José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também diretor de coros e compositor de cânticos litúrgicos.
ENTREVISTA
Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?
O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…
Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?
Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).
Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?
Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.
Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.
O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…
Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”
Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?
Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).
Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…
Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?
Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.
Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…
Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?
Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.
No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…
Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.
Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.
A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.
Qual foi a maior deceção na sua vida?
Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…
A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”
Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”
Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?
Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…
Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…
Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?
Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…
Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa Ludwig… Monserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…
Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?
Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço…
Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta…
Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.
Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980). Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.
Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!
E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?
Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…
O que pensa do papel da música na Igreja?
Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.
Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.
Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.
O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).
E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.
Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?
J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris… Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).
E muito, muito mais, obviamente.
O que o levou a colecionar livros e discos?
Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:
a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;
a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;
a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;
o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;
o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;
os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;
o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);
e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…
Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…
Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.
Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?
Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…
Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.
Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.
Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…
A cana verde no mar Anda à roda do vapor; Ainda está p’ra nascer Quem há-de ser meu amor.
A roupa do marinheiro Não é lavada no rio: É lavada no mar-alto À sombra do seu navio.
À sombra do seu navio, À sombra do seu vapor; Não é lavada no rio A roupa do meu amor.
O meu amor foi-se embora Sem se despedir de mim; Que o mar se transforme em rosas E o seu barco num jardim.
A roupa do marinheiro Não é lavada no rio: É lavada no mar-alto À sombra do seu navio.
À sombra do seu navio, À sombra do seu vapor.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Afonso Dias com Teresa Silva Primeira versão de Afonso Dias, com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016)
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
A saia da Carolina
A saia da Carolina Tem um lagarto pintado; Quando a Carolina baila O lagarto dá ao rabo.
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
A Carolina é uma tola Que tudo faz ao revés: Veste-se pela cabeça E veste-se pelos pés.
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
O senhor cura nos baila Porque tem uma coroa. Baile, senhor cura, baile Que Deus tudo lhe perdoa!
Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor. Diz-me com quem bailaste? Bailei com o meu amor.
Bailei com o meu amor, Bailei com o meu amor. Bailaste, Carolina? Bailei, sim senhor.
Letra e música: Tradicional galaico-portuguesa Intérprete: Arrefole (in CD “Veículo Climatizado”, Açor/Emiliano Toste, 2006)
As sete mulheres do Minho
As sete mulheres do Minho, mulheres de grande valor armadas de fuso e roca correram com o regedor.
Essa mulher lá do Minho que da foice fez espada há-de ter na lusa história uma página doirada.
Viva a Maria da Fonte com as pistolas na mão para matar os Cabrais que são falsos à nação.
Letra: Popular Música: José Afonso Intérprete: Erva de Cheiro (in CD “Que Viva o Zeca”, 2007) Versão original: José Afonso (in “Fura Fura”, 1979)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Entre sombras misteriosas
[ Havemos de ir a Viana ]
Intérprete: Cuca Roseta
https://www.youtube.com/watch?v=FK-viRKqsKI
Flecha
Bate, bate, coração, Como um comboio a vapor! Vou de comboio a Monção P’ra falar ao meu amor.
Na vidraça Tudo passa; Pouca terra, terra vai, ó ai! Entra a saca, Sai a vaca, Dorme a filha, fuma o pai, ó ai!
Voa, Flecha, voa! Companheiro do rio Minho, Por terras de verde vinho Flecha vai.
O meu amor vai lá estar, Combinámos na estação; Lá vai o Flecha a apitar A caminho de Monção.
Na vidraça Tudo passa; Pouca terra, terra vai, ó ai! Entra a saca, Sai a vaca, Dorme a filha, fuma o pai, ó ai!
Voa, Flecha, voa! Companheiro do rio Minho, Por terras de verde vinho Flecha vai.
Com a força do calor Ou com um frio de rachar, Vou de Monção a Valença Até Caminha ver o mar.
Na vidraça Tudo passa; Pouca terra, terra vai, ó ai! Entra a saca, Sai a vaca, Dorme a filha, fuma o pai, ó ai!
Voa, Flecha, voa! Companheiro do rio Minho, Por terras de verde vinho Flecha vai.
Letra e música: Carlos Guerreiro Arranjo: Carlos Guerreiro Intérprete: Gaiteiros de Lisboa Versão original: Gaiteiros de Lisboa com Segue-me à Capela (in CD “Bestiário”, Uguru, 2019)
Nota: «Tema composto para um espectáculo de comemoração do centenário do comboio Flecha, que uniu Valença do Minho a Monção, organizado pela Câmara Municipal de Monção.» (Carlos Guerreiro)
Rio Minho
Meninas, vamos ao Vira
[ Vira do Minho ]
Intérprete: Cuca Roseta
https://www.youtube.com/watch?v=M3pZ5kE2D8o
Oh! Eh!
[ Cantilenas da Pedra ]
Oh! Eh! Oh! Eh! Oh! Oh! E oh pedrinha, oh!
Oh! Eh! Oh! Eh! Oh! Oh! E oh vira lá, oh!
Oh! Eh! Oh! Eh! Oh! Oh! Anda penedo, oh!
Oh pedra, oh! Minha roladeira, opa! Rola bem, pedra, vai-te! Que eu te empurro, opa!
Oh pedra, oh! Rola bem o teu leito! Rola bem ao meu mando Que eu te empurro com jeito!
Oh pedra, oh! Esta é a nossa surriba! Oh pedra, opa! Vai-te pelo monte arriba!
Oh pedra, oh! Minha menina, opa! Atrás do rapazote, Quem te afina? Opa!
Oh pedra, oh! Gosto do entremês! Oh pedra, opa! Gira mais uma vez!
Oh! Eh! Oh! Eh!
Letra e música: Tradicional (Horto, Póvoa de Lanhoso, Minho) Recolha: Michel Giacometti (“Cantilena de Pedreiro”, in LP “Minho”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1963; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 1 – Minho, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 2 – Minho, col. Portugal Som, Numérica, 2008) / Michel Giacometti (in série documental “Povo Que Canta”, ep. “Canto de Trabalho na Pedreira”, RTP-1, 11 Nov. 1973 Intérprete: Ai! (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015) Outra versão com César Prata: César Prata – “Cantilena de Pedreiro” / vozes de Cândido Alpendre e Edite Santos (in CD “Futuras Instalações”, César Prata/RequeRec, 2014)
Este linho é mourisco
[(Cantiga para maçar o linho)]
Este linho é mourisco, a fita dele namora. Quem daqui não tem amores tire o chapéu, vá-se embora!
Ai larila, ai lolela, ai lolela, ai meu bem! Regala-te, ó meu amor, regala-te e passa bem!
Ó minha mãe dos trabalhos, para quem trabalho eu? Trabalho, mato o meu corpo, não tenho nada de meu.
Ai larila, ai lolela, ai lolela, ai meu bem! Regala-te, ó meu amor, regala-te e passa bem!
Este linho é mourisco, Este linho é mourisco, Este linho é mourisco, Este linho…
Mondadeiras lá de baixo, maçai o meu linho bem! Não olheis para a portela, que a merenda logo vem!
Ai larila, ai lolela, ai lolela, ai meu bem! Regala-te, ó meu amor, regala-te e passa… passa bem!
Letra e música: Tradicional (Póvoa de Lanhoso, Minho) Recolha: Gonçalo Sampaio (1890-1925, in “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 139) Intérprete: Canto Ondo (in CD “Entre o Alto do Peito e as Campainhas da Garganta”, A Monda – Associação Cultural/Canto Ondo, 2016)
Já no céu não há estrelas
[ A Manhã Vai Rindo ]
Já no céu não há estrelas Senão uma ao pé da Lua; Nem há no mundo que eu saiba Cara mais linda que a tua.
O Sol prometeu à Lua Uma fita de mil cores: Quando o Sol promete prendas, Que fará quem tem amores.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
As estrelas pequeninas Fazem o céu bem composto; Assim são os sinais pretos, Menina, nesse teu rosto.
O Sol é a caixa d’ouro, A Lua é a fechadura; As estrelas são a chave Que fecham minha ventura.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
Se os campos todos falassem, Que diriam os rochedos? Então se descobririam Nossos primeiros segredos.
Se estas árvores falassem, Qualquer delas te diria Que a cantar por ti chamava, Que a chorar por ti vivia.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
Os corações não se vendem, São coisas de alto valor: Não se vendem por dinheiro, Rendem-se à força do amor.
Já no céu não há estrelas Senão uma ao pé da Lua; Nem há no mundo que eu saiba Cara mais linda que a tua.
Vamos seguindo Por esses campos fora, Que a manhã vai rindo Nos lábios da aurora.
Letra e música: Popular (recolhida em Carvalhais de Gondolim, em 1892) (in “Cancioneiro de Músicas Populares”, Vol. I, de César das Neves e Gualdino de Campos, Porto: Empresa Editora César, Campos & C.ª, 1893 – p. 29) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
Meninas, vamos ao vira
[ Vira do Minho ]
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa boa! Eu já vi dançar o vira (ó ai) Às meninas de Lisboa.
O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar. O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar.
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa linda! Eu já vi dançar o vira (ó ai) às meninas de Coimbra.
O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar. O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar.
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa bela! Eu já vi dançar o vira (ó ai) às meninas de Palmela.
O vira que vira, o vira virou! As voltas do vira são eu quem as dou. O vira que vira, o vira virou! As voltas do vira são eu quem as dou.
Meninas, vamos ao vira (ó ai) que o vira é coisa boa! Eu já vi dançar o vira (ó ai) às meninas de Lisboa.
O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar. O vira que vira e torna a virar! As voltas do vira são boas de dar.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Karrossel (in CD “Karrossel”, Karrossel/MU – Associação Cultural, 2014)
Negrinha, minha negrinha
Negrinha, minha negrinha, Ó negrinha, Coletinho de fustão, Trá-lo bem apertadinho, Ó negrinha, Que te aperte o coração!
Os teus olhos negros, negros, Ó negrinha, São gentios da Guiné; Gentios por serem falsos, Ó negrinha, Falsos por não terem fé.
Eu gosto da cor morena, Ó negrinha, Que mimosa me arrebata; Essa cor é tão faceira, Ó negrinha, Mulatinha, que me mata.
Eu gosto desses teus olhos, Ó negrinha, Se p’ra mim os queres volver; Esses olhos luminosos, Ó negrinha, Dizem sim até morrer.
Letra e música: Popular (Minho) (in “Cancioneiro Minhoto”, de Gonçalo Sampaio, 1940) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
Ó meu amor, se tu queres
[ Penas Tem Quem Tem Amores ]
Ó meu amor, se tu queres Que a minha alma seja tua, Dá passadas, perde o teu tempo Se é teu gosto, mas continua!
O meu pouco vale muito, O teu muito vale nada: Mesmo sendo eu pobrezinha, Sou para ti mal empregada.
Penas tem quem tem amores, Penas tem quem os não tem: É certo que cá neste mundo Sem ter penas não há ninguém.
Se os passarinhos vendessem As penas que Deus lhes deu, Também eu venderia as minhas Que ninguém as tem mais que eu.
Letra: Popular (Minho) Música: Sílvio Pleno Intérprete: Tereza Tarouca* (in LP “Folclore”, RCA Victor, 1975; 2LP “Álbum de Recordações”: LP 2, Polydor/PolyGram, 1985; CD “Temas de Ouro da Música Portuguesa”, Polydor/PolyGram, 1992)
Ó minha caninha verde
Ó minha caninha verde, Verde caninha madura: Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Tu és minha… Tu és minha tão-somente, Ninguém mais… Ninguém mais te dirá sua.
Ó i ó ai, ninguém mais te dirá sua, Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Ó minha caninha verde, Verde cana de encantar, Aqui estou à tua beira: Quem está bem, deixa-se estar.
Aqui estou… Aqui estou à tua beira: Quem está bem… Quem está bem, deixa-se estar.
Ó i ó ai, ninguém mais te dirá sua, Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Ó minha caninha verde, Verde caninha em botão: Aqui estou à tua beira, Prenda do meu coração.
Aqui estou… Aqui estou à tua beira, Prenda do… Prenda do meu coração.
Ó i ó ai, ninguém mais te dirá sua, Tu és minha tão-somente, Ninguém mais te dirá sua.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Ó minha Rosinha
Ó minha Rosinha, Eu hei-de te amar De dia ao sol, De noite ao luar!
De noite ao luar, De noite ao luar; Ó minha Rosinha, Eu hei-de te amar!
Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela! Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela!
Ó minha Rosinha, Eu hei-de, hei-de ir Jurar a verdade! Eu não sei mentir.
Eu não sei mentir, Eu não sei mentir; Ó minha Rosinha, Eu hei-de, hei-de ir!
Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela! Ai ó ai ó larilolai, ai ó ai ó larilolela!
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Karrossel (in CD “Karrossel”, Karrossel/MU – Associação Cultural, 2014)
Ó rosa, ó linda rosa
[ Rosa de Alexandria ]
Ó rosa, ó linda rosa, Ó rosa de Alexandria, Eras a mais linda rosa Que andava na romaria!
Ó rosa, ó linda rosa, Ó rosa da Oliveira, Eras a mais linda rosa Que andava na brincadeira!
Ó rosa, ó linda rosa, Bela rosa em botão, Eras a mais linda rosa Que andava na bailação!
Ó rosa, ó linda rosa, Ó rosa tão bela assim, Eras a mais linda rosa Que nasceu nalgum jardim!
Eras a mais linda rosa Que nasceu nalgum jardim!
Letra e música: Popular (Minho) (in “Cancioneiro Minhoto”, de Gonçalo Sampaio, 1940) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
O Sete-Estrelo vai alto
O Sete-Estrelo vai alto, Mais alto vai o luar; Mais alta vai a fortuna Que Deus tem para me dar.
Ai leva arriba, Que Deus tem para me dar.
O Sete-Estrelo caiu Numa pocinha do chão; Que com saudades de ti Chorou o meu coração.
Ai leva arriba, Chorou o meu coração.
O Sol é a porta do céu, A Lua é a fechadura; As estrelas são as chaves Com que fecha a noite escura.
Ai leva arriba, Com que fecha a noite escura.
Ai leva arriba, Com que fecha a noite escura.
Letra e música: Popular (Minho) (in “Cancioneiro Minhoto”, de Gonçalo Sampaio, 1940) Intérprete: Caminhos da Romaria (in CD “Doce Amanhecer”, Açor/Emiliano Toste, 2008)
Quem fora o oiro que levas
[ O Verde do Minho ]
Quem fora o oiro que levas Quem fora o oiro que levas No preto do teu corpete Quem fora o oiro que levas Até o sol brilha nas trevas E não é do vinho verde
Bailei o vira contigo Bailei o vira contigo Bailei tanto, deu-me sede Pedi-te um beijo mendigo Pedi-te um beijo mendigo Só me deste vinho verde
Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho.
Olhai esta malga e vede Olhai esta malga e vede Ingénuas meiguices loucas A malga do vinho verde Olhai esta malga e vede Bebida por duas bocas
Verde terra, verde vinho Verde terra, verde vinho No teu corpo de menina Teus lábios são alvarinho Teus lábios são alvarinho Os teus olhos verde sina
Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho.
Vinho verde, verde Minho Vinho verde, verde Minho Verdes serras, verdes campos Quando pisas o caminho Quando pisas o caminho Até vejo pirilampos
Céu azul do verde Minho Céu azul do verde Minho Ó trlim tim tim do malhão Vinho verde, verde vinho Céu azul do verde Minho Só paixão, paixão, paixão
Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Ó malhão, malhão, Qual é o bom vinho? Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho. Olha que pergunta! Ó trlim tim tim, O verde do Minho.
Letra: Vasco Pereira da Costa Música: Carlos Alberto Moniz Intérprete: Carlos Alberto Moniz Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD “O Vinho dos Poetas”: CD 1, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)
São João perdeu
São João perdeu, perdeu… Ai São João que perderia? Perdeu o lenço da mão Ai, ai à vinda da romaria.
São João, se bem soubera Ai quando era o seu dia, Descia do Céu à Terra Ai com prazer e alegria.
