barítono José de Freitas

JOSÉ DE FREITAS

José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também diretor de coros e compositor de cânticos litúrgicos.

ENTREVISTA

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?

O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…

Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?

Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).

Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?

Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.

Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.

O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…

Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”

Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?

Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).

Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…

Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?

Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.

Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…

Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?

Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.

No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…

Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.

Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.

A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.

Qual foi a maior deceção na sua vida?

Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…

A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”

Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”

Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?

Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…

Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…

Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?

Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…

Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa LudwigMonserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…

Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?

Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço

Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta

Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.

Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980).
Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.

Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!

E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?

Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…

O que pensa do papel da música na Igreja?

Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.

Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.

Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.

O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).

E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.

Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?

J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris…
Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).

E muito, muito mais, obviamente.

O que o levou a colecionar livros e discos?

Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:

a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;

a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;

a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;

o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;

o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;

os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;

o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);

e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…

Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…

Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.

Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?

Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…

Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.

Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.

Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…

Em três palavras como se caracteriza a si mesmo?

Persistente! Perfecionista! Brioso!

Lisboa, 19 de março de 2018

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JOSÉ DE FREITAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Um barítono que é crítico de si próprio

Correio da Manhã, 28 de abril de 1986

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De padre a cantor principal de ópera no Teatro São Carlos

Diário de Notícias do Funchal, 11 de maio de 1986

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José de Freitas: de padre a cantor

Correio da Manhã, 02 de agosto de 1987

Krzystof Penderecki, compositor e maestro

Esta Páscoa está a ser marcada pela “passagem” de muitos. Os anónimos e outros, cujo legado singular celebramos. O compositor polaco Krzysztof Penderecki (1933-2020) morreu num domingo, no passado 29 março, na cidade polaca de Carcóvia, com a idade de 86, depois de doença prolongada.

Penderecki nasceu no dia 23 de novembro no seio de uma família que transportava a memória das migrações arménias, naquela geografia. No seu país de origem, Krzysztof Penderecki é celebrado, a par de Witold Lutosławski (1913-1994), como um dos principais representantes da cultura contemporânea polaca. Mas o mesmo podemos afirmar, na perspetiva da cultura europeia e norteamericana, tendo em conta que o seu trabalho e o seu reconhecimento ultrapassaram as fronteiras criadas pelas dinâmicas políticas de sovietização da Europa de Leste, para se inscrever no coração das práticas musicais contemporâneas.

A obra de Krzysztof Penderecki tem momentos diversos. Não é uma biografia intelectual linear. A sua linguagem musical conheceu momentos de redireccionamento. O abandono de algumas tendências mais vanguardistas foi criticado pelos seus pares e, em certos casos, saudado pelos públicos. Mas julgo que se poderá afirmar que ele ficará na história da música ocidental, da segunda metade do século XX, pelo facto de a sua obra ser um lugar de codificação inventiva das aquisições técnicas mais avançadas, nesse período.

Ainda hoje, as suas obras são uma biblioteca segura para a descoberta das novas formas de abordagem dos instrumentos musicais, e sua notação, que acompanharam essa modernidade musical.

Entre outras, a obra Trenodia [Ode] às Vítimas de Hiroshima tornou-se um símbolo desta contemporaneidade. Trata-se de uma obra para um ensemble de 52 instrumentos de corda, composta em 1960 e premiada, em 1961, pela Tribuna Internacional dos Compositores (UNESCO). Nessa criação, pode dizer-se que Penderecki experimenta todos os limites da escrita para estes instrumentos, construindo o mapa de um mundo sonoro desconhecido. A obra homenageia os residentes de Hiroshima, vítimas da explosão atómica.

Deve referir-se ainda o seu trabalho de criação musical para filmes como O Exorcista, de William Friedkin, Shining de Stanley Kubrick, e Um coração selvagem de David Lynch. Em 2011, Penderecki colaborou com projetos musicais de Jonny Greenwood, guitarrista dos Radiohead, e com o compositor de música eletrónica Aphex Twin.

A memória deste compositor polaco ficará associada à presença de referências religiosas na música contemporânea europeia – referências raras em muitos dos seus compagnons de route. Em todas as fases da sua biografia musical, encontramos vários frescos corais, recebidos como referências incontornáveis para a história recente da música vocal. É disso exemplo o seu Stabat Mater (1962) – obra que foi acolhida como o símbolo da incorporação do movimento de vanguarda do pós-guerra na música religiosa. Nesse mesmo ano, recebeu a encomenda da rádio de Colónia para a criação de uma Paixão segundo São Lucas, que virá a concluir em 1965. A sua conceção acompanhará a realização do II Concílio do Vaticano, contexto em que, como é sabido, se procurou inscrever a relação com o judaísmo numa nova linguagem. Segundo as palavras do compositor, com esta obra, pretendia “não apenas voltar a narrar o sofrimento e a morte de Cristo, mas falar da crueldade do nosso século, do martírio de Auschwitz”. No quadro deste programa, Penderecki pretende “transportar o auditório para o coração do acontecimento, como num mistério medieval, onde ninguém permanece de fora”.

Recordo que o século XX foi o século do regresso da Paixão como forma musical, particularmente depois da I Guerra Mundial. Se acompanharmos René Girard, que leu os evangelhos cristãos da Paixão como o testemunho de uma estreia cultural – a emergência de um Deus das vítimas –, podemos descobrir uma forte correlação entre a valorização musical dessa narrativa e a centralidade do valor atribuído ao “cuidado da vítima”, na memória desse século. Mas há um problema. Como vão lidar os compositores com uma ambivalência: a passagem da figura dos judeus como perseguidores (nos evangelhos) para o lugar da vítima?

A Paixão de Penderecki segue o Evangelho de Lucas, mas introduz diversas interpolações, constituídas por textos litúrgicos da Semana Santa – incluindo o Stabat Mater, escrito anteriormente. O resultado é um mosaico musical, com algumas alusões às tradições da música ritual latina, mas fortemente marcado pelas experiências do compositor no domínio da criação coral de grande escala. A obra foi recebida como um monumento musical de grande impacto. Mas algumas das leituras da obra sublinhavam o paradoxo patente entre a intenção do compositor e a sua escolha de materiais. Essa relação diz respeito à incongruência notada entre a evocação dos judeus vítimas em Auschwitz e os judeus que constituem a “turba” que reclama a crucifixão – ou ainda a centralidade que os “impropérios” recebem no programa construído por Penderecki.

A sensibilidade Penderecki à questão das vítimas judaicas encontrará uma expressão mais evidente, já em 2009 – 43 anos depois da Paixão –, quando passavam 65 anos sobre a destruição do ghetto de Lodz. Neste contexto, Penderecki escreveu o oratório Kaddish, dedicado a “todos os Abrameks de Lodz que queriam viver e aos polacos que salvaram judeus”. O nome indicado na dedicatória da obra é o de Abramek Cytryn, jovem judeu morto com quinze anos, a quem pertence o poema que abre o oratório.

Diria que se poderia fazer a história do século XX a partir das criações musicais sobre as narrativas da Paixão. Nessa história, desvendam-se as feridas da nossa contemporaneidade e pode descobrir-se uma trajetória de valorização da dimensão universal destas narrativas cristãs.

Alfredo Teixeira, compositor e antropólogo

Saint Cecilia, John Melhuis Strudwick

Dicionário de termos musicais

Inglês-Português

8th: colcheia

16th: semicolcheia

32nd: fusa

64th: semifusa

A

A: Lá

> A major: Lá maior

> A minor: Lá menor

Absolute (adj.): absoluto

> Absolute music: música absoluta

Accompaniment (subst.): acompanhamento

Accompanist (it.): acompanhador

Accidental (subst.): acidente

Accordeon (subst., instr.): acordeão

Accordionist (subst.): acordeonista

Acoustics (subst.): acústica

> Acoustic guitar (instr.): guitarra acústica

Aerophone (subst.): aerophone

Aesthetical (adj.): estético

Aesthetically (adv.): esteticamente

Afuche (subst.): afuche, cabaça

Agogo wood/metal (subst.): agogo madeira/metal

Air (subst.): ária

Album (subst.): álbum

Aleatory (adj.): aleatório

> Aleatoric music: música aleatória

Allegro: (ital.) allegro

Alphorn (subst.): trompa alpina

Alternate (to) with (v.): alternar com

Alternation (subst.): alternância

Alternative (subst.): alternativa

Amanuensis (subst.): amanuense

Amplification (subst.): amplificação

Ancient Music: Música Antiga

Anniversary (subst.): aniversário

Answer (subst.): resposta

Anthem (subst.): hino

Antiphonal (adj.): antifonal

Appogiatura (subst.): apogiatura

Arabesque (subst.): arabesco

Archiv (subst.): arquivo

Aria (subst.): ária

Arpeggio (subst.): arpejo

Arrangement (subst.): arranjo

Articulation (subst.): articulação

Artistic (adj.): artístico

> Artistic director: director artístico

Atonality (subst.): atonalidade

Audience (subst.): audição

Audition (subst.): audição

Auditorium (subst.): Auditório

Augmented (adj.): aumentado (intervalo)

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração), realiza oficinas de música durante o ano letivo e dinamiza atividades em colónias de férias. 

Contacto

António José Ferreira
962 942 759

B

B: Si

> B major: Si maior

> B minor: Si menor

Bagpipe (subst., instr.): gaita-de-foles

Balalaika (subst., instr.): balalaica

Ballad (subst.): balada

Bamboo chimes: árvore de bambu

Banjo (subst.): banjo

Bar (subst.): compasso

> Bar line: barra de compasso

> Bar Chimes (instr.): árvore de Sinos

Baroque: Barroco

Bass (subst.): Baixo

> Bass Clef: clave de Fá

> Bass drum (instr.): bombo

> Bass viol (instr.): contrabaixo

Bassoon (subst.): fagote

Beat (subst.): tempo, pulsação

Bebop (subst.): bebop

Bell (subst.): sino

> Bells ringing: toque dos sinos

Biblical text: texto bíblico

Binary (adj.): binário

> Binary form: forma binária

Biography (subst.): biografia

Bird whistle (instr.): passarinho

Black key: tecla preta

Block of wood (instr.): bloco de madeira

Blower (subst.): foleiro

Bombarde (subst.): bombarda

Bow (subst.): arco

Brass (subst.): metais

> Brass ensemble: agrupamento de metais

> Brass instrument: instrumento de sopro de metal

> Brass section: secção dos metais

Bridge (subst.): ponte

Broken chord: acorde quebrado

Bugle (subst.): clarim, corneta militar

Builder (subst.): construtor

> Organ-builder (subst): organeiro

C

C: Dó

> C major: Dó Maior

> C minor: Dó menor

Cadence (subst.): cadência

Call and response: pergunta e resposta, canto responsorial

Canon (subst.): cânone

Cantata (subst., ital.): cantata

> Grand and spectacular cantata: grandiosa e espetacular cantata

Career (subst.): carreira

> International career: carreira internacional

> Successful career: carreira de sucesso

Carillion (subst.): carrilhão

Carnival (subst.): Carnaval

Carol (subst.): natal, canção de Natal

Castanets (subst.): castanholas

Catalogue (subst.): catálogo

Celebration (subst.): celebração

> Celebration of the centenary of: celebração do centenário de

Celesta (subst.): celesta

Cellist (subst.): violoncelista

Cello (subst.): violoncelo

Celtic harp: harpa celta

Centenary (subst.): centenário

Chairman (subst.): presidente (de assembleia, reunião ou júri)

Chamber (subst.): câmara

> Chamber choir: coro de câmara

> Chamber-concert: concerto de câmara

> Chamber-group: grupo de câmara

> Chamber music: música de câmara

Chime (subst.): carrilhão, toque, repique; v. tocar sinos

Chinese bell tree (instr.): árvore de sinos chineses

Chinese block (instr.): caixa chinesa

Choir (subst.): coro

> Choirmaster (subst.): director de coro

Choral (adj.): coral

> Choral music: música coral

Choral(e) (subst.): coral, hino, coro

> Chorale prelude: prelúdio coral

> Chorale variation: variação coral

Chorally (adv.): em coro

Choralist (adv.): corista, orfeonista

Chord (subst.): corda vocal, acorde

> Chord symbol: cifra

Chordophone (subst.): cordofone

Choreographer (subst.): coreógrafo

Choreographic (adj.): coreográfico

Choreography (subst.): coreografia

Chorister (subst.): corista

Coreography (subst.): coreografia

Chorus (subst.): coro

Christmas Carols: canções de Natal

Chromatic (adj.): cromático

> Chromatic scale: escala cromática

Church (subst.): Igreja

> Church choir: coro litúrgico

> Church modes: modos eclesiásticos

> Church sonata: sonata de igreja, sonata da chiesa (it.)

