6. O que levas ao Menino,
o que tens para Lhe dar?
Vou levar-lhe o coração
p’ra Jesus nele morar.

Letra e música: António José Ferreira

Oh Bento Airoso

Oh Bento Airoso,
Mistério divino!
Encontrei a Maria
À beira do rio
E lavando os cueiros
Do bendito Filho.

Maria lavava,
São José ‘stendia,
O Menino chorava
Com o frio que fazia.

Calai, meu menino!
Calai, meu amor!
(E) que as vossas verdades
Me matam de dor.

Letra e música: Tradicional (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes)
Recolha: Michel Giacometti (1960, in “Cancioneiro Popular Português”, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 43)
Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)

Para quem são as janeiras

– Para quem são as janeiras?
Para quem é a canção?
– Para a nossa professora
que temos no coração.

Para quem são as janeiras?
Para que é a cantiga?
-Para a Professora Carla
que é muito nossa amiga.

– Para quem são as janeiras?
Para quem é a canção?
É para as educadoras
que temos no coração.

– Para quem são as janeiras?
Para quem é a canção?
É para as auxiliares
que temos no coração.

– Para quem são as janeiras?
Para quem é a canção?
É p’ra todos os amigos
que temos no coração.

– Para quem são as janeiras?
Para quem é a canção?
Para a nossa professora
que se chama Conceição.

Letra e música: António José Ferreira

Pastorinhos

Pastorinhos do deserto,
é, pois, certo
que, na noite de Natal,
num curral,
baixou o Filho de Deus
lá dos céus.

Quem nos deu tanta alegria?
Foi Maria!
E quem nos deu tanta luz?
Foi Jesus!
Cantemos os seus louvores,
ó pastores.

Pastorinhos do deserto

Pastorinhos do deserto,
vinde todos a Belém
adorar o Deus Menino
nos braços da Virgem Mãe.
Pastorinhos do deserto,
vinde todos a Belém.

Pinheirinho, pinheirinho

Pinheirinho, pinheirinho
de ramos verdinhos,
p’ra enfeitar, p’ra enfeitar,
bolas, bonequinhos. (2 v. )

1. Uma bola aqui,
outra acolá,
luzinhas que piscam,
que lindo que está.

Olha o pai Natal
de barbas branquinhas.
Traz o saco cheio
de lindas prendinhas.

(Menino)
Pai Natal, Pai Natal
dá-me um avião
Não faz mal, não faz mal
que ande pelo chão.

(Menina) )
Pai Natal, Pai Natal
dá-me uma boneca.
Não faz mal, não faz mal
que seja careca.

Que todo o tempo seja de Natal

1. Que todo o tempo seja de Natal,
que todo o ano seja de Natal.
Que sempre haja alegria
igual à deste dia.
Que todo o tempo seja de Natal.

3. Que todo o tempo seja de Natal,
que todo o ano seja de Natal.
Que sempre haja esperança
nos sonhos da criança.
Que todo o tempo seja de Natal.

3. Que todo o tempo seja de Natal,
que todo o ano seja de Natal.
Que sempre haja amizade,
justiça e liberdade.
Que todo o tempo seja de Natal.

Letra e música: António José Ferreira

Rodolfo era uma rena

Rodolfo era uma rena,
de nariz avermelhado
Se vocês observassem,
viam-no logo encarnado.

Todas as outras renas,
gostavam muito de troçar.
E ao pobre Rodolfo,
nunca deixavam brincar.

Então numa bela noite
o Pai Natal lhe disse:
“Com o teu nariz encarnado,
guia o meu trenó prendado”

Então todas as renas
aplaudiram o Rodolfo
“Rena do nariz vermelho,
tu vais ser o mais famoso”

Sobre a gruta estava um anjo

1. Sobre a gruta estava um anjo;
cantava como ninguém cantou.
Um pastor escutou a voz
e os amigos logo chamou:

Gloria in excelsis Deo.
Gloria in excelsis Deo.

