barítono José de Freitas

JOSÉ DE FREITAS

José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também diretor de coros e compositor de cânticos litúrgicos.

ENTREVISTA

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?

O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…

Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?

Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).

Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?

Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.

Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.

O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…

Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”

Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?

Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).

Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…

Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?

Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.

Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…

Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?

Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.

No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…

Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.

Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.

A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.

Qual foi a maior deceção na sua vida?

Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…

A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”

Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”

Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?

Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…

Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…

Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?

Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…

Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa LudwigMonserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…

Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?

Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço

Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta

Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.

Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980).
Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.

Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!

E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?

Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…

O que pensa do papel da música na Igreja?

Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.

Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.

Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.

O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).

E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.

Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?

J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris…
Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).

E muito, muito mais, obviamente.

O que o levou a colecionar livros e discos?

Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:

a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;

a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;

a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;

o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;

o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;

os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;

o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);

e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…

Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…

Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.

Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?

Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…

Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.

Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.

Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…

Em três palavras como se caracteriza a si mesmo?

Persistente! Perfecionista! Brioso!

Lisboa, 19 de março de 2018

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JOSÉ DE FREITAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Um barítono que é crítico de si próprio

Correio da Manhã, 28 de abril de 1986

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De padre a cantor principal de ópera no Teatro São Carlos

Diário de Notícias do Funchal, 11 de maio de 1986

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José de Freitas: de padre a cantor

Correio da Manhã, 02 de agosto de 1987

SINOPSE BIOGRÁFICA

Nascido em Buenos Aires (Argentina), Daniel Schvetz fez cursos de Piano e Composição no Conservatório Nacional Lopez Bouchardo com professores destacados: Fermina Cassanova em Harmonia I-II-III-e IV e Análise. Em Piano, estudou com Roberto Brando e Moises Makaroff. Particularmente, estudou Contraponto, Fuga e Composição com Guillermo Graetzer. Realizou viagens de pesquisa pela América Latina. Reside em Portugal desde 1990 onde é professor de Composição na Escola Artística de Música do Conservatório Nacional. Compôs três óperas, vários musicais, música concertante, ciclos para coro e para canto e piano, para teatro e cinema. É acompanhador da Cinemateca Portuguesa.

LISTA DE OBRAS

By date/ Por data

1975

Tres piezas cortas para violín y piano 0p. 1

1977

Firuletes y confites, Musical infantil, encomendado por el Teatro San Martín. ]

1979

Milonga apócrifa

Movimiento felino

Movimiento perpetuo

Tema y seis variaciones

piano ]

1981

Plaza estás

Desarmable

Musicáis infantís ]

1982

La Quimera

Silencio

canto e piano, Música e Letra ]

1985

Confianza en el anteojo no en el ojo

poema de Cesar Vallejo, canto e piano.

Batata com variaciones

(Inspirado num desenho de Juan Astica) 1983, Piano

Variaciones librés sobre temas de Piazzolla

A) Viola,Clarinete e piano

B) Clarinete e Piano ]

1986

Danza de Mandinga

Milonga de la esquina

Choro

Clarinete, Contrabaixo, Flauta, Percussão e Piano ]

1988

Umbral

La Gaviota

Hombre com dos manos

Antes

De un relato

Aquel trompo

Macedonio

Melodía cóncava

Autorretrato

para Bandoneón, Guitarra, Baixo eléctrico e Piano (Quarteto “El Borde“) ]

1989

Hexámetro

Tertulia en el desván homólogo

Doble geografia

Tres Parábolas

Remanso

para Bandoneón, Guitarra, Baixo eléctrico e Piano (Quarteto “El Borde“) ]

1990

Introducción y três movimientos

para duas guitarras. ]

1991

Metaphormenesisteo
Flauta de Bisel e Piano ]

1993

1ª Sinfonietta Concertante
Clarinete obligato, encomenda da Sinfonía B ]

1994

Suite SemiPorteña
encomenda de Elisabeth Chojnacka, Cravo

Formantes
para quarteto de saxofones, encomenda do quarteto Saxofínia, estreado no ciclo Festival de São Roque ]

1996

Del Sur

Pequeña suite

Mural árido

Melodía cóncava

El Bulón

Merzouga

Violino, Contrabaixo e Piano. ]

1998

La guerre sainte
baseado no ensaio de René Daumal Barítono/recitante e orquestra de cordas

Kasidas y Gacelas
sobre poemas de F.G. Lorca, para soprano, clarinete, violoncelo e piano, Encomenda do Instituto Cervantes de Lisboa. ]

