Tag Archive for: canções infantis

Criança na sala de aula

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A Lisete toca trompete

A Lisete toca trompete
e o João toca violão.
O Heitor toca tambor
e a Conceição toca acordeão.

O Albano toca piano
e o Albino toca violino.
O José toca jambé
e o Marcelino toca bombardino.

O Gustavo toca cravo
e o Delfim toca flautim.
A Maria toca bateria
e o Joaquim toca cornetim.

António José Ferreira ]

Come sopa com feijão

Come sopa com feijão
mas de gorduras,
não abuses, não.

Peixe de rio ou de mar
cheira tão bem se a mãe o cozinhar.

Cuida da alimentação,
come laranjas,
peras e melão.

Ai que bons os cereais!
E também gosto
de outros vegetais.

Come um ovo por semana.
Terão saúde
o pai, a mãe a mana.

Come fibras e legumes.
Quando cresceres,
nunca, nunca fumes.

António José Ferreira ]

Cuida sempre da alimentação

Cuida sempre da alimentação,
come sopa, come feijão!
Cuida sempre da alimentação,
come uvas, pera, melão.

Cuida sempre da alimentação,
come truta, polvo, salmão;
cuida sempre da alimentação,
come alface e agrião.

Cuida sempre da alimentação
bebe água de verno ou verão;
cuida sempre da alimentação,
joga e corre com precaução.

António José Ferreira ]

Este é o nosso dia

Este dia é o nosso dia.
Vem, ó pai, ficar comigo.
Quero dar-te aquele abraço
que se dá ao grande amigo.

Mostra-me aquilo que sabes,
vê aquilo que já faço.
Para ti tenho um poema
com a forma de abraço.

António José Ferreira ]

Disse a professora

Disse a professora
ao seu esqueleto:
mexe lá o crânio,
não sejas obsoleto.

Refrão:
Quélè quélè qué
lè quélè quélè quélè.

Disse a professora
ao seu esqueleto:
mexe lá a coluna,
não sejas obsoleto,
mexe lá o crânio,
não sejas obsoleto.

Disse a professora
ao seu esqueleto:
mexe lá os membros,
não sejas obsoleto.
Mexe lá a coluna,
não sejas obsoleto.
Mexe lá a cabeça,
não sejas obsoleto.

António José Ferreira ]

Ele não larga o boneco

Ele não larga o boneco,
não o larga nunca nem p’ra dormir.
Rui, dá descanso ao boneco,
ou a tua mãe vai-te proibir.

Ele não larga o boneco,
não o larga nunca, nem p’ra estudar.
Rui, dá descanso ao teu boneco,
ou a professora vai-to confiscar…

António José Ferreira ]

Escola amiga

Escola minha amiga
ajuda-me a crescer.
Já faço tantas coisas,
muitas mais vou fazer.

Com todos os amigos
a brincar aprendi.
Nos livros, nas estórias,
quanto já descobri.

Bate o Verão à porta,
leva-me a passear.
Quero ouvir as cigarras
e as ondas do mar.

António José Ferreira ]

Faz como o Rodrigo

Faz como o Rodrigo.
Mostra lá que és amigo.

Faz como o Gonçalo.
Divertido é imitá-lo.

Faz como a Maria
a tocar com alegria.

Faz como o Vicente,
para trás e para a frente.

Faz como o José.
Faz que tocas o jambé.

Faz como o Simão
a tocar acordeão.

Faz como a Andreia,
a calçar a sua meia.

Faz como a Joana
a tocar flauta de cana.

Forte é o teu abraço

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso,
ter-te ao meu lado, ó pai,
é tudo o que eu preciso.

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso.
Ter-te ao meu lado, ó mãe,
é tudo o que eu preciso.

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso.
Ter-te ao meu lado, avô,
é tudo o que eu preciso.

Forte é o teu abraço,
meigo é o teu sorriso.
Ter-te ao meu lado, avó,
é tudo o que eu preciso.

Foi há muito tempo: História da poluição

Foi há muito, muito tempo,
‘stava a história a começar.
Tinham homem e mulher
o dia todo p’ra caçar.
Ninguém tinha a sua horta
nem plantava o pomar.
O céu era mesmo azul
e o ar bom p’ra respirar.

Foi há muito, muito tempo,
ninguém sabia escrever;
nem sequer era preciso
as florestas abater.
O homem não sabia ainda
fazer fogo p’ra aquecer;
um raio caiu num ramo
que logo ficou a arder.

O homem não descansou
até fogueiras acender.
O fogo chegou à carne
e ai que bom era o comer!
O homem fazia o fogo
mas não o sabia conter.
Com incêndios na floresta,
fauna e flora a morrer.

Por vezes faltava caça,
havia que produzir.
E a floresta onde caçara
passou a diminuir.
Abatia-se uma árvore,
outra árvore a seguir.
Pouco a pouco, a humanidade
começou a poluir.

O homem do vale fez
muros p’ra se defender
e com pedras criou armas
p’ra os animais abater.
Com o frio que chegara
precisou de se aquecer
e usava peles quentes
para o corpo proteger. (…)

Começou a polir pedra,
fez anzóis para pescar.
Dos ossos criou agulhas
para a roupa costurar.
Já fazia esculturas
e gostava de pintar.
Tinha arte, inteligência
e gostava de tocar.

Com os troncos que rolavam
mudou coisas do lugar,
coisas grandes e pesadas
conseguia transportar.
Da roda passou ao carro
com animais a puxar;
e descobriu o petróleo
que tudo veio mudar.

Com o séc’lo XIX,
tudo estava a progredir,
e o homem já pensava
tudo poder conseguir.
Os comboios circulando,
tanto fumo a subir,
e as chaminés das fábricas
era sempre a poluir.

As cidades e as vilas
‘stavam sempre a aumentar.
Os esgotos e o lixo
iam p’ra qualquer lugar.
Monumentos escurecem
c’o a poluição do ar.
Quero um planeta limpo
e feliz para habitar.

Hoje tantos são os carros
e gazes que há no ar
que desejo andar a pé
e ter ar p’ra respirar.
É tão bom voltar ao campo,
ouvir pássaros cantar;
o meu sonho é um céu azul
e o meu lema, reciclar.

Se quer’s ter muita saúde
p’ra correr e p’ra jogar,
faz que muita coisa mude,
vamos reutilizar.
Numa lata, bom tambor
escondido pode estar.
Só tens de estar bem atento
e de experimentar.

António José Ferreira ]

No céu, uma nova luz

No céu, uma nova luz
parece fazer sinal
e outras estrelas
todas tão belas
dizem: Feliz Natal!

“Aos homens na terra paz!”,
se ouve um anjo a dizer:
E vão os pastores
ver o Menino
que acaba de nascer.

António José Ferreira ]

No mês de junho

No mês de Junho há odores sem par,
há manjericos para partilhar
e as sardinhas gordinhas a assar
o nosso santo nos vêm recordar.
E Santo António lá vem passear
com o Menino, feliz, a acenar.

No mês de Junho, há cores sem par,
verde e vermelho, balões a voar;
os bailes enchem de música o ar,
e São João vem connosco dançar,
e o cordeiro não pode faltar:
salta contente, como a celebrar.

António José Ferreira ]

Nas ondas do teu cabelo

Nas ondas do teu cabelo
já pesquei duas pescadas.
Olha para as ondas do mar,
como estão despenteadas.

Guardo o dinheiro no banco,
guardo o banco na cozinha.
Tenho cem contos de fadas,
que grande fortuna a minha.

