barítono José de Freitas

JOSÉ DE FREITAS

José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também diretor de coros e compositor de cânticos litúrgicos.

ENTREVISTA

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?

O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…

Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?

Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).

Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?

Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.

Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.

O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…

Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”

Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?

Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).

Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…

Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?

Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.

Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…

Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?

Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.

No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…

Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.

Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.

A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.

Qual foi a maior deceção na sua vida?

Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…

A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”

Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”

Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?

Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…

Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…

Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?

Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…

Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa LudwigMonserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…

Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?

Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço

Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta

Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.

Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980).
Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.

Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!

E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?

Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…

O que pensa do papel da música na Igreja?

Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.

Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.

Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.

O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).

E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.

Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?

J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris…
Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).

E muito, muito mais, obviamente.

O que o levou a colecionar livros e discos?

Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:

a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;

a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;

a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;

o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;

o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;

os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;

o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);

e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…

Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…

Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.

Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?

Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…

Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.

Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.

Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…

Em três palavras como se caracteriza a si mesmo?

Persistente! Perfecionista! Brioso!

Lisboa, 19 de março de 2018

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JOSÉ DE FREITAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Um barítono que é crítico de si próprio

Correio da Manhã, 28 de abril de 1986

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De padre a cantor principal de ópera no Teatro São Carlos

Diário de Notícias do Funchal, 11 de maio de 1986

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José de Freitas: de padre a cantor

Correio da Manhã, 02 de agosto de 1987

Canto de Janeiras Évora 2018

janeiras

Quadras de sabor popular em redondilha maior (com versos de 7 sílabas e rima ABCB’) para escolher de acordo com as circunstâncias. Podem ser escolhidas quadras tendo em conta a estrutura: 1. Apresentação 2. Vivas 3. Despedida, utilizando um refrão.

PARTITURAS

Estamos hoje aqui

O senhor que aqui mora

Vimos cantar as janeiras

QUADRAS INTRODUTÓRIAS

Boas noites, boas noites,
boas noites de alegria,
que lhas manda o Rei da Glória,
filho da Virgem Maria.

Os três reis do oriente
já chegaram a Belém
visitar o Deus Menino
que Nossa Senhora tem.

Cá ‘stamos à sua porta,
um grupo de amigos seus.
Falar bem nada nos custa:
santa noite lhe dê Deus.

Andámos de casa em casa
por atalhos e caminhos,
os corações sempre em brasa
como outrora os pastorinhos.

O menino está no berço
coberto c’o cobertor
e os anjos estão cantando:
louvado seja o Senhor.

Aqui ‘stou à sua porta
com alguns amigos meus.
Falar bem nada nos custa:
santas noites lhes dê Deus.

Venho dar-lhes os bons anos
que pelas festas não pude.
Venho a fim de saber
novas da sua saúde.

Canto de Janeiras Évora 2018

Canto de janeiras Évora 2018

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QUADRAS PARA REFRÃO

A cantar-vos as janeiras
aqui estamos reunidos.
Desejamos um bom ano
aos amigos mais queridos.

Aqui vimos, aqui estamos
A cantar, já o sabeis.
Vimos dar as boas festas
e também cantar os reis.

Boas festas, boas festas
aos amigos vimos dar.
Um bom ano com saúde
vos queremos desejar.

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QUADRAS PARA VIVAS

Viva lá quem nos escuta,
vivam todos em geral.
Deus vos dê um ano novo
E a todo o Portugal.

Como aqueles passarinhos
que estão sempre a cantar
aos senhores desta casa
nós queremos saudar.

Quem diremos nós que viva
no raminho de oliveira?
Viva o Senhor (Alberto)
e viva a família inteira.

Se bem cantas, mal não digas
dos que a voz aqui levantam,
pois uns cantam o que sabem
e outros sabem o que cantam.

Boas noites, meus senhores,
boas noites vimos dar.
Vimos pedir as janeiras
se no-las quiserem dar.

Levante, linda senhora
desse banquinho de prata.
Venha-nos dar as janeiras
que está um frio que mata.

De quem é o vestidinho
cosido com seda branca?
É da senhora (Susana)
que Deus a faça uma santa.

