barítono José de Freitas

JOSÉ DE FREITAS

José de Freitas, de nome completo José Cirilo de Freitas Silva, nasceu na Madeira e foi padre da Congregação da Missão (Padres Vicentinos). Já depois de padre, estudou nos conservatórios do Porto e de Lisboa, onde concluiu o Curso Superior de Canto com excelente classificação. Em 1978 tornou-se artista residente do Teatro Nacional de São Carlos onde se estreou com Schaunard em La Bohème. Foi intérprete de importantes papéis de barítono e de baixo-barítono em Portugal e no estrangeiro. Foi também diretor de coros e compositor de cânticos litúrgicos.

ENTREVISTA

Qual foi o primeiro momento em que se lembra de ter tido consciência de que a música era importante para si?

O primeiro momento?! Preferiria falar de uma pequena série de momentos… Concretizando: No meu 5º ano do seminário (hoje 9º ano), cerca dos 16 anos, quando a chamada “mudança de voz” era já algo acentuada, o meu ilustre professor de música, Padre António Ferreira Telles, poucos dias após ter-me convidado para tocar harmónio em algumas cerimónias litúrgicas (ele era o harmonista oficial, obviamente) e pedir-me para, alternadamente com outro colega, iniciar os cânticos na liturgia (o equivalente a solista), veio falar comigo na véspera da festa do Padroeiro do seminário (S. José), e disse-me: “Confio muito em ti para “segurares” a 4ª voz na missa solene de amanhã.” Ora aí tem um “puzzle” com bastante significado na minha “consciência musical” de jovem seminarista…

Quais os professores que mais o influenciaram no tempo de seminário?

Vou referir-me apenas a professores de música, obviamente. Desde os primeiros anos, tive uma veneração especial por um ilustre mestre, muito “sui generis”, mas muito competente e sabedor: o Padre António Ferreira Telles, a que atrás aludi. Era excelente harmonista, compositor, ótimo harmonizador. O Pe. Fernando da Cunha Carvalho, felizmente ainda entre nós, também teve influência na minha orientação musical, e não só. Mas vou salientar, sem querer ser injusto para os atrás citados e porventura outros, o Pe. João Dias de Azevedo, que muito me ajudou sobretudo no harmónio e no órgão, no Seminário de Mafra, onde fiz o meu noviciado (1954-1956). Nesse período, cheguei a tocar órgão em algumas celebrações dominicais e festas na Basílica de Mafra… E, para completar os anos do seminário, não poderei omitir o Pe. Fernando Pinto dos Reis (1929-2010).

Depois de ir para o seminário e de ser padre, quando é que se apercebeu de que cantar era o mais importante na sua vida profissional?

Como disse, cedo me iniciei e fui crescendo na função de solista. Continuei-a ao longo de todo o curso, alternando-a com o múnus de harmonista. Terminado o curso, fui incumbido da disciplina de Música (além de outras), no seminário menor. O concílio do Vaticano II acabava de privilegiar o vernáculo na liturgia. Iniciei a renovação de todo o repertório vigente. Eu próprio dei largas a uma velha paixão e iniciei a composição de cânticos em português, incluindo o “ordinário” e o “próprio” da missa para determinadas solenidades, além de outros cânticos circunstanciais. Aconselhado por não poucos, matriculei-me no Conservatório do Porto. Canto? Composição? Duas paixões. Muito incitado e encorajado pela professora D. Isabel Mallaguerra, decidi-me mais seriamente pelo canto, sem descurar a composição musical.

Após o curso geral de canto no Conservatório do Porto, vim a concluir o Curso Superior no Conservatório Nacional com a professora D. Helena Pina Manique. Com o programa do exame do curso superior concluído com alta classificação, fui convidado para vários recitais em Lisboa e não só. Iniciei logo de seguida o curso de ópera com o professor Álvaro Benamor e D. Helena Pina Manique. Fui admitido no Coro Gulbenkian, onde estive durante alguns meses até seguir para Paris com uma bolsa de estudos.

O diretor do Teatro Nacional de São Carlos, Eng. João Paes, que já me ouvira no Conservatório, convidou-me para, temporariamente, interromper o estágio em Paris e vir a Lisboa preparar o desempenho de um importante papel numa ópera portuguesa. Bem sucedido, pediu-me para, após o estágio parisiense, seguir para Florença, afim de preparar, com o famoso Gino Bechi, o importantíssimo papel de primeiro barítono (Lord Enrico d’Ashthon) da ópera Lucia di Lamermoor, de Donizetti. Cantei esse papel em novembro de 1977, no Teatro Rivoli (Porto)…

Toda esta “bola de neve” a partir da conclusão do curso superior de canto em 1974, todo o incrível desencadear de situações até finais de 1977, todo o ano de 1977 sobretudo, tudo isso responde à sua pergunta… Parafraseando, em contraste, um fadista, diria: “Ser cantor não foi meu sonho, mas cantar foi o meu fado…”

Dos anos em que estudou Música e Canto, que professores tiveram uma influência mais decisiva?

Nos conservatórios do Porto e de Lisboa, tive a felicidade de ser orientado respetivamente pelas professoras D. Isabel Mallaguerra e D. Helena Pina Manique, e ainda, por algum tempo, pela D. Arminda Correia, sem esquecer o Prof. Álvaro Benamor (cena).

Em Paris, como olvidar o trabalho com a famoso baixo Huc-Santana e o não menos célebre barítono Gabriel Bacquier? Em Itália, e aqui em Portugal, Gino Bechi foi simplesmente precioso no trabalho vocal e cénico. Este famoso barítono, que também me honrava com a sua amizade, cantou nos anos 40, em todos os grandes palcos do mundo. A sua famosa “entrega” aos espetáculos e nos espetáculos, quer cenicamente mas sobretudo vocalmente, levou-o a tal desgaste que teve de terminar a sua carreira por volta dos 40 anos, precisamente com a idade com que eu comecei…

Foi difícil deixar de ser padre e optar pela carreira musical?

Quando, em finais dos anos 60, me matriculei no Conservatório do Porto, confesso que o meu sonho era dar uma componente artística à minha missão de padre.

Começaram a surgir, porém, situações que não deixaram de me ir perturbando. Alguma confusão começou a instalar-se nos meus horizontes… Estávamos em pleno pós-74… Sobretudo a partir de 1977, comecei a sentir-me ultrapassado pelos acontecimentos. Tinham de ser tomadas decisões… Não podia viver na ambiguidade!… Houve muitas dúvidas, muitas incertezas… O meu Padre Provincial de então propôs-me fazer as duas coisas: padre e cantor… Tudo se desenrolava vertiginosamente… Eram convites para concertos, para óperas, etc.
Cheguei mesmo a atuar durante não pouco tempo, estando ainda no exercício do ministério… Fui chegando à conclusão de que as duas funções não faziam grande sentido… Em finais de 1978, acabei por tomar a decisão: pedi para Roma a dispensa do exercício das ordens. Não tive resposta fácil. Demorou mais de dois anos. Pelo meio, um apelo a que repensasse…

Qual foi o papel da Igreja na sua vida musical?

