Canções tradicionais da Beira Litoral e sobre a região

Aveiro

A água do rio leva

A água do rio leva
Violetas ao comprido;
Ainda ontem me disseram
Que não casavas comigo.

Que não casavas comigo,
Que m’andavas a enganar;
Não hei-de casar contigo,
Nem se a morte me levar.

Eu casar contigo sim,
Mas por ora ainda não;
Amanhã por esta hora
Te darei o sim ou o não.

Amor, se queres que eu t’escreva
Dá-me a tua direcção!
Sou dali, de Óis da Ribeira,
Maria da Conceição.

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

Aceda AQUI aos produtos Meloteca!

Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância

Loja Meloteca, recursos musicais criativos para a infância

Pode ser do seu interesse o Musorbis, sítio do património musical dos concelhos, ou o Instrumentário Português, que já contém 100 instrumentos tradicionais no País.

Ao correr da queda de água

[ Fraga da Pena ]

Ao correr da queda de água
Fui lavar o sentimento:
Deixei acalmar a mágoa
Enquanto escutava o vento.

A saltar entre os penedos,
As águas vão ensinando
As lembranças e os segredos
Que a serra vai murmurando.

E as penas quem as apaga
Para a alma ficar serena?
Penas grandes como a fraga
São como a Fraga da Pena.

E as penas quem as apaga
Para a alma ficar serena?
Penas grandes como a fraga
São como a Fraga da Pena.

Enquanto a tarde se deita
Nas sombras da penedia,
A água aos poucos ajeita
O raiar do novo dia.

Trigueira de água nos dedos
Desce da serra apressada:
Vem a cantar pelos penedos
Para me saudar à chegada.

Enquanto a noite me afaga,
Enquanto a lua me acena,
Adormeço ao som da fraga:
Ao som da Fraga da Pena.

Enquanto a noite me afaga,
Enquanto a lua me acena,
Adormeço ao som da fraga:
Ao som da Fraga da Pena.

E as penas quem as apaga
Para a alma ficar serena?
Penas grandes como a fraga
São como a Fraga da Pena.

Enquanto a noite me afaga,
Enquanto a lua me acena,
Adormeço ao som da fraga:
Ao som da Fraga da Pena.

Letra: Sebastião Antunes
Música: Fernando Pereira
Intérprete: Real Companhia
Versão original: Real Companhia com Ana Laíns (in CD “Serranias”, Tê, 2013; CD “20 Anos Já Cá Cantam” (compilação), Tê, 2016)

Eu fui à barra do Porto

[ Real Caninha ]

Eu fui à barra do Porto
Com vento norte-suão,
Ó real caninha!
Com vento norte-suão,
Só para ver se alcançava
A filha do capitão.

Eu fui à barra do Porto
Com vento norte-nordeste,
Ó real caninha!
Com vento norte-nordeste,
Só para ver se alcançava
A filha do contramestre.

Tenho rendas que me rendem,
Não quero mais trabalhar,
Ó real caninha!
Não quero mais trabalhar;
Tenho um navio no Porto
Com janelas para o mar.

Eu fui à barra do Porto
Com vento norte-suão,
Ó real caninha!
Com vento norte-suão,
Só para ver se alcançava
A filha do capitão.

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo
Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Toques do Caramulo É ao Vivo!”, d’Orfeu Associação Cultural, 2007)

Eu fui p’ra aqui convidado

[ Passar de Mão ]

Depois de uma recolha na Serra do Baixo Caramulo levada a cabo por um grupo de aguedenses, liderado por Américo Fernandes, efectuou-se um agradável convívio durante o qual o repentista José Carlos, da aldeia de Falgaroso, da paróquia de Belazaima do Chão, porém da freguesia de Castanheira do Vouga, acompanhado pelo fundo de um regador de onde os seus dedos grossos retiraram um delicado batuque fadista, cantou os seguintes versos:

Eu fui p’ra aqui convidado
P’ra cantar modas antigas,
Mas em troca das cantigas
Fui muito bem tratado:
Enfardei leitão assado;
Buer, também buí bem.
Já dizia a minha mãe:
«Filho, ocupa o teu lugar!
Se houver tolos a pagar,
Não gastes nem um vintém!»

É teoria acertada,
Aproveito a ocasião;
Se me chamarem lambão
Até nem me importo nada.
À troca da desgarrada
Já comi um bom jantar;
Mas não posso cá voltar,
Pois é essa a minha pena:
À conta da minha cena
Ninguém me volta a convidar.

