Artigos musicais sobre práticas e aspetos pedagógicos do Ensino da Música, da Expressão Musical, de Atividades de Enriquecimento Curricular, de Música Adaptada e Oficina dos Sons Adaptada a crianças com necessidades educativas especiais.

Caixa metálica quadrada

Quem tem um filho com necessidades especiais, tem um desafio permanente a encontrar o que o desenvolve, relaxa e valoriza. Se estiver atento e desenvolver a criatividade, vai encontrar objetos, ferramentas, canções e timbres que tornam a criança mais feliz: ser criativo é uma forma de amar.

António José Ferreira

A “Música Especial em Casa” é especialmente dedicada a famílias de crianças com necessidades educativas especiais. Os instrumentos foram ou podem ser utilizados com crianças portadoras de deficiência profunda – mas isso não significa que não possam ser utilizadas com todas as crianças do Ensino Regular em contexto de Atividades de Enriquecimento Curricular ou no Jardim de Infância.

A pandemia foi um desafio enorme que gerou uma aproximação que nunca fora possível entre a Escola e a Família. Esteja atento a pequenos objetos cujo conteúdo se esgotou. Por vezes, basta tirar a etiqueta e lavar para ter um pequeno instrumento que faz feliz o seu filho e o ajuda a desenvolver competências. Se este artigo lhe for útil e inspirar boas práticas, marque-o como favorito.

1. O desenvolvimento começa em casa.

Antes ainda de a criança nascer, o seu desenvolvimento faz-se com os sentidos e através dos sentidos. Antes de a criança saber o que é o amor, percebe que é amada. A música e a ternura são aliados especialmente valiosos nos primeiros anos de vida.

2. A cidadania aprende-se com a prática.

Ainda antes de ter noção do que deve ser enquanto cidadão, a criança absorvem os valores da gentileza e da atenção ao outro. Antes de irem para a escola as crianças já viveu o que é ser bondoso, saudar, pedir desculpa, dizer obrigado.

3. A criança tem atividades favoritas.

A criança não fala e não caminha autonomamente mas gosta de apertar e desapertar, de enroscar e desenroscar? Proporcione-lhe momentos de ação com recipientes reutilizados que são fáceis de lavar e desinfetar. Verificando que os objetos não representar qualquer risco para a criança, verá satisfação quando ela se envolve em colocar ou tirar, por exemplo, um pauzinho.

4. A limitação contorna-se com imaginação.

Pela sua problemática, a criança com deficiência tem por vezes tendência para lançar objetos ao chão. Selecione objetos de som agradável de alturas diferentes e ela criará contigo melodias improvisadas. Podem ser canas de bambu de tamanhos diversos ou tubos metálicos.

5. A música promove boas rotinas.

Na infância, especialmente no caso de crianças com necessidades educativas especiais, as rotinas são importantes para a estabilidade e segurança. Crie rotinas em que a música ajuda a memorizar de algum modo os dias, um tempo de exploração sonora ao sábado.

6. A música desperta (os) sentidos.

Quando a criança tem limitações que não são comuns, tem o desafio de utilizar utilizar a música como aliada para o desenvolvimento dos sentidos.

António José Ferreira

Afia sonora reutilizada

Reciclar objetos sonoros em (d)eficiência

Quem tem um filho com necessidades especiais, tem um desafio permanente a encontrar o que o desenvolve, relaxa e valoriza. Se estiver atento e desenvolver a criatividade, vai encontrar objetos, ferramentas, canções e timbres que tornam a criança mais feliz: ser criativo é uma forma de amar.

António José Ferreira

RECICLO EFICIENTE

“Reciclo eficiente” valoriza a reutilização, um novo modo de utilizar objetos que, tendo potencial sonoro e pedagógico, iriam para o contentor do lixo. A reutilização não supõe neste caso trabalhos significativos de transformação no objeto sonoro mas que seja eficaz com pouco trabalho.

O mesmo objeto, nova utilidade

Além disso, há coisas que não são normalmente associadas à Música mas que podem ser utilizadas em Música Adaptada: bola, mesa, cesto de papéis, almofariz. Neste caso, trata-se apenas de utilizar o objeto com uma finalidade diferente da inicial e sem quaisquer custos. Existe à nossa volta uma grande quantidade de materiais que vão normalmente para o ecoponto e que podem ser interessantes fontes sonoras. Há que experimentar e descobrir onde o objeto tem mais potencial sonoro e com que baqueta, ou de que forma deve ser tocado.

