barítono José de Freitas

JOSÉ DE FREITAS

José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também diretor de coros e compositor de cânticos litúrgicos.

ENTREVISTA

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?

O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…

Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?

Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).

Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?

Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.

Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.

O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…

Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”

Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?

Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).

Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…

Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?

Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.

Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…

Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?

Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.

No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…

Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.

Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.

A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.

Qual foi a maior deceção na sua vida?

Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…

A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”

Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”

Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?

Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…

Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…

Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?

Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…

Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa LudwigMonserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…

Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?

Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço

Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta

Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.

Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980).
Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.

Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!

E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?

Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…

O que pensa do papel da música na Igreja?

Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.

Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.

Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.

O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).

E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.

Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?

J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris…
Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).

E muito, muito mais, obviamente.

O que o levou a colecionar livros e discos?

Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:

a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;

a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;

a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;

o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;

o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;

os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;

o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);

e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…

Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…

Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.

Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?

Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…

Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.

Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.

Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…

Em três palavras como se caracteriza a si mesmo?

Persistente! Perfecionista! Brioso!

Lisboa, 19 de março de 2018

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JOSÉ DE FREITAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Um barítono que é crítico de si próprio

Correio da Manhã, 28 de abril de 1986

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De padre a cantor principal de ópera no Teatro São Carlos

Diário de Notícias do Funchal, 11 de maio de 1986

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José de Freitas: de padre a cantor

Correio da Manhã, 02 de agosto de 1987

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A minha gatinha

A minha gatinha parda
inda ontem me fugiu.
Quem achou a minha gata?
Você sabe? Você viu?

O meu gato amarelo
inda ontem me fugiu.
Nunca vi gato mais belo.
Você sabe? Você viu?

O meu pato-corredor
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amigo Heitor.
Você sabe? Você viu?

O meu ganso da guiné
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amigo André.
Você sabe? Você viu?

O meu gato Siamês
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amiga Inês.
Você sabe? Você viu?

O meu porco vietnamita
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amiga Rita.
Você sabe? Você viu?

António José Ferreira ]

A nossa roda

A nossa linda roda,
mata tira tira ná. (2 v.)
A nossa inda é mais linda,
mata tira tira ná. (2 v.)

Então quem é que queres?,
mata tira tira ná. (2 v.)
Eu quero a Inês,
mata tira tira ná. (2 v.)

Então o que lhe dás,
mata tira tira ná. (2 v.)
Vou dar-lhe uma flor,
mata tira tira ná. (2 v.)

Tradicional ]

Cuco

Cuco, cuco,
oiço a cantar.
A Primavera ‘stá a chegar!
Vamos todos cantar, dançar.

Cuco parasita
Cuco parasita

O Rei D. Dinis

Dinis gostava tanto de cantar e de tocar, (3 v.)
de tocar, gostava de tocar.

Dinis gostava tanto de plantar e semear, (3 v.)
semear, gostava de semear.

Dinis gostava tanto de mandar e governar, (3 v.)
governar, gostava de governar.

António José Ferreira

Diz que uma carochinha

Diz-se que uma vez
uma carochinha
achou uma jóia
varrendo a casinha.

Julgando-se rica
toda se enfeitou
e p’ra arranjar noivo
p’ra janela foi.

Quem se quer casar
com a carochinha
que já não é pobre
e é bem bonitinha?

O porco que passa
encantado está.
Que comes, ó porco?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, porco,
que a ti não quero,
pois melhor marido
do que tu espero.

E o cão que passa
encantado está.
Que comes, ó cão?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, cão,
que a ti não te quero
pois melhor marido
do que tu espero.

O gato que passa
encantado está.
Que comes, ó gato?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, gato,
que a ti não te quero
pois melhor marido
do que tu espero.

E o rato que passa
encantado está.
Que comes, ó rato?
Do melhor que há.

Vem cá, meu ratinho:
mais ninguém eu quero
que melhor marido
do que tu não ‘spero.

Dona Carochinha
e João Ratão
ambos vão à igreja
no Domingo vão.

Mas já na igreja,
mulher e marido
dão p’la falta enorme
do leque esquecido.

Que dirá de nós
todos este povinho?
vai buscar-me o leque,
rico maridinho.

Foi João a casa,
viu o caldeirão.
Foi comer da sopa
por ser um glutão.

Tanto o glutão
do jantar provou
que dentro do tacho
cozido ficou.

Voltou para casa
Dona Carochinha.
Viu o que ao esposo
sucedido tinha.

Viu-se então que a triste
tinha coração
pois ficou chorando
pelo seu João.

Eu perdi o dó da minha viola


Eu perdi o Dó da minha viola
Da minha viola eu perdi o Dó.
DORMIR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó, ré
Eu perdi o da minha viola
Da minha viola eu perdi o Ré.
REMAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó, ré, mi
Eu perdi o Mi da minha viola
Da minha viola eu perdi o MI
MIAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá
Eu perdi o Fá da minha viola
Da minha viola eu perdi o Fá.
FALAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol
Eu perdi o Sol da minha viola
Da minha viola eu perdi o Sol.
SONHAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol Lá
Eu perdi o da minha viola
Da minha viola eu perdi o Lá.
LAVAR é muito bom, é muito bom (2 v.)
É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si
Eu perdi o Si da minha viola
Da minha viola eu perdi o Si.
SILÊNCIO é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Eu vou comer

Eu vou comer, comer, comer
laranjas e bananas. (2 v.)

Au váu camar, camar, camar
laranjas a bananas. (2 v.)

Eu véu quemer, quemer,
quemer lerenjes e benenes. (2v.)

Iu viu quimir, quimir,
quimer lirinjis i bininis. (2v.)

Ou vou comôr, comôr, comôr
loronjos o bononos. (2v.)

Ú vú cumur, cumur, cumur
lurunjus e bununus. (2v.)

Foi na loja do mestre André

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um pifarito,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Ai olá, ai olé,
Foi na loja do Mestre André. (bis)

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um pianinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito.