1999

Triple Concerto
para Violino, Contrabaixo Piano e Orquestra. ]

2001

15 Prelúdios para cravo ]

2003

Parábola del Tigre y el espejo
Poema Sinfónico Teatral, para quarteto de saxofones, dois quintetos de sopros, dois percussionistas e barítono, sobre poemas de Jorge Luis Borges e Fernando Pessoa, encomenda da SAMP www.paraboladeltigreyelespejo.bloguedemusica.com

Astortango
Original para Quarteto de Saxofones, encomenda de Saxofínia, em 2003 , nova versão para um septeto instrumental, encomenda do Remix Ensemble, estreado na Casa da Música.

Eu Comovido a Oeste…
Poema Sinfónico – Teatral, por encomenda do festival MusicAtlântico, sobre poemas de Vitorino Nemésio, para quarteto de saxofones, quarteto de clarinetes, piano, bateria, contrabaixo, barítono e soprano.

Pequena suite de Natal
para Órgão – Novembro de 2003, por encomenda do Prof. Rui Paiva, organista e director da Academia Santa Cecília, estreada da Igreja de Oeiras.

Trilogía del Ángel
( sobre a trilogia de Astor Piazzolla ) encomenda da Sinfonieta de Lisboa

Concertino para piano e cordas
Dezembro de 2003 ]

2004

First Bluff
para piano, Março de 2004, apresentada, no Festival de Música de Aveiro, encomenda do pianista holandês Marcel Worms, incluída num CD, e editada pela Peers Music no Álbum Blues Beyond the Borders.

“Da capo al Fine” e “Solk Fongs“ – Maio, de 2004, como homenagem ao compositor Luciano Berio, transmitidas directamente do Salão Nobre do Conservatório Nacional pela Antena 2, condução, JoRge Rodrigues.

Sinfonia Apocalíptica
Junho de 2004, por encomenda do quarteto de saxofones “Artemsax”, e da Sinfonieta de Lisboa, quarteto de saxofones solista, percussão e orquestra de cordas;

Concertino Duplo
Junho de 2004, para cravo, travesso e orquestra de cordas, no mesmo concerto também se estreia a peça:

Ressonâncias
Junho de 2004, para clarinete solo

O Século da Lua
Musical – Composição arranjos e direcção musical,encomenda do Teatro Trindade.

O Principezinho
Por encomenda do teatro Trindade e do Conservatório Nacional, Ópera baseada no livro homónimo de Antoine de Saint Éxupery, estreada a Junho de 2005, com libreto próprio. ]

2005

Second Bluff
estreia-se encomenda da Festa da Música, para septeto instrumental, no Teatro São Luiz.

Segunda Sinfonieta Concertante
Outubro de 2005, para saxofone tenor solista e Banda Sinfónica, encomenda de Nuno Martins, pela Banda Sinfónica da PSP.

Al Niente, presque rien… and everything
Em Outubro de 2005, para sete instrumentos, encomenda do Plim Ensemble;

Ejstake
Novembro de 2005, estreia-se para Violino e Contrabaixo, estreadas na Box Music por Luis Cunha e Pedro Wallenstein, posteriormente registada em CD pelos mesmos intérpretes.

Ludic XIII
Abril 2005, estreia-se para Guitarra Portuguesa e Guitarra espanhola, no Mosteiro dos Jerónimos. ]

2006

Claron
para Clarinete Baixo, encomenda de Luís Gomes e o GMCL.

Missa de Santa Cecília e Hino a Santa Cecília
Novembro de 2006, encomenda da Academia de Santa Cecília de Lisboa,estreada na Igreja da Graça.

Dos villancicos
sobre poemas de Sor Juana Inés de la Cruz, registados num CD da editora “Numérica”, com música de natal latino-americana, encomenda da Casa de America Latina. ]

2007

Os Contos de Shakespeare
Fevereiro de 2007, musical infantil, composição e direcção musical encomenda do Teatro Nacional D. Maria II

O Defunto
Abril de 2007 – Ópera de Câmara baseada no conto homónimo de Eça de Queiroz, encomenda do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, no Teatro Municipal de Almada.

Homlet
Setembro de 2007, Musical; composição e direcção musical.

Sonhos de uma noite de verão
Musical; Composição, Arranjos e Direcção musical. ]

2008

Tawan
ópera-instalação – Junho de 2008, sobre poemas de Lorca e Pessoa, encomenda da Fábrica Braço de Prata, para comemorar o seu primeiro aniversário, para soprano, mezzo, Quarteto de saxofones, Quarteto de cordas, Piano, Contrabaixo, Bateria, Acordeão e recursos multimédia.