Baldes

Há latas e baldes que são ótimos tambores com as baquetas certas: baldes ecoponto, latas de 20 litros de óleos da Shell (Rimula Super). Estes, embora não sejam fáceis de encontrar, contam com mais de 10 cores diferentes, o que permitirá espetáculos de percussão muito interessantes em termos visuais.

Bolas

Certas bolas com diferentes características poderão seduzir as crianças para brincadeiras e produzir novos timbres. Contribuem para melhorar a concentração, incrementar o gosto pela atividade musical, desenvolver a psicomotricidade. Música e atividade física tornam-se aliados no desenvolvimento de crianças com ou sem necessidades educativas especiais.

Copos

Tampas de plástico de certos detergentes para máquina de lavar roupa (Formil activo, por exemplo), servem muito bem para jogos rítmicos com copos. Outros copos gelado conseguem o mesmo efeito. Há crianças com deficiência que gostam de explorar sons de forma espontânea, ou de enfiar objetos uns nos outros.

Frascos

Recipientes de iogurte bastante ergonónicos podem ser utilizados como maracas, depois de devidamente lavados e secos, com a quantidade de arroz adequada. Crianças do ensino regular, com ou sem NEE, podem fazer experiências sonoras e jogos alterando o conteúdo: lentilhas, arroz, sementes de melão, melancia ou abóbora.

Os frascos de champô, creme de banho, ou iogurte, podem tornar-se pequenos tambores, com baquetas adequadas. Agarrando-se a parte que tem a tampa (frasco de Pantene Po-V 200 ml, por exemplo) e batendo de lado com baqueta de borracha produz-se um som interessante. Em muitos casos, as etiquetas de plástico saem facilmente, não sendo preciso demolhar. Na falta de melhor baqueta, certos pauzinhos finos curtos ou mesmo lápis, ou canetas gastas podem ser eficazes.

Recipientes com saliências são ótimos raspadores, como o de Soft Pink Bubble Bath, por exemplo, muito usado por cabeleireiras. Retire as etiquetas de plástico, que saem facilmente. É um raspador muito limpo, simples e eficaz. O frasco de chocolate para leite Toddy, também funciona do mesmo modo.

Requeplás
Requeplás

Tampas de detergentes de roupa podem juntar-se e formar marcas muito eficazes, seguras e coloridas, gastando apenas nesse trabalho um pouco de arroz ou bocadinhos de fio elétrico e cola superforte para as partes não se separarem.

Recipientes de plástico ColaCao ou Ovomaltine, substituindo a tampa por membrana de balão ou borracha. Ou então pode-se bater com baqueta adequada na beira em que a tampa roda, de frente. Se houver uma baqueta com extremidade de borracha (reciclada de uma câmara de ar, por exemplo), a mão esquerda pode agarrar a boca do recipiente e abri-la mais ou menos e fechá-la completamente percutindo com a mão esquerda. Com sensibilidade e prática pode-se tocar várias notas e fazer melodias.

Recipientes geométricos

Reúna um conjunto de recipientes em forma de sólido geométrico de plástico (esfera, oval, cilindro, paralelipípedo, cone, cubo). Têm excelente potencial para aplicar conhecimentos de Matemática e para fazer maracas bonitas e resistentes. Entre essas formas contam-se as esferas que saem de muitas máquinas que dão brinquedo ou chocolate quando se mete uma moeda. A junção de uma tampa de amaciador com outra de diâmetro ligeiramente menor combina cores e permite fazer facilmente maracas cilíndricas.

Tampas

As tampas de plástico, coloridas (com cerca de centímetros de diâmetro e de altura) podem ser utilizadas para batucar com os dedos (indicador, médio e polegar), tal como as tampas em forma de dedal que encontramos em detergentes da roupa. Estas podem ser utilizadas para bater uma contra outra, ou contra tampas maiores, produzindo-se por vezes sons semelhantes ao de pingos de água, ou de estalidos com a língua. Tampas de amaciador de roupa, tipo copo, podem ser ótimas para jogos rítmicos em cima da mesa ou exploração sonora no chão.

Cabos

O cabo de esfregona ou de vassoura (de madeira) que se partiu pode fazer de cajado (a utilizar em canção de pastor), de guarda-chuva (para cão sobre a chuva) ou de vassoura (para o Halloween). Canas de bambu, pauzinhos de diversos tipos que vão para o lume ou para o ecoponto podem dar origem a eficazes e belos instrumentos: clavas, paulitos, reques, chincalhos, baquetas.