De quem seriam eram as botinhas
que estavam no sapateiro?
Eram do senhor (Custódio)
que as pagou c’o seu dinheiro.

Levante-se lá, senhora
do seu banco de cortiça.
Venha-nos dar as janeiras,
ou morcela ou chouriça.

Levante-se lá, senhora,
desse seu rico assento.
Venha-nos dar as janeiras
em louvor do Nascimento.

Levante-se lá, senhora
dessa cadeirinha torta.
Venha-nos dar as janeiras
senão batemos-lhe à porta.

Reciclanda

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DESPEDIDA

Que tenha um próspero ano
e não esqueça a virtude.
Que tenha muita alegria
e outra tanta saúde.

A quem tanto bem nos faz
Deus livre de pena e dano.
Fiquem com Deus que voltaremos
a cantar-vos para o ano!

Despedida, despedida,
despedida quero dar.
Os senhores desta casa
bem nos podem desculpar.

Esta casa é bem alta,
forradinha a papelão.
O senhor que nela mora
tem um grande coração.

Quando os janeireiros não receberam nada, cantam:

Esta casa é muito baixa,
tem apenas um andar.
Estes barbas de farelo
nada têm para nos dar.

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O Grande Te Deum Português Setecentista por José Maria Pedrosa Cardoso

O Grande Te Deum Setecentista Português

O lançamento da obra O Grande ‘Te Deum’ Setecentista Português decorreu no Auditório Biblioteca Nacional de Portugal a 09 de janeiro de 2020. A apresentação da coedição bilingue BNP CESEM, do estudo de José Maria Pedrosa Cardoso, esteve a cargo de Manuel Pedro Ferreira e de David Cranmer. A sessão contou ainda com a demonstração musical de um trecho dos Grandes Te Deum, a cargo de David Cranmer e de Manuel Rebelo. Entre as especificidades da música histórica portuguesa figura certamente o Grande Te Deum setecentista, assim chamado pela sua monumentalidade formal e estética, composto expressamente para a grande função de ação de graças do último dia do ano, na igreja de S. Roque ou na Capela Real da Ajuda. A sua macro forma consta de quatro elementos: 1. Sinfonia (abertura), 2. O salutaris hostia, 3. Te Deum propriamente dito, 4. Tantum ergo, todos eles existentes nas 13 grandes partituras bem conservadas na BNP (11), na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e na Igreja do Loreto, em Lisboa. O seu barroco colossal a vários coros, solistas e orquestra, de que é exemplo o protótipo conhecido dos mesmos, o Te Deum a vinte vocci de António Teixeira, afirma bem a vontade cultural e a opção magnânima de D. João V por uma liturgia tão solene como as maiores do Vaticano. Destes Te Deum, em jeito de introdução, se fala neste livro, nele se justificando a origem litúrgica e a história da sua divulgação na Europa cristã e em Portugal, e se abordam as particularidades estilísticas de todos eles, sobretudo o de A. Teixeira (1734) e os de Sousa Carvalho (1769, 1789, 1792). (09/09/2020)

Coleção “Músicos Ocultos”

Coleção Músicos Ocultos
Coleção Músicos Ocultos

Em dezembro de 2019 foi lançada pelas Edições Colibri uma colecção de biografias de músicos que abriram caminhos entre “mundos da música” e mobilizaram no seu percurso, audiências, músicos amadores e instituições, edição no âmbito do projecto “A nossa música, o nosso mundo: Associações musicais, bandas filarmónicas e comunidades locais (1880-2018)”. O projeto foi desenvolvido pelo INET-MD/Universidade de Aveiro. Os livros publicados são: Maestro e Etnógrafo Virgílio Pereira entre a descoberta do folclore e o compromisso de transformação social, por Maria do Rosário Pestana com prefácio de Salwa Castelo Branco; Maestro Silva Dionísio e o Contexto das Bandas Filarmónicas Em Portugal, por Bruno Madureira, com prefácio de Alberto Roque; José dos Santos Pinto, retrato de um músico profissional durante o estado novo, por Ana Margarida Cardoso, com prefácio de Manuel Deniz Silva. Edições Colibri. (04/01/2020)