Fungagá mp3

Musical, Março de 2008 ,composição, arranjos e direcção musical, baseado nos originais de José Barata Moura, encomenda do Teatro Dona Maria II

Los Posatigres
Em 16 de Outubro de 2008, Organizado pelo Instituto Cervantes e a Embaixada Argentina em Portugal, baseada em textos e poemas de Júlio Cortázar, Borges, Quino ( a sua personagem Mafalda ), para Mezzo soprano/recitante, Contrabaixo e Piano.

A tempestade
musical infantil, composição e direcção musical.

Um mar de mares
para Harpa, Flauta, Flauta de bisel/Shakuhachi, Violoncelo, Acordeão, Clarinete, e Mezzo, sobre poemas de Fernando Pessoa, encomenda da Secretaria de Estado do Mar, para o Dia do Mar. ]

2009

Cantata Brevis
Março de 2009 sobre as ladainhas da Quinta-feira Santa, para Soprano, Contralto, Quinteto de cordas e Órgão.

Cantata para un silencio
30 Novembro de 2009, encomenda do Instituto Cervantes e do Ministério da Cultura Espanhol, sobre libreto baseado em poemas e textos de Jorge Luís Borges, César Vallejo, Manuel Scorza, Alejo Carpentier, Juan Rulfo, e Padre António Vieira ]

2010

O Burguês Fidalgo
Em 24 de Junho de 2010, peça de Molière, para a qual compusera música original. ]

2011

Huuldef
para Violoncelo solo,em Julho de 2011, encomenda de MusiCaldas

Concierto para Bandoneón y orquesta
Parábola del círculo y la piedra – Encomenda da Orquestra Metropolitana de Lisboa, Claudio Constantini em Bandoneón, Direcção: Jesus Medina, Setembro de 2011 ]

2012

Ludic XVII
para Banda Sinfónica, a ser gravado no próximo CD da BSPSP

Tchaikovskiana
obra inspirada no Quebra-nozes de Tchaikovski, para Quarteto de cordas, Contrabaixo, Acordeão e Piano, estreada no Centro Cultural de Cascais em Março de 2012.

Pian Dabliu
versão original e parodiada, do Pedro e o Lobo, de Tchaikovsky, para Quarteto de cordas, Contrabaixo, Acordeão e Piano, estreada no Centro Cultural de Cascais em Março de 2012.

Trilogia 5
obra construída sobre folklore Argentino duas recolhas de Michel Giacometti: O Canto das carpideiras, e Alar a Rede (canção dos pescadores do Algarve ), estreada no Terem International Music Competition, em Abril de 2012, em São Petersburgo, para quarteto de cordas, contrabaixo, acordeão e piano. Prémio China Tour (Não entregue por falha dos outorgantes do prémio).

Tuk
obra encomendada por Saxofínia, para Quarteto de Saxofones, ensemble de 10 sopros e piano, estreada no auditório da Escola Superior de Música no dia 10/12/12 ]

2013

Cinco Haikus para Coro Juvenil
Encomenda da MisoMusicPortugal, estreada pelo CIJUL em 07/07/13. ]

Misatango
para coro misto, encomendado pelo Coro de Câmara de Lisboa estreado no 19/07/13

Stone Symphony
24/09/13, para Decateto de sopros, Quarteto de Saxofones, dois Percussionistas, Soprano e Barítono, encomenda da Câmara de Vila Viçosa, estreia na Pedreira Pedras D’el Rei.]

2014

Rapsódia em Abril Maior
Para piano a 4 mãos, para o Duo MusicOrba, estreia em Abril de 2014.

Le Roi se mort
Música incidental, para piano a 4 mãos, Setembro de 2014

Hendecateto Concertante
para o Seminário para instrumentos de Sopros de Portel, 07/2014

Occursus
encomenda de Joana Bagulho e António Carrilho, para Flauta e Cravo, estreada no Ciclo para o Museu Gulbenkian, em 07/12/14 (Versão revista, com piano – pelo Cravo – a estrear no 29/06/15 no Festival Música Viva.)