Mas, como eu, estão cá tantos,
Não vieram fazer nada:
Encheram foi a malvada,
Beberam tintos e brancos;
Fora de casa são francos,
Comem até rebentar,
Engolem sem mastigar…
Ah, que grande sofreguidão!
Se lhes dá uma congestão,
Ninguém os pode salvar.

E estes senhores da Bairrada
Vieram muito enganados:
Pagam a conta, coitados,
E não aprenderam nada;
Levam música gravada
Que não dá p’ra aproveitar,
Só se for p’ra recordar
O malogro deste dia,
É p’ra perderem a mania
De quererem coleccionar.

Letra: Tradicional (Falgarosa, Castanheira do Vouga, Águeda, Beira Litoral)
Informante: José Carlos
Recolha: Américo Fernandes (in “Cancioneiro do Concelho de Águeda”, Org. Amílcar da Fonseca Morais, Câmara Municipal de Águeda, 2011 – p. 60-61)
Música: Tradicional (Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Eu no mar e tu no mar

[ É um ar que lhe dá ]

Eu no mar e tu no mar
Ai, andamos ambos perdidos:
Eu no mar desses teus olhos,
Ai, tu no mar dos meus sentidos.

É um ar que lhe dá,
É um ar que lhe deu;
Ai, é um ar que lhe dá,
Quem vira sou eu.

Quem me fora linho fino
Ai, ou retrós de qualquer cor
Para andar no teu peitinho
Ai, a servir de apertador.

É um ar que lhe dá,
É um ar que lhe deu;
Ai, é um ar que lhe dá,
Quem vira sou eu.

Julgavas que eu te queria,
Ai, olha o engano do mundo:
É que os meus olhos já navegam
Ai, noutro pocinho mais fundo.

É um ar que lhe dá,
É um ar que lhe deu;
Ai, é um ar que lhe dá,
Quem vira sou eu.

As noras gemem coitadas
Ai, quando lhes falta a corrente:
Também eu gemo e suspiro
Ai, quando tenho o amor ausente.

É um ar que lhe dá,
É um ar que lhe deu;
Ai, é um ar que lhe dá,
Quem vira sou eu.

É um ar que lhe dá…

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

Fala-me, Rosa

Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.
Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.

Coradinha, olé, ó linda,
Coradinha, olé limão!
Toma lá esta laranja
Que eu dou-te o meu coração!

Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.
Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.

Quem perdeu o que eu achei:
Um lencinho de assoar?
Tinha três nós de ciúme,
Custaram-me a desatar.

Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.
Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.

Coradinha, olé, ó linda,
Coradinha, olé limão!
Dá-me os teus braços, ó Rosa,
Que eu dou-te o meu coração!

Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.
Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.

Quem perdeu o que eu achei:
Um lencinho quase novo?
Em cada ponta um suspiro
E no meio um ai que eu morro.

Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.
Fala-me, Rosa, a mim sozinha!
Verás como ficas coradinha.

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

Morro de amor pelas águas da ria

[ Fado Moliceiro ]

Morro de amor
pelas águas da ria;
esta espuma de dor
eu não sabia.

Sou moliceiro
do teu lodo fecundo;
sou a Ria de Aveiro,
o sal do mundo.

Vara comprida,
tamanho da vida;
braço de mar,
a lavrar,
a lavrar.

Morro de amor
nesta rede que teço
e é no sal do suor
que eu aconteço.

Para além da salina
o horizonte me ensina
que há muito mar,
muito mar
para lavrar!
para lavrar!

Poema: José Carlos Ary dos Santos
Música: Carlos Paredes
Intérprete: Mariana Abrunheiro (in Livro/CD “Cantar Paredes”, Mariana Abrunheiro/BOCA – Palavras Que Alimentam, 2015)
Versão original: Carlos do Carmo (in LP “Um Homem no País”, Philips/Polygram, 1983, reed. Philips/Polygram, 1984, Universal, 2000, 2013; Livro/4CD “O Mundo Segundo Carlos Paredes: Integral 1958-1993”: CD5 – “Improvisos”, EMI-VC, 2003)

Nasci em terras de xisto

[ Serra do Açor ]

Nasci em terras de xisto
À beira do rio Ceira
Em lugar de Balsa sem Porto
Numa Serra onde o Açor pousou
Em leito de feno dormi

Cresci na terra do Sorgaço
Correndo em lameiros verdejantes
Ouvi o sopro dos ventos
Junto ao correr das levadas
Vi noite sem luar

