Decorreu no domingo, dia 28 de Junho de 2020 pelas 17h00, o lançamento/apresentação do CD Torres Vedras: O Órgão Histórico da Igreja da Misericórdia que, devido às regras aplicadas à COVID-19, passou em streaming no Facebook do Teatro-Cine de Torres Vedras.

No ano em que a Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras celebra os seus 500 anos de existência, este trabalho discográfico representa os 12 anos de actividade deste órgão de tubos de 1773, construído por Bento Fontanes (restauro em 2008 por Dinarte Machado), importante organeiro galego do século XVIII, recriando as sonoridades e práticas musicais da época.

Obras de Domenico Zipoli (1688- 1726), Carlos Seixas (1704-1742) ou Tomaso Albinoni (1671-1750), são apenas alguns dos compositores apresentados neste disco, que apresenta também a paisagem sonora de um Portugal, fortemente influenciada pela cultura italiana de então.

Estiveram presentes nesta sessão de apresentação, a Dra. Ana Umbelino, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Torres Vedras, José Elias, vice-provedor desta Santa Casa e François Sibertin-Blanc, editor discográfico e representante da editora francesa FSB Musique, a qual gravou este trabalho. O CD teve o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Torres Vedras e Câmara Municipal de Torres Vedras.

A apresentação contou com a interpretação de peças musicais a cargo de Daniel Oliveira, organista titular do instrumento e professor de órgão na Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues, e Marcos Lázaro, violinista e professor no Instituto Gregoriano de Lisboa, os intérpretes que se apresentam neste mesmo trabalho discográfico.

Foi ainda recordado o provedor Vasco Fernandes, provedor da Santa Casa de Torres Vedras, falecido no início do mês de Junho, onde foi feita uma reconhecida homenagem pelo trabalho e dedicação a este projecto.

O CD está disponível em vários locais, incluíndo na própria Igreja da Misericórdia em Torres Vedras. Estando também disponível online no sítio da editora FSB Musique.

Ai, S. João adormeceu

[ S. João ]

Ai, S. João adormeceu
Ai, debaixo da laranjeira;
Ai, caiu-lhe a flor por cima,
Ai, S. João que tão bem cheira.

Ai, S. João p’ra ver as moças
Ai, fez uma fonte de prata;
Ai, as moças não vão à fonte,
Ai, S. João todo se mata.

Ai, S. João fora bom santo
Ai, se não fora tão gaiato;
Ai, levava as moças p’rá fonte,
Ai, iam três e vinham quatro.

Letra e música: Popular
Arranjo e direcção musical: José Manuel David
Intérprete: Gaiteiros de Lisboa (in CD “Avis Rara”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2012)

Bailava o Sol

[ São João ]

Bailava o Sol, bailava
Ai, na manhã do São João;
Raiavam cordas de amori
Ai, dentro do meu coração.

Naquela relvinha verde
Ai, foi a minha perdição;
Perdi lá o anel d’oiro
Ai, na manhã do São João.

Eu hei-de ir ao São João,
Ai, o meu amori não queri;
Deixai-o ir para fora,
Ai, eu farei o que eu quiseri.

Eu hei-de ir ao São João
Ai, com o meu amori ao lado;
No largo do São João
Ai, fica tudo adimirado.

Letra e música: Tradicional (Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Arranjo: Velha Gaiteira
Intérprete: Velha Gaiteira (in CD “Velha Gaiteira”, Velha Gaiteira/Ferradura, 2010)

Velha Gaiteira

Velha Gaiteira

Cântico dos Foliões

Ai São João foi baptizado
Ai lá no rio de Jordão;
Ai ele é sempre estimado
Ai p’ra fazer uma função.

Ai São João se bem soubesse
Ai quando era o seu dia,
Ai descia do Céu à Terra
Ai com prazer e alegria.

Ai nós somos todas mulheres
Ai e temos bom coração,
Ai e temos esta lembrança
Ai de cantar a São João.

Letra e música: Tradicional (Ilha de Santa Maria, Açores)
Informantes: Gualter Eusébio Figueiredo Coelho (11 anos), José da Trindade Fontes Correia (9 anos) e José Manuel de Sousa Medeiros (11 anos) (canto, tambor e címbalos)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (“Cântico de Foliões”, do Império chamado ‘das crianças’ ou ‘dos inocentes’ em dia de S. João, in 12EP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963; 2CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”: CD 2, faixa 7, Açor/Emiliano Toste, 2002)
Adaptação: Segue-me à Capela
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Ilha de Santa Maria, Açores

Ilha de Santa Maria, Açores

Manhaninha de São João

Ó ó, São João do meio,
Ai hei-de morar noutra rua!
Ainda não tenho casa,
Ai menina, arrende-me a sua!

Manhaninha de São João,
Ao redor da alvorada,
Ai Jesus Cristo se passeia
Ao redor da fonte clara.

Eu hei-de ir ao São João,
Ai hei-de lá ir, se lá for,
Ou a pé ou a cavalo
Ai ou nos braços do amor.

Jesus Cristo se passeia
Ao redor da fonte clara,
Ai e a água fica benzida
E a fonte fica sagrada.

Eu hei-de ir ao São João,
Ai hei-de lá ir, se lá for,
Ou a pé ou a cavalo
Ai ou nos braços do amor.

Jesus Cristo se passeia
Ao redor da fonte clara…

Manhaninha de São João,
Manhaninha de São João.

Letra e música: Tradicional (“S. João” – Idanha-a-Nova, Beira Baixa / “Manhaninha de S. João” – Moimenta da Raia, Vinhais, Trás-os-Montes)
Recolhas: José Alberto Sardinha (“S. João”, 1981, in “Portugal – Raízes Musicais”: CD 4 – Beira Baixa e Beira Trasmontana, BMG/JN, 1997) e Michel Giacometti (“Manhaninha de S. João”, 1960, in LP “Trás-os-Montes”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1960; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 2 – Trás-os-Montes, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 3 – Trás-os-Montes, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Arranjo vocal: Cristina Martins e Segue-me à Capela
Arranjo de percussão: João Balão
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Segue-me à Capela, San'Joanices

San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher

Oh meu São João Baptista!

