O poemário do cancioneiro português (incluindo fado, música tradicional e ligeira) pretende fomentar o gosto da poesia como parceira da música e a divulgação dos poetas cuja importância nem sempre é justamente reconhecida. Fontes: Blogue A Nossa Rádio, Álvaro José Ferreira.
A luz revela as cores da manhã e o rio espelha a sombra da cidade. O Outono vai roubando, pouco a pouco, a claridade. Desprendem-se as folhas bailando no ar, ao sabor da brisa. Um cheiro a castanhas perfuma a praça, o voo das pombas seduz quem passa. Ao longe há um cromatismo, de cores que vai vestindo de amarelo os plátanos. Junto à margem dissipa-se a neblina, é mais um dia frio de Novembro. Há no Outono suaves melodias, há uma voz aconchegando os dias, há palavras… rasgando as madrugadas.
Letra e música: Fernando Dias Marques Arranjo: Fernando Marques, Steve Fernandes e Jorge Correia Intérprete: Fernando Marques Ensemble (in CD “(des)Encontros”, Fernando Marques Ensemble, 2016)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e a qualidade de vida dos idosos.
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Águas passadas do rio
[ Balada do Outono ]
Águas passadas do rio Meu sono vazio Não vão acordar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas do rio correndo Poentes morrendo P’rás bandas do mar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Rios que vão dar ao mar Deixem meus olhos secar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar Águas das fontes calai Ó ribeiras chorai Que eu não volto a cantar
Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Fados de Coimbra e Outras Canções”, Orfeu, 1981, reed. Movieplay, 1987) Versão original: José Afonso (in EP “Balada do Outono”, Rapsódia, 1960; CD “Os Vampiros”, Edisco, 1987) Versão instrumental: Rui Pato – viola (in “Baladas e Canções”, de José Afonso, Ofir, 1967; reed. EMI-VC, 1997)
As folhas dançam desvairadas no ar
[ Valsa do Outono em Novembro ]
As folhas dançam desvairadas no ar Bailado ao vento, canção de embalar Valsinha triste num coreto vazio Regresso à infância e começo A ter frio, a ter frio…
Ainda me lembro do baloiço do jardim Da chuva no Outono que caía só p’ra mim Que céus de Novembro? Que lugares obscuros corrompem A esperança nos dias futuros?
Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal! Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal!
Memórias dispersas, vertigens, fragmentos Estilhaços da vida nos meus pensamentos Que céus de Novembro? Que lugares obscuros corrompem A esperança nos dias futuros?
Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal!
Que céus de Novembro? Que lugares obscuros corrompem A esperança nos dias futuros?
Bem sei que ando no meio do temporal À espera da paz prometida do Natal!
Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal! Da paz prometida do Natal!
Letra e música: Paulo Ribeiro Intérprete: Paulo Ribeiro (in CD “No Silêncio das Casas”, Heaven Sound, 2012)
Chegou bem devagarinho
[ A Chegada de Maria ]
Chegou bem devagarinho Pé-ante-pé de mansinho Mas de vez. Entre beijos e afagos Nem dei conta dos estragos Que ela fez. Do beco fez avenida Deu um cheiro à minha vida De jasmim. Foi o melro na janela Já não sei viver sem ela E dou por mim, Cantando assim:
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu não creio que tu corras Para nada Que eu não creio que tu corras Para nada
Sem agravo nem apelo Assaltou o meu castelo E o tomou. Chegou-se p’rá minha beira Com olhos de feiticeira Me encantou. Seus lábios, minha alegria Sua pele tão macia De cetim. Não há coisa mais amada E numa doce toada Eu dou por mim, Cantando assim:
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu sei bem que tu não corres Para nada Que eu sei bem que tu não corres Para nada
Sem agravo nem apelo Assaltou o meu castelo E o tomou. Chegou-se p’rá minha beira Com olhos de feiticeira Me encantou. Seus lábios, minha alegria Sua pele tão macia De cetim. Não há coisa mais amada E numa doce toada Eu dou por mim, Cantando assim:
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu sei bem que tu não corres Para nada Que eu sei bem que tu não corres Para nada
Agora que a luz do Outono Já chegou E um par de olhos por um outro Se encantou Corre, meu coração, corre À desfilada Que eu sei bem que tu não corres Para nada Que eu sei bem que tu não corres Para nada
Letra e música: Aníbal Raposo (Dezembro de 2001) Intérprete: Aníbal Raposo Versão original: Aníbal Raposo (in CD “A Palavra e o Canto”, Açor/Emiliano Toste, 2005)
Foi numa tarde de Outono
[ Tarde de Outono ]
Foi numa tarde de Outono, Soprava o vento do sul Nessa praia ao abandono Numa imensidão de azul.
Nuvens negras como breu Cobriram o céu, Escureceram o mar; Vento forte, solidão, Ondas turbilhão, Nasce o temporal.
Barcos que cedem ao vento, Gritos dispersos, lamentos; Foi sinfonia Que o vento inventou, Na praia vazia Nem um ser ficou.
Quando te vi, eu pensei Que era uma visão Perdida do Além; Era, porém, uma estrela Rasgando horizontes, Criando outro céu.
Barcos que cedem ao vento, Gritos dispersos, lamentos; Foi sinfonia Que o vento inventou, Na praia vazia Nem um ser ficou.
Letra e música: Paco Bandeira (Francisco Veredas Bandeiras) Arranjo: Jorge Machado Intérprete: Maria da Glória (in single “Tarde de Outono”, Decca/VC, 1972; reed. digital: Edições Valentim de Carvalho, 2021)
Poema ao Vento
[ Balada de Outono ]
Poema ao vento Com as crinas delirantes! Outono lento Com os sonhos bem distantes! Meu Sol sangrando em agonia, Meu corpo amando Um farrapo de poesia.
Folhas de Outubro Sobre Setembro: – Mãos que descubro Sem saber do que me lembro… Meu barco atado Ao cais da vida; Lenço bordado Que aceno em despedida.
Tudo sereno Neste mar em maresia: Um cheiro a feno Vai na onda da poesia Nas mãos da tarde – Em concha pura Um corpo arde De espanto e de ternura.
Eis o Outono Correndo à chuva! Com ar de sono E seu pranto de viúva… Tudo cinzento. Mágoa levada No movimento Desta garça abandonada.
Longo tormento Que Novembro acarreta: Poema dentro Da barriga do poeta. Minha placenta, Sem ter idade, Que não rebenta Este grito de saudade.
Que parto ameno De mim deriva? – Meu filho pleno, Meu amor em carne viva; Meu sangue e carne, Criado e dono; Folha da tarde Que caiu no meu Outono.
Poema: Álamo de Oliveira Música: Aníbal Raposo Intérprete: Aníbal Raposo* (in CD “A Palavra e o Canto”, Açor/Emiliano Toste, 2006)
Vento que traz nostalgia
[ Outono na Cidade ]
Vento que traz nostalgia D’um amor perdido Nas ruas da vida, Sombras e melancolia, Um adeus sentido De mulher esquecida. Nas folhas da esperança Caídas sem dono, Há passos de criança: É Outono!
Outono na cidade Tem gosto de saudade: É terna despedida que não esquece, É doce melodia Que vem no fim do dia Que o Sol – bom e doirado – ainda aquece.
Cai a folha – folha nua –, Chuva d’oiro molhando a rua: Outono na cidade, Que fria claridade! Sorriso que desce da Lua!
Gente que corre apressada Na manhã brumosa, Sonolenta e fria; Vida que sonha acordada A canção formosa, Luz do meio-dia. No azul infindo O povo bem sente O teu adeus, tão lindo, Sol poente!
Cai a folha – folha nua –, Chuva d’oiro molhando a rua: Outono na cidade, Que fria claridade! Sorriso que desce da Lua!
Letra: Ferro Rodrigues e Fernando Santos Música: Carlos Dias Intérprete: Max (in EP “Tingo Lingo Lingo”, Decca/VC, 1962; CD “O Melhor de Max: Vol. 2”, EMI-VC, 1993; CD “Max: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/outono.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 06:00:472024-11-13 04:32:00Canções de Outono
O sonho de livros amorosamente penteados e despenteados
o sonho de versos escritos em piões
as cadeiras de vidro no meio do mar
Ai, cerejeira das cerejas pretas miúdas
sem paciência o Mundo não dura
e o castelo de Noudar lá está:
sem terra casa ou leite.
Ai, cerejeira, o amor é uma luta?
Poema: Carlos Mota de Oliveira Música: Janita Salomé Intérprete: Janita Salomé (in CD “Tão Pouco e Tanto”, Capella/AudioPro, 2003)
Encontrei a Primavera
Encontrei a Primavera Ali em baixo no jardim Ai como vai ai como vai a Primavera Vai assim assim assim.
Refrão
Perguntei à Primavera Quando é que vinha o Verão Ai a 25 de Março A Primavera está na mão.
Refrão
Encontrei a Primavera Ali em baixo no lombinho Ai sentado numa cadeira Falar com um rapazinho.
Tradicional da Madeira
Maio, maduro Maio
Maio, maduro Maio, quem te pintou? Quem te quebrou o encanto nunca te amou. Raiava o sol já no Sul. E uma falua vinha lá de Istambul.
Sempre depois da sesta chamando as flores. Era o dia da festa, Maio de amores. Era o dia de cantar. E uma falua andava ao longe a varar.
Maio com meu amigo quem dera já. Sempre no mês do trigo se cantará. Qu’importa a fúria do mar. Que a voz não te esmoreça, vamos lutar.
Numa rua comprida El-Rei pastor. Vende o soro da vida que mata a dor. Anda ver, Maio nasceu. Que a voz não te esmoreça, a turba rompeu.
Letra e música: José Afonso Intérprete: Madredeus (in CD “Ainda”, EMI-VC, 1995) Versão original: José Afonso (in “Cantigas do Maio”, Orfeu, 1971; reed. Movieplay, 1987, 1996) Outras versões: Naná Sousa Dias (in “Ousadias”, Polygram, 1986); José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso (in CD “Maio, Maduro Maio”, Columbia/Sony, 1995); Couple Coffee (in CD “Co’as Tamanquinhas do Zeca”, Transformadores, 2007); Cristina Branco (CD “Abril”, Universal, 2007)
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Passo os meus dias
[ Andorinhas ]
Passo os meus dias em longas filas Em aldeias, vilas e cidades As andorinhas é que são rainhas A voar as linhas da liberdade
Eu quero tirar os pés do chão Quero voar daqui p’ra fora e ir embora de avião E só voltar um dia Vou pôr a mala no porão Saborear a primavera numa espera e na estação
Um dia disse uma andorinha Filha, o mundo gira, usa a brisa a teu favor A vida diz mentiras Mas o sol avisa antes de se pôr
Eu quero tirar os pés do chão Quero voar daqui p’ra fora e ir embora de avião E só voltar um dia Vou pôr a mala no porão Saborear a primavera numa espera e na estação
Já a minha mãe dizia Solta as asas, volta as costas Sê forte, avança p’ra o mar Sobe encostas, faz apostas Na sorte e não no azar
Intérprete: Ana Moura
Plantei um cravo à janela
Plantei um cravo à janela Para dar ao meu amor; Inventei a Primavera Ao redor daquela flor.
Dei-lhe um pouco de ternura E muito duma saudade; À janela da loucura Inventei a felicidade.
Fiquei à espera da bruma Nas praias do coração; À janela da loucura Inventei uma paixão.
Plantei um cravo à janela, Descobri a Primavera, Para dar ao meu amor Que já estava à minha espera.
Letra: Hélder Moutinho Música: José Fontes Rocha (Fado Joana) Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012) Versão original: Joana Amendoeira (in CD “À Flor da Pele”, HM Música, 2006) Outra versão de Joana Amendoeira (in CD/DVD “Joana Amendoeira & Mar Ensemble: Ao Vivo no Castelo de São Jorge”, HM Música, 2008)
Hélder Moutinho, créditos Jorge Gonçalves
Primavera
Intérprete: Celina da Piedade
Primavera passada
[ Canção amoroso-pastoril ]
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
A Primavera passada Foi o meu divertimento: Tomei amores mui cedo, Logrei-os mui pouco tempo.
Primavera, Primavera, Tempo de tomar amores; Não há tempo mais alegre Que Maio com suas flores.
Primavera, Primavera, Primavera dos boieiros; Coitadinhos dos pastores Que dormem pelos chiqueiros.
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
Ai lé lé lai lé lá, Ai lé lé lai ló: Foi a primeira cantiga Que me ensinou minha avó.
Letra e música: Popular (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro) Recolha: Fernando Lopes Graça (in livro “A Canção Popular Portuguesa”, Publicações Europa-América, 1953; 3.ª edição, col. Saber, Publicações Europa-América, s/d. – p. 75) Intérprete: Cantos d’Aurora (in CD “Sabores”, Cantos d’Aurora, 1996)
Rompe a aurora
[ Primavera Alentejana ]
Rompe a aurora, nasce o dia Iluminando o montado; Como um hino à alegria Houve-se balir o gado.
Roxo, verde e amarelo – Olho à volta – é o que vejo; Não há nada assim tão belo, Ó meu querido Alentejo!
Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas, Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas.
Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas, Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas.
Perfumados de poejo Os campos de solidão: É assim o Alentejo Que trago no coração.
O melro canta no silvado, O grilo num buraquinho; E eu por ti apaixonada, Alentejo, meu cantinho!
Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas, Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas.
Já não são como eram antes Mondados pelas moçoilas, Lindos campos verdejantes Matizados de papoilas.
Poema: Hermínia Gaidão Costa (em memória de Margarida Gaidão) Música: Hermínia Gaidão Costa e Roda Pé Arranjo: Roda Pé e Celina da Piedade Intérprete: Roda Pé (in CD “Escarpados Caminhos”, Public-Art, 2004)
Santo Aleixo és tão nobre
[ É Lindo na Primavera ]
[1.ª cantiga:] Santo Aleixo és tão nobre, Tão sincero, hospitaleiro… És terra de gente pobre, És terra de gente pobre, Mas a virtude é dinheiro!
[Moda:] É lindo na Primavera A gente viver no campo: Olhar e ver as flores, Bonitas de várias cores, Tão lindas é um encanto!
Ouvir as aves cantar, Ver a vida à nossa espera, Ver os ribeiros mandar Água clara p’ra o mar: É tão linda a Primavera!
[2.ª cantiga:] Quem quer bem dorme na rua À porta do seu amor: Faz das pedras cabeceira, Faz das pedras cabeceira, Das estrelas cobertor.
[Moda:] É lindo na Primavera A gente viver no campo: Olhar e ver as flores, Bonitas de várias cores, Tão lindas é um encanto!
Ouvir as aves cantar, Ver a vida à nossa espera, Ver os ribeiros mandar Água clara p’ra o mar: É tão linda a Primavera!
Letra: Bento Figueira Música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração (in 2CD “O ‘Cante’ Alentejano”: CD 1, Public-Art, 1998)
Se deixaste de ser minha
[ Por morrer uma andorinha ]
Se deixaste de ser minha Não deixei de ser quem era Por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera Por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera
Como vês não estou mudado E nem sequer descontente Conservo o mesmo presente E guardo o mesmo passado Conservo o mesmo presente E guardo o mesmo passado
Eu já estava habituado A que não fosses sincera Por isso eu não fico à espera De uma ilusão que não tinha Se deixaste de ser minha Não deixei de ser quem era Se deixaste de ser minha Não deixei de ser quem era
Vivo a vida como dantes Não tenho menos nem mais E os dias passam iguais Aos dias que vão distantes E os dias passam iguais Aos dias que vão distantes
Horas, minutos, instantes Seguem a ordem austera Ninguém se agarra à quimera Do que o destino encaminha Pois por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera Por morrer uma andorinha Não acaba a Primavera
Letra: Frederico de Brito Música: Francisco Viana Intérprete: Carlos do Carmo (in “Por Morrer Uma Andorinha”, Philips/Polygram, s/d; “A Arte e a Música de Carlos do Carmo”, Philips/Polygram, 1982; CD/DVD “Carlos do Carmo ao vivo: Coliseu dos Recreios de Lisboa”, Universal, 2004)
Se o fim é um começo
[ Primavera ]
Se o fim é um começo Voltamos sempre a lutar: Já lá vem outro Abril, É tempo de semear!
Da espera faz-se a luz Da primavera a nascer: Um fruto é como um filho Do querer!
Dois, três, e…
A tudo o que aprendemos, Beijado ao calor do Verão, Esquecemos neste Inverno… Faltou-nos uma canção!
Cantar p’ra não esquecer Que unidos não estamos sós! Que temos liberdade Na voz!
É Primavera quando chegas! Sou andorinha p’ra te ver E as flores que trazes são vermelhas: Há sempre esperança a renascer!
É Primavera quando chegas! Sou andorinha p’ra te ver E as flores que trazes são vermelhas: Há sempre esperança a renascer!
É Primavera quando chegas! Sou andorinha p’ra te ver E as flores que trazes são vermelhas: Há sempre esperança a renascer!
Letra e música: Celina da Piedade e Alex Gaspar Intérprete: Celina da Piedade (in CD “Festival da Canção 2017”, RTP Edições/Sony Music, 2017)
Todo o amor que nos prendera
[ Primavera ]
Todo o amor que nos prendera, como se fora de cera, se quebrava e desfazia. Ai funesta Primavera, quem me dera, quem nos dera ter morrido nesse dia!
E condenaram-me a tanto: viver comigo o meu pranto, viver, viver… e sem ti! Vivendo sem, no entanto, eu me esquecer desse encanto que nesse dia perdi…
Pão duro da solidão é somente o que nos dão, o que nos dão a comer… Que importa que o coração diga que sim ou que não, se continua a viver?
Todo o amor que nos prendera se quebrara e desfizera, em pavor se convertia. Ninguém fale em Primavera! Quem me dera, quem nos dera ter morrido nesse dia!
Poema: David Mourão-Ferreira Música: Pedro Rodrigues Intérprete: Amália Rodrigues (1965, in CD “Segredo”, EMI-VC, 1997; CD “Amália canta David”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2011)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/primavera.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:56:592025-06-09 17:37:00Canções de Primavera
A roupa do marinheiro Não é lavada no rio: É lavada no mar alto À sombra do seu navio. Não é lavada no rio.
Sereias que há no mar longe Não queiram o meu amor, Que eu deixei em terra firme Um peito a chorar de dor. Não queiram o meu amor.
Penso em ti nos sete mares, Juntos onde o vento for; Tu não és como a figueira Que dá fruto sem dar flor. Juntos onde o vento for.
Espera por mim que eu volto! Estão os campos por lavrar E assim fica a nossa vida Presa a uma vela no mar. Estão os campos por lavrar.
Letra e música: Popular (Minho) Arranjo e orquestração: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos com a Orquestra Sinfónica Portuguesa (in CD “Tierra Alantre”, Ocarina, 2014) Primeira versão [?]: Grupo de Cantares de Manhouce (in LP “Aboio”, EMI-VC, 1984)
Ronda dos Quatro Caminhos
Aos olhos do mar
Aos olhos do mar vestido de bruma se ouve o rumor da ave a planar
Aos olhos do mar Aos olhos do mar
Aos olhos do mar o som da maré a brisa e o sal se cruzam no ar
Aos olhos do mar Aos olhos do mar
Aos olhos do mar a lua e a noite afagam nas rochas a cor do luar
Aos olhos do mar Aos olhos do mar
Letra e música: Jorge Cravo Intérprete: Jorge Cravo e o Grupo Presença de Coimbra (in CD “Canções d’Inquietude”, Numérica, 2005)
Reciclanda
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Bamo lá ber
Bamo lá ber! Vamos lá ver! Bamo lá ber! Vamos lá ver!…
Vamos lá ver! Bamo lá ber! Vamos lá ver! Bamo lá ber!…
Vinha o barco, lá pela ria; Acostou com maré vazia. Vinha o pargo, Vinha a lula, Vinha o sargo E o peixe-lua.
Veio a gente para comprar O que a rede trouxe do mar. Trouxe um polvo, Uma cavala Mais uma bóia E uma sandália.
Veio o povo para comprar; Viu o peixe a saltitar. Salta o choco E a faneca Mais a sarda Para a água.
Vai o homem nos arraiais, Que a venda não se faz mais. Foi-se o peixe, Foi-se o pão… Mas que sorte! Maldição!
Volta p’ró mar, ó pescador! Sai no barco, com teu labor! Já não há mais, Acabou. Lá se foi, Que ele esgotou.
Vem para terra, com tua barca! Vende covos, com tua marca! Faz um sorriso P’ra o turista Que o tempo da faina acabou!
Letra e música: Carlos Norton Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)
Brota a água
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura, De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
A ciência que o mar tem Não tem nada de pasmar: Não há regato nem rio Que ao mar não vá parar.
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura, De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura, De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre com Janita Salomé (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre, com Janita Salomé (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Dentro de um búzio
[ Dessa Ilha ]
dentro de um búzio cabe todo o mar dentro desse mar cabem milhares de búzios muitos desses búzios servem p’ra jogar passam na cabeça cabem num colar nessa ilha posso lhe escutar o som que faço soar
dentro da cabeça uma multidão onde o mar começa onde acaba o chão fora de um corpo cabe todo o ar respirar um pouco já é tanto dessa ilha posso partilhar só o som que canto
Letra: Arnaldo Antunes Música: Danças Ocultas Intérprete: Danças Ocultas com Dora Morelenbaum (in CD “Dentro Desse Mar”, Danças Ocultas/Sony Music, 2018)
Em ti a navegar
[ Barca Catraia ]
Em ti a navegar Na barca, pescador, Ardentia no mar, Ancorado amor.
À proa levado Teu nome escrevi, Riso afogado No sal que escorri.
Vento abraçado Que me leva a voz; Reverso cantado O que me traz à foz.
Seja vela alva A que vai e que vem E a barca salva Das tormentas que tem.
Vestida de redes Por mim adornada, Desejos e sedes Na vaga salgada.
Entranhas doridas E golpes nos dedos; Amantes queridas, Rasgados segredos.
Espero, catraia, Navegando em ti: Da barca não caia Nem nos ais que ouvi!
Seja vela alva A que vai e que vem E a barca salva Das tormentas que tem.
Letra e música: Lindolfo Paiva Intérprete: Dialecto* Versão original: Dialecto (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)
Embarcados
[ Marcha Ingénua ]
Embarcados p’rás tormentas Com fartura d’incertezas: Adeus, cais da felicidade! Lá vão barcas portuguesas…
Oh! Enganadoras luas, Trópico de Capricórnio, Madrastas de bode preto, Enteadas do demónio!
Oh! Império de má memória, Dos cães de fila da moda!
Voa, vai, negra andorinha! Pede à minha namorada Dê notícias de Lisboa, Das praças livres, dos cravos, Das saudades que lhe tenho De vê-la subir a rua… A cantar a tal cantiga: Primavera não esquecida!
Voa, vai, negra andorinha! Pede à minha namorada Dê notícias de Lisboa, Das praças livres, dos cravos, Das saudades que lhe tenho De vê-la subir a rua… A cantar a tal cantiga: Primavera não esquecida!
Das saudades que lhe tenho De vê-la subir a rua… A cantar a tal cantiga: Primavera não esquecida!
