Carolina Costa premiada nos EUA

Aos 12 anos a jovem bailarina Carolina Costa regressa a casa com mais três medalhas de ouro, que ganhou a dançar no Ballet Beyond Borders, EUA. Carolina é aluna do Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sanchez, em Leiria. Começou a ter aulas de ballet aos três anos – a ideia foi da avó – e até aos sete quis desistir. Os pais disseram-lhe: “Experimenta mais um ano.” A partir dos oito, começou a participar em concursos de dança e tudo mudou. A jovem bailarina conseguiu o primeiro lugar nas três categorias em que participou, no escalão de estudante: solo contemporâneo, solo clássico, de Le Corsaire, e pas de deux, de Flames of Paris, que dançou com o também português Francisco Gomes. (25/01/2020)

Anarella Sanchez bailarina e professora
Anarella Sanchez bailarina e professora

O conhecimento do Latim continua a ter uma importância incontornável em áreas como a música, as ciências da natureza, a literatura, a religião. No 4º ano de escolaridade as crianças estudam a romanização. Seria pertinente fazer com as crianças, nessa aproximação, apresentar audiovisuais e textos que ajudem as crianças a gostar de línguas e a respeitar o grandíssimo património que nos foi legado pela Roma antiga. Este artigo aparece na sequência de um desafio feito por uma professora do 1º Ciclo a apresentar algo à sua turma. Uma das atividades será um jogo rítmico com palavras latinas muito parecidas com palavras portuguesas.

Em seguida, lembrei-me álbum “Ave Mundi Luminar“, do compositor “Rodrigo Leão”, editado em 1993 pela Sony Music. Além do tema Ave Mundi, o álbum inclui outros que remetem para a influência latina, com objetivos de universalidade: Carpe Diem, Amatorius, Mysterium, In Excelsis.

Quer através da escuta, quer através da leitura, facilmente (ou com ajuda do professor) as crianças vão descobrir palavras portuguesas com origem no Latim a partir da canção (Ave, generosa, mundo, rosa, feliz, sagrada ou sacra, Virgem, Maria, Espírito, Santo, preciosa, gema, íntimo, sob, cordial, custódia, crucifixo, vulnerável, iluminar.

Rodrigo Leão juntou “a nobreza das vozes que se faziam ouvir em latim” a uma “subtil modernidade” nos arranjos de modo a alcançar uma visão do mundo “mais universalista” do que a dos Madredeus. A influência latina em Rodrigo Leão encontra-se também nos álbuns Alma Mater e Theatrum com temas como Solitarium, Locus Secretus, Contra Mundum e Solve Me Lucto.

Ave generosa Mundi Rosa
Felix et sacra Virgo Maria
Spiritus Sanctus laudamos te
(Ave, ave Gemma Preciosa)
Spiritus Sanctus laudamos te
(Sub intimo cordis in custodia)
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar

Ave generosa Mundi Rosa
Felix et sacra Virgo Maria
Spiritus Sanctus laudamos te
(Ave, Ave Gemma Preciosa)
Spiritus Sanctus laudamos Te
(Sub intimo cordis in custodia)
Cruxificie vulnerati

Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar
Cruxificie vulnerati
Ave Mundi Luminar

A estreia a solo de Rodrigo Leão – escudado com o Vox Ensemble – aconteceu quando a carreira dos Madredeus estava em pleno ascendente. Com «Ave Mundi Luminar», Rodrigo estabeleceu o seu próprio universo, juntando a nobreza das vozes que se faziam ouvir em latim a arranjos de uma subtil modernidade que ambicionavam uma vibração mais universal do que a que animava os Madredeus. Temas como «Ave Mundi» e «Carpe Diem» traduziam uma nova maneira de olhar o mundo que Rodrigo ainda não tinha explorado nos Madredeus ou na Sétima Legião, talvez mais universalista. E certamente mais pessoal.