[ São João de Alpalhão ]

Oh meu São João Baptista!
Oh meu Baptista João!
Vamos ir à água nova
Na noite de São João!

São João baptiza Cristo,
Cristo baptiza João:
Ambos foram baptizados
Lá no rio do Jordão.

São João p’ra ver as moças
Fez uma fonte de prata;
As moças não vão a ela,
São João todo se mata.

Meu divino São João
Que na mão tem a bandeira!
Vamos ir ao rosmaninho
P’ra fazermos a fogueira!

Letra e música: Tradicional (Alpalhão, Nisa, Alto Alentejo)
Recolha: Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, ep. “O S. João na Tradição Musical Popular”, RTP-1, 04 Set. 1972)
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Alpalhão, Nisa

Alpalhão, Nisa

Olha o balão

Olha o balão,
na noite de São João
Para poder dançar bastante
com quem tenho à minha espera

Ó-I-ó-ai,
pedi licença ao meu Pai,
e corri com o meu estudante
Que ficou como uma fera

Ó-I-ó-ai,
fui comprar um manjerico
Ó-I-ó-ai,
vou daqui pró bailarico

E tenho um gaiato
aqui dependurado
Que é mesmo o retrato
do meu namorado
E tenho um gaiato
aqui dependurado
Que é mesmo o retrato
do meu namorado

Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a fulambó
Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a um fulambó

Olha o balão,
na noite de São João
Para não andar maçado
da pequena me livrei

Ó-I-ó-ai,
não sei com quem ela vai,
cá para mim estou governado
Com uma outra que eu cá sei

Ó-I-ó-ai,
fui comprar um manjerico
Ó-I-ó-ai,
vou daqui pró bailarico
Tenho uma gaiata
aqui dependurada
Que tem mesmo a lata,
lá da namorada
Tenho uma gaiata
aqui dependurada
Que tem mesmo a lata,
lá da namorada

Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a um fulambó
Toca o fungagá,
toca o Sol e Dó
Vamos lá,
nesta marcha a um fulambó

Intérprete: Beatriz Costa

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacto

António José Ferreira
962 942 759

São João santo bonito

[ São João Bonito ]

Marcha Popular

São João santo bonito,
bem bonito que ele é
Bem bonito que ele é
Com os seus caracóis de oiro,
e o seu cordeirinho ao pé
E o seu cordeirinho ao pé

Não há nenhum assim,
pelo menos para mim
Nem mesmo São José

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar

São João vem ver as moças,
que bonitas que elas são
Que bonitas que elas são
São ainda mais bonitas,
na noite de S. João
Na noite de S. João
Não escapa um só rapaz
O que é que o Santo lhes faz
Vai tudo no balão.

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar

São João santo bonito,
dos milagres sem igual
Dos milagres sem igual
Conserva a santa alegria,
da gente de Portugal
Da gente de Portugal
Ouve a nossa canção,
e livrai de todo o mal
Meu rico São João

Santo António já se acabou
O São Pedro está-se acabar
São João, São João
Dá cá um balão
Para eu brincar

Intérprete: Lenita Gentil, Voz à Solta

São João

São João

São João perdeu

São João perdeu, perdeu…
Ai São João que perderia?
Perdeu o lenço da mão
Ai, ai à vinda da romaria.

São João, se bem soubera
Ai quando era o seu dia,
Descia do Céu à Terra
Ai com prazer e alegria.

Letra e música: Tradicional (Estorãos, Ponte de Lima, Minho)
Recolha: Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, ep. “Cantos do Trabalho em Estorãos”, RTP-1, 13 Dez. 1973)
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Estorãos, Ponte de Lima

Estorãos, Ponte de Lima

O Núcleo de Iconografia Musical (NIM) é constituído por uma equipa de seis investigadores: Luzia Rocha (coordenadora), Luís Correia de Sousa, Nicola Bizzo, Sónia Duarte, Ana Dias e Maria Fernandes – que, desde o ano 2000, se têm centrado na pesquisa e estudo de fontes iconográfico-musicais portuguesas e internacionais.

Neste domínio foram entretanto concluídas quatro dissertações de mestrado e três teses de doutoramento, estando outras em curso. Tendo abordado diversas temáticas, de acordo com as diferentes propostas e projectos em que tem participado, a investigação principal abrange um largo período desde a arqueologia musical até ao século XXI, com incidência nos estudos de diferentes tipos de fontes/suportes com representações musicais abordadas a partir de um ponto de vista iconográfico e iconológico: Objectos arqueológicos em Portugal e no Mediterrâneo; Fontes iconográficas da Idade Média e Renascimento; Pintura Portuguesa do Renascimento, Maneirismo e Barroco; Azulejaria dos séculos XVII ao XXI; Caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro (ópera do século XIX em Portugal); Teatro de S. Carlos; Estudos de música popular; Discos de vinil, capas de álbum; Estudos sobre a banda britânica Queen; Arte urbana contemporânea; Fontes de âmbito Ibero-Americano; e Estudos sobre Oriente e Orientalismo.

Entre as actividades desenvolvidas pelo núcleo destacam-se a catalogação de caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro sobre a ópera no Teatro de São Carlos de Lisboa na base de dados do CESEM, Music Query; a participação no Images of Music – A Cultural Heritage, projecto co-financiado pela União Europeia através do programa Culture-2000; a tradução para português da tabela Hornbostel Sachs; e o desenvolvimento de uma Base de Dados, fruto da parceria entre o CESEM e o Grupo de Iconografia Musical da Universidad Complutense de Madrid (Coord. Cristina Bordas Ibañez) e AEDOM.