O Fado de Florbela Espanca

O fado de Florbela Espanca
O fado de Florbela Espanca

O Fado é a obra que celebra os 125 anos do nascimento de Florbela Espanca, apresenta pela primeira vez a poesia de Florbela Espanca em livro e disco nas vozes do fado no feminino. O livro inclui textos e os poemas, o CD 18 temas com 9 gravações novas. O Presidente da República disse ser uma justíssima e magnífica homenagem a Florbela Espanca. (01/01/2020)

soprano Susana Gaspar

Músicos Portugueses na Diáspora” é projeto Meloteca em curso ao longo de 2020 que pretende conhecer e divulgar todos os músicos portugueses na diáspora. Cada resumo biográfico, de cerca de 300 palavras, valorizará:

  • os estudos feitos pelo músico em Portugal,
  • os laços familiares musicais,
  • as circunstâncias que o levaram a emigrar,
  • a repercussão internacional da carreira,
  • as relações mantidas com a música portuguesa.

Alexandra Mascolo-David

Pianista, residente nos EUA

Alexandra Mascolo-David, pianista nos EUA
Alexandra Mascolo-David, pianista nos EUA

Residente nos EUA, Michigan, a pianista portuguesa Alexandra Mascolo-David, filha da coreógrafa Anna Mascolo, é diplomada em Piano pelo Conservatório de Música do Porto e Doctor of Musical Arts pela Universidade do Kansas, onde estudou com Sequeira Costa. Tem atuado com regularidade em temporadas de concertos na Europa, na Ásia, na América Latina e na América do Norte, incluindo um recital no Carnegie Hall em 2004, o qual recebeu uma crítica magnífica na revista New York Concert Review. Há duas décadas que tem vindo a enriquecer o seu repertório com a música de compositores portugueses contemporâneos. O seu irmão Bruno foi bailarino do Ballet Gulbenkian e do Ballet National de Marseille Roland Petit – a sua carreira foi interrompida por um acidente, o que o levou a dedicar-se ao Design de Interiores. Em 2000, Alexandra Mascolo-David casou com Patrick Donnelly em 2000, Director of Theatre Operations no Kauffman Center for the Performing Arts em Kansas City. (01/01/2020)

Dinis Sousa

Maestro, do Porto, residente em Londres, Reino Unido

maestro Dinis Sousa
maestro Dinis Sousa

Nascido no Porto, Dinis Sousa vive em Londres. É fundador e director artístico da Orquestra XXI – projecto vencedor do prémio FAZ-IOP 2013, que reúne músicos portugueses residentes no estrangeiro. Nas últimas temporadas, Dinis Sousa tem dirigido orquestras como a Southbank Sinfonia, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra de Câmara da Escócia, Aurora Orchestra e Orquestra Sinfónica de Londres. Tem trabalhado com o maestro Sir John Eliot Gardiner, enquanto seu assistente em projectos com a Orquestra Sinfónica de Londres, onde já teve a oportunidade de dirigir a orquestra, com a Orquestra Filarmónica de Berlim e com o Monteverdi Choir e Orchestre Révolutionnaire et Romantique. A 10 de Junho de 2015, foi condecorado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique. (04/01/2020)

João Terleira

Tenor, de Viana do Castelo, na residente Alemanha

João Terleira
João Terleira

João Terleira iniciou os estudos musicais na Academia de Música de Viana do Castelo. É licenciado em Canto pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) do Porto. Terminou o Mestrado em Interpretação Artística, na ESMAE, com a dissertação Tecnologia de Apoio em Tempo-Real ao Canto – Relação entre parâmetros percetivos da voz cantada com fenómenos acústicos objetivos, sob a orientação de Rui Taveira e Sofia Lourenço. Apresenta-se regularmente em Portugal e no estrangeiro, abrangendo repertório que inclui recitais de canto, canção sinfónica e oratória. Foi bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia no projeto “Tecnologia de Apoio em Tempo-Real ao Canto”. Entre 2013 e 2015, foi membro do estúdio da Ópera da Flandres, sediado em Gent, na Bélgica. Neste momento reside na Alemanha. (06/01/2020)