Letra e música: Tradicional (Ponte de Lima, Minho) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Tenho um amor em Viana
[ Vira de Viana ]
Tenho um amor em Viana, Ai, tenho outro em Ponte de Lima: O de Viana não presta, Ai, o outro é coisa fina.
Meu amor disse que vinha Ai, antes que a Lua viesse. A Lua já aí vem, Ai, meu amor não aparece.
Se quereis que eu cante agora Ai, dai-me vinho ou dinheiro, Que a minha gargantinha Ai, não é fole de ferreiro.
Já lá em baixo vem a noite, Ai, já lá vem minha alegria Para ver o meu amor Ai, que eu já não posso de dia.
Letra e música: Tradicional (Minho) Intérprete: Real Companhia (in CD “Orgulhosamente Nós!”, Lusogram, 2000)
Viana do Castelo (Santa Luzia)
Uma pêra
Uma pêra, duas pêras, Três pêras no ramalhinho; Uma é minha, outra é tua, Outra é do meu amorzinho.
A folha do castanheiro Tem biquinhos como a renda; Quem tem um amor bonito Não pode ter melhor prenda.
Adeus, que me vou embora, Já me parece que é bem, Que o muito cantar enfada E o pouco parece bem.
Letra e música: Tradicional (Ponte de Lima, Minho) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
https://www.Meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/folclore-de-viana_traje-de-afife.jpg400400António Ferreirahttps://www.Meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-Meloteca-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:25:582024-11-02 06:58:13Canções do Minho
Loja Meloteca, recursos criativos para musicalização infantil
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos.
Adeus, malvas
[ O Triste ]
Adeus, malvas… Adeus, malvas… Adeus, malvas do Rossio! Tarde ou nun… Tarde ou nunca as pisarei.
Adeus, moças… Adeus, moças… Adeus, moças do meu tempo! Tarde ou nun… Tarde ou nunca voltarei.
Ó Triste, ó Triste, Ó Triste, três vezes triste! Ó Triste, ó Triste, P’ra onde irá?
O rico… O rico… O rico se compadeça Da desgra… Da desgraça do Zé Brás.
A desgraça… A desgraça… A desgraça do Zé Brás Foi a mor… Foi a morte do Paneiro.
Com um lenço… Com um lenço… Com um lenço se enforcou Às grades… Às grades do Limoeiro.
Ainda trago um gosto a trigo
[ Toada do Alentejo ]
Ainda trago um gosto a trigo atrás de mim Que se me agarrou à alma ao nascer Sou como um carreiro longe de ter fim Como quem ceifou searas sem saber
Sou lá de onde ninguém fala, das marés De onde o horizonte queima o olhar Por paixão ainda trago a arder nos pés O calor de uma seara por cortar
Já cantei desde a nascente até à hora do sol-pôr Já naveguei nas ribeiras ao luar Ai Alentejo quem te amou não te esqueceu Inda se ouvem os teus ecos nas cantilenas do sol
O sol deu-me histórias velhas p’ra contar Que eu guardei de manhãzinha ao pé dum rio Em Janeiro roubei mantas ao luar E a um pastor roubei um tarro e um assobio
Já corri atrás dos corvos Já me escondi nos trigais Ouvi rolas nos sobreiros a arrulhar Ai Alentejo quem te amou não te esqueceu Inda se ouvem os teus ecos cada vez que a lua cai
Letra e música: Sebastião Antunes Arranjo: Gonçalo Pratas Intérprete: Sebastião Antunes* com Pedro Mestre (in CD “Singular”, Sebastião Antunes & Quadrilha/Alain Vachier Music Editions, 2017) Versão original: Quadrilha (in CD “Quarto Crescente”, Vachier & Associados/Ovação, 1999; CD “Lembranças do Meu Alentejo” (compilação), Ovação, 2012)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Algum dia eu era
[ Erva-Cidreira ]
Algum dia eu era, E agora já não, Da tua roseira O melhor botão.
Ó erva-cidreira Que estás no alpendre, Quanto mais se rega Mais a folha pende.
Mais a folha pende, Mais a rosa cheira; Que ‘tás no alpendre, Ó erva-cidreira.
Os olhos que olham P’ró chão de repente, Esses é que são Os que enganam a gente.
Ó erva-cidreira Que estás no alpendre, Quanto mais se rega Mais a folha pende.
Mais a folha pende, Mais a rosa cheira; Que ‘tás no alpendre, Ó erva-cidreira.
Letra e música: Popular (Alentejo) Arranjo: Monda e Ruben Alves Intérprete: Monda (in CD “Monda”, Monda/Tánaforja, 2016)
Anda cá
[ Pombinha Branca ]
Anda cá, se tu queres ver! Verás o que ainda não viste: Verás dois olhos alegres Chorando lágrimas tristes.
Oh minha pombinha branca, Onde queres, amor, que eu vá? É de noite, faz escuro, Eu sozinho não vou lá.
Eu sozinho não vou lá, Eu sozinho lá não vou; Oh minha pombinha branca, P’ra te amar inda aqui estou.
No quarto aonde eu durmo Tudo são penas voando: Umas causadas por mim, Outras estás-mas tu causando.
Oh minha pombinha branca, Onde queres, amor, que eu vá? É de noite, faz escuro, Eu sozinho não vou lá.
Eu sozinho não vou lá, Eu sozinho lá não vou; Oh minha pombinha branca, P’ra te amar inda aqui estou.
Letra e música: Tradicional do Baixo Alentejo (aprendida com o grupo Modas à Margem do Tempo, em Évora) Arranjo: Celina da Piedade e músicos participantes Intérprete: Celina da Piedade (in 2CD “Em Casa”: CD1, Celina da Piedade/Melopeia, 2012)
Anda cá, José se queres
Anda cá, José se queres a tua roupa lavada, ai, paga a uma lavadeira qu’eu não sou tua criada.
Qu’eu não sou tua criada, qu’eu não sou criada tua. Ai, Ó José se me não queres, ai, põe o chapéu, vai prá rua.
Põe o chapéu, vai prá rua, põe o chapéu, vai prá estrada. Ai, anda cá, José se queres ai, a tua roupa lavada.
(Popular – Alentejo)
Aqui ninguém tem trabalho
[ Terra de Catarina (Baleizão, Baleizão)]
Aqui ninguém tem trabalho E há muito para fazer: Vieram de toda a parte, Não tinham pão p’ra comer.
Ó Baleizão, Baleizão! Ó terra de Catarina, Onde nasceu e morreu Por uma bala assassina, Por uma bala assassina Cravada no coração; Ó terra de Catarina! Ó Baleizão, Baleizão!
Tinha no peito a coragem, Trazia os filhos na mão; Ó terra de Catarina! Ó Baleizão, Baleizão!
Ó Baleizão, Baleizão!
Ó terra de Catarina, Onde nasceu e morreu Por uma bala assassina, Por uma bala assassina Cravada no coração; Ó terra de Catarina! Ó Baleizão, Baleizão!
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
A ribeira quando enche
A ribeira quando enche Leva o junco acamado Traz-me tu em teu sentido Que eu te trago em meu cuidado
A ribeira quando enche Vai de pedrinha em pedrinha O homem que leva a barca Leva seu bem na barquinha
Leva seu bem na barquinha Inda lhe digo outra vez Quem namora sempre alcança Um beijinho, dois ou três
Dizem que a folha do trigo É maior que a da cevada Também a minha amizade Ao pé da tua é dobrada
(Popular – Alentejo)
Acorda se estás dormindo
[ Janeiras de Évora ]
(Chegada à porta)
Acorda se estás dormindo Nesse sono tão profundo, Às portas te estão pedindo P’rás almas do outro mundo.
E as almas do outro mundo Batem aos vossos portados, Acorda se queres ouvir Das almas os tristes brados.
Tristes brados dão as almas Isto é tudo bem certo, P’ra quem vive arrependido Está o sacramento aberto.
As almas do outro mundo, Elas te mandam pedir, Que lhes leves as esmolas Q’elas não podem cá vir.
(Despedida)
E as esmolas que vós destes, Se as destes com devoção, Na terra terás o prémio Lá no céu a salvação.
Letra e música: Popular (Alto Alentejo) Recolha: Fernando Costa (em Évora, junto da Sra. Helena Jesus Grilo) Intérprete: Roda Pé (in CD “Escarpados Caminhos”, public-art, 2004)
Adeus, Maria
— «Adeus, Maria, até quando, Eu até quando não sei; Cá ando no Ultramar, a pensar No dia em que voltarei.
Espera por mim, se quiseres… Faz o que tu entenderes; Acho que deves pensar em casar, Eu posso por cá morrer.
Ninguém o pode saber, É uma carta fechada… E depois te chamarão, pois então, Viúva sem seres casada.»
— «Ó António, Deus te guie Nos campos do Ultramar! Eu penso em ti, cá solteira, há quem queira Se tu nunca mais voltares.
Espero por ti, meu amor, Eu d’outro não quero ser! Nunca mais me casarei, que eu bem sei, Serei tua até morrer!
A carta que me mandaste Com um conselho imprudente… Meu amor, para contigo eu te digo: ‘Inda fiquei mais ardente.»
Meu amor, para contigo eu te digo: ‘Inda fiquei mais ardente.»
Letra: António Pardelha Música: Monda Intérprete: Monda Versão original: Monda com Katia Guerreiro (in CD “Monda”, Monda/TáNaForja, 2016)
Ao passar a ribeirinha
[ Água Sobe, Água Desce ]
Ao passar a ribeirinha, Água sobe, água desce; Dei a mão ao meu amor Antes que ninguém soubesse.
Se tu és o meu amor, Dá-me cá abraços teus! Se não és o meu amor, Saúdinha, adeus, adeus!
À frente do amor, Brincas tu, brincarei eu; Anda cá para meus braços! Ninguém te quer mais do que eu.
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Intérprete: Aqui Há Baile (in CD “Caderno de Danças do Alentejo – adaptações”, Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)
Ao romper da bela aurora
Ao romper da bela aurora Sai o pastor da choupana Vem gritando em altas vozes Muito padece quem ama
Muito padece quem ama Mais padece quem adora Sai o pastor da choupana Ao romper da bela aurora
Toda a vida fui pastor Toda a vida guardei gado Tenho uma nódoa no peito De me encostar ao cajado
Ao romper da bela aurora Sai o pastor da choupana Vem gritando em altas vozes Muito padece quem ama
Muito padece quem ama Mais padece quem adora Sai o pastor da choupana Ao romper da bela aurora
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Ganhões de Castro Verde (in CD “É Tão Grande o Alentejo”, ACA “Os Ganhões”, 1997)
Aqui onde canto e ardo
[ Passarinho da charneca ]
Aqui onde canto e ardo entre papoulas e cardo. Sete palmos de charneca são o tamanho de um home medido em anos de fome, pesado em anos de seca, esquecido que teve nome e que, sendo a morte certa, vida desta não é d’home, vida desta não é d’home, passarinho da charneca.
Passarinho da charneca entrou na gaiola aberta. Já tem os olhos cegados para que cante melhor que o dono não é cantor. Traz os colmilhos cerrados vontades de mandador e porque é dos mal mandados julga assim mandar melhor nos que lhe estão sujeitados, passarinho da charneca.
Criei o corpo comendo desta terra da charneca ao entrar na cova aberta. Só estou pagando o que devo, eu sou devedor à terra. A terra me está devendo, a terra me está devendo. A terra paga-me em vida, Eu pago à terra em morrendo, eu pago à terra em morrendo, passarinho da charneca.
Letra: Tradicional – Alentejo / João Pedro Grabato Dias Música: Amélia Muge Intérprete: Amélia Muge (in CD “Todos os Dias”, Columbia/Sony, 1994)
Às vezes me ponho eu
[ A Vila de Castro Verde ]
Às vezes me ponho eu Na minha vida a pensar: Quem eu era, quem eu sou, Ao que eu havia de chegar!
A vila de Castro Verde És uma estrela brilhante: Como ela outra não há, És a mesma que eras dantes.
És a mesma que eras dantes Desta vila aproximada; És uma estrela brilhante Que está na História gravada.
Ó coração, não te assustes! Quando ouvires cantar bem, Entra e pede licença Para cantares também!
A vila de Castro Verde És uma estrela brilhante: Como ela outra não há, És a mesma que eras dantes.
És a mesma que eras dantes Desta vila aproximada; És uma estrela brilhante Que está na História gravada.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “Modas”, Robi Droli, 1994; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD1, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
As vozes da minha fala
[ Portel Estás Satisfeito ]
As vozes da minha fala, Como eram já não são: Fazem a mesma diferença Que o Inverno faz do Verão.
Portel estás satisfeito Em ver teus filhos brilhar, E até choras de contente Em os ouvindo cantar.
Minha fala é baixinha, Não a posso alevantar; E mesmo assim, sendo baixinha, Já m’a quiseram comprar.
Portel estás satisfeito Em ver teus filhos brilhar, E até choras de contente Em os ouvindo cantar.
Em os ouvindo cantar Até bate a mão no peito; Em ver teus filhos brilhar Portel estás satisfeito.
Brota a água
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
A ciência que o mar tem Não tem nada de pasmar: Não há regato nem rio Que ao mar não vá parar.
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
Brota a água da pedra bruta: Sua luta, labuta, De tudo dessedentar; Ganha altura, desmesura De tanto querer ser mar.
Corre campos, cria formas Que nem ousara sonhar; Dança ritmos, canta trovas Antes de chegar ao mar.
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre com Janita Salomé (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre com Janita Salomé (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Caminhos do Alentejo
Caminhos do Alentejo. Terra bravia de fomes com piteiras aceradas como pontas de navalhas em esperas de encruzilhadas! Caminhos do Alentejo. Desde valados e sebes, searas, vilas, aldeias e chuvas e descampados — caminhos do Alentejo desde menino vos piso!
Poema: Manuel da Fonseca (excerto inicial da parte I de “Para um poema a Florbela”) Música: Paulo Ribeiro Arranjo: Jorge Moniz Intérprete: Paulo Ribeiro Versão original: Paulo Ribeiro com Vitorino (in CD “O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis”, Açor/Emiliano Toste, 2017)
Campaniça do despique
Campaniça do despique, Na venda e bailes de roda: Dedilhando o improviso Ou trauteando uma moda.
Na rua do velho monte, Com as moças a bailar Os passos simples duma dança E a viola a dedilhar.
Nas feiras e romarias, Na serra e no alambique, Na venda e bailes de roda: Campaniça do despique.
O tocador da viola É feio mas toca bem; Se não casar por a prenda, Formosura não a tem!
Campaniça do despique, Na venda e bailes de roda: Dedilhando o improviso, Ou trauteando uma moda.
Na rua do velho monte, Com as moças a bailar Os passos simples duma dança E a viola a dedilhar.
Nas feiras e romarias, Na serra e no alambique, Na venda e bailes de roda: Campaniça do despique.
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Canta alentejano
Canta alentejano, canta, o teu canto é oração, tens a alma na garganta solidão, ai não, ai não!
Solidão, ai não, ai não! Quem canta, seu mal espanta. O teu canto é oração: canta, alentejano, canta!
Eu gosto muito de ouvir cantar a quem aprendeu. Houvera quem me ensinara, quem aprendia era eu!
Popular alentejano
Chamava-se Catarina
Em Memória de uma Camponesa Assassinada – Cantar Alentejano
Chamava-se Catarina, O Alentejo a viu nascer; Serranas viram-na em vida, Baleizão a viu morrer.
Ceifeiras na manhã fria Flores na campa lhe vão pôr; Ficou vermelha a campina Do sangue que então brotou.
Acalma o furor, campina, Que o teu pranto não findou! Quem viu morrer Catarina Não perdoa a quem matou.
Aquela pomba tão branca Todos a querem p’ra si; Ó Alentejo queimado, Ninguém se lembra de ti!
Aquela andorinha negra Bate as asas p’ra voar; Ó Alentejo esquecido, Inda um dia hás-de cantar!