Letra e música: Vitorino Salomé Intérprete: Vitorino (in LP “Flor de la Mar”, EMI-VC, 1983, reed. EMI-VC, 1992, Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2008; CD “As Mais Bonitas”, EMI-VC, 1993, EMI Music Portugal, 2012; 3CD “Tudo”: CD 2 – “Lisboa”, EMI Music Portugal, 2005)
Eu nasci nalgum lugar
[ O Mar Fala de Ti ]
Intérprete: Mafalda Arnauth
Foi a maré que te trouxe
[ Quando o Mar nos Leva o Fado ]
Foi a maré que te trouxe, foi o mar que te levou: o nosso amor afogou-se, nenhum de nós se salvou.
Só ficou a maresia: tudo o resto foi levado, como fica a poesia quando o mar nos leva o fado.
Nesses instantes de medo, a Mouraria discreta guarda a guitarra em segredo na viela mais secreta.
E nem mesmo a maresia tem licença p’ra entrar no bairro da Mouraria quando alguém está a cantar.
Noutros bairros ribeirinhos, onde há cheiro de marés, chegam barcos pobrezinhos: trazem fados no convés.
O nosso amor afogou-se de tanto eu o ter chorado: não sei dizer quem o trouxe, mas quem o leva é o Fado.
Letra: Tiago Torres da Silva Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado Bailarico) Intérprete: Cristina Nóbrega Versão original: Cristina Nóbrega (in CD “Um Fado para Fred Astaire”, Watch & Listen, 2014)
Cristina Nóbrega
Foram-se as cores
[ Canto Trágico dos Corvos de São Vicente ]
Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro…
Madrugada de outono passou rente ao promontório; Beijou o vento o mar que abraçava o rochedo: Dia de nascer uma tragédia, Maldição há muito amaldiçoada; O casco esventrado solta o monstro No manto da besta do negrume.
Soprou amargo e revolto, trazido na maré; Vestia negro e dançava, como seda sobre a água: Esmaga e volta a atormentar o mar Nos teus braços da asfixia! Salta, corvo, da tua barca Alertar quem te desconhecia!
Já não esvoaçam aromas, só do fumo do negreiro; Foge o riso do sorriso, fica a alma abandonada: Fecha portas e portadas! Lá fora, morte sem canção; Lenta, espalha a tua calma, Tenebrosa desolação!
Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro. Foram-se as cores embora; Na solidão sopra um negro…
Vai lá ver quem se matou, ou se algum ainda sobrou, Que o negro tudo cobre nessa lenta agonia! Tempo de partir, abandonar; Lamentar a grande tentação; Longa, a negra noite veio Tudo adormecer.
Letra e música: Carlos Norton Intérprete: OrBlua (in Livro/CD “Retratos Cinéticos”, Fungo Azul/Ocarina, 2015)
Fui bailar
[ Canção do mar ]
Composição: Frederico de Brito / Ferrer Trindade Intérprete: Dulce Pontes
Gaivotas em terra
Gaivotas em terra, de asas fechadas; marujos sem rumo, num banco dum bar; barcaças dormentes, no cais ancoradas; meninas morenas que pensam casar…
Preciso é que voem, que batam as asas; preciso é que deixem as altas janelas; preciso é que saiam as portas das casas; preciso é que soltem amarras e velas…
As asas são duas, se acaso uma ave quiser cortar céu, lançar-se no ar… A barca só voga, se a brisa suave quiser, ternamente, casá-la com o mar…
Marujos sozinhos, pensando outro mundo; meninas em casa, fiando desejo… Preciso é que cruzem seu olhar profundo; preciso é que colem as bocas num beijo!
Mãos de marinheiro não temem procelas, se houver outras mãos, p’ra além vendaval, rezando por ele e tecendo outras velas mais brancas, mais belas, do seu enxoval!
Letra: Mascarenhas Barreto Música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos (1968) (in CD “O Melhor de António dos Santos”, EMI-VC, 1992)
Mar, espuma
[ Canção do Marinheiro ]
Mar, espuma, céus e nuvens, Sargaço, peixes, gaivotas… Eis aqui os agiotas Que cercam o nosso balcão! Já vês, portanto – fragata: Por falta de compradores, Nem mesmo nossos amores Nos saem do coração.
Ai menina!… Tu não sabes Quanto é bom ser marinheiro! E ficar com um ar trigueiro Por aventuras no mar!
Mas isso foi até quando Virei no bordo de terra, E te avistei e disse – ferra! Mas era tarde, bati… Ao choque da pedra dura Saltou-me do leme a cana; Perdi logo a tramontana, O casco só não perdi…
Ai menina!… Tu não sabes Quanto é bom ser marinheiro! E ficar com um ar trigueiro Por aventuras no mar!
Tem pena de mim, sereia! Já que não posso em teu porto Achar o mesmo conforto Que outrora no mar achei… A nado põe o meu barco, Que eu logo e logo outro rumo Só de guindola e sem prumo, Te juro, demandarei!
Ai menina!… Tu não sabes Quanto é bom ser marinheiro! E ficar com um ar trigueiro Por aventuras no mar! [bis]
Por aventuras no mar! Por aventuras no mar!
Letra: Caetano Filgueiras Música: José Barros Arranjo: José Manuel David Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom, 2008)
Mar
Mar! Tinhas um nome que ninguém temia: Era um campo macio de lavrar Ou qualquer sugestão que apetecia…
Mar! Tinhas um choro de quem sofre tanto Que não pode calar-se, nem gritar, Nem aumentar nem sufocar o pranto…
Mar! Fomos então a ti cheios de amor! E o fingido lameiro, a soluçar, Afogava o arado e o lavrador!
Mar! Enganosa sereia rouca e triste! Foste tu quem nos veio namorar, E foste tu depois que nos traíste!
Mar! E quando terá fim o sofrimento! E quando deixará de nos tentar O teu encantamento!
Poema: Miguel Torga (in “Poemas Ibéricos – História Trágico-Marítima”, 1965; “Poesia Completa”, 2000) Música: ? Intérprete: João Braga (in CD “Fado Fado”, BMG Portugal, 1997)
Meu amor foi marinheiro
[ Novo Mar ]
Meu amor foi marinheiro Navegou de lés a lés Enfrentou o mar inteiro Ventos e marés
Mas um dia desistiu De embarcar no mar de tanta perdição E o seu navio Só cruza agora o meu coração
Meu amor audaz e forte Resistiu aos temporais E nunca perdeu o norte Chegou sempre ao cais
Meu amor correu o mundo Até esteve em muitas terras de ninguém Foi vagabundo Mas já não vive nesse vai e vem
Mil e uma histórias Que ele tem pra me contar, E eu dou-lhe memórias Do futuro, eu sou seu novo mar…
Meu amor foi marinheiro, Navegou de sol a sol Enfrentou o mar inteiro Sem qualquer farol
Ele em cada noite escura Inventava tantos raios de luar E agora jura Sou seu rumo e o seu novo mar
Mantém-se a miragem E o prazer de navegar Mas nesta viagem Eu sou seu rumo…. Eu sou seu novo mar
Letra: Fernando Gomes Música: Valter Rolo Intérprete: Catarina Rocha
Meu nome é nome de Mar
[ Nome de Mar ]
Intérprete: Maria Ana Bobone
O fado nasceu um dia
[ Mar Português ]
Intérprete: Sara Correia
O mar a salgar-nos a vida
[ Quem Anda ao Mar ]
O mar a salgar-nos a vida E a vida sem sal O vento a empurrar-nos a alma Contra o temporal Mas quando o destino Foi tudo o que herdámos Dos nossos avós É tão pouca a sorte O vento é tão forte Que há-de ser de nós?
As mãos presas na corrente O tempo a passar O mar a gastar-nos os anos E o medo a ficar No fundo das águas Descansam mil mágoas Do nosso sofrer A manhã clareia A rede vem cheia Que mais posso eu querer?
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Os dias são como as ondas É o mesmo vai-e-vem O mar é como a saudade Não poupa ninguém No vazio da praia Esvoaça uma saia Cor negra a sofrer Que se a calma vaga Que a manhã me traga A alegria de o ver
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Dizem que o mar também chora E é como um barco sem ter farol Chora p’la Lua que se foi embora Como uma louca, atrás do Sol E às vezes as fúrias são tantas Que não há ninguém que as possa acalmar A não ser a alma daqueles que andam ao mar
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997) Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)
O mar não é de ninguém
[ Ninguém É Dono do Mar ]
O mar não é de ninguém Ninguém é dono do mar Nem aqueles que lá sabem navegar
Se eu um dia não voltar Desenha o meu nome no chão Pede um desejo às ondas do mar E guarda-o na tua mão
Sempre que a noite vier Quando não houver luar Dá o desejo a uma onda qualquer E pede-lhe p’ra eu voltar
Trago o destino das águas No aguardar dos rochedos Dizem que o tempo é que apaga as mágoas Quem será que apaga os medos?
O mar não é de ninguém Ninguém é dono do mar Nem aqueles que lá sabem navegar
E se depois eu vier Foi porque o mar te escutou Deixa os sorrisos correrem p’la praia Que o temporal acabou
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017) Versão original: Quadrilha (in CD “Quarto Crescente”, Vachier & Associados/Ovação, 1999) Outra versão de Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)
O mar a salgar-nos a vida
[ Quem anda ao mar ]
O mar a salgar-nos a vida E a vida sem sal O vento a empurrar-nos a alma Contra o temporal Mas quando o destino Foi tudo o que herdámos Dos nossos avós É tão pouca a sorte O vento é tão forte Que há-de ser de nós?
As mãos presas na corrente O tempo a passar O mar a gastar-nos os ano E o medo a ficar No fundo das águas Descansam mil mágoas Do nosso sofrer A manhã clareia A rede vem cheia Que mais posso eu querer?
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Os dias são como as ondas É o mesmo vai-e-vem O mar é como a saudade Não poupa ninguém No vazio da praia Esvoaça uma saia Cor negra a sofrer Que se a calma vaga Que a manhã me traga A alegria de o ver
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Dizem que o mar também chora E é como um barco sem ter farol Chora p’la Lua que se foi embora Como uma louca, atrás do Sol E às vezes as fúrias são tantas Que não há ninguém que as possa acalmar A não ser a alma daqueles que andam ao mar
Quem anda ao mar Não tem dia, não tem hora Nunca sabe quando chega Nem quando se vai embora
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997) Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)
Sebastião Antunes
Ó mar
[ Canção do Mar ]
Ó mar Ó mar Ó mar profundo Ó mar Negro altar Do fim do mundo
Em ti nasceu Ó mar A noite que já morreu No teu olhar
Ó mar Ó mar Ó mar profano Ó mar Verde mar Em que me irmano
Em ti nasceu Ó mar A noite que já morreu No teu olhar
Ó mar Ó mar Ó mar profundo Ó mar Negro altar Do fim do mundo
Em ti nasceu Ó mar A noite que já morreu No teu olhar
Ó mar… Ó mar… Ó mar…
Letra e música: José Afonso Arranjos/adaptação: Rui Tinoco Intérprete: Frei Fado d’El Rei (in livro/CD “Senhor Poeta: Um Tributo a José Afonso”, Bartilotti Produções/Ovação, 2007) Criação: José Afonso (in EP “Cantares de José Afonso”, Columbia/VC, 1964; LP “Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes”, Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1992; CD “Luiz Goes/José Afonso/Carlos Paredes: Encontros em Coimbra”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD “Luiz Goes, José Afonso e Carlos Paredes: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)
Oh Mar revolto
[ Náufrago (Mar Revolto) ]
Oh Mar revolto, Levas tanta gente Que de ti traz paz e sustento! Levas esperança, medos, vendavais Trazes a dor distante de um cais
Oh Mar profundo Das Almas esquecidas De quem sofre em terra perdas e vidas! Perder de vista o destino de um lar Irei p’ra longe, há ir e voltar
Oh Mar sem fim De sonhos perdidos De mágoas, de lutas e rumos sofridos! Noites perdidas e ventos fortes Noites esquecidas, vidas e mortes
Letra: José Francisco Vieira Música: José Francisco Vieira, Paulo Machado, João Vieira Intérprete: Marenostrum (in CD “Rua do Peixe Frito”, Marenostrum/Alain Vachier Music Editions, 2019)
João Frade, Marenostrum
Os búzios soam
[ Segredos do Mar (Mistiká tis Thalassas) ]
Os búzios soam o ritmo das marés A preia-mar dá à costa uma carta de amor Da minha janela vejo um navio a passar Um marinheiro lá bem longe diz adeus
A Lua guarda eternos segredos Mais profanos da nossa paixão O Mar liberta e solta os medos Que se escondem no teu coração
A carta dizia amor vou partir Oxalá um dia te volte a encontrar No sorriso da lua vejo o teu coração Ainda sinto o teu cheiro na brisa do mar
A Lua guarda eternos segredos Mais profanos da nossa paixão O Mar liberta e solta os medos Que se escondem no teu coração
Letra e música: Samuel Lopes Intérprete: Citânia Versão original: Citânia com Maria Zogopoulou & Vitorino (in Livro/CD “Segredos do Mar”, Seven Muses, 2011)
Pus o meu sonho num navio
[ Naufrágio ]
Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; — depois, abri o mar com as mãos, com as mãos, para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas do azul, do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio; debaixo da água vai morrendo meu sonho, vai morrendo dentro do navio…
Chorarei quanto for preciso, para fazer, para fazer com que o mar cresça, e o meu navio chegue ao fundo e o meu sonho desapareça.
Poema: Cecília Meireles (excerto ligeiramente adaptado do poema “Canção”) Música: Alain Oulman Intérprete: Amália Rodrigues [in LP “Com Que Voz”, Columbia/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1987; 2CD “Com Que Voz” (nova edição): CD 1, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2010; CD “Com Que Voz (Remastered)”, Edições Valentim de Carvalho, 2019]
Reina grande confusão
[ Os Novos Anjos (ao Zeca Afonso) ]
Reina grande confusão No céu pelos corredores; Os anjos querem trocar Asas por computadores; Chegam todos aos magotes, Há já quem fale em reforma; Estão cansados de voar, Só querem agenciar.
O Senhor Arcanjo, No meio do mar, Fez das asas barco Para navegar; [bis] Fez dos braços remos, Vai correndo mundo; Bóia, coração, Que o barco vai ao fundo! O barco vai ao fundo!
Vêm uns deitá-lo abaixo, Outros louvar-lhe o passado; Estivesse morto ou lá perto Teria um preço mais certo! Canta o gaio já cansado, O dia chegou ao fim: Uns vão p’ra casa dormir, Outros vão assim, assim!
O Senhor Arcanjo, No meio do mar, Fez das asas barco Para navegar; [bis] Fez dos braços remos, Vai correndo mundo; Bóia, coração, Que o barco vai ao fundo! O barco vai ao fundo!
E o Senhor Arcanjo, No meio do mar, Fez das asas barco Para navegar; Fez dos braços remos, Vai correndo mundo; Bóia, coração, Que o barco vai ao fundo! O barco vai ao fundo!
Letra e música: Amélia Muge Intérprete: Amélia Muge (in CD “Todos os Dias”, Columbia/Sony Música, 1994)
Sou Barco
Sou barco abandonado Na praia ao pé do mar E os pensamentos são Meninos a brincar.
Ei-lo que salta bravo E a onda verde-escura Desfaz-se em trigo De raiva e amargura.
Ouço o fragor da vaga Sempre a bater ao fundo, Escrevo, leio, penso, Passeio neste mundo De seis passos E o mar a bater ao fundo.
Agora é todo azul, Com barras de cinzento, E logo é verde, verde, Seu brando chamamento.
Ó mar, venha a onda forte Por cima do areal E os barcos abandonados Voltarão a Portugal.
Poema: António Borges Coelho (in “Roseira Verde”, Lisboa: Edição do autor, 1962) Música: Luís Cília Intérprete: Luís Cília (in LP “Portugal-Angola: Chants de Lutte”, Le Chant du Monde, 1964)
Tão bonita és
[ Música de Mar ]
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Paro p’ra te ver para lá do olhar e param-me as mãos a pensar.
Tão pura, tão simples, tão meiga de ouvir: canto de embalar e dormir, eixo ribaldeixo como a cantilena que tu soletraste em pequena.
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Quando nos invades, quando nos tormentas, risos, choros, silêncios inventas.
Música e amante mal te conheci, três vidas num instante vivi; música de mar que nas ondas vem toca-me nos dedos também!
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Como hei-de compor, como hei-de cantar tanto qu’inda tens p’ra me dar?
Como uma criança canta a tabuada e junta três sons encantada, assim te encontramos a ti, melodia, nós que cinzentamos o dia.
Tão bonita és, tão bonita estás, tão bonita és, como vais? Viril, feminina, velhota ou senhora, riso de menina e doutora.
Nua te despi, nua te deixei e entre sol e lua cantei. Como poderemos nós falar de ti se andamos tão longe e tu aqui?!
Poema: Pedro Barroso Música: Imanol (Manuel Eusebio Larzábal Goñi, 1947-2004) Intérprete: Pedro Barroso (in LP “Pedro Barroso”, Schiu!/Transmédia, 1988)
Tem mil anos uma história
[ Sete Mares ]
Tem mil anos uma história De viver a navegar Há mil anos de memórias a contar Ai, cidade à beira-mar Azul
Se os mares são só sete Há mais terra do que mar… Voltarei amor com a força da maré Ai, cidade à beira-mar Ao sul
Hoje Num vento do norte Fogo de outra sorte Sigo para o sul Sete mares
Foram tantas as tormentas Que tivemos de enfrentar… Chegarei amor na volta da maré Ai, troquei-te por um mar Ao sul
Hoje Num vento do norte Fogo de outra sorte Sigo para o sul Sete mares
Letra: Francisco Menezes Música: Sétima Legião Intérprete: Sétima Legião (in “Mar d’Outubro”, EMI-VC, 1987; reed. 1988)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/mar.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:53:362025-06-28 11:34:26Canções do mar
A azeitona já está preta, Já se pode armar aos tordos, Diz-me lá, ó cara linda: Como vais d’amores novos? Já se pode armar aos tordos.
É mentira, é mentira, É mentira, sim, senhor! Eu nunca roubei um beijo, Quem mo deu foi meu amor.
Quem me dera ser colete! Quem me dera ser botão, Para andar agarradinha Juntinho ao teu coração! Quem me dera ser botão!
É mentira, é mentira, É mentira, sim, senhor! Eu nunca roubei um beijo, Quem mo deu foi meu amor.
Ai, que lindo chapéu preto Naquela cabeça vai! Ai, que lindo rapazinho Para genro do meu pai! Naquela cabeça vai!
É mentira, é mentira, É mentira, sim, senhor! Eu nunca roubei um beijo, Quem mo deu foi meu amor.
É mentira, é mentira, É mentira, é mentira, É mentira, é mentira…
Letra e música: Arlindo de Carvalho Intérprete: Celeste Rodrigues* [in EP “Celeste (Chapéu Preto)”, Parlophone/VC, 1959; reed. digital: Edições Valentim de Carvalho, 2019]
A lua nasceu
[ Canção de Embalar ]
A lua nasceu e cresceu no além, A noite surgiu também. Faz ó-ó, meu amor, Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri.
Tu verás, meu amor, Como é bom sonhos ter: Deus te dê os melhores que houver. Faz ó-ó, meu amor, Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri.
E tens, porque eu sei e roguei ao Senhor, Um sonho de paz e amor. Meu amor, vai dormir! Vai dormir e sonhar! Deixa a lua sorrir lá no ar.
Tu verás, meu amor, Como é bom sonhos ter: Deus te dê os melhores que houver. Faz ó-ó, meu amor Porque eu velo por ti! Só aos anjos a lua sorri.
Letra e música: Tradicional Intérprete: Musica Nostra (in CD “Cantos da Terra”, Açor/Emiliano Toste, 2009)
Ai amor
[ Canção de Ida e Volta ]
Ai amor O tempo vai e vem Os meus olhos Não são de mais ninguém
Quem partiu Canta o que deixou Haja alguém Que mesmo assim cantou
Ai amor O tempo vai e vem
Estas casas Não mudarão de cor São de prata À hora do Sol-pôr
Corre o vento Dos lados de Espanha Ai amor A ver se me apanha
Estas casas Não mudarão de cor
Ai amor O tempo vai e vem Os meus olhos Não são de mais ninguém
Volta a rola Sabe o seu caminho Volta alguém Há luz no montinho
Ai amor O tempo vai e vem
Letra: João Monge Música: João Gil Intérprete: Ala dos Namorados / voz de Nuno Guerreiro (in CD “Por Minha Dama”, EMI-VC, 1995)
Amor com amor se paga
Amor com amor se paga. Porque não pagas, amor? Olha que Deus não perdoa A quem é mau pagador!
Amor, não me escrevas cartas, Que, bem sabes, não sei ler! Quando sentires saudades, Perde um dia e vem-me ver!
Amor com amor se paga: Nunca vi coisa mais justa; Paga-me contigo mesma, Meu amor, pouco te custa!
Ainda depois de morto, Debaixo do frio chão, Hás-de achar o teu nome Escrito no meu coração.
Dá-me um beijo, eu dou-te dois! A minha paga é dobrada: É o jeito de quem ama, Pagar e não dever nada.
Amor com amor se paga: Nunca vi coisa mais justa; Paga-me contigo mesma, Meu amor, pouco te custa!
Amor com amor se paga. Porque não pagas, amor? Olha que Deus não perdoa A quem é mau pagador!
Amor, não me escrevas cartas, Que, bem sabes, não sei ler! Quando sentires saudades, Perde um dia e vem-me ver!
Amor com amor se paga: Nunca vi coisa mais justa; Paga-me contigo mesma, Meu amor, pouco te custa!
Letra: Quadras populares Música: César Prata Arranjo: César Prata e Vânia Couto Intérprete: César Prata e Vânia Couto Versão original: César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos.
Contacte-nos:
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Ao meio do quarto
[ Na Volta de um Beijo ]
Ao meio do quarto uma rosa cai no chão Ao fundo do peito uma letra sem canção Ao canto da sala guitarras sem bordão Lá fora do meu peito andas tu e o meu perdão
Sentada cá dentro olho a cruz, está sem pregão Caiu-me a jarra das mãos, caiu uma rosa de paixão Fechaste o teu peito, levaste-me o coração Agora andas tu lá fora, sozinho sem paixão
Chora, chora, e a mim que se me dá! Chora, chora, e a mim que se me dá!