Jorge Chaminé

Barítono, do Porto, residente em Paris, França

barítono Jorge Chaminé
barítono Jorge Chaminé

Nascido no Porto, Jorge Chaminé, barítono polifacetado, ocupa um lugar de destaque no mundo da lírica internacional. Bolseiro da Fundação “Calouste Gulbenkian”, estudou em Paris, Madrid, Munique e Nova Yorque. Barítono de ópera, foi aplaudido em Nova Yorque, Boston, Paris, Florença, Roma, Washington, Hamburgo, Avinhão, Sevilha, Madrid, Marselha e convidado como solista por orquestras como as Boston Symphony, London Symphony, Filarmónica Checa, Sinfónica de Berlim, RIAS, sob a direcção dos mais prestigiados maestros. Contracenou com famosos cantores como Mirella Freni, Montserrat Caballé e Teresa Berganza. O seu conhecimento das línguas assim como a originalidade dos seus programas fazem de Chaminé um recitalista sem par, tendo-o levado a cantar nas mais prestigiosas salas de concerto do mundo assim como nos principais festivais internacionais. Foram-lhe dedicadas obras por Bussotti, Lenot, Markeas, Schwarz, Petit, Vlad e Xenakis. É detentor de inúmeros prémios e distinções internacionais, Jorge Chaminé recebeu a Medalha dos Direitos Humanos da Unesco, de mãos de Federico Mayor, pela sua acção a favor das crianças abandonadas. Realizou cursos de aperfeiçoamento artístico na Europa e América. A partir de 2001, fundou um Atelier Musical no Centro Cultural Calouste Gulbenkian de Paris para cantores, pianistas e grupos de música de câmara: dado o grande êxito deste Atelier, Jorge Chaminé foi convidado a continuar esta original experiência pedagógica em 2005 no Colégio de Espanha da Cidade Universitária de Paris. Jorge Chaminé é o Director da prestigiosa Fundação Concertante e Director Artístico do Festival CIMA na Toscana. É também vice-presidente da Associação Georges Bizet. Jorge Chaminé foi nomeado Embaixador de Boa Vontade da organização “Music in ME”. A 31 de agosto 2018, foi nomeado Officier da Ordre des Arts et des Lettres pelo governo francês. (08/01/2020)

Liliana de Sousa

Meio-soprano, de Caldas de São Jorge, residente na Alemanha

meio-soprano Liliana de Sousa
meio-soprano Liliana de Sousa

Residente na Alemanha, a meio-soprano Liliana de Sousa é natural de Caldas de São Jorge. Licenciou-se em 2013 em Canto na ESMAE, Porto, e prosseguiu estudos na International Opera Academy 2013/15, em Ghent, Bélgica (anteriormente denominada Flanders Operastudio). Em Ópera interpretou diversos papéis e foi solista em diversas obras no campo da Oratória. Desde a temporada 2016/2017, é solista no Aalto-Musiktheater em Essen na Alemanha, onde interpretou papéis como Hänsel (“Hänsel und Gretel”), Page (“Salome”), Annio (“La Clemenza di Tito”), Rosina (“Il Barbiere di Siviglia”) e Cherubino (“Le Nozze di Figaro”). Na última temporada cantou em Essen papéis como Küchenjunge/2.Elfe (“Rusalka”), Despina (“Così fan tutte”), Kreusa (“Medea”), Flosshilde (“Der Ring an einem Abend”), Mercédès (“Carmen”), Barbara (” Eine Nacht in Venedig”), Page (“Salome”) assim como Hänsel. Cantou como convidada na Ópera em Wuppertal e em Dortmund. (03/01/2020)

