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Ferreiro com martelo

[ Instrumentos de Trabalho ]

Sua o martelo nas mãos
como soa uma navalha
instrumentos de trabalho
em dedos que nunca falham

Instrumentos de trabalho
ou mortes de mão primeiro
Cresce o tempo no trabalho
de um martelo de ferreiro

Primeiro os mortos são peso
(ferro no sangue não fere)
Instrumentos de trabalho
de um calor que não requer

Desespero não é palavra
nem será nunca instrumento
A mão recobra o metal
de material nos dedos

Dado o trabalho transpira
a fome de um operário
instrumentos de acidente
na justiça de um salário

Semidesliza o arado
que o camponês não acusa
Ou comemora a semente
com as mãos sem armadura

Movimento de calor
nos músculos que se recusam
Sol a sol de instrumentos
ou mortes de qualquer cura

Sua o martelo nas mãos
como soa uma navalha
instrumentos de trabalho
em dedos que nunca falham

Dado o trabalho transpira
a fome de um operário
instrumento de acidente
na justiça de um salário

Semidesliza o arado
que o camponês não acusa
Ou comemora a semente
com as mãos sem armadura

Poema: Maria Teresa Horta (adaptado)
Música: Lindolfo Paiva
Intérprete: Dialecto* (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)

* [Créditos gerais do disco:]
Dialecto:
Álvaro M. B. Amaro – guitarra, acordeão e voz
Lindolfo Paiva – guitarra, bandolim, ukelele e voz
Eduardo Matos – bateria e percussão
Jorge Pimentel – baixo, guitarra e guitarra portuguesa
Carlos Varela – saxofone soprano e voz
Paulo Duarte – piano
Participação especial de:
Zé Negreiros – gaita-de-foles e flauta
Artur Graxinha – guitarra
Paulo Toledo – saxofone alto
Produção – Dialecto
Gravado e misturado por Paulo Cavaco, no Musicart Studio, Barreiro, de Janeiro a Outubro de 2011
Masterizado por António Pinheiro da Silva, no Estúdio Pé-de-Meia, Oeiras, em Novembro de 2011

Ferreiro com martelo
Ferreiro com martelo

INSTRUMENTOS DE TRABALHO

Texto original

Instrumentos de trabalho
ou mortes
de mão primeiro

Cresce o tempo no
trabalho
de um martelo de ferreiro

Primeiro
os mortos são peso
(ferro no sangue não fere)

Instrumentos de trabalho
de um calor
que não requer

Desespero não é palavra
nem será nunca
instrumento

A mão recobra
o metal
de material nos dedos

Dado o trabalho transpira
a fome de um operário
instrumento de acidente
na justiça de um salário

Semidesliza o arado
que o camponês
não acusa

Ou comemora
a semente
com as mãos sem armadura

Movimento de calor
nos músculos
que se recusam

Sol a sol
de instrumentos
ou mortes de qualquer cura

Sua o martelo nas mãos
como soa uma navalha
instrumentos de trabalho
em dedos que nunca falham

(Maria Teresa Horta, in “Cronista Não É Recado”, Col. Poesia e Verdade, Lisboa: Guimarães Editores, 1967; “Poesia Reunida”, pref. Maria João Reynaud, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2009 – p. 262-63)

Igreja Matriz de São Martinho de Crasto

Lavra, boi, lavra
No chão da Portela!
Repica, repica
Na vaca amarela!
Ei, boi a lavrar!
Ei, boi!

Lavra, boi, lavra
No chão do Vilar!
Comer e beber
E toca a virar!
Ei, boi a lavrar!
Ei, boi!

Lavra, boi, lavra!
Não digas que não!
Repica, repica,
Rodinha no chão!
Ei, boi a lavrar!
Ei, boi!

Lavra, boi, lavra
No chão da Portela!
Repica, repica
Na vaca amarela!
Ei, boi a lavrar!
Ei, boi!