Eu hei-de ir à romaria pedir a Nossa Senhora Que me traga o meu amor que anda pelo mundo fora E assim vê-lo na volta, na volta de um beijo Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo
Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo
Eu hei-de vê-lo na volta, na volta de um beijo
Letra: Tradicional e Tiago Curado de Almeida Música: Tiago Curado de Almeida (com motivo melódico de “Boys Don’t Cry”, da autoria de Robert Smith) Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Ao princípio
[ Nasce Afrodite, amor, nasce o teu corpo ]
Ao princípio, é nada. Um sopro apenas, Um arrepio de escamas, um perpassar de sombra Como de nuvem marinha que se esgarça Nos radiais tentáculos da medusa. Não se dirá que o mar se comoveu E que a onda vai formar-se deste frémito. No embalo da água oscilam peixes E das algas as hastes serpentinas À corrente se dobram, como ao vento As searas da terra e as crinas dos cavalos. Entre dois infinitos de azul a onda vem, Toda de sol vestida e rebrilhante, Líquido corpo de reflexos cegos. E da terra, o vento corre para ela, Tal o macho cioso para a fêmea aberta, Transportando consigo o pólen das flores. Fecundada, a onda rola agora, trovejando, Na corrida para o parto que a espera No leito de negras rochas que, na costa, Se adorna de mil vidas fervilhantes. Mais alto ainda as águas se suspendem No segundo final da gestação imensa. E quando, num furor de vida que começa, A onda se despedaça no rochedo, O envolve, o cinge, o aperta e dilacera, Da branca espuma, do sol e do vento que soprou, Dos peixes, das flores e do seu pólen, Das algas trémulas, do trigo e dos braços da medusa, E das crinas dos cavalos, do mar, da vida toda, Nasce Afrodite, amor, nasce o teu corpo.
Chamava-se Nini
[ Nini dos Meus Quinze Anos ]
Letra: Fernando Assis Pacheco Música: Paulo de Carvalho Intérprete: Paulo de Carvalho (in LP “Volume I”, 1978; CD “Vida”, Farol, 2006)
Chamava-se Nini Vestia de organdi E dançava (dançava) Dançava só pra mim Uma dança sem fim E eu olhava (olhava)
E desde então se lembro o seu olhar É só pra recordar Que lá no baile não havia outro igual E eu ia para o bar Beber e suspirar Pensar que tanto amor ainda acabava mal
Batia o coração mais forte que a canção E eu dançava (dançava) Sentia uma aflição Dizer que sim, que não E eu dançava (dançava)
E desde então se lembro o seu olhar É só pra recordar Os quinze anos e o meu primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Toda a ternura que tem o primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Que a vida passa Mas um homem se recorda, é sempre assim Nini dançava só pra mim
E desde então se lembro o seu olhar É só pra recordar Os quinze anos e o meu primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Toda a ternura que tem o primeiro amor Foi tempo de crescer Foi tempo de aprender Que a vida passa Mas um homem se recorda, é sempre assim Nini dançava só pra mim
Chamei-te linda
Chamei-te linda, engraçada Da graça que Deus te deu E tu deste uma risada Quem a não tinha era eu
Que mais eu posso fazer Fazer eu posso, ai de mim P’ra um dia te ouvir dizer Ouvir-te dizer que sim
Deixa-me ao menos a esperança A derradeira a morrer “Quem espera sempre alcança” Foi sempre o que ouvi dizer
És a flor que mais desejo Das flores do meu roseiral Quanto, rosa, te não vejo A vida corre-me mal
Sei que tu és o meu par Sei que nasceste p’ra mim Não se devem afastar Flores do mesmo jardim
Rosa branca, tua cor, No dia em me quiseres Farei de ti, meu amor, A mais feliz das mulheres
És a flor que mais desejo Das flores do meu roseiral Quanto, rosa, te não vejo A vida corre-me mal
Sei que tu és o meu par Sei que nasceste p’ra mim Não se devem afastar Flores do mesmo jardim
Rosa branca, tua cor, No dia em me quiseres Farei de ti, meu amor, A mais feliz das mulheres
Letra e música: Aníbal Raposo (2011-02-13) Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)
Coração, meu coração
[ Coração Que me Pertence ]
Coração, meu coração Que sonhavas esta vida, Por que razão tu paraste? Não digas que adivinhaste Na hora da despedida Desta sublime afeição?
Quantas horas, tantas horas Esvoaçaste de mansinho No carinho do meu jeito! Já nem sabes onde moras, Descuidado passarinho, Se no teu se no meu peito.
Fechei meus olhos perdidos, Não fosse com o desgosto Rogarem-te alguma praga… Que os teus hão-de ver, sentidos, No braseiro do sol-posto O sangue da minha mágoa.
E no fogo da ambição, Que ao amor julga que vence, Queimaste a minha raiz… Como pode ser feliz Coração que me pertence No calor duma outra mão?
Como pode ser feliz Coração que me pertence No calor duma outra mão?
Letra e música: Armando Estrela Intérprete: Tereza Tarouca (in single “O Mangas / Coração Que me Pertence”, Alvorada/Rádio Triunfo, 1979; CD “Tereza Tarouca”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 32, Movieplay, 1994)
Dei-te um desenho meu
[ Eu gosto de ti ]
Dei-te um desenho meu Feito com as cores do céu Pra guardares junto a ti Sempre que eu for embora
Dei-te um desenho meu (dei-te em desenho meu) Que não caiu do céu Com os teus lápis de cor Juntei o teu amor ao meu
Recordações de belas canções Contigo, baixinho Recordações de nós
Sei que o tempo passa, voa Que eu sinto falta Mas o caminho é voltar Sempre Pra te poder abraçar
Sempre O meu caminho é voltar pra dizer Eu gosto de ti Sim, eu Eu gosto de Eu gosto de ti
Dei-te um desenho meu (dei-te em desenho meu) Feito com as cores do céu Pra guardares junto a ti sempre que eu for Embora
Recordações daqueles verões Contigo, contigo Recordações de nós
Sei que o tempo passa, voa Que eu sinto falta Mas o caminho é voltar Sempre Pra poder te abraçar Sempre
O meu caminho é voltar pra dizer Eu gosto de ti Sim, sim eu Eu gosto de ti Eu gosto de ti Sim gosto Sim, eu Eu gosto de ti Eu gosto de ti Sim, eu Eu gosto Eu gosto de ti
Música: Marisa Liz, Tiago Pais Dias Intérprete: Elas (Áurea, Marisa Liz)
Descobri-te na minha boca
[ Quebranto ]
Descobri-te na minha boca Na minha pele fria deixada na cama vazia Encontrei o teu sabor nos meus lábios Nos lençóis caídos no chão Na manhã de uma primeira noite Do teu corpo inundado em mim Só não estás tu e o meu coração
Saí de casa à vossa procura Sem eira nem beira Como vagabunda, sem faro, sem dono Parei na tua rua onde te encontrei Pela primeira vez Entre um copo de vinho e um fado vadio Só não estás tu e o meu coração
Onde estás, coração? Esse homem ladrão Que me fez um quebranto Canto, suor, engano cigano, um encanto Coração! Onde estás, coração? A vida tropeça nas mãos Deita-se contigo e foge na madrugada
Perdida, relembro-te à mesa Entre a neblina do fumo e um sorriso mudo Como quem pede por mim Sentei-me, falaste com a guitarra Primeira vez que te vi Primeira vez que me dei Sem pudor nem amor Até que percebi: Só não estás tu e o meu coração
E agora só me resta a noite Sou um corpo dos outros Sem alma, sem fé nem desdém Despida de amor Teu corpo uma canção que não pára Meu corpo a tua guitarra Meu fado é um filho perdido Sozinho nas ruas sem mim Já não sou eu, perdi o meu coração
Onde estás, coração? Esse homem ladrão Que me fez um quebranto Canto, suor, engano cigano, um encanto Coração! Onde estás, coração? A vida tropeça nas mãos Deita-se contigo e foge na madrugada
Letra e música: Vânia Couto Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
É a tua vida que eu quero bordar
[ A Linha e o Linho ]
É a tua vida que eu quero bordar na minha Como se eu fosse o pano e tu fosses a linha E a agulha do real nas mãos da fantasia Fosse bordando ponto a ponto o nosso dia-a-dia E fosse aparecendo aos poucos o nosso amor Os nossos sentimentos loucos, o nosso amor O zig-zag do tormento, as cores da alegria A curva generosa da compreensão Formando a pétala da rosa, da paixão A tua vida o meu caminho, o nosso amor Tu és a linha e eu o linho, o nosso amor A nossa colcha de cama, a nossa toalha de mesa Reproduzidos no bordado A casa, a estrada, a correnteza O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza
A tua vida o meu caminho, o nosso amor Tu és a linha e eu o linho, o nosso amor A nossa colcha de cama, a nossa toalha de mesa Reproduzidos no bordado A casa, a estrada, a correnteza O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza
Letra e música: Gilberto Gil Intérprete: Celina da Piedade Primeira versão de Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016) Versão original: Gilberto Gil (in LP “Extra”, Warner Bros. Records, 1983, reed. WEA Discos, 1995)
Ela tem a boca torta
[ Os embeiçados ]
Ela tem boca torta nariz grande cabelo mal cortado rói as unhas usa cunhas mas eu estou apaixonado
Ele tem espinhas sardas pontos negros e uma boca exagerada desafina e desatina mas eu estou apaixonada
Ela é ciumenta rabugenta embirrenta e tagarela intriguista e moralista mas eu estou louco por ela
Ele faz cenas gagas altas fitas não tem confiança em mim faz-se caro faz-me trombas mas eu gosto dele assim
Diz-se que o amor é cego deforma tudo a seu jeito mas eu acho que o amor descobre o lado melhor do que parece defeito
Porque eu gosto gosto dele e ela gosta gosta de gostar de mim
Letra: Regina Guimarães Música: Hélder Gonçalves Intérprete: Clã
Em tenra laranjeira
[ Fado Laranjeira ]
Em tenra laranjeira, ainda pequenina, Onde poisava o melro ao declinar do dia, Depois de te beijar a boca purpurina, Um nome ali gravei: o teu nome, Maria.
Em volta um coração também com arte e jeito, Ao circundar teu nome a minha mão gravou: Esculpi-lhe uma data e o trabalho feito, Como selo de amor, no tronco lá ficou.
Mas no rugoso tronco eu vejo com saudade O símbolo do amor que em tempos nos uniu: Cadeia de ilusões da nossa mocidade Que o tempo enferrujou e que depois partiu.
E à linda laranjeira, altar pagão do amor, Que tem a cor da esperança, a cor das esmeraldas, Vão as noivas colher as simbólicas flores Para tecer num sonho as virginais grinaldas.
Letra: Júlio César Valente Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado Alexandrino da Laranjeira) Arranjo: Filipe Raposo e Marta Pereira da Costa Intérprete: Marta Pereira da Costa com Camané (in CD “Marta Pereira da Costa”, Marta Pereira da Costa/Parlophone/Warner Music, 2016) Versão original: Alfredo Marceneiro (in LP “Há Festa na Mouraria”, Columbia/VC, 1965, reed. Edições Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; CD “O Melhor de Alfredo Marceneiro: Vol. 2”, EMI-VC, 1993; CD “Alfredo Marceneiro: Biografias do Fado”, EMI-VC, 1997; CD “Alfredo Marceneiro: Perfil”, Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2010)
Esta noite ao acordar
[ Amor para Dar ]
Esta noite ao acordar Saltei o muro p’ra ficar por cá Deixei de ter p’ra ver que ainda há Amor p’ra dar
Esta noite p’la manhã Fechei a porta p’ra poder sair Da cepa torta sem ter p’ra onde ir E ter de andar
Hoje tive a tentação De te dizer que sim e porque não Pedir-te que vás p’ra voltar Fiquei com a convicção Que no amor mais vale ser um na mão Que dois sem amor p’ra dar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
Esta tarde ao clarear Soltei a corda só p’ra me prender Gritei bem alto p’ra te adormecer E acordar
Ontem quando eu regressar Vou dar-te a mão p’ra te deixar partir Dar-te a razão só p’ra te ver sorrir E acreditar
No tempo em que acontecer É bom saber como é bom não saber De nada p’ra não te contar E por falar em querer Gostar de ti e não querer dizer P’ra nem te deixar duvidar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
Ouvi dizer que as lembranças São novas verdades p’ra nos acordar Ouvi contar que as mudanças São novas vontades p’ra nos ajudar
No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar No amor p’ra dar tem de haver amor p’ra dar
Letra e música: Sebastião Antunes Arranjo: Gonçalo Pratas Intérprete: Sebastião Antunes* (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017)
Esta vida
[ Não Há Dinheiro ]
Esta vida, como vês, É sempre a ver se chega o fim do mês Mas por muito que eu não queira Acaba sempre da mesma maneira
Falta isto, falta aquilo Eu já nem sei o que é que falta primeiro: Se é o dinheiro que falta Ou a falta que me faz ter o dinheiro
A jorna não dá p’ra nada, E a gente sempre a dizer que tem que dar Já passaram mais uns dias E o dinheiro está outra vez a acabar
Não há dinheiro, não há dinheiro! Andamos nesta conversa o ano inteiro. Não há dinheiro, não há dinheiro! É cada um que se amanhe, Não há dinheiro!
Eu queria falar contigo Mas não sei como é que te hei-de dizer Eu fui sempre teu amigo Não sei se já me estás a perceber
É que a coisa está difícil
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Esta voz com que canto
Esta voz com que canto Vem-me d’alma e o tempo Ensinou-me o encanto Do vento.
É a voz de amor Que vem cá de dentro; É o grito exterior Do pensamento.
O meu amor é todo para ti: Desde que te conheci Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo, O meu sentimento mais profundo.
O meu amor é todo para ti: Desde que te conheci Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo, O meu sentimento mais profundo.
O meu amor é todo para ti: Desde que te conheci Canto os teus olhos, a terra e todo o mundo, O meu sentimento mais profundo.
[ Um Canto de Mim ]
Letra e música: Daniel Pereira Intérprete: Arrefole (in CD “Veículo Climatizado”, Açor/Emiliano Toste, 2006)
Eu fui, tu foste, ele foi
[ Artes do Futuro ]
Eu fui, tu foste, ele foi Talvez para sempre Como é da nossa humana Condição Levados todos no acre improviso Da loucura
Mas tu, diva esquecida Música que eu faço e me transcendes Sentada na berma do sonho apetecido voltas a despertar do vendaval da espera e regressas ainda hesitante nos meus dedos
E o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
E o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
E o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
Que o amanhã pode já ter acontecido hoje mesmo aqui, ao fim da tarde
e assim iremos enganando as artes do futuro
Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso Versão original: Pedro Barroso (in CD “Artes do Futuro”, Ovação, 2017)
Eu queria unir as pedras desavindas
[ Não Me Mintas ]
Eu queria unir as pedras desavindas escoras do meu mundo movediço aquelas duas pedras perfeitas e lindas das quais eu nasci forte e inteiriço
Eu queria ter amarra nesse cais para quando o mar ameaçar a minha proa e queria vencer todos os vendavais que se erguem quando o diabo se assoa
Tu querias perceber os pássaros Voar como o Jardel sobre os centrais Saber por que dão seda os casulos Mas isso já eram sonhos a mais
Conta-me os teus truques e fintas Será que os Nikes fazem voar Diz-me o que sabes não me mintas ao menos em ti posso confiar
Agora diz-me agora o que aprendeste De tanto saltar muros e fronteiras Olha p’ra mim vê como cresceste Com a força bruta das trepadeiras
Põe aqui a mão e sente o deserto Tão cheio de culpas que não são minhas E ainda que nada à volta bata certo eu juro ganhar o jogo sem espinhas
Tu querias perceber os pássaros Voar como o Jardel sobre os centrais Saber por que dão seda os casulos Mas isso já eram sonhos a mais
Letra: Carlos Tê Música: Rui Veloso Intérprete: Rui Veloso (in filme “Jaime”, de António Pedro Vasconcelos, 1999; CD “O Melhor de Rui Veloso”, EMI-VC, 2000)
Eu toquei o Sol
[ Lencinho Azul ]
Eu toquei o Sol, beijei o luar, Tropecei no céu e caí no chão; Percorri o mundo e fui encontrar À beira do mar o meu coração.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Tudo o que era meu vinha no bornal, Dei-lhe o pão e mel, dei-lhe a minha mão, Um lencinho azul feito em Portugal E os versos de sal da minha canção.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Rainha de mim quando me entreguei, Os braços me abriu num chi-coração; Beijinhos me deu, beijinhos lhe dei: Quantos já nem sei, mais do que um milhão.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Não saí dali, era já manhã, Seus lábios carmim tal qual um tição; De si me prendeu, deu-me uma maçã, Ofereci-lhe o céu, não disse que não.
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Do que eu sou Dei-lhe o meu melhor, Oh meu doce amor! Oh minha paixão!
Letra: José Fanha Música: Fernando Pereira Intérprete: Real Companhia (in CD “Serranias”, Tê, 2013)
Façam roda
[ Conto do Bicho Papão ]
Façam roda, a ver quem vai ao meio! Cada um com o seu par tira a pedrinha! Sirumba, acabei eu primeiro! Ficas tu a tapar, não dá madrinha!
Já ninguém te pergunta quantos queres Já não ouves ninguém contar um-dó-li-tá Afinal qual é o dedo que preferes? Quem está livre, livre está!
Ninguém fala do homem do saco Ninguém espreita por baixo do colchão Já ninguém acredita na Côca Nem no bicho papão
Salta à corda, joga à barra do lenço! Adivinha o que eu penso, dá partida! Falua, quem acerta na malha? Danada da canalha está fugida!
Salta ao eixo a fugir à cabra-cega! Olha o meu pião mas eu não to dou, não! Onde é que anda a viuvinha que não chega E a sardinha a dar na mão?
Ninguém fala do homem do saco Ninguém espreita por baixo do colchão Já ninguém acredita na Côca Nem no bicho papão
Ai se eu pudesse habitar um jogo electrónico Voltava a ser falado, voltava a assustar! Imaginem lá qual não era a sensação De uma ‘app’ com o jogo do regresso do papão!
Ninguém fala do homem do saco Ninguém espreita por baixo do colchão Já ninguém acredita na Côca Nem no bicho papão
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha Versão discográfica anterior: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Falei-te
[ Jardim de Poetas ]
Falei-te, Sem querer, de coisas belas Como quem abre janelas P’ra lá do horizonte…
E havia no teu olhar firmamento Para cem vidas por momento Ao sabor de um mar de Inverno
E tu, Sem saber, lá tricotavas Um romance de palavras Sem certezas nem futuro
E tu Sonhavas no areal Com um jardim de poetas Superiores e verticais Que, em rigor, nunca existiu
E tu, Como se fosse há vinte anos, Subiste ao alto das rochas Lá, onde pousam as gaivotas Subiste ao alto das dunas Onde o vento, e só o vento te possuiu
Cresceu-te no peito um mar de prata Como se eu fosse alguma vez exemplo Como se eu fosse, acaso, alguma vez na vida A perfeição
Mas quando te contei coisas de mim Daquelas coisas grandes, que vêm cá de dentro Caíste em ti do sonho e do jardim E fiz-te então, amiga, esta canção
E tu Inda sonhas no areal Com um jardim de poetas Superiores e verticais Que, em rigor, nunca existiu
E tu, Como se fosse há vinte anos, Sobes ao alto das rochas Lá, onde pousam as gaivotas Sobes ao alto das dunas Onde o vento te possuiu
E tu Inda sonhas no areal Com um jardim de poetas Superiores e verticais Que, em rigor, nunca existiu
E tu, Como se fosse há vinte anos, Sobes ao alto das rochas Lá, onde pousam as gaivotas Sobes ao alto das dunas Onde o vento, e só o vento te possuiu
Poema e música: Pedro Barroso (Golegã, Novembro de 2000) Intérprete: Pedro Barroso Versão original: Pedro Barroso (in CD “Crónicas da Violentíssima Ternura”, Lusogram, 2001) Outras versões: Pedro Barroso (in CD “De Viva Voz”, Lusogram, 2002); Pedro Barroso (in DVD “40 Anos de Música e Palavras: 1969-2009”, Ovação, 2009) [>> YouTube]; Pedro Barroso (in DVD “Memória do Futuro: Ao vivo no Rivoli”, Ovação, 2013)
Faz-te mar assim
[ Vals’Ilha ]
Faz-te mar assim, calmo! Abre-me o caminho… Guia o meu batel!
Ouço alguém chamar longe… Pudesse eu sair Para ver Argel!
Quero então dizer-te: Vou p’ra bem distante, Valsa então por mim Aos raios de sol!
Passou tanto tempo Do tempo que invento… Toca-me a saudade.
Canta uma gaivota… Vejo o mar em volta… Dançarei contigo.
Dança esta vals’ilha Aos raios de sol!
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Canções de Amor Pintadas de Amarelo”, Vachier & Associados, 2010)
Fui ver se um dia te achava
[ Não Sei Nada sobre o Amor ]
Fui ver se um dia te achava no largo, na praça Quis dizer-te, contar-te e falar-te e de hoje já não passa Ai, mas quando te vi as palavras fugiram de mim Parei, sentei, tanto espreitei, só me escondia de ti
Esperei que as palavras voltassem e me levassem até ti Ai, mas por que raio espero eu aqui? Foi então que de tanto esperar atrás do largo da praça Decorei o sorriso mais lindo, já só quero é andar p’ra ti
Ai, mas de tanto tremer, fugiu-me o sorriso de mim Querem ver que agora até parece que já nem sei dizer As palavras mais lindas que guardo só por te ver?! Ai, mas querem lá ver que contigo não sei nada sobre o amor!
Que contigo não sei nada sobre o amor! Que contigo não sei nada sobre o amor! Que contigo não sei nada sobre o amor!
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Há já demasiados segredos
[ O Cheiro ]
Há já demasiados segredos nos poros para eu encher a noite de ti mesma.
E um oceano imenso não chega para eu contar todas as arribas deste sal.
A maresia parou, para saber coisas de ti e eu tinha nas mãos apenas as rosas de ontem,
e não sabia nem onde nem como navegar-te.
De longe trouxe a fé que nem eu sabia e deitei-me em teus leitos de alfazema e alecrim. Recolhi quando a noite mansa já amanhecia… E devagar – porque a vida nunca deixa de nos matar um pouco em cada dia – foi no teu regaço que eu adormeci de mim.
E acordei inteiro por sentir o teu cheiro na cama e enrolei-me nos lençóis, mesmo já sem ti de corpo inteiro.
Não quero saber de mais nem tenho que explicar.
É este o cheiro. Eu quero aqui ficar. Eu quero aqui ficar. É este o cheiro.
E acordei inteiro por sentir o teu cheiro na cama e enrolei-me nos lençóis, mesmo já sem ti de corpo inteiro.
Não quero saber de mais nem tenho que explicar.
É este o cheiro. Eu quero aqui ficar. Eu quero aqui ficar. É este o cheiro.
Poema e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso Versão original: Pedro Barroso (in CD “Sensual Idade”, Ovação, 2008) Outras versões: Pedro Barroso (in DVD “40 Anos de Música e Palavras: 1969-2009”, Ovação, 2009)
Há um caminho inseguro
[ Paixão ]
Música: Jorge Fernando Intérprete: Mariza
Há voos de pássaros nos teus olhos
[ Poema para o Meu Amor ]
Há voos de pássaros nos teus olhos castanhos de sereia Batuques africanos no balouçar do teu corpo de gazela E há frutos maduros na tumidez dos teus pequenos seios E promessas loucas na humidade dos teus lábios entreabertos
Há como um tango argentino no desafio da tua cintura estreita Há um doce encanto no urdir das tuas trancinhas de menina E há estranhos sortilégios escondidos nas tuas mãos de fada E há rouxinóis magoados, tão magoados de cada vez que cantas
Há ondas de ternura neste teu jeito tão suave E danças peruanas nas tuas ancas pela alba Há calor dos trópicos no aperto dos teus braços tão sinceros E uma paz das ilhas no teu macio leito de princesa
Há druidas, de novo, preparando filtros à sombra de carvalhos E lagos privados onde nadam altivos cisnes brancos E há luas de fajãs que riscam no mar trilhos de prata E nascentes de água que brotam do teu riso cristalino
Letra e música: Aníbal Raposo (Praia Formosa, 2003-08-22) Intérprete: Aníbal Raposo Primeira versão discográfica: Aníbal Raposo (in CD “Mar de Capelo”, Açor/Emiliano Toste, 2017)
Hoje o dia foi um dia assim
[ Canção de Nanar ]
Hoje o dia foi um dia assim: Esta sede e vontade de ti. Se eu pudesse amar-te mais, Bem sei que a lua ia dançar também.
