Loading
Meloteca
  • MELOTECA
    • Quem somos
    • Atividades
    • Testemunhos
    • Galeria
  • MEDIATECA
    • Documentos
    • Partituras
    • Vídeos
  • BIOS
    • Atuais
    • Históricas
    • Catálogos
    • Entrevistas
  • MUSACADEMIA
    • Artigos
      • Pedagogia
      • Musicoterapia
      • História
      • Musicologia
      • Música Sacra
        • Magistério
        • Estudos
        • Textos
    • Citações
    • Repositório
    • Glossário
    • Dicionário
    • Efemérides
    • Cronologia
  • CANCIONEIRO
  • JORNAL
    • Notícias
    • Destaques
  • PORTAIS
    • Loja Meloteca
    • Musorbis
    • Lenga
    • Musis
    • Discorama
    • Reciclanda
  • Click to open the search input field Click to open the search input field Search
  • Menu Menu
Música e cérebro
Saúde

O que faz a música ao cérebro?

“Somos o que somos com a música e pela música”, argumenta o autor, neurológico e neurocientista.

Facundo Manes, El País, Neurociencia, 14 de setembro de 2015

Os seres humanos convivemos com a música a toda a hora. É uma arte que nos faz desfrutar de momentos de prazer, nos estimula a recordar acontecimentos do passado, nos leva a partilhar emoções em canções em grupo, concertos ou espetáculos desportivas. Mas o que acontece de forma tão natural produz-se através de complexos e surpreendentes mecanismos neuronais. É por isso que a partir das neurociências nos colocamos muitas vezes este pergunta: que faz a música ao nosso cérebro?

A música parece ter um passado extenso, tanto ou mais do que a linguagem verbal. Prova disso são as descobertas arqueológicas de flautas feitas de osso de ave, cuja antiguidade se estima de 6000 a 8000 anos, ou mais ainda de outros instrumentos que poderiam anteceder o homo sapiens. Existem diversas teorias sobre a coexistência íntima com a música na evolução. Algumas destas deram-se porque ao estudar a resposta do cérebro à música, as áreas chave que estão envolvidas são as do controlo e da execução de movimentos.

Uma das hipóteses postula que esta é a razão pela qual se desenvolve a música: para ajudar-nos a todos a mover-nos juntos. E a razão pela qual isto teria um benefício evolutivo é que quando a gente se move em uníssono tende a atuar de forma mais altruísta e estar mais unida. Alguns cientistas, por sua vez, sugerem que a influência da música sobre nós pode ter surgido de um acontecimento fortuito, pela capacidade que ela tem de sequestrar sistemas cerebrais construídos para outros fins, tais como a linguagem, a emoção e o movimento.

Ouvimos música desde o berço ou, inclusive, no período de gestação. Os bebés, nos primeiros meses de vida, têm a capacidade de responder a melodias antes que a uma comunicação verbal dos seus pais. Os sons musicais suaves relaxam-nos. Sabe-se, por exemplo, que os bebés prematuros que não podem dormir são beneficiados pelo pulsar do coração da mãe ou sons que os imitam.

A música está incluída entre os elementos que dão mais prazer na vida. Liberta dopamina no cérebro como também o fazem a comida, o sexo e as drogas. Todos eles são estímulos que dependem de um circuito cerebral subcortical no sistema límbico, quer dizer, aquele sistema formado por estruturas cerebrais que gerem respostas fisiológicas a estímulos emocionais; particularmente, o núcleo caudado e o núcleo accumbens e as suas conexões com a área pré-frontal. Os estudos que mostram ativação ante estímulos mencionados revelam uma importante imbricação entre as áreas, o que sugere que todos ativam um sistema em comum.

Conheça AQUI os produtos Meloteca!

Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores

Meloteca, recursos musicais criativos para crianças, professores, educadores e animadores

Um dos fundadores do laboratório de investigação Brain, Music and Sound [Cérebro, Música e Som], no Canadá, o cientista Robert Zatorre, descreve assim os mecanismos neuronais de perceção musical: uma vez que os sons têm impacto no ouvido, transmitem-se ao tronco cerebral e daí ao cortex auditivo primário; estes impulsos viajam através de redes distribuídas pelo cérebro importantes para a perceção musical, mas também para o armazenamento da música já ouvida; a resposta cerebral aos sons está condicionada pelo que se ouviu anteriormente, visto que o cérebro tem uma base de dados armazenada e proporcionada por todas as melodias conhecidas.