Letra e música: Tradicional (São Martinho de Crasto, Ponte da Barca, Minho)
Recolha: Gonçalo Sampaio (1890-1925, in “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, Lisboa: Círculo de Leitores, 1981 – p. 103)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)
Outra versão com César Prata: César Prata (in CD “Futuras Instalações”, César Prata/RequeRec, 2014)

*César Prata – guitarra eléctrica
Suzete Marques – voz
Tiago Pereira – duff

Igreja Matriz de São Martinho de Crasto
Igreja Matriz de São Martinho de Crasto
Lavra, boi, lavra

Lerar o Gado

E oh lera, oh!
Inda Lucinda, oh andas oh?!
Diz-me onde andas com as ovelhas,
Lá vou ter!
E oh lera!

E oh lera, oh!
Inda Zulmira, oh andas oh?!
Ando noutra rua ali oer,
Vem cá ter!
E oh lera!

E oh lera, oh!
Inda Lucinda, pois sim oer!
Então vou lá ter,
Guarda-me da tua merenda!
E oh lera!

E oh lera, oh!
Inda Zulmira, ohi, pois sim!
E oh lera!

E oh lera, oh!
Inda Lucinda, oheu, adeus!
E oh lera!

Letra e música: Tradicional (Vouzela, Beira Alta)
Intérprete: Ai! (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)

Lavra, boi, lavra
Lavra, boi, lavra
São Pedro do Sul

Maçadela

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Quem tem burro leva o burro,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé,
Quem no não tem vai a pé.
Ai lé!

Maçadeiras do meu linho,
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Maçai-me o meu linho bem!
Ai lé!

Não olheis para o caminho,
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Que a merenda logo vem!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai la lé ló, meu bem!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Ai lé! Ai lé!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Senhora de Nazaré!
Ai lé!

Letra e música: Tradicional (Vila Maior, São Pedro do Sul, Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)

*César Prata – guitalele, guitarra acústica de cordas de nylon, guitarra eléctrica e voz
Suzete Marques – voz
Tiago Pereira – cabaça

São Pedro do Sul
São Pedro do Sul
César Prata

Cantiga da Ceifa

Corta, minha foice, corta
Ai, neste pão tão miudinho!
Ai, quem houver de andar p’ra outrem
Ai, há-de andar com cuidadinho!

Por cima se ceifa o pão,
Ai, por baixo fica o restolho.
Ai, menina não se ‘namore
Ai, do rapaz que empisca o olho!

O rapaz do chapéu preto
Ai, precisa a cara partida:
Ai, por baixo do chapéu preto
Ai, pisca o olho à rapariga.

Quem me dera já cá noite:
Ai, o pão da ceia na mão,
Ai, o dinheiro na algibeira,
Ai, o amor no coração.

Corta, minha foice, corta
Ai, neste pão tão miudinho!
Ai, quem houver de andar p’ra outrem
Ai, há-de andar com cuidadinho!

Letra e música: Tradicional (Fernão Joanes, Guarda, Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)
Outra versão com César Prata: César Prata – “Cantiga da Ceifa e Nome de Maria” (in CD “Futuras Instalações”, César Prata/RequeRec, 2014)

*César Prata – guitarra eléctrica e laptop
Suzete Marques – voz
Tiago Pereira – canjira e duff

César Prata
César Prata
Trigo loiro

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera o teu valor!
Que entrara no cálice de oiro,
Ai, onde entra Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera a tua cor!
Levara a cruz ao Calvário,
Ai, como fez Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera o teu valor!
Que entrara no cálice de oiro,
Ai, onde entra Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai, quem me dera a tua cor!
Levara a cruz ao Calvário,
Ai, como fez Nosso Senhor.

Trigo Loiro (cantiga de ceifa)
Letra e música: Tradicional (Gonçalo, Guarda, Beira Alta)
Intérprete: Ai!* (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)
Outras versões com César Prata: Chuchurumel – “Canção da Ceifa” (in CD “No Castelo de Chuchurumel”, Chuchurumel/Luzlinar, 2005); Ai! (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)

*César Prata – guitarra eléctrica, laptop e viola braguesa
Suzete Marques – voz
Tiago Pereira – cabaça, tigela tibetana e udu drums

Trigo loiro
Trigo loiro