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um tamborzinho,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei uma campaínha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei uma rabequinha,
Chiribiri-biri, uma rabequinha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um rabecão,
Chiribiribão, um rabecão,
Chiribiri-biri, uma rabequinha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito.

Grândola

Em cada esquina um amigo,
em cada rosto igualdade,
Grândola, vila morena,
terra da fraternidade.

Terra da fraternidade,
Grândola, vila morena,
em cada rosto igualdade,
o povo é quem mais ordena.

À sombra de uma azinheira
que já não sabia a idade,
jurei ter por companheira,
Grândola, a tua vontade.

Grândola, a tua vontade
jurei ter por companheira,
à sombra de uma azinheira
que já não sabia a idade.

Senhora Dona Anica

Senhora Dona Lara,
venha à porta, venha ver.

Olhe aquele motorista.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele jardineiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele motoqueiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele calceteiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele varredor.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele sinaleiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele jornalista.
Veja o que ele está a fazer.

António José Ferreira, adapt. ]

Havia um atleta

Havia um atleta
um atleta havia.
Se ele treinasse,
corridas venceria.

Havia um motorista,
um motorista havia.
Se ele trabalhasse,
dinheiro ganharia.

António José Ferreira ]

Menina estás à janela

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua.
Não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua.

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas ocasiões.

Tradicional ]

Hino Nacional de Portugal

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d’amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Henrique Lopes de Mendonça ]

Havia um estudante

Havia um estudante,
um estudante havia.
Se ele estudasse,
no exame passaria.

Havia um escritor,
um escritor havia.
Se ele publicasse,
um êxito seria.

Havia um pianista,
um pianista havia.
Se fosse talentoso
um disco gravaria.

António José Ferreira ]

No dia dos namorados

No dia nos namorados,
eu peço a São Valentim
que abra os teus lindos olhos
e volte o teu amor p’ra mim.

Ó malhão

Ó malhão, malhão,
que vida é a tua?
Comer e beber, ó terrim tim tim,
passear na rua.

Ó malhão, malhão,
ó malhão do Norte, (bis)
quando o mar ‘stá bravo,
quando o mar ‘stá bravo
faz a onda forte. (bis)

Ó malhão, malhão,
ó malhão do Sul, (bis)
quando o mar ‘stá manso,
quando o mar ‘stá manso
faz a onda azul. (bis)

Passa, passa

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
As cozinheiras fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os pescadores fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os jardineiros fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os motoristas fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os professores fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os pianistas fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Que linda falua

Que linda falua
que lá vem lá vem.
É uma falua
que vem de Belém.

Eu peço ao barqueiro
que deixe passar,
que eu tenho filhinhos,
ai, p’ra sustentar.

Então passará,
mas alguém ficará.
Se não for a mãe,
ai, um filho será.

Ribeira vai cheia
E o barco não anda.
Tenho o meu amor
lá naquela banda.

Lá naquela banda,
lá naquele lado.
Ribeira vai cheia
E o barco parado.

Tradicional de Portugal ]

Rola a pombinha

Rola a pombinha
lá na janela;
vem o pombinho,
põe-se atrás dela.

Rola a pombinha
lá no poejo;
vem o pombinho
e dá-lhe um beijo.

Tradicional ]

Rosa branca

Rosa branca ao peito,
a todos fica bem.
Rosa branca ao peito,
a todos fica bem.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém.

Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.
Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.
Quem sabe lá, olaré,
quem ela namora.
Quem sabe lá, olaré,
quem ela namora.

Quem ela namora,
quem ela namorou.
Quem ela namora,
quem ela namorou.
O menino (Zé), olaré,
a mão lhe apertou.
O menino (Zé), olaré,
a mão lhe apertou.

Tradicional ]

Salsa, salseirinha

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o carpinteiro,
assim, assim, assim.

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o cozinheiro,
assim, assim, assim.

Tradicional dos Açores ]

São João

São João à minha porta
E eu sem ter que lhe dar.
Dou-lhe uma caninha verde
para por no seu altar.

São João, chora, chora
lágrimas de pedra fina
por lhe fugir uma ovelha
por aquela serra acima.

Tradicional ]

Vai correndo o lindo anel

Vai correndo o lindo anel,
corre, voa sem parar.
Onde está, onde se encontra?
Quem o pode adivinhar?

T. Nogueira ]

Viva os palhaços, viva o Carnaval

Viva os palhaços,
viva o Carnaval.
Viva a alegria
que a ninguém faz mal.

Ta-ta-ra-ta,
Ta-ta-ra-ta,
Ta-ta-ta-ta-ta-ta.

Primavera, menina

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A árvore

A árvore que planto
tem ramos a crescer, (bis)
muita sombra p’ra dar,
muitas aves p’ra acolher. (2 v.)

A árvore que rego…

A árvore que podo…

António José Ferreira ]

À roda

À roda, à roda,
o vento rodopia.
Já levanta a saia
da menina Maria.

À roda, à roda,
o vento assobia.
Varreu todas as folhas
que pelo chão havia.

À roda, à roda,
o vento num tropel
arrastou os pardais
para o seu carrocel.

À roda, à roda,
o vento arrebatou
as sementes das plantas
e à terra as atirou.

À roda, à roda,
até que enfim poisou
à espera que nasçam
as flores que semeou.

Vá de Roda ]

Brinca com as mãos

Brinca com as mãos
e faz como_eu já fiz.

Toca como eu
e toca_assim depois.

Dança agora_assim
e mexe como eu.

Sente o corpo, assim,
e cria novos sons.

António José Ferreira ]

Chego à escola

Chego à escola e digo olá.
Olá! Olá!
Gosto muito de saudar.
Olá! Como está?
E na escola descobrimos
a alegria de cantar.
Pará pá pá.

Venho co’_a mochila às costas.
Olá! Olá!
Levo_o gosto de saber.
Olá! Como está?
Faço música tocando:
isso é o maior prazer.
Pará pá pá.