Quantas horas faltam p’ra te ver Nesta espera de aprender a ser? Mais um som no tom do teu brilhar, Mais um traço ao sol do teu vibrar.
Vem saber que o que vejo em ti É sal e sopro e luz dentro de mim; E a música da terra e ar Ficam uma só no teu pulsar.
Se ainda não sorris, carmim, Perdoa a minha falta de cetim! Nas palavras que não escrevi Vive o amor que não se escreve.
Se ainda não sorris, carmim, Perdoa a minha falta de cetim! Nas palavras que não escrevi Vive o amor que não se escreve…
Mas está aqui.
Letra e música: Teresa Gentil Intérprete: Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016)
Já pensei dar-te uma flor
[ Adivinha o quanto gosto de ti ]
Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei o que escrever. Sinto as pernas a tremer, quando sorris p’ra mim, quando deixo de te ver. Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
Ando a ver se me decido, como te vou dizer, como hei-de te contar. Até já fiz um avião, com um papel azul, mas voou da minha mão. Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim. Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
Quantas vezes eu parei à tua porta. Quantas vezes nem olhaste para mim. Quantas vezes eu pedi que adivinhasses. Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
Quantas vezes eu parei à tua porta. Quantas vezes nem olhaste para mim. Quantas vezes eu pedi que adivinhasses. Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti, desde aqui até à lua. Gosto de ti, desde a Lua até aqui. Gosto de ti, simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim.
André Sardet
Lá na festa da aldeia
Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira, Convidaste-me a dançar: Tamanha era a borracheira Que no adro da igreja Nos chegámos a casar.
No nariz, sinal de perigo, Quem dorme contigo Má sorte vai enfrentar: Mas na festa da aldeia, Com as vizinhas na soleira, Eu fui-me enamorar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.
Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira, A saia sempre a rodar: A tua mão que se esgueira Debaixo da pregadeira… Eu vermelha, a corar.
No banco, dívidas, assombros; Fiado não vais em ombros; Fim do mês, falta-te o ar; Debaixo da cameleira Foi grande a ciumeira, Começámos a namorar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.
Mas na festa da aldeia, Tu de mão na algibeira, Nós chegámos a casar: Porque na festa da aldeia Debaixo da cameleira Tu puseste-me a dançar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração.
Entre o sujeito e o coração.
Letra: Filipa Martins Música: Rogério Charraz Arranjo: João Balão Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Lindos olhos tem Silvina
[ Ai Silvina, Silvininha ]
Lindos olhos tem Silvina, lindas mãos Silvina tem, e a cintura da Silvina é fina como o azevém.
Em Silvina tudo exala um cheiro de coisa fina, mas o que a nada se iguala é a fala da Silvina.
— Porque não cantas, Silvina? Se a tua voz é tão doce talvez cantada que fosse mais doce que a glicerina.
— Não me apetece cantar e muito menos p’ra ti. Eu sou nova, tu és velho, já não és homem p’ra mim.
— Não me tentes, Silvininha, que eu já nem te olho a direito. Sou como um ladrão escondido na azinhaga do teu peito.
— A azinhaga do meu peito corre entre duas colinas. E o ladrão do meu amor tem pé leve e pernas finas.
— Canta, canta, Silvininha, como se fosse p’ra mim. Dar-te-ei um lençol de estrelas e uma enxerga de alecrim.
— Deixa o teu corpo estendido à terra que o há-de comer. A tua cama é de pinho, teus lençóis de entristecer.
— Canta, canta, Silvininha, uma canção só p’ra mim. Dar-te-ei um escorpião de oiro e um aguilhão de marfim.
— Não quero o teu escorpião, nem de oiro nem de prata. Quero o meu amor trigueiro que é firme e não se desata.
— Pois não cantes, Silvininha, se essa é a tua vontade. Canto eu, mesmo assim velho, que o cantar não tem idade.
Hás-de ser tu morta e fria, cem anos se passarão, já de ti ninguém se lembra nem de quem te pôs a mão.
Mas sempre há-de haver quem canta os versos desta canção: Ai Silvina, ai Silvininha, Amor do meu coração.
Letra: António Gedeão (adaptado) Música: Alain Oulman Intérprete: Camané (in 2CD “Camané: O Melhor 1995-2013 (Edição Especial)”: CD 1, EMI, 2013) Versão original (música de José Barros): José Barros e Navegante com Verónica (in CD “Rimances”, JBN, 2001) Outra versão de José Barros e Navegante, com Isabel Silvestre (in DVD “Cantares do Povo Português”, Ocarina, 2012)
Menina das tranças negras
[ Os Olhos com que Eu te Vejo ]
Menina das tranças negras Levanta a cara bonita Que se o caminho tem pedras A esperança é infinita Menina das tranças negras Ai ai, larai, lai ai
Menina dos meus encantos Princesa do meu destino Os meus anseios são tantos Que o meu fado é um desatino Menina dos meus encantos Ai ai, larai, lai ai
Mal-me-quer ou bem-me-quer Muito, pouco ou nada Eu só quero tudo O que o amor quiser Diga o mundo o que disser Muito, pouco ou nada Bem-me-queres tudo Nada mal-me-quer
Senhora dos olhos tristes Objecto do meu desejo Eu sei que nunca te vistes Nos olhos com que eu te vejo Menina dos olhos tristes Ai ai, larai, lai ai
Mal-me-quer ou bem-me-quer Muito, pouco ou nada Eu só quero tudo O que o amor quiser Diga o mundo o que disser Muito, pouco ou nada Bem-me-queres tudo Nada mal-me-quer Menina dos olhos tristes Ai ai, larai, larai, lai ai
Mal-me-quer ou bem-me-quer Muito, pouco ou nada Eu só quero tudo O que o amor quiser Diga o mundo o que disser Muito, pouco ou nada Bem-me-queres tudo Nada mal-me-quer
Letra: J.J. Galvão (José João Oliveira Galvão) Música: Rui Filipe Reis Intérprete: Rosa Negra (in CD “Fado Mutante”, iPlay, 2011)
Meu amor disse que eu tinha
[ Cantiga de Seguir ]
Meu amor disse que eu tinha Uns olhos como gaivotas E uma boca onde começa O mar de todas as rotas.
O mundo dá tanta volta; Quem dera que fora assim E que, numa dessas voltas, Tu viesses para mim.
Sei que ele um dia virá, Assim muito de repente, Como se o mar e o vento Nascessem dentro da gente.
Letra: Manuel Alegre (1.ª e 3.ª quadras) e Francisco Menano Música: Ricardo Ribeiro e Pedro Caldeira Cabral Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Largo da Memória”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013)
Meu Amor Eterno
Meu Amor Eterno, Doce verde olhar, Ilumina o meu caminho! Acompanha o meu andar!
Meu Amor Eterno, Mãos de acarinhar, Segura no teu menino! Ajuda-me a continuar!
Meu Amor Eterno, Fada do meu lar, Alimenta-me a saudade! Sacia o meu paladar!
Meu Amor Eterno, Cordão de umbilicar, Relembra-me do teu cheiro! Não me deixes de cantar! [bis]
Ema te fez, Deus te criou, Paulo te abriu, José completou.
“Morrer por morrer!”, Disseste-o assim; Da tua coragem Tiveste-me a mim.
Meu Amor Eterno, Cordão de umbilicar, Relembra-me do teu cheiro! Não me deixes de cantar! [3x]
Letra: Rogério Charraz (dedicada à sua Mãe) Música: Rogério Charraz e Júlio Resende Arranjo: Júlio Resende Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Meu amor, meu amor
[ Ó Meu Amor ]
Meu amor, meu amor, Se tu fores, Leva meu ser! Meu ser, amor!
Ó meu amor, se tu fores, Leva-me, podendo ser! Eu quero ir acabar Onde tu fores morrer.
Eu hei-de morrer cantando, Já que chorando nasci, Já que as glórias deste mundo Se acabaram p’ra mim.
Letra e música: Tradicional (Fundão, Beira Baixa) Arranjo: José Manuel David Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015) Primeira versão: Brigada Victor Jara – “Tosquia” (in LP “Monte Formoso”, MBP, 1989, reed. Farol Música, 1996; Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: CD “Monte Formoso”, Tradisom, 2015)
Brigada Victor Jara, Monte Formoso
Na Rua dos Meus Ciúmes
Na rua dos meus ciúmes, Onde eu morei e tu moras, Vi-te passar fora de horas Com a tua nova paixão; De mim não esperes queixumes Quer seja desta ou daquela, Pois sinto só pena dela E até lhe dou meu perdão… Na rua dos meus ciúmes Deixei o meu coração.
Inda que me custe a vida, Pensarei com ar sereno Que esse teu ombro moreno Beijos de amor vão queimar; Saudades são fé perdida, São folhas mortas ao vento Que eu piso sem um lamento Na tua rua, ao passar… Inda que me custe a vida, Não hás-de ver-me chorar.
Na rua dos meus ciúmes Deixei o meu coração.
Letra: Nelson de Barros (para a revista “A Vida É Bela”, 1960, Teatro Capitólio) Música: Frederico Valério Intérprete: Rua da Lua (in CD “Rua da Lua”, Rua da Lua, 2016) Versão original: Helena Tavares (in EP “Rua dos Meus Ciúmes”, Alvorada, 1960; CD “Helena Tavares”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 7, Movieplay, 1994; CD “Helena Tavares”, col. Clássicos da Renascença, vol. 51, Movieplay, 2000)
Nas coisas do amor
[ Quando a Lua Voltar a Passar ]
Nas coisas do amor É melhor nem entender Não é fácil perceber O que o amor tem p’ra dar ou não E pode ser duro É deixar acontecer
Malmequer de bem-querer Ninguém pode adivinhar Eu sei que não Nem precisa de razão Não é bem um sim ou não É uma carta bem fechada
Não há-de ser nada Vai passar e tu nem vês É levar a vida Um dia de cada vez E se calhar tu já nem te vais lembrar E vai ser já quando a Lua voltar a passar
Vou acreditar que amanhã vai ser melhor Eu conheço até de cor O que o amor vai fazer talvez nem sei Ainda bem que acreditei Não faz mal se eu arrisquei E fui bater à porta errada
Não há-de ser nada Vai passar e tu nem vês É levar a vida Um dia de cada vez E se calhar tu já nem te vais lembrar E vai ser já quando a Lua voltar a passar
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* Primeira gravação discográfica: Sebastião Antunes & Quadrilha com Rubi Machado & Rão Kyao (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019) Versão original: Rubi Machado
Não encontro o teu perfume
[ À Procura de um Perfume ]
Não encontro o teu perfume Em jardim algum… Vou plantá-lo aqui mesmo ao lado, Juntinho a mim!
Não entendo o caminho Que chega ao pé de ti… Só sei que um tal destino Far-me-á chegar aí.
Caminhando vago, Na rua aqui ao lado, Encontrei-te enfim!
Aproximei-me de ti… “Não adies mais o destino!”, Pensei eu cá só p’ra mim.
Letra e música: Jorge Rivotti Intérprete: Jorge Rivotti Versão original: Jorge Rivotti (in CD “Canções de Amor Pintadas de Amarelo”, Vachier & Associados, 2010)
Não sei por que razão
[ Não Rias ]
Não sei por que razão te quero tanto E é louco por ti meu coração; Não sei por que razão este meu pranto Só riso te provoca, sem razão.
Não rias, meu amor, Da minha grande dor! Não rias, por favor, do meu sofrer! Tem cuidado comigo: Talvez p’ra teu castigo A sorte à minha porta vá bater.
Podes passar na vida sem cuidados E fazer juras a mentir; Mas olha, meu amor, estás enganada: A vida não é só levada a rir.
Não rias, meu amor, Da minha grande dor! Não rias, por favor, do meu sofrer! Tem cuidado comigo: Talvez p’ra teu castigo A sorte à minha porta vá bater.
Não rias, meu amor, Da minha grande dor! Não rias, por favor, do meu sofrer! Tem cuidado comigo: Talvez p’ra teu castigo A sorte à minha porta vá bater.
Letra: Ivete Pessoa Música: Armando Machado (Fado Tertúlia) Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Largo da Memória”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013) Versão original: Ivete Pessoa [?]
Não te ver nos meus braços
[ Beijo ]
Não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços, meu amor, Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Mas as marés do teu jeito Essas marés do teu beijo Que me agitam o peito Que me habitam o leito Só me desfazem o peito Com esse teu beijo perfeito
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Despi o corpo do teu cheiro Lavei a pele do teu beijo
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Nos teus braços
Intérprete: Cuca Roseta
Nunca Marta pressentiu
[ Marta Encruzilhada ]
Nunca Marta pressentiu A reboque bem sentada Que o trilho que faz um desvio Fosse dar à sua estrada
Nunca o sol a torriscou Nunca à chuva foi molhada Nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente Não se faz vida do nada Não se faz do nada gente
E não se faz do nada gente
E nesse trilho com desvio O seu reboque não passava E nunca antes Marta sentiu E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o sol a torriscou E nunca à chuva foi molhada E nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente E não se faz vida do nada E não se faz do nada gente
E não se faz do nada gente E não se faz…
E nunca o sol a torriscou Nunca à chuva foi molhada Nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente E não se faz vida do nada E não se faz do nada gente
E nunca o sol a torriscou Nunca à chuva foi molhada Nunca ao vento esteve ao frio E nunca a pé foi pela estrada
E nunca o bem esteve tão mal E nunca o mal veio de frente Não se faz vida do nada E não se faz do nada gente
Letra e música: Luís Pucarinho Intérprete: Luís Pucarinho* (in CD “SaiArodada”, Luís Pucarinho/Alain Vachier Music Editions, 2018)
Oh meu amor
[ Um Anjo em Meu Lugar ]
Oh meu amor… tu não vás Que se tu fores já não há Nem rosas no meu jardim Nem sonhos dentro de mim
Ai! Minha dor não tem fim Se o desamor for sempre assim Por cada dia esperar Até o Sol se apagar
Olha, olha o meu olhar E nele hás-de ver Que eu só canto este fado Para não esquecer
E se uma noite sem luar A tua fé quebrar Espera um pouco que há-de vir Um anjo em meu lugar
Amor, amor divino Vai, vai em liberdade Que o teu breve destino É ir com a saudade
Olha, olha o meu olhar E nele hás-de ver Que eu só canto este fado Para não esquecer
Letra: J.J. Galvão (José João Oliveira Galvão) Música: Rui Filipe Reis Intérprete: Rosa Negra com Cramol (in CD “Fado Mutante”, iPlay, 2011)
Olha, basta uma nota
[ Basta Um Sorriso ]
Olha, basta uma nota P’ra dizer que te quero Um compasso sem tempo P’ra ver o que ainda espero Sabendo eu que não vens Sabendo tu que não me tens
Olha, trago uma ferida A queimar nos meus lábios Um pedaço sem cor Uma ferida aberta Um gosto imenso de ti Vais dizendo que não queres Vais fugindo de manhã E vais mentindo ao dizer…: São precisas duas mãos Para se agarrar um coração
Olha, basta uma nota P’ra dizer que te quero Um compasso sem tempo P’ra ver o que ainda espero Sabendo eu que não vens Sabendo tu que não me tens
Diz-me: porque me olhas assim Quando os corpos não se encontram Porque choras assim Se o teu corpo só reclama de paixão Vais dizendo que não queres Vais fugindo de manhã E vais mentindo ao dizer…: Basta um sorriso para não dizer adeus Meu amor, basta um sorriso para não dizer adeus [bis]
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor Versão original: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Pedes-me o respeito
[ Tenho Tanto p’ra te Dar ]
Pedes-me o respeito E eu dou Pedes-me a coragem E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Pedes-me a confiança E eu dou Pedes-me a esperança E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Tenho tanto p’ra te dar No meu canto de amar Terei sempre na minha voz A memória do grande que somos nós
Pedes-me a vontade E eu dou Pedes-me a unidade E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Pedes-me a alegria E eu dou Pedes-me a harmonia E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Tenho tanto p’ra te dar No meu canto de amar Terei sempre na minha voz A memória do grande que somos nós
Pedes-me a paciência E eu dou Pedes-me a consciência E eu sou Pedes-me o amor E eu tenho tanto, tanto p’ra te dar
Letra e música: Luís Galrito Intérprete: Luís Galrito* com Dino d’ Santiago (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)
Pelo fim da tarde
[ Nem Sequer Dei Por Isso ]
Pelo fim da tarde tu sais do emprego E eu não sei porque é que aqui vim parar É assim um desassossego Tento ir sempre onde possas estar
Por sorte tu até sorris E nem sequer me vens com muitos ‘porquês’ E dizes com um certo ar feliz: “Com que então, por aqui outra vez?”
Num parque ao domingo P’lo meio da cidade Ou num café ao entardecer
Será que é mentira? Será que é verdade? Mas o que é que me está acontecer?
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Ao virar da esquina, em qualquer transporte Acabamos sempre por nos cruzar E eu acho um caso de sorte Cada vez que te posso encontrar
Está-me a correr bem, já ganhei o dia Só porque me dissestes um “olá!” E gosto da tua ironia Se perguntas mais uma vez: “Por cá?”
Mensagem trocada, gesto embaraçado Lá vou eu outra vez a planar Desculpa, desculpa! Foi número errado Mas ficamos uma hora a falar
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Tanto melhor quando não se espera E era bom que fosse como imaginei
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Já sei! Não há explicação A cabeça está num reboliço Se calhar apaixonei-me por ti E nem sequer dei por isso
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha* (ao vivo no Estúdio 3 da Rádio e Televisão de Portugal, Lisboa) Versão original: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Por não te ver nos meus braços
[ Beijo ]
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços, meu amor, Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Pedi aos rios do meu pranto Que te levassem do meu canto
Mas as marés do teu jeito Essas marés do teu beijo Que me agitam o peito Que me habitam o leito Só me desfazem o peito Com esse teu beijo perfeito
Por não te ver nos meus braços Por não te ver nos meus braços Despi o corpo do teu cheiro Lavei a pele do teu beijo
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Mas as marés do meu peito Essas marés do meu peito Vestiram-me o teu desejo Levaram-me ao teu leito Quero esquecer-te a qualquer jeito Mas tenho um beijo cravado no peito
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Por que voltas de que lei
Letra: Amália Rodrigues Música: Mário Pacheco Intérprete: Maria Ana Bobone
Porque sou o cavaleiro andante
[ Cavaleiro andante ]
Porque sou o cavaleiro andante Que mora no teu livro de aventuras Podes vir chorar no meu peito As mágoas e as desventuras
Sempre que o vento te ralhe E a chuva de maio te molhe Sempre que o teu barco encalhe E a vida passe e não te olhe
Porque sou o cavaleiro andante Que o teu velho medo inventou Podes vir chorar no meu peito Pois sabes sempre onde estou
Sempre que a rádio diga Que a América roubou a lua Ou que um louco te persiga E te chame nomes na rua
Porque sou o que chega e conta Mentiras que te fazem feliz E tu vibras com histórias De viagens que eu nunca fiz
Podes vir chorar no meu peito Longe de tudo o que é mau Que eu vou estar sempre ao teu lado No meu cavalo de pau
Porque teimas nesta dor
Letra: José Luís Gordo Música: Carlos Gomes Intérprete: Ana Moura
Que bom dar-te a mão
[ Balada para o Meu Amor ]
Que bom dar-te a mão e juntos para crer fazer o coração e a senda de viver no perdão e no amor E ao ver-te chegar com sonhos p’ra me dar de calma e silêncio vindo que seja bem-vindo o meu amor
Existe e ficou aqui encostado ao meu ombro Prometeu cuidar de mim O meu amor está sempre do meu lado quando a vida atira e queima e na luta saio magoado
Porta que teima abriu do paraíso um ser sorriu e a Eva no jardim resiste à culpa do pecado que não existe Trouxe a luz e eis que ensina que há um braço que segura na água mole na pedra dura no bem e no mal o amor perdura
Existe e ficou aqui encostado ao meu ombro Prometeu cuidar de mim O meu amor está sempre do meu lado quando a vida atira e queima e na luta saio magoado
Letra e música: Luís Galrito Intérprete: Luís Galrito (in CD “Menino do Sonho Pintado”, Kimahera, 2018)
Rasga esses versos
[ Os Meus Versos ]
Rasga esses versos que eu te fiz, Amor! Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento, Que a cinza os cubra, que os arraste o vento, Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor, Que volte ao nada o nada de um momento! Julguei-me grande pelo sentimento, E pelo orgulho ainda sou maior!…
Tanto verso já disse o que eu sonhei! Tantos penaram já o que eu penei! Asas que passam, todo o mundo as sente…
Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida! Como se um grande amor cá nesta vida Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…
Poema: Florbela Espanca (in Reliquiae, 1934) Música: Paulo Valentim Intérprete: Kátia Guerreiro (in CD “Nas Mãos do Fado”, Ocarina, 2003)
Roubei-te um beijo
Roubei-te um beijo, Não querias dar; Estou muito triste, Mas por ti não vou chorar.
Não vou chorar, Não vou sofrer; Estou muito triste, Mas por ti não vou morrer.
Estou d’abalada, Vou para terras de Espanha; Tu não me queres, Aqui mais ninguém me apanha.
Ninguém me apanha, Já cá não está quem sofria; Meu lindo Amor, Tu hás-de chorar um dia.
Tristes lamúrias Do rouxinol Enchem minh’alma Do nascer ao pôr-do-sol.
Ao pôr-do-sol, À luz da lua, Não há no mundo Cara mais linda que a tua.
Estou d’abalada, Vou para terras de Espanha; Tu não me queres, Aqui mais ninguém me apanha.
Ninguém me apanha, Já cá não está quem sofria; Meu lindo Amor, Tu hás-de chorar um dia.
Roubei-te um beijo, Foi por paixão; Vê lá, não digas a ninguém Que eu sou ladrão!
Que eu sou ladrão Apaixonado! Meu lindo amor, Quero viver a teu lado!
Estou d’abalada, Vou para terras de Espanha; Tu não me queres, Aqui mais ninguém me apanha.
Ninguém me apanha, Já cá não está quem sofria; Meu lindo Amor, Tu hás-de chorar um dia.
Letra e música: Armando Torrão Intérprete: Celina da Piedade (in 2CD “Em Casa”: CD 2, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)
Celina da Piedade, Roubei-te um beijo
Sem ser ainda
[ Portal dos Ventos ]
Sem ser ainda Um mal que finda, Portal dos Ventos De um outro… Amor!