Primeiramente, como é obvio, penso em todo o curso do seminário. Para além de todos os aspetos da formação, a música da Igreja, o canto gregoriano, ocupou uma grande parte desse período, quer na teoria, quer na prática. O nosso Cantuale, um livro específico da Congregação da Missão com os mais belos cânticos gregorianos e muitos outros, a uma ou mais vozes, dominou grande parte desses anos, as nossas vozes e as nossas almas.

No seminário Maior, durante o curso de filosofia e teologia, para além das mais belas obras de polifonia sacra, cantávamos, todos os domingos e festas, o “comum” e o “próprio” em gregoriano, de acordo com o emblemático Liber Usualis, a mais completa obra do canto da Igreja. Tudo isto, naturalmente acompanhada da parte teórica, marca indelevelmente a minha personalidade e a minha formação musical. E não esqueço que quase sempre, alternadamente, fui organista e solista…

Após a ordenação, seguiram-se anos dominados pelo Concílio do Vaticano II, com uma série extraordinária de documentos sobre a música e a liturgia em vernáculo,com o aparecimento de excelentes compositores. E foram sempre surgindo, com os diversos papas, importantes documentos sobre a música litúrgica. Não posso esquecer os “famosos” cursos gregorianos de Fátima que frequentei.

Durante os anos 1977-1995, em que a vida artística teve o seu lado prioritário, nunca deixei de estar atento aos documentos da Igreja sobre música sacra e à obra de excelentes compositores que temos.

A partir de 1997, já no pós – S. Carlos, a pedido do meu grande amigo Conégo José Serrasina que acabava de ficar à frente da Paróquia dos Anjos, em Lisboa– a minha paróquia -, comecei a orientar o coro paroquial, tomando a peito a renovação dos cânticos e a dinamização litúrgica. Baseava-me sempre nos textos de cada celebração. Após 5 anos de intenso e profícuo trabalho, abracei outro projeto – na Capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar), onde colaborei durante 13 anos (2003 – 2016). Durante este período, compus dezenas de cânticos que vieram a ser publicados pela Academia Militar, em 2012, num volume com o título Deus é Amor. Porque o “contexto” de então era “específico”, o referido volume irá “sofrer” brevemente substancial alteração.

Qual foi a maior deceção na sua vida?

Se me permite, não apresentaria uma mas duas deceções, e ambas no âmbito do mundo lírico. A primeira, logo de início. Tinha feito 40 anos. Eram diferentes, agora, o sonho e o ideal. Imaginava que perante mim, ia surgir um meio pleno de elevação, um ambiente superior, de arte, de cultura, etc. Cedo, porém, fui verificando e concluindo que as cores que sonhara belas, não, não o eram assim tanto… A realidade era bastante mais prosaica… Bem!… Respirei fundo, bem fundo, passe a expressão… E, vamos a isso!… Mas vamos mesmo! O desafio que ora iniciava era para ganhar, era mesmo para vencer!… E foi! Não tive o caminho atapetado de rosas, longe disso, muito longe! Foram necessárias uma fibra excecionalmente forte como considero ter, uma fé inabalável em Deus como efetivamente tenho, e também, obviamente, uma grande confiança nos talentos que Deus me deu, aliados à formação que tive (não poderei esquecê-lo!) E…aí vou eu!… E nem tudo foram espinhos, digamos em abono da verdade. Tive um público que me admirava e apoiava bastante, excelentes e excecionais críticas, outras nem tanto… E, entre um pessoal que rodava as três centenas (coro, orquestra, cantores, técnicos, etc), tive não poucos amigos e admiradores! Não esqueço que, logo no começo, nos primeiros ensaios, vi lágrimas nos olhos de algum do pessoal, ao verem a minha entrada enérgica, decidida, confiante, e pensando no “mundo” donde acabava de chegar… aos 40 anos!…

A segunda deceção foi no fim. Em finais de 92, a SEC, tendo à frente o Dr. Pedro Santana Lopes, achou por bem dissolver a Companhia Portuguesa de Ópera (cantores, orquestra, etc). Éramos 14 os cantores principais. Mesmo tendo em conta que eu continuava a cantar no país e não só, esta foi sem dúvida uma grande deceção. Aos 55 anos, encontrava-me no ponto mais alto da carreira, a nível vocal e cénico, na minha opinião e na de quantos me conheciam e ouviam! Esperava estar “em grande” mais uma boa dezena de anos… Lembrei-me então das palavras de Gino Bechi, quando, certo dia, nos anos 80, após fazer as célebres e espetaculares demonstrações, vocais e cénicas, durante um ensaio, e quando já contava perto dos 80 anos, teve este desabafo: “Agora é que eu sei cantar!”

Pois é!… Parafraseando o meu mestre, diria: “Agora… é que eu sabia cantar!…”

Qual foi o momento mais alto da carreira como cantor lírico?

Desempenhei os mais diversos papéis de 1º barítono, de baixo-barítono, papéis característicos, enfim, foram cerca de 50… Nunca tive um fracasso nos meus desempenhos. Pelo contrário! Escolher o momento mais alto?!… É difícil!… Estou a lembrar-me de não poucos… Do “Le Grand-Prêtre de Dagom” da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns, em 1983. Quis preparar o papel em Lyon com o meu ex-professor de Paris, o grande barítono Gabriel Bacquier. Estou a recordar-me do “Dulcamara” da ópera L’Elisir d’Amore, de Donizetti, em 1984 e 1985… Do “Rocco”, da ópera Fidelio de Beethoven… Enfim, não vou alongar-me na citação de outras boas e belas hipóteses…

Mas vou escolher como momento mais alto uma ópera fora do estilo clássico: a ópera Kiú, do compositor espanhol Luís de Pablo, levada à cena em 1987 no Teatro Nacional de São Carlos. O meu papel de Babinshy, o pivô da ópera, na sua grande espetacularidade e dificuldade vocal e cénica, foi na verdade um momento muito alto na minha carreira! Não foi por acaso que o próprio compositor Luís de Pablo e o maestro Jesús Ramón Encimar me convidaram, 5 anos depois (dezembro de 1992 – janeiro de 1993), para interpretar em Madrid o mesmo papel!…

Quais foram os cantores líricos mundiais que mais o inspiraram?