António José Ferreira ]

Cuida da alimentação

Cuida da alimentação,
toma leite, come pão.
Cuida da alimentação,
come truta e salmão.
Cuida da alimentação,
come pera e melão.
Cuida da alimentação,
bebe água até mais não.

António José Ferreira ]

Descasca a castanha

Descasca a castanha
muito bem descascadinha.
Verás que dentro da casca
há outra casca castanha fininha.

Tradicional ]

E boas festas viemos dar

E boas festas, e boas festas
nós aqui viemos dar,
às senhoras e senhores
que estão a escutar.

As janeiras vimos cantar
desejando neste dia
um bom ano para todos
com saúde e alegria.

Vivam todos os professores,
vivam os auxiliares.
Vivam também os alunos
e os seus familiares.

Tradicional ]

Esta pandeireta

Esta pandeireta
a quem vou eu dá-la?

Vai ser para a N.
que adora tocá-la. (bis)

António José Ferreira ]

Este pandeiro que eu toco

Este pandeiro que eu toco,
este que tenho na mão
fui pedi-lo emprestado
p’ra trazer ao São João.

P’ra trazer ao São João,
p’ra trazer à romaria;
este pandeiro que eu toco,
não é meu, é da Maria.

Trad. Vieira do Minho ]

Eu queria ser o Pai Natal

Eu queria ser o Pai Natal
e ter um carro com renas
para pousar nos telhados
mesmo ao pé das antenas.

Eu queria ser o Pai Natal. (2 v.)

Descia com o meu saco
ao longo da chaminé
carregado de brinquedos
e roupas pé ante pé.

Em cada casa trocava
um sonho por um presente.
Que profissão mais bonita
fazer a gente contente.

Luísa Ducla Soares ]

Feliz Natal

Feliz Natal! (2v.)
Para todos
um ano especial.

Um presépio,
um pinheiro,
uma luz no mundo inteiro.

Um Menino,
um presente,
uma estrela diferente.

António José Ferreira ]

Funga aláfia

Funga aláfia, ashe ashe.
Funga aláfia, ashe ashe.

Peace be with you and all these you meet.
Peace be with you and all these you meet.

Em ti eu penso, contigo eu falo.
De ti eu gosto: somos amigos.

Gosto de tocar

Gosto de tocar
p’ra te ouvir a cantar.
Vamos tocar bombo,
vamos tocar pratos,
guizos, reque!
É tão bom tocar.

António José Ferreira ]

Há na casa um esqueleto

Há na casa um esqueleto,
uma vassoura e um gato preto.

Há na casa uma teia,
e uma janela aberta à lua cheia.

Há na casa uma aranha
e sai do órgão música estranha.
Há na casa um vampiro
que bebe sangue e come um diospiro.

António José Ferreira ]

Havia um elefante

Havia um elefante
que andava numa savana sem fim.
Havia um elefante:
tinha uma tromba assim, assim.
Tinha uma tromba assim.

Havia um crocodilo
na água turva do rio sem fim.
Havia um crocodilo:
tinha uma boca assim, assim.
Tinha uma boca assim.

Havia uma girafa.
Comia folhas e não o capim.
Havia uma girafa.
Tinha um pescoço assim, assim.
Tinha um pescoço assim.

Havia uma pantera.
Corria alegre por entre o capim.
Havia uma pantera.
Tinha uma cauda assim, assim.
Tinha uma cauda assim.

Havia uma serpente.
Gostava de passear no jardim.
Havia uma serpente.
Tinha uma língua assim, assim.
Tinha uma língua assim.

António José Ferreira ]

Leva-me, ó Verão

Leva-me, ó Verão,
vamos passear.
Vamos de mãos dadas
a caminhar.

Quero ir de férias
e aproveitar
para os meus amigos
encontrar

Leva-me, ó Verão,
vamos descansar.
Vamos para a serra
e sentir-lhe o ar!

Leva-me, ó Verão,
vamos navegar,
passear na praia
e mergulhar!

Leva-me, ó Verão,
vamos viajar.
Vamos de avião
sobre o grande mar.

António José Ferreira ]

Lisboa

Lisboa faz surgir,
ai, que milagre é aquele?
Cantigas a florir
num cravo de papel.

Nos arcos enfeitados
poisaram as estrelas
e há anjos debruçados
nos telhados das vielas.

Mãos de mãe

Mãos de mãe são as mais fofas,
mãos que sabem acalmar.
mãos que fazem a comida
e que aprendem tudo para ensinar.

Tuas mãos são as mais fortes,
mãos que sabem apoiar,
mãos que apontam o caminho
para que o meu sonho possa conquistar.

Tuas mãos são divertidas,
mãos que gostam de brincar,
mãos que agarram quando caio,
mãos que vão à frente para abraçar,

mãos que lutam e acreditam,
mãos que sabem trabalhar,
mãos que abrem uma estória,
mãos que neste dia, mãe, quero beijar.

António José Ferreira ]

Na cidade

Na cidade,
tantos ruídos!
Uns, desagradáveis,
outros divertidos.

Na cidade,
oiço tantos sons:
uns são cansativos
e outros muito bons.

Na cidade,
oiço sons de sinos,
uns são muito grossos,
outros são mais finos.
Na cidade,
posso_ir ao concerto
ouvir uma banda
e ver os músicos de perto.

Na cidade,
oiço, de repente,
“golo” no estádio,
festa para a gente.
Na cidade
voz de multidão,
grave ou aguda,
é um grito de emoção.

António José Ferreira ]

O meu pai

O meu pai
sabe ensinar,
o meu pai
sabe apoiar,
o meu pai
sabe brincar,
o meu pai
sabe abraçar.
Vou cantar-lhe a canção mais bonita
que sei cantar.

António José Ferreira ]

O Senhor Entrudo

O Senhor Entrudo
por ser comilão
ficou barrigudo
como um melão.

Pum tskà pum,
a banda a tocar.
Pum tskà pum,
a escola a desfilar.

