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Ao meu ceifãozinho novo

Ao meu ceifãozinho novo
Olha lá como ceifas
Não cortes os meus dedos
São penas que tu me dás.

Fui à ceifa do Porto Santo
Fui à igrejinha dos profetas
Olhei para o altar e vi
O padre em cuecas.

Fui à ceifa ao Porto Santo
À fama do bom ceifar
Fui para amarrar as gavelas
Puseram-me a respigar.

Fui à ceifa ao Porto Santo
Com as cearas amarelas
As moças me deram fitas
Para amarrar as gavelas.

Fiz a cama na feiteira
Travesseiro na giesta
De que serve a cama boa
Se o travesseiro não presta.

Tradicional da Madeira

Apanhámos este trigo

Apanhámos este trigo
e colhemos a nossa aveia,
falámos da nossa vida,
deixámos a vida alheia.

Eu subi à ladeira,
ó João canta comigo:
És um botão de rosa,
botão de cravo sou eu,

assobia cana verde,
assobia de nó em nó,
a falar com o meu amor,
julgava que estava só.

Quando eu comecei a amar,
foi numa segunda-feira,
fui amando e fui gostando,
amei a semana inteira!

Ó que lindo chapéu preto
naquela cabeça vai,
ó que lindo rapazinho
era genro para ser de meu pai!

Passei à tua porta,
pus a mão na fechadura,
estavas dentro, não falaste,
coração de pedra dura.

(Tradicional da Madeira, cantigas que se cantavam quando se apanhava o trigo.)

As lavadeiras

As lavadeiras sempre a lavar
Muito ligeiras roupas a corar
Ligeiras são com alegria,
O ganha-pão de cada dia.

Sou vaidosa não me chames
Faz favor de se calar
Na ribeira de João Gomes,
Minha roupa vou lavar.

Minha roupa estou lavando
Com isso eu tenho alegria,
Eu sou sempre lavadeira
Ganho o pão de cada dia.

Tradicional da Madeira

Bela ceifeira

Bela ceifeira d’outrora
Elas linda mesmo trigueira
E quando eu te olho agora
Nem pareces tu ceifeira

Nos teus tempos de moçoila
Eras tu, ó linda cara
A mais bonita papoila
Que se via pela seara

Tinhas cabelos loirinhos
Como espigas nos trigais
Mas hoje são tão branquinhos
Como linho ou talvez mais

Numa tarde de sol quente
Em ceifa do Zé das Navas
Eu atava alegremente
O trigo que tu ceifavas

Eu já no fim de Junho
Tu não te lembras, amiga
Em que tu de foice em punho
Me cantaste esta cantiga

Ao atares estas gavelas
Agora as que ceifo aqui
Repara que dentro delas
Vão beijinhos para ti

Minha resposta, afinal
Já não me recorda toda
Sei que dia do Natal
Foi a nossa bela boda

Passou o tempo, discordámos
Era dia de Santo André
À lareira conversávamos
Sobre a vinda de um bebé

Eu desejava um menino
Tu uma menina, e depois
Por milagre divino
Fomos brindados os dois

Essa menina, porém
És mesmo o retrato teu
O menino, sabe-lo bem,
Esse não, esse é o meu

Nossa casa tão modesta
Pequenina mas tão bela
Tem sempre um ar de festa
Paz e amor dentro dela

Anos, já lá vão setenta
Sempre pobre, mas enfim
Qualquer coisa me contenta
Até quem me fala assim:

“Onde vai, de braço dado,
Senhor Nuno com Ti Arriça?”
Respondo, muito animando:
“É domingo, vou à missa.”

Constantino José Abreu, “o Caipira”

Bóia, bóia, binha

Bóia, bóia, binha,
que faz assim, assim.
1. Ora agora a costureira
faz assim, assim, assim.

2. o alfaiate

3. o sapateiro

4. a brunideira

Santo Tirso, Douro Litoral

De onde vieste agora

[ Cantiga de apanhar o trigo ]

De onde vieste agora
Boca cheia de alegria
A tua cara merece
Trinta beijos cada dia.

Da minha janela à tua
Um saltinho de uma cobra
Eu gostava de chamar
Tua mãe por minha sogra.

Eu mandei buscar lá fora
O que não há na Madeira,
Uma cangalha de cornos
Para te fincar na caveira.

Minha mãe para me casar
Prometeu-me quanto tinha,
Depois de me ver casada
Deu-me uma agulha sem linha.