Letra: António Vicente Campinas Música: Carlos Paredes (“Em Memória de uma Camponesa Assassinada”) e José Afonso (“Cantar Alentejano”) Intérprete: Mariana Abrunheiro com o Grupo Coral “Estrelas do Sul” de Portel (in Livro/CD “Cantar Paredes”, Mariana Abrunheiro/BOCA – Palavras Que Alimentam, 2015) Versão original (“Em Memória de uma Camponesa Assassinada”): Carlos Paredes (1973) (in CD “Na Corrente”, EMI-VC, 1996, Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007; Livro/4CD “O Mundo Segundo Carlos Paredes: Integral 1958-1993”: CD3 – “Danças”, EMI-VC, 2003) Versão original (“Cantar Alentejano”): José Afonso (in LP “Cantigas do Maio”, Orfeu, 1971, 1982, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art’Orfeu Media, 2012)
Como podem ser iguais
[ Só Uma Pena Me Existe ]
[Cantiga:] Como podem ser iguais Os dedos das nossas mãos, Se há filhos dos mesmos pais Que não parecem irmãos?
[Moda:] Só uma pena me existe, Minha doce saudade: É olhar para o teu rosto, Ver-te assim tão pouca idade.
Ver-te assim tão pouca idade, Ver-te assim tão criancinha; Só uma pena me existe, Minha doce jovenzinha.
[Cantiga:] Lá por trás daquele outeiro, Nasce o sol e nasce a lua; Ando à procura, não acho Cara mais linda que a tua.
[Moda:] Só uma pena me existe, Minha doce saudade: É olhar para o teu rosto, Ver-te assim tão pouca idade.
Ver-te assim tão pouca idade, Ver-te assim tão criancinha; Só uma pena me existe, Minha doce jovenzinha.
Só uma pena me existe, Minha doce saudade: É olhar para o teu rosto, Ver-te assim tão pouca idade.
Ver-te assim tão pouca idade, Ver-te assim tão criancinha; Só uma pena me existe, Minha doce jovenzinha.
Letra e música: Popular (Alentejo) Arranjo: Monda e Ruben Alves Intérprete: Monda Versão original: Monda com Rui Veloso (in CD “Monda”, Monda/TáNaForja, 2016)
De dia sonho contigo
[ Vira do Dia ]
De dia sonho contigo, À noite aqui te quero; Esquecer-te não consigo, De não te ter desespero.
Oh meu amor, quem te vira Trinta dias cada mês, Sete dias da semana, Cada instante uma vez!
Nasce o dia, vem a noite, Põe-se o Sol, torna-se a pôr; Vejo-te, torno-te a ver Cada vez com mais amor.
Nasce o dia, vem a noite, Põe-se o Sol, torna-se a pôr; Vejo-te, torno-te a ver Cada vez com mais amor.
Acordo, sonho contigo, Fecho os olhos, só te vejo; Firme como o firmamento Só o bem que nos desejo.
É num sonho que começa O amor na vida inteira; Quem me dera viver sempre A sonhar desta maneira.
Nasce o dia, vem a noite, Põe-se o Sol, torna-se a pôr; Vejo-te, torno-te a ver Cada vez com mais amor.
Nasce o dia, vem a noite, Põe-se o Sol, torna-se a pôr; Vejo-te, torno-te a ver Cada vez com mais amor.
É num sonho que começa O amor na vida inteira; Quem me dera viver sempre A sonhar desta maneira.
Nasce o dia, vem a noite, Põe-se o Sol, torna-se a pôr; Vejo-te, torno-te a ver Cada vez com mais amor.
Nasce o dia, vem a noite, Põe-se o Sol, torna-se a pôr; Vejo-te, torno-te a ver Cada vez com mais amor.
Letra: Tradicional do Alentejo, Macadame e Catarina Gouveia Música: Macadame Intérprete: Macadame Versão original: Macadame (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Debaixo do lenço azul
[ Maria Campaniça ]
Debaixo do lenço azul com sua barra amarela os lindos olhos que tem! Mas o rosto macerado de andar na ceifa e na monda desde manhã ao sol-posto, mas o jeito de mãos torcendo o xaile nos dedos é de mágoa e abandono… Ai Maria Campaniça, levanta os olhos do chão que eu quero ver nascer o sol!
Poema: Manuel da Fonseca (in “Rosa-dos-Ventos”, Lisboa: Imprensa Baroeth, 1940; “Poemas Completos”, Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1958; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 3.ª edição, Lisboa: Portugália Editora, 1969 – p. 38; “Poemas Completos”, pref. Mário Dionísio, 5.ª edição, Lisboa: Forja, 1975 – p. 60) Música: Paulo Ribeiro Arranjo: Jorge Moniz Intérprete: Paulo Ribeiro Versão original: Paulo Ribeiro (in CD “O Céu Como Tecto e o Vento Como Lençóis”, Açor/Emiliano Toste, 2017)
Deixei de olhar p’ra quem fui
[ Cantiga do Tempo Novo ]
Deixei de olhar p’ra quem fui, Do passado estou ausente; Às vezes mais vale a pena Rir de tudo o que faz pena Da alma triste da gente.
Vou lançar mãos à aventura, Correr noutra direcção; Quanto mais nos lamentamos Ainda mais presos ficamos E nos dói o coração.
Quando me ponho a pensar Em alguém que tanto quis, Já não me sento a chorar E até me dá p’ra cantar Modas que um dia lhe fiz.
Agora sinto-me livre, Sem nada p’ra me prender: E vou pela estrada fora Rumo ao sul, vou sem demora, Basta o sol p’ra me aquecer.
A nossa vida é um mar Com muitas marés e vagas: Não temos nada a perder, O melhor mesmo é viver Combatendo as nossas mágoas.
Tenho o mundo à minha espera, Há ilhas por descobrir: E há uma vontade nova, Um tempo que se renova, Novo amor que vai surgir.
Letra e música: Paulo Ribeiro Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016) Versão original: Paulo Ribeiro com o Grupo Coral e Etnográfico “Os Camponeses de Pias” (in CD “Aqui Tão Perto do Sol”, EMI-VC, 2002) Outra versão de Paulo Ribeiro (in CD “Canções 1998-2002”, Paulo Ribeiro, 2014)
Deixo-te ao postigo
[ Amores de Jericó ]
Deixo-te ao postigo Um lenço e uma rosa; Vou partir p’ra longe, Partir sem demora.
Não chores por mim! Eu não o mereço: Sou sombra fugaz Mas não te esqueço.
Não queiras saber O que eu não te digo: Sou fora-da-lei, Sou mais que um bandido.
Não venhas por mim Que eu não sei amar! Com a faca nos dentes Meu verbo é zarpar.
O Sol já desponta, Vai-se a madrugada: O perigo espreita; Adeus, minha amada!
Não quero teus ais, Ouve o que eu te digo: Ande eu onde andar, Estarás sempre comigo.
Não queiras saber O que eu não te digo: Sou fora-da-lei, Sou mais que um bandido.
Não venhas por mim Que eu não sei amar! Com a faca nos dentes Meu verbo é zarpar.
Não queiras saber O que eu não te digo: Sou fora-da-lei, Sou mais que um bandido.
Não venhas por mim Que eu não sei amar! Com a faca nos dentes Meu verbo é zarpar.
Letra e música: Celina da Piedade e Alex Gaspar Intérprete: Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016)
Diz a laranja ao limão
Diz a laranja ao limão: “Qual de nós será mais doce?” Sou fiel ao meu amor, Assim ele p’ra mim fosse.
Assim ele p’ra mim fosse, Fiel ao meu coração; “Qual de nós será mais doce?”, Diz a laranja ao limão.
Diz a laranja ao limão: “Qual de nós será mais doce?” Sou fiel ao meu amor, Assim ele p’ra mim fosse.
Assim ele p’ra mim fosse, Fiel ao meu coração; “Qual de nós será mais doce?”, Diz a laranja ao limão.
Letra e música: Popular (Alentejo) Arranjo: Monda e Ruben Alves Intérprete: Monda (in CD “Monda”, Monda/Tánaforja, 2016) Primeira versão: Vitorino (in LP “Não Há Terra Que Resista: Contraponto”, Orfeu, 1979, reed. Movieplay, 1991)
Dizem pr’aí que chegou
[ Maria da Rocha ]
Dizem pr’aí que chegou A liberdade apressada; Eu inda não dei por nada, Continuo sendo o que sou.
No Alentejo eu trabalho Cultivando a dura terra; Vou fumando o meu cigarro, Vou cumprindo o meu horário Lançando a semente à terra.
Maria da Rocha, Do alto rochedo. Quem namora a Rocha, Quem namora a Rocha Namora sem medo.
Namora sem medo, Medo de ninguém. Maria da Rocha, Maria da Rocha, Da Rocha, meu bem.
Quem me dera a lua Que nasce no mar: Fosse à tua rua De véu branco e nua P’ra te namorar.
P’ra te namorar, Quem me dera um dia Guardar o luar Que tens no olhar, Meu amor, Maria.
Maria da Rocha, Do alto rochedo. Quem namora a Rocha, Quem namora a Rocha Namora sem medo.
Namora sem medo, Medo de ninguém. Maria da Rocha, Maria da Rocha, Da Rocha, meu bem.
Letra: Vitorino (quadra “Dizem pr’aí que chegou”), Popular (Alentejo), e João Monge (quintilhas “Quem me dera a lua” e “P’ra te namorar”) Música: Popular (Alentejo) Intérprete: Duarte Versão original: Duarte (in CD “Só a Cantar”, Duarte/Alain Vachier Music Editions, 2018)
Dorme, meu menino d’oiro
[ Aurora Tem um Menino ]
Dorme, meu menino d’oiro! Oh meu lindo amor! Não chores a tua sorte, Oh meu lindo amor! Oh meu lindo bem!
Que eu de ti nunca me perco, Oh meu lindo amor! Minha estrela do norte, Oh meu lindo amor! Oh meu lindo bem!
Aurora tem um menino Mas tão pequenino; O pai quem será? É o Zé da Aroeira Que vai p’rá Figueira, Mais tarde virá.
No adro de São Vicente, Onde há tanta gente, Aurora não está; Cala-te, Aurora, não chores, Que o pai da criança Mais tarde virá!
Cala-te, Aurora, não chores, Que o pai da criança Mais tarde virá!
Letra: Tradicional do Alentejo, e Celina da Piedade e Alex Gaspar (duas estrofes iniciais) Música: Tradicional do Alentejo Intérprete: Celina da Piedade Primeira versão de Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016)
É alegre e sonhadora
[ Andei a guardar o gado ]
É alegre e sonhadora A canção alentejana: Cantada ao romper de aurora Nas margens do Guadiana.
Andei a guardar o gado Em tempos que já lá vão: Deixei a vida do campo, Trabalho na construção.
Trabalho na construção, Já não me encosto ao cajado; Em tempos que já lá vão Andei a guardar o gado.
O Alentejo é que é O celeiro da nação; Nós somos alentejanos, Somos da terra do pão.
Andei a guardar o gado Em tempos que já lá vão: Deixei a vida do campo, Trabalho na construção.
Trabalho na construção, Já não me encosto ao cajado; Em tempos que já lá vão Andei a guardar o gado.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD2, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
É tão lindo ver no campo
[ Trigueirinha alentejana ]
É tão lindo ver no campo Tão linda ceifando Trigueirinha alentejana Numa mão levas a foice Tão linda ceifando Noutra canudos de cana
Com seu traje à camponesa Tão linda ceifando Sempre de chapéu ao lado Cantando lindas cantigas Tão linda ceifando As espigas do pão sagrado
(Popular – Alentejo)
Estando eu na minha loja
[ João Brandão ]
Estando eu na minha loja, Encostado ao meu balcão, Mais brando… Encostado ao meu balcão,
Ouvi uma voz dizer: «Vais preso, João Brandão!» Mais brando… «Vais preso, João Brandão!»
Passarinho prisioneiro, Pela tua liberdade; Mais brando… Pela tua liberdade.
Eu cantando peço a Deus: Não haja aqui falsidade! Mais brando… Não haja aqui falsidade!
Estando eu na minha loja, Encostado ao meu balcão, Mais brando… Encostado ao meu balcão,
Ouvi uma voz dizer: «Vais preso, João Brandão!» Mais brando… «Vais preso, João Brandão!» Mais brando… «Vais preso, vais p’rá prisão!»
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Eu ia não sei p’ra onde
[ Que Bonito Que Seria ]
Eu ia não sei p’ra onde, Encontrei não sei quem era: Encontrei o mês de Abril Procurando a Primavera.
Que bonito que seria Se houvesse compreensão: Os Homens não se matavam E davam-se como irmãos.
É tão linda a liberdade Até que chegou o dia; Se houvesse compreensão Então, que bonito que seria!
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Eu ouvi um passarinho
[ Alentejo ]
1. Eu ouvi um passarinho às quatro da madrugada, Cantando lindas cantigas à porta da sua amada.
2. Ao ouvir cantar tão bem a sua amada chorou. Às quatro da madrugada o passarinho cantou.
3. Alentejo quando canta, vê quebrada a solidão; traz a alma na garganta e o sonho no coração.
4. Alentejo, terra rasa, toda coberta de pão; a sua espiga doirada lembra mãos em oração.
Eu só quero que me fales
[ Afã ]
Eu só quero que me fales De cantigas e de vinho; Deixa lá e não te rales, Deus perdoa o descaminho!
Eu só quero que me fales De cantigas e de vinho; Deixa lá e não te rales, Deus perdoa o descaminho!
Deixa essa gente vã Com conversas e intrigas. Elas não interessam nada Pois o meu maior afã É beber minha golada De vinho na tarde vã, Ao som de belas cantigas.
Poema: Al-Mu’tamid (1040-1095); trad. Adalberto Alves (in “O Meu Coração É Árabe: A Poesia Luso-Árabe”, Lisboa: Assírio & Alvim, 1987, 2.ª edição, 1991 – p. 151) Música: Paulo Ribeiro e Pedro Frazão Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016) [gravado na sala A Bruxa Teatro, Évora, Fev. 2017 ] Versão original: Anonimato (in CD “Anonimato”, Heaven Sound, 1993) Outras versões: Paulo Ribeiro (in CD “Aqui Tão Perto do Sol”, EMI-VC, 2002); Paulo Ribeiro (in CD “Canções 1998-2002”, Paulo Ribeiro, 2014)
Eu subi àquele monte
[ Altinho ]
Eu subi àquele monte para ver se te esquecia; Quanto mais alta estava mais o meu amor crescia.
Quero ir para o altinho que eu daqui não vejo bem; Quero ir ver o meu amor se ele adora mais alguém.
Se ele adora mais alguém, se ele me ama a mim sozinha, que eu daqui não vejo bem, quero ir para o altinho.
que eu daqui não vejo bem, quero ir para o altinho.
Letra: Tradicional do Alentejo, e Celina da Piedade e Alex Gaspar (quadra “Eu subi àquele monte”) Música: Tradicional do Alentejo, e Toon Van Mierlo e Pascale Rubens Intérprete: Celina da Piedade Primeira versão de Celina da Piedade (in CD “Sol”, Sons Vadios, 2016)
Évora doce
Évora doce Negro vestido Por capelinhas Cercada d’ouro Trigo em tesouro Mulher rainha
Guardas histórias Guerras e amores Por ti vividas E tens no quarto Cercando a praça Mil avenidas
São tuas mágoas Que são escutadas Quando da Sé Por entre as horas Amargurada Bates o pé
E os teus cabelos Ficam mais belos Quando tu vês Capas traçadas Numa guitarra Cantando o que és
Évora doce Negro vestido Por capelinhas Cercada d’ouro Trigo em tesouro Mulher rainha
Envergonhada Se o Alentejo Lhe pede um beijo E às escondidas P’ra ninguém ver Mata o desejo
Letra e música: Duarte Intérprete: Duarte (in CD “Aquelas coisas da Gente”, JBJ & Viceversa, 2009) Primeira versão: Duarte (in CD “Fados Meus”, Ovação, 2004)
Fez sábado quinta-feira
Fez sábado quinta-feira, P’ra lá d’Évora três semanas, Estive dez dias num Verão Nas Américas Romanas.
