Artigos académicos sobre vidas de músicos

Os Músicos Embarcados

Nos anos 50 do século XX, muitos músicos madeirenses receberam propostas de trabalho fora da Madeira.

Nos casinos e hotéis do continente (Figueira da Foz, Cúria, Espinho, Estoril), nas boates e cabarés de Lisboa ou Porto, nos hotéis e boates de Luanda, Lourenço Marques, África do Sul e Rodésia, era possível encontrar um músico ou cantor insular, contratado para atuar. De entre eles, Raul Abreu, ”Freitinhas”, ”Barrinhos”, Libertino Lopes, João Moura, Américo de Nóbrega, Luiz Abreu ‘’Mascote’’, Antero Gonçalves, José Marques dos Santos, Helder Martins, Zeca da Silva, Fernando Olim, Artur Andrade, Carlos Fernandes ”Tachi”, Carlos Freitas, Paquete de Oliveira e Jimmy de Sousa, seguiriam uma carreira artística nacional com visibilidade e divulgação das suas atividades no Diário de Notícias da Madeira.

Em janeiro de 1950 o Diário deu conta da presença do cantor ”Jimmy” de Sousa no Funchal: «Encontra-se de novo, entre nós , o apreciado vocalista Jaime de Sousa ”Jimmy” que ultimamente tem atuado, com grande êxito em Lisboa. As suas interpretações vêm merecendo as melhores referências, sendo de notar que o Nina o contratou desde há tempos para ali atuar.» Jimmy de Sousa, irmão de Max, integrou a partir de 1954 o Conjunto de Jorge Brandão com outro conterrâneo, o guitarrista Antero Gonçalves. Juntos atuaram na boate «Tágide» e no Casino Estoril, entre outros espaços, partindo posteriormente com o restante grupo para atuações em Moçambique e na África do Sul, residindo por aquelas paragens durante anos.

Luiz Abreu ”Mascote” (trompetista) atuou na década de 50 na Orquestra de Ferrer Trindade em Lisboa e depois, na noite musical de Ponta Delgada, nos Açores.

Os casos também de Raul de Abreu e Libertino Lopes que passaram pelo Casino da Figueira da Foz e pelos hotéis da região centro do país, rumando depois aos Açores.

José Marques dos Santos tocou no Porto, no cabaré Casa Nova e no Ateneu Comercial do Porto, trabalhando numa das primeiras lojas de instrumentos musicais daquela cidade, onde também dava aulas de guitarra elétrica. Mais tarde, foi músico nas orquestras de bordo dos navios portugueses «Angra do Heroísmo», «Funchal» e «Infante Dom Henrique», neste último já na década de 70.

A saída profissional para a maioria dos músicos da Madeira tinha como primeiro destino a cidade de Lisboa. Os contratos estavam lá. Todos eles sabiam também que podiam contar com uma geração de músicos seus conterrâneos, pioneiros nestas lides artísticas, como por exemplo Tony Amaral, o cantor Max e o guitarrista Carlos Menezes. Estes músicos tinham estatuto e experiência no meio musical da capital. Eram a estes colegas de profissão, mas também amigos, que muitas das vezes pediam opinião ou conselho, sobre contratos e oportunidades profissionais.

Outro dos grandes pianistas madeirenses a desenvolver carreira nacional em Lisboa foi Helder Martins. Desde 1953 a residir na capital, o pianista, compositor e cantor, Helder Martins, tinha uma agenda cheia de eventos e muitas solicitações para atuar. Salientam-se por esta altura os convites para integrar o recém criado Quinteto de Jazz do Hot Club, os vários programas de música ao vivo (nas diversas rádios de Lisboa) e a gravação dos seus primeiros trabalhos discográficos. Através dele, outros músicos insulares conseguiram o seu primeiro contrato no continente, como foi o caso de Zeca da Silva que em quarteto inaugurou o Ronda, um espaço frequentado pelas elites portuguesas (alta finança, ministros e os ”ricos” da linha de Cascais).

O Diário de Notícias da Madeira na sua edição de 12 de julho de 1955 anuncia a partida destes músicos: «A Fim de cumprirem um contrato verdadeiramente honroso, «Jess And His Boys» seguem hoje para Lisboa, no «Império», onde vão trabalhar numa elegante ”Boite” no Estoril que se inaugura brevemente. Associa-se a este conjunto, um animador, um outro artista madeirense, Helder Martins, que no meio musical de Lisboa se tem afirmado pelo seu incontestável valor.»

Outro dos jovens músicos a sair do Funchal foi o contrabaixista Maurílio Teixeira. O seu destino levou-o mais longe, à cidade de Santos no Brasil. Uma vez mais, pelo Diário de Notícias da Madeira de 7 de outubro de 1961, com o título «Um artista em foco» o matutino insular refere que o músico estaria a atuar com a orquestra sinfónica da cidade e que fruto do seu empenho e estudo, tinha sido convidado a integrar uma outra agremiação. Salientava ainda o artigo: «Na base do triunfo do nosso artista estão os ensinamentos colhidos com aproveitamento na Academia de Música da Madeira, onde foi aluno brilhante.»

O Diário de Notícias da Madeira de 11 de julho de 1963 dava conta de quem regressava após concluir os contratos musicais: « Após longos anos de atuação em Moçambique onde conheceu os melhores êxitos integrado no conjunto privativo do Hotel Girassol, de Lourenço Marques, acaba de regressar à Madeira o exímio violinista, nosso conterrâneo, Américo de Nóbrega. Figura conhecida no Music Hall madeirense, fez parte dos conjuntos de Tony Amaral e Flamingo, tendo atuado em Joanesburgo e na Rodésia.»

Outros músicos insulares como Carlos Freitas, Virgílio Cardoso, Mário de Freitas, Adão Freitas, Manuel Lobo de Matos ou Óscar Fernandes percorreriam as províncias ultramarinas portuguesas de Angola e Moçambique, até ao final da década de 60. No caso de Carlos Freitas, contrabaixista, integrou também o célebre Conjunto de Fernando de Albuquerque, passando por importantes espaços de música ao vivo da capital portuguesa como o «Tágide» o «Palm Beach» e o «Concha». Atuou ainda no acompanhamento de discos de Maria José Valério e em vários serões musicais organizados pela Emissora Nacional e Rádio Clube Português.

Uma vez mais, o Diário de Notícias da Madeira, na sua edição de 26 de setembro de 1963 segue o desenvolvimento de um convite endereçado a um artista madeirense, desta vez ao jovem pianista Rui Afonso: «Contratado para o Hotel Infante de Ponta Delgada, segue no próximo domingo para os Açores o Conjunto musical de Rui Afonso, constituído por este jovem e apreciado pianista e por Amadeu Filho (saxofone, clarinete), Manuel José Abreu (bateria e vocalista) e Amadeu Pestana (baixo). O simpático conjunto terá uma festa de despedida no próximo sábado à tarde, no Ateneu Comercial, que registará por certo a presença dos seus muitos admiradores.»
O pianista Rui Afonso daria nas vistas ao longo da década de 60 atuando no Hotel Miramar, Hotel Nova Avenida, Hotel Santa Isabel (a solo) e com o seu Trio no Hotel Monte Carlo, no Piano Bar «Lar Madeirense» e na famosa Boate do Golden Gate. O Trio de Rui Afonso era constituído em 1967 pelo próprio ao piano, «Barrinhos» (bateria) e Maurílio Teixeira (contrabaixo). Este último elemento regressado da sua temporada musical no Brasil.

