Terras Sem Sombra

Cante Alentejano

Cante Alentejano estreia-se no Kennedy Center e abre portas à economia portuguesa

O Terras sem Sombra une, de forma inédita, a música ao património e à biodiversidade, e caracteriza-se por associar, à exigência da qualidade, uma programação de cariz internacional. Tem por palco o Alentejo, uma das regiões onde mais se faz sentir o peso da identidade, e o evento não se limita a trazer o mundo ao seu território leva também o Alentejo ao mundo.

A edição de 2019 tem, como país convidado, os Estados Unidos, e traz a Portugal destacados intérpretes do outro lado do Atlântico, assim como uma programação, que faz uma radiografia da música norte-americana, do século XIX à criação mais recente. Estão previstas estreias, integrais ou europeias, de alguns dos mais importantes compositores americanos da actualidade.

A abertura do festival ocorre, em Washington, num santuário das artes performativas dos EUA, o Kennedy Center. No coração da capital escutar-se-á, pela primeira vez, o Cante, através das vozes do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento, um agrupamento “clássico” da música tradicional alentejana. A actuação terá lugar no Millenium Stage do Kennedy Center e será transmitida, em directo, pelo canal de TV da instituição, com audiências significativas, dentro e fora dos EUA.

O périplo por terras do Tio Sam, é acompanhado por presidentes e vereadores de câmaras municipais – como Beja, Serpa, Ferreira do Alentejo, Cuba, Vidigueira ou Sines –, mas também responsáveis por algumas das principais empresas da região, entre elas o Porto de Sines, a EDIA, a ACOS, que organiza a OVIBEJA, a Adega Cooperativa da Vidigueira ou as agências de Desenvolvimento Regional e de Promoção Turística do Alentejo, que realizarão reuniões com entidades locais.

Com a colaboração da embaixada portuguesa em Washington, da sua homóloga em Lisboa e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, assim se constrói a cultura como motor da diplomacia económica, mostrando o potencial da arte, do património e da natureza – os três pilares do Terras sem Sombra – para abrir portas. Afirmar o Alentejo enquanto destino privilegiado de arte e natureza é o objectivo do festival, uma organização da Associação Pedra Angular que apresenta, em 2019, a 15.ª edição.

Um Festival, seis países, uma região

O Terras sem Sombra começa a 26 de Janeiro na Vidigueira e conta com quase 50 actividades, entre concertos, conferências, visitas ao património e acções de salvaguarda da biodiversidade, em 13 cidades: Vidigueira, Serpa, Monsaraz, Valência de Alcântara, Olivença, Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines.

Espanha está bem presente, nesta edição do festival, que inaugura em Portugal o ciclo de eventos de Mostra Espanha 2019, a convite do Governo espanhol. De Madrid virá o Trío Arbós, com um programa de música hispano-portuguesa dos séculos XIX-XX. Juan de la Rubia, organista titular da basílica da Sagrada Família, de Barcelona, apresentará, na Sé de Elvas, a obra de Antonio de Cabezón. “Fora da caixa” será o concerto, em Odemira, com Quartetazzo, formado por quatro mulheres flautistas da Argentina, do Brasil e de Espanha, que recriou melodias tradicionais da América do Sul.

Se os laços à América e a Espanha dão o mote ao TSS, os autores e intérpretes portugueses, uma prioridade do festival, assumem decidido protagonismo, com nomes como Ana Telles, a Orquestra Clássica do Sul e o maestro Rui Pinheiro, Sofia Diniz, Fernando Miguel Jalôto ou Nuno Lopes. Há também espaço para uma aproximação a outras pátrias musicais, abarcando intérpretes da Hungria, da República Checa e das Filipinas, algo a ter em conta numa edição dedicada ao périplo de Fernão de Magalhães, mas que não esquece os 550 anos do nascimento de Vasco da Gama (1569-2019).

Participar no Terras significa adentrar-se no que o Alentejo tem de mais interessante para oferecer. Neste ano, a panóplia patrimonial abre-se decisivamente a novos âmbitos, entre eles o património imaterial, dando grande atenção a aspectos tão diversificados como o fabrico artesanal do pão, a aprendizagem do Cante ou as tradições relacionadas com os astros, com a sua observação nocturna como pano de fundo.

Quanto à biodiversidade, 2019 vai ser um ano cheio de aventuras. Por exemplo, acompanhar o elevador de peixes da barragem de Pedrógão, participar na festa do mundo rural – seguindo um rebanho de ovelhas de raças autóctones ao longo das canadas reais, com os pastores de Beja e do Fundão – ou entrar nas águas portuárias de Sines para conhecer a vanguarda da aquacultura. Ou ainda, na Extremadura, percorrer a maior mancha de monumentos megalíticos da Europa, em Valência de Alcântara, conhecer os segredos do Tejo internacional ou aprofundar a personalidade única de Olivença.

[ Adicionado a 12 de janeiro de 2019 ]

 

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