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Cantigas de roda especiais

CANTIGAS DE RODA ESPECIAIS

As cantigas de roda são criações musicais anónimas transmitidas oralmente de geração em geração. Podem tratar de vários temas, como os animais, o amor e a amizade. A letra é simples brincalhona, e a rima favorece a aprendizagem e memorização. O seu potencial é enorme e faz todo o sentido recriá-los e adaptá-los de modo a incluir crianças com necessidades educativas especiais.

Brincar em roda, cantando em uníssono de mãos dadas, possibilita a socialização e a coletividade entre as crianças que podem dançar e fazer coreografias divertidas. Pela sua importância cultural, as cantigas de rodas são realizadas em escolas públicas, privadas, em creches ou em espaços de educação não formal e ONG. Muitos professores fazem estas brincadeiras para ensinar as crianças sobre a importância da cultura folclórica.

Cai, cai balão

– Cai, balão! Cai, balão
Cai na rua do sabão!
– Não cai não! Não cai não,
Cai aqui na minha mão!

Cai, balão! Cai, balão,
Aqui na minha mão!
– Não cai não! Não cai não,
Tem cuidado com o cão!

Instruções

As crianças estão numa roda pequena. Quando começa a canção/poema, o balão é lançado e ninguém deve deixá-lo cair tendo, para isso, de o lançar com a mão para cima utilizando a força adequada.

Pode fazer-se em casa, de forma adaptada, entre adulto e criança sem limitações motoras significativas. Se estas limitações impedirem a mão da criança de se mover, a canção e o balão servirão para chamar a atenção da criança e despertar os sentidos. Neste caso, o adulto deixará que o balão caia tocando na mão, na cabeça ou nas pernas da criança. ]

Meu limão

Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de maracujá.
Uma vez, tindolelé,
Outra vez, tindolalá.

Pirulito bate, bate,
Pirulito já bateu!
Quem gosta de mim é ela,
Quem gosta dela sou eu.

Instruções

As crianças estão numa roda. Uma tem um limão, ou maracujá, que passa de mão em mão, na pulsação, sem cair. A criança que tiver o fruto na última palavra da canção/poema vai para o centro, e assim sucessivamente.

Na roda, ou em família, o grupo ajuda as crianças com necessidades especiais a participar tocando e sentindo o cheiro do fruto. Com dois, passam de um para o outro. Se a criança não conseguir passar, será o adulto a fazer os gestos necessários para que os sentidos da criança sejam envolvidos e estimulados. ]

Em casa, uma roda de cantigas pode ser um momento de diversão e desenvolvimento quando existe na família uma criança pequenina. Faz bem às crianças e dá felicidade aos adultos.

Olha o bichinho

Olha o bichinho
que está no meio
Ele é fofinho
e não é feio.

Deixai-o lá!
Está a dormir, a descansar.
Só depois é que o bichinho
diz quem dele vai cuidar.

Bichinho! 

Instruções

As crianças estão numa roda, com o bichinho no meio, com os olhos tapados. As crianças recitam ou cantam (com a melodia de Ó Laurindinha) as duas quadras andando na roda. Quando as crianças dizem/cantam “Bichinho!”, depois das quadras, o “bichinho” aponta com o dedo (de olhos fechados) e o que for apontado irá para o meio. Na vez seguinte, a criança escolhida para cuidar será substituída por outra, e assim sucessivamente. Quando há uma criança em cadeira de rodas, pode estar na roda ou no meio. Se não conseguir apontar, uma criança fará de tutor.

Em casa, com um balão cheio, o adulto diz um verso e repete; depois dois e a quadra toda. Não podendo realizar-se em pequena roda de três ou quatro, faz-se só entre adulto e criança.

Em casa, entre adulto e criança com deficiência profunda, coloca-se um animal de peluche entre eles. O adulto recita ou canta as duas quadras, (com a melodia de “Ó Laurindinha”). A criança sente a textura do bichinho e interage conforme as possibilidades. Depois dão uma volta, a pé ou em cadeira de rodas, pela sala, e regressam ao lugar do bichinho.

António José Ferreira

Crianças em musicoterapia

O contributo da Música na Educação Especial

Josiane Donatone

O contributo da música na Educação Especial consiste em ser facilitar o processo de aprendizagem, como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo, e também ampliar o conhecimento musical do aluno. A música é um bem cultural e o seu conhecimento não deve ser privilégio de poucos.

Desde cedo, a criança demonstra interesse por ritmos e sons musicais. Com o passar do tempo, a criança experimenta sons que pode produzir com a boca e é capaz de perceber e reproduzir sons repetitivos, acompanhando-os com movimentos corporais. Essa movimentação desempenha papel importante em todos os meios de comunicação e expressão que se utilizam do ritmo, tais como a música, a linguagem verbal e a dança.

Josiane Donatone

Som, ritmo e melodia são elementos básicos, essenciais da música e que podem, na plenitude da expressão musical, despertar e reforçar a sensibilidade do aluno, provocar nele reações de cordialidade e entusiasmo, manter a sua atenção e estimular a sua vontade.

Ao envolverem-se em atividades musicais, os alunos melhoram sua acuidade auditiva, aprimoram e ampliam a coordenação viso-motora, as suas capacidades compreensão, interpretação e raciocínio, descobrem sua relação com o meio em que vivem, desenvolvem a expressão corporal e oral.

Quanto mais as crianças têm oportunidade de comparar as ações executadas e as sensações obtidas através da música, mais a sua inteligência e o seu conhecimento se vão desenvolvendo. Numa escola onde muitos têm um histórico de frustrações – escolares e sociais – devido às duas dificuldades, o trabalho com artes e música é de fundamental importância para o seu desenvolvimento.

A música tem importância como meio de expressão e recurso didático no Ensino Especial. Sendo assim, as atividades com música contribuem para o desenvolvimento no convívio dos alunos no meio social, abrangendo os aspectos comportamentais assim como complementando os aspetos didáticos.

Leia AQUI toda a monografia, A Contribuição da Música na Educação Musical, de Josiane Donatone. Ligeiras adaptações.

Crianças em musicoterapia
Crianças em musicoterapia

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