Circle (subst.): círculo

> Circle of fifths: círculo das quintas

Cittern, cither (instr.): cistro

> Clap (subst.): pancada, aplauso

> Clap (to) (v.): aplaudir

> Clap (to) hands (v.): bater palmas

Clarinet (subst., instr.): clarinete

Class (subst.): aula, classe

> Class acompaniment: acompanhamento de aulas

Classical (adj.): clássico

> Classical guitar (instr.): guitarra clássica

> Classical music: música clássica

> Classical organ (instr.): órgão clássico

Classicism (subst.): classicismo

Clavichord (subst.): clavicórdio

Clavier: teclado, instrumento de tecla

Clef (subst.): clave

Codex (lat.): codex

Choir (subst.): coro

> Amateur choir: coro amador

Collection (subst.): coleção

College of Music: Conservatório de Música

Combination of stops: combinação de registos

Comic opera: ópera cómica

Comparative study: estudo comparativo

Competition (subst.): concurso

> Prestigious international competition: prestigiado certame internacional

Composer (subst.): compositor

> Composer in residency: compositor em residência

> Notable composer: compositor notável

Compound meter: compasso composto

Computer and video: informatização e vídeo (ópera)

Concert (subst.): concerto

> Concert season: temporada de concertos

> Monographic concert: concerto monográfico

Concerto: concerto (género instr.)

Concertina (instr.): concertina

Conductor (subst.): maestro, director de orquestra ou de outro agrupamento musical

> Chief conductor: maestro titular

> Principal guest conductor: maestro convidado principal

Congas (subst.): congas

Congregation (subst.): congregação, assembleia

> Congregational participation: participação da assembleia

Conservatoire (subst.): conservatório (de música ou arte dramática)

Conservatory (subst.): conservatório (de música ou arte dramática)

Continuos bass: baixo contínuo

Contrabass (subst.), double bass: contrabaixo

Contrapuntual (adj.): contrapontístico

Contrast (subst.): contraste

Cornamuse (subst.): cornamusa

Cornett (subst.): corneta

Costumes (subst.): figurinos (ópera)

Count (subst.): tempo

Counterpoint (subst.): contraponto

Countertenor (subst.): contratenor

Course (subst.): curso

> Open course (on the History of Music): curso livre (de História da Música)

Cowbell (subst.): chocalho

Credo (lat.): credo

Crescendo (ital.): crescendo

Crotales (gr.): crótalos

Crotchet (subst.): semínima

Crotchet rest: pausa de semínima

Crumhorn (subst.): cromorne

Culture (subst.): cultura

> Culture production: produção cultural

Curriculum vitae (lat.): curriculum vitae

Curtal (subst.): baixão

Cycle (subst.): ciclo

Cyclical form: forma cíclica

Cymbals (subst., instr.): címbalos

D

D: Ré

> D major: Ré maior

> D minor: Ré menor

Dance (subst.): dança

> Dance company: companhia de dança

Decibel (subst.): decibel

Declamation (subst.): declamação

Decrescendo (it.): diminuendo

Definite pitch: altura definida

Development (subst.): desenvolvimento

Dialogue (subst.): diálogo

Diatonic (adj.): diatónico

Diminished (adj.): diminuto (intervalo)

Diminuendo (it.): diminuendo

Direction (subst.): direção

> Under the direction of conductors: sob a direção de maestros

Director (subst.): encenação, encenador (em ópera)

Disc (subst.): disco

Disco (subst.): disco (música de dança)

Discography (subst.): discography

Dismanteling (subst.): desmontagem (de órgão de tubos)

Dissonance (subst.): dissonância

Divertimento (it.): divertimento

Divine Offices: Ofício Divino, Liturgia das Horas

Doctorate (subst.): doutoramento

Doctrin of the affections: teoria dos afectos

Dodecaphonic (adj.): dodecafónico

Dozaine (subst., instr.): dulçaina

Dominant (subst.): dominante

> Dominant chord: acorde da dominante

Dot (subst.): ponto

> Dotted: pontuada

> Dotted minim: mínima pontuada

> Double bar line: barra dupla

> Double bass: contrabaixo

> Double flat: duplo bemol

> Double reed: palheta dupla

> Double sharp: duplo sustenido

Down beat: tempo forte

Drum (subst.): tambor

> Drum set (instr.): bateria

Drums (subst.): percussão, tambores

Duet (subst.): dueto

Dulcian (subst.): baixão, dulciana

Dulcimer (subst.): dulcimer

Duple meter: compasso binário

Duration (subst.): duração

Dynamics (subst.): dinâmica

E

E: Mi

> E major: Mi maior

> E minor: Mi menor

Early Music: Música Antiga

Échapée (subst.): escapada

Edition (subst.): edição

Electric violin: violino eléctrico

Embellishment (subst.): ornamento

Embouchure (subst.): embocadura

Encore (fr.): encore

Ensemble (subst.): agrupamento

Entry (subst.): entrada

Epic (adj.): épico

Equal temperament: temperamento igual

Ethnomusicology (subst.): etnomusicologia

Etude (subst.): estudo

Euphonium (subst.): eufónio

Exposition (subst.): exposição

Expression (subst.): expressão

F

F: Fá

> F major: Fá maior

> F minor: Fá menor

Façade (subst.): fachada

Fanfare (subst.): fanfarra

Female voice: voz feminina

Festival (subst.): festival

Fiddle (subst.): fídula, rabeca, violino

Figure (subst.): figura

> Key figure (of Russia): figura fundamental (da Rússia)

Figured bass: baixo figurado

Film music: banda sonora de filme

Fingering (subst.): dedilhação

Flag (subst.): cauda (de figura ds notas)

Flat (subst.): bemol

Flexatone (subst.): flexatone

Flute (subst.): flauta

Folia (ital.): folia

Folk tune: melodia tradicional

Folklorisation (subst.): folclorização

Form (subst.): forma

Formalism (subst.): formalismo

Format (subst.): formato

> Acoustic format: formato acústico

Four-hand piano music: música para piano a quatro mãos

Fragment (subst.): excerto

Free reeds (instr.): palhetas livres

French organ (instr.): órgão francês

Frequency (subst.): frequência

Fugue (subst.): fuga

Fusion (subst.): fusão

G

G: Sol

> G major: Sol maior

> G minor: Sol menor

Galante: galante

> Galante style: estilo galante

Galliard: galharda

Gamba (subst.): viola da gamba

Gamelan (instr.): gamelão

Genre (subst.): género

Gigue (subst.): giga

Gong (subst.): gongo

Grand piano (instr.): piano de cauda

Gregorian (adj.): gregoriano

> Gregorian chant: canto gregoriano

Guiro (subst.): reco-reco

Guitar (subst.): guitarra

Gypsy music: música cigana

H

Half (subst.): mínima

> Half step: meio tom

Hammers (subst.): martelos

Hand bell (instr.): campainha

Harmonic: harmónico

> Harmonic function: função harmónica

> Harmonics (subst.): harmónicos

Harmonica (subst.): harmónica

Harmonization (subst.): harmonização

Harmonious (adj.): harmonioso

Harmony (subst.): harmonia

Harp (subst.): harpa

Harpsichord (subst.): cravo

Haunt (subst.): caça

Heptatonic scale: escala heptatónica

High (adj.): agudo

> High register: registo agudo

> High sound: som agudo

Homophonic (adj.): homofónico

> Homophonic texture: textura homofónica

Hurdy-gurdy, wheel fiddle (instr.): sanfona, viola de roda

Hymn (subst.): hino

I

Idea (subst.): ideia

Idiophone (subst.): idiofone

Imitation (subst.): imitação

Imperfect (adj.): imperfeita (cadência)

Improvisation (subst.): improvisação

Improvise (to) (v.): improvisar

Information (subst.): informação

> For information: para informação

Inspiration (subst.): inspiração

> Melodic inspiration: inspiração melódica

Instrument (subst.): instrumento

> Period instruments: instrumentos da época

Instrumentally (adv.): instrumentalmente

Instrumentalist (subst.): instrumentista

Intensity (subst.): intensidade

Intermezzo (it.): intermezzo

Interpretation (subst.): interpretação

> Interpretation course: curso de interpretação

Interrupted (adj.): interrompida (cadência)

Interval (subst.): intervalo

> Interval ear-training: ditado de intervalos

Introit (subst.): intróito

Invention (subst.): invenção

Inversion (subst.): inversão

Irish harp (instr.): harpa irlandesa

Isorhytmic motet: motete isorrítmico

J

Japanese kokirico (instr.): kokirico japonês

Jewish music: música judaica

Jingle stick (instr.): chincalho

Jongleurs (subst.): jograis

K

Kettledrums (instr.): tímpanos, timbales

Key (subst.): tecla

> Key signature: armação da clave

Keyboard: (subst.): teclado

L

Label (subst.): etiqueta, editora

Largo (ital.): largo

Leading note: sensível

Legacy (ital.): legado

Legato (ital.): legato

Leger line: linha suplementar

Level (subst.): nível

> Level of difficulty: grau de dificuldade

Librettist (subst.): libretista

Libretto (subst.): libretto

Light design: desenho de luz (ópera)

Line (subst.): linha

Liturgical music: música litúrgica

Liturgy (subst.): liturgia

Log drum (instr.): caixa de madeira

Long notes: notas longas

Loud (adj.): forte

Low sound: som grave

Lute (subst., instr.): alaúde

Lyre (subst., instr.): lira

Lyrical (adj.): lírico

Lyrics (subst.): letra, texto (de partitura ou canção)

M

Madrigal (subst.): madrigal

Magazine (subst.): revista

Maintenance (subst.): manutenção

Mandolin (subst.): bandolim

Majestic (adj.): majestoso

Major (adj.): maior

> Majorkey: tonalidade maior

> Major scale: escala maior

Manual (subst.): manual

Manuscript paper: papel pautado (com pentagramas)

Maracas (subst.): maracas

March (subst.): marcha

Marking (subst.): sinal

Mass (subst.): missa

Masterclass (subst.): curso intensivo de aperfeiçoameno, classe de aperfeiçoamento

Masterpiece (subst.): obra-prima

Masterwork (subst.): obra-prima

Matracas (subst.): matracas

Measure (subst.): compasso

Mediant (subst.): mediante

Melismatic (adj.): melismático

Melodic (adj.): melódico

> Melodic line (subst.): linha melódica

> Melodic minor: menor melódica (escala)

Melody (subst.): melodia

> Beautiful melody: melodia belíssima

Membranophone (subst.): membranofone

Memory (subst.): memória

> (To) perform from memory: tocar de cor (sem partitura)

Mensural (adj.): mensurado

Metal castanets: castanholas de metal

Meter (subst.): compasso

Metronome (subst.): metrónomo

Mezzo-soprano (subst.): mezzo-soprano

Microtone: microtom

Middle C: Dó central

MIDI: acrónimo de “musical instrument digital interface”

Military band: banda militar

Miniaturist (subst.): miniaturista

Minim (subst.): Mínima; o m. q. half note

Minim rest: pausa de mínima

Minimalism (subst.): minimalismo

Minor (adj.): menor

> Minor key: tonalidade menor

> Minor 2nd: segunda menor

> Minor 3rd: terceira menor

> Minor scale: escala menor

Minuet (subst.): minueto

Modal (adj.): modal

Mode (subst.): modo

Modulation (subst.): modulação

Monophonic (adj.): monofónico

Monothematic (adj.): monotemático

Mordent (subst.): mordente

Motet (subst.): motete

Motif (subst.): motivo

Mouth organ (instr.): harmónica

Mouthpiece (subst.): embocadura, bocal

Movement (subst.): andamento (de uma sonata, por exemplo)

> Concluding movement: andamento final

MTV (subst.): MTV, acrónimo de Music Television

Multifaceted (adj.): multifacetado

Mus. D., ou Mus. Doc. (abrev.): Doctor of Music

Muse (subst.): musa

Musette (subst.): variedade de gaita-de-foles

Music (subst.): música (to set a poem to music: musicar um poema)