O NIM desenvolve formação na área da Iconografia Musical, regularmente, destacando-se o curso internacional Musical Iconography LAB, projecto pioneiro com formato de “Laboratório”, decorrido na Universidade NOVA de Lisboa no ano de 2010 e que contou com a presença de Richard Leppert, Florence Gétreau, Maria del Rosario Álvarez Martínez, Daniel Tércio, Manuel Pedro Ferreira.

O NIM é membro do “Study Group on Musical Iconography” (membro fundador) e do “Study Group for Latin America and the Caribbean” da International Musicological Society e a sua equipa conta com publicações individuais de livros, capítulos de livro, artigos em periódicos nacionais e internacionais de referência e indexados na Web of Science.

Como projecto colectivo, destacam-se também os volumes temáticos com várias colaborações de âmbito nacional e internacional, entre eles, “Iconografia Musical – Autores de Países Ibero-Americanos e Caraíbas; Iconografia Musical – A música na dimensão do sagrado.”

Virgem com Menino e anjos, 1415-23, Álvaro Pires de Évora; madeira, têmpera e folha de ouro; Igreja de Santa Croce in Fossabanda, Pisa.

Virgem com Menino e anjos, 1415-23, Álvaro Pires de Évora; madeira, têmpera e folha de ouro; Igreja de Santa Croce in Fossabanda, Pisa.

Gerhard Doderer

Ao usar as designações “Iconografia” e “Iconologia” aplicamos um tipo de terminologia que tem a sua origem na época do Humanismo: a imagem (εἰκών) é sujeita a processos de descrição (γράφειν) e de compreensão (λόγος).

Ao emanciparem-se, no século XIX, as Ciências das Artes (Kunstwissenschaft), a nova disciplina académica começou a diferenciar formas e estilos, por um lado, e conteúdos, por outro. Assim, a Iconografia e a Iconologia devem ser entendidos, a partir de então, como processos de exames e análises dos cenários contidos nas imagens – estas últimas no sentido mais vasto da palavra -, sem se preocuparem com questões referentes à qualidade artística da representação em questão.

Determinante para as suas afirmações disciplinares foram os trabalhos de Emile Mâle (1862 1954) em França e de Aby Warburg (1866-1929) com os seus seguidores (Hamburg, Londres e Estados Unidos da América). A Iconografia Musical, por seu lado, procurando enriquecer o entendimento de processos musico-históricos, dedica-se principalmente a manifestações musicais no campo das Belas Artes que podem abranger, neste contexto, não só objectos concretos, situações e contexturas onde se reflectem práticas musicais, como também todo o tipo de formas e expressões de motivos musicais com os seus inerentes significados simbólicos em contextos representativos e comunicativos (B. R. Tammen).

Albergando-se no seio das Ciências Musicais, a Iconografia musical serve-se da Organologia como instrumento de trabalho principal e recorre a métodos de trabalho de disciplinas da História de Arte, da Antropologia ou da Sociologia para identificar temas e assuntos visualizados com carácter ideográfico.

Os primeiros cientistas que utilizaram de uma maneira sistemática materiais pictográficos para os seus estudos foram Francis Galpin (1858-1945) e Curt Sachs (1881-1959). Hoje em dia, a Iconografia musical é reconhecida como uma disciplina académica que conta a nível internacional com plataformas e grupos de estudo integrados na International Musicological Society e usufrui de cooperações intensas com a ICTM Study Group on Iconography of the Performing Arts, bem como com o Répertoire International d’ Iconographie Musicale (RIdIM) e o Research Center for Music Iconography (New York).

Desde 1984, o mais reputado órgão de publicação para esta área temática da Iconografia é o Imago Musicae: International Yearbook of Musical Iconography fundado e dirigido durante muitos anos por Tilman Seebass, cuja actividade pedagógica e científica tem marcado, internacionalmente e de uma maneira muito significativa, o desenvolvimento e o reconhecimento da Iconografia musical.

É através de uma colaboração frutuosa como as acima mencionadas organizações que se desenvolveram em Portugal estudos e projectos dedicados à Iconografia Musical, que conquistou com o Núcleo de Iconografia Musical o seu lugar no Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde a própria Organologia fazia parte do rol das disciplinas dos estudos musicológicos desde a criação do Departamento de Ciências Musicais no ano de 1981.

Ao alargar o perímetro das intervenções para além de temáticas relacionadas com imagens estáticas e outras de carácter dinâmico, os estudos reunidos na presente publicação exploram não apenas áreas parciais clássicas da Iconografia musical.

Aparecem, portanto, não apenas textos analíticos dedicados a representações reais e imaginárias de instrumentos musicais desde o século XII até ao presente – trabalhos muito vinculados a pontos de partida essencialmente organológicos – mas também outros ensaios concentrados na apresentação de construtores de instrumentos e das respectivas actividades artesanais. Naturalmente, estes últimos abrangem tanto pontos de vista organológicos como, e de forma bem destacada, aspectos antropológicos e sociológicos.

Ao que parece, esta forma de aproximação encontra bom acolhimento no seio dos estudiosos dos países do sul, contrastando, de certa forma, com uma atitude algo mais academista de cientistas do hemisfério norte. O próprio Núcleo de Iconografia Musical do CESEM, na sua qualidade de membro fundador do Study Group on Musical Iconography e devido à sua parceria com grupos de estudo e plataformas estrangeiras como p. ex. Images of Music – A Cultural Heritage ou o Grupo de Iconografia Musical da Universidade Complutense de Madrid, está a dar corpo a esta observação.