Embarquei em dois caleiros Na baía de Lisboa; Arribei, fui dar a Goa, Desembarquei em Alenquer; Casei com sete mulheres, Falta uma p’rá primeira; Fui dar à Ilha Terceira, Com três dias numa hora; Abalei e vim-me embora, Fez sábado quinta-feira.
Agarrei nos alforginhos, Pus um pão em quatro enxacas, Na gamela duas vacas E na borracha toucinho; Um açafate com vinho, Trinta metros de banana; Dei passos à americana, Fui passar a Ayamonte; Abalei hoje, cheguei ontem P’ra lá d’Évora três semanas.
Eu já estive em Erapouca, Numa ocharia empregado; Foi-se um carro carregado Numa abóbora canoca; Um mosquito com um boi na boca Cem léguas em proporção; Atirei-lhe um bofetão Que pelo ar o fez ir; À espera dele cair Estive dez dias num Verão.
Fui soldado, assentei praça No 15 de Sapadores; Maquinista de vapores Na carreira de Alcobaça; Venci o Forte da Graça, Também a Vila de Terena E as províncias arraianas, Venci toda a nobrezia; Bati-me com a Turquia Nas Américas Romanas.
Fez sábado quinta-feira, P’ra lá d’Évora três semanas, Estive dez dias num Verão Nas Américas Romanas.
Letra: Popular Música: José Manuel David Arranjo e direcção musical: José Manuel David Intérprete: Gaiteiros de Lisboa com Luís Espinho e João Paulo Sousa (Adiafa) (in CD “Avis Rara”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2012)
Folheia-se o caderno e eis o sul
[ Alentejo ]
Folheia-se o caderno e eis o sul E o sul é a palavra. E a palavra Desdobra-se No espaço com suas letras de Solstício e de solfejo Além de ti Além do Tejo
Verás o rio e talvez o azul Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio Mas aquela grande linha onde o abstracto Começa lentamente a ser o Sul
Outro é o tempo Outra a medida
Tão grande a página Tão curta a escrita
Entre o achigã e a perdiz Entre chaparro e choupo
Tanto país E tão pouco
Solidão é companheira E de senhor são seus modos Rei do céu de todos E de chão nenhum
À sombra de uma azinheira Há sempre sombra para mais um
Na brancura da cal o traço azul Alentejo é a última utopia
Todas as aves partem para o sul Todas as aves: como a poesia
Manuel Alegre (Alentejo e ninguém)
Gosto muito dos teus olhos
[ O Mocho ]
Gosto muito dos teus olhos, ó Maria, Muito mais gosto dos meus; Se não fossem os meus olhos, ó Maria, Não podia amar os teus.
O triste do mocho piava, Ó lari, lariava, Em cima da melancia, ó Maria; Maria, Maria, Maria Capitôa Dos montes, tiroli, ó terrim, tim, tim; As mulheres são a alegria de mim.
Eu não quero mais amar, ó Maria, Que eu do amar tenho medo; Eu não quero arriscar, ó Maria, A pagar o que eu não devo.
O triste do mocho piava, Ó lari, lariava, Em cima da melancia, ó Maria; Maria, Maria, Maria Capitôa Dos montes, tiroli, ó terrim, tim, tim; As mulheres são a alegria de mim.
Letra e música: Popular (Alentejo) Arranjo: Monda Intérprete: Monda (in CD “Monda”, Monda/Tánaforja, 2016)
Grândola, vila morena
Grândola, vila morena, terra da fraternidade, o povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade.
Dentro de ti, ó cidade, o povo é quem mais ordena, terra da fraternidade, Grândola, vila morena.
Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade, Grândola, vila morena, t erra da fraternidade.
Terra da fraternidade, Grândola, vila morena, em cada rosto igualdade, o povo é quem mais ordena.
À sombra duma azinheira que já não sabia a idade, jurei ter por companheira, Grândola, a tua vontade.
Grândola, a tua vontade jurei ter por companheira, à sombra duma azinheira que já não sabia a idade.
Letra e música: José Afonso Intérprete: José Afonso (in “Cantigas do Maio”, Orfeu, 1971; reed. Movieplay, 1987)
Há ondas, meu bem
[ Sou das Ondas ]
Há ondas, meu bem, há ondas, Há ondas sem ser no mar: Há ondas no teu cabelo, Há ondas no teu olhar.
Sou das ondas, sou das ondas, Sou das ondas, sou do mar; Meu amor já me deixou, Meu amor vai-me deixar.
Nas ondas do mar, lá fora, Aprendi eu a cantar Numa barquinha doirada, Ó meu bem, a navegar.
Há ondas, meu bem, há ondas, Há ondas sem ser no mar: Há ondas no teu cabelo, Há ondas no teu olhar.
Sou das ondas, sou das ondas, Sou das ondas, sou do mar; Meu amor já me deixou, Meu amor vai-me deixar.
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Intérprete: Paulo Ribeiro
Há um sobreiro velhinho
[ Sobreiro Velhinho ]
Há um sobreiro velhinho Que nasceu à meia-encosta: É a casa dos pardais, Malhada dos animais, Faz sombra que o pastor gosta.
Faz sombra que o pastor gosta Nos dias quentes de Verão; Põe o seu gado ao acarro, Da cortiça faz um tarro, Corta a lenha, faz carvão.
Corta a lenha, faz carvão E nasce um novo raminho Da Primavera ao Inverno; Deus queira que seja eterno, Há um sobreiro velhinho.
O sobreiro é obrigado A sustentar a cortiça; Quem não ama de vontade, Seja qual for a idade, Não se obriga por justiça.
Há um sobreiro velhinho Que nasceu à meia-encosta: É a casa dos pardais, Malhada dos animais, Faz sombra que o pastor gosta.
Faz sombra que o pastor gosta Nos dias quentes de Verão; Põe o seu gado ao acarro, Da cortiça faz um tarro, Corta a lenha, faz carvão.
Corta a lenha, faz carvão E nasce um novo raminho Da Primavera ao Inverno; Deus queira que seja eterno, Há um sobreiro velhinho.
Letra e música: Martinho Marques Arranjo: José Manuel David Intérprete: Pedro Mestre com Pedro Calado & Rancho de cantadores de Aldeia Nova de São Bento (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre com Pedro Calado & Rancho de cantadores de Aldeia Nova de São Bento (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Já são horas da merenda
Já são horas da merenda; Ai, vamo-nos a merendar Gaspachinho com vinagre, Ai, para o peito refrescar!
Já se vai o Sol a pôr Ai, para trás do cabecinho; Bem quisera o nosso amo Ai, prendê-lo c’um baracinho.
Já são horas da merenda; Ai, vamo-nos a merendar Gaspachinho com vinagre, Ai, para o peito refrescar!
Já se vai o Sol a pôr Ai, para trás do cabecinho; Bem quisera o nosso amo Ai, prendê-lo c’um baracinho.
Letra e música: Tradicional Recolha: Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça Intérprete: Macadame Primeira versão de Macadame (in Livro/CD “Firmamento”, Macadame, 2016)
Lá nos campos
[ Eu fui apanhar marcela ]
Lá nos campos, verdes campos Eu fui apanhar marcela Daquela mais miudinha Daquela mais amarela
Daquela mais amarela Daquela mais miudinha Lá nos campos, verdes campos A marcela, a marcelinha
(Popular – Alentejo)
Lá traz a cegonha
[ Popular alentejana ]
Lá traz a cegonha no bico o raminho. Que seja bem-vinda branquinha, tão linda ao seu velho ninho.
Senhora cegonha, como tem passado? Não há quem a veja voar p’rá Igreja, pousar no telhado.
Quando chega o Outono e o bando levanta, anuncia a hora que se vai embora, leva a meia branca.
Lá vai uma embarcação
Lá vai uma embarcação Por esses mares fora; Por aqueles que lá vão Há muita gente que chora.
Há muita gente que chora Com mágoas no coração; Por esses mares fora Lá vai uma embarcação.
Ó mar alto, ó mar alto, Ó mar alto sem ter fundo! Mais vale andar no mar alto Que nem nas bocas do mundo.
Lá vai uma embarcação Por esses mares fora; Por aqueles que lá vão Há muita gente que chora.
Há muita gente que chora Com mágoas no coração; Por esses mares fora Lá vai uma embarcação.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “O Círculo Que Leva a Lua”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2003; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD2, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006) Outra versão: Rão Kyao & Os Ganhões de Castro Verde (in CD “Rão Kyao & Riccardo Tesi: Live in Sete Sóis”, Associação Sete Sóis Sete Luas, 2005)
Lembra-me o tempo passado
[ O Almocreve ]
Lembra-me o tempo passado, Tudo se vai acabando: O boi puxando o arado, O almocreve cantando…
O almocreve cantando Semeando o verde prado. Quando vejo alguém lavrando Lembra-me o tempo passado.
A vida do almocreve É uma vida arriscada: Ao descer uma ladeira, Ao cerrar duma carrada.
Lembra-me o tempo passado, Tudo se vai acabando: O boi puxando o arado, O almocreve cantando…
O almocreve cantando Semeando o verde prado. Quando vejo alguém lavrando Lembra-me o tempo passado.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “Modas”, Robi Droli, 1994; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD1, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Linda cara que tu tens
[ Fadinho Alentejano ]
Linda cara que tu tens, já sei, Quando chegas noite fora. À espera à porta de casa, Está o teu pai que te adora.
Lindos olhos tem o mocho, piu, Quando a noite vem chegando. P’ra deixar passar a noite, Uma moda eu vou cantando.
Muda a água às azeitonas, Rega bem os teus tomates, Tem lá cuidado com a horta! O cravo já está no vaso, Sim, senhora, por acaso.
Abalaste para Lisboa, pois, Deixaste-me ao pé da porta. Tu seguiste o teu caminho, A minha alma ficou torta.
Quando cheguei ao Barreiro, já fui, Lisboa estava fechada. Voltei p’ra casa a cantar, Uma vida abençoada.
Muda a água às azeitonas, Rega bem os teus tomates, Tem lá cuidado com a horta! O cravo já está no vaso, Sim, senhora, por acaso.
Letra e música: Paulo de Carvalho Intérprete: Ricardo Ribeiro Versão original: Ricardo Ribeiro com o Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “Hoje É Assim, Amanhã Não Sei”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2016)
Maldita sociedade
[ Camponês Alentejano ]
Maldita sociedade, Estás tão mal organizada: Quem não trabalha tem tudo, Quem trabalha não tem nada!
Camponês alentejano, Camponês agricultor: Tu trabalhas todo o ano, Dás produto ao lavrador.
Dás produto ao lavrador, Tua vida é um engano: É tão triste o teu valor, Camponês alentejano!
Todo o homem que trabalha Não deve nada a ninguém: Aquele que nada faz Deve tudo quanto tem.
Camponês alentejano, Camponês agricultor: Tu trabalhas todo o ano, Dás produto ao lavrador.
Dás produto ao lavrador, Tua vida é um engano: É tão triste o teu valor, Camponês alentejano!
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “É Tão Grande o Alentejo”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 1997; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD2, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Maldita sociedade, estás tão mal organizada
[ Há Lobos sem Ser na Serra ]
Maldita sociedade, Estás tão mal organizada! Quem não trabalha tem tudo, Quem trabalha não tem nada.
Há lobos sem ser na serra, Eu ainda não sabia; Debaixo de um arvoredo Trabalham com valentia.
Trabalham com valentia Cada qual a sua terra; Eu ainda não sabia Que há lobos sem ser na serra.
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Mariana canta ao despique
[ Ti Mariana ]
Mariana canta ao despique: Fez do cante a sua lida, Ali p’rós lados de Ourique, Nessa planície perdida.
Nessa planície perdida, Nesse Alentejo adorado, Ti Mariana achou a vida E fez do cante o seu fado.
E fez do cante o seu fado, Cantando com o coração; As modas vão dando brado Ao velho estilo baldão.
Quem canta seu mal espanta, É o ditado que o diz; Cantar afina a garganta, Povo que canta é feliz.
Mariana canta ao despique: Fez do cante a sua lida, Ali p’rós lados de Ourique, Nessa planície perdida.
Nessa planície perdida, Nesse Alentejo adorado, Ti Mariana achou a vida E fez do cante o seu fado.
E fez do cante o seu fado, Cantando com o coração; As modas vão dando brado Ao velho estilo baldão.
A viola campaniça, Em meus dedos dedilhando, Acompanha sem preguiça Qualquer Mariana cantando.
Mariana canta ao despique: Fez do cante a sua lida, Ali p’rós lados de Ourique, Nessa planície perdida.
Nessa planície perdida, Nesse Alentejo adorado, Ti Mariana achou a vida E fez do cante o seu fado.
E fez do cante o seu fado, Cantando com o coração; As modas vão dando brado Ao velho estilo baldão.
Letra: Rosa Guerreiro Dias Música: José Manuel David Intérprete: Pedro Mestre (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)
Menina estás à janela
Menina estás à janela Com o teu cabelo à lua Não me vou daqui embora Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda tua Sem levar uma prenda dela Com o teu cabelo à lua Menina estás à janela
Os olhos requerem olhos E os corações, corações E os meus requerem os teus Em todas as ocasiões
Letra e música: Popular (Alentejo) Recolha e adaptação: Vitorino Intérprete: Vitorino Versão original: Vitorino (in “Semear Salsa ao Reguinho”, Orfeu, 1975; reed. Movieplay, 1999) Versão instrumental: Opus Ensemble (in “Temas do cancioneiro Português”, EMI Classics, 1987; reed. 1998)
Mértola dormia frente ao Guadiana
[ Em Mértola ]
Mértola dormia frente ao Guadiana branca, branca, branca torre de menagem, torre de vigia de quem mais se ama iam nas pedrinhas, pequeninos rios do suor da terra alentejana para lá dos montes, pertinho da raia onde a terra passa a ser estranha
Com um sol a pique frente a uma mesquita branca, branca, branca subindo ao castelo, subindo à vigia vendo o panorama pr’além das muralhas, para aquém dos montes prendiam-se os olhos à bonita ficavam nos verdes, ficavam nos brancos ficavam nos tempos da Moirama
Suando pestanas, frente a uma cegonha branca, branca, branca Mértola corria frente ao Guadiana por quem se derrama o sol que há nos olhos, o mel que há no peito a dor que há no corpo de quem sonha com o sabor das ervas, no cheiro das águas no voltar a ver a quem mais se ama
Ia viajante frente à moradia branca, branca, branca ia sendo moira, noiva tão serena e alma cigana o lenço voando, batia no rosto no silêncio olhava o que não via para lá da terra, para lá dos montes nunca mais veria a tarde calma
Mértola dormia frente ao Guadiana branca, branca, branca torre de vigia, torre de menagem a quem mais se ama iam nas pedrinhas, pequeninos rios do amor à terra alentejana para lá dos montes, pertinho da raia onde a terra passa a ser Espanha
Poema e música: Teresa Muge Intérprete: Amélia Muge (in CD “Múgica”, UPAV, 1992)
Minha mãe, estou de abalada
[ Minha Mãe, Sou um Mainante ]
Minha mãe, estou de abalada: Parto já, neste instante; Adeus, minha mãe amada, Vou p’rá vida de mainante.
De manta ao ombro e bordão, Trilho caminhos de amargura: Tenho fome, não tenho pão, Durmo assim na noite escura.
Rompe o sol de manhãzinha E o povoado é distante: Cantando p’ra ti, mãezinha, Esta vida de mainante.
As lágrimas não me apagam As queixas e os martírios: Só as estrelas acalmam, À noite, os meus delírios.
De manta ao ombro e bordão, Trilho caminhos de amargura: Tenho fome, não tenho pão, Durmo assim na noite escura.
Rompe o sol de manhãzinha E o povoado é distante: Cantando p’ra ti, mãezinha, Esta vida de mainante.
O meu chão é chão barrento Pisado com ternura, De quem dorme ao relento E faz dele a sepultura.
