Escola musical

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Auditório Municipal Escola de Música da Póvoa de Varzim

Escola de Música da Póvoa de Varzim

Excerto da dissertação de mestrado de Catarina Sousa “Consciência Corporal na Música: breve abordagem sobre a sua importância no ensino do cravo, Porto ESMAE 2018, 2-3.

EMPV

Ainda que criada em 1988 pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, a escola de música apenas obteve autorização provisória de funcionamento do Ensino Básico, com paralelismo pedagógico em 1990; no ano lectivo 1991/92, obteve a mesma autorização de funcionamento agora para o Ensino Complementar sendo que, no ano lectivo 1996/97, obteve autorização definitiva de funcionamento concedida pelo Ministério da Educação através do Departamento de Ensino Secundário.

No seu primeiro ano de funcionamento foram registadas 58 matrículas e desde o ano lectivo 1995/96 que as matrículas estabilizaram numa média de 250 alunos, salientando que a frequência real é superior (350 alunos por ano), correspondendo ao limite físico das suas instalações.

De 1988 a 1995, a escola começou inicialmente por funcionar em instalações provisórias cedidas pela paróquia de S. José de Ribamar inaugurando as actuais instalações na Rua D. Maria I nº 56 no dia 1 de Outubro de 1995, estando inserida nas instalações camarárias do Auditório Municipal da Póvoa de Varzim. Inicialmente propriedade da Câmara Municipal, a Escola deveu a sua manutenção e funcionamento ao subsídio anual do Ministério da Educação (Contrato de Patrocínio), às mensalidades dos alunos e comparticipação da autarquia sendo que actualmente, para além destas entidades, acrescenta-se também o financiamento do Programa Operacional Potencial Humano (POPH) através do Eixo 1.6 (financia os 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico).

A 24 de Janeiro de 2003, foi criada, pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e pela Banda Musical da Póvoa de Varzim, a Associação Pró-Música da Póvoa de Varzim (APMPV) que passou a gerir o Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim (FIMPV), a Orquestra Sinfónica da Póvoa de Varzim (designada mais tarde por Orquestra/Quarteto Verazin) e a Escola de Música da Póvoa de Varzim (EMPV), anteriormente denominada como Escola Municipal de Música da Póvoa de Varzim-EMMPV.

A partir do ano lectivo 2009/2010 foi estabelecido um protocolo entre a Escola de Música e as Escolas Básicas do 2º e 3º Ciclo Dr. Flávio Gonçalves e Cego do Maio onde foi possível dar início à constituição de duas turmas de 5º ano (1º Grau) de Ensino Artístico Especializado de Música, em Regime Articulado (uma em cada estabelecimento de ensino), privilegiando a existência de uma formação de base musical, reforçando a educação artística dos alunos e salvaguardando a possibilidade de interagir com os planos de estudos do Ensino Regular.

É permitida a frequência de cursos em diferentes instrumentos aos alunos através da leccionação da componente de formação vocacional na escola garantindo, àqueles que concluam com aproveitamento todas as disciplinas dos respectivos planos de estudos do Curso Básico de Música, a obtenção de uma dupla certificação: a da conclusão do Ensino Básico e o Diploma do Curso Básico da área artística de Música (do Instrumento em que estiver matriculado).

Catarina Sousa

Catarina Sousa

Órgãos de Torres Vedras

ÓRGÃOS DE TORRES VEDRAS

IGREJA DA MISERICÓRDIA

Após a recuperação, o órgão de tubos da igreja da Misericórdia de Torres Vedras ganhou nova vida através de concertos e ateliês.

Érica Zlotea chega todos os sábados à igreja da Misericórdia de Torres Vedras com o caderno de pautas debaixo do braço. De olhos muito vivos, a jovem aprendiz aguarda o início da aula de órgão de tubos, no âmbito de um ateliê criado em parceria com a Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues. Desde que restaurou o instrumento histórico, em 2008, a Misericórdia de Torres Vedras contribuiu para a formação de mais de 80 crianças e adultos da comunidade.