Estavam na moda, nos anos 60, cantores líricos que deveras nos entusiasmavam. Lembro-me, por exemplo, de Mário Lanza, de Luís Mariano, de Alfredo Krauss que vim a conhecer em São Carlos, e com o qual contracenei, inicialmente, num ou noutro pequeno papel. E vários outros, quase todos tenores. O meu tipo de voz é de barítono ou de baixo-barítono. Mas foi sobretudo a partir do Curso Superior de Canto que comecei a interessar-me por vozes líricas, o que é absolutamente natural. Dado o meu tipo de voz, cerca de cinco ou seis cantores internacionais dominavam particularmente os meus gostos. Comecemos pelos alemães Dietrich Fischer-Dieskau e Hermann Prey, barítonos. O primeiro, absolutamente excecional em lied, tendo cantado praticamente tudo o que havia nesse domínio. Muitos o consideraram o maior músico do século XX. Foi inclusivamente maestro de música sacra. Ouvi-o ao vivo em Paris. Hermann Prey era superior como ator. As suas interpretações em óperas de Mozart, Rossini, Donizetti ficaram memoráveis. Outros dois barítonos ou baixo-barítonos, Fernando Corena e Rolando Panerai, eram também grandes cantores e atores, mais característicos que os anteriores. Outro barítono que, vocalmente (não cenicamente) me enchia as medidas, era Piero Cappuccilli. Era um barítono a que eu chamaria heróico-dramático, com uma incrível potência de voz. Jamais esquecerei o seu desempenho em Simon Boccanegra de Verdi, no São Carlos…

Poderia obviamente alongar-me, no que às vozes masculinas diz respeito. Mas também não posso deixar de me referir a vozes femininas que, além de nós deixarem siderados, tanto nos ensinaram! Antes de mais, Maria Callas!… Depois, uma Victoria de los Angeles que cheguei a ouvir na Gulbenkian. Fiorenza Cossotto, Mirella Freni, Christa Ludwig… Monserrat Caballé que ouvi em Paris dirigida por Leonard Bernstein… Uma Joan Sutherland, La Stupenda, a tal que cantou a Traviata no Coliseu na famosa noite de 24 para 25 de abril de 1974, com o já citado Alfredo Kraus… E eu estava lá!…

Quais os músicos portugueses mais influentes na sua carreira?

Por músicos, entendo compositores, professores, pianistas, ensaiadores, “pontos”, cantores, e, porque não, críticos… Antes de mais, as minhas duas professoras nos conservatórios do Porto e de Lisboa, respetivamente: Isabel Malaguerra e Helena Pina Manique. A professora D. Arminda Correia fez de forma extraordinária a breve transição entre uma e outra. Álvaro Benamor, na classe de ópera. A pianista Maria Helena Matos que me acompanhou com enorme competência desde o Conservatório Nacional, incluindo o exame final, e praticamente em todos os recitais que fui dando ao longo da carreira. O maestro Armando Vidal, músico de gema, com o qual preparei, como a generalidade dos artistas, quase todos os papéis que tinha a desempenhar nas dezenas de óperas em que fui interveniente. Entre os maestros – “pontos” – , não esquecerei o maestro Pasquali que tão competentemente orientou, durante os primeiros tempos, as nossas intervenções em palco, e o maestro Ascenso de Siqueira, grande e bom amigo e incrível ser humano… Tive a felicidade de trabalhar com encenadores como António Manuel Couto Viana, que me honrava com a sua amizade, Carlos Avillez (em várias óperas), Luís Miguel Cintra, João Lourenço…

Cantores? Álvaro Malta, Hugo Casaes, Elizette Bayan, Armando Guerreiro, e outros… Lembro-me ainda de preciosas “dicas” que me deu Álvaro Malta…

Compositores? Antes de mais, o Prof. Cândido Lima. Conheci-o em Paris. Conversávamos muito. Não esqueço o dia em que ele me apresentou ao seu amigo Iannis Xenakis… Fomos juntos a vários concertos. Preparei, com ele ao piano, algumas obras suas para canto. Foi meu pianista num concurso de canto em que fui premiado… Tudo isto em Paris, em 1977.

Com o grande compositor Fernando Lopes-Graça, tive a honra de preparar um importante papel de solista na sua obra As Sete Predicações d’Os Lusíadas, em vista à estreia mundial da mesma no VI Festival da Costa do Estoril (1980).
Joly Braga Santos honrava-me com a sua amizade e admiração. Com ele ensaiei o papel de solista na sua Cantata Das Sombras, sobre texto de Teixeira de Pascoaes, para primeira audição mundial no Teatro de S. Luís, a 27 de julho de 1985, com o Coro Gulbenkian, e enquadrada no XI Festival de Música da Costa do Estoril. De Joly Braga Santos nunca poderei esquecer as suas palavras, em pleno palco, no fim da última récita da sua Trilogia das Barcas, em maio de 1988: “Estou a compor uma ópera, para a Expo de Sevilha (daí a 4 anos), baseada numa obra de Frederico Garcia Llorca, Bodas de Sangue e tenho um muito bom papel para si”. Entretanto, o maestro falecia 2 meses depois, a 18 de julho de 1988, o que constituíu uma grande perda para o País, para a cultura portuguesa.

Quanto a críticos, devo dizer que, entre outros, Francine Benoit, João de Freitas Branco, José Blanc de Portugal muito me encorajaram e elogiaram!

E hoje, o que acha da evolução da ópera em Portugal?

Francamente, tenho dificuldade em responder. Há cerca de vinte e cinco anos, após a extinção da Companhia Portuguesa de Ópera e de ter dado como terminada a minha carreira lírica, abracei outro projeto e alheei-me bastante desse tema. Sei que, sobretudo por razões orçamentais, a programação se ressente, e muito. Tudo parece ser diferente. Repito: não tenho dados que me permitam fazer qualquer juízo de valor…

O que pensa do papel da música na Igreja?

Desde o Seminário Maior, fui lendo atentamente, e mais que uma vez, os documentos papais que surgiram desde o princípio do século XX:
o Motu próprio de São Pio X (1903) sobre a Restauração da Música Sacra;
a Constituição Apostólica Divini Cultus (1928) no pontificado de Pio XI, sobre a liturgia e a música sacra; a Encíclica Musicae Sacrae Disciplina (1953), do Papa Pio XII, sobre a Música Sacra, vocal e instrumental.