Letra: Romão Janeiro Música: Paulo Ribeiro Intérprete: Paulo Ribeiro Versão original: Grupo Coral “Os Mainantes” de Pias (in CD “Entre Mestres e Aprendizes”, de Grupo Coral e Etnográfico “Os Camponeses de Pias” & “Os Mainantes”, Açor/Emiliano Toste, 2016)
Moreninha alentejana
– Moreninha alentejana, quem te fez, morena, assim? – Foi o sol da Primavera que caía sobre mim.
Que caía sobre mim, que andava a ceifar o trigo. – Moreninha alentejana, por que não casas comigo?
Por que não casas comigo? Por que não casas com ela? – Quem te fez, morena, assim? – Foi o sol da Primavera.
Na sociologia do vinho
Na sociologia do vinho é que se brinda! É de azeite a gordura que agradece a quentura da lã ventre de linho e o gosto da azeitona verde, verde.
No suor do cajado lã de ovelha firma-se o peito, esteva velha.
Nas patas do rafeiro é que se alonga a geometria do sul desfeita em cal e a rijeza dos nervos já perdida.
A cegonha já acena um bater de asas. Sangrado o campo, mirradas são as casas. Não são homens; são sombra toda sal, Só vultos de lentidão ferida.
É no traço do sul que mais se acolhe o ermo das lonjuras desenhadas: A sombra, o silêncio e a tristeza de tristezas mal balbuciadas.
Geométrico sul, cal e planura Loiro de água verde adormecida. Quem te dará um alento uma saída de alma clara em escancarada alvura?
Só no cantar do sul o tempo dura…
Letra: Afonso Dias Intérprete: Afonso Dias (in CD “Geometria do Sul”, Edere, 2002)
Namorei sempre à tardinha
[ A Moda do Chegadinho ]
Namorei sempre à tardinha Certas moças da minha aldeia: Fosse magra, fosse gordinha, Bonita ou menos feia.
Chegadinha, chegadinha a mim, Chegadinho, chegadinho a ela; Chegadinho, chegadinha, chegadinhos Ao postigo e à janela.
Brinquei com uma, brinquei com duas, Duas, três, quatro ou cinco; Brinquei contigo, brinquei com ela, Já sou casado e agora já não brinco.
Chegadinha, chegadinha a mim, Chegadinho, chegadinho a ela; Chegadinho, chegadinha, chegadinhos Ao postigo e à janela.
Sou casado e com juízo, Mas não deixo de pensar Quando vejo moças catitas À janela a namorar.
Chegadinha, chegadinha a mim, Chegadinho, chegadinho a ela; Chegadinho, chegadinha, chegadinhos Ao postigo e à janela.
Letra e música: Francisco Naia Intérprete: Francisco Naia (in CD “Francisco Naia e a Ronda Campaniça”, Francisco Naia/Ovação, 2012)
Não é a ceifa que mata
Terra Sagrada do Pão
Não é a ceifa que mata Nem os calores do Verão É a erva unha-gata O cardo pica na mão
Alentejo, Alentejo Terra sagrada do pão Eu hei-de ir ao Alentejo Inda que seja no Verão
Ver o doirado do trigo Na imensa solidão Alentejo, Alentejo Terra sagrada do pão
Eu sou devedor à terra A terra me está devendo A terra paga-me em vida Eu pago à terra em morrendo
(Popular – Alentejo)
Nasce o Sol no Alentejo
Nasce o Sol no Alentejo, Nasce água clara na fonte; Nasce em mim a saudade Da lareira do teu monte.
Quem me dera ser o trigo Que ciranda na peneira, E poder andar contigo Cirandando a vida inteira.
Não há cravo como o branco Que até no cheirar é doce, Nem amor como o primeiro Se ele fingido não fosse.
Pelas estrelas da noite Regulam-se os marinheiros, E eu pelos teus lindos olhos Que são astros mais certeiros.
Às ceifeiras nunca digas Madrigais no teu cantar, Pois se vão em tais cantigas Fica o trigo por ceifar.
Eu não sei por que motivo Tu me recusas um beijo!… Ao menos sei porque vivo Tão preso ao teu Alentejo.
Letra e música: Popular (Alentejo) Recolha: José Alberto Sardinha Arranjo: António Prata, com Carlos Barata e Pedro Fragoso Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD1, Ovação, 2001) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Outras Terras”, Ronda dos Quatro Caminhos, 1999)
No Alentejo eu trabalho
[ É tão grande o Alentejo ]
No Alentejo eu trabalho Cultivando a dura terra; Vou fumando o meu cigarro, Vou cumprindo o meu horário Lá na encosta da serra.
É tão grande o Alentejo, Tanta terra abandonada! A terra é que dá o pão: Para bem desta nação Devia ser cultivada.
Tem sido sempre esquecido À margem ao sul do Tejo: Há gente desempregada, Tanta terra abandonada! É tão grande o Alentejo!
Trabalha, homem, trabalha Se queres ter o teu valor! Os calos são os anéis, Os calos são os anéis Do homem trabalhador.
É tão grande o Alentejo, Tanta terra abandonada! A terra é que dá o pão: Para bem desta nação Devia ser cultivada.
Tem sido sempre esquecido À margem ao sul do Tejo: Há gente desempregada, Tanta terra abandonada! É tão grande o Alentejo!
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “É Tão Grande o Alentejo”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 1997; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD2, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006) Outra versão: Dulce Pontes & Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “O Primeiro Canto”, de Dulce Pontes, Polydor B.V. the Netherlands/Universal, 1999; CD “O Círculo Que Leva a Lua”, do Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2003)
No nosso Alentejo
[ Trigueira de raça ]
No nosso Alentejo é tão lindo ouvir cantar as ceifeiras, ver as mondadeiras no campo a sorrir.
Trigueira de raça, quem te fez assim ceifando os trigais, ouvindo os teus ais com pena de mim?
Eu por ti chorando alegre e cantando sinto o teu desejo, linda trigueirinha, linda alentejana, dá-me cá um beijo.
À sombra da silva é que eu adormeço sonhando contigo. Linda alentejana, eu não te mereço.
Popular Alentejano
No tempo da Primavera
No tempo da Primavera, há lindas flores no prado. Canta, ó lindo passarinho, ao nascer do sol doirado.
Ao nascer do sol doirado, ó meu amor, quem me dera pisando os mimosos prados no tempo da Primavera.
Ó Alentejo dos pobres
[ Margem Sul (Canção Patuleira) ]
Ó Alentejo dos pobres, reino da desolação, não sirvas quem te despreza, é tua a tua nação.
Não vás a terras alheias lançar sementes de morte. É na terra do teu pão que se joga a tua sorte.
Terra sangrenta de Serpa, terra morena de Moura, vilas de angústia em botão, doce raiva em Baleizão.
Ó margem esquerda do Verão mais quente de Portugal, margem esquerda deste amor feito de fome e de sal.
A foice dos teus ceifeiros trago no peito gravada, ó minha terra morena como bandeira sonhada.
Terra sangrenta de Serpa, terra morena de Moura, vilas de angústia em botão, doce raiva em Baleizão.
Poema: Urbano Tavares Rodrigues Música: Adriano Correia de Oliveira Intérprete: Adriano Correia de Oliveira (in “Margem Sul”, Orfeu, 1967; “Obra Completa”, Movieplay, 1994)
Ó águia que vais tão alta
Ó águia que vais tão alta, voando de pólo em pólo, leva-me ao céu onde eu tenho a mãe que me trouxe ao colo.
A mãe que me trouxe ao colo ficou-me fazendo falta, voando de pólo em pólo, ó águia que vais tão alta.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Afonso Dias (in CD “Geometria do Sul”, Edere, 2002)
O Alentejo é que é
[ Cidades, Vilas e Montes ]
O Alentejo é que é O celeiro da nação; Nós somos alentejanos, Nós somos alentejanos, Somos da terra do pão.
É linda a Reforma Agrária Nos campos do Alentejo: Aumentou a produção, Deu para todos mais pão, É isso que eu mais invejo.
Cidades, vilas e montes, Unidade a trabalhar: Só assim a reacção, Gente má sem coração, Nunca mais pode passar.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in LP “Os Ganhões de Castro Verde”, Metro-Som, 1980, reed. Metro-Som, ?; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD1, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
O Alentejo não tem sombras
[ As Flores da Nossa Terra ]
O Alentejo não tem sombras Se não as que vêm do céu; E o camponês tem abrigo, E o camponês tem abrigo Às abas do seu chapéu.
Flores da nossa terra Que abandonaram as mães Numa linda romaria Feita com muita alegria: Foram dar a Guimarães.
Foram dar a Guimarães, Recordação que se encerra; Abandonaram as mães E foram a Guimarães Flores da nossa terra.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in LP “Os Ganhões de Castro Verde”, Metro-Som, 1980, reed. Metro-Som, ?; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD1, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Ó Estação de Ourique
Ó Estação de Ourique Onde eu tive amores! Onde há pirolitos E também há flores.
Tem um largo ao meio Mesmo na estação, Param os comboios Que vão p’ra Garvão.
Salta a malta nova Vinda no furgão; Grita o maquinista E o chefe da estação.
E os moços pequenos Sempre a saltitar; Ficam para o balho, Querem é dançar!
Vêm do Carregueiro Casével e Aivados; Da vila de Ourique Chegam convidados.
Muito bem trajados De Castro chegando, Vêm cantadores Modas entoando.
Cantam aos amores Que estão espreitando; E a tasca do Mendes Já está esperando.
Ali num cantinho Vão servindo copos: Há sempre bom vinho Chouriço e tremoços.
O chefe da estação Junta a filharada Com banjos, violão E voz afinada.
Começam as danças No Salão dos Nobres: Velhos e crianças E ricos e pobres.
Ai a balhação! Aì a brincadeira! Já está na estação O comboio p’rá Funcheira.
Seguem seus destinos, Uns ficam deitados: Parecem meninos Muito embriagados.
Ó Estação de Ourique Onde eu tive amores! Onde há pirolitos E também há flores.
Tem um largo ao meio Mesmo na estação, Param os comboios Que vão p’ra Garvão.
Salta a malta nova Vinda no furgão; Grita o maquinista E o chefe da estação.
E os moços pequenos Sempre a saltitar; Ficam para o balho, Querem é dançar!
Letra e música: Francisco Naia Intérprete: Francisco Naia (in CD “Francisco Naia e a Ronda Campaniça”, Francisco Naia/Ovação, 2012)
O mar deixou o Alentejo
[ Se fores ao Alentejo ]
O mar deixou o Alentejo onde trouxe canções de oiro mas volta a matar saudades mas ondas do trigo loiro.
Se fores ao Alentejo, vai vai vai vai vai. Não te esqueças, dá-lhe um beijo, ai ai ai ai.
Nas capelas e nos montes há sorrisos de brancura onde fala a voz de Deus na voz da cal e da alvura.
Sobe o sol e abrasa a terra a fecundar as espigas à sombra das azinheiras na dolência das cantigas.
Por lonjuras e planuras, oh solidão, solidão, eu quero paz no trabalho p’ra poder ganhar o pão.
Popular do Alentejo
Ó meu São João Baptista
[ São João de Alpalhão ]
Ó meu São João Baptista! Ó meu Baptista João! Vamos ir à água nova Na noite de São João!
São João baptiza Cristo, Cristo baptiza João: Ambos foram baptizados Lá no rio do Jordão.
São João p’ra ver as moças Fez uma fonte de prata; As moças não vão a ela, São João todo se mata.
Meu divino São João Que na mão tem a bandeira! Vamos ir ao rosmaninho P’ra fazermos uma fogueira!
Letra e música: Tradicional (Alpalhão, Nisa, Alto Alentejo) Intérprete: Segue-me à Capela Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Ó Minha Amora Madura
Ó minha amora madura, Ai diz-me quem te amadurou. Foi o sol, foi a geada, Ai foi o calor que ela apanhou.
Ó minha amora madura, Ai diz-me quem te amadurou. Foi o sol, foi a geada, Ai foi o calor que ela apanhou.
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Intérprete: Afonso Dias* com Teresa Silva (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016) Primeira versão: José Afonso (in LP “Eu Vou Ser Como a Toupeira”, Orfeu, 1972, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art’Orfeu Media, 2012)
Ó moças façam arquinhos
Arquinhos (II)
Ó moças façam arquinhos! Ó moças façam arcadas! P’ra passar o meu benzinho, P’ra passar a minha amada.
P’ra passar a minha amada, P’ra passar o meu benzinho, Ó moças façam arquinhos! Ó moças façam arcadas!
Ó moças façam arquinhos! Ó moças façam arcadas! P’ra passar o meu benzinho, P’ra passar a minha amada.
P’ra passar a minha amada, P’ra passar o meu benzinho, Ó moças façam arquinhos! Ó moças façam arcadas!
Ó moças façam arquinhos! Ó moças façam arcadas! P’ra passar o meu benzinho, P’ra passar a minha amada.
P’ra passar a minha amada, P’ra passar o meu benzinho, Ó moças façam arquinhos! Ó moças façam arcadas!
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Intérprete: Aqui Há Baile (in CD “Caderno de Danças do Alentejo – adaptações”, Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)
O Sol é que alegra o dia
[ Menina Florentina ]
O Sol é que alegra o dia Pela manhã quando nasce Ai de nós o que seria Se o Sol um dia faltasse
Ó menina Florentina És a flor que em meu peito domina Seu amante delirante De viagem chegou neste instante
Já cá está o tiroliroliro tiroliroliro Já cá está o tiroliroliro tiroliroló Já cá está o tiroliroliro ó amor Tiroliroliro abre a porta, ó branca flor
Não me inveja de quem tem Carros, parelhas e montes Só me inveja de quem bebe Água em todas as fontes
Ó menina Florentina És a flor que em meu peito domina Seu amante delirante De viagem chegou neste instante
Já cá está o tiroliroliro tiroliroliro Já cá está o tiroliroliro tiroliroló Já cá está o tiroliroliro ó amor Tiroliroliro abre a porta, ó branca flor
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Janita Salomé / Grupo “Vozes do Sul”* (in CD “Vozes do Sul: uma celebração do cante alentejano” , Capella, 2000)
Ó terra morena deitada ao sol
[ Fado do Alentejo ]
Ó terra morena deitada ao sol, Quero ser a alma do ganhão, Cheia de horizonte, cântico de fonte, Catedral do trigo, azeite e pão!
Ó terra morena deitada ao sol, Quero ser a alma da cegonha Que sobe no vento e ouve o lamento Do homem que, ao sul, trabalha e sonha!
Alentejo das casas de cal, Alentejo do sobro e do sal; Alentejo poejo, alecrim, Alentejo das terras sem fim.
Ó terra morena deitada ao sol, Quero ser a alma do sobreiro: Estática, selvagem, dona da paisagem Afrontando o tempo a corpo inteiro!
Alentejo das casas de cal, Alentejo do sobro e do sal; Alentejo poejo, alecrim, Alentejo das terras sem fim.
Ó terra morena deitada ao sol, Quero ser a alma do ganhão, Cheia de horizonte, cântico de fonte, Catedral do trigo, azeite e pão!
Letra: Rosa Lobato de Faria Música: Rão Kyao Arranjo: Rabih Abou-Khalil Intérprete: Ricardo Ribeiro (in CD “Largo da Memória”, Ricardo Ribeiro/Parlophone/Warner Music, 2013) Primeira versão de Ricardo Ribeiro: Rão Kyao & Ricardo Ribeiro (in 2CD “Em’Cantado”: CD 1, Universal, 2009) Versão original: Manuel de Almeida – “Alma do Ganhão” (in CD “Fado”, Movieplay, 1996)
Olha o passarinho
Olha o passarinho que bem que ele canta. Quando está cantando, parece que tem uma guitarra na garganta.
E olha o rouxinol vai fazer o ninho dentro do balsedo p’ra cantar sem medo, olha o passarinho!
E a moda vai alta, não lhe posso chegar. Cantem-na baixinho, mais devagarinho que eu quero cantar.
Letra e música: Popular do Alentejo Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Terra de Abrigo”, Ocarina, 2003) .
