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Cristo Rei

Urbes

Colmeias,
Laços de aço forjado,
Um suor doce-salgado
Do rio que abraça o mar…

Na tempestade e na bonança,
Onde navega a esperança,
Rouco, o vento esforça a voz:
Ânsias de chegar… de chegar à foz.

Inocentes moinhos de maré.
Complacentes as casas alinhadas,
Escuras, esfumadas;
Prostradas à chaminé,
Sentinela de obreiras exploradas…
Noite e dia.

Outro tempo o dos Camarros,
Que eram senhores do rio.
E o pescado bem regado
Com Bastardinho do Lavradio.

O vento arrasta o manto sufocante,
Avista-se Seixal e Almada.
Sente-se o cheiro da madrugada
E o sabor da brisa siflante,
Que acaricia a vela de um varino.

Lá em cima é a mina,
Diz a douta menina.
O Cristo é Rei e o burgo cresce.
Vai de Cacilhas a burricada,
Passa em Almada, cidade bela;
Na Piedade espero por ela.

Que torrente de sentidos!
Respiro na maré cheia.
Nos meus sonhos proibidos,
Na Caparica pesco a sereia.

Letra e música: Álvaro M. B. Amaro
Intérprete: Dialecto
Versão original: Dialecto (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)

Cristo Rei
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