Logo após o Concílio do Vaticano II, surge a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium (1963), a realçar que “a acção litúrgica reveste maior nobreza quando é celebrada com canto, com a presença dos ministros sagrados e a participação ativa do povo”. E quando fala de canto, obviamente que se refere ao canto sagrado intimamente unido com o texto. E se o canto gregoriano ocupa sempre um lugar privilegiado em igualdade de circunstâncias, não são excluídos os outros géneros de música sacra mormente a Polifonia, desde que em harmonia com o espírito da ação litúrgica, e de acordo com os diversos tempos litúrgicos, com as diversas celebrações e os vários momentos da celebração. Compositores, organistas, mestres de coro, cantores, músicos (instrumentistas) devem formar um todo para o esplendor do canto.

Alguns anos após o Concílio, a famosa Instrução Musicam Sacram (1967), da Sagrada Congregação dos Ritos, é a síntese, diria perfeita, do que à Música Sacra diz respeito, desde o canto na celebração da missa, passando pela preparação de melodias para os textos em vernáculo, depois a música para instrumental, o Canto no Ofício, etc etc.

O assunto levar-nos-ia ainda a três ou quatro intervenções de São João Paulo II, a uma célebre conferência do Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) em 1985, a uma Nota Pastoral dos nossos bispos por ocasião do Ano Europeu da Música (em novembro de 1985).

E o nosso Papa Francisco, por mais de uma vez, tem insistido que a Música Sacra e Canto Litúrgico devem estar plenamente inculturados nas linguagens artísticas atuais.

Quais os compositores que mais ouve e, desses, que obras prefere?

J.S. Bach é incontornável. Oiço com frequência, por exemplo, a Cantata do Café, cuja ária Hat man nicht mit seinen kindern fez parte do programa do meu exame do Curso Superior de Canto de Concerto, e foi uma das provas de acesso ao Coro Gulbenkian, em novembro de 1974; a Missa em Si m, cujas árias de baixo cantei; e a Paixão Segundo S. João, em que interpretei o papel de Jesus, no Porto, em abril de 1977, quando ainda estagiava em Paris…
Haëndel (O Messias, e Música Aquática); Beethoven (Sinfonias 3, 6 e 9) e a ópera Fidelio, cujo papel de Rocco desempenhei em junho de 1986; Mozart (o Requiem que, enquanto membro do Coro Gulbenkian, cantei no Coliseu em 1975, com gravação para a Erato; a Sinfonia nº 40, etc etc); Haydn (A criação, a Missa de Santa Cecília e a Sinfonia Concertante); Bizet (Carmen); Bramhs (Um Requiem Alemão);Rossini (Stabat Mater); Tchaickowsky (Romeu e Julieta e Francesa da Rimini; Dvorak (Sinfonia nº 9, O Novo mundo); Ravel (Bolero); Rodrigo (Concerto de Aranjuez); Strauss (valsas); Elgar (Concerto para violoncelo).

E muito, muito mais, obviamente.

O que o levou a colecionar livros e discos?

Certamente, e de uma forma geral, o meu gosto pela música, a ligação à Igreja, o meu profissionalismo, a cultura. É claro que tudo se desenrola de acordo com as diversas etapas da vida:

a minha função de professor de Música (além de outras disciplinas) no seminário menor, após a minha formação, e o começo dos meus estudos no Conservatório;

a minha transição para a vida pastoral, durante 3 anos;

a minha ida para Lisboa para concluir o curso Superior, do Conservatório, e a minha curta passagem pela Fundação Gulbenkian;

o meu estágio de dois anos em Paris, concluído com 2 meses em Itália;

o começo e a continuação da minha carreira lírica no Teatro Nacional de São Carlos;

os 3 anos pós-São Carlos em que continuei a minha carreira;

o abraçar de novo projeto: “trabalhar” um coro inserido numa missão pastoral na Paróquia dos Anjos (Lisboa), a minha Paróquia, a partir de 1997 e, posteriormente, de 2003 a 2016, na capela do Palácio da Bemposta (Academia Militar);

e porque não dizê-lo, as minhas viagens de automóvel, algumas longas, nos anos 70 e daí para cá, para já não falar da minha própria casa…

Como vê, são muitas as etapas e as circunstâncias em que procurei estar sempre em dia e dentro das exigências das mesmas. Livros, discos, cassetes, CDs, DVDs eram verdadeiros instrumentos de trabalho, de cultura, de ocupação, de prazer…

Julgo ter sintetizado as razões da minha importante biblioteca e discoteca, das quais progressivamente e criteriosamente, me vou voluntariamente desfazendo.

Antes da sua formação académica no conservatório, que lugar tinha a música erudita no seu papel de formador no seminário?

Além de renovar completamente o repertório de cânticos religiosos que vinha de há longos anos (o que supunha rodear-me de bom material), comecei a interessar-me por vozes maravilhosas que os discos faziam chegar até nós (Mario Lanza, Luis Mariano, Alfredo Krauss etc, e por orquestras excecionais que nos traziam as mais belas melodias clássicas, canções famosas, música de filmes históricos…

Tive sempre a preocupação de partilhar com os meus jovens alunos algum desse maravilhoso mundo musical… Era importante para a educação da sua sensibilidade, dos seus gostos, da sua cultura.

Lembro-me, e muitos ex-alunos (quer do seminário, quer do ensino público) se recordarão de ter dado a ouvir, entre outras obras, uma pequena peça do compositor russo Alexander Borodine. Tratava-se de Nas estepes da Ásia Central. Era a caravana que surgia ao longe, a marcha dos camelos, a intensidade instrumental que “subia” a anunciar a chegada da caravana, a permanência no terreno, o retomar da marcha, os sons que se iam extinguido… até a caravana se perder de vista!… Era tudo tão belo, tão claro! Apaixonante!… O interesse era enorme. Os alunos começavam a compreender que a música tem um sentido, um conteúdo, uma intenção, uma finalidade, uma expressão!
O mesmo sucedeu com outras obras, como o Hino da Alegria, da IX Sinfonia de Beethoven! Etc etc.

Mas adverti-os sempre para que nada disto desviasse a atenção do essencial da sua formação!…

Em três palavras como se caracteriza a si mesmo?

Persistente! Perfecionista! Brioso!

Lisboa, 19 de março de 2018

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JOSÉ DE FREITAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Um barítono que é crítico de si próprio

Correio da Manhã, 28 de abril de 1986

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De padre a cantor principal de ópera no Teatro São Carlos

Diário de Notícias do Funchal, 11 de maio de 1986

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José de Freitas: de padre a cantor

Correio da Manhã, 02 de agosto de 1987

Gentileza e simpatia

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Abraços

Dá-me lá o teu abraço
Que me aperte como um laço.
Deixa esse embaraço
que eu não vou roubar-te espaço.
És o meu amigalhaço
Que me apoia no cansaço,
Resistente como aço,
Vais comigo passo a passo.

António José Ferreira ]

Catrapás, sim à paz

Catrapás, catrapás.
Não à guerra, sim à paz!