Com medo que algum ladrão
um dia me vá roubar,
mandei pôr na minha porta
três grossas correntes de ar.

Encomendei um cachorro
naquela pastelaria;
quem havia de dizer
que o maroto me mordia?!

Entrei numa carruagem
para voltar à minha terra,
enganei-me na estação
e desci na Primavera

Luísa Ducla Soares ]

O franganote queria casar

O franganote queria casar
com a franga que viu passar.
A mãe galinha não deixou,
o franganote não gostou.

O franganote foi trabalhar,
para a família sustentar.
O pai galo já deixou
e o franganote se casou.

Que todo o tempo seja de Natal

Que todo o tempo seja de Natal,
que todo o ano seja de Natal.
Que sempre haja alegria
igual à deste dia.
Que todos tenham um Feliz Natal.

Que todo o tempo seja de Natal,
que todo o ano seja de Natal.
Que sempre haja esperança
nos sonhos da criança.
Que todos tenham um Feliz Natal.

Que todo o tempo seja de Natal,
que todo o ano seja de Natal.
Que sempre haja amizade,
justiça e liberdade.
Que todos tenham um Feliz Natal.

António José Ferreira ]

Se queres ter bom coração

Se quer’s ter bom coração,
cuida da alimentação.

Se quer’s ter muita saúde,
come fruta amiúde.

Se quer’s ser inteligente,
come peixe como gente.

Se quer’s ser especial,
bebe água natural.

Se quer’s ter a pele fina,
fruta já tem vitamina.

António José Ferreira ]

Sei falar [ Final de Ano ]

Criança na sala de aula
Criança na sala de aula

Sei falar contigo e escrever em Português,
sei dizer “Hello” como se fosse mesmo inglês.
Sei fazer as contas de somar e subtrair.
Sei como é bonita a palavra dividir.

Refrão:
Sei que é muito bom estar aqui:
minha vida não é igual sem ti.

Sei fazer ginástica e jogo futebol,
sei que há planetas e outros astros como o sol.
Sei alguns estilos e figuras musicais,
sei que ser amigo vale ainda muito mais.

Sei contar estórias com princesas de encantar,
sei dizer os rios que a correr vão para o mar.
Sei pintar as flores e arbustos do jardim,
sei o que é a urze, o loureiro, o alecrim.

António José Ferreira ]

Uma bruxinha [ Halloween ]

Uma bruxinha andava a varrer
com uma lata no rabo a bater.
Quanto mais a bruxa varria,
mais a lata no rabo batia.

Uma bruxinha andava a voar,
porque adorava a vassoura montar.
Quanto mais a bruxa voava,
mais a vassoura cansada ficava.

Uma bruxinha ‘stava a cozinhar,
com a colher a mexer o jantar.
Quanto mais a bruxa mexia,
mais o cheiro do tacho saía.

António José Ferreira ]

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A nossa roda

A nossa roda é tão linda,
mata tira lira lira.
A nossa roda roda é tão linda,
mata tira tira pan.

A nossa inda é mais linda,
mata tira lira lira.
A nossa roda inda é mais linda,
mata tira tira pan.

Então diz lá quem é que queres?,
mata tira lira lira.
Então diz lá quem é é que queres,
mata tira tira pan.

Eu quero a menina Inês,
mata tira tira lira.
Eu quero a menina Inês,
mata tira tira pan.

Então o que é que tu lhe dás,
mata tira tira lira.
Então o que é que tu lhe dás,
mata tira tira pan

Vou dar-lhe uma flor bonita,
mata tira tira lira.
Vou dar-lhe uma flor bonita,
mata tira tira pan.

A pega palrava [ Vozes de animais ]

A pega palrava,
a rola gemia,
o touro berrava,
a ovelha balia.

O pombro arrulhava,
a vaca mugia,
o burro zurrava,
a abelha zumbia.

O tigre bramava,
o cachorro latia,
o pato grasnava,
o porco grunhia.

O rato chiava,
o mosquito zunia,
o mocho piava,
a onça rugia.

Andorinha [ Primavera ]

Andorinha faz o ninho,
Andorinha faz o ninho,
andorinha faz o ninho
nos beirais. (bis)

Já chegou a Primavera,
já chegou a Primavera,
andorinha pelos campos
a voar. (bis)

Borboletas e crianças,
a brincar, a brincar.
Primavera éo o sol
a cantar. (bis)

Primavera é o sol
a cantar.
Primavera é o sol
a cantar.

Madalena Leitão ]

Cá está o cortejo [ Carnaval ]

Cá está o cortejo
pronto a desfilar
com os mascarados
para todos intrigar.

Vestido de chita,
c’roa de metal,
cá está a princesa
da Festa de Carnaval.

Tocam apitos,
batem martelos,
grande algazarra,
que grande chinfrim!

Tocam cornetas,
rufam tambores,
risos, gargalhadas,
viva o Carnaval.

Luiza da Gama Santos ]

Cai a neve

Cai a neve e vem o frio
p’ra as pessoas a juntar.
Sons de guizos, sons de sinos:
é o Natal que está a chegar.

António José Ferreira ]

Coelhinho da Páscoa

Coelhinho da Páscoa,
que tens para me dar?
Tenho um ovo, dois ovos,
e mais um p’ra pintar.

Coelhinho da Páscoa,
que tens p’ra oferecer?
Tenho um lindo filhote.
É fofinho, vais ver.

António José Ferreira ]

Gosto de tocar

Gosto de tocar
quando estás a tocar.
Gosto de cantar
e tocar.
Vamos tocar bombo,
vamos tocar pratos.
Caixa, guizos…
Como é bom tocar, tocar!

António José Ferreira ]

Gosto muito de escutar [ Animais ]

Gosto muito de escutar
os grilinhos a cantar:
gri gri gri gri,
gri gri gri gri.

Gosto muito de escutar
os patinhos a grasnar:
qua qua qua qua,
qua qua qua qua qua.

Gosto muito de escutar
os gatinhos a miar:
miau miau miau miau,
miau miau miau miau miau.

Gosto muito de escutar
os cachorros a ladrar:
béu béu béu béu,
béu béu béu béu béu.

António José Ferreira ]

Joga a laranjinha

Joga a laranjinha.
Quem tem sede, vai beber
e eu vou na roda,
tenho o direito a escolher.

No Inverno cai a chuva
e outras vezes um nevão.
Muitas folhas já caíram,
quantos pés as pisarão?

António José Ferreira ]

No jardim um pássaro

No jardim um pássaro estava a cantar.
Muita gente ia para o escutar.
Quem ‘stava triste, ao voltar,
tinha alegria para partilhar.

António José Ferreira ]

O barquinho

O barquinho vai para o mar,
leva uma rede p’ra ir pescar.
O pescador lá vai a cantar:
trai lai lai lai lai lai lai lai lai lai. (2 v.)

O barquinho volta do mar,
traz o peixinho fresquinho a saltar
e o pescador lá vem a cantar:
trai lai lai lai lai lai lai lai lai lai. (2 v.)

Barquinho
Barquinho

O Inverno

O Inverno é mau,
traz chuva, traz frio.
O Inverno é mau.
Que mau é o frio.
Mas eu p’ra aquecer,
vou saltar, vou correr.
O Inverno assim,
não é mau p’ra mim.

Pandeireta

Pandeireta, gosto do teu som,
das soalhas a entrechocar.
Pandeireta, quando oiço o teu som,
fico alegre e ponho-me a dançar.