Texto e pesquisa:

Vítor Sérgio Sardinha

[ Músicos naturais da Madeira ]
Krzystof Penderecki, compositor e maestro

Esta Páscoa está a ser marcada pela “passagem” de muitos. Os anónimos e outros, cujo legado singular celebramos. O compositor polaco Krzysztof Penderecki (1933-2020) morreu num domingo, no passado 29 março, na cidade polaca de Carcóvia, com a idade de 86, depois de doença prolongada.

Penderecki nasceu no dia 23 de novembro no seio de uma família que transportava a memória das migrações arménias, naquela geografia. No seu país de origem, Krzysztof Penderecki é celebrado, a par de Witold Lutosławski (1913-1994), como um dos principais representantes da cultura contemporânea polaca. Mas o mesmo podemos afirmar, na perspetiva da cultura europeia e norteamericana, tendo em conta que o seu trabalho e o seu reconhecimento ultrapassaram as fronteiras criadas pelas dinâmicas políticas de sovietização da Europa de Leste, para se inscrever no coração das práticas musicais contemporâneas.

A obra de Krzysztof Penderecki tem momentos diversos. Não é uma biografia intelectual linear. A sua linguagem musical conheceu momentos de redireccionamento. O abandono de algumas tendências mais vanguardistas foi criticado pelos seus pares e, em certos casos, saudado pelos públicos. Mas julgo que se poderá afirmar que ele ficará na história da música ocidental, da segunda metade do século XX, pelo facto de a sua obra ser um lugar de codificação inventiva das aquisições técnicas mais avançadas, nesse período.

Ainda hoje, as suas obras são uma biblioteca segura para a descoberta das novas formas de abordagem dos instrumentos musicais, e sua notação, que acompanharam essa modernidade musical.

Entre outras, a obra Trenodia [Ode] às Vítimas de Hiroshima tornou-se um símbolo desta contemporaneidade. Trata-se de uma obra para um ensemble de 52 instrumentos de corda, composta em 1960 e premiada, em 1961, pela Tribuna Internacional dos Compositores (UNESCO). Nessa criação, pode dizer-se que Penderecki experimenta todos os limites da escrita para estes instrumentos, construindo o mapa de um mundo sonoro desconhecido. A obra homenageia os residentes de Hiroshima, vítimas da explosão atómica.

Deve referir-se ainda o seu trabalho de criação musical para filmes como O Exorcista, de William Friedkin, Shining de Stanley Kubrick, e Um coração selvagem de David Lynch. Em 2011, Penderecki colaborou com projetos musicais de Jonny Greenwood, guitarrista dos Radiohead, e com o compositor de música eletrónica Aphex Twin.

A memória deste compositor polaco ficará associada à presença de referências religiosas na música contemporânea europeia – referências raras em muitos dos seus compagnons de route. Em todas as fases da sua biografia musical, encontramos vários frescos corais, recebidos como referências incontornáveis para a história recente da música vocal. É disso exemplo o seu Stabat Mater (1962) – obra que foi acolhida como o símbolo da incorporação do movimento de vanguarda do pós-guerra na música religiosa. Nesse mesmo ano, recebeu a encomenda da rádio de Colónia para a criação de uma Paixão segundo São Lucas, que virá a concluir em 1965. A sua conceção acompanhará a realização do II Concílio do Vaticano, contexto em que, como é sabido, se procurou inscrever a relação com o judaísmo numa nova linguagem. Segundo as palavras do compositor, com esta obra, pretendia “não apenas voltar a narrar o sofrimento e a morte de Cristo, mas falar da crueldade do nosso século, do martírio de Auschwitz”. No quadro deste programa, Penderecki pretende “transportar o auditório para o coração do acontecimento, como num mistério medieval, onde ninguém permanece de fora”.

Recordo que o século XX foi o século do regresso da Paixão como forma musical, particularmente depois da I Guerra Mundial. Se acompanharmos René Girard, que leu os evangelhos cristãos da Paixão como o testemunho de uma estreia cultural – a emergência de um Deus das vítimas –, podemos descobrir uma forte correlação entre a valorização musical dessa narrativa e a centralidade do valor atribuído ao “cuidado da vítima”, na memória desse século. Mas há um problema. Como vão lidar os compositores com uma ambivalência: a passagem da figura dos judeus como perseguidores (nos evangelhos) para o lugar da vítima?

A Paixão de Penderecki segue o Evangelho de Lucas, mas introduz diversas interpolações, constituídas por textos litúrgicos da Semana Santa – incluindo o Stabat Mater, escrito anteriormente. O resultado é um mosaico musical, com algumas alusões às tradições da música ritual latina, mas fortemente marcado pelas experiências do compositor no domínio da criação coral de grande escala. A obra foi recebida como um monumento musical de grande impacto. Mas algumas das leituras da obra sublinhavam o paradoxo patente entre a intenção do compositor e a sua escolha de materiais. Essa relação diz respeito à incongruência notada entre a evocação dos judeus vítimas em Auschwitz e os judeus que constituem a “turba” que reclama a crucifixão – ou ainda a centralidade que os “impropérios” recebem no programa construído por Penderecki.

A sensibilidade Penderecki à questão das vítimas judaicas encontrará uma expressão mais evidente, já em 2009 – 43 anos depois da Paixão –, quando passavam 65 anos sobre a destruição do ghetto de Lodz. Neste contexto, Penderecki escreveu o oratório Kaddish, dedicado a “todos os Abrameks de Lodz que queriam viver e aos polacos que salvaram judeus”. O nome indicado na dedicatória da obra é o de Abramek Cytryn, jovem judeu morto com quinze anos, a quem pertence o poema que abre o oratório.

Diria que se poderia fazer a história do século XX a partir das criações musicais sobre as narrativas da Paixão. Nessa história, desvendam-se as feridas da nossa contemporaneidade e pode descobrir-se uma trajetória de valorização da dimensão universal destas narrativas cristãs.

Alfredo Teixeira, compositor e antropólogo

Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Koncerthaus em Viena

Ludwig Van Beethoven (1770-2020)

Comemorações dos 250 anos

Quando à noite contemplo extasiado os céus a enorme quantidade de astros que permanentemente bailam em suas órbitas, os chamados sóis e terras, o meu espírito voa para além dessas estrelas distantes, até à Fonte Primordial, que deu origem a todas as formas e que há-de criar tudo o que será criado.

Ludwig van Beethoven

Beethoven é um dos maiores génios da Humanidade, senão o maior.

Quem como ele foi capaz de subir até à Harpa Celestial, fazendo-a descer até aos corações dos seres humanos?

A Música é a arte suprema, o Som Criador Divino que nos dá paz, alegria, esperança, amor, liberdade.

Quem como Beethoven criou composições geniais, verdadeiros hinos de fraternidade, de liberdade, de harmonia que nos eleva à nossa verdadeira pátria, que nos liberta dos elos que nos escravizam a este mundo cheio de ilusões?