Duplo Concerto para Acordeão Saxofone e Orquestra
estreia no 19/02/15, pela Orquestra de Câmara da GNR, em Palmela. ]

2016

Canção Popular – Poemas Portugueses
Arranjos, harmonizações, versões originais, para coro misto, estreia em Junho de 2015 na Biblioteca Nacional Portuguesa, pelo CCL, direção: Teresita Marques Gutierrez.

Moderato Tangabile
Composição de obras para o repertório do projecto (Tuba: Sérgio Carolino, Piano: Daniel Schvetz), estreado no 04-12-15 no Encontro de Tubistas e Eufonistas de Portugal, realizado na EMCN e CD homónimo lançado em Junho de 2016

Entre Douro e Vouga Piano Suite
x- Estreia, para piano a quatro mãos, encomenda da Câmara de Santo Tirso, no 15-01-16, no auditório da Câmara de Santo Tirso.

Lisboa em voo de peixe
Estreia da obra para cravo e imagens, da autoría da Beatriz Bagulho, e Joana Bagulho em Cravo, junto à edição completa das 10 obras nas edições da AVA Music, no CCB em 23-05-16.

La Guerre Sainte
sobre o texto de Rene Daumal,na Semana da Composição da ESML, – Estreia pela Camerata Silva Dionísio, com a direcção de Alberto Roque, e narração de Nuno Moura, em 29-05-16, no auditório Viana da Mota da ESML.

Porcos
uma das 12 encomendas a compositores Portugueses, pela CNB -Estreia da obra (Companhia Nacional de Bailado ), para serem interpoladas com aquelas que compõem o “Carnaval dos animais” de Saint Saens, chamada “Carnaval”, interpretada pela OSP (Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida pelo maestro Cesário Costa, no 16-06-16 no Teatro Camões

Tece-se a trama
Cante-Tejo-Alfama

Estreia no Rio Harp Festival, pela harpista Salomé Pais matos, para Harpa e Tape, no Centro Cultural Olga Cadaval, no dia 26-06-16.

Clown Chamber Symphony
Estreia no FISP (Festival Internacional de Saxofones de Palmela), para Duplo Quarteto de Saxofones e Acordeões, pero Artemsax e o Bayan Quartet, a 15-07-16. ]

2017

Umbra Urbe ” – Sombras da Cidade
Cantata Urbana para quarteto instrumental, Soprano, Contralto, Três dançarinos, Coro Misto, Imagens e Video, encomenda da Irmandade de São Roque, estreada no 14/10/2017

A Conferência dos Pássaros
Encomenda da EMCN, ao abrigo de Lisboa Capital Iberoamericana de Cultura 2017, para o Atelier e Orquestra Infantil do Conservatório nacional de Música de Lisboa. Estreia no 17/06/2017 e 2ª récita do 18/06/2017 no CCB

e-ludic
para Saxofones Acordeão e Electrónica, encomenda de Pedro Santos e João Pedro Silva, estreada no Congresso de Saxofones do Porto, Julho de 2017.

Entre Douro e Vouga Piano Suit
para piano a 4 mãos, estreia da versão completa que consta com 10 peças, no O’culto D’Ajuda, por João Lucena e Vale e José Bom de Sousa. ]

2018

Anagnostis
para Acordeão solo, em Julho de 2018, na Casa da Música por Fernando Britos

SC7
encomenda de Sérgio Carolino, gravada com Cândido Fernandes ao piano, em Dezembro de 2018 no Salão Nobre da EAMCN ]

2019

O Cavaleiro da Dinamarca
Bailado, encomenda da música original pela EADCN, música de Daniel Schvetz e Humberto Ruaz, arranjos e orquestração de Daniel Schvetz, estreada no 12/01/19 no CCB. ]

Sara Carvalho, compositora portuguesa

Lista de Obras

2019

Haiku from the sea

para piano solo

a porta estreita

para pequeno ensemble e público

occupied reflections

para piano de brincar e público

2018

we were two till we meted down (I)

para acordeão amplificado

…when I waked, I cried to dream again

para alto saxofone solo

2017

slumscape

para flauta, violoncelo e piano

a2

para vibrafone solo e público

the poem is sleeping

para grande ensemble

2016

Cadavre Exquis for a Broken Wrist

for Nuno Aroso

episódio de intervalo (II)

para soprano, clarinete e piano (a partir de episódio de intervalo)

sobre a areia o tempo pousa

para violino, violoncelo e piano

2015

a3

para 2 vibrafones e público

Pop up

para flauta eagle e piano forte

2014

Canto em ti

7 canções para a infância

Espelhos

para actriz/cantora

perto do coração selvagem

para piano de brincar

saudade dada (II)

