Trio Maria Monda

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Maria Monda

Trio

Sofia Adriana Portugal, Susana Quaresma e Tânia Cardoso partilham o gosto pela pesquisa vocal, sonora e cénica. Estas são as três mulheres que mondam canções e saberes antigos de forma contemporânea, através do canto polifónico e dos ritmos da percussão. Cantam repertório do cancioneiro lusófono, mas também composições originais que acentuam a força da palavra e da poesia.

Mondar é limpar, arrancar as ervas daninhas, deixando o essencial para que tudo floresça, e para as Maria Monda a essência está no tecer das vozes, ora em sedas suaves, ora em mantas rudes, cantando em homenagem à Terra-Mãe, de nome Maria.

BIOGRAFIA

Conheceram-se em 2012, no âmbito do Mestrado em Teatro-Música da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e desde logo surgiu uma vontade crescente de trabalhar em conjunto.

Essa vontade concretizou-se finalmente na edição de 2015 do Festival Cantar Abril, em Almada, o qual deu o mote para este entusiasmante encontro que, na companhia do percussionista João Luís Lopes, resultou na vitória na categoria de Melhor Recriação de Canções de Resistência, Prémio Adriano Correia de Oliveira, cantando o tema “Já o Tempo se Habitua”, de José Afonso. Desde aí têm cantado de Norte a Sul do país, actuando também na ilha da Madeira. Internacionalmente apresentaram, em 2017, o seu trabalho em Manresa (Barcelona).

Sofia Adriana Portugal, Susana Quaresma e Tânia Cardoso são co-fundadoras e directoras da associação cultural A Monda Teatro-Música, desenvolvendo um caminho de pesquisa cénica, no âmbito das artes performativas e do Teatro-Música em particular. Pesquisam a relação com a palavra e o objecto, a criação de paisagens sonoras, o canto polifónico e desenvolvem trabalho pedagógico-artístico com a comunidade. Apresentam regularmente o seu trabalho performativo em Cineteatros, Serviços Educativos de espaços museológicos e Bibliotecas Municipais.

Em 14 de Fevereiro de 2020 apresentam o seu disco de estreia no Festival Antena 2 – Músicas do Mundo, acompanhadas pelo percussionista Tiago Manuel Soares, numa edição da Associação A Monda Teatro-Música em parceria com a editora Sons Vadios. Este disco contou ainda com o Apoio à Edição Fonográfica de Intérprete da Fundação GDA e o apoio à divulgação da Antena 2.

Disco de Estreia Maria Monda

Cada voz é única, é uma identidade.

A forma como a usamos conta uma história, traça um caminho desde a coordenada espaço-tempo onde nascemos até ao “aqui” e “agora” em que nos encontramos.

A forma como a usamos em conjunto e em partilha cruza a unicidade, a identidade, a viagem de cada uma de nós e transforma-a, ramifica-a, enraizando-se cada vez mais no solo, ao mesmo tempo que se ergue em direção ao céu.

Com percursos musicais tão distintos como a música erudita, o teatro musical ou a música de raiz popular, desde a exploração tímbrica das suas vozes – individualmente e em conjunto – à percussão corporal e vocal, as Maria Monda recriam, neste trabalho, temas de autores como Amélia Muge, José Afonso, Milton Nascimento e Chico Buarque, assim como temas originais da autoria de Rodrigo Crespo ou José Manuel David, inspirados pela poesia de Fernando Pessoa e Almada Negreiros, passando também pelos poetas e compositores anónimos da nossa música tradicional, numa intensidade sonora que só a singularidade partilhada das vozes permite.

Os músicos Tiago Manuel Soares (percussões), Ricardo Coelho (marimba), Rui Ferreira (acordeão e pequenas percussões), José Manuel David (tuba e trompa) e David Leão (flautas) acompanham o trio com a fortaleza das percussões, fazendo estremecer a terra com adufes e bombos tradicionais, com o ribombar metálico das tubas e das trompas, ou evocando o céu com a leveza das flautas e flautins.

A produção musical, gravação e mistura esteve a cargo de Rui Ferreira – cujo trabalho deu toda a coerência musical e imagética a esta viagem sonora – e a masterização ficou a cargo de Mário Barreiros.

A componente gráfica deste disco é da responsabilidade de Susana Quaresma e José Vicente, inspirada no biombo de “círculos órficos” da artista plástica Carla Rebelo, captado pelas lentes de André Alves e Thays Peric.

O imaginário musical deste disco de estreia entrelaça-se num tear de “círculos órficos” da artista Sonia Delaunay, na relação e movimento das suas cores vibrantes, tal como é a relação entre as vozes destas três cantoras; viaja entre a poética de vanguarda dos modernistas Almada e Pessoa e a força da paisagem rural portuguesa, abraçando também a cor da lusofonia do outro lado do Atlântico; Com arranjos vocais de Sofia Adriana Portugal e Susana Quaresma, três temas inéditos da autoria de José Manuel David e Rodrigo Crespo, e algumas “paisagens sonoras” e “desconstruções poéticas”, criadas por Tânia Cardoso.

O álbum de estreia das Maria Monda é a confirmação da primeira viagem que cruzou os caminhos destas três mulheres. Nele sente-se a brisa quente ao fim da tarde, o fraquejar das pernas cansadas na alegria de quem dança, o orvalho, o cheiro a terra molhada depois da chuva, o suor de ser-se Mãe e o cio de ser-se Terra.

[ Bio facultada por “Maria Monda” e publicada na Meloteca no Dia Mundial da Voz, a 16 de abril de 2020 ]

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