Oliveira e Parreirinha
[ A Tasca do Encalha ]
Oliveira e Parreirinha Encontram o Tó Careca: Com a dor que se avizinha Vão beber uma caneca.
Dão a mão ao Zé Padeiro, E o braço ao Quim Margarida; Chamam o Chico Pedreiro, Vão afogar-se em bebida.
Abraçam-se p’lo caminho, Até à Tasca do Encalha: Lá o tintol é fresquinho E à volta ninguém se espalha.
Tintol, caracol, Tintão, carrascão, Com rodelas de limão; Verdinho, verducho, Verdete, verdacho, Mas que graça que eu te acho!
Venha lá outra rodada Com tapinhas e tremoços! O tintol é tão maduro Que até arreganha os ossos.
Vira lá mais um copinho! Tira outro do briol! Traz alcagoita torrada E um pires de caracol!
Diz o Quim para o Oliveira, Pondo um ar grave no rosto: «Que uma boa bebedeira Mata-nos qualquer desgosto!»
Tintol, caracol, Tintão, carrascão, Com rodelas de limão; Verdinho, verducho, Verdete, verdacho, Mas que graça que eu te acho!
Mas que graça que eu te acho!…
Letra e música: Francisco Naia Intérprete: Francisco Naia com Vitorino (in CD “Francisco Naia e a Ronda Campaniça”, Francisco Naia/Ovação, 2012)
Ora ponha aqui
[ Pezinho dos Caçadores ]
Ora ponha aqui, Ora ponha aqui o seu pezinho! Ora ponha aqui, Ora ponha aqui ao pé do meu!
Ai ao tirar, Ai ao tirar o seu pezinho, Ai um abraço, E um abraço lhe dou eu!
Ai dizem mal, Ai dizem mal dos caçadores, Ai por matarem, Por matarem os pardais…
Ai os teus olhos, Os teus olhos, meu amor, Ainda matam, Ainda matam muito mais!
Ora ponha aqui, Ponha aqui o seu pezinho! Ora ponha aqui, Ponha aqui ao pé do meu!
Ai ai ao tirar, Ao tirar o seu pezinho, Um abraço lhe dou eu!
Ai dizem mal, Dizem mal dos caçadores, Por matarem os pardais…
Os teus olhos, meu amor, Ainda matam, Ainda matam muito mais!
Ora ponha aqui o seu pezinho! Ora ponha aqui ao pé do meu!
Ao tirar o seu pezinho, Ai um abraço lhe dou eu!
Ai dizem mal dos caçadores, Por matarem os pardais…
Os teus olhos, meu amor, Ainda matam muito mais!
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Intérprete: Aqui Há Baile (in CD “Caderno de Danças do Alentejo – adaptações”, Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)
Papoilas vermelhas
[ Querido Alentejo ]
Papoilas vermelhas Criadas ao vento São cravos de Abril: Deixai-os florir No meu pensamento.
Querido Alentejo, Minha terra amada: Eu nunca me esqueço De seres Alentejo, És sempre lembrada.
Teus cravos vermelhos Já não murcharão; Tens o privilégio De seres Alentejo, Celeiro da nação.
Vem o mês de Abril, Cresce a saudade; Vem o nosso povo E a cantar de novo: «Viva a liberdade!»
Querido Alentejo, Minha terra amada: Eu nunca me esqueço De seres Alentejo, És sempre lembrada.
Teus cravos vermelhos Já não murcharão; Tens o privilégio De seres Alentejo, Celeiro da nação.
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Moda:
Penteei o meu cabelo, Penteei-o para trás, Com uma travessa nova Que me deu o meu rapaz.
Que me deu o meu rapaz Toda cheia de pedrinhas; Penteei o meu cabelo, Ficou-me todo às ondinhas.
Moda:
Penteei o meu cabelo, Penteei-o para trás, Com uma travessa nova Que me deu o meu rapaz.
Que me deu o meu rapaz Toda cheia de pedrinhas; Penteei o meu cabelo, Ficou-me todo às ondinhas.
Ficou-me todo às ondinhas, Ficou-me todo ondulado; Penteei o meu cabelo Para trás e para o lado.
Cantiga:
Há ondas, meu bem, há ondas, Há ondas sem ser no mar: Há ondas no teu cabelo, Há ondas no teu olhar.
Moda:
Penteei o meu cabelo, Penteei-o para trás, Com uma travessa nova Que me deu o meu rapaz.
Que me deu o meu rapaz Toda cheia de pedrinhas; Penteei o meu cabelo, Ficou-me todo às ondinhas.
Ficou-me todo às ondinhas, Ficou-me todo ondulado; Penteei o meu cabelo Para trás e para o lado.
Cantiga:
Há ondas, meu bem, há ondas, Há ondas sem ser no mar: Há ondas no teu cabelo, Há ondas no teu olhar.
Moda:
Penteei o meu cabelo, Penteei-o para trás, Com uma travessa nova Que me deu o meu rapaz.
Que me deu o meu rapaz Toda cheia de pedrinhas; Penteei o meu cabelo, Ficou-me todo às ondinhas.
Ficou-me todo às ondinhas, Ficou-me todo ondulado; Penteei o meu cabelo Para trás e para o lado.
Cantiga:
Há ondas, meu bem, há ondas, Há ondas sem ser no mar: Há ondas no teu cabelo, Há ondas no teu olhar.
Caderno de Danças do Alentejo
Por eu ser alentejano
[ Há Lobos Sem Ser na Serra ]
Por eu ser alentejano, Alguém me chamou ladrão: Foi o que eu nunca chamei A quem me roubava o pão.
Há lobos sem ser na serra, Eu ainda não sabia… Debaixo do arvoredo Trabalham com valentia.
Trabalham com valentia Cada um na sua arte; Eu ainda não sabia: Há lobos em toda parte.
Maldita sociedade, Estás tão mal organizada: Quem não trabalha tem tudo, Quem trabalha não tem nada!
Há lobos sem ser na serra, Eu ainda não sabia… Debaixo do arvoredo Trabalham com valentia.
Trabalham com valentia Cada um na sua arte; Eu ainda não sabia: Há lobos em toda parte.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in CD “O Círculo Que Leva a Lua”, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2003; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD2, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Quando o melro assobia
[ Castro Verde É Nossa Terra ]
Quando o melro assobia, Escondido nos silvados: Quer de noite, quer de dia, São lindos os seus trinados.
Castro Verde é nossa terra! Ai quem nos dera lá estarmos agora P’rá mocidade, com saudade, Ouvir cantar como ouvi outrora.
Terra bela Tão desejada! Casa singela De branco caiada!
Eu nunca esqueço Que foste meu berço, Lindo cantinho Desta pátria amada!
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Grupo Coral “Os Ganhões de Castro Verde” (in LP “Castro Verde É Nossa Terra”, Valentim de Carvalho, 1975; Livro/2CD “Terra: Antologia 1972-2006”: CD1, Associação de Cante Alentejano “Os Ganhões”, 2006)
Quem tiver olhos azuis
[ Fui-te Ver, Estavas Lavando ]
[ Cantiga: ]
Quem tiver olhos azuis Bem os pode arrecadar: Os olhos azuis são poucos, São custosos de alcançar.
[ Moda: ]
Fui-te ver, estavas lavando No rio sem assabão; Lavas em água de rosas, Fica-te o cheiro na mão.
Fica-te o cheiro na mão, Fica-te o cheiro no fato; Se eu morrer e tu ficares, Adora-me o meu retrato!
Adora-me o meu retrato, Adora meu coração! Fui-te ver, estavas lavando No rio sem assabão.
[ Cantiga: ]
Menina, tire a camisa [bis] Que tem à sua janela! A camisa sem a dona [bis] Lembra-me a dona sem ela.
[ Moda: ]
Fui-te ver, estavas lavando No rio sem assabão; Lavas em água de rosas, Fica-te o cheiro na mão.
Fica-te o cheiro na mão, Fica-te o cheiro no fato; Se eu morrer e tu ficares, Adora-me o meu retrato!
Adora-me o meu retrato, Adora meu coração! Fui-te ver, estavas lavando No rio sem assabão.
Letra e música: Popular (Alentejo) Arranjo: Monda e Ruben Alves Intérprete: Monda (in CD “Monda”, Monda/Tánaforja, 2016)
Ribeira vai cheia
Ribeira vai cheia e o barco não anda. Tenho o meu amor lá daquela banda.
Lá daquela banda e eu cá deste lado; ribeira vai cheia e o barco parado.
(Popular – Alentejo)
Rompe a aurora
[ Primavera alentejana ]
Rompe a aurora, nasce o dia iluminando o montado. Como um hino à alegria ouve-se balir o gado.
Roxo, verde e amarelo, olho à volta é o que vejo. Não há nada assim tão belo, ó meu querido Alentejo.
Refrão: Lindos campos verdejantes matizados de papoilas, já não são como eram antes mondados pelas moçoilas.
Perfumados de poejo os campos de solidão, é assim o Alentejo que trago no coração.
O melro canta no silvado, o grilo no buraquinho, e eu por ti apaixonado, Alentejo, meu cantinho.
Refrão
Poema: Hermínia Gaidão Costa (em memória de Margarida Gaidão) Música: Hermínia Costa / Rodapé Intérprete: Roda Pé (in CD “Escarpados Caminhos”, 2004)
Rouxinol repenica o cante
Rouxinol repenica o cante ao passar da passadeira. Nunca mais tornas a Beja, oh ai, sem passares à Vidigueira,
sem passares à Vidigueira, sem ires beber ao falcante e ao passar da passadeira, oh ai, rouxinol repenica o cante.
Eu gosto muito de ouvir cantar a quem aprendeu. Se houvera quem me ensinara, oh ai, quem aprendia era eu.
Rouxinol repenica o cante ao passar da passadeira. Nunca mais tornas a Beja, oh ai, sem passares à Vidigueira.
Sem passares à Vidigueira, sem ires beber ao falcante e ao passar da passadeira, oh ai, rouxinol repenica o cante.
Letra e música: Popular; adaptação: Vitorino Intérprete: Vitorino (in “Os Malteses”, Orfeu, 1977; “Negro Fado”, EMI-VC, 1988)
Santa Vitória, Ervidel
[ O Homem da Campaniça (Ao Ricardo Fonseca) ]
Santa Vitória, Ervidel: Minha cantiga é castiça, Minha voz doce de mel, Meus dedos na campaniça.
Rosa, Mariana, Maria: Todas me ouviram cantar, Fosse de noite ou de dia Ou com um sol de abrasar.
Rasguei modas e cantares, Dízimas disse, que eu fiz; Andei por muitos lugares Ora alegre ora infeliz.
Andei com moças brejeiras, Mulheres feitas, ricas donas; Dormi com elas nas eiras E na apanha de azeitonas.
Inda hoje eu sou falado Da serra à charneca inteira, Pelo homem da campaniça Tocando à sua maneira.
Com a minha campaniça Nas tabernas, no baldão, Toda a gente me conhece De Beja a Corte Malhão…
Letra e música: Francisco Naia Intérprete: Francisco Naia (in CD “Francisco Naia e a Ronda Campaniça”, Francisco Naia/Ovação, 2012)
São chegados os Três Reis
[ Reis ]
São chegados os Três Reis à porta do lavrador Se tem a mulher bonita a filha é uma flor
Que cavalos são aqueles que fazem sombra no Mar São os três do Oriente que a Jesus vão adorar
O menino chora, chora porque anda descalcinho Haja quem lhe dê as meias que eu lhe dou os sapatinhos
Nossa Senhora lavava e São José estendia E o menino chorava com o frio que fazia
Calai-vos meu menino calai-vos meu amor Isto são navalhinhas que cortam sem dor
Saíram as três Marias de noite pelo luar Em busca do Deus menino sem No poderem achar
Foram-No achar em Roma vestidinho no altar Com cálix d’oiro na mão missa nova quer cantar
E dai-la esmola e… e dai-la esmola bem dada Para quem, para quem vier pedir que ela lhe, que ele lhe sirva de escada Para quando, para quando ao céu subir
Letra e música: Popular (Redondo – Alentejo) Intérprete: Janita Salomé / cantadores de Redondo (in CD “Vozes do Sul: uma celebração do cante alentejano”, Capella, 2000)
São saias
[ Saias dos Foros ]
São saias, meu bem, são saias; São saias que andam na moda. Segura-te, amor, não caias Qu’ elas têm pouca roda!
Segura-te, amor, não caias Qu’ elas têm pouca roda! São saias, meu bem, são saias; São saias que andam na moda.
Oh maçã encarnadinha Bicada do rouxinol, Se não fosses tão baixinha Eras mais linda que o Sol!
Se não fosses tão baixinha Eras mais linda que o Sol, Oh maçã encarnadinha Bicada do rouxinol!
Nos foros da Fonte Santa Não se pode namorar: De dia as velhas à porta, À noite os cães a ladrar.
De dia as velhas à porta, À noite os cães a ladrar. Nos foros da Fonte Santa Não se pode namorar.
Estas é que são as saias Que cantam em Portugal: Trouxeram-nas as ceifeiras Na ponta do avental.
Trouxeram-nas as ceifeiras Na ponta do avental; Estas é que são as saias Que cantam em Portugal.
Letra e música: Tradicional (Alto Alentejo) Intérprete: Real Companhia (in CD “Orgulhosamente Nós!”, Lusogram, 2000)
Alto Alentejo, Castelo de Évora Monte
São João se adormiceu
São João se adormiceu No colo da sua tia; Ricorda, João, ricorda, Que amanhã é o teu dia!
No altar di São João Há um copi de água benta; São João subiu ao Céu A pidiri por toda a gente.
Letra e música: Tradicional (Reguengos de Monsaraz, Alto Alentejo) Recolha: Michel Giacometti (in “Portuguese Folk Music”: CD 4 – Alentejo, Strauss, 1998; “Música Regional Portuguesa”: CD 5 – Alentejo, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérprete: O Baú (in CD “Achega-te”, O Baú, 2012)
São saias, senhor
[ Saias de Abril ]
São saias, senhor, são saias Para varar ao sol-pôr; Se não varas as searas O balho será pior.
As portas que Abril abriu Ninguém as pode fechar; Se não fosse a liberdade Não podia aqui cantar.
São saias, senhor, são saias Para varar ao sol-pôr; Se não varas as searas O balho será pior.
As portas que Abril abriu Ninguém as pode fechar; Se não fosse a liberdade Não podia aqui pensar.
São saias, senhor, são saias Para varar ao sol-pôr; Se não varas as searas O balho será pior.
São saias, senhor, são saias Para varar ao sol-pôr; Se não varas as searas O balho será pior.
Letra: Tradicional do Alto Alentejo (refrão) e Há Lobos Sem Ser na Serra Música: Tradicional (Alto Alentejo) Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016) Primeira versão: Vitorino com Sheila Charlesworth – “São Saias, Senhor, São Saias” (in LP “Semear Salsa ao Reguinho”, Orfeu, 1975, reed. Movieplay, 1999; CD “Vitorino”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 43, Movieplay, 1994)
Se a morte fosse interesseira
[ Canta o Melro no Silvado – Amora Madura ]
Se a morte fosse interesseira, Ai de nós o que seria: O rico comprava a morte, Só o po… só o pobre é que morria.
Canta o melro no silvado E o rouxinol na ribeira; Ó minha pombinha branca, Quero ir… quero ir à tua beira.
Quero ir à tua beira, Quero viver a teu lado; Rola o pombo na azinheira, Canta o par… canta o pardal no telhado.
Ó minha amora madura quem foi que te amadurou? Foi o sol e foi a lua (Ó rique tique, piquenino) e o calor que ela apanhou.
E o calor que ela apanhou lá naquela chapadinha; Ó minha amora madura, (Ó rique tique, piquenino) minha amora madurinha.
Ó minha amora madura quem foi que te amadurou? Foi o sol e foi a lua (Ó rique tique, piquenino) e o calor que ela apanhou.
E o calor que ela apanhou lá naquela chapadinha; Ó minha amora madura, (Ó rique tique, piquenino) minha amora madurinha.
