barítono José de Freitas

JOSÉ DE FREITAS

José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também diretor de coros e compositor de cânticos litúrgicos.

ENTREVISTA

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?

O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…

Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?

Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).

Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?

Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.

Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.

O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…

Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”

Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?

Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).

Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…

Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?

Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.

Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…

Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?

Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.

No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…

Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.

Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.

A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.

Qual foi a maior deceção na sua vida?

Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…

A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”

Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”

Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?

Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…

Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…

Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?

Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…

Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa LudwigMonserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…

Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?

Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço

Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta

Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.

Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980).
Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.

Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!

E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?

Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…

O que pensa do papel da música na Igreja?

Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.

Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.

Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.

O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).

E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.

Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?

J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris…
Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).

E muito, muito mais, obviamente.

O que o levou a colecionar livros e discos?

Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:

a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;

a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;

a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;

o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;

o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;

os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;

o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);

e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…

Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…

Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.

Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?

Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…

Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.

Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.

Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…

Em três palavras como se caracteriza a si mesmo?

Persistente! Perfecionista! Brioso!

Lisboa, 19 de março de 2018

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JOSÉ DE FREITAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Um barítono que é crítico de si próprio

Correio da Manhã, 28 de abril de 1986

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De padre a cantor principal de ópera no Teatro São Carlos

Diário de Notícias do Funchal, 11 de maio de 1986

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José de Freitas: de padre a cantor

Correio da Manhã, 02 de agosto de 1987

Compositor e violoncelista Guilherme Rodrigues

Residente em Berlim, Alemanha, Guilherme Rodrigues é um compositor, improvisador e violoncelista português nascido em Lisboa, em 1988.