Pedras (litofones)

pedras de rio ou de mar que, em pares e conjuntos, podem produzir ritmos pequenas melodias. Pedras pequenas (em registo agudo) são acessíveis à criança e à família. Encontram-se com frequência em praias fluviais e marinhas. Acresce que podem ser utilizadas para melhorar o desempenho de contagens, somas e subtrações com crianças portadoras de atraso e deficiência mental do ensino regular, ou em idade pré-escolar. A prática de utilizar litofones remonta à pré-história e continua como tradição musical em vários países (especialmente asiáticos), que aperfeiçoaram as técnicas de transformação e suporte. Na Península Ibérica há grupos folclóricos que utilizam pedras de rio à maneira de castanholas.

Metal

Um objeto metálico que – não sendo um risco para o seu filho – tem forma, cor, som e potencial pedagógico, pode tornar-se um instrumento para o desenvolvimento do seu filho. Guarde-o no seu baú de exploração musical.

Tubos

Tubos de diversos diâmetros que produzem, conforme o comprimento, sons mais graves ou mais agudos. Batendo o tubo, ou batendo com a mão na boca do tubo, ou utilizando uma baqueta de borracha (câmara de ar) podem obter-se resultados surpreendentes.

Objetos mecânicos

Há crianças com deficiência que gostam especialmente de objetos mecânicos ou brinquedos com botões que produzem determinado som quando a criança carrega num botão ou aciona manivela. Este tipo de brinquedo ou objeto sonoro promove o desenvolvimento psicomotor em crianças do Jardim de Infância e crianças do NEE.

Afia sonora reutilizada
Afia sonora reutilizada

António José Ferreira

Castanholetas

I. Recicla objetos, recria sons

A reutilização assume-se cada vez mais como um valor pela arte que produz e pelos benefícios ambientais. Promove a redução da pegada ecológica, desenvolve a criatividade e representa economia para professores, alunos, escolas e entidades que promovem a Expressão Musical. Além disso, pode proporcionar momentos de intercâmbio entre o professor, a escola e os encarregados de educação.

“Reciclo Sons” valoriza a reutilização – utilizar de modo diferente objetos sonoros destinados ao contentor do lixo. A reutilização não implica grandes transformações no objeto sonoro mas uma organização e utilização que funcione bem com pouco trabalho.

Há coisas que não são normalmente associadas à Música mas que podem ser ligadas à pedagogia musical no 1º Ciclo: bola, mesa, cesto de papéis, almofariz. Neste caso, trata-se apenas de utilizar o objeto com uma finalidade diferente da inicial e sem quaisquer custos.

Existe à nossa volta uma grande quantidade de materiais que vão normalmente para o contentor do lixo e que podem ser interessantes fontes sonoras. Há que experimentar e descobrir onde o objeto tem mais potencial sonoro e com que baqueta, ou de que forma deve ser tocado. Outro aspeto a ter em conta é o que fazer com os instrumentos reutilizados, de modo a tornarem-se instrumentos valiosos para professores e alunos.

1. Baldes

Há latas e baldes que são ótimos tambores com as baquetas certas: baldes ecoponto, latas de tinta plásticas, latas de 20 litros de óleos da Shell (Rimula Super, Rimula D, Rimula D Extra, Rimula R2, Rimula R3 X, Rimula R4, R5, R5 E, R6 M, RX Diesel). Estes, embora não sejam fáceis de encontrar, contam com mais de 10 cores diferentes, o que permitirá espetáculos de percussão muito interessantes em termos visuais. Latas de tinta plásticas são mais acessíveis e podem igualmente ser um bom recurso, pintadas com “spray”.

2. Bolas

De forma surpreendente, bolas com diferentes características poderão seduzir as crianças proporcionando novos timbres, melhorando a concentração, incrementando o gosto pela atividade musical, desenvolvendo a motricidade.

Cada criança tem um copo reutilizado que poderá percutir com o dedo indicador, ou com baqueta de madeira ou plástico. O professor tem uma bola de basquetebol pequena, ou outra que faça o mesmo efeito. A bola pode ser uma das que existem na escola para a atividade física. O professor faz ritmos com a bola no chão, ou em cima de uma mesa. Quando a bola bate os alunos tocam.

Quando a bola rola em cima de uma mesa, as crianças batem seguido até o professor agarrar a bola. O professor pode chamar um aluno para provocar ritmos com ele: passa a bola à criança e, quando algum deles agarra, as crianças batem no copo uma só vez.

Um grupo de crianças tem tambores ou copos, ou recipientes de plástico; outro, clavas de madeira; outro, maracas recicladas. O professor começa por bater com uma bola no chão. Quando a bola bate no chão tocam tambores; quando o professor agarra, tocam as madeiras; quando a bola rola na mesa ou no chão, toca o grupo das maracas. O professor pode explorar ostinatos, accelerando, rittardando, ritmos irregulares e fazer vivenciar outras noções musicais.