Quem como ele sofreu numerosas amarguras, ingratidões, subindo nas asas do perdão, da música até Deus que muito amava.

A sua surdez física deu-lhe provas muito dolorosas, todavia, será que não possuía capacidades superiores auditivas?

John Russel teve a oportunidade de o ouvir tocar no seu piano, concluindo que entre Beethoven e o piano havia uma íntima união, uma estreita audição, estranha, que levava a que os sons se reflectiam em seu rosto, a sua alma estava muito acima deste mundo físico.

Quando lemos o seu pensamento que serviu de introdução, concluímos que tinha poderes espirituais, que o elevavam muito acima do comum dos mortais. Ele era um filósofo cosmocrata.

Um dia passeava com a minha querida esposa numa zona verde, em Viena, capital da Música, onde viveu, quando nos surge um “grandioso” monumento em sua honra.

Parámos.

Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena
Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena

Começámos por admirar todo o conjunto, depois acercámo-nos, investigámos cada estatueta que tinha sido esculpida na sua base. Eram nove, alegorias das nove sinfonias. Absorvidos nesta obra maravilhosa, estávamos esquecendo de almoçar! Uma delas era um cisne. Esta alvinitente ave, símbolo do Iniciado, capaz de voar até às alturas como de mergulhar nas águas, indicava o seu nível evolutivo.

Cisne do Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena
Cisne do Monumento a Ludwig van Beethoven perto da Konzerthaus em Viena

Como sabemos a Nona Sinfonia é o Hino da União Europeia. Foi uma escolha perfeita, falta seguir os elevados ideais contidos nessa obra magistral.

Muito mais havia que falar sobre o seu legado incomensurável, temos de terminar, com as sábias palavras doutro génio, o último enciclopedista, Goethe:

“Nunca conheci um artista que tivesse uma tão profunda concentração espiritual aliada a uma enorme grandeza de coração. Por isso, entendo, perfeitamente, que lhe seja dificílimo adaptar-se a este Mundo e às suas convenções.”

Goethe

Delmar Domingos de Carvalho

Louis Braille também foi católico devoto e organista em várias igrejas

Louis Braille inventou a música e a escrita em braille utilizando a mesma ferramenta que lhe tinha custado a visão.

Louis Braille nasceu na pequena cidade francesa de Coupvray, filho de um curtidor. Aos três anos, Braille, procurando imitar o pai, levantou a sovela para furar um bocado de couro. Com os olhos meio cerrados, fez força e a sovela desviou-se do couro perfurando o olho. Não foi possível encontrar tratamento e a criança sofreu terrivelmente quando o olho infecionou e a infeção alastrou à outra vista. Aos cinco anos ficou completamente cego. “Porque é que está sempre escuro?” – continuava a perguntar aos seus pais, sem dar-se conta de que nunca voltaria a ver.

O seu pai fez bastões para ele e ensinou-o a guiar-se de forma independente. Os professores e padres de Coupvray ficaram impressionados com a precocidade e perseverança de Braille e aos 13 anos recomendaram-no ao Royal Institute for Blind Youth, uma das primeiras escolas para cegos de todo o mundo. O Instituto tinha sido fundado pelo filantropo Valentin Haüy, que não era cego.

Os alunos aprendiam a ler usando letras em relevo num sistema criado por por Haüy. Mas era um processo muito moroso produzir os livros, e quando a escola abriu pela primeira vez, só tinha três. Nem as crianças podiam escrever usando o referido sistema. O pai de Braille fez-lhe um alfabeto de couro grosso, para que pudesse escrever em casa traçando as letras. Aos 12 anos, Braille tomou conhecimento da existência de um sistema de comunicação por pontos e raias em papel, idealizado pelo Capitão Charles Barbier para que os soldados partilhassem informação à noite sem falar nem usar a luz. Tinha sido rejeitado pelos militares por ser muito complicado.

Durante três anos, Braille trabalhou arduamente para desenvolver um sistema semelhante e mais simples para cegos, utilizando uma sovela, a ferramenta que o tinha deixado cego. Afirmou: “O acesso à comunicação no sentido mais amplo é o acesso ao conhecimento, e isso é de vital importância para que nós [os cegos] não sejamos depreciados ou patrocinados por pessoas videntes condescendentes. Não precisamos que tenham pena, nem que nos lembrem de que somos vulneráveis. Devemos ser tratados como iguais, e a comunicação é a forma de o alcançar.”

Depois de algumas revisões, Louis Braille criou aos 15 anos um alfabeto para cegos e publicou-o cinco anos mais tarde, expandindo-o para incluir símbolos geométricos e notação musical.

Braille, católico, era um apaixonado pela música e um talentoso violoncelista e organista. Foi organista na igreja de Saint-Nicolas-des-Champs em Paris entre 1834 e 1839, na igreja de São Vicente de Paulo. Braille foi convidado a tocar órgão em igrejas de toda a França.

Quando concluiu os estudos, foi convidado a continuar como ajudante de um professor. Foi nomeado professor aos 24 anos. Ensinou História, Geometris e Álgebra no Instituto durante a maior parte da sua vida.

Contudo, o sistema de escrita de Braille não foi aceite no Instituto. Os sucessores de Haüy foram hostis a este invento e despediram o director Dr. Alexandre François-René Pignier por ter um livro de História traduzido em Braille.

Louis Braille morreu de tuberculose aos 43 anos. Dois anos depois, o seu sistema foi finalmente adotado pelo Instituto perante a insistência dos estudantes e espalhou-se por todo o mundo francófono. (…)

Tradução de Aleteia, do Espanhol, por António José Ferreira, a 09 de janeiro de 2020 (excerto)

soprano Susana Gaspar

Músicos Portugueses na Diáspora” é projeto Meloteca em curso ao longo de 2020 que pretende conhecer e divulgar todos os músicos portugueses na diáspora. Cada resumo biográfico, de cerca de 300 palavras, valorizará:

  • os estudos feitos pelo músico em Portugal,
  • os laços familiares musicais,
  • as circunstâncias que o levaram a emigrar,
  • a repercussão internacional da carreira,
  • as relações mantidas com a música portuguesa.