Luís Magalhães

Pianista, de Famalicão, residente na África do Sul

pianista Luís Magalhães
pianista Luís Magalhães

Residente na África do Sul, Luís Magalhães nasceu em Lousado, Famalicão. Iniciou os estudos musicais aos 5 anos. Aos 12 anos ingressou no Curso de Piano do Centro de Cultura Musical de Caldas da Saúde. Com 18 anos começou os estudos de bacharelato na ESMAE na classe de Pedro Burmester. Foi galardoado com primeiros e segundos prémios no Concurso Maria Campina 1992 e 1997, Concurso Nacional da JMP em 1992, Prémio Jovens Músicos da RDP (Música de Câmara) em 1995. Participou no “2002 Russian Music Piano Competition” na Califórnia, EUA, tendo sido distinguido com o 2º Prémio, medalha de prata, e prémios para melhor interpretação de música russa e melhor interpretação de Rachmaninoff. Apresentou-se com numerosas orquestras nacionais e estrangeiras. Concluiu “cum laude” o grau de Mestrado in Performance na Universidade de Stellenbosch. Encontra-se matriculado na Universidade de Cape Town no grau de doutoramento. Luís Miguel Magalhães apresenta-se frequentemente em duo de pianos com a sua mulher, Nina Schumann, duo que tem obtido as melhores criticas internacionais pela sua musicalidade expressiva e técnica apurada. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian desde 1993 até 2002. (02/01/2020)

Maria de Macedo

Violoncelista, de Vila Nova de Gaia, residente em Madrid, Espanha

violoncelista gaiense Maria de Macedo
violoncelista gaiense Maria de Macedo

Maria de Macedo nasceu em Gaia em 1931 e iniciou os  estudos de violoncelo no Conservatório do Porto na classe de Madalena Sá e Costa. Aquando da sua graduação foi-lhe atribuído em 1955 o Prémio Suggia. Continuou os estudos musicais na Europa e nos EUA. Durante a década de 50, manteve uma intensa actividade como solista, em recitais, concertos com orquestra e gravacões. Foi membro da Orquestra Sinfónica do Porto, da Orquestra Nacional de Lisboa, e durante dez anos, solista da Orquestra Gulbenkian. Vivendo em Madrid desde 1975, dedica-se ao ensino do violoncelo, realizando também numerosas aperfeiçoamento em diferentes cidades espanholas e importantes universidades e conservatórios Europeus. É também júri em importantes concursos internacionais. Em 2001, fundou o prestigioso Forum de Violoncelos de Espanha, incluindo alguns dos mais importantes nomes mundiais a nível da performance e do ensino do violoncelo.

Mariana Pimenta

Soprano, da Ilha da Madeira, residente nos Países Baixos

Soprano madeirense Mariana Pimenta
Soprano madeirense Mariana Pimenta

Mariana Pimenta nasceu na ilha da Madeira, Portugal. Iniciou a atividade musical na actual Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia, no coro Infantil, dirigido por Zélia Gomes. Prosseguiu a formação em Canto no curso Profissional do Conservatório Escola Profissional das Artes da Madeira. Após concluir a Licenciatura em canto e o Mestrado em Educação de Música, na Universidade de Aveiro, Mariana continuou a formação no Conservatório Real de Haia, Holanda, especializando-se em canto na Música Antiga. Como solista, tem vindo a cantar ópera e oratória de compositores diversos. Trabalhou com a companhia de ópera Opera2Day. Na ilha da Madeira cantou com a Orquestra Clássica da Madeira árias de ópera do século XIX e XX, teve recitais a solo, cantou com a Orquestra de Bandolins da Madeira, e foi solista de um concerto integrante no Festival de Órgão da Madeira. Como trabalho em ensemble, foi membro do Vocal Ensemble, dirigido por Vasco Negreiros. É membro solista do ensemble La Banda Ariosa. Como coralista é membro freelance do Coro da Rádio da Holanda. (11/01/2020)