Lista de Obras

DISCOGRAPHY

Musique de Chambre – CS 000, Lisbon 2015

Multiples – CS 001, Lisbon 2001

Ficta – CS 005, Lisbon 2002

Assemblage – CS 007, Lisbon 2002

Cesura – CS 008, Lisbon 2003

Contre-Plongée [Six Cuts for String Quartet] – CS 011, Lisbon 2004

Kreis – CS 020, Lisbon 2005

Prisma – SF-4001, USA 2005

Kinetics – CS 043, Lisbon 2006

Oranges – CS 068, Lisbon 2006

Undecided [A Family Affair] – CS 072, Lisbon 2006

Drain – CS 075, Lisbon 2006

Sen – CS 033, Lisbon 2006

London – CS 080, Lisbon 2007

Stills – CS 100, Lisbon 2007

Flexigos 007 – Gos, Lisbon 2007

“May there be…”– CS 134, Lisbon 2008

Ordinary Music vol. 3 – CS 136, Lisbon 2008

Paura – The Construction of Fear – CS 139, Lisbon 2008

Live at the Casa da Musica, Porto – VL2008-2, S. Francisco 2008

Noite – CS 142, Lisbon 2008

Eterno Retorno – CS 144, Lisbon 2009

Poetics – CS 114, Lisbon 2009

Twrf neus Ciglau – CS 156, Lisbon 2009

Fower – CS 161, Lisbon 2009

Vinter – CS 158, Lisbon 2010

Wounds of Light – CS 178, Lisbon 2010

Suspensão – CS 189, Lisbon 2011

Monochrome bleu sans titre – CS 223, Lisbon 2012

Lisboa – CS 232, Lisbon 2012

Alba – CS 248, Lisbon 2013

Trees – CS 252, Lisbon 2013

Anthropométrie Sans Titre – CS 263, Lisbon 2014

Rhinocerus – CS 268, Lisbon 2014

Way of Walking – CS 291, Lisbon 2014

La Vérité des Pierres – CS 293, Lisbon 2014

Dracaena Draco – CS 294, Lisbon 2014

Blue Rain – CS 296, Lisbon 2014

Mizutekiteki – CS 298, Lisbon 2015

Jadis la pluie était bleue – CS 300, Lisbon 2015

Surfaces – CS 307, Lisbon 2015

Exaíphnes – CS 310, Lisbon 2015

Ordinary Music Vol.35 “Textures” – CS 314, Lisbon 2015

Lulu auf dem Berg – CS 325, Lisbon 2015

Chelonoidis nigra – CS 345, Lisbon 2016

Iridium String Quartet – CS 350, Lisbon 2016

Aleph – CS 351, Lisbon 2016

Ur – CS 352, Lisbon 2016

Quasar – CS 358 Lisbon 2016

Aether – CS 359, Lisbon 2016

Gravity – CS 361 Lisbon 2016

amoa hi – CS 367 Lisbon 2016

Cyclic symmetry – CS 374 Lisbon 2016

Leipzig – CS 390 Lisbon 2016

(the) nature (of things) likes to hide – CS 393 Lisbon 2016

dé-col//age – CS 397 Lisbon 2016

nuc box hums – CS 408 Lisbon 2016

golden towers and electric frictions – CS 386 Lisbon 2017

Porto Covo – CS 418 Lisbon 2017

Ornithorhynchus anatinus – CS 416 Lisbon 2017

Urze – CS 426 Lisbon 2017

Temperature Difference – CS 420 Lisbon 2017

Sacred Noise – CS 422 Lisbon 2017

Plane, line segments, rays and some dissipations – CS 425 Lisbon 2017

Llop – CS 423 Lisbon 2017

Xenon – CS 430 Lisbon 2017

Blattwerk – CS 436 Lisbon 2017

L’Ennui – CS 446 Lisbon 2017

Infinite Series – CS 440 Lisbon 2017

Heptaphonies – CS 455 Lisbon 2017

Underwater Music – CS 450 Lisbon 2017

Micrographía – CS 477 Lisbon 2017

The Afterlife of Trees – CS 471 Lisbon 2017

As We Read Along… – CS 484 Lisbon 2017

Apteryx mantelli – CS 492 Lisbon 2017

Laura – CS 502 Lisbon 2018

Zweige – CS 497 Lisbon 2018

Spiric Sections – CS 498 Lisbon 2018

Synchronous Rotation – CS 499 Lisbon 2018

Crane Cries – CS 503 Lisbon 2018

Tellurium – CS 500 Lisbon 2018

Ma’adim Vallis – CS 494 Lisbon 2018

Hollow Wood – CS 487 Lisbon 2018

Meandros e Vertentes – CS 510 Lisbon 2018

0 minutes 0 seconds – CS 524 Lisbon 2018

Lithos – CS 526 Lisbon 2018

Barium – CS 519 Lisbon 2018

Jardin Carré – CS 533 Lisbon 2018

Sul – CS 534 Lisbon 2018

The distant sound within – CS 535 Lisbon 2018

RRR – CS 544 Lisbon 2018

We Still Have Bodies – CS 541 Lisbon 2018

Ignis Fatuus – CS 552 Lisbon 2018

dis/con/sent – CS 563 Lisbon 2018

Penedo – CS 516 Lisbon 2018

Eris – CS 558 Lisbon 2018

3 Phases (III) BLACK – CS 516 Lisbon 2018

Ljubljana – CS 558 Lisbon 2018

Hymn – CS 562 Lisbon 2018

Le Havre – CS 580 Lisbon 2018

The Haecceity of Things – CS 578 Lisbon 2018

Egin – CS 589 Lisbon 2019

A Late Evening in the Future – CS 601 Lisbon 2019

Spiegel – CS 598 Lisbon 2019

Krypton – CS 608 Lisbon 2019

Mycelial Studies – CS 594 Lisbon 2019

doublexdouble – CS 611 Lisbon 2019

Loneliness in Saint-Petersburg – CS 614 Lisbon 2019

man is wolf to man – CS 619 Lisbon 2019

Radium – CS 609 Lisbon 2019

Paradoxurus hermaphroditus – CS 600 Lisbon 2019

Rayon Blanc – CS 606 Lisbon 2019

Mare Tranquillitatis – CS 612 Lisbon 2019

The Treasures Are – CS 605 Lisbon 2019

Get your own picture – CS 630 Lisbon 2019

Hippocampus guttulatus – CS 636 Lisbon 2020

Pentahedron – CS 642 Lisbon 2020

Sfumato – CS 638 Lisbon 2020

The Book of Spirals – CS 641 Lisbon 2020

Scope – CS 644 Lisbon 2020

Spiegel II – CS 655 Lisbon 2020

case study: Sertão – CS 665 Lisbon 2020

NK / GR / NY – CS 652 Lisbon 2020

Sur nos pas dans la clarté du jour – CS 668 Lisbon 2020

Los Ejes de mi Carreta – CS 669 Lisbon 2020

[ Lista facultada por Guilherme Rodrigues, publicada na Meloteca a 24 de maio de 2020 ]

Compositor e violoncelista Guilherme Rodrigues
Compositor e violoncelista Guilherme Rodrigues
Ernesto Rodrigues, compositor português

Ernesto Rodrigues é um compositor português cujo principal interesse está relacionado com a música contemporânea (improvisada e/ou escrita), assim como em música gráfica e indeterminada. Frequentou a Academia de Amadores de Música e o Conservatório Nacional, onde estudou Violino e Composição. Estudou com Emmanuel Nunes, Paulo Brandão, Eurico Carrapatoso e Pedro M. Rocha.