Lisboa, 31 de Janeiro de 2018

Iconografia Musical: Organologia, Construtores e Prática Musical em Diálogo, Edição e Coordenação | Sónia Duarte e Luzia Rocha, Instituição | NIM – Núcleo de Iconografia Musical / CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical / FCSH UNL – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, Volume 3 | 2017, ISBN | 978-989-99975-7-8

A Virgem, o Menino e Anjos, Gregório Lopes, c. 1536 - 1539, Pintura a óleo sobre madeira de carvalho, 125 cm × 167 cm, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

A Virgem, o Menino e Anjos, Gregório Lopes, c. 1536 – 1539, Pintura a óleo sobre madeira de carvalho, 125 cm × 167 cm, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa (pormenor)

Canções de Verão

Letras

Caminho acompanhando o tempo

[ À Espera do Verão ]

Caminho acompanhando o tempo,
Um tempo que me sabe a curto…

O Inverno aceita o descanso,
Incerto dá lugar ao sol
Que, ainda tão meigo, ao de leve
Toca nas vozes que despertam:
Sem dó esquecem o Inverno,
Viram costas e entoam
Cantos de louvor ao Sol.

Cidade nova me acolhe,
Fresca e embrulhada em cheiro
De tanta lembrança antiga…
Quieta e entregue ao vento,
Agora transformado em brisa,
Ouço o murmúrio de água numa fonte
Que brinca como um riacho de um monte.

A porta, que conteve a ânsia
De vida de tanta criança,
Range ao abrir, depois de longa chuva,
Com o grito alegre de gente miúda.

Aberto, o céu dá passagem
A cheiro de sardinha e vinho,
De cigarro e de café…
É o Sr. Verão que nos visita:
Vem em sopro de calor,
Mas diz que ainda não fica.

Letra: Maria Carvalho
Música: Frederico Valério (“Não Sei Porque te Foste Embora”)
Intérprete: Trio Fado (in CD “PortoLisboa”, Trio Fado, 2009)

Descapotável pela ponte

[ Sol da Caparica ]

Descapotável pela ponte o cabelo a voar
O calor abrasador e a pressa de chegar
Óculos escuros da Rayban e o contante a partir
A cassete dos Ramones para a gente curtir
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica
Abancados na esplanada mesmo à beira do mar
Cerveja na mesa para refrescar
Ao longo da praia sob o sol de verão
As miúdas da costa são uma tentação
Por isso vou para a costa
Por isso vou cheio de pinta
Viro costas a Lisboa vou pó sol da Caparica
Por isso vou para a costa
Por isso vou cheio de pinta
Viro costas a Lisboa vou pó sol da Caparica
E assim vamos gozando as férias de verão
Tenho o sol da caparica mesmo aqui à mão
Aqui vou eu
Aqui vou eu
De Lisboa fou fugir vou para o sol da Caparica
Aqui vou eu
Aqui vou eu
De Lisboa fou fugir vou pra o sol da Caparica
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica
Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pinta
De Lisboa vou fugir vou pó sol da Caparica…

Do coco faço uma batida

[ Dou-te Um Doce ]

Do coco faço uma batida
Da areia faço a minha cama
Gosto de me dar à vida
Sempre que o sol me chama

Adoro estar ao pé do mar
Quando te tenho ao meu lado
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado
(La-la-la-la-la-la)
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado

Vou na onda que me enrola
Como um manto de água fresca
Ouço ao longe uma viola
Bebo o dia que me resta

Fica mais quente o verão
Quando te tenho ao meu lado
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado
(La-la-la-la-la-la)
Dou-te um doce (doce)
Em troca de um beijo salgado

Do coco faço uma batida
Da areia faço a minha cama
Gosto de me dar à vida
Sempre que o sol me chama

Intérprete: Lena D’Água

Noite de Verão

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa…
Sente-se nua.

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

Sente-se nua
— mas baixa os olhos se algum homem passa…
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.
Sente-se nua.

Poema: Manuel da Fonseca (ligeiramente adaptado) [texto original abaixo]
Música: João Gil
Arranjo: Trovante
Intérprete: Trovante (in LP “Terra Firme”, EMI-VC, 1987, reed. EMI-VC, 1989; CD “O Melhor dos Trovante”, EMI Music Portugal, 2010; “Trovante: Grandes Êxitos”, EMI Music Portugal, 2013)

NOITE DE VERÃO

(Manuel da Fonseca, in “Planície”, Coimbra: Novo cancioneiro, 1941; “Poemas Completos”, Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1958; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 2.ª edição, Lisboa: Portugália Editora, 1963 – p. 109; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 120)

Quando é no Verão das noites claras
e faz calor dentro da gente,
…aquela menina casadoira,
que mora junto ao largo,
vem à varanda ver a Lua.

Roçando o corpo, devagar,
descem por ela as mãos da noite:
sente-se nua.
Sente-se nua, na varanda,
já tão senhora do seu destino,
sem medo às estrelas nem às mãos da noite
— mas baixa os olhos se algum homem passa…

[ Fonte: A Nossa Rádio ]

Manuel da Fonseca, poeta

Manuel da Fonseca, poeta

Oh flor do verão

[ Flor do Verão ]

Oh flor do verão
Caída no chão,
O teu pai foi ver de ti…
Loiras açucenas,
Trigueiras morenas…
À tardinha adormeci.

Eu fui ao adro ver passar
A cirandinha a cirandar,
E tantas voltas cirandou
Que o meu coração roubou.

Eu fui ao adro ver passar
As flores no vento a bailar…
Baila de volta do meu par!
Leva-lhe um beijo pra lhe dar!

Oh flor do verão
Caída no chão,
O teu pai foi ver de ti…
Loiras açucenas,
Trigueiras morenas…
À noitinha adormeci.

Eu fui ao adro ver passar,
De manhã cedo ao acordar…
Alegre a ave cantadeira
Cantava pela terra inteira.

Eu fui ao adro ver passar,
Pela tardinha, o teu olhar…
Olha no céu, já se vai pôr
O Sol que leva o meu amor.

A ciranda cirandou e o meu coração roubou.

Eu fui ao adro ver passar,
Por entre a gente, o teu olhar…
Bordado a cor de rosmaninho,
Perdi-me só pelo caminho.