Letra: António José Ferreira
Música: Melodia francesa

Tã tã, vão pelo deserto

1. Tã tã, vão pelo deserto,
tã tã, Melchior e Gaspar,
tã tã, e atrás outro mago,
que todos conhecem por rei Baltazar.

2. Tã tã, surgiu uma estrela,
tã tã, no céu a brilhar,
tã tã, tão pura e tão bela,
que a terra inteira está ‘inda hoje a iluminar.

3. Tã tã, cansado o camelo,
tã tã, cansado de andar,
tã tã, assim carregado
de incenso, de mirra, de oiro p’ra dar.

Letra: António José Ferreira
Música: Melodia tradicional de Espanha

Três estrelas de alumínio

[ Presépio de Lata ]

Três estrelas de alumínio
A luzir num céu de querosene;
Um bêbedo julgando-se césar
Faz um discurso solene.

Sombras chinesas nas ruas,
Esmeram-se aranhas nas teias;
Impacientam-se as gazuas,
Corre o cavalo nas veias.

Há uma luz na barraca,
Lá dentro uma sagrada família;
À porta um velho pneu com terra
Onde cresce uma buganvília.

É o presépio de lata!
Jingle bells, jingle bells!

Oiçam um choro de criança:
Será branca, negra ou mulata?
Toquem as trompas da esperança
E assentem bem qual a data.

A lua leva a boa-nova
Aos arrabaldes mais distantes:
Avisa os pastores sem tecto,
Tristes reis magos errantes.

E vem um sol de chapa fina
Subindo a anunciar o dia:
Dois anjinhos de cartolina
Vão cantando “aleluia!”.

É o presépio de lata!
Jingle bells, jingle bells!

Nasceu enfim o menino,
Foi posto aqui à falsa fé:
A mãe deixou-o sozinho
E o pai não se sabe quem é.

É o presépio de lata!
Jingle bells, jingle bells!
Jingle bells, jingle bells!

Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso
Intérprete: Rui Veloso (in CD “Avenidas”, EMI-VC, 1998)

Um dia, um pastorinho

1. Um dia, um pastorinho,
um dia, um pastorinho,
guiava as ovelhas
tocando pifarinho.

2. No céu viu um sinal,
no céu viu um sinal:
um anjo anunciava
o dia de Natal.

3. Que lindo era o Bébé,
que lindo era o Bebé
no colo de Maria
sorrindo p’ra José.

4. Então o pastorinho,
então o pastorinho
chegou-se ao Bébé
e deu-lhe um beijinho.

Letra e música: António José Ferreira

Um rei do Oriente

1. Um rei do Oriente,
um rei do Oriente,
viu que no céu luzia
um astro diferente.

2. O rei de outro país,
o rei de outro país,
ao ver a nova estrela,
achou-se o mais feliz.

3. Noutro país distante,
Noutro país distante,
um outro mago viu
o astro deslumbrante.

4. Ao verem essa luz,
ao verem essa luz,
puseram-se a caminho
e foram ver Jesus.

5. Que lindo era o Bébé,
que lindo era o Bébé,
no colo de Maria
sorrindo p’ra José.

6. Os reis deram-lhe ouro,
os reis deram-lhe ouro,
voltaram ao palácio
com o maior tesouro.

Letra e música: António José Ferreira

Uma estrela e três magos

Uma estrela e três reis magos
levam prendas ao Menino.
Alguns anjos cantam: “Glória!”
e outros tocam violino.

Uma estrela e três reis magos
levam prendas ao bebé.
Alguns anjos cantam: “Glória!”
e outros tocam jambé.