António José Ferreira ]

Para a frente

Para a frente assim,
para trás depois. (…)

Para cima assim,
p’ra baixo depois. (…)

P’rà direita assim,
p’rà esquerda depois. (…)

Para dentro assim,
p’ra fora depois. (…)

Piu, piu

Piu piu, diz o pinto
de fato amarelo.
Piu piu, ‘stá contente
a comer farelo.
Piu piu, diz o pinto
na horta a cantar.
Piu piu, diz o pinto
sempre a debicar.

Quando vou para o campo,
gosto de brincar,
mas gosto mais de ouvir
o cuco a cantar.
Cucu, cucu,
onde estará metido?
Cucu, cucu,
mas que grande atrevido!

Vitória Reis ]

Quem quer castanhas

Quem quer castanhas quentinhas
todas assadinhas
no meu assador?
Que bom!
Quentinhas e boas,
todas assadinhas aqui ao calor.
Quem as quiser provar,
terá que as comprar.

Ignez Mazoni ]

São Martinho

São Martinho traz o sol:
adoro o calor do teu Verão.
Sem calor,
nem as castanhas se assarão.
Sem calor
nem as castanhas se assarão.

António José Ferreira ]

Trinta dias tem novembro

Trinta dias tem novembro,
abril, junho e setembro.
Vinte e oito tem só um;
todos os mais trinta e um.

Tradicional ]

Vem, vem ouvir [ Outono ]

Vem, vem ouvir no monte
ramos a estalar.
Vem ouvir as folhas a mexer
e o vento a soprar.

António José Ferreira ]

Vem comigo [ Santos populares ]

Vem comigo p’rà rua cantar,
vem comigo p’rà rua dançar.
Já lá vem a marcha dos santos populares,
Rapazes e moças desfilam aos pares.

Mangericos cheirosos, viçosos,
mil fogueiras p’ra irmos saltar.
Vem daí comigo, acende o teu balão.
Viva Santo António, São Pedro e São João.

Luiza da Gama Santos ]

Uma papoila

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho num campo qualquer. (bis)
Como ela, somos livres
somos livres de crescer. (bis)

Uma criança dizia, dizia:
“Quando for grande, não vou combater.”
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

Ermelinda Duarte ]

Um pintassilgo

Um pintassilgo
passava o dia
sem alegria
numa gaiola.
Queria fugir,
queria voar,
mas só podia
piar, piar.

Mas uma vez
a portinhola
lá da gaiola
ficou aberta.
E o pintassilgo
logo cantou,
bateu as asas,
voou, voou!

Virgílio Santos ]

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A minha gatinha

A minha gatinha parda
inda ontem me fugiu.
Quem achou a minha gata?
Você sabe? Você viu?

O meu gato amarelo
inda ontem me fugiu.
Nunca vi gato mais belo.
Você sabe? Você viu?

O meu pato-corredor
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amigo Heitor.
Você sabe? Você viu?

O meu ganso da guiné
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amigo André.
Você sabe? Você viu?

O meu gato Siamês
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amiga Inês.
Você sabe? Você viu?

O meu porco vietnamita
ainda há pouco me fugiu.
Diga lá, amiga Rita.
Você sabe? Você viu?

António José Ferreira ]

A nossa roda

A nossa linda roda,
mata tira tira ná. (2 v.)
A nossa inda é mais linda,
mata tira tira ná. (2 v.)

Então quem é que queres?,
mata tira tira ná. (2 v.)
Eu quero a Inês,
mata tira tira ná. (2 v.)

Então o que lhe dás,
mata tira tira ná. (2 v.)
Vou dar-lhe uma flor,
mata tira tira ná. (2 v.)

Tradicional ]

Cuco

Cuco, cuco,
oiço a cantar.
A Primavera ‘stá a chegar!
Vamos todos cantar, dançar.

Cuco parasita
Cuco parasita

O Rei D. Dinis

Dinis gostava tanto de cantar e de tocar, (3 v.)
de tocar, gostava de tocar.

Dinis gostava tanto de plantar e semear, (3 v.)
semear, gostava de semear.

Dinis gostava tanto de mandar e governar, (3 v.)
governar, gostava de governar.

António José Ferreira

Diz que uma carochinha

Diz-se que uma vez
uma carochinha
achou uma jóia
varrendo a casinha.

Julgando-se rica
toda se enfeitou
e p’ra arranjar noivo
p’ra janela foi.

Quem se quer casar
com a carochinha
que já não é pobre
e é bem bonitinha?

O porco que passa
encantado está.
Que comes, ó porco?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, porco,
que a ti não quero,
pois melhor marido
do que tu espero.

E o cão que passa
encantado está.
Que comes, ó cão?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, cão,
que a ti não te quero
pois melhor marido
do que tu espero.

O gato que passa
encantado está.
Que comes, ó gato?
Do que Deus me dá.

Vai-te embora, gato,
que a ti não te quero
pois melhor marido
do que tu espero.

E o rato que passa
encantado está.
Que comes, ó rato?
Do melhor que há.

Vem cá, meu ratinho:
mais ninguém eu quero
que melhor marido
do que tu não ‘spero.

Dona Carochinha
e João Ratão
ambos vão à igreja
no Domingo vão.

Mas já na igreja,
mulher e marido
dão p’la falta enorme
do leque esquecido.

Que dirá de nós
todos este povinho?
vai buscar-me o leque,
rico maridinho.

Foi João a casa,
viu o caldeirão.
Foi comer da sopa
por ser um glutão.

Tanto o glutão
do jantar provou
que dentro do tacho
cozido ficou.

Voltou para casa
Dona Carochinha.
Viu o que ao esposo
sucedido tinha.

Viu-se então que a triste
tinha coração
pois ficou chorando
pelo seu João.

Eu perdi o dó da minha viola


Eu perdi o Dó da minha viola
Da minha viola eu perdi o Dó.
DORMIR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó, ré
Eu perdi o da minha viola
Da minha viola eu perdi o Ré.
REMAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó, ré, mi
Eu perdi o Mi da minha viola
Da minha viola eu perdi o MI
MIAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá
Eu perdi o Fá da minha viola
Da minha viola eu perdi o Fá.
FALAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol
Eu perdi o Sol da minha viola
Da minha viola eu perdi o Sol.
SONHAR é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol Lá
Eu perdi o da minha viola
Da minha viola eu perdi o Lá.
LAVAR é muito bom, é muito bom (2 v.)
É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si
Eu perdi o Si da minha viola
Da minha viola eu perdi o Si.
SILÊNCIO é muito bom, é muito bom (2 v.)

É bom camarada, é bom camarada,
É bom, é bom, é bom (2 v.)
É bom!

Eu vou comer

Eu vou comer, comer, comer
laranjas e bananas. (2 v.)

Au váu camar, camar, camar
laranjas a bananas. (2 v.)

Eu véu quemer, quemer,
quemer lerenjes e benenes. (2v.)

Iu viu quimir, quimir,
quimer lirinjis i bininis. (2v.)

Ou vou comôr, comôr, comôr
loronjos o bononos. (2v.)

Ú vú cumur, cumur, cumur
lurunjus e bununus. (2v.)

Foi na loja do mestre André

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um pifarito,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Ai olá, ai olé,
Foi na loja do Mestre André. (bis)

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um pianinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito.

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um tamborzinho,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei uma campaínha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei uma rabequinha,
Chiribiri-biri, uma rabequinha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito,

Foi na loja do Mestre André
que eu comprei um rabecão,
Chiribiribão, um rabecão,
Chiribiri-biri, uma rabequinha,
tlim tlim tlim, uma campainha,
tum tum tum, um tamborzinho,
plim plim plim, um pianinho,
tiro, liro, lir’um pifarito.