Letra e música: Tradicional (“Canta o Melro no Silvado” – Alentejo / “Amora Madura” – Tôr, Loulé, Algarve) Intérprete: Afonso Dias* (in CD “Andanças & Cantorias”, Bons Ofícios – Associação Cultural, 2016)
Se eu for preso por cantar
[ Sarapateado ]
Se eu for preso por cantar Não calarei a garganta; Eu sou como o passarinho Que até na gaiola canta.
Vai sim, meu bem, sarapatear! Quem quiser bailar traga bom calça…, Traga bom calça…, traga bom calçado! Vai sim, meu bem, sarapateado. [bis]
À porta da minha sogra Vem uma silva nascendo; Todos passam, não se enleiam, Só eu na silva me prendo.
Vai sim, meu bem, sarapatear! Quem quiser bailar traga bom calça…, Traga bom calça…, traga bom calçado! Vai sim, meu bem, sarapateado. [bis]
Vai sim, meu bem, sarapatear! Quem quiser bailar traga bom calça…, Traga bom calça…, traga bom calçado! Vai sim, meu bem, sarapateado. [4x]
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Arranjo: Há Lobos Sem Ser na Serra Intérprete: Há Lobos Sem Ser na Serra Primeira versão do grupo Há Lobos Sem Ser na Serra (in CD “Cantares do Sul e da Utopia”, Há Lobos Sem Ser na Serra/Alain Vachier Music Editions, 2016)
Se fores ao Alentejo
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão: Leva o coração aberto, E ao lado do coração Leva a rosa da justiça E o teu filho pela mão.
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão. Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão.
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão: Leva o teu braço liberto Para abraçar teu irmão; Esse irmão que está tão perto Do teu aperto de mão E que tão longe amanhece Nos campos da solidão.
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão.
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão: Leva a alegria de seres Irmão de quem vai parir Uma seara de trigo, Uma charneca a florir, Um rebanho e um abrigo E um amanhã que há-de vir Como se fosse outro amigo Dentro do sol, a sorrir.
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão.
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão: Leva o coração aberto E o teu filho pela mão. Leva o coração aberto E o teu filho pela mão.
Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão. Se fores ao Alentejo Não leves vinho nem pão.
Letra: Eduardo Olímpio Música: Carlos Alberto Moniz Intérprete: Carlos Alberto Moniz Versão original: Carlos Alberto Moniz (in Livro/2CD “O Vinho dos Poetas”: CD 2, Carlos Alberto Moniz/Ovação, 2014)
Semeei salsa ao reguinho
[ Semear Salsa ao Reguinho ]
Semeei salsa ao reguinho Hortelã daquela banda Para lograr os teus carinhos Tive que andar em demanda
Tive que andar em demanda Para lograr os teus carinhos Hortelã daquela banda Semeei salsa ao reguinho
Não julgues por eu cantar Que a vida alegre me corre Eu sou como um passarinho Tanto canta até que morre
Letra e música: Popular (Alentejo) Recolha e arranjo: Vitorino Intérprete: Vitorino (in “Semear Salsa ao Reguinho”, Orfeu, 1975; reed. Movieplay, 1999; CD “Ao Vivo A Preto e Branco”, Magic Music/Som Livre, 2007)
Senhora que és padroeira
[ Nossa Senhora do Carmo ]
Senhora que és padroeira Da nossa terra hospitaleira
Nossa Senhora do Carmo Que está no seu altar Todos lá vamos ajoelhar E a cantar, a cantar Vamos rezar
Oremos p’la nossa voz Nossa Senhora rogai por nós
Nossa Senhora do Carmo Que está no seu altar Todos lá vamos ajoelhar E a cantar, a cantar Vamos rezar
Unidos a uma voz Nossa Senhora rogai por nós
Nossa Senhora do Carmo Que está no seu altar Todos lá vamos ajoelhar E a cantar, a cantar Vamos rezar
(Popular – Alentejo)
Sol baixinho
[ Moda de baile ]
Sol baixinho, sol baixinho, Sol baixinho também queima; Eu hei-de amar, sol baixinho, Só p’ra seguir uma teima.
Cravo branco, não me prendas, Que eu não tenho quem me solte! Não sejas tu, cravo branco, Causante da minha morte!
O meu pai é tocador, Minha mãe é cantadeira: Eu sou filho deles ambos, Canto da mesma maneira.
Eu gosto muito de estar Onde estão as raparigas: Uma canta, outra baila E a outra ouve as cantigas.
Letra e música: Popular (ilha de Santa Maria, Açores) Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”, Açor/Emiliano Toste, 2002) [canta Virgínia de Andrade Cabral, acompanhada por violas de arame tocadas por António Augusto Cabral e João Soares Arranjo: António Prata Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos (in 2CD “Alçude”: CD 1, Ovação, 2001) Primeira versão da Ronda dos Quatro Caminhos (in CD “Recantos”, Polygram, 1996) Outra versão da Ronda dos Quatro Caminhos com Orquestra Sinfonietta de Lisboa (in DVD/CD “Ao Vivo no Centro Cultural de Belém”, Ocarina, 2005) [ao vivo na TV Galicia com as Adufeiras de Monsanto, vozes do Alentejo e Orquestra Sinfonietta de Lisboa
Solidão, ai dão, ai dão
Solidão, ai dão, ai dão, Para mim quer sim, quer não; Vem a morte e leva a gente, Quem não há-de ter paixão?
Quem não há-de ter paixão? Quem paixão não há-de ter? Solidão, ai dão, ai dão, Resistir até morrer.
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Bernardo Charrua “Calabaça” (in CD “Monda”, de Monda*, Monda/Tánaforja, 2016)
Suspirava por te ver
[ Ó Menina Florentina ]
Suspirava por te ver, Já matei a saudade. Muito custa uma ausência P’ra quem ama na verdade.
Ó menina Florentina, És a flor que em meu peito domina! Seu amante, delirante, De viagem chegou nesse instante.
Já cá está tiro-liro-li, tiro-liro-lé! Já cá está tiro-liro-li, tiro-liro-ló! Já cá está tiro-liro-li, meu amor, Tiro-liro-li abre a porta, ó branca flor!
Anda cá para meus braços, Se tu vida queres ter! Os meus braços dão saúde A quem está para morrer.
Ó menina Florentina, És a flor que em meu peito domina! Seu amante, delirante, De viagem chegou nesse instante.
Já cá está tiro-liro-li, tiro-liro-lé! Já cá está tiro-liro-li, tiro-liro-ló! Já cá está tiro-liro-li, meu amor, Tiro-liro-li abre a porta, ó branca flor!
Graças a Deus que chegou Quem eu desejava ver: Deu palavra, não faltou, Assim é que deve ser.
Ó menina Florentina, És a flor que em meu peito domina! Seu amante, delirante, De viagem chegou nesse instante.
Já cá está tiro-liro-li, tiro-liro-lé! Já cá está tiro-liro-li, tiro-liro-ló! Já cá está tiro-liro-li, meu amor, Tiro-liro-li abre a porta, ó branca flor!
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Intérpretes: Ana Tomás & Ricardo Fonseca (in CD “Canções de Labor e Lazer”, Ana Tomás & Ricardo Fonseca, 2017)
Tá preso o João Brandão
[ Mais Brando João Brandão ]
‘Tá preso o João Brandão Às grades do Limoeiro; Mais brando… Às grades do Limoeiro.
Era rico, agora é pobre… Olha o que faz o dinheiro! Mais brando… Olha o que faz o dinheiro!
Estando eu na minha loja, Encostadinho ao balcão, Mais brando… Encostadinho ao balcão,
Ouvi uma voz dizer: “‘Tá preso o João Brandão.” Mais brando… “‘Tá preso o João Brandão.”
Ouvi uma voz dizer: “‘Tá preso o João Brandão.” Mais brando… Mais Brando João Brandão.
Letra: Popular (Alentejo) Música: Monda Intérprete: Monda com o Grupo de cantadores de Portel (in CD “Monda”, Monda/TáNaForja, 2016)
Trago um jardim no sentido
[ Jardim dos Sentidos ]
Trago um jardim no sentido, Por ter sentido o que sinto: Amor que não faz sentido Num coração louco e faminto.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Coração louco e faminto, Rosa que tenho sentido; Jardim que anda perdido, Por ter sentido o que sinto.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Por ter sentido o que sinto, Amor que não faz sentido, Jardim que anda perdido, Trago um jardim no sentido.
No jardim do meu sentido Nascem cravos cardinais; Também eu nasci no mundo P’ra te querer cada vez mais.
No jardim do rei há rosas, Também há malvas de cheiro; Não há luz como a do dia, Nem amor como o primeiro.
Trago um jardim no sentido…
Letra e música: Pedro Mestre Intérprete: Pedro Mestre com António Zambujo (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015) Outra versão de Pedro Mestre com António Zambujo (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)
Uma estrela se foi pôr
[ Canção ao Menino ]
Uma estrela se foi pôr Em cima duma cabana A cabana era pequena Não cabiam todos três Adoravam o menino Cada um da sua vez
E abram-se lá essas portas Ainda não estão bem abertas Que nasceu o Deus menino Vou-lhe dar as Boas Festas
Boas Festas meus senhores Boas Festas lhes vou dar Que nasceu o Deus menino Alta noite de Natal
E alta Noite de Natal Noite de santa alegria Que nasceu o Deus menino Filho da Virgem Maria
Senhora dona da casa Deixe-se estar que está bem Mande-nos dar a esmola Por essa rosa que aí tem
Letra e música: Popular (Alentejo) Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in CD “Terra de Abrigo”, Ocarina, 2003)
‘Tá preso o João Brandão
Mais Brando João Brandão
‘Tá preso o João Brandão Às grades do Limoeiro; Mais brando… Às grades do Limoeiro.
Era rico, agora é pobre… Olha o que faz o dinheiro! Mais brando… Olha o que faz o dinheiro!
Estando eu na minha loja, Encostadinho ao balcão, Mais brando… Encostadinho ao balcão,
Ouvi uma voz dizer: “Está preso o João Brandão.” Mais brando… “Está preso o João Brandão.”
Ouvi uma voz dizer: “‘Tá preso o João Brandão.” Mais brando… Mais Brando João Brandão.
Letra: Popular (Alentejo) Música: Monda Intérprete: Monda com o Grupo de cantadores de Portel (in CD “Monda”, Monda/Tánaforja, 2016)
Vai ao centro, vai ao meio
Vai ao centro, vai ao meio! Agora vou andar Com o meu amor em passeio; Agora é que eu vou andar Com meu amor em passeio.
Vá de roda, cantem todas Cada qual sua cantiga! Eu também cantarei, Eu também cantarei uma Que a mocidade me obriga.
Vá de roda, cantem todas Cada qual sua cantiga! Que eu também cantarei uma Que a mocidade me obriga.
Vai ao centro…
[ Moda: ]
Vai de centro ao centro ao centro! Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar Com meu amor em passeio.
Com meu amor em passeio, Com meu bem a passear, Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar.
[ Cantiga: ]
Vá de roda, cantem todos Cada qual sua cantiga! Que eu também cantarei uma Que a mocidade me obriga.
[ Moda: ]
Vai de centro ao centro ao centro! Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar Com meu amor em passeio.
Com meu amor em passeio, Com meu bem a passear, Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar.
[ Moda: ]
Vai de centro ao centro ao centro! Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar Com meu amor em passeio.
Com meu amor em passeio, Com meu bem a passear, Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar.
[ Cantiga: ]
Minha mãe, p’ra m’eu casar, Ofereceu-me uma panela; Depois de me ver casada, Partiu-me a cara com ela.
[ Moda: ]
Vai de centro ao centro ao centro! Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar Com meu amor em passeio.
Com meu amor em passeio, Com meu bem a passear, Vai de centro ao centro ao meio! Agora é que eu vou andar.
Letra e música: Tradicional (Alentejo) Intérprete: Aqui Há Baile (in CD “Caderno de Danças do Alentejo – adaptações”, Associação Pédexumbo/Caracol Secreto, 2013)
Vai colher a rosa
Vai colher a rosa Vai colhê-la, vai. Se ela te picar Não digas ai ai.
Não digas ai ai Não digas ai ui Vai colher a rosa Vai, vai que eu também fui.
O meu lindo amor Já não me visita É certo que tem Outra mais bonita.
Outra mais bonita Outro bem querer. O meu lindo amor Já não me vem ver.
(Popular – Alentejo)
Vamos nós seguindo
Vamos nós seguindo, por esses campos fora… Que a manhã vem vindo dos lados da aurora.
Dos lados da aurora a manhã vem vindo. Por esses campos fora, vamos nós seguindo.
(Popular – Alentejo)
Verão
[ Verão, Alentejo e os Homens ]
Verão, A brasa dourada e celeste Queima este solo agreste Doirando mais a espigas; Ceifeiros, corpos curvados Cortando e atando em molhos A bênção loira da vida.
Meu Alentejo, Enquanto isto se processa, O sol ferino e sem pressa Queima mais a tez bronzeada; O suor rasga a camisa, Homem queimado mais fica, E a vida é feita de brasas.
O calor caustica os corpos, Os ceifeiros vão ceifando Sem parar o seu labor; O seu cantar é dolente, É certo que é boa gente, É verdade e tem mais sol.
Música: Manuel Conde Fialho Letra: Egídio Manuel dos Santos
(Informação de Nelson Conde, filho de Manuel Conde Fialho)
https://www.Meloteca.com/wp-content/uploads/2020/03/alto-alentejo_castelo-de-evora-monte.jpg400400António Ferreirahttps://www.Meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-Meloteca-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:21:202024-11-02 06:51:03Canções do Alto Alentejo
Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância
Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.
Ao correr da queda de água
[ Fraga da Pena ]
Ao correr da queda de água Fui lavar o sentimento: Deixei acalmar a mágoa Enquanto escutava o vento.
A saltar entre os penedos, As águas vão ensinando As lembranças e os segredos Que a serra vai murmurando.
E as penas quem as apaga Para a alma ficar serena? Penas grandes como a fraga São como a Fraga da Pena.
E as penas quem as apaga Para a alma ficar serena? Penas grandes como a fraga São como a Fraga da Pena.
Enquanto a tarde se deita Nas sombras da penedia, A água aos poucos ajeita O raiar do novo dia.
Trigueira de água nos dedos Desce da serra apressada: Vem a cantar pelos penedos Para me saudar à chegada.
Enquanto a noite me afaga, Enquanto a lua me acena, Adormeço ao som da fraga: Ao som da Fraga da Pena.
Enquanto a noite me afaga, Enquanto a lua me acena, Adormeço ao som da fraga: Ao som da Fraga da Pena.
E as penas quem as apaga Para a alma ficar serena? Penas grandes como a fraga São como a Fraga da Pena.
Enquanto a noite me afaga, Enquanto a lua me acena, Adormeço ao som da fraga: Ao som da Fraga da Pena.
Letra: Sebastião Antunes Música: Fernando Pereira Intérprete: Real Companhia Versão original: Real Companhia com Ana Laíns (in CD “Serranias”, Tê, 2013; CD “20 Anos Já Cá Cantam” (compilação), Tê, 2016)
Reciclanda
O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.
Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Misericórdias, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.
Contacte-nos:
António José Ferreira 962 942 759
Eu fui à barra do Porto
[ Real Caninha ]
Eu fui à barra do Porto Com vento norte-suão, Ó real caninha! Com vento norte-suão, Só para ver se alcançava A filha do capitão.
Eu fui à barra do Porto Com vento norte-nordeste, Ó real caninha! Com vento norte-nordeste, Só para ver se alcançava A filha do contramestre.
Tenho rendas que me rendem, Não quero mais trabalhar, Ó real caninha! Não quero mais trabalhar; Tenho um navio no Porto Com janelas para o mar.
Eu fui à barra do Porto Com vento norte-suão, Ó real caninha! Com vento norte-suão, Só para ver se alcançava A filha do capitão.
