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Paulo Bernardino

Órgão . Direção . Composição . Sanfona

Paulo Jorge Freire Bernardino nasceu nos Países Baixos, em 1973. Iniciou os estudos musicais aos sete anos na Escola de Música Jeroen Bosch, em ’s-Hertogenbosch, ingressando pouco depois na Schola Cantorum da Catedral de S. João (Sint-Janskathedraal), então sob a direção de Maurice Pirenne. Iniciou igualmente, ainda nos Países Baixos, os estudos de Órgão e Acordeão com Anne Rücker.

A 30 de setembro de 1986, com treze anos, veio definitivamente para Portugal, fixando-se na região de Coimbra. Prosseguiu os estudos musicais e concluiu, em 1995, o curso de Piano, na classe de Fernanda Casais, no Conservatório de Música de Coimbra. Simultaneamente, frequentou o curso de Engenharia Eletrotécnica na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, licenciatura que concluiu em 1998.

Entre 1991 e 1994 frequentou e concluiu o 1.º Curso Nacional de Música Litúrgica, realizado no Santuário de Fátima, no nível A de Órgão.

Em 2003 licenciou-se em Música Sacra, na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.

Em 2021 concluiu o Doutoramento em Direção Coral e de Orquestra na Universidade de Aveiro, com a tese Obras orquestradas de Manuel Faria na BGUC: edição e interpretação.

Prosseguiu a sua especialização com a Pós-Graduação em Estudos Avançados em Polifonia, concluída em 2023 na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), no Porto.

A sua atividade profissional desenvolve-se transversalmente entre a direção coral e instrumental, o órgão, a composição, o ensino e a investigação.

Ao longo de mais de três décadas lecionou disciplinas como Piano, Órgão, Acordeão, Formação Musical, Acústica, Novas Tecnologias e Música, Composição, Harmonia e Contraponto, História da Música, Prática Orquestral, Coro e Direção Coral, exercendo igualmente funções de pianista acompanhador e correpetidor.

Foi docente da Escola Diocesana de Música Sacra de Coimbra, entre 1994 e 2021, da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa – Porto, entre 2003 e 2008, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, entre 2005 e 2010, do Instituto Piaget, entre 2008 e 2013, e da Escola Superior de Educação de Coimbra, no ano letivo de 2014/2015. É professor na Escola Superior de Artes Aplicadas da Universidade Politécnico de Castelo Branco (ESART/UPCB), onde desenvolve atividade docente nas áreas da Direção Coral e Instrumental, Leitura de Partituras Orquestrais e Didática da Música de conjunto, entre outras.

Como organista, tanto no domínio da literatura como da improvisação, contactou e trabalhou, entre outros, com Huub ten Hacken, Maurice Pirenne, Martin Bernreuther, Franz Stoiber, Franz Lehrndorfer, Jeremy Blasby, Luca Antoniotti, Giampaolo di Rosa, João Vaz, José Luís González Uriol e Olivier Latry, desenvolvendo um repertório que se estende da música antiga à criação contemporânea.

A sua atividade organística encontra-se, desde muito cedo, profundamente ligada à música sacra e à liturgia. Pouco depois da chegada a Portugal começou a acompanhar regularmente celebrações litúrgicas, atividade que viria a marcar de forma determinante o seu percurso musical. Exerce funções na Sé Nova de Coimbra desde 1994, sendo seu organista titular desde 2002. Em 2007 foi nomeado organista titular da Capela de S. Miguel da Universidade de Coimbra, funções que mantém. Desde janeiro de 2023 é igualmente organista titular do Mosteiro de Santa Maria de Arouca.

No domínio vocal trabalhou, entre outros, com Mathias Gerchen, Sofia Serra, Susana Marincovic, António Salgado e Ghislaine Morgan, tendo sido igualmente convidado a integrar ou reforçar diferentes formações vocais, entre as quais o Aeminium e o Octeto Vocal da Lapa, e pertencido ao Ensemble Vocal Adarte.

Na área da direção coral e de orquestra estudou e trabalhou com Maurice Pirenne, Eugénio Amorim, Jörg Straube, Hubert Velten, Cesário Costa, Jorge Matta, Peter Phillips, Graham O’Reilly, José Luís Borges Coelho, Dominique Vellard, Artur Carneiro, Richard Gwilt e Owen Rees.