Nuno Rigaud

Organeiro, de Braga, residente na Alemanha

Nuno Rigaud organeiro
Nuno Rigaud, organeiro, 01-04-2013

Nuno Rigaud nasceu em Braga, em 1962, filho de Maria Adelina Caravana, fundadora do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga; e de José João Rigaud de Sousa, provador do IVP e historiador. Entre 1985-1988 fez aprendizagem da organaria em França, Alsácia, na Firma Christian Guerrier Facteur d’Orgues (www.orgues-guerrier.org). Em 1990, casou com a organista alemã Waltraud Götz-Rigaud [Diploma A do curso de Música Litúgica, Curso de Pedagogia Musical e curso de órgão de concerto concluído com a classe de mestrado (Meisterklasse)] do Conservatório Nacional de Munique (Musikhochschule München) www.goetz-rigaud.de. Entre 1988-2004, trabalhou como organeiro – adquirindo experiência em todos os ramos da organaria incluindo planeamento e intonação – nas firmas da Baixa Baviera Georg Jann Orgelbau (Jann Pai, de 1988 a 1995), (orguian.com), Thomas Jann Orgelbau (Jann Filho, de 1995 a 2004), www.jannorgelbau.de. Em 2006, fundou a sua própria firma: Nuno Rigaud Orgelbau. (05/01/2020)

Pedro Costa

Pianista, de Macau, residente em Viena, Áustria

pianista Pedro Costa
pianista Pedro Costa, créditos Krystallenia Batziou Photography

Pedro Costa é um pianista português especializado no acompanhamento de canto e música de câmara. Desde 2017 é pianista correpetidor da Universidade de Música e Artes Performativas de Graz. Foi o vencedor do Concurso de Interpretação do Estoril, Prémio Helena Sá e Costa,  Concurso Louis Spohr para Acompanhamento de Lied em Kassel, o Concurso New Tenuto. Foi também premiado com o Prémio de Melhor Acompanhador no Concurso de Canto Lírico da Fundação Rotária Portuguesa. Atuou como solista com várias orquestras e maestros. Tem vindo a apresentar-se em diversas salas europeias e participou em festivais internacionais. Com o oboísta Guilherme Sousa e o fagotista Paulo Ferreira fundou o Perspective Trio que alcançou o primeiro prémio no Prémio Jovens Músicos, tendo-lhes também sido atribuído o Prémio GDA que permitirá a produção de um CD com obras portuguesas inéditas dedicadas a esta formação. Dado o seu especial interesse no acompanhamento de Lied, participou em várias edições do International Lied Masterclasses em Bruxelas, onde trabalhou com prestigiados cantores e pianistas. Nascido em 1989 em Macau, Pedro Costa é licenciado pela ESMAE no Porto.  Em 2015 terminou com distinção o Mestrado em Piano no Koninklijk Conservatorium Brussel (Bélgica). (13/01/2020)

Renato Penêda

Percussionista, residente em Roterdão, Países Baixos

Renato Penêda, créditos Arthur Stockel
Renato Penêda, créditos Arthur Stockel

Nascido em 1990, Renato Penêda é um percussionista que divide a actividade profissional entre os palcos e os bastidores. Trabalha com diversas orquestras, resultado de um trajecto educacional focado na música para ensemble e orquestra, iniciado na Banda de Música de Moreira da Maia com passagem pelo Conservatório do Porto e a ESMAE, até à chegada à Codarts Rotterdam. Em Roterdão, Renato Penêda terminou a licenciatura, durante a qual estudou também direcção de orquestra e empreendedorismo. Na Codarts, obteve o mestrado com distinção, após a apresentação de um espectáculo de teatro musical para duo de percussão e voz baseado em música portuguesa e percussão corporal. O percurso artístico levou-o a colaborações com diversos agrupamentos e orquestras e apresentações em 14 países em 3 continentes. Activo também na área da música contemporânea, é percussionista do AKOM Ensemble (Roterdão) e membro fundador do Pulsat Percussion Group, vencedor do 2.º prémio na edição de 2012 do Prémio Jovens Músicos e na edição de 2013 do Concurso Internacional de Música de Câmara “Cidade de Alcobaça”. Fora de palco, é produtor no departamento de música clássica da Codarts Rotterdam. (13/01/2020)