Grândola

Em cada esquina um amigo,
em cada rosto igualdade,
Grândola, vila morena,
terra da fraternidade.

Terra da fraternidade,
Grândola, vila morena,
em cada rosto igualdade,
o povo é quem mais ordena.

À sombra de uma azinheira
que já não sabia a idade,
jurei ter por companheira,
Grândola, a tua vontade.

Grândola, a tua vontade
jurei ter por companheira,
à sombra de uma azinheira
que já não sabia a idade.

Senhora Dona Anica

Senhora Dona Lara,
venha à porta, venha ver.

Olhe aquele motorista.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele jardineiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele motoqueiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele calceteiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele varredor.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele sinaleiro.
Veja o que ele está a fazer.

Olhe aquele jornalista.
Veja o que ele está a fazer.

António José Ferreira, adapt. ]

Havia um atleta

Havia um atleta
um atleta havia.
Se ele treinasse,
corridas venceria.

Havia um motorista,
um motorista havia.
Se ele trabalhasse,
dinheiro ganharia.

António José Ferreira ]

Menina estás à janela

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua.
Não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua.

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas ocasiões.

Tradicional ]

Hino Nacional de Portugal

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d’amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

Henrique Lopes de Mendonça ]

Havia um estudante

Havia um estudante,
um estudante havia.
Se ele estudasse,
no exame passaria.

Havia um escritor,
um escritor havia.
Se ele publicasse,
um êxito seria.

Havia um pianista,
um pianista havia.
Se fosse talentoso
um disco gravaria.

António José Ferreira ]

No dia dos namorados

No dia nos namorados,
eu peço a São Valentim
que abra os teus lindos olhos
e volte o teu amor p’ra mim.

Ó malhão

Ó malhão, malhão,
que vida é a tua?
Comer e beber, ó terrim tim tim,
passear na rua.

Ó malhão, malhão,
ó malhão do Norte, (bis)
quando o mar ‘stá bravo,
quando o mar ‘stá bravo
faz a onda forte. (bis)

Ó malhão, malhão,
ó malhão do Sul, (bis)
quando o mar ‘stá manso,
quando o mar ‘stá manso
faz a onda azul. (bis)

Passa, passa

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
As cozinheiras fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os pescadores fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os jardineiros fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os motoristas fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os professores fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Passa, passa, Gabriel,
toda a gente passa. (2x)
Os pianistas fazem assim.
Ai ai ai ai, todo a gente passa.

Que linda falua

Que linda falua
que lá vem lá vem.
É uma falua
que vem de Belém.

Eu peço ao barqueiro
que deixe passar,
que eu tenho filhinhos,
ai, p’ra sustentar.

Então passará,
mas alguém ficará.
Se não for a mãe,
ai, um filho será.

Ribeira vai cheia
E o barco não anda.
Tenho o meu amor
lá naquela banda.

Lá naquela banda,
lá naquele lado.
Ribeira vai cheia
E o barco parado.

Tradicional de Portugal ]

Rola a pombinha

Rola a pombinha
lá na janela;
vem o pombinho,
põe-se atrás dela.

Rola a pombinha
lá no poejo;
vem o pombinho
e dá-lhe um beijo.

Tradicional ]

Rosa branca

Rosa branca ao peito,
a todos fica bem.
Rosa branca ao peito,
a todos fica bem.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém.
À menina (Rosa), olaré,
melhor que a ninguém.

Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.
Melhor que a ninguém,
por dentro ou por fora.
Quem sabe lá, olaré,
quem ela namora.
Quem sabe lá, olaré,
quem ela namora.

Quem ela namora,
quem ela namorou.
Quem ela namora,
quem ela namorou.
O menino (Zé), olaré,
a mão lhe apertou.
O menino (Zé), olaré,
a mão lhe apertou.

Tradicional ]

Salsa, salseirinha

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o carpinteiro,
assim, assim, assim.

Salsa, salseirinha,
ó-i-ó-i-ó-ai,
assim faz o cozinheiro,
assim, assim, assim.

Tradicional dos Açores ]

São João

São João à minha porta
E eu sem ter que lhe dar.
Dou-lhe uma caninha verde
para por no seu altar.

São João, chora, chora
lágrimas de pedra fina
por lhe fugir uma ovelha
por aquela serra acima.

Tradicional ]

Vai correndo o lindo anel

Vai correndo o lindo anel,
corre, voa sem parar.
Onde está, onde se encontra?
Quem o pode adivinhar?

T. Nogueira ]

Viva os palhaços, viva o Carnaval

Viva os palhaços,
viva o Carnaval.
Viva a alegria
que a ninguém faz mal.

Ta-ta-ra-ta,
Ta-ta-ra-ta,
Ta-ta-ta-ta-ta-ta.

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Primavera, menina

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A árvore

A árvore que planto
tem ramos a crescer, (bis)
muita sombra p’ra dar,
muitas aves p’ra acolher. (2 v.)

A árvore que rego…

A árvore que podo…

António José Ferreira ]

À roda

À roda, à roda,
o vento rodopia.
Já levanta a saia
da menina Maria.

À roda, à roda,
o vento assobia.
Varreu todas as folhas
que pelo chão havia.

À roda, à roda,
o vento num tropel
arrastou os pardais
para o seu carrocel.

À roda, à roda,
o vento arrebatou
as sementes das plantas
e à terra as atirou.

À roda, à roda,
até que enfim poisou
à espera que nasçam
as flores que semeou.

Vá de Roda ]

Brinca com as mãos

Brinca com as mãos
e faz como_eu já fiz.

Toca como eu
e toca_assim depois.

Dança agora_assim
e mexe como eu.

Sente o corpo, assim,
e cria novos sons.

António José Ferreira ]

Chego à escola

Chego à escola e digo olá.
Olá! Olá!
Gosto muito de saudar.
Olá! Como está?
E na escola descobrimos
a alegria de cantar.
Pará pá pá.

Venho co’_a mochila às costas.
Olá! Olá!
Levo_o gosto de saber.
Olá! Como está?
Faço música tocando:
isso é o maior prazer.
Pará pá pá.

António José Ferreira ]

Cuida da alimentação

Cuida da alimentação,
toma leite, come pão.
Cuida da alimentação,
come truta e salmão.
Cuida da alimentação,
come pera e melão.
Cuida da alimentação,
bebe água até mais não.

António José Ferreira ]

Descasca a castanha

Descasca a castanha
muito bem descascadinha.
Verás que dentro da casca
há outra casca castanha fininha.

Tradicional ]

E boas festas viemos dar

E boas festas, e boas festas
nós aqui viemos dar,
às senhoras e senhores
que estão a escutar.

As janeiras vimos cantar
desejando neste dia
um bom ano para todos
com saúde e alegria.

Vivam todos os professores,
vivam os auxiliares.
Vivam também os alunos
e os seus familiares.

Tradicional ]

Esta pandeireta

Esta pandeireta
a quem vou eu dá-la?

Vai ser para a N.
que adora tocá-la. (bis)

António José Ferreira ]

Este pandeiro que eu toco

Este pandeiro que eu toco,
este que tenho na mão
fui pedi-lo emprestado
p’ra trazer ao São João.

P’ra trazer ao São João,
p’ra trazer à romaria;
este pandeiro que eu toco,
não é meu, é da Maria.

Trad. Vieira do Minho ]

Eu queria ser o Pai Natal

Eu queria ser o Pai Natal
e ter um carro com renas
para pousar nos telhados
mesmo ao pé das antenas.

Eu queria ser o Pai Natal. (2 v.)