3. Copos

Tampas de plástico de certos detergentes para lavar roupa (Formil ativo, por exemplo), servem muito bem para jogos rítmicos com copos, em roda, em pares ou individualmente. Outros copos de cerveja ou gelado conseguem o mesmo efeito. Copos de papel têm uma durabilidade reduzida, mas também são uma opção e têm muitas vezes um timbre mais agradável.

4. Frascos

Recipientes de iogurte bastante ergonónicos podem ser utilizados como maracas, depois de devidamente lavados e secos, com a quantidade certa de arroz. Podem tornar-se idiofones de altura definida, com baquetas adequadas e afinando-se com a própria tampa ou o dedo de quem toca.
Cada recipiente tem, em geral, um lugar mais feliz para ser percutido:

  • tampado ou destampado, produzindo um som mais grave ou mais agudo;
  • percutido num “ombro” de um frasco (de iogurte Danone, por exemplo) ou num dos quatro “cantos” de outro iogurte;
  • na extremidade do frasco sem tampa;
  • percutindo um frasco contra uma parte de outro frasco;
  • percutindo uma parte de um frasco com um pauzinho pequeno e fino.

Pode-se criar pequenas melodias de duas ou mais notas, com tons e meios tons.

Certos frasquinhos de pasta dentífrica finos e duros funcionam bem percutindo frascos de Danone líquidos, tanto na boca como no fundo do frasco.

Recipientes com saliências são ótimos reques, como o de Soft Pink Bubble Bath, por exemplo. Quando este gel de banho feminino acabar, retire as etiquetas de plástico que saem facilmente, encontre um pauzinho fino e prático e raspe. É um idiofone de fricção muito limpo, simples e eficaz. Teria sido uma pena deitá-lo ao lixo. Outro frasco de chocolate para leite Toddy, também funciona do mesmo modo.

Tampas de detergentes de roupa podem juntar-se e formar marcas muito eficazes, seguras e coloridas, gastando apenas nesse trabalho um pouco de arroz ou bocadinhos de fio elétrico e cola superforte para as partes não se separarem. Muitos frascos de champô também produzem sons claros.

Recipientes de plástico ColaCao ou Ovomaltine, substituindo a tampa por membrana de balão ou borracha. Ou então pode-se bater com baqueta adequada na beira em que a tampa roda, de frente. Se houver uma baqueta com extremidade de borracha (reciclada de uma câmara de ar, por exemplo), a mão esquerda pode agarrar a boca do recipiente e abri-la mais ou menos e fechá-la completamente percutindo com a mão esquerda. Com sensibilidade e prática pode-se tocar várias notas e fazer melodias.

Agarrando-se a parte que tem a tampa (frasco de Champô Pantene Po-V 200 ml, por exemplo) e batendo de lado com maraca de borracha produz-se um som interessante. Em muitos casos, as etiquetas de plástico saem facilmente, não sendo preciso demolhar. Na falta de melhor baqueta, certos pauzinhos finos curtos ou mesmo lápis, ou canetas gastas podem ser eficazes. Aí está uma razão para não deitar fora certas canetas gastas.

5. Cabos

Cabos de esfregona ou de vassoura que se partiu, canas de bambu, pauzinhos de diversos tipos que vão para o lume na aldeia podem dar origem a eficazes e belos instrumentos, clavas, reques, chincalhos, baquetas para tocar tambor.

6. Pedras

Há pedras com as quais se consegue belas melodias, em música tonal ou em estilo contemporâneo. Há rios e locais (Rio Paiva, na Espiunca, por exemplo) em que se encontram belas pedras para este efeito. Há também restos de xisto ou de mármore que podem dar origem a interessantes litofones de jardim ou utilizáveis na sala de aula. Para não furar mal a pedra, vá a um marmorista que furará com precisão sem estragar a pedra (o que poderá acontecer se usar máquinas de furar comuns).

7. Recipientes geométricos

Com perseverança, conseguirá reunir um vasto conjunto de recipientes em forma de sólido geométrico (de plástico) muito interessantes (esfera, oval, cilindro, paralelipípedo, cone, cubo).
Entre essas formas com excelente potencial para maracas bonitas e resistentes contam-se as esferas dadas em muitas máquinas que dão brinquedo quando se mete uma moeda, ou chocolates. A junção de uma tampa de certas tampas de detergente com outra de diâmetro ligeiramente menor faz o mesmo efeito e aumenta o colorido. Cola superforte é importante para que estes recipientes não se abram com frequência quando caem ao chão.