Rita Moldão

Soprano coloratura, de Vila Real, residente em Madrid, em Espanha

Rita Moldão soprano coloratura créditos Juan Carranza
Rita Moldão soprano coloratura

Natural de Vila real, Rita Moldão, Rita Moldão é licenciada em Canto Teatral pelo Conservatório Superior de Musica de Gaia, onde concluiu a licenciatura na classe de Fernanda Correia tendo continuado os estudos com Elisabete Matos em Madrid onde vive atualmente. Teve a sua estreia em 2003 como Susanna na ópera Le nozze di Fígaro, numa produção do Festival de Música de Gaia. Para além das excelentes críticas que tem na interpretação de papéis de ópera, Rita Moldão também é reconhecida pelos concertos e recitais, sejam de música de câmara ou música sacra, num repertório que inclui, por exemplo, Exultate JubilateMissa da Coroação e Missa Breve em SolM de Mozart, O Messias de Handel, Missa em honra de S. Giuseppe Calasanzio de Oreste Ravanello, Missa de Santa Cecília de Gounod, Gloria de Vivaldi, entre outros. A Missa de Santa Cecília foi emitida no canal televisivo TVI no ano 2007. Estreou a obra Cantata de Natal para orquestra, coro e solista do compositor e organista Rui Soares. Apresentou-se em numerosos concertos, em Portugal, Espanha, Cabo verde e EUA em recitais com piano, concertos com orquestra, galas de ópera e música sacra.  (10/01/2020)

Susana Gaspar

Soprano, de Lisboa, residente em Londres, Reino Unido

soprano Susana Gaspar
soprano Susana Gaspar

Susana Gaspar apresentou-se em concertos e recitais no Reino Unido (St. Martin in the Fields, St. Olave’s Church, Wigmore Hall, Barbican Centre, Cadogan Hall, Winchester, Cambridge, Birmingham, Cardiff), Portugal (Teatro Nacional de São Carlos, Gulbenkian, CCB, Casa da Música), França, Suiça, Malásia e México. Iniciou os estudos musicais na Escola Profissional de Música de Almada. Frequentou o curso de canto a Escola de Música do Conservatório Nacional. Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, estudou na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. Participou ainda em classes magistrais e cursos de ópera. No domínio da ópera representou diversos papéis. Apresentou-se no Grémio Lusitano num recital inteiramente preenchido com obras de Mozart. Pertenceu ao Coro de Câmara de Lisboa dirigido por Teresita Marques, com o qual realizou concertos em Portugal, França, Espanha, México e Cuba, e gravou os discos a capella. É membro fundador do grupo Alma Nua – Canto y guitarra, que se dedica à divulgação de modinhas luso-brasileiras, tendo-se apresentado em concerto em Portugal e França. (14/01/2020)

LISTA EM CONSTRUÇÃO

Alexandra Mascolo-David, pianista, residente nos EUA

Cristiana Oliveira, soprano lírico, de Braga, residente em Londres, Reino Unido

Dinis Sousa, maestro, do Porto, residente no Reino Unido

João Terleira, tenor, de Viana do Castelo, na residente Alemanha

Jorge Chaminé, barítono, do Porto, residente em Paris, França

Liliana Sousa, meio-soprano, de Caldas de São Jorge, residente na Alemanha

Luís Magalhães, pianista, de Famalicão, residente na África do Sul

Maria de Macedo, violoncelista, de Vila Nova de Gaia, residente em Madrid, Espanha

Mariana Pimenta, soprano, da Ilha da Madeira, residente nos Países Baixos

Miguel Erlich, violetista, de Lisboa, residente na Alemanha

Nuno Rigaud, organeiro, de Braga, residente na Alemanha

Pedro Costa, pianista, de Macau, residente em Viena, Áustria

Renato Penêda, da Maia, residente em Roterdão, Países Baixos

Rita Moldão, soprano coloratura, de Vila Real, residente em Madrid, em Espanha

Sofia Ribeiro, cantora jazz, do Porto, baseada na Colômbia

Susana Gaspar, soprano, de Lisboa, residente em Londres, Reino Unido