Rodrigo Leão
Ave Mundi Luminar de Rodrigo Leão
Ave Mundi Luminar de Rodrigo Leão

Tão universal como a linguagem, presente desde a noite dos tempos, a música desenvolve as nossas capacidades intelectuais e ajuda a lutar contra a Doença de Alzheimer.

Gwendoline Dos Santos

Artigo da autoria de Gwendoline Dos Santos, publicado no jornal Le Point (30/10/2015), traduzido por António José Ferreira a 21 de janeiro de 2020 e publicado na Meloteca

A música não nos protege nem do frito nem do calor, nem do vento, nem do sol, nem dos predadores ou dos micróbios. Não se pode comê-la nem bebê-la. Quanto à ideia de se unir a ela, trabalho perdido. Numa primeira abordagem, é difícil compreender o que ela nos traz de um ponto de vista evolutivo, nada, de qualquer modo, que pareça garantir a sobrevivência da espécie. E contudo, ela é tão universal como a linguagem, está presente em todas as sociedades desde a noite dos tempos. Os primeiros instrumentos musicais descobertos pelos arqueólogos, as flautas talhadas em ossos de animais, têm 35000, talvez 40000 anos. Não deixando fósseis as melodias cantadas, o canto deve ter aparecido bem antes desta época pré-histórica. Que faz então a música ao nosso cérebro para lhe agradar tanto?

Toda a gente vibrou já com uma ária da Callas ou o “Don’t Stop Me Now”, dos Queen. Basta ver o transe em que entra Alex DeLarge, o sociopata ultraviolento de “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrik, desde as primeiras notas da 9ª sinfonia de Beethoven. A escuta da música pode gerar um ligeiro suor e uma modificação dos ritmos respiratório e cardíaco, um fenómeno fisiologicamente comparável ao orgasmo. Tal como a alimentação, o sexo ou as drogas, a música solicita o circuito da recompensa no cérebro do ouvinte. Este velho sistema posto em prática pela seleção natural para favorecer a satisfação das nossas necessidades fundamentais aumenta a libertação de dopamina, o neurotransmissor do prazer, responsável por este “arrepio musical”. É o que revelou, em 2011, uma equipa canadiana da universidade McGill na revista Nature Science, utilizando técnicas de imageologia cerebral (IRM e TEP). Eis o que nos estimula a renovar a experiência, podendo a música gerar um certo vício… perfeitamente inofensivo. Além de que ela não se contenta de provocar uma onda emocional, ela deixa nos cérebros traços duradoiros, seja no músico ou no simples ouvinte.

Um cérebro sob a influência da música

Hervé Platel, cujos trabalhos são mundialmente conhecidos, é um dos primeiros investigadores, nos anos 90, a a ter observado o cérebro sob a influência da música graças à imageologia por ressonância magnética. Com a sua equipa, este professor de neurofisiologia do Inserm, exercendo na universidade de Caen, conseguiu destacar as redes do cérebro implicadas na perceção e na memória musicais. Até então, pensava-se que os dois hemisférios do cérebro desempenhavam um papel complementar, o esquerdo intervindo na lógica e na linguagem, o direito na parte artística. “Ora a música compromete o cérebro na sua globalidade, ela solicita-o nas zonas que têm funções muito mais vastas”, explica o investigador. Escutar uma obra musical cria no cérebro uma verdadeira “sinfonia neuronal” pondo em jogo os quatro lóbulos cerebrais, o cerebelo e ainda o hipocampo, conhecido sobretudo pelo seu papel na memória. Foi aliás no hipocampo que, com a sua equipa, Hervé Platel descobriu, em 2010, que a mais atividade cerebral nos músicos do que nos não-músicos e que a quantidade de neurónios aumenta em função do número de anos de prática e de intensidade desta. É que o nosso cérebro tem plasticidade.