Lista de Obras

Discography

Movement Sounds – Leo LAB 032, London 1997

Musique de Chambre – CS 000, Lisbon 2015

Self Eater and Drinker – audEo 0399, Porto 1999

Multiples – CS 001, Lisbon 2001

Sudden Music – CS 002, Lisbon 2002

23 Exposures – CS 003, Lisbon 2002

Ficta – CS 005, Lisbon 2002

Assemblage – CS 007, Lisbon 2002

Cesura – CS 008, Lisbon 2003

Contre-Plongée [Six Cuts for String Quartet] – CS 011, Lisbon 2004

Dorsal – CS 012, Lisbon 2004

Kreis – CS 020, Lisbon 2005

Prisma – SF-4001, USA 2005

Diafon – CS 041, Lisbon 2005

Nostalghia – CS 381, Lisbon 2005

Sable – CNV28, Spain 2006

Kinetics – CS 043, Lisbon 2006

Electric Trio – Esquilo, Porto 2006

Oranges – CS 068, Lisbon 2006

Undecided [A Family Affair] – CS 072, Lisbon 2006

Drain – CS 075, Lisbon 2006

Sen – CS 033, Lisbon 2006

London – CS 080, Lisbon 2007

Stills – CS 100, Lisbon 2007

Flexigos 007 – Gos, Lisbon 2007

Doppelgänger – CS 103, Lisbon 2007

Refrain – CS 097, Lisbon 2008

“May there be…”– CS 134, Lisbon 2008

Ordinary Music vol. 3 – CS 136, Lisbon 2008

Paura – The Construction of Fear – CS 139, Lisbon 2008

Live at the Casa da Musica, Porto – VL2008-2, S. Francisco 2008

Noite – CS 142, Lisbon 2008

Eterno Retorno – CS 144, Lisbon 2009

Poetics – CS 114, Lisbon 2009

Twrf neus Ciglau – CS 156, Lisbon 2009

Fower – CS 161, Lisbon 2009

Vinter – CS 158, Lisbon 2010

Murmúrios – CS 170, Lisbon 2010

Our Faceless Empire – Pax PR 90289, S. Francisco 2010

Wounds of Light – CS 178, Lisbon 2010

Erosions – CS 172, Lisbon 2010

Suspensão – CS 189, Lisbon 2011

Le Beau Déviant – CS 194, Lisbon 2011

Brume – CS 200, Lisbon 2011

Nie – CS 203, Lisbon 2012

Fabula – CS 220, Lisbon 2012

Monochrome bleu sans titre – CS 223, Lisbon 2012

Three Rushes – CS 227, Lisbon 2012

Lisboa – CS 232, Lisbon 2012

Shimosaki – b-boim 027, Wien 2012

Seattle – CS 235, Lisbon 2012

Late Summer – CS 230, Lisbon 2013

All About Mimi – CS 240, Lisbon 2013

Berlin – CS 238, Lisbon 2013

Asteres Planetai – CS 246 Lisbon 2013

Alba – CS 248, Lisbon 2013

Trees – CS 252, Lisbon 2013

Paris – CS 250, Lisbon 2013

Early Reflections – CS 258, Lisbon 2014

Presque Rien – rz, Lisbon 2014

Anthropométrie sans titre – CS 263, Lisbon 2014

Rhinocerus – CS 268, Lisbon 2014

Cru – CS 272, Lisbon 2014

Zweimalzwei – CS 284, Lisbon 2014

Primary Envelopment– CS 286, Lisbon 2014

Way of Walking– CS 291, Lisbon 2014

La Vérité des Pierres – CS 293, Lisbon 2014

Dracaena Draco – CS 294, Lisbon 2014

Blue Rain – CS 296, Lisbon 2014

Nor – CS 289, Lisbon 2015

Mizutekiteki – CS 298, Lisbon 2015

Jadis la pluie était bleue – CS 300, Lisbon 2015

Surfaces – CS 307, Lisbon 2015

Exaíphnes – CS 310, Lisbon 2015

Ordinary Music Vol.35 “Textures” – CS 314, Lisbon 2015

Cloud Voices – CS 316, Lisbon 2015

Sukasaptati – CS 305, Lisbon 2015

Lulu auf dem Berg – CS 325, Lisbon 2015

Licht – CS 333, Lisbon 2015

77 Kids – CS 337 Lisbon 2015

The presence of air particles ignited by memory – CS 342, Lisbon 2015

Chelonoidis nigra – CS 345, Lisbon 2016

Sidereus Nuncius – CS 349, Lisbon 2016

Iridium String Quartet – CS 350, Lisbon 2016

Ur – CS 352, Lisbon 2016

Quasar – CS 358 Lisbon 2016

Aether – CS 359, Lisbon 2016

New Dynamics – CS 362 Lisbon 2016

Gravity – CS 361 Lisbon 2016

Siete Colores – CS 355 Lisbon 2016

amoa hi – CS 367 Lisbon 2016

Cyclic symmetry – CS 374 Lisbon 2016Ululo – CS 383 Lisbon 2016

Basalto – CS 388 Lisbon 2016

Leipzig – CS 390 Lisbon 2016

(the) nature (of things) likes to hide – CS 393 Lisbon 2016

Tak Prosto – CS 395 Lisbon 2016

Théatron – CS 404Lisbon 2016

dé-col//age – CS 397 Lisbon 2016

Maat mons – CS 406 Lisbon 2016

Fall – CS 400 Lisbon 2016

HumaNoise Tutti – CS 402 Lisbon 2016

nuc box hums – CS 408 Lisbon 2016

golden towers and electric frictions – CS 386 Lisbon 2017

Traintracks, roadsides, wasteland, debris – CS 410 Lisbon 2017

Arzt – CS 414 Lisbon 2017

Porto Covo – CS 418 Lisbon 2017

Ornithorhynchus anatinus – CS 416 Lisbon 2017

Urze – CS 426 Lisbon 2017

Kletka – CS 428 Lisbon 2017

Temperature Difference – CS 420 Lisbon 2017

Sacred Noise – CS 422 Lisbon 2017

Skiagraphía – CS 424 Lisbon 2017

Plane, line segments, rays and some dissipations – CS 425 Lisbon 2017

Llop – CS 423 Lisbon 2017

Incidental Projections – CS 427 Lisbon 2017

Xenon – CS 430 Lisbon 2017

Layering Time – CS 435 Lisbon 2017

Blattwerk – CS 436 Lisbon 2017

Sound Bridge – CS 442 Lisbon 2017

Macaronesia – CS 445 Lisbon 2017

Nepenthes hibrida – CS 444 Lisbon 2017

Yttrium – CS 448 Lisbon 2017

Proletariat – CS 438 Lisbon 2017

L’Ennuie – CS 446 Lisbon 2017

Klang – CS 449 Lisbon 2017

Télépathie – CS 452 Lisbon 2017

K’Ampokol Che K’Aay – CS 453 Lisbon 2017

Underwater Music – CS 450 Lisbon 2017

Heptaphonies – CS 455 Lisbon 2017

Infinite Series – CS 440 Lisbon 2017

Akuanduba – CS 454 Lisbon 2017

Intonarumori – CS 456 Lisbon 2017

Liames – CS 457 Lisbon 2017

Chorismos – CS 458 Lisbon 2017