Eu fui ao adro ver passar,
Alta ia a noite e o luar…
Cheguei sem tempo de entregar
Esta promessa de te amar.

Oh flor do verão
Caída no chão,
O teu pai foi ver de ti…
Loiras açucenas,
Trigueiras morenas…
À noitinha adormeci.

A ciranda cirandou e o meu coração roubou.

Letra: Catarina Pinho
Música: Catarina Pinho (melodia) e Ricardo Barriga (harmonia)
Arranjo: Tino Dias
Intérprete: Catarina Pinho* (in CD “Da Raiz do Coração”, Music in My Soul, 2016)

Um Verão

[ Verão ]

Intérprete: The Gift

1º Hino do Senhor Santo Cristo

Santo Cristo! Esperança Divina,
Horizonte de Eterna Vitória.
Quero a vida na Vossa Doutrina
E na morte o Reino da Glória

Santo Cristo, O! Estrela Brilhante,
Ó ! Farol que guiais ao abrigo;
A minh´alma navega errante,
Glória a Cristo na hora do perigo.

Coro

Glória a Cristo no céu e na Terra,
Glória a Cristo no Vinho e no Pão,
Glória a Cristo no Mar e na Serra,
Glória a Cristo no meu coração.

II

Santo Cristo! Essa Chama Celeste,
Que irradia do Vosso Olhar,
É a Paz que ao Mundo trouxeste,
E o Mundo recusa aceitar.

Coro

Santo Cristo! Esperança Bendita!
Do Cristão que Vos ama e adora,
A min’alma vagueia aflita
Glória a Cristo na última hora

Glória a Cristo no céu e na Terra,
Glória a Cristo no Vinho e no Pão,
Glória a Cristo no Mar e na Serra,
Glória a Cristo no meu coração.

Angra, 1 de maio de 1944

Atual Hino do Senhor Santo Cristo

Glória a Cristo, Jesus, glória eterna,
Nosso Rei, nossa firme esperança,
Soberano que os mundos governa
E as nações recebem por herança.

Com o manto e o ceptro irrisório,
Sois de espinhos cruéis coroado,
Rei da dor, uma vez, no Pretório,
Rei de amor, para sempre adorado.

Combatendo, por vossa Bandeira
Que, no peito, trazemos erguida,
Alcançamos a paz verdadeira
E a vitória nas lutas da vida.

Só a vós, com inteira obediência
Serviremos com firme vontade,
Porque em Vós há justiça e clemência
Porque em Vós resplandece a verdade.

Concedei-nos, por graça divina,
Que sejamos um povo de eleitos,
Firmes crentes na Vossa doutrina,
Cumpridores dos Vossos preceitos

José da Costa

O texto do hino, é da autoria do escritor, poeta e professor, José da Costa.

José de Sousa da Costa, nasceu em Ponta Garça, Concelho de Vila Franca do Campo, ilha de S. Miguel, em 19.08.1882, e baptizado em 27.08.1882 na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, Ponta Garça, e faleceu em Ponta Delgada, no dia 10.5.1963.

Após a instrução primária, ingressou no Seminário de Angra, onde frequentou cerca de três anos, e por motivos pessoais, regressou a S. Miguel, onde frequentou o Colégio Sena Freitas em Ponta Delgada, tendo aí completado toda a sua formação Académica e Magistério Primário, tendo exercido funções em diversas localidades na área de Ponta Delgada, Relva, Livramento e S. Roque.

Foi director da Escola Ernesto do Canto, nº 38-42, com direito a residência domiciliária na mesma instalação escolar, “edifício, pertença dos serviços de televisão”.* Poeta e latinista, fundou e dirigiu a revista angrense Arquipélago, surgida em 1931. Professor da instrução primária e um dos intelectuais micaelenses mais eruditos do seu tempo, venerou a língua pátria e o latim, ensinando aos estudantes liceais que o procuravam para explicações. Verteu para o português composições poéticas e hinos latinos, como o Stabat Mater, de Jacopone da Todi, e alguns originais de S. Bernardo. Além do que publicou em livro, havendo dele um número considerável de dispersos na imprensa açoriana. Os seus escritos, revelam ter sido um homem possuído de pensamento e sentido religioso artístico profundo, crente em testemunho de fé, conhecedor consciente da palavra de Deus.

Como cristão crente e orante, dominava os hinos e salmos do saltério, escritos em língua latina. No plano humano e à época, foi uma personagem culta, dotado no campo do saber das artes plásticas, pintor miniaturista na reconstituição de imagens, desenhou os muitos motivos Heráldicos dos Açores, e brasões de famílias nobres e ilustres da ilha de S. Miguel e dos Açores. Na qualidade de professor, foi um pedagogo que soube conjugar as letras e as palavras, onde transmitiu às gerações do tempo, os seus vastos conhecimentos no ensino das línguas clássicas, e de forma especial, o Latim.

Além do que publicou em livro, há dele um número considerável de dispersos na imprensa açoriana, nomeadamente poesia, que cultivou segundo os moldes clássicos da Arte Poética, maioritariamente voltada para assuntos elevados, patrióticos, metafísicos e religiosos, com predomínio da exaltação crística e mariana, como o provam os seus Acordes Místicos (1962) e o póstumo Relicário Poético (1965).

Compôs hinos devotos, com música, colocados à apreciação do músico violinista, Manuel Macedo, entre outros, do maestro Pe. Tomaz Borba, e exercitou ainda a poesia humorística, cujo exemplo está no poema heróico-cómico Saltapíada ou a Casula Negra (1949), o ensaio, o teatro e a arte de pintor miniaturista. Ainda em vida, fez um estudo sobre Maria Madalena, manuscrito este submetido e enviado ao prelado Diocesano para estudo e reflexão, e posteriormente ser enviado à Santa Sé, para a permissão de publicação.

Notas: *

As informações acima citadas, e sobre a sua formação académica, foram verbalizadas pela filha, Maria Angelina Vieira Costa Schandler, aquando da entrevista em 11-05-2016.