À medida que se aprende a fazer malabarismo ou a falar russo, a aprendizagem desenvolve zonas do cérebro – é uma das propriedades fundamentais deste último. Em função dos exercícios que pratica e dos estímulos que recebe, ele cria novos neurónios (a neurogénese) mas, sobretudo, multiplica conexões (sinapses) para otimizar os desempenhos: é a famosa plasticidade cerebral.

O mesmo sucede quando alguém se inicia na música. Mesmo se aprende muito tarde a tocar um instrumento, o cérebro modifica-se: a música “muscula-o” e enriquece-o com uma larga paleta de capacidades cognitivas. Este treino neuronal beneficia sobretudo os jovens músicos. “Antes da adolescência, sendo o cérebro ainda imaturo, cada nova aprendizagem desafia a sua estrutura”, explica Hervé Platel, que fará parte dos quarenta peritos do cérebro reunidos pelo Le Point em Nice pela primeira edição de Neuroplanète.

As propriedades terapêuticas da música

Para além das zonas da audição, a prática de um instrumento desenvolve as regiões que tratam das informações motoras – que aliás não serão as mesmas num pianista e num violinista -, mas também em larga medida as da linguagem, com a qual ela partilha diversas áreas comuns, além da memória e do prazer. O músico criança obtém assim melhores desempenhos motores, adquire um vocabulário mais rico, desenvolve uma maior facilidade em ler, escrever, aprender línguas, compreender as matemáticas, aperfeiçoar o raciocínio, tornar-se lógico… até se revelar melhor nos testes de QI do que os colegas não-músicos. A música torna a criança mais inteligente? “Evidentemente, seria redutor! Mas ir ao conservatório, é como ir duas vezes à escola! Aprender solfejo, dominar um instrumento, obrigar-se a sincronizar com os outros músicos são atividades extremamente exigentes que vão estimular numerosas partes do cérebro, desenvolvê-las e treinar quantidade de benefícios que manterá toda a sua vida, mesmo se mais tarde deixa de fazer música”, nota o especialista.

A música não só tem um impacto sobre o funcionamento do nosso cérebro e as nossas competências intelectuais, mas também propriedades terapêuticas espantosas. As oficinas de música multiplicam-se para ajudar os doentes de Alzheimer, acalmar a sua ansiedade, melhorar o seu humor. Facto completamente inesperado: “Nos doentes de Alzheimer, a memória musical resiste, mesmo numa fase muito severa. O seu cérebro continua a codificar informações”, entusiasma-se Platel, que trabalha com doenças neurodegenerativas.

Se fazemos ouvir melodias novas a pessoas que apresentam amnésias maiores, elas são capazes, vários meses mais tarde, de as trautear. Mesmo com o seu seu hipocampo degradado, a memória persiste na sua cabeça. De facto, a memória solicita outro caminho, menos vulnerável à lesões cerebrais. “Nós estamos prestes a lançar um estudo que vai permitir observar o cérebro de pessoas muito atentas para compreender o percurso desta memória inconsciente”, confia o neurofisiólogo.

Novos campos terapêuticos são permanentemente descobertos. A musicoterapia encontra o seu lugar em tratamentos de stress, dor, dislexia, serviços de psiquiatria… Por vezes, ela parece agir miraculosamente. A aprendizagem do piano ajuda as vítimas de um AVC a reencontrar as suas capacidades motoras, o canto, a palavra. Uma música com ritmo adaptado assegura e uniformiza a marcha dos pacientes que tinham uma atividade motora desordenada por causa da doença de Parkinson. “A música abranda os costumes”, diz o provérbio. Provado pelas neurociências. Música, maestro!

Hervé Platel
Hervé Platel

Ludwig Van Beethoven (1770-2020)

Comemorações dos 250 anos

Quando à noite contemplo extasiado os céus a enorme quantidade de astros que permanentemente bailam em suas órbitas, os chamados sóis e terras, o meu espírito voa para além dessas estrelas distantes, até à Fonte Primordial, que deu origem a todas as formas e que há-de criar tudo o que será criado.

