MÚSICA É ÁREA CURRICULAR DISCIPLINAR

Excerto de O lugar da Música no Ensino Básico: Música para todos, por Mário Relvas 2009

O debate sobre o que se deve aprender vem desde os gregos: Platão estabeleceu uma  hierarquia de saberes com a Filosofia no topo e no século XX John Dewey defende a  importância de realizar na sala de aula atividades com valor intrínseco em 7‐8 áreas de  saber, estas últimas retomadas por Gardner na Teoria das Inteligências Múltiplas.

Há quem use a Música apenas quando mais nada resulta — veja‐se o que se passa nos  TEIP — ou então para “abrilhantar” as festas em que o “prato forte” é a História, o  Português ou a Matemática.

Para além destas razões, importantes, mas colaterais,  devemos fazer Música no 1º ciclo porque:

  • ela é um sistema simbólico dos nossos sentimentos, ligada à nossa vida emocional;
  • as estruturas e padrões musicais desencadeiam em cada pessoa associações e significados;
  • ao trabalharmos Músicas de várias partes do mundo ou mesmo do interior do nosso País vamos ajudar os alunos a desenvolver o respeito e a compreender as outras culturas;
  • há várias inteligências que precisam ser desenvolvidas e a musical é uma delas.

No pré‐escolar e no 1º ciclo Educar a função do educador e do professor é não só instruir e  formar, mas também, e principalmente, desenvolver. Assim, o entendimento atual em  vários Sistemas Educativos Ocidentais é o de ensinar MÚSICA a todos, de desenvolver as  capacidades musicais de todas as crianças e não apenas de algumas, numa perspetiva do  desenvolvimento global das capacidades inatas do ser humano. Por isso é que em Portugal  a Música é uma área curricular disciplinar, tal como o Português e a Matemática.

Educador de infância e professor de 1º ciclo ensinam Música

A obrigatoriedade de Música no currículo parece que põe em confronto a extensa preparação de um músico instrumentista profissional e a parca preparação em Música dos professores generalistas. A resposta é simples: há muitas maneiras de fazer Música,  muitas das quais ao alcance do generalista.

Não há dúvida que é necessário um especialista  para ensinar a tocar um instrumento, dirigir um agrupamento instrumental ou coral, mas  como educar musicalmente é muito mais do que isto, o professor generalista tem um papel
indispensável, sendo aquele que melhor pode integrar a Música com as outras áreas do  saber.

Como ensinar Música

A Música é parte integrante do desenvolvimento intelectual, cultural, emocional e  espiritual das crianças e não deve ser lecionada à parte, nem ser um reduto do especialista,  antes deve ser integrada com as outras áreas. Os professores generalistas devem abordar o  desenvolvimento musical como abordam o desenvolvimento da linguagem e da leitura, com encorajamento, com atividades estruturadas. Ensinar Música passa por experiências  diretas de criar, tocar e ouvir. Tudo o que justifica a existência de Música no Ensino
Básico passa por fazer, por estar ativamente envolvido a fazer Música.

Objetivos a alcançar

O que é que os professores pretendem alcançar quando ensinam música?

  • desenvolver o potencial criativo,
  • compreender as funções da música na sua comunidade e no mundo,
  • compreender a música como forma de comunicação emocional.

Momentos musicais

Durante um dia de escola existem muitos momentos, espaços e situações para realizar atividades musicais:

  • toda a turma escuta uma pela musical gravada;
  • as sessões de movimento são acompanhadas de música gravada;
  • cantar para começar e acabar o dia de aulas;
  • cantar para memorizar outros assuntos;
  • cantar em línguas estrangeiras;
  • toda a turma.

O lugar da Música no Ensino Básico: Música para todos, por Mário Relvas, ESEL. Comunicação apresentada no Congresso do 1º ciclo “De Pequenino se Trilha o Caminho”, promovido pela  editora Gailivro e realizado na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, em 12 de dezembro de
2009.