Piano – CS 461 Lisbon 2017

Soon – CS 463 Lisbon 2017

Vulgaris – CS 464 Lisbon 2017

Micrographía – CS 477 Lisbon 2017

The Afterlife of Trees – CS 471 Lisbon 2017

Apteryx mantelli – CS 492 Lisbon 2017

Sîn – CS 501 Lisbon 2018

Laura – CS 502 Lisbon 2018

Physis – CS 496 Lisbon 2018

Zweige – CS 497 Lisbon 2018

Spiric Sections – CS 498 Lisbon 2018

Synchronous Rotation – CS 499 Lisbon 2018

Crane Cries – CS 503 Lisbon 2018

Tellurium – CS 500 Lisbon 2018

Ma’adim Vallis – CS 494 Lisbon 2018

Holes and Cracks – CS 504 Lisbon 2018

Meandros e Vertentes – CS 510 Lisbon 2018

0 minutes 0 seconds – CS 524 Lisbon 2018

Coluro – CS 513 Lisbon 2018

For Cecil Taylor – CS 527 Lisbon 2018

Lithos – CS 526 Lisbon 2018

Tactile – CS 512 Lisbon 2018

Barium – CS 519 Lisbon 2018

From Faust – CS 521 Lisbon 2018

Jardin Carré – CS 533 Lisbon 2018

Theia – CS 520 Lisbon 2018

Sul – CS 534 Lisbon 2018

The distant sound within – CS 535 Lisbon 2018

Lanthanum – CS 536 Lisbon 2018

RRR – CS 544 Lisbon 2018

We Still Have Bodies – CS 541 Lisbon 2018

Ignis Fatuus – CS 552 Lisbon 2018

Backlighting – CS 556 Lisbon 2018

dis/con/sent – CS 563 Lisbon 2018

Buratino – CS 570 Lisbon 2018

Penedo – CS 516 Lisbon 2018

Eris – CS 558 Lisbon 2018

Ljubljana – CS 546 Lisbon 2018

3 Phases I – White – CS 537 Lisbon 2018

3 Phases II – Grey – CS 538 Lisbon 2018

3 Phases III – Black – CS 539 Lisbon 2018

autoschediasm – atrito-afeito 010 Montréal 2018

Kuori – CS 565 Lisbon 2018

Stratus – CS 550 Lisbon 2018

mimus – CS 560 Lisbon 2018

Le Havre – CS 580 Lisbon 2018

The Haecceity of Things – CS 578 Lisbon 2018

Montréal – CS 583 Lisbon 2018

Egin – CS 589 Lisbon 2019

A Late Evening in the Future – CS 601 Lisbon 2019

Magma – CS 547 Lisbon 2019

Sitsa – CS 564 Lisbon 2019

Spiegel – CS 598 Lisbon 2019

Krypton – CS 608 Lisbon 2019

Mycelial Studies – CS 594 Lisbon 2019

Merz – CS 596 Lisbon 2019

Percolation – CS 616 Lisbon 2019

doublexdouble – CS 611 Lisbon 2019

Loneliness in Saint-Petersburg – CS 614 Lisbon 2019

man is wolf to man – CS 619 Lisbon 2019

Radium – CS 609 Lisbon 2019

Paradoxurus hermaphroditus – CS 600 Lisbon 2019

Rayon Blanc – CS 606 Lisbon 2019

Mare Tranquillitatis – CS 612 Lisbon 2019

Cyanea – CS 610 Lisbon 2019

rhetorica – CS 585 Lisbon 2019

Prima Pratica – CS 621 Lisbon 2019

Aura – CS 628 Lisbon 2019

Sediments – CS 629 Lisbon 2019

Get your own picture – CS 630 Lisbon 2019

Hippocampus guttulatus – CS 636 Lisbon 2020

Pentahedron – CS 642 Lisbon 2020

Setúbal – CS 647 Lisbon 2020

Sfumato – CS 638 Lisbon 2020

The Book of Spirals – CS 641 Lisbon 2020

LLuvia – CS 640 Lisbon 2020

Tin – CS 643 Lisbon 2020

Spiegel II – CS 655 Lisbon 2020

Multiforms – CS 659 Lisbon 2020

Isotropy – CS 662 Lisbon 2020

Un seul regard, le chant pétri de beauté, un mot vert – CS 663 Lisbon 2020

Metamorfose – CS 660 Lisbon 2020

case study: Sertão – CS 665 Lisbon 2020

Symbolic Boundary – CS 667 Lisbon 2020

Sur nos pas dans la clarté du jour – CS 668 Lisbon 2020

Los Ejes de mi Carreta – CS 669 Lisbon 2020

Queen Triot – CS 670 Lisbon 2020

[ Lista de obras publicada na Meloteca a 24 de maio de 2020 ]

Ernesto Rodrigues, compositor português
Ernesto Rodrigues, compositor português
Luís Tinoco, compositor

SINOPSE BIOGRÁFICA

Luís Tinoco [n.1969, Lisboa] formou-se em Composição na Escola Superior de Música de Lisboa. Mais tarde, no Reino Unido, fez um Mestrado em Composição na Royal Academy of Music e doutorou-se pela Universidade de York. Combina a sua actividade de compositor com o ensino, exercendo funções docentes na Escola Superior de Música de Lisboa. Enquanto programador e divulgador musical, destaca-se a sua colaboração com a Antena 2 da RTP como autor e produtor de programas radiofónicos e como director artístico do Prémio e Festival Jovens Músicos. As suas composições abrangem musica de câmara, sinfónica, bailado e música de cena, incluindo “Evil Machines” – uma fantasia musical com libreto e encenação do ex-Monty Python Terry Jones; e “Paint Me” – uma ópera de câmara com libreto de Stephen Plaice e encenação de Rui Horta. Trabalhos orquestrais incluem colaborações com a Orquestra Filarmónica da Radio France; Orquestra Sinfónica de Seattle; Orquestra Sinfónica Brasileira; Orquestra Sinfónica Estadual de São Paulo (OSESP); Royal Philharmonic Orchestra; e as principais orquestras nacionais – Gulbenkian; Sinfónica Portuguesa; Porto Casa da Música; e Metropolitana de Lisboa, entre outras. De 2016 a 2018 desempenhou o cargo de Compositor Residente no Teatro Nacional de São Carlos e, na temporada de 2017, foi Artista Associado da Casa da Música. Desde 2016 é Associate of the Royal Academy of Music (ARAM) e em 2019 foi distinguido com o Prémio DSCH – Shostakovich Ensemble para Compositores. A sua música é publicada pela University of York Music Press e está disponível em CD monográficos nas etiquetas Odradek, Naxos, e Lorelt.

