2019, centenário da morte do maestro e compositor Sousa Morais

Sousa Morais

Regente . Compositor

Compositor e regente, João Carlos de Sousa Morais nasceu em Coroada, concelho de Valença (Portugal), a 29 de setembro de 1863 e morreu no Porto a 3 de outubro de 1919.

Artigo da Professora Doutora Elisa Lessa:

Sousa Morais foi um importante regente e compositor para banda filarmónica, destacando-se o poema sinfónico Viagem do Gama que ele considerava a sua melhor obra. Durante a sua permanência em Braga, Sousa Morais dirigiu nos anos de 1907 a 1910, a Tuna do Seminário Conciliar de Braga e a Banda de Música da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso.

Depois de fixar residência no Porto, dirigiu ainda a Banda de Música de São João da Madeira. As suas obras, espalhadas do norte ao sul do país, encontram-se em espólios das bandas que regeu, em bandas que ao longo de décadas interpretaram a sua música e em espólios particulares de músicos filarmónicos.

De um modo geral o seu legado revela grande mestria e criatividade, constituindo património musical filarmónico de relevo (1).

A revista Nunca t’aflijas de Sousa Morais

A revista de costumes locais Nunca t’aflijas de Sousa Morais foi estreada a 12 de Julho de 1903 no Teatro D. Geraldo e levada várias vezes à cena sempre com enorme êxito.

A peça em 3 actos e 16 quadros tem texto original de David Silva, jornalista e funcionário do Caminhos de Ferro e 16 números de música que Sousa Morais compôs. O Correio do Minho, de 2 de Junho de 1903, anunciou aos seus leitores a estreia desta obra:

A revista Nunca t’aflijas do Sr. David Silva estreia no Theatro S. Geraldo a 15 de Junho. A parte musical – o distinto Maestro Souza Maraes tem andado a ensaiar os cantores e coros.

Sousa Morais viria depois a compor um pot-pourri para banda filarmónica com as canções da revista Nunca t’aflijas. No Arquivo da Banda Musical de Cabreiros existem alguns fragmentos desta obra.

Dois concertos In Memoriam de Sousa Morais (1927 e 1940)

A 31 de Julho de 1927, o capitão chefe de música Joaquim Jacinto Figueiras, regente da Banda de infantaria 8 realizou um concerto na cidade em homenagem à memória do insigne compositor. O Correio do Minho publicou nesse dia um texto do Capitão Figueiras em que este enalteceu as qualidades do músico como compositor e regente de várias bandas e orquestras do país, afirmando ser Sousa Morais uma glória nacional no nosso meio artístico, tendo dado à cidade de Braga o melhor do seu esforço (2). O concerto de homenagem dedicado à sua memória seria também, nas palavras do Capitão Figueiras, extensivo a todos os seus amigos bracarenses que souberam dar o devido apreço ao glorioso maestro.
Mais tarde, em 1940, a Banda de Infantaria 8 com regência de António Maias Meira voltaria a prestar uma homenagem ao compositor-regente Sousa Morais, realizando um concerto em sua memória na Avenida com um programa inteiramente preenchido com obras suas. Homenagem a Braga e Pot-pourri da Revista Nunca t’ aflijas foram duas das obras interpretadas nessa ocasião (3).

No ano em que se comemora o centenário da sua morte, fica o desejo de podermos ouvir de novo em Braga as obras de João Carlos de Sousa Morais dedicadas à cidade e, em particular, a sua Viagem do Gama.

NOTAS

(1) Eugénio Amorim (1935, 104-106), Manuel Ribeiro (1939: 261-263) e Álvaro Carneiro (1959: 354-363) escreveram notas biográficas sobre Sousa Morais. Sobre o compositor e a sua obra leia-se a Dissertação de Mestrado de Vítor Matos, A Sociedade Filarmónica Vimaranense e a Figura de Sousa Morais (1863-1919) (Matos: 2009).

(2) Biblioteca Pública de Braga, Correio do Minho 31 de Julho de 1927.

(3) Biblioteca Pública de Braga, O Minhoto, 30 de Junho e 7 de Julho de 1940.

Por opção da autora o texto está escrito segundo a norma ortográfica da Língua Portuguesa anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

Elisa Lessa

[ Músicos naturais de Valença ]