Catrapés, catrapés.
Mostra-me o bom que tu és!

Catrapis, catrapis.
Sou feliz se és feliz!

Catrapós, catrapós.
Ama e cuida dos avós!

Catrapus, catrapus.
Para mim és uma luz.

Com as mãos

Com as mãos
Se guia e conduz.
Com as mãos
Se amassa o pão.
Com as mãos
Se acende uma luz.
Com as mãos
Se ajuda o irmão.

Com as mãos
Se dá um aperto.
Com as mãos
Se faz poesia.
Com as mãos
se faz um enxerto.
Com as mãos
Se acena e guia.

António José Ferreira, baseado no poema “As mãos” de Manuel Alegre ]

Comboio da delicadeza

Vem comigo no comboio
que se chama Alegria.
Quando chegas à escola,
de manhã, dizes “Bom dia!”

Vem comigo no comboio
Que se chama Educação.
Diz palavras delicadas
E evita o calão.

Vem comigo no comboio
onde vai o Professor.
Quando queres uma coisa
deves pedir “Por favor!”

Vem comigo no comboio
do menino educado.
Fará toda a diferença
tu dizeres “Obrigado!”

Vem comigo no comboio
Para o Desenvolvimento.
É melhor seres delicado
Do que seres violento.

Vem comigo no comboio
Da Sustentabilidade.
Equilíbrio no consumo
Dá-te mais felicidade.

António José Ferreira ]

Dentro de nós

Dentro de mim,
dentro de ti,
dentro de nós
existe Alguém.
Eu sou assim,
tu és assim,
diferentes,
e ainda bem.

Todos dif’rentes, todos iguais,
diferentes e iguais.

A escola é minha,
a escola é tua,
a escola é
de todos nós.
A trabalhar,
a estudar,
toda a gente
fica a ganhar.

Isabel Carneiro, Brincadeiras Cantadas ]

Lojas

Fazes-me um favor?
Vai à peixaria.
E eu comprei sardinhas
como a mãe queria.

Fazes-me um favor?
Vai à frutaria.
E eu comprei laranjas
como a mãe queria.

Fazes-me um favor?
Vai à padaria.
E eu comprei regueifa
como a mãe queria.

Fazes-me um favor?
Vai à confeitaria.
E eu comprei bolinhos
como a mãe queria.

Fazes-me um favor?
Vai à pizzaria.
E eu comprei a pizza
como a mãe queria.

Fazes-me um favor?
Vai à charcutaria.
E eu comprei fiambre
como a mãe queria.

Fazes-me um favor?
Vai à retrosaria.
E eu comprei as linhas
como a mãe queria.

António José Ferreira ]

Mãos

Uso as mãos para tocar,
nunca para magoar.
Uso as mãos para acenar
nunca para arranhar.

Uso os pés p’ra caminhar,
Nunca p’ra pontapear.
Uso os pés p’ra ir e vir,
Nunca para agredir.

Uso as pernas para jogar,
Nunca para rasteirar.
Uso a boca p’ra falar,
Nunca para ameaçar.

António José Ferreira ]

Mulher

Hoje é dia da grande mulher
que ensina, que escreve ou canta,
e que esteja ela onde estiver
nos apoia, acarinha e levanta.

Hoje é dia da mãe e da mana,
da madrinha, da avó e da tia,
da Matilde, da Bruna e da Ana,
da Filipa, da Inês, da Sofia.

Hoje é dia da minha professora,
da doutora e da cabeleireira,
da flautista e da compositora,
da autarca e da cozinheira.

António José Ferreira ]

Músculos

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem sequer eu te sorria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem sequer saudaria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Nem sequer acenaria.

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Que abraços eu daria?

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Como é que te ajudaria?

Músculos! Músculos!
Se eu não os tivesse,
Gargalhadas não daria!

António José Ferreira ]

No teu lugar

Imagino o que sentes,
ponho-me no teu lugar
p’ra saber o melhor modo
de te poder ajudar.

Imagino como estás
Mesmo que tu não mo digas
E escolho entre as palavras
As que são tuas amigas.

‘Stavas presa no teu corpo,
libertou-te o teu sorriso.
Com a tua mão na minha
aprendi o que é preciso.

António José Ferreira ]

Nomes coletivos

Se eu fosse um músico,
queria-te na minha orquestra.
Se eu fosse um cantor,
queria-te no meu coro.

Se eu fosse um sino,
queria-te no meu carrilhão.
Se eu fosse uma tecla,
queria-te no meu teclado.

Se eu fosse um disco,
queria-te na minha discoteca.
Se eu fosse uma corda
Queria-te no meu encordoamento.

Se eu fosse um soldado,
queria-te no meu batalhão.
Se eu fosse pescador,
Queria-te na minha companha.

Se eu fosse um navio,
queria-te na minha armada.
Se eu fosse um avião,
queria-te na minha esquadrilha.

Se eu fosse um ator,
queria-te no meu elenco.
Se eu fosse um poeta,
queria-te na minha plêiade.

Se eu fosse uma ilha,
queria-te no meu arquipélago.
Se eu fosse uma serra,
queria-te na minha cordilheira.

António José Ferreira ]

Os valores importantes

Os valores importantes
são a ajuda ao amigo,
escutar com atenção
quem está a falar comigo.

Os valores importantes
não são roupa nem dinheiro,
mas cumprir bem as tarefas,
ser honesto e verdadeiro.

Os valores importantes
são respeitar os seus pais
e tratar bem os amigos,
incluindo os animais.

António José Ferreira ]

Palavras mágicas

Mágicas palavras
para te saudar:
digo “Olá! Bom dia!”
depois de acordar.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
“muito obrigado”
para agradecer.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
digo “com licença”,
se um arroto der.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
digo “por favor”,
se algo quero ter.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
“olá!”, “boa tarde”
a quem estiver.

Mágicas palavras,
boas de dizer:
“perdão”, ou “desculpe”,
se asneira fizer.

Mágicas palavras,
que deves lembrar:
digo “Boa noite!”
antes de deitar.

António José Ferreira ]

Gentileza e simpatia
Gentileza e simpatia

Peixe-palhaço

Peixe-palhaço,
‘stás a nadar.
Quem é que escolhes
p’ta te adotar.

É quem tiver
Tempo p’ra de mim cuidar
E precisa de dinheiro
Para me alimentar.

António José Ferreira, Brincadeiras Cantadas ]

Quem é amigo

Quem é amigo
está para ajudar.
Quem é amigo
está para apoiar,
faz rir e não chorar,
e convida p’ra jogar.
O amigo é um tesouro:
há que o preservar.

António José Ferreira ]

Rimar não custa

Não custa nada
fazer uma rima:
joga com a prima.