Alexandra Mascolo-David

Pianista, residente nos EUA

Alexandra Mascolo-David, pianista nos EUA
Alexandra Mascolo-David, pianista nos EUA

Residente nos EUA, Michigan, a pianista portuguesa Alexandra Mascolo-David, filha da coreógrafa Anna Mascolo, é diplomada em Piano pelo Conservatório de Música do Porto e Doctor of Musical Arts pela Universidade do Kansas, onde estudou com Sequeira Costa. Tem atuado com regularidade em temporadas de concertos na Europa, na Ásia, na América Latina e na América do Norte, incluindo um recital no Carnegie Hall em 2004, o qual recebeu uma crítica magnífica na revista New York Concert Review. Há duas décadas que tem vindo a enriquecer o seu repertório com a música de compositores portugueses contemporâneos. O seu irmão Bruno foi bailarino do Ballet Gulbenkian e do Ballet National de Marseille Roland Petit – a sua carreira foi interrompida por um acidente, o que o levou a dedicar-se ao Design de Interiores. Em 2000, Alexandra Mascolo-David casou com Patrick Donnelly em 2000, Director of Theatre Operations no Kauffman Center for the Performing Arts em Kansas City. (01/01/2020)

Dinis Sousa

Maestro, do Porto, residente em Londres, Reino Unido

maestro Dinis Sousa
maestro Dinis Sousa

Nascido no Porto, Dinis Sousa vive em Londres. É fundador e director artístico da Orquestra XXI – projecto vencedor do prémio FAZ-IOP 2013, que reúne músicos portugueses residentes no estrangeiro. Nas últimas temporadas, Dinis Sousa tem dirigido orquestras como a Southbank Sinfonia, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra de Câmara da Escócia, Aurora Orchestra e Orquestra Sinfónica de Londres. Tem trabalhado com o maestro Sir John Eliot Gardiner, enquanto seu assistente em projectos com a Orquestra Sinfónica de Londres, onde já teve a oportunidade de dirigir a orquestra, com a Orquestra Filarmónica de Berlim e com o Monteverdi Choir e Orchestre Révolutionnaire et Romantique. A 10 de Junho de 2015, foi condecorado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique. (04/01/2020)

João Terleira

Tenor, de Viana do Castelo, na residente Alemanha

João Terleira
João Terleira

João Terleira iniciou os estudos musicais na Academia de Música de Viana do Castelo. É licenciado em Canto pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) do Porto. Terminou o Mestrado em Interpretação Artística, na ESMAE, com a dissertação Tecnologia de Apoio em Tempo-Real ao Canto – Relação entre parâmetros percetivos da voz cantada com fenómenos acústicos objetivos, sob a orientação de Rui Taveira e Sofia Lourenço. Apresenta-se regularmente em Portugal e no estrangeiro, abrangendo repertório que inclui recitais de canto, canção sinfónica e oratória. Foi bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia no projeto “Tecnologia de Apoio em Tempo-Real ao Canto”. Entre 2013 e 2015, foi membro do estúdio da Ópera da Flandres, sediado em Gent, na Bélgica. Neste momento reside na Alemanha. (06/01/2020)

Jorge Chaminé

Barítono, do Porto, residente em Paris, França

barítono Jorge Chaminé
barítono Jorge Chaminé

Nascido no Porto, Jorge Chaminé, barítono polifacetado, ocupa um lugar de destaque no mundo da lírica internacional. Bolseiro da Fundação “Calouste Gulbenkian”, estudou em Paris, Madrid, Munique e Nova Yorque. Barítono de ópera, foi aplaudido em Nova Yorque, Boston, Paris, Florença, Roma, Washington, Hamburgo, Avinhão, Sevilha, Madrid, Marselha e convidado como solista por orquestras como as Boston Symphony, London Symphony, Filarmónica Checa, Sinfónica de Berlim, RIAS, sob a direcção dos mais prestigiados maestros. Contracenou com famosos cantores como Mirella Freni, Montserrat Caballé e Teresa Berganza. O seu conhecimento das línguas assim como a originalidade dos seus programas fazem de Chaminé um recitalista sem par, tendo-o levado a cantar nas mais prestigiosas salas de concerto do mundo assim como nos principais festivais internacionais. Foram-lhe dedicadas obras por Bussotti, Lenot, Markeas, Schwarz, Petit, Vlad e Xenakis. É detentor de inúmeros prémios e distinções internacionais, Jorge Chaminé recebeu a Medalha dos Direitos Humanos da Unesco, de mãos de Federico Mayor, pela sua acção a favor das crianças abandonadas. Realizou cursos de aperfeiçoamento artístico na Europa e América. A partir de 2001, fundou um Atelier Musical no Centro Cultural Calouste Gulbenkian de Paris para cantores, pianistas e grupos de música de câmara: dado o grande êxito deste Atelier, Jorge Chaminé foi convidado a continuar esta original experiência pedagógica em 2005 no Colégio de Espanha da Cidade Universitária de Paris. Jorge Chaminé é o Director da prestigiosa Fundação Concertante e Director Artístico do Festival CIMA na Toscana. É também vice-presidente da Associação Georges Bizet. Jorge Chaminé foi nomeado Embaixador de Boa Vontade da organização “Music in ME”. A 31 de agosto 2018, foi nomeado Officier da Ordre des Arts et des Lettres pelo governo francês. (08/01/2020)

Liliana de Sousa

Meio-soprano, de Caldas de São Jorge, residente na Alemanha

meio-soprano Liliana de Sousa
meio-soprano Liliana de Sousa

Residente na Alemanha, a meio-soprano Liliana de Sousa é natural de Caldas de São Jorge. Licenciou-se em 2013 em Canto na ESMAE, Porto, e prosseguiu estudos na International Opera Academy 2013/15, em Ghent, Bélgica (anteriormente denominada Flanders Operastudio). Em Ópera interpretou diversos papéis e foi solista em diversas obras no campo da Oratória. Desde a temporada 2016/2017, é solista no Aalto-Musiktheater em Essen na Alemanha, onde interpretou papéis como Hänsel (“Hänsel und Gretel”), Page (“Salome”), Annio (“La Clemenza di Tito”), Rosina (“Il Barbiere di Siviglia”) e Cherubino (“Le Nozze di Figaro”). Na última temporada cantou em Essen papéis como Küchenjunge/2.Elfe (“Rusalka”), Despina (“Così fan tutte”), Kreusa (“Medea”), Flosshilde (“Der Ring an einem Abend”), Mercédès (“Carmen”), Barbara (” Eine Nacht in Venedig”), Page (“Salome”) assim como Hänsel. Cantou como convidada na Ópera em Wuppertal e em Dortmund. (03/01/2020)

Luís Magalhães

Pianista, de Famalicão, residente na África do Sul

pianista Luís Magalhães
pianista Luís Magalhães

Residente na África do Sul, Luís Magalhães nasceu em Lousado, Famalicão. Iniciou os estudos musicais aos 5 anos. Aos 12 anos ingressou no Curso de Piano do Centro de Cultura Musical de Caldas da Saúde. Com 18 anos começou os estudos de bacharelato na ESMAE na classe de Pedro Burmester. Foi galardoado com primeiros e segundos prémios no Concurso Maria Campina 1992 e 1997, Concurso Nacional da JMP em 1992, Prémio Jovens Músicos da RDP (Música de Câmara) em 1995. Participou no “2002 Russian Music Piano Competition” na Califórnia, EUA, tendo sido distinguido com o 2º Prémio, medalha de prata, e prémios para melhor interpretação de música russa e melhor interpretação de Rachmaninoff. Apresentou-se com numerosas orquestras nacionais e estrangeiras. Concluiu “cum laude” o grau de Mestrado in Performance na Universidade de Stellenbosch. Encontra-se matriculado na Universidade de Cape Town no grau de doutoramento. Luís Miguel Magalhães apresenta-se frequentemente em duo de pianos com a sua mulher, Nina Schumann, duo que tem obtido as melhores criticas internacionais pela sua musicalidade expressiva e técnica apurada. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian desde 1993 até 2002. (02/01/2020)

Maria de Macedo

Violoncelista, de Vila Nova de Gaia, residente em Madrid, Espanha

violoncelista gaiense Maria de Macedo
violoncelista gaiense Maria de Macedo

Maria de Macedo nasceu em Gaia em 1931 e iniciou os  estudos de violoncelo no Conservatório do Porto na classe de Madalena Sá e Costa. Aquando da sua graduação foi-lhe atribuído em 1955 o Prémio Suggia. Continuou os estudos musicais na Europa e nos EUA. Durante a década de 50, manteve uma intensa actividade como solista, em recitais, concertos com orquestra e gravacões. Foi membro da Orquestra Sinfónica do Porto, da Orquestra Nacional de Lisboa, e durante dez anos, solista da Orquestra Gulbenkian. Vivendo em Madrid desde 1975, dedica-se ao ensino do violoncelo, realizando também numerosas aperfeiçoamento em diferentes cidades espanholas e importantes universidades e conservatórios Europeus. É também júri em importantes concursos internacionais. Em 2001, fundou o prestigioso Forum de Violoncelos de Espanha, incluindo alguns dos mais importantes nomes mundiais a nível da performance e do ensino do violoncelo.