LISTA DE OBRAS

List of Works

Title (also marked blue, when the work has an alternative title) . Instrumentation . Year . Duration . Score publisher . Available on CD)

Quarteto de Cordas

String Quartet

First performed by the Moscow Piano Quartet Vls 1 e 2, Vla, Vc 1995 14’ C.M.Cascais CD1

Perpetuum

First performed by the Portuguese Symphony orchestra, cond. By David Alan Miller Symphony Orchestra
3.3.4.3. | 4.2.3.1. | 3Perc. 1 Cel. 1 Hrp. 1 Pno. 16.14.12.10.8. 1996 12’ — —

Verde Secreto

Secret Green

Commissioned by the Gulbenkian’s Acarte Service – First performed by Rui Gabriel (sax) and Francisco Sassetti (pf) Saxophone alto and Piano. 1997 7’ 30’’ Musicoteca —

Tríptico

Triptych

First performed by Philippa Mo (vl) and Simon Lepper (pf) Violin and Piano. 1997 6’ 30’’ DGArtes Ministério da Cultura CD10

A Way to Silence

First performed by RAM studens, dir. Jean-Christophe Charron Fl. Cl. Fag. Tpa. Tbn. Vl. Vla. Vc. 1997 13’ 30’’ — —

Autumn Wind

Commissioned by the Junior Academy / RAM – First professional performance by the Galliard Ensemble Wind quintet Fl.(picc+alto) Ob. Cl. Fag. Tpa. 1998 10’ UYMP CD2 CD3

Lugares Esquecidos

Forgotten Places

Commissioned by the Gulbenkian’s Acarte Service – First performed by the Moscow Piano Quartet Piano, Vl. Vla. Vc. 1998 18’ UYMP CD 6

Canto para Timor Leste

Chant for East Timor

First performed by the Academy Soloists, lead by Clio Gould Chamber string orchestra
4.4.3.2.1 1998 9’ 30’’ UYMP —

Round Time Poems

Unperformed Male choir 1999 2’ — —

Sundance Sequence

Commissioned by the CCB – First performed by soloists of the Lisbon Metropolitan Orchestra, cond. by Jean-Marc Burffin Fl. Cl. Fag. Tpa. Tbn. Perc. Pno. Vl. Vla. Vc. Cb. 1999 11’ UYMP CD 6

…a Terra Fértil

…the Fertile Land

Commissioned by the Seixal Brass Quintet – First performed by the Royal Scottish Academy Brass, lead by John Wallace Tpt 1 e 2, Tpa, Tbn. Tuba. 1999 11’50’’ UYMP CD3

Antípoda

Antipode

First performed by the Nouvel Ensemble Moderne, cond. by Lorraine Vaillancourt Fl. Ob. Cl. B.Cl. Fag. Tpa. Tp. Tbn. Perc. Pf. Vl.1 Vl.2 Vla. Vc. Cb. 1999/2000 9’ UYMP CD4 CD6

Mind the Gap

First performed by Pedro Carneiro 5 octaves’ Marimba solo 1999/2000 8’ UYMP CD3 CD14

Light – Distance

Commissioned by the Mafra Music Festival – First performed by the Galliard Ensemble Wind quintet Fl.(picc+alto) Ob.(c.ing) Cl.(cl.bx) Fag. Tpa. 2000 10′ UYMP CD3

O Curso das Águas

The Drift of the Waters

First performed by the Gulbenkian Orchestra Soloists Wind quartet Fl.; Ob. d’amore (c.ing); Cl.; Fag 2001 8’ UYMP CD3

Invenção sobre Paisagem

Invention on Landscape

Commissioned by the Porto 2001 European Capital for Culture – First performed by the Remix Ensemble cond. by Sarah Ioannidis Fl. (picc); Ob. (C.I.); Cl.; Fg; Tpa; Tr; Tbn.; 2Perc.; Pf.; 2Vl; Vla.; Vc.; Cb. 2001 9’ UYMP CD6 CD15

Três Poemas do Oriente

(original text by Camilo Pessanha in Portuguese)

Trois Poèmes de l’Orient

(text transl. to French by Christine Pâris Montech)

Commissioned by the Lisbon Contemporary Music Group – First performed by the Lisbon Contemporary Music Group, cond. by Carlos Franco Fl. (alto); Cl. (Cl. Bx.), Perc.; Hrp.; Pf.; Soprano 2001 10′ UYMP CD6

Ends Meet

Commissioned by the Matosinhos City Hall – First performed by Pedro Carneiro and the Stroma Ensemble String quartet and marimba 2001-2002 16’30’’ UYMP CD9 CD14

Solonely

Commissioned by the CCB – First performed by António Augusto Aguiar Contrabass and
Electronics 2002 10’15” — —

Qalbî ‘arabî – os viajantes da noite

(text: Luso-Arabic poetry / transl. by Adalberto Alves)

Commissioned by the Estoril Music Festival – First performed by Olissipo Quintet and the Cascais and Oeiras Orchestra, cond. by Nikolai Lalov String orchestra (5.4.3.2.1) and vocal quintet (2Sopr; 1Mezzo; 1Ten; 1Bar) 2002 14’15” UYMP —

