Poll Gonçalves

concertina

Poll Gonçalves

O arquiteto que constrói um novo som no acordeão diatónico Valhermeil

Houve um tempo em que a concertina era o arquivo sonoro da terra, do suor e da festa de aldeia. Em “Valhermeil”, o mais recente lançamento de POLL, o instrumento é arrancado do seu contexto bucólico e atirado para o centro de uma mesa de cirurgia sónica. O resultado não é folclore, é arquitetura.

Reinterpretar Bruno Le Tron não é uma tarefa para puristas, e POLL sabe disso. Sob a chancela da Mobydick Records e com a produção crua de Budda Guedes, “Valhermeil” surge como um organismo vivo. A faixa não se limita a ser tocada, ela é construída em camadas, onde cada movimento do fole é processado através de pedais e multi efeitos que transformam a madeira e as palhetas num sintetizador industrial orgânico.

A Arquitetura Sonora, conceito que POLL tem defendido nos palcos, incluindo a sua recente e disruptiva passagem pelo Programa de TV “Got Talent Portugal”, atinge aqui o seu expoente máximo. Não há o conforto da repetição fácil. Há uma tensão latente entre a melodia tradicional e a agressividade elegante da eletrónica. É música de texturas, onde o silêncio pesa tanto quanto a distorção. “Valhermeil” é o som de um artista que compreendeu que a tradição só é útil se for usada como combustível para a combustão do novo. POLL não está a tentar preservar a concertina, está a tentar descobrir até onde ela aguenta sem se partir sob a pressão do século XXI.

POLL é o mais recente deles, armado com um instrumento de ontem para desenhar a banda sonora de amanhã.

Sobre Poll Gonçalves

Paulo Gonçalves, músico português natural do distrito de Braga, Licenciado em Música com Especialização em Saxofone pela Universidade de Aveiro, diferencia-se por um percurso artístico singular e versatilidade interpretativa alicerçado numa sólida formação académica e prática musical diversificada.

Uma trajetória marcada pela dedicação desde a sua juventude, particularmente em saxofone e acordeão diatónico.

Além de masterclasses e formações de partilha e aprofundamento de conhecimentos e competências, não só em termos de instrumento, mas noutras áreas da música, integrou diversos projetos musicais, desde orquestras, ensembles, música de câmara.

Paralelamente à atividade performativa e de intérprete, de realçar a componente de ensino em ambos os instrumentos bem como inovação, contribuindo ativamente para o crescimento, valorização e difusão da música erudita e tradicional, inovação e renovação do património musical.

No universo do acordeão diatónico, na premissa da autenticidade, destacam-se várias estreias de trabalhos inovadores nos últimos anos, de interpretação, arranjos próprios, domínio técnico, peças e obras de vários estilos musicais, incluindo erudito e música portuguesa, que se distinguem pelo cunho próprio e artístico bem como versatilidade interpretativa. As abordagens combinam rigor e criatividade, com um novo timbre e sensibilidade.

Adapta peças de precisão escritas, respeitando-as, mas conferindo-lhes uma expressividade singular e contemporânea. Uma fusão entre tradição e modernidade com leitura e comunicação profundamente inovadoras.

Já com repertório publicado, os trabalhos mostram amplas possibilidades do acordeão diatónico que ampliam o alcance e relevância das obras, contribuindo para divulgação da música clássica junto de novos públicos e valorização do instrumento como versátil e expressivo, capaz de dialogar com repertório exigente, no sentido de disrupção da perspectiva geralmente associada ao instrumento.

O músico explora ao máximo os recursos do acordeão diatónico primando pela originalidade e criatividade.

Sob o seu domínio, este instrumento torna-se um veículo de complexidade e lirismo na música.

Dentro desta arte o seu trabalho traduz e desperta novos e únicos olhares sobre a música.

Bio facultada por Paulo Gonçalves atualizada a 27 de abril de 2026

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