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Dundun, bimembranodone cilíndrico, Guiné

Dundun (tal como dunun, doundoun ou djun djun) designa uma família de bimembranofones cilíndricos de percussão direta tradicional da África Ocidental. O maior dos tambores chama-se doundounba; o médio, sangban; e o menor, kenkeni.

Djun djun, foto Sílvia Barny, na Guiné-Bissau, 2019

Doundumba é um unimembranofone tradicional da África Ocidental, o maior dos tambores da família dundum (ou djun dun). O médio, sangban; e o menor, kenkeni.

Toncoron, Guiné-Bissau

Toncoron, também chamado wodo, é um cordofone de arco de três cordas, originário da etnia fula, Guiné-Bissau (África Ocidental). É utilizado nas festas e acompanha o contar de histórias. Encontra-se nas regiões de Bafatá e Gabú, no Leste do País.

Tambor de Mandinga, Guiné-Bissau

Cutil é um tambor em forma de taça feito de madeira, revestida com pele de cabra, o tambor médio do chamado “tambor de Mandinga”, tradicional da Guiné-Bissau. O tambor de Mandinga é um instrumento musical usado pelas etnias Mandinga (um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental), Fula (grupo étnico que compreende várias populações espalhadas pela África Ocidental) e Biafada (etnia que se encontra na Guiné-Bissau, Senegal e Gâmbia). É constituído por três tambores de tamanhos diferentes, cada um com o seu nome e som. O mais alto tem o nome de sabaro, que significa “cabeça do tambor”; o menor tem o nome de “cutildim“, que significa “tambor pequeno”. O instrumento é usado nas “djanbadon” (manifestações), casamentos, colheitas e cerimónias de divindades.

Colaboração: Wilson da Silva

Sabaro, África Ocidental

Sabaro, que significa “cabeça do tambor” (também chamado “sarouba”) é um tambor em forma de taça feito de madeira com pele de cabra, tocado com pequeno bastão. Na Guiné-Bissau é o instrumento mais alto do conjunto chamado “tambor de Mandinga”. O tambor de Mandinga é um instrumento musical usado pelas etnias Mandinga, ou Mandinka (um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental), Fula (grupo étnico que compreende várias populações espalhadas pela África Ocidental) e Biafada (etnia que se encontra na Guiné-Bissau, Senegal e Gâmbia). É constituído por três tambores de tamanhos diferentes, cada um com o seu nome e som. O tambor médio é chamado “cutil“; o menor tem o nome de “cutildim“, que significa “tambor pequeno”. O instrumento é usado nas “djanbadon” (manifestações), casamentos, colheitas e cerimónias de divindades.

Colaboração: Wilson da Silva

Ondam

Ondam é um membranofone tradicional da etnia Papéis, na Guiné-Bissau (África Ocidental). É utilizado na cerimónia de toca-choro nas das balobas e dos balobeiros. O termo Baloba remete para a dimensão física do terreiro que simboliza o lugar onde as incorporadoras da ancestralidade, as Balobeiras, vivem nas matas sagradas e fazem as consultas espirituais. (Por dentro da África). O ondam é acompanhado por outros dois, um médio e outro agudo. Quem toca o maior, o principal, tem de conhecer a linhagem da pessoa falecida chamada do mundo dos mortos.Cada reino da etnia Papéis de Bissau tem este instrumento. O menor e mais agudo é chamado “bruntom” e marca o compasso no momento de toca-choro. Este instrumento não pode ser transportado de qualquer maneira: para se deslocar de um lado para outro tem que haver uma pequena cerimónia em que aguardente é derramada no chão como pedido de autorização às divindades.

Colaboração: Wilson da Silva

Sadjo, Guiné-Bissau

Sadjo (coco de manga) é um idiofone de agitação utilizado por toda a Guiné-Bissau (África Ocidental) e especialmente associado à mulher e à dança. Trata-se de um conjunto entre 10 e 15 sementes de manga secas, enfiadas num cordel e colocadas à volta do tornozelo para marcar e ampliar o ritmo. As sementes contêm no interior pedrinhas muito pequenas que foram colocadas com o objetivo de produzir sons. Os cocos de mango são usados em diversas festas populares em que participam homens e mulheres. Considerado corriqueiro e comum por ser de muito fácil construção, é um instrumento muito popular na Guiné-Bissau.

Colaboração: Wilson da Silva

Ontambor, Guiné-Bissau

Ontambor é um membranofone tradicional da etnia Mancanha na Guiné-Bissau (África Ocidental). É usado em manifestações, festas das colheitas e empossamento dos régulos. Também é tocado na udance (dança tradicional mancanha), acompanhado pelo uneca.

Colaboração: Wilson da Silva

Tina, ou ontina, ou tambor de água

Ontina é o nome dado na etnia manjacas à tina, também chamada tambor de água. É um instrumento musical utilizado na Guiné-Bissau (África Ocidental), na província, no norte, e nas cidades. Consiste em tambores cortados ao meio e cheio de água onde se coloca uma cabaça hemisférica que é percutida com as mãos. Instrumento muitas vezes associado à vida na cidade, a tina é utilizada em festas, casamentos e atividades recreativas de mandjuandades (pessoas da mesma idade) e a cerimónia de “choro” das pessoas idosas, que acontece uma semana após o funeral. É um instrumento de ressonância com um som cavo (“baixo zumbido”). Serve de base rítmica a canções e dançarinos, quase sempre acompanhada com palmas. De acordo com o Atlas dos Instrumentos da Guiné-Bissau, habitualmente é tocado por duas pessoas, sentadas ou agachadas, uma que toca com as mãos, abertas ou fechadas, em cima da cabaça, e outra que no recipiente (tanque) com duas baquetas de metal. O som ressoa na água.

Baseado em Manual de Apoio aos Cursos de Artes Performativas, Bissau

Colaboração: Wilson da Silva

Bombolom, Guiné-Bissau

Bombolom é um idiofone de percussão direta tradicional da Guiné-Bissau (África Ocidental). É um tambor de fenda construído a partir de um tronco de árvore (bissilon) escavado longitudinalmente. Existem bombolons com cerca de 1,5 metros e outros tamanhos. O instrumento é percutido com baquetas de madeira e pode ser tocado por um ou dois executantes em simultâneo. São sobretudo homens que o tocam, e dos mais velhos, de pé ou sentados no chão. O som varia conforme o lado. Este instrumento desempenha funções de comunicação, sendo utilizado para transmitir mensagens, designadamente sobre falecimentos.

É tradicionalmente usado em todas as manifestações sócio-culturais, cerimónias de iniciação (fanados), cerimónias de toca-choro (toca-tchur). Nesta cerimónia fúnebre tradicional e festiva, em memória de uma pessoa de certa idade que faleceu há algum tempo, são sacrificados animais (porco, cabra, vaca). O bombolom tem uma componente mística, de  comunicação com as divindades.

O Atlas dos Instrumentos Tradicionais da Guiné-Bissau refere: “Na etnia mancanha, toca-se num conjunto de três bombolons e aquele que toca o mais pequeno tem de conhecer os parentes do defunto, transmitindo assim a história da família”. Quem toca o mais pequeno tem de conhecer os parentes do defunto, transmitindo a história da família. “Não se pode deslocar o instrumento de um lado para outro sem fazer uma pequena cerimónia que consiste em levar um litro de aguardente (cana). Durante o transporte e como determina a regra, o bombolon vai sendo tocado”. (AITGB). A aguardente é oferecida ao espírito para ter acesso ao instrumento. A palavra vem do crioulo bombolõ, com base em onomatopeia.

Colaboração: Wilson da Silva