Faço palhaçadas
pelo Carnaval.
Se são engraçadas
ninguém leva a mal.

Hoje uma princesa
sai c’o mosqueteiro.
Vai uma chinesa
com o marinheiro.

António José Ferreira ]

Sol de Outono

Crianças caminhando sobre folhas no Outono
Crianças caminhando sobre folhas no Outono

Sol de Outono, Outono, Outono,
Sol doirado, doirado, doirado,
Folhas que caem, caem, caem.
Leva-as o vento, o vento, o vento.

Lá vão tantas, tantas, tantas,
p’ra tão longe, longe, longe,
dizendo adeus, adeus, adeus
ao sol do Verão, do Verão, do verão.

Luiza da Gama Santos ]

Voltou a Primavera

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar:
um campo de papoilas
e o cuco a cantar:
Cucu, cucu,
adoro escutar
o cuco entre os ramos
no monte a cantar.

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar,
um campo de papoilas
e um pássaro a cantar:
Piu piu, piu piu.
Adoro escutar
um pássaro entre os ramos
na árvore a cantar.

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar:
um campo de papoilas
e um grilo a cantar:
Gri gri, gri gri.
Adoro escutar
um grilo entre as ervas
no prado a cantar.

António José Ferreira ]

Vem o frio

Vem o frio, a geada,
e adorava ver nevar.
Cai a chuva e o granizo,
põe-se o vento a soprar.

Só preciso de um cachecol
para eu me enrolar. (bis)

Vem o frio, a geada,
e adorava ver nevar.
Cai a chuva e o granizo,
põe-se o vento a soprar.

Só preciso de um bom casaco
para eu me agasalhar. (bis)

António José Ferreira ]

Canções de animais

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A cabrinha subiu

[ Canção para crianças ]

A cabrinha subiu
p’ra cima do rochedo.
A cabrinha subiu
e superou o medo.

A cabrinha desceu.
Não tremeram os seus pés.
– Cabrinha,
que brava que tu és!

António José Ferreira ]

A Micas ao cão

[ A Micas do Trapo ]

A Micas ao cão
tem-lhe uma afeição
como ele fosse gente:
quando vai ao lixo,
leva sempre o bicho
que rosna p’rá gente.

Se vai pedir esmola
leva na sacola
o comer à certa:
quando a fome aperta,
come ela primeiro,
depois o rafeiro.

Oh! Micas do trapo
também és farrapo,
farrapo da vida
perseguindo em vão
sonhos que lá vão
na noite perdida!

Esse lixo agora
também foi outrora
desvelo e carinho,
foi rei ao seu jeito,
latejou no peito
como jorra o vinho.

E nas tuas mãos,
dedos bons irmãos
procuram, sem fim,
coisas de criança
onde ainda a esperança
não chegou ao fim.

A Micas ao cão
tem-lhe uma afeição
como ele fosse gente:
quando vai ao lixo,
leva sempre o bicho
que rosna p’rá gente.

Se vai pedir esmola
leva na sacola
o comer à certa:
quando a fome aperta,
come ela primeiro,
depois o rafeiro.

quando a fome aperta,
come ela primeiro,
depois o rafeiro.

Letra e música: Armando Estrela
Intérprete: Tereza Tarouca (in EP “A Micas do Trapo”, RCA Victor, 1971; 2LP “Álbum de Recordações”: LP 1, Polydor/PolyGram, 1985; CD “Temas de Ouro da Música Portuguesa”, Polydor/PolyGram, 1992)

A minha gatinha parda

[ Canção para crianças ]

A minha gatinha parda
inda ontem me fugiu.
Quem achou a minha gata?
Você sabe? Você viu?

O meu gato amarelo
inda ontem me fugiu.
Nunca vi gato mais belo.
Você sabe? Você viu?

Tradicional de Portugal ]

A pega palrava

[ Canção para crianças ]

A pega palrava,
a rola gemia,
o touro berrava,
a ovelha balia.

Belo concerto
com os animais!

O pombo arrulhava,
a vaca mugia,
o burro zurrava,
a abelha zumbia.

O tigre bramava,
o cachorro latia,
o pato grasnava,
o porco grunhia.

O rato chiava,
o mosquito zunia,
o mocho piava,
a onça rugia.

António José Ferreira ]

Agarrei o passarinho

[ O Passarinho ]

Agarrei o passarinho!
Agarrei o passarinho
antre a treia do centeio.
Ó ladrão que te regalas!
Ó ladrão que te regalas
com o passarinho alheio.

Sou ferreiro, faço ferro,
também faço vergas d’ aço!
Faço orelhas a meninos
sem medida nem compasso!

Sou poeta, planto versos,
também cavo muitas letras!
Faço línguas para os bichos
pr’a que digam muitas tretas!

Apanhei a joaninha!
Apanhei a joaninha
antre as folhas de um faval.
Ó ladrão que te regalas!
Ó ladrão que te regalas
c’a carocha no natal.

Acacei a formiguinha!
Acacei a formiguinha
antre as pedras do terreiro.
Ó ladrão que te regalas!
Ó ladrão que te regalas
c’o a trabalhinho alheio.

Sou ferreiro, faço ferro,
também faço vergas d’aço!
Faço orelhas a meninos
sem medida nem compasso!
Sou poeta, planto versos,
também cavo muitas letras!
Faço línguas para os bichos
pr’a que digam muitas tretas!

Intérprete: Chulada da Ponte Velha

Chulada da Ponte Velha
Chulada da Ponte Velha

Alentejo quando canta

[ Eu Ouvi o Passarinho ]

Alentejo quando canta
Peito dado à solidão
Traz a alma na garganta
E o sonho no coração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou
Alentejo, terra rasa
Toda coberta de pão
As suas espigas doiradas
Lembram mãos em oração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou

Alentejo quando canta
Peito dado à solidão
Traz a alma na garganta
E o sonho no coração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou
Alentejo, terra rasa
Toda coberta de pão
As suas espigas doiradas
Lembram mãos em oração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel (in EP “Cantes de Portel”, Orfeu/Rádio Triunfo, 1984; CD “Cantares Regionais de Portel”, Lusosom, 1993; CD “25 Anos a Cantar Portel”, Ovação, 2004; CD “O Melhor de Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel”, Ovação, 2010)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança, a capacitação de profissionais e a qualidade de vida dos seniores. 