Trigo louro, trigo louro
Trigo de palha amarela,
De baixo do trigo loiro
Namorei uma donzela.

Trigo loiro trigo loiro
Trigo de palha dourada,
Debaixo do trigo loiro
Namorei uma casada.

Trigo loiro, trigo loiro
Quem me dera a tua cor,
Para andar nos calos santos
Servir a Deus Nosso Senhor.

Deitei um limão correndo
À tua porta parou,
Quando o limão te quer bem
Que fará quem o deitou.

Semeei no meu quintal
O brio das raparigas,
Nasceu-me uma rosa branca
Cercada de margaridas.

Cantiguinhas que eu sabia
Todas me têm esquecido,
Agora me têm esquecido
Na apanhadinha do trigo.

Minha mãe mandou-me à lenha
Trouxe lenha de giesta,
Minha mãe ficou contente
Para cozer o pão da festa.

Tradicional da Madeira

Elas lavam

[ As lavadeiras ]

Elas lavam, elas lavam,
Elas lavam sem parar.

Põe aqui o teu pezinho,
põe aqui na brincadeira.
Vamos ver as lavadeiras
a lavarem na Ribeira.

Elas esfregam, elas esfregam,
Elas esfregam sem parar.
Elas torcem, elas torcem,
Elas torcem sem parar.

Elas dobram, elas dobram,
Elas dobram sem parar.
Elas falam, elas falam,
Elas falam sem parar.

Tradicional da Madeira

Eu sou o Xico pastor

Eu sou o Xico pastor
Minha vida é guardar gado
Eu juro que tenho amor
Às ovelhinhas que guardo

São todas de bom tamanho
Lindas e bem arraçadas
E das trezentas do rebanho
Tenho oito baptizadas

É a Má e a Princesa
A Churra e a Vaidosa
A Manca, a Baronesa
A Bonita e a Gulosa

A Cabresto, a mais gorducha
Que traz o maior chocalho
É vendida baratucha
É machorra, vai para o talho

Um borrego temporão
Que lá tenho com a lã vasta
Eu direi ao meu patrão
Para o deixar para casta

Meu ajuda vai à fonte
Traz notícias da aldeia
À noitinha vai ao monte
Com o tarro buscar a ceia

Durmo no alto da serra
Do São Miguel até Março
São vistas da minha terra
As fogueiras que ali faço

Deitado na minha choça
Vejo em noites luarentas
Lá no pino duma rocha
As corujas agoirentas

E a raposa esperta
Quer-me um borrego roubar
Meu canito está alerta
Não a deixa aproximar

Ao chegar o santo dia
Eu fico cheio de alegria
Olho o prado, é um jardim
A minha flauta a tocar
Passarinhos a cantar
É tão bom viver assim

Constantino José Abreu, “o Caipira”

Eu sou o Zé da enxada

Eu sou o Zé da enxada
Caminhando de madrugada
Oiço a linda cotovia
Voando alto sem a ver
O seu canto quer dizer:
“Vem aí um novo dia”

Ao passar junto ao silvado
Abala o melro assustado
Lá foge o espertalhão
O rouxinol não se espanta
Em vez de fugir canta
A sua linda canção

Chego ao lugar destinado
De pão como um bocado
Sentado a descansar
Nasce o sol e de repente
Diz o manajeiro: “Ó gente,
Nós temos de ir a trabalhar!”

Vou-me à enxada agarrar
E então começo a cavar
Com vontade e valentia
Assim que chega o sol-posto
Eu volto a casa com gosto
Para junto da Maria

Chego, as boas-noites dou
A seguir, lavar-me vou
Já está na mesa a ceia
Enquanto eu estou ceando
A Maria está contando
Novidades da aldeia

Esta vida para mim
Espinhosa, mas enfim
Mas vivo com alegria
Tem sido e continua
A enxada e a charrua
Darem-me o pão de cada dia

Constantino José Abreu, “o Caipira”

Fui ao Douro à vindimas

Vindimas no Douro
Vindimas no Douro

Fui ao douro às vindimas,
não achei que vindimar.
Vindimaram-me as costelas.
Olha o que lá fui ganhar!

Retira-te das janelas.
Retira-te do balcão.
Vem comigo p’ràs vindimas,
amor do meu coração.