Letra: António José Ferreira
Música: Melodia tradicional da Hungria

Vai-te embora, ó passarinho

1. Vai-te embora, ó passarinho,
deixa a baga do loureiro.
Deixa dormir o Menino
que está no sono primeiro.

2. Dorme, dorme, meu Menino
que a Mãezinha logo vem.
Foi lavar os cueirinhos
à fontinha de Belém.

Ilha de São Jorge, Açores

Vimos cantar as janeiras

1. Vimos cantar as janeiras.
Por esses quintais adentro, vamos
às raparigas solteiras.

Pam-pararan-ri-ri,
pam-pararan-ri-ri
pam, pam, pam, pam.

2. Vamos cantar orvalhadas,
por esses quintais adentro, vamos
às raparigas casadas.

3. Vira o vento e muda a sorte.
Por aqueles olivais perdidos
foi-se embora o vento norte.

4. Muita neve cai na serra.
Só se lembra dos caminhos velhos
quem tem saudades da terra.

5. Quem tem a candeia acesa
rabanadas, pão e vinho novo
matava a fome à pobreza.

6. Já nos cansa essa lonjura.
Só se lembra de caminhos velhos
quem anda a noite à aventura.

José Afonso

Canções de festa

Letras

A festa foi bonita pá

A festa foi bonita pá, mas tu agora
voltas ao mesmo sítio onde estiveste
voltas à mesma rua, à mesma casa
voltas ao mesmo copo que bebeste

E o mundo que sonhaste foi andando
o sonho de justiça e a fantasia
que ardemos toda a noite em fogo brando
terá que se enfrentar com o dia-a-dia

Mas há uma coisa enorme que ficou:
(e é nela que teces o amanhã
que deste frente-a-frente resultou)
vontade de viver outra verdade
vontade de acordar noutra manhã

A festa foi bonita pá, mas tu agora
voltas ao mesmo leito onde dormiste
e apesar do sabor que nos deixamos
o termos que partir é sempre triste

O mundo que sonhámos está tão longe
mas tudo o que esta noite se viveu
garante que afinal pode ser hoje
o mundo que se sonha e se esqueceu

Mas há uma coisa enorme que ficou:
(e é nela que teces o amanhã
que deste frente-a-frente resultou)
vontade de viver outra verdade
vontade de acordar noutra manhã

Mas há uma coisa enorme que ficou:
(e é nela que teces o amanhã
que deste frente-a-frente resultou)
vontade de viver outra verdade
vontade de acordar noutra manhã

Letra e música: Pedro Barroso
Intérprete: Pedro Barroso (in CD “Criticamente”, Lusogram, 1999)

Lá na festa da aldeia

[ Festa da Aldeia ]

Lá na festa da aldeia,
Debaixo da cameleira,
Convidaste-me a dançar:
Tamanha era a borracheira

Que no adro da igreja
Nos chegámos a casar.
No nariz, sinal de perigo,
Quem dorme contigo

Má sorte vai enfrentar:
Mas na festa da aldeia,
Com as vizinhas na soleira,
Eu fui-me enamorar.

Peço aos dias tempo emprestado
P’ra apagar esta recordação;
Na frase sem predicado
Há vírgulas sem cuidado

Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.
Lá na festa da aldeia,
Debaixo da cameleira,

A saia sempre a rodar:
A tua mão que se esgueira
Debaixo da pregadeira…
Eu vermelha, a corar.

No banco, dívidas, assombros;
Fiado não vais em ombros;
Fim do mês, falta-te o ar;
Debaixo da cameleira

Foi grande a ciumeira,
Começámos a namorar.
Peço aos dias tempo emprestado
P’ra apagar esta recordação;

Na frase sem predicado
Há vírgulas sem cuidado
Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.

Mas na festa da aldeia,
Tu de mão na algibeira,
Nós chegámos a casar:
Porque na festa da aldeia
Debaixo da cameleira

Tu puseste-me a dançar.
Peço aos dias tempo emprestado
P’ra apagar esta recordação;
Na frase sem predicado

Há vírgulas sem cuidado
Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.

Letra: Filipa Martins
Música: Rogério Charraz
Arranjo: João Balão
Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759