Contacte-nos:

António José Ferreira
962 942 759

Alto, alto! A Vaca dá um salto

[ Canção para crianças ]

Alto, alto,
a vaca dá um salto!
Alto, alto,
o burro dá um salto!
Alto, alto,
o coelho dá um salto!
Alto, alto,
o animal selvagem dá um salto!
Alto, alto,
o animal doméstico dá um salto!

Aqui já fui lagarto ao sol

[ Lagarto ]

Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto
Aqui restou de mim o Eu
Lagarto, lagarto
Estive e fui ardendo ao sol
Agora parto. Parto
Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto

Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto
Aqui restou de mim o Eu
Lagarto, lagarto
Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto
Aqui restou de mim o Eu
Lagarto ardendo. Parto

Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto
Aqui restou de mim o Eu
Lagarto, lagarto
Estive e fui ardendo ao sol
Agora parto. Parto
Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto

Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto
Aqui restou de mim o Eu
Lagarto, lagarto
Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto
Aqui restou de mim o Eu
Lagarto ardendo. Parto

Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto
Aqui restou de mim o Eu
Lagarto, lagarto
Estive e fui ardendo ao sol
Agora parto. Parto
Aqui já fui lagarto ao sol
Na pedra ardendo exacto

Poema: José Eduardo Agualusa
Música: João Afonso Lima
Intérprete: João Afonso (in CD “Sangue Bom: João Afonso canta Agualusa e Mia Couto”, João Afonso/Universal Music Portugal, 2014)

As ovelhas

[ Ovelhudas ]

As ovelhas, lá no prado,
Terão todas seu pastar,
Terão todas seu pastar
No que o prado tem p’ra dar;
O pasto será de todas,
Mas de cada o paladar,
Mas de cada o paladar
No que o prado tem p’ra dar.

Ovelhudas e lanudas
Que o prado transformam em lã:
Lã fofa da cor da neve
Cardada à luz da manhã.

Bom ou mau ou muito ou pouco,
Nada escapa ao seu olhar,
Nada escapa ao seu olhar;
Param, andam a pastar…
E se o prado está pior
O seu melhor vão buscar,
O seu melhor vão buscar;
Param, andam a pastar…

Ovelhudas e lanudas
Que o prado transformam em lã:
Lã fofa da cor da neve
Cardada à luz da manhã.

Lá vai uma, lá vão duas,
Todas num só carreirinho,
Todas num só carreirinho;
Lá vêm, lá vão mansinho…
Olham as ervas do chão,
Ruminam devagarinho,
Ruminam devagarinho;
Lá vêm, lá vão mansinho…

Ovelhudas e lanudas
Que o prado transformam em lã:
Lã fofa da cor da neve
Cardada à luz da manhã.

Letra e música: Amélia Muge
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Segue-me à Capela, San'Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher
Segue-me à Capela, San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher

Chegaram andorinhas

[ Canção para crianças ]

Chegaram andorinhas
e não vão parar.
Vão fazer o ninho
para aos filhos dar.

António José Ferreira ]

Coelhinho da Páscoa

[ Canção para crianças ]

Coelhinho da Páscoa,
que tens para me dar.
Tenho muita alegria
e ternura p’ra dar.

António José Ferreira ]

Coelhinho fofo

[ Canção para crianças ]

Coelhinho fofo,
se és meu amigo,
traz o teu filhote
p’ra brincar comigo.

A Páscoa é uma festa
de alegria e cor,
com muitas amêndoas
e com muito amor.

António José Ferreira ]

Coitado do rouxinol!

[ Noite perdida ]

Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
do pôr ao nascer do Sol,
sem descansar um momento,
sempre a cantar, sem dormir,
absorto no pensamento
de ver uma rosa a abrir…

Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
do pôr ao nascer do Sol,
sempre a cantar, sem dormir…

Mas o mísero — coitado!
Cantando tão requebrado,
com tal cuidado velou,
que adormeceu de cansado,
e os olhos tristes cerrou
no minuto, no momento
em que ao luar e ao relento
a rosa desabrochou.

Coitado do rouxinol!
Com tal cuidado velou
do pôr ao nascer do Sol,
e tanto, tanto cantou,
a noite inteira ao relento,
que de fadiga e tormento,
sem descansar, sem dormir,
fecha os olhos, perde o alento,
no minuto, no momento
em que a rosa vai abrir…

Coitado do rouxinol!

Poema: António Feijó (in “Novas Bailatas”, sob o pseudónimo de Ignacio d’Abreu e Lima, Paris-Lisboa: Livrarias Aillaud e Bertrand, 1926; “Poesias Completas de António Feijó”, Lisboa: Livraria Bertrand, 1940 – p. 424; “Poesias Completas”, pref. J. Cândido Martins, Porto: Edições Caixotim, 2004)
Música: Carlos Garcia
Intérprete: Carlos Garcia com Luís Represas (in livro/CD “cancioneiro da Bicharada”, Porto Editora/Constroisons, 2014)

Cuco, cuco, oiço a cantar

[ Canção para crianças ]

Cuco, cuco,
oiço a cantar.
A Primavera
está a chegar.
Vamos todos
saltar, dançar.

Ru ru, ru ru,
oiço a cantar.
A Primavera
está a chegar.
Vamos todos
saltar, dançar!

António José Ferreira ]

Lá traz a Cegonha

[ Senhora Cegonha ]

Lá traz a Cegonha
No bico o raminho;
De meia encarnada,
Vem dando chegada
Ao seu velho ninho.

Senhora Cegonha,
Como tem passado?
Não há quem a veja
Voar p’rá igreja,
Poisar no telhado.