Trabalho de investigação de José Manuel Graça Teixeira Gaipo, gentilmente cedido ao Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres

Senhor Santo Cristo dos Milagres

Senhor Santo Cristo dos Milagres

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacto

António José Ferreira
962 942 759

Na Meloteca, as boas práticas musicais são uma fonte de inspiração.

“Aprender Inglês a cantar” relata uma experiência realizada num colégio do estado de São Paulo, Brasil.

APRENDER INGLÊS A CANTAR

FESTIVAL DE MÚSICA PROMOVE ENSINO DO INGLÊS EM COLÉGIO DO BRASIL

Os alunos enfrentam o palco: sozinhos, em grupo

Por volta do ano 2000, o Colégio Nossa Senhora do Morumbi, da rede particular paulistana, (Brasil) criou uma forma original de incentivar o ensino da Língua Inglesa. Partindo do interesse dos alunos pelos exercícios do idioma com músicas, o colégio criou o Song Festival, um festival anual em que só entram canções com letras em inglês. A ideia foi de duas professoras do idioma, Vívian Rosio Figueredo e Rosa Mina Sakamoto. “O grande resultado é que nossos alunos aprendem com prazer”, diz Vívian.

Desde o ano passado, o festival contou com a adesão do Colégio Mopyatã, que funciona em conjunto com o Nossa Senhora do Morumbi. Enquanto o Morumbi tem turmas de 1ª a 8ª série, o Mopyatã atende alunos de educação infantil e ensino médio. Participam do festival os estudantes de 5ª a 8ª série e do ensino médio dos colégios.

INGLÊS DESDE O PRIMEIRO ANO DE ESCOLARIDADE

Na primeira etapa, todos os alunos das séries envolvidas escrevem pelo menos um poema em inglês, na sala de aula. “Como no Morumbi as aulas de Inglês começam na 1ª série, mesmo os de 5ª dão conta da tarefa”, diz Vívian. “Eles descobrem que podem escrever apesar de ter um vocabulário restrito e ainda melhoram sua pronúncia”, garante a professora.

O colégio contratou uma banda para compor as músicas a partir dos poemas dos alunos. Os estudantes podem concorrer na categoria de compositor e também como cantores ou instrumentistas. Nos dois últimos casos, eles podem participar do festival com qualquer música, não é necessário utilizar o poema. No festival do ano passado, quarenta concorrentes participaram, doze deles como compositores e 28 como intérpretes. Pais de alunos, professores e funcionários da escola também concorrem, mas numa categoria especial. Os prémios, o equipamento de som e a divulgação do festival são pagos com patrocínios.

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Um exercício de redacção que se transforma em aula de música

1. Criação do poema

O festival é realizado em etapas, ao longo do ano. A primeira fase dele é feita no mês de Abril. Durante duas ou três aulas, os alunos, sozinhos ou em pares, escrevem o poema. Nessa tarefa, usam o vocabulário que estão a utilizar na aula, trabalham com rima e lidam com questões gramaticais, com ajuda do professor. “Damos ideias para o tema e tiramos dúvidas sobre tempos verbais, adjectivos, preposições e outras dificuldades de gramática”, conta Vívian. “Muitos escrevem mais de um poema para ter mais hipóteses de classificação”, diz Rosa.

2. Correcção e seleção inicial

Todos os poemas são avaliados pelas professoras Rosa e Vívian. Elas corrigem os erros de gramática e ortografia, e ainda fazem comentários sobre a coerência, a organização e a originalidade dos textos. Apenas os trabalhos escolhidos por elas passam para a segunda fase de selecção do festival. “Escolhemos os que têm mais coerência, profundidade e que não apresentem problemas graves de gramática e ortografia”, descreve Vívian.

3. Inscrição

Em Junho, os alunos recebem fichas de inscrição para o Festival e escolhem se vão participar como intérpretes, compositores ou em ambas as categorias. Quem concorre como intérprete diz na ficha que música vai cantar e pode inscrever uma banda completa, na qual pode haver pessoas de fora do colégio. Essa categoria é a mais procurada. “Os alunos acham que, se cantarem uma música baseada nos poemas deles mesmos, não farão sucesso porque a canção não é conhecida”, diz Rosa.

4. Segunda selecção

Durante as férias de Julho, o músico Marcelo Zurawski, contratado pelo Colégio, recebe de Rosa e Vívian a selecção inicial de poemas e escolhe entre eles os que possam ser adaptados a uma música. Apenas esses escolhidos concorrem na categoria compositor.

Em Agosto, no regresso às aulas, Marcelo, a sua banda e os alunos que escreveram os trabalhos aprovados nas duas selecções compõem juntos as músicas, a partir dos poemas. Com os que concorrem como intérpretes, o primeiro passo é conseguir a letra completa da música escolhida. Os professores treinam a pronúncia de todos os participantes.

Versos adolecentes

Trecho do poema Jail of Soul (Prisão da Alma), da aluna de 7ª série Mariana Vieira.

Everybody says what I have to do
I don’t know why
Maybe’cause they think that I’m a fool

My words won’t fly (…)

Telling lies about me
Just because I’m free
I choose my way
But they don’t let me go (…)

Todo mundo diz o que eu tenho que fazer
Não sei porquê
Talvez seja porque eles pensam que sou um tolo

Minhas palavras não vão voar (…)
Dizendo mentiras sobre mim
Apenas porque sou livre
Eu escolho meu caminho
Mas eles não me deixam ir (…)

Observe que a estudante utilizou várias aplicações da gramática inglesa, como os verbos “to do” e “to be”, vários tipos de pronomes e de tempos verbais e até uma expressão com abreviatura: maybe’cause, cuja forma extensa seria maybe it is because.