> Contemporary music: música contemporânea

> Music book: livro de música

> Music cabinet: móvel para guardar músicas

> Music drama: drama musical

> Music Education: Educação Musical

> Music games: jogos musicais

> Music History: História da Música

> Music paper: papel de música

> Music punctuation: pontuação musical

> Music rack: estante de música

> Music staff: pauta musical

> Music-hall: café concerto

> Music-stand: estante de música desmontável

> Music-stool: banco de piano

> Music Theory: Teoria Musical

> Sacred music: música sacra

> Secular music: música profana

Musical (adj.): musical

> Musical angel (pint.): anjo músico

> Musical box (instr.): caixa de música

> Musical comedy: opereta

> Musical director: director musical

> Musical ear (to have a): ouvido musical

> Musical evening: sarau musical

> Musical instruments: instrumentos musicais

> Musical material: material musical

> Musical score: partitura

> Musical voice: voz harmoniosa

Musicality (subst.): musicalidade

Musically (adv.): musicalmente, melodicamente

Musicalness (subst.): musicalidade, harmonia

Musician (subst.): músico, executante de um instrumento musical

> Young and promising musician: jovem promessa da música

Musicianly (adv.): com virtuosismo

Musicographer (subst.): musicógrafo

Mute (subst.): surdina

> Mute (to) (v.): tocar em surdina

Muting (subst.): colocação de surdina

N

Name (subst.): nome

> Renowned name: nome destacado

Neoclassical (adj.): neoclássico

> Neoclassical music: música neoclássica

Neumatic (adj.): neumático

> Neumatic notation: notação neumática

Neumes (subst.): neumas

Ninth chord: acorde de nona

Nocturne (subst.): nocturno

Note (subst.): figura (da nota)

> Note value: duração da nota

O

Obligato (it.): obligato

Oboe (subst.): oboé

Octave (subst.): oitava

Octet (subst.): octeto

Ode (subst.): ode

Off (adv.): desligado

On (adv.): ligado

Ondes Martenot (fr.): ondas Martenot

Open recital: concerto inaugural

Opening concerto: concerto de abertura

Opera (subst.): ópera

> Opera buffa: ópera bufa

> Opera singer: cantor de ópera

Operatic (adj.): operático

Opus (lat., subst.): opus, obra

> Opus list: lista de obras

Oral tradition: tradição oral

Oratorio (subst.): oratório

Orchestra (subst.): orquestra

> Renowned orchestra: orquestra conceituada

> The greatest orchestras: as grandes orquestras

Orchestral (adj.): orquestral

> Orchestral triangle (instr.): triângulo de orquestra

Orchestrator (subst.): orquestrador

> Brilliant orchestrator: orquestrador genial

Ordinary (subst.): ordinário

Organ (subst., instr.): órgão

> Organ builder: organeiro

> Organ building: organaria

> Organ stop: registo (de órgão)

> Organ-grinder: tocador de realejo

Organographic (adj.): organográfico

Ornamental (adj.): ornamental

> Ornamental note: nota ornamental

Ornamentation (subst.): ornamentação

P

Pan-pipes (subst.): flauta de pan

Part (subst.): parte

Participant (subst.): participante

Partita (subst.): partita

Passing note: nota de passagem

Passion (subst.): Paixão

> St Mathew Passion: Paixão segundo São Mateus

Pastoral: pastoral

Pedal (subst.): pedal

Pentatonic: pentatónica

> Pentatonic scale: escla pentatónica

Percussion (subst.): percussão

> Percussion section: secção da percussão

Perfect (adj.): perfeita (cadência)

Perfect 4th: quarta perfeita; quarta justa

Perfect 5th: quinta perfeita; quinta justa

perform, to (v.): executar

Performance (subst.): apresentação

Performer (subst.): executante

Philharmonic: filarmónica

Phrase (subst.): frase

Phrasing (subst.): fraseado

Pianism (subst.): pianismo

> Romantic pianism: pianismo romântico

Pianistic (adj.): pianístico

Piano (subst.): piano

> At the piano: ao piano

> Baby-grand piano (instr.): piano de quarto de cauda

> Cottage piano (instr.): pequeno piano vertical

> Grand piano (instr.): piano de cauda

> Piano-action: mecânica do piano

> Piano-player (instr.): pianola

> Piano-tuner: afinador de piano

> Piano concert: concerto para piano

> Piano quartet: quarteto com piano

> Piano quintet: quarteto com piano

> Piano pieces: peças para piano

> Piano recital: recital de piano

> Piano sonata: sonata para piano

> To play on the piano: tocar piano

Pianoforte (subst.): piano-forte

Piece (subst.): peça

> Compulsory piece: peça obrigatória

Pipe (subst.): tubo

> Pipe organ (instr.): orgão de tubos

Pitch (subst.): altura

Pitched percussion: percussão de altura definida

Plagal (adj.): plagal

Plainchant: cantochão, gregoriano

Plainsong (subst.): cantochão

Play (to) (v.): tocar

Player (subst.): intéprete, executante, tocador

> Viola player: violetista

Polonaise: polaca

Polychoral (adj.): policoral

Plyphonic (adj.): polifónico

Polyphonically (adv.): polifonicamente

Polyphonist (subst.): polifonista

> Great polyphonist: grande polifonista

Polytonality (subst.): politonalidade

Portative organ (instr.): órgão portativo

Positive organ (instr.): órgão positivo

Prelude (subst.): prelúdio

Primière (subst.): estreia

> world première: estreia mundial

Prepared piano: piano preparado

Prodigy (subst.): menino prodígio

Professor (subst.): professor

> Professor of music: professor de música

Program (subst.): programa

> Program music: música programática

Programming: programação

Proposal (subst.): proposta

> Unmissable proposal: proposta imperdível

Project (subst.): projeto

Psalm (subst.): salmo

Psaltery (subst., subst.): saltério

Pulse (subst.): pulsação

Q

Quadruple meter: compasso quaternário

Quarter (subst.): semínima

Quartet (subst.): quarteto

Quaver (subst.): colcheia; o m. q. eight note

Quaver rest: pausa de semínima

Quintet (subst.): quinteto

R

Rainstick (subst.): pau-de-chuva

Rap (subst.): rap

Ratchet (subst.): cegarrega

Recital (subst.): recital

Recitative (subst.): recitativo

Reconstruction (subst.): reconstrução

Recorder (subst.): flauta de bisel, flauta doce

Recording (subst.): gravação, registo

> Award-winning recording: gravação premiada

Reed (subst.): palheta

Reform (subst.): Reforma

Refrain (subst.): refrão

Register (subst.): registo

Registration (subst.): registação

Relative minor: relativo menor

Renaissance (subst.): Renascença

> Portuguese Renaissance: Renascença portuguesa

Repair (subst.): reparação

> Repair (to) (v.): reparar

Repeat sign: sinal de repetição

Repetiteur (subst.): correpetidor (pianista)

Repertoire (subst.): repertório

Representative (adj.): representativo

> Key repertoire: repertório fundamental

Resonating body: caixa de ressonância

Resolution (subst.): resolução

Responsorial manner: maneira responsorial

> Responsorial singing: canto responsorial

Rest (subst.): pausa

Restore (to) (v.): restaurar

Restoration (subst.): restauro

Ressonator (subst.): caixa de ressonância

Retrograde (adj.): retrógrado

Reverb (subst.): reverberação

Rock group: grupo rock

Romanticism (subst.): Romantismo

Round (subst.): cânone

Rules of composing: regras da composição

Rythmic (adj.): rítmico

> Rythmic dictation: ditado rítmico

> Rhythmic pattern: padrão rítmico

S

Sandpaper block (instr.): bloco de lixa

Scale (subst.): escala

> Scale step: grau da escala

School (subst.): escola

> Prestigious school: escola prestigiada

Scenery (subst.): cenário

Score (subst.): partitura

Second Viennese School: Segunda Escola de Viena

Secondary theme: tema secundário

Semibreve (subst.): semibreve

Semibreve rest: pausa de semibreve

Semiquaver (subst.): semicolcheia; o m. q. sixteenth note

Semiquaver rest: pausa de semicolcheia

Semitone (subst.): meio tom

Serialism (subst.): serialismo

Serpent (subst., instr.): serpentão

Shape of a note: figura

Sharp (subst.): sustenido

Shawm (instr.): charamela

Shell chimes (instr.): árvore de conchas

Sing, to (v.): cantar

Singer (subst.): cantor

> Popular singer: cantor popular

Singing saw (instr.): serrote musical

Single reed (instr.): palheta simples

Skip (subst.): salto

Sleigh bells (instr.): guisos

Slide whistle (instr.): assobio

Slur (subst.): ligadura de expressão

Snare drum (instr.): caixa, tarola

Solo (subst.): solo

> Solo instrument: instrumento solista

Soloist (subst.): solista

Sonata (subst.): sonata

> Sonata form: forma sonata

Song (subst.): canção

> Regional song: canção regional

> Song-cycle: ciclo de canções

Sopranino recorder: flauta de bisel sopranino

Soprano (subst.): soprano

Sound (subst.): som

> Sound waves: ondas sonoras

Sousaphone (subst., instr.): sousafone

Space (subst.): espaço

Specialist (subst.): especialista

> Specialist of the polish school: especialista na escola polaca

Spectacular (adj.): espetacular

Spinet (subst., instr.): espineta

Spiritual: espiritual

Staff (subst.): pauta

Stage (subst.): palco

Stem (subst.): haste (de uma figura musical)

Step (subst.): tom, intervalo

> Step down: intervalo descendente

> Step up: intervalo ascendente

Stick: pau, paulito

> Stick dance: dança dos paus, dança dos paulitos

> Stick dancers: pauliteiros

Story (subst.): história, estória

> Enchanting story: história de encantar

Street organ (instr.): órgão de rua, órgão de tubos mecânico

String (subst.): corda

> String family: família das cordas

> String orchetra: orquestra de cordas

> String quartet: quarteto de cordas

> String quintet: quinteto de cordas

> String trio: trio de cordas

> The strings: as cordas

> Stringed instrument: instrumento de corda

Strophic (adj.): estrófico

Studio (subst.): estúdio

> Studio record: álbum de estúdio

Style (subst.): estilo

Subdominant (subst.): subdominante

> Subdominant chord: acorde da subdominante

Subject (subst.): sujeito

Supertonic (subst.): sobretónica

Symphony (subst.): sinfonia

> Symphonyorchestra: orquestra sinfónica

Synthesis (subst.): síntese

T

Tablature (subst.): tablatura

Tale (s. m.): conto

> Fairy tale: conto de fadas

Talent (s. m.): talento

Tambourine (subst.): pandeireta

Thematic material: material temático

Temple Block: bloco de madeira

Tempo (subst.): andamento

Tenor (subst.): tenor

Terminology (subst.): terminologia

Ternary (adj.): ternário

> Ternary form: forma ternária

Texture (s. m.): textura

Thai gong (instr.): gongo tailandês

Theme (subst.): tema

Theorbo (subst.): tiorba

Third (subst.): terceira

Tie (subst.): ligadura de prolongação

Timbre (subst.): timbre

> Time signature: indicação de compasso

Timpani, timpany (subst.): timbales

Tonal (subst.): tonal

> Tonal system: sistema tonal

Tonality (subst.): tonalidade

Tonic (subst.): Tónica

Toy (subst.): brinquedo

Track (subst.): faixa

Train whistle (subst.): apito de combóio

Transpose (to) (v.): transpor

Traverso (subst.): traverso

Treble: agudos

> Treble clef: clave de sol

Triad (subst.): tríade

Triangle (subst., instr.): triângulo, ferrinhos

Trill (subst.): trilo

Triple-meter: compasso ternário

Tripplet (subst.): tercina

Trombone (subst., instr.): trombone

Trouvères (subst.): troveiros

Trumpet (subst., instr.): trompete

Tuba (subst.): tuba

Tune (to) (v.): afinar

Tuning (subst.): afinação

> Tuning system: sistema de afinação

Tupplet (subst.): quiáltera

Turn (subst.): grupeto

Turntable (subst.): giradiscos

U

Unison (subst.): uníssono

Upright piano (instr.): piano vertical

Urban (adj.): urbano

> Urban music: música urbana

V

Variation (subst.): variação

> Variations on a theme: variações sobre um tema

Variety (subst.): variedade

Vespers: Vésperas, oração litúrgica da tarde

Vibraphone (subst.): vibrafone

Vibration (subst.): vibração

Viol, viola da gamb a (instr.): viola da gamba

Viola (subst.): viola, violeta

Violin (subst.): violino

Virginal (subst.): virginal

Vocal (adj.): vocal

> Vocal technique: técnica vocal

Voice (subst.): voz, canto

Voicer (subst.): intonador

W

Wagner tuba (instr.): tuba wagneriana

Waltz (subst.): valsa

Wind (instr.): vento, sopro, instrumentos de sopro

> Wind instruments (instr.): instrumentos de sopro

Winner (subst.): vencedor

Whistle (subst., instr.): apito

White key: tecla branca

Whole (subst.): semibreve

> Whole-tone scale: escala de tons inteiros

> Whole step: tom inteiro

Woodblock (subst., instr.): caixa chinesa

Woodwinds (instr.): sopros de madeira

> Woodwind family (instr.): família dos sopros

> Woodwind ensemble (instr.): agrupamento de sopros

> Woodwind quartet (instr.): quarteto de sopros

> Woodwind quintet (instr.): quinto de sopros

Words (subst.): letra (de canção)

Work (subst.): obra

> Choral work: obra coral

> Representative work: obra representativa

World premiere: estreia mundial

X

Xylophone (subst., instr.): xilofone

Xylophonist (subst.): xilofonista, executante de xilofone

Y

Z

Zingaro (subst.): zíngaro, cigano

Saint Cecilia, John Melhuis Strudwick
Saint Cecilia, John Melhuis Strudwick
Dicionário de Música

Dicionário de Música

Termos e Expressões Musicais

Veja AQUI dicionários Alemão-Português, Espanhol-Português, Francês-Português, Inglês-Português e Italiano-Português de Música.