Ludwig van Beethoven

Beethoven é um dos maiores génios da Humanidade, senão o maior.

Quem como ele foi capaz de subir até à Harpa Celestial, fazendo-a descer até aos corações dos seres humanos?

A Música é a arte suprema, o Som Criador Divino que nos dá paz, alegria, esperança, amor, liberdade.

Quem como Beethoven criou composições geniais, verdadeiros hinos de fraternidade, de liberdade, de harmonia que nos eleva à nossa verdadeira pátria, que nos liberta dos elos que nos escravizam a este mundo cheio de ilusões?

Quem como ele sofreu numerosas amarguras, ingratidões, subindo nas asas do perdão, da música até Deus que muito amava.

A sua surdez física deu-lhe provas muito dolorosas, todavia, será que não possuía capacidades superiores auditivas?

John Russel teve a oportunidade de o ouvir tocar no seu piano, concluindo que entre Beethoven e o piano havia uma íntima união, uma estreita audição, estranha, que levava a que os sons se reflectiam em seu rosto, a sua alma estava muito acima deste mundo físico.

Quando lemos o seu pensamento que serviu de introdução, concluímos que tinha poderes espirituais, que o elevavam muito acima do comum dos mortais. Ele era um filósofo cosmocrata.

Um dia passeava com a minha querida esposa numa zona verde, em Viena, capital da Música, onde viveu, quando nos surge um “grandioso” monumento em sua honra.

Parámos.

Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena
Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena

Começámos por admirar todo o conjunto, depois acercámo-nos, investigámos cada estatueta que tinha sido esculpida na sua base. Eram nove, alegorias das nove sinfonias. Absorvidos nesta obra maravilhosa, estávamos esquecendo de almoçar! Uma delas era um cisne. Esta alvinitente ave, símbolo do Iniciado, capaz de voar até às alturas como de mergulhar nas águas, indicava o seu nível evolutivo.

Cisne do Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena
Cisne do Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena

Como sabemos a Nona Sinfonia é o Hino da União Europeia. Foi uma escolha perfeita, falta seguir os elevados ideais contidos nessa obra magistral.

Muito mais havia que falar sobre o seu legado incomensurável, temos de terminar, com as sábias palavras doutro génio, o último enciclopedista, Goethe:

“Nunca conheci um artista que tivesse uma tão profunda concentração espiritual aliada a uma enorme grandeza de coração. Por isso, entendo, perfeitamente, que lhe seja dificílimo adaptar-se a este Mundo e às suas convenções.”

Goethe

Delmar Domingos de Carvalho

De bailarinos e coreógrafos e sobre dança

Citações sobre dança e bailado

Andrés Corchero, bailarino e coreógrafo

(n. Ciudad Real, Espanha, 1957)

A dança não é só movimento, também é filosofia, poesia, narrativa…

Na dança, o tempo não se explica mas é intrínseco à atuação. A passagem do tempo constrói-se a partir da composição dos movimentos no espaço ou da relação entre os silêncios e a música.

A dança é efémera. Podes bailar a mesma coreografia cada dia mas sempre a viverás de maneira diferente. O público de hoje tampouco sentirá o mesmo que o público que virá amanhã. Sempre se baila no eterno presente.

A poesia é como bailar escrevendo, podes ir muito longe com a imaginação. Também há uma relação estreita entre a dança e a música.

Estar triste não é mau. Em muitos casos, dá-te força. Pode ser um motor para a criação.

Ao longo da vida, deixas para trás muitas pessoas queridas. A vida tem esse ponto de tristeza. Mas a tristeza pode conviver com a esperança.

O mais importante é despertar emoções no público. O espaço entre o bailarino e os espetadores deve estar cheio de energia. O objetivo é conseguir que se mova algo no interior dos espetadores. A emoção é movimento.