Marés que passam, Luas que mudam, E os dias correm Ao teu… Sabor!
E se o silêncio Navega calmo, Mais calmo fica O teu… Calor!
À luz de agora Aquece a alma, E o Vento aperta O teu… Sabor!
Sei que os teus medos São raios de seda, E que os segredos Não há quem os traga…
Mas, os teus olhos Não fogem dos meus, Cantam segredos À luz de um amor…
De um amor…
Sem ser ainda… E se o silêncio… Sei que os teus medos…
Sei que os teus medos São raios de seda, E que os segredos Não há quem os traga…
Mas, os teus olhos Não fogem dos meus, Cantam segredos À luz de um amor…
De um amor…
Letra: José Flávio Martins Música: António Pedro Intérprete: Musicalbi Versão original: Musicalbi (in CD “Solidão e Xisto”, Musicalbi, 2019)
Musicalbi, Solidão e Xisto
Subir, Subir
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Mensageiros de Cupido Eu ando deprimido Intercedei por mim ao vosso Deus! Estou de amores com uma catraia Que p’ra subir a saia Exige grandes sacrifícios meus
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Levantei velas à barca Mas a brisa era parca Nem deu para agitar o meu corcel Assim nunca mais te chego A ter no aconchego Tirar-te dessa ilha de papel
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Fiz consulta a feiticeiros E santos padroeiros Deixei bruxeiros de cabeça à toa Findei o consultamento E como rendimento Saíram-me (imaginem!) os Gaiteiros de Lisboa
Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir Subir, subir lnd’ hei-de conseguir Morder-te, ó cachopa, Por dentro do teu vestir
Letra e música: Mário Alves (Vozes da Rádio) Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão discográfica ao vivo dos Gaiteiros de Lisboa, com Vozes da Rádio (in 2CD “Dançachamas: Ao Vivo”: CD 1, Farol Música, 2000) Versão original: Vozes da Rádio com Gaiteiros de Lisboa (in CD “Mappa do Coração”, Ariola/BMG Portugal, 1997)
Sábado à noite
[ Primavera ]
Sábado à noite não sou tão só Somente só A sós contigo assim E sei dos teus erros Os meus e os teus Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida Um passo atrás Quis-me capaz Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for Fui inventor Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui Lá fora só menti Eu já fui de cool por aí Somente só, só minto só Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti Mesmo assim, quero ver te sorrir… E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três Se quiser ser feliz…
Se há tulipas No teu jardim Serei o chão e a água que da chuva cai Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor Meu amor eu sou tudo aqui…
Sábado à noite não sou tão só Somente só A sós contigo assim Não sou tão só, somente só
Intérprete: The Gift
Tenho uma rosa p’ra ti
[ Tangerina dos Algarves ]
Tenho uma rosa p’ra ti Tenho uma rosa encarnada Tenho uma rosa no mar Tenho uma rosa molhada Circula a noite no tempo sobre as nossas gargalhadas Tenho uma rosa p’ra ti Tenho uma rosa encarnada
Vou sonhar com o teu olhar oceano de água e mar
Vou fugir com o teu olhar oceano de água e mar sobre o mistério
Vou fugir com o teu olhar oceano de água e mar sobre o mistério
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Anda o Sol por trás da serra Há cheiro a funcho queimado E este abanão duma vaga que chega sem avisar
Vinho rubro a navegar por segredos do Universo Desfolho a rosa no rio p’ra te oferecer com um verso
Vou sentir o teu sabor oceano de água e mar
Vou sentir com o teu sabor oceano de água e flor de tangerina
Vou sentir com o teu sabor oceano de água e flor de tangerina
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Em castelos de areia eu escrevi um nome ao lado Foi por ti que conheci a tangerina dos Algarves
Letra e música: João Afonso Lima Intérprete: João Afonso (in CD “Barco Voador”, Mercury/Universal Music Portugal, 1999; CD “João Afonso: A Arte e a Música”, Universal Music Portugal, 2004)
Trago um jardim no sentido
[ Jardim dos Sentidos ]
Trago um jardim no sentido, Por ter sentido o que sinto: Amor que não faz sentido Num coração louco e faminto.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Coração louco e faminto, Rosa que tenho sentido; Jardim que anda perdido, Por ter sentido o que sinto.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Por ter sentido o que sinto, Amor que não faz sentido Jardim que anda perdido, Trago um jardim no sentido.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Trago um jardim no sentido…
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre com António Zambujo (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre, com António Zambujo (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Tu e eu meu amor
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Nua a mão que segura outra mão que lhe é dada nua a suave ternura na face apaixonada nua a estrela mais pura nos olhos da amada nua a ânsia insegura de uma boca beijada.
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Nu o riso e o prazer como é nua a sentida lágrima a correr na face dolorida nu o corpo do ser na hora prometida meu amor que ao nascer nus viemos à vida.
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Nua nua a verdade tão forte no criar adulta humanidade nu o querer e o lutar dia a dia pelo que há-de os homens libertar amor que a eternidade é ser livre e amar.
Tu e eu meu amor meu amor eu e tu que o amor meu amor é o nu contra o nu.
Poema: Manuel da Fonseca (De “Poemas Inéditos”, in “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 179-180) Música: Paulo Ribeiro Intérprete: Paulo Ribeiro com Ana Lúcia Magalhães (in CD “O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis”, Açor/Emiliano Toste, 2017)
Paulo Ribeiro
Vem
Vem no vento que envolve a montanha E lhe esculpe grutas e segredos Que a cinge e a estreita nas fragas Vem nas silvas que rasgam os dedos
Como a rocha que na costa aguarda A tal onda que explode ao morrer Chicoteando do mar os penhascos Por mais ásperos que pareçam ser
Vem cantando na verde campina Terra-mãe de onde nasce o pão Ondulante seara menina Como as crinas dos cavalos que vão
Como criança pela mão do avô Vai para a escola no dia primeiro Passo a passo alcançar o futuro Destrinçar o saber verdadeiro
Vem nos braços da rua a cidade Se for praça de causas perfeitas E o coração te falar mais verdade Que as palavras dos outros, tão estreitas
Vem-me aos braços, que eu não me envergonho Planta o mundo todo qu’inda houver Traz a alma, que eu trago o meu sonho E o espanto pode acontecer
Letra e música: Pedro Barroso («Dedicado à minha neta Constança, em nome do Futuro») Intérprete: Pedro Barroso* Versão original: Pedro Barroso (in CD “Artes do Futuro”, Ovação, 2017)
Vem, quero beijar-te o corpo
[ Profano ]
Vem, quero beijar-te o corpo Quero provar-te o gosto Quero rasgar-te a pele Soltar-te o corpo em mim
Que te faço tão profano Soldado do meu ventre Que emudece à minha frente As regras deste amor
Vem pedir-me a preceito Que te possua em desejo Que te consuma nesse leito E desse jeito que é teu
Quando me devoras os sentidos E me pedes aos ouvidos Que te amarra, te prenda, Te bata, te faça assim mulher vulgar
Vem beijar este meu corpo Vem provar deste meu gosto Vem rasgar esta pele E soltar-me o corpo em ti
Que me faço tão profana Desejo desse teu corpo Que emudece à tua frente As regras deste amor
Quero pedir-te a preceito Que me consumas em desejo Que me consumas nesse leito E desse jeito que é teu
Que me devoras os sentidos Quero pedir-te aos ouvidos Que me amarres, me prendas, Me batas, me faças assim mulher vulgar
Letra e música: Tiago Curado de Almeida Intérprete: Pensão Flor* (in CD “O Caso da Pensão Flor”, Pensão Flor/Brandit Music, 2013)
Vi-te dum vermelho antigo
[ A Minha Cor (Vermelho Antigo) ]
Vi-te dum vermelho antigo, Trazias a minha cor; Meus olhos foram contigo E alguém disse que era amor.
Cor de sangue aveludado, Cor de seda ou de cetim, Cor de vinho ou de pecado: Foi a cor que viste em mim.
De fadista só me viste Um olhar estranho e sombrio: Não era ardente nem triste, Não era vago nem frio.
Tua voz, cor de cantiga, Espalhava de mãos cheias Um sabor a raça antiga Que salta nas minhas veias.
Fosse sede ou fosse amor, Que importa o que foi, enfim? Trazias a minha cor, Nada mais contou p’ra mim.
Letra: Manuel Andrade Música: Pedro Rodrigues (Fado Pedro Rodrigues de Quadras) Intérprete: Marta Pereira da Costa* com Hélder Moutinho Versão discográfica de Hélder Moutinho (com música de Joaquim Campos – Fado Amora) (in CD “Sete Fados e Alguns Cantos”, Ocarina, 1999) Versão original: João Braga (in EP “Janeiro Proibido”, Aquila, 1968; “Todos os Fados de A a Z: Vol. 12 – Fado Pajem ao Fado Pintadinho”, Movieplay/Visão, 2005; CD “João Braga: Álbum de Recordações”, Alma do Fado/Home Company, 2006)
Volta e meia estou de volta
[ Fado às Voltas ]
Volta e meia estou de volta, volta e meia já não estou; quem me quis à rédea solta foi quem comigo ficou.
Quem, em troca de carinho, quis prender-me o coração ficou a falar sozinho nas voltinhas do Marão.
Quantas voltas dá o mundo P’ra ensinar que a verdade é que a vida é um segundo aos olhos da eternidade?
Vamos lá: é volta e meia cada qual escolhe o seu par! Que eu posso mudar de ideia, antes da volta acabar.
Volta e meia estou de volta, volta e meia já não estou; quem me quis à rédea solta foi quem comigo ficou.
Letra: Tiago Torres da Silva Música: Alberto Costa (Fado Dois Tons) Intérprete: Cristina Nóbrega Versão original: Cristina Nóbrega (in CD “Um Fado para Fred Astaire”, Watch & Listen, 2014)
Cristina Nóbrega
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/05/amor-casal.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:43:482025-06-19 22:09:12Canções de amor
Disse-te adeus e morri E o cais vazio de ti Aceitou novas marés. Gritos de búzios perdidos, Roubaram dos meus sentidos, A gaivota que tu és.
Gaivota de asas paradas, Que não sente as madrugadas E acorda à noite a chorar. Gaivota que faz o ninho Porque perdeu o caminho Onde aprendeu a sonhar.
Preso no ventre do mar O meu triste respirar Sofre a invenção das horas. Pois, na ausência que deixaste, Meu amor, como ficaste? Meu amor, como demoras!
Preso no ventre do mar O meu triste respirar Sofre a invenção das horas. Pois, na ausência que deixaste, Meu amor, como ficaste? Meu amor, como demoras!
Letra: Vasco de Lima Couto Música: José António Sabrosa Intérprete: Cristina Branco (in CD “Corpo Iluminado”, Universal, 2001) Versão original: Amália Rodrigues (in “Vou Dar de Beber à Dor”, Columbia/VC, 1969; reed. EMI-VC, 1992)
Disse-te adeus
Disse-te adeus, não me lembro Em que dia de Setembro Só sei que era madrugada A rua estava deserta E até a lua discreta Fingiu que não deu por nada
Sorrimos à despedida Como quem sabe que a vida É nome que a morte tem Nunca mais nos encontrámos E nunca mais perguntámos Um p’lo outro a ninguém
Que memória ou que saudade Contará toda a verdade Do que não fomos capazes Por saudade ou por memória Eu só sei contar a história Da falta que tu me fazes
Letra: Manuela de Freitas Música: Frederico de Brito (Fados dos Sonhos) Intérprete: Camané (in CD “Uma Noite de Fados”, EMI-VC, 1995)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Gostei desse amor
[ Disse-te Adeus e Sorri ]
Gostei desse amor, fui pedra! Fui um vento de revolta… Amei sem fronteira, fui serra! Fui montanha que se acorda…
Muralhas de amor e de saudade São rios de beijo e de vontade; Adeus ao sorrir, não morro, Sofro apenas a minha verdade…
Foi nesse adeus, De corpo alado: Beijos tão meus Fogem em meu fado!
Será teu adeus verdade? Ou será apenas lenda? Sou eu quem te digo: Saudade num caminho sem legenda!…
Vestiste teu manto de seda Num vento de leda ansiedade; Certezas não há quem tenha, Só sei que este amor é verdade!…
Foi nesse adeus, De corpo alado: Beijos tão meus Fogem em meu fado!
Se nada disseste, Eu nada te disse; Foi porque quiseste Este fim tão triste!…
Foi nesse adeus, De corpo alado: Beijos tão meus Fogem em meu fado!
Se nada disseste, Eu nada te disse; Foi porque quiseste Este fim tão triste!…
Letra e música: José Flávio Martins Intérprete: Senhor Vadio (in CD “Cartas de um Marinheiro”, José Flávio Martins/iPlay, 2013)
Senhor Vadio
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/03/senhor-vadio.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:48:182024-11-02 06:37:50Canções de adeus
Anoiteceu no meu olhar de feiticeira, de estrela do mar, de céu, de lua cheia, de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar, perdi as penas, não posso voar, deixei filhos e ninhos, cuidados, carinhos, no mar…
Só sei voar dentro de mim neste sonho de abraçar o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim, com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim, até não mais acordar…
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar, voarei, voarei sem parar à volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois, dormiria na areia…
Letra: João Mendonça Música: Leonardo Amuedo Intérprete: Dulce Pontes (in CD “O Primeiro Canto”, Polydor, 1999)
Branca era a noite
[ Uma Estrela no Sul ]
Branca era a noite Uma estrela no sul A lua cheia Num céu tão azul Rendas de espuma no mar, dando à costa um abraço E este meu coração a bater a compasso…
Que morra o dia Pois a noite é irmã Voos tão altos Na minha fajã Quero reter essa luz, são momentos escassos Depois recolher ao meu quarto e apertar-te nos braços
Ai meu amor Escuta a minha voz Pensando bem Quem está como nós? Grande é o mundo Tantas vezes bisonho Mas tão pequeno Comparado com o sonho…
Branca era a noite E era roxa a saudade Dos dias longos… Que é da mocidade? Os olhos rasos em águas de recordações Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções
Corre agitada Esta vida maruja Águas serenas Piares de coruja Há nesta noite tranquila uma bênção no ar Convite da natureza p’ra a gente se amar
Ai meu amor Escuta a minha voz Pensando bem Quem está como nós? Grande é o mundo Tantas vezes bisonho Mas tão pequeno Comparado com o sonho…
Branca era a noite E era roxa a saudade Dos dias longos… Que é da mocidade? Os olhos rasos em águas de recordações Livres, à solta, sem rédeas estão as emoções
Corre agitada Esta vida maruja Águas serenas Piares de coruja Há nesta noite tranquila uma bênção no ar Convite da natureza p’ra a gente se amar
Ai meu amor Escuta a minha voz Pensando bem Quem está como nós? Grande é o mundo Tantas vezes bisonho Mas tão pequeno Comparado com o sonho…
Letra e música: Aníbal Raposo (2010-01-21) Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)
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Lua branca das ribeiras
[ Lua Branca das Ribeiras ]
Lua branca das ribeiras a quem mostras o caminho Às bruxas, às feiticeiras ou a quem anda sozinho A ribeira tem segredos que tu andas a esconder Hão-de contar-se p’los dedos os que tu me hás-de dizer
Lua branca das ribeiras com quem passas o serão De companha às fiandeiras à janela do ganhão À porta das raparigas que não se querem deitar Vais ensinando as cantigas de quem se há-de apaixonar Lua branca das ribeiras
Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir Já a vi lá com tristeza e a sorrir Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar Poder encontrar alguém a quem contar
Lua branca das ribeiras de quem é o teu brilhar Das moças namoradeiras ou de quem as faz penar Dos que se enganam na vida p’lo correr da madrugada Ou de uma alma perdida que passa a noite calada
Se a ribeira me levasse onde a lua vai dormir Talvez eu por lá contasse tanto que eu ando a sentir De quem é a cor da lua que nos traz tanto querer Não é minha nem é tua, é de quem a entender Lua branca das ribeiras
Tenho um banco à minha porta onde a lua vai dormir Já a vi lá com tristeza e a sorrir Eu dei um segredo à lua para quando ela se deitar Poder encontrar alguém a quem contar
Letra e música: Sebastião Antunes Intérprete: Quadrilha (in CD “A Cor da Vontade”, Vachier & Associados, 2003)
Ó lua faz-me uma trança
[ À Porta do Mundo ]
Ó lua faz-me uma trança P’ra de dia desmanchar Guarda-me a última dança Quando o fio se acabar
Gosto de ver o teu rosto Que a mil caminhos se presta Para uma noite desgosto Por uma noite de festa
Voltaria à tua terra Por um mergulho de mar Entre a cidade e a serra Fica algures o meu lugar
Este mundo não tem porta Nem uma chave escondida Por trás de tudo o que importa Vem um sentido p’rá vida
Se te fizeres ao caminho Em horas de arrebol P’ra fermentar o meu vinho Traz-me um pedaço de sol
Vamos escrever uma história Rever um filme a passar Logo virá à memória O que eu te queria dar
Será verdade ou mentira Como um segredo roubado Sou como a lua que gira Hei-de dançar ao teu lado
Este mundo não tem porta Nem uma chave escondida Por trás de tudo o que importa Vem um sentido p’rá vida
Letra e música: João Afonso Lima e José Moz Carrapa Arranjo: Ricardo Dias Intérprete: Filipa Pais (in CD “À Porta do Mundo”, Vachier & Associados, 2003)
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/11/lua-branca.jpg401400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:40:272024-11-13 11:19:05Canções à lua
Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Venham Mais Cinco”, Orfeu, 1973; reed. Movieplay, 1987)
A formiga no carreiro vinha em sentido contrário, caiu ao Tejo ao pé dum septuagenário.
Larpou, trepou às tábuas que flutuavam nas águas e de cima duma delas virou-se p’ró formigueiro: “Mudem de rumo! Já lá vem outro carreiro.”
A formiga no carreiro vinha em sentido diferente. Caiu à rua no meio de toda a gente, buliu, abriu as gâmbias para trepar às varandas e de cima duma delas virou-se pró formigueiro: “Mudem de rumo! Já lá vem outro carreiro.”
A formiga no carreiro andava à roda da vida. Caiu em cima Duma espinhela caída furou, furou à brava numa cova que ali estava e de cima duma delas virou-se pró formigueiro: “Mudem de rumo! Já lá vem outro carreiro.”
Formiga
Com as pernas já cansadas
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
Com as pernas já cansadas e a barriga tão vazia, a raposa viu uns cachos e deu pulos de alegria.
Tentava apanhar as uvas, mas cansava-se em vão e a alegria que tivera tornou-se desilusão.
Enganando-se a si mesma por já não conseguir tê-las, disse então que eram verdes, só cães podiam comê-las.
Mas quando, ao ir-se embora, ouviu um leve ruído, voltou-se com a esperança de um bago ter caído.
Dias a fio andou
[ O Pulo do Lobo ]
Dias a fio andou Por andar chegou Em chegando viu E então sorriu A sorrir pensou Por pensar agiu Ao agir falou
“Diz-me andorinha, Deste voo teu, Se é dança ou feitiço, Se me emprestas a vertigem Dessa queda livre Do teu voo raso Desse baile alado Sim?”
E saltou, Ao saltar tremeu A tremer subiu Por subir desceu E então caiu, A cair bateu Ao bater sentiu, Ao sentir pensou
“Diz-me andorinha, Sentes como eu? O poder da terra Na torrente, rodopio Estilhaço o corpo Num grito calado Sob um manto de água Não?”
Letra e música: Manuel Maio Intérprete: A Presença das Formigas* (in CD “Pé de Vento”, A Presença das Formigas/Careto/XMusic, 2014)
Durante todo o Verão
António José Ferreira Adaptado da fábula “A cigarra e a formiga”
Durante todo o Verão, que bem cantou a cigarra; de dia, ‘stava na praia, à noite, ia para a farra.
Ficou no campo a formiga, pensando no seu celeiro. O esforço do seu trabalho, rendeu-lhe um bom mealheiro.
O Inverno só trouxe frio e nada para comer: à porta do formigueiro foi a cigarra bater.
– Durante todo o verão cantei p’ra te alegrar: dá-me um pouco de comida para eu poder jantar.
– Enquanto te divertias, eu ‘stava a trabalhar. Cantavas todos os dias, agora vai lá dançar.
Eu sou o cão D. Pantaleão
Letra e música: José Barata Moura
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho um barbeiro e uma criada, um casaco e uma almofada! – E eu cá não tenho nada!
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho uma casa aquecida, boa cama e comida! – Não é lá muito boa a minha vida…
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho sombrinha e cachecol, luvas e chapéu mole! – Eu cá tanto ando à chuva como ao sol.
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
– Tenho uma coleira amarela, que parece uma estrela! – Mas eu cá não gosto da trela!
– Eu sou o cão D. Pantaleão! – E eu sou um cão apenas cão… (bis)
Intérprete: José Barata Moura
Havia um pescador
Texto: António José Ferreira
Havia um pescador, um pescador havia.
Um dia foi à pesca, foi fraca a pescaria.
Pescou só um peixinho, levou-o à Maria.
Quando chegou a casa, ouviu o que não queria.
– Se fosse um peixe grande, que almoço não daria!
– O peixe é pequenino e muito cresceria!
José pegou no balde, deitou o peixe à ria.
Lamentava-se o pavão
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
Lamentava-se o pavão de não cantar nada bem, de não ter a voz bonita que o rouxinol sempre tem.
– Não reclames – disse Deus -, pavãozinho despeitado! Não vês que, p’las tuas cores, és famoso em todo o lado?
Cada um tem seu encanto: a águia tem a coragem, o melro tem o seu canto, o pavão rica plumagem.
A ave compreendeu: não se podia queixar. Ninguém é perfeito em tudo, em tudo há que se alegrar.
Muitas nozes e avelãs
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
Muitas nozes e avelãs tinha o Senhor Esquilo: lembrou-se de partilhar alguns frutos do seu silo.
Pegou na melhor bandeja, para as nozes of’recer, e mandou o seu filhote ao vizinho, a correr.
Quando viram a bandeja os olhos do seu vizinho, nem se lembraram das nozes of’recidas com carinho.
Nem o esquilo viu de volta a bandeja preferida, nem na casa do vizinho houve prenda parecida.
No meio de uma floresta
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
No meio de uma floresta, um veado adoeceu. Um grupo dos seus amigos foi ver o que aconteceu.
Foram para socorrê-lo, ou talvez o consolar, para cumprir o dever de o amigo ajudar.
No fim da sua visita, tiveram um bom repasto: e da erva do veado, quase não deixaram rasto.
Com pouco alimento perto, aquele velho veado, morreu ainda mais cedo, infeliz, esfomeado.
No ramo de um arbusto
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
No ramo de um arbusto, o corvo mostrava um queijo: a raposa aproximou-se atraída p’lo desejo.
Muito esperta, a raposa passou a elogiar o corvo, as suas penas e o canto, e até a forma de andar.
Cego pelo seu orgulho, o corvo pôs-se a cantar: o queijo caiu do bico e à raposa foi parar.