Descia com o meu saco
ao longo da chaminé
carregado de brinquedos
e roupas pé ante pé.

Em cada casa trocava
um sonho por um presente.
Que profissão mais bonita
fazer a gente contente.

Luísa Ducla Soares ]

Feliz Natal

Feliz Natal! (2v.)
Para todos
um ano especial.

Um presépio,
um pinheiro,
uma luz no mundo inteiro.

Um Menino,
um presente,
uma estrela diferente.

António José Ferreira ]

Funga aláfia

Funga aláfia, ashe ashe.
Funga aláfia, ashe ashe.

Peace be with you and all these you meet.
Peace be with you and all these you meet.

Em ti eu penso, contigo eu falo.
De ti eu gosto: somos amigos.

Gosto de tocar

Gosto de tocar
p’ra te ouvir a cantar.
Vamos tocar bombo,
vamos tocar pratos,
guizos, reque!
É tão bom tocar.

António José Ferreira ]

Há na casa um esqueleto

Há na casa um esqueleto,
uma vassoura e um gato preto.

Há na casa uma teia,
e uma janela aberta à lua cheia.

Há na casa uma aranha
e sai do órgão música estranha.
Há na casa um vampiro
que bebe sangue e come um diospiro.

António José Ferreira ]

Havia um elefante

Havia um elefante
que andava numa savana sem fim.
Havia um elefante:
tinha uma tromba assim, assim.
Tinha uma tromba assim.

Havia um crocodilo
na água turva do rio sem fim.
Havia um crocodilo:
tinha uma boca assim, assim.
Tinha uma boca assim.

Havia uma girafa.
Comia folhas e não o capim.
Havia uma girafa.
Tinha um pescoço assim, assim.
Tinha um pescoço assim.

Havia uma pantera.
Corria alegre por entre o capim.
Havia uma pantera.
Tinha uma cauda assim, assim.
Tinha uma cauda assim.

Havia uma serpente.
Gostava de passear no jardim.
Havia uma serpente.
Tinha uma língua assim, assim.
Tinha uma língua assim.

António José Ferreira ]

Leva-me, ó Verão

Leva-me, ó Verão,
vamos passear.
Vamos de mãos dadas
a caminhar.

Quero ir de férias
e aproveitar
para os meus amigos
encontrar

Leva-me, ó Verão,
vamos descansar.
Vamos para a serra
e sentir-lhe o ar!

Leva-me, ó Verão,
vamos navegar,
passear na praia
e mergulhar!

Leva-me, ó Verão,
vamos viajar.
Vamos de avião
sobre o grande mar.

António José Ferreira ]

Lisboa

Lisboa faz surgir,
ai, que milagre é aquele?
Cantigas a florir
num cravo de papel.

Nos arcos enfeitados
poisaram as estrelas
e há anjos debruçados
nos telhados das vielas.

Mãos de mãe

Mãos de mãe são as mais fofas,
mãos que sabem acalmar.
mãos que fazem a comida
e que aprendem tudo para ensinar.

Tuas mãos são as mais fortes,
mãos que sabem apoiar,
mãos que apontam o caminho
para que o meu sonho possa conquistar.

Tuas mãos são divertidas,
mãos que gostam de brincar,
mãos que agarram quando caio,
mãos que vão à frente para abraçar,

mãos que lutam e acreditam,
mãos que sabem trabalhar,
mãos que abrem uma estória,
mãos que neste dia, mãe, quero beijar.

António José Ferreira ]

Na cidade

Na cidade,
tantos ruídos!
Uns, desagradáveis,
outros divertidos.

Na cidade,
oiço tantos sons:
uns são cansativos
e outros muito bons.

Na cidade,
oiço sons de sinos,
uns são muito grossos,
outros são mais finos.
Na cidade,
posso_ir ao concerto
ouvir uma banda
e ver os músicos de perto.

Na cidade,
oiço, de repente,
“golo” no estádio,
festa para a gente.
Na cidade
voz de multidão,
grave ou aguda,
é um grito de emoção.

António José Ferreira ]

O meu pai

O meu pai
sabe ensinar,
o meu pai
sabe apoiar,
o meu pai
sabe brincar,
o meu pai
sabe abraçar.
Vou cantar-lhe a canção mais bonita
que sei cantar.

António José Ferreira ]

O Senhor Entrudo

O Senhor Entrudo
por ser comilão
ficou barrigudo
como um melão.

Pum tskà pum,
a banda a tocar.
Pum tskà pum,
a escola a desfilar.

Faço palhaçadas
pelo Carnaval.
Se são engraçadas
ninguém leva a mal.

Hoje uma princesa
sai c’o mosqueteiro.
Vai uma chinesa
com o marinheiro.

António José Ferreira ]

Sol de Outono

Crianças caminhando sobre folhas no Outono
Crianças caminhando sobre folhas no Outono

Sol de Outono, Outono, Outono,
Sol doirado, doirado, doirado,
Folhas que caem, caem, caem.
Leva-as o vento, o vento, o vento.

Lá vão tantas, tantas, tantas,
p’ra tão longe, longe, longe,
dizendo adeus, adeus, adeus
ao sol do Verão, do Verão, do verão.

Luiza da Gama Santos ]

Voltou a Primavera

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar:
um campo de papoilas
e o cuco a cantar:
Cucu, cucu,
adoro escutar
o cuco entre os ramos
no monte a cantar.

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar,
um campo de papoilas
e um pássaro a cantar:
Piu piu, piu piu.
Adoro escutar
um pássaro entre os ramos
na árvore a cantar.

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar:
um campo de papoilas
e um grilo a cantar:
Gri gri, gri gri.
Adoro escutar
um grilo entre as ervas
no prado a cantar.

António José Ferreira ]

Vem o frio

Vem o frio, a geada,
e adorava ver nevar.
Cai a chuva e o granizo,
põe-se o vento a soprar.

Só preciso de um cachecol
para eu me enrolar. (bis)

Vem o frio, a geada,
e adorava ver nevar.
Cai a chuva e o granizo,
põe-se o vento a soprar.

Só preciso de um bom casaco
para eu me agasalhar. (bis)

António José Ferreira ]

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A cabrinha subiu

[ Canção para crianças ]

A cabrinha subiu
p’ra cima do rochedo.
A cabrinha subiu
e superou o medo.

A cabrinha desceu.
Não tremeram os seus pés.
– Cabrinha,
que brava que tu és!

António José Ferreira ]

A Micas ao cão

[ A Micas do Trapo ]

A Micas ao cão
tem-lhe uma afeição
como ele fosse gente:
quando vai ao lixo,
leva sempre o bicho
que rosna p’rá gente.

Se vai pedir esmola
leva na sacola
o comer à certa:
quando a fome aperta,
come ela primeiro,
depois o rafeiro.

Oh! Micas do trapo
também és farrapo,
farrapo da vida
perseguindo em vão
sonhos que lá vão
na noite perdida!

Esse lixo agora
também foi outrora
desvelo e carinho,
foi rei ao seu jeito,
latejou no peito
como jorra o vinho.

E nas tuas mãos,
dedos bons irmãos
procuram, sem fim,
coisas de criança
onde ainda a esperança
não chegou ao fim.

A Micas ao cão
tem-lhe uma afeição
como ele fosse gente:
quando vai ao lixo,
leva sempre o bicho
que rosna p’rá gente.

Se vai pedir esmola
leva na sacola
o comer à certa:
quando a fome aperta,
come ela primeiro,
depois o rafeiro.

quando a fome aperta,
come ela primeiro,
depois o rafeiro.