Adriana Vera e Silva (1998, adaptado pela Meloteca)

Micro

Micro

MÚSICA E CUIDADOS PALIATIVOS

Reflexões sobre a Intervenção Musical em Ambientes de Cuidados Paliativos

por Wilson Brisola Fabro

“Como alguém que despe sua roupa em tempo de frio, e como vinagre sobre o salitre, assim é o que pretende cantar para um coração oprimido”. (Provérbios 25:20)

Nesses “tempos modernos” onde as linguagens mediáticas nos tomam de sobressalto, quando falo da importância da música ouço muito a expressão: “a música é somente um paliativo”!

Como definição, o termo “paliativo” deriva do latim pallium, que significa “manto”, “capote”, que aponta sobre os cuidados em aliviar os sintomas da dor e o sofrimento dos pacientes tendo como objetivo o paciente em sua globalidade de ser e aprimorar sua qualidade de vida.

Etimologicamente, significa prover um manto para aquecer “aqueles que passam frio”.

A música pode criar relações que visam o encontro com a centralidade de cada pessoa, permitindo recolocar em movimentos vários tipos de emoções que não se encontram nos hospitais e lugares de cuidados, podendo promover comunicação. (M. Buber)

O seu poder evocativo que perpassa aquilo que se vê, deverá considerar a pessoa, este encontro único, a sua história e a sua dignidade humana!

A música no ambiente hospitalar serve como uma proposta de Humanização, alcançando efeitos fisiológicos e psicológicos nos pacientes e também naqueles que atendem.

Há relatos em papiros egípcios que médicos usavam a música nos primórdios da medicina.

O entendimento grego sobre a doença era visto como desequilíbrio, e a música era utilizada como uma ferramenta usada para reorganizar, reequilibrar, levando a harmonia do corpo e mente através dos sons.

A música se insere como instrumento para a melhoria da qualidade de vida do paciente internado, na busca de sua melhoria e alta hospitalar.

“O homem está apto ao encontro na medida em que ele é totalidade que age” (M. Buber)

As atividades musicais de ouvir, cantar e tocar podem exercer um papel terapêutico e melhora da qualidade de vida.

Existe um efeito de sensibilização e humanização do espaço onde a música é inserida com arte e dedicação.

Diversos profissionais utilizam a música no tratamento da saúde, mas o que diferencia cada prática profissional é a formação e os objetivos da música no ambiente.

Seja em leitos de enfermarias dos hospitais, como junto a uma cadeira de rodas em uma Instituição de Longa Permanência, o músico deverá buscar:

  • Um ato musical autêntico e uma atitude de escuta;
  • Uma música compartilhada é um ambiente sonoro enriquecido;
  • Uma estreita interação entre os músicos, os doentes, as famílias e as equipes hospitalares.

Dentro da proposta de uma intervenção musical em ambientes de cuidados o músico terá como finalidade, integrar o projeto de humanização do hospital, colaborando na melhoria da qualidade de vida de todos (utentes e profissionais) no hospital, sensibilizando e estimulando novas experiências artísticas e musicais.

Texto extraído do livro Afetos Musicais. Editora Shiraz – 2016/Brasil.

Música e cuidados paliativos

Wilson Fabro

EDUCAÇÃO E CULTURA

Educação e Cultura com ligação reforçada por medidas sugeridas no Relatório final do Grupo de Trabalho Educação-Cultura

O Grupo de Trabalho Educação-Cultura, nomeado por despacho conjunto do Ministro da Educação e do Ministro da Cultura, entregou o Relatório Final no qual são desenhadas uma série de medidas e iniciativas tendentes a aproximar a Escola da Cultura, contribuindo para a formação dos novos públicos de um futuro próximo. Por entre as propostas salientamos a criação da figura de professor coadjuvante, a criação de um financiamento específico para actividade artística de carácter profissional junto de crianças e jovens, a criação de um Portal Educação/Cultura, e a criação dos programas “A Escola e a Cultura” e “Artistas na Escola”.

Foram elaboradas propostas enquadradoras, considerando desde o pré-escolar ao término do Secundário, envolvendo as estruturas públicas da Cultura, nomeadamente museus e monumentos, mas também a oferta cultural em geral. As questões relativas à formação de professores e profissionais de Cultura, assim como a presença dos artistas nas escolas e das escolas no meio cultural, foram destacadas, bem como os aspectos relativos à missão educativa das estruturas culturais. Considerou-se ainda que as propostas efectuadas pressupõem o envolvimento da escola, família, instituições do Estado e sociedade civil.

O relatório propõe um Plano Nacional Educação e Cultura, integrando eixos e propostas de intervenção, assim como sugestões de articulação e viabilização para a sua concretização.

Apontam-se caminhos para uma maior territorialização das políticas educativas e culturais, enfatizando as parcerias e a inovação a nível local, sem perder de vista o todo nacional.

Foram considerados “Eixos prioritários de intervenção”: a dimensão cultural do currículo; a missão educativa das estruturas culturais; a formação de profissionais da Educação e da Cultura; a sistematização e acesso à informação e o incentivo ao funcionamento em Rede de estruturas locais e nacionais, também com estruturas internacionais.

Referenciam-se algumas das recomendações e propostas apresentadas:

Regulamentar a figura do professor coadjuvante com vista ao desenvolvimento de projectos no domínio curricular das expressões artísticas no 1º ciclo. O professor coadjuvante poderá ser um professor com competências específicas pertencente ao agrupamento de escolas ou de uma escola de ensino artístico especializado, ou um artista com projectos de intervenção pedagógica.

A diversificação e qualificação da oferta no 3º ciclo do ensino básico das novas disciplinas artísticas exige a contratação de professores devidamente habilitados, o que pressupõe a articulação entre escolas de ensino regular, agrupamentos de escolas e escolas de ensino artístico especializado. A promoção de programas de aproximação dos jovens e da comunidade escolar ao conceito de espaço público qualificado, possibilitando abordagens no âmbito da arquitectura, urbanismo, arte pública e design urbano.