O leão, o rei da selva
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
O leão, o rei da selva, perdeu forças e poder: tornou-se apenas um velho preparado p’ra morrer.
Os burros davam-lhe coices e os lobos davam dentadas; gazelas faziam troça e os bois davam cornadas.
Mal conseguia rugir o cansado rei leão: chegara a hora de os fracos lhe poderem dizer não.
Um dia, o Senhor Lobo
António José Ferreira
Um dia, o Senhor Lobo que andava a passear, avistou o Capuchinho e foi logo perguntar:
– Aonde vais, ó menina, com essa linda cestinha? – Vou levar um bolo e mel à minha rica avozinha.
Mais depressa foi o lobo à casa da avozinha enquanto ia praticando falar com voz de netinha.
(Alguém bate à porta)
– Quem está a bater à porta? – É a tua qu’rida netinha. – Ai meu Deus, é o lobo mau. – Não te como, avozinha.
(Entretanto, o Capuchinho Vermelho chega a casa da avó e vai ter com ela. )
– Que grandes são os teus olhos! – São para te observar! – Que grande é o teu nariz! – É p’ra melhor te cheirar!
– Que fofas as tuas mãos! – São p’ra melhor te tocar! – Que grande é a tua boca! – É p’ra melhor te beijar!
Os deuses da Grécia antiga
António José Ferreira
Os deuses da Grécia antiga eram gente como nós: casavam-se, tinham filhos, não gostavam de estar sós.
Plim plim (lira)
Zeus, o grande pai dos deuses, do Olimpo era o Senhor. Era casado com Hera, que tinha muito amor.
Saxapum (pratos)
Os deuses de antigamente contavam-se por dezenas. Do Olimpo adoravam ver os jogos em Atenas.
Te te te (trombeta)
Poseidon, irmão de Zeus, era o rei dos oceanos. Se fazia tempestades assustavam-se os humanos.
Tum tum (tambor)
Artémis, filha de Zeus, protegia os animais. Bebia néctar puro como seus irmãos e pais.
Té té té té (trombeta)
Deméter, irmã de Zeus, passou por muita aventura. Gostava muito de plantas, protegia a agricultura.
Fi fi fi (flauta)
Um pescador foi à pesca
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
1. Um pescador foi à pesca com vontade de pescar todo o peixe que pudesse para comer ao jantar.
2. Pescou cinco bons robalos, e apanhou uma enguia que lhe encheram a sacola e lhe deram alegria.
3. Viu, por fim, um robalinho preso no anzol, a chorar: – Sou ainda muito novo, não darei grande manjar.
4. – Mais vale um peixe no saco que um cardume a nadar. – Mas, se pescas todo o peixe, que vais amanhã pescar?
5. O pescador quis levá-la, mas a tempo percebeu: – Se não há peixes no rio, amanhã, que pesco eu?
Uma rã, que era vaidosa
António José Ferreira Adaptado da fábula de La Fontaine
1. Uma rã, que era vaidosa, viu no campo uma vitela, admirou o seu tamanho e quis ser igual a ela.
2. Deixou logo o seu charquinho, começou a engordar, tanto era o seu desejo de à vitela se igualar.
3. A rã perguntava às outras se já era grande e bela, mas estava muito longe do tamanho da vitela.
4. Tanto a rã inchou de inveja que um dia rebentou: não foi uma rã feliz nem à vaca se igualou.
Uma vez, uma pastora
1. Uma vez, uma pastora, larau, larau, larito, com o leite do seu gado mandou fazer um queijito.
Mas o gato espreitava, larau, larau, larito, mas o gato espreitava com sentido no queijito.
E aqui metia a pata larau, larau, larito, e aqui metia a pata e além o focinhito.
A pastora, de zangada, larau, larau, larito, a pastora de zangada castigou o seu gatito.
E aqui termina a estória, larau, larau, larito, e aqui termina a estória da pastora e do queijito.
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2020/05/formiga.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:25:082023-05-02 21:18:47Canções com fábulas
O cantar dos reis, também chamado “reisadas”, é uma secular tradição portuguesa que acontece entre o Natal (25 de dezembro) e o dia de Reis (6 de janeiro), assumindo características diferenciadoras em certas regiões.
Acompanhados por instrumentos musicais, grupos de amigos e conhecidos (reiseiros) vão de casa em entoando cantigas com que se deseja boas festas e um feliz ano novo e se pede um donativo. As janeiras têm o foco no desejar um bom ano e não tanto no nascimento de Jesus. As tradicionais janeiras e cantares ao Menino assumem no concelho de Faro a forma particular de encontros de charolas, amplamente participados.
Na linha das tradições musicais portuguesas (e no âmbito de Educação Musical e de Música), podem ser manifestação de empatia com a comunidade educativa. Na escola, as quadras podem ser preparadas com os alunos, atividade que fomenta a criatividade e o gosto da poesia.
Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores
A cabana está fechada
1. A cabana está fechada, o Menino está lá dentro. Vinde dar as Boas Festas. Ó que lindo nascimento.
Vamos todos, vamos todos, vamos todos a Belém adorar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
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A cantar-vos as janeiras
A cantar-vos as janeiras aqui estamos reunidos. Desejamos um bom ano aos amigos mais queridos.
1. Vivam os colegas, e os professores, os auxiliares e educadores.
Versão das janeiras “Boas festas, boas festas” destinada à escola.
Agora que eu vou cantar
Agora que eu vou cantar, viva o meu atrevimento. Quem não me quiser ouvir bote os ouvidos ao vento.
Por bem cantar, mal não digas dos que a voz aqui levantam, pois uns cantam o que sabem e outros sabem o que cantam.
Popular do Alentejo
Alegres cantam os sinos
1. Alegres cantam os sinos nesta noite de Natal em que Jesus veio ao mundo para nos livrar do mal.
Vinde, pastores, correi a Belém, ver na lapinha Jesus nosso bem. Vinde adorar o Menino, Vinde todos a Belém.
2. Glória a Deus nas alturas, estão anjos a cantar. Vinde adorar o Menino que nasceu p’ra nos salvar.
3. Ó meu menino Jesus, nascidinho na probreza, tomai posse da minha alma que é toda a minha riqueza.
Cantar. 1964, 4ª ed., 162-163.
Aqui estamos nós
Aqui estamos nós Neste belo dia Cantando as janeiras Com muita alegria.
P’ra a nossa família E p’ra toda a gente Que o ano novo seja excelente.
2. Para os colegas E os professores, Os auxiliares E educadores…
3. Que os nossos amigos Tenham amizade, Muita alegria E felicidade.
Aqui estamos nós todos reunidos
Aqui estamos nós todos reunidos cantando as janeiras aos nossos amigos, sem nenhum interesse com muita amizade, cantando as janeiras à sociedade.
Somos cá da terra e vimos cantar, dar as boas festas p’ra vos alegrar. Neste ano novo que Deus nos ajude, nos dê muita paz e muita saúde.
1. Somos bons amigos e vimos cantar dar as boas festas p’ra vos alegrar. Neste novo ano que Deus nos ajude, nos dê muita paz e muita saúde.
2. ‘Stamos a acabar, temos de partir mas jamais iremos sem nos despedir. Senhores da casa batam-nos as palmas, sejam lá bondosos pelas vossas almas.
Aqui vêm as três rosinhas
Aqui vêm as três rosinhas quatro ou cinco ou seis se o senhor nos dá licença vimos-lhe cantar os reis
Os três reis do oriente já chegaram a Belém visitar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
O menino está no berço coberto c’o cobertor e os anjinhos estão cantando louvado sej’o Senhor.
O Senhor por ser Senhor nasceu nos tristes palheiros, deixou cravos, deixou rosas, deixou lindos travesseiros.
Você diz que tem bom vinho có có có, venha-nos dar de beber, rintintin, florin-tintin, traililairó.
Donões, Montalegre, Trás-os-Montes
Aqui vimos, aqui estamos
Aqui vimos, aqui estamos, aqui vimos, bem sabeis, vimos dar as boas festas e também cantar os reis.
1. Pastores, pastores, vamos todos a Belém visitar Maria e Jesus também.
2. Nasceu o Menino Jesus, nasceu para nos salvar; vamos todos a Belém, o verdadeiro lugar.
3. Quem diremos nós que viva no raminho de oliveira? Viva o Senhor Alberto e viva a família inteira.
Final: Pastores, pastores, vamos a Belém visitar Maria e Jesus também.
Trad. Louredo/Resende, Portugal
Boas festas
Boas festas, boas festas aos amigos vimos dar. Um bom ano, um bom ano vos queremos desejar.
1. Ó vós que dormis em cama macia, já nasceu o filho da Virgem Maria.
Boas festas, boas festas
1. Boas festas, boas festas tenha vossa senhoria, com boas entradas de ano com prazer e alegria.
Vamos todos juntos, todos reunidos dar as Boas Festas aos nossos amigos.
2. Como alegres passarinhos a nossa vida é cantar e aos senhores desta casa queremos saudar.
3. Vivam todos meus senhores, vivam todos em geral. Deus lhes dê um ano novo isento de todo o mal.
Cantar 1964, 4ª ed. 158-159.
Boas noites
Boas noites, boas noites, boas noites de alegria, que lhas manda o Rei da Glória, filho da Virgem Maria.
Naquela relvinha, c ’o vento gelou, a mãe de Jesus tão pura ficou.
Dominus excelsis Deo, que já é nascido O que nove meses andou escondido.
De quem é o chapeuzinho Qu’além ‘stá pendurado? É do senhor José que Deus o faça um cravo.
De quem é o vestidinho cosido com seda branca? É da senhora Susana que Deus a faça uma santa.
De quem será é o pente d’oiro Que se achou no arvoredo? É da senhora Clara que lhe caiu do cabelo.
De quem eram as liguinhas que se acharam entre as ervas? Eram da senhora Rosa que lhe caíram das pernas.
De quem seriam eram as botinhas que estavam no sapateiro? Eram do senhor Custódio que as pagou c’o seu dinheiro.
Levante-se lá, senhora do seu banco de cortiça. Venha-nos dar as janeiras, ou morcela ou chouriça.
Levante-se lá, senhora, desse seu rico banquinho, Venha-nos dar as janeiras em louvor do Deus Menino.
Levante-se lá, senhora, desse seu rico assento. Venha-nos dar as janeiras em louvor do Nascimento.
Levante-se lá, senhora, desse seu banco de prata, Venha-nos dar as janeiras que está um frio que mata.
(Se demoram a dar as janeiras…)
Levante-se lá, senhora dessa cadeirinha torta. Venha-nos dar as janeiras se não batemos-lhe à porta.
(Se dão as janeiras, cantam a despedida.)
Despedida, despedida, despedida quero dar. Os senhores desta casa bem nos podem desculpar.
(Se não dão as janeiras)
Esta casa não é alta, tem apenas um andar. Estes barbas de farelo nada têm p’ra nos dar.
Esta casa é bem alta, forradinha de papel. O senhor que nela mora É um grande furriel.
Esta casa é bem alta, forradinha a papelão. O senhor que nela mora é um grande forretão.
(Trelinca a martelo torna a trelincar. Estes barbas de chibo não têm que nos dar.)
(Quando vão comer as janeiras)
Naquela relvinha, naquela lameira, detrás da fontinha se come a Janeira.
Gloria in excelsis Deo, que já é nascido O que nove meses andou escondido.
Recolha de várias com base na de Vale de Lobo, BB – Etnografia da Beira, I vol., Jaime Lopes Dias, 2ª ed. Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa 1944, 159. Pequenas adaptações.
Boas noites, meus senhores
Boas noites, meus senhores, Boas noites vimos dar. Vimos pedir as janeiras Se no-las quiserem dar.
Aqui vimos, aqui vimos, Aqui vimos bem sabeis. Vimos dar as boas festas E também cantar os reis.
Ano Novo, Ano Novo, Ano Novo, melhor ano. Vimos cantar as janeiras Como é de lei cada ano.
Levante, linda senhora Desse banquinho de prata. Venha-nos dar as janeiras Que está um frio que mata.
As janeiras são cantadas Do Natal até aos Reis. Olhai lá por vossa casa Se há coisa que nos deis.
Cá estamos à sua porta
Cá estamos à sua porta, um grupo de amigos seus. Falar bem nada nos custa: santa noite lhe dê Deus.
Que tenha um próspero ano e não esqueça a virtude. Que tenha muita alegria e outra tanta saúde.
A quem tanto bem nos faz Deus livre de pena e dano. Fiquem com Deus, passem bem! Até ao próximo ano!
Adapt. Aqui ‘stou à sua porta mais dois camaradas meus. Falar bem nada nos custa: santas noites lhes dê Deus.
Venho lhes dar os bons anos que pelas festas não pude. Venho ao fim de saber novas da sua saúde.
Trad. Portugal, Peroguarda
Cantemos
Cantemos, cantemos, cantemos com alegria. Vimos dar as Boas Festas à nossa freguesia.
1. A senhora desta casa está sentada num banquinho. Venha o prato das filhoses e o garrafão do vinho.
2. A senhora que aqui mora seria boa pessoa se nos trouxesse presunto e um pedaço de broa.
Cantemos todos lindas canções
Cantemos todos lindas canções. Louvam a Deus os corações. Já é nascido, haja alegria!, o Deus menino, Avé Maria.
Entrai, pastores, entrai por esse portal sagrado. Vinde adorar o menino numas palhinhas deitado.
Da serra veio um pastor à minha porta bateu. Trouxe uma carta que diz: “O Deus menino nasceu!”
Pela oferta que nos deram, o nosso muito obrigado. Tenham um bom ano novo de paz e amor recheado.
Debaixo de uma oliveira
Debaixo de uma oliveira, um anjo do céu dizia: a todos os moradores muita paz e alegria!
1. As janeiras são cantadas em janeiro pelos Reis. Nasceu um lindo menino, o seu nome já o sabeis.
2. Boas festas, boas festas vos dizemos neste dia; vós dais-nos as janeirinhas, nós trazemos a alegria.
3. A todos os que aqui ‘stão a ouvir-nos a cantar, nós desejamos bom ano e saúde a transbordar.
Trad. Portugal
Em Belém, à meia noite
1. Em Belém, à meia noite, noite de tanta alegria já nasceu o Deus Menino, Filho da Virgem Maria.
Pastores, pastores, vinde todos a Belém adorar o Deus Menino, que Nossa Senhora tem.
2. Viva lá, senhora Amélia raminho de amendoeira. ‘Inda neste mundo anda já no céu tem a cadeira.
3. Viva lá, o menino Diogo que lá está juntinho à brasa. Venha-nos dar as janeiras que é o morgado da casa.
4. Viva lá, senhor Armando raminho de salsa crua. Quando vai para a igreja alumia toda a rua.
5. A todos que aí estão ao redor dessa fogueira, santa paz lhes desejamos ‘té à hora derradeira.
Cf. Cantar. 1964, 4ª ed., 152-153.
Esta casa é tão alta
Esta casa é tão alta, É forrada de papelão. Aos senhores que cá moram, Deus lhe dê a salvação.
Estas Casas São Mui Altas
Estas casas são mui altas, Mui altas, Forradinhas de alegria. Viva quem nelas passeia, Passeia, Que é a Senhora Maria!
Estas casas são mui altas, Mui altas, Mas não lhes chegamos nós. Viva quem nelas passeia, Passeia, Quem está a fazer filhós!
Levante-se lá, Senhora, Senhora, Desse tão lindo assento! Venha-nos dar as janeiras, janeiras, Na boda do Nascimento!
Letra e música: Popular (Monsanto, Idanha-a-Nova, Beira Baixa) Recolha: António Joyce (1939) (in “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes Graça, 3.ª edição, Colecção Saber, n.º 23, Mem Martins: Publicações Europa-América, s/d. – p. 109) Arranjo: Jaime Ferreira Intérprete: Terra a Terra (in LP “Lá Vai Jeremias”, Orfeu/Rádio Triunfo, 1985, reed. Movieplay, 2005)
Esta noite
Esta noite é de janeiras. Cantemos com alegria. Já nasceu o Deus Menino Filho da Virgem Maria,
Filho da Virgem Maria Numas palhinhas deitado. Deu à luz esta criança O Deus Menino Sagrado.
Estou a ver a dona de casa Pelo buraco da fechadura. Venha-me dar a esmola Que o frio já não se atura.
Quando vinha aí em baixo Topei com uma cortiça. Logo o meu coração disse Que aqui davam uma chouriça.
Autor: Diogo Graça Carolino Alvalade – Sado
Esta noite é de janeiras
Esta noite é de janeiras e dum grande merecimento por ser a noite primeira em que Deus passou tormento.
Os tormentos que passou, eu lhes digo a verdade: o seu sangue derramou p ’ra salvar a sociedade.
Um raminho, dois raminhos, um raminho de salsa crua. Ao pé da tua cama nasce o sol e põe-se a lua. Daqui donde estou bem vejo um canivete a bailar para cortar a chouriça que a senhora me há-de dar.
Esta noite é de janeiras, in cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti; F. Lopes-Graça. Círculo de Leitores 1981, 46.
Esta noite é de janeiras, é de grande mer’cimento
Esta noite é de janeiras, é de grande mer’cimento. Por ser a noite primeira em que Deus passou tormento.
Os tormentos que passou de Sua livre vontade, o Seu Sangue derramou p’ra salvar a Cristandade.
O Seu Sangue derramou, Seu Sangue derramaria p’ra salvar a Cristandade, São Pedro, Santa Maria!
Ao fim de séculos passados, foram ver a sepultura. Acharam ossos mirrados, o sinal da criatura!
Esta noite de Ano Novo é de tão alto valor. Deus lhe dê muita saúde e pão ao Sr. Doutor!
Viva o Sr. Dr. Carlos que vela p’los pobrezinhos Deus lhe dê muita saúde pra criar os seus filhinhos!
Esta casa está juncada com junquilhos da ribeira. Viva o dono desta casa, mais a sua companheira!
Esta casa está juncada com ramos de erva cidreira. Deus lhe dê muita saúde, e à sua família inteira!
janeiras, in cancioneiro de Serpa, M. Rita Ortigão P. Cortez, Ed. C.M. Serpa 1994, 366-367.
Foi tão belo o que aconteceu
Uma estrela os guiou
Inda agora
‘Inda agora aqui cheguei, já começo a cantar. ‘Inda não pedi licença, não sei se ma querem dar.
Pastores, Pastores, vinde todos a Belém adorar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
Levante-se lá, ó senhora, desse seu lindo banquinho. Venha o prato das filhoses e uma garrafa de vinho.
Levante-se lá, ó senhora dessa cadeira de prata, Venha-nos dar as janeiras que está um frio que mata.
Inda agora aqui cheguei
Inda agora aqui cheguei, mal pus o pé na escada, logo o meu coração disse: aqui mora gente honrada.
Ó irmãos na caridade, notícias vos trago eu: às doze horas da noite o Deus Menino nasceu.
Nasceu numas tristes palhas como nasce o cordeirinho. Por causa dos meus pecados foi preso ao madeirinho.
De quem é a bengalinha que está ali no bengaleiro? É do patrão desta casa que é um bom cavalheiro.
Já os campos averdegam
Já os campos averdegam noite e dia à bela luz. Ó que lindo nascimento teve o menino Jesus.
Andámos de casa em casa por atalhos e caminhos, os corações sempre em brasa como outrora os pastorinhos.
2. Ó meu menino Jesus, meu lindo amor perfeito, se vós tendes frio vinde parar ao meu peito.
Já os três reis vão chegando
1. Já os três reis vão chegando à lapinha de Belém adorar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
Com muitas graças aqui viemos as boas festas lhes cantaremos.
2. A cabana era pequena, não cabiam todos três; adoraram o Menino cada um por sua vez.
3. Nossa Senhora lhe disse: – Filho meu, que te farei?! Não tenho cama nem berço, nos braços te criarei.
Já os três reis são chegados
1. Já os três reis são chegados às portas do Oriente visitar o Deus Menino, Senhor Deus omnipotente.
2. Já os três reis são chegados à lapinha de Belém, visitar o Deus Menino que a Nossa Senhora tem.
3. Nossa Senhora Lhe disse: – Filho meu, que Te farei? Não tenho cama nem berço, nos braços te criarei.
4. Estas casas são bem altas, têm defronte um laranjal. Viva quem está dentro delas, vivam todos em geral.
Meia noite dada
1. Meia noite dada, meia noite em pino, cantavam os galos, nascia o Menino.
2. Chorava o Menino como um enjeitado, em lapa da serra, não no povoado.
3. Menino tão rico que pobre estais!… Deitado no feno, entre animais!
4. Os filhos dos homens em berço doirado, e Vós, meu Menino, em palhas deitado!
5. Em palhas deitado, tão pobre esquecido, filho de uma rosa, de um cravo nascido.
6. E do Oriente os três reis vieram. Oiro, incenso e mirra lhe ofereceram.
Nesta casa há amor
Nesta casa há amor, junta-se a paz à lareira para ouvir cantar em grupo cantadores, cantadeiras.
1. Vimos cantar as janeiras Do tempo da nossa avó. Somos gente das aldeias unidas num grupo só.
2. Nos braços da bela aurora vejo o menino brincando com a mãozinha de fora todo o Mundo abençoando.
Neste dia de Janeiro
Neste dia de Janeiro nós cá ‘stamos a cantar. Um bom ano para todos vos queremos desejar.
É nascido o Deus Menino, Filho da Virgem Maria. Cantemos em seus louvores nossos hinos de alegria.
Cf. Cantar, 1964, 4ªed., 176.
Nós aqui vimos
Nós aqui vimos, todos reunidos, dar as Boas Festas aos nossos amigos.
Não é com interesse mas com amizade dar as Boas Festas à sociedade.
Sobreirinho ramalhudo que nos dás a bolota, se tens filhos ou criados mandai-nos abrir a porta.
Pela oferta que nos deram o nosso muito obrigado. O nosso rancho agradece nós p’ró ano cá voltamos
Modivas, Ourém
Nós somos os três reis
1. Nós somos os três reis que vimos do Oriente trazer as boas festas com paz p’ra toda a gente. Nós somos os três reis guiados por uma luz. Adoramos o Deus Menino que se chama Jesus.
2. Nós somos os três reis, Baltazar e Gaspar. Também o Belchior O veio adorar. Nós somos os três reis guiados por uma luz. E trouxemos três presentes p’ro Menino Jesus.
O ano vem vindo
[ Bons Anos ]
O ano novo vem vindo Sorridente e a cantar; O velho que vai saindo Vai triste por acabar.
Eu já vejo a luz acesa; Sei que não estás dormindo. A mulher vai pondo a mesa; Tua porta vai abrindo.
Está um frio que corta, Aqui não posso ficar. Se tu não abres a porta, Noutro lugar vou cantar.
Letra: Maria Angelina de Arruda Medeiros Ponte Música: Tradicional (Maia, Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores) Arranjo: Miguel Pimentel Intérpretes: Miguel Pimentel com Maria José Victória (in CD “A Roda do Ano”, Miguel Pimentel, 2002, reed. Açor/Emiliano Toste, 2019)
Ó da casa, nobre gente
Ó da casa, nobre gente, escutareis e ouvireis Das bandas do Oriente são chegados três reis.
