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Para Namorar Morena

Nun me gusta l pan centeno
que m’amarga la costreza;
S’algun die falei contigo,
nun me pesa, nun me pesa!

Para namorar,
para namorar, morena…
Para namorar,
bun çapato i buona meia!

Sei un ciento de cantigas
i mais ua talagada:
Puodo cantar toda a noite
i mais toda la madrugada.

Para namorar,
para namorar, morena…
Para namorar,
bun çapato i buona meia!

Diabos lhieben ls ratos
i ls dientes das formigas,
que me robírun ls lhibros
donde stában las cantigas!

Para namorar,
para namorar, morena…
Para namorar,
bun çapato i buona meia!

Yá comi, yá bui,
tengo la barriga chena!
Mas de l amor tengo fame:
só te quiero a ti, morena!

Para namorar,
para namorar, morena…
Para namorar,
bun çapato i buona meia!

Ó senhor da casa,
quiero la mano da sue filha!
You yá la namoro
hai nuobe meses i un die;
Tengo l lhume aceso,
quiero ser sou marido,
la cama caliente
pra deitar l nuosso nino.

Alhá na nuossa tierra
sou you l regidor:
Yá nun tengo mula,
cumprei um tractor;
Cabeço de la Trindade
yá sembrei la huorta:
Tardo quatro jeiras
para dar la ronda.

Ó senhor da casa,
quiero la mano da sue filha!
You yá la namoro
hai nuobe meses i un die;
Tengo l lhume aceso,
quiero ser sou marido,
la cama caliente
pra deitar l nuosso nino.

Letra: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina (estrofes incipit “Ó senhor da casa” e “Alhá na nuossa tierra”)
Música: Tradicional (Planalto Mirandês, Trás-os-Montes) e Galandum Galundaina
Intérprete: Galandum Galundaina (in CD “Quatrada”, Açor/Emiliano Toste, 2015)

Planalto Mirandês
Planalto Mirandês
Reis na Casa dos Açores em Toronto

Os Reis

Para te cantar os Reis
Trepei tua canadinha,
Trepei tua canadinha;
Daqui não levanto o pé
Sem chouriço ou galinha,
Sem chouriço ou galinha!

Está um terrale que corta!
Se tu és homem de brio,
Se tu és homem de brio,
Vem-nos abrir a porta!
Estou enrilhado com frio,
Estou enrilhado com frio.

Ó porta que te não abres,
Ó ferrolho que não corres,
Ó ferrolho que não corres,
Ó almas, em consciência,
Não considereis que morres?
Não considereis que morres?

Letra e música: Tradicional (Vila do Nordeste, Ilha de São Miguel, Açores)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1960) (in 7LP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1965, reed. 4CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de S. Miguel”: CD 1, faixa 5, Açor/Emiliano Toste, 2001)
Intérprete: Helena Oliveira (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)

Reis na Casa dos Açores em Toronto
Reis na Casa dos Açores em Toronto
Ilha de Santa Maria (Açores)

Chamarrita Zaragateira (moda de baile)

É manhã, não é manhã,
Já as chocalheiras começam
A falar da vida alheia
Que é o rosário que rezam.

Chamarrita, rita, rita,
Eu venho contradizer
Qu’eu hei-te dar um jeitinho
Que a outro não hás-de querer!

Quando eu comecei a amar
Foi numa segunda-feira;
Fui amando e fui gostando,
Levei a semana inteira.

Esta é que é a chamarrita:
São garrafas, não são bilhas
E aqui está como se canta
A chamarrita das ilhas!

É manhã, não é manhã,
Já as chocalheiras começam
A falar da vida alheia
Que é o rosário que rezam.

Esta é que é a chamarrita:
São garrafas, não são bilhas
E aqui está como se canta
A chamarrita das ilhas!

Nota: «A “Chamarrita Zaragateira”, recolhida na ilha de Santa Maria por Artur Santos, parece, pela própria denominação ou interpretação do texto de cariz espirituoso, ser uma moda que chama o povo para a dança e para a diversão. O arranjo sugere-nos imagens das coscuvilheiras da aldeia, “é manhã, não é manhã, / já as ‘chocalheiras’ começam” a gastar o seu tempo “a falar da vida alheia”…» (Helena Oliveira)

Letra e música: Tradicional (Ilha de Santa Maria, Açores)
Informantes: Manuel Coelho de Rezendes (canto), José de Andrade Chaves e António Augusto Cabral (violas de arame)
Recolha: Artur Santos (campanha de 1958) (in 12EP “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1963; 2CD “O Folclore Musical nas Ilhas dos Açores: Antologia Sonora da Ilha de Santa Maria”: CD 1, faixa 2, Açor/Emiliano Toste, 2002)
Intérprete: Helena Oliveira* (in CD “EssênciasAcores”, Helena Oliveira/HM Música, 2010)
Primeira versão [?]: Emiliano Toste (in CD “Andanças do Mar”, Açor/Emiliano Toste, 2002)

Joaquim Manuel Teles (Quiné) – arranjo, percussão e voz
Mike Ross – tuba
*Helena Oliveira – concepção de vozes e voz

Ilha de Santa Maria (Açores)
Ilha de Santa Maria (Açores)