O órgão construído pelo galego Bento Fontanes (1745-1793) renasceu pelas mãos de Dinarte Machado. Um investimento, no valor de cerca de 110 000€, que na opinião do provedor Vasco Fernandes era inevitável. “Era uma pena termos uma peça belíssima, segundo as opiniões de muitos técnicos, e não lhe darmos qualquer uso. Convidámos depois o professor Daniel Oliveira – atual organista titular– para iniciar as aulas de órgão porque estes instrumentos se estragam se estiverem parados”.

Daniel Oliveira assumiu a missão de valorizar e divulgar o instrumento, através do ensino e dinamização de um ciclo anual de órgão. “Quero torná-lo mais acessível às crianças, com reportório adequado à idade, pegando em temas populares, e torná-lo mais próximo do ouvinte”.

O coro alto da igreja é o espaço onde quase tudo acontece. Uma “sala de aula muito especial” que Érica e Diogo, os alunos que acompanhamos neste dia, conhecem de olhos fechados. “Com as duas mãos?”, pergunta a primeira pupila no inicio da lição. “Começamos pela direita e cantamos ao mesmo tempo”, pede Daniel Oliveira. Empoleirada no banco de madeira, Érica segue a partitura com a responsabilidade de um adulto. No próximo ano vai integrar o curso vocacional ministrado pela Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues, o “conservatório da cidade”. Em pequena, escrevia cartas ao pai natal a pedir um piano. Hoje tem um órgão de quase 300 anos como instrumento musical. Não é igual ao piano, mas cumpre as expetativas da jovem entusiasta. “Tem um som mais agradável, mais grave e forte”.

O próximo aluno não se deixa intimidar pela antiguidade e dimensão do órgão de tubos. Toca desde os 5 anos, no âmbito das aulas de iniciação musical da creche da Misericórdia, e beneficia da disciplina incutida nas lições. “Noto que o Diogo sai daqui mais concentrado e aprende a lidar com o stress. O professor incentiva-os independentemente de falharem”, comenta a mãe, Filipa Carvalho.

Os rituais são cumpridos semanalmente pela criança de 9 anos no início de cada lição. Ajeitar a cadeira, corrigir a postura e fazer exercícios de aquecimento com os pulsos. “Tens de confiar”, diz a Diogo Zambujo. “Ainda estás preso à partitura, não é preciso pensar”.

Mesmo que o objetivo não seja seguir a via profissional, Daniel Oliveira aposta na iniciação ao órgão desde muito cedo, valorizando a criatividade e disciplina potenciadas com o ensino da música. “É uma coisa que os marca para a vida. Não é apenas uma ocupação de tempos livres”.

Este esforço reflete-se na postura e envolvimento das famílias, seja através do interesse no desenvolvimento da criança, seja pelo aumento da procura junto da comunidade. “É um instrumento invulgar, daí a nossa curiosidade. É uma oportunidade única e uma forma de valorizar um património muito valioso da cidade”, considera a mãe do jovem aluno.

O músico e investigador Daniel Oliveira constata que “este é um instrumento cada vez mais acarinhado pelos torrienses” e isso vê-se nos dias de concerto, transmitidos em direto pela autarquia. No último trimestre de cada ano, os bancos da igreja enchem-se de locais e visitantes desejosos de escutar o órgão, nas suas múltiplas vertentes (acompanhado de canto ou pequena orquestra), e mesmo à distância é possível apreciar o “exotismo e brilho típico do instrumento histórico”.

Daniel Oliveira salienta a vocação pedagógica do evento – recitais comentados e atividade lúdica destinada a crianças e jovens -, que é já uma “marca e oferta cultural da cidade” e assinala em 2018 a sua terceira edição.

Quem não conhece esta peça única na cidade, com “personalidade própria” e um registo versátil – “dois timbres no mesmo teclado” – e está curioso para ouvir a sonoridade característica da segunda metade do século XVII/primeira metade do século XVIII terá de aguardar pelo mês de outubro ou acompanhar uma das cerimónias solenes realizadas na igreja da Misericórdia, ao som do órgão Bento Fontanes (1773).

Daniel Oliveira é professor na Musicentro Escola de Música – Salesianos de Lisboa, Escola de Música Luís António Maldonado Rodrigues e organista na igreja matriz de Oeiras.

Adaptado de Ana Cargaleiro de Freitas, Voz das Misericórdias, maio de 2018, acesso e adaptação a 28 de agosto de 2018.

 

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