A dança não é só movimento, também é filosofia, poesia, narrativa…

Andrés Corchero

Andrés Conchero, créditos La Vanguardia
Andrés Conchero, créditos La Vanguardia

Traduzido por António José Ferreira de entrevista dada ao jornal La Vanguardia a 16 de janeiro de 2020

Olga Roriz, coreógrafa

(n. Viana do Castelo, 8 de Agosto de 1955)

A dança é terapêutica. A dança eleva intelectual e fisicamente o ser humano. A dança é um apelo à humanidade e uma exaltação das nossas capacidades criativas. A dança é a nossa expressão maior. A poesia primordial. Pela dança o mundo eleva-se expande-se, liberta-se.

O poder do nosso corpo não se mede pela força muscular mas pelo lugar que ocupa, pelo espaço que invade, pelo que comunica.

O corpo e a mente na dança não param mesmo que estáticos. A relação com o vazio, o encontro e diálogo com outros corpos, outras mentes, é inesgotável.

A dança não é entretenimento, é comunicação, reflexão, manifesto.

Celebrar a dança é celebrar o ser humano, a nossa liberdade de expressão sem distinção de género, raça ou estrato social. O corpo feito manifesto.

Cada celebração congrega em si o passado o presente e o futuro. A humanidade precisa de um futuro melhor física e mentalmente. A dança cura e não só ao executar mas também ao apreciá-la.

Olga Roriz

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. 

Contacto

António José Ferreira
962 942 759

Entre 2006 e 2019, a Casa da Música, o edifício projetado pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas e inaugurado 2005 registou um total de 7.249.846 milhões de pessoas que nele entraram. Espanhóis, ingleses, franceses e brasileiros constituem a maioria dos estrangeiros que visitam a Casa. “O público não residente tem tido um crescimento sustentável ao longo dos anos, representando cerca de 60% do público das visitas guiadas e 15% dos espectadores de concertos”. Construída para fazer parte da Porto Capital Europeia da Cultura em 2001, a Casa da Música foi inaugurada em 2005, mas os trabalhos só terminaram efetivamente em maio de 2006.

Música para todos

No dia 4 de março de 2024, decorreu nos Paços do Concelho do Porto a cerimónia de entrega dos instrumentos aos 23 novos estudantes do 5.º ano do Agrupamento de Escolas do Cerco do Porto que passam a integrar o projeto “Música para todos”. A iniciativa vai na 14ª edição. Um dia,  poderão integrar a Orquestra Juvenil de Bonjóia, que fez uma pequena atuação no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

O “Música para todos” traduz, na opinião do presidente da Câmara do Porto, “o nosso esforço para promover a coesão social, tendo em vista a construção de uma cidade mais solidária, integrada e integradora”.

A iniciativa foi lançada em 2010 pelo Município do Porto, através da Fundação Porto Social, em parceria com o Curso de Música Silva Monteiro e o Agrupamentos de Escolas do Cerco do Porto e do Viso. O principal objetivo do projeto é a promoção do ensino articulado da música a alunos dos 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico, de Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) da cidade do Porto, de forma a combater o insucesso e o abandono escolar. (15/01/2020).

Louis Braille inventou a música e a escrita em braille utilizando a mesma ferramenta que lhe tinha custado a visão.

Louis Braille nasceu na pequena cidade francesa de Coupvray, filho de um curtidor. Aos três anos, Braille, procurando imitar o pai, levantou a sovela para furar um bocado de couro. Com os olhos meio cerrados, fez força e a sovela desviou-se do couro perfurando o olho. Não foi possível encontrar tratamento e a criança sofreu terrivelmente quando o olho infecionou e a infeção alastrou à outra vista. Aos cinco anos ficou completamente cego. “Porque é que está sempre escuro?” – continuava a perguntar aos seus pais, sem dar-se conta de que nunca voltaria a ver.

O seu pai fez bastões para ele e ensinou-o a guiar-se de forma independente. Os professores e padres de Coupvray ficaram impressionados com a precocidade e perseverança de Braille e aos 13 anos recomendaram-no ao Royal Institute for Blind Youth, uma das primeiras escolas para cegos de todo o mundo. O Instituto tinha sido fundado pelo filantropo Valentin Haüy, que não era cego.