8. Tampas

As tampas de “spray” podem ser utilizadas para batucar com os dedos (indicador, médio e polegar), tal como as tampas em forma de dedal que encontramos em muitos detergentes. Estas podem também ser utilizadas para bater uma contra outra, ou contra tampas maiores, produzindo-se por vezes sons semelhantes ao de pingos de água, ou de estalidos com a língua.

Tampas largas de detergente de roupa, tipo copo, podem ser ótimas para jogos rítmicos em cima da mesa ou no chão, com as crianças sentadas em círculo com as pernas à chinês. Além do mais, já são coloridas e estão limpas, podendo-se com a ajuda de crianças e pais encontrar-se conjuntos da mesma para uma turma inteira.

9. Tubos

Com tubos de PVC resultantes de restauros e obras domésticas podem-se fazer instrumentos de percussão de altura definida. Tubos de diversos diâmetros que produzirão, conforme o comprimento, sons mais graves ou mais agudos. Agarrando na vertical e batendo o tubo na pedra, ou batendo com a mão na boca do tubo, ou utilizando uma baqueta de borracha (câmara de ar) podem obter-se resultados surpreendentes. Se quiser melhorar o aspeto do tubo, pinte-os com “sprays” apropriados que existem em lojas dos chineses, por exemplo.

10. Metal

Da construção de muros sobram ferros de verguinha. Por vezes, basta colocar um fio para segurar um quase triângulo e obter um fio de verguinha mais fino para bater. Se colocar uma borracha numa ponta do ferro pequeno para agarrar e percutir, tem um triângulo feito, auditivamente menos agressivo do que alguns que estão à venda.

II. Oficina

Tendo espaço, veja o que vale a pena reutilizar musicalmente:

  • cabo de madeira de faca
  • pauzinhos direitos
  • fios de pesca
  • cordéis
  • cabo de vassoura velha
  • tampas metálicas de sumo e de frascos
  • pequenos bocados de madeira
  • parafusos e pregos de tamanhos diferentes
  • testos de panela
  • arames de cobre
  • recipientes de iogurte resistentes
  • bonitos e práticos
  • areias e sementes duras
  • tachas
  • tecidos bonitos e balões
  • canas de bambu
  • beijinhos do mar
  • recipientes geométricos
  • pauzinhos chineses
  • pauzinhos de espetada
  • sacos de rede fina
  • latas
  • tubos cilíndricos de cartão forte
  • chaves inúteis
  • canetas gastas
  • bolas de ténis de mesa.

Antes de deitar fora esses materiais pense muitas vezes. Com serras de madeira e de metal, martelo, lixa, alicate, chave de fendas, sovela, fita adesiva, cola super-forte poderá fazer pequenos instrumentos robustos e muito interessantes.

António José Fereira

Esquilo comendo maçaroca

Rei da Selva

Esta musicatividade promove competências nas áreas do Português e do Estudo do Meio. Melhora a expressividade, a leitura e o ritmo. A criança pode praticar sozinha, mas será mais divertido se a realizar à maneira de jogo, com um primo, irmão, pai ou mãe.

Clica AQUI para aprenderes a melodia.

Entre os animais da selva
há um lobo a uivar;
será rei dos animais
quem melhor o imitar.

[ A criança imita o uivar do lobo: aú! ]

Entre os animais da selva
há um macaco a coçar;
será rei dos animais
quem melhor o imitar.

[ A criança coça-se. ]

Entre os animais da selva
há uma cobra a assobiar;
será rei dos animais
quem melhor a imitar.

[ A criança move-se e sibila como a cobra. ]

Entre os animais da selva
há um lagarto a rastejar.
Será rei dos animais
quem melhor o imitar.

[ A criança imita o andar rastejante do lagarto. ]

Entre os animais da selva
há uma hiena a gargalhar.
Será rei dos animais
quem melhor a imitar.

[ A criança dá uma gargalhada como a hiena ]

[ António José Ferreira ]

Musicatividades

1. Lê uma quadra.

2. Lê de dois em dois versos, e a quadra completa.

3. Canta com a melodia de “Estava na floresta um lobo a uivar” e imita cada animal referido.

Chita saltando

Ouve a melodia AQUI.

Animais que saltam

Salta o lobo e a raposa,
mais ainda o canguru.
Salta o gato, o leopardo,
salta a pulga. Saltas tu?

Raposa saltando

Salta a chita e o lemur,
salta o gerbo e o koala.
Salta o esquilo e a lebre.
Também salta a impala!