No seu velho ninho,
Ponha ovos, ponha!
Que seja bem-vinda!
Branquinha, tão linda,
Lá vem a Cegonha.

Em chegando Agosto,
O bando levanta
Anunciando a hora
De se ir embora;
Leva a meia branca.

Senhora Cegonha,
Como tem passado?
Não há quem a veja
Voar p’rá igreja,
Poisar no telhado.

No seu velho ninho,
Ponha ovos, ponha!
Que seja bem-vinda!
Branquinha, tão linda,
Lá vem a Cegonha.

Em chegando Agosto,
O bando levanta
Anunciando a hora
De se ir embora;
Leva a meia branca.

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Mário Moita (in CD “Alentejo ao Piano”, DistriRecords, 2014)

O pulo do Lobo

Dias a fio andou
Por andar chegou
Em chegando viu
E então sorriu
A sorrir pensou
Por pensar agiu
Ao agir falou

“Diz-me andorinha,
Deste voo teu,
Se é dança ou feitiço,
Se me emprestas a vertigem
Dessa queda livre
Do teu voo raso
Desse baile alado,
Sim?”

E saltou,
Ao saltar tremeu
A tremer subiu
Por subir desceu
E então caiu,
A cair bateu
Ao bater sentiu,
Ao sentir pensou

“Diz-me andorinha,
Sentes como eu?
O poder da terra
Na torrente, rodopio
Estilhaço o corpo
Num grito calado
Sob um manto de água,
Não?”

E voou

Eu vou dançar à tua porta
Vou acordar o teu sorriso
Quando soprar o vento frio
Eu vou deixar-te sem aviso

Vou partir

Eu hei-de ir por entre as nuvens
Bebendo a chuva, cortando o ar
P’ra descer num voo louco
Rasando as fragas
Cheirando a terra
Beijando o mar

E voou,
Por andar chegou
Ao saltar tremeu
Em chegando viu
E então caiu
Ao sorrir pensou
Ao bater sentiu
Ao agir falou

“Diz-me andorinha,
Deste voo teu,
Se é dança ou feitiço,
Se me emprestas a vertigem
Dessa queda livre
Do teu voo raso
Desse baile alado,
Sim?”

E caiu

Eu vou dançar à tua porta
Vou acordar o teu sorriso
Quando soprar o vento frio
Eu vou deixar-te sem aviso

Vou partir

Eu hei-de ir por entre as nuvens
Bebendo a chuva, cortando o ar
P’ra descer num voo louco
Rasando as fragas
Cheirando a terra
Beijando o mar

Vou por entre as nuvens
Bebendo a chuva, cortando o ar
P’ra descer num voo louco
Rasando as fragas
Cheirando a terra
Beijando o mar

Andorinhas
Andorinhas

Disse o galo p’rà galinha

[ Canção para crianças ]

Disse o galo p’rà galinha:
casemos, ó priminha.
Sim, casaremos,
mas falta a madrinha.
Respondeu a cobra
lá da ribeirinha
que ela estava pronta
para ser madrinha.

– A madrinha já nós temos
e mui certa a temos.
Agora o padrinho,
onde nós iremos?

Respondeu o rato
do seu buraquinho
que ele estava pronto
para ser padrinho.

– O padrinho já nós temos
e mui certo o temos;
agora o carneiro,
onde nós iremos?

Respondeu o lobo
lá do seu lobal
que ele estava pronto
p’rò carneiro dar.

– O carneiro já nós temos
e mui certo o temos;
agora, ó carneiro,
onde nós iremos?

Responde a formiga
do seu formigal
que ela estava pronta
para o trigo dar.

– O pão trigo já nós temos
e mui certo o temos;
mas a cozinheira,
onde nós iremos?

Responde a raposa
por ser mais lampeira
que ela estava pronta
p’ra ser cozinheira.

– Cozinheira já nós temos
e mui certa a temos.
Não nos falta nada,
sim, sim, casaremos!

Tradicional ]

Diz o galo à galinha

[ Canção para crianças ]

Diz o galo à galinha:
Casaremos a nossa filhinha.

Casaremos ou não casaremos,
mas o noivo, onde o encontraremos?
Diz o gato que estava no lar:
Eu estou pronto para me casar.

Um bom noivo já nós temos cá.
A madrinha donde nos virá?
Diz a cabra da sua casinha:
Eu estou pronta para ser a madrinha.

A madrinha já nós temos cá.
O enxoval, donde nos virá?
Diz a aranha do seu aranhal:
Eu estou pronta p’ra dar o enxoval.

Enxoval já nós temos cá.
Bailarina donde nos virá?
Diz a mosca que andava no ar:
Eu estou pronta p’ra vir dançar.

Bailarina já nós temos cá.
O gaiteiro donde nos virá.
Diz o burro do seu palheiro:
Eu estou pronto para ser o gaiteiro.

Tradicional ]

Fui aranha coxa

[ Mãos de Aranha Coxa ]

Letra: Daniel Catarino
Música: Bicho do Mato
Intérprete: Bicho do Mato com Ana Miró (in CD “A Vingança do Bicho do Mato”, Bicho do Mato/Alain Vachier Music Editions, 2016)

Fui aranha coxa na chuva de Verão
De pata ao peito, grades no coração
Se é que o tenho, sei que a teia é só um lençol
Ou talvez enleio tosco de um aranhol
Ou teia que virou colcha
P’ra mim, aranha coxa

Fui aranha coxa numa teia qualquer
Espectadora no processo de envelhecer
Velha para a vida, nova para morrer
À espera que a sorte mude o que acontecer
Cabe a vida numa trouxa
Pobre aranha coxa!

Com mãos de aranha
Com mãos de aranha coxa
Eu vou tecendo
Vou tecendo

Velha para a vida, nova para morrer
À espera que a sorte mude o que acontecer
Ou que alguém varra atrás da porta
E eu vire aranha morta

Com mãos de aranha
Com mãos de aranha coxa
Eu vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo…

Gri gri gri, estou cansado de estar aqui

[ Canção para crianças ]

Gri gri gri,
‘stou cansado de estar aqui.