Fui ao douro às vindimas,
pagaram-me a trinta réis.
Vim pela feira do Pêso;
empreguei-os em anéis.

Não se me dá que vindimem
videirinha que eu podei.
Não se me dá que outros logrem
o que eu por gosto deixei.

Não se me dá que vindimem,
nem também de vindimar.
Só me dá das tristes noites
que se passam no lagar.

Tradicional do Minho

Linda ceifeira

Linda ceifeira
Loira e trigueira
Gosto de ti
Teu rosto, linda flor
Encantador
Outro não vi

Ao ver-te no mês de Junho
De foice em punho
Ceifando o trigo
Dás alegria aos meus olhos
Fazendo molhos
Canto contigo

Com o chapéu desabado
Rosto suado
Sorrindo estás
Mas tantas vezes ceifando
Andas pensando
No teu rapaz

À sombra da oliveira
Linda ceifeira
À sesta dormes
Debaixo do sol ardente
Ceifas contente
O pão que comes

Constantino José Abreu, “o Caipira”

Na ponte da viola

Na ponte da viola (bis),
toda a gente passa lá (bis).
Lavadeiras fazem assim,
sapateiros fazem assim,
caçadores fazem assim,
camponeses fazem assim.

Lárálálá.

Não se me dá que vindimem

Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei
Não se me dá que outros logrem
Ai amores que já rejeitei.

Fui um ano à vindima
Pagaram-me a trinta réis
Dei um vintém ao barqueiro
Ai vim p’ra casa com dez réis.

Pela folha da videira
Conheço eu a latada.
Faço-me dasatendida
Ai a mim não me escapa nada.

Eu estou debaixo da latada
Nem à sombra nem ao sol.
Estou ao pé do meu amor
Ai não há regalo maior.

Letra e música: Popular (Monsanto, Beira Baixa)
Recolha: Fernando Lopes Graça
Intérprete: Né Ladeiras e Luís Represas
Outras versões: Jorge Lomba (in CD “Jorge Lomba”, UPAV, 1990); Contrabando (in CD “Fresta”, 2000); Filipa Pais (in CD “À Porta do Mundo”, Vachier & Associados, 2003)

Numa terra distante

[ A Menina da Canastra ]

Numa terra distante
Viviam tranquilos sem grande mudança
Os campos eram campos
O vinho macio, a água era mansa

E a menina da canastra
Tanta neve e ela passa
Pelo caminho mais longo
Segue o cheiro da fumaça

Segue o carreiro do maninho
Rosmaninho, avelãs, o cheiro a pão

Dia de animação,
O espeto na mão, o bicho sebado
Rezas e devoção,
Bruxarias, magia, tudo está destinado

E a menina da canastra
Tanta neve e ela passa
Pelo caminho mais longo
Segue o cheiro da fumaça

Segue, como a roca faz o fio,
Segue a lua que ilumina a escuridão

O desejo desceu à terra
De caravela por entre a serra

Um partiu e depois
Emigraram mais dois para fugir à desgraça
Do sustento que dá semear tanto pranto
Lavrar o que embaraça

Mas a menina da canastra
Tanta neve e ela passa
Pelo caminho mais longo
Segue o cheiro da fumaça

Segue o carreiro do maninho
Rosmaninho, avelãs, o cheiro a pão

O desejo desceu à terra
De caravela por entre a serra

Como a roca faz o fio
Assim vai a sua dor
E de fio-a-pavio
Partem para mal menor

Caravela do desejo
Traz-lhe do céu uma flor
A canastra da menina
Não tem pão, só tem suor

Como a roca faz o fio
Assim vai a sua dor
E de fio-a-pavio
Partem para mal menor

Caravela do desejo
Traz-lhe do céu uma flor
A canastra da menina
Não tem pão, só tem suor

Como a roca faz o fio
Assim vai a sua dor
E de fio-a-pavio
Partem para mal menor

Caravela do desejo
Traz-lhe do céu uma flor
A canastra da menina
Não tem pão, só tem suor

A menina…

Letra e música: André Cardoso
Intérprete: A Presença das Formigas com Amélia Muge (in CD “Ciclorama”, A Presença das Formigas, 2011)

Ó Margarida moleira

1. Ó Margarida moleira,
dá-me da tua farinha.
Ai, ai, ai, que a quero peneirar
ai, ai, ai, pela nova peneirinha.

2. Ó Margarida moleira,
a tua farinha é boa;
ai ai ai, se agora não tens moída
ai, ai, ai, dá-me então da tua broa.