Lemur saltando

Salta a cabra da montanha
sem ter medo de arriscar.
Começou em pequenina
a dar saltos de brincar.

Cabra bebé saltando

Salta o puma e o macaco,
salta o tigre e o leão.
Salta a cabra e a gazela,
mas o elefante não.

Gazela saltando

[ António José Ferreira ]

Musicatividades

1. Lê o poema seguido.

2. Dos animais referidos, quantos conheces? Queres pesquisar os que te são desconhecidos?

3. Lê dois versos de cada vez, em andamento moderado; depois diz de cor (de memória). Lê cada quadra inteira; depois, di-la de cor.

Menino regando

Explora sons e sente a natureza

Nesta unidade, a criança toma consciência do meio sonoro em que vive, ouvindo e sentindo com o tacto (e recitando ou cantando).

1. Sons do meio

Conduza o seu filho para o local da casa onde pode ouvir sentir mais a natureza, brisa suave, abelhas a zunir, rolas, pardais e grilos a cantar. Carros a passar e cães a ladrar não é mas pode servir para a criança tomar consciência do meio.

Está na nossa horta
um pássaro a cantar.
Não quero assustá-lo
pois gosto de escutar.

É bom estar sentado
e a brisa a passar.
Havemos de ir à praia
quando o verão chegar!

O adulto canta com a melodia de “Estava na floresta”. A criança acompanha com gestos. O toque e a ação do adulto tem um papel tanto mais importante quando a criança tiver limitações em termos psicomotores.

2. Copos de água

Coloque três copos de vidro iguais em cima da mesa. Encha o primeiro, coloque água no segundo até um pouco mais de meio, deixe o terceiro vazio. Se possível, é a criança que o faz. Coloque-os à sua frente, um à frente do outro (cheio, meio, vazio). Pegue uma colher de pau e toque sabendo que estão por ordem do grave para o agudo. Crie melodias suaves para a criança, se ela não o conseguir fazer.

3. Pingue pongue

Na banca da cozinha, coloque uma bacia com água até meio. Ligue a torneira de modo que caia gota a gota. Ficam a ouvir o som das gotas e de que modo se alteram. Quando conseguir fazê-lo, a criança regula o fluxo da torneira de modo a pingar ou jorrar.

4. Sibilar de serpente

4. O adulto coloca arroz dentro de um frasco de iogurte vazio, ou outro recipiente. A criança sentirá a textura do arroz e, se possível, ajudará a colocar. A própria criança (ou o adulto) agitarão a maraca reciclada de modo a imitarem o som de uma serpente. (Se a criança tiver tendência para enroscar/desenroscar, coloque só dois ou três feijões.)

5. Canção de rega

Hoje está tão quente,
pega a regador.
Vai regar as plantas.
Rega, por favor.

Quando cai a chuva,
rega a minha flor.
Vou fazer um ramo
para o meu amor.

Cante com a melodia de “Rio Mira vai cheio”. Dê um regador à criança e ensine-a a regar uma planta. Ou regue com a mangueira e ajude o seu filho a sentir a frescura e o som da água a cair no solo ou contra uma superfície dura. Se tiver condições, ensine a criança a tirar ervas daninhas.

António José Ferreira

Gonçalo regando
Mar e búzio

O som da água

O som da água
quando a toco na bacia
faz-me sentir
uma secreta alegria.

O som da água
quando cai na banheira
faz relaxar
o meu corpo da canseira.

O som do mar,
quando recua e avança,
faz-me tentar
uma verdadeira dança.

O som da chuva,
quando cai no meu telhado,
faz-me pensar
como é bom estar deitado.

O som da neve,
quando avanço em cima dela
faz-me lembrar
que pode ser fria e bela.

[ António José Ferreira ]

Musicatividades

1. Coloca três copos de vidro iguais em cima da mesa. Enche o primeiro, põe água no segundo até um pouco mais de meio, deixa o terceiro vazio. Coloca-os à tua frente, um à frente do outro (cheio, meio, vazio). Pega uma colher de pau e toca sabendo que estão por ordem do grave para o agudo. Cria melodias suaves.

2. Na banca da cozinha, coloca uma bacia e põe água até meio. Liga a torneira de modo que caia gota a gota e ouve o som das gotas e de que modo se alteram.

3. Com a ajuda de um adulto, professor ou familiar, faz um pau de chuva e utiliza-o em introdução e conclusão do poema.

4. O adulto coloca arroz dentro de um frasco de iogurte vazio, ou outro recipiente. A criança sentirá a textura do arroz e, se possível, ajudará a colocar. A própria criança (ou o adulto) agitarão a maraca reciclada de modo a imitarem o som do mar, ondas mais fortes ou ondas mais fracas.

