Silvério Marques, maestro natural de Albergaria-a-Velha

Silvério Campos

Maestro

Natural de Valmaior, Albergaria-a-Velha, o Maestro Silvério Marques Pereira de Campos (1920-1996) foi muito jovem para Lisboa. Na capital fez a maior parte da sua carreira artística na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana (G.N.R.). Com esta banda percorreu a hierarquia de furriel a tenente chefe de Banda de Música, tendo sido mais tarde colaborador extraordinário do Dicionário de Música de Tomás Borba e Fernando Lopes-Graça.

Em 1960, foi colocado em Angola, tendo dirigido a Banda de Música do Regimento de Infantaria de Luanda e a Orquestra de Salão do Instituto de Angola, sendo ainda professor de Harmonia e Composição na Academia de Música de Luanda, cuja estruturação se lhe deve. Nesta cidade criou, desinteressadamente, a Banda da Casa Pia de Luanda composta por brancos, negros e mestiços, de idades compreendidas entre os 8 e os 13 anos.

Regressando a Lisboa em 1962, ingressou novamente na Banda de Música da G.N.R. com a qual se deslocou à Holanda em 1963 para tomar parte nos Festivais de Música da NATO, onde dirigiu conjuntamente as Bandas de Portugal, Holanda, Itália, Áustria e França.

De novo em Tomar – pois já ali servira em 1959/60 – voltou a dirigir, de 1964 a 1967, a Banda do Regimento de Infantaria 15, acumulando com as funções de Inspetor das Fanfarras da Força Aérea.

À frente da Banda do Clube Ferroviário de Portugal (C.P.), em junho de 1969 deslocou-se à Alemanha onde realizou uma audição no Palácio de Música dos Mestres Cantores de Nuremberga, regendo em conjunto todas as bandas das empresas Ferroviárias da Europa ali representadas.

Sob a direcção do Major Silvério Campos actuaram no Estádio do Restelo em junho de 1978, no I Festival de Bandas Militares, em Évora, no IV Festival e finalmente no V Festival, em Lisboa em Agosto de 1982, as Bandas da Armada, Exército, Força Aérea, Guarda Nacional Republicana, Guarda Fiscal e Polícia de Segurança Pública, num total de 500 elementos.

Em janeiro de 1979, por ter atingido o limite de idade no respectivo posto, deixou as funções que exercia na Força Aérea. Ingressando na P.S.P., onde conseguiu, dos seus chefes, a oficialização da Banda de Música na Polícia de Segurança Pública (…), ficando com um Quadro Orgânico modelar entre as Bandas Militares Portuguesas, com o efetivo de 114 elementos.

A par da sua função artístico-militar, Silvério de Campos dedicou uma intensa actividade a favor da música no meio amador do País, tendo prestado a sua colaboração a numerosas Filarmónicas.

Devido à sua excepcional atividade em prol de tantas coletividades de amadores, em 17 de dezembro de 1978, a Federação das Colectividades de Cultura e Recreio concedeu-lhe o Diploma e Medalha de “Instrução e Arte”, insígnia, que desde a sua criação em 1954, foi atribuída pela segunda vez a uma Individualidade por relevantes serviços prestados à causa da Música.

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