3. Ó Margarida moleira
tens moinho de moer;
ai, ai, ai, p’ra moer quem te quer bem,
ai, ai, ai, não tens pouco que fazer.

4. Ó Margarida moleira,
amostra-me o teu moinho;
ai, ai, ai, quero ver se ele trabalha,
ai, ai, ai, devagar ou ligeirinho.

Cabeceiras de Basto, Minho

O que é feito das mondadeiras?

O que é feito das mondadeiras
Que no Verão eram ceifeiras
E apanhavam a azeitona?
Onde estão os passarinhos
A cantar entre os raminhos,
Nas árvores aqui da zona?

As rolas fazendo o ninho,
Grandes bandos de estorninhos,
Para nós são uma saudade;
Até as lindas perdizes
E as vaidosas codornizes
São já uma raridade.

Já ninguém dorme nas eiras,
Por modo as debulhadeiras
Que ao trigo fazem tudo.
As danças, ai que saudade
Os bailes da Sociedade
Quando chegava o Entrudo!

Dizem-nos, por brincadeira,
Que esta terra hospitaleira
Tem brilhantes tradições;
Por todos é adorada,
Por muitos é visitada
E fica em seus corações.

Letra: José Correia
Música: Armando Torrão
Intérprete: Pedro Mestre* (in CD “Campaniça do Despique”, Viola Campaniça Produções Culturais/Pedro Mestre, 2015)
Outra versão de Pedro Mestre (in DVD “No CCB: Pedro Mestre & Convidados”, Pedro Mestre, 2017)

Ora bate, padeirinha

Ora bate, padeirinha,
ora bate o pé no chão.
Ora bate, padeirinha,
amor do meu coração.

Fui à fonte p’ra te ver,
fui ao rio p’ra te falar.
Nem na fonte nem no rio
nunca te pude encontrar.

Os moleiros deste açude

[ Canção de Açude – Poema em Cor ]

Os moleiros deste açude, os moleiros deste açude,
Os moleiros deste açude, os moleiros deste açude…

Os moleiros deste açude adoram a virgem de branco
Os moleiros deste açude adoram a virgem vermelha
Os moleiros deste açude adoram a virgem de verde
Os moleiros deste açude adoram a virgem de preto

Branco, vermelho, amarelo, preto
Branco, verde, azul, preto

De sol a sol, a trabalhar
Tanto suor e sem tempo para o limpar
Tanta farinha na minha mão
Bem moidinha vai formar um grande pão

Eu não pertenço a esta aldeia
Vim para aqui p’ra fazer o meu pé-de-meia
Ai este rio corre p’ró mar
Tão fugidio não pára p’ra descansar

‘Tou tão cansado de labutar
Ai esta nora que não pára de girar

Branco, vermelho, amarelo, preto
Branco, verde, azul, preto

Letra: Rodrigo Crespo e Tânia Cardoso
Música: Rodrigo Crespo
Intérprete: Canto Ondo (in CD “Entre o Alto do Peito e as Campainhas da Garganta”, A Monda – Associação Cultural/Canto Ondo, 2016)

Primavera das Flores

[ A Primavera ]

Primavera das flores
Como esta não há mais
A Primavera vai e volta sempre
A mocidade não volta mais.

Ai borda rica filha, borda, borda
Ai borda rica filha, borda, bem
Em casa rica filha todos bordam Refrão
Borda o pai borda a filha borda a mãe
E eu também.

Bordadeira madeirense

Encontrei a Primavera
Ali em baixo no jardim
Ai como vai ai como vai a Primavera
Vai assim assim assim.

Refrão

Perguntei à Primavera
Quando é que vinha o Verão
Ai a 25 de Março
A Primavera está na mão.

Refrão

Encontrei a Primavera
Ali em baixo no lombinho
Ai sentado numa cadeira
Falar com um rapazinho.

Tradicional da Madeira

Quem quiser regar

[ Cantiga de Rega ]

Quem quiser regar
que regue
Ai cá lhe fica
o regador

Palavra dada
Eu tenho
Ai esta noite
Ao meu amor

A palavra
É igual à água
Que há no regador
Rega todo este chão
Conversador

E com palavras
Nós vamos regando
Este longe que então
Faz o perto crescer
E dar seu pão

Tradicional portuguesa e Amélia Muge / Tradicional

Raparigas camponesas

[ Raparigas Mondadeiras ]

Raparigas camponesas,
Ao rigor do temporáli
Não há vento que as queime
Nem sol que lhes faça máli.

Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!

Raparigas mondadeiras,
Andai lá com cuidadinho,
Que manda o nosso patrão!
Mondai lá bem o triguinho!

Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!
Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!

Raparigas mondadeiras,
Vamos todas a cantári!
Já lá vem nossa patroa
A trazer-nos o jantári.

Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!
Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!

Já lá vem a noite em baixo,
Já lá vem nossa alegria;
Tristeza p’ra o nosso amo,
Que já se lhe acaba o dia.

Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!
Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!
Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!
Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!
Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!
Ó ló, ai larilolela! Ó ló, ai lariloló!

Letra e música: Tradicional (Penha Garcia, Idanha-a-Nova, Beira Baixa)
Recolha: GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra)
Intérprete: Brigada Victor Jara / voz solo de Catarina Moura (in Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: CD Extra, Tradisom, 2015)

Rema

Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema, lanchinha
P’ró alto mar

Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema, lanchinha
P’ró alto mar

Rema que rema
No mar irado
Gostar de ti
É um triste fado

Rema que rema
Na calmaria
Senhor S. Pedro
És o meu guia

Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema, lanchinha
P’ró alto mar

Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema, lanchinha
P’ró alto mar

Rema que rema
Pelo mar fora
Segure o leme
Nossa Senhora

Rema que rema
P’ró areal
Se te não vejo
Passo bem mal

Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema, lanchinha
P’ró alto mar

Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema, lanchinha
P’ró alto mar

Rema
Rema que rema
Que é bom remar
Rema, lanchinha
P’ró alto mar

Letra e música: Aníbal Raposo (2000-08-07)
Intérprete: Aníbal Raposo (in CD “Rocha da Relva”, Aníbal Raposo/Global Point Music, 2013)

Senhora Dona Anica

1. Senhora Dona Anica,
venha abaixo ao seu jardim.
Venha ver as lavadeiras
a fazer assim, assim.

2. Senhora Dona Anica,
venha abaixo ao seu jardim.
Venha ver as costureiras
a fazer assim, assim.

3. Senhora Dona Anica,
venha abaixo ao seu jardim.
Venha ver os jardineiros
a fazer assim, assim.

4. Senhora Dona Anica,
venha abaixo ao seu jardim.
Venha ver os sapateiros
a fazer assim, assim.

5. Senhora Dona Anica,
venha abaixo ao seu jardim.
Venha ver as brunideiras
a fazer assim, assim.

6. Senhora Dona Anica,
venha abaixo ao seu jardim.
Venha ver os carpinteiros
a fazer assim, assim.

7. Senhora Dona Anica,
venha abaixo ao seu jardim.
Venha ver as cozinheiras
a fazer assim, assim.

Stando la molinera

[ Molinera ]

Stando la molinera
Sentadita en su molino…
Passou por alla un soldado, olé! olé!
Vengo de moler el trigo.
Que vengo de moler, morena.

Que vengo de moler, morena,
De los molinos de abajo…
Dormí con la molinera, olé! olé!
No me ha cobrado el trabajo.
Que vengo de moler, morena.

Que vengo de moler, morena,
De los molinos de arriba…
Dormí con la molinera, olé! olé!
No me ha cobrado la maquia.
Que vengo de moler, morena.

Que vengo de moler, morena,
De los molinos del frente…
Dormí con la molinera, olé! olé!
Se enteró toda la gente.
Que vengo de moler, morena.

Que vengo de moler, morena,
De los molinos azules…
Dormí con la molinera, olé! olé!
Sabado, domingo y lunes.
Que vengo de moler, morena.