São três reis, são três c’roados, vinde ver quem vos c’roou, e mais quem vos ordenou no vosso santo caminho.
Mandou Deus, por uma estrela que lhe ensinasse o caminho; a estrelinha foi pousar no alto duma cabana…
A cabana era pequena, não cabiam todos três; adoraram Deus Menino cada um por sua vez.
Todos Lhe ofereceram ouro e mirra e incenso; não lhe ofereceram mais nada porque Ele era Deus imenso.
Tradicional de Cinfães, Portugal
Ó de casa, alta nobreza
Ó de casa, alta nobreza, mandai-nos abrir a porta, ponde a toalha na mesa com caldo quente da horta!
Teni, ferrinhos de prata, ao toque desta sanfona! Trazemos ovos de prata fresquinhos, prá vossa dona.
Senhora dona de casa, à ilharga do seu Joaquim, vermelha como uma brasa e alva como um jasmim!
Vimos honrar a Jesus numas palhinhas deitado: o candeio está sem luz numa arribana de gado.
Mas uma estrela dianteira arde no céu, que regala! A palha ficou trigueira, os pastorinhos sem fala.
Dá-lhe calorzinho a vaca, o carvoeiro uma murra, a velha o que traz na saca, seus olho mansos a burra.
Já as janeiras vieram, os Reis estão a chegar, Os anos amadurecem: estamos para durar!
Já lá vem Dom Melchior sentado no seu camelo cantar as loas de cor ao cair do caramelo.
Ó incenso, mirra e oiro, que cheirais e luzis tanto, não valeis aquele tesoiro do nosso Menino santo!
Abride a porta ao peregrino, que vem de num longe, à neve, de ver nascer o Menino nas palhinhas do preseve.
Acabou-se esta cantiga, vamos agora à chacota: já enchemos a barriga, sigamos nossa derrota!
Rico vinho, santa broa calça o fraco, veste os nus! Voltaremos a Lisboa pró ano, querendo Jesus.
Recolha de Vitorino Nemésio (1901-1978)
O Menino está deitado
1. O Menino está deitado com Maria e José. Cantamos nós com os anjos: “Gloria tibi Domine”. .
2. Entrai, pastores, entrai na lapinha de Belém. Adorai o Deus Menino que nasceu p’ra nosso bem.
Cf. Cantar. 1964, 4ª ed.
Os pastores vão andando
Os pastores vão andando, andando sempre à porfia a ver quem chega primeiro aos pés da Virgem Maria.
Boas festas, meus senhores, festas de tanta alegria. Já nasceu o Deus Menino, Filho da Virgem Maria.
Para quem está ouvindo esta nossa melodia, pedimos ao Deus Menino lhes dê paz e alegria.
Aqui ‘stou à sua porta c’um pé frio e outro quente. Venha dar-nos as janeiras, um copinho de aguardente.
Cantar. 1964, 4ª ed., 174-175.
Para te cantar os Reis
[ Os Reis ]
Para te cantar os Reis Trepei tua canadinha, Trepei tua canadinha; Daqui não levanto o pé Sem chouriço ou galinha, Sem chouriço ou galinha!
Está um terrale que corta! Se tu és homem de brio, Se tu és homem de brio, Vem-nos abrir a porta! Estou enrilhado com frio, Estou enrilhado com frio.
Ó porta que te não abres, Ó ferrolho que não corres, Ó ferrolho que não corres, Ó almas, em consciência, Não considereis que morres? Não considereis que morres?
Letra e música: Tradicional (Vila do Nordeste, Ilha de São Miguel, Açores) Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) (in 7LP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1965, reed. 4CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”: CD 1, faixa 5, Açor/Emiliano Toste, 2001) Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)
Reis na Casa dos Açores em Toronto
Quais São os Três Cavalheiros?
Quais são os três cavalheiros Que fazem sombra no mar? São os três do Oriente Que Jesus vêm buscar.
Não perguntam por pousada, Nem aonde irão pousar; Perguntam por Jesus Cristo: Aonde o irão achar.
Letra e música: Popular (Baixo Alentejo) Intérprete: Grupo de Cantares Alentejanos da Brigada Territorial N.º 3 da Guarda Nacional Republicana (in 2CD “O ‘Cante’ Alentejano”: CD 2, Public-Art, 1998)
Que estás a fazer, criança
Que estás a fazer, criança, sentado na pedra fria? Estou à espera do menino Filho divino à luz do dia.
1. Andamos de casa em casa por atalhos e caminhos, os corações sempre em brasa como outrora os pastorinhos.
2. Vimos dar as Boas Festas, Boas Festas vimos dar, que nasceu o Deus menino nas palhinhas ao luar.
Senhora dona da casa
Senhora dona da casa Deixe-se estar que está bem. Mande-nos dar a esmola Pela rosa que aí tem.
1. Abram-se lá essas portas Ainda não estão bem abertas Que nasceu o Deus menino Vou-lhe dar as boas festas.
2. Boas festas meus senhores Boas festas lhes vou dar. Que nasceu o Deus menino Nesta noite de Natal.
3. Nesta noite de Natal Noite de santa alegria Já nasceu o Deus menino Filho da Virgem Maria
Senhores, nós vos trazemos
1. Senhores, nós vos trazemos a mensagem de Belém: nasceu já o Deus Menino e Maria é sua mãe.
2. Nas bandas do Oriente Uma estrelinha brilhou E guiando os três reis Magos Sobre o presépio poisou.
Nestas noites de Natal como é bom pelo luar vir até vós meus senhores lindas janeiras cantar.
3. Tudo acorre à lapinha para adorar o Senhor. Não deixemos nós também de cantar o seu louvor.
4. Como somos mensageiros, não podemos demorar. A boa nova iremos a outros anunciar.
5. Levantai-vos, vinde ver-nos e trazei-nos as janeiras porque esta noite está fria, só nos sabem as fogueiras.
6. Vamos dar a despedida até ao ano que vem. Fiquem-se com Deus, senhores, e sua divina mãe.
Letra: Delmar Barreiros, Cantar. 1964, 4ª ed, p. 166-167.
Um Ano Novo entrou
Um Ano Novo entrou, as janeiras vamos cantar pedindo a vossa bondade de quem nos queira ajudar.
janeiras, lindas janeiras, senhores vimos cantar. Boas Festas e alegria vos queremos desejar.
Que todos os Mirenses Tenham muitas felicidades, presentes e ausentes de todas as idades.
Senhores não demoreis que é muito frio o luar, Vinde-nos dar as janeiras que nós temos de caminhar.
Boas noites meus senhores até p’ró ano que vem. Alegria e paz em Deus e na Virgem, Sua Mãe.
Uma estrela
[ Cantar à Porta ]
Uma estrela, uma estrela nos guia No caminho, no caminho da virtude…
Uma estrela nos guia No caminho, no caminho da virtude…
Ó dono, ó dono da moradia, Lá vai à… lá vai à vossa saúde!
Ó dono da moradia, Lá vai à… lá vai à vossa saúde!
Reis Magos, Reis Magos viram Jesus Numa gruta, numa gruta em Belém;
Reis Magos viram Jesus Numa gruta, numa gruta em Belém;
Guiados, guiados pela mesma luz, Queremos, queremos vê-lo também!
Guiados pela mesma luz, Queremos, queremos vê-lo também!
Letra e música: Popular (Ilha Terceira, Açores) Intérprete: Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense* (in CD “Festa Redonda”, Açor/Emiliano Toste, 2003)
Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras, Vamos cantar as janeiras Por esses quintais adentro vamos Às raparigas solteiras.
Vamos cantar orvalhadas, Vamos cantar orvalhadas. Por esses quintais adentro vamos Às raparigas casadas.
Vira o vento e muda a sorte, Vira o vento e muda a sorte. Por aqueles olivais perdidos Foi-se embora o vento norte.
Muita neve cai na serra, Muita neve cai na serra. Só se lembra dos caminhos velhos Quem tem saudades da terra.
Quem tem a candeia acesa, Quem tem a candeia acesa. Rabanadas pão e vinho novo Matava a fome à pobreza.
Já nos cansa esta lonjura, Já nos cansa esta lonjura. Só se lembra dos caminhos velhos Quem anda à noite à ventura.
José Afonso
Venho-lhe dar os Bons Anos
[ Os Bons Anos ]
Venho-lhe dar os Bons Anos Que as Boas-Festas não pude; Venho a fim de saber Novas da sua saúde.
Novas da sua saúde… Venho-lhe dar os Bons Anos, Venho-lhe dar os Bons Anos Que as Boas-Festas não pude.
Esta casa cheira a rosas, Bem perto está a roseira; Viva o dono desta casa Mais a sua companheira!
Mais a sua companheira… Esta casa cheira a rosas, Esta casa cheira a rosas, Bem perto está a roseira.
Lá vai uma, lá vão duas Por cima do seu telhado; Deus lhe dê muita saúde Ao que lá tem semeado.
Ao que lá tem semeado… Lá vai uma, lá vão duas, Lá vai uma, lá vão duas Por cima do seu telhado.
Daqui donde eu estou bem vejo O canivete a bailar, Para cortar a chouriça Que a senhora me há-de dar.
Que a senhora me há-de dar… Daqui donde eu estou bem vejo, Daqui donde eu estou bem vejo O canivete a bailar.
Toda esta noite aqui ando Com os pés pela geada; A barriga vem vazia E a taleiga não traz nada.
E a taleiga não traz nada… Toda esta noite aqui ando, Toda esta noite aqui ando Com os pés pela geada.
Já que Deus me fez tão pobre, Venho esta noite a pedir Em casa de gente nobre: Sem esmola não hei-de ir.
Sem esmola não hei-de ir… Já que Deus me fez tão pobre, Já que Deus me fez tão pobre Venho esta noite a pedir.
Letra e música: Popular (Baixo Alentejo) Intérprete: Grupo Coral e Etnográfico “As Camponesas de Castro Verde” (in CD “Cante de Natal e de Ano Novo”, Imenso Sul, 1995; CD “Cantes ao Menino: Corais Polifónicos Alentejanos”, Imagem Imenso, 1999)
Vimos cantar as janeiras
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano para toda a escola com saúde e alegria.
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano p’ra toda a família com saúde e alegria.
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano para os moradores desta linda freguesia.
Vimos cantar as janeiras desejando neste dia um bom ano para toda a gente com saúde e alegria.
Para a melodia de janeiras de José Afonso
Vinde, pastores
Vinde, pastores, depressa que já nasceu o Menino. Já se cumpriu a promessa, vamos a tocar o sino.
1. janeiras, lindas janeiras, janeiras da minha aldeia. Sois quais estrelas fagueiras nas noites de lua cheia.
2. janeiras, lindas janeiras senhores, vimos cantar. Boas Festas e alegrias vos queremos desejar.
3. Sopram os ventos da serra, caem estrelas do céus, Alegre-se toda a terra, nasceu o Menino Deus.
4. Senhores, não demoreis, que é muito frio o luar. Vinde-nos dar as janeiras, que temos de caminhar.
5. Levantai-vos da lareira e vinde depressa ver a grandiosa fogueira que o Menino há-de aquecer.
6. Ó janeiras de Vilar Como vós não há igual. Dais consoada aos pobres nestas noites de Natal.
7. A mensagem de Natal a todos dê luz e amor. Oxalá por toda a vida vos guie com seu fulgor.
8. Boas noites, meus senhores, até para o ano que vem. Alegria e paz em Deus e na Virgem sua Mãe.
Letra: J. Geraldes, Cantar. 1964, 4ª ed., 169-171.
Viva lá
Viva lá, minha senhora, casaquinho de veludo; Quando mete a mão ao bolso, tem dinheiro para tudo.
Refrão: Boas Festas, Boas Festas, vos dizemos neste dia. Venham-nos dar as janeiras, com prazer e alegria.
Viva lá, minha senhora, no seu livrinho a ler; Quando vai para a janela, parece o sol a nascer.
Viva lá, minha senhora, linda estrela do norte. Que Deus a deixe criar para uma boa sorte.
Levante-se lá, minha senhora, desse banco de cortiça. Venha-nos dar as janeiras, ou de carne, ou de chouriça.
Alegrias populares, vol. II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor 1967, 22 Vila Verde, Tourais
Viva lá, minha senhora
Viva lá, minha senhora, Raminho de salsa crua. Quando chega à janela Põe-se o sol e nasce a lua.
Viva lá minha senhora Linda boquinha de riso, Linda maçã camoesa Criada no paraíso.
Ó que estrela tão brilhante Que vem dos lados do norte. À família desta casa Deus lhe dê a melhor sorte.
De quem é o anel d’oiro Com pedrinhas no Redol. É do menino João Que é bonito como o sol.
Viva lá menina Rita. Suas faces são romãs. Seus olhos são mais galantes Do que a estrela da manhã.
Ó que estrela tão brilhante Que vem dos lados do norte. À família desta casa Deus lhe dê a melhor sorte.
A silva que nasce à porta Vai beber à cantadeira. Levante daí senhora Venha-nos dar a Janeira.
Alegrai-vos companheiros Que já sinto gente andar. É a senhora da casa Que nos vem a convidar.
Ó que estrela tão brilhante Que vem dos lados do norte. À família desta casa Deus lhe dê a melhor sorte.
QUADRAS INTRODUTÓRIAS
Boas noites, boas noites, boas noites de alegria, que lhas manda o Rei da Glória, filho da Virgem Maria.
Os três reis do oriente já chegaram a Belém visitar o Deus Menino que Nossa Senhora tem.
Cá estamos à sua porta, um grupo de amigos seus. Falar bem nada nos custa: santa noite lhe dê Deus.
Andámos de casa em casa por atalhos e caminhos, os corações sempre em brasa como outrora os pastorinhos.
O menino está no berço coberto c’o cobertor e os anjos estão cantando louvado seja o Senhor.
Aqui ‘stou à sua porta mais dois camaradas meus. Falar bem nada nos custa: santas noites lhes dê Deus.
Venho lhes dar os bons anos que pelas festas não pude. Venho ao fim de saber novas da sua saúde.
QUADRAS PARA REFRÃO
A cantar-vos as janeiras aqui estamos reunidos. Desejamos um bom ano aos amigos mais queridos.
Aqui vimos, aqui estamos A cantar, já o sabeis. vimos dar as boas festas e também cantar os reis.
Boas festas, boas festas aos amigos vimos dar. Um bom ano, um bom ano vos queremos desejar.
QUADRAS PARA VIVAS
Viva lá quem nos escuta, vivam todos em geral. Deus vos dê um ano novo E a todo o Portugal.
Como aqueles passarinhos que estão sempre a cantar. Aos senhores desta casa nós queremos saudar.
Boas festas, boas festas tenha vossa senhoria, com boas entradas de ano com prazer e alegria.
Quem diremos nós que viva no raminho de oliveira? Viva o Senhor Alberto e viva a família inteira.
Por bem cantar, mal não digas dos que a voz aqui levantam, pois uns cantam o que sabem e outros sabem o que cantam.
Boas noites, meus senhores, Boas noites vimos dar. Vimos pedir as janeiras Se no-las quiserem dar.
As janeiras são cantadas Do Natal até aos Reis. Olhai lá por vossa casa Se há coisa que nos deis.
Levante, linda senhora desse banquinho de prata. Venha-nos dar as janeiras que está um frio que mata.
De quem é o vestidinho cosido com seda branca? É da senhora Susana que Deus a faça uma santa.
De quem seriam eram as botinhas que estavam no sapateiro? Eram do senhor Custódio que as pagou c’o seu dinheiro.
Levante-se lá, senhora do seu banco de cortiça. Venha-nos dar as janeiras, ou morcela ou chouriça.
Levante-se lá, senhora, desse seu rico assento. Venha-nos dar as janeiras em louvor do Nascimento.
Levante-se lá, senhora dessa cadeirinha torta. Venha-nos dar as janeiras se não batemos-lhe à porta.
DESPEDIDA
Que tenha um próspero ano e não esqueça a virtude. Que tenha muita alegria e outra tanta saúde.
A quem tanto bem nos faz Deus livre de pena e dano. Fiquem com Deus, passem bem! Até ao próximo ano!
Despedida, despedida, despedida quero dar. Os senhores desta casa bem nos podem desculpar.
Esta casa não é alta, tem apenas um andar. Estes barbas de farelo nada têm p’ra nos dar.
Esta casa é bem alta, forradinha a papelão. O senhor que nela mora Tem um grande coração.
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/08/reis.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:19:452025-06-15 18:48:02Canções de Reis
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
A todos um bom Natal
A todos um bom Natal, a todos um bom Natal. Que seja um bom Natal para todos nós. Que seja um bom Natal para todos nós.
1. No Natal pela manhã ouvem-se os sinos tocar e há uma grande alegria no ar.
2. Nesta manhã de Natal há em todos os países, muitos milhões de meninos felizes
3. Vão aos saltos pela casa descalços ou em chinelas, procurar as suas prendas tão belas.
4. Depois há danças de roda as crianças dão as mãos. No Natal todos se sentem irmãos.
5. Se isso fosse verdade para todos os meninos era bom ouvir os sinos a cantar.
Alegrem-se os céus e a terra
Alegrem-se os céus e a terra, cantemos com alegria que nasceu o Deus Menino, Filho da Virgem Maria!
1. Entrai, pastores, entrai, por este portal sagrado. Vinde adorar o Menino numas palhinhas deitado.
2. Entrai, pastores, entrai, por este portal adentro; vinde adorar o Menino no seu santo nascimento.
3. Vinde todos, vinde todos, à lapinha de Belém adorar o Deus menino que nasceu p’ra nosso bem.
Linhares, Beira Alta
Alta Vai a Lua Alta
Alta vai a Lua alta como o Sol do meio-dia. Mais alta ia a Senhora quando para Belém ia.
São José ia atrás dela, alcançá-la não podia. Foi alcançá-la a Belém onde ela estava parida.
Tão grande era a sua pobreza que nem um panal tenia. Botou as mãos à cabeça, a um véu que ela trazia.
Partiu-o em três bocados, em três bocados o partia: um era para de manhã, outro para o meio-dia,
outro para a meia-noite quando Jesus adormia. Desceram os anjos do Céu Cantando: avé, Maria! Avé, Maria de graça, de graça avé, Maria!
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal) Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Beijai o Menino
Beijai o Menino! Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Beijai o Menino! Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Beijai o Menino! Beijai-o no pé! Beijai o Menino De S. José!
São os filhos dos homens Em berços doirados… E vós, meu Menino, Em palhinhas deitado.
Em palhinhas deitado, Em palhinhas esquecido… Filho de uma rosa, De um cravo nascido.
Beijai o Menino! Beijai-o agora! Beijai o Menino De Nossa Senhora!
Sois manso cordeiro Que estais nessa cruz, Com os braços abertos; Perdoai-nos, Jesus!
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes) Adaptação: José Barros Arranjo: José Manuel David e José Barros Intérprete: Navegante (in CD “Meu Bem, Meu Mal”, Tradisom, 2008) Outra versão de Navegante (in CD “Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e janeiras”, José Barros/MediaFactory, 2009)
Cai a neve branca
1. Cai a neve branca sobre a natureza e na terra inteira há paz e beleza.
2. Em tudo há doçura, tudo é irreal quando é meia noite, noite de Natal.
3. Uma estrelinha de uma estranha luz anuncia ao mundo: já nasceu Jesus.
Cantam os anjos sem cessar
1. Cantam os anjos sem cessar: já é Natal. Tocam os sinos sem parar, já é Natal. Reis vão ao presépio, com lindos presentes. Todos cantamos sem cessar, já é Natal.
2. Cantam os anjos sem cessar: nasceu Jesus. Tocam os sinos sem parar: nasceu Jesus. Vão também pastores com os seus presentes. Todos cantamos sem cessar: nasceu Jesus.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia inglesa
Chove. É dia de Natal.
Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal. E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse O Natal da convenção, Quando o corpo me arrefece Tenho frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra E o Natal a quem o fez, Pois se escrevo inda outra quadra Fico gelada dos pés.
Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal. E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar.
Chove. É dia de Natal. Lá para o Norte é melhor: Há a neve que faz mal. E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente Porque é dia de o ficar. Chove no Natal presente. Antes isso que nevar.
Poema: Fernando Pessoa (ligeiramente adaptado) Música: César Prata Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Chove. É dia de Natal.
Dim dom, sinos a tocar
1. Dim dom, sinos a tocar e anjos a cantar. Dim dom, sinos a tocar e reis a caminhar.
Gloria. Hosana in excelsis.
2. Dim dom, sinos a tocar e luzes a brilhar. Dim dom, sinos a tocar, e gente a partilhar.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia tradicional
É Natal, Deus Menino nasceu
É Natal, Deus Menino nasceu. Vê-se ao longe uma estrela a brilhar. São os Reis, são os Reis, são os Reis. Vêm a Belém para O visitar.
Entrai pastores entrai
Entrai pastores entrai, por este portal sagrado. Vinde adorar o Menino numas palhinhas deitado!
Pastorinhos do deserto todos correm para O ver Trazem mil e um presente para o Menino comer!
Ó meu Menino Jesus convosco é que eu estou bem Nada neste mundo quero, nada me parece bem!
Alegrem-se os Céus e a Terra, cantemos com alegria Que nasceu o Deus Menino, filho da Virgem Maria!
Deus Menino já nasceu, andai ver o Rei dos Reis. Ele é quem governa o Céu, quer que vós O adoreis!
Ó meu Menino Jesus que lindo amor perfeito. Se vem muito cansadinho, vem descansar em meu peito!
Natal da Beira
Está na hora do menino deitar
Está na hora do menino deitar e na chaminé pôr os sapatinhos. Já é noite, o Pai Natal vai chegar para a todos deixar presentinhos. Cedo acordo ouço os sinos a tocar e levanto-me alegre aos saltinhos.
Devagar para ninguém acordar vou contente ver os meus presentinhos.
Lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá…
Devagar para ninguém acordar vou contente ver os meus presentinhos.
Esta noite é noite santa
[ Toca, Sino, Toca! ]
Esta noite é noite santa. Não é noite de dormir que um lindo botão de rosa à meia-noite há-de abrir.
Harpas de oiro, liras d’oiro, anjos do Céu afinai. Paz na Terra e nas Alturas, Glória e louvor cantai.
Esta noite é noite santa. Outra mais santa não há que um lindo botão de rosa desabrochou em Judá.
Tangedores de viola, de pandeiro e tamboril, tomai vós a minha lira e dai-me o vosso arrabil!
Letra e música: Tradicional (Portugal) Arranjo: César Prata Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Eu hei-de dar ao Menino
[ Arre, Burriquito! ]
Eu hei-de dar ao Menino Uma fitinha p’ró chapéu; Ele também me há-de dar Um lugarzinho no Céu.
Olhei para o Céu, Estava estrelado; Vi o Deus-Menino
Em palhas deitado. Em palhas deitado, Em palhas estendido; Filho duma Rosa, Dum Cravo nascido.
Arre, burriquito! Vamos a Belém Ver o Deus-Menino Que a Senhora tem!
Que a Senhora tem, Que a Senhora adora; Arre, burriquito! Vamo-nos lá embora!
Eu hei-de dar ao Menino Uma fitinha p’ró boné; Ele também me há-de dar Prendinhas na chaminé.
