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José Afonso, Com as minhas tamanquinhas

Teresa Torga

No centro da Avenida,
No cruzamento da rua,
Às quatro em ponto, perdida
Dançava uma mulher nua.

A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la,
Mas surge António Capela

Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la.
Mulher na democracia
Não é biombo de sala.

Dizem que se chama Teresa,
Seu nome é Teresa Torga;
Muda o ‘pick-up’ em Benfica
E atura a malta da borga.

Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela;
Agora é modelo à força,
Que o diga António Capela.

T’resa Torga, T’resa Torga
Vencida numa fornalha!
Não há bandeira sem luta,
Não há luta sem batalha!

T’resa Torga, T’resa Torga
Vencida numa fornalha!
Não há bandeira sem luta,
Não há luta sem batalha!

Letra e música: José Afonso
Arranjo: Paulo Loureiro e José Salgueiro
Intérprete: Ana Laíns* (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017)
Versão original: José Afonso (in LP “Com as Minhas Tamanquinhas”, Orfeu, 1976, reed. Movieplay, 1987, 1996, Art’Orfeu Media, 2012)

*Ana Laíns – voz
Paulo Loureiro – Fender Rhodes
José Salgueiro – bateria e percussões
Bernardo Couto – guitarra portuguesa
Carlos Lopes – acordeão
Hugo Ganhão – baixo

José Afonso, Com as minhas tamanquinhas
José Afonso, Com as minhas tamanquinhas
Brigada Victor Jara

Cantiga Bailada

Tenho à minha janela
(eras tão bonita e eu já te não quero)
O que tu não tens à tua:
Um vaso de manjerico
(eras tão bonita e eu já te não quero)
que dá cheiro a toda a rua.

Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!

Adeus, ó Rua da Ponte,
(eras tão bonita e eu já te não quero)
Calçadinha mal sigura! [bis]
E quando o meu amor passa
(eras tão bonita e eu já te não quero)
Não há pedra que não bula. [bis]

Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!

As pedras do meu balcão
(eras tão bonita e eu já te não quero)
Estão todas a três a três. [bis]
Os meus amores de algum dia
(eras tão bonita e eu já te não quero)
Já os cá tenho outra vez.

Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!

Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lari…!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lari…!
Ó ai ó larilolela! Ó ai ó lariloló!

Letra e música: Popular (Beira Baixa)
Arranjo: Paulo Loureiro
Intérprete: Ana Laíns* (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017)
Primeira versão: Brigada Victor Jara / voz solo de Luísa Cruz (in LP “Contraluz”, CBS, 1984, reed. Sony Música, 1994; LP/CD “15 Anos de Recriação da Música Tradicional Portuguesa (colectânea)”, Caravela/UPAV, 1992; Livro/11CD “Ó Brigada!: Discografia Completa da Brigada Victor Jara – 40 Anos”: CD “Contraluz”, Tradisom, 2015)

*Ana Laíns – voz
Paulo Loureiro – piano e coros
José Salgueiro – bateria e percussões
Bernardo Couto – guitarra portuguesa
Carlos Lopes – acordeão e coros
Hugo Ganhão – baixo
Ana Pereira – 1.° violino
Ana Filipa Serrão – 2.° violino
Joana Cipriano – viola d’arco
Ana Cláudia Serrão – violoncelo

Brigada Victor Jara
Brigada Victor Jara
Ana Laíns

Charanga do Tempo

O tempo perguntou ao tempo
Quanto tempo o tempo tem;
E o tempo respondeu ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem.

Tempo que parece Deus
E Deus que parece a Vida;
Vida que pareço eu
Entre o riso e o pranto
Numa busca sem medida.

O tempo perguntou ao tempo
Quanto tempo o tempo tem;
O tempo respondeu ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem.

Sobre o tempo ninguém sabe,
Talvez ele saiba de nós;
Não se vende, não se rende,
Tantas vezes não se entende
E quase sempre manda em nós!

O tempo perguntou ao tempo
Quanto tempo o tempo tem;
E o tempo respondeu ao tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem.

Mas sei qu’ele sabe o que faz
Sem se dar a entender;
Na verdade que trouxer
Venha o tempo que vier,
Hei-de ser tempo de paz.

O tempo perguntou ao tempo…
Sobre o tempo ninguém sabe…
O tempo perguntou ao tempo…
Talvez ele saiba de nós…
O tempo perguntou ao tempo…
O tempo, o tempo, o tempo…
O tempo… Qual tempo?
O tempo, esse!
O tempo perguntou ao tempo

Quanto tempo o tempo tem.

Letra: Popular (refrão) e Ana Laíns
Música: Carlos Lopes
Arranjo: Paulo Loureiro e José Salgueiro
Intérprete: Ana Laíns* com Mafalda Arnauth (in CD “Portucalis”, Ana Laíns/Seven Muses, 2017)

*Ana Laíns – voz
José Salgueiro – percussões
Carlos Lopes – acordeão
Hugo Ganhão – baixo
Paulo Loureiro – clarinete baixo
Participação especial:
Mafalda Arnauth – voz

Ana Laíns
Ana Laíns