Estas memórias foram a base para uma original investigação, liderada por Agustín Ibáñez e Lucía Amoruso, que realizou o Instituto de Neurociências Cognitivas (INECO) sobre mecanismos cerebrais que permitem antecipar ações. O nosso cérebro constantemente trata de antecipar o que vai acontecer. Para analisar isto, mostraram a bailarinos profissionais de tango vídeos nos quais, segundo o nível de experiência, poderiam prever (ou não) quando outros bailarinos cometeriam um erro. Enquanto eles observavam, registou-se a ativação de certas regiões do cérebro com eletroencefalograma de alta densidade. Esta investigação revelou que só nos profissionais, 400 milissegundos antes de se iniciar a sequência, a atividade cerebral já antecipava que ia acontecer um erro. Existem circuitos no cortex cerebral envolvidos na perceção, codificação, armazenamento e na construção dos esquemas abstratos que representam as regularidades extraídas das nossas experiências musicais prévias. A construção de expetativas e a sua possível violação é chave para uma resposta emocional.

Música e cérebro

Música e cérebro

A relação da música com a linguagem também é objeto de estudo. O processamento da linguagem é uma função mais ligada ao lado esquerdo do cérebro que ao lado direito em pessoas dextras, ainda que as funções desempenhadas pelos dois lados do cérebro no processamento de diferentes aspetos da linguagem ainda não estejam claros. A música também é processada pelos hemisférios direito e esquerdo. Evidência recente sugere um processamento partilhado entre a linguagem e a música a nível conceptual.

Mas a música parece oferecer um novo método de comunicação enraizada em emoções em lugar do significado tal como o entende o signo linguístico. Investigações mostram que o que sentimos quando escutamos uma peça musical é muito semelhante ao que o resto das pessoas no mesmo lugar experimenta. Por isso as melodias, em muitos casos, podem trabalhar em nosso benefício a nível individual, ao modular o estado de ânimo e inclusive a fisiologia humana, de modo mais eficaz do que as palavras. A ativação simultânea de diversos circuitos cerebrais produzidos pela música parece gerar alguns efeitos notáveis: em vez de facilitar um diálogo em grande medida semântico, como faz a linguagem, a melodia parece mediar um diálogo mais emocional.

A área da saúde socorre-se da música com o fim de melhorar, manter ou tentar recuperar o funcionamento cognitivo, físico, emocional e social, e ajudar a abrandar o avanço de distintas condições médicas. A musicoterapia, através da utilização clínica da música, procura ativar processos fisiológicos e emocionais que permitem estimular funções diminuídas ou deterioradas, e reforçar tratamentos convencionais. Observaram-se resultados importantes em pacientes com transtornos do movimento, dificuldade na fala produto de um acidente cerebrovascular, demências, transtornos neurológicos e em crianças com capacidades especiais, entre outros.

A música pode ser uma ferramenta poderosa no tratamento de transtornos cerebrais e lesões adquiridas ajudando os pacientes a recuperar competências linguísticas e motoras, dado que ativa todas as regiões do cérebro. Estudos de neuroimagem mostram que tanto ao escutar como ao fazer música se estimulam conexões numa ampla franja de regiões cerebrais normalmente envolvidas na emoção, a recompensa, a cognição, a sensação e o movimento.

As novas terapias baseadas na música podem favorecer a neuroplasticidade – novas conexões e circuitos – que em parte compensam as deficiências nas regiões danificadas do cérebro. A música é física e anima as pessoas a moverem-se com o ritmo. Quanto mais destacado é o ritmo, mais radical e contundente é o movimento do corpo. O exercício físico pode ajudar a melhorar a circulação, a proteger o cérebro e facilitar a função motora. A música induz estados emocionais a facilitar mudanças na distribuição de substâncias químicas que pode conduzir a estados de alma positivos e aumento da excitação o que, por sua vez, pode ajudar à reabilitação.