Round Time

Commissioned by the Orquestra Nacional do Porto – First performed by the ONP, cond. by Cesário Costa Orchestra
4.4.4.4 / 4.3.3.1 / 3perc. + timp / Hrp / Pf / Cel. / 16.14.12.10.8
note: also available in triple winds 2002 14’ UYMP CD13

Imaginary Dancescape – a melodrumming after Cocteau

(text: Jean Cocteau)
Commissioned by the Culturgest – First performed by Luís Rodrigues (voice) and the Drumming Percussion Group Baritone and percussion quintet 2003 17’ — —

Short Cuts

Commissioned by the Apollo Saxophone Quartet – First performed by the ASQ Saxophone quartet 2 sopr.; 1 ten.; 1 bar. 2003/2004 8’ UYMP CD5 CD7

Short Cuts (B)

First performed by the Royal Northern College Students Short Cuts transcription for sax quartet, 2 vibr., 1 mar., 1 pno (2005) 8’ UYMP —

Short Cuts (C)

First performed by the Lontano Ensemble, cond. by Odaline de La Martinez Short Cuts transcription for 2 Cl., 1 Sax Ten., 1 Cl Bx., 2 vibr., 1 mar., 1 pno (2005) 8’ UYMP CD6

Zapping

Commissioned by the São Carlos Theatre – First performed by the Portuguese Symphony Orchestra, cond. by Donato Renzetti Orquestra 2.2.2.2. | 2.2.1 | 3 perc. | 10.8.6.5.4 2004 4’33” UYMP CD17

Hovering Over

Commissioned by the Calouste Gulbenkian Foundation (Music Service) – First performed by the Birmingham Contemporary Music Group, cond. by Susana Mälkki Fl. (=picc); Cl. (=Cl.Bx); Fg. (=C.Fg); Tpa; Tr (=Fluegel); 2Perc.; Hrp.; Pf.; 2Vl; 2Vla.; 2Vc.; Cb. 2004 12’00” UYMP —

Tracing the Memory

Commissioned by the Albany Symphony Orchestra – First performed by the ASO, cond. by David Alan Miller Orchestra 2.2.2.2 / 2.2.1.0 / 1perc. + timp / Hrp / Cel. / Cordas 2004/2005 13′ UYMP CD17

Díptico para piano e orquestra

Diptych for piano and orchestra

Commissioned by the Matosinhos City Hall – First performed by António Rosado (pf) and the Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, cond. by Martin André Piano and orchestra 3.3.3.3 / 4.2.3.1 / 3 perc. + timp / Hrp / Cel. / Pno (solo) / Cordas 2004/2005 17′ UYMP —

Labirinto

Labyrinth

Commissioned by the Camerata Senza Misura – First performed by the CSM Ob (=C.Ing.), Cl (solo), Fag., Tpa., Vln., Vla., Vc., Cb. 2005 7’30” UYMP —

Diversion

(didactic piece)
uymp “On Track” album Snare drum., Gtr., + two unspecified instruments 2005 2’30” UYMP —

Contos Fantásticos

Fantastic Tales

(text: Terry Jones)
Note: available on English, Portuguese and Spanish versions
Commissioned by the Lisbon Metropolitan Orchestra – First performed by João Reis (speaker) and the Lisbon Metropolitan Orchestra cond by Cesário Costa Narrador e Orquestra 2.2.2.2 / 2.2.1.0 / 3perc./ Hrp / Pno. / Cordas 2005/2006 35’ UYMP CD11

The Delirium of My Desire – a Consequenza for solo flute, in memoriam Luciano Berio

Commissioned by the Casa da Música – First performed by Stéphanie Wagner Flute solo 2006 3’40” UYMP CD16

Steel Factory

Commissioned by the Drumming Percussion Group – First performed by the Drumming Group Steel drums ensemble + multiple percussions (4 players) 2006 10’ UYMP CD14

Ascent

Commissioned by the El Paso Symphony Orchestra – First performed by the EPSO cond. by Sarah Ioannidis Symphony Orchestra 3.3.3.3. / 4.3.3.1. / timp., 3 perc. / Hrp., Pno / strings 2006/ 2007 8’ UYMP —

Descubro a Voz

Poem by José Luís Tinoco
First performed by Coro de Câmara Filarmónico da Estónia, dir. Daniel Reuss Mixed choir 2007 3’ —

Search Songs

(poems by Alexander Search [Fernando Pessoa])
Commissioned by the Estoril Music Festival – First performed by Yeree Suh (sopr.) and the Royal Philharmonic Orchestra, cond. by Cesário Costa Soprano and Symphony Orchestra 3.3.3.3. / 4.3.3.1. / timp., 3 perc. / Hrp., Pno = Cel. / strings 2007 15’ UYMP CD12 CD13

Evil Machines

(musical theatre play / libreto by Terry Jones)

Commissioned by the São Luiz Theatre – First performed by the Lisbon Metropolitan Orchestra, cond. by Cesário Costa 12 singers and chamber orchestra 5 sopr., 4 ten., 2 bar., 1 bass. 2 fl (2nd=picc), 2 ob (2nd=cor anglais), 2 Bb cl, (2nd=bass clarinet), 2 bn (2nd=Cbn), 2 horn in f, 2 trumpet in c (2nd=trumpet in e-flat), 1 tbn, 3 perc, 1 hrp, 1 pno, 2 vl, 2 vla, 2 vc, 1 cb 2007 70’ UYMP —