Gri gri gri,
vou agora cantar ali.

António José Ferreira ]

No campo vi um grilo

[ Canção para crianças ]

No campo vi um grilo,
tiriti grilo, tiriti grilo.
Cantava ao desafio,
tiriti fio, tiriti fá.

No campo vi um grilo
que cantava ao desafio.
Cantava ao desafio
e fazia gri gri gri.

O bicho da seda,
sempre a trabalhar,
tece o seu casulo
para lá morar.

Que grande surpresa
vai acontecer:
linda borboleta
de lá vai nascer!

O meu pato mandarim

[ Canção para crianças ]

O meu pato mandarim
inda ontem me fugiu.
Diga lá, amigo Delfim.
Você sabe? Você viu?

O meu ganso africano
há dois dias me fugiu.
Diga lá, amigo Adriano.
Você sabe? Você viu?

O meu pombo juvenil
há três dias me fugiu.
Diga lá, amigo Gil.
Você sabe? Você viu?

O meu gato de olho azul
há uma semana me fugiu.
Diga lá, amigo Raul.
Você sabe? Você viu.

António José Ferreira ]

O pato pateta

[ Canção para crianças ]

O pato pateta
não sabe cantar.
Tem pelo amarelo,
não sabe voar.

O pato peludo
de pelo doirado
tem bico redondo
e peito pelado.

O pato patudo
de rabo no ar
tem penas pequenas
e sabe nadar.

Tradicional ]

O rouxinol nasceu na floresta

[ Canção para crianças ]

O rouxinol nasceu na floresta,
adora ser livre,
adora voar,
adora ser livre,
adora voar.

O rouxinol nasceu na floresta,
adora ser livre,
adora cantar,
adora ser livre,
adora cantar.

António José Ferreira ]

Os alegres passarinhos

Os alegres passarinhos
quando cantam na floresta
‘stão c’o bico tico tico
quero esta, quero esta.

Os alegres passarinhos
quando cantam pelo tojo,
estão c’o bico, tico, tico,
e as asinhas vão de rojo.

Trad. do Alentejo ]

Palram pega e papagaio

[ Canção para crianças ]

Palram pega e papagaio
e cacareja a galinha.
Os ternos pombos arrulham,
geme a rola inocentinha.

Muge a vaca, berra o touro,
grasna a rã, ruge o leão.
O gato mia, uiva o lobo,
também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavalo,
os elefantes dão urros.
A tímida ovelha bala;
Zurrar é próprio dos burros.

Regouga a sagaz raposa,
brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves
mas pia o mocho agoureiro.

Sabem as aves ligeiras
o canto seu variar:
fazem gorjeios às vezes,
às vezes põem-se a chilrar.

O pardal, daninho aos campos,
não aprendeu a cantar;
como os ratos e as doninhas,
apenas sabe chiar.

O negro corvo crocita,
zune o mosquito enfadonho.
A serpente no deserto
solta assobio medonho.

Chia a lebre, grasna o pato,
ouvem-se os porcos grunhir.
Libando o suco das flores,
costuma a abelha zumbir.

Bramam os tigres, as onças;
pia, pia o pintainho.
Cucurica e canta o galo;
late e gane o cachorrinho.

A vitelinha dá berros,
o cordeirinho balidos.
O macaquinho dá guinchos,
a criancinha vagidos.

A fala foi dada ao homem,
rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
se encontram em pobre rima
as vozes dos principais.

Pedro Diniz ]

Quando a porta encosta

[ A Pena de um Elefante ]

Quando a porta encosta e se fecha, o teu nome não vai
Quero um rosto quente e vago, mas o pecado não sai
Espero na noite fria, agora, uns braços sem dono
Fico pela casa toda à espera do teu retorno

Abre o guarda-fato e leva aquelas tuas promessas
Porque pesam sobre o chão dúvidas descobertas
Enchem todo o espaço, sobranceiro e errante
Dormem sobre a cama, como a pena de um elefante

E só espero que me acorde
Num espirro quase ofegante
Como um elefante enorme

Num sonho mirabolante
La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

Numa só pegada marcas o teu território
E num céu de lágrimas faço o meu dormitório
Sem pousar a alma na minha almofada
Sinto a lança em África de maneira errada

E só espero que me acorde
Num espirro quase ofegante
Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Letra e música: Jorge Roque
Intérprete: Jorge Roque (in CD “Às Vezes”, Vidisco, 2013)

Quero um cavalo de várias cores

[ Que o Mundo É Meu ]

Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa, que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva — nimbos e cerros —
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.

Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sozinha
Sem um cavalo de várias cores?

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva — nimbos e cerros —
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Poema: Reinaldo Ferreira (ligeiramente adaptado de “Quero um Cavalo de Várias Cores”)
Arranjo: Ricardo J. Dias e Mário Delgado
Intérprete: Filipa Pais (in CD “À Porta do Mundo”, Vachier & Associados, 2003)

Salto eu

[ Canção para crianças ]

Salto eu,
saltas tu,
para vermos quem mais salta.
Não sou eu,
não és tu,
quem mais salta é o canguru.

Sou agora uma preguiça

[ Canção para crianças ]

Sou agora uma preguiça
que se move devagar.
Tenho garras preparadas
para às árvores trepar.

Sou cavalo lusitano
na lezíria a galopar.
Sou feliz porque sou livre,
minha voz é relinchar.

Tenho um guizo, tenho um guizo,
tenho um guizo a chocalhar.
Sou agora a cascavel
na floresta a rastejar.

Sou um gato grande e gordo
a miar e a bufar.
São retráteis minhas garras,
uso-as para atacar.

António José Ferreira ]

Tenho alguns amigos

[ Canção para crianças ]

Tenho alguns amigos,
deles vou falar.
Uns andam depressa
outros devagar.

