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Lisboa

Senhora do Tejo

Sete colinas,
Sete versos de Lisboa,
Sete poemas de rimas
Nos olhos de uma pessoa.

És a cidade
Mais linda que tem o mar;
És a Rua da Saudade
Que trago no meu olhar.

Tens Madragoa e Alfama
E um Castelo de saudade,
Que dorme na tua cama
Desde a tua mocidade.

Lisboa da Mouraria,
Do Bairro Alto velhinho;
E é no Jardim da Alegria
A Praça do nosso hino.

E ficas tão engraçada
Com a Graça lá no alto,
Que veste a saia engomada
P’ra vir à Baixa num salto.

E a Rua Augusta
Emoldurando um navio,
Que atravessa a Santa Justa
Para vir beijar o Rossio.

É no Terreiro
Onde eu passo e me revejo,
Neste amor que eu te tenho
Senhora, mulher do Tejo.

Tens Madragoa e Alfama
E um Castelo de saudade,
Que dorme na tua cama
Desde a tua mocidade.

Lisboa da Mouraria,
Do Bairro Alto velhinho;
E é no Jardim da Alegria
A Praça do nosso hino.

E ficas tão engraçada
Com a Graça lá no alto,
Que veste a saia engomada
P’ra vir à Baixa num salto.

E ficas tão engraçada
Com a Graça lá no alto,
Que veste a saia engomada
P’ra vir à Baixa num salto.

Letra: José Luís Gordo (inicialmente creditado como Luís Alcaria)
Música: José Fontes Rocha
Intérprete: Joana Amendoeira* (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012)
Versão original: Maria da Fé (in LP “Fados”, Riso & Ritmo, 1978; LP “Meu País, Meu Fado”, Movieplay, 1985, reed. Movieplay, 1991, 2005; CD “Maria da Fé”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 33, Movieplay, 1994; 2CD “Maria da Fé: Nome de Fado: Antologia”: CD 1, Movieplay, 2005)
Outra versão de Maria da Fé (in CD/DVD “Maria da Fé: 50 Anos de Carreira: ao Vivo no Coliseu de Lisboa”, Ovação, 2009)
Outra versão: OqueStrada (in CD “Tasca Beat: o Sonho Português” (2.ª edição), Sony Music, 2010)

Lisboa
Lisboa
Joana Amendoeira

Marcha da Madragoa 1980

Ainda Lisboa
Sonha e dorme a sono solto
E o luar passeia envolto
No seu manto de mil estrelas,
A Madragoa
Já toda ela se agita,
Airosa fresca e bonita,
Num bailado de chinelas.

Ainda o galo
Não cantou o seu bom dia,
Já o meu bairro à porfia
Trabalha de que maneira;
É um regalo
Ver cortejos de varinas
Descendo a Rua das Trinas
A caminho da Ribeira.

Madragoa,
Chinela no pé,
Jeito de maré
P’ra cá e p’ra lá;
Madragoa,
Canastra à cabeça,
Ligeira na pressa
Que a vida lhe dá.

Madragoa,
Festiva gaivota
Que grita na lota,
Que canta e apregoa;
Madragoa,
Salgada e ladina,
Vistosa varina,
Cartaz de Lisboa.

A Madragoa
Que canta desde menina
Cantigas que o mar lhe ensina,
Com o mar dança também;
Doa a quem doa,
É dos bairros a rainha
E a coisa mais alfacinha
De quantas Lisboa tem.

E se abençoa
A fé dos seus monumentos,
Pois igrejas e conventos
Dão-lhe fé e caridade;
À Madragoa
Não falta desde criança
Toda a virtude da Esperança,
Que é a Esperança da cidade.

Madragoa,
Chinela no pé,
Jeito de maré
P’ra cá e p’ra lá;
Madragoa,
Canastra à cabeça,
Ligeira na pressa
Que a vida lhe dá.

Madragoa,
Festiva gaivota
Que grita na lota,
Que canta e apregoa;
Madragoa,
Salgada e ladina,
Vistosa varina,
Cartaz de Lisboa.

Madragoa,
Festiva gaivota
Que grita na lota,
Que canta e apregoa;
Madragoa,
Salgada e ladina,
Vistosa varina,
Cartaz de Lisboa.

Letra: Jorge Rosa
Música: José Fontes Rocha
Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012)
Versão original: Maria da Fé (in single “Marcha da Madragoa 1980 / Acerta Comigo”, Valentim de Carvalho/EMI, 1980; CD “Até Que a Voz me Doa” (compilação), col. Caravela, EMI-VC, 1991; CD “O Melhor de Maria da Fé”, Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2008; CD “Maria da Fé: Essencial”, Edições Valentim de Carvalho/CNM, 2014)

Joana Amendoeira
fadista Joana Amendoeira