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Toques do Caramulo É ao Vivo!”, d’Orfeu Associação Cultural, 2007)
Eu fui p’ra aqui convidado
[ Passar de Mão ]
Depois de uma recolha na Serra do Baixo Caramulo levada a cabo por um grupo de aguedenses, liderado por Américo Fernandes, efectuou-se um agradável convívio durante o qual o repentista José Carlos, da aldeia de Falgaroso, da paróquia de Belazaima do Chão, porém da freguesia de Castanheira do Vouga, acompanhado pelo fundo de um regador de onde os seus dedos grossos retiraram um delicado batuque fadista, cantou os seguintes versos:
Eu fui p’ra aqui convidado P’ra cantar modas antigas, Mas em troca das cantigas Fui muito bem tratado: Enfardei leitão assado; Buer, também buí bem. Já dizia a minha mãe: «Filho, ocupa o teu lugar! Se houver tolos a pagar, Não gastes nem um vintém!»
É teoria acertada, Aproveito a ocasião; Se me chamarem lambão Até nem me importo nada. À troca da desgarrada Já comi um bom jantar; Mas não posso cá voltar, Pois é essa a minha pena: À conta da minha cena Ninguém me volta a convidar.
Mas, como eu, estão cá tantos, Não vieram fazer nada: Encheram foi a malvada, Beberam tintos e brancos; Fora de casa são francos, Comem até rebentar, Engolem sem mastigar… Ah, que grande sofreguidão! Se lhes dá uma congestão, Ninguém os pode salvar.
E estes senhores da Bairrada Vieram muito enganados: Pagam a conta, coitados, E não aprenderam nada; Levam música gravada Que não dá p’ra aproveitar, Só se for p’ra recordar O malogro deste dia, É p’ra perderem a mania De quererem coleccionar.
Letra: Tradicional (Falgarosa, Castanheira do Vouga, Águeda, Beira Litoral) Informante: José Carlos Recolha: Américo Fernandes (in “cancioneiro do Concelho de Águeda”, Org. Amílcar da Fonseca Morais, Câmara Municipal de Águeda, 2011 – p. 60-61) Música: Tradicional (Beira Litoral) Arranjo: Luís Fernandes Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)
Eu no mar e tu no mar
[ É um ar que lhe dá ]
Eu no mar e tu no mar Ai, andamos ambos perdidos: Eu no mar desses teus olhos, Ai, tu no mar dos meus sentidos.
É um ar que lhe dá, É um ar que lhe deu; Ai, é um ar que lhe dá, Quem vira sou eu.
Quem me fora linho fino Ai, ou retrós de qualquer cor Para andar no teu peitinho Ai, a servir de apertador.
É um ar que lhe dá, É um ar que lhe deu; Ai, é um ar que lhe dá, Quem vira sou eu.
Julgavas que eu te queria, Ai, olha o engano do mundo: É que os meus olhos já navegam Ai, noutro pocinho mais fundo.
É um ar que lhe dá, É um ar que lhe deu; Ai, é um ar que lhe dá, Quem vira sou eu.
As noras gemem coitadas Ai, quando lhes falta a corrente: Também eu gemo e suspiro Ai, quando tenho o amor ausente.
É um ar que lhe dá, É um ar que lhe deu; Ai, é um ar que lhe dá, Quem vira sou eu.
É um ar que lhe dá…
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)
Fala-me, Rosa
Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha. Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha.
Coradinha, olé, ó linda, Coradinha, olé limão! Toma lá esta laranja Que eu dou-te o meu coração!
Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha. Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha.
Quem perdeu o que eu achei: Um lencinho de assoar? Tinha três nós de ciúme, Custaram-me a desatar.
Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha. Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha.
Coradinha, olé, ó linda, Coradinha, olé limão! Dá-me os teus braços, ó Rosa, Que eu dou-te o meu coração!
Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha. Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha.
Quem perdeu o que eu achei: Um lencinho quase novo? Em cada ponta um suspiro E no meio um ai que eu morro.
Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha. Fala-me, Rosa, a mim sozinha! Verás como ficas coradinha.
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)
Morro de amor pelas águas da ria
[ Fado Moliceiro ]
Morro de amor pelas águas da ria; esta espuma de dor eu não sabia.
Sou moliceiro do teu lodo fecundo; sou a Ria de Aveiro, o sal do mundo.
Vara comprida, tamanho da vida; braço de mar, a lavrar, a lavrar.
Morro de amor nesta rede que teço e é no sal do suor que eu aconteço.
Para além da salina o horizonte me ensina que há muito mar, muito mar para lavrar! para lavrar!
Poema: José Carlos Ary dos Santos Música: Carlos Paredes Intérprete: Mariana Abrunheiro (in Livro/CD “Cantar Paredes”, Mariana Abrunheiro/BOCA – Palavras Que Alimentam, 2015) Versão original: Carlos do Carmo (in LP “Um Homem no País”, Philips/Polygram, 1983, reed. Philips/Polygram, 1984, Universal, 2000, 2013; Livro/4CD “O Mundo Segundo Carlos Paredes: Integral 1958-1993”: CD5 – “Improvisos”, EMI-VC, 2003)
Nasci em terras de xisto
[ Serra do Açor ]
Nasci em terras de xisto À beira do rio Ceira Em lugar de Balsa sem Porto Numa Serra onde o Açor pousou Em leito de feno dormi
Cresci na terra do Sorgaço Correndo em lameiros verdejantes Ouvi o sopro dos ventos Junto ao correr das levadas Vi noite sem luar
Ouvi histórias de bruxaria Lendas de lobisomens D’almocreves e mouras encantadas Vi sementeiras e colheitas As malhas e debulhas
Saltei fogueiras de rosmaninho Acendi o madeiro de Natal Cantei janeiras pelo povoado Cheirei alecrim e loureiro Bebi chá de sabugueiro
Nadei nas águas do Alva Na ponte que tem três entradas Em Avô, terra de poetas, Cantei baladas ao luar Até o galo cantar
Que importa ser acordado Dos sonhos desta noite Pela coruja que é a Surga Ou pelo sino da capela Tudo isto existe, tudo isto é belo Nada mudou, tudo está como era dantes…
Letra e música: Fernando Pereira Intérprete: Real Companhia Versão anterior: Real Companhia (in CD “Serranias”, Tê, 2013; Versão original: Real Companhia (in CD “Real Companhia”, Profissom, 1997; CD “20 Anos Já Cá Cantam” (compilação), Tê, 2016) Outras versões: Real Companhia (in CD “Em Tons de Pastel”, Tê, 2004); Real Companhia (in CD “Em Forma de Abraço”, Tê, 2005)
Nunca te ouvira
[ Ó Pedras Desta Calçada ]
Nunca te ouvira, nem conhecera, Nunca te eu dera um sinal de amor: Vem aos meus braços que eu dou-te um beijo! Vem os meus beijos, linda flor!
Ó pedras desta calçada, Levantai-vos e dizei Quem vos passeia à noite, Que de dia eu bem sei!
Ó pedras desta calçada, Levantai-vos e dizei Quem vos passeia à noite, Que de dia eu bem sei!
Nunca te ouvira, nem conhecera, Nunca te eu dera um sinal de amor: Aos meus braços, aos meus beijos, Aos meus braços, linda flor!
Ó pedras desta calçada, Levantai-vos e dizei Quem vos passeia à noite, Que de dia eu bem sei!
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Toques do Caramulo É ao Vivo!”, d’Orfeu Associação Cultural, 2007)
Ó Bairrada
[ Vira Bairrês ]
Ó Bairrada, ó Bairrada, Terra da minha Paixão, Onde eu tenho os meus amores, Ninguém me diga que não! Terra da Minha Paixão!
Corri Arcos e Três Arcos, Famalicão, Anadia… Ao cruzeiro de Sangalhos Fui encontrar quem eu queria; Famalicão, Anadia…
Almas Santas da Areosa, Dizei-me onde morais Entre Aguada e Vidoeiro, No meio dos pinheirais! Dizei-me onde morais!
Letra e música: Tradicional (Bairrada, Beira Litoral) Arranjo: Luís Fernandes Intérprete: Toques do Caramulo Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)
O brio das raparigas
O brio das raparigas, Ela é minha namorada; Ó i ó ai, diz a filha para a mãe: Ó i ó ai, quero uma saia bordada.
Quero uma saia bordada, Também quero fina meia; Ó i ó ai, sapatinho à papo-seco, Ó i ó ai, é bonita, não é feia.
O meu amor não é este O meu amor traz chapéu; Ó i ó ai, o meu amor ao pé deste Ó i ó ai, parece um anjo do Céu.
O brio do rapaz novo É o chapéu derrubado; Ó i ó ai, corrente d’ouro ao peito, Ó i ó ai, o cabelo ondulado.
Não sei se te diga “adeus”, Se te diga “vou-me embora”; Ó i ó ai, dizer adeus é saudoso, Ó i ó ai, quem diz adeus logo chora.
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo com Sara Vidal (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)
O lugar de Macieira
O lugar de Macieira (ó ai ó larilolela) Tem ladeiras a subir: (ó ai) Quem lá tem os seus amores, (ó ai ó larilolela) Vai ao céu e torna a vir. (ó ai)
O lugar de Outeiro da Vila (ó ai ó larilolela) Tem carreiros de formigas (ó ai) Aonde os rapazes vão (ó ai ó larilolela) Vigiar as raparigas. (ó ai)
O lugar de Macieira (ó ai ó larilolela) Tem ladeiras a subir: (ó ai) Quem lá tem os seus amores, (ó ai ó larilolela) Vai ao céu e torna a vir. (ó ai)
O lugar de Outeiro da Vila (ó ai ó larilolela) Tem carreiros de formigas (ó ai) Aonde os rapazes vão (ó ai ó larilolela) Vigiar as raparigas. (ó-ó-ó ai)
Quem está sem amores sou eu; (larilolela) Paciência, ó coração! (ó ai) Não tenho p’ra quem olhar, (ó ai ó larilolela) Deito os meus olhos ao chão. (ó-ó-ó ai)
Na Urgueira nasce o Sol, (ó ai ó larilolela) No Ribeiro faz calor; (ó ai) No lugar de Macieira (ó ai ó larilolela) É que brilha o meu amor. (ó-ó-ó ai)
Quem está sem amores sou eu; (ó ai ó larilolela) Paciência, ó coração! (ó ai) Não tenho p’ra quem olhar, (ó ai ó larilolela) Deito os meus olhos ao chão. (ó ai)
Na Urgueira nasce o Sol, (ó ai ó larilolela) No Ribeiro faz calor; (ó ai) No lugar de Macieira (ó ai ó larilolela) É que brilha o meu amor. (ó-ó-ó ai)
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Arranjo: Luís Fernandes Intérprete: Toques do Caramulo Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo, com Elíseo Parra (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)
Macieira de Alcoba
Ó trigueirinha
Ó trigueirinha, trigueirinha engraçada, Ó trigueirinha, só tu és a minha amada! Ó trigueirinha, trigueirinha do calor, Ó trigueirinha, só tu és o meu amor!
Chamaste-me trigueirinha… Trigueirinha é do pó da eira; Hás-de me ver ao domingo Como a rosa na roseira.
Ó trigueirinha, trigueirinha engraçada, Ó trigueirinha, só tu és a minha amada! Ó trigueirinha, trigueirinha do calor, Ó trigueirinha, só tu és o meu amor!
Trigueirinha engraçada Todo o mundo a cobiça: Como domingo na igreja Quem a vê não ouve a missa.
Ó trigueirinha, trigueirinha engraçada, Ó trigueirinha, só tu és a minha amada! Ó trigueirinha, trigueirinha do calor, Ó trigueirinha, só tu és o meu amor!
Trigueirinha, trigueirinha, Assim me chama o meu Pedro… Não sou linda de espantar Nem feia que meta medo.
Ó trigueirinha engraçada, Ó trigueirinha, só tu és a minha amada! …do calor, Ó trigueirinha, ó meu amor!
Ó trigueirinha engraçada, Ó trigueirinha, só tu és a minha amada! …do calor, Ó trigueirinha, ó meu amor!
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)
Olé, ó senhora mãe
Olé, ó senhora mãe, Aquela menina agrada-me bem! Olé, ó senhora mãe!
Olé, ó senhor, dai, dai Uma esmola a mim, que eu não tenho pai! Olé, ó senhor, dai, dai!
Letra e música: Tradicional (Talhadas, Sever do Vouga, Beira Litoral) Recolha: Michel Giacometti (in LP “Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1970; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 3 – Beiras, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 4 – Beiras, col. Portugal Som, Numérica, 2008) Intérprete: Segue-me à Capela (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa) Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)
Olha para a água!
Olha para a água! Ri-te para mim! Põe o pé na areia! Faz assim, assim!
Meu amor não anda Nada satisfeito: Põe o pé na areia, Faz assim a eito
Olha para a água! Ri-te para mim! Põe o pé na areia! Faz assim, assim!
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo com o Coro Infantil EMtrad (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)
Onde vais, Maria Alice?
[ Maria Alice ]
«Onde vais, Maria Alice? Onde vais tu a chorar?» Vou chamar o meu marido, Está na taberna a jogar.
Está na taberna a jogar Com uma grande bebedeira: Se eu casei para estar sozinha Mais valia estar solteira.
Mais valia estar solteira, Solteirinha estava bem: Estava à sombra de meu pai, Carinhos de minha mãe.
«Onde vais, Maria Alice? Onde vais tu a chorar?» Ai! ai! ai! Ai! ai! ai! Ai! ai! ai!
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Arranjo: Luís Fernandes Intérprete: Toques do Caramulo Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)
Pedrinhas da fonte
Pedrinhas da fonte cheiram a limão, Eu tenho na sina de amar o João.
Pedrinhas da fonte cheiram a café, Eu tenho na sina de amar o José.
Sim, sim, Mariquinhas, sim! Não, não, Mariquinhas, não! Deixa amar quem ama, Não tenhas paixão!
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo com Sara Vidal (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)
Padre-Nosso que organizais festas
[ Padre-Nosso dos Músicos ]
Padre-Nosso que organizais festas: Santificado seja o vosso dinheiro; Venha a nós o vosso arame; Seja feita a nossa vontade tanto no salão como no coreto;
Perdoai-nos algum toque falso Ou alguma nota desafinada, Assim como nós vos perdoamos o pedido de abatimento no preço, E livrai-nos de festas gratuitas e a seco.
Ámen.
Letra: Tradicional (Águeda, Beira Litoral) Informante: David Fernandes Música: Hermeto Pascoal Intérpretes: David Fernandes / Hermeto Pascoal & Aline Morena (2009, in CD “Mexe!”, de Toques do Caramulo, faixa 6, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)
Senhora do Livramento
Senhora do Livramento, Livrai o meu namorado Que me vai deixar sozinha Ai meu Jesus, ai meu Jesus! Pela vida de soldado!
As vossas tranças, Senhora, São loiras como as espigas; Senhora do Livramento, Ai meu Jesus, ai meu Jesus! Protegei as raparigas!
Hei-de bordar a toalha, Senhora, do vosso altar, E a camisa do meu noivo Ai meu Jesus, ai meu Jesus! Quando me for a casar.
Senhora do Livramento… Senhora do Livramento…
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Arranjo: Luís Fernandes e Manuel Maio Intérprete: Toques do Caramulo Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)
Toma lá esta Laranja!
[ Laranjinha ]
Toma lá esta Laranja! Não digas que eu que ta dei! Eu não tenho um laranjal, Dizem que eu que a roubei.
Dizem que eu que a roubei E acredita o povo todo; A laranja foi criada No laranjal do meu sogro.
No laranjal do meu sogro, No quintal da minha avó: O laranjal do meu sogro Deu esta laranja só.
Letra e música: Tradicional (Beira Litoral) Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)
Letra e música: Tradicional (“Verde-Gaio” de Casal d’Álvaro, Espinhel, Águeda, Beira Litoral) Arranjo: Luís Fernandes Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)
Gaio-verde
https://www.Meloteca.com/wp-content/uploads/2018/09/aveiro.jpg400400António Ferreirahttps://www.Meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-Meloteca-300x86.jpgAntónio Ferreira2020-05-06 23:15:032024-11-02 06:46:59Canções da Beira Litoral