From the Depth of Distance

(poems by Walt Whitman and Álvaro de Campos [Fernando Pessoa])
Co-commissioned by the Albany Symphony Orchestra and the Algarve Orchestra – First performed by Ana Quintans (sopr.) and the Algarve Orchestra cond. by Cesário Costa Soprano and symphony orchestra 2(2nd=picc).2(2nd=ca).1.1(bcl).2 / 2.2.0.0 / 2perc / sop / strings 2008 16’ UYMP CD13

Short Cuts (D)

First performed by Pedro Carneiro and the Vintage Quartet Version for clarinet quartet and 1 perc. (mar. And vibr.) (2008) 8’ UYMP CD8

Short Cuts (E)

First performed by the Vintage Quartet Version for clarinet quartet (2008) 8’ UYMP —

King George I, as Seen in Schiaparelli’s Telescope, Sailing his Barge upon Martian Canals

Commissioned by the Antena 2 – First performed by Machina Mundi Duo with Flute, percussion (including Indonesian bonang) and live electronics 2008 8’ UYMP —

O Silêncio e as Pedras

Commissioned by Miso Music – First performed by the Sond’Ar-te Electric Ensemble, cond. by Pedro Amaral Fl., cl. (=bass cl.), vl., vc., pno. + live electronics 2008 10’ UYMP CD18

Sea of Tranquillity

Commissioned by the Albany Symphony Orchestra – First performed by the Dogs of Desire, cond by David Alan Miller Two speakers and chamber ensemble: fl., ob., cl., sax alt., sax bar., bn., F.hn., tpt., tbn., pno., 2 voices., 2 vl., vla., vc., db. 2009 12’ UYMP —

Shadow Antiphonies

Commissioned by A Coisa em Si – First performed by António José Carrilho and Sofia Norton (flutes) and Elizabeth Davis (mar.) Two recorders and marimba 2009 5’30” UYMP —

Mind the Gap (B)

First performed Joana Gama Version for piano solo 2009 8’ UYMP —

Spam!

Commissioned by the OrchestrUtopica – First performed by Mário Redondo (voice) and the OU, cond by René Bosc Male voice and chamber ensemble: fl., ob., 2 cl. (2nd = bass cl.), bn., F.hn., tpt., tbn., 2 perc., pno., male voice., 2 vl., vla., vc., db. 2009 16’20” UYMP —

Short Cuts (F)

First performed by Perkool Quartet Short Cuts version for percussion quartet 2010 8’ UYMP CD14

Zoom in – Zoom Out

Commissioned by the Drumming Percussion Group – First performed by the Drumming Group Two marimbas (with pedal bass drum) and vibraphone 2010 7’30” UYMP CD14

Before Spring

Commissioned by the OrchestrUtopica – First performed by the OU, cond by Cesário Costa fl. (=picc. and alto), ob. (=cor Ang), 2 cl. (2nd = bass cl), bn. (=Cbn), F Hn, Tpt Bb, Tbn., 2 perc., 1 pf., 2 vln., 1 vla., 1 vc. 1 Db. 2010 9’ UYMP —

Paint Me

(opera / libreto by Stephen Plaice)

Commissioned by the Culturgest – First performed by soloists of the Portuguese Symphony Orchestra, cond. by Joana Carneiro Six singers and chamber orchestra 2 sopr, 1 mezzo, 1 ten, 1 bar, 1 bass/bar – 1 fl (=picc & bass fl), 1 ob (=cor ang), 2 cl (2nd= Bcl), 1 bn (=Cbn), 1 Hn, 1 tpt, 1 tbn, 1 hrp, 1 pmo, 2 perc, 2 vl, 2 vle, 2 vc, 1cb 2010 60’ UYMP —

Shadow Play

Commissioned by the Albany Symphony Orchestra – First performed by Betti Xiang (erhu) and the ASO, cond by David Alan Miller Erhu and orchestra 2.2.3.2. / 2.2.1.1. / timp., 2 perc. / Hrp., Pno / Erhu soloist / strings 2011 12’ UYMP —

Os Passeios do Sonhador Solitário

(text by Almeida Faria)
Commissioned by Casa da Música – Serviço Educativo; First performed by Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, dir. Pedro Neves; Ana Quintans (sopr.); João Vaz (speaker) Soprano, narrator, children’s choir, electronics and orchestra 2.2.3. 1 sax. 2. / 2.2.1.0. / timp., 3 perc. / Hrp., Cel., Pno / soprano soloist; narrator / children voices / strings 2011 40’ UYMP —

Canções do Sonhador Solitário

(text by Almeida Faria) Soprano & orchestra 2.2.3.2. / 2.2.1.0 / timp., 3 perc. / Hrp., Cel, Pno / soprano soloist / strings 2011-2012 20’ UYMP CD13

Ink Dance

(poem by Yvette K. Centeno)
commissioned by Europa Cantat Festival – Turim
First performed by Janua Vox Choir cond. Roberta Paraninfo Mixed choir 2012 3’20” UYMP —

Cercle Intérieur

commissioned by Radio France; First performed by the Orchestre Philharmonique de Radio France, dir. Pascal Rophé Symphony Orchestra 3.3.3.3. / 4.4.4.1. / 16.14.12.10.8 2012 10’ UYMP —

Abertura Festiva – Festive Overture

encomenda do TNSC; Estreia pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, dir. Rui Pinheiro Symphony orchestra
3.3.3.3. / 4.3.3.1. / timp., 2 perc. / Hrp., strings 2012-2013 4’30” UYMP —

Costa Muda

Soundless Coast

Commissioned by Casa da Música; premièred by Orquestra de Jazz de Matosinhos, dir. Pedro Guedes Jazz orchestra and film projection 2013 5’30” UYMP DVD19

Concerto de Trompa

Horn Concerto

encomenda de Elsa Pestana Magalhães; Estreia por Abel Pereira e Ensemble Eroica. Horn and Symphony Orchestra
2.2.2.2. / 2.2.1.1. / timp., 1 perc. / F Hn soloist / strings 2013 13’ UYMP —