Letra e música: Armando Estrela
Intérprete: Tereza Tarouca (in EP “A Micas do Trapo”, RCA Victor, 1971; 2LP “Álbum de Recordações”: LP 1, Polydor/PolyGram, 1985; CD “Temas de Ouro da Música Portuguesa”, Polydor/PolyGram, 1992)

A minha gatinha parda

[ Canção para crianças ]

A minha gatinha parda
inda ontem me fugiu.
Quem achou a minha gata?
Você sabe? Você viu?

O meu gato amarelo
inda ontem me fugiu.
Nunca vi gato mais belo.
Você sabe? Você viu?

Tradicional de Portugal ]

A pega palrava

[ Canção para crianças ]

A pega palrava,
a rola gemia,
o touro berrava,
a ovelha balia.

Belo concerto
com os animais!

O pombo arrulhava,
a vaca mugia,
o burro zurrava,
a abelha zumbia.

O tigre bramava,
o cachorro latia,
o pato grasnava,
o porco grunhia.

O rato chiava,
o mosquito zunia,
o mocho piava,
a onça rugia.

António José Ferreira ]

Agarrei o passarinho

[ O Passarinho ]

Agarrei o passarinho!
Agarrei o passarinho
antre a treia do centeio.
Ó ladrão que te regalas!
Ó ladrão que te regalas
com o passarinho alheio.

Sou ferreiro, faço ferro,
também faço vergas d’ aço!
Faço orelhas a meninos
sem medida nem compasso!

Sou poeta, planto versos,
também cavo muitas letras!
Faço línguas para os bichos
pr’a que digam muitas tretas!

Apanhei a joaninha!
Apanhei a joaninha
antre as folhas de um faval.
Ó ladrão que te regalas!
Ó ladrão que te regalas
c’a carocha no natal.

Acacei a formiguinha!
Acacei a formiguinha
antre as pedras do terreiro.
Ó ladrão que te regalas!
Ó ladrão que te regalas
c’o a trabalhinho alheio.

Sou ferreiro, faço ferro,
também faço vergas d’aço!
Faço orelhas a meninos
sem medida nem compasso!
Sou poeta, planto versos,
também cavo muitas letras!
Faço línguas para os bichos
pr’a que digam muitas tretas!

Intérprete: Chulada da Ponte Velha

Chulada da Ponte Velha
Chulada da Ponte Velha

Alentejo quando canta

[ Eu Ouvi o Passarinho ]

Alentejo quando canta
Peito dado à solidão
Traz a alma na garganta
E o sonho no coração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou
Alentejo, terra rasa
Toda coberta de pão
As suas espigas doiradas
Lembram mãos em oração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou

Alentejo quando canta
Peito dado à solidão
Traz a alma na garganta
E o sonho no coração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou
Alentejo, terra rasa
Toda coberta de pão
As suas espigas doiradas
Lembram mãos em oração

Eu ouvi um passarinho
Às quatro da madrugada
Cantando lindas cantigas
À porta da sua amada

Por ouvir cantar tão bem
A sua amada chorou
Às quatro da madrugada
Um passarinho cantou

Letra e música: Popular (Alentejo)
Intérprete: Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel (in EP “Cantes de Portel”, Orfeu/Rádio Triunfo, 1984; CD “Cantares Regionais de Portel”, Lusosom, 1993; CD “25 Anos a Cantar Portel”, Ovação, 2004; CD “O Melhor de Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel”, Ovação, 2010)

Alto, alto! A Vaca dá um salto

[ Canção para crianças ]

Alto, alto,
a vaca dá um salto!
Alto, alto,
o burro dá um salto!
Alto, alto,
o coelho dá um salto!
Alto, alto,
o animal selvagem dá um salto!
Alto, alto,
o animal doméstico dá um salto!

As ovelhas

[ Ovelhudas ]

As ovelhas, lá no prado,
Terão todas seu pastar,
Terão todas seu pastar
No que o prado tem p’ra dar;
O pasto será de todas,
Mas de cada o paladar,
Mas de cada o paladar
No que o prado tem p’ra dar.

Ovelhudas e lanudas
Que o prado transformam em lã:
Lã fofa da cor da neve
Cardada à luz da manhã.

Bom ou mau ou muito ou pouco,
Nada escapa ao seu olhar,
Nada escapa ao seu olhar;
Param, andam a pastar…
E se o prado está pior
O seu melhor vão buscar,
O seu melhor vão buscar;
Param, andam a pastar…

Ovelhudas e lanudas
Que o prado transformam em lã:
Lã fofa da cor da neve
Cardada à luz da manhã.

Lá vai uma, lá vão duas,
Todas num só carreirinho,
Todas num só carreirinho;
Lá vêm, lá vão mansinho…
Olham as ervas do chão,
Ruminam devagarinho,
Ruminam devagarinho;
Lá vêm, lá vão mansinho…

Ovelhudas e lanudas
Que o prado transformam em lã:
Lã fofa da cor da neve
Cardada à luz da manhã.

Letra e música: Amélia Muge
Intérprete: Segue-me à Capela (in Livro/CD “San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher”, Segue-me à Capela/Fundação GDA/Tradisom, 2015)

Segue-me à Capela, San'Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher
Segue-me à Capela, San’Joanices, Paganices e Outras Coisas de Mulher

Chegaram andorinhas

[ Canção para crianças ]

Chegaram andorinhas
e não vão parar.
Vão fazer o ninho
para aos filhos dar.

António José Ferreira ]

Coelhinho da Páscoa

[ Canção para crianças ]

Coelhinho da Páscoa,
que tens para me dar.
Tenho muita alegria
e ternura p’ra dar.

António José Ferreira ]

Coelhinho fofo

[ Canção para crianças ]

Coelhinho fofo,
se és meu amigo,
traz o teu filhote
p’ra brincar comigo.

A Páscoa é uma festa
de alegria e cor,
com muitas amêndoas
e com muito amor.

António José Ferreira ]

Cuco, cuco, oiço a cantar

[ Canção para crianças ]

Cuco, cuco,
oiço a cantar.
A Primavera
está a chegar.
Vamos todos
saltar, dançar.

Ru ru, ru ru,
oiço a cantar.
A Primavera
está a chegar.
Vamos todos
saltar, dançar!

António José Ferreira ]

O pulo do Lobo

Dias a fio andou
Por andar chegou
Em chegando viu
E então sorriu
A sorrir pensou
Por pensar agiu
Ao agir falou

“Diz-me andorinha,
Deste voo teu,
Se é dança ou feitiço,
Se me emprestas a vertigem
Dessa queda livre
Do teu voo raso
Desse baile alado,
Sim?”

E saltou,
Ao saltar tremeu
A tremer subiu
Por subir desceu
E então caiu,
A cair bateu
Ao bater sentiu,
Ao sentir pensou

“Diz-me andorinha,
Sentes como eu?
O poder da terra
Na torrente, rodopio
Estilhaço o corpo
Num grito calado
Sob um manto de água,
Não?”

E voou

Eu vou dançar à tua porta
Vou acordar o teu sorriso
Quando soprar o vento frio
Eu vou deixar-te sem aviso

Vou partir

Eu hei-de ir por entre as nuvens
Bebendo a chuva, cortando o ar
P’ra descer num voo louco
Rasando as fragas
Cheirando a terra
Beijando o mar

E voou,
Por andar chegou
Ao saltar tremeu
Em chegando viu
E então caiu
Ao sorrir pensou
Ao bater sentiu
Ao agir falou

“Diz-me andorinha,
Deste voo teu,
Se é dança ou feitiço,
Se me emprestas a vertigem
Dessa queda livre
Do teu voo raso
Desse baile alado,
Sim?”

