César Viana maestro

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César Viana

maestro . flautista . pedagogo

César Viana (Southampton, 1963) é compositor, maestro, intérprete e musicólogo português, residente em Espanha. O seu percurso cruza criação contemporânea, interpretação, direção, investigação e o contacto aprofundado com diferentes tradições musicais.

Iniciou os estudos musicais relativamente tarde, dedicando-se inicialmente à guitarra e à flauta de bisel.

O interesse pela música antiga conduziu-o à especialização nos repertórios medieval e renascentista e à interpretação historicamente informada.

Paralelamente, aprofundou o conhecimento da música árabe e do sistema do maqām, através da prática do oud, e da tradição japonesa do shakuhachi. Neste instrumento estudou com Keisuke Zenyoji, Tesouro Nacional Vivo do Japão, aprofundando o repertório honkyoku, e desenvolve uma atividade como solista e mestre de shakuhachi reconhecido internacionalmente. O contacto com estas diferentes tradições marcou profundamente a sua conceção da música e da composição.

Como compositor, tem escrito música instrumental, de câmara, vocal e ópera. A sua linguagem nasce do encontro entre a tradição musical ocidental, de Palestrina e Bach a Bartók e Hindemith, e universos como a música japonesa para shakuhachi, o maqām árabe, o jazz e as tradições musicais ibéricas, assimilados numa linguagem pessoal.

A música para piano ocupa um lugar significativo no seu catálogo. Em 2025, a Toccata Classics publicou o álbum César Viana: Piano Music (TOCC 0771), interpretado pelo pianista Carlos Marín Rayo. No mesmo ano foi compositor residente em Bucareste, no âmbito do Festival George Enescu, onde foi estreado Le Tombeau de George Enescu, para quinteto com piano. Entre os projetos mais recentes contam-se duas suites para contrabaixo, Musecologia, para voz e ensemble, e uma nova obra para a mesma formação, com estreia prevista brevemente, um concerto para violino e várias novas obras para piano.
Desenvolveu durante vários anos uma carreira como maestro, dirigindo formações nacionais e internacionais e mantendo uma atividade regular de concerto e gravação.

A sua Discografia como intérprete e diretor inclui gravações para EMI, RCA, Philips e Strauss, entre outras editoras.

Exerceu igualmente funções de direção e gestão, como diretor artístico do Centro para o Estudo das Artes de Belgais, diretor pedagógico do Conservatório Metropolitano e membro do Conselho de Administração da OPART, responsável pelo Teatro Nacional de São Carlos, Companhia Nacional de Bailado e Orquestra Sinfónica Portuguesa.

Desenvolve uma extensa atividade pedagógica nas áreas da composição, análise musical e direção. Durante catorze anos integrou o corpo docente do Centro Superior Katarina Gurska, em Madrid, e é atualmente docente na Universidade do Minho, em Braga, nas áreas da direção e da composição. A sua investigação dedica particular atenção à tonalidade e à organização das alturas na música dos séculos XX e XXI, centrando-se atualmente no estilo tardio de Fernando Lopes-Graça.

Desenvolveu também projetos ligados ao património e às culturas tradicionais, entre os quais o trabalho realizado em Idanha-a-Nova, em 2003–2004, dedicado à recolha e estudo dos repertórios tradicionais da região e do qual resultou uma coleção de seis discos.

É responsável pela Instrumenteca de Castelo Branco, projeto de conservação, estudo e divulgação de uma ampla coleção de instrumentos musicais de diferentes épocas e proveniências, concebido igualmente como espaço de criação, interpretação e atividade cultural.

Pelo seu contributo para a vida cultural de Castelo Branco, foi distinguido com o título de Cidadão Honorário pela Junta de Freguesia da cidade.

Entre 2022 e 2026 foi diretor artístico do Festival de Música Religiosa de Guimarães.

O seu percurso caracteriza-se por uma conceção integrada da prática musical, na qual composição, interpretação, direção e investigação se alimentam mutuamente e o contacto com diferentes tradições históricas e culturais constitui uma componente central da sua identidade artística.

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20 de setembro de 2026