Ouvi histórias de bruxaria
Lendas de lobisomens
D’almocreves e mouras encantadas
Vi sementeiras e colheitas
As malhas e debulhas

Saltei fogueiras de rosmaninho
Acendi o madeiro de Natal
Cantei janeiras pelo povoado
Cheirei alecrim e loureiro
Bebi chá de sabugueiro

Nadei nas águas do Alva
Na ponte que tem três entradas
Em Avô, terra de poetas,
Cantei baladas ao luar
Até o galo cantar

Que importa ser acordado
Dos sonhos desta noite
Pela coruja que é a Surga
Ou pelo sino da capela
Tudo isto existe, tudo isto é belo
Nada mudou, tudo está como era dantes…

Letra e música: Fernando Pereira
Intérprete: Real Companhia
Versão anterior: Real Companhia (in CD “Serranias”, Tê, 2013;
Versão original: Real Companhia (in CD “Real Companhia”, Profissom, 1997; CD “20 Anos Já Cá Cantam” (compilação), Tê, 2016)
Outras versões: Real Companhia (in CD “Em Tons de Pastel”, Tê, 2004); Real Companhia (in CD “Em Forma de Abraço”, Tê, 2005)

Nunca te ouvira

[ Ó Pedras Desta Calçada ]

Nunca te ouvira, nem conhecera,
Nunca te eu dera um sinal de amor:
Vem aos meus braços que eu dou-te um beijo!
Vem os meus beijos, linda flor!

Ó pedras desta calçada,
Levantai-vos e dizei
Quem vos passeia à noite,
Que de dia eu bem sei!

Ó pedras desta calçada,
Levantai-vos e dizei
Quem vos passeia à noite,
Que de dia eu bem sei!

Nunca te ouvira, nem conhecera,
Nunca te eu dera um sinal de amor:
Aos meus braços, aos meus beijos,
Aos meus braços, linda flor!

Ó pedras desta calçada,
Levantai-vos e dizei
Quem vos passeia à noite,
Que de dia eu bem sei!

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo
Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Toques do Caramulo É ao Vivo!”, d’Orfeu Associação Cultural, 2007)

Ó Bairrada

[ Vira Bairrês ]

Ó Bairrada, ó Bairrada,
Terra da minha Paixão,
Onde eu tenho os meus amores,
Ninguém me diga que não!
Terra da Minha Paixão!

Corri Arcos e Três Arcos,
Famalicão, Anadia…
Ao cruzeiro de Sangalhos
Fui encontrar quem eu queria;
Famalicão, Anadia…

Almas Santas da Areosa,
Dizei-me onde morais
Entre Aguada e Vidoeiro,
No meio dos pinheirais!
Dizei-me onde morais!

Letra e música: Tradicional (Bairrada, Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes
Intérprete: Toques do Caramulo
Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

O brio das raparigas

O brio das raparigas,
Ela é minha namorada;
Ó i ó ai, diz a filha para a mãe:
Ó i ó ai, quero uma saia bordada.

Quero uma saia bordada,
Também quero fina meia;
Ó i ó ai, sapatinho à papo-seco,
Ó i ó ai, é bonita, não é feia.

O meu amor não é este
O meu amor traz chapéu;
Ó i ó ai, o meu amor ao pé deste
Ó i ó ai, parece um anjo do Céu.

O brio do rapaz novo
É o chapéu derrubado;
Ó i ó ai, corrente d’ouro ao peito,
Ó i ó ai, o cabelo ondulado.

Não sei se te diga “adeus”,
Se te diga “vou-me embora”;
Ó i ó ai, dizer adeus é saudoso,
Ó i ó ai, quem diz adeus logo chora.

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo com Sara Vidal (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

O lugar de Macieira

O lugar de Macieira (ó ai ó larilolela)
Tem ladeiras a subir: (ó ai)
Quem lá tem os seus amores, (ó ai ó larilolela)
Vai ao céu e torna a vir. (ó ai)

O lugar de Outeiro da Vila (ó ai ó larilolela)
Tem carreiros de formigas (ó ai)
Aonde os rapazes vão (ó ai ó larilolela)
Vigiar as raparigas. (ó ai)

O lugar de Macieira (ó ai ó larilolela)
Tem ladeiras a subir: (ó ai)
Quem lá tem os seus amores, (ó ai ó larilolela)
Vai ao céu e torna a vir. (ó ai)

