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Gregório de Nazianzo

Citações de Música nos Santos

MÚSICA NOS SANTOS DA IGREJA

O vosso presbitério, tão justamente reputado e tão digno de Deus, está ligado ao bispo como as cordas estão unidas à cítara. Assim, no acorde dos vossos sentimentos e na harmonia do vosso amor, vós cantais Jesus Cristo. Que cada um de vós se torne membro deste coro. Então, no uníssono das vozes nascerá o canto que agrada a Deus e de uma só boca, elevareis ao Pai, por Jesus Cristo, os vossos hinos. Ele vos escutará, e na beleza das vossas obras reconhecerá que fazeis parte do coro do seu Filho.

Santo Inácio de Antioquia (n. c. 50; m. c. 110)

Toda a nossa vida cristã é um dia de festa e por isso trabalhamos nos campos cantando hinos e entoamos cantos de louvor enquanto navegamos.

São Clemente de Alexandria (séc. II-III)

Tens o canto do salmo, tens a profecia, os preceitos do evangelho, as pregações dos apóstolos. A língua cante e a mente trate de conhecer o sentido das palavras cantadas, para cantares com o espírito e também com a tua mente.

São Basílio de Cesareia (n. Cesareia c. 329; m. 379)

Tu estás para lá de tudo.
Que outra coisa sobre Ti poderá dizer o canto?
De que servem palavras diante de Ti
se palavra alguma Te narra?

São Gregório de Nazianzo (séc. IV)

Alguns consideram que seduzi o povo com o encanto melódico dos meus hinos. Obviamente, não me vou defender. Há neles, sem dúvida, um encanto poderoso. Há algo mais poderoso do que a confissão da Trindade renovada, cada dia, pela confissão de todo o povo?

Santo Ambrósio de Milão (n. Trèves c. 335; m. 397)

Não podeis objectar nem a pobreza, nem a falta de tempo, nem a lentidão do vosso espírito. Sois pobres, e por isso não podeis fruir dos livros; ou então tendes livros, mas não tendes tempo para ler. A satisfação de meditar os versos dos salmos que aqui cantastes não uma, nem duas, nem três vezes, mas em muitas circunstâncias vos dará abundante matéria de consolação.

São João Crisóstomo (n. Antioquia 344; m. 407)

A Deus não há que cantar com a voz, mas com o coração, nem é necessário tratar a garganta com doces remédios, como fazem os actores de teatro, para depois fazer ouvir no templo modulações próprias de um teatro; é antes necessário cantar a Deus com o temor, com as boas obras e com o conhecimento das escrituras. Mesmo que alguém seja desafinado, desde que tenha boas obras, para Deus é bom cantor.

São Jerónimo (n. Estridon c. 347; m. 420?)

Cantar bem a Deus é cantar com júbilo. O que quer dizer cantar: cantar com júbilo? Entender, não poder explicar com palavras o que se canta no coração. Pois aqueles que cantan na colheita, na vinha, em algum trabalho pesado, começando a exultar de alegria por meio das palavras dos cânticos e estando repletos de tanta alegria que não podem exprimi-la, deixam as sílabas das palavras e emitem sons jubilosos. O júbilo é som significativo de que o coração está concebendo o indizível. E diante de quem é conveniente tal júbilo senão diante do Deus inefável? Inefável aquilo de quem é impossível falar. E se não podes falar e não deves calar, o que resta senão jubilar? O coração rejubila sem palavras e a imensidão da alegria não se limita a sílabas.

Santo Agostinho de Hipona (n. Tagaste 354; m. 430)

O som é produzido por tubos no órgão, por cordas na cítara. Esta dupla imagem evoca, por um lado, as boas obras e, por outro, a pregação sagrada. Comparar a boca dos pregadores a tubos de órgão, e o desejo de bem viver a cordas da cítara, é paralelismo que aceitamos com naturalidade. Este desejo de bem viver, por exemplo, sempre em tensão para a outra vida graças à ascese do corpo é como uma corda bem esticada: soa afinado e provoca admiração nos que a ouvem.

São Gregório Magno (n. Roma c. 540; m. 604)

Há um cântico que, pela sua singular dignidade e doçura, merecidamente supera todos os cânticos… E chamar-lhe-ei, com todo o direito, o Cântico dos Cânticos, porque ele é o fruto de todos os outros. Tal cântico, só a unção do Espírito no-lo ensina, só a experiência no-lo mostra. Que o reconheçam aqueles que o experimentaram; os que não têm esta experiência, que ardam de desejo, não tanto de conhecer mas, sobretudo, de o experimentar. Não é um murmúrio saído da boca mas júbilo do coração, nem um som produzido pelos lábios mas um movimento de alegria, um recital das vontades e não das vozes. Não se ouve exteriormente, porque não ressoa em público. Só o escutam aquela que o canta e aquele a quem é cantado, isto é, o Esposo e a Esposa. É um verdadeiro cântico nupcial, que exprime os castos e alegres abraços das almas, a harmonia dos costumes, o amor recíproco no acorde dos sentimentos.

São Bernardo de Claraval (n. 1091; m. 1153)

Quando o Diabo enganador soube que o homem, sob a inspiração de Deus, começara a cantar e, desse modo, lembrava a doçura dos cânticos da pátria celeste, vendo que as maquinações da sua manha tinham ficado reduzidas a nada, ficou apavorado e atormentado. E começou a reflectir e a procurar entre os múltiplos recursos da sua maldade, o modo de multiplicar más sugestões e pensamentos imundos ou distracções diversas, não só no coração do homem mas no próprio coração da Igreja, onde fosse possível para, através de contendas e escândalos ou ordens injustas perturbar ou impedir a celebração e a beleza do louvor divino e dos hinos espirituais.

Santa Hildegarda de Bingen (n. 1098; m. 1179)

Dias antes da sua morte, São Francisco estava enfermo em Assis, na casa episcopal, com alguns dos seus companheiros; e apesar de todas as suas enfermidades, cantava muitas vezes louvores a Cristo. Um dos companheiros disse-lhe: Pai, sabes que esta população te considera um santo homem e, por isso podem pensar que, se és realmente o que eles julgam, deverias, na tua doença, pensar na morte e chorar em vez de cantar, uma vez que tens doença grave; concordarás que o teu canto e o que nos fazes cantar são ouvidos por muitas pessoas, dentro e fora do palácio.

Considerações sobre os estigmas de São Francisco de Assis (1182; m. 1226)

Se cantamos apenas pelo prazer de cantar, a alma distrai-se e não dá atenção às palavras. Se, pelo contrário, cantamos por devoção, meditamos com mais atenção no que dizemos.

São Tomás de Aquino (n. 1228; m. 1274)

Mais do que os instrumentos, deve ouvir-se nos templos a voz humana.

São Pio X (n. Riese 1835; m. Roma 1914)

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