Nicolau Ribas

Nicolau Ribas

Composição

Nicolau Ribas, compositor, nasceu em Madrid na Calle de Cantarranas actual Calle Lope de Vega, no Bairro das Musas, a 10 de março de 1832, e foi baptizado a 15 na Igreja Paroquial de San Sebastian, no período em que o seu pai lá esteve refugiado. Cedo aprendeu Violino, com o seu pai que lhe guiou a educação musical até que, a 28 de Agosto de 1847, aos 15 anos, estreou-se como solista no Teatro de S. João. No ano seguinte parte para o Brasil em digressão.
Regressado parte para Bruxelas, para o Real Conservatório onde estudou violino, sobre a orientação de Charles de Beriot, e composição com Fetis, tornando-se um primoroso executante. Aí foi companheiro de Hubert Leonard. Ocupou o lugar de primeiro violino no Teatro de “La Monnaie” e na Orquestra do Conservatório de Bruxelas.

A partir de 1855, regressado de novo a Portugal, ocupa o lugar de primeiro violino no Teatro de S. João. Em 1866 é convidado por Carlos Dubini a formar a “Academia do Palácio de Cristal”, juntamente com Ciriaco Cardoso, com a intenção de divulgar o ensino da musica. Extinta a “Academia do Palácio de Cristal” funda em 1868, juntamente com Dubini, Hipólito e J. N. Medina de Paiva a “Academia de Musica do Porto”.

A primeira vez que Nicolau Medina Ribas se fez ouvir em Lisboa, foi num grandioso e elegantíssimo concerto de beneficência, realizado em 29 de Maio de 1871 no Real Teatro de S. Carlos. Por Lisboa se deixou ficar até ao mês de Junho, exibindo-se em vários concertos. Quando chegara era um desconhecido. No momento da despedida da capital, um periódico dizia:

“Ilumina-lhe a fronte a chama do talento, e a fama já lhe cinge os louros da gloria”.

Dois anos depois, voltou pela segunda vez á capital; os jornais chamavam-lhe já “o célebre violinista portuense”. Estava-se, então, em 1873. Nicolau Ribas contava quarenta e um anos. Ora, foi no ano seguinte que se organizou, no Porto, a Sociedade de Quartetos, com os mais distintos músicos portuenses.

Em “O Comércio do Porto” de 6 de Maio de 1874 pode ler-se sobre a Sociedade de Quartetos – a primeira portuguesa no seu género – que com esta iniciativa se procura “constituir uma Sociedade destinada a propagar o gosto pela música clássica, por meio de concertos ou sessões musicais, em que serão executadas as mais apreciadas composições de Haydn, Boccherini, Mozart, Beethoven, Schumann, Mendelsshon, Sphor, Ries, Weber, Schubert e outros que cultivaram a música de câmara”.

Pode afirmar-se que Nicolau Ribas, Marques Pinto, Joaquim Casella, Miguel Ângelo Pereira e Moreira de Sá constituíram nesta cidade – como muito bem escreveu Magalhães Basto citando Joaquim de Freitas Gonçalves – o Grupo dos Cinco da historia da nossa musica de câmara, da mesma forma que, pouco mais ou menos pela mesma época, Antero de Quental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e Guerra Junqueiro constituíram o Grupo dos Cinco das letras portuguesas. A dita Sociedade de Quartetos do Porto, que se apresentou pela primeira vez ao público no salão do Teatro de S. João em 10 de Junho de 1874, numa sessão a que assistiu o celebre tribuno e estadista espanhol Emílio Castelar, foi “o definitivo ponto de partida para o conhecimento, entre nós de um dos mais belos géneros de música, senão o mais belo”. Foi ela que, numa época em que o publico só apreciava a musica italiana e as prima-donas de boa plástica, empreendeu “o conhecimento e a revelação das obras imortais que os grandes clássicos e românticos legaram ao quarteto e ao quinteto”.

Normalmente, os concertos daquela Sociedade realizavam-se no Teatro de Gil Vicente, do Palácio de Cristal. Até 1881 a Sociedade dá inúmeros concertos. Em 1883, Moreira de Sá funda a “Sociedade de Musica de Câmara” para a qual chama Ciriaco Cardoso e Alfredo Napoleão repescando os velhos Marques Pinto e Nicolau Ribas da “Sociedade de Quartetos”.

Até 1888 Nicolau dá centenas de concertos entre os quais um em 1884, em Lisboa, em que é condecorado por D Luís I. A partir de 1888, Nicolau vai progressivamente se afastando da actividade musical.

Foi professor de, entre outros, Leopoldo Miguez, de Francisco Pereira da Costa e de Bernardo Valentim Moreira de Sá, que sobre ele escreveu mais tarde:

“Dotado de surpreendente intuição interpretativa, discípulo de Bériot em Bruxelas, onde adquirira o largo estilo da Escola franco-belga, Ribas era magistral quartetista e excelente professor. O seu melhor discípulo foi Leopoldo Miguez, talentoso violinista, compositor e regente de orquestra, falecido no Rio de Janeiro, em 1905, director do Instituto Nacional de Música.”.