A

A:

Letra que, no sistema alfabético (países anglo-saxónicos), designa a nota chamada Lá no sistema silábico de Guido d’Arezzo. Na Época Medieval, a letra A já designava a nota Lá. A letra A pode também ser a abreviatura de “alto” (contralto) (Cf. SATB).

A battuta:

“com o compasso”, é uma indicação que aparece após uma passagem (cadência, por exemplo) tocada livremente, “ad libitum”.

A capella:

Locução que designava inicialmente composições polifónicas como “na capella”, em ritmo binário “alla breve”. A partir do século XIX, passou a designar a música vocal sem acompanhamento instrumental.

ABA:

forma musical estruturada em três secções ou partes, sendo a terceira uma repetição com variações da primeira, em contraste com a secção B.

Abendmusik (alem.):

Traduzido literalmente, significa “Música da Tarde”, designando concertos de música sacra na MarienKirche de Lübeck. Esta instituição teve um grande impulso com Buxtehude, no terceiro quartel do século XVII.

Abertura:

peça instrumental que introduz uma obra de grande desenvolvimento como uma ópera, cantata ou oratório; ou pode ser uma obra autónoma (forma de composição). Nascida em França no século XVII, a forma abertura continua a ser composta, designadamente para sinalizar ambientes em filmes, e integra o repertório de muitas orquestras e bandas filarmónicas.

Abreviatura:

conjunto de letras que simplifica a escrita nas partituras, cada vez mais complexas a partir do século XVII. Podem ser indicações de intensidade, como p de piano, indicações de movimentos regulares, como glissandi, substituições de acordes, no caso do baixo cifrado.

Accelerando (ital.):

Literalmente, significa “acelerando”, apressar gradualmente o andamento de uma peça.

Accentus (lat.):

canto do celebrante que preside na Liturgia Romana, ao qual o coro ou os solistas respondem em uníssono (concentus).

Acciacatura (ital. acciacare):

ornamento melódico utilizado na literatura para cravo e instrumentos de tecla, em que uma nota, uma segunda menor inferior à principal, é atacada ao mesmo tempo, mantendo-se depois apenas a principal.

Acento:

sinal em forma de ângulo que na posição vertical (v) significa aumento súbito da intensidade da nota, enquanto na posição horizontal (>) significa ataque forte seguido de diminuição súbita da intensidade. Na posição invsersa (<) significa ataque suave seguido de aumento súbito da intensidade.

Acidente:

sinal de notação que indica alteração de uma nota, estranha à tonalidade indicada pela armação da clave. O bemol baixa meio tom, o sustenido sobe meio tom e o bequadro anula o efeito do sustenido ou bemol.

Acompanhamento:

conjunto de elementos vocais e instrumentais que estão subordinados à parte principal e a realçam, pelo seu poder expressivo, carácter rítmico e riqueza harmónica.

Acoplamento:

dispositivo que, no órgão de tubos ou no cravo, permite associar as sonoridades diferentes de dois teclados.

Acorde:

grupo de três ou mais sons simultâneos identificáveis como um conjunto (dó mi sol, por exemplo, com duas terceiras sobrepostas).

Acústica:

capítulo da Física e da Música que estuda os fenómenos sonoros, a sua natureza, produção e propagação.

Ad libitum (lat.):

como “a piacere”, “senza tempo”, “a capriccio”, significa “à vontade”, livremente, conferindo ao intérprete certa liberdade no andamento de uma passagem ou cadência.

Adagietto (ital.):

diminutivo de “adagio”, designa um andamento um pouco menos lento e um carácter mais ligeiro que o “adagio”.

Adagio (ital.):

literalmente “à vontade”, designa um andamento lento de carácter sério, 100-126 batimentos por minuto. Na sinfonia, o “adagio” é, muitas vezes, o segundo andamento.

Aerofone:

tipo de instrumento, como a flauta, o acordeão ou a trompete, cujo som é produzido pela vibração de uma coluna de ar dentro de um tubo. A classificação dos instrumentos feita por Hornbostel e C. Sachs distingue, além dos aerofones, os membranofones, cordofones e idiofones.

Affetto (ital.):

afeto, palavra usada por G. Caccini e outros compositores do Barroco para significar um estado de alma e ornamentos vocais inspirados em afectos do texto poético.

Affetuoso (ital.):

termo usado essencialmente no Barroco para exprimir um sentimento terno.

Agnus Dei (lat.):

“Cordeiro de Deus”, designa a tripla invocação feita na missa, com base na metáfora usada por João Batista, no Evangelho segundo São João, e Apocalipse, para designar Jesus.

Agógica:

conjunto de pequenas flutuações na execução de uma obra musical ao nível do andamento, permitindo certa liberdade de expressão e interpretação.

Agregado sonoro (cluster, em inglês):

grupo de notas com pequenos intervalos entre elas, tocadas ao mesmo tempo, não identificável com os acordes da harmonia clássica.

Agudo:

som de altura elevada, som fino em linguagem popular, som com elevado número de vibrações por segundo.

Aleatória (música):

expressão que, no século XX, em obras de Boulez, Berio e Stochausen, por exemplo, apresenta certo grau de indeterminação que pode afectar vários parâmetros da estrutura global de uma obra.

Aleluia (hebr.):

literalmente a palavra significa “louvai a Deus”. É uma expressão e canto de louvor que aparece em alguns salmos e é utilizada nas celebrações eucarísticas ao longo do ano litúrgico, excepto na Quaresma (em que a aclamação ao Evangelho tem outra expressão menos festiva, como “Louvor a Vós, Rei da Eterna Glória”).

Alemanda:

canção e dança de origem germânica, de andamento moderado, em compasso quaternário 4/4, que passou a ser utilizada em França a partir do séc. XVI nas suites instrumentais.

Al fine (ital.):

expressão que indica que, após a repetição da primeira parte de uma peça, se deve prosseguir “até ao fim”.

Alla (ital.):

palavra italiana que significa “à maneira de”, como no “Rondó alla turca” de W. A. Mozart.

Alla breve (ital.):

“À breve”.

Alla marcia (ital.):

locução italiana que significa “com carácter de marcha”.

Allargando (ital.):

alargando, retardando progressivamente o andamento.

Allegretto (ital.):

diminutivo de allegro, indica um andamento mais lento que o allegro e pode ser acompanhado de adjectivo, “giocoso”, por exemplo.

Allegro (ital.):

termo que significa inicialmente carácter “alegre” e designa um andamento rápido, entre 120-168 semínimas por minuto.

All’ottava (ital.):

“à oitava”, é um procedimento que permite escrever notas acima ou abaixo da pauta sem recorrer a muitas linhas suplementares.

Al segno (ital.):

a expressão significa “ao sinal”, indicando que uma parte da peça deve ser repetida a partir do sinal S e não desde o princípio.

Alteração:

modificação da altura de uma nota em relação ao seu estado natural, através de bemol, duplo bemol, sustenido, duplo sustenido, ou bequadro.

Alternância:

execução da música repartida por solista e grupo, ou dois grupos, ou dois solistas, presente tanto na música tradicional como na música erudita, sacra ou profana.

Alto:

a mais grave das vozes femininas. As solistas aparecem mais frequentemente designadas por contralto.

Altura:

qualidade dos sons que os torna mais graves ou mais agudos e que tem a ver com a frequência mais ou menos elevada, com o número maior ou menor de vibrações por segundo.

Âmbito:

intervalo entre a nota mais grave e a nota mais aguda de uma partitura, obra vocal ou instrumento.

Ambrosiano:

canto eclesiástico atribuído a Santo Ambrósio, bispo de Milão (340-397).

Amen (hebr.):

usada muitas vezes por Jesus, a palavra significa “em verdade”, ou “assim seja”. Na liturgia, dita ou cantada, a palavra significa adesão ao que foi dito antes.

Anacrusa:

nota ou grupo de notas não acentuadas que começam um trecho musical antes do primeiro tempo forte.

Análise:

estudo da forma, estrutura, tonalidade, ritmo, harmonia, melodia, orquestração, temática, intensidade, dinâmica e outros parâmetros de uma obra musical.

Andamento:

grau de velocidade ou movimento, mais lento ou mais rápido, de uma música.

Andante (ital.):

palavra que apareceu em finais do séc. XVII e significa “andando”. Designou um andamento moderado, entre o adagio e o allegro; com o romantismo, aproximou-se do adagio. A sua velocidade está entre 76-108 semínimas por minuto.

Andantino (ital.):

diminutivo de andante, designa um movimento um pouco mais rápido que o andante.

Animato (ital.):

andamento animado. Exemplo: andante animato.

Antecipação:

técnica de composição que consiste na escrita de uma nota estranha à harmonia que pertence já ao acorde seguinte.

Antífona (gr.):

elemento muito antigo da liturgia católica que se canta normalmente no princípio e no fim de um salmo ou cântico bíblico.

Antifonário:

em sentido estrito, o livro que continha as antífonas para a Missa e o Ofício Divino, na liturgia católica.

A piacere (ital.):

sinónimo de “ad libitum”, “à vontade”, livremente no que se refere ao tempo e ao uso do rubato pelo intérprete.

Apassionato (ital.):

indicação essencialmente romântica que aparece na partitura a prescrever um estilo ardoroso e apaixonado.

Appoggiatura (ital.):

nota (longa ou breve) estranha à harmonia do acorde, dissonante, que resolve por tom ou meio tom ascendente ou descendente.

Arco:

parte de madeira e pelo de crina de cavalo com que normalmente os vioninistas, violistas e violoncelistas friccionam as cordas do instrumento. Na partitura, a palavra indica ao violinista que deve retomar o arco, após um “pizzicato”.

Argumento:

resumo da intriga de uma ópera ou obra dramática.

Ária:

melodia cantável, ou trecho incluído numa ópera, por exemplo, cantado a solo com acompanhamento instrumental. Na música instrumental, francesa, sobretudo, designa uma peça com carácter melódico.

Armação da clave:

número de sustenidos ou bemóis que, colocados no princípio da pauta, imediatamente a seguir à clave, afectam todas as notas respectivas. A ordem dos sustenidos é “fá dó sol ré lá mi si” e a dos bemóis é “si mi lá ré sol dó fá”. Se existe apenas um sustenido, na linha do Fá, por exemplo, todas as notas Fá são Fá #, a não ser que, entretanto, apareça indicação contrária (bequadro). No fundo, as alterações constitutivas fazem com que se mantenha a sequência de tons e meios tons que existe na escala de Dó maior, qualquer que seja a nota em que se comece.

Arpejo:

execução sucessiva das notas de um acorde, da nota mais grave para a mais aguda, podendo também suceder o inverso.

Arranjo:

transcrição de uma peça para um instrumento ou instrumentos diferentes daqueles para que foi composta, ou redução de uma obra orquestral para um instrumento.

Ars Antiqua (lat.):

música que vai desde as origens da polifonia, de finais do séc. IX até ao primeiro quartel do séc. XIV.

Ars Nova (lat.):

estilo polifónico na França do século XIV, com novas formas musicais como o motete a três e quatro vozes, novas temáticas musicais, ritmo e contraponto mais livres.

Articulação:

execução clara do fraseado, interpretação desligada das notas de uma peça instrumental.

Assai (ital.):

ligada a uma indicação de andamento, significa “bastante”. “Allegro assai” significa tempo bastante rápido.

Ataque:

fase inicial da produção de um som por um instrumento. Pode também significar o início, a primeira ou as primeiras notas de uma peça musical.