Não custa nada
rimar com geleia.
É uma boa ideia.

Não custa nada
rimar com cantiga:
canta se és amiga.

Não custa nada
rimar com cadela:
é brincar com ela.

Não custa nada
rimar com o cão:
é dar-lhe ração.

Não custa nada
rimar com o gato:
é encher-lhe o prato.

Não custa nada
rimar com cavalo:
é saber montá-lo.

Não custa nada
rimar com o burro:
basta ser casmurro.

Não custa nada
rimar com o galo:
basta depená-lo.

Não custa nada
rimar com galinha:
é fazer canjinha.

António José Ferreira ]

Saber estar na escola

Distraído é que não,
pois não se aprende a lição.
Ser atento, isso sim,
é bom p’ra ti, é bom p’ra mim.

Falar sempre é que não
pois não se aprende a lição.
Levantar o dedo, sim!
É bom p’ra ti, é bom p’ra mim.

Ter a mesa suja não
que isso faz-me confusão.
Manter limpa a sala, sim!
É bom p’ra ti, é bom p’ra mim.

Brigar c’os amigos, não,
que até perdes a razão.
Ser prestável, isso sim!
É bom p’ra ti, é bom p’ra mim!

Chamar nomes é que não,
ou serás tu malcriadão?
Educado, isso sim,
é bom p’ra ti, é bom p’ra mim.

Fazer troça é que não,
que o colega é como irmão.
Ajudá-lo, isso sim,
é bom p’ra ti, é bom p’ra mim.

António José Ferreira, Brincanto ]

Singular e plural

Singular é apenas um,
é ser tão especial
como o Dia da Criança,
a Páscoa, o Carnaval.

Singular é ser o amigo,
dizer palavra certa,
o beijo de boa noite,
o rádio que te desperta.

Singular é coisa rara,
singular é ser um só
como o sorriso da mãe
ou o bolo da avó.

Singular é não ter “s”
colado ao nosso artigo,
ser colega de escola,
ser a amiga, ser o amigo.

Um presente é singular,
mais do que um já é plural:
prendas, bolas e brinquedos,
e enfeites de Natal.

Um disfarce é singular,
singular é o Carnaval;
mascarados e caretos,
serpentinas é plural.

António José Ferreira ]

Criança e pandeireta

Clique AQUI para adquirir a coletânea “Música a Brincar”, com partitura (MIDI partilhados).

A bola bate

A bola bate, bate,
ao ritmo da canção.
Vai agarrar a bola
quem está com atenção.

A bola passa, passa,
ao ritmo da canção.
Não deixes que a bola
escape da tua mão.

António José Ferreira ]

A cabrinha saltou

A cabrinha saltou
p’ra cima do rochedo.
A cabrinha saltou
e nunca teve medo.
A cabrinha desceu,
não tremeram os seus pés.
Cabrinha,
que brava que tu és.

O cabrito saltou
p’ra cima do rochedo.
O cabrito saltou
e nunca teve medo.
O cabrito desceu,
não tremeram os seus pés.
Cabrito,
que bravo que tu és.

O rebanho saltou
p’ra cima do rochedo.
O rebanho saltou
e nunca teve medo.
O rebanho desceu,
não tremeram os seus pés.
Rebanho,
que bravo que tu és.

António José Ferreira ]

A escola

A escola é tua casa
e casa dos teus pais,
lugar para aprenderes
e seres muito mais.

A escola é para amar,
é quase tua mãe.
Aplica o que ela ensina
e vais sentir-te bem.

António José Ferreira ]

Bati à porta do número um

Bati à porta do número um,
vi uma foca a beijar um atum.

Refrão:
Isto é uma loucura!
Isto é uma loucura!

Bati à porta do número dois,
vi a jogar uma junta de bois.

Bati à porta do número três,
vi um burrinho a falar japonês.

Bati à porta do número quatro,
vi uma ovelha a comer do prato.

Bati à porta do número cinco,
vi a dançar um ornitorrinco.

Bati à porta do número seis,
vi um leão a ditar as leis.

Bati à porta do número sete,
vi um besouro a tocar trompete.

Bati à porta do número oito,
vi um texugo a correr afoito.

Bati à porta do número nove,
um fantasma que não se move.

Bati à porta do número dez,
vi um palhaço a tirar cafés.

Dizem as galinhas

Dizem as galinhas:
cacaracacá!
Dizem as peruas:
glu glu glu glu glu!

Dizem os cachorros:
ão ão ão ão ão!
Dizem os gatinhos:
miau miau miau miau miau!

Dizem as ovelhas:
mé mé mé mé mé!
Dizem as vaquinhas:
mu mu mu mu mu!

António José Ferreira ]

Domina

Domina!
Se tu visses o que há,
Domina,
em casa da Salomé,
Domine,
uma tarte de kiwi,
Domini,
e um belo pão-de-ló,
Domino;
mas dele não comes tu,
Dominu.

Domina!
Se tu visses o que há,
Domine,
em casa da Salomé,
Domini,
uma tarte de kiwi,
Domino,
e um belo pão-de-ló,
Dominu;
mas dele não comes tu,
Dominu!

António José Ferreira ]

É o cavalo a relinchar

É o cavalo a relinchar
e a vaca a mugir.
É o gato a miar
e o cachorro a latir.

É o burro a zurrar,
e a cigarra a fretenir.
É o touro a berrar
e a abelha a zumbir.

É a pega a palrar,
e a ovelha a balir.
É o pombo a arrulhar
e o porco a grunhir.

É o lobo a uivar
e o tigre a rugir.
É o mocho a piar
e o mosquito a zunir.

António José Ferreira ]

Já fui à China

Já fui à China uma vez!
Um, dois, três!
Nunca eu vi tanto chinês!
Um, dois, três!

De olhos em bico está a Inês!
Um, dois, três!
Nunca ela viu tanto chinês!
Um, dois, três!

Fica espantado um chinês!
Um, dois, três!
Como é difícil o Inglês!
Um, dois, três!

António José Ferreira ]

Quem soube escutar

Quem soube escutar, tocou,
quem soube escutar tocou.
Escolho para tocar,
aquele que sabe escutar,
Quem sabe ouvir e calar,
este tambor vai tocar.

António José Ferreira ]

Lecanué tchinbindibau

Lecanué tchinbindibau.
Eh tatá tchinbindibau.
Eh mamá tchinbindibau.
Eh kaká tchinbindibau.
Eh tatá eh mamá eh kaká
Eh! Tchinbindibau.

Tradicional ]

Listen to my big drum

Listen to my big drum:
bang, bang, bang.
Listen to my triangle:
tang, tang tang.
Listen to my trumpet:
too too too.
Listen to my tambourine:
shoo shoo shoo.

