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Sebastião Antunes & Quadrilha

Lá vem a Marianita, foi posta com as malas à porta
O amo mandou-a embora mas ela não chora, cá pouco se importa
Andava fisgado nela, foi ter-lhe ao quarto à tardinha
“Mariana, por mais que tu faças, tu de hoje não passas, és minha!”
“Não me dás cabo da vida que essa não ta dou por nada!
Mil vezes me dei perdida, mas outras mil eu dei-me achada.”

Desdenha, vem prenha
Pragueja, deseja e ralha mas quando trabalha não estranha

Que tens tu, ó Mariana, que não sossegas um dia?
Não foi proveito nem fama: já chora já mama, cá tudo se cria
Vai por serras e veredas a ver onde é que há jornada
Que importa que o povo diga se a vida castiga por tudo e por nada
O amo quere-a de volta mas ela não verga a haste
Hei-de criá-lo sozinha, a cria é só minha, tu tarde piaste

Desdenha, vem prenha
Pragueja, deseja e ralha mas quando trabalha não estranha

Desdenha, vem prenha
Pragueja, deseja e ralha mas quando trabalha não estranha

A noite é que guarda a Lia
O poente é que a embala
P’ra a vida não ser bravia
Tem de a gente amansá-la
A mão que nos guarda a vida
É a mão que nos dá a manha
Só leva a vida vencida
Quem aprova e não estranha

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha com Segue-me à Capela (in CD “A Cor da Vontade”, Vachier & Associados, 2003)

Sebastião Antunes & Quadrilha
Sebastião Antunes & Quadrilha