E caiu

Eu vou dançar à tua porta
Vou acordar o teu sorriso
Quando soprar o vento frio
Eu vou deixar-te sem aviso

Vou partir

Eu hei-de ir por entre as nuvens
Bebendo a chuva, cortando o ar
P’ra descer num voo louco
Rasando as fragas
Cheirando a terra
Beijando o mar

Vou por entre as nuvens
Bebendo a chuva, cortando o ar
P’ra descer num voo louco
Rasando as fragas
Cheirando a terra
Beijando o mar

Andorinhas
Andorinhas

Disse o galo p’rà galinha

[ Canção para crianças ]

Disse o galo p’rà galinha:
casemos, ó priminha.
Sim, casaremos,
mas falta a madrinha.
Respondeu a cobra
lá da ribeirinha
que ela estava pronta
para ser madrinha.

– A madrinha já nós temos
e mui certa a temos.
Agora o padrinho,
onde nós iremos?

Respondeu o rato
do seu buraquinho
que ele estava pronto
para ser padrinho.

– O padrinho já nós temos
e mui certo o temos;
agora o carneiro,
onde nós iremos?

Respondeu o lobo
lá do seu lobal
que ele estava pronto
p’rò carneiro dar.

– O carneiro já nós temos
e mui certo o temos;
agora, ó carneiro,
onde nós iremos?

Responde a formiga
do seu formigal
que ela estava pronta
para o trigo dar.

– O pão trigo já nós temos
e mui certo o temos;
mas a cozinheira,
onde nós iremos?

Responde a raposa
por ser mais lampeira
que ela estava pronta
p’ra ser cozinheira.

– Cozinheira já nós temos
e mui certa a temos.
Não nos falta nada,
sim, sim, casaremos!

Tradicional ]

Diz o galo à galinha

[ Canção para crianças ]

Diz o galo à galinha:
Casaremos a nossa filhinha.

Casaremos ou não casaremos,
mas o noivo, onde o encontraremos?
Diz o gato que estava no lar:
Eu estou pronto para me casar.

Um bom noivo já nós temos cá.
A madrinha donde nos virá?
Diz a cabra da sua casinha:
Eu estou pronta para ser a madrinha.

A madrinha já nós temos cá.
O enxoval, donde nos virá?
Diz a aranha do seu aranhal:
Eu estou pronta p’ra dar o enxoval.

Enxoval já nós temos cá.
Bailarina donde nos virá?
Diz a mosca que andava no ar:
Eu estou pronta p’ra vir dançar.

Bailarina já nós temos cá.
O gaiteiro donde nos virá.
Diz o burro do seu palheiro:
Eu estou pronto para ser o gaiteiro.

Tradicional ]

Fui aranha coxa

[ Mãos de Aranha Coxa ]

Letra: Daniel Catarino
Música: Bicho do Mato
Intérprete: Bicho do Mato com Ana Miró (in CD “A Vingança do Bicho do Mato”, Bicho do Mato/Alain Vachier Music Editions, 2016)

Fui aranha coxa na chuva de Verão
De pata ao peito, grades no coração
Se é que o tenho, sei que a teia é só um lençol
Ou talvez enleio tosco de um aranhol
Ou teia que virou colcha
P’ra mim, aranha coxa

Fui aranha coxa numa teia qualquer
Espectadora no processo de envelhecer
Velha para a vida, nova para morrer
À espera que a sorte mude o que acontecer
Cabe a vida numa trouxa
Pobre aranha coxa!

Com mãos de aranha
Com mãos de aranha coxa
Eu vou tecendo
Vou tecendo

Velha para a vida, nova para morrer
À espera que a sorte mude o que acontecer
Ou que alguém varra atrás da porta
E eu vire aranha morta

Com mãos de aranha
Com mãos de aranha coxa
Eu vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo
Vou tecendo…

Gri gri gri, estou cansado de estar aqui

[ Canção para crianças ]

Gri gri gri,
‘stou cansado de estar aqui.

Gri gri gri,
vou agora cantar ali.

António José Ferreira ]

No campo vi um grilo

[ Canção para crianças ]

No campo vi um grilo,
tiriti grilo, tiriti grilo.
Cantava ao desafio,
tiriti fio, tiriti fá.

No campo vi um grilo
que cantava ao desafio.
Cantava ao desafio
e fazia gri gri gri.

O bicho da seda,
sempre a trabalhar,
tece o seu casulo
para lá morar.

Que grande surpresa
vai acontecer:
linda borboleta
de lá vai nascer!

O meu pato mandarim

[ Canção para crianças ]

O meu pato mandarim
inda ontem me fugiu.
Diga lá, amigo Delfim.
Você sabe? Você viu?

O meu ganso africano
há dois dias me fugiu.
Diga lá, amigo Adriano.
Você sabe? Você viu?

O meu pombo juvenil
há três dias me fugiu.
Diga lá, amigo Gil.
Você sabe? Você viu?

O meu gato de olho azul
há uma semana me fugiu.
Diga lá, amigo Raul.
Você sabe? Você viu.

António José Ferreira ]

O pato pateta

[ Canção para crianças ]

O pato pateta
não sabe cantar.
Tem pelo amarelo,
não sabe voar.

O pato peludo
de pelo doirado
tem bico redondo
e peito pelado.

O pato patudo
de rabo no ar
tem penas pequenas
e sabe nadar.

Tradicional ]

O rouxinol nasceu na floresta

[ Canção para crianças ]

O rouxinol nasceu na floresta,
adora ser livre,
adora voar,
adora ser livre,
adora voar.

O rouxinol nasceu na floresta,
adora ser livre,
adora cantar,
adora ser livre,
adora cantar.

António José Ferreira ]

Os alegres passarinhos

Os alegres passarinhos
quando cantam na floresta
‘stão c’o bico tico tico
quero esta, quero esta.

Os alegres passarinhos
quando cantam pelo tojo,
estão c’o bico, tico, tico,
e as asinhas vão de rojo.

Trad. do Alentejo ]

Palram pega e papagaio

[ Canção para crianças ]

Palram pega e papagaio
e cacareja a galinha.
Os ternos pombos arrulham,
geme a rola inocentinha.

Muge a vaca, berra o touro,
grasna a rã, ruge o leão.
O gato mia, uiva o lobo,
também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavalo,
os elefantes dão urros.
A tímida ovelha bala;
Zurrar é próprio dos burros.

Regouga a sagaz raposa,
brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves
mas pia o mocho agoureiro.

Sabem as aves ligeiras
o canto seu variar:
fazem gorjeios às vezes,
às vezes põem-se a chilrar.

O pardal, daninho aos campos,
não aprendeu a cantar;
como os ratos e as doninhas,
apenas sabe chiar.

O negro corvo crocita,
zune o mosquito enfadonho.
A serpente no deserto
solta assobio medonho.

Chia a lebre, grasna o pato,
ouvem-se os porcos grunhir.
Libando o suco das flores,
costuma a abelha zumbir.

Bramam os tigres, as onças;
pia, pia o pintainho.
Cucurica e canta o galo;
late e gane o cachorrinho.

A vitelinha dá berros,
o cordeirinho balidos.
O macaquinho dá guinchos,
a criancinha vagidos.

A fala foi dada ao homem,
rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
se encontram em pobre rima
as vozes dos principais.