Bate as mãos nas pernas

Bate as mãos nas pernas,
bate os pés no chão.
Bate as mãos nos ombros,
dá-me a tua mão.

Nesta casa antiga
mora um grande gato.
Quem disser o “1”
vai tornar-se um rato!

António José Ferreira ]

O rapaz se apaixonou

O rapaz se_apaixonou
por uma menina que com ele_estudou.

Foram juntos ao cinema.
Viram uma animação! [ Panda kungfu, ou outro ]
Foram juntos ao cinema.
Viram filme de ficção! [ Robô ]
Foram juntos ao cinema.
Viram um bonito drama! [ Choro ]
Foram juntos ao cinema.
Viram filme de terror! [ Dizem aú ]
Foram juntos ao cinema.
Viram filme de cowboys! [ atirar um laço com corda ]
Foram juntos ao cinema.
Viram ótima comédia. [ Gargalhada ]
Foram juntos ao cinema.
Viram um filme de amor. [ Beijinho ]

O Vasco foi a Angola

O Vasco foi a Angola
p’ra ver como era Angola.
Que linda que era Angola.
América!
Angola!

Saber estar

Saber estar,
saber ‘scutar,
saber calar,
saber jogar.

Saber falar,
saber cantar,
saber tocar,
saber dançar.

António José Ferreira ]

Salsa, salseirinha

Salsa, salseirinha,
ó-i-o-i-ó-ai,
assim faz o baterista,
assim, assim, assim. (bis)

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o pianista,
assim, assim, assim. (bis)

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o trompetista,
assim, assim, assim. (bis)

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz a maestrina,
assim, assim, assim. (bis)

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o organista,
assim, assim, assim. (bis)

António José Ferreira, adapt. ]

Segunda-feira . Dias da Semana

Segunda-feira,
que canseira!
Terça-feira,
que canseira!
Quarta-feira,
que canseira!
Quinta-feira,
que canseira!
Sexta-feira,
que canseira!

Após os cinco dias úteis, declamado:

Sábado não tem feira,
nem canseira.
Domingo não tem feira
nem canseira.
Posso descansar
na espreguiçadeira,
e ficar mais tempo
à tua beira.

António José Ferreira ]

Solifá

Solifá,
toma leite de manhã.
Solirré,
come peixe com puré.
Solimi,
come pera e kiwi.
Solidó,
não abuses da filhó.
Solitu,
come carne de peru.

Solifá,
minha mãe gosta de chá.
Solirré,
e o meu pai toma café.
Solimi,
minha avó come kiwi.
Solidó,
eu gosto de pão-de-ló.
Solitu,
diz-me o que comes tu?

António José Ferreira ]

Ti ti ti, ‘stou aqui

Ti ti ti,
‘stou aqui mas não ‘stou feliz.

Ti ti ti,
vou viver para outro país.

António José Ferreira ]

Tiyaya

Tiyaya, tiyaya oh! (3 v.)
Tiyaya, tiyaya oh!
Ai! Oh! Ai! Oh!
Tiyaya tiyaya oh!

Tradicional

Toca o sino da igreja

Toca o sino da igreja,
o sino da igreja.
Toca o sino da igreja,
o sino da igreja.
Dam dom dam!
Dam dom dam!
Dam dom dam!
Dam dom dam!

Oiço ao longe um chocalho,
ao longe um chocalho.
Oiço ao longe um chocalho,
ao longe um chocalho.
Dam dom dam!
Dam dom dam!
Dam dom dam!
Dam dom dam!

António José Ferreira ]

Trus trus trus! O Senhor pintor

Trus trus trus! Quem é que quer entrar?
É o senhor pintor que a sua casa vem pintar.

Pegue nos pincéis e comece a trabalhar.
Pinte nos lugares que lhe vou já indicar.

Na cozinha, quero uma bananeira,
para alegrar o coração da cozinheira.

Na salinha quero um rosinha
para a aquecer o coração da mamãzinha.

No portão, quero um cachorrão
para dar um susto à cara feia do ladrão.

Vou pintar aquilo que me diz.
Espero que goste e que seja mais feliz.

Já acabei! Adeus, minha senhora,
até outro dia, que já me vou embora.

Criança e pandeireta
Criança e pandeireta

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A minha gatinha

A minha gatinha parda
inda ontem me fugiu.
Quem achou a minha gata?
Você sabe? Você viu?

O meu gato amarelo
inda ontem me fugiu.
Nunca vi gato mais belo.
Você sabe? Você viu?

O meu pato-corredor
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amigo Heitor.
Você sabe? Você viu?

O meu ganso da guiné
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amigo André.
Você sabe? Você viu?

O meu gato Siamês
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amiga Inês.
Você sabe? Você viu?

O meu porco vietnamita
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amiga Rita.
Você sabe? Você viu?

António José Ferreira ]

A nossa roda

A nossa linda roda,
mata tira tira ná. (2 v.)
A nossa inda é mais linda,
mata tira tira ná. (2 v.)

Então quem é que queres?,
mata tira tira ná. (2 v.)
Eu quero a Inês,
mata tira tira ná. (2 v.)

Então o que lhe dás,
mata tira tira ná. (2 v.)
Vou dar-lhe uma flor,
mata tira tira ná. (2 v.)

Tradicional ]

Cuco

Cuco, cuco,
oiço a cantar.
A Primavera ‘stá a chegar!
Vamos todos cantar, dançar.

Cuco parasita
Cuco parasita

O Rei D. Dinis

Dinis gostava tanto de cantar e de tocar, (3 v.)
de tocar, gostava de tocar.

Dinis gostava tanto de plantar e semear, (3 v.)
semear, gostava de semear.

Dinis gostava tanto de mandar e governar, (3 v.)
governar, gostava de governar.

António José Ferreira

Diz que uma carochinha

Diz-se que uma vez
uma carochinha
achou uma jóia
varrendo a casinha.

Julgando-se rica
toda se enfeitou
e p’ra arranjar noivo
p’ra janela foi.

Quem se quer casar
com a carochinha
que já não é pobre
e é bem bonitinha?

O porco que passa
encantado está.
Que comes, ó porco?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, porco,
que a ti não quero,
pois melhor marido
do que tu espero.

E o cão que passa
encantado está.
Que comes, ó cão?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, cão,
que a ti não te quero
pois melhor marido
do que tu espero.

O gato que passa
encantado está.
Que comes, ó gato?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, gato,
que a ti não te quero
pois melhor marido
do que tu espero.

E o rato que passa
encantado está.
Que comes, ó rato?
Do melhor que há.

Vem cá, meu ratinho:
mais ninguém eu quero
que melhor marido
do que tu não ‘spero.