Fez parte do corpo docente na cadeira de Música, nos anos lectivos de 1879/80 e 1880/81, do Colégio Portuense, inaugurado em 1876 no extinto Convento das Carmelitas, á Praça do Anjo, estabelecimento de ensino modelo cujo proprietário e director era o Prof. Patrício Theodoro Álvares Ferreira. Eram lá também professores Augusto Luso, Basílio Teles, Joaquim de Vasconcelos, JJ Rodrigues de Feritas, Julio de Matos, Ricardo Jorge, entre outros. Foram lá alunos, entre outros, Leite de Vasconcelos e Santos Pousada.

Foi Cavaleiro da Cruz de Cristo (1866), de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1883) e da Cruz de S. Tiago da Espada do Mérito Artístico.

Casou em 1869, em segundas núpcias, com Carolina Augusta de Bessa Leite, de quem teve dois filhos em 1870, Adélia Alina de Bessa Ribas e António de Bessa Ribas (bisavô do autor destas linhas).

Faleceu no Porto a 3 de Março de 1900.

BIBLIOTECA DO CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DO PORTO

Composições existentes na Biblioteca do Conservatório de Música do Porto:

La Plainte, Nocturne pour Piano et Violon dedicado a J. A. Afflalo Jr., Op 8. Porto, Villa Nova (185-)

Le Délire, 3me Morceau de Salon pour Violon avec accompagnement de Piano dedicado a J. A. de Miranda Guimarães, Op 12. Paris, F. Bonoldi, PN B.A.342, (ca.1863), cf. Lesure/Devriès,II pp.67-68.

Lamento Saudoso, Andante para Rebeca e Piano á memória da infausta morte de D. Pedro V oferecido e dedicado a D. Fernando II. Porto, Villa Nova (1861)

Adelaide, Morceau Expressif pour Harmoniflute/Violon avec accompagnement de Piano, Op 18. Porto, Villa Nova (186-)

Duas Nuvens, Barcarolla para Violino e Piano dedicado a D. Luiz I, Op 20. Lisboa, Lence & Viuva Canongia (1872)

Amizade, Estudo de Expressão para Violino com acompanhamento de Piano dedicado ao meu amigo David de Lima Trindade, Op 24. Hamburgo, August Cranz, PN 5 164 (187-)

Hommage a mon Professeur Charles de Beriot,.Six Preludes-Etudes Pour Violon. Op 26 (187-)

Six Préludes-Etudes pour Violon dedies á ses Eléves, Hommage á Sa Majesté Don Luís I, Op 33. Paris, V. Durdilly, PN V.D.3030 (189-)

Six Préludes-Etudes pour Violon, Hommage à la Presse Portugaise. Op 34. Paris, V. Durdilly PN D.5101, 1895, cf. Lesure/Devriès, vol.II, pp.153-155

Souvenir D’Amitie, Morceau de Salon pour Violon et Piano dedicado a Charles Marie Widor Op 35. Paris, V. Durdilly, PN D.4650, 1893-94, cf. Lesure/Devriès, vol.II, pp.153-155

La Précieuse, Gavotte pour Violon avec accompagnement de Piano. Op 38. Edição do Autor (189-)

Les Portugais en Afrique, Scene Militaire, Etude pour Violon seul. Op 43. Bruxelles, Schott Frères, PN S.F. 4689, (189-)

BIBLIOTECA GERAL DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Il saltarelo, Scherzo Burlesco per Violino con accompt. di Piano forte…: all´amico collega Augusto Marques Pinto Op 21. Milano: F Lucca (1872)

Na Biblioteca do Conservatório de Musica Giuseppe Verdi, Milano, Itália:

Il Carnovale d’Oporto: Variazioni burlesque per Violino con accomp.to di Pianoforte sopra motivi popolari Portoghesi: Op. 14. Milano: F. Lucca (1858)

Pene del cuore: Andante expressivo per Violino e Pianoforte: dedicado a Carlos Relvas: Op. 22. Milano: F. Lucca (1873)

COLEÇÃO PARTICULAR

Le Passioné: 6eme Morceau de Salon/pour/Violon/avec/Accompagnement de Piano: Oeuvre 32. Porto Magazin de Musique[…] C.A. Villa Nova (18–) PN 6238

Romance Élégiaque: Pour/le Violon/avec/Accompagnement de Piano/Composé et dédié/à Mad.me L. E. Woodhouse/ Oeuv:4eme/Paris, chez Fr. BONOLDI, Editeur, PN A.304, (ca.1863), cf. Lesure/Devriès,II pp.67-68.

Deuxième: Morceau de Salon/pour/Le Violon/Avec Accompagnement de Piano/Composé et dédié à son Ami/Mr. le Docteur/Henrique Carlos de Miranda: Oeuv:6. Paris chez Fr. BONOLDI, Editeur, PN B.A.311, 1856, cf.Lesure/Devriès, II, pp.67-68.

Partituras da Biblioteca do Conservatório de Música do Porto comentadas:

Espólio Músical de Nicolau Ribas pelo Professor A. Cunha e Silva (Dezembro 2002)

Ribas Músicos, acesso a 11 de março de 2018

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