Tartaruga, vai devagar.
Tens o tempo todo p’ra chegar.
Assim tu não vais transpirar.
Tartaruga vai devagar.

Corre lebre, corre lebre,
não podes parar.
Se não corres para a meta
não irás ganhar.

António José Ferreira ]

Tenho um gatinho

[ Canção para crianças ]

Tenho um gatinho
que sabe miar.
Quando dorme a sesta,
põe-se a ronronar.

Tenho um cãozinho
que sabe ladrar.
Quando vê um gato
corre para atacar.

Tem ratos

Tem ratos
Tem ratos
Tem ratos
Vivem escondidos
Nos nossos sapatos

Tem ratos
Vivem escondidos
Nos nossos sapatos
Roem-nos os dedos

Tem medos
Tem medos
Vivem escondidos
Nos nossos segredos

Letra e música: Sérgio Godinho
Intérprete: Sérgio Godinho* (in LP “À Queima-Roupa”, Guilda da Música/Sassetti, 1974, reed. Philips/Polygram, 1990, Universal Music Portugal, 2001, 2018)

Sou um gato

[ Canção para crianças ]

Sou um gato grande e gordo
a miar e a bufar.
São retráteis minhas garras,
uso-as para atacar.

Sou cavalo lusitano
na lezíria a galopar.
Sou feliz porque sou livre,
minha voz é relinchar.

António José Ferreira ]

Tenho uma galinha pintada

[ Canção para crianças ]

Tenho uma galinha pintada
que a minha mãe comprou.
É bonita e põe ovos,
bom dinheiro ela custou.

Tlim, tlim, tlim, tlão,
tenho um realejo
que me ganha o queijo,
tenho um violão
que me ganha o pão.

Já me deram pelo bico
uma casa em Machico;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Já me deram pelas patas
uma saca de batatas;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Já me deram pelos ossos
uma saca de tremoços;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Já me deram pelos pés
uma saca de cafés;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Um dia, foi à pesca

[ Canção para crianças ]

Um dia, foi à pesca, (3v),
foi fraca a pescaria. (bis)

Pescou um só peixinho, (3v)
levou-o à Maria. (bis)

Quando chegou a casa, (3v)
ouviu o que não queria. (bis).

– Se fosse um peixe grande, (3v)
que almoço não daria. (bis)

– O peixe é pequenino (3 v)
e muito cresceria. (bis)

José pegou o balde (3 v),
deitou o peixe à ria. (bis)

António José Ferreira ]

Um macaquinho

[ Canção para crianças ]

Um macaquinho
gosta de dançar,
outro põe-se
a imitar.
Dancem, macaquinhos,
vão ‘scolher um par.
Assim é
melhor dançar.

Um pinguim convencido

[ Canção para crianças ]

Um pinguim convencido
desceu lá do Pólo Norte.
Veio de trouxa às costas
p’ra tentar a sua sorte. (3 v.)

Ficou todo aborrecido
pois começou a suar.
Não vinha prevenido
para calor suportar. (3 v.)

E trouxe gelo de reserva
mas o gelo derreteu.
Trouxe peixe de conserva
mas o peixe já comeu. (3 v.)

Resolveu p’ra trás voltar
pois a lição aprendeu.
Cada um deve gostar
do cantinho que é seu. (3 v.)

Isabel Sousa ]

Uma raposa estava cansada

[ Canção para crianças ]

Uma raposa estava cansada,
tinha a barriga muito vazia.
Viu cachos de uvas numa videira,
deu logo um salto de tanta alegria.

Bem tentou ela atingir o cacho,
mas o cansaço não lho deixava.
Indo-se embora, ouviu um barulho,
e o cacho de uvas lá continuava.

São uvas verdes – disse a raposa,
cheia de fome e desiludida.
Foi pelos montes, foi pelos campos,
ia sonhando em ter outra vida.

António José Ferreira ]

Vem aí o gato

[ Canção para crianças ]

Vem aí o gato!
Deixa lá o queijo!
Se não te pões a mexer,
o Bigodes te vai ver…
Foge lá, ó rato,
esquece o teu desejo.

Vi pousado num raminho

[ O Tentilhão ]

Vi pousado num raminho
Numa árvore toda em flor
Um pequeno passarinho
Cantando com muito amor

Era suave e meiguinha
A sua linda canção
A pequena avezinha
Era o lindo tentilhão

E veio-me logo ao sentido
Se as penas do tentilhão
Teriam elas caído
Do meu pobre coração

Julguei mal a ave querida
Através do meu pensar
Pensei que a sua vida
Fosse comer e cantar

Eu não tinha reparado
Ali num outro raminho
Estava mesmo a seu lado
A companheira no ninho

A cuidar dos seus filhinhos
Grande espanto foi o meu
Quando lhe vi dar beijinhos
Como a minha mãe me deu

Tanto trabalho e canseira
Teve aquele passarinho
Com a sua companheira
P’ra fazer ali seu ninho

Vamos todos trabalhar
Povo da minha nação
Para podermos cantar
Como aquele tentilhão

(Constantino José Abreu, “o Caipira”)

Voa

[ Canção para crianças ]

Voa, pica-pau,
ter preguiça é mau.
Leva-me a conhecer o Norte,
pica-pau!

Voa, pega-azul,
voa para Sul.
Leva-me às férias dos meus sonhos,
pega-azul.

Voa, codorniz,
vai e sê feliz!
Leva-me contigo para Este,
codorniz.

Voa, galeirão,
vá, não digas não!
Leva-me contigo para Oeste,
galeirão.

Voa, albatroz,
leva-me aos avós.
Leva-me p’ra um lado e para o outro,
albatroz.

António José Ferreira ]

Voltou a Primavera

[ Canção para crianças ]

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar:
um campo de papoilas
e um cuco a chamar.

Cucu, cucu,
adoro escutar
o cuco entre os ramos
no monte a cantar.

António José Ferreira ]

Cabras

Cabras