Letra e música: Tradicional (Trás-os-Montes)
Intérprete: Ai! (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)

Sua o martelo

[ Instrumentos de Trabalho ]

Sua o martelo nas mãos
como soa uma navalha
instrumentos de trabalho
em dedos que nunca falham

Instrumentos de trabalho
ou mortes de mão primeiro
Cresce o tempo no trabalho
de um martelo de ferreiro

Primeiro os mortos são peso
(ferro no sangue não fere)
Instrumentos de trabalho
de um calor que não requer

Desespero não é palavra
nem será nunca instrumento
A mão recobra o metal
de material nos dedos

Dado o trabalho transpira
a fome de um operário
instrumento de acidente
na justiça de um salário

Semidesliza o arado
que o camponês não acusa
Ou comemora a semente
com as mãos sem armadura

Movimento de calor
nos músculos que se recusam
Sol a sol de instrumentos
ou mortes de qualquer cura

Sua o martelo nas mãos
como soa uma navalha
instrumentos de trabalho
em dedos que nunca falham

Dado o trabalho transpira
a fome de um operário
instrumento de acidente
na justiça de um salário

Semidesliza o arado
que o camponês não acusa
Ou comemora a semente
com as mãos sem armadura

Poema: Maria Teresa Horta (adaptado)
Música: Lindolfo Paiva
Intérprete: Dialecto* (in CD “Aromas”, Dialecto/Cloudnoise, 2011)

Instrumentos de trabalho

(Maria Teresa Horta, in “Cronista Não É Recado”, Lisboa: Guimarães Editores, 1967; “Poesia Reunida”, pref. Maria João Reynaud, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2009 – p. 262-63)

Instrumentos de trabalho
ou mortes
de mão primeiro

Cresce o tempo no
trabalho
de um martelo de ferreiro

Primeiro
os mortos são peso
(ferro no sangue não fere)

Instrumentos de trabalho
de um calor
que não requer

Desespero não é palavra
nem será nunca
instrumento

A mão recobra
o metal
de material nos dedos

Dado o trabalho transpira
a fome de um operário
instrumento de acidente
na justiça de um salário

Semidesliza o arado
que o camponês
não acusa

Ou comemora
a semente
com as mãos sem armadura

Movimento de calor
nos músculos
que se recusam

Sol a sol
de instrumentos
ou mortes de qualquer cura

Sua o martelo nas mãos
como soa uma navalha
instrumentos de trabalho
em dedos que nunca falham

Toda a vida fui pastor

1. Toda a vida fui pastor,
toda a vida guardei gado.
Tenho uma mágoa no peito, ai, ai,
de me encostar ao cajado.

2. De me encostar ao cajado,
lá pelos campos a rigor.
Toda a vida guardei gado, ai ai!
Toda a vida fui pastor.

3. Meu lírio roxo do campo,
criado na Primavera,
desejava amor saber, ai, ai,
a tua intenção qual era.

4. A tua intenção qual era
desejava amor saber.
Meu lírio roxo do campo, ai, ai,
quem te pudera colher.

Mel. trad. Alentejo

Trigo loiro

[ Cantiga de ceifa ]

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai! Quem me dera o teu valor!
Que entrara no cálice de oiro
Ai! Onde entra Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai! Quem me dera o teu valor!
Levara a cruz ao Calvário
Ai! Como fez Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai! Quem me dera o teu valor!
Que entrara no cálice de oiro
Ai! Onde entra Nosso Senhor.

Trigo loiro, trigo loiro,
Ai! Quem me dera o teu valor!
Levara a cruz ao Calvário
Ai! Como fez Nosso Senhor.

Letra e música: Tradicional (Gonçalo, Guarda, Beira Alta)
Intérprete: Ai! (in CD “Ai!”, Ai!/RequeRec, 2013)
Outras versões com César Prata: Chuchurumel – “Canção da Ceifa” (in CD “No Castelo de Chuchurumel”, Chuchurumel/Luzlinar, 2005); Ai! (in CD “Lavra, Boi, Lavra: Canções de Trabalho”, Ai!/Coruja do Mato, 2015)

Vamos apanhar o trigo [ Este trigo ]

Vamos apanhar o trigo
Vamos escolher da aveia
Falamos na nossa vida
Deixamos a vida alheia.

Este trigo está bom trigo
Parece trigo de relva
Calai a boca menina
Deus do céu é que governa.

Nossa Senhora do Monte
É madrinha de João
Eu também sou afilhada
Da Virgem da Conceição

Esta noite vai dar vento
Também vai dar viração
As rosas vão voar
Não vai ficar nem um botão.

Este trigo está bom trigo
As favas estão mais falidas
Os olhos do meu amor
É a flor das raparigas.

Tradicional da Madeira

Vamos apanhar o trigo [ Trigo louro ]

[ Trigo Louro ]

Vamos apanhar o trigo
Vamos lhe escolher a veia
Cuidamos da nossa vida
Deixemos a vida alheia.