O lugar de Outeiro da Vila (ó ai ó larilolela)
Tem carreiros de formigas (ó ai)
Aonde os rapazes vão (ó ai ó larilolela)
Vigiar as raparigas. (ó-ó-ó ai)

Quem está sem amores sou eu; (larilolela)
Paciência, ó coração! (ó ai)
Não tenho p’ra quem olhar, (ó ai ó larilolela)
Deito os meus olhos ao chão. (ó-ó-ó ai)

Na Urgueira nasce o Sol, (ó ai ó larilolela)
No Ribeiro faz calor; (ó ai)
No lugar de Macieira (ó ai ó larilolela)
É que brilha o meu amor. (ó-ó-ó ai)

Quem está sem amores sou eu; (ó ai ó larilolela)
Paciência, ó coração! (ó ai)
Não tenho p’ra quem olhar, (ó ai ó larilolela)
Deito os meus olhos ao chão. (ó ai)

Na Urgueira nasce o Sol, (ó ai ó larilolela)
No Ribeiro faz calor; (ó ai)
No lugar de Macieira (ó ai ó larilolela)
É que brilha o meu amor. (ó-ó-ó ai)

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes
Intérprete: Toques do Caramulo
Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo, com Elíseo Parra (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Macieira de Alcoba

Macieira de Alcoba

Ó trigueirinha

Ó trigueirinha, trigueirinha engraçada,
Ó trigueirinha, só tu és a minha amada!
Ó trigueirinha, trigueirinha do calor,
Ó trigueirinha, só tu és o meu amor!

Chamaste-me trigueirinha…
Trigueirinha é do pó da eira;
Hás-de me ver ao domingo
Como a rosa na roseira.

Ó trigueirinha, trigueirinha engraçada,
Ó trigueirinha, só tu és a minha amada!
Ó trigueirinha, trigueirinha do calor,
Ó trigueirinha, só tu és o meu amor!

Trigueirinha engraçada
Todo o mundo a cobiça:
Como domingo na igreja
Quem a vê não ouve a missa.

Ó trigueirinha, trigueirinha engraçada,
Ó trigueirinha, só tu és a minha amada!
Ó trigueirinha, trigueirinha do calor,
Ó trigueirinha, só tu és o meu amor!

Trigueirinha, trigueirinha,
Assim me chama o meu Pedro…
Não sou linda de espantar
Nem feia que meta medo.

Ó trigueirinha engraçada,
Ó trigueirinha, só tu és a minha amada!
…do calor,
Ó trigueirinha, ó meu amor!

Ó trigueirinha engraçada,
Ó trigueirinha, só tu és a minha amada!
…do calor,
Ó trigueirinha, ó meu amor!

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

Olé, ó senhora mãe

Olé, ó senhora mãe,
Aquela menina agrada-me bem!
Olé, ó senhora mãe!

Olé, ó senhor, dai, dai
Uma esmola a mim, que eu não tenho pai!
Olé, ó senhor, dai, dai!

Letra e música: Tradicional (Talhadas, Sever do Vouga, Beira Litoral)
Recolha: Michel Giacometti (in LP “Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral”, série “Antologia da Música Regional Portuguesa”, Arquivos Sonoros Portugueses/Michel Giacometti, 1970; 5CD “Portuguese Folk Music”: CD 3 – Beiras, Strauss, 1998; 6CD “Música Regional Portuguesa”: CD 4 – Beiras, col. Portugal Som, Numérica, 2008)
Intérprete: Segue-me à Capela (ao vivo no Teatro da Luz, Lisboa)
Primeira versão de Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Olha para a água!

Olha para a água!
Ri-te para mim!
Põe o pé na areia!
Faz assim, assim!

Meu amor não anda
Nada satisfeito:
Põe o pé na areia,
Faz assim a eito

Olha para a água!
Ri-te para mim!
Põe o pé na areia!
Faz assim, assim!

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo com o Coro Infantil EMtrad (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

Onde vais, Maria Alice?

[ Maria Alice ]

«Onde vais, Maria Alice?
Onde vais tu a chorar?»
Vou chamar o meu marido,
Está na taberna a jogar.

Está na taberna a jogar
Com uma grande bebedeira:
Se eu casei para estar sozinha
Mais valia estar solteira.

Mais valia estar solteira,
Solteirinha estava bem:
Estava à sombra de meu pai,
Carinhos de minha mãe.

