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Galo

COMO CANTA O GALO VELHO

[ animais da quinta, aves, masculino ]

Como canta o galo velho,
assim cantará o novo.

Como grasna o pato velho,
assim grasnará o novo.

Como grulha o peru velho,
assim grulhará o novo.

Como fala o homem velho,
o novo falará ou não.

[ animais da quinta, mamíferos ]

Como zurra o burro velho,
assim zurrará o novo.

Como ronca o porco velho,
assim roncará o novo.

Como rincha o cavalo velho,
assim rinchará o novo.

Como diz o homem velho,
o novo dirá ou ou não.

[ feminino ]

Como ri a hiena velha,
assim rirá a nova.

Como muge a vaca velha,
assim gemerá a nova.

Como silva a cobra velha,
assim silvará a nova.

Como canta o homem velho,
novo cantará ou não.

[ insetos ]

Como zune a abelha velha,
assim zunirá a nova.

Como zoa a mosca velha,
assim zoará a nova.

Como crila o grilo velho,
assim crilará o novo.

Como faz o homem velho,
o novo fará ou não.

[ formas de locomoção ]

Como voa o cuco velho,
assim voará o novo.

Como anda o burro velho,
assim andará o novo.

Como nada o peixe velho,
assim nadará o novo.

Já o homem, anda, nada
e, p’lo ar, vai de avião.

(António José Ferreira)

OBSERVAÇÕES

Para a geração seguinte não passa tudo o que vem da anterior, pode haver avanços, pode haver retrocessos e haverá, sem dúvida, diferentes formas de abordar a música, a Língua, o movimento e a comunicação. Este texto foi criado com base num provérbio mas derivou para uma lengalenga. Presta-se a vários tipos de abordagem, articulando a brincadeira com a Língua Portuguesa, o Estudo do Meio, a Poesia e a Filosofia.

NOTA

O estudo e recolha de provérbios tem um nome, é “paremiologia”. Há uma Associação Internacional de Paremiologia.

Galo

Galo

Gato

QUEM AMA BELTRÃO

[ Afinidade ]

Quem ama Beltrão,
ama o seu cão.

Quem ama o Torcato,
ama o seu gato.

Quem ama o Gonçalo,
ama o seu cavalo.

Quem ama o Hilário,
ama o seu canário.

Quem ama a Joana,
ama a sua mana.

Quem ama a Maria,
ama a sua tia.

Quem ama a Emília,
ama a sua família.

Quem ama o Albertino,
ama o seu menino.

Quem ama a Beatriz,
ama o seu nariz.

Quem ama o Edgar,
ama o seu olhar.

Quem ama o Alcindo,
acha que é muito lindo.

Quem ama o Abel,
acha que tem mel.

Quem ama a Marcela,
acha que é bela.

Quem ama o Belmiro,
acha que ele é giro.

Quem ama a Catarina,
acha que ela é fina.

Quem ama o Delmar
vai querer casar.

Quem ama a Ana Rosa,
acha-a amorosa.

Quem ama o José,
ama-o p’lo que ele é.

Quem ama a Fabrícia,
faz-lhe uma carícia.

Quem ama a Iria,
dá-lhe alegria.

SUGESTÕES

Para se memorizarem e transmitirem, os provérbios tiraram recorreram ao ritmo, rima e musicalidade.

Para começar, o professor diz os quatro primeiros duetos.

Adaptados ou não, os provérbios são uma oportunidade para jogos que ensinam e divertem.

Depois, diz o primeiro verso e todas as crianças dizem o segundo, que rima com o primeiro.

Depois, estando numa roda, as crianças passam a palma. Todos mantêm a palma da mão esquerda para cima. A esquerda recebe a palma, a direita bate, na sua vez. Sem perder a pulsação. Quando o grupo for competente, o professor introduz os quatro primeiros duetos:

Quem ama Beltrão,
ama o seu cão.

Quem ama o Torcato,
ama o seu gato.

Quem ama o Gonçalo,
ama o seu cavalo.

Quem ama o Hilário,
ama o seu canário.