A tempo (ital.):

locução sinónima de “tempo primo”, que devolve uma peça ao andamento incial, após uma parte em que aconteceu uma aceleração ou retardamento.

Atonal:

música sem um centro tonal ou nota que atraia as outras ou tenha preponderância sobre elas.

Atonalidade:

característica da música em que não são aplicadas as funções e leis tonais em que repousa a música ocidental desde o Barroco.

Audição:

conjunto de processos que vão desde a percepção pelo ouvido humano ao reconhecimento dos sons pela consciência.

Aumentação:

prolongação da duração de uma nota, através de um ponto, por exemplo. Processo da composição que consiste em acrescentar proporcionalmente valor às notas.

Aumentado:

intervalo (ou acorde) meio tom maior do que o intervalo normal. Dó-Fá, por exemplo, é uma quarta justa; Dó-Fá# é uma quarta aumentada.

Ave Maria (lat.):

a mais conhecida de todas as orações do culto católico à Virgem, cujas palavras se baseiam no Evangelho de São Lucas, na Anunciação do Anjo e Visitação de Isabel à sua prima Maria. Numerosos compositores musicaram esta oração, desde a Renascença à actualidade. A “Ave Maria” de Franz Schubert é a adaptação latina, apócrifa, de uma poesia alemã sobre a qual o compositor escreveu. Num processo questionável, Gounod acrescentou uma melodia ao primeiro prelúdio do “Cravo bem temperado”, de Johann Sebastian Bach. A “Ave Maria” de Verdi é uma oração de Desdémona, da ópera “Otelo”.

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B

B:

nome da nota “si” nos países anglossaxónicos. Nos países de língua alemã, a letra B designa o si bemol enquanto que o si (natural) é representado pela letra H.

Badinerie:

sinónimo de bagatela, designa uma peça musical dos séc. XVII e XVIII, com um matiz certa ingenuidade e simplicidade. Ficou célebre da “badienrie” da Suite nº 2 em Si menor de Johann Sebastian Bach.

Bagatela (ital. bagatella):

palavra que designa uma peça musical viva, ligeira e breve. A mais conhecida é provavelmente a “Bagatela em lá menor ‘Para Elisa’”, de L. v. Beethoven.

Bailado:

espectáculo coreográfico com origem na corte francesa durante o século XVI.

Baixo cifrado:

escrita musical abreviada dos acordes por meio de cifras, a partir do baixo. Faz parte do ensino académico da Harmonia e esteve particularmente em voga durante o século XVII e XVIII.

Balada:

uma das formas da poesia lírica medieval, em forma estrófica, inicialmente monódica e depois polifónica; canção sentimental em andamento lento, na Pop, Rock, Jazz.

Ballata (ital.):

forma musical em forma estrófica destinada ao canto e à dança, muito difundida na Itália, entre os séc. XIII-XV. Antes de ser destronada pela “frottola”, foi cultivada por compositores célebres como Landini, Ciconia e Dufay.

Banda de música:

conjunto instrumental constituído basicamente por sopros (metais e madeiras) e percussão, frequentemente associada a atuações em coretos.

Barcarola:

geralmente em compasso 6/8, (semínima colcheia semínima colcheia) é uma canção inspirada na ondulação do mar, inicialmente canção dos gondoleiros de Veneza. Esta forma musical foi usada por vários compositores europeus, designadamente Mendelssohn e Offenbach.

Bardo:

designação de poetas e cantores celtas da Inglaterra antiga, que se faziam acompanhar de um instrumento tradicional chamado “crwth”.

Barítono:

a voz masculina intermédia entre o baixo, a mais grave e o tenor, a voz mais aguda. No Jazz, barítono sem mais designa o saxofone barítono.

Barra:

linha vertical que, dividindo os compassos se chama simples, podendo, além disso, ser dupla ou final.

Barroco:

estilo muito ornamentado nascido em Itália com a monodia acompanhada e a invenção do baixo contínuo. Neste período de um século e meio (1600-1750, sensivelmente), entre a Renacença e o Classicismo, surgem a ópera, a cantata, o oratório e desenvolvem-se a sonata, o concerto e a música para teclado, especialmente para órgão. A utilização do baixo contínuo e a teoria dos afectos caracterizam este período da História da Música. Entre os grandes compositores deste período contam-se Giovanni Gabrieli, Claudio Monteverdi, Antonio Vivaldi, Domenico Scarlatti, Johann Sebastian Bach, George Frederick Haendel.

Batalha:

composição vocal ou organística de carácter bastante descritivo muito em voga no século XVI. Ficou célebre a “Batalha de Marignan”, de Jannequin).

Bel canto (ital.):

ópera; maneira de cantar e estilo de composição entre o séc. XVII até às primeiras décadas do séc. XIX, na Itália.

Bemol:

sinal usado na notação musical para baixar meio tom, sem que ela mude de nome. O duplo bemol baixa dois meios tons.

Benedicamus Domino (lat.):

fórmula dialogada utilizada na liturgia como cláusula da Liturgia das Horas ou a própria Missa.

Benedicite (lat.):

antiga oração de bênção da refeição nos mosteiros e nos lares cristãos.

Benedictus (lat.):

segunda parte do “Sanctus”, na Missa. Na Liturgia, quando se fala hoje em “Benedictus” refere-se o canto Bíblico retirado do Evangelho de São Lucas 1, 68, que começa com as palavras “Benedictus Dominus Israel” (“Bendito o Senhor, Deus de Israel”) e é cantado na Liturgia das Horas, na oração matinal de Laudes. Este é, com o “Magnificat” (cantado ou rezado à tarde, na oração de Vésperas) e o “Nunc dimittis” (na oração de completas, antes de deitar), um dos cânticos maiores da Igreja Católica Romana.

Bequadro:

sinal gráfico usado na notação musical para anular o efeito das alterações anteriores.

Binário:

compasso ou ritmo de dois tempos, sendo forte o primeiro tempo e fraco o segundo. Os compassos simples são constituídos por tempos divisíveis por dois (divisão binária).

Bis (lat.):

no fim de um refrão, por exemplo, significa que se canta “duas vezes”. No fim de um concerto, o público pede a repetição de uma peça ou a execução de um número extra programa.

Bitonalidade:

base de composição de uma peça musical em que estão presentes duas tonalidades em simultâneo.

Bizantino (canto):

canto tradicional da Igreja ortodoxa cujas origens remontam ao canto hebraico e a tradições musicais sírias e arménias.

Blues (ingl.):

música lenta e triste dos negros americanos, sobre poesia popular, que fundiu as influências das músicas europeias e africanas.

Bolero:

dança espanhola, particularmente andaluza, conhecida desde finais do séc. XVIII, em compasso ternário e andamento moderado. Tornou-se também popular na América Latina e mesmo em Paris, no século XIX, sendo especialmente conhecida na música erudita pela obra homónima de Ravel.

Bombarda:

instrumento de sopro em madeira, de palheta dupla, da família do oboé, usado especialmente entre os séculos XV-XVII; registo do órgão.

Bombo:

bimembranofone, o maior dos tambores.

Bourdon:

um dos registos de base do órgão de tubos, tanto na pedaleira como nos outros teclados.

Bourrée (fr.):

antiga e animada dança francesa em compasso binário ou ternário, ainda hoje praticada em certas regiões de França (Berry).

Braguinha:

o m.q machete, instrumento tradicional madeirense de 4 cordas afinadas em Ré.

Breve:

unidade fundamental de duração na métrica antiga que se manteve nos solfejos até meados do século XX, sendo equivalente a duas semibreves.

Buffa (Opera):

ópera-bufa, expressão italiana para “ópera cómica”.

BWV:

abreviatura de Bach-Werke-Verzeichnis, no catálogo usado para designar as obras de Johann Sebastian Bach, segundo a organização de Wolfgang Schmieders.

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

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Contacto

António José Ferreira
962 942 759

C

C:

designação alfabética da nota Dó usada nos países de língua inglesa e alemã.

Caccia (ital.):

forma vocal utilizada na Itália por Landini e outros compositores da Ars Nova, sobretudo no século XIV. “Da caccia”, indicação que podemos encontrar em cantatas de Johann Sebastian Bach, por exemplo, precisa o carácter de certos instrumentos do Barroco.

Cadência:

fórmula da harmonia tradicional que conclui uma frase ou uma obra.

Caixa de ressonância:

corpo de um instrumento cuja cavidade amplifica a vibração das cordas.

Calando (ital.):

diminuição da intensidade retardando o andamento.

canção de embalar:

canção popular em andamento lento e melodia docemente balançada para adormecer as crianças.

Cânone:

forma musical baseada na imitação – uma melodia é executada em duas ou mais partes diferentes, repetindo-se indefinidadmente.

Cantata:

obra para coro e/ou vozes solistas, com acompanhamento instrumental.

Cantus firmus (lat.):

melodia de um canto religioso ou profano, tomado como base de uma obra contrapontística.

Cantus firmus (lat.):

melodia de um canto religioso ou profano, tomado como base de uma obra contrapontística.

Canzona (ital.):

canção polifónica renascentista ou obra instrumental composta no mesmo estilo.

Cifra:

símbolo usado na música para designar um acorde e a sua composição.

Clave:

símbolo colocado logo no princípio da pauta ou pentagrama para indicar o nome das notas musicais. Há três claves: Sol, Fá e Dó, em diferentes linhas da pauta.

Cláusula:

cadência na música medieval.

Coda:

termo italiano que significa cauda, isto é, fim de um trecho musical, de um andamento de uma sonata ou sinfonia.

Col legno (ital.):

locução italiana que significa “com a madeira” em vez de tocar com o arco da forma normal (indicação para os intrumentistas de arco).

Coloratura:

significando inicialmente cor ou colorido, a palavra italiana passou a designar as obras vocais extremamente ornamentadas em registo agudo que exigem do intérprete grande virtuosidade.

Comedia per musica (ital.)::

comedia lirica, ópera-bufa, “ópera cómica”.

Compasso:

divisão métrica de um texto musical, em que há uma regularidade de tempos fortes e fracos.

Concerto:

obra para um ou mais instrumentos e orquestra; apresentação pública de obras musicais.

Concerto grosso:

concerto barroco em que a um pequeno grupo solista (concertino) se contrapõe o orquestral (“ripieno”).

Conductus (lat.):

forma medieval em que uma voz realizava um contraponto incipiente sobre um canto dado, chamado “cantus firmus”.

Consonância:

combinação de sons simultâneos que produzem uma sensação de equilíbrio ou repouso.

Contralto:

a voz feminina mais grave.

Contraponto:

técnica de composição musical para duas ou mais melodias independentes e autónomas.

Cordofone:

instrumento com cordas, sejam elas percutidas, como o caso do piano, friccionadas com um arco, como ou violino, ou dedilhadas, como a guitarra portuguesa.

Coro:

grupo de cantores que executam em conjunto obras de música profana ou sacra, a uma ou várias vozes diferentes, masculinas, femininas ou mistas, juvenis ou adultas.

Corpo:

a caixa de ressonância de um instrumento musical.

Cromática:

escala em que os doze sons se sucedem sempre por meios tons, por movimento ascendente ou descendente.

Courante (fr.):

dança aristocrática francesa, em compasso ternário, inserida na suite clássica.

Crescendo (ital.):

aumento progressivo da intensidade de uma parte da música.

D

D:

designação da nota Ré no sistema alfabético.

Da capo (ital.):

voltar ao princípio do trecho musical. Aparece muitas vezes abreviada pelas letras D. C.

Dedilhação:

utilização dos dedos na execução de um instrumento musical, ou a indicação numérica de como os dedos se devem posicionar no teclado.

Diapasão:

embora haja o diapasão de sopro (que dá as doze notas da escala cromática e se chama, por isso, diapasão cromático) o diapasão de percussão é um objecto de metal em forma de garfo, sensivelmente, que dá apenas a nota Lá. Batendo-se contra uma uma superfície dura, dá as 440 vibrações por segundo.

Diatónico:

que procede por intervalos de tom e meio tom.

Dies Irae (lat.):

“Dia de Ira”, é a parte da Missa de Requiem (dos Defuntos) que se refere ao Juizo Final.

Diminuendo (ital.):

termo italiano que significa diminuição gradual da intensidade do som.

Dinâmica:

conjunto de variações na intensidade de uma peça musical, crescendo ou diminuindo.

Dissonância:

combinação de sons cujo efeito provoca uma sensação de instabilidade.

Divertimento giocoso (ital.):

comedia lirica, ópera-bufa, ópera cómica.

Dó:

primeira nota da escala diatónica de Dó, correspondente à letra C do sistema alfabético.