Mariana Pimenta

Soprano, da Ilha da Madeira, residente nos Países Baixos

Soprano madeirense Mariana Pimenta
Soprano madeirense Mariana Pimenta

Mariana Pimenta nasceu na ilha da Madeira, Portugal. Iniciou a atividade musical na actual Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia, no coro Infantil, dirigido por Zélia Gomes. Prosseguiu a formação em Canto no curso Profissional do Conservatório Escola Profissional das Artes da Madeira. Após concluir a Licenciatura em canto e o Mestrado em Educação de Música, na Universidade de Aveiro, Mariana continuou a formação no Conservatório Real de Haia, Holanda, especializando-se em canto na Música Antiga. Como solista, tem vindo a cantar ópera e oratória de compositores diversos. Trabalhou com a companhia de ópera Opera2Day. Na ilha da Madeira cantou com a Orquestra Clássica da Madeira árias de ópera do século XIX e XX, teve recitais a solo, cantou com a Orquestra de Bandolins da Madeira, e foi solista de um concerto integrante no Festival de Órgão da Madeira. Como trabalho em ensemble, foi membro do Vocal Ensemble, dirigido por Vasco Negreiros. É membro solista do ensemble La Banda Ariosa. Como coralista é membro freelance do Coro da Rádio da Holanda. (11/01/2020)

Nuno Rigaud

Organeiro, de Braga, residente na Alemanha

Nuno Rigaud organeiro
Nuno Rigaud, organeiro, 01-04-2013

Nuno Rigaud nasceu em Braga, em 1962, filho de Maria Adelina Caravana, fundadora do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga; e de José João Rigaud de Sousa, provador do IVP e historiador. Entre 1985-1988 fez aprendizagem da organaria em França, Alsácia, na Firma Christian Guerrier Facteur d’Orgues (www.orgues-guerrier.org). Em 1990, casou com a organista alemã Waltraud Götz-Rigaud [Diploma A do curso de Música Litúgica, Curso de Pedagogia Musical e curso de órgão de concerto concluído com a classe de mestrado (Meisterklasse)] do Conservatório Nacional de Munique (Musikhochschule München) www.goetz-rigaud.de. Entre 1988-2004, trabalhou como organeiro – adquirindo experiência em todos os ramos da organaria incluindo planeamento e intonação – nas firmas da Baixa Baviera Georg Jann Orgelbau (Jann Pai, de 1988 a 1995), (orguian.com), Thomas Jann Orgelbau (Jann Filho, de 1995 a 2004), www.jannorgelbau.de. Em 2006, fundou a sua própria firma: Nuno Rigaud Orgelbau. (05/01/2020)

Pedro Costa

Pianista, de Macau, residente em Viena, Áustria

pianista Pedro Costa
pianista Pedro Costa, créditos Krystallenia Batziou Photography

Pedro Costa é um pianista português especializado no acompanhamento de canto e música de câmara. Desde 2017 é pianista correpetidor da Universidade de Música e Artes Performativas de Graz. Foi o vencedor do Concurso de Interpretação do Estoril, Prémio Helena Sá e Costa,  Concurso Louis Spohr para Acompanhamento de Lied em Kassel, o Concurso New Tenuto. Foi também premiado com o Prémio de Melhor Acompanhador no Concurso de Canto Lírico da Fundação Rotária Portuguesa. Atuou como solista com várias orquestras e maestros. Tem vindo a apresentar-se em diversas salas europeias e participou em festivais internacionais. Com o oboísta Guilherme Sousa e o fagotista Paulo Ferreira fundou o Perspective Trio que alcançou o primeiro prémio no Prémio Jovens Músicos, tendo-lhes também sido atribuído o Prémio GDA que permitirá a produção de um CD com obras portuguesas inéditas dedicadas a esta formação. Dado o seu especial interesse no acompanhamento de Lied, participou em várias edições do International Lied Masterclasses em Bruxelas, onde trabalhou com prestigiados cantores e pianistas. Nascido em 1989 em Macau, Pedro Costa é licenciado pela ESMAE no Porto.  Em 2015 terminou com distinção o Mestrado em Piano no Koninklijk Conservatorium Brussel (Bélgica). (13/01/2020)

Renato Penêda

Percussionista, residente em Roterdão, Países Baixos

Renato Penêda, créditos Arthur Stockel
Renato Penêda, créditos Arthur Stockel

Nascido em 1990, Renato Penêda é um percussionista que divide a actividade profissional entre os palcos e os bastidores. Trabalha com diversas orquestras, resultado de um trajecto educacional focado na música para ensemble e orquestra, iniciado na Banda de Música de Moreira da Maia com passagem pelo Conservatório do Porto e a ESMAE, até à chegada à Codarts Rotterdam. Em Roterdão, Renato Penêda terminou a licenciatura, durante a qual estudou também direcção de orquestra e empreendedorismo. Na Codarts, obteve o mestrado com distinção, após a apresentação de um espectáculo de teatro musical para duo de percussão e voz baseado em música portuguesa e percussão corporal. O percurso artístico levou-o a colaborações com diversos agrupamentos e orquestras e apresentações em 14 países em 3 continentes. Activo também na área da música contemporânea, é percussionista do AKOM Ensemble (Roterdão) e membro fundador do Pulsat Percussion Group, vencedor do 2.º prémio na edição de 2012 do Prémio Jovens Músicos e na edição de 2013 do Concurso Internacional de Música de Câmara “Cidade de Alcobaça”. Fora de palco, é produtor no departamento de música clássica da Codarts Rotterdam. (13/01/2020)

Rita Moldão

Soprano coloratura, de Vila Real, residente em Madrid, em Espanha

Rita Moldão soprano coloratura créditos Juan Carranza
Rita Moldão soprano coloratura