Dona Carochinha
e João Ratão
ambos vão à igreja
no Domingo vão.

Mas já na igreja,
mulher e marido
dão p’la falta enorme
do leque esquecido.

Que dirá de nós
todos este povinho?
vai buscar-me o leque,
rico maridinho.

Foi João a casa,
viu o caldeirão.
Foi comer da sopa
por ser um glutão.

Tanto o glutão
do jantar provou
que dentro do tacho
cozido ficou.

Voltou para casa
Dona Carochinha.
Viu o que ao esposo
sucedido tinha.

Viu-se então que a triste
tinha coração
pois ficou chorando
pelo seu João.

Eu perdi o dó da minha viola

Dó
Eu perdi o Dó da minha viola
Da minha viola eu perdi o Dó.
DORMIR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó, ré
Eu perdi o Ré da minha viola
Da minha viola eu perdi o Ré.
REMAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó, ré, mi
Eu perdi o Mi da minha viola
Da minha viola eu perdi o MI
MIAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá
Eu perdi o Fá da minha viola
Da minha viola eu perdi o Fá.
FALAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol
Eu perdi o Sol da minha viola
Da minha viola eu perdi o Sol.
SONHAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol Lá
Eu perdi o Lá da minha viola
Da minha viola eu perdi o Lá.
LAVAR é muito bom, é muito bom (2 v.)
É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si
Eu perdi o Si da minha viola
Da minha viola eu perdi o Si.
SILÊNCIO é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Eu vou comer

Eu vou comer, comer, comer
laranjas e bananas. (2 v.)

Au váu camar, camar, camar
laranjas a bananas. (2 v.)

Eu véu quemer, quemer,
quemer lerenjes e benenes. (2v.)

Iu viu quimir, quimir,
quimer lirinjis i bininis. (2v.)

Ou vou comôr, comôr, comôr
loronjos o bononos. (2v.)

Ú vú cumur, cumur, cumur
lurunjus e bununus. (2v.)

Foi na loja do mestre André

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um pifarito,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Ai olá, ai olé,
Foi na loja do Mestre André. (bis)

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um pianinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito.

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um tamborzinho,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei uma campaínha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei uma rabequinha,
Chiribiri-biri, uma rabequinha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um rabecão,
Chiribiribão, um rabecão,
Chiribiri-biri, uma rabequinha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito.

Grândola

Em cada esquina um amigo,
em cada rosto igualdade,
Grândola, vila morena,
terra da fraternidade.

Terra da fraternidade,
Grândola, vila morena,
em cada rosto igualdade,
o povo é quem mais ordena.

À sombra de uma azinheira
que já não sabia a idade,
jurei ter por companheira,
Grândola, a tua vontade.

Grândola, a tua vontade
jurei ter por companheira,
à sombra de uma azinheira
que já não sabia a idade.

Senhora Dona Anica

Senhora Dona Lara,
venha à porta, venha ver.

Olhe aquele motorista.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele jardineiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele motoqueiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele calceteiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele varredor.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele sinaleiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele jornalista.
Veja o que ele está a fazer.

António José Ferreira, adapt. ]

Havia um atleta

Havia um atleta
um atleta havia.
Se ele treinasse,
corridas venceria.

Havia um motorista,
um motorista havia.
Se ele trabalhasse,
dinheiro ganharia.

António José Ferreira ]

Menina estás à janela

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua.
Não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua.

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas ocasiões.

Tradicional ]

Hino Nacional de Portugal

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d’amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Henrique Lopes de Mendonça ]

Havia um estudante

Havia um estudante,
um estudante havia.
Se ele estudasse,
no exame passaria.

Havia um escritor,
um escritor havia.
Se ele publicasse,
um êxito seria.

Havia um pianista,
um pianista havia.
Se fosse talentoso
um disco gravaria.

António José Ferreira ]

No dia dos namorados

No dia nos namorados,
eu peço a São Valentim
que abra os teus lindos olhos
e volte o teu amor p’ra mim.

Ó malhão

Ó malhão, malhão,
que vida é a tua?
Comer e beber, ó terrim tim tim,
passear na rua.

Ó malhão, malhão,
ó malhão do Norte, (bis)
quando o mar ‘stá bravo,
quando o mar ‘stá bravo
faz a onda forte. (bis)

Ó malhão, malhão,
ó malhão do Sul, (bis)
quando o mar ‘stá manso,
quando o mar ‘stá manso
faz a onda azul. (bis)

Passa, passa

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
As cozinheiras fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os pescadores fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os jardineiros fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os motoristas fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os professores fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os pianistas fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Que linda falua

Que linda falua
que lá vem lá vem.
É uma falua
que vem de Belém.

Eu peço ao barqueiro
que deixe passar,
que eu tenho filhinhos,
ai, p’ra sustentar.

Então passará,
mas alguém ficará.
Se não for a mãe,
ai, um filho será.

Ribeira vai cheia
E o barco não anda.
Tenho o meu amor
lá naquela banda.

Lá naquela banda,
lá naquele lado.
Ribeira vai cheia
E o barco parado.

Tradicional de Portugal ]

Rola a pombinha

Rola a pombinha
lá na janela;
vem o pombinho,
põe-se atrás dela.

Rola a pombinha
lá no poejo;
vem o pombinho
e dá-lhe um beijo.

Tradicional ]

Rosa branca

Rosa branca ao peito,
a todos fica bem.
Rosa branca ao peito,
a todos fica bem.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém.

Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.
Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.
Quem sabe lá, olaré,
quem ela namora.
Quem sabe lá, olaré,
quem ela namora.

Quem ela namora,
quem ela namorou.
Quem ela namora,
quem ela namorou.
O menino (Zé), olaré,
a mão lhe apertou.
O menino (Zé), olaré,
a mão lhe apertou.

Tradicional ]

Salsa, salseirinha

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o carpinteiro,
assim, assim, assim.

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o cozinheiro,
assim, assim, assim.

Tradicional dos Açores ]

São João

São João à minha porta
E eu sem ter que lhe dar.
Dou-lhe uma caninha verde
para por no seu altar.

São João, chora, chora
lágrimas de pedra fina
por lhe fugir uma ovelha
por aquela serra acima.

Tradicional ]

Vai correndo o lindo anel

Vai correndo o lindo anel,
corre, voa sem parar.
Onde está, onde se encontra?
Quem o pode adivinhar?

T. Nogueira ]

Viva os palhaços, viva o Carnaval

Viva os palhaços,
viva o Carnaval.
Viva a alegria
que a ninguém faz mal.

Ta-ta-ra-ta,
Ta-ta-ra-ta,
Ta-ta-ta-ta-ta-ta.