Os alunos aprendiam a ler usando letras em relevo num sistema criado por por Haüy. Mas era um processo muito moroso produzir os livros, e quando a escola abriu pela primeira vez, só tinha três. Nem as crianças podiam escrever usando o referido sistema. O pai de Braille fez-lhe um alfabeto de couro grosso, para que pudesse escrever em casa traçando as letras. Aos 12 anos, Braille tomou conhecimento da existência de um sistema de comunicação por pontos e raias em papel, idealizado pelo Capitão Charles Barbier para que os soldados partilhassem informação à noite sem falar nem usar a luz. Tinha sido rejeitado pelos militares por ser muito complicado.

Durante três anos, Braille trabalhou arduamente para desenvolver um sistema semelhante e mais simples para cegos, utilizando uma sovela, a ferramenta que o tinha deixado cego. Afirmou: “O acesso à comunicação no sentido mais amplo é o acesso ao conhecimento, e isso é de vital importância para que nós [os cegos] não sejamos depreciados ou patrocinados por pessoas videntes condescendentes. Não precisamos que tenham pena, nem que nos lembrem de que somos vulneráveis. Devemos ser tratados como iguais, e a comunicação é a forma de o alcançar.”

Depois de algumas revisões, Louis Braille criou aos 15 anos um alfabeto para cegos e publicou-o cinco anos mais tarde, expandindo-o para incluir símbolos geométricos e notação musical.

Braille, católico, era um apaixonado pela música e um talentoso violoncelista e organista. Foi organista na igreja de Saint-Nicolas-des-Champs em Paris entre 1834 e 1839, na igreja de São Vicente de Paulo. Braille foi convidado a tocar órgão em igrejas de toda a França.

Quando concluiu os estudos, foi convidado a continuar como ajudante de um professor. Foi nomeado professor aos 24 anos. Ensinou História, Geometris e Álgebra no Instituto durante a maior parte da sua vida.

Contudo, o sistema de escrita de Braille não foi aceite no Instituto. Os sucessores de Haüy foram hostis a este invento e despediram o director Dr. Alexandre François-René Pignier por ter um livro de História traduzido em Braille.

Louis Braille morreu de tuberculose aos 43 anos. Dois anos depois, o seu sistema foi finalmente adotado pelo Instituto perante a insistência dos estudantes e espalhou-se por todo o mundo francófono. (…)

Tradução de Aleteia, do Espanhol, por António José Ferreira, a 09 de janeiro de 2020 (excerto)

Quadras de sabor popular em redondilha maior (versos de 7 sílabas e rima ABCB’) da autoria de António José Ferreira, com adaptações para o contexto escolar. O texto encaixa facilmente em algumas melodias de janeiras existentes.

Estas quadras podem ser cantadas tanto no 1º Ciclo como no jardim de infância, podendo fazer-se uma selecão das estrofes a utilizar.

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INTRODUÇÃO

Um bom dia para todos!
Haja paz e alegria.
Adoramos o Menino
que é o filho de Maria.

O bebé está no berço
embrulhado em cobertor
e os anjos vão cantando
aleluias em louvor.

REFRÃO

A cantar-vos as janeiras
aqui estamos reunidos.
Um bom ano para vós
que nos sois muito queridos.

QUADRAS PARA VIVAS

A quem canto as janeiras?
Para quem é a cantiga?
Para a nossa (professora),
que ela é muito nossa amiga.

A quem canto as janeiras
para quem é a canção?
Para o nosso (professor)
que temos no coração.

Quem diremos nós que viva?
A quem vamos nós cantar?
Viva lá a dona (Carla),
que ela é espetacular.

DESPEDIDA

São bonitas as janeiras,
mas estamos a acabar.
Oxalá que o nosso canto
vos esteja a agradar.