Na escola ou em família podem fazer-se brincadeiras e concursos de rimas. O adulto diz o primeiro verso e a criança indicada dirá o segundo.

António José Ferreira

Gato

GatoQuem ama

Amigas

NO APERTO DO PERIGO

No aperto do perigo,
sabe-se quem é amigo.
Mais vale um vizinho à mão
do que ao longe o nosso irmão.

Um amigo verdadeiro
vale mais do que dinheiro;
um amigo diligente
é melhor do que parente.

O amigo, quando o é mesmo,
também sabe dizer não,
mas apoia e ajuda
como a irmã e o irmão.

Um amigo que não presta,
uma faca que não corta
uma caneta já gasta,
que se percam, pouco importa.

Provérbios (já a Bíblia tem um Livro dos Provérbios) são ditos ou ditados populares que passam oralmente de geração em geração. O seu autor não é conhecido e não se sabe como surgiram.

Oriundos da China ou de Israel, dos índios ou das tribos africanas, provérbios são expressões de sabedoria que resumem a observação de anos e de séculos. No que se refere ao tempo, aos sentimentos, às competências, às relações, ao amor, às atitudes.

SUGESTÕES

Muitos provérbios já têm ritmo, rima e musicalidade. Na escola ou em família, podem dizer-se em estilo RAP (Rhythm and Poetry, isto é, Ritmo e Poesia).

Os provérbios, adaptados ou não, podem ser uma oportunidade para jogos divertidos. Estando numa roda, as crianças mantêm a palma da mão esquerda para cima. Uma bola maleável, de tamanho médio, passará de mão em mão. A esquerda recebe, a direita pega e passa. Como a passagem da bola deve ser feita sem perder a pulsação, o professor treina esse aspeto antes de introduzir a quadra/provérbio. Quando o grupo for competente, introduz o provérbio. Poderá introduzir mais do que uma bola quando achar conveniente.

Em vez de passar a bola maleável, o professor pode utilizar uma bola pequena de basquetebol, que cada criança, em círculo, deverá bater no chão de modo a passar ao colega da sua direita.

António José Ferreira

Amigas

Amigas

Bebé

DE PEQUENINO

De pequenino
se torce o pepino.

De pequenino
se ensina o Paulino.

De pequenino
se aprende violino.

De pequenino
se faz o ensino.

De pequenino
se é bailarino.

De pequenino
se aprende a ser fino.

De pequenino
se agarra o destino.

“De pequenino
se torce o pepino.”

foi o ponto de partida para uma reflexão sobre o que é importante fazer “desde pequenino” para elevar ao máximo o potencial da criança.

Diz-se cada vez mais que a educação musical começa na gravidez. No seio materno, os bebés já registam sons de dentro e de fora do útero. A intervenção precoce da música contribui para o desenvolvimento do cérebro.

Com ou sem necessidades educativas especiais, as crianças beneficiam da música. O seu desenvolvimento futuro, começa na família e continua na Creche, Jardim de Infância e Ensino Básico. Resultados estudados comprovam os benefícios de práticas inclusivas e de parcerias entre pais e profissionais no sentido de desenvolver aspetos motores, cognitivos e afetivos. A música é um meio de comunicar e criar laços. A qualidade da música nos primeiros anos contribui grandemente para o desenvolvimento de competências musicais, linguísticas e matemáticas,

SUGESTÕES PEDAGÓGICAS

Para acompanhar a lengalenga/provérbio, pode-se usar percussão corporal:

mão direita na palma da mão esquerda

mão direita no lado direito do tórax

mão esquerda no lado esquerdo do tórax.

No dueto seguinte pode percutir-se, se as características das crianças já o permitirem:

mão direita na perna direita

mão esquerda na perna esquerda

estalo com os dedos polegar e médio da mão direita.

Com crianças da educação pré-escolar, especialmente, pode dizer-se um ou mais duetos caminhando. As crianças marcam a pulsação com pé direito e pé esquerdo, em marcha pela sala. Podem fazer gestos relativos ao texto, se o professor o entender.  Para ajudar a manter a pulsação, o professor toca num tambor ou pandeiro.

Bebé

Bebé