contratenor/soprano e flauta

2013

episódio de intervalo

para soprano, flauta e piano

Eyjafjallajökull

para flauta, clarinete e piano

spinning yarns (II)

para 2 pianos

2012

inside silence

para piano (preparado) e piano de brincar

The invention of dreams

para flauta, clarinete e piano

O gato malhado e a andorinha

para violino e piano

Through the Looking-Glass

para contrabaixo e piano

Imaginary bars

para saxofone solo

2011

In between

para flauta, oboé, clarinete, violino e piano

Haiku

para marimba solo

My shadow walks home with me

para flauta e piano

2010

Begin at the beginning, and go on till you come to the end: then stop

para flauta e guitarra

once upon a time…

para guitarra solo

a hybrid cat hip symposium

para quinteto instrumental

pedaços de lua

para orquestra e narrador

2009

Hollow

para flauta, clarinete percussão e piano

postlude, still in fugue

para piano solo (a partir de prelude in fugue).

The Anchorite

para fagote solo.

2008

prelude in fugue

para piano forte.

cleave (II)

para flauta, clarinete, percussão, piano e violoncelo (a partir de cleave)

2007

cleave

para quarteto instrumental: clarinete, percussão, piano e violoncelo

sound bridges

teatro musical para flauta alto, marimba e contrabaixo (a partir de Just a Whisper…)

the moon lost her name

para violino solo

2006

motion machines II

para piano, flauta e acordeão (revisão de motion machines)

Natércia

ópera curta para 2 sopranos, tenor e ensemble

2005

Fission

para flauta e piano

Ta Prohm

para flauta, clarinete Sib, percussão, violino, viola e violoncelo.

2004

Squashed Faries

para quarteto de cordas, piano e harpa.

2003

a distant mirror

para piano solo.

surya namaskara

para 7 instrumentos.

2002

Quadros I a IV

para até 4 percussionistas.

2001

Escadas com Estórias

para 14 instrumentos.

2000

nothing can both be and not be

para 14 instrumentos (revisão em 2001)

Solos IV

para soprano solo

sounding silences

para 14 instrumentos

1999

Shards

para 2 flautas e piano

Solos III

para flauta solo (a dobrar: flautim, flauta alto e baixo)

Chinese Whispers (II – V)

para 2 clarinetes Sib, viola, violoncelo e contrabaixo

Just a Whisper…

para voz, marimba e contrabaixo

1998

Solos II

para marimba solo

rock lizard

para trio de metais (trompete, trompa e trombone baixo)

1997

Chimaera

para orquestra de câmara

Chinese Whispers (I)

para 2 clarinetes Sib, viola, violoncelo e contrabaixo

É-se

para flauta (a dobrar: flautim, flauta alto e baixo), clarinete Sib, trompa e violoncelo

Solos I

para violino solo

1996

Blows Hot and Cold

para quarteto de cordas (revisão 1997)

Spinning Yarns

para 2 pianos

Palavras Metade

para flauta alto e barítono

Trail

para 15 instrumentos (revisão em 1999)

1995

Contornos

para 9 instrumentos

1994

Momentos

para orquestra de câmara

1993

a2

para 2 contrabaixos

1992

O ar

para coro de câmara

Sombras

para um clarinete, para clarinete solo em Sib

1991

Máscara

para flauta, piano e guitarra

[ Lista de obras facultada por Sara Carvalho, publicada na Meloteca a 25 de maio de 2020 ]

Sara Carvalho, compositora portuguesa
Sara Carvalho, compositora portuguesa
Ana Seara, compositora portuguesa

Lista de Obras

ANA SEARA

List of Works

Chamber Music:

Primatsif

(flute, clarinete, cello) (2003)

Kanonoin

(2 pianos) (2004)

Polímnia

(string quartet) (2004)

Discursos

(vl1, vl2, vla, vlc, piano) (2005)

Encontros

(oboe, clarinet, violin and double bass) (2006)

Três Telas de Barcelona

(flute, bass clarinete, piano) (com. OrchestrUtopica 2007)

Vapores e esferas

(bass clarinet and piano) (2007)

Poema, Mensagem

(oboe, clarinet, french horn, piano, violin, viola and cello) (2008)

Inscriptions on Adeste Fideles

(saxophone quartet) (Com. Fondazione Adkins Chiti: Donne in Musica) (2013)