Pedro Diniz ]

Quando a porta encosta

[ A Pena de um Elefante ]

Quando a porta encosta e se fecha, o teu nome não vai
Quero um rosto quente e vago, mas o pecado não sai
Espero na noite fria, agora, uns braços sem dono
Fico pela casa toda à espera do teu retorno

Abre o guarda-fato e leva aquelas tuas promessas
Porque pesam sobre o chão dúvidas descobertas
Enchem todo o espaço, sobranceiro e errante
Dormem sobre a cama, como a pena de um elefante

E só espero que me acorde
Num espirro quase ofegante
Como um elefante enorme

Num sonho mirabolante
La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

Numa só pegada marcas o teu território
E num céu de lágrimas faço o meu dormitório
Sem pousar a alma na minha almofada
Sinto a lança em África de maneira errada

E só espero que me acorde
Num espirro quase ofegante
Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Como um elefante enorme
Num sonho mirabolante

La la la la la la
La la la la la la

Letra e música: Jorge Roque
Intérprete: Jorge Roque (in CD “Às Vezes”, Vidisco, 2013)

Quero um cavalo

Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva – nimbos e cerros –
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.

Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sozinho
Sem um cavalo de várias cores?

Poema de Reinaldo Ferreira (in “Poemas”, 1960)
Recitado por Afonso Dias
Também cantado por António Pedro Braga (Orfeu, 1972)

Salto eu

[ Canção para crianças ]

Salto eu,
saltas tu,
para vermos quem mais salta.
Não sou eu,
não és tu,
quem mais salta é o canguru.

Sou agora uma preguiça

[ Canção para crianças ]

Sou agora uma preguiça
que se move devagar.
Tenho garras preparadas
para às árvores trepar.

Sou cavalo lusitano
na lezíria a galopar.
Sou feliz porque sou livre,
minha voz é relinchar.

Tenho um guizo, tenho um guizo,
tenho um guizo a chocalhar.
Sou agora a cascavel
na floresta a rastejar.

Sou um gato grande e gordo
a miar e a bufar.
São retráteis minhas garras,
uso-as para atacar.

António José Ferreira ]

Tenho alguns amigos

[ Canção para crianças ]

Tenho alguns amigos,
deles vou falar.
Uns andam depressa
outros devagar.

Tartaruga, vai devagar.
Tens o tempo todo p’ra chegar.
Assim tu não vais transpirar.
Tartaruga vai devagar.

Corre lebre, corre lebre,
não podes parar.
Se não corres para a meta
não irás ganhar.

António José Ferreira ]

Tenho um gatinho

[ Canção para crianças ]

Tenho um gatinho
que sabe miar.
Quando dorme a sesta,
põe-se a ronronar.

Tenho um cãozinho
que sabe ladrar.
Quando vê um gato
corre para atacar.

Sou um gato

[ Canção para crianças ]

Sou um gato grande e gordo
a miar e a bufar.
São retráteis minhas garras,
uso-as para atacar.

Sou cavalo lusitano
na lezíria a galopar.
Sou feliz porque sou livre,
minha voz é relinchar.

António José Ferreira ]

Tenho uma galinha pintada

[ Canção para crianças ]

Tenho uma galinha pintada
que a minha mãe comprou.
É bonita e põe ovos,
bom dinheiro ela custou.

Tlim, tlim, tlim, tlão,
tenho um realejo
que me ganha o queijo,
tenho um violão
que me ganha o pão.

Já me deram pelo bico
uma casa em Machico;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Já me deram pelas patas
uma saca de batatas;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Já me deram pelos ossos
uma saca de tremoços;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Já me deram pelos pés
uma saca de cafés;
com isso não me contento,
chut galinha, lá p’ra dentro.

Um dia, foi à pesca

[ Canção para crianças ]

Um dia, foi à pesca, (3v),
foi fraca a pescaria. (bis)

Pescou um só peixinho, (3v)
levou-o à Maria. (bis)

Quando chegou a casa, (3v)
ouviu o que não queria. (bis).

– Se fosse um peixe grande, (3v)
que almoço não daria. (bis)

– O peixe é pequenino (3 v)
e muito cresceria. (bis)

José pegou o balde (3 v),
deitou o peixe à ria. (bis)

António José Ferreira ]

Um macaquinho

[ Canção para crianças ]

Um macaquinho
gosta de dançar,
outro põe-se
a imitar.
Dancem, macaquinhos,
vão ‘scolher um par.
Assim é
melhor dançar.

Um pinguim convencido

[ Canção para crianças ]

Um pinguim convencido
desceu lá do Pólo Norte.
Veio de trouxa às costas
p’ra tentar a sua sorte. (3 v.)

Ficou todo aborrecido
pois começou a suar.
Não vinha prevenido
para calor suportar. (3 v.)

E trouxe gelo de reserva
mas o gelo derreteu.
Trouxe peixe de conserva
mas o peixe já comeu. (3 v.)

Resolveu p’ra trás voltar
pois a lição aprendeu.
Cada um deve gostar
do cantinho que é seu. (3 v.)

Isabel Sousa ]

Uma raposa estava cansada

[ Canção para crianças ]

Uma raposa estava cansada,
tinha a barriga muito vazia.
Viu cachos de uvas numa videira,
deu logo um salto de tanta alegria.

Bem tentou ela atingir o cacho,
mas o cansaço não lho deixava.
Indo-se embora, ouviu um barulho,
e o cacho de uvas lá continuava.

São uvas verdes – disse a raposa,
cheia de fome e desiludida.
Foi pelos montes, foi pelos campos,
ia sonhando em ter outra vida.

António José Ferreira ]

Vem aí o gato

[ Canção para crianças ]

Vem aí o gato!
Deixa lá o queijo!
Se não te pões a mexer,
o Bigodes te vai ver…
Foge lá, ó rato,
esquece o teu desejo.

Vi pousado num raminho

[ O Tentilhão ]

Vi pousado num raminho
Numa árvore toda em flor
Um pequeno passarinho
Cantando com muito amor

Era suave e meiguinha
A sua linda canção
A pequena avezinha
Era o lindo tentilhão

E veio-me logo ao sentido
Se as penas do tentilhão
Teriam elas caído
Do meu pobre coração

Julguei mal a ave querida
Através do meu pensar
Pensei que a sua vida
Fosse comer e cantar

Eu não tinha reparado
Ali num outro raminho
Estava mesmo a seu lado
A companheira no ninho

A cuidar dos seus filhinhos
Grande espanto foi o meu
Quando lhe vi dar beijinhos
Como a minha mãe me deu

Tanto trabalho e canseira
Teve aquele passarinho
Com a sua companheira
P’ra fazer ali seu ninho

Vamos todos trabalhar
Povo da minha nação
Para podermos cantar
Como aquele tentilhão

(Constantino José Abreu, “o Caipira”)

Voa

[ Canção para crianças ]

Voa, pica-pau,
ter preguiça é mau.
Leva-me a conhecer o Norte,
pica-pau!

Voa, pega-azul,
voa para Sul.
Leva-me às férias dos meus sonhos,
pega-azul.

Voa, codorniz,
vai e sê feliz!
Leva-me contigo para Este,
codorniz.

Voa, galeirão,
vá, não digas não!
Leva-me contigo para Oeste,
galeirão.

Voa, albatroz,
leva-me aos avós.
Leva-me p’ra um lado e para o outro,
albatroz.

António José Ferreira ]

Voltou a Primavera

[ Canção para crianças ]

Voltou a Primavera
com prendas p’ra me dar:
um campo de papoilas
e um cuco a chamar.

Cucu, cucu,
adoro escutar
o cuco entre os ramos
no monte a cantar.

António José Ferreira ]

Cabras

Cabras

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