5. Acompanha com pulsação em quatro níveis corporais, um por cada verso, por exemplo: palmas, mãos no peito, mãos nas pernas, pés no chão.

[ Esta musicatividade pode ser realizada também no contexto de Música em Atividades de Enriquecimento Curricular ]

Mar e búzio
Mar e búzio
Punhos

Os “Jogos musicais em linha” podem realizar-se tanto de forma síncrona (através de plataformas de reunião), como em casa ou no recreio da escola. Alguns foram realizados via Zoom, em contexto de pandemia, em maio de 2020.

António José Ferreira

I. Em que mão se esconde o feijão?

Este jogo em pares desenvolve competências sociais, linguísticas e matemáticas. Basta um pequeno objeto que a criança ou adulto em jogo possa esconder na mão sem que se note onde está. Pode ser uma moeda, um feijão, um berlinde, entre outras coisas. A primeira criança agarra um desses objetos e coloca as mãos atrás das costas, passando de uma mão para a outra enquanto diz:

Vamos lá fazer um jogo
p’rà gente se divertir.
‘Stá na esquerda ou na direita?
É o deves descobrir!

Coloca as mãos à frente e o outro jogador diz (esquerda ou direita, do parceiro) ou aponta com o dedo. Se acertar ganha uma moeda, ou feijão, ou berlinde… e assim sucessivamente, jogando cada um com o seu objeto. Tratando-se de moedas de 5, 10, 20, 50 cêntimos, valoriza-se o desenvolvimento de competências na área da Matemática.

II. Quem descobre o instrumento?

Para este jogo é necessário que cada jogador tenha uma rolha de cortiça lavada. No caso de o jogo ser presencial, não se pode transmitir a rolha a ninguém. A criança ou adulto que está em jogo coloca a rolha na boca – o que dificultará a compreensão por parte dos outros jogadores – e diz um instrumento. O primeiro a descobrir ganha um chocolate imaginário. O outro jogador procede da mesma forma, e assim sucessivamente.

No caso de a criança ter necessidades educativas especiais, o jogo em pares, em casa, pode ajudá-la a fazer contagens e somas simples.

António José Ferreira

Criança abraça a mãe

Jogo de bola à mesa: criança com criança – ou criança com adulto – sentam-se frente a frente nas cabeceiras da mesa, tendo uma pequena bola. Têm perto da mesa um papel e uma caneta para anotar os resultados. Cada um faz a bola rolar em direção à cabeceira adversária. Se a bola cair pelos lados, o adversário ganha um ponto. O jogador que fizer a bola entrar na “baliza” contrária também marca um ponto. Quando um jogador chega aos 5 pontos, venceu o jogo. Aponta-se o resultado e dá-se início a mais um jogo.

António José Ferreira

“Família meu amor”: comemora o Dia Internacional da Família (15 de maio).

I. Um abraço faz-me feliz

Este é um poema/canção para os pais abraçarem, tocarem, massajarem, brincarem com a criança com (ou sem necessidades educativas especiais).

Canta usando a melodia em MIDI.

Um sorriso faz-me feliz.
Um sorriso te quero dar.
Eu sorrio e tu sorris.
Que bom ter-te para brincar.

Um sorriso!

Um abraço faz-me feliz,
um abraço te quero dar.
Eu te abraço e tu sorris.
Que bom ter-te para brincar.

Um sorriso!
Um abraço!

Uma bola faz-me feliz,
uma bola te quero dar.
Passo a bola e tu sorris.
Que bom ter-te para brincar.

Um sorriso!
Um abraço!
Uma bola!

Criança abraça a mãe
Criança abraça a mãe

II. “No médico”, teatrinho criativo

Ouve a melodia AQUI.

Tente cantar com a melodia, ou improvise com ritmo corporal (palmas e mãos nas pernas, por exemplo, marcando a pulsação de forma alternada). Depois de estar preparado o texto, realize como se estivesse a representar uma pequena peça, tendo como personagens, a criança, o pai ou a mãe, o médico ou médica. Se possível, o pai ou outro familiar pode fazer de conta que é o médico. Toca diferentes partes do corpo, enquanto o adulto que faz de pai ou mãe canta o refrão. Não havendo mais ninguém em casa, o adulto canta e toca nas diferentes partes do corpo, se a criança não o conseguir fazer.

Olá, boa tarde,
ó senhor Doutor.
Veja o meu filho:
está com uma dor.

Veja a cabeça!