Cold Winter Sky

(timpani and percussion) (Com. Duo Talea et alia) (2013)

Des Cris de Révolte

(tenor and baritone) (2013)

Unum Deum

(4 solo voices) (2013)

Discursos 2

(vl, vla, vlc, piano) (2014)

Do Dessassossego

(vln, cello, piano) (2014) (Comm. Casa da Música, Porto)

Vintage

(clarinet quartet) (2020) (Comm. Quarteto Vintage)

20 to 20

(saxophone and piano) (2020) (Comm. Luís Ribeiro)

Solo Works:

4 Estudos para madeiras

(2003/2004)

Little Flute

(flute)

Obo é…

(oboe)

Clareando

(Clarinet)

In b Bassoon

(bassoon)

Palavras soltas para Flauta solo

(flute) (2005)

Percance para Piano solo

(Piano, 2005)

Opalescência

(oboé) (Com. Prémio Jovens Músicos 2007) (2007)

Birth

(violin) (Com. Fondazione Adkins Chiti: Donne in Musica) (2012)

My soul is like a shepherd

(soprano voice solo) (2013)

Música para um cipreste

(piano solo) (com. Ensemble MPMP 2018)

Nocturno

(guitar and electronics) (com. Museu da Água 2019)

Works for Ensemble:

Interrupções

(2004)

Padrões

(5 percussion palyers) (2004)

Resson

[ÂNSIAS]… (2005)

Momentos que passam…

(2005)

Do Tempo

(2009) (Comm. Grupo de Música Contemporânea de Lisboa)

Pensamentos Perdidos for Ensemble and Electronics

(2009)

Sinestesias

(2014) (Comm. Remix Ensemble – CdM Porto)

Sur l’amour

(2019) (Comm.Grupo de Música Contemporânea de Lisboa)

3 Cantigas de Amigo

(2020) (Comm. Síntese, Grupo de Música Contemporânea)

Choral Works:

Orfeu Rebelde

(for SATB) (2005)

Árvores do Alentejo

(para for SATB and orchestra) (2006)

Credos

(para coro e orquestra de cordas) (2008) (Comm. Orquestra Sinfonietta de Lisboa and Coro Ricercare)

Unum Deum

(4 solo voices) (2013)

Orchestral Works:

Palavras Soltas… para orquestra

(2006)

Perpétuité

(2007)

Le Foncé Ciel de la Nuit Glacée

(03/2008

Mudra

(2008)

Tua Lágrima em Mim

(2009) (Comm. OCCO)

Vazio de Nada

(2011) (Comm. OCCO)

Conta do Tempo

(2012) (ENOA workshop in Lisbon)

Reflections…

(2013) (Comm. FCG)

Mar do Sophia

(2014) (Comm. CdMusica Porto)

Nocturno Siêncio Repousado

(2015) (Comm. Acordarte)

Sinfonia (Des)Concertante

(2018) (Comm. Oparte – TNSC)

With electronics:

Lugares Perdidos for cello and live electronics

(2006)

… sinto com a imaginação…

for 2 double basses and (2007)

Pensamentos Perdidos

for Ensemble and Electronics (2009)

Nocturno

(guitar and electronics) (com. Museu da Água 2019)

Prazer

(2020) (Comm. Companhia Opera do Castelo)

Electroacoustic Works:

Labirintos…

(2003)

Comunicação

(2004)

Labirinto Electrónico

(2004)

Metamorfoses

(2005)

For cinema:

“Eléctrico no 78”

(2004)

Children music:

A menina gotinha de água

(2003)

A minha Escola

(2005)

O Índio Dó

(final de 2006)

Os Meninos e a Bola

(2006)

A Sapinha Sara Salta

(2006)

A borboleta voa e beija a flor…

(2006)

OPERA and Theatre Music

Little Nemo and the Icecream Witch

(2015)

Era uma vez… A Flauta Mágica

(2017) (Comm. ENOA – QEMC – FCG – ERSM)

A noite

(2020) (Comm. Companhia Opera do Castelo)

A partida de Sueca

(2020) (Comm. Companhia Opera do Castelo)

Prazer

(2020) (Comm. Companhia Opera do Castelo)

O Segredo do Rio

(in progress)

Sister Mourns Brother

(in progress)

[ Lista facultada por Ana Seara, publicada na Meloteca a 25 de maio de 2020 ]

Ana Seara, compositora portuguesa
Ana Seara, compositora portuguesa