Natural de Vila real, Rita Moldão, Rita Moldão é licenciada em Canto Teatral pelo Conservatório Superior de Musica de Gaia, onde concluiu a licenciatura na classe de Fernanda Correia tendo continuado os estudos com Elisabete Matos em Madrid onde vive atualmente. Teve a sua estreia em 2003 como Susanna na ópera Le nozze di Fígaro, numa produção do Festival de Música de Gaia. Para além das excelentes críticas que tem na interpretação de papéis de ópera, Rita Moldão também é reconhecida pelos concertos e recitais, sejam de música de câmara ou música sacra, num repertório que inclui, por exemplo, Exultate JubilateMissa da Coroação e Missa Breve em SolM de Mozart, O Messias de Handel, Missa em honra de S. Giuseppe Calasanzio de Oreste Ravanello, Missa de Santa Cecília de Gounod, Gloria de Vivaldi, entre outros. A Missa de Santa Cecília foi emitida no canal televisivo TVI no ano 2007. Estreou a obra Cantata de Natal para orquestra, coro e solista do compositor e organista Rui Soares. Apresentou-se em numerosos concertos, em Portugal, Espanha, Cabo verde e EUA em recitais com piano, concertos com orquestra, galas de ópera e música sacra.  (10/01/2020)

Susana Gaspar

Soprano, de Lisboa, residente em Londres, Reino Unido

soprano Susana Gaspar
soprano Susana Gaspar

Susana Gaspar apresentou-se em concertos e recitais no Reino Unido (St. Martin in the Fields, St. Olave’s Church, Wigmore Hall, Barbican Centre, Cadogan Hall, Winchester, Cambridge, Birmingham, Cardiff), Portugal (Teatro Nacional de São Carlos, Gulbenkian, CCB, Casa da Música), França, Suiça, Malásia e México. Iniciou os estudos musicais na Escola Profissional de Música de Almada. Frequentou o curso de canto a Escola de Música do Conservatório Nacional. Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, estudou na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. Participou ainda em classes magistrais e cursos de ópera. No domínio da ópera representou diversos papéis. Apresentou-se no Grémio Lusitano num recital inteiramente preenchido com obras de Mozart. Pertenceu ao Coro de Câmara de Lisboa dirigido por Teresita Marques, com o qual realizou concertos em Portugal, França, Espanha, México e Cuba, e gravou os discos a capella. É membro fundador do grupo Alma Nua – Canto y guitarra, que se dedica à divulgação de modinhas luso-brasileiras, tendo-se apresentado em concerto em Portugal e França. (14/01/2020)

LISTA EM CONSTRUÇÃO

Alexandra Mascolo-David, pianista, residente nos EUA

Cristiana Oliveira, soprano lírico, de Braga, residente em Londres, Reino Unido

Dinis Sousa, maestro, do Porto, residente no Reino Unido

João Terleira, tenor, de Viana do Castelo, na residente Alemanha

Jorge Chaminé, barítono, do Porto, residente em Paris, França

Liliana Sousa, meio-soprano, de Caldas de São Jorge, residente na Alemanha

Luís Magalhães, pianista, de Famalicão, residente na África do Sul

Maria de Macedo, violoncelista, de Vila Nova de Gaia, residente em Madrid, Espanha

Mariana Pimenta, soprano, da Ilha da Madeira, residente nos Países Baixos

Miguel Erlich, violetista, de Lisboa, residente na Alemanha

Nuno Rigaud, organeiro, de Braga, residente na Alemanha

Pedro Costa, pianista, de Macau, residente em Viena, Áustria

Renato Penêda, da Maia, residente em Roterdão, Países Baixos

Rita Moldão, soprano coloratura, de Vila Real, residente em Madrid, em Espanha

Sofia Ribeiro, cantora jazz, do Porto, baseada na Colômbia

Susana Gaspar, soprano, de Lisboa, residente em Londres, Reino Unido

Artur Pizarro aos 3 anos com o professor Campos Coelho

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Artur Pizarro

Artur Pizarro aos 3 anos com o professor Campos Coelho

Artur Pizarro aos 3 anos com Campos Coelho

Artur Pizarro apresentou-se em público pela primeira vez aos três anos de idade e no ano seguinte apresentou-se na RTP ao lado do professor Campos Coelho. Os seus primeiros passos ao piano foram acompanhados pela avó materna, a pianista Berta da Nóbrega, e pelo professor Campos Coelho. Obteve três primeiros prémios de concursos internacionais, nomeadamente o Concurso Vianna da Motta em 1987, o Greater Palm Beach Invitational Piano Competition de 1989 (onde seis primeiros prémios de concursos internacionais foram convidados a competir) e o Leeds International Piano Competition de 1990. Artur Pizarro tem uma extensa discografia (perto de 50 CD) em diversas editoras internacionais. Em reconhecimento pela relevância da sua arte, Artur Pizarro foi galardoado com o Prémio Bordalo, o Prémio SPA, a Medalha de Mérito Cultural da Cidade de Funchal e a Medalha de Mérito Cultural de Portugal. Em 2014 foi-lhe atribuído o Prémio Albéniz pelo Festival Albéniz em Camprodon, Espanha.

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Fernando Laires

pianista Fernando Laires

pianista Fernando Laires ao centro

Fernando Laires iniciou a carreira internacional aos 19 anos com o ciclo completo das 32 sonatas de Beethoven de memória numa série de concertos. Nessa data, apenas outro pianista com menos de 20 anos tinha conseguido tal proeza. Emigrado para os EUA, do governo norte-americano recebeu financiamento para observar 20 universidades e conservatórios dos Estados Unidos. Visitou quatro continentes nos papeis de pianista, pedagogo e diretor artístico. Foi galardoado com a Beethoven Medal in memory of Artur Schnabel dos Harriet Cohen International Music Awards, Londres, pela sua interpretação das sonatas de Beethoven, e a Ordem do Infante D. Henrique pelo Governo Português, e recebeu a medalha Franz Liszt da Sociedade Liszt da Hungria e a Medalha Comemorativa Liszt da República Popular da Hungria.

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Filipe Pinto-Ribeiro fez a estreia em Portugal de grandes obras para piano. É convidado como solista pelas principais orquestras portuguesas e de vários países europeus. Apaixonado pela música de câmara, apresenta-se em parceria com alguns dos maiores nomes do panorama internacional. É fundador e diretor artístico do DSCH – Schostakovich Ensemble que se apresentou de norte a sul de Portugal e em diversos países, e gravou para o canal de televisão Mezzo. O duplo álbum do Schostakovich Ensemble, com a primeira gravação mundial da Integral da Música de Câmara para Piano e cordas de Schostakovich, foi premiado com: 5 Diapasons, Opus D’Or, Álbum do ano 2018 Classique News, Melhor do ano 2018 Jornal Público, máximas classificações de revistas europeias, e críticas de grande destaque. Gravou diversos CD que obtiveram excelente receptividade por parte do público e da crítica. A sua última gravação a solo, o duplo CD “Piano Seasons” recebeu mais elevadas classificações da crítica internacional (BBC Music Magazine, Klassik Heute, Classique News, BR-Klassik).

