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David Mourão-Ferreira

Anda o Sol na minha rua,
Cada vez até mais tarde,
A ver se pergunta à Lua
A razão por que não arde.

Tanto quer saber porquê,
Mas depois fica calado;
E nunca ninguém os vê
Andarem de braço dado.

Se me persegues de dia,
Se à noite sempre me deixas,
Não digas que é fantasia
A razão das minhas queixas.

Só andas enciumado
Quando eu não te apareço,
Mas se me tens a teu lado
Nem ciúmes te mereço!

Anda o Sol na minha rua,
Cada vez até mais tarde,
A ver se pergunta à Lua
A razão por que não arde.

Letra: David Mourão-Ferreira
Música: José Fontes Rocha
Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012)
Primeira versão (com música de José Fontes Rocha): Amália Rodrigues (in EP “Ai Chico, Chico”, Columbia/VC, 1969; LP “Anda o Sol na Minha Rua” (compilação), Valentim de Carvalho, 1977; CD “Ai Chico, Chico” (compilação), col. Caravela, EMI-VC, 1996; 2CD “O Melhor de Amália”: vol. III – “Fado da Saudade”: CD 1, EMI-VC, 2003; CD “Amália Canta David”, Edições Edições Valentim de Carvalho/iPlay, 2011)
Versão original (com música de Joaquim Campos): Mercês da Cunha Rego (in EP “Mercês da Cunha Rego (Fado dos Ninhos)”, Áquila, 1968; CD “Mercês da Cunha Rego [e] Teresa Siqueira”, col. Fados do Fado, vol. 49, Movieplay, 1998)

David Mourão-Ferreira
David Mourão-Ferreira
Maria Armanda, Simplesmente

Teu Nome Simplesmente

Dizer-te namorada será pouco,
Chamar-te companheira não me basta;
Quisera dar-te um nome bem mais louco
Porque a palavra amante já está gasta.

Teu nome é um sorriso na manhã,
Uma rima de sol na minha mão,
Que sabe a Primavera e a romã
Com travo de hortelã e de limão.

Quisera amor-perfeito, minha amiga,
Chamar-te verde nome: Alecrim!
Mas tu, além de flor, és a cantiga
No chão deste poema que há em mim.

Assim eu gasto os dias à procura
De um nome que não seja feito à toa,
E com palavras gastas de ternura
Chamo-te, simplesmente, só Lisboa!

Letra: Mário Rainho
Música: José Fontes Rocha
Intérprete: Joana Amendoeira (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012)
Versão original: Maria Armanda (in LP/CD “Simplesmente”, Discossete, 1991)

Maria Armanda, Simplesmente
Maria Armanda, Simplesmente
Lisboa

Senhora do Tejo

Sete colinas,
Sete versos de Lisboa,
Sete poemas de rimas
Nos olhos de uma pessoa.

És a cidade
Mais linda que tem o mar;
És a Rua da Saudade
Que trago no meu olhar.

Tens Madragoa e Alfama
E um Castelo de saudade,
Que dorme na tua cama
Desde a tua mocidade.

Lisboa da Mouraria,
Do Bairro Alto velhinho;
E é no Jardim da Alegria
A Praça do nosso hino.

E ficas tão engraçada
Com a Graça lá no alto,
Que veste a saia engomada
P’ra vir à Baixa num salto.

E a Rua Augusta
Emoldurando um navio,
Que atravessa a Santa Justa
Para vir beijar o Rossio.

É no Terreiro
Onde eu passo e me revejo,
Neste amor que eu te tenho
Senhora, mulher do Tejo.

Tens Madragoa e Alfama
E um Castelo de saudade,
Que dorme na tua cama
Desde a tua mocidade.

Lisboa da Mouraria,
Do Bairro Alto velhinho;
E é no Jardim da Alegria
A Praça do nosso hino.

E ficas tão engraçada
Com a Graça lá no alto,
Que veste a saia engomada
P’ra vir à Baixa num salto.

E ficas tão engraçada
Com a Graça lá no alto,
Que veste a saia engomada
P’ra vir à Baixa num salto.

Letra: José Luís Gordo (inicialmente creditado como Luís Alcaria)
Música: José Fontes Rocha
Intérprete: Joana Amendoeira* (in CD “Amor Mais Perfeito: Tributo a José Fontes Rocha”, CNM, 2012)
Versão original: Maria da Fé (in LP “Fados”, Riso & Ritmo, 1978; LP “Meu País, Meu Fado”, Movieplay, 1985, reed. Movieplay, 1991, 2005; CD “Maria da Fé”, col. O Melhor dos Melhores, vol. 33, Movieplay, 1994; 2CD “Maria da Fé: Nome de Fado: Antologia”: CD 1, Movieplay, 2005)
Outra versão de Maria da Fé (in CD/DVD “Maria da Fé: 50 Anos de Carreira: ao Vivo no Coliseu de Lisboa”, Ovação, 2009)
Outra versão: OqueStrada (in CD “Tasca Beat: o Sonho Português” (2.ª edição), Sony Music, 2010)

Lisboa
Lisboa