Dodecafonismo:

sistema de composição baseado nas doze notas da escala cromática. No que diz respeita à melodia, harmonia e contraponto, rejeita as bases admitidas pelo sistema tonal, como a preponderância de determinados graus sobre outros (como a tónica, dominante, subdominante, sensível).

Doxologia:

forma laudatória utilizada na liturgia no fim de um salmo, hino ou outra oração. O canto dos salmos e cânticos da Liturgia das Horas é concluído com “Gloria Patri…”, ou “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”.

Drama giocoso (ital.):

comedia lirica, ópera-bufa, ópera cómica.

Duração:

valor de uma figura musical cuja execução é mais ou menos longa.

E

E:

designação da nota Mi no sistema alfabético.

Ensemble:

pequeno agrupamento de intérpretes que pode englobar instrumentistas e/ou cantores.

Escala:

série de sons que serve de base a uma composição musical e que dá a uma peça o seu estilo de música ligeira, cigana, chinesa ou jazz, por exemplo.

Estilo:

termo amplamente usado na música e com diferentes significados, associado a diversos adjetivos: estilo monódico, estilo polifónico, estilo galante, estilo clássico, estilo New Orleans (Jazz).

Etnomusicologia:

ramo da musicologia que estuda cientificamente as músicas do mundo tanto do passado como do presente, com especial ênfase para as influências culturais e raciais.

Exposição:

primeira parte de uma peça em forma de sonata, em que os temas principais são apresentados.

F

F:

designação da nota Fá no sistema alfabético.

Fado:

Canção urbana originária de Lisboa, cantada de forma diferente em Coimbra e no Porto, com acompanhamento da guitarra portuguesa, é um símbolo internacionalmente reconhecido de Portugal.

Fandango:

dança popular espanhola, andaluza, especialmente, em compasso ternário 3/4 ou 3/8, acompanhada por guitarra e castanholas. Importada, provavelmente, da América Latina, era muito divulgada já no século XVII. Embora lhe esteja subjacente a temática amorosa, nesta dança homem e mulher não se tocam. Em Portugal, o fandango enraizou-se especialmente no Ribatejo, onde é executada por dois homens e acompanhada de concertina, harmónica e outros instrumentos nos ranchos folclóricos. Nicolai Rimsky-Korsakov introduziu esta dança no seu “Capricho Espanhol”, o que aconteceu também com obras orquestrais de outros compositores (Albéniz, Falla, Graandos, Soler, Bocherini).

Fantasia:

peça musical que, composta a partir de melodias conhecidas e trechos de ópera, revela a técnica do compositor e o virtuosismo do intérprete.

Falsa relação:

designa, na harmonia, o fazer-se ouvir, simultanea ou consecutivamente, dois sons considerados incompatíveis, especialmente o trítono (intervalo de 3 tons, entre Fá e Si natural).

Fermata:

antigo nome do ponto de órgão como sinal de paragem.

Ficta (musica, ital.):

prática medieval e renascentista que consistia em omitir na escrita musical alterações que deviam ser feitas na execução.

Figuras:

símbolos que indicam a duração dos sons (semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia, fusa e semifusa, que vão desde os 4 tempos até 1/16 tempo).

Finale (ital.):

último andamento de uma obra em vários andamentos.

Forte:

qualidade dos sons executados com intensidade elevada, isto é, dos sons que têm grande amplitude de onda sonora.

Forte-piano (ital.):

expressão que aparece abreviada na partitura (fp) e significa ataque forte de uma nota, seguido de uma execução em piano.

Fortissimo (ital.):

abrevidada na partitura em ff, é uma das expressões de intensidade do som.

Fox-trot:

Dança norte-americana que surgiu por volta de 1910; música sincopada, em andamento moderado, em compasso 4/4, e marcha moderada.

Frase:

pequena secção coerente de uma música, comparável a uma oração na linguagem falada.

Fuga:

obra contrapontística em três ou mais partes com a mesma importância, que entram sucessivamente, imitando a outra.

Funaná:

género musical tocado pelas mulheres da Ilha de Santiago, Cabo Verde.

G

G:

designação da nota Sol na Idade Média e no sistema alfabético hoje usado nos países de língua inglesa ou alemã. Foi inicialmente o símbolo da clave de sol que, através de várias transformações, chgou à actual configuração.

Galharda:

dança de corte, em andamento vivo, compasso ternário, muito em voga no séc. XVI, que entrou nas suites instrumentais dos séc. XVI-XVII.

Galope:

dança rápida originária da Europa central, em compasso binário, cujo ritmo evoca o galope de um cavalo; figura pontuada seguida da figura que vale metade daquela.

Gavota:

dança muito graciosa e delicada, nascida no século XVI, nos Alpes Franceses, em compasso binário, andamento moderado e ritmo anacrúsico. Na música “erudita”, podemos encotrar esta dança em L. Marchand, os Couperin, Lully).

Giga:

dança bastante movimentada em compasso 6/8 ou 12/8 que teve origem na Inglaterra entre as gentes do mar.

Glissando (ital.):

passagem de uma nota a outra através de um portamento.

Gloria (lat.):

Primeiro nome de várias peças latinas (Glória ao Pai, Glória a Deus nas alturas…)

Graduale (lat.):

Parte do Ordinário (conjunto de cantos váriáveis de missa para missa), normalmente em estilo melismático, cantada entre a Epístola e o Evangelho. A palavra “Graduale” designa também o livro que inicialmente continha estes cânticos. O cântico ou salmo é actualmente cantado de modo responsorial, com uma parte cantada pelo salmista e um refrão entoado por toda a assembleia.

Grave:

som de altura reduzida, de baixa frequência que, por analogia, popularmente se diz “grosso” (que alguém tem uma “voz grossa”).

Gregoriano:

canto coral monofónico sacro, “a capella”, que a tradição da Igreja Católica associou ao Papa Gregório I.

Gymel (ingl.):

tipo rudimentar de polifonia a duas partes paralelas, muito utilizado no século XV, na Inglaterra. As partes evoluem em intervalos de terceira ou sexta.

H

H:

Nos países de língua alemã, a letra H designa o Si natural, enquanto o B designa o si bemol, His, o Si sustenido e hisis o Si duplo sustenido.

Habanera:

dança de origem provavelmente afro-cubana, de Habana, em compasso 2/4. O seu ritmo é basicamente constituído por uma colcheia pontuada seguida de semicolcheia e duas colcheias. A habanera foi trazida para Espanha na segunda metade do século XIX. Uma dessas danças foi utilizada por Georges Bizet na ópera “Carmen”, em 1875. A habanera inspirou outros compositores, tanto em Espanha como em França (Isaac Albéniz, Manuel de Falla, Camille Saint-Saëns, Georges Bizet, Emmanuel Chabrier, Claude Debussy).

Handel-Werke-Verzeichnis (alem.):

catálogo que identifica as obras de Georg Frederic Handel. Cada obra aparece identificada pela abreviatura HWV seguida de um número.

Harmonia:

ciência dos acordes com a sua sonoridade global e encadeamentos.

Harmónico (intervalo):

intervalo em que os sons são apresentados ao mesmo tempo, escritos na vertical.

Harmónicos:

sons que acompanham a emissão de um som fundamental, formando uma série de harmónicos superiores naturais.

Hebraica (música):

conjunto de práticas vocais e instrumentais dos antigos hebreus que assumiram grande importância no templo de Jerusalém, transmitidas oralmente e testemunhadas por muitos exemplos da Sagrada Escritura.

Heptatónica (grec.):

literalmente “sete tons”, no sentido de “sete sons”, escala de sete sons.

Hertz:

sinónimo de “ciclos por segundo”, é a unidade de medida da frequência dos sons. O nome homenageia o físico alemão Heinrich Hertz (1857-1894).

Heterofonia:

na etnomusicologia designa a prática de executar em várias partes a mesma melodia, com variantes e ornamentos que não estão presentes em outras partes.

Hinário:

recolha de hinos e, por extensão, de cânticos cristãos. Com a imprensa, os hinários deixaram de ser conjuntos isolados, estando hoje os hinos colocados nos ofícios próprios, juntamente com outros cânticos.

Hino:

poema estrófico a Deus, Cristo, aos santos, que termina muitas com uma doxologia à Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). A palavra pode designar também a música identificativa de uma congregação, associação, movimento religioso, região, país.

Homofonia (gr.):

literalmente significa “vozes semelhantes”, designando música em uníssono (ao contrário de heterofonia), ou música em que as partes se movimentam juntas, nota contra nota (homorritmia).

Homorritmia (gr.):

concordância de uma nota, em termos de ritmo, com as notas das outras partes, executadas em simultâneo. Enquanto a polirritmia, que surge com o motete, desenvolve o Contraponto, a homorritmia, que nasce do “conductus” do séc. XIII, está na base da Harmonia.

Hoqueto:

processo rítmico que consiste em repartir as notas de uma linha melódica entre as vozes ou instruemntos de uma composição. Esta técnica apareceu no século XIII e foi muito utilizada no século XIV, na Ars Nova.

Horas (Liturgia das):

Ofício litúrgico católico que consiste na recitação e canto de salmos e cânticos bíblicos enquadrados por antífonas, e escuta de leituras da Bíblia e da Tradição da Igreja.

Hossana (hebr.):

aclamação que se mantém em vários momentos da Liturgia católica, designadamente o “Sanctus”, ou “Santo”, na Missa.

Humoresque:

a palavra designa uma peça instrumental que apareceu no século XIX, com sentido humorístico (“humour”), ou como expressão de um estado de alma (do francês “humeur”).

I

Idiofone:

instrumento de percussão, em que uma parte bate na outra, sem ajuda de membrana, cordas ou tubos.

Infra-som:

vibração sonora inaudível, de frequência inferior a 15 ciclos por segundo.

Impressionismo:

tendência musical que surgiu em França, no início do Século XX. Paralelamente à pintura de Monet, Manet, Sisley (nos anos 1860/1870), é aplicada a certas obras de Debussy e Ravel.

Improvisação:

criação de uma música no momento, designadamente no Jazz e no Órgão de Tubos.

Incipit (lat.):

terceira pessoa do singular do verbo latino que significa “começar”. Designa as primeiras notas de um trecho musical.

Indefinida:

instrumentos em que não é possível dar alturas ou notas determinadas.

Intensidade:

qualidade do som que se prende com a energia utilizada pelo executante e a amplitude da vibração sonora, com sons mais fortes ou mais fracos.

Intermezzo (ital.):

peça que assumiu diversos papéis na evolução dos géneros líricos. No século XVI, era um espectáculo completo, com dança, canto e música instrumental. No século XVII, estava inserido nas festas palacianas e, nos teatros, teve também a função de distrair o público nas mudanças de cena.

Interlúdio:

intermezzo, pequena peça instrumental entre duas cenas ou actos de uma ópera, preenchendo o vazio gerado pelo fechar do pano. São célebres os interlúdios de “Pelléas et Melisande”, de Claude Debussy.

Interpretação:

execução de uma partitura numa realização sonora fiel; desempenho de um músico ou um agrupamento.

Intervalo:

distância entre duas notas musicais no que se refere à altura.

Introdução:

secção inicial de uma peça que não começa directamente pelo tema.

Introito (lat.):

primeiro canto da missa católica, do próprio, na liturgia anterior ao II Concílio Vaticano; cântico de entrada. Entoado enquanto o padre entra e se dirige ao altar, o cântico de entrada dá aos fiéis o sentido litúrgico da celebração.

Invenção:

peças musicais que correspondem a uma especial intenção do compositor. Ficaram célebres as invenções para cravo de Johann Sebastian Bach a duas e três vozes.

Ite Missa est:

Fórmula pela qual na missa em latim se despediam os fiéis (“Ide, a missa acabou”).

J

Jazz:

Música afro-americana nascida no século XX em comunidades negras dos Estados Unidos da América, baseada na improvisação e num especial tratamento do ritmo (swing). O Jazz teve desde o início a influência das culturas europeias e africanas.

Jota:

dança tradicional espanhola de origem aragonesa, em compasso ternário, que inspirou vários compositores (Granados, Albéniz, Falla, Glink, Lizst, Chabrier).

Jubilus (lat.):

palavra que evoca a alegria (júbilo) comentada por Santo Agostinho nas “Enarrationes super salmos”, consiste em vocalisos que ornamentam a sílaba final da aclamação “Alleluia”.

K

Kantorei (alem.):

nome dado nos séc. XVI e XVII a um coro pertencente a uma igreja, corte de um rei ou príncipe.