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Maria João Pires

Maria João Alexandre Pires

Maria João Alexandre Pires aos 7 anos

Maria João Pires tinha quatro anos quando tocou pela primeira vez em público. Aos sete anos, tocou em público concertos de Mozart. Aos nove recebeu o galardão da Juventude Musical Portuguesa. Em 1970, ganhou o primeiro prémio do concurso Beethoven de Bruxelas que lhe conferiu uma projecção internacional. O CD duplo com os Nocturnos de Chopin, gravado em 1996, vendeu cerca de trinta mil cópias em Portugal, recorde absoluto na música clássica. No princípio dos anos 80, um acidente obrigou-a a interromper a actividade. Regressou aos concertos em 1986, exibindo o seu talento nas grandes capitais. Em 1989 ganhou o Prémio Pessoa. Em 1990, a gravação integral das sonatas para piano de Mozart valeu-lhe o Grand Prix International du Disque, bem como o CD Compact Prize. Em 1983 foi feita Dama da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, em 1989 foi feita Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique e em 1998 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Em 2019 recebeu a Medalha de Mérito Cultural e  foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2015, foi distinguida em Londres com um prémio Gramophone, equivalente aos óscares para a música clássica.

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Sérgio Varella-Cid

pianista Sérgio Varela-Cid aos 5 anos

Sérgio Varela-Cid aos 5 anos

Sérgio Varela-Cid era filho de Lourenço Varela Cid, também pianista e professor do Conservatório, e de Dora Soares Varela Cid, violinista natural do Brasil. Desde os 3 anos revelou um talento extraordinário para o piano dando aos oito anos o seu primeiro concerto no ginásio do Liceu Camões e aos dez o primeiro recital público no Tivoli. A casa paterna era frequentada por alguns dos maiores vultos da música do século XX: Prokoffief, Arthur Rubinstein, Isaac Stern, Yehudi Menuhin, Igor Markevitch. O sucesso destas apresentações elevou-o desde logo à categoria de menino prodígio com concertos em várias cidades da Europa: Paris, Madrid, Escandinávia. Rubinstein terá dito: “Este poderá ser o meu sucessor”. Entre 1955 e 1962, Varela Cid acumulou prémios. Venceu em 1955 o 1º Prémio do Conservatório, em 1957 o 1º Prémio Concurso Internacional Magda Tagliaferro, em 1957 o 4º Prémio do Concurso Internacional de Música Vianna da Motta e em 1962 o 6º lugar no I Concurso Internacional Van Cliburn. Em 1972, no auge das suas capacidades, imediatamente após ter dado uma série de concertos com sucesso no Carnegie Hall e dois anos depois de ter ganho o Prémio da Imprensa com a sua gravação integral dos concerto de Beethoven abandonou a carreira de pianista. Iniciado no jogo pelo próprio professor de piano, foi incapaz de vencer a vertigem do vício. Enredou-se em dívidas, o que o levou a procurar dinheiro através de expedientes ilícitos. Em 1981, desapareceu da sua residência em São Paulo, Brasil.

maestro Yannick Nézet-Séguin

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Vítor Rua

Vítor Rua

Vítor Rua, guitarrista e compositor

Um dia, quando o guitarrista e compositor Vítor Rua tinha uns 3 ou 4 anos, os seus pais foram para Paris com os seus tios. Ele ficou na casa de praia com as tias, tios, primas, primos e irmãos. Ficou “doente”, tipo gripe, e ligaram aos pais, que regressaram preocupados.

Quando chegaram e foram ao seu quarto ele acordou, olhou para eles e exclamou:

– Olha os meus dois grandes amigos!

Eles choraram. E o Vítor ficou logo bom…

Yannick Nézet-Séguin

maestro Yannick Nézet-Séguin

maestro Yannick Nézet-Séguin

Quando o maestro ​​Yannick Nézet-Séguin tinha 10 anos apenas, foi à cave da casa da família, pôs a tocar um dos discos de vinil da família, pegou num lápis amarelo a fazer de batuta e pôs-se a dirigir o repetidamente primeiro andamento da Sinfonia nº 40 de Mozart.

Olha os meus dois grandes amigos, história real de Vítor Rua

Um dia, tinha eu uns 3 ou 4 anos, os meus pais foram para Paris com os meus tios, e eu fiquei na casa de praia com as minhas tias, tios, primas, primos e irmãos.

Fiquei “doente”, tipo gripe, e ligaram aos meus pais, que regressaram preocupados. Quando chegaram e foram ao meu quarto eu acordei, olhei para eles e exclamei:

“Olha os meus dois grandes amigos!”

Eles choraram os dois; e eu fiquei logo bom…

Vítor Rua

Olha os meus dois grandes amigos, história real de Vítor Rua

Ilustração de Ilda Teresa Castro

Maria do Rosário Pestana, investigadora

O compositor e folclorista Armando Leça: resgate, criação e disseminação da música portuguesa

Armando Leça foi uma figura versátil e multifacetada. Compositor, intérprete, regente, folclorista, crítico, musicólogo, ensaísta, novelista e poeta, ilustrou de modo exemplar a vida musical portuguesa nos anos a seguir à implantação da República.

Maria do Rosário Pestana

O seu percurso é revelador das oportunidades e dos novos desafios colocados aos músicos profissionais por uma sociedade em franca mobilidade, após a dissolução da ordem monárquica.

Armando Leça foi uma figura que, no universo musical português, ocupou um lugar «do meio», entre os polos erudito e folclórico, dialogando com diferentes esferas do fazer música em Portugal.

Vemo-lo como pianista a tocar durante as projeções de cinema, como compositor nacionalista e ideologicamente comprometido e como coletor de músicas e vozes dos lugares recônditos e por mapear. A sua ação pautou-se por um compromisso com a questão nacional na música.

Vemo-lo, de facto, a participar no processo de construção e disseminação da «canção portuguesa», um género poético-musical que, na sua ótica, refletia o caráter e a alma dos portugueses. Atento às demandas do seu tempo, foi pioneiro ao explorar os novos meios de comunicação de massas: o cinema, a rádio e, mais tarde, a indústria discográfica.

por Maria do Rosário Pestana

Maria do Rosário Pestana, investigadora

Maria do Rosário Pestana, investigadora

Sábado, 23 de março de 2019, no Curso livre sobre Música & Músicos: aspetos do Património Musical Português, no Solar Condes de Resende, Canelas, Vila Nova de Gaia.

Fonte: Solar Condes de Resende

O guitarrista e pedagogo José Duarte Costa, excerto da dissertação de mestrado de Aires Pinheiro, José Duarte Costa – Um caso no ensino não-oficial da Música, Universidade de Aveiro 2010.

“Ele foi uma das primeiras pedras onde se pousa a guitarra clássica portuguesa”.

(Professora Maria Lívia São Marcos)

José Duarte Costa (1921-2004) nasceu no dia 4 de Setembro de 1921 na Rua Capitão Leitão que se situa na Freguesia do Beato na cidade de Lisboa.

Começou a sua actividade musical como tocador de Banjo, integrado no grupo Troupe Jazz “Os Luziadas”.

Começou a praticar guitarra por influência do seu tio Aníbal que também integrava este grupo.

Aos dezasseis anos começou a frequentar aulas de solfejo e a estudar com o Professor Martinho D’Assunção, vindo a integrar o seu grupo de guitarras nos anos de 1937 e 1938, em parceria com Constança Maria (voz), Francisco Carvalhinho e Fernando Freitas (guitarra portuguesa).