Olhei para o Céu, Estava estrelado; Vi o Deus-Menino Em palhas deitado.
Em palhas deitado, Em palhas estendido; Filho duma Rosa, Dum Cravo nascido.
Arre, burriquito! Vamos a Belém Ver o Deus-Menino Que a Senhora tem!
Que a Senhora tem, Que a Senhora adora; Arre, burriquito! Vamo-nos lá embora!
Olhei para o Céu, Estava estrelado; Vi o Deus-Menino Em palhas deitado.
Em palhas deitado, Em palhas estendido; Filho duma Rosa, Dum Cravo nascido.
Arre, burriquito! Vamos a Belém Ver o Deus-Menino Que a Senhora tem!
Que a Senhora tem, Que a Senhora adora; Arre, burriquito! Vamo-nos lá embora!
Letra e música: Tradicional Arranjo: Artesãos da Música Intérprete: Artesãos da Música
Eu Hei-de Ir ao Presépio
Eu hei-de ir ao presépio assentar-me num cantinho, a ver como o Deus-Menino nasceu lá tão pobrezinho.
Abra lá o seu postigo, deixe estar um pouco aberto! Quero ver o Deus-Menino armadinho no presépio.
Eu hei-de dar ao Menino, ao Menino hei-de dar uma cadeirinha de oiro para o Menino assentar.
Ó meu Menino Jesus, ó meu rico fidalguinho, hei-de dar-te papa doce, hei-de ter-te mimosinho!
Ó meu Menino Jesus, quem vos pudera valer com sopinhas da panela sem a vossa mãe saber!
Ó meu Menino Jesus, quem vos há-de dar a mama? Vossa mãe foi ao moinho, vosso pai ficou na cama.
Ó meu Menino Jesus, ó meu rico fidalguinho, hei-de dar-te papa doce, hei-de ter-te mimosinho!
Ó meu Menino Jesus, quem vos pudera valer com sopinhas da panela sem a vossa mãe saber!
Ó meu Menino Jesus, quem vos há-de dar a mama? Vossa mãe foi ao moinho, vosso pai ficou na cama.
Letra e música: Tradicional (Portugal) Arranjo: César Prata Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Faça “ai, ai”, meu menino
[ Embalo do Algarve ]
Faça “ai, ai”, meu menino, Que a mãezinha logo vem! Foi lavar os cueirinhos À fontinha de Belém.
Vai-te embora, papá negro, De cima desse telhado! Deixa dormir o menino, Está no sono descansado.
Embala, José, embala! Embala suavemente, Entretendo o inocente Com esta cantiga em verso!
Dorme, dorme, meu menino, Que a mãezinha logo vem! Dorme, dorme, meu menino, Que a mãezinha, ai, logo vem!
Letra e música: Tradicional (Alvor, Portimão, Algarve) Recolha: Michel Giacometti (“Faça ‘ai, ai’, meu menino”, in LP “Algarve”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1962; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 5 – Algarve, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 6 – Algarve, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérprete: Segue-me à Capela (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa) Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Feliz Natal, bom Ano Novo
1. Feliz Natal, bom Ano Novo, presentes para partilhar.
A melhor prenda é a alegria que Jesus tem para nos dar.
2. Felizes festas, família unida, muitas histórias p’ra contar.
Feliz Natal, Feliz Natal
Feliz Natal, feliz Natal. Para todos, um ano especial.
1. Um menino diferente e três reis do Oriente.
2. Uma rena, um trenó, bolo-rei e pão-de-ló.
3. Um presépio, um pinheiro, um amigo verdadeiro.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia inglesa
Eu fiz um pão diferente
Padeiro
1. Eu fiz um pão diferente para a Família provar.
Jesus, dou-te a melhor prenda que tenho para Te dar.
Sapateiro
2. Eu fiz uns sapatos novos para Te poderes calçar.
Costureira
3. Eu fiz uma roupa linda para Te agasalhar.
Carpinteiro
4. Eu fiz um berço bonito para a Mãe Te embalar.
Letra e música: António José Ferreira
Jesus vem ao mundo
1. Jesus vem ao mundo: que paz e bondade! ó quanta doçura, amor e humildade.
Vinde, adoremos, Jesus salvador. A estrela nos aponta o rumo, a salvação, Belém e Deus Menino, celeste mansão.
2. Jesus no presépio, vede quanto amor: nascer pobrezinho o Deus criador!
Logo que nasceu
1. Logo que nasceu, Jesus acampou e à luz das estrelas uma voz soou,
um ah, ah, ah.
2. Maria, a Senhora, seu Filho embalou e à luz das estrelas uma voz soou,
um ah, ah, ah.
Luzes no céu
Luzes no céu em Dezembro a brilhar, música e festa por onde se andar, uma vaquinha que não quer pastar: junto ao Menino, em Belém, quer estar.
Letra e música: António José Ferreira
Maria, Mãe bendita
Maria, Mãe bendita, encantaste o Senhor: hoje e sempre louvamos tua fé, teu amor.
Felizes como os anjos a cantar lá nos céus nós dizemos contigo: poderoso é Deus.
Menino Jesus
[ Vestir o Menino ]
Menino Jesus, tenho que vos dar sapatinhos novos para vos calçar.
Sapatos já tendes, faltam-vos meiinhas: eu vo-las darei, de salvé-rainhas.
Meiinhas já tendes, faltam-vos calções: eu vo-los darei, de mil orações.
Calções já os tendes, falta-vos camisa: eu vo-la darei, de cambraia lisa.
Camisa já tendes, falta-vos colete: eu vo-lo darei, de pano de crepe.
Colete já tendes, falta-vos casaco: eu vo-lo darei, de pano bem guapo.
Casaco já tendes, falta-vos lencinho: eu vo-lo darei, de pano de linho.
Lencinho já tendes, falta-vos chapéu: eu vo-lo darei, levai-me p’ró Céu.
Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal) Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata* (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
Menino Jesus do céu
Menino Jesus do céu, ‘screvi-te um lindo postal para me mandar’s brinquedos no dia de Natal.
Menino Jesus do céu que és rico e me tens amor, dá-me uma prenda bonita, talvez um computador.
Menino Jesus do céu dá-me uma linda viola p’ra praticar em casa e aprender na escola.
Não há noite mais alegre
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Deu o galo três cantadas, Deu o Menino nascido; Bendito seja o ventre Que o trouxe nove meses escondido!
E a mula, como maldosa, Destapava-o com a ferradura; Mas o boi, como era manso, Tapava-o com a armadura.
E ao boi, Nosso Senhor Lhe deu a sua bênção: «As terras que tu lavrares Todas elas dêem pão!
Cada bago dê uma espiga! Cada espiga um milhão! Todo ele se aguardará Lá no mês de S. João!»
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Letra e música: Tradicional (Alte, Loulé, Algarve) Intérprete: Vozes do Imaginário (in CD “Cantos ao Menino, Reis e janeiras da tradição musical portuguesa”, Do Imaginário – Associação Cultural, Évora, 2009
Noite feliz
1. Noite feliz! Noite feliz! O Senhor, Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém. Eis na lapa Jesus, nosso bem. Dorme em paz, ó Jesus. Dorme em paz, ó Jesus.
2. Noite feliz! Noite feliz! Ó Jesus, Deus da luz, quão amável é teu coração que quiseste nascer nosso irmão e a nós todos salvar, e a nós todos salvar.
3. Noite feliz! Noite feliz! Eis que no ar vêm cantar aos pastores os anjos dos céus anunciando a chegada de Deus, de Jesus Salvador, de Jesus Salvador.
Nós somos os três Reis
Nós somos os três Reis que viemos do Oriente Trazer as Boas Festas com Paz p’ra toda a gente.
Nós somos os três Reis guiados por uma luz. Adoramos Deus Menino que se chama Jesus.
Nós somos os três Reis Baltazar e Gaspar. Também o Belchior o veio adorar.
Nós somos os três Reis guiados por uma luz e trouxemos três presentes para o Menino Jesus.
Não há noite mais alegre
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Deu o galo três cantadas, Deu o Menino nascido; Bendito seja o ventre Que o trouxe nove meses escondido!
E a mula, como maldosa, Destapava-o com a ferradura; Mas o boi, como era manso, Tapava-o com a armadura.
E ao boi, Nosso Senhor Lhe deu a sua bênção: «As terras que tu lavrares Todas elas dêem pão!
Cada bago dê uma espiga! Cada espiga um milhão! Todo ele se aguardará Lá no mês de S. João!»
Não há noite mais alegre Que é a noite de Natal Onde nasceu o Deus-Menino Antes do galo cantar.
Letra e música: Tradicional (Alte, Loulé, Algarve) Intérprete: Vozes do Imaginário (in CD “Cantos ao Menino, Reis e janeiras da tradição musical portuguesa”, Do Imaginário – Associação Cultural, Évora, 2009
Ó luz de Deus
1. Ó luz de Deus, ó doce luz que brilhas nas alturas, vem com teu brilho e teu fulgor trazer ao mundo o teu calor. Ó luz de Deus, ó doce luz que brilhas nas alturas.
2. O mundo viu o Salvador nascer humilde e pobre. Ouviu os anjos proclamar a paz que os homens vem salvar. O mundo viu o Salvador nascer humilde e pobre.
3. O Deus do céu vem junto a nós viver a nossa vida. Vem das alturas o Senhor manifestar o seu amor. O Deus do céu vem junto a nós viver a nossa vida.
Ó, ó, ó, ó, menino, ó
Ó, ó, ó, ó, menino, ó, Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró, C’uma vara de aguilhão, P’ra matar o perdigão.
Ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó!
Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró; Tua mãe à borboleta, Logo te vem dar a teta.
Ó, ó, ó, ó, menino, ó, Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró, C’uma vara de aguilhão, P’ra matar o perdigão.
Ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó, ó!
Ó, ó, ó, ó, ó, menino, ó, Teu pai foi ao eiró; Tua mãe à borboleta, Logo te vem dar a teta.
Letra e música: Tradicional (Nozedo de Cima, Tuizelo, Vinhais, Trás-os-Montes) Recolha: Kurt Schindler (1932, in livro “Folk Music and Poetry from Spain and Portugal”, New York: Hispanic Institute in the United States, 1941; “A Canção Popular Portuguesa”, de Fernando Lopes-Graça, col. Saber, Vol. 23, Lisboa: Publicações Europa-América, 1953 – p. 63; 3.ª edição, col. Saber, Vol. 23, Mira-Sintra: Publicações Europa-América, s/d. – p. 60; “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 16) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
O menino está dormindo
1. O menino está dormindo nas palhinhas despidinho. Os anjos lhe estão cantando por amor tão pobrezinho.
2. O menino está dormindo nos braços da Virgem pura. Os anjos lhe estão cantando: “hossana lá na altura”.
3. O menino está dormindo nos braços de São José. Os anjos lhe estão cantando: “Gloria tibi Domine”.
Natal de Évora
Ó meu Menino Jesus
Ó meu Menino Jesus, Ó meu menino tão belo, Onde foste a nascer Ao rigor do caramelo.
Ó meu Menino Jesus, Não queiras menino ser; No rigor do caramelo A neve te faz gemer.
O menino da Senhora Chama pai a S. José, Que lhe trouxe uns sapatinhos Da feira de Santo André.
O Menino chora, chora, Chora pelos sapatinhos; Haja quem lhe dê as solas, Que eu lhe darei os saltinhos.
Dá-me o teu menino! Não dou, não dou, não dou! Dá-me o teu menino, Vai à missa que eu lá vou. Dá-me o teu menino! Não dou, não dou, não dou!
Letra e música: Popular (Campo Maior, Alto Alentejo) Recolhas: Michel Giacometti (in LP “Alentejo”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1965; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 4 – Alentejo, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 5 – Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008 – vide nota infra); Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, RTP-1, 1970-73) Intérprete: Brigada Victor Jara / voz solo de Joaquim Caixeiro (in LP “Quem Sai aos Seus”, Vadeca/J.C. Donas, 1981, reed. Edições Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)
Ó Meu Menino Jesus
Ó meu Menino Jesus, quem vos tirou do altar? Foi o ministro de Cristo para nos dar a beijar.
Ó meu Menino Jesus, boquinha de marmelada, dá-me da tua merenda que a minha mãe não tem nada.
Ó meu Menino Jesus, boquinha de requeijão, dá-me da tua merenda que a minha mãe não tem pão.
Ó meu Menino Jesus, ó meu Menino tão belo, só vós vieste nascer no rigor do caramelo.
Entrai, pastores, entrai por esses portais adentro! Vinde ver o Deus-Menino no sagrado nascimento!
Letra e música: Tradicional (Beiras, Portugal) Arranjo: Catarina Moura, César Prata e Anel Ninas Intérpretes: Catarina Moura, Ariel Ninas e César Prata (in CD “Do Natal aos Reis: Cantos da Galiza e Portugal”, aCentral Folque, 2019)
O que levas ao Menino
1. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-Lhe um casaquinho p’ra Jesus se agasalhar
2. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-Lhe um brinquedinho p’ra Jesus poder brincar.
3. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe uma bola p’ra Jesus poder jogar.
4. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe uma viola p’ra Jesus poder tocar.
5. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe um livrinho p’ra Jesus poder ‘studar.
6. O que levas ao Menino, o que tens para Lhe dar? Vou levar-lhe o coração p’ra Jesus nele morar.
Letra e música: António José Ferreira
Oh Bento Airoso
Oh Bento Airoso, Mistério divino! Encontrei a Maria À beira do rio E lavando os cueiros Do bendito Filho.
Maria lavava, São José ‘stendia, O Menino chorava Com o frio que fazia.
Calai, meu menino! Calai, meu amor! (E) que as vossas verdades Me matam de dor.
Letra e música: Tradicional (Paradela, Miranda do Douro, Trás-os-Montes) Recolha: Michel Giacometti (1960, in “Cancioneiro Popular Português”, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 43) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Para quem são as janeiras
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? – Para a nossa professora que temos no coração.
Para quem são as janeiras? Para que é a cantiga? -Para a Professora Carla que é muito nossa amiga.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? É para as educadoras que temos no coração.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? É para as auxiliares que temos no coração.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? É p’ra todos os amigos que temos no coração.
– Para quem são as janeiras? Para quem é a canção? Para a nossa professora que se chama Conceição.
Letra e música: António José Ferreira
Pastorinhos
Pastorinhos do deserto, é, pois, certo que, na noite de Natal, num curral, baixou o Filho de Deus lá dos céus.
Quem nos deu tanta alegria? Foi Maria! E quem nos deu tanta luz? Foi Jesus! Cantemos os seus louvores, ó pastores.
Pastorinhos do deserto
Pastorinhos do deserto, vinde todos a Belém adorar o Deus Menino nos braços da Virgem Mãe. Pastorinhos do deserto, vinde todos a Belém.
Pinheirinho, pinheirinho
Pinheirinho, pinheirinho de ramos verdinhos, p’ra enfeitar, p’ra enfeitar, bolas, bonequinhos. (2 v. )
1. Uma bola aqui, outra acolá, luzinhas que piscam, que lindo que está.
Olha o pai Natal de barbas branquinhas. Traz o saco cheio de lindas prendinhas.
(Menino) Pai Natal, Pai Natal dá-me um avião Não faz mal, não faz mal que ande pelo chão.
(Menina) ) Pai Natal, Pai Natal dá-me uma boneca. Não faz mal, não faz mal que seja careca.
Que todo o tempo seja de Natal
1. Que todo o tempo seja de Natal, que todo o ano seja de Natal. Que sempre haja alegria igual à deste dia. Que todo o tempo seja de Natal.
3. Que todo o tempo seja de Natal, que todo o ano seja de Natal. Que sempre haja esperança nos sonhos da criança. Que todo o tempo seja de Natal.
3. Que todo o tempo seja de Natal, que todo o ano seja de Natal. Que sempre haja amizade, justiça e liberdade. Que todo o tempo seja de Natal.
Letra e música: António José Ferreira
Rodolfo era uma rena
Rodolfo era uma rena, de nariz avermelhado Se vocês observassem, viam-no logo encarnado.
Todas as outras renas, gostavam muito de troçar. E ao pobre Rodolfo, nunca deixavam brincar.
Então numa bela noite o Pai Natal lhe disse: “Com o teu nariz encarnado, guia o meu trenó prendado”
Então todas as renas aplaudiram o Rodolfo “Rena do nariz vermelho, tu vais ser o mais famoso”
Sobre a gruta estava um anjo
1. Sobre a gruta estava um anjo; cantava como ninguém cantou. Um pastor escutou a voz e os amigos logo chamou:
Gloria in excelsis Deo. Gloria in excelsis Deo.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia francesa
Tã tã, vão pelo deserto
1. Tã tã, vão pelo deserto, tã tã, Melchior e Gaspar, tã tã, e atrás outro mago, que todos conhecem por rei Baltazar.
2. Tã tã, surgiu uma estrela, tã tã, no céu a brilhar, tã tã, tão pura e tão bela, que a terra inteira está ‘inda hoje a iluminar.
3. Tã tã, cansado o camelo, tã tã, cansado de andar, tã tã, assim carregado de incenso, de mirra, de oiro p’ra dar.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia tradicional de Espanha
Três estrelas de alumínio
[ Presépio de Lata ]
Três estrelas de alumínio A luzir num céu de querosene; Um bêbedo julgando-se césar Faz um discurso solene.
Sombras chinesas nas ruas, Esmeram-se aranhas nas teias; Impacientam-se as gazuas, Corre o cavalo nas veias.
Há uma luz na barraca, Lá dentro uma sagrada família; À porta um velho pneu com terra Onde cresce uma buganvília.
É o presépio de lata! Jingle bells, jingle bells!
Oiçam um choro de criança: Será branca, negra ou mulata? Toquem as trompas da esperança E assentem bem qual a data.
A lua leva a boa-nova Aos arrabaldes mais distantes: Avisa os pastores sem tecto, Tristes reis magos errantes.
E vem um sol de chapa fina Subindo a anunciar o dia: Dois anjinhos de cartolina Vão cantando “aleluia!”.
É o presépio de lata! Jingle bells, jingle bells!
Nasceu enfim o menino, Foi posto aqui à falsa fé: A mãe deixou-o sozinho E o pai não se sabe quem é.
É o presépio de lata! Jingle bells, jingle bells! Jingle bells, jingle bells!
Letra: Carlos Tê Música: Rui Veloso Intérprete: Rui Veloso (in CD “Avenidas”, EMI-VC, 1998)
Um dia, um pastorinho
1. Um dia, um pastorinho, um dia, um pastorinho, guiava as ovelhas tocando pifarinho.
2. No céu viu um sinal, no céu viu um sinal: um anjo anunciava o dia de Natal.
3. Que lindo era o Bébé, que lindo era o Bebé no colo de Maria sorrindo p’ra José.
4. Então o pastorinho, então o pastorinho chegou-se ao Bébé e deu-lhe um beijinho.
Letra e música: António José Ferreira
Um rei do Oriente
1. Um rei do Oriente, um rei do Oriente, viu que no céu luzia um astro diferente.
2. O rei de outro país, o rei de outro país, ao ver a nova estrela, achou-se o mais feliz.
3. Noutro país distante, Noutro país distante, um outro mago viu o astro deslumbrante.
4. Ao verem essa luz, ao verem essa luz, puseram-se a caminho e foram ver Jesus.
5. Que lindo era o Bébé, que lindo era o Bébé, no colo de Maria sorrindo p’ra José.
6. Os reis deram-lhe ouro, os reis deram-lhe ouro, voltaram ao palácio com o maior tesouro.
Letra e música: António José Ferreira
Uma estrela e três magos
Uma estrela e três reis magos levam prendas ao Menino. Alguns anjos cantam: “Glória!” e outros tocam violino.
Uma estrela e três reis magos levam prendas ao bebé. Alguns anjos cantam: “Glória!” e outros tocam jambé.
Letra: António José Ferreira Música: Melodia tradicional da Hungria
Vai-te embora, ó passarinho
1. Vai-te embora, ó passarinho, deixa a baga do loureiro. Deixa dormir o Menino que está no sono primeiro.
2. Dorme, dorme, meu Menino que a Mãezinha logo vem. Foi lavar os cueirinhos à fontinha de Belém.
Ilha de São Jorge, Açores
Vimos cantar as janeiras
1. Vimos cantar as janeiras. Por esses quintais adentro, vamos às raparigas solteiras.
A festa foi bonita pá, mas tu agora voltas ao mesmo sítio onde estiveste voltas à mesma rua, à mesma casa voltas ao mesmo copo que bebeste
E o mundo que sonhaste foi andando o sonho de justiça e a fantasia que ardemos toda a noite em fogo brando terá que se enfrentar com o dia-a-dia
Mas há uma coisa enorme que ficou: (e é nela que teces o amanhã que deste frente-a-frente resultou) vontade de viver outra verdade vontade de acordar noutra manhã
A festa foi bonita pá, mas tu agora voltas ao mesmo leito onde dormiste e apesar do sabor que nos deixamos o termos que partir é sempre triste
O mundo que sonhámos está tão longe mas tudo o que esta noite se viveu garante que afinal pode ser hoje o mundo que se sonha e se esqueceu
Mas há uma coisa enorme que ficou: (e é nela que teces o amanhã que deste frente-a-frente resultou) vontade de viver outra verdade vontade de acordar noutra manhã
Mas há uma coisa enorme que ficou: (e é nela que teces o amanhã que deste frente-a-frente resultou) vontade de viver outra verdade vontade de acordar noutra manhã
Letra e música: Pedro Barroso Intérprete: Pedro Barroso (in CD “Criticamente”, Lusogram, 1999)
Lá na festa da aldeia
[ Festa da Aldeia ]
Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira, Convidaste-me a dançar: Tamanha era a borracheira
Que no adro da igreja Nos chegámos a casar. No nariz, sinal de perigo, Quem dorme contigo
Má sorte vai enfrentar: Mas na festa da aldeia, Com as vizinhas na soleira, Eu fui-me enamorar.
Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado
Entre o sujeito e o coração. Entre o sujeito e o coração. Lá na festa da aldeia, Debaixo da cameleira,
A saia sempre a rodar: A tua mão que se esgueira Debaixo da pregadeira… Eu vermelha, a corar.
No banco, dívidas, assombros; Fiado não vais em ombros; Fim do mês, falta-te o ar; Debaixo da cameleira
Foi grande a ciumeira, Começámos a namorar. Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação;
Na frase sem predicado Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração. Entre o sujeito e o coração.
Mas na festa da aldeia, Tu de mão na algibeira, Nós chegámos a casar: Porque na festa da aldeia Debaixo da cameleira
Tu puseste-me a dançar. Peço aos dias tempo emprestado P’ra apagar esta recordação; Na frase sem predicado
Há vírgulas sem cuidado Entre o sujeito e o coração. Entre o sujeito e o coração.
Letra: Filipa Martins Música: Rogério Charraz Arranjo: João Balão Intérprete: Rogério Charraz (in CD “Não Tenhas Medo do Escuro”, Rogério Charraz/Compact Records, 2016)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/sino.jpg400400António Ferreirahttps://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-07 05:09:362024-11-02 06:41:06Canções de festa