Ao longo do seu percurso dirigiu, entre outras formações, a Orquestra Sine Nomine, Orquestra de Câmara de Coimbra e Orquestra Adarte, para além de numerosos grupos vocais e instrumentais.

Foi pianista e assistente da Direção Artística dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, entre 1995 e 2003, e maestro e diretor artístico do Orfeon Académico de Coimbra, entre 2006 e 2008. Foi também, a partir de 2006, maestro dos Pequenos Cantores de Coimbra, desenvolvendo uma extensa atividade no domínio da formação e direção de coros.

Atualmente é maestro do Grupo Coral de Urrô, em Arouca, do Coral Stella Maris, em Anadia, do Coro APRe!, em Coimbra, e do Coro da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, também em Coimbra.

É ainda fundador do Manuel Faria Ensemble, projeto vocacionado para a interpretação, estudo e divulgação de repertório vocal, com particular atenção ao património musical português.

Como compositor, é autor de obras destinadas às mais diversas formações instrumentais e vocais: instrumento solista, música de câmara, orquestra, coro misto, vozes iguais e coro juvenil, tanto a cappella como com acompanhamento instrumental, para além de numerosos arranjos e orquestrações.

Entre as obras que marcaram uma primeira fase da sua produção encontra-se Ave, Maris Stella, para vozes iguais e jogo de sinos, apresentada pela primeira vez em Coimbra, a 8 de fevereiro de 2003, pela Capela Gregoriana Psalterium e pela percussionista Isabel Silva, sob direção do próprio compositor. Em 2005, a Câmara Municipal de Coimbra e o Festival de Música de Coimbra (FESMUC) encomendaram a Paulo Bernardino e Pedro Janela as Trovas de Garcia de Resende à Morte de Inês de Castro, estreadas a 1 de dezembro desse ano no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, igualmente sob a sua direção.

Entre a produção de maior dimensão dos últimos anos destaca-se a cantata O Pássaro Azul, sobre textos de António Arnaut, apresentada em Coimbra e posteriormente no Mosteiro de Santa Maria de Arouca, e Divine Flore Perfusa: Cantica Sanctae Reginae, obra coral-sinfónica concebida no âmbito das comemorações dos 400 anos da canonização da Rainha Santa Isabel, estreada em Coimbra a 24 de maio de 2025. Ambas as partituras destas obras estão publicadas pela Imprensa da Universidade de Coimbra.

Uma parte significativa da sua criação sacra e litúrgica encontra-se reunida em Ad Maiorem Dei Gloriam, projeto discográfico concebido como um CD duplo inteiramente dedicado à sua obra, envolvendo diferentes formações corais, solistas e instrumentistas.

Paralelamente à interpretação e à criação, desenvolve atividade de investigação, edição e divulgação do património musical português, particularmente nos domínios da música sacra, direção coral e órgão. A sua investigação académica tem dedicado particular atenção à obra de Manuel Faria, objeto da sua tese de doutoramento e de outros trabalhos de investigação, edição e divulgação.

É autor de diferentes publicações científicas e musicais, entre as quais trabalhos dedicados a Manuel Faria, O Órgão da Capela de S. Miguel da Universidade de Coimbra, publicado pela Imprensa da Universidade de Coimbra em 2022, e O Pássaro Azul, publicado pela mesma editora em 2023, para além de artigos, partituras e outros trabalhos de natureza científica, pedagógica e musical.

Como instrumentista — Órgão, Piano, Cravo, Acordeão e Sanfona — e como maestro, desenvolveu atividade concertística regular, quer a solo, quer como acompanhador ou diretor, em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Polónia, Itália, Estados Unidos da América, Canadá, Cabo Verde e Brasil.

A amplitude da sua atividade levou-o também a colaborar, em diferentes contextos e formações, com artistas de universos musicais muito diversos, entre os quais Amália Rodrigues, José Cid, Luís Represas, Nuno Guerreiro, Sara Tavares, Rui Veloso e Cesária Évora.

Ao longo do seu percurso recebeu prémios e distinções nas áreas da interpretação instrumental e da composição e participou em diversos projetos discográficos, como acompanhador, solista, maestro e compositor.

25 de agosto de 2026

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