Um dia estava a tocar guitarra numa casa de música na zona do Beato e foi abordado por uma pessoa que criticou a sua forma de tocar. De educação polida, Duarte Costa retorquiu que se a sua forma de tocar não era a melhor, estava sempre disposto a aprender, convidando desde logo o seu crítico a ensiná-lo. A pessoa em causa era o Dr. José Mendonça Braga que influenciou decisivamente José Duarte Costa a dedicar-se ao reportório erudito.

Além da opinião que fez mudar o seu rumo artístico, para Duarte Costa este encontro significou também o acesso a partituras que não conhecia e que lhe proporcionaram o acesso à música erudita para Guitarra.

Com um rumo artístico definido, José Duarte Costa aprofundou o estudo da Guitarra, sob a orientação e patrocínio do Dr. José Mendonça Braga.

Deu o seu primeiro recital no ano de 1946 no Sindicato dos Músicos.

Em 1947, integrou no Conservatório Nacional de Lisboa a classe do eminente guitarrista e pedagogo espanhol – Emílio Pujol, que o menciona como um aluno dotado e com um temperamento de verdadeiro artista.

No ano de 1948 obteve o 1º Prémio do concurso para instrumentistas organizado pela Emissora nacional.

Devido ao seu sucesso como guitarrista é-lhe concedida, em 1949, uma bolsa de estudo pelo Instituto de Alta Cultura para estudar em Espanha, contactando com os Guitarristas Daniel Fortea e Narciso Yepes.

Interessado na divulgação e no ensino da Guitarra em Portugal fundou em 1953, a Escola de Guitarra Duarte Costa, no nº 13E da Avenida João XXI em Lisboa. Esta escola foi determinante para a divulgação e evolução da Guitarra Clássica em Portugal.

Duarte Costa dedicou-se também à composição, produzindo obras para o seu instrumento.

Elaborou uma obra pedagógica constituída por cinco volumes de forma a proporcionar uma evolução contínua e progressiva por parte do aluno. Esta obra é prefaciada pelo guitarrista Narciso Yepes que tece elogios à acção pedagógica de Duarte Costa.

Compôs obras de concerto para guitarra solo e formações de música de câmara a duo e a trio, destacando-se entre estas um concerto para Guitarra Clássica a que deu o nome de Concerto Ibérico.

Compôs música para os filmes Ladrão, Precisa-Se! (1946, Jorge Brum do Canto), Arouca (1958, Perdigão Queiroga), A Ilha Que Nasce do Mar (1956, Fernando Garcia), A Caçada do Malhadeiro (1969, Quirino Simões) e Lisboa Cultural (1983, Manuel de Oliveira).

Não obstante a sua ocupada missão pedagógica e performativa, Duarte Costa fundou uma fábrica de guitarras na cidade de Coimbra. Procurava desta forma suprir no País a falta de instrumentos de qualidade em Portugal.

Duarte Costa divulgou a guitarra Clássica por todo o território nacional tocando na Rádio e na Televisão.

Em 1962 sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, deslocou-se ao Brasil integrado no grupo de poesia «Fernando Pessoa». Apresentou-se na qualidade de concertista em vários países nomeadamente Espanha, Itália, Inglaterra, Canadá e Moçambique.

No ano de 1967 foi convidado pelo compositor Fernando Lopes-Graça e pela pianista Maria Vitória Quintas a implantar e organizar o curso de guitarra na Academia de Amadores de Música de Lisboa.

Em 1979 Duarte Costa realizou um dos seus sonhos mais antigos – tocar o seu Concerto Ibérico acompanhado por uma Orquestra. Apresentou-se em público no Teatro Rivoli na cidade do Porto, acompanhado pela Orquestra do Porto sob a direcção do Maestro Günter Arglebe. Este concerto foi gravado pela Emissora Nacional.

Deixou também um EP como registo fonográfico, para além de registos na Rádio e na Televisão.

O guitarrista espanhol Miguel Rubio gravou a sua peça intitulada Lenda Chinesa e o “Alhambra Duo” constituído pelos guitarristas alemães Peter Brekau e Ulrich Stracke, gravou a sua obra “Concerto Ibérico” na versão de duo de guitarras. O Guitarrista português Silvestre Fonseca gravou também as peças Balada da Solidão, Fantasia Oriental, Valsa à Brasileira e Habanera.

Em 1994 o Mestre Duarte Costa, como era conhecido pelo seu ciclo de amigos e admiradores, participou no filme “A Caixa”. Esta longa-metragem foi realizada pelo reconhecido realizador Manuel de Oliveira e trata-se de uma adaptação da obra do escritor português Prista Monteiro. José Duarte Costa representou o papel de guitarrista. Com este personagem Duarte Costa aparece vestindo a sua própria pele como podemos notar num diálogo em que contracena com o reconhecido actor Rui de Carvalho – “Eu sou professor de música. De guitarra mais propriamente”.

Neste filme podemos ouvir a interpretação do Ave Maria de Franz Schübert, num arranjo para Guitarra do próprio Duarte Costa onde a melodia ganha vida através do maravilhoso tremolo que desponta das mãos do Mestre. Trata-se de um momento de grande beleza artística que representa uma cena pouco comum mas no entanto possível – o músico erudito a tocar numa taberna de Lisboa e a comover o boçal taberneiro com a sua arte.

A mente criadora de José Duarte Costa levou-o a dedicar-se também à escrita. Do seu punho saiu a obra literária “A verdade Nua e Crua”, livro de carácter ideológico e pedagógico dirigido à juventude.

Não obstante a sua importante acção de divulgação da Guitarra em Portugal, Duarte Costa permanece hoje em dia ignorado por grande parte dos guitarristas portugueses. Este facto poderá dever-se também ao próprio mestre, que se foi fechando cada vez mais e não tomou parte na revolução do ensino da guitarra que decorreu a nível institucional em Portugal.

Enquanto a Guitarra já era leccionada nos Conservatórios e Academias de Música a nível oficial, existindo a possibilidade de se obter um diploma que proporcionava aos estudantes de guitarra o acesso ao mercado de trabalho, Duarte Costa mantinha-se exclusivamente dedicado ao seu projecto de décadas, com um cariz particular e não oficial.

Desta forma, Duarte Costa passou a viver numa espécie de mundo paralelo à evolução do ensino e da divulgação do instrumento em Portugal o que fez com que fosse progressivamente esquecido.

José Duarte Costa morreu no dia vinte e sete de Junho de 2004 com oitenta e dois anos, esquecido e desconhecido pela maior parte dos guitarristas portugueses. A sua vida foi inteiramente dedicada e consagrada ao estudo, divulgação e ensino da Guitarra Clássica tendo dado um grande contributo para o estabelecimento do instrumento no nosso País.

Existem, no nosso País, reflexos da sua importante acção artística e pedagógica que carecem de divulgação junto à maioria dos interessados pela guitarra. É chegado o momento de se fazer jus a uma personalidade que tanto trabalhou em favor de uma arte que hoje se encontra em franca expansão.

O Mestre José Duarte Costa lançou-se em busca de um sonho, busca essa que só terminou quando foi travado pela doença de Alzheimer que importunou a recta final da sua vida. As suas cinzas repousam no cemitério de Odemira no jazigo da família Falcão da qual fazia parte por laços matrimoniais.

Aires Pinheiro