António José Ferreira

Canto das Janeiras na Escola

Canto das janeiras na Escola

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacto

António José Ferreira
962 942 759

janeiras

Quadras de sabor popular em redondilha maior (com versos de 7 sílabas e rima ABCB’) para escolher de acordo com as circunstâncias. Podem ser escolhidas quadras tendo em conta a estrutura: 1. Apresentação 2. Vivas 3. Despedida, utilizando um refrão.

PARTITURAS

Estamos hoje aqui

O senhor que aqui mora

Vimos cantar as janeiras

QUADRAS INTRODUTÓRIAS

Boas noites, boas noites,
boas noites de alegria,
que lhas manda o Rei da Glória,
filho da Virgem Maria.

Os três reis do oriente
já chegaram a Belém
visitar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

Cá ‘stamos à sua porta,
um grupo de amigos seus.
Falar bem nada nos custa:
santa noite lhe dê Deus.

Andámos de casa em casa
por atalhos e caminhos,
os corações sempre em brasa
como outrora os pastorinhos.

O menino está no berço
coberto c’o cobertor
e os anjos estão cantando:
louvado seja o Senhor.

Aqui ‘stou à sua porta
com alguns amigos meus.
Falar bem nada nos custa:
santas noites lhes dê Deus.

Venho dar-lhes os bons anos
que pelas festas não pude.
Venho a fim de saber
novas da sua saúde.

Canto de Janeiras Évora 2018

Canto de janeiras Évora 2018

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QUADRAS PARA REFRÃO

A cantar-vos as janeiras
aqui estamos reunidos.
Desejamos um bom ano
aos amigos mais queridos.

Aqui vimos, aqui estamos
A cantar, já o sabeis.
Vimos dar as boas festas
e também cantar os reis.

Boas festas, boas festas
aos amigos vimos dar.
Um bom ano com saúde
vos queremos desejar.

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QUADRAS PARA VIVAS

Viva lá quem nos escuta,
vivam todos em geral.
Deus vos dê um ano novo
E a todo o Portugal.

Como aqueles passarinhos
que estão sempre a cantar
aos senhores desta casa
nós queremos saudar.

Quem diremos nós que viva
no raminho de oliveira?
Viva o Senhor (Alberto)
e viva a família inteira.

Se bem cantas, mal não digas
dos que a voz aqui levantam,
pois uns cantam o que sabem
e outros sabem o que cantam.

Boas noites, meus senhores,
boas noites vimos dar.
Vimos pedir as janeiras
se no-las quiserem dar.

Levante, linda senhora
desse banquinho de prata.
Venha-nos dar as janeiras
que está um frio que mata.

De quem é o vestidinho
cosido com seda branca?
É da senhora (Susana)
que Deus a faça uma santa.

De quem seriam eram as botinhas
que estavam no sapateiro?
Eram do senhor (Custódio)
que as pagou c’o seu dinheiro.

Levante-se lá, senhora
do seu banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras,
ou morcela ou chouriça.

Levante-se lá, senhora,
desse seu rico assento.
Venha-nos dar as janeiras
em louvor do Nascimento.

Levante-se lá, senhora
dessa cadeirinha torta.
Venha-nos dar as janeiras
senão batemos-lhe à porta.

Reciclanda

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DESPEDIDA

Que tenha um próspero ano
e não esqueça a virtude.
Que tenha muita alegria
e outra tanta saúde.

A quem tanto bem nos faz
Deus livre de pena e dano.
Fiquem com Deus que voltaremos
a cantar-vos para o ano!

Despedida, despedida,
despedida quero dar.
Os senhores desta casa
bem nos podem desculpar.

Esta casa é bem alta,
forradinha a papelão.
O senhor que nela mora
tem um grande coração.

Quando os janeireiros não receberam nada, cantam:

Esta casa é muito baixa,
tem apenas um andar.
Estes barbas de farelo
nada têm para nos dar.

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