Kyriale (gr.):

livro litúrgico com as melodias do Comum ou Ordinário da Missa, cujo primeiro canto é o “Kyrie”.

Kyrie eleyson (gr.):

Primeiras palavras da tripla invocação que dá início ao Ordinário da Missa, aparecendo assim em primeiro lugar nas missas polifónicas ou corais que não incluem o Próprio, mas apenas as partes comuns. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, canta-se geralmente em português: “Senhor, tende piedade de nós”.

L

Lá:

sexto grau da escala diatónica de Dó, designado pela letra A nos países anglossaxónicos; nota dada pelo diapasão.

Lamentações:

Música baeada no “Livro das Lamentações” de Jeremias, utilizado na Liturgia Católica da Semana anterior à Páscoa, chamada Semana Santa. Entre os séculos XV-XVIII, numerosos compositores escreveram “Lamentações”, “a capella” e com acompanhamento de órgão e outros instrumentos (Thomas Tallis, Orlando di Lasso, Tomás Luís de Victoria, Palestrina, Marc-Antoine Charpentier, François Ciuperin, Igor Stravinsky).

Larghetto (ital.):

diminutivo italiano que designa um andamento lento, menos lento que o largo, de carácter lento e solene, entre 69-100 batimentos por minuto.

Largo (ital.):

termo italiano que indica um andamento muito lento, o mais lento de todos, entre 40-69 batimentos por minuto.

Lauda:

termo que significa “canto de louvor”. Canção religiosa escrita em língua vernácula, teve um papel importante na Itália pré-renascentista, antecedendo, pelo seu carácter polifónico, a “frottola”.

Laudes:

oração matinal da “Liturgia das Horas” forma, com as orações de Vésperas e Completas, a parte mais importante do Ofício Divino. Antigamente, as laudes rezavam-se ou cantavam-se ao amanhecer, enquanto as matinas, “Ofício das trevas”, se cantavam ainda de noite.

Legato (ital.):

modo de executar uma música vocal ou instrumental em que as notas estão o mais possível ligadas entre si, sem qualquer interrupção.

Lento (ital.):

andamento semelhante ao “largo”, mas sem ter necessariamente aquele carácter grave.

Leitmotiv (alem.):

palavra usada especialmente para a obra de Wagner, que significa “motivo condutor”, tema.

Lento (ital.):

andamento lento.

Libreto (ital.):

diminutivo de “libro”, passou a designar texto de uma ópera, oratório ou outra obra de características operáticas.

Lição:

tradução inexacta de “lectio”, leitura de textos do Antigo Testamento, dos Padres da Igreja e de Santos, colocada nas horas canónicas. Em França, Lambert, Charpentier, F. Couperin, Delalande compuseram para as “Leituras de trevas”.

Lied (alem.):

palavra alamã que, remontando à Idade Média, designa uma forma musical característicmente alemã constiuída por um texto poético cantado, com acompanhamento de piano. Entre os compositores de “lieder” encontram-se Schubert, Beethoven, Schumann, Brahms, Wolf, Mahler, Richard Strauss.

Ligadura:

linha curva que junta duas notas da mesma altura somando-lhes a duração (ligadura de prolongação) ou várias notas de alturas diferentes para sugerir que não se devem destacar mas ligar (ligadura de expressão).

Linha suplementar:

linha que, em caso de necessidade, se acrescenta por cima (suplementar superior) ou por baixo da pauta (suplementar inferior), permitindo escrever notas num âmbito mais alargado.

Litania (gr.):

oração dialogada, rezada ou cantada, constituída por uma série mais ou menos longa de invocações com respostas curtas.

Liturgia (gr.):

conjunto de celebrações públicas da Igreja, que pode ter ou não canto e acompanhamento instrumental.

Loco (ital.):

“no lugar”, significa que, depois de uma passagem executada “à oitava”, se regressa à tessitura normal.

Longa:

figura musical usada antigamente.

Luthier (fr.):

designando inicialmente um fabricante de alaúdes, com o seu declínio, passou a designar o construtor de violinos e outros instrumentos da família.

M

Machete:

o m.q braguinha, instrumento tradicional madeirense de 4 cordas afinadas em Ré.

Madrigal:

peça de carácter contrapontístico e vocal sobre um texto profano, cultivada na Europa entre os séc. XV-XVII.

Maestoso (ital.):

indicação de “majestoso”, de carácter solene, mas não necessariamente lento. Um andamento pode ser “allegro maestoso”.

Maestro (ital.):

director de um coro ou de uma orquestra, que é também, por vezes, na música barroca, um dos instrumentistas.

Magnificat (lat.):

primeira palavra (verbo na terceira pessoa do singular) do cântico evangélico atribuído por São Lucas a Maria: “Magnificat anima mea Dominum”. Estas palavras de louvor aparecem no contexto da Visita que Maria faz à sua prima Isabel após a Anunciação. É rezado ou cantado na oração litúrgica de Vésperas (ao fim da tarde). Johann Sebastian Bach e K. Penderecki, entre muitos outros, compuseram sobre o “Magnificat”.

Manual:

teclado de um órgão tocado com as mãos, ao contrário da pedaleira, que é um teclado adaptado e tocado com os pés.

Manúbrio:

puxador existente na consola de um órgão de tubos histórico, que serve para ligar ou desligar os registos, na medida em que se puxa ou empurra.

Marcato (ital.):

modo de tocar martelando um pouco as notas.

Marcha:

peça musical com grande regularidade rítimica, em compasso binário. Originariamente servia para o acompanhamento de uma procissão ou exército. Há várias tipos de marcha: marcha turca, marcha fúnebre, marcha nupcial, encontrando-se exemplares em Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Méhul.

Marcha harmónica:

modulante ou não, consiste num encadeamento de acordes.

Máxima:

figura musical usada antigamente.

Mazurka:

dança polaca em compasso 3/4 ou 3/8, coreograficamente complexa, originária da província de Mazuria. Mais aristocrática do que a polka, afirmou-se como forma musical no século XIX através de Frédéric Chopin e outros compositores românticos.

Mediante:

terceiro grau da escala nos sistemas tonal ou modal. A palavra “Mediante” significa o grau que está a meio caminho entre a tónica e a dominante.

Meio soprano:

voz feminina intermédia.

Melisma (gr.):

“cantar sem palavras”, significa um grupo maior ou menor de notas musicais sobre uma mesma sílaba com uma função ornamental ou jubilatória. Diversamente do vocalizo, tem um carácter ocasional, uma dimensão restrita (e não inclui a noção de virtuosismo).

Melismático:

técnica de canto (gregoriano ou não) em que, a uma sílaba, correspondem várias notas.

Melodia:

sucessão mais ou menos cantável de notas de altura diferente.

Melódico (intervalo):

intervalo horizontal, isto é, em que uma nota é tocada ou cantada a seguir a uma outra, seja ela igual, mais aguda ou mais grave.

Melos (gr.):

parte de uma frase musical, canto ritmo, melodia cantada.

Metrónomo:

Metrónomo
Metrónomo

aparelho mecânico (ou digital) criado por Winkel e patenteado por Maelzel para regular o andamento da execução musical. O metrónomo dá ao compositor a possibilidade de escrever o andamento exacto que pretende para a sua obra.

Mezza voce (ital.):

“A meia voz”, expressão que tanto pode dar para o canto como para a execução instrtrumental.

Mezzo-forte (ital.):

expressão italiana que significa uma intensidade média do som.

Mezzo-soprano (ital.):

mezo-roprano, categria musical feminina, entre o contralto e e o soprano).

Mi:

terceira nota da escala diatónica de de Dó, correspondente à letra E nos países anglossaxónicos.

Minueto:

dança rústica francesa em compasso ternário usada especialmente nos séc. XVII e XVIII.

Miserere (lat.):

palavra que significa “Tende compaixão” e dá início aos salmos 50, 54 e 55. Aparece muitas vezes nos textos litúrgicos católicos.

Missa:

Celebração principal do culto católico, é constituído por duas partes essnciais: a Liturgia da Palavra e a Liturgia eucarística.

Moderato (ital.):

andamento moderado, entre 108-120 batimentos por minuto.

Modo:

nome para cada uma das formas de organizar os sons da escala.

Modulação:

mudança de tonalidade.

Monorritmia:

existência de um só ritmo numa peça, tocado por uma ou várias pessoas.

Morna:

género musical cabo-verdiano

Motivo:

pequena célula rítmico-melódica que está na origem da frase musical e que pode surgir com sons de alturas diferentes.

Música de câmara:

música destinada a uma pequena sala de concertos, geralmente composta para um reduzido grupo de instrumentos ou vozes.

N

Neoclássico:

termo aplicado a alguns compositores do século XX que usaram formas e processos composicionais da música do Período Clássico.

Neumas:

sinais da notação medieval eclesiástica colocados sobre as sílabas para representar subida ou descida da melodia.

Neumático:

estilo de canto gregoriano em que a cada sílaba correspndem sensivelmente duas a quatro notas.

Noturno:

pequena peça para piano em um andamento, com carácter lírico e poético. John Field, Chopin e Francis Poulenc, entre outros, compuseram nocturnos.

Notação:

conjunto de sinais convencionais utilizados para representar graficamente a duração, altura, ritmo e outros aspectos de uma obra musical.

O

Ofertório:

canto da missa católica cantado durante a apresentação das oferendas, a seguir ao Credo (e à chamada Oração dos fiéis).

Oitava:

grau número 8 da escala; som resultante de multiplicar por dois a frequência de um som (oitava ascendente) ou de reduzi-la para metade (oitava descendente).

Ópera:

obra musical composta sobre uma argumento, cantada com acompanhamento instrumental e encenada à semelhança do teatro.

Opus (lat.):

termo latino que significa obra ou trabalho. A partir do século XVII, seguida de um número, serve para estabelecer a ordem de classificação das obras de um compositor.

Oratório:

obra musical religiosa ou profana, para coros e orquestra, por vezes com solistas, com proporções e estilo comparável à ópera. Nasceu em meados do século XVI na Congregação do Oratório de São Filipe de Neri, com carácter religioso, em vista da Reforma da Igreja Católica.

Organum (lat.):

forma polifónica primitiva medieval. Na sua forma mais rudimentar consiste em dobrar uma melodia com a sua quarta ou quinta.

Ornamentação:

inserção de uma ou mais notas decorativas numa melodia principal.

Orquestra:

conjunto de instrumentos musicais agrupados em seccções homogéneas, por famílias de instrumentos, com predomiância das cordas.

Ostinato (ital.):

conjunto de notas que se repetem com insistência num trecho musical.

P

Pantonalidade:

termo que designa uma organização harmónica e melódica que, não sendo propriamente atonal, evolui do sistema tonal e se alarga através da assunção de influências diversas.

Partitura:

representação gráfica do conjunto dos sons e silêncios de uma obra, partes instrumentais ou vocais de um trecho musical em que as diversas partes simultâneas aparecem sobrepostas.

Pasodoble (esp.):

dança espanhola em compasso 2/4 e em tempo allegro moderato, quase sempre em modo menor.

Pausa:

silêncio que pode durar mais ou menos tempo e é representado por um símbolo numa partitura.

Pauta:

pentagrama, isto é, conjunto de cinco linhas paralelas e equidistantes com quatro espaços entre elas onde se escrevem os sinais musicais.

Pavana:

dança de corte da Renascença (séc. XVI), em andamento lento e estilo solene, em compasso 2/4.

Pedilhação:

utilização dos pés na execução do órgão com pedaleira, ou a indicação numérica de como os pés devem evoluir na pedaleira.

Pentagrama:

sinónimo de pauta musical, conjunto de cinco linhas paralelas e equidistantes onde se escrevem as figuras musicais.

Pentatónico:

sistema que utiliza cinco sons da escala diatónica (dó ré mi sol lá, por exemplo).

Percussão:

efeito de percutir; produção de sons e de música através de batimento ou entrechoque.

Perfil sonoro:

tempo de vida de um som, desde que é atacado até que se extingue (ataque, corpo, queda).

Piano:

antes de significar o conhecido instrumento musical de corda e tecla, já este termo italiano significava um som ou um conjunto de sons tocados com pouca de intensidade.

Pizzicato (ital.):

indicação, nos instrumentos de arco, de que o intérprete deve tocar as cordas com os dedos e não com o arco.

Plectro:

pequena peça utilizada para tocar certos de corda como a cítara, a lira e a balalaika.

Poema Sinfónico:

obra orquestral sem forma concreta, de carácter programático e rapsódico.

Polifonia:

execução simultânea de várias notas e melodias.