Emoção, expressão, competências sociais, teoria da mente, competências linguísticas e matemáticas, competências visoespaciais e motoras, atenção, memória, funções executivas, tomada de decisões, autonomia, criatividade, flexibilidade emocional e cognitiva, tudo conflui de forma simultânea na experiência musical partilhada.

As pessoas cantam e bailam juntas em todas as culturas. Sabemos que o fazemos hoje e continuaremos a fazer no futuro. Podemos imaginar que o faziam também os nossos antepassados, à volta da fogueira, há milhares de anos. Somos o que somos com a música e pela música, nem mais nem menos.

Facundo Manes é neurólogo e neurocientista (PhD in Sciences, Cambridge University). É presidente da World Federation of Neurology Research Group on Aphasia, Dementia and Cognitive Disorders e professor de Neurologia e Neurociências Cognitivas na Universidad Favaloro (Argentina), University of California, San Francisco, University of South Carolina (USA), Macquarie University (Australia).

[ Tradução de António José Ferreira e publicação na Meloteca a 27 de junho de 2019 ]

https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2019/06/musica-e-cerebro.jpg 400 400 António Ferreira https://www.meloteca.com/wp-content/uploads/2018/03/Logomarca-MELOTECA-300x86.jpg António Ferreira2019-06-16 23:12:142021-07-05 20:50:06O que faz a música ao cérebro?

Outros Artigos

  • César Viana, compositor
    César Viana e a Música Sacra29 Fevereiro, 2024 - 14:25
  • Banda Filarmónica de Magueija
    Lista Cronológica das Filarmónicas25 Julho, 2021 - 22:37
  • Gillian Lynne
    Gillian Lynne20 Julho, 2021 - 14:29
  • Coro Gulbenkian, Lisboa
    Lista dos Coros de Portugal6 Julho, 2021 - 13:13
  • Rancho folclórico em Viana do Castelo
    Lista dos Ranchos Folclóricos30 Junho, 2021 - 13:50

Outras Notícias

  • Concurso Nacional de Composição BSP
    Concurso Nacional de Composição BSP9 Março, 2024 - 0:08
  • Prémio de Composição Francisco de Lacerda
    Prémio de Composição Francisco de Lacerda8 Março, 2024 - 23:52
  • A Garota Não
    Prémio José da Ponte17 Fevereiro, 2024 - 23:11
  • Prémio de Composição Acordeão Associação Folefest
    Folefest20 Janeiro, 2024 - 16:52
  • Operafest, Catarina Molder, créditos Susana Paiva
    Operafest28 Agosto, 2023 - 9:47

MELOTECA

Lançada em 2003, por António José Ferreira, a Meloteca é uma plataforma enciclopédica de músicas e artes com destaque para a Educação, a História da Música e o Património. Adquira edições de apoio à música na infância ou planos de divulgação na Loja.

Artigos Recentes

  • João Malha, composição
  • Concurso Nacional de Composição BSP
  • Prémio de Composição Francisco de Lacerda
  • César Viana e a Música Sacra
  • Prémio José da Ponte
  • Folefest

Cancioneiro

  • Poluição
    Canções e Ecologia2 Maio, 2023 - 20:56
  • Senhor Vadio, Cartas de um marinheiro
    Canções de sedução10 Junho, 2021 - 20:13
  • Jardim da Luz, Lisboa
    Canções sobre Portugal10 Junho, 2021 - 14:25
  • Penha Garcia
    Canções às Almas9 Junho, 2021 - 13:40

CONTACTOS MELOTECA

Morada:
Rua da Serra da Estrela, 86

4415-891 SANDIM VNG

Telefone:
+351 962 942 759
(Chamada para rede fixa nacional)

E-mail:
meloteca@meloteca.com

© Meloteca 2017 | By Blendup Marketing Digital
  • Link to Facebook
  • Link to Instagram
  • Link to Pinterest
  • Link to LinkedIn
  • Política de privacidade
Scroll to top Scroll to top Scroll to top