Veja as orelhas.

Veja o pescoço!

Veja os braços!

Veja as mãos!

Veja o peito!

Veja as costas!

Veja a barriga!

Veja as pernas!

Veja os pés!

Crianças em idade pré-escolar e até ao 3º Ano de Escolaridade gostarão de realizar esta atividade. Pelas suas características, pode ser bem sucedida também com crianças portadoras de NEE.

III. Vamos ao cinema

O adulto e a(s) crianças vêem uma AQUI uma curta metragem. Se possível, a mãe ou o pai fazem pipocas, sentindo com o tacto, o olfato e o ouvido. Depois comem as pipocas enquanto assistem ao filme.

O Dia Internacional da Família ocorre todos os anos a 15 de maio. Pretende realçar:

  • “a importância da família na estrutura do núcleo familiar e o seu relevo na base da educação infantil;
  • reforçar a mensagem de união, amor, respeito e compreensão necessárias para o bom relacionamento de todos os elementos que compõem a família;
  • chamar a atenção da população para a importância da família como núcleo vital da sociedade e para seus direitos e responsabilidades;
  • sensibilizar e promover o conhecimento relacionado com as questões sociais, económicas e demográficas que afetam a família.”

Com ligeiras adaptações, estas propostas podem realizar-se em casa ou na Escola, no 1º Ciclo ou na Pré-Escola, em Atividades de Enriquecimento Curricular ou Oficina dos Sons Adaptada. Com leves adaptações, esta sessão acessível e inclusiva pode comemorar não só o Dia Internacional da Família mas também o Dia do Pai (19 de março), Dia da Mãe (1º domingo de maio) e Dia Mundial dos Avós (26 de julho).

António José Ferreira
Copos para jogos

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I. Cuido da alimentação

A atividade promove alimentação saudável, competências vocais e coordenação motora.

Oiça aqui a melodia em MIDI.

Cuida sempre da alimentação.
Doces? Com moderação.
Aos salgados, tu dizes que não:
Fazem mal ao coração.

Come sopa de couve ou feijão,
de espinafre ou agrião.
Come coco, laranja, mamão,
Melancia e melão.

Musicatividades

1. O adulto diz dois versos de cada vez, em andamento moderado, e a criança repete.

2. Diz uma quadra toda e a criança repete.

Acompanham com a ponta dos dedos da mão direita (exceto polegar) na beira da mesa e, em simultâneo o pé direito no chão; alternando com mão esquerda/pé esquerdo da mesma forma.

II. Bebo um copo

A atividade pode realizar-se tanto em casa como na escola. Pode fazer-se com um copo de plástico, ou uma tampa reciclada de amaciador da roupa. Promove a coordenação motora e competências nas áreas do Português e da Música.

Oiça aqui a melodia em MIDI.

Bebo um copo,
Bebo outro.
Está calor,
Sabe-me a pouco.

Bebo água
Amiúde
É tão bom
para a saúde!

Musicatividades

1. Criança e adulto (ou duas crianças) estão sentadas à mesa. Um deles tem à sua frente um pequeno copo. (Ao início, é mais simples fazerem com um só copo).

2. Um agarra e passa, o outro agarra e passa, de forma regular, mecânica, sem perder a pulsação, sempre na mesma velocidade (andamento). Primeiro, aprendem a passar. Para ajudar, o adulto diz: agarra e passa, gar pas.

3. Depois dizem as rimas. O adulto reforça que beber água faz bem à saúde. Quando a criança já consegue dizer (ou cantar) o texto e passar corretamente o copo, juntam-se as duas atividades.

III. Um, dois, feijão com arroz

A atividade desenvolve competências vocais, rítmicas, linguísticas e matemáticas.

Oiça aqui a melodia em MIDI.

Um, dois,
feijão com arroz.
Três, quatro,
salmão para o prato.
Cinco, seis,
bem comem os reis.
Sete, oito,
comemos biscoito.
Nove, dez,
tomamos cafés.

Musicatividades

1. O adulto diz cada dueto e a criança repete.

2. O adulto diz os números (um, dois, por exemplo) e a criança responde com a rima respetiva.

3. Depois dizem a lengalenga completa.

4. Praticam a percussão na mesa, com 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 dedos na beira da mesa.

5. Criança e adulto estão sentados à mesa à uma distância adequada para percutirem com os dedos na beira da mesa.

6. De acordo com a lengalenga, percutem com 1, 2 dedos; depois 3, 4; depois 5, 6; depois 7, 8; depois 9, 10 dedos, completando com todos os dedos.

[ António José Ferreira ]