Trigo louro, trigo louro
Empresta-me a tua cor
Quero ir ao sacrário
Oferecer a Nosso Senhor.

Trigo louro, trigo louro
Trigo da folha amarela
Debaixo do trigo louro
Namorei uma donzela.

Trigo louro, trigo louro
Trigo da folha estreita
A apanhar o trigo louro
Namorei uma sujeita.

Trigo louro, trigo louro
Trigo da folha miúda
Debaixo do trigo louro
Namorei uma viúva.

Tradicional da Madeira

Vamos todos a cantar

[ As profissões ]

Vamos todos a cantar,
estas nossas profissões,
neste grupo que é alegre,
com bailados e canções.

Eu aqui sou bordadeira,
neste pano vou bordar,
que o bordado da Madeira,
é para se exportar.

Eu sou um agricultor,
com a enxada na mão,
é que a vida no campo,
também é uma profissão.

Também vamos começar,
aqui todos trabalhando,
com amor a esta vida,
alegres também cantando.

Eu também vou fiar linho,
de estopa e de tomentos,
e nesta história do linho,
se passam muito tormentos.

Eu que debulho o milho,
é o que eu vou fazer,
isto é o comer do pobre,
temos que o defender.

Todo o homem que trabalha,
honra a pátria e aos seus,
havendo comida em casa,
todos dão graças a Deus.

Também eu vou fazer tricot,
isto para me entreter,
temos nós que trabalhar,
para se poder viver.

Também vou apanhar erva,
para os meus animais,
esta foi a bela arte,
que me deram os meus pais.

E todos nós trabalhámos,
para se poder comer,
e nós também cantamos,
é para nos entreter.

Neste lugar sou ceifeira,
do trigo que é o nosso pão,
eu apanho muito sol,
que é neste tempo de verão.

Eu também sou marceneiro,
que é uma arte fina,
sou eu que faço os móveis,
desde a sala até às cozinhas.

Todas estas profissões,
quem trabalha tem saúde,
o trabalho vem dos velhos,
e passa para a juventude.

Foi a ovelha que deu,
esta lã que vou fiar,
mas neste trabalho falta,
é lavá-la e cardar.

Eu trabalho de pedreiro,
é com areia e cimento,
para fazer nossas casas,
para se abrigar do tempo.

Tradicional da Madeira

Vi-te a trabalhar

[ Que Força É Essa? ]

Vi-te a trabalhar o dia inteiro,
construir as cidades pr’a os outros,
carregar pedras, desperdiçar
muita força p’ra pouco dinheiro!
Vi-te a trabalhar o dia inteiro,
muita força p’ra pouco dinheiro!…

Que força é essa?
Que força é essa
que trazes nos braços,
que só te serve para obedecer,
que só te manda obedecer?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo,
que te põe de bem com outros
e de mal contigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?

Não me digas que não me compr’endes!
Quando os dias se tornam azedos,
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes!
Não me digas que não me compr’endes!…

Que força é essa?
Que força é essa
que trazes nos braços,
que só te serve para obedecer,
que só te manda obedecer?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo,
que te põe de bem com outros
e de mal contigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?

Vi-te a trabalhar o dia inteiro,
construir as cidades pr’a os outros,
carregar pedras, desperdiçar
muita força p’ra pouco dinheiro!
Vi-te a trabalhar o dia inteiro,
muita força p’ra pouco dinheiro!…

Que força é essa?
Que força é essa
que trazes nos braços,
que só te serve para obedecer,
que só te manda obedecer?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo,
que te põe de bem com outros
e de mal contigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?
Que força é essa, amigo?

Letra e música: Sérgio Godinho* (in LP “Os Sobreviventes”, Guilda da Música/Sassetti, 1972, reed. Philips/Polygram, 1990, Universal, 2001, 2019)

* Sérgio Godinho – voz, guitarra acústica, piano, gaita ‘bagu’ (kazoo)
Christian Padovan – baixo eléctrico
Uli Plech – flauta
Gérard Crapoutchik – guitarra eléctrica
Cras – bateria
Isabel Alves Costa – coros
José Mário Branco – guitarra acústica, órgão, xilofone, coros
Sheila Charlesworth – coros
Produção e arranjos – José Mário Branco, com a contribuição de todos os músicos
Gravado no Strawberry Studio, Château d’Hérouville (arredores de Paris), em finais de Abril de 1971
Engenheiro de som – Gilles Sallé

Pastor alentejano
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