Alberto Costa Santos, maestro, clarinetista e professor

Alberto Costa Santos

Maestro . Clarinetista . Professor

Alberto Costa Santos (1920-1996) nasceu no Porto, em março de 1920, e faleceu na mesma cidade, em 13 de outubro de 1996.

Foi professor, clarinetista, maestro, compositor e uma das figuras de referência do ensino e da direção musical no Porto ao longo da segunda metade do século XX.

Realizou os seus estudos no Conservatório de Música do Porto, onde se diplomou com as mais altas classificações. Depois de concluída a sua formação, integrou o corpo docente da instituição, onde ensinou durante cerca de vinte anos instrumentos de sopro, composição, educação musical e orquestra.

A sua carreira artística esteve desde cedo ligada à Orquestra Sinfónica do Porto, da qual foi clarinetista-solista entre 1947 e 1960. Em 1954, foi chamado, em situação de emergência, a substituir o maestro italiano Ino Savini na direção da Orquestra Sinfónica do Porto. O êxito alcançado nessa ocasião, reconhecido pela crítica, levou-o a dedicar-se progressivamente à direção de orquestra, sem abandonar a sua atividade docente.

O seu aperfeiçoamento como maestro beneficiou de bolsas concedidas pelos Governos Italiano e Francês e pelo Instituto de Alta Cultura.

Frequentou, em Roma, entre 1956 e 1957, o Conservatório de Música de Santa Cecília e, em Paris, entre 1959 e 1960, depois de concurso, o Conservatório Nacional Superior de Música, onde aprofundou os seus conhecimentos de direção de orquestra.

Regressado a Portugal em 1961, passou a dirigir regularmente a Orquestra Sinfónica do Porto, em concertos sinfónicos e de câmara, gravações de estúdio e espetáculos de bailado. Em 1962, foi nomeado maestro assistente da Emissora Nacional, posteriormente denominada RDP, cargo que exerceu até à extinção da Orquestra Sinfónica do Porto.

A sua atividade musical estendeu-se também ao domínio coral. Em 1963, a convite da Administração-Geral dos CTT, organizou no Porto um grupo coral constituído exclusivamente por funcionários daquela instituição. Dirigiu-o durante cerca de vinte anos, tendo o grupo participado em numerosas emissões de rádio e televisão.

Como professor, Alberto Costa Santos dedicou grande parte da sua vida à formação de jovens músicos. Preparou numerosos alunos para a carreira profissional, alguns dos quais viriam a integrar importantes instituições musicais portuguesas, incluindo as Orquestras Sinfónicas da RDP do Porto e de Lisboa, o Teatro Nacional de São Carlos, a Fundação Calouste Gulbenkian, bandas militares, assim como a docência nas escolas de música de todo o país.
Foi igualmente autor de várias versões e arranjos para orquestra, algumas das quais foram executadas publicamente.

A sua carreira internacional incluiu duas deslocações ao Rio de Janeiro, em 1980 e 1982, a convite do Governo brasileiro. Nessas ocasiões participou, em representação de Portugal, no júri do Concurso Internacional Villa-Lobos e dirigiu concertos sinfónicos e de música de câmara.

Desenvolveu ainda atividade pedagógica nos Açores, onde realizou cursos de reciclagem no Conservatório Regional de Ponta Delgada, a convite do Governo Regional.

No Conservatório de Música do Porto assumiu também importantes responsabilidades de direção. Foi Presidente do Conselho Diretivo e do Conselho Pedagógico entre 1978 e 1990, sendo igualmente decano do respetivo corpo docente. Esta longa permanência na direção, testemunha o papel central que desempenhou na vida pedagógica e institucional do Conservatório.

Em 1992/1993, já numa fase avançada da sua carreira, foi nomeado diretor pedagógico da recém-criada Academia de Música de Paredes, contribuindo assim para a expansão do ensino especializado da música para além da cidade do Porto.

Alberto Costa Santos deixou um legado que ultrapassa a sua atividade como clarinetista e maestro.

Professor durante décadas, formador de várias gerações de músicos, dirigente do Conservatório de Música do Porto e responsável pedagógico pela Academia de Música de Paredes, participou ativamente na construção e consolidação do ensino musical especializado no Norte de Portugal.

Faleceu no Porto, em 13 de outubro de 1996, aos 76 anos, deixando uma carreira de mais de cinco décadas dedicadas à música, ao ensino e à formação de músicos.

Breve biografia realizada por Carlos Silva