Politonalidade:

coexistência de várias tonalidades na mesma obra.

Polirritmia:

existência mais do que um ritmo diferente, tocados ao mesmo tempo.

Ponto de aumentação:

ponto que, colocado imediatamente a seguir a uma figura musical, lhe aumenta a duração em metade do seu valor.

Portamento:

termo italiano que significa passagem gradual de uma nota a outra, que pode ser intencional ou acontecer por falta de conhecimentos em muitos coros e cantores amadores.

Prelúdio:

introdução musical a uma ópera, ou pequena peça independente, sem forma pre-estabelecida, como os “Prelúdios e fugas” de J. S. Bach, ou os “Prelúdios” de Chopin.

Prestissimo (ital.):

andamento ainda mais rápido que o presto, entre 200-208 semínimas por minuto.

Presto (ital.):

palavra italiana que significa andamento muito rápido, entre 168-200 semínimas por minuto.

Pulsação:

marcação regular de uma música ou canção que pode não se ouvir mas se sente por trás do ritmo.

Q

Quadrivium (lat.):

nome que Boécio deu ao conjunto das ciências dos números (Aritmética, Música, Geometria e Astronomia), na obra “De Arithmetica”.

Quaternário:

compasso ou ritmo de quatro tempos.

Quinta:

grau número 5 de uma escala diatónica, ou o intervalo entre uma nota e outra nota cinco graus acima ou abaixo.

Quinteto:

composição para cinco partes, ou agrupamento de cinco músicos.

R

Rajão:

instrumento tradicional madeirense de 5 cordas com afinação reentrante.

Rapsódia:

composição com carácter de fantasia sobre temas pre-existentes, em geral populares. Na História da Música, destacam-se as rapsódias de Liszt, Lalo e Rachmaninov).

Ré:

segunda nota da escala diatónica de dó, designada por D nos países anglossaxónicos.

Recital:

concerto dado por um só intérprete ou um grupo reduzido.

Recitativo:

parte de uma obra que valoriza especialmente o texto e que, nas óperas e oratórios, antecede uma ária; nome de um dos teclados do órgão.

Renascimento:

palavra que designa a época da História, das Artes e da Música, entre a Idade Média e antes do Barroco, sensivelmente entre 1430-1600 d. C. É um período em que se evolui dos modos eclesiásticos para o sistema tonal e a polifonia atinge um lugar destacado. Alguns dos instrumentos mais utilizados são o alaúde, a harpa, o virginal, o órgão (de tubos), a flauta doce, o oboé e o cromorne. Entre os compositores da Época devem referir-se Giovanni Pierluigi da Palestrina, Orlando di Lassus, William Byrd, Orlando Gibbons, Tomás Luis de Victoria.

Requiem (lat.):

Missa dos Defuntos. Palavra tirada do canto inicial: “Requiem aeternam dona eis, Domine”, que significa “Dá-lhes, Senhor, o eterno descanso”.

Ricercare (ital.):

palavra italiana que designava no séc. XVI e XVII uma forma instrumental com carácter de improvisação.

Ritardando (ital.):

termo italiano que significa diminuição gradual do andamento.

Ritmo:

componente fundamental da música, tem a ver com a organização dos sons e dos silêncios e respectiva duração.

Roda:

círculo que se forma para certas canções infantis, podendo também verificar-se em danças espanholas.

Rondó:

canção medieval francesa com refrão.

Rumba:

dança popular cubana de origem negra, com carácter sincopado, que usa como acompanhamento instrumentos de percussão, essencialmente.

RV:

letras seguidas de um número que designam as obras de Antonio Vivaldi, segundo o catálogo de Peter Ryom’s, “Ryom Verzeichnis”.

S

Saibara:

género musical desenvolvido na corte do Japão durante doze séculos.

Salmo:

poema cantado retirado do “Livro dos Salmos”, do Antigo Testamento (parte da Bíblia anterior a Cristo). Os salmos são utilizados na Liturgia Católica, tanto na Missa e nos sacramentos em geral, e foram musicados por numerosos compositores.

Saltarello (ital.):

antiga dança italiana de carácter saltitante e andamento rápido em compasso 6/8.

Samba:

género musical oriundo do Rio de Janeiro que deriva do canto, dança e instrumentos musicais dos negros no Brasil ( século XIX).

Sanctus (lat.):

parte invariável da missa, particularmente solene, de louvor a Deus (“Santo, santo, santo, Senhor Deus do universo”).

Schola Cantorum (lat.):

locução latina, ligada à Igreja Católica, que significa “grupo de cantores”. Vincent d’Indy fundou em Paris, em 1896, uma escola de música que adoptou o nome de “Schola Cantorum”.

Segunda:

relação de um grau da escala com o grau anterior ou seguinte, podendo ser de um tom ou meio tom.

Seguidilla (esp.):

canção e dança tradicional de Espanha, em ritmo vivo e compasso 3/4 e 3/8.

Semibreve:

figura rítmica de maior duração, utilizada atualmente como padrão e referência para o compasso. No compasso 4/4, por exemplo, o denominador indica qual a figura que é unidade de tempo (a que vale 1/4 da unidade de valor, isto é, a semínima). O numerador indica que o compasso, no caso apresentado, tem 4 semínimas ou o equivalente.

Sensível:

sétimo grau da escala diatónica, com intervalo de meio tom relativamente à tónica, para a qual tem tendência a resolver.

Serenata:

peça instrumental sem forma determinada. É célebre a “Pequena Serenata Nocturna” de Mozart.

Septeto:

formação ou obra para sete instrumentos ou vozes.

Sétima:

som que na escala diatónica ocupa o 7º grau ascendente. É sétima também o intervalo entre as duas notas.

Sexta:

som que numa escala diatónica é o sexto a contar da tónica (Dó-lá); intervalo que daí resulta.

Sexteto:

agrupamento de seis vozes ou instrumentos, ou obra escrita a seis partes.

Sforzando (ital.):

aumento da força dinâmica.

Silábico:

estilo de canto gregoriano em que a cada sílaba corresponde uma nota.

Síncopa:

forma rítmica em que o acento do tempo forte é deslocado para o tempo fraco, ou a parte fraca do tempo.

Sinfonia:

obra orquestral de grandes dimensões, em vários andamentos, em geral.

Sinfonietta (ital.):

diminutivo que pode designar uma pequena orquestra ou uma pequena sinfonia.

Solo:

secção de um trecho musical executado por um só intérprete (solista).

Sonata:

obra instrumental em 3 ou quatro andamentos para um ou mais intérpretes.

Sonatina:

sonata de pequenas dimensões.

Soprano:

a mais aguda das vozes femininas.

Staccato (ital.):

tipo de articulação de uma música em que cada nota aparece um pouco destacada da nota seguinte.

Suite:

peça instrumental em vários andamentos.

Sustenido:

sinal da notação musical que modifica uma nota em meio tom ascendente. O duplo sustenido sobe dois meios tons.

T

Tantum ergo (lat.):

hino católico em latim cantado na bênção do Santíssimo Sacramento.

Tarantela:

dança rápida em compasso 6/8 rápido e com mudanças entre tonalidade maior e menor.

Te Deum (lat.):

hino católico latino de louvor a Deus, cantado especialmente em ocasiões solenes.

Tiento (esp.):

termo utilizado no século XVI para designar uma obra instrumental com carácter bastante improvisativo, designadamente ao órgão.

Tenor:

a voz mais aguda das vozes masculinas.

Terceira:

intervalo entre uma nota (primeira) e a nota que se segue à nota seguinte, inferior ou superior.

Tercina:

célula rítmica que subdivide em três um tempo que normalmente se divide em duas partes iguais.

Ternário:

compasso ou ritmo de três tempos.

Tessitura:

parte da escala sonora de um instrumento ou voz, indicando as oitavas e fragmentos de oitava que o instrumento ou voz compreende.

Tetracorde:

quatro notas, havendo entre cada uma delas e a superior, um tom, excepto entre o terceiro e o quatro graus, que se encontram à distância de meio tom.

Textura:

termo que, por analogia, significa a quantidade de sons e timbres utilizados em determinada peça musical.

Timbre:

cor ou característica do som que permite distinguir um instrumento ou uma voz, mesmo quando dão notas da mesma altura, deve-se à forma como o som é produzido.

Tocata:

composição instrumental livre, de carácter brilhante e vivo, normalmente para órgão ou cravo.

Tom:

intervalo de segunda maior. A palavra pode significar também tonalidade.

Tónica:

a nota fundamental de uma escala diatónica, ou o centro que polariza a tonalidade no regime harmónico diatónico.

Trio:

composição escrita a três partes ou para três instrumentos. A mesma palavra pode designar a parte central do minueto, e um conjunto de três instrumentos.

Trítono:

intervalo de três tons, que corresponde a uma quarta aumentada. Pela dificuldade de entoação, era chamado na Época Medieval “Diabolus in Musica”.

Trovador:

poeta músico medieval existente em vários países da Europa com nomes e características diferentes.

tuna:

agrupamento vocal e instrumental de músicos amadores, em geral estudantes.

Tutti (ital.):

secção executada por todos os músicos.

U

Uníssono:

posição de duas ou mais notas na mesma altura.

Ut (lat.):

Nome antigo da nota Dó, manteve-se até ao séc. XVII. No séc. XI, na Itália, a partir do conhecido hino a São João Baptista “Ut queant laxis / Resonare fibris / Mira gestuorum / Famuli tuorum / Solve polluti / Labii reatum / Sancte Iohannes” (Para que os teus servos possam exaltar a plenos pulmões as maravilhas dos teus milagres, perdoa a falta dos lábios impuros, São João!), Guido de Arezzo achou que podia ensinar os alunos a memorizar a altura dos sons, tendo assim nascido o sistema silábico.

V

Valsa:

dança em compasso ternário muito popular entre as danças de salão vienenses do século XIX, em grande parte pelo contributo dos compositores da família Strauss. É uma das poucas danças ocidentais que conjugaram música erudita e o gosto popular.

Variação:

forma musical em que um tema é transformado através de vários recursos próprios da composição. Até se tornar uma forma complexa, partiu de um princípio muito simples e comum, o de acrescentar a uma composição novos elementos musicais e ornamentos.

Verismo:

palavra que designa uma corrente literária italiana e, por extensão, diversas óperas de finais do século XIX e princípios do séc. XX. Entre os compositores de óperas veristas, com o seu realismo trágico, destacam-se Mascagni e Leoncavallo.

Versículo:

parte de um cântico litúrgico entoado por um solista, a que o coro ou a assembleia responde com um “responsório” ou aclamação.

Vésperas:

oração católica da Liturgia das Horas, feita ao final da tarde por padres e religiosos, sobretudo, e cantadas nas festividades mais solenes, muitas vezes com acompanhamento instrumental. A partir do século XIX, tornou-se muito raro entre os compositores eruditos a composição de música para a Liturgia das Horas, designadamente, a oração da tarde.

Vibrato:

ligeira ondulação provocada num som com uma finalidade expressiva, no canto ou em instruemntos de sopro.

Villanella (ital.):

canção popular popular a três e quatro vozes, com origem napolitana, popular na Itália do século XVI.

Villancico (esp.):

tipo de canto religioso espanhol conhecido desde finais do séc. XVI, com raizes na música profana (danças populares), na tradição religiosa (Natal).

Viola de arame:

instrumento tradicional madeirense de 10 cordas afinadas em ré.

Vira:

dança tradicional do folclore português, característico do Minho e de outras regiões, como a Estremadura. Conhecem-se vários “viras”: vira antigo, vira das desgarradas, vira das sortes, vira de costas, vira valseado, vira batido, vira de dois pulos.

Vivace (ital.):

palavra que sugere vivacidade andamento.

Vocaliso:

execução vocal sem palavras, ou sobre uma sílaba. Exercício técnico em que um fragmento melódico é repetido em diferentes alturas para aquecimento das cordas vocais ou outros objectivos específicos.

Voz:

instrumento musical privilegiado e universal, pode executar música a solo ou em grupo, com acompanhamento de um instrumento ou de uma orquestra.

W

Work-song (ingl.):

tipo de canto que serve para sustentar o trabalho ou torná-lo menos árduo, é, por vezes, acompanhado pela própria ferramenta de trabalho.

X

Y

Yodel:

modo de cantar característico dos Alpes suiços e do Tirol, sobretudo por homens.

Z

Zarzuela:

representação cénica típica de Espanha, com partes faladas e outras cantadas.

Zingaresca:

peça musical ao estilo cigano.

Zortzico:

dança popular basca em compasso 5/8, em ritmo vivo.