Criação do Programa «A Escola e a Cultura» – propõe-se a realização de um concurso escolar com o objectivo de promover o estabelecimento de parcerias entre as escolas e as entidades que tutelam o património cultural (monumentos, museus, sítios arqueológicos) para proporcionar aos alunos dos ensinos básico e secundário experiências interpretativas diversificadas no âmbito do estudo do património e da criação contemporânea.

Criação do programa “Artistas na Escola” – A criação deste programa pretende contribuir para o desenvolvimento das relações entre o meio artístico e cultural e o meio escolar criando condições para que as escolas, no âmbito dos seus projectos educativos, possam oferecer aos seus alunos actividades de complemento curricular, pontuais ou regulares, que lhes permita enriquecer a sua formação, familiarizando-os com a prática de diversas linguagens artísticas e despertando-lhes o gosto pela fruição dos bens culturais.

Criação de um segmento de financiamento específico para actividade artística de carácter profissional destinada a crianças e jovens no Ministério da Cultura.

Reforço da componente educativa das estruturas culturais, Integrando professores dos quadros de nomeação definitiva que, por falta de alunos nas suas áreas disciplinares ou em consequência de processos de reorganização, venham a ficar com o seus horários incompletos no que se refere à componente lectiva, através de um processo de candidatura, para exercer funções pedagógicas junto das estruturas culturais que se situem na zona de referência do agrupamento de escolas a que pertencem.

Apoio à produção de roteiros e materiais pedagógicos de qualidade e em larga escala – tendo em vista a preparação de visitas escolares, o acesso antecipado à informação sobre o objecto de visita ou do trabalho em contexto escolar, é necessário criar uma linha de apoio para edição eprodução de materiais pedagógicos de qualidade, seja em suportes tradicionais seja em suporte digital.

Promoção de novos programas mediáticos aproveitando contratualizações já existentes com a rede de televisão pública, tanto por parte do Ministério da Educação como por parte do Ministério da Cultura e criação de novas formas de relação com as redes de televisão privada nacionais e com as redes de televisão por cabo nacionais e locais, assim como a promoção de parcerias mais activas com editoras, sites, empresas produtoras de conteúdos.

Criação de um Portal Educação/Cultura – representará um importante motor de partilha, pesquisa e desenvolvimento de projectos entre os diversos agentes – educativos e culturais – desde turmas a escolas ou agrupamentos escolares, criadores, programadores e produtores de cultura, museus, monumentos, institutos públicos, fundações, associações, etc..

O incremento e real aproximação de áreas deprimidas aos grandes centros urbanos e culturais detentores do património cultural de referência, pela viabilização do acesso em mais larga escala aos museus, monumentos, exposições, espectáculos, etc.

O Grupo de trabalho, que cessa funções com a entrega deste Relatório, foi coordenado por Jorge Barreto Xavier e constituído por Paula Folhadela e Paulo Fonseca, em representação do Ministério da Educação, e Isabel Cordeiro, Miguel Soromenho e Paulo Carretas, pelo Ministério da Cultura. O Relatório pode ser consultado, na íntegra, nos sites do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação.

Governo da República Portuguesa

João Simões, Orquestra XXI

João Simões, Orquestra XXI

EXPRESSÃO MUSICAL

ORGANIZAÇÃO CURRICULAR E PROGRAMAS DO 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO

PRINCÍPIOS ORIENTADORES

A prática do canto constitui a base da expressão e educação musical no 1º ciclo. É uma actividade de síntese na qual se vivem momentos de profunda riqueza e bem-estar, sendo a voz o instrumento primeiro que as crianças vão explorando.

Através do corpo em movimento, de uma forma espontânea ou nos jogos de roda e nas danças – formas mais organizadas do movimento – as crianças desenvolvem potencialidades musicais múltiplas.

Os instrumentos, entendidos como prolongamento do corpo, são o complemento necessário para o enriquecimento dos meios de que a criança se pode servir nas suas experiências, permitindo, ainda, conhecer os segredos da produção sonora. A experimentação e domínio progressivo das possibilidades do corpo e da voz deverão ser feitos através de actividades lúdicas, proporcionando o enriquecimento das vivências sonoro-musicais das crianças. A participação em projectos pessoais ou de grupo permitirá à criança desenvolver, de forma pessoal, as suas capacidades expressivas e criativas. A audição ao vivo ou de gravação, o contacto com as actividades musicais existentes na região e a constituição de um reportório de canções do património regional e nacional, são referências culturais que a escola deve proporcionar.

BLOCO 1 – JOGOS DE EXPLORAÇÃO

Voz, corpo e instrumentos são os recursos a desenvolver através de jogos de exploração. Estes devem partir das vivências sonoro-musicais visando o seu domínio, com forte acentuação em actividades lúdicas, por forma a evitar situações de puro exercício que afastam as crianças.

O desenvolvimento da musicalidade é um processo gradual, dependente do domínio de capacidades instrumentais, da linguagem adequada, do gosto pela exploração, da capacidade de escutar.

Os jogos de exploração para cada uma das rubricas indicadas vão assim ganhando complexidade por forma a responder ao desenvolvimento das capacidades musicais referidas.

Há que atender à singularidade musical de cada criança, dando-lhe oportunidade de desenvolver, à sua maneira, as propostas e projectos próprios e do professor.

Voz, corpo e instrumentos formam um todo, sendo a criança solicitada a utilizá-los de forma integrada, harmoniosa e criativa.

Atenda-se que «escutar» é um processo pessoal complexo e evolutivo, dependendo da sensibilidade e experiência e actuando como um filtro perante o mundo sonoro em que alguns sons despertam especial interesse ou ganham significado. A musicalidade, bem como as capacidades de dançar ou comunicar pela palavra, está estreitamente ligada ao desenvolvimento dessa capacidade.

(…)

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Expressão Musical EB1

Crianças da EB1 de Cabanões, Gaia