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Ramo de oliveira

A azeitona por ser preta
Ai, vai-se a moer ao lagar;
Também eu por ser trigueira
Ai, na terra me hei-de eu casar.

A oliveira pequenina
Ai, que azeitona pode dar?
Um baguinho, até dois
Ai, até muito carregar.

Nós andamos na vindima,
Ai, que lindos cachos que saem!
Havemos de pendurá-los,
Ai, todo o tempo sabem bem.

A azeitona por ser preta
Ai, vai-se a moer ao lagar;
Também eu por ser trigueira
Ai, na terra me hei-de eu casar.

A oliveira pequenina
Ai, que azeitona pode dar?
Um baguinho, até dois
Ai, até muito carregar.

Nós andamos na vindima,
Ai, que lindos cachos que saem!
Havemos de pendurá-los,
Ai, todo o tempo sabem bem.

Letra e música: Tradicional (Outeiro, Sertã, Beira Baixa)
Recolha: Armando Leça (1939-40)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)

*César Prata – guitarra acústica de cordas de aço
Suzete Marques – voz
Tiago Pereira – adufe, caixixi e udu drums

Ramo de oliveira
Ramo de oliveira
César Prata

Moda de Malhar

Ai, ó gentinha desta terra,
Ai, venham ver a grande malha!

Umas ceifam, outras erguem
E outras seguram…
E outras seguram…
E outras seguram a palha.

Ai, nosso amo anda agastado,
Ai, é por ver o sol baixinho.

Estamos ao cimo da eira,
Ai, venha a botelha…
Ai, venha a botelha…
Ai, venha a botelha do vinho!

Ai, lá baixo vem a raposa
Ai, com seu rabo pelo chão,

Procurar aos lenhadores
Se têm um carneiro…
Se têm um carneiro…
Se tem um carneiro ou não.

Nosso amo tem uma vaca,
Ai, também tem um bezerrinho:

A vaca chama-se Andurra
E o bezerro vem…
E o bezerro vem…
E o bezerro vem ao vinho.

Ai, já roubaram ao moleiro
Ai, a filha pelo telhado:

Julgavam que era presunto
Que estava depen…
Que estava depen…
Que estava dependurado.

Moda de Malhar
Letra e música: Tradicional (Cedovim, Vila Nova de Foz Côa, Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)

*César Prata – guitarra eléctrica e voz
Suzete Marques – voz
Tiago Pereira – bombos

César Prata
César Prata
Trigo loiro

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera o teu valor!
Que entrara no cálice de oiro,
Ai, onde entra Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera a tua cor!
Levara a cruz ao Calvário,
Ai, como fez Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera o teu valor!
Que entrara no cálice de oiro,
Ai, onde entra Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera a tua cor!
Levara a cruz ao Calvário,
Ai, como fez Nosso Senhor.

Trigo Loiro (cantiga de ceifa)
Letra e música: Tradicional (Gonçalo, Guarda, Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)
Outras versões com César Prata: Chuchurumel – “Canção da Ceifa” (in CD “No Castelo de Chuchurumel”, Chuchurumel/Luzlinar, 2005); Ai! (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)

*César Prata – guitarra eléctrica, laptop e viola braguesa
Suzete Marques – voz
Tiago Pereira – cabaça, tigela tibetana e udu drums

Trigo loiro
Trigo loiro
Sortelha

A Bela Infanta (romance novelesco)

Estando a Dona Infanta
No seu jardim assentada,
Com o seu pente d’oiro
Seus cabelos penteava.

Deitou os olhos ao largo,
Viu vir uma grande armada;
Capitão que nela vinha
Muito bem a governava.

— «Dizei-me, meu capitão
Dessa tão formosa armada,
Se vistes o meu marido
Em terras que Deus pisava!»

— «Dizei-me, minha senhora,
Os sinais que ele levava!»
— «Levava cavalo branco,
Selim de prata dourada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.»

— «Pelos sinais que me deste
Tal cavaleiro não vi…
Mas quanto dareis, senhora,
A quem o trouxera aqui?»

— «Daria tanto dinheiro
Que não tem conto nem fim
E as telhas do meu telhado
Que são de oiro e marfim.»

— «Guardai o vosso dinheiro,
Vossas telhas de marfim!
Vosso marido sou eu,
Reparai bem para mim!

O anel de sete pedras
Que eu convosco reparti:
Que é dela a outra metade?
Pois a minha vê-la aqui!»

— «Andai cá, ó minhas filhas,
Que o vosso pai é chegado!
Abram-se os novos portões
Há tanto tempo fechados!
Vamos dar graças a Deus,
Graças a Deus consagrado!»

Letra e música: Tradicional (Dirão da Rua, Sortelha, Sabugal, Beira Alta)
Arranjo: César Prata e Vânia Couto
Intérprete: César Prata e Vânia Couto
Versão discográfica de César Prata e Vânia Couto (in CD “Rezas, Benzeduras e Outras Cantigas”, Sons Vadios, 2019)

Sortelha
Sortelha