Before Spring (B)

Versão orquestral encomendada por OPART / S.Carlos; Estreia por Orquestra Sinfónica Portuguesa, dir. Joana Carneiro. Symphony Orchestra (original version for chamber ensemble, 2010) 2.2.2.2. / 2.2.2.0. / timp., 2 perc. / Pno / strings 2013 10’ UYMP CD14

Ends Meet (B)

First performed by Pedro Carneiro and the Orquestra Clássica da Madeira
For marimba and string ensemble (original version for marimba and string quartet, 2002) 2014 16’30” UYMP —

Frisland

Commissioned by the Seattle Symphony orchestra; First performed by the Seattle Symphony, dir. Ludovic Morlot For Symphony Orchestra: 3.3.3.3.|4.3.3.1.|Timp. 3 perc. | Hrp. | Cordas 2014 10’40” UYMP CD14

O Relógio

Commissioned by the Câmara Mun. Almada; First performed by Luís Madureira and Jeff Cohen. For male voice and piano 2014 3’ – –

Lídia

(Ballet)
Commissioned by the OPART / CNB; First performed by the Lisbon Metropolitan Orchestra Soloists, dir. Pedro Neves Chamber Orchestra – 1.1.2.1.-1.1.1.-2perc.-hrp-2.1.1.1 2014 47’ UYMP —

Incipit

Symphony Orchestra 4.3.4.3.|4.3.3.1.| Timp. | 4 perc. | pno (=Cel.). Hrp. | cordas 2015 11’ UYMP —

O Sotaque Azul das Águas

The Blue Voice of the Water

encomenda de Orquestra Gulbenkian e Orquestra sinfónica do Estado de São Paulo OSESP Symphony Orchestra – 3.3.3.3. | 4.3.3.1. | Timp. | 3 perc. | Hrp. | Pno. | cordas 2015 13’ UYMP CD14

Centauro – Quíron

(Ballet)

[part of the collective work “Carnaval”, choreographed by Victor Hugo Pontes]

Commissioned by the OPART / CNB; Premièred by the Portuguese Symphony Soloists, dir. Cesário Costa Chamber Orchestra – 1.1.2.1.|1.1.1.|2 perc. | 2 pno. | strings 2016 5’ — —

Fogo

encomenda de MPMP
texto de Almeida Faria Soprano and piano 2016 2’40” UYMP —

Concerto de Violoncelo

Cello Concerto

Commissioned by the OPART / OSP; Premièred by Filipe Quaresma (soloist) and the Portuguese Symphony Orchestra, dir. Pedro Neves Cello and Orchestra – 2.2.3.2. | 2.2.2.1. | 2 perc.| 1 hrp| 1 pno. | 10.8.6.6.4 2016-17 25’00” UYMP CD14

O Caminho de Teseu – Dois Quadros para Saxofone e Orquestra de Sopros

The Way of Theseus – Two Pictures for Saxophone and Wind Orchestra

commissioned by Alberto Roque with finds from the Direcção Geral das Artes; Premièred by Alberto Roque and the Orquestra de Sopros da ESML, dir. Jean-Marc Burfin Sax sopr, Sax baritone, wind orchestra. MOV 1: 1 picc. 2fl, 2ob, 1corAng, 1clEb, 9clBb, 1Bcl, 2bn, 2saxAlto, 2saxTen, 1saxBar, 1 sax sopr (soloist), 4Hn, 3tpt, 2tbn, 1Btbn, 1euph, 1tba, 1Cb, Timp., 3 perc – MOV 2: same except for soloist = sax bar 2017-18 17’00” UYMP —

Fados Geneticamente Modificados

Genetically Modified Fados

commissioned by the Drumming Grupo de Percussão; premièred by the Drumming, dir. Miquel Bernat
Percussion Quartet + tape 2018 11’ UYMP CD14

Cassini

Commissioned by the OPART / OSP; first performed by the Portuguese Symphony Orchestra, dir. Joana Carneiro
Symphony Orchestra 3.3.3.3. / 4.3.3.1. / timp., 3 perc. / Hrp., Cel. / strings 2018 11’ UYMP —

Nocturnos Americanos

American Nocturnes

Commissioned by the Banda Sinfónica Portuguesa; premièred by the BSP, dir. José Eduardo Gomes
Symphonic Band 2019 12’ UYMP —

Archipelago

First performed by Miquel Bernat Vibraphone and wa-wa tubes 2019 9’ UYMP CD14

Entre Silêncios – Concerto de Clarinete

Commissioned by the Gulbenkian Music Service; premièred by Horácio Ferreira (Cl) and the Orquestra Gulbenkian, dir. Nuno Coelho da Silva Clarinet and Orchestra 2.2.2.2. / 2.2.1.0. / timp., 2 perc. / Hrp. / clarinet (soloist) / strings 2019 18’ UYMP —

Alepo

Aleppo

Commissioned and premièred by the DSCH Shostakovich Ensemble; Violin, Clarinet, Piano 2019 12’ UYMP —

CD LABELS:

(1) – Et’Cetera

(2) – Meridian

(3) – Deux-Elles

(4) – ATMA Classique

(5) – Quartz

(6) – Lorelt

(7) – QuadQuartet

(8) – Vintage

(9) – Et’Cetera

(10) – Numérica

(11) – Orquesta Extremadura

(12) – Casa da Musica

(13) – Naxos

(14) – Odradek

(15) – Casa da Música

(16) – ArtWay

(17) – ACMEL

(18) – Miso Music

(19) – C.M.Matosinhos