Sebastião Antunes

O mar a salgar-nos a vida
E a vida sem sal
O vento a empurrar-nos a alma
Contra o temporal
Mas quando o destino
Foi tudo o que herdámos
Dos nossos avós
É tão pouca a sorte
O vento é tão forte
Que há-de ser de nós?

As mãos presas na corrente
O tempo a passar
O mar a gastar-nos os ano
E o medo a ficar
No fundo das águas
Descansam mil mágoas
Do nosso sofrer
A manhã clareia
A rede vem cheia
Que mais posso eu querer?

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Os dias são como as ondas
É o mesmo vai-e-vem
O mar é como a saudade
Não poupa ninguém
No vazio da praia
Esvoaça uma saia
Cor negra a sofrer
Que se a calma vaga
Que a manhã me traga
A alegria de o ver

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Dizem que o mar também chora
E é como um barco sem ter farol
Chora p’la Lua que se foi embora
Como uma louca, atrás do Sol
E às vezes as fúrias são tantas
Que não há ninguém que as possa acalmar
A não ser a alma daqueles que andam ao mar

Quem anda ao mar
Não tem dia, não tem hora
Nunca sabe quando chega
Nem quando se vai embora

Letra e música: Sebastião Antunes
Intérprete: Sebastião Antunes & Quadrilha com Tim (in CD “Perguntei ao Tempo”, Sebastião Antunes/Alain Vachier Music Editions, 2019)
Versão original: Quadrilha (in CD “Entre Luas”, Ovação, 1997)
Outra versão: Quadrilha (in CD “Deixa Que Aconteça: Ao Vivo”, Vachier & Associados/Ovação, 2006)

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