«Onde vais, Maria Alice?
Onde vais tu a chorar?»
Ai! ai! ai!
Ai! ai! ai!
Ai! ai! ai!

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes
Intérprete: Toques do Caramulo
Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Pedrinhas da fonte

Pedrinhas da fonte cheiram a limão,
Eu tenho na sina de amar o João.

Sim, sim, Mariquinhas, sim!
Não, não, Mariquinhas, não!

Deixa amar quem ama,
Não tenhas paixão!

Pedrinhas da fonte cheiram a café,
Eu tenho na sina de amar o José.

Sim, sim, Mariquinhas, sim!
Não, não, Mariquinhas, não!
Deixa amar quem ama,
Não tenhas paixão!

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo com Sara Vidal (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

Padre-Nosso que organizais festas

[ Padre-Nosso dos Músicos ]

Padre-Nosso que organizais festas:
Santificado seja o vosso dinheiro;
Venha a nós o vosso arame;
Seja feita a nossa vontade tanto no salão como no coreto;

Perdoai-nos algum toque falso
Ou alguma nota desafinada,
Assim como nós vos perdoamos o pedido de abatimento no preço,
E livrai-nos de festas gratuitas e a seco.

Ámen.

Letra: Tradicional (Águeda, Beira Litoral)
Informante: David Fernandes
Música: Hermeto Pascoal
Intérpretes: David Fernandes / Hermeto Pascoal & Aline Morena (2009, in CD “Mexe!”, de Toques do Caramulo, faixa 6, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Senhora do Livramento

Senhora do Livramento,
Livrai o meu namorado
Que me vai deixar sozinha
Ai meu Jesus, ai meu Jesus!
Pela vida de soldado!

As vossas tranças, Senhora,
São loiras como as espigas;
Senhora do Livramento,
Ai meu Jesus, ai meu Jesus!
Protegei as raparigas!

Hei-de bordar a toalha,
Senhora, do vosso altar,
E a camisa do meu noivo
Ai meu Jesus, ai meu Jesus!
Quando me for a casar.

Senhora do Livramento…
Senhora do Livramento…

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes e Manuel Maio
Intérprete: Toques do Caramulo
Primeira versão discográfica de Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Toma lá esta Laranja!

[ Laranjinha ]

Toma lá esta Laranja!
Não digas que eu que ta dei!
Eu não tenho um laranjal,
Dizem que eu que a roubei.

Dizem que eu que a roubei
E acredita o povo todo;
A laranja foi criada
No laranjal do meu sogro.

No laranjal do meu sogro,
No quintal da minha avó:
O laranjal do meu sogro
Deu esta laranja só.

Letra e música: Tradicional (Beira Litoral)
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Retoques”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2011)

Verde-Gaio, Pena Verde

[ Pena Verde ]

Verde-Gaio, Pena Verde,
Verde-Gaio, Pena Verde,
Pena, Verde-Gaio, Pena,
Gaio, Pena Verde, Gaio.

Verde-Gaio, Pena Verde,
(Ai!) Vem cantar ao meu jardim!
Põe o pé na manjerona,
(Ai!) O bico no alecrim!

Não há nada que mais cresça
(Ai!) Como o pé da melancia!
Quem tem o amor ausente
(Ai!) Chora de noite e de dia.

O Verde-Gaio é meu
(Ai!) Que me custou bom dinheiro:
Custou-me quatro vinténs
(Ai!) Lá no Rio de Janeiro.

Verde-Gaio, Pena Verde,
Verde-Gaio, Pena Verde,
Pena, Verde-Gaio, Pena,
Gaio, Pena Verde, Gaio.

Verde-Gaio, Pena Verde,
(Ai!) Empresta-me o teu vestido!
O meu vestido são penas,
(Ai!) Em penas ando vestido.

Ó terra da minha terra,
(Ai!) Sombra da minha ramada!
Eu hei-de voltar a ela
(Ai!) Ou solteira ou casada!

Verde-Gaio, Pena Verde,
Verde-Gaio, Pena Verde,
Pena, Verde-Gaio, Pena,
Gaio, Pena Verde, Gaio.

Letra e música: Tradicional (“Verde-Gaio” de Casal d’Álvaro, Espinhel, Águeda, Beira Litoral)
Arranjo: Luís Fernandes
Intérprete: Toques do Caramulo (in CD “Mexe!”, d’Eurídice/d’Orfeu Associação Cultural, 2016)

